ElectionWatch Brazil 2026 | Eleições no Brasil e a agenda internacional: economia global e perspectivas
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Débora Nogueira
Solange Srour
- Choque de Petróleo e InflaçãoEstreito de Hormuz e fluxo de petróleo/gás/fertilizante · Normalização lenta e complexa dos fluxos · Revisão de fornecedores e aumento de custos · Risco inflacionário prolongado · Impacto em transporte, frete e alimentos
- Sistema Eleitoral BrasileiroPesquisa Atlas: aprovação e desaprovação presidencial · Comparativo temático: Lula vs. Flávio Bolsonaro · Pesquisa Coaeste: competitividade e segundo turno · Pesquisa Real Time: percepção econômica e pautas sociais · Eleições estaduais: Sudeste (SP, MG, RJ) · Impacto do cenário externo na política fiscal
- Impacto Econômico da Crise GeopolíticaNova ordem global e robustez econômica · Choque de petróleo e tensões geopolíticas · Segurança energética e logística · Reorganização produtiva e competição tecnológica
- Endividamento das famílias brasileirasComprometimento de renda com serviço da dívida · Estoque de dívida e renda disponível · Impacto de choques de alimentos e combustíveis em famílias endividadas · Programa Desenrola e renegociação de crédito · Impacto fiscal e político do endividamento
- Crise do Banco de BrasíliaControle da inflação e ancoragem de expectativas · Viabilidade política e política fiscal · Medidas de alívio e impacto fiscal · Ajuste fiscal em ambiente de juros globais maiores
- Projeção da economia brasileiraReuniões do FMI e Banco Mundial · Impacto da geopolítica na economia internacional · Reflexos no Brasil: inflação e endividamento · Cenário político-eleitoral brasileiro
Bem-vindos a mais um episódio do Election Watch Brasil. Eu sou a Débora Nogueira, economista do UBS Wealth Management, e hoje estou novamente ao lado da Solange Schruer, Rede de Macroeconomia para o Brasil, do UBS Wealth Management. No episódio de hoje, a gente vai dividir a conversa em duas partes. Na primeira parte, vamos discutir como o choque de petróleo, as tensões geopolíticas e o ambiente global mais desafiadores estão afetando a economia do Brasil.
E na segunda metade, vamos olhar o que as pesquisas mais recentes estão mostrando sobre aprovação, percepção econômica, prioridade do eleitor, porque o material que saiu nos últimos dias ajuda bastante a entender como esse pano de fundo macro está chegando na política. A rodada mais recente do Real Time, divulgada agora no começo de maio, por exemplo, ajuda a mostrar bem como o humor econômico, rejeição.
e o espaço para pautas sociais com apelo amplo, como o fim da escala 6x1 estão chegando aqui. Solange, eu queria começar pelo pano de fundo internacional. Você esteve recentemente nas reuniões de primavera do FMI, e a sensação é que a discussão mudou de tom nas últimas semanas. O que ficou mais claro para você nesse debate?
Olá, Débora. Enfim, eu acho que a questão que ficou muito clara para mim é que o mundo já mudou, entrou numa nova fase, a gente está vivendo um novo mundo em que a geopolítica passou a ocupar o centro das decisões de economia de uma forma muito mais explícita. Nas reuniões que eu tive agora no FMI e em vários outros ambientes.
que discutiu muito sobre pautas econômicas, a gente não estava com o debate concentrado em crescimento, inflação, juros, naquele sentido tradicional da conversa de economia. Ela incorporou segurança energética, confiabilidade logística, falou-se muito de reorganização produtiva, competição tecnológica, como as peças centrais desse cenário macro.
Então, a ideia de fundo é que o mundo está saindo de uma lógica que sempre foi organizada.
pela eficiência máxima, corte de custo, e operando cada vez mais num ambiente em que a robustez, a segurança econômica, a redução de vulnerabilidade ganha peso. E isso muda muito a forma como a gente olha as variáveis da economia, como inflação, juros, capacidade dos governos reagir a novos choques. É uma nova lógica. Eu estou até classificando em alguns.
artigos meus de uma nova ordem global. É interessante. E esse pano de fundo ajuda a entender o momento atual do choque de petróleo. Queria, por favor, que você explicasse para a gente como você está vendo esse choque agora, por que ele é mais delicado que um episódio convencional de energia. Então, eu acho que esse choque é mais... Ele é diferente no sentido de que ele começa na energia.
mas ele não termina nela, porque o estreito de Romutz concentra a tensão, porque ele tem uma parcela significativa do fluxo global de petróleo, mas também o fluxo de gás, fluxo de fertilizante. Então, mesmo quando o noticiário melhora um pouco, eu também acho que a normalização desses fluxos não é rápida, ela é lenta, ela é complexa.
Ela depende de frete, seguros, reorganização de logística, recomposição de estoques, confiança das empresas de navegação. Então, não existe uma saída rápida dessa questão da falta do comércio. E esse ponto da confiança apareceu muito nas discussões da FEMIA.
Mesmo que a guerra acabe agora, a escassez não termina imediatamente. E o risco que está sendo percebido pelas empresas faz elas tomarem decisões diferentes. Como eu falei, muitas vezes, decisões que hoje não são vistas como ótimas e não eram decisões esperadas. Então, elas começam a rever fornecedores, ampliar estoques, aceitar custos mais altos.
Isso leva a uma mudança estrutural. Então, a gente vai ter um mundo onde o custo estrutural é mais alto e isso prolonga o risco inflacionário. E esse choque ainda alcança outras cadeias importantes, né? Exatamente. Então, como eu falei, ele alcança...
também transporte, frete, fertilizante, e aí com alguma defasagem vai afetar alimentos, outros produtos industrializados. E a gente fez um estudo que mostra como o choque de energia num mundo mais endividado muda a maneira como esse choque se propaga e como lidar com ele.
A pandemia, por exemplo, também começou com choque de demanda. O episódio agora é um choque de oferta, que vai transformar custos e mudar a inflação. Agora, se a disrupção da oferta continua, ela acaba impactando a demanda. Então, se na pandemia você tinha um choque de demanda, agora a gente tem um choque de oferta, mas que vai impactar a demanda.
dependendo de quanto esse choque de oferta perdurar. E quando ele impactar a demanda, ele vai afetar a renda, ele vai afetar a confiança, ele vai afetar os investimentos e em algum momento vai afetar a atividade como um todo. Então, eu acho que comparar com a pandemia vale, porque o resultado mais provável é que a gente vai ter um ambiente de inflação mais elevado.
e a inflação e a atividade de culpa vai acabar sofrendo. É muito difícil não afetar a demanda. Num mundo mais endividado, a resposta dos governos ao redor do mundo fica mais difícil. É bem difícil. Na pandemia, a gente tinha um mundo muito menos endividado, quando a pandemia começou, do que agora, depois da pandemia, depois de uma outra rodada de endividamento pós-pandemia.
o mundo vai entrar, já está nesse novo choque, com dívida muito mais elevada e déficits muito mais persistentes. No nosso estudo, a gente mostrou que a dívida bruta do governo das economias avançadas saiu de 104% do PIB em 2019 e foi para 110% em 2025.
Nos emergentes, a alta foi de 55% do PIB para 75%. E a dívida pública mundial agora está perto de 100% do PIB. Então, isso significa o quê? Que a pressão política para amortecer o choque existe, porque a gente tem um choque de oferta que vai aumentar a inflação, que vai tirar renda, mas o custo de se fazer qualquer tipo de política contracíclica, que no caso, é muito maior.
porque a gente está num mundo mais endividado, com déficits maiores e juros mais altos do que antes da pandemia. Então, trazendo um pouco para o Brasil essa história toda, como é que esse choque externo, esse choque global, encontra a economia brasileira? Hoje a economia brasileira mostra uma resiliência nos dados mais agregados. A gente está vendo um desemprego muito baixo, ainda que a percepção de bem-estar possa estar mais frágil do que...
a fotografia dos dados mostra, acho que as pesquisas estão mostrando essa percepção de que a situação econômica pode piorar, a gente não tem visto isso nos dados correntes por enquanto. O dado mais recente de inflação que a gente teve, que foi o PCA 15 de abril, ele veio até um pouco abaixo do esperado.
tem muito mais volátil passagem aérea, mas a gente tem uma abertura desconfortável. A gente tem alimentação no domicílio forte, a gente tem gasolina pressionando, bens industrializados surpreendendo para cima, os núcleos que já não estavam em um patamar confortável estão apontando uma deterioração. Então, você tem uma economia que tem resiliência da atividade, é uma inflação.
que apesar de vir mais baixa, tem uma abertura que traz uma certa preocupação. Então, a gente tem uma preocupação que a inflação possa voltar a ganhar força com esse choque de oferta, partindo de um ponto inicial que não é tão baixo assim, não é tão confortável assim, no momento que as expectativas de inflação já estavam desancoradas.
apesar de terem melhorado, mas que voltaram a desancorar mais ainda. E essa composição da inflação, ela importa muito porque conversa diretamente com a inflação, que as famílias percebem, não é? Exatamente. Combustíveis e alimentos são os preços que são mais sentido.
com frequência alta pela maior parte das famílias, porque as pessoas compram gasolina, pão, leite, gás. Então, quando esses preços sobem, a sensação de inflação muda muito rápido. E isso chega num momento que as expectativas já estavam desancoradas.
Então, o último Focus mostrou uma nova alta nas medianas para 2026, 2027, 2028. E esse movimento voltou a ganhar força desde a eclosão mais aguda do choque do Oriente Médio.
Eu acho que a gente tem aí um risco de que a alimentação e gasolina vão contaminar ainda as medidas de núcleo. Nos meses seguintes, a gente também fez um estudo sobre isso e vai afetar mais ainda a expectativa. Então, esse ambiente é muito desafiador para o Banco Central. Não só para ele, para o governo também, para o Banco Central, porque o trabalho de trazer a expectativa de inflação para perto da meta e, consequentemente, conseguir atingi-la num horizonte relevante.
é bem mais complicado, e para o governo, porque...
obviamente essa piora de percepção de inflação afeta a sua viabilidade política e acaba, enfim, a gente vai discutir isso, afetando a política fiscal. E no meio dessa história o governo parece estar buscando reagir com medidas de alívio. Exatamente, acho que isso está super evidente, principalmente nas últimas semanas. A gente teve notícia de postergação de exigência de biometria no Bolsa Família. Até o fim do ano.
essa exigência vai ser postergada até o fim do ano, quer dizer, o governo está evitando, de qualquer forma, bloquear as famílias dos benefícios sociais. E aí agora foi anunciado o novo desenrola. Então o menu de medidas tem ficado cada vez mais amplo. A gente também tem na mesa a ação contra a alta dos combustíveis, a gente tem mais crédito direcionado, a gente tem...
a continuidade, enfim, desses programas sociais, como eu falei, sem muita restrição. Então, acho que tem um cenário muito comum, claro, que é o seguinte, o ambiente externo está mais adverso, a inflação está mais sensível e o governo vem buscando aliviar as consequências disso tudo no bolso dos consumidores e isso vai afetar, obviamente.
a percepção de fiscal, de parafiscal. Tudo isso faz muito sentido politicamente falando, estamos em anos de eleição. Agora, em termos econômicos, essas iniciativas vão tornar o ajuste fiscal mais difícil num ambiente externo, provavelmente mais complicado, de juros globais maiores.
Ótimo, Solange. Eu queria parar um pouco para a gente entrar no tema endividamento. Virou uma ponte importante aqui entre macro e política. No episódio anterior, a gente até discutiu bastante isso, que essa...
esses dados macro em tese mais positivos, de fato mais positivos, com inflação até então em arrefecimento, agora a gente tem um choque, mas a gente estava com uma inflação em queda, taxa de desemprego marcando novas mínimas, mas até nas pesquisas, que a gente está discutindo bastante aqui de pesquisa eleitoral,
o consumidor não tinha essa percepção de bem-estar econômico. E aí a dúvida, o que está travando essa história? E o endividamento parece fazer essa ponte. Então, a gente está com comprometimento de renda das famílias muito alto, perto de 29%. Então, serviço...
da dívida, comprometendo muito a renda. O estoque de dívida é muito alto, quase metade da renda anual já está ali marcada pelo que é o estoque da dívida. Então, assim, a renda cresce, mas uma parte relevante já está comprometida. E aí a folga percebida é menor e as famílias sentem.
E essa diferença entre renda agregada, renda efetivamente disponível, parece que ajuda a entender por que a avaliação do governo não está conseguindo acompanhar essa resiliência do mercado de trabalho e da inflação que estava baixa até então. E aí eu te pergunto, Solange, por que esse ponto ganhou ainda mais peso agora?
Então, Débora, ganhou mais peso agora porque justamente quando você tem choque de alimento e combustível, é o tipo de choque que mais pressiona as famílias que estão mais endividadas, porque são bens essenciais que você não consegue cortar. Então, esse é um ponto muito importante, porque afeta...
diretamente consumo, a família está endividada, leva um choque de bens que ela não consegue substituir, e aí muda muito rapidamente a percepção de bem-estar e da avaliação da economia, que mesmo com o desemprego baixo, e como você falou, a inflação até agora baixa, esses choques mudam muito a sua avaliação. Então, o eleitor, na verdade, ele não compara...
não fica fazendo uma conta de taxa de desemprego, está baixa, o salário nominal está crescendo. O que ele vê mesmo é se tem folga no fim do mês para consumir ou não. E aí essa questão do endividamento tem atrapalhado muito essa sensação de que não está havendo um bem-estar aumentando, muito pelo contrário. Então o Desenrola tem uma importância muito grande, foi um programa anunciado em quatro frentes, mas que a principal...
É tratar das famílias, aí o alvo são brasileiros com renda até 5 salários mínimos e um atraso entre 90 dias e 2 anos no seu crédito, sobretudo crédito de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal. E a meta do governo é ambiciosa, é alcançar 20 milhões de famílias nessa frente.
E o desenho do programa é bem abrangente, não é? Exatamente, os descontos são entre 30% e 90%, os juros máximos são de 1,99% no mês, tem uma carência de 35 dias para começar a pagar a primeira parcela, isso tudo vai ser financiado, uma parte importante, pelo Fundo Garotidor de Operações, que é um instrumento de garantia.
usando o saldo disponível que já está nesse fundo garantidor, mas também deve receber aportes de 5 bilhões do Tesouro e também vai se usar recursos não resgatados das pessoas no sistema financeiro. Então, é um pacote ambicioso, inclui...
ajustes no crédito consignado do NSS e do servidor público, tem uma frente de fiéis, de empresas, no crédito rural. Então, tem um apelo político importante, porque lida com um problema que está atrapalhando muito uma grande parcela da população, no momento que essa parcela da população está levando um choque de preços relevantes.
Agora, qual vai ser o efeito macro? Vai depender da adesão, vai depender da execução desse programa, da capacidade de renegociar essa dívida entre bancos e devedores. Então, a gente vai acompanhar, porque essa questão de endividamento é chave para a economia.
e a chave, acredito eu, para a eleição também. E o timing é bem claro, né? Sim, claro. Acho que o governo está tentando agir sobre um dos principais canais que explica essa distância entre a resiliência macro e essa sensação da população em relação à economia, que parece estar meio desconecta. E isso se soma a outras medidas que vão ter apelo mais direto. Acho que...
a pauta de medidas aí no Congresso é extensa, não é só o governo tentando andar com essa agenda, mas também os congressistas todos. Bem, Débora, dito isso, eu acho que podemos avançar agora para a segunda parte da nossa conversa. A gente vai falar agora das últimas pesquisas eleitorais.
Você podia começar, Débora, falando um pouquinho da pesquisa Atlas, que saiu no final de abril? É ótimo, Solange. Essa pesquisa, ela traz uma mensagem bem importante. A aprovação do presidente melhorou um pouquinho na margem, estava numa sequência ali de piora.
bem marcado, desde outubro do ano passado, ela caiu ali até março. Mas é um quadro geral ainda apertado. A aprovação ficou em 46,8%, a desaprovação é maior, então, desaprovação em 52,5%. A avaliação do governo ainda negativa, na medida que do Atlas está em 42% de ótimo e bom, contra 51% de ruim e péssimo.
E aqui na pesquisa, acho que a leitura mais justa é de pausa, de interrupção da deterioração, não é uma reversão. E como a gente também comentou nas nossas duas últimas conversas, o padrão histórico costuma ser de melhora da aprovação do incumbente nessa fase do ciclo eleitoral, quando o eleitorado começa a ser ativado. E não é isso que a gente está vendo. Então, aqui no caso da Atlas, foi uma pausa.
E um ponto importante aqui da Atlas é um comparativo que eles trazem temático entre Lula e Flávio Bolsonaro. O eleitor foi perguntado em quem ele confia mais para administrar várias áreas. Criminalidade.
tráfico de drogas, equilíbrio fiscal, controle de gastos, impostos, economia. É bem interessante olhar o PDF completo ali e todas essas perguntas. E é um slide bastante duro para o presidente, porque o Flávio Bolsonaro aparece à frente em praticamente todos os assuntos que foram testados. O único tema que tem empate é na pergunta sobre clima.
Então, isso conversa bem com essa ideia ainda de que tem uma limitação para o incumbente nesse momento em que a eleição está sendo ativada. Então, eu acho que o ponto é, a piora realmente parou aqui na pesquisa do Atlas, mas é uma estrutura de disputa que ainda não ficou favorável para o governo. Concordo, Débora, esse ponto é muito importante. A interrupção da piora ajuda o governo na margem, mas ela não muda a estrutura da eleição. Então,
Quando a gente olha para os temas, a disputa continua sendo uma disputa apertada e difícil para o incubante. Isso importa muito, porque conforme o ciclo eleitoral avança, a avaliação tende a se organizar cada vez mais em torno de atributos do governo. Qual a capacidade de resposta?
e qual é a percepção do eleitor sobre os principais problemas do país. Se o governo continua limitado nesses temas, o ambiente político segue muito apertado. Sim, e a Coeste também de abril, ela reforça essa leitura. A mensagem ali...
foi de uma eleição bem competitiva. Perda de tração do governo, empate técnico no segundo turno, é bem importante isso, foi a primeira vez que veio um empate técnico ali na Coaeste, e um peso importante para a segurança pública e corrupção na agenda do eleitor. Nas questões ali isso apareceu como destaque. Na pesquisa da Coaeste, a desaprovação também maior do que a aprovação, a desaprovação estava em 51 contra 44 de aprovação, e...
como eu comentei, empatados Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, e a trajetória das pesquisas da Coeste ainda mostrando uma erosão gradual da vantagem do presidente. Então, essa última pesquisa de abril foi o pior ponto do presidente na série histórica.
E o que é interessante nessa pesquisa, ele abre por alguns grupos e tem o grupo de eleitores independentes, que justamente é o swing voter que provavelmente vai definir essa eleição. E esses eleitores independentes na pesquisa da Coeste seguiram avançando no Flávio. Então foi justamente onde o Flávio melhorou.
E é isso, esse tende a ser o grupo mais decisivo lá na frente. E tudo isso conversa bem com o que a gente está trazendo aqui agora.
A piora parece que perdeu força, mas ainda não surgiu aquela melhora clara que normalmente se espera do incumbente nessa fase do calendário eleitoral. Então, aqui, quando a gente pensa abril para maio, no passado o incumbente estava ganhando bastante em popularidade.
E justamente no momento em que a gente está discutindo choque aqui. Então, a inflação de alimentos vai piorar. A gente tem essa questão de aperto no orçamento. Insegurança está surgindo como um tema nas pesquisas. Então, isso tudo pesa bastante. Eu colocaria uma nuança aqui. Faz sentido considerar que esse esvaziamento da discussão sobre corrupção pode ter ajudado a tirar essa velocidade de deterioração do incubante. Eu colocaria isso como uma hipótese.
que a gente não tem como testar, não é uma conclusão fechada. O fato é que o cenário ainda não sugere conforto para o governo. A eleição continua apertada e o incubante não conseguiu transformar a máquina pública, os programas sociais e a resiliência da economia numa melhora mais sólida da sua avaliação. Mas, de fato, ainda temos muita água para rolar até as eleições. Sim. E a rodada mais recente do Real Time, que foi divulgada agora no comecinho de maio,
também ajuda a completar esse quadro. Porque ela não traz só aprovação e rejeição. Ela trouxe algumas perguntas sobre percepção econômica e atitudes do eleitor, sobre temas concretos. Ficou bem interessante. Então, nessa pesquisa do Real Time, a desaprovação do governo está em 52, vindo de 51 no mês passado. Então, a desaprovação continuou subindo.
E a aprovação aqui nessa pesquisa caiu. Então ela veio de 44% no levantamento anterior. Então ela continuou caindo aqui em maio. Diferente do que foi lá da pesquisa da Atlas que a gente comentou. Em termos de rejeição, o Lula apareceu com 44% e o Flávio está com uma rejeição menor. Ele está com 41%.
Olha que interessante, 40% dos eleitores disseram que a economia piorou no governo Lula em comparação com a gestão Bolsonaro. Só 31% disseram que ela melhorou e 25% disseram que ela ficou igual. E é interessante, a gente está com a taxa de desemprego na mínima histórica e ainda assim 40% dizem que a economia piorou. Então é uma fotografia que continua sugerindo limitação para o incumbente.
Então, talvez a piora pode ter perdido um pouco de velocidade, que empate pelos institutos, mais claramente ali no Duatlas, mas claramente ainda não é um ambiente de que o governo entrou numa trajetória de melhora.
Mas, ao mesmo tempo, essa pesquisa trouxe que algumas pautas têm apelo social bem amplo. Então, acho que realmente vale a pena a gente ficar de olho. O fim da escala 6x1 foi apoiado por 71% dos entrevistados. Isso é interessante porque sugere que a disputa não está sendo organizada apenas por nomes ou rejeições, mas também por propostas com capacidade de mobilização concreta. E é uma coisa que está aquecendo.
Então, vale a pena acompanhar. Abre espaço para uma agenda mais sensível a custo de vida, rotina de trabalho, qualidade do eleitor. Então, como você disse, tem muita água para rolar ainda. É, Débora, e esse ponto é muito importante, porque ele mostra duas coisas ao mesmo tempo. De um lado, você tem um governo que tem uma desaprovação alta, convive com uma percepção econômica que é desfavorável para uma parcela relevante do eleitorado. E, de outro, existe um espaço para avançar com essas pautas.
que tem apelo na sociedade e que muitas delas têm uma questão de impacto fiscal bem relevante, outras de impacto para o empresariado.
para todo o investimento que possa vir para o Brasil. Então, no fundo, a minha sensação é que a eleição vai ser apertada e o custo dessa eleição apertada vai ser alto, de alguma forma, tanto no fiscal, quanto em termos de capacidade produtiva futura, principalmente se essa questão da escala 6x1 for aprovada.
a gente sabe que isso tem impactos importantes. A gente também fez um estudo sobre isso na produtividade, no desemprego e no custo da mão de obra. Ótimo. E tentando fechar um pouco aqui o link dessas três pesquisas, acho que...
A ideia é que o governo pode ter conseguido interromper uma trajetória de piora, que estava linear ali, então acho que essa interrupção mais clara no Atlas, pode ter interrompido, mas definitivamente não conseguiu reverter em vantagem, confortável ali para ele, ainda mais quando a gente coloca em perspectiva o que é o padrão histórico em anos de eleição. Então, o governo não está indo bem.
Mas a palavra que melhor resume é que o cenário continua muito competitivo. De maneira geral, o que as pesquisas estão mostrando é o empate técnico no segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Ótimo, Débora. Agora vamos seguir aquela estratégia que a gente tem de analisar as pesquisas estaduais. Você pode comentar, por favor, o que você tem visto nas últimas divulgações?
Ótimo, Solange. Vamos tentar falar um pouco mais de Sudeste hoje. No podcast passado, a gente entrou em Norte e Nordeste, olhando ali Estado por Estado. A mensagem foi de uma compressão da vantagem do presidente em relação ao que era o padrão em 2022.
No Nordeste, especialmente, o presidente Lula ganhou em 2022 com uma margem muito grande. A margem segue, importante, mas não tão elevada. Então, a mensagem é que o Nordeste...
perdeu perto de um milhão e meio de votos, aqui no que a gente consegue simular pelas pesquisas mais recentes. Agora, no começo de maio, inclusive, teve mais uma pesquisa sobre a Bahia, da futura, que vai bem nessa linha do Lula perdendo um pouco a margem ali no Estado.
Agora, no Sudeste, São Paulo merece, lógico, uma atenção muito grande. É o maior colégio eleitoral do país. E até aqui, os dados não permitem uma leitura muito clara. A gente teve uma pesquisa Atlas. E o Flávio, numericamente à frente do Lula, no segundo turno, estava 49 e 44.
mas é um quadro mais competitivo do que foi ali em 2022, quando o Bolsonaro ganhou por uma margem de 10 pontos. A gente está aguardando mais pesquisas, tem uma pesquisa com a ECHE para sair aqui do estado de São Paulo, que acho que vai ser bem importante. Então, por enquanto, a mensagem não é de perda consolidada, mas é de que a gente tem que realmente monitorar aqui em São Paulo.
São Paulo sempre é um estado-chave, não só é um colégio eleitoral enorme, mas tem um peso decisivo de formar opinião quando a gente pensa na esfera nacional como um todo. E vale acompanhar também, a gente está olhando com lupa, a popularidade do governador Tarcísio aqui. Teve uma rodada aqui de Atlas Estadão e a aprovação dele ficou em 53 e desaprovação de 55. Então, sim, aprovação maior que desaprovação.
mas numa tendência de queda da aprovação. Na Coaeste, a aprovação dele ficou em 54, com uma desaprovação de 29, mas a aprovação é mais baixa do que na pesquisa anterior, que já é defasada, a última vez que tinha sido em agosto, mas ainda assim foi essa a tendência que a gente viu, de uma queda na aprovação dele.
é um governador definitivamente que está bem posicionado, mas temas ali nas perguntas da pesquisa que são sensíveis para o eleitor pesam, em especial segurança. Então, acho que temos que acompanhar, isso pode resvalar na disputa nacional, então é importante acompanhar São Paulo, tanto pelas questões do Estado, de fato, como o que isso pode significar em termos do voto presidencial.
É, com certeza, isso reforça esse nosso acompanhamento tão próximo do estado de São Paulo e dos outros estados. A gente vai continuar nessa dinâmica de não só olhar a pesquisa nacional como um todo.
E vale também olhar os outros grandes estados da região. Minas, a gente até fez um relatório sobre Minas, o nosso swing state. O que as pesquisas, no mês passado foram três pesquisas lá. Então, a gente segue vendo o Lula bastante competitivo.
e em algumas dessas pesquisas até um pouco melhor do que foi o desempenho dele em 2022. Então esse foi o movimento que a gente viu na margem para Minas. Agora Rio não, o retrato no Rio de Janeiro...
ainda é menos desconfortável para o presidente, ele perdeu por uma margem grande lá em 2022, e esse segue sendo o caso pelas pesquisas. Então, de maneira geral, o Sudeste é mais competitivo para o Lula do que a gente viu ali nas nossas simulações.
usando as últimas pesquisas para Norte e Nordeste, mas ainda sem uma robustez para a gente ter grandes conclusões. Então, acho que a mensagem que a gente quer deixar aqui é que a gente está aguardando uma rodada mais cheia de pesquisas para esses estados, para a gente bater a direção e provavelmente a gente vai divulgar um estudo sobre isso também.
Debra, eu acho que isso vai ajudar a organizar bem o raciocínio. O Sudeste definitivamente não está trazendo uma mensagem definitiva sobre a disputa eleitoral e isso vai ganhar importância à medida que o tempo for passando e a eleição chegar mais próxima.
Então é isso. Aqui sobre o Sudeste a gente está de olho nas pesquisas. Vamos olhar com o lupa esses próximos resultados. E Solange, para a gente encerrar aqui a nossa conversa, queria pedir para você trouxer uma amarração, por favor, desse quadro todo. Como você resumiria esse nosso momento macropolítico?
Eu estou olhando assim, Débora, acho que o ambiente externo está mais difícil, isso aumenta a exigência sobre a economia doméstica no Brasil e sobre a política ao mesmo tempo. Para o Brasil, o que esse ambiente externo traduz nesse momento? Uma pressão inflacionária maior?
o choque de petróleo alcança, como eu falei, combustível, frete, fertilizante. Chega no momento que as expectativas de inflação já estão mais desancoradas. A gente tem visto uma percepção das famílias com custo de vida elevado, com endividadas. E aí a gente vê, ao mesmo tempo, o governo lançando...
uma série de medidas com apelo popular, tentando trazer um alívio, mas que, ao mesmo tempo, vai trazer um problema fiscal mais à frente e tornar o endividamento das famílias ainda mais complicado. E, para completar, a gente tem, como a gente conversou, um quadro eleitoral ainda muito competitivo, não mostrando uma tendência clara. A piora do presidente perdeu força, mas a estrutura da disputa ainda não está nem um pouco confortável.
nem para o lado dele, nem para o lado opositor. E a gente vai seguir de olho nas pesquisas presidenciais nacionais, por Estado, a eleição está muito aberta, e o cenário externo é que, na nosso ver, vai impor a urgência ou não de toda essa pauta que a gente sempre discute aqui de fiscal, que é essencial para a gente conseguir trabalhar com juros real mais baixos.
Perfeito, Solange. Obrigada mais uma vez. Obrigada, Débora. Obrigada a todos que nos acompanharam. Até o próximo, pessoal. Os comentários do UBS Chief Investment Office são preparados e publicados pelo Global Wealth Management do UBS AG, ou uma de suas afiliadas UBS. Observe que as opiniões apresentadas por palestrantes externos são pessoais e não necessariamente representam as opiniões do UBS AG e suas afiliadas.
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