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Como Trazer o Horror Cósmico para o RPG de Mesa | Aventurando Podcast

02 de julho de 20261h24min
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Saudações, aventureiros! 🎲 No episódio de hoje do Aventurando, Rafael Amon e Igor Cruz recebem May e Thiago, do canal Game Galaxy Inc., para falar sobre como introduzir o horror cósmico nas narrativas de RPG.Durante o papo, exploramos:📖 O que é horror cósmico e por que ele é diferente de outros tipos de terror.🎲 Jogos que já trabalham bem esse gênero, como Chamado de Cthulhu e Delta Green.🧠 Técnicas narrativas para trazer mistério, paranoia e a sensação de insignificância diante do desconhecido.🌌 Exemplos de ganchos e tramas que você pode levar direto pra sua mesa.Foi um bate-papo cheio de dicas, inspiração e aquela dose de estranheza que o horror cósmico pede!👉 E você? Já tentou levar o horror cósmico pro seu RPG? Conta pra gente nos comentários!

Participantes neste episódio4
R

Rafael Amon

Host
I

Igor Cruz

Co-host
M

May

ConvidadoJornalista
T

Thiago

Convidado
Assuntos6
  • Tecnicas NarrativasSensação de insignificância · Medo do desconhecido · Insanidade · Perda de sanidade · Descrição de cenas · Uso de música e som · Handouts e props · Pistas fragmentadas
  • Contos de H.P. LovecraftO Chamado de Cthulhu · Dagon · A Cor Que Veio do Espaço · As Montanhas da Loucura · Herbert West Reanimator · O Alquimista · Ratos das Paredes
  • Horror Cosmico RPGImpacto da época e contexto · Reação ao desconhecido · Diferenças entre jogos · Segurança e limites na mesa · Colaboração com jogadores · Criação de atmosfera
  • Lobisomens e MitologiaAbissal · Cthulhu · Tsathoggua · Dark Young · Kuatoa · Cães de Chindalos
  • Game Galaxy Inc.Produção de conteúdo · Tradução de livros · Narrativa de RPG
  • A Tenda do EncontroArmas brancas decorativas · Coleção Senhor dos Anéis
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RARafael Amon

Saudações, pessoa que usa deuses antigos no seu RPG. Eu sou Rafael Monstro, com meu amigo Igor Cruz.

ICIgor Cruz

Bom dia, boa tarde, boa noite, galera.

RARafael Amon

E recebendo meus queridos amigos do Game Galaxy Inc., Mayne e Thiago. Qual é?

TThiago

Vocês estão muito bem-vindos.

RARafael Amon

Cadê nosso brinde?

TThiago

Nessa primeira vez tem que dar brinde. Tem que dar brinde. Mas é regra?

RARafael Amon

Tem que brindar aí, bebê.

TThiago

Ah, então tá bom.

RARafael Amon

Não existe brinde Sim, que a pessoa não bebe, senão ela não brindou, ela só bateu o copo, pô.

ICIgor Cruz

É verdade.

TThiago

Mas o que classifica um brinde como um brinde e uma bateção de copo como uma bateção de copo?

RARafael Amon

Eu acho que justamente o ritual de você terminar com um gole.

TThiago

E se eu não tiver nada no meu copo e brindar com você?

RARafael Amon

Isso é ofensivo, pô.

ICIgor Cruz

Gente, não valeu porque você não bebeu.

RARafael Amon

Você bebeu o líquido invisível que só os inteligentes veem.

TThiago

Olha aí, olha aí.

RARafael Amon

Inteligente.

TThiago

Olha aí, tá vendo?

RARafael Amon

É verdade, já tão perdendo sanidade que o tema de hoje É introduzindo o horror cósmico no RPG. E não tinha especialistas melhores pra gente trazer do que vocês dois aqui.

ICIgor Cruz

E é um ótimo tema, porque até o momento eu ainda não consegui narrar minha mesa. Eu tive meus probleminhas.

RARafael Amon

É, e a gente aqui vai na dúvida. Aí tu, cara, a gente aqui é a galera... Tanto que a gente tá em lado A e lado B. A gente aqui vai perguntar pros especialistas.

TThiago

É isso, é isso.

RARafael Amon

Olha a cara do Thiago, ele fala: "O Thiago é muito blasé, mano." O Thiago vai ficar com cara de: "Não, eu não sou especialista de nada." De monóculo. Eu mestrei apenas 850 mesas de Cthulhu.

TThiago

Ah, porra, Berserker, senhor. Não, mas especialista eu não sou não, cara. Eu só li bastante, só isso que eu fiz. Eu não sou especialista.

RARafael Amon

Qual a definição de um especialista? Não é uma pessoa que lê bastante? Depende.

ICIgor Cruz

O cara pode ler bastante e não entender porra nenhuma.

TThiago

Exatamente.

RARafael Amon

Pô, mas aí alguma coisa tem uma dificuldade cognitiva, né?

ICIgor Cruz

Sim, mas aí ele não é especialista.

TThiago

Ele pode ser especialista inclusive em ter dificuldade cognitiva.

RARafael Amon

É verdade.

TThiago

Olha aí.

ICIgor Cruz

Que pode ser alguma desvantagem Tá?

RARafael Amon

E livros antigos de Cthulhu.

MMay

E eu já vi que essa conversa vai girar muito em torno de definições, né?

RARafael Amon

Eu acho que a gente vai precisar definir algumas coisas aqui porque a gente tá partindo da premissa que somos leigos.

ICIgor Cruz

E pra definição, beijo, Marcinho.

TThiago

Você não é leigo.

ICIgor Cruz

Você é o cara, cara.

RARafael Amon

É verdade. Agora, quando o Márcio não veio aqui pra fazer definição, o Márcio faz definição e analogias com futebol. O Léo, quando veio gravar aqui no lugar do Márcio, fez uma analogia de futebol, que é uma característica do Márcio.

TThiago

Olha aí, tá vendo?

RARafael Amon

Antes da gente começar a passar informações. É verdade, tamo aí futebolistas. Antes da gente entrar no tema propriamente dito.

ICIgor Cruz

Vamo lá.

RARafael Amon

Temos que dizer que nos nossos parceiros tem jogos que abarcam muito bem esse tema. Por exemplo, na New Order. Com certeza. O Numenera, que ela tá lançando Numenera 2 agora, o Descoberta e Destino. No próprio Numenera tem um suplemento que era o Into the Strange Aeons, um negócio assim. É especificamente pra introduzir tema Lovecraftiano no cenário do Beniera. E cabe muito bem na premissa de um mundo de 1 bilhão de anos no futuro.

TThiago

É um Glimmer da primeira edição. Eu acho realmente que o nome é esse, ou algo parecido com isso.

RARafael Amon

Eu sei que Strange Tales tem.

TThiago

É, sim. E é bem legal. É bem legal. Dá uma opção de você ter um novo descritor, que é o Mad, né? O Insano. Que aí se você zerar o intelecto antes de zerar as outras habilidades, é porque é pool, né, no melhor ela funciona com pool, você perde o seu descritor, qualquer que ele seja, e ganha o descritor médio.

ICIgor Cruz

interessante.

RARafael Amon

Interessante, né? Adaptações mecânicas, coisas que a gente vai falar hoje no programa de hoje. E outro parceiro nosso que tem um sistema que também serve muito bem a essa pegada de horror cósmico é o Breu da Luz Negra.

ICIgor Cruz

Verdade, pô.

RARafael Amon

Que o teu principal inimigo é a escuridão, é algo que você não consegue combater, não consegue vencer, pô, dá pra tu encaixar muito bem nas premissas dos inimigos do Leste.

ICIgor Cruz

Pô, esse é o medo primordial do ser humano, né, cara?

RARafael Amon

É.

ICIgor Cruz

Do desconhecido, do escuro, do que você não consegue.

RARafael Amon

Eu confesso que quando era moleque era um dos meus maiores medos.

TThiago

Mas o que é? Vamos lá então. Vou lançar uma. Vamos lançar uma. O que é o medo do escuro? Senão o medo de que você não sabe o que tá lá.

ICIgor Cruz

Isso, medo do desconhecido. É o medo do desconhecido.

TThiago

E essa é a base do horror cósmico. O horror cósmico é o medo do desconhecido, é o medo da imensidão do espaço e da nossa pequenez. Ou pequenez também.

ICIgor Cruz

Pequenez, é isso aí. Não, porque o pequenez é brabo, filho.

TThiago

Exatamente, mas é medo de piquenês. Pode ser também, pode ser.

RARafael Amon

E já que a gente falou que vamos trabalhar com definições, acho que a primeira definição é: quando a gente pensa em horror cósmico, não tem como dissociar do H.P. Lovecraft. Pra mim é premissa. Não sei se ele foi realmente o primeiro a tratar do tema ou foi o que ficou mais famoso, porque ele criou aquele panteão dele, né, com Cthulhu e tudo mais. Os mitos de Cthulhu que ele criou ficou muito famoso e permeiam uma porrada de lançamento de RPG.

Mas para galera que não conhece, ouve falar Lovecraft, terror Cthulhu, que é o mínimo do mínimo, quais seriam as premissas do Lovecraft para esse horror cósmico?

TThiago

Então vamos lá, o horror cósmico ele vem de uma ideia, né, do Lovecraft, dessa que a gente tava falando do O quanto a humanidade é insignificante, o quanto é pequena, né? Ele começou a escrever numa época justamente que a gente tava tendo, a humanidade tava tendo avanços científicos, né? E que começou a se descobrir certas coisas sobre o espaço, sobre as coisas lá fora, o desconhecido, né? E tem até uma coisa de um jornal antigo falando de coisas de eletricidade.

Né, como eletricidade era perigosa, né. Tem uma propaganda antiga de uma pessoa se prendendo em fios elétricos, sabe. Isso vem dessa época, mais ou menos. E o horror cósmico, ele vem disso, ele vem desse medo da humanidade, dele principalmente, não só dele, né, de outras pessoas, dessas coisas.

ICIgor Cruz

Se eu não me engano, Robert Chambers, o cara que escreveu O Rei da Amarela, é antes de Lovecraft.

TThiago

Sim, o Chambers vem antes.

RARafael Amon

Não sabia não, olha que o Chambers é um competidor. O Rei Amarelo era do Lovecraft, não era?

TThiago

Não, não era do Lovecraft.

ICIgor Cruz

Uma das obras que ele se baseia é do Chambersburg.

RARafael Amon

Ai, que mania!

TThiago

E aí depois você tem os pen pals dele, né? Vem o Robert Bloch, vem o próprio cara lá, Robert Howard, autor do Conan.

RARafael Amon

É, que eles correspondiam, eu tô ligado.

TThiago

Tem uma galera, tem uns 4 ou 5 nomes aí. Tanto é que quando o que a gente chama hoje de Cthulhu Mitos, daí ele chamava de Oxotóthory. É até o nome de um jogo com um amigo nosso.

RARafael Amon

É o nome do Batistão.

MMay

Aí você só tem 2 anos após a morte do Lovecraft que é lançado, eu tenho até anotado aqui, o Arkham House, né, uma fundação que aí deu-se Cthulhu Mythos o nome.

RARafael Amon

Que maneiro!

MMay

Uma metodologia através das cartas que ele trocava com seus amigos, que ele chamava de metodologia epistolar. E eles construíram essa mitologia como um coletivo, quase como uma colcha de retalhos.

TThiago

É porque não é só dele, é mais dos outros do que dele.

MMay

Brinca-se que é o multiverso entre esses colegas, porque aí alguém mencionava Arkham e aí depois aparecia na história de outro, mencionava Cthulhu, eles iam pegando informações trocadas através dessas cartas. E nessa época as publicações elas eram em revistas pulp, então não era nada editorial, vamos dizer assim, não era uma coisa profissional. Exatamente. E aí depois da morte dele fica tudo um pouco espalhado, eles começam a organizar.

TThiago

Aí quando eu falo que o Game Galaxy é qualidade, inteligência e entretenimento, é isso. Eu sou só o roxinho bonito mesmo.

RARafael Amon

O nível subiu muito com a entrada da Maia.

TThiago

Eu sou só esse roxinho bonito.

RARafael Amon

É verdade, é verdade.

TThiago

É impressionante.

RARafael Amon

Porque a parada, o lance dele criar a partir de contos e isso tudo ter virado essa mitologia em torno dele, eu, por exemplo, não fazia ideia. Pra mim, acho que eu li pouquíssimos contos dele. O tal do Chamado de Cthulhu eu li. A minha dúvida, por exemplo, é o primeiro conto dele?

TThiago

Não.

RARafael Amon

Ou foi o primeiro que tipo estourou a bolha?

TThiago

Então, e vamos falar até, falando de Chamado de Cthulhu, é um dos piores contos dele, na minha opinião.

RARafael Amon

Não, é isso que eu ia falar. Dizem que não é. Eu vi que não é um conto bom, eu justamente não segui ler os contos do Lovecraft, que eu li o do chamado de cultura e falei: "Pô, mané, que bagulho meio sem graça." Pô, eu prefiro o Dagon do que o chamado de cultura.

TThiago

É, o Dagon é melhor.

ICIgor Cruz

Eu prefiro o Dagon.

TThiago

Dagon é melhor. Não, eu acho que...

ICIgor Cruz

A luz que vem do céu, né?

RARafael Amon

A cor que vem do céu. A cor que vem do espaço.

TThiago

Esse é o melhor. Esse é o melhor. Esse é o melhor. Esse é o meu preferido.

ICIgor Cruz

E o das montanhas também, que eu esqueci o nome.

TThiago

Das Montanhas da Loucura.

MMay

Isso.

TThiago

É, também é muito bom. Mas é mais chato. É mais chato do que a Cor. Não, é legal, mas é mais chato, porque ele tem um pacing bem mais lento do que a Cor.

MMay

Tem.

TThiago

Porém, quando o negócio começa, ele começa de uma forma absurda, pá.

RARafael Amon

É absurdo, é doideira. É, a Cor é doideira. A Cor é maravilhosa. A Cor é doideira.

TThiago

Agora, eu tenho um guilty pleasure, que o meu conto favorito, tirando esse, né, o da Cor, é um conto que ele escreveu em episódios, que é um conto muito famoso, que já se fez filme sobre esse conto. As pessoas, quem gosta de terror B, etc., já viu o filme inspirado nesse conto. Eu não vou falar, eu acho que alguém vai saber. De repente o Igor sabe.

ICIgor Cruz

Conhece alguns filmes? Não, pode falar.

TThiago

Vou dar uma pista: é um filme B, tem um médico, o médico tem um soro verde fluorescente. Reanimator. Sério? É dele isso? É um conto. Foi um conto.

RARafael Amon

Não sabia não.

TThiago

Foi um conto episódico. Foi um conto episódico.

RARafael Amon

Esse é o Mucali dele, mano.

TThiago

Ó, é horrível. São os melhores. É horrível, vou te dizer o porquê que é horrível. Eu gosto, adoro, mas eu adoro por causa do mundo que ele cria e da história como um todo. Mas ele foi uma coisa que ele criou episódica.

ICIgor Cruz

Entendi.

TThiago

Então ele tinha que escrever os episódios dessa revista semanal saindo na revista. Exatamente, que era Weird Tales, se eu não me engano. E ele escrevia os episódios semanais e toda semana seguinte ele tinha que dar o resumo do episódio anterior.

RARafael Amon

Nossa, pode crer, para relembrar a galera.

TThiago

Exatamente.

MMay

Igual quando você fica um mês sem jogar RPG com a galera e aí tem que fazer, entendeu? E aí?

RARafael Amon

Quase uma sessão para lembrar tudo.

TThiago

Nossa. E aí, tipo assim, você imagina que você lê um negócio, sei lá, que são 3 ou 4 parágrafos E ele é bom, você vai ler um resumo de 3 ou 4 parágrafos e depois vai começar de novo.

RARafael Amon

É isso que começa. O original é o último parágrafo só, o outro tudo é recap e depois o final é que é a novidade.

TThiago

Na verdade é o contrário, né? É todo original, aí tem um recap, aí começa de novo o original e o recap. Sempre falando do anterior. E é dele, Herbert West Renimator. É dele.

RARafael Amon

Caraca, eu não fazia ideia. Eu também não, zero, zero, zero ideia.

ICIgor Cruz

Quando tu falou de filme, eu lembrei que A Cor Que Veio do Espaço tem um filme.

TThiago

Sim, tá lançando um filme com o maravilhoso, sensacional Nicolas Cage. Que não é bem exatamente a história do Kong.

ICIgor Cruz

Não, né? Mas eu acho que ninguém representa melhor a loucura do que o Nicolas Cage.

TThiago

Não, o Nicolas Cage é o louco.

RARafael Amon

É verdade. Normal ele já é. Não é aquela cara dele de louco.

TThiago

Não fala mal do Nicolas Cage. Para. O Nicolas Cage é maravilhoso.

RARafael Amon

Não, isso não é elogio. É elogio da atuação dele, que é primorosa.

TThiago

Melhor ator que existe na face da Terra. Eu sou apaixonado.

RARafael Amon

Falando em loucura, tem que ser uma premissa do horror cósmico, porque foi alguma coisa assim, o lance da insanidade, ele sempre colocou em todos os contos dele, a galera que escrevia junto com ele também tinha que usar isso sempre como um elemento presente dos contos que depois foram levados para os jogos ou não?

TThiago

Então, vamos ver, por exemplo, algum— deixa eu pensar aqui, vamos lá, vamos para o Robert Howard. Sim, tá, Robert Howard, Conan, certo?

RARafael Amon

Ele fez uns contos do Conan que tem muita cara de culturo.

TThiago

Então tem, tem Tem 2 ou 3, tem 2 histórias do Conan inclusive que tem menções diretas a certas criaturas. Tsathoggua é uma delas, né? Eu até narrei uma aventura algum tempo atrás já, foi pro Pedroca se eu não me engano, que eu boto a Tsathoggua lá no final, né? É uma torre invertida, é uma inesperada, é uma história do Conan inclusive, uma história que existe do Conan. E tipo assim, Vai para o Conan, você vê coisa, você vê algo assim com insanidade no Conan? Não. Então não tem, não tem o porquê.

MMay

É mais para o lado da estranheza, de não saber lidar com aquela informação.

ICIgor Cruz

Eu acho que esse é o grande ponto, cara. As pessoas traduzem muito com loucura porque é o fato do desconhecido.

RARafael Amon

Quando você não compreende aquilo, então, mas tudo, a tua reação ao desconhecido Ela sempre tem que permear pela insanidade?

ICIgor Cruz

Eu acho que depende muito se você entende que aquilo é o que está acontecendo ou não.

TThiago

O que que é insanidade?

RARafael Amon

Essa é uma boa pergunta.

ICIgor Cruz

Eu ia chegar, por exemplo, na chegada dos europeus à América.

RARafael Amon

Pode crer, os caras nunca viram um navio. O que que era aquilo?

TThiago

O horror cotuliano, imagina uma caravela chegando saindo um monte de gente usando umas roupas estranhas, uns negócios que brilham, cobertos de metal, falando uma língua que você nunca ouviu.

ICIgor Cruz

Exatamente.

TThiago

Imagina o horror que isso aí não é.

MMay

Mas você sabe que interessante, Igor? Do jeito que você falou, basicamente você explica a mecânica quando—

ICIgor Cruz

É verdade, né?

RARafael Amon

Exatamente.

MMay

Porque quando você perde uma certa quantidade de pontos de sanidade, chama de Cthulhu, né? E você vai fazer um teste de inteligência pra ver se você vai entender aquilo como é ou o seu cérebro vai contabilizar de uma outra forma.

ICIgor Cruz

Pode crer, um exemplo: abriu um portal aqui. Tu entendeu que é um portal? Meu irmão, tu vai perder sanidade, não tem jeito.

TThiago

Aí tu pode não entender, tu fala: "Não, a luz queimou." É, o teu cérebro vai relacionar alguma parada.

ICIgor Cruz

Não, pode crer, eu bebi, a luz queimou, tô viajando aqui, vou descansar um pouco. Tu não ficou maluco.

RARafael Amon

Não, então eu entendi. Porque, sei lá, pra mim depois, acho que tem outras camadas do que seria ser afetado pela insanidade. Talvez a insanidade de tu sair de um comportamento padrão de um mundo que você acha que entende 100%.

ICIgor Cruz

Você já tá falando quando o cara perde a sanidade completa.

RARafael Amon

Não, não digo nem completa. Falo até pelo processo. Tipo, ah, cara, tem uns... Por exemplo, o 3D falou que ele gosta de ufologia, E que ele tem saudade de casa, ele quer voltar pro planeta dele. E o cara estuda os alienígenas até o momento que aparecer mesmo um alienígena na frente dele e falar: "Irmão, vambora, tô te procurando há um bom tempão, vem comigo." Talvez pra ele seja diferente de um cara que não sabe nada e falou: "Irmão, o cara tá vivendo a vidinha dele em casa tranquilo e aparece um ET de varraginha no quintal." Esse maluco deve talvez ter uma reação diferente. Aí é um exemplo que é do 3D.

ICIgor Cruz

O ET de varraginha originalmente não foi um ET. As crianças falaram que era um demônio, pô.

TThiago

Então, é, você para aí. Inclusive, tem relatos de cheiro de enxofre. É isso aí. Quando as crianças viram.

RARafael Amon

Poderia ser o Noturno dizer que são eles. Poderia também, poderia ser o 3D. Poderia ser o 3D.

TThiago

Até porque o Noturno tá lá no coisa da Marvel. O Noturno, ele passa por uma dimensão infernal quando faz aquele puff puff dele. Então ele traz cheiro de enxofre.

RARafael Amon

É isso aí, o cheiro de enxofre é dali.

TThiago

Noturno brasileiro, moleque.

MMay

Rafael, pensando na sua pergunta, então, voltando à questão da insanidade, eu não acredito que a temática, quando se falava na revista, né, que tinham as publicações do Lovecraft e seus colegas, não é que eles falavam da insanidade, mas do ponto de vista das pessoas para aquela pessoa depois da abertura da mente dela para o conhecimento. Então ela era insana perante o que, como a sociedade via. Então tinha aquela descrição da pessoa e não do que a pessoa via.

Porque tem muita gente que até brinca, que fala que o Lovecraft dizia que era indescritível.

RARafael Amon

É.

MMay

Por quê? Porque a mente humana não compreendia. Então a relação do Cthulhu, mitos, vamos chamar assim, com a insanidade é como a pessoa fica após o contato.

RARafael Amon

Então, e eu acho que faz sentido a gente ter falado...

TThiago

Eu aprendi isso tudo com ela, tá vendo?

RARafael Amon

Caraca, é especialista pra isso. Faz todo sentido a gente ter falado, por exemplo, da chegada de caravela pra um povo que não conhece. Por exemplo, os mitos, né? Aí agora a gente vai começar a entrar nos jogos mesmo. Mas, por exemplo, chamado de Cthulhu, ele é originalmente ambientado na década de 1920, com arca e tudo mais. Também uma época, entre aspas, comparado com hoje, de baixa tecnologia. Mas se a gente vier para jogos mais modernos, acho que o Delta Green é mais moderno, né?

TThiago

Sim, Delta Green, você, o setting inicial do Delta Green é anos 90.

RARafael Amon

Então, quer dizer, hoje em dia já é anos 2000 e pouco. 2000 e pouco, já tem tecnologia, já tem celular, já tem internet, já tem teoria da conspiração, já tem a galera. Então talvez o impacto de você ver a chegada de um alienígena talvez seria diferente em 1920. Em 2020.

TThiago

Aí eu te faço uma pergunta: vamos então voltar para Idade Média. Tem uma carruagem de fogo descendo do céu. Por que isso? É uma carruagem de fogo para todos os efeitos, o impacto vai ser pesado. Ou tem um anjo, anjo bíblico, tá, anjo bíblico, 150 olhos, um negócio girando, tá entendendo? É, tu tá vendo isso na Idade Média e hoje vai te afetar diferente? Eu vou te dizer um negócio, na Idade Média, eu vou te dizer um negócio, isso eu vou te afirmar, na Idade Média, ainda mais se você tivesse criação e coisa católica, tipo, pesada da Idade Média mesmo, né, aquilo ali, o anjo bíblico na Idade Média não vai ser tão problemático pra você quanto o anjo bíblico hoje.

ICIgor Cruz

Pô, eu concordo contigo, cara, eu acho que afetaria menos naquela época.

RARafael Amon

Vai afetar muito menos. Do cara ser mais credo, né.

TThiago

O esquema da sanidade. No Cthulhu Dark Ages é diferente do Cthulhu atual. Sim, tem certas coisas na sanidade do Cthulhu 1920 ou do Modern, né, que vão te dar dano de sanidade, vão te dar problema lá, mas que se fosse medieval não ia te dar. Ou não só isso, Invictus. Se você tem contato, Cthulhu Invictus, se você tem contato com o que você acredita que é um deus do panteão grego-romano, né, Poseidon, etc., você vai achar aquilo bizarro?

Você acredita na existência, você acredita que aquela galera andou sobre a terra?

ICIgor Cruz

De repente fica até feliz, cara.

RARafael Amon

Então, mas aí talvez é o caminho, e aí eu concordo pra caramba e acho maneiro, do cara, entre uma pessoa que não sabe nada de nada, tipo, sei lá, o cara é Professor primário, dia a dia do cara aí, pra escola, dar aula pras crianças, voltar pra casa. E na outra ponta tá o cultista, o maluco que tá com uns livros doido, tá querendo fazer ritual e não sei o quê. No meio dessa escala tá o Ramon. Tá o Ramon não, tá o maluco... Eu tô no time aqui, eu tô desse lado.

Tá o maluco da ufologia, pô. O cara da ufologia, ele tá no meio do caminho. Se ele vê um alienígena chegar, ele fala: "Pô, irmão, estudei, isso daí são os caras de..." da galáxia de Órion, que tava lá no colar do gato. É porque sempre Órion, cara, por causa do... Eu acho que não é Órion, é um nome bonito, né, cara?

TThiago

Toda vez que alguém fala Órion, eu lembro de Cinturão de Órion.

ICIgor Cruz

Cinturão de Órion do Mickey.

TThiago

É isso aí, eu também falo.

RARafael Amon

Que tá na coleira do gato.

MMay

Mas eu entendi o que você quis dizer. Na verdade, na minha opinião, o que acontece é que vai depender do contexto, como você mesmo acabou de exemplificar. Eu acho que o impacto vai depender realmente de quem você é, do que você acredita. Independente da linha do tempo. Mas faça ideia que hoje nós temos conhecimentos que antes não se tinha. Então vai impactar, mas vai impactar de uma forma diferente. E aí eu volto ao que o Igor estava dizendo, que não é na questão ali do momento, é o pós. Então como aquilo vai te afetar depois.

ICIgor Cruz

Como você reage, né?

TThiago

Sim. E eu discordo um pouco dela nesse ponto, que eu acho que a época que você está ter uma influência maior.

MMay

Pode sim, também.

TThiago

Porque eu acho que é a cultura, é o contexto e a cultura que tá ali em volta, sabe? Mas eu entendo o que ela quer dizer. Mas eu acho que uma coisa muito pesada também é quem é o personagem, quem é a pessoa que tá ali. É, por exemplo, a Maíne, professora, que ela é professora de formação, e vendo um alienígena da DC, e o cara que é o ufólogo que estudou isso a vida inteira. Talvez a reação dela, talvez não, a reação dela vai ser completamente diferente do ufólogo. Agora, uma vai ser pior que a outra?

ICIgor Cruz

Porque é difícil de mensurar, né?

TThiago

O que que é uma reação ruim para um negócio indizível? O que que é uma reação ruim? O que que é uma reação boa?

MMay

Ele na teoria teria uma justificativa mais racionalizada do que aquilo. Do que eu, por exemplo.

TThiago

Teoricamente, mas vamos lá então, para aceitar.

RARafael Amon

É, exatamente, mas o aceitar não significa que ele vai compreender. Não, tudo bem, mas talvez manter o comportamento padrão. Porque aí, aí eu vou fazer uma nova pergunta para vocês, que aí é relacionada como os diferentes jogos de Cthulhu relacionam com isso, até na própria mecânica mesmo. Tipo, tem jogo jogo que é mais incisivo nessa parte de, olha, não pode ter contato nenhum com os mitos, senão o teu personagem praticamente fica inutilizável.

Tem outro, por exemplo, acho que o Cthulhu Pulp, né, dizer que você consegue enfrentar mais os mitos de Cthulhu. E isso passa pela diferença de tipos de personagens, épocas que esses jogos trazem. Ou é tipo, ah não, cara, eu quero fazer alguma coisa mais heroica e vai que vai, a cultura mesmo do um mesmo no outro?

TThiago

Então, eu trabalhei na divulgação inclusive do, lá da New Order, do, gente, do Pulp, não, do Pulp não, gente, caramba, falhou agora o nome, eu tô foda com nome, eu posso falar foda?

RARafael Amon

Pode.

TThiago

Então foda, que eu posso falar foda.

RARafael Amon

Até porque agora você falou 4 vezes.

MMay

Agora já foi, pô.

RARafael Amon

Pra ti é foda, né? Tá indo muito trabalho na edição, agora vai, agora vai.

ICIgor Cruz

A gente fala foda também então, que a gente—

TThiago

Ai, obrigado! Agora me sinto incluído.

RARafael Amon

Agora é crianças com meleca, né? Primeira, né?

MMay

Também, já que pode, também quero.

RARafael Amon

Não, gente, né? Bem de criança.

MMay

Maravilhoso!

RARafael Amon

O que foi isso? Não provocado, que tão provocado, tão perdendo sanidade. Volta para mecânica, volta para jogos diferentes de computador.

TThiago

Vamos lá. Que a gente que se passa, né?

RARafael Amon

Não é o Ecton Cthulhu?

TThiago

Acton, obrigado. É que não é Acton, é Ecton. É porque eu também não sei falar.

RARafael Amon

É cuidado Cthulhu em alemão.

TThiago

Não, presta atenção. É aah, rrr, e depois é o garro, tun, Cthulhu. É assim que se fala. Aula de alemão com o Thiago.

RARafael Amon

Esse, a proposta é combater o nazismo, o ocultismo nazista na Segunda Guerra.

TThiago

Exatamente. E ele e o Pulp são relativamente parecidos, certo? Só que, cara, eu e a Maia, a gente tava falando disso outro dia, tem coisas que parecem que são bobas, mas não são. O jeito que você nomeia o personagem do jogador no jogo diz muito sobre o jogo. Em Akhtung, assim como em Pulp, Você não, você não é investigador, você é herói pulp, e você é herói. Olha a diferença quando você é, tipo, literalmente você batiza, você é um herói, né?

MMay

Porque o papel que ele vai estabelecer, né?

TThiago

Você é um investigador, tá entendendo o que eu quero dizer? Então o jogo, ele Só de começar te falando que personagem é esse que você vai jogar, ele já te diz muito sobre o jeito do que o jogo, o jeito que o jogo funciona, a temática do jogo e a proposta do jogo, né? Não sei se eu posso ainda já andar para esse assunto aqui, porque, por exemplo, eu sei que a Márcia gosta de falar disso.

MMay

A gente vai falar de mecânica.

RARafael Amon

Pode falar.

TThiago

Quando você para e analisa, por exemplo, Actung, que é um jogo heroico, é um jogo realmente heroico. E aí quando eu falo isso, o pessoal ri, né? Não é um jogo de terror, não é um jogo, não é um jogo de terror em nada. É um jogo de aventura, é um jogo de aventura com toque de mitos, mas não é um jogo de terror. Pulp Cthulhu, ele é mais um pouco, ele vai um pouquinho para o horror, mas ele é um jogo ainda aventuresco.

MMay

Mas ele dá opções para o narrador deixar mais ou menos pulp.

TThiago

Sim, ele dá essas opções. O que no Actung, você já, você já vira o dial do aventuresco para o máximo. Em Actung você não tem sanidade. Você não tem sanidade, você toma dano mental. E o teu risco da insanidade é quando teu dano mental zera, tá entendendo? E mesmo assim não é, não é a mesma coisa como é no Pulp ou no Cthulhu normal. O Pulp você vai ter mais atributos, você vai ter sanidade de repente mais alta, vai ser mais difícil você perder sanidade.

As criaturas dão menos dano de sanidade, né? Mas no Actungo o negócio é É o dial no máximo e é isso aí, metralhadora numa mão, livro de magia na outra e chupe negurávio dali, tutatatatata.

MMay

É porrada na cara do bicho.

TThiago

Entendi. É porrada na cara do bicho.

RARafael Amon

Isso eu não fazia ideia.

TThiago

É um jogo completamente diferente.

MMay

Agora, quando você fala, por exemplo, do Cthulhu Mythos do Sandy Petersen ou o chamado de Cthulhu, o mais tradicional, né, porque nós estamos falando de de opções para você adicionar no jogo, né? Não o Actung, mas no caso do Pulp, você pode usar o livro base também.

TThiago

Pode.

MMay

Você tem, assim como muitos outros jogos de RPG, você tem uma mecânica que vai emular, vai simular algo que na teoria seria na vida real. Então, por exemplo, quando você joga Vampire, você hoje, né, da quinta edição, você tem a fome que vai emular aquela coisa da besta querendo tirar o pouco da humanidade que o vampiro tem. E aí você vai pra mesma ideia pro Chamado ou pro The Sandpiterson, que você tem uma mecânica que vai apoiar o narrador e o investigador a lidar com os horrores, em alguns momentos terrores também, né, mas no caso o horror tiraria a sanidade. E aí você usa uma mecânica pra simular isso do que tá acontecendo na mesa.

RARafael Amon

É, então, porque o lance da diferenciação de mecânica entre o próprio jogo, porque senão só precisaria ter um jogo de Cthulhu, aí depois você não precisa ter mais nenhum outro. E talvez nem só a parte da insanidade, porque a insanidade, por exemplo, é uma delas. No canal, quando a gente jogou, se não me engano, toda vez que a gente jogou foi Chamado de Cthulhu.

TThiago

Foram, todas as vezes foram chamados.

RARafael Amon

A gente não jogou nenhum outro de Cthulhu, mas porque a gente já sabia qual que era a pegada. Por exemplo, quando eu vou jogar Chamado de Cthulhu, eu sei que a probabilidade de perder um personagem vai estar ali muito próximo dos 100%, irmão. Não, pô, não tem como, Tiago. Que aventura que a gente terminou, que terminou todo mundo tranquilo?

MMay

Depende do narrador.

TThiago

Então é o que eu falo, o narrador não é culpado pelas péssimas decisões de vida dos jogadores, tá vendo? Aí E em algum momento das histórias você teve a opção de: "Eu vou largar essa porra toda e eu vou pro Brasil." Mas isso é minha primeira opção sempre. É verdade.

RARafael Amon

Todos os personagens do Rafa são assim.

TThiago

Todos, todos, todos. Ele jogando a caça com a gente, ele fala que, ah não, chega um momento que ele desiste, né, que ele caminha para a neve, ele foge.

RARafael Amon

Acabou pra vida dele ali, pô.

TThiago

Aquilo ali, ele não se tocou até hoje disso. Aquele foi o momento de loucura do personagem dele.

RARafael Amon

Pode crer, né?

TThiago

Porque em que mundo você acha que você vai sobreviver correndo com uma roupa do corpo num ambiente de, tipo, neve congelado, frio, suportar?

RARafael Amon

Não passa nem por uma mesa de RPG, Thiago. É imaginação, me deixa ser feliz, cara.

MMay

True Detective, a última temporada, não vou dar spoiler que eu não sei se o pessoal assistiu.

ICIgor Cruz

Pô, eu ainda não assisti, acredita?

MMay

Mas tem uma cena, veja, tem uma cena muito parecida com com essa do seu personagem.

TThiago

Você vai ver qual foi o final daquela pessoa.

MMay

Na hora que eu tava assistindo, eu lembrei.

TThiago

Ela falou, inclusive, essas coisas que a gente tá falando sobre a insanidade.

ICIgor Cruz

Tem um negócio que eu não posso dizer que me incomoda, né, mas é algo que eu já até comentei aqui. Quando a gente fala de perda de insanidade, a maioria das pessoas, elas imaginam que a pessoa ficou abobada, Lele da Cuca, essas coisas assim. E eu sempre gosto de trazer uma reflexão, que é o filme Origem, né? A esposa do Leonardo DiCaprio é insana, ela perdeu a sanidade dela porque ela acredita que ela está num sonho vivendo a realidade, né?

E o que que ela quer fazer? Se matar para acordar do sonho. E ela vive normalmente, pô, só que a todo momento ela provoca o Leonardo DiCaprio a se matar porque eles estão vivendo um sonho que foi assim que ele tirou ela do limbo. Ela não conseguiu compreender quando ela acordou. Faz sentido, certo?

MMay

Sim.

ICIgor Cruz

Então eu trago muito pra isso.

RARafael Amon

Que ela tá operacionalmente...

ICIgor Cruz

Que a galera acha que zerou a sanidade e ficou...

TThiago

Mas vou te falar, cara, muita gente joga Cthulhu assim, cara. Mas não é tababando.

RARafael Amon

Mas não tem a galera que entende dessa forma e joga chamado de Cthulhu assim, por exemplo?

TThiago

Eu não vou ficar julgando o jeito que os outros jogam. Eu vou, pô, porque não, tudo é meu aqui. Pode julgar, pode julgar isso. Joga o que você quiser.

MMay

O livro, ele tem uma parte de apoio para o narrador, para ajudar na questão da progressão do personagem, porque inclusive você pode internar, assim como vai para o hospital, e aí você tem uma mecânica para ver se você recupera. Você vai para o— você pode mandar. É um termo que o livro traz e hoje a gente não trata assim, né?

TThiago

Se você não fizer como Jason X, que diz que ele ficou preso no sanitário por 12 anos, já tá tudo bem, já melhora.

RARafael Amon

E aí você imagina, é por isso que ele Foi matar os outros, por isso, né?

TThiago

Eu entendo completamente. Um assassino louco que mata todo mundo, ficou preso no sanitário por 2 anos.

RARafael Amon

Imagina, irmão, eu botaria uma máscara e pegaria uma peixeira também, irmão.

MMay

Eu acho assim, como qualquer jogo de RPG, independente do sistema ou da proposta, podem aparecer coisas na mesa que são complexas e não necessariamente a galera que tá lá sabia que ia acontecer. Que quando você joga RPG, literalmente qualquer coisa pode acontecer. Quando você tem um jogo que ele tem um horror cósmico proposto e o narrador senta com os jogadores e explica que pode acontecer assim, pode acontecer assado, mesmo assim pode ter ali algo que surpreende, né?

Então é sempre de bom tom lembrar que quando você fala da insanidade, isso não te dá permissão pra você tratar aquilo necessariamente como loucura, loucura. Quando eu digo de loucura, é na questão, aí vamos falar, patológica. Isso, a gente tem que tomar cuidado também para a gente não entrar para esse viés de, né? Então assim, porque o livro fala, a gente tem que entender que a mecânica vai apoiar, como eu disse, para simular o que acontece.

Mas isso não é desculpa para você simplesmente sair nomeando coisas ali na mesa e dizer, olha, então agora você tem isso, agora você tem aquilo, tem Tem que tomar um cuidado muito grande. Eu sou sempre a favor de ter restrição zero. Que tem gente que gosta de chamar de contrato social. Tem gente que acha que é bobagem. Vai ouvir e fala: "Nossa, Mai, mas precisa." Eu vou contar uma experiência. A primeira vez que pós-pandemia eu fui narrar foi no DOF.

Fui narrar a chamada de Cthulhu pra New Order, né? Inclusive, acho que você narrou também, né? Todos nós narramos. Dos nossos amigos, tá? Inclusive, eu não lembro se eu te vi, Ramon. Eu acho que você foi só noutra edição.

RARafael Amon

É, acho que eu fui só na seguinte. A primeira pós-pandemia eu acho que eu não fui.

MMay

E aí, o que aconteceu? Todo mundo de máscara, aquela coisa ainda mantendo distância, né? Ainda estávamos nessa fase. Como tem gente que até hoje ainda vai em evento. A gente viu muito isso na GenCon, né? Tem muita gente que permanece usando máscara e fazendo essa distância. A gente respeita. E aí, então, o pessoal sentou, e aí, só que eu tinha que fazer a sessão zero. E sessão zero com pessoas que você nunca conheceu e você vai jogar por uma hora e meia, duas horas, só, e depois você nunca mais vai ver, é uma coisa que tem que ser muito bem feita, né?

Então, eu tinha, eu fiz um papelzinho, a pessoa poderia tanto conversar comigo como escrever, e eu falei: olha, se vocês não se sentirem à vontade de falar aqui na frente do grupo ou de colocar no papel, "Bel, pode me chamar no canto?" Falei brincando assim, sabe? Bem, né? Sem compromisso. Falei: "Me chama ali no canto e aí você me fala." E a pessoa, uma senhora, levantou e me chamou pra um canto. Eu falei: "OK." E aí, né? Não vou expor necessariamente o que é, mas a pessoa tinha uma questão com arma.

Porque ela tinha vivenciado, né? Uma situação. E aí ela me explicou. E claro, você tem que entender também a proposta do jogo. Pra ver se aquilo se encaixa dentro das suas expectativas e se não vai te gerar uma frustração ou outra coisa, né. E a minha aventura não tinha nada disso. Então, eu assegurei que não haveriam problemas aí. Nós conversamos um pouco assim sobre até onde eu poderia ir nessa questão da descrição física, porque eu uso muito o ambiente quando eu narro, não só chamado de Cthulhu, mas qualquer outro RPG, eu uso muita natureza. Se você sobreviver à natureza, daí sim você consegue chegar no mito.

TThiago

O cosmico da Maíra e a pedra caindo da Paris.

MMay

Nada como a mãe natureza para te apoiar.

RARafael Amon

É verdade.

MMay

Se você passou dessa fase, tipo no limite, passou dessa fase, aí você consegue se ferrar.

TThiago

Aí você tem o direito de se ferrar. Parabéns.

MMay

Aí eu conversei um pouco com ela sobre isso e assim ela ficou muito mais tranquila. Agora você pensa uma situação em que a pessoa Não leu a proposta, porque na mesa fica ali escrito mais ou menos o que vai acontecer, né? Um pequeno resumo da aventura. Vamos supor que tem o combo, o combo dos desavisados. Essa pessoa não lê e eu também não pergunto. E aí eu narro, porque, gente, a coisa mais comum de chamar de Cthulhu 1920 é alguém dar um tiro.

Com certeza, sim. E aí a pessoa vai acontecer na vida real o que eu emularia no jogo. E aí você faz o quê? Como você lida com isso, né? Então é por isso que volta a dizer que eu sou muito fã de uma boa conversa, seja lá qual o nome que você dá para isso.

TThiago

No jogo dela não tinha armas, no teu tinha. Na última aventura minha tinha. Então você falou, se eu fosse jogar comigo, eu ia ter que conversar com ela. Pode não ser a melhor mesa para você.

RARafael Amon

Exatamente, e eu acho que isso é o peso e essa conta é justa.

TThiago

Para ela é justa. Para mim, sim. Eu não quero causar um problema nela, não quero. E também não, e eu também quero dar o que eu fiz.

ICIgor Cruz

Perfeito. Eu acho que não significa, a pessoa precisa compreender também que não significa que ela não vá jogar RPG, sim, né? Mas aquela aventura não é para ela, né?

RARafael Amon

Eu, isso, por exemplo, eu acho até que já entra em parte de técnicas narrativas, de você começar a dizer para a pessoa que quer conduzir uma aventura que vai ter o horror cósmico, que vai ter os mitos, como ela— a primeira, inclusive, acho que é a porta de entrada. Fala, cara, olha só, pode não ser para todo mundo. Toma cuidado com quem você precisa cuidar, de quem vai entrar na tua mesa. Se for um evento, então, que eu falo para galera assim, mestre de evento, que nem vocês são, eu acho a doideira.

Eu, para mim, é loucura. Qualquer pessoa poder sentar e vir e você poder narrar.

MMay

É o começo, foi maravilhoso para minha doideira.

RARafael Amon

Mas antes da gente entrar nas técnicas, vamos fazer o segundo spot aqui do PNP, porque a gente falou de armas. Não posso deixar de citar as belíssimas armas da Tenda Medieval. São maneiríssimas, são armas brancas de enfeite, claramente sem corte, por favor, mas fica bonito na estante.

ICIgor Cruz

Fica lindo, irmão.

RARafael Amon

Eles têm um set quase, sei lá, pra mim tá quase completo de Senhor dos Anéis. Tem, obviamente, tem a Anduril, nasceu Anduril, mas tem espada, tem a do Legolas, tem a dos Anões, cara, tem aquela meio quadradinha meio art déco dos Anões, maneiríssima. Art déco? Os Anões são art nouveau.

TThiago

Agora não é art déco.

MMay

Não é art déco e os elfos são art nouveau.

RARafael Amon

Art nouveau, pra mim eu tô com a mais, pra mim é isso. A estética é toda da época.

TThiago

E os humanos são o quê então? Tô querendo agora, tô curioso.

MMay

Os humanos são os humanos.

RARafael Amon

Os humanos são os humanos. Os humanos não têm estética.

TThiago

É isso aí.

RARafael Amon

Não tem estética.

TThiago

Me senti mal agora.

RARafael Amon

Não tem. Os humanos não têm estética. Comparado com os anões, com os elfos, é uma bosta de lã.

MMay

Eles gostam de lã.

RARafael Amon

Por favor, exatamente. Não tem cor, cara.

TThiago

Como é que a tua casa não é Art Deco purinho? Eu tô imaginando o seguinte então, vamos lá. Se os anões são Art Deco, os elfos são uma arte nouveau, "Quem são os góticos? Quem é o pessoal que faz a arquitetura gótica aí?" Eu te digo quem é, é Mordor.

RARafael Amon

Pô, aí podia ser, é outra vertente. É Mordor, outra vertente. E falamos em monstros, onde tem monstro, no Cartapacho de Monstros da RPG com Ódysseas. Você quer adicionar criaturas e seres no seu RPG? Procura lá o Cartapacho. Tudo isso que a gente falou, sabe o que que tem, Igor? Cupom de 20% de desconto do PNP. New Order, Luz Negra, Tenda Medieval, RPG com Noses, aqui embaixo na descrição tá aqui, PNP 20%, tem PNP 20. E mais tarde vai falar da Celestia, que também tem cupom de 20%, já tá ali tudo embaixo, já tá ali no spot, tá no spot, já tá tudo junto.

ICIgor Cruz

Muito bom.

RARafael Amon

Falando de horror, da fase. De nada, mais um Thiago inserido no esporte.

TThiago

Depois eu cobro.

RARafael Amon

Agora, a gente falou desse de garantir a segurança para galera que vai entrar na mesa e tudo mais, ver tema que talvez eles não queiram que apareça, tal, tranquilo. Mas como é que uma pessoa que quer narrar uma aventura com horror cósmico. Ela é como o Igor aqui, que quer fazer uma aventura de Cthulhu. Como é que você chega nesse horror? Você descreve, por exemplo, você falou a cor que não existe, cor que não pode ser descrita. Como é que eu tenho que descrever isso numa mesa?

ICIgor Cruz

É para dois amigos, né, que não conhecem RPG. Eles querem conhecer porque eu falo para caramba, né? É tipo, como é que é isso?

MMay

Tá bom, já vai começar com Cthulhu.

RARafael Amon

Para mim, para mim, para mim, o melhor lugar de você começar, o que que eu fiz?

ICIgor Cruz

Então, para facilitar a vida deles, que que eu falei? Me diz um filme que vocês gostariam de chegar próximo. Eles tinham acabado de ver Sinners, né? Eles adoraram Sinners. Pô, Sinners, 1920. Pouquinho, né? Na época da Licia que eu falei, porra, tem que ser.

MMay

Não, mas vamos lá, que eu acho que você pode fazer depois.

ICIgor Cruz

A única coisa que eu falei para eles é: não vai ter vampiro, tá?

MMay

Faz um episódio todinho só como que você consegue trazer seus amigos para RPG. É verdade, porque o que tem de gente que fica tentando trazer a gente para jogar e não consegue. Então depois você dê todas essas dicas para galera.

TThiago

Posso dar uma ideia?

RARafael Amon

Deve, por favor. Bota vampiro no final. Mas você conhece os vampiros de Então a gente conversa isso aí, a gente conversa isso aí, tia.

TThiago

Onde foi na Lick? O grande vilão do Chuchu, do trenzinho. É porque eu não chamo de Orient Express, eu chamo de Chuchu.

RARafael Amon

Bora aqui, só pros seus amigos. Pode procurar no Google Chuchu Lovecraft.

TThiago

É a melhor campanha de chamada de duolo. Para mim é o Ronin Expresso Oriente. A segunda melhor máscara de general.

ICIgor Cruz

São dois livros, né?

RARafael Amon

Não, dois livros, é uma caixa desse tamanho só de livro.

TThiago

Rendalde são dois livros grandes, tem mais dois, tem mais livros dependendo do que vai, é para mais cidades que você vai passando. É para mais de ano, joguei completo, é para mais de ano de jogo, maravilhosa. Não tenho coragem de narrar Mas o vilão principal, veja lá, é o vampiro.

RARafael Amon

Bom, pô, que maneiro, mano, que maneiro. Mas então essa é a parada, o cara que vai tentar misturar agora uma mesa de Cthulhu, que não é tipo, sei lá, uma aventura de D&D clássica padrão. É muito fácil você montar um roteirinho de aquele 5-room dungeons, aí você monta dungeonzinho, bota os inimigos ali, bota uma história para juntar a galera e desce. Vai todo mundo se divertir, vai ser maneiro, vai fazer o combatezinho com Goblin, com Kobold, vai todo mundo sair feliz.

Agora tu pegar e vai, eu quero fazer uma aventura de Cthulhu, eu vou pegar 4 investigadores e aí depois de meia hora de jogo eu vou botar Yog-Sothoth apareceu, acabou, e aí uhul, vamos para casa.

TThiago

Vou te falar que essa aventura foi bem estranha, entendeu? Eu não tô aqui para te julgar, tá bom?

RARafael Amon

É esse meu ponto. Como é que você não deixa Aventura Estranha e ainda tem horror cósmico nela?

ICIgor Cruz

Eu acho que dá para brincar por isso. Por que que é mais fácil a Dungeon? Por que que você acha que é mais fácil?

TThiago

Por que que o Hobbit não é um horror cósmico?

RARafael Amon

Olha, ele tá mais indo profundo do que eu.

TThiago

Porque, vamos pegar o Breu que você falou ainda agora. Por que que enquanto descendo pelasquelas masmorras, úmidas, escuras. Enquanto você vai descendo, aquele, aquela água pingando, aquele som cadenciado no teu ouvido do teu personagem, você suado porque você tá muito tempo andando para chegar até aquelas masmorras, né? Quando você tá descendo aquelas escadas escorregadias com muito cuidado, você saca tua arma meio que já se preparando para o que pode estar virando a esquina.

Por que que não aquela criatura de pele verde, flácida, com nariz caindo para o lado, uma gosma descendo aqui pela boca dela? Por que que aquilo, que é um Goblin, não é um horror, não é uma coisa bizarra surgindo do escuro, do escuro, por trás de sujeira?

RARafael Amon

E de, sabe, a descrição é a ambientação, a descrição faz o horror.

TThiago

Isso não é o horror cósmico em si, mas ela faz o horror. Isso já é o começo. Isso é o primeiro passo.

RARafael Amon

Vou te falar, isso não é fácil não, Thiago.

TThiago

É fácil.

RARafael Amon

Não é, não é.

TThiago

Você viu o que a Maíne faz? Você viu o que a Maíne faz?

MMay

O que eu faço, Thiago?

TThiago

A Maíne faz uma coisa muito bem dessa coisa de descrição. Dependendo da mídia que você que você tá usando, se você tá usando online, você tá fazendo numa mesa, o jeito que você tá falando, a cadência, conta. De repente, uma, um fundozinho sonoro. Tem uma coisa que ela faz que eu adoro, que é o seguinte: ela tá descrevendo uma cena e ela para e ela faz olhares diferentes, como se tivesse a pausa dramática, sabe? Não somente a pausa dramática, ela tá sentindo aquela, ela tá sentindo aquilo ali. Enquanto ela vai narrando narrando aquilo.

RARafael Amon

E o que ela tá narrando, ela só tá descrevendo uma parede, um mural.

TThiago

Mas aquilo ali é para dar o quê? Para dar importância e para chamar atenção dos jogadores para aquele mural e o horror que pode estar nele, ou que vai surgir depois dos jogadores olharem para ele, né?

RARafael Amon

Pô, mas eu acho, Tiagão, que tu tá partindo de uma premissa de que isso seja algo simples, mas acho que você vê como simples porque você tá inserido nesse meio imerso.

MMay

Exato.

TThiago

Como é que alguém começa a fazer isso?

RARafael Amon

É, como é que alguém introduz isso?

ICIgor Cruz

É uma boa, é uma boa, porque eu preciso dessa—

RARafael Amon

o cara não teve o contato, por exemplo, o cara não tem experiência de já ter jogado com outros mestres de Cthulhu.

MMay

Eu tenho sugestões.

ICIgor Cruz

Boa.

TThiago

Posso te apontar uma boa?

MMay

Vai.

TThiago

Tem aventura dela, você sabe como é que eu conheci a Maíne? Vendo ela narrar no Pedidos do Play. Olha aí, a aventura dela, que ela tá inteira. Exatamente, aventura que ela narrou para o 321.

ICIgor Cruz

Que maneiro, cara!

TThiago

Sabe por que que eu fui ver ela narrar? Porque um amigo nosso comum, Batistão, falou que uma menina que narrava bem ia narrar. E a gente queria, e a gente queria chamar uma moça para Na época a gente fazia parte do Mundo Otakular e a gente queria chamar uma moça pra fazer parte lá com a gente. Pra quê? Começou a menina comum. Pra fazer o quê? Exatamente. Pra quê? Porque eu acho que tem que ter mais mulher narrando. Sim. Porque eu acho que se tiver mais mulher jogando, mais mulher vai jogar. Se tiver jogando mais mulher narrando, mais mulher vai narrar.

RARafael Amon

Tá aí.

TThiago

Putz. Então eu queria ter mais moças, mais mulheres narrando e jogando e queria gente mais pra gente lá no canal que a gente fazia parte do Mundo Otakular pra isso. E aí eu fui assistir porque ele falou que ela era muito boa. Eu não sou de assistir live em geral, eu não tenho tempo, verdade é essa. Às vezes eu assisto, eu fui assistir a dela. Ela dá um show de narrar terror em D&D.

RARafael Amon

Sim, que é coisa que a gente vai falar hoje aqui.

MMay

Legal, então sugestões. Obrigada, meu amor. Mas é, eu também narro muito bem. Bom, eu me cagava de medo. Sabe, quando tinha a caça, né, também no PNP. Se você não assistiu, você vá assistir, por favor, é uma mesa maravilhosa. E aí tinha assim, e aí tinha o Thiago narrando. Vocês viram, às vezes vocês viram até 2 horas da manhã.

RARafael Amon

E eu sempre falo, cara, eu odeio o Thiago.

MMay

Atena fazendo aquelas decisões de vida péssima de como jogadora, entendeu? Atena, beijo, te adoro. E aí eu não conseguia assistir porque eu ficava me cagando de medo. Eu nunca tinha jogado Cthulhu, né?

RARafael Amon

Eu odeio o Thiago.

MMay

Então assim, eu tinha que mutar, eu deixava às vezes mutado e eu ficava olhando a cara da Atena assim, ó, tipo desesperada no celular.

RARafael Amon

Você sabe que eu pedia pro Thiago às vezes terminar mais cedo, porque ia passando o tempo, aumentava muito a probabilidade de eu ter pesadelo. Eu falava: caralho, Thiago, toda vez que você joga essa porcaria de Cthulhu, eu vou dormir e tenho pesadelo, cara.

ICIgor Cruz

De manhã, 2 horas da manhã, tá maluco?

RARafael Amon

Aí era certo, aí era certo. Nossa, cara, o que que eu pedia pro Thiago? Pô, Thiago, tenta 11:30, 11, 11:30.

MMay

Quando ia dando meia-noite, meia-noite e 15, eu já tava pensando, vai dormir direto com o que eu tô vendo.

RARafael Amon

Eu tô muito ferrado, mano.

ICIgor Cruz

Eu não assisto filme de terror, eu adoro filme de terror.

TThiago

Vamos falar um negócio pra vocês, provi entretenimento pro sonho dele, ele tá reclamando. Isso é um absurdo.

RARafael Amon

Pesadelo não é entretenimento não. Mas diga mais suas técnicas, dicas que eu tenho.

MMay

Então assim, a primeira vez que, quer dizer, eu comecei a jogar RPG com 11 anos, né? E aí aquela construção infantil de RPG, vamos lá, porque se você for olhar o que era o nosso jogo quando nós éramos mais novos, não sei se vocês jogam desde pequeno, é outra coisa, é outro rolê. Exatamente, porque nós não nos prendíamos a regras, tinha uma construção lúdica do que é o jogo, né? Não vou entrar aqui em minúcias pra depois o pessoal não me cancelar aqui, porque começar a falar de regra, jogo e o que é o RPG, rola isso aí.

RARafael Amon

Ludicidade, olha lá, eu estou no Catedrático de Novo.

MMay

Fica feio e tá tudo bem, que eu acho que dentro da sua vivência você pode ter uma expectativa diferente do que é o RPG. Mas aquilo que nós tínhamos quando nós éramos pequenos é diferente do que a gente tem hoje. Então, quando eu narrei a primeira vez, foi um D&D ali Que não era bem um D&D, mas... D&D-like. É, exatamente. Eu não sei até hoje o que se sentia.

RARafael Amon

Usava um D20.

MMay

Só rolava nada.

TThiago

Só rolava nada.

RARafael Amon

E diz o que aconteceu.

ICIgor Cruz

Nos anos 90, você usar o D20 era o que importava, né?

MMay

Quando eu decidi voltar para RPG, eu já adulta, eu já me prendi nessa questão de como narrar e talvez por eu ser educadora, né? Para mim essa parte de trazer o formato em cenas, pra mim foi o mais fácil. Então, não necessariamente isso vale pra outros sistemas mais heroicos aí, RPG mais heroicos, eu tô falando assim nessa questão do horror, tá? Você trabalhar com cena, por quê? Você vai ter muita descrição, você vai ter investigação, você vai ter literalmente a exploração do local.

Então, quando você trabalha com cenas e você coloca um "setting" do que tá acontecendo ali pra você que você— e gatilhos que a partir do momento que um personagem fizer isso ou perguntar aquilo, acontece isso e vai pra cena 2. Isso facilita a tua vida, você se liberta. Porque quando você tá narrando D&D, por exemplo, você tem ali o stat block do monstro, aí você tem o mapa, e aí vai andar tantos feet, né, vai andar tantos quadradinhos, aí não sei o quê.

Você fica muito preso nisso, muito no visual. Quando a gente joga Chamado, você pode ter um handout, você pode ter sim coisas pras pessoas pegarem e verem, mas no meio digital seria uma ilustração ou uma música, né? Então você tem todo um apoio que vai corroborar com a tua narrativa. Só que se você se liberta disso da regra e você lembra que simplesmente você vai guiar os teus jogadores pela tua descrição, veja, naturalmente você vai facilitar a tua vida.

Vida. Tá bom, Maíra, entendi. Você tem que carregar na descrição, deixá-los mais livres, e conforme as coisas vão acontecendo, você vai adaptando ali na hora. Maravilha. Como que eu faço isso? Você tem duas opções: você pode assistir filmes ou séries que tratam um tema parecido com o que você quer trazer para mesa, para você pegar essa questão da ambientação, porque literalmente você tá pegando seu jogador pela mãozinha e levando ele pela história.

Seja ela mais construída, colaborativa, ou mais já pré-determinada. Aí vai depender muito do seu tempo, do que você tá propondo, né? Ou você pode assistir outras pessoas narrando e pegar coisas que você acha legal.

RARafael Amon

E eu acho que tá, a questão da cena que você falou, achei muito legal, porque às vezes eu tinha muita preocupação de que se eu fosse adaptar um filme, eu ia ter que usar o plot inteiro do filme, e aí pudesse ficar repetitivo. Isso de você talvez destacar só uma cena daquele filme, essa cena legal, e levar ela como uma cena para dentro do teu RPG, encaixando na história, é uma sacada que eu não tinha pensado.

MMay

Outra coisa que ajuda muito é você pega uma aventura pronta.

RARafael Amon

Sim, ah, é verdade, tá.

MMay

Então assim, se Você não faça como eu, que foi a primeira vez que eu fui narrar, já foi uma campanha longa, porque eu tenho problemas, claramente, né. E aí eu fui, só que eu gosto de fazer uma coisa, que mais uma vez, eu acho que é por conta do meu background, que eu sou educadora, né, e eu gosto muito, sempre gostei muito da colaboração dos meus alunos em sala. Eu conto a história junto com os meus jogadores, então eu tenho anotado por cenas, né.

E o que vai acontecer? Só que às vezes alguém abre a boca, fala uma coisa que era melhor, muito melhor do que eu tinha pensado.

TThiago

Perfeito.

MMay

E a partir daquilo eu já vou derrubando mentalmente tudo que eu tinha e eu vou construindo a partir daquilo.

TThiago

O maior inimigo do jogador é o jogador.

RARafael Amon

Pode crer, né?

MMay

Você vai fazendo a leitura da reação do teu jogador. Então você jogar pra mim, por exemplo, eu tenho uma dificuldade muito grande de jogar com as pessoas com a câmera fechada assim online.

RARafael Amon

É difícil você saber a reação da pessoa.

MMay

Tudo bem? Vocês estão gostando? Eu vou ficar meio mãe assim, querendo checar, sabe?

RARafael Amon

Tem gente que não gosta, cara. O cara de Discord, por exemplo, é muito—

ICIgor Cruz

Mas é quando você não tá num círculo de amigos, né?

RARafael Amon

Quando você monta uma galera do online é assim, cara.

TThiago

Tem muita gente também que são de problema com a imagem.

RARafael Amon

É por isso que eu falo, eu tenho uma câmera ruim, tem vergonha.

ICIgor Cruz

Então eu não, cara, a galera não acredita muito, mas eu até os meus 14 anos eu era tímido ao ponto de eu ter vergonha de fazer sinal para o ônibus. Eu não fazia. Se eu passasse meu ônibus, ninguém fizesse sinal, eu não pegava.

MMay

Aí eu sei como é, né?

ICIgor Cruz

Mudei dos meus 15 anos para cá, já faz tempo isso, né? Mas eu entendo completamente, cara. Você tá no meio de uma galera que você não conhece, você vai abrir câmera, primeiro pensamento é o pessoal te julgando, né? Pô, como é que é a câmera dele?

RARafael Amon

Como é que é o ambiente que ele tá?

MMay

Porra, eu vou falar, mas nunca a questão da autoimagem foi tão forte.

RARafael Amon

Aí não tem nada a ver com RPG, não, é lógico que não, mas faz sentido.

MMay

Galera mais nova, eles hoje É muito complicado para eles colocarem a cara ali, porque eles têm um nível que eles querem alcançar que é impossível. Isso foi dado para eles desde que eles nasceram, enfiado goela abaixo, que tem que ser assim. E é mutável a coisa, sabe? Mesmo que você tente alcançar algo que você estipula como, abre aspas, o ideal, dali a pouco aquilo já mudou. Pode crer.

TThiago

Do frio, entendeu? O meu segredo, que eu brinco que é segredo que não é segredo, para narração de terror e de horror: ler coisa de horror e terror. Cara, lê um livro, alguma coisa. Por exemplo, a gente tava falando, primeira pergunta, agora tava me tocando, eu não respondi. Você perguntou qual foi o primeiro livro, o primeiro conto do Lovecraft. Não foi O Chamado de Cthulhu. Olha aí! Foi, se eu não me engano, é o primeiro conto dele foi Dagon.

Mas o primeiro conto lançado dele foi o Alquimista, que se eu não me engano foi em 1918, mas Dagon ele escreveu antes.

RARafael Amon

E o Paulo Coelho chupinhou do Alquimista. Paulo Coelho lançou o Alquimista.

TThiago

O Alquimista, diga-se de passagem, não é bom não. Diga-se de passagem, se tu for analisar realmente todos os contos do Lovecraft, a maioria não é bom. Tem alguns que são pérolas maravilhosas, Ratos das Paredes, o corta, entendeu?

RARafael Amon

A nossa aventura nas paredes, na nossa tinha um Brown Jenkins lá.

MMay

Mas é porque você tá dizendo, desculpa me intrometer, mas é porque eles são bons para construção de cena. Até por isso que é um material tão rico.

TThiago

Concordo. Ah, aliás, então esse é meu ponto. Ele completo vai ser tão válido, mas justamente, justamente, o que a Marina tá falando, meu Você lê o que tá escrito, o jeito que ele fala certas coisas, apresenta certas coisas, descreve certas coisas, até o indescritível que o pessoal gosta de zoar. Quando você fala que uma coisa é indescritível, isso diz muito sobre ela.

ICIgor Cruz

Sim, para caraca.

TThiago

É que o teu cérebro não consegue fazer aquilo, né?

ICIgor Cruz

Fazer uma imagem daquilo, né?

TThiago

Aquilo não é falta de vocabulário. Aquilo ali é proposital.

ICIgor Cruz

A própria cor, cara, não é uma cor, né?

RARafael Amon

Qual que o cara, o que ele mais descreveu foi é uma cor.

TThiago

Qual é a cor da cor?

RARafael Amon

É, né?

TThiago

Quando você imagina a cor da cor, o que que vem na sua cabeça?

RARafael Amon

Agora eu tô contaminado por causa do filme.

TThiago

Você vê roxo? Eu vejo. Mas você sabe por que que usaram roxo? Não faço ideia. Porque todo mundo que ele perguntava associa o roxo, porque o roxo é uma cor que ela não é natural.

ICIgor Cruz

Entendi.

TThiago

Eu, antes do filme, todo mundo associa o roxo.

ICIgor Cruz

Antes do filme, sendo mais sincero, né, eu associava muito a cor quente, amarela, né, mas por causa do Rei de Amarelo, né, que tem tudo com aquela ligação. Depois do filme eu não consigo desver aquela cor meio cintilante, meio roxo.

RARafael Amon

Então, porque até essa parada do cosmic mesmo é um complicador em quem quer narrar horror e não tem essa experiência. Porque vamos lá, ah, tá falando da cor, mas vamos botar os bichinhos do Cthulhu, os bichinhos lá que o, é, que o Sande Peterson coloca nos livros dele e tal.

TThiago

Vamos fazer, já que você falou de bichinho, vamos fazer uma experiência. Vamos lá, vou descrever um bicho, eu vou descrever um bicho aqui, vou escrever um bicho de Cthulhu. A massa sabe qual é? A massa sabe qual é? Eu acho que vocês vão saber também. Vou escrever um bicho, eu Eu vou descrever um bicho da forma mais idiota possível. Ok. Literalmente.

RARafael Amon

É um polvo verde.

TThiago

Não. Parece um elefante.

RARafael Amon

Pô, essa foi idiota?

TThiago

Parabéns, parabéns, parabéns. Um polvo verde, parabéns.

MMay

Não, idiota não, foi simples.

TThiago

Foi simples.

RARafael Amon

Foi diferente.

TThiago

Da forma mais idiota que eu quero dizer é o seguinte.

ICIgor Cruz

É o David Jones.

TThiago

Da forma mais genérica. Tem 4 patas como se fosse um elefante. É grande pra caramba, como se fosse um elefante, mas tem tentáculos que ficam voando para cima, bocas e bocas que não terminam mais. É um Dark Yang.

ICIgor Cruz

Dá para entender, não?

TThiago

É um Dark Yang Shubun no Gra.

RARafael Amon

Então eu ia pensar— não, então entendi, mas eu ia pelo lance do é um mamute esquisito.

TThiago

Mamute esquisito.

RARafael Amon

Porque o lance é a dificuldade de narrar e de quem tá ouvindo.

TThiago

O jeito que eu falei para você agora te assusta? Não, não. É o jeito que você vai pegar a descrição dele. Aí que eu tô, esse aqui é o nosso ponto.

ICIgor Cruz

Eu acho que é exatamente por aí. O ponto dos dois é muito válido, né? Você vê filmes, séries, você traz imagens para sua cabeça, mas você lê os livros, contos disso, você consegue descrever melhor, porque você descreveu o mesmo bicho que ele, só que você falou um mamute esquisito. Mamute esquisito não dá susto nenhum.

RARafael Amon

A forma que ele falou, você já é mais gráfica, você consegue piorar muito mais.

TThiago

Sim, agora se eu começo a descrever que vocês estão no ambiente, quando começa a tirar, sair da terra, aquilo que parecia uma árvore gigantesca começa a se movimentar e as raízes desgrudando da terra, uma pata que parece uma pata de um elefante, só que torta e não natural. E eu começo a descrever que bocas começam a se abrir, dezenas de bocas com dentes pontiagudos e gritos. É o jeito, é a descrição da criatura mais básica do Lovecraft, quando você lê, por exemplo, o conto do do Chão de Cthulhu, se eu não me engano, tem do Abissal.

O Abissal é a criatura mais básica do conto de Cthulhu Mitos. Então vamos todo mundo estabelecer isso, né?

MMay

É o Goblin.

TThiago

É o Goblin.

RARafael Amon

É que tu tá me contando, senão, meu irmão, é o Goblin do Cthulhu.

MMay

É que ele é o mais fácil de enfrentar.

TThiago

Ele bota a criatura Cthulhu, Cthulhu Sotot, Jhubbishgorath, tudo de nome, tudo das criaturas do Cthulhu Mythos, cara, eu posso ter errado, se eu tiver errado alguém me corrija, mas a criatura mais fácil de se enfrentar é um abissal, certo? O que que é um abissal? É um bicho que parece meio homem, meio peixe.

MMay

É um híbrido.

TThiago

É um híbrido, né?

ICIgor Cruz

Você já viu no Aquaman.

RARafael Amon

É um peixe-homem.

TThiago

É um peixe-homem, né?

RARafael Amon

Tem a sereia, só que ao contrário.

TThiago

Ao contrário, né? E aí, tipo assim, Você descrever isso, vamos pegar a zoeira, como se fosse o Kuatoa.

RARafael Amon

É, parece.

TThiago

O Kuatoa não é uma coisa assim horrível, é uma coisa assim, é um bicho estranho para caramba, né? Lá no D&D, no Baldur's Gate, boa, boa, né? Eles são cultistas também, eles trazem a realidade, o deus deles, né? E O Abissal em Cthulhu, ele é uma criatura que se você for pensar, aquilo é horrendo. Mas se a gente for voltar e descrever um zumbi, é uma coisa horrível.

ICIgor Cruz

E outra, é para você transportar isso para a realidade, cara.

RARafael Amon

Um zumbi é horrendo. E aí eu vou dar um ligeiro shift no que você falou, porque é só, eu Quando eu tô de jogador, eu tenho uma certa dificuldade às vezes de imaginar na minha cabeça a figura que tá sendo narrada. Mas, por exemplo, o zumbi gráfico em The Walking Dead aparecendo na minha cara já me causa o terror, o asco, o nojo, porque tem o visual.

MMay

Você faz a referência de outra mídia, né?

RARafael Amon

Exato. Você vai narrar um negócio que eu já conheço, que eu tenho referência visual de outra mídia, eu consigo chegar e imaginar o que tu tá descrevendo. Uma parada que é um horror cósmico, que eu nunca tive essa referência visual, para eu chegar na imaginação do que você tá narrando seria mais difícil. E aí, por exemplo, nas mesas que eu joguei de Cthulhu, a maioria com você, eu joguei bastante com Luciano, cara, O Luciano é um maluco sinistro de fazer prop.

Os props numa mesa de Cthulhu me trazem muito pra dentro do jogo, de facilitar a imaginação daquele tipo de aventura.

TThiago

Pra mesa física. Uma mesa online você não tem como ter prop.

RARafael Amon

Ah, tu tem o handout. Prop eu digo handout.

TThiago

Sim, mas você vai ter que mudar alguma coisa.

RARafael Amon

Uma ilustração, ou às vezes uma música, um efeito sonoro.

TThiago

Mas esse é o meu ponto. É o jeito de você narrar E as coisas que você tá usando para ambientar. Sabe, tem uma coisa que eu fiz uma vez numa mesa online, eu peguei um som, uma música, né, e a música eu contei quantos segundos ela tinha, vi os segundos, e ela tem um crescendo nela que fazia um "waaah", né. Eu via quando o crescendo ia começar, que era o momento que eu queria fazer a revelação do bicho.

ICIgor Cruz

Entendi.

TThiago

Eu começava a narrar aquele negócio.

MMay

Isso é música tema.

TThiago

Exatamente, eu começava a narrar o negócio e ia descrevendo. Era um cão de Chindalos. Ok. Só que ele via eles no espaço entre... Ele via os jogadores no espaço entre os espaços, né? Então a música começava e eu tava começando a descrever eles vendo a maravilha do espaço. E tipo, caramba, eles estão num espaço entre espaços viajando entre pontos diferentes, lugares diferentes, né? E eu começando, eu tô falando com eles, eu tô contando os segundos na minha cabeça ao mesmo tempo.

Quando o crescendo começava, eu mudava a imagem da tela rapidinho da imagem que eu tinha do espaço para uma imagem do espaço, só que com olhos aparecendo juntos, só que os olhos como se fossem galáxias, que seria os olhos do cão.

RARafael Amon

É isso, eu acho muito maneiro. Isso me leva pra dentro do jogo, por favor.

TThiago

E o crescendo entrando e eu descrevendo Ah, ele sentindo a presença de algo, né? Porra, maneiríssimo, cara. Eu preparei aquilo.

MMay

Mas isso é uma das formas que você pode narrar de forma cinematográfica, que tem até mestres como o mestre Breivik, por exemplo.

RARafael Amon

É, pô, Breivik é muito bom.

MMay

Ele fala da câmera, porque a câmera sobe e acena.

TThiago

Eu tô imitando ele no Harvey Schloft fazendo isso, você reparou?

MMay

É como se ele fosse o diretor. Né, então é o narrador diretor. Eu, Ramon mandou para mim uma pauta, né?

TThiago

E ela não foi respeitada.

RARafael Amon

Não, a gente tá seguindo a pauta, tá? Tá aqui, ó, tá vendo? Tamo na pauta.

MMay

E aí, ó, eu fiz umas anotações para quem quer começar de algumas coisas que auxiliam, né? Então, além de você beber dessas fontes, todas essas contribuições maravilhosas que os meninos fizeram.

ICIgor Cruz

Mas se eu não consigo fazer algo como o Tiagão fez, "O que que eu posso fazer?" Exatamente.

MMay

Então você tem, você vai construir a atmosfera aos poucos, tá? Tanto através dessa descrição, como você pode utilizar, como o Thiago diz, com música, tá bom? E o handout vai te ajudar, ainda mais se é um pessoal que nunca jogou. Já jogar com teatro da mente, que é você só imaginar, pode ser um pouco complicado. Você dá, no caso chamar de Cthulhu, tá? Ou algum RPG mais investigativo, você vai dar informações pistas completas e pistas fragmentadas.

E esse conhecimento precisa vir com um custo. Cuidado pra não deixar o seu jogador também sem aquela informação que é vital, tá bom? Mas é uma coisa muito gostosa de ouvir quando tá terminando a mesa. Ontem eu narrei até tarde, narrei chamado. E aí o pessoal se matando porque não tinham passado em algum teste. E eles tinham só parte da informação.

ICIgor Cruz

Entendi.

MMay

Então eles não tão travados. Só que eles foram dormir pensando: o que quer dizer aquilo no tomo que eu não consegui traduzir?

RARafael Amon

E eu já joguei com mestre de chamado que não sabia fazer isso, deixava o jogador sem saber para onde ir. O Rastro, por exemplo, mas o Rastro colocou isso na mecânica.

TThiago

Mas isso é uma misconception das pessoas, isso é uma concepção errada. Você chegar e falar que aí em Chamados de Cthulhu você pode deixar de ter uma pista em rastro Isso tá errado. Então não, não, mas esse aqui é o ponto. Você não me engana, página 22.

RARafael Amon

É isso aí, é esse que é o caso.

MMay

Aí o rastro vai apoiar.

RARafael Amon

Deixa eu explicar, eu sou time mais já.

MMay

Você não vai falar que que você vai apoiar, que é a sua opinião, a sua opinião não vale.

TThiago

Você não me engana, página 92, 82, eu não lembro do livro chamado de Cthulhu. Tá na regra. Tá na regra. Informações essenciais têm que chegar aos jogadores. Informações que são necessárias para continuidade da aventura têm que chegar aos jogadores. Elas vão chegar de uma forma ou de outra. Elas podem não chegar no momento que de repente seria o melhor momento para eles, mas elas vão chegar. Porque veja bem, aventura terminar mal É um fim possível.

Sim, Aventura terminar bem é outro fim. Então, por exemplo, o grupo não saber, por exemplo, a informação que, ah, eles tocaram aquele disco para trás, né, tocar ele invertido, né, para ouvir a música invertida, funcionaria como uma invocação de uma magia, por exemplo. O grupo não descobrir isso não significa que eles não têm o disco, e o disco é uma coisa necessária para se falar com o NPC X, porque ele só fala se ele vê o disco, por exemplo.

Agora, o final bom da aventura você só vai ter se você descobrir que o disco tem que ser tocado ao contrário quando for para tocar para ele. Isso é um videogame, gente, tá? Isso aqui é um videogame.

MMay

Mas daí o que você vai fazer é você vai mexer na mecânica para baixar a dificuldade para eles conseguirem acessar, ou você simplesmente vai deixar informação lá para eles acessarem e acabou.

RARafael Amon

É, eu acho que tem que ter basicamente isso. Só que se você acha que vão conseguir, o livro todo, bom, aí é ser lindo. Não, não lê o livro todo para narrar, tia.

MMay

Não lê, não lê mesmo. Então elas vão ver, elas vão, elas vão muito rápido, jogam e o que elas jogam elas vão emular. Não, eu acho que os dois são válidos.

RARafael Amon

Sim, mas eu acho que entrega mais porque o rastro, você, o jogador, quando ele— não sou mestre de armas, vocês me corrijam— o jogador quando entra na cena, ele tem todas as pistas, estão disponíveis, ele vai fazer uma rolagem.

TThiago

Não, ele não precisa fazer rolagem.

RARafael Amon

Mas depende do spot hidden da vida do rastro.

TThiago

No rastro funciona assim: você entrou numa sala para investigar alguma coisa, tá? Você vai falar que você tá investigando. Eu vou chegar e vou falar: você encontrou isso aqui na mesa, você encontrou isso aqui, não sei o quê.

RARafael Amon

Eu vou descrever. Não tem uma rolagem?

TThiago

Não tem.

RARafael Amon

Será que é melhor pista ou a pista mais ou menos?

TThiago

Não tem. Você vai ter todas as informações no rastro.

RARafael Amon

Os caras do rastro tudo vão comentar: ah, o Thiago falou merda.

TThiago

Sempre fala merda, todas as vezes.

RARafael Amon

O caralho, o Ramon não sabe porra nenhuma de rastro.

TThiago

Também não sabe porra nenhuma. Eu sempre falo merda também, não sabe porra nenhuma. As duas coisas. No rastro você vai sempre conseguir a informação.

RARafael Amon

É isso aí, você sempre consegue uma informação.

TThiago

É isso aí, tá entendendo? Pode ter, por exemplo, eu, por exemplo, quando eu na rastro faço isso, tá? Eu faço isso. Se o jogador chegar para mim falar, eu vou procurar na sala, eu vou dar as informações básicas para ele. Se ele chegar para mim, eu vou procurar a mesa, vou procurar gavetas secretas, não sei o quê, não sei o que lá, diferente. Aí eu gosto disso, então eu vou dar para ele.

MMay

Tem que chamar aquilo para você poder entrar. Exatamente.

ICIgor Cruz

Você procurar na sala, você fazer isso aqui.

TThiago

Sim, sim.

MMay

Então outra coisa é você, mas daí vai o narrador conversar com a pessoa que nunca jogou RPG ou nunca jogou um RPG investigativo. Precisa, e dá uma elucidada de gente. Sim, vocês têm que materializar a coisa através da pergunta de vocês.

ICIgor Cruz

Também concordo.

RARafael Amon

Mas eu acho, nisso eu acho o Rastro mais amigável.

TThiago

Então o Rastro, ele é amigável no sentido de que ele vai te dar—

RARafael Amon

eu concordo, eu acho que o Rastro é muito bom.

TThiago

Não tô, isso não é uma crítica ao Rastro, eu acho muito bom. É que a gente vai sempre Eu prefiro o chamado porque o chamado tem uma coisa para mim que eu gosto. Livros lindos, oi?

RARafael Amon

Tem livro chamado, o chamado Cthulhu tem livro lindo demais.

TThiago

Tem também, o Rasta também, o Rasta tem, olha, o Shadows Over Filmland, que é um livro de uma aventura de Rasta, Mentiras Eternas, Shadows, a melhor aventura de Rasta de Cthulhu, melhor, melhores aventuras, aliás, de Rasta de Cthulhu são aventuras relacionadas ao al cinema de 1910, 1930, nessa época assim. É um livro chamado Shadows Over Filmland. São 4 ou 5 aventuras, todas elas têm alguma coisa a ver com produção, ou você passa durante a filmagem de um filme, alguma coisa parecida.

São as melhores aventuras de arte e cultura disparado, na minha opinião. Só aventura sensacional. Tem uma aventura que você passa durante a filmagem de um filme, acho que é Cleópatra, que É um filme que existe. É. E a aventura é maneiríssima. Tem outras também que são maneiríssimas. Tem uma que basicamente o herói da aventura é o cara que tem contabilidade alta. Porque se tiver contabilidade— se o cara tiver contabilidade, se você tiver contabilidade na ficha, você vai ter a informação porque você precisa ter.

Esse aqui é o detalhe do que de repente a gente tava falando. Você não ter a perícia, por exemplo, relacionada àquilo que você precisa saber, você não vai saber. Mas se você tiver, você vai saber. Então, por exemplo, o cara que tem contabilidade, né, ele vai saber, vai conseguir ver nos números lá: "Ah, estava sendo desviado dinheiro por uma empresa que fazia não sei o quê, não sei o quê lá." Então descobre, aquele é o vilão da aventura, tá entendendo? É o herói da aventura, é o contador. Faz todo sentido.

RARafael Amon

Pô, então eu concordo, mas é que eu já vi muito mestre iniciante de Cthulhu deixando o grupo perdido, cara.

MMay

Aí não sabe o que faz.

RARafael Amon

Não sabe pra onde ir, onde você vai ter que investigar.

MMay

Google faz a construção da cena, porque alguma coisa vai mover. O mundo continua girando, não importa se eles acharam ou não. Então alguma coisa tem que movê-los. Aí eu tenho mais dicas, né? Porque a gente entrou no assunto tão interessante, a gente parou. É verdade, porque eu falei de culpa, a gente fera. Não precisa usar essa palavra. Aí tem informação incompleta com pistas fragmentadas, aí a gente começou a falar de verdade.

E aí o conhecimento com custo que você vai pagar de diversas formas, inclusive você pode pagar com a sua sanidade, porque você tem ali a perícia chamada, o Tulumits, que geralmente ela é zerada, mas conforme você vai tendo contato ela vai aumentando, e ela vai aumentando bem pouquinho, tá?

TThiago

E vai diminuindo a sua sanidade na mesma proporção.

MMay

Sim, você acha um tomo, você vê, acha qualquer coisa que você possa entrar em contato, que vai mexer com a tua sanidade, você vai ganhar também se você passar nos testes, né? Você ganha conhecimento sobre isso. A sensação de impotência, que ela é extremamente necessária, na minha opinião. Sugestão em vez de exposição. Então, apesar da gente conversar sobre muito a descrição das coisas, cuidado também para não deixar muito óbvio, não vai muito no lugar comum, né?

Ritmo e voz Então você saber cadenciar sua voz, tem gente que gosta disso, tem gente que não gosta. Geralmente o pessoal fala no Day Day Pathfinding, você vai fazer a voz do—

RARafael Amon

fazer vozinha. Mas eu acho que é o que você falou, não é fazer a vozinha, o ritmo da tua voz normal.

ICIgor Cruz

Eu acho isso muito difícil, acho que isso não é uma técnica simples, cara, ainda mais para pessoa iniciante, né, que vai se encontrando com a voz.

MMay

Vai fazendo, né, decisões morais. E aí você vai ser apoiado pela mecânica na questão da paranoia, porque se você perde muita sanidade, você vai ter uma tabela que eu adoro, uma tabela.

TThiago

E aí você joga, inclusive, da insanidade temporária nova. A gente comprou.

MMay

E aí você rola e a pessoa vai ter insanidade temporária que pode acumular Né, e situações acontecem. Então você imagina, você tá enfrentando vários cultistas, aí um deles consegue terminar o ritual, aparece a criatura do mito e todo mundo rola sanidade, e alguém ali toma 8 de uma vez. São 8, né?

TThiago

Não sei, 5 a 6, agora esqueci.

MMay

Não lembro quantos são, mas você tem um número fixo. E aí você, ao invés de continuar lutando e continuando seu objetivo, você rola a tabela e você Aí você vai, saca a carta do quê?

TThiago

Você tá com tesão por aquela coisa. Toma!

MMay

Maravilhoso! Aí é morte pros nois, não, a gente não gosta.

TThiago

E aí o tesão é o quê? Sei lá, num dakiang.

MMay

É, você pode simplesmente começar a ficar gritando. Você grita e você perde a ação do seu personagem e você vai rolar por quantas horas aquilo acontece.

TThiago

Sim, ou dias até meses, dependendo do que for.

MMay

Então é essa aí. E decisões morais, claro, sempre por favor, tomem cuidado, né? Não vamos infringir nenhuma, nenhuma regra de boa convivência na sociedade em geral, não só no RPG, né? Mas é que não infringe o Pacto de Versalhes. Como é o nome daquele, daquele jogo que você tem os trilhos do trem e aí de um lado tem uma coisa, você tira a cartinha, e aí aqui você tem que salvar órfãos e aqui você Ah, sim, eu esqueci também.

ICIgor Cruz

Trail by Trolling, não é isso?

MMay

Trail by Trail, Trail by Trolling, alguma coisa assim, eu não lembro. É tipo isso, entendeu? Ou você vai fazer o mal menor, isso também pode ser em si.

TThiago

A minha opção é sempre: por que não ambos?

RARafael Amon

Mas falando em cartinhas, o nosso parceiro Celestian Geek tem marcadores de vida pra quem joga as cartinhas de Magic. Nossa, então você jogador de Magic quer lá pegar um marcador, botar bonitão na tua mesa, fazer um tracking de vida, vai lá na Celestial Geek, usa o cupom CLPNP20 para ter 20% de desconto na loja deles na Shopee. E a gente agora vai começar a se encaminhar para os finalmentes do episódio. Cara, tem muito mais coisa para a gente falar, por isso que o Thiago e a Mai tem que voltar, são vizinhos aqui da gente, cara. Vocês estão o quê?

TThiago

Ah, não, moram 20 minutos, 30 minutos.

RARafael Amon

Não, 30 não, 20.

MMay

Vindo a pé, diferente.

TThiago

Ele não sabe que eu moro. Como é que ele tá falando?

RARafael Amon

Recreio, você não mora no recreio?

TThiago

Sim, mas tu sabe que recreio é grande, né?

RARafael Amon

Não, recreio é recreio. Qualquer limite que vocês têm do recreio, você pegou o carro, eu tô lá quase seropédico ali. Recreio Shopping, tá no Recreio Shopping, é finalzinho do recreio.

TThiago

Não moro lá, mas tudo bem.

RARafael Amon

Não, não, porque eu tô falando já o final do recreio. Pegou o carro, entrou ali, ó, "Américas Além de..." e chegou aqui.

MMay

Olha aí.

TThiago

Eu gostei do "Américas Além de..." Ele esquece que são, sei lá, quase 20 km. É só um detalhe. São duas ruas. Ele tá certo, são duas ruas. Mas são quase 20 km.

RARafael Amon

Acho que não vai impedir vocês de voltarem aqui pra gente gravar mais falando de Cthulhu, terror e outros temas RPGs. Mas vocês têm que fazer o jabá do Game Galaxy Incorporated.

TThiago

Jabá, como é isso?

RARafael Amon

Porque tem o nome, pô, que isso, eles criaram um nome excelente.

MMay

Eu gostei do nome.

RARafael Amon

Eu gostei também, pô.

TThiago

Eu gostei do nome e do logo. Quem fez o logo?

RARafael Amon

Pô, você que fez tudo mais, caraca.

TThiago

A competência tá aqui, eu falei, eu sou só roxinho bonito, gente.

MMay

É uma questão do budget, quanto você pode gastar, né? Budget, é. Você cria assim coisas que você nunca imaginava.

ICIgor Cruz

Eu entendo isso.

MMay

Adoraria conseguir pagar pessoas muito mais competentes que eu, que tem várias, né? Mas hoje a gente baixar a nossa produção é baixo custo, então nós damos conta.

RARafael Amon

Mas a necessidade é amiga da criatividade. Tem alguma coisa nessa frase aí com essas duas palavras, mas é o sentido.

ICIgor Cruz

Só passa.

RARafael Amon

É o que o Chapolin de Guedes diria.

MMay

Nossa, essa cidade é a mãe da invenção.

RARafael Amon

Aí, olha, é boa a de Guedes. Aí, trouxe.

MMay

Ai, maravilhoso.

RARafael Amon

Mas como é que tá lá no Game Galaxy? Tá de mesa e jogo, tá rolando, tá sinistro, cara.

TThiago

A gente promoveu só agora, né?

MMay

Ainda é pequeno. Às vezes é mais fácil você achar meu perfil ou do Thiago, né? Então os nossos amores vão deixar aqui na descrição para vocês, para vocês encontrarem em algum lugar aqui no canal.

TThiago

Pode deixar na minha cara.

RARafael Amon

Aí eu acho que não, mas se ele conseguisse fazer, eu fazer isso, se apareceu, pós-produção, o editor para isso também, aí tá bom.

TThiago

Tomara, né?

RARafael Amon

Tomara.

MMay

Ele é um projeto familiar, né? No caso, familiar eu e o Thiago, porque, né, peguei o Thiago para mim basicamente.

RARafael Amon

É aquela contratação mais barata tem você, você vai trabalhar.

TThiago

Eu sou Walter Mioca no Flamengo em 2000 e pouco, isso é fato.

MMay

E o que que você encontra no Game Galaxy? Além de você ter jogos de RPG dos mais variados sistemas, né? Eu, por exemplo, estou narrando Vampiro: A Máscara. O T está narrando D&D, né?

RARafael Amon

Que maneiro!

MMay

Ele está jogando na minha mesa, inclusive. E já temos outras mesas, teremos mesa de David Hart, teremos mesa de chamado também, né? É que hoje eu estou gravando com alguns parceiros nossos, então tô gravando, narrando para eles, mas eu vou trazer chamado para o nosso canal também. E a nossa proposta é também editorial.

RARafael Amon

Então, legal, cara, tudo que a gente narra a gente vai escrever.

MMay

Já estamos escrevendo, estamos em processo aí de produção. Como eu disse, vai acontecendo a mesa, eu vou escrevendo. Joguinho. E também trabalhamos com tradução e produção geral.

TThiago

Não posso revelar coisas, mas ela tá traduzindo livro, inclusive.

RARafael Amon

E a ideia já é ir para um braço também editorial do Game Galaxy futuramente.

TThiago

Sim, futuramente sim. Ela vai narrar.

RARafael Amon

Tu também já tem experiência, já traduziu bastante coisa para New World, já uns 3 ou 4 livros.

TThiago

É, também revisei, fiz diagramação também. Ela tá começando a traduzir agora esse livro, não posso dizer o que que é, mas ela vai trazer Cthulhu lá pro canal. Ela vai narrar Cthulhu, não vou ser eu, vai ser ela. Eu vou, depois do D&D, que eu tô com Raven's Plot, que é horror comédia, né, eu vou trazer Blade Runner, show, que eu gosto muito, eu sou muito fã do filme, então vou trazer Blade Runner.

RARafael Amon

Tem um sistema de playthrough, né?

TThiago

Tem um sistema de playthrough da—

RARafael Amon

da Modiphius?

TThiago

Não, da Free League, mesmo do Alien.

ICIgor Cruz

Dos dois filmes?

TThiago

Então, eu gosto muito do filme clássico, do primeiro. Eu não acho o segundo ruim.

ICIgor Cruz

Eu gostei. Eu gosto do segundo.

TThiago

Eu não acho ruim. Eu acho que ele tem pontos ruins. A versão estendida dele—

ICIgor Cruz

Não, não, eu gosto.

TThiago

Então, meu comentário agora é o seguinte: a versão estendida dele faz ele um filme bom. A versão normal—

MMay

Nossa, então foi edição que foi—

TThiago

Foi edição que foi melhor.

RARafael Amon

Cara, eu não sei se faz sentido.

ICIgor Cruz

Quando você tira a narração do primeiro, pô, o filme melhora absurdamente.

TThiago

A versão estendida do primeiro é melhor, só que é difícil também pegar. Agora, a versão estendida do segundo, para mim, faz toda a diferença no filme. O filme sem versão estendida, ele é legal.

ICIgor Cruz

Pode crer.

TThiago

O filme com a versão estendida escondida, o segundo, você faz certas ligações muito melhor e tem cenas que comprovam as ligações. Para mim é ótimo. É isso.

MMay

Foi o narrador que não escondeu pistas não.

RARafael Amon

Exato.

TThiago

Tá vendo?

RARafael Amon

Tá vendo?

TThiago

Podia ter escondido a pista.

RARafael Amon

Podia ter entregue a pista de melhor forma.

MMay

Olha aqui, caiu a pista, ó lá.

TThiago

Exatamente. Ou poderia não ter dado a pista para os jogadores fazerem o quê no final? Ter matado a moça em vez de ter entendido que ela era Tava um TTK, acabou, subia as letrinhas e botava lá o Harrison Ford pra fazer Indiana Jones 6 e todo mundo criticar. Porque é o quê? Uma droga, tá entendendo?

RARafael Amon

Só apareceu a tela falando não sei o quê, não sei o quê, lágrimas na chuva. Pronto, teve lágrimas na chuva, tá tudo certo.

TThiago

Tears in the rain.

RARafael Amon

Thiagão, Maia, obrigado por vocês terem aceitado o convite. Tamo junto, a casa é de vocês, apareçam mais vezes. Você aí joga Blade Runner, você ensina Horror Comics, procure filmes estendidos. Então, mas não esqueça de curtir aqui o episódio, valeu? Deixa um comentáriozinho que o algoritmo agradece. Valeu, tamo junto, até a próxima! Filmes estendidos!

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