O RPG de Mesa: Ontem, Hoje e Amanhã | Aventurando Podcast
No episódio de hoje do Aventurando, Rafael Amon recebe duas figuras lendárias do RPG nacional: Luciano Bastos, do canal Dungeon 90, e Marcos Archanjo, um dos pioneiros do mercado brasileiro — criador de publicações clássicas como IDD e RPG Universe.O papo é uma verdadeira viagem no tempo: dos bastidores das editoras e revistas de RPG dos anos 90, passando pela revolução digital e chegando aos novos formatos de criação e financiamento dos dias de hoje.Entre nostalgia, bastidores e previsões ousadas, o trio reflete sobre como o RPG de mesa evoluiu — e pra onde ele pode ir no futuro.#rpgdemesa #ttrpg #rpgbrasil #anos90 #aventurando
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Saudações, pessoa que colecionou bonequinhos lá na década de 90.
Sou Rafael Amon e estou com Luciano Bastos e Marcos Arcanjo. Sejam bem-vindos.
Vamos fazer o brinde do bem-vindo, né? Temos que brindar.
Com certeza.
Encostar com essa gente, encontrar com essa gente incrível merece um brinde.
É primeiro uma honra estar recebendo vocês aqui. Eu acho que é um dos episódios que a primeira palavra que eu tenho que dizer é obrigado.
Porque é isso.
Porque o registro histórico que vocês vão ajudar trazer aqui o Luciano, cara. Quem não conhece o trabalho do Luciano, vai lá, Dungeon 90, canal aqui no YouTube.
Olha, galera, canal hobby, hein, por favor. Não tem o nível disso aqui não, hein.
Não tem essa de canal hobby não, excelente qualidade.
Curte do it yourself, né? Pra quem curte produzir, quem curte história de RPG, vai ter alguma coisa lá, vai ser excelente.
E agradecer o Marcos Arcanjo, um dos baluartes do RPG nacional. Por causa de Marcos Arcanjo tivemos miniaturas e mesas de RPG nos anos 90.
E outras coisas maravilhosas que serão discutidas, que falaremos hoje aqui.
Com certeza.
Antes da gente começar, tem que dar o recado dos nossos parceiros, começando com o Lunarte da New Order, que tá em financiamento coletivo. Você quer um RPG do SMzinho, da galera que você já tá jogando com o colote nas streams deles, e agora tem oportunidade de vermesa na sua casa. Não perde, porque daqui a pouco termina o financiamento coletivo. E temos que falar também da luz negra do Melodia Perdida, para quem curte, é fã de Zeldinha, aquele Zeldinha do Super Nintendo, do bonequinho gordinho passando com a espada.
Melodia Perdida é perfeito para você ambientar o teu vídeo, o teu RPG no videogame do Super Nintendo. Cara, vamos entrar, porque assim, eu me amarro em história de RPG, saber como é que era Como é que tudo começou por aqui quando era mato, quando eu era um pequeno Amonzinho com meu grupo de amigos jogando RPG na década de 90. E o que a gente tinha para tentar entender do nosso mundo de RPG, do mundo nerd, era revista, era matéria em jornal, porque não tinha internet, não tinha— eu não conhecia nem outro grupo de jogadores de RPG.
Eu acho que da minha galera, de onde eu morava e de onde eu estudava, eu só conhecia esses amigos do meu condomínio e mais ninguém, até saber pelas publicações que ia ter uma tal do RPG Rio na UERJ, que eu já fui, sei lá, devia ser a 9ª edição, uma das últimas assim, né, que a primeira era muito molecote para ir sozinho até a UERJ. Então a gente vai passar por esse comecinho. E aí, obviamente, lembrando que Marcos Arcanjo estava no primeiro board game dungeon crawler nacional, tá aqui na mesa, Aventuras Heroicas, que isso acho que a maioria dos RPGistas nem sabe que existe, nem conheceu. Acha que dungeon crawler, board game dungeon crawler, é Gloomhaven.
Ledo engano. Pior, né, de fora do país, né? É, apesar da gente saber que tinha todas aquelas publicações, HeroQuest, Dragon Quest, Warhammer Quest, a A gente tem um produto nacional feito por esse camarada aqui, Brasil Brazuca, e que vinha já com umas miniaturas.
Agora, como é que foi isso, Arcanjo? Que assim, como é que— eu sei que você fez a faculdade de belas artes e tudo mais, e aí como é que vem a ideia da IDD lançar um board game, wargame, aqui no Brasil? Tipo, ah, eu tô nos 90, que a galera hoje em dia fala, não, pô, tô aqui no meu computador, eu vou numa modelada, eu vou pegar uns modelinhos STL Né, vou botar para imprimir. E eu fiz o meu Dungeon Crawler.
Todo mundo tem uma fábrica de miniatura em casa.
É, mas estamos falando final da década de 80, começo da década de 90.
É, o Aventuras é da década de 91. Como é que foi a história? A gente já tinha fábrica de miniaturas, que a gente começou em 90, e foi uma experiência assim interessante porque a gente começou jogando, né? Então o nosso mestre, ele morou na Inglaterra uns 6 anos, alguma coisa assim. E quando ele voltou para o Brasil, ele trouxe o AD&D, primeira edição, e mais de 600 miniaturas.
A lendária caixa de sapatos.
A lendária caixa de sapatos. Não, mas essas 600 não cabiam na caixa de sapatos.
Não?
Não, coisa para caramba. Então ele trouxe essas miniaturas, né, e queria arrumar a gente para jogar. Nesse tempo eu tava no FRJ, eu tava no estágio dentro do FRJ mesmo, e tinha um amigo nosso lá que falava de RPG, falava, falava, falava. Digo, pô, cara, vamos jogar RPG e tal e tal. Ah, vou conversar com meu amigo lá para ele marcar. E marcou. Fizemos a primeira aventura e ninguém sabia o que era aquilo. Aí, conclusão, ele foi explicando o que que era, trouxe os livros do ACD, primeira edição e tal, tudo em inglês.
Aí explicou, ó, isso aqui é assim, não sei o quê e tal, e tem os personagens. Aí ele abriu a caixa de sapato, mas ele não deixou a gente ver o que tinha dentro. Isso aqui é um elfo mago. Aí meu amigo lá falou, esse aqui é meu, vai ser meu personagem. Ele chamou de, vai ser o Elrond. Isso aqui é não sei o quê, essa aqui é não sei o quê. Aí ele tirou um clérigo, que era um cara, um capuzão tal, né, mas um manto com capuz e tal, elmo fechado, com o Rema segurando.
Quando eu olhei, ele era muito parecido com o personagem que eu criei para uma história em quadrinho que eu nunca fiz. Eu tive o concept, desenhei os personagens, desenhei o ambiente e tal, né, tudo isso sem saber que era RPG. E eu olhei, eu falei assim, esse aqui é o Arcanjo. Porque o nome do personagem era Arcanjo, né? E aí começamos a jogar e tal. E um belo dia eu peguei uma miniatura de orc lá, que botei em cima da mesa, que para mim as miniaturas dos monstros e Guerreiros do Caos e tal eram lindas, muito mais lindas do que os personagens.
Aí um dia eu peguei uma miniatura de um orc para mim, eu falei assim, cara, dá para a gente fazer negócio com isso. Como? Falei, vamos reproduzir isso aqui, pô, vamos fazer e tal, né? Tem jogador para caramba, ninguém tem miniatura e tal. E aí começamos a pesquisar como fazer aquilo. Aí criamos uma primeira fundição rudimentar. Até falei para Luciana, primeira vez que a gente fez, a gente descobriu lá o famoso silicone vermelho para fazer as formas. Foi uma odisseia, né, cara?
Isso é uma coisa que eu sempre tive dúvida, porque hoje você vira lá YouTube, como fazer uma copa de miniatura. Na época, cara, como é que era?
Na época era boca a boca.
Como é que cata um tutorial de fazer uma copa de miniatura?
Eu não sei exatamente quem foi que descobriu. Eu sei que do grupo o mestre era engenheiro mecânico, né? Então talvez ele tenha feito um negócio. E aí a gente encontrou o quê? Em São Cristóvão tinha uma loja que acho que existe até hoje, não me pergunte o nome que eu não vou lembrar, que lá tinha o tal do silicone vermelho. Aí comprando silicone vermelho, fizemos a forma. Eu lembro como se fosse hoje, vamos testar. Eu trabalhava no setor de produção e criação gráfica da FRJ, então eu desci para gráfica, que eu trabalhava no estúdio, desci para gráfica, catei uns limotipo lá umas barras de chumbo lá, não sei o que foi que arrumou.
Fomos para casa de um amigo, ele no fogão dele derreteu numa lata de sardinha vazia, derreteu segurando com alicate, derreteu o chumbo lá e com a forma aqui, todo mundo assim, né? Pode pegar fogo, pega fogo. Aí ele verteu, aí esperamos esfriar. Quando eu desmoldei, né, eu desmoldei, que eu tirei a miniatura com alicate assim, eu falei isso agora. Aí fizemos a fábrica e a coisa foi crescendo. E eu fui.
Um adendo importante, senhoras e senhores. Quem era moleque nos anos 90 imaginava que a IDD Miniaturas era uma megacorporação.
Exatamente. Um equipamento foda, tudo bom pra caraca.
E o que ele tá dizendo pra gente é que começou a brasileira. Se é que você me entende. O cara com uma lata de sardinha vazia e um alicate no fogão. Cara, essa história não tem.
Eu esqueci, não sei se eu te contei isso aí. E depois nós tivemos um forno super moderno, que era o seguinte: eu fui montar fundição na casa de um amigo meu, né, que tinha um terraço lá e tudo mais e tal. E o pai dele tinha um cadinho de ferro de fundição que ele fazia, ligava na energia e tal, só que era lento para burro, né. Aí um dia eu falei, cara, esse cadinho não vai funcionar, tem que ser um negócio de metal e tal. Aí ele teve uma ideia, pera aí, pegou um maçarico Prendeu na mesa com aquelas garras, né?
Ligou no bujãozinho de gás, pegou um tijolo, tijolo comum, pegou o copo de metal que era o nosso cadinho, botou aqui assim, riscou em volta, tirou, pegou uma chave de fenda, eu tô só olhando, aí fez um buraco, botou o cadinho dentro do tijolo, jogou o fogo dentro de um buraco do tijolo e virou o nosso forno. E ali começou, e ali a gente fazia, virava a noite escutando música na Antena 1 nos anos 90. Né, fundindo e usinando. E assim foi.
Aí depois dali a gente passou, alugamos um galpão, passamos a ter uma estrutura com empregado e tudo mais, e a coisa cresceu, né. E aí começou aquela coisa de fazer jogo, fazer jogo. Eu digo, não, gente, vamos fazer revista, porque a gente cria cultura, né. Miniatura já tem, já tem o produto. A gente cria cultura, vende a revista com a miniaturazinha de brinde, né.
Não sabia como fazer, que era um fenômeno, né, cara.
É, caraca, Dragão Dourado!
Acho que eu até tenho aqui uma edição. Mano, isso, você vinha com a revista, cara. Cada revista vinha com uma miniatura, era um negócio inacreditável, porque era de chumbo, então ela resistia ao transporte e você tinha a cópia da peça. E o pior, você era um dos personagens que apareceu no quadrinho. Era sensacional, legal, cara. Isso era sensacional, cara. Agora tem uma coisa aqui que eu queria trazer aqui para discussão. A gente já tá falando de que ano quando saiu o AID?
AID começou em 90.
Porque o que acontece, às vezes a galera esquece, cara, o papel que Portugal teve na introdução do jogo de RPG no Brasil. E é, você infelizmente, né, o jogo começa como uma atividade para uma classe média bilíngue, né? A gente até tava conversando aqui mais cedo que inglês lá no início, quando a gente era molequinho, não funcionava. Então a gente vai ter Portugal lançando material para cá. E eu me lembro de eu ter jogado pela primeira vez com uma revista, com um livro da Europa América, que ela tinha pegado aquela coleção do Ian Livingstone, do Steve Jackson, que todo mundo conhece, Aventuras Fantásticas, e publicado.
Era a Europa América e a Verbo. Então em alguns lugares no Rio, como por exemplo a Malas Artes, a Leonardo da Vinci, e em outros do Brasil, né, no caso eu vi pela primeira vez em Salvador, na Bahia, em 88, você tinha esse acesso. E acaba que o livro-jogo, apesar da gente saber que ele não é assim o RPG de mesa, né, como a gente conhece, ele vai ter o mesmo papel de introdução, né, porque foi o que o Steve Jackson e o Ian Livingstone pensaram para Inglaterra na época, né.
Eles vão para os Estados Unidos na tal da trip lá famosa deles, que tá no livro Men in Dice. Aconselho a galera aí que gosta de história de RPG, vejam Men in Dice, é muito legal. A a história de como surgiu a Games Workshop. E ele fala, a gente precisava introduzir para o jovem inglês o que que era um jogo de RPG. E acabou que ele teve o mesmo efeito no Brasil. E isso é engraçado porque prova que a gente tava lendo os anos 80.
Só que quando o Douglas vai trazer o GURPS, que é o primeiro jogo publicado no Brasil, Marcelo Rodrigues deve estar— se ele ver esse vídeo, me desculpa, Marcelo, né?
Ele deve estar meses antes no tag, mano.
Ele fala isso toda hora. É, ele fala nesse recado aqui, é o recado número 171, que eles procuraram várias editoras e os caras falavam assim: vou vender RPG pro Brasil, brasileiro não lê. E aí o Douglas insistiu, insistiu, até que o Steve Jackson, cara, aceitou fazer a publicação do GURPS em português. Então assim, são duas figuras, né? São duas formas históricas da gente pensar na introdução do jogo no Brasil. Uma através do livro Jogos e outra através do trabalho do Douglas, né? Que foi, meu irmão, ele confiou.
É, não, ele fala, acho que na entrevista dele com o Rafael Vazquez, ele fala, né, que ele vinha os livros de RPG meio que como contrapeso para importar livro de computador daquela época e tal. Aí ele veio, cara, já que eu vou lançar, bota aí. A galera começou a curtir Só que você falou, era livro importado, assim. Pra molecada que eu jogava no comecinho da década de 90, eu sou de 81, era impossível. Meu grupo de moleque, a gente viu pela primeira vez a caixa do Dragonlance, de AD&D, que um primo de um conhecido nosso levou.
Só que assim, era ler as figuras, né? Não tinha o que fazer. Admirar aquele mundo fantástico, os dados esquisitos, né? Nunca tinha visto um dado pirâmide, um dado que parecia meio uma bola.
Pião. Pião, era isso.
E aí a gente ficou maluco e a gente queria jogar aquele jogo, só que em inglês era impossível. Aí a gente falou, cara, não tem nenhum desse em português pra jogar, e agora? E agora? Aí a gente descobriu na época o GURPS Cabeção, que era o GURPS...
O Cabeça Rosa, famoso Cabeça Rosa.
É, começando a chegar aqui no Brasil. E aí pronto, a gente entrou no GURPS e ficou, e aí foi embora.
Que é um outro protagonista esquecido do Brasil, né, cara? É. É impressionante como o GURPS ele some no meio do movimento D20, E a galera assim, você tem um grupo de fãs que até hoje continuam produzindo material e falando, né? É, mas ele some, né, em relação aos—
eu quero um problema sério. Começou pelo cabeção, né? Aquilo era horrível.
Segundo, os livros desse tamanho, e falam que é aquele tamanho, era para cá para dificultar a Xerox, porque ele era tamanho ofício, porque era para o cara da Xerox não conseguir pegar a página inteira. E olha que maluquice, o meu grupo, cara, a gente era moleque sem dinheiro, ganhando mesada, a gente rodava as papelarias da Tijuca procurando o livro, né, para quem conseguia fazer a xerox dele reduzindo para caber no A4, porque o cara tinha que saber operar a máquina e fazer.
Aí quando a gente descobria uma que o cara conseguia fazer e a máquina tava boa, saía aquela xerox pretinha, era ali. A gente ficava reproduzindo, meu irmão.
A gente fala do papel da pirataria no início da coisa, né, porque tem isso, né, é difícil você falar de pirataria pirataria hoje por conta dos PDFs, do custo de produções. Mas, cara, pirataria foi responsável pela proliferação e pela difusão do jogo no Brasil, assim, não teve, não teve, não teve outra. Mas eu tava falando isso tudo para poder trazer algumas publicações que realmente não estão no radar da galera, né? E uma delas, eu tava falando com o Rafa aqui, gente, é o seguinte: eu desafio você que tá aí assistindo o podcast, você que tá aí ouvindo a gente conversar aqui, você velhaco grognarde, ou você garoto novo aí que estuda o jogo de RPG, Qual é a data da primeira publicação de jogos de fantasia, livro-jogos, no Brasil? E aí, vocês chutam o quê?
Essa eu garanto que 99,9% das pessoas vão errar. E o 0,1% é margem de erro. Porque não tem, essa não tem como.
Galera, a primeira publicação nacional, e olha que isso é assim, faz parte do meu acervo, porque É possível que a gente ache coisas escondidas por aí. É esse livro daqui, da coleção Lobo Solitário, O Fugitivo das Trevas, da editora Bertan Brasil. Bertan Brasil, nossa! E o que acontece? Existe a Bertan Brasil em Portugal, se eu não me engano. E algumas pessoas falam assim, ah, não, mas é uma publicação de lá. Não, amigão, tá aqui, ó. 1989, a gente não tá falando nem dos anos 90.
Impresso no Brasil, printed in Brazil. Ou seja, é uma produção nacional. Que já abria caminho, porque a Edioro, ela tinha, galera, o enrola e desenrola.
Era, era.
Isso aqui é da década de 40 e a gente traz pra cá como livro paradidático e ele já tinha essa questão do, do, de você escolher o caminho, tinha umas referências. Se você fez tal coisa, vai para a página tal. Então não é tão alienígena para o jovem da década de 80 e 90 ver o jogo de interpretação, né, o jogo de fantasia chegando aqui. Mas a gente deve muito a essa galera aqui que começou esse processo, né. E o Douglas, claro, né, a Devir, né, a importância que a Devir tem.
Agora tu vê a sincronicidade, né. Uma vez que a gente tava jogando, é meu grupo, aí o cara que era o mestre botou as miniaturas que tava no cenário lá e tal, e botou um cara na mesa. Quando ele botou um cara na mesa, era esse cara aqui, Nossa, eu falei, conclusão, peguei a miniatura, fiz um contato com a Bertrand, fui lá, fechei o contrato. A Bertrand durante um tempo lançou esse livro aqui plastificado com uma miniatura do Lobo.
É, né, cara, o Magnamundi, cara, ainda é hoje assim, a galera ainda produz muita coisa do Lobo Solitário. E a Jambô, eu não sei aqui se a gente pode estar falando dos—
pode, ela tá na coleção toda do Steve Jackson, eles relançaram.
E o mais legal material, né, o material que a gente não viu no Brasil nos anos 90. Porque quem, quem me viu lá em algum momento falando de Aventuras Fantásticas, a gente teve umas 28 publicações, se eu não me engano. E, cara, é Criatura Selvagem, por exemplo, não tinha saído. É aquele dos Gigantes também não tinha saído. Saiu material agora. Ah, toda a saga do Feiticeiro da Montanha de Fogo.
Eu tinha o primeiro do Feiticeiro da Montanha de Fogo, A Cidadela do Caos.
Primeiro do Brasil nos anos 90. Então assim, o papel que esses livros tiveram, eu tenho até aqui, ó, a primeira edição que saiu, e essa daqui é a antiga. Só que o que acontece, lá no mesmo período você tinha isso aqui, ó. Isso aqui era do Dungeons Dragons e do Advanced Dungeons Dragons em português, né, com a logo da TSR antiga, né, que era lançado. Pois é, a introdução dos jogos. E olha só quem é que tá vendendo. Malas Artes.
Ou seja, o material que tava aqui no Rio circulando no período e que muita gente não sabe assim. Ah, nossa, era, não tinha nada. Não, galera, tinha um monte de publicações, só que exatamente você tinha que fazer parte, infelizmente, esse continua sendo um problema, né, dessa coisa, dessa questão da elitização do jogo, porque você tinha que comprar um material em inglês caríssimo numa loja de importados.
Isso tinha que estar no grupo dos iniciados, né? Exato, era bizarro, porque assim era era literalmente passar por tradição oral. O cara que trouxe lá de fora e leu, ele vai jogar com alguém, vai explicar a regra, esse cara talvez vai passar para outro, e foi, e vai assim, porque não tinha como ser diferente disso.
Não tinha. E aí entra uma outra questão que às vezes a gente não discute, né, que é a internet, ela realmente pulverizou o conhecimento, pulverizou informação. Você tá aí assistindo aqui um podcast com a gente, É, dois caras que vocês provavelmente nunca teriam ouvido falar se não fosse o PNP. Mas o que acontece, nos anos 90 você tinha alguns veículos de difusão e o principal deles eram as lojas. A loja ela não era só o comércio do cara, ela era o centro de uma comunidade que trocava ideia, apresentava o jogo, apresentava regra.
Você queria saber uma parada nova, tu tinha que chegar lá, pegar aquele nerdão que tinha comprado a parada, lido, para você descobrir o que é que tava acontecendo, né? Comigo assim, uma parada que eu nunca me esqueço: Santos, nos anos 90, tinha um lugar chamado Associação de RPG de Santos. Era um prédio que o cara alugou no bairro do Gonzaga, que é um bairro famoso lá no centro do, no centro do Rio, do Santos, perto da praia, né?
Na verdade não é no centro, onde tinha uma loja na parte de baixo, tinha uma moça que produziu sanduíches com nome de criaturas do Magic: The Gathering no fundo, e em cima o cara forrou várias mesas, fez uma sala temática de vampiro com móveis antigos e sangue na parede, E salas pra galera jogar card game e wargame. No fundo, uma galera muito mais velha, tipo 50, 60 anos, jogava wargame. E lá que eu conheci, inclusive, algumas coisas.
Mas o que que acontecia que era interessante? A gente lidava, eu com 12, 14, lidava com a molecada de 20, 22. Quando o Vampiro saiu em 95, se eu não me engano, eu não sabia porcaria nenhuma do universo de Vampiro. Eu sabia o que o cinema tinha apresentado pra gente.
Entrevista com o Vampiro, era referência.
O cara virou para mim e fala: não, Luciano, você tem que ler Anne Rice.
Nossa, é?
Aí eu: cara, quem é esse cara? Óbvio, né? Quem é esse cara? Aí ele: não, cara, procura os livros da Anne Rice que você vai entender. E aí é que você vê, né? Ele vira uma espécie de— ele amplia o teu cabedal cultural, né? Ele abre os teus olhos para outras produções. Lovecraft, Eu vi Lovecraft primeiro em Call of Cthulhu, eu não vi Lovecraft na literatura. Eu não sei, eu acredito que muita gente que tá vendo aí também deve ter visto ou série ou filme ou desenhozinho que cita antes de ler a literatura do Lovecraft.
Então com RPG isso aconteceu muito nos anos 90, né? Eu não sei se uma experiência semelhante que vocês tiveram, enfim, mais ou menos.
Você falou das lojas, né? Interessante que no Rio de Janeiro teve um fenômeno, foi o seguinte: no bairro de Triás, da Zona Norte, teve um grupo de pessoas mais velhas, acima de 50, fundou um clube de colecionadores de quadrinhos, chamava-se GB Clube do Rio de Janeiro. Eu descobri esse GB Clube como eu trabalhava no banco, fui promovido para Caixa, fazer um curso de Caixa. Aí passei no curso de manhã, terminei o curso, almocei e fui embora.
Eu tava a fim de dar uma olhada pela cidade, fui na EBAU, que é uma editora que existia dentro do Vasco. Entrei lá para comprar quadrinho, que a EBAU já não publicava mais quadrinhos oficialmente, mas tinha um estoque enorme, fazia promoções e tudo mais. Eu entrei para pegar. Eu colecionava gibis de Superman dos anos 50, 60, né? Aí entrei lá, isso aqui eu não tenho, isso aqui eu não tenho. De repente escutei duas vozes de homens adultos falando sobre Superman.
Isso aqui eu falei, ninguém fala sobre isso. Aí eu fui, como quem não quer nada, na volta que é assim, dois cara, na época eu tinha 22, 20, 22, 21, 22. Os cara tinha assim uns 35, 40 anos e tal. Aí eu colei assim, fiquei olhando, daí me olharam assim Aí começamos a conversar e papo vai, papo vem. Você conhece o Gibi Clube? Falei não. Olha, tá o endereço que é assim. Falei, pô, é perto da minha casa. E fui lá e conheci a galera e foi muito legal.
E o Gibi Clube era o seguinte, eles tinham alguns projetos de fazer coisa, e um deles era uma loja de gibi do Gibi Clube. Todo mundo era a fim de fazer isso.
Calma que isso aí vai, você vai ver no que é que isso vai desdobrar.
Aconteceu que na primeira reunião oficial, todo primeiro domingo do mês tinha reunião oficial, tinha Cantava no Nacional, cacete. Na primeira reunião oficial, o presidente na época era o Alfredo, ele falou assim: não, mas nós temos que fazer um fanzine, não sei o quê. Eu falei: por que que não faz? Vamos fazer um fanzine. Ele me olhou assim, né? Vamos fazer um fanzine. Aí eu juntei com um desses dois caras que tava na EBAU, que era o Márcio Costa, que era publicitário, ilustrador, e começamos a fazer o fanzine.
O fanzine bombou, feito em xerox, e foi para o país inteiro, foi para o Paraguai, Peru e tal, né? A gente tinha uma cultura de troca de fanzinhas de quadrinhos entre outros países e tal. Aconteceu que passado um tempo eu virei editor do fanzine. Passado um tempo o clube acabou e várias pessoas que eram membros do clube não abriram uma loja, abriram várias lojas, incluindo o Tácio da Ponte HQ e Marquinhos das Iguararambas. Eles eram um clube, cara.
A Metrópoles do Tales, que é irmão dele, A Gibi Mania do Marquinhos, a Gotham City, que era do Cláudio, eu te juro.
Ah, é verdade, lembro, lembro.
Qual mais teve? Posso estar esquecendo alguém, desculpe e tal, né? E aí depois veio, já tinha a Banca 2000, já vendia RPG, já vendia, já era meu cliente de miniatura. Aí depois a Ester abriu a Gibi Mania, a Gibiteria, perdão, que foi interessantíssimo, que foi na primeira Gibiteria, foi numa salinha, não foi aquela grandona que vocês conheceram, foi numa salinha na cena do Dantas. Que pertencesse a meu amigo Márcio. E aí ela alugou, que ela queria um espacinho e tal, né?
Só que o negócio rapidamente, né, bombou, cheio de gente. E teve um caso interessante que, vamos fazer uma convenção, vamos fazer uma convenção, não sei o quê. Aí uma sexta-feira eu tava lá, que eu trabalhava, eu tinha um estúdio que ficava na quadra seguinte, então era fácil de um lugar para o outro. Aí tô lá conversando com o pessoal, né? Aí eu tava, tinha umas caixas de madeira cheio de quadrinho. Aí eu tava olhando assim os quadrinhos, né? Vamos fazer uma convenção, não sei o quê.
Vamos fazer na WestwindMoto.
Qual o nome? Não sei que nome. Eu falei assim, ó, RPG Rio. Aí ligou RPG Rio, aí ficou assim, sopetão, como fosse hoje, mexendo na caixinha assim, a madeira clara, um pouco mais escura que essa mesa aqui, e eu assim puxando os quadrinhos, tudo com saco de plástico.
É, cara, RPG Rio, primeira multa é cada Gibi Mania. Eu ia na Gibi Mania para ver, vou ficar passando assim mesmo as coisas do mundo.
Gibi Mania assim, a galera não— aquilo era uma experiência Você chegava com o Marquinhos e falava assim: Marquinhos, tudo bem, cara? Olha só, eu tô atrás de tal coisa. Ele falava: não tem. Aí beleza, você ia procurar e achava. Ou então ele falava assim: pô, deve estar ali. Você ficava a tarde inteira procurando o negócio, porque era uma esculhambação. E quando ia pagar, só dinheiro. O maluco não aceitava nenhum pagamento de plástico, nenhum, cara.
Era muito doido, cara. Mas é assim, mais uma vez, né, pra gente voltar à vaca fria. Era o centro de onde a galera tirava as primeiras informações.
Cada loja tinha o seu grupo regional dos bairros, né? Não é que as pessoas não se comunicassem, se comunicavam, mas assim, era mais normal o pessoal de Juca ficar nas limaneias, de vez em quando ia no centro.
Mas lembra que tinha alfarrabista também, né? Era famosa. Era uma coisa assim, até no início dos anos 2000, porque a gente não tinha ainda o celular tão difundido, né, internet tão difundida. Eu me lembro que eu virei para o Tarcísio, falei: vem cá, cara, você tem uma loja que vende hobby game e você não tem hobby game na sua loja? Aí o Tarcísio olhou para minha cara assim. Eu falei: vamos fazer o Point do RPG. E aí em 2013 a gente começou a organizar, né.
Tem umas fotos lá no meu perfil no Face, inclusive, quem quiser ver. É Marcelo Rodrigues ainda todo cabeludo, ele vai me matar por causa desse comentário. É muita gente das antigas, o Luciano Gui, enfim, é o Salsa, né, que hoje tá fora do país, o Adriano Renzi, com quem a gente jogava Warhammer, que inclusive também fez parte de uma cultura, dessa cultura das publicações nacionais, né. É a Games Workshop, cara, ela teve um impacto gigantesco no— eu acho que eu diria que até hoje, né, ela tem um impacto gigantesco na nossa, no nosso imaginário, né.
Warhammer, Warhammer 40K, para cá, os orcs deles, né? E no Brasil foi publicado em português, ó, quando o material chegou. Eu não fazia ideia!
Nossa!
E você teve produções nacionais que estavam difundidas justamente nessas pequenas lojas, né? Outra coisa, livro em português, e é português do Brasil. Você vê que elfo não é duende, e a não, não é nano, entendeu? É porque a Games Workshop ela tinha uma mania feia, né, nos anos 80 e 90. Ela começava a fazer um ponto de venda com uma loja parceira, fazia preço bom, não sei o quê, beleza. Quando ela vendia o valor X, ela abria a loja do lado.
Era uma parada, competição predatória total, caramba. E o Tarcísio inclusive foi um dos caras que que foi na época sondado, né, para ser o representante, né. E ele falava para mim, olha, Luciano, não vou cair nessa armadilha porque já me falaram que ela não, que ela, que é complicado. Mas assim, só para a gente entender que mais uma vez a gente acha que a semente nasce no terreno estéril e não é assim que funciona, né. Hoje aqui nesses poucos minutos que a gente tá aqui falando, né, quantas coisas provavelmente ninguém aí imaginava né, da história do RPG, do início do RPG no Brasil.
E tem mais, lembra que eu falei que os veículos eram os veículos nacionais de divulgação? Então você tem, eu tava falando com o Rafa, que tem umas 300 e poucas publicações, né. Eu fui fazer uma pesquisa na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, depois eu fui no próprio site de pesquisa do Jornal do Brasil, da Folha de São Paulo, procurando matérias sobre jogos de RPG na década de 90. Jota, por causa de um projeto que eu tava apresentando num congresso organizado pela Eliane Bertoque na Universidade de Juiz de Fora.
E aparece uns 300 e poucas menções. E aí eu tava falando aqui que, cara, que tema aparece mais de uma vez por mês nos jornais de grande circulação durante 10 anos, né? Com exceção de futebol, música e política, você não tem o mesmo artista aparecendo de novo. E o RPG estava aparecendo sempre. Era encontro, era o curso de inglês que abriu uma biblioteca com jogos de RPG para incentivar a galera aprender inglês.
O próprio Bebetim mesmo, porque na época foi o primeiro cartão que a molecada teve acesso. Exatamente, tu fazia para ter o pai no evento do Bebetim.
E por que que o Bebetim chama tanta atenção, né? E aí é uma discussão que eu queria fazer em algum dia sobre a era de ouro, né? E só para galera saber, Bebetim que é do Banco do Brasil, é Banco do Brasil É aí que entra a história, porque mais uma vez, por que que a década de 90, né, quando começou, era uma coisa tão importante, tão, tão pesada, né, vamos colocar assim? Porque você tinha investimento de uma galera que tava fora do nicho, meu irmão.
Que grupo de RPG hoje, ou que influenciador, tem nas costas o Banco do Brasil, Centro Cultural Banco do Brasil? Você tá entendendo? E essa galera fez um evento gigantesco. Isso aqui, gente, é o dia 26, 27, 28 de julho de 1996, é quando aconteceu, né, o Bebetim. Isso aqui é o catálogo do Bebetim. Eles queriam trazer jovens para abrir a conta no Banco do Brasil, né?
Olha isso, exatamente.
Lançamento de livro, o Vórtex, a famosa, o famoso rave nacional, né, sobre o qual o Arcanjo até falou com a gente na outra entrevista. Saiu a partir disso uma exposição artística no Branco do Brasil, um ano antes, o RPG Vortex, que, cara, se alguém conseguir uma cópia disso, nossa, digitalizem, por favor, porque isso aqui, gente, é que nem Saci. A gente sabe que existe porque tem um registro aqui, ó, RPG Vortex, mas, né, e não volta, não, não tem. Olha lá, o Frutopia, eu acho que a galera nem sabe o que que é isso.
Aliás, a pessoa me patrocinou porque eu fui chamado, porque isso aqui é o seguinte, pera aí, qual foi o lance? Em 95 a gente lançou Pelé de Ouro, essa revista aqui, ó, de universo FRPG.
É essa aqui, inclusive eu tenho que agradecer o Arcanjo. Meu grupo foi jogar Shadowrun por causa dessa revista. Quando a gente viu essa ilustração na capa da revista, eu falei, não, eu preciso, precisa desse jogo agora.
Eu adoro isso aqui.
Foi o primeiro jogo, a gente só jogava Gantt, foi o primeiro jogo diferente de Gantt impacto que ficou fechado mesmo da cabeça da gente.
Impressionante.
Até porque temático, não tem nada a ver com outras emissoras e tal.
É o impacto que o Vampiro teve. Mas vai lá, fala aí.
Exatamente. Qual foi a jogada? A gente fez um evento de lançamento da revista na Praça Diamante do Barra Shopping. Gente para cacete! A gente ficou uma semana com a Caravana RPG lá fazendo evento. E num dos primeiros dias, eu não recordo agora se foi uma quinta-feira, uma quarta, enfim, a gente saiu correndo lá do Barra Shopping para o Centro Cultural Banco do Brasil. Não tinha metrô, não tinha carro. Pega o busão e corre para fazer parte do evento.
Aí eu conheci a pessoa que estava organizando junto com a Sônia Rodrigues a exposição, que é a Carmen Cardone, minha querida amiga Carmen Cardone, a rainha mãe, né? Adoro ela.
O maior acervo de fotos desse evento é por causa dela, né?
Exatamente. E aí nós conversamos nesse dia da exposição, ela falou assim, eu expliquei para ela da caravana, ela falou assim: por que que você não faz um projeto com o banco? Porque a gente pode alugar ou comprar vários ônibus Ônibus para você levar o pessoal para o Brasil inteiro e tudo mais e tal. Pois bem, esse projeto acabou não saindo, mas no ano seguinte a Carmen me procurou porque ela tava montando o Bebetim, porque o Banco do Brasil patrocinava surf, asa delta, skate e tudo mais, mas não tinha nada para o nerd.
O jovem nerd tava lascado, né? Jovem nerd, entenderam, né? Aconteceu que ela falou assim, pô, vamos botar RPG. E ela começou a contactar a galera E ela ficou me procurando lá, não sabia onde é que eu tava. Eu estava assim do lado, 100 metros dela ao menos, na quadra que tem a Superintendência do Banco do Brasil estava a carne, no prédio do lado estava a GSA, a primeira gibeteria, tudo ali. E eu estava na esquina seguinte, né, gente?
GSA, para quem não sabe, a empresa que produziu o Tagman, a empresa que produziu—
não, dá para dizer que é a primeira editora de RPG nacional.
Livro-jogo, primeiro que tem uma produção cinematográfica nacional que virou livro-jogo, tá? Que era Uma Vez.
Isso é outra coisa, cara, a gente tem que mostrar.
A gente tem que falar sobre isso aí também.
A gente tem que falar de Era Uma Vez, né, cara?
Porque isso aqui pra mim é impressionante.
Aí fizemos o negócio aqui, bebetim, né? Entramos com a Caravana, entrou com os walk-ins e tudo mais e tal. E eu tive o patrocínio justamente da Frutopia, que era uma bebida de frutas que a Coca tava lançando.
Da Coca-Cola então, cara? Assim, é Copa do Brasil, Coca-Cola, Bob's, Xerox.
Mano, detalhe, para você ter um negócio desse, tem que ser hype, né?
E detalhe, nós fizemos, ganhamos um stand para fazer o jogo. O meu stand abria às 9, fechava acho que às 7 da noite. Não, perdão, o evento abria às 9, o evento dos caras começava às 10, às 8. Então assim, enfim, abriu o evento, era aquela correria, fazia fila para se inscrever para jogar o wargame que a gente fez. Nós produzimos tabuleiros, cara, artesanais. Um representava uma dungeon né, modular. Ele era em 4 partes, então a gente juntava os 4, fazia um, como se fosse uma arena, né?
E o outro é de ficção científica, cara, e ficava assim monstro, né? Então é o seguinte, gente, quem participou disso aqui não esquece, porque olha só, no Brasil não teve nada sequer parecido com isso aqui.
E bebetim, vocês estão achando interessante? Olha aqui, ó, capa da Veja Rio. Inclusive, um saudoso abraço para o Daniel Lustosa, que é o nosso cara, aparece O Lustosa é do nosso grupo de terça-feira, que joga RPG toda terça-feira.
Acho que semana sim, semana não, a gente sacaneia ele por causa dessa matéria. A gente fala, Daniel Lustosa procura garoto. Ele falou, pô, saiu assim. A gente fala, pô, Lustosa, tu tava em casa de chinelo em cima da cama.
O cara falou que eu tinha que estar ali. E o pior é que esse esquema não é surrealista. Real assim não, porque quando eu cheguei no Rio foi por causa de uma publicação no Dragão Brasil que eu encontrei o meu primeiro grupo. A galera se comunicava muito nos estados por causa daquelas cartas do leitor, era um negócio desse. E aqui, cara, tem a dos Adrianos, não esqueci o nome deles, da Além da Imaginação lá de Niterói. Que você abordar exatamente, né, que tem até livro publicado, que são a realeza nerd do período.
Porque eles tinham essa loja e eles tinham um clube de ficção em que você lia Star Trek, você ia ler lá. Guerra nas Estrelas, você ia ler lá. Discutir sobre Isaac Asimov, você ia para lá.
E o nome do espaço tinha tudo a ver, né?
Claro que tem uma ligação, cara. E outra, Unicórnio. E aí tem uma disputa aqui entre os digitais, né, e os RPGs de mesa. Só que, gente, é surreal na década de 90 você ter um computador.
Era a sala do computador, era o quarto do computador, era um móvel da casa quase.
Ninguém podia tocar, papai e mamãe, porque tinha planilha, tinha coisa. Então assim, mais uma vez, era a forma como a comunidade se relacionava, era dentro desses espaços assim. E aí que é o que entra uma coisa que eu acho muito legal, que é uma herança que a gente tem hoje, né? Os grandes eventos de RPG, a gente tá vendo o renascimento disso com o Iniciativa RPG, mas há uma pulverização desses eventos nas capitais, nas cidades. Ou seja, é um evento que reúne 30, que reúne 40, que reúne 70.
O Sai da Mazmorra, você chegou a organizar um tempo, né?
O próprio, o próprio Ponte do RPG, o RPG Brazuca que eu fiz com o Marcelo Rodrigues, é o Dia Nacional do RPG que eu também fiz lá. Você reunia Só que o que acontece, a galera que se reunia toda junta no evento desse passou a se reunir em 3 bairros diferentes. Então você reunia mais de 100 pessoas por mês no Rio de Janeiro, né? Só que aqui nesses lugares, cara, é nesses, nesses eventos grandes, é o espaço que o Iniciativa RPG tá ocupando.
Porque o DOF até se colocou de alguma maneira para receber, mas não era centrado no RPG.
Ele ainda tem muito de board game, né? A gente ainda acha que é O principal dele é board game. A gente tá ali, a gente tá entrando e tá na festa de alguém.
Exatamente.
O Iniciativa, a gente tem essa sensação de, cara, que eu tô com a minha galera.
O Doff teve uma coisa também que eu acho que foi o que matou você nos primeiros, né? Eu tava lá no primeiro e no segundo, você tinha o espaço para você chegar lá, botar teu material e jogar. Depois, cada centímetro que o parâmetro foi, foi negociado com as editoras, né, que mantém o evento, é claro. E você não tem mais o espaço para RPG. Então o Iniciativa não, você entrou, cara, o número de atrações que o Iniciativa tem, o número de oficinas, palestra, evento educacional, cara, tinha que cobrar alguma coisa.
Porque senão, cara, assim, a galera que vai lá, eu vou ser honesto assim, perguntando para a galera que foi no Iniciativa, vocês não pagariam para estar naquele evento? Você tá entendendo? É porque, cara, você entra, sei lá, você chega no salão, tem, tinha o quê? Tinha 100 mesas, eu acho.
Eram mais de 100, cara, foram mais de 100.
É surreal. Parece que eu tô olhando e todos estavam ocupados, todas ocupadas.
Parece que eu tava nos anos 90 olhando para aquele painel e lá escolhendo o que que eu ia jogar.
Eu tava assistindo a entrevista do Arcanjo, que acho que foi até do Rafael Vasco, ele tava falando da caravana RPG que eles organizavam na década de 90, né, para levar o RPG pelo Brasil. E o Arcângel falou, naquela época, teve a época que abriu, trouxe aquele castelo gigantesco, e a galera ficava no da caravana porque tinha miniatura com Speedpaint, que o cara ia, levava a miniatura. Eu falei, cara, isso, isso era o Iniciativa RPG agora.
A gente tinha o espaço do CAERN lá, aquele espaço do CAERN, que todo miniatura entregando Eu falei, não consegui falar com ele, cara, tá doido para conhecer ele. Eu falei, meu Deus, era exatamente o que tava fazendo década de 90.
Imagina a doideira, a gente fez esse evento, a gente faz de lançar revista, né, uma semana inteira no Barra Shopping. Aí no mês seguinte, mês seguinte, por aí, a DV fez o encontro. Aí eu falei com o pessoal de olho, a gente tem que estar lá e tal. Ele falou assim, ó, cara, a gente gastou muito dinheiro com revista, com jogos e tal. A gente não tem uma verba. Falei, vê o que que você tem aí. Aí pesou uma verba, peguei uma galera para levar de mestre, que eram amigos da loja do Tácio, né?
Aí inclusive dentre eles tava Eduardo Spohr, né? 16 anos na época. Eu falei, galera, tem um evento em São Paulo, vamos embora, não sei que tal. Aí fomos de ônibus para lá, né? E aí a gente tinha o stand de ouro, é um stand pequeno, né? E abriu, me monta um castelo medieval com mesa de madeira, modelos tanto homem quanto mulher vestido de bárbaro, alta produção, né? Tocha na parede, fantástico. Porque abriu, tava lançando Dungeons Dragons, né?
Aí a gente só tinha aquele espacinho ali, eu falei, gente, vamos fazer bagunça aqui. Aí a gente fez como o Luciano falou, né? Speedpaint, wargame, RPG, Shadowrun. Acho que a gente jogou 30, 40 também, não tenho certeza. Conclusão: o nosso espaço ficava lotado o dia inteiro. O da Abril tinha gente? Tinha, mas as pessoas que não se sentiam muito à vontade, que pareciam um espaço de— e era de fato um espaço de exibição também, as mesas para jogar, sabe?
Pessoal não ia. Eu falei, nego gastou na época, bicho, acho que o valor de um apartamento para montar aquela porra lá.
Sim, imagina, grana preta, né?
Aí, pô, pessoal da Abril olhar, chegava lá, passava, olhava, né, cara? E a gente lá metendo perna. Pô, foi super legal. E eu ia falar mais uma coisa, foi nesse evento que a gente conversou com o Dave Arneson. Ele foi visitar o evento, fantástico. Eu tava bem velhinho naquela época, né? E foi muito legal, a gente levou gente fantasiada, cara.
Eu fico pensando assim, nesse período a gente tem registro nas próprias revistas, né, as entrevistas que a galera vai falando, vai colocando no ar. E você tem também os registros online, né, de eventos que a galera faz. E o que eu acho impressionante é como eles falam do jogo de RPG no Brasil, né. A gente tem uma discussão que historicamente a gente não teve aventura, né. Estados Unidos, cara, você fala Temple of Evil Lament, a galera, você fala Sunless Citadel, né, por conta do 3.0, todo mundo, você fala, sei lá, The Water and the Borderlands, se eu não me engano é o nome da aventura que tem Tipo The Borderlands, é, cara, no Brasil, módulo básico do GURPS, módulo básico do Vampiro, módulo básico da D&D.
E aí o que acontece quando o Peter Jackson, é, o cara do Cyberpunk, o Michael Pondsmith, o Dave Anderson chegam no Brasil, eles registram isso, eles falam assim, o brasileiro é que sabe jogar RPG. E eu ficava pensando numa galera que me falava que o jogo nos Estados Unidos era muito mecânico. É a regra, é a regra, é a regra, é a regra que a gente chama aqui de advogado de regra, é o básico deles lá. Sim. Então, cara, é interessante que ao mesmo tempo que a gente teve um menos acesso, o que a criatividade, o impacto que teve isso para a molecada, né, de desenvolver sua própria aventura, criar seu próprio mundo, foi inigualável.
Justamente por isso isso aí que a gente se transformou nesse tipo de jogador, porque você não tinha nada. E que o nosso povo é um povo muito criativo por natureza, né? Inventa as coisas normalmente.
Ouvi dizer, por exemplo, quem falava, cara, como é que você joga D&D sem usar dungeon? E, cara, a nossa galera não faz aventura de D&D que você tinha que descer na masmorra e não sei o quê. Não, era, e saía jogando. Aí ficava aventura política, aí a gente misturava, aí tinha roleplay diferente do de lá, que o cara ia aquela cultura que nasceu do wargame mesmo, né, do Chainmail e tudo mais. Os cara jogava como você falou, meio que um board game com uma historinha do que o boneco vai descer, ele vai resolver.
A galera não tem muita noção da cultura americana. Quando você vai estudar a história do RPG nos Estados Unidos, você não pode ficar só no livro do, a coleção do Apple Klein, né, que é a coleção Designs Dungeons, e nem no Paper of the World. Não, esqueci o nome. O Diogo adora essa publicação, é um calhamaço que conta a história do RPG. Tem também as biografias. Quando você vai ver a SPI, que foi uma empresa que produziu wargame nos Estados Unidos na década de 50, 60, cara, ela tinha programa de TV, vocês terem uma noção, que é um negócio caríssimo nos Estados Unidos.
E o Charles Roberts com a Avalon Hill que vai lançar o primeiro box de wargame comercial em loja. Você não tinha que, você não ia para o lugar especializado com miniatura, com set de regras que você pegava com um amigo, que isso era muito comum nos wargame clubs, né? Mas o Charles Roberts, ele criava Avalon Hill no apartamento dele lá, ele cria criando esse jogo Tactics. Os modelos das caixas da Avalon Hill, os mapas da Avalon Hill, inclusive isso aí é uma coisa que a gente pode falar aqui depois, eu até trouxe ali Quando você comprava Dungeons Dragons, o básico, a caixa branca, tinha assim: compre o Outdoor Survival da Avalon Hill.
Por quê?
Porque ele tinha um mapa quadriculado de um terreno selvagem que as pessoas usavam para jogar D&D, né? Tá ali na mochila. Ele era o exemplo do quanto o americano dependia desses jogos de guerra, dessa cultura. O modelo das caixas de D&D vêm da SPI e do Charles Roberts. Então eles estavam mergulhados nesse universo mecânico, né, do, do, da ação, do movimento, da área de que ocupava. O Gygax mais tarde ele vai dizer que não, que eles quebram, né, bastante.
E com isso, por conta da interpretação, Braustein, né, o Dave Weasley, que a galera não fala dele, não sei por quê, né. O Braustein é o pai do Chainmail, que é o pai do Blackmoor, que por sua vez é o pai do Dungeons Dragons.
Né?
E mas é isso, eles têm uma cultura que não é a nossa de inventar porque não tem recurso, né?
É, a gente teve que adaptar. E aí, a gente, para o próximo bloco, tem que falar do RPG com o Nozes, que tem o The Hero's Journey. Para você que curte uma temática bem a jornada do herói, um Senhor dos Anéis, um classicão, vai lá conferir esse RPG da Nozes. E para a gente que tá aqui, galera da década de 90, Quem curte um prop, tá aqui a mesa cheia. Nada como você colocar na tua estante uma espada de um Conan da Tenda Medieval, uma espada do ThunderCats.
Então, pô, Tenda Medieval coloca nível, cara.
Parecendo na hora, parece um programa, né?
Parece um programa. Você não tem noção, cara.
Foi outra que tava na iniciativa, que a galera ficou maluca.
O que que era aquele, cara? A Tenda Medieval. E não é só isso, né? Quando você vai ver o produto que os caras vendem mesmo, a caneca, o punhal, é um negócio inacreditável, cara. É realmente assim, e a gente fica feliz com isso, né, cara, porque a gente só vê isso na gringa. De repente os caras aqui no nosso quintal estão fazendo, e com qualidade.
Com cupom do PNP tem 20% de desconto na compra na Tenda Medieval. Botar lá PNP20, 20%.
Isso na promoção de vocês no Instagram.
É, agora ele tá divulgando porque eu peguei já para mim, cara. Eu queria comprar, falei, vamos usar o meu cupom para pegar o que tava em promoção com ainda mais desconto. E a gente tá falando muito, né, assim, de obviamente de história do RPG nacional, porque tem a velha discussão da era de ouro do RPG nacional. E aí, agora é antes, mas eu acho que talvez tem um pouco dessa discussão porque tem alguns parâmetros que você pode usar para olhar para dizer o que que é de ouro, o que que era mais visível antes ou agora.
Mas eu acho que passa também por um fato de que a gente, se a gente fala de era de ouro, a gente pode dizer que a gente teve uma era das trevas no RPG nacional, que não tem a ver com vampiro, e que não tem a ver com vampiro. Porque aquele comecinho dos anos 2000 até quase 2010 parece que meio que tinha morrido É, a galera, muita gente que a gente conhecia parou de jogar, sumiu. Editora, elas, as grandes, tá falando aqui de Ouro, que era uma editora não só, não era uma editora de RPG, era uma editora grande já de livros que entrou no RPG.
Abriu gigantesca, entrou no RPG para trazer o D&D. Marques Saraiva, Marques Saraiva. Em algum momento do meio para o final da década de 90, elas se desiludem com RPG, param de fazer, fica só a Devir, acho, né, que ainda com GURPS. E aí depois ela vai pegar a licença do D&D para o 3.0. Mas me fica uma sensação de que essa década de 2000 até 2010 a gente deu uma minguada. E aí por isso a galera olhava para década de 90 com aquela, olha, olha o que a gente tinha, olhinho brilhando.
Mas essa década teve uma coisa legal, Porque começaram a sair os suplementos brasileiros baseados na licença 3.0. Sim, né? Inclusive tem um aqui que eu trouxe daqui que a gente fez, o Equinox, que era uma galera de primeira produzindo. Tá todo mundo aqui, cara.
Fiorito, Fiorito agora é ilustrador da Marvel.
O cara é bom, cara. A gente ficou, eu e os outros autores, a gente ficou quase 20 anos sem se né? Mudou, casou, um infelizmente faleceu, que é uma das coisas que eu quero trazer. Pois é. Aí agora no evento do Luciano, dentro da iniciativa, né, juntou todo mundo. Então eu consegui pegar o autógrafo dos outros, tá? Pô, que legal, que eu não tinha, né?
Vale um dinheiro essa edição aí.
Tá faltando um ainda, que é o Lúcio Pimentel. Lúcio, quebra o galho. Lúcio Nottler, desculpe. Lúcio, quebra o galho, né? Que a gente montou um grupo para fazer isso aqui. Nós fizemos essa aventura aqui Depois a Jambô deu ok, a gente escreveu, passamos quase 2 anos escrevendo o livro básico, e quando tava tudo pronto mudou a licença.
Aí acabou a AGL, né, veio aquela da 4ª edição que não podia fazer nada.
Então de lá para cá, isso foi em 2004, se eu não me engano, 2007, alguma coisa assim, não tenho certeza. Eu tenho um ritual anual que eu faço, né, que é início de ano assim, eu ligo para todo mundo, eu mando email para todo mundo Pediu assim, vamos lançar o Equinox? Então vamos lançar o Equinox.
E o Equinox não sai, fica no vamos marcar. Cara, comentando um pouco do que você trouxe, o que acontece? Tem duas questões que a gente às vezes ignora, né? Primeiro é a geracional. A molecada dos anos 90 virou adulto no início dos anos 2000. É filho, é faculdade, é não sei o quê, biriri bororó. O D20, concordo com o Arcanjo em número, né, número e grau, porque Porque você teve um problema sério que foi limitar a experiência do jogo a um único sistema que passou a ser hegemônico.
Isso contribuiu para a gente ver um declínio de outros sistemas. GURPS, por exemplo, rodou nessa daí.
É, o GURPS sumiu.
Rodou, rodou. Só que muita gente que não podia publicar publicou. Muita gente que tava escondida com cenário incrível publicou. E eu não tô falando só de americano não, de inglês, de espanhol não. De brasileiro, né? E isso se soma a uma outra questão: quando é que o D20 ganha força? Quando uma revolução que começou nos anos 80, que eu chamo de revolução do desktop— eu não, né, a galera do design chama— que é quando a Macintosh lança programas de edição gráfica para computadores de casa, mano.
Você podia fazer sua revista em casa. Isso vai fazer com que a galera, né, começa a criar o seu mundinho, cria seu livrinho, Daqui a pouco aparece um espaço para fazer uma, colocar online, aí uma galera gosta, e aí você começa a poder produzir.
Então eu acho que começa nos fóruns também, depois tem aquele Spell que foi muito grande para caramba, inclusive, cara, DBS.
A Spell Brasil é que vai dar origem à base da Rede RPG, né? A Spell vira, tinha Atreus, Atreus, perdão, Atreus, né? É verdade, Atreus que vai fazer essa transição. É, e você tem isso. E aí você tá formando uma nova geração, que são os filhos que estão nascendo, que estão entrando no hobby, né? Ou que nasceram no final dos anos 90, ou que vão nascer aí no início dos anos 2000, que agora estão com 20 anos, e que aí vão começar a conhecer pelo 3.0.
Uma galera, você vê aí influenciador, você fala assim: 3.0, daí desse 3.0 todo mundo conhece. 3.5, 3.0, é, todo mundo xinga 4ª edição. Desculpa, 4ª edição. Foi a mais linda e a mais DM friendly.
Foi a primeira de D&D que eu fui jogar para valer, foi a 4ª edição, porque era duplos, né? Então linda, decidiu voltar por ela, muito friendly.
Mas que sisteminha que não tem nada a ver, meu Deus do céu! É, ele tinha muita cara de videogame, né? É encounter e daily, cara, não dá, cara. Virou botão F1, F2, F3, não dá, não dá. Mas enfim, foi uma edição que trouxe muita beleza e muita organização ao Dungeons Dragons, né? Eu gosto muito dela. Tem uma galera que ama a 4ª edição, meu não, eu gosto do AD&D mesmo. Mas é isso, então eu acho que teve isso. Mas agora, cara, eu vi muito evento acontecendo no início dos anos 2000, né? Eu, por exemplo, não parei de fazer evento nos anos 2000, cara.
É, os eventos eles continuaram, né? Porque acho que manteve o hobby e a galera junta, porque aí no começo dos anos 2000 a gente já começa a ter a difusão da internet. Óbvio que ainda era naquele esquema, tem que usar de madrugada ali a discada, é sexta-feira depois de meia-noite até domingo, era mais ou menos por aí. Mas você já conseguia ter o contato com outras pessoas, já conseguia o que você falou, começar a produzir e diagramar em casa com a tua tentativa, que hoje, por exemplo, E aí, vindo para agora, pô, tu entra no site do Homebrewery, por exemplo, tu vai fazer uma tua aventura com a cara igualzinha do livro da 5ª edição que a Wizards tá produzindo.
No teu vault da White Wolf, que você tá todo mundo publicando, né? Ou seja, tem muitas dessas iniciativas. Eu acho que isso foi muito positivo. E aquilo, né, galera, por exemplo, isso aqui, ó, isso aqui é uma relíquia, é o tag. Nossa, primeira vez A primeira, isso, né? Ele vinha com essa caixa daqui. Para quem não sabe, a minha tá se desfazendo, foi um presente de Marcelo Rodrigues. Marcelo, olha aqui o famoso livro que se autodesfazia.
O Rafael fez um comentário muito bom aqui hoje, ele falou que o livro, você comprava o livro e ele virava fascículo porque fizeram hot melt sem grampear e sem costurar. O grampe de cabeção nosso era grampe de cabeção também. E esse daqui, cara, Cara, virou o Projeto Tag +2, né, por conta justamente, ele pega essa, o cara tá em Salvador, na Bahia, o outro tá em Brasília, o cara tá no Rio de Janeiro, estão escrevendo junto, publicando juntos.
Então você teve também, eu acho que uma mudança um pouco de ambiente, né, do jogo. Deixou de ser aquela coisa que a gente sentava todo mundo na loja lá para jogar e passou a ser uma coisa que a galera tá se comunicando, trocando ideia, construindo, né.
Começou aqueles play by forums. Aí a galera começou a jogar um play by mail, trocaram por jogar por email. Então começou formas diferentes de jogar, porque antigamente, cara, era você, teus amigos, papel e caneta e dado.
Play by mail, você tá falando é o play by email? Email, é porque tinha uma galera de carta na antiga, é, demorava, sei lá, 10 dias para chegar a carta, né, cara?
O único que eu joguei foi o Ladder Ring play by mail, que era você tinha, você comprava em português, eu não sei, no Veredeouro que lançou para o eBay mesmo, foi. E você fazia uma guerra na Terra-média através das cartas, dos comandos que você mandava para os exércitos, e a galera devolvia os comandos. Então cada um tinha seu mapa com os contadores, com as regras, e o cara falava, ó, fiz tal movimento. Aí você ia lá, opa, pera aí, tô invadindo Gondor, caraca, tô invadindo os Pântanos Mortos, né?
Tô indo nas planícies de Gorgoroth, enfim. E era muito, e era uma ideia muito interessante, né? Mas, cara, depois que a internet Aí não é, mudou tudo, né, cara? Tem outra, não tem, não tem, não tem o que discutir. Bom, voltando à vaca fria lá, cara, você tem as primeiras publicações especializadas também chegando no Brasil. Eu trouxe um negócio aqui para vocês para mostrar, porque às vezes as pessoas falam e a galera não entende. Esse daqui é o primeiro número da Dragão Brasil.
Ah, é essa do—
só que olha o nome, ela como Dragon ainda. Só que você tem o número 2. Aí alguém lá fora falou, opa, peraí, só que peraí, tem essa revista lá fora que veio para o Brasil pela mesma editora que publicou o AD&D, que é a Dragon Magazine, que já existia há muitos e muitos anos lá fora, né? Aí essa daqui é a edição icônica do HeroQuest, é quando a Dragon Brasil vem pela primeira vez como Dragon Brasil. Você vê que aqui, ó, essa chamada daqueles colocam aqui, ó, roleplay, roleplay, a mesma coisa, só que eles mudam para Dragão.
E você já tinha a RPG Magazine, você já tinha a The Universal Roleplay, e depois disso você vem a Dragão Dourado, aí você tem a Arcan, a Grimório, gente, Universo Fantástico RPG, até as revistas, né? Aí, ó, aí tinha coluna de RPG, né? Você tem aqui, ó, propaganda do lobisomem pela Devir, né, no início dos anos 90. Então assim, para quem não vivenciou esse, esse start, mais uma vez, né, trazendo aqui essa, essa minha reflexão, você tem muita produção, muita coisa interessante aparecendo.
Agora é aquilo, galera, é um conteúdo pronto, ou seja, o cara e o produto. E quem é que tem um produto pronto? É o gringo, tem jeito, é o cara. Por isso que a gente tem que ver tanto material, né, que não foi, que não é endógeno, né, produzido fora do país. Mas você também tem a GSA, você tem os lançamentos como o Desafio de Bandeirantes, o meu irmão Império, o livro Império do Tagma tava no nível de qualquer publicação estrangeira.
O Milênio do Ivar, cara, o Milênio Até hoje, primeiro produzido 100% em computador aqui. Fala, caramba, isso era, sei lá, 93, 92.
Maravilhoso! Tem ideias no Rede Taquionica, cara. Tem umas ideias no Milênio que assim— e vem cá, Milênio vai, não vai ter um retorno?
Reza a lenda que o Milênio, meu irmão, reza uma lenda que estão reunindo o pessoal do Milênio para lançar.
Tô achando que os próximos anos vai ser uma coisa assim de revival, de um resgate.
Vai ser a nossa OSR, OSR BR. Eu acho que vai ser.
Eu acho que vai ser. Vai lá, me dá já isso aqui. Deixa eu fazer aqui uma— faltou o lance do nome, né? Eu contei isso para o Luciano, contar aqui para vocês. Tá aqui essa aqui. Então tá, me dá a minha aqui, por favor. Muito obrigado. E essa aí mesmo, tá aí. Vamos lá, o lance dos nomes. Eu passei por duas situações interessantes quando eu resolvi fazer revista RPG. Foi assim, eu comprei um computador em novembro de 1993, em abril de 94 eu lancei a revista da banca das bilheterias e tudo mais e tal, né?
Então preparei a revista porque já não sou antigo, mas eu não tinha recurso na época. Então eu saí do IDB, fui trabalhar de novo com design, A história foi a seguinte: comecei a preparar revista, boneca, fui em vários locais. Porque lembra que eu falei que as lojas do Rio de Janeiro eram todos amigos de Gibi Clube, a maioria, né? E todos eram meus clientes de miniaturas. Então eu fui lá vendendo anúncio, fazendo revista. Quando já tava com ela fechada para mandar para gráfica, eu fui a São Paulo para conversar com a Grow, com a Estrela, né?
Algumas lojas de São Paulo que eram meus clientes e tal. Eu cheguei lá, conversei com um, com outro. Aí quando eu cheguei na Grow, O cara falou assim, ó, você está sabendo, a Grow, a Dragon vai sair no Brasil antes do meio do ano. Quando eu escutei aquilo, falei, nossa, como é que eu vou competir com a Dragon, cara? Tô TSE, aí não tem como, né? Mas voltei assim, falei, pô, tem que fazer, né? Beleza. E tô nos finalmente fechando, finalmente.
Aí o Tasso, nosso amigo, eu tava no meu escritório na sexta-feira, ele ligou, falou assim, vem aqui que eu quero falar contigo. Cara, eu tô terminando o negócio. Não, não, para, vem aqui falar Fala contigo. Fechou o estúdio, fui lá para Ipanema, eu tava no centro da cidade. Ele falou assim, aí Dede lançou a revista dela. Falei, ah, e daí? Deixa eu até te mostrar. Ele mostrou Dragão Dourado. Dragão Dourado é o seguinte, Dede quer dizer Irmandade do Dragão Dourado, foi o nome que eu dei para o nosso grupo de jogo, né?
Então a minha revista era Dragão Dourado, só que ninguém sabia. Aí, pô, eu vi aquilo, falei Falei, putz, cara, me deu azio, cacete. Aí abri aquelas 5, quando eu vi que era quadrinho, falei, porra, beleza, quadrinho. A minha revista não é quadrinho, né? O encarte central era uma galera que fazia o Joricon, os participantes também, então alto nível, né? Mas eu olhei, eu falei, pô, não acompanha comigo.
Dilsênio, né, cara?
Um artista que era o extração de Dilsênio Rangel, fazia as capas, ele fez também. Dentre outras coisas, a capa do Aventuras Heroicas, que é esta aqui. Vou até tirar da caixa, vai ficar mais fácil. Isso aqui é a capa que o Dilsênio fez.
Essa ilustração é muito boa.
Esse cara de branco aqui de costas com martelo é o Arcanjo, meu personagem Arcanjo, tal. Só que o Dilsênio, ele não enxergava a cor, ele só enxergava tudo em tons de cinza, e ele pintou uma capa perfeita, né? Tanto que ele me chamou quando tava com a arte para perguntar sobre alguns tons, estavam certos e tal. Eu não entendi porra. Por que você tá perguntando? É porque eu não enxergo cor, cara. Falei, cara, tu enxerga cor, tu consegue fazer isso?
Eu que enxergava cor não conseguia fazer. Miséria. Então beleza, aí fui lançar minha revista. Aí lancei, eu mudei para RPG Magazine, né? E quando eu fui lançar, lancei um mês antes, e quando eu fui relançar ela na Bienal de São Paulo, foi Bienal de São Paulo, me deu de cara com isso aqui, né? Então olha só, com diferença de um mês de uma para outra, a capa era igual. Tudo bem, era ilustração da época, né? Mas pô, pegou, né? Pegou mal, né?
Então foram dois sustos que eu tomei aqui. O primeiro da concorrência da Dragon, que não era Dragon, né? E segundo, você ter essa mesma imagem da capa aí. Isso aqui também é seu, também é seu.
Aí é, isso é, isso é uma coisa que eu acho engraçado, como a galera tá tava com pouca criatividade na época, né? Porque a Dragon é Dragon, a Dragon brasileira, a Dragon que virou Dragão, e a gente tinha Dragão do— é muito Dragão, mano.
Mas é icônico para o Dungeons Dragons.
Ah não, não, não, o Kiki também traz Dragão, né? Dungeons Dragons. Mas enfim, então essa galera toda tá lançando as bases para, né, as nossas publicações, para esse mercado que vai começar a acontecer, né? E claro que a gente não sonhava com New World, de repente é com nós, e essa galera produzindo como estão produzindo hoje, né?
Porque muda o formato assim na década de 90 que a gente falou. A gente teve o começo com Ineditismo, que para mim, vendo agora, parece até meio maluquice, porque quando era garoto eu vi uma revista na banca de jornal, para mim, cara, era era igual a Abril, era igual a Edioro. Eu imaginava uma mega corporação, uma mega redação de jornal fazendo a revista. Eu nunca ia imaginar que era uma galera saindo da faculdade, pois é, querendo tocar o hobby e transformar aquele negócio. Era impossível imaginar.
Agora também tem isso, né? Hoje é você pensar na IDD quando ela surgiu, né, com as formas de gravidade sendo feita, e você imaginar que hoje que qualquer garoto aí com 20 e poucos anos compra umas 2 ou 3 bambu ou Elegoo e bota lá resina para imprimir suas miniaturas e faz. É, você tem ainda por conta disso aquela discussão que você trouxe sobre a era de ouro, que é o negócio que eu vou brigar com metade dos fãs de RPG do Brasil.
Mas a era de ouro, ela é como a era de ouro dos quadrinhos. Você não tem uma era de uma era de ouro que some porque o número de publicações melhora. Você tem uma era de ouro porque o recorte cultural, né, subjetivo da época, a forma como a grande mídia reage, né, como eu falei, vários jornais e grandes empresas ajudando, é a forma como o público recebeu. Cara, primeira publicação de tese de doutorado da Sônia Rodrigues, RPG, né?
O mestrado da Andréa Pavão, RPG também. E aí você começa a ter os simpósios de RPG, né, lá no Encontro Internacional. Então todo esse conjunto de fatores vai criar naquele momento a percepção de que aquela foi uma época dourada, foi uma época de, olha, ineditismo, é empresas aparecendo, iniciativas como a IDD, iniciativas como a própria GSA, né, a GSA publicação do Tagma, né, no formato muito parecido com que a gente viu lá fora, as revistas.
Então assim, era literalmente a galera criando um cenário que não existia, o mercado não existia. Então não era de ouro porque, ó, tinha 500 publicações. Ah não, porque o mercado era muito mais aquecido. Não, galera, era justamente pelo contrário. A gente, essa galera daqui que é representada pelo Arcanjo trilhou o caminho que a gente segue hoje. Eles abriram no mato lá com facão o caminho que a gente caminha por ele hoje, né?
Então quando eu falo do jogo de RPG, dessa história do jogo de RPG, eu falo com muito carinho para essa galera, porque é, eu não estaria aqui com vocês agora discutindo, a gente não estaria aqui no PNP trocando essa ideia, porque essa galera que veio, que agitou isso para gente aqui. Quando a gente vai para outros países, né, até alguns países um pouco mais desenvolvidos, Unidos. E a gente que fala sobre o cenário do Brasil, né, quando a gente tá jogando jogo online ou discutindo sobre RPG com uma galera que tá na Finlândia, em alguns países da Europa, né, Espanha, se bem que a Espanha tem um cenário aquecido também, é, você vê que não, cara, não tem aqui o que teve aí.
Nossa, teve tanta revista assim? Nossa, vocês lançaram tantos jogos nacionais? Você tá entendendo? Então o Brasil, ele tem essa, essa coisa de uma memória gostosa, né, afetiva, bacana, com a galera que trouxe, né, vai editar esse material inicialmente, né.
Uma coisa interessante que quando a gente começou a fazer eventos, a gente descobriu que tinha muita gente jogar RPG, porque o Luciano pontuou bem. A gente tinha nosso grupo ali e eu não conhecia mais nenhum grupo. Aconteceu que quando a gente foi fazer o RPG aí, a ideia surgiu ali nas biterias. Ah, vamos fazer na UERJ. Eu não me recordo quem foi que conseguiu na UERJ tal espaço, e foi legal. Foi 92, né? Inclusive foi quando eu tava saindo da IDD e eu fui, a última peça que eu fiz, eu fiz uma peça gráfica, era o cartaz da, o patrocínio da IDD para o evento foi o cartaz de lançamento, né?
Que até era uma ilustração do Jussênio. Aí beleza, 92. Em 94, quando eu lancei a revista, o Mark Hagen veio para o Brasil, eu lembro, cara, que assim, no Jué já chutava com, acho que eram 2 andares, não tenho certeza, mas assim grande assim, um monstro imenso. E o Mark ia dar uma palestra no auditório. Aí fomos para o auditório esperar e tal.
E o auditório, gente, ele ocupava 2 andares, porque ele é uma rampa, né, que vai subindo. É um auditório, quase uma arquibancada, pega 2 andares, né.
Então o cara entra por baixo num andar e você pode entrar por cima no outro. Aí tá aquilo lotado, né. Aí entra o Mark Henrique junto com o Tadeu, na DV. Ele entrou, o pessoal levantou Mas fez uma fusarca e aplaudiu, gritou e tal. Ele ficou assim, ó. Aí ele falou um negócio com o Tadeu rapidinho, saiu. Ó, gente, ele foi no banheiro, tá? Já volto. Ele foi no banheiro chorar. Ele tomou um choque emocional tão forte que no país dele não tinha aquele tipo de recepção.
Aí tinha o cara, né? E a convenção, no caso da RPG Rio, né, juntava gente que você nunca viu na vida.
Mas era assim, gente, centenas, não sei, passava de mil pessoas, o povo latino, né?
Não, porque eu, quando era moleque, que eu pegava, eu pensava, como é que as pessoas souberam que ia ter um evento de RPG no ERGE para ir? Porque hoje em dia, sei lá, tu vai entrar na internet, você vai ver o nome, você vai combinar. Naquela época era pré-celular, é tipo, você saía de casa, você que dizer para alguém aonde você foi, que horas mais ou menos você vai voltar.
Aí a galera entender a importância que era isso aqui, entendeu?
Você na banca perguntando, pô, sai alguma revista de RPG?
Tem revista nova?
E era por ali, por ali que você conhecia.
É, não, e assim, a gente atendia uma demanda, a gente sabia que existia, mas a gente não sabia onde é que tava. Quando tinha um evento que aparecia gente do ladrão assim, né? Interessante, uma experiência que a gente passou na Foi a segunda RPG aí, ou terceira. Não, perdão, foi na segunda, segundo Encontro Internacional de RPG, Bienal do Quadrinho, né? Na primeira Bienal do Quadrinho a gente lançou Aventuras Heroicas, foi na Fundição Progresso.
A segunda, Fundo Centro Cultural dos Correios. E aí a gente tava organizando lá e tal, eu cheguei um pouco mais cedo que eu tava ajudando a montar as coisas lá, e cara, lotado de gente, né? E os seguranças do Centro Cultural dos Correios estavam assim olhando, né? Abriu a porta, o pessoal entrou, entrou e ocupou as mesas, sentou no chão e tudo mais. Aí teve uma hora que um cara da segurança, ou será diretor do negócio, não me recordo, ele veio perguntando: o quê?
Mas é assim? Eu falei: é assim, você pode entrar, ninguém vai rasgar, riscar nada, não vão fumar, não vão tocar fogo em nada, não vão quebrar nada, mas é só sentar aí. E as pessoas ficavam olhando, um bando de adolescente, né? Às vezes fala um pouquinho mais alto e tal. Mas brincando ali sem gerar nenhum problema. Então assim, existia uma galera gigantesca que queria se encontrar, não sabia para onde, porque não tinha como se comunicar.
Ou era revista ou não era nada. São Paulo, eu participei de um programa de rádio que a gente fazia, ele falava sobre RPG e fazia uma dramatização ao vivo, né?
Muito legal. Nossa, que legal!
Nunca soube disso. Eu acho que tá na segunda da Universo RPG, segunda, terceira, foi no estúdio lá, né?
A galera no YouTube agora ali que tá vendo Pera aí, isso deve estar no YouTube, deixa eu ver.
Pior é que eu não lembro não, eu assisti entrevista de vocês assim, tá? Eu não lembro o nome do programa, né? Eu lembro que eu fui para lá, foi um Velho Oeste, eu fiz o papel de um bandido lá e tal, no rádio, aqueles microfone de rádio, estúdio de rádio mesmo, e a gente falando ao vivo ali no ar e tal.
E a gente achando que Cellbit e Critical Role são novidade, que tá criando agora, né?
Foi 95.
Agora, isso é um fenômeno, cara, que eu jogo na conta da pandemia, cara, que não é possível. Viu, cara, sério mesmo. Porque assim, desde que eu sou moleque, é, o que que o RPG me trouxe de mágico de novo? Nossa, eu posso subir nas costas de um dragão lançando bola de fogo, atacando o castelo do cara malvado, mano. Era eu viver aquelas experiências, eu narrar aquelas experiências, construir com os meus colegas. A galera senta, bota lá o Coca-Cola, pipoca, e fica vendo os outros jogarem.
Mas eu falo que depois da pandemia, acho que a gente tem que começar antes, os gringos já tinham uns cara gringo meio grandinho que já fazia stream para 3 mil pessoas, que já era enorme, 2014, 2015. Acho que aqui o Azecos e o Gruntar foram os primeiros a fazer, 2015, 2016, por aí. E aí eu falo que surge um novo modelo do cara do hobby, que é o espectador de RPG, e passa a ter o espectador que não existia. Mas engraçado Que era um fenômeno, a gente na internet vendo aqui, mas no Japão era famoso por isso.
O Lodoss War era, era, ele surge assim, os japoneses jogavam e publicavam o que tinha acontecido na mesa para que outras pessoas lessem. Era doideira, o japonês curtia saber o que que outra pessoa jogou.
Mas essa eu ainda entendo, porque é o que a Sônia Rodrigues e André estão fazendo nos trabalhos de pesquisa delas, é como essa produção narrativa, né, faz com que esses garotos se tornem escritores.
O que—
e aí você lê uma narrativa de fantasia, não importa qual foi a fonte dela. Eu acho que isso é muito legal. Mas, cara, você assistir o cara rolando dado, falando, ah, eu fiz isso, dando uma risada, cara, eu nunca fui audiência para essa parada. Mas eu respeito e entendo que tem a galera que gosta, entendeu? Eu acho isso um fenômeno, cara.
Assim, eu ainda consigo assistir se o cara fizer uma mesona como a cash e tal, aquilo me chama atenção.
Agora, só aquele monte de carinha no Discord, é, não, para gente é outro, é outro mundo assim, é outro mundo.
Tem um amigo que ele foi meu aluno, ele, coitado, duas faculdades diferentes, né? Tava conversando com ele ontem, né? A gente já fez alguns trabalhos juntos, uns projetos juntos, e tava me falando que ele é motociclista e ele é um maker. Então se ele inventar de produzir alguma coisa, ele aprende sobre aquilo ali e faz, né? Então ele é uma pessoa que ele tem tripla excepcionalidade. Ele é, ele tem altas habilidades de superdotação, que é autismo, ele tem transtorno do espectro autista e tem TDAH.
Imagina, né? Mas ele coloquei aprender alguma coisa. Então ontem a gente se encontrou, fomos tomar um café junto, eu apresentei ele para outro amigo meu. Quando o amigo meu viu a moto dele, foi assim, pô, moto bacana. Foi assim, ele fez tudo, ele pegou um açúcar, e fez tudo, mas tudo assim, ilustração com folha de ouro, ilustração em couro, funilaria, ele fez o tanque da moto.
Ou seja, chama o cara desse para fazer uma mesa de RPG, vai ser um dinossauro.
E aí eu tava conversando com ele, ele falou assim, pô, cara, tô vendo agora uns POV aí de moto, pô, não tô entendendo. Eu tinha meu canal de vlog de moto, tem uns 10 anos essa porra. Agora na gringa ela tá surgindo uns canal assim. Aí eu mostrei para ele um canal da Irlanda Irlanda. O cara por 4 minutos e pouquinho faz uma trilha junto de uma rua, uma estradinha, né, na beira do precipício, mostrando a paisagem da Irlanda. E tinha assim 200 mil visualizações e tal.
Eu falei, isso acontece? E o cara não fala nada, ele só toca a moto no capacete, câmera no capacete, mostra na moto e vai embora. Eu falei, isso acontece, cara? Imersão. É que nem o cara que fica vendo o jogo. Por que que eu gosto da miniatura? Porque para mim tem que ter miniatura. Esse negócio de ficar só tava falando, eu jogo assim também, pô, mas agora é miniatura do monstrinho, cenáriozinho ali e tal e tal. Até apareceu um anúncio teu aqui de umas cartelas rabiscáveis.
A gente não tinha essa porra nos anos 90, não tinha, era caderno, era folha A3.
Peguei uma folha de papel opaline branquinho, marquei uns quadradinhos, risquei tudinho com canetinha, pá pá pá, deixa secar. Peguei contact, botar aquela porcarice, tinha que esticar o contact para não dar bolha, merda.
Sim, é horrível.
Depois de pronto, aí você Passava o álcool em cima, pô, acabou, tchau, né?
Mas muito isso é outra parada que a galera não entende. Por exemplo, quando saíram as cartas para o D&D com as magias e coisa e tal, né? Isso foi mais recentemente, Dungeons Dragons na 5ª edição lançou aqueles boxes maneiros, né, cara? A gente pegava cartão de biblioteca, que era um cartãozinho assim, cara. Eu cansei de ver isso. A D&D lançou essas cartas de magia nos anos 90. Você tinha lá o deck do Grimório do Mago, do Clérigo, né, do, do, do Feiticeiro, enfim, dos grupos mágicos.
E era no formato do cartão de biblioteca, cara. É muito engraçado isso, porque era provavelmente o que eles tinham nas gráficas, né. Mas a gente não, a gente comprava. Inclusive eu tenho até hoje, você compra e ele é duro, né, e você colocava. Só que a galera também, né, mais uma vez, né? A gente tá falando da história do RPG, né? E então acha que é uma, nossa, reinventaram, que coisa incrível. Não, cara, a galera já pegava, anotava, já fazia.
Ou por exemplo, o Battle Mat é o quê? O cara que pega a folha de cartolina, faz o quadradinho, cobre com papel contact e usa caneta de retroprojetor. Foi o que a gente usou muito nos anos 90, né? Essas ideias acabam virando produtos, né, na geração seguinte, né?
É, aí é que eu acho que entra o lance de você comparar as gerações e ter a diferença que a tecnologia, como ela vai evoluindo, muitas coisas que naquela época, década de 90, era impossível. Pô, cara, a miniatura a gente só tinha acesso às da AID que vinham na revista, porque aí você comprava a revista para vir a miniatura e você colecionar, ou você não ia ter. A tua miniatura ia ser, sei lá, um saco do Lego, um feijão, um geloco.
É você adaptando com o que tinha, porque não tem essa de, ah, eu vou entrar aqui na internet, pegar um STL, botar na minha impressora, e aí eu preciso de 4 caveiras, tá bom, vou imprimir 4 caveiras, na minha sessão vão ter 4 caveiras.
Mano, eu tenho as impressoras 3D, né, a de PLA, de resina, e até hoje, meu Deus, tem umas 4 anos essas impressoras, e é bruxaria para mim. Eu pensar no monstro para minha mesa de D&D, por exemplo, eu tô terminando, né, o How to Have a Dragon Queen com o meu grupo. É, cara, eu pensei no bicho, me lembrei daquele cara que tá produzindo todo o Monsters Manual de graça, baixei até a série do cara, agradeci pela colaboração, imprimi, pintei, tá lá na minha estante.
Então assim, o Luciano de 16 anos, ele não acreditaria no Luciano de 48, você tá entendendo? Ele fala Como assim, cara? Você imprime em casa? Fala isso para mim, como é que é isso, sabe? É mágico, cara. É um negócio assim, não dá para comparar, sabe, os dois universos.
E uma coisa que eu acho que vai rolar, já tá começando esse movimento, não tem nada a ver com RPG especificamente, mas chega lá certamente. A galera de muito tempo para cá tá com o nariz enfiado aqui no espelho preto, né? E tá deixando de viver isso aqui. Por conta disso tá pintando o quê? Uma porção de problema psicológico. Então eu comecei a perceber relatos sobre isso do ano passado para cá, que a geração Z tá toda desmantelada.
Então a geração Z tá começando um movimento de sair do digital, de sair do online e ir para o físico. Então isso que você falou aí de, ah, pô, parecia bruxaria, eu fui, eu com 22 anos eu virei fanzineiro, né? E aí eu descobri que eu sabia escrever, gostava de escrever, gostava de dar opinião. Eu com 22 anos jamais imaginaria que eu faria uma revista profissional dentro de casa, porra, né? Quando eu fiz a primeira, um amigo meu que depois montou a Japanimation e tal, ele falou assim, ele conhecia meu computador naquela época bem simplesinho, como é que tu fez isso aqui?
Aqui era, mas era como era o quê, no Paint Make?
Aqui que tinha, meu Deus. E assim, eu não tinha scanner, eu tinha o meu computador, gente, quem é mais velho vai entender. Era um PC 386 SX20 com 4 MB de RAM, só que um tava meio fodido, então eram 3 MB de RAM na verdade, né? Então eu não tinha condições de manipular imagem nele. O que eu fazia? Eu trabalhava com arte gráfica como designer, então eu fazia a arte, escrevia, diagramava tudo, fazia arte final, pegava as imagens, fazia a montagem que a gente fazia na época.
Não vou explicar que é muito chato, mas Levar para gráfica, a gráfica montava para mim, e aí saía a revista. A primeira RPG Magazine foi assim, a segunda foi assim. A Primeiro Universo já fiz no Mirô, a Segunda Universo em diante eu fazia em casa. Comprei scanner na época, custou quase $2.000. Então assim, se eu em 86, quando nasceu o Fanzine Cosmiclube, se alguém me dissesse que 8 anos depois, na verdade 9 anos depois, eu ia fazer uma revista igual de conceito, uma diferença pequena de tempo dentro da sua própria vida, 9 anos hoje em dia eu negócio há muito tempo, ainda mais com o IA então, entendeu?
Mas naquela época, 9 anos, é uma mudança assim muito pequena. Então se eu dissesse para mim, ó, cara, tá com 22, né, quando tu tiver com 29, 30 anos, né, 31 no caso, tá fazendo, às vezes assim, porra, fala sério, cara, fazer as coisas na xerox, isso aqui é um monte de dificuldade, lambia cola Pritt para colar as coisas.
E isso lembra uma outra questão que tá agora também em voga, né? Por exemplo, quando a gente tá falando do no início dos jogos lá nos anos 90, anos 80, a imagem de fantasia que foi construída nas nossas mentes é gente como Clyde Caldwell, Elrie Elmore, Jeff Easley, Bron, né, o Angus McBride, que é absurdo. A capa do M.E.R.P. dele é uma das mais maravilhosas, tem um Balrog na montanha atrás.
Não, a ilustração dele da Galadriel Para mim é a maior, é melhor de todas, é maravilhosa mesmo, coisa grandiosa, linda.
Então, e agora a gente tá tendo essa invasão bizarra da IA, e a gente tem um movimento dentro do próprio RPG. O Diogo Nogueira, inclusive, ele é um defensor ferrenho de, meu irmão, não compre RPG com IA, não compre. Porque, cara, o que que acontece? Uma coisa que eu tenho lá no meu canal, eu nunca, nunca falo mal de um jogo de RPG. Porque o que acontece, se o jogo traz alguma ideia fascista, racista, homofóbica, transfóbica, tudo bem, eu vou meter o pau.
Só que, cara, se eu não gostei do jogo, não fala, cara. Porque tem uma cadeia produtiva. Não é o cara que fez a ideia ruim que você não gostou só que vai ser prejudicado, é o cara que encadernou, é o cara que transportou, é o cara que imprimiu. Então assim, tem todo um esquema de produção que envolve a produção de um jogo de RPG, o lançamento de um jogo de RPG. Aí, ah, ela tá cortando um pouco isso porque ela tira etapas que são fundamentais.
Assim, eu tenho um RPG em desenvolvimento que é o Orama, é um RPG de horror baseado no Brasil, enfim, e o tema dele é sobrenatural. Eu uso um baralho chamado Baralho Lenormand, que é o baralho da Madame Lenormand, que as pessoas chamam de baralho cigano, né? Tem 20 e poucas cartas. Eu chamei o Alex Genaro, cara, que é o cara que produziu o Valquíria, é um quadrinista fantástico do Rio de Janeiro, e paguei o cara para o cara produzir as cartas para mim.
O Bebeto Daróis, que é um grande ilustrador, que, né, que também é músico, enfim, produziu para mim também 4 ilustrações das classes, dos grupos principais do jogo. E, gente, eu faço questão de mostrar para vocês aquelas imagens para vocês verem, cara, que não tem IA que faça aquilo, você tá entendendo?
E se fizer, vai ser aquela pasteurização, não fica igual, não tem a alma que você falou, não tem o ódio, um bronco, Lelê, um caldo, não tem, não tem.
Então é isso, eu acho que também isso é uma questão que a gente tem que parar para pensar, né? Às vezes a galera fala que o jogo de RPG antigo ele é datado, e eu tenho costume de falar que jogo de RPG não tem data de validade. Você tem que ficar ligado porque é uma uma discussão que eu fiz até com o Thiago lá do canal do Raga, né, o RPG com Jambu, que é o seguinte: alguns jogos trazem preconceitos e conceitos da época ultrapassados.
Então você como mestre tem que ficar ligado para não reproduzir isso no jogo, dá liberdade para seus jogadores, permitir representatividade, a criatividade deles. Mas a verdade é que você não deve não permitir que as pessoas vivam a experiência daquele jogo. Cara, eu jogo o jogo, eu amo o jogo, né? Eu acho que é o jogo mais perfeito do mundo, chamado Everway. Não tem mesa de Everway, cara, né? Do Jonathan Tweet. Para mim, um dos melhores designers do mundo, né?
O cara é incrível. É, tem o Nobilis, que é da J.K. Mourne, que é um, que é uma das melhores experiências de jogos onde você é um deus que eu já joguei e que eu já li na minha vida. Ele romântico, ele é poético, ele é incrível da forma como ele pega o universo dessa questão das deidades, né, e dissolve. E cara, são jogos que não existe mais, ninguém, você não vai, você não vai encontrar para comprar, você não vai encontrar para ver.
E por que que só eu sou apaixonado por isso, né? Então assim, eu sempre gostei de promover nos eventos que eu fiz: traga, tire a poeira do seu, do seu velho e traga para mesa. Porque o, né, o Sai da Masmorra, ele tinha muito essa pegada, né? RPG não tem data de validade, tira a poeira do seu, do seu, da sua relíquia e traga para mesa. Porque tem gerações aí que acham que a galera do norte da Europa que tá produzindo os indies é super inovadora.
Só que se você jogar Jonathan Tweet e jogar Jota Cameron, vocês vão entender o que eu tô falando, né? Não tem uma criatividade e um brilhantismo de jogos antigos que as pessoas têm oportunidade de jogar, que fazem parte dessa história que a gente tá trazendo aqui, né? E isso começou com a ideia da IA, né? Porque eu acho que ela tá substituindo esse esforço esforço, esse empenho, né, do artista e do game designer na hora de produzir.
É o seguinte, a pessoa tá querendo um cérebro digital, então estão começando a querer fazer coisas.
Ah, o fanzine inclusive é uma cultura que existe até hoje, né?
Sim, sim, é.
Quer dizer, eu conheci pela cultura punk. Então estão começando a querer confeccionar coisas, confeccionar tabuleiro, confeccionar miniatura, mesmo porque ele imprime em 3D, ele vai e pinta e tal. Eu acho legal porque é o seguinte, vai permitir você ter acesso a coisa da era de ouro, né, trazer talvez uma nova era de ouro, uma nova forma de você se reunir para jogar. O pessoal tá deixando de ir para balada para fazer encontros de tarde em biblioteca, livraria, tomando café, batendo papo.
Isso é ótimo porque as pessoas precisam se comunicar, precisam criar vínculos, relações. Eu tava falando para ele, eu morei fora do Rio, morei em Brasília 5 anos, né. Meu maior tormento em Brasília foi que lá para você fazer contato com pessoas, relações humanas afetivas, é muito difícil. Até nos jogos de RPG eu fui em vários encontros, tem o D30 lá, aquela galera do caralho, adorei participar. Mas eu ficava vendo o pessoal jogar, tinha assim uma contenção, digo, gente, porra, vamos subir na mesa aqui, vamos gritar, vamos travada aqui assim, né, jogar dado.
Então esse pessoal voltando aqui para o físico, né, para o tátil e tal, começa a criar, fomentar muitas coisas. Eu Eu tô falando das teses de mestrado, a minha dissertação de mestrado, perdão, a minha dissertação foi o uso de RPG de história e treino para compartilhar conhecimento. Reflexo de quê? Do que eu fazia na minha sala de aula. Eu comecei a fazer isso para tornar as minhas aulas interessantes, porque eu achava minhas aulas um saco, né?
E essa cultura de você fazer, de você botar a mão na massa, ela também é uma questão do jogo de RPG, né? Sim, é. Eu tava fazendo uma discussão outro dia, não sei quem é que tava fazendo essa conversa, é que era Usar props na mesa de RPG, ou não?
Eu sou time props, 100%.
Eu sou 100% time props. É, você— eu me lembro de moleque envelhecendo folha de papel com café, você tá entendendo? É, tem uma aventura maravilhosa da Games Workshop e do Warhammer Fantasy chamada Doomstone. São 4 módulos que tem uma pedra para cada elemento, que é uma grande relíquia que os anões fizeram, porque os anões gosto muito de magia no mundo de Warhammer, mas nessas pedras são a obra-prima da mágica deles, tipo a Silmaril dos anões, sacou?
E os caras fizeram a pedra em papel no fim do livro para você dobrar, imprimir, pintar, para você botar na mesa. Então, cara, são coisas assim que me encantam, né? É a produção dos cenários, né? Eu tava passando por uma loja, vi um cálice de metal que tinha um dragão Eu olhei para aquilo, falei: nossa, esse cara, esse foi usado pelos primeiros humanos que subiram nas costas dos dragões, criando os Cavaleiros Dragões. E ali eles faziam um ritual de união.
Cara, surgiu a partir da minha imagem, da fantasia que eu criei, né, em cima da peça. Claro que eu comprei, hoje tá lá na estante, eu já usei em jogos. Então eu acho que isso também é um elemento do próprio jogo, ele chama isso, né. A galera fica cansada do digital Talvez, né?
Não sei, porque assim, até o digital, né? Assim, eu acho que quando ele aparece, ele é uma ferramenta de você ampliar a base, porque você pode, por exemplo, o meu, teu grupo, o Arcanjo falou, né? Você parava de jogar porque um ia trabalhar numa outra cidade, o outro casou e o horário não batia. Hoje em dia, com o Discord, com os virtual tabletops, cara, você tá jogando com teu amigo que mudou para para Portugal e vocês conseguem jogar um RPGzinho juntos.
Eu cheguei a jogar com o pessoal via TaleSpire, se eu não me engano, um rapaz lá do Amazonas.
Coisa aí que faz de dia, faz as miniaturas, bonequinho andando igual miniatura, é coisa linda.
Ele uma vez, eu tava de tarde fazendo um trabalho, né, ele me chamou pelo telefone aqui, ele falou assim, tá ocupado? Eu falei, mais ou menos, pode mostrar uma coisa? Aí ele compartilhou a tela, mostrou Pessoa, né, fechar no tabuleirão. Aí ele levantou um pedacinho aqui, ó, isso aqui, ó, isso aqui, ó. Eu comecei a olhar, falei, caralho, que isso? É o telespelho. Falei, vem cá, me ensina a fazer esse negócio que eu vou criar. Eu vou pegar o meu condado, eu moro no condado, vou pegar meu condado, vou gerar meu condado com essa porcaria.
Chato que é tudo meio quadradão, né? Sou meio enjoado com esse troço, mas fiquei olhando assim, cara.
Mas tem um, tem um agora que não precisa, tá? Não é que nem dele, é porque eu também virei nerdão desses, dessas plataformas, né? É uma que você é Fantasy Escape, eu acho que tem um dragão com uma floresta. Mano, você diz a dimensão que você quer do mapa, qual tipo de terreno, você afunda para fazer um lago, levanta para fazer uma montanha, tipo como se tivesse esculpindo em clay. O Dungeon Alchemist também, eu também gosto dele.
E claro, não tô aqui, tá? Quando eu falo da questão da galera aí para mesa Não tô aqui diminuindo a importância nem a beleza dessas ferramentas.
Não, mano, mas é que eu acho que ele veio para agregar, ele veio para somar uma coisa que obviamente na década de 90 era impossível, não existia, né, nada nem parecido com isso, a possibilidade. Mas a galera tá fazendo esse movimento de tipo, cara, eu jogo na internet com pessoas que eu não tenho possibilidade de estarem próximas Mas a galera tá procurando eventos locais para formar grupo, de ter uma mesa, justamente por isso, para ter esse contato.
Você rolar dado na mesa, todo mundo olhando, é outra coisa. Quando sai o Devil 20, é por isso que a minha galera, por exemplo, que a gente fala, é, a gente tá aqui gravando no estúdio, a gente joga no prédio do outro lado da rua, que o Volo mora aqui, a gente se reúne toda terça-feira porque virou tipo, é o nosso ritual, é quase a terapia em grupo, né? É aquele tempo que você tira na semana, vamos nos divertir, é o nosso momento para a gente estar ali.
Aí, ó, sei lá, bater papo, aí come alguma coisa, aí joga e rola o dado. Essa experiência o online não tem, não oferece.
E o engraçado, né, eu sou professor, né, e eu dou aula para o ensino médio. Então eu tenho muitos filhos de amigos, né, que foram em algum momento, né, parte dessa história dos jogos daquilo. Inclusive, eu quero mandar um abraço muito forte para o Lucas, que é um desses meus alunos, né, que tem grupo, o pessoal lá do HMITA também. Porque o que acontece é, eles estão preferindo se reunir, eles têm acesso às ferramentas e eles estão preferindo se reunir na mesa.
Então assim, não é nem para dizer que é uma questão internacional. Não, Luciano, pô, a molecada mais nova gosta. Não, eles querem sentar na mesa do modo, né, tradicional, jogar o seu dadinho, colocar as miniaturas na mesa, né. Então eu acho que isso é muito bacana ver. Eu não entendo, não tenho leituras, né, para fazer essa tua percepção, mas eu acho que é muito bacana se isso for assim uma tendência mesmo, né.
Semana eu vi uma coisa, uma atualização, um software que agora não vou recordar qual é, que você pode preparar juntar ele com Unreal para fazer coisa lá. Então o cara pegou um prompt lá, pum, jogou o prompt lá, o software, a Diana criou o ambientão. Ele falou assim, cara, a coisa aqui foi além do que eu imaginava. Aí ele pegou aquilo ali pronto, jogou dentro do Unreal, editou no Unreal assim, né? Então tu imagina quanto faz. Eu cheguei a experimentar o Unreal quando saiu o 5, acho que foi o 5.0.
Pera aí, pera aí, ele desenhou a partir de uma imagem o cenário 3D?
Não falou nada, escreveu um problema, meu, eu quero um tal coisa assim, assim, sensado. Aí o IA criou aquilo ali.
Você tá de brincadeira!
E pegou aquela porra ali, jogou dentro do Unreal, certo? Aí combinou os props do Unreal, que é uma porra, cara, é de enlouquecer. Trouxe um monte de coisa gratuita e montou e fez um vídeo para mostrar.
Ele falou assim, cara, isso aqui eu fiz rapidinho, dá para passear por dentro da dungeon que ele fez.
Eu, na verdade, fiz uma mente aberta a princípio para mostrar como é que era aquilo mais rápido, né? É assim, quando saiu a versão 5.0, eu comecei a testar, né? Eu comecei a olhar, eu falei assim, cara, eu vou fazer o Fantapunk aqui dentro, porque, né, porque eu tenho assim, eu tenho um mundo criado, eu quero, eu não consegui chegar a fazer porque assim, trabalhar, né, projeto, dar aula, porra, não dá tempo. Então eu preciso ficar rico primeiro porque eu não preciso trabalhar mais, né?
Acho que tá tudo pago, acho que é o objetivo de todo mundo, né?
Porque eu fiquei pensando assim, eu falei, eu quero pegar Eu tenho um mapa pronto, né, cidade, eu tenho muita coisa. Eu quero pegar esse mapa, eu quero colocar, eu vou criar uma plataforma, um plano, vou colocar o mapa aqui e eu vou começar a modelar em cima da coisa. Essa é a minha visão muito rudimentar da coisa. Quando eu tiver tempo de fazer, acho que eu nem preciso mais fazer mais nada, só colocar o mapazinho, faz aí, vai fazer.
Agora, sabe uma coisa que eu acho que incomoda um pouco a gente? Talvez não sei tanto a outra, essa nova geração, por da questão digital, né, os joguinhos muito cedo, tudo isso muito cedo. Mas uma coisa que sempre fica na minha cabeça, que eu acho que fica na cabeça de todo mundo, né, que participa desse movimento, é até que ponto todo esse processo digitalização da experiência não vira um videogame, sabe, não vira uma outra coisa.
Porque eu me lembro que eu tava fazendo umas aventuras no Fantasy Ground e tem um negócio muito legal que você bota o teu mapa lá e você traça umas linhas para colocar a luz dinâmica, né, quando você move a miniatura tem as sombras, coisa e tal. E o meu grupo dos mais jogadores mais velhos, né, eu tenho um grupo dos anos de 98 que eu jogo até hoje através de digital. O cara, o cara tá um em Portugal, tá um em São Paulo, o resto da galera aqui com a minha esposa aqui no Rio, e a gente joga.
Quer dizer, a gente não tem jogado, né, nos últimos anos por conta de outros eventos, de outras coisas que estão acontecendo. Mas eu tive a oportunidade de fazer isso com eles online, e cara, um ficava mexendo o personagem para tirar a sombra, o outro fazendo, aí aí você trava o cara. Só que aí você trava o cara, o cara quer mover, você tem que lembrar de destravar. Cara, vira tanta coisinha para você tá ali monitorando que a narrativa se perdeu um pouco, você tá entendendo?
No sentido, tá conseguindo entrar na imersão que você tá criando.
É, tem gente que no digital às vezes tem nessa, porque aquilo, o cara tá no computador, tem duas telas, é tanto, é o WhatsApp pipocando, é alguém, um vídeo no YouTube, ele entrando, entrou no Instagram junto, aí pronto, o cara já desligou do que você tá falando, né? Por exemplo, eu não consigo jogar online se for só áudio.
Tem uma galera que joga em Discord sem câmera e tal, eu não consigo.
Eu, eu, uma, mas em 2 segundos já dispersei. Na primeira mensagem que pipocar no celular, eu paro de ouvir o que o cara tá falando.
Eu não consigo.
Às vezes tem mais muita gente jogando, eu passei por isso mais uma vez. Então tá aqui o teu Aí até rodar no meu turno de novo, porra, demora 40 minutos, né? Depende do tipo de ação. Porra, tu acha que eu fico 40 minutos assim olhando o negócio? Não vou, velho.
É, as ferramentas, né, mais modernas assim. Eu comprei o Foundry, mas eu não me dei muito bem com ele. É, eu não consegui. Eu acho que aquela questão de hospedar o jogo para todo mundo ter acesso, né, rápido. Acho que minha máquina, não sei. Enfim, eu gostei mais do Fantasy Ground e do D20, que são assim, o D20 eu não consegui, pô, cara. Fantasy Grounds, assim, eu acho chato a entradinha dele, mas depois o ambiente lá dentro, as macros que você cria a partir da planilha, eu acho que facilita bastante o jogo.
Outra coisa, os dados animados com som e coisa e tal, né, para poder a experiência ficar mais próxima da experiência de mesa. Mas eu gostei dos efeitos de chuva, é aquelas coisas que tem no Foundry também, né, inclusive no Foundry é melhor. Mas eu ainda sinto isso, eu sinto que a galera fica distraída. Cara, eu me lembro que eu botei um gifzinho, porque o Foundry aceita que você bota no mapa gif. Aí quando eu montei a cidade, nas chaminés eu botei o gifzinho de uma fumacinha saindo e eu reproduzi pelo mapa.
Quando a galera abriu, ela ficou: caraca, como assim tem fumaça saindo no mapa parado? Eu falei: gente, é um gifzinho da fumaça, um negócio bobo, eu só botei para animar o mapa, para ficar interessante. Quando eu coloquei o efeito de chuva, cara, foi 10 minutos para voltar a ordem.
Não, pera aí, a gota tem diferente, não sei o quê. Aí tu não que tem os passarinhos, você pode botar para passar. Aí, galera, cara, a galera vai embora.
Aí, ou seja, é uma experiência incrível. Mas, cara, eu criei personagem, tem toda uma história gigantesca dos elementais maus estão dominando o mundo lá que eu tinha criado. E aí os gárgulas estão com o cara lá que é o Ogremok, que é o cara do D&D, né, que é o elemental evil da terra. E tem uma espécie de milícia celeste, os caras com montanhaves gigantes, e eu com o maior trabalho para buscar as imagens, criar os nomes, não sei o quê. A galera para com a chuva, com a sombra do negócio, você tá entendendo?
Os tais da imersão. Você já imaginou uma coisa? Vamos dar um passo à frente. A IA tá avançando muito. Vai chegar um momento, mais cedo ou mais tarde, em que você vai imergir naquele ambiente, você vai sentir, né? Eu acho que quando isso acontecer, o maior mercado para esse tipo de coisa Primeira coisa vai ser pornografia.
É verdade, óbvio que movimenta, sempre movimenta a tecnologia.
Mas somos pessoas de imaginação muito avançada. A gente vai entrar num ambiente desse, você vai viver ali. Quando eu vi a Meta lançar aquele papo do metaverso, que eu olhei, eu falei, cara, entendi a ideia. Até porque eu penso nisso desde o final, desde o início do final da adaptação.
Se eu experimento jogou Second Life, que poucas pessoas tiveram acesso.
Eu experimentei o Active Worlds, a primeira versão. Nossa! Eu só não usei ele para fazer a minha dissertação porque ia ser naquilo ali, porque era muito rudimentar. Então eu fui tocar outro barco, né? Aí quando eu fui começar a pesquisar para o doutorado, o Second Life já tinha 3 anos de criação. E aí eu fui pesquisar entre vários, né? Blue Mars, Second Life, G Pinguim, enfim, podem, Hotel Rabo, né? Rabo Hotel, lá. E aí, interessante que eu criei o meu avatar lá, que o meu personagem chama-se Arcanjo Arcádia, né?
Aí quando eu tô procurando os sobrenomes lá para você criar o nome, tinha um sobrenome pronto. Eu falei, bom, vai ser Arcanjo, obviamente. Logo no início, Arcádia, eu falei, tá de sacanagem, né? E eu criei o Arcanjo Arcádia no dia 11/11/2006. Quando eu entrei, que eu comecei a olhar Eu falei, cara, a hora que isso aqui a gente, pessoa tiver resposta sensória, o nego vai viver. O pessoal já pirava ali dentro.
Olha, o William Gibson não acha que vai ser tão legal não como você.
Mas é que tá, o Gibson ele faz uma vertente que ele tá certo, esse caminho vai existir, mas vai ter, vão existir outros caminhos. Por exemplo, eu peguei o Luciano Nunes no metrô, trouxe ele para cá, né, lá perto de casa. Eu fui mostrando para ele algum pedacinho do meu condado. Meu condado, o quê? O bairro que eu morei na minha infância, e depois eu fui agregando outros bairros e tudo mais. Então quando eu ando pelos locais, até falei com ele, mostrei a rua que eu morava, né?
Eu falei, tem essa rua aqui, ela tem um rio no meio, né? Não desrindo, obviamente, tem um rio no meio. Essa pracinha aqui tinha brinquedo, eu brincava com meu pai ali, né? Ali tem uma pedra encantada, que é uma menina de um cristal grandão escuro, e a superfície tem uns brilhos coloridos. Então isso desde criança que eu venho imaginando essa porra.
Aí imagina criar isso digitalmente, meu irmão, é só para poder realmente estar lá.
Porque é o seguinte, tá aqui, ó, eu quero tirar daqui para algum lugar e eu quero que você entre, participe, que ele entre, participe, que você entre, participe, compartilhe minha fantasia. Porque, cara, é tanta coisa que eu venho imaginando ao longo de 56 anos, né?
A gente, a gente tá tentando fazer isso num negócio chamado literatura. Ao longo dos séculos aí a gente vem tentando fazer as pessoas A gente faz, mas tô de zoeira contigo, cara. É claro que o universo digital ia ser uma outra parada também. Cada um de nós aqui nessa mesa deve ter tido alguma ideia inédita de alguma coisa que gostaria de virar pra galera e falar, olha, cara, criei esse negócio aqui. Porém, quando a questão dos passeios virtuais começaram a aparecer, aconteceu uma coisa que era a realidade ampliada.
A realidade ampliada, ela passou a vender a galera da arte, artes de realidade ampliada. Então, por exemplo, tinha um cara que fazia ali na, na, na Ipanema, né, no Arpoador, tinha uma pequena praça, uma pequena retona que você volta quando você tá andando de bicicleta. E se você clicasse lá no Google Maps, né, lá tivesse lá e logasse, né, no software do cara, você via uma estátua gigantesca que o cara colocou lá, que com umas bocas e umas coisas se mexendo, que você só via se você ficasse com o teu telefone girando em volta dela.
Ela fica estática como se fosse a tua, você olhando. E aquilo foi o mais próximo que eu vi de um compartilhamento de uma ideia que seria vista por todo mundo.
Você não tinha um QR code ou algo parecido?
Não, você tinha que logar no programinha dele, né, que é o que faz essa leitura, né, com a referência que ele colocava lá. E eu acho que isso existe até hoje, tem vários lugares, várias artes dessas virtuais por aí. E cara, eu achei aquilo assim fenomenal.
Agora, eu tenho muito medo da questão do acessório, porque cara, é, tem um cara que não volta, ele vai, pô, que é muito melhor do que o que eu tenho, eu só vou voltar.
A gente tem o joguismo hoje. É, e aí a gente tem que fazer uma autocrítica, né? Não existe ética e nem moral no jogo, né? Isso é uma questão que tá no Huizinga. Quem estuda a teoria dos jogos aí, Kate Sale, Eric Zimmerman, todo mundo chega à mesma conclusão. Então, como o jogo não é ético, quem faz ele ético é você, a partir das suas construções pessoais e coisa e tal. É, nós percebemos pelos mods para onde vai a cabeça da molecada.
E eu não tô falando só de molecada, molecada não, porque a gente sabe que tem muito grognarde, muito cara velho aí com umas ideias bem, meio bizarras. Então eu tenho medo, na verdade, né? Primeiro desse escapismo que vai fazer o cara morrer sem comer e sem viver, jogado naquela realidade virtual, como a gente vê naquele filme maravilhoso, Strange Days, Estranhos Prazeres, traduzindo Você Português, é um dos melhores filmes de terror.
O cara controla uma pessoa, ele, esse daí eu acho que não é um que ele, o cara trafica sensações gravadas em vídeo.
Fantástico, meu amigo.
Aquilo ali, cara, na hora você já pensa, vai ter tráfico disso, vai ter um matando o outro para gravar o momento da morte para vender a sensação do cara.
Mas não tem como escapar disso, né, cara?
Mas isso foge.
Eu lembro de uma conversa com um amigo meu em 2002, 2003, eu tava no centro da cidade pagar meu aluguel.
Isso porque a gente tá falando de história de jogo de RPG, mas vamos lá.
Pois é, e eu discuti com ele esse negócio de respeito de realidade virtual e tudo mais, tal, tem 20, mais de 20 anos isso. Eu falei assim, cara, imagina o seguinte, eu chego em casa, né, eu quero chegar na casa da minha infância que não existe mais. Ele teve lá onde eu morava ainda na criança, hoje em dia existe um posto de gasolina, minha casa foi derrubada, né. Então eu vou ter a casa da minha infância, eu vou chegar lá, vai estar meu pai, minha mãe, minha avó, e eu vou sentar no sofá, vou tomar um café, vou ligar a televisão, vai aparecer o café.
Mas mesmo, exatamente, entendeu?
E assim, quando essa tecnologia estiver disponível, se eu estiver aqui vivo ainda, eu vou embarcar nela, vou, porque eu quero ter essa experiência. Muita gente vai fazer o que o Luciano falou, vai, vai embarcar ali mesmo e não volta mais, porque esse mundo aqui não é, não é igual. Eu acho assim, o mundo que nos cerca eu acho maravilhoso, mas a percepção do mundo não é igual para todo mundo, né? Então tem gente que vai olhar assim, ah, pô, eu vivo aqui uma vida cinza que eu posso, meu caso, eu posso voar.
Quer dizer, minha vida não é cinza, mas eu tenho um sonho de voar lá. Eu vou poder voar, vou poder, porra, você vai querer comparar? Como se você vivesse eternamente num parque de diversões e passava o dia pegando, eu quero ir para Terra-média.
Você pode, você tá lá, entendeu?
Eu quero ser um elfo em Valfenda.
Tá bom, você agora é um elfo.
Vou montar no facho de sombra. Ou por exemplo, meu carro é o Tornado.
Por que Tornado?
Porque desde criança sou fã do Zorro. Então quando criança eu tinha um sonho: eu vou ter uma bicicleta e vou bater de Tornado. Tinha bicicleta, não batizei, virou o carro, virou Tornado também. Passado um tempo eu serrei a bicicleta, fiz um baseco, ela pintei de preto, aí virou Tornado, né? Quando eu comprei um carro eu tinha 3 possibilidades. Se eu comprasse um Opala, que é um carro muito antigo, pretão, ele ia ser o Batmóvel.
Se eu comprasse um Citroën 14 ligeiro, que é tempo da guerra, é um Calembec, ele seria o Beleza Negra. Se eu comprasse outro carro qualquer e fosse preto, seria o Tornado. Então eu consegui a terceira opção. Então eu tô realizando no meu dia a dia um sonho de infância, é uma brincadeira minha comigo mesmo. Imagina se eu posso criar o meu playground, quer dizer, o meu playground criativo eu tenho desde 1969, que é o Fotopunk. Imagina eu poder compartilhar com outras pessoas viver ali dentro. Você acha que eu não vou querer, cara?
Eu me lembro que tinha uma pegada, era Minecraft, você criava, aí você convidava a galera para ir no seu servidor. E aí você, eu ainda me lembro disso, era muito bom. Você monta o espaço e chama a galera, né? É, foi o mais próximo que eu vi disso, né? A galera, a galera produzia o mundo e depois convidava você. Acho que o Terraria também dá para fazer, o Second Life, né? Second Life, cara, é tão assustadora essa coisa do mundo virtual.
E talvez seja para onde o RPG esteja indo, né, muito diferente desse clássico que a gente ama. É que eu descobri que tinha um casal no norte da Europa que eles viviam numa casa absurda, tinha uma qualidade de vida incrível, e eles tinham uma loja de roupa virtual do Second Life.
Cara, no começo do Second Life era surreal.
Até hoje tem.
Eu conheço um cara que Já tem.
Eu conheço um cara que ele faz móveis para o Second Life, mais de R$10 mil por mês vendendo móveis. Ele modela móvel de qualidade bacana. É surreal, é surreal. Movia. Agora não sei como é que tá em termos de economia, porque diminuiu muita gente, né? Mas movia sua economia monstro, cara.
Monstro. Porque modelo híbrido, a gente já tem muita coisa rodando hoje com os óculos. Por exemplo, o óculos do Meta, do realidade virtual, você consegue fazer uma mesa de RPG numa realidade aumentada. Tem o tal do, já viu o Demio? Que ele é, ele é um híbrido de RPG e jogo de tabuleiro, que você vai jogar com os teus amigos online, mas o tabuleiro tá ali na tua frente, misturado com o teu quarto que você tá. E aí você pega um dado que você acha que tá na tua mão, ele aparece digital ali, e você joga ele na mesa, ele vai rolando. Se a tua mesa não for grande, ele cai no chão.
Cara, conheço isso.
É assim, é de explodir cabeça.
Esse é o que usa os marcadores para gerar imagem?
Eu não, não, acho que não chega nem a gerar.
O Meta, que é o seguinte, você tem os marcadores, você tem um card, você tem seus cardzinhos. Mas é um negócio que lembro que a coisa de repente o princípio é o mesmo. Você coloca, né, quando você lê pelo AR você vê o que tá ali marcado, né? O lance do mapa, do mapa do dado, você pode botar na tua mão e fazer assim.
A Sony lançou Aí tu tens miniaturas, cara, você vai com a tua mão, você pega a miniatura e coloca no cara.
Mas calma, pera aí, e não tem uma luva, não tem nada?
Não, não tem. Ele reconhece pela câmera, pela câmera do óculos do Meta, ele vê a tua mão real.
Como é que é o nome disso?
Demio, D-E-M-I-O. Procura. Ele ainda tem muita cara de board game, mas aqui é tipo um Gloomhaven da vida, né? Um Dungeon Crawler mesmo. Mas aqui, ó, tem umas cartinhas de ação, né, que você faz assim com a tua mão para ver as cartas, aí tu joga, aí pega a miniatura, mexe, rola o dado na tabuleira.
Talvez isso seja interessante assim, mas não conheço, mas já tô assim achando a ideia muito, muito interessante. Eu ainda sou do analógico, eu gosto analógico. Tem uma galera que odeia falar isso, né, eu sou do jogo físico, né. É porque tem uma galera que briga por causa da TV analógica, que era digital, mas é analógica também. Mas é uma discussão que eu acho que é uma não problema, né? Mas enfim, é por conta justamente da questão das miniaturas, né?
É, nos anos 90, eu, Santos tinha, quer ser Santos não, né? Vamos ser honestos, todas as grandes capitais, né, o Sudeste na verdade tinha um movimento muito grande, né? Porque Plano Real, né, que saiu do Itamar para o Fernando Henrique e se popularizou e funcionou. O Santos era um dos maiores portos da América Latina, recebia muito, muito material importado. E você tinha a Latim, Associação dos DJs de RPG, a Bate-Caverna e o Universo Paralelo, né?
Inclusive, um abraço muito grande para a galera do Universo Paralelo, eu amo e ainda lido com eles até hoje. Na Universo Paralelo eu comprei as primeiras miniaturas de chumbo, que era um recast de peças da Games Workshop, elfos, trolls, não sei o quê. Inclusive tô na minha coleção até hoje. E cara, primeiro era muito caro, na época eram R$6. R$6, cara, uma miniatura era muito dinheiro, né? Para época, hoje se o miniatura tá R$12, na época custava uns R$20, R$30 cada miniatura, sabe?
Assim, trocando, né, em moeda. É recast, recast, mas eram excelentes. Eu tenho elas até hoje, inclusive elas se misturam com a minha caixa original do Warhammer, né, do Warhammer Fantasy. E a primeira vez que o Luciano de 16 anos baixou a cabeça no nível da mesa para ver os prédios em miniatura com as miniaturas representando o mundo que a gente tinha imaginado, eu falei, cara, e aí tinha umas coisas que era line of sight, né, a tua linha de visada, você tinha cobertura.
E aí é que eu comecei a entender que aqueles termos do livro de regras faziam mais sentido por causa daquele jogo do americano do wargame, né, clássico.
É por isso que quando a galera vem naquele lance de, ah, pô, a gente até teve episódio aqui que a gente discutiu isso com o Diego Bacinello, né, que defende o teatro da mente e tal. Eu falo, cara, ter a miniatura da mesa ela não me tira a imersão, ela para mim ela auxilia Exatamente. Em como eu vou conseguir imaginar aquela situação acontecendo?
É, eu acho que a gente pode, né, trabalhar que nem o Kant fez com racionalismo e empirismo. Os dois vão funcionar. É, porque eu acho que é assim, você às vezes tem a sua ação limitada pelo que você tá vendo na mesa. Por exemplo, uma vez eu fiz um negócio bobo, cara. Tinha um buraco que a galera não conseguia pular e tinha uma mesa no salão que eu tinha descrito, né, com tamanho maior do que o buraco. Cara, era pegar a mesa de madeira, jogar naquele buraco e atravessar como uma ponte.
Mas ninguém pensou nisso. E eu falo assim, não é porque estão olhando para as miniaturas em vez de pensar no que tá acontecendo, né? Então, por que que eu não concordo muito com essa coisa do chato de mente ser a coisa final? Porque, cara, é uma peça que você produziu, cara. Você materializou uma ideia. Quando eu comecei a fazer faculdade, né, minha primeira ideia foi fazer design, porque eu nunca entendi a arte pela arte, né?
Hoje eu mudei de ideia radicalmente, mas enfim, é porque você tinha como pegar a arte e dar sentido a ela. Eu ia criar um elemento gráfico, eu ia transformar arte em informação. E isso é materializar uma ideia, é um conceito radical para mim até hoje. Por isso que eu acho que a impressora 3D é um negócio absurdo. Quando eu fiz uma torre, quando eu fiz um muro, quando eu fiz uma e eu botei aquilo na mesa, é a visão do Luciano daquele mundo, é a minha árvore.
Eu pensei nela assim, cara. Então isso tem um, agrega um valor emocional, né, enfim, e criativo para mesa muito grande. Agora concordo que, cara, teve uma vez que a gente fez uma viagem, né, essa Universo Paralelo nos anos 90 tinha um dono que era o Maurice, era ele e a Ana Lua. E o Maurice chamou a gente para jogar Warhammer. Foi a primeira vez que eu joguei Warhammer Fantasy, me apaixonei pela primeira edição. E cara, ele criou uma aventura que a gente tinha que fazer a escolta de uma princesa lá nos reinos, né, entre Bretônia.
Tem uma série de pequenos reinos que eu lembro, uma França medieval, né. E aí a princesa era muito assanhada e ela acaba tentando conquistar um dos personagens do jogo. E a gente ficava numa saia justa porque ela era uma princesa. Ai da gente se tocasse na garota! Então foi uma aventura inteira que não teria acontecido numa mesa de miniatura, sabe? Não era espaço para aquilo. Então assim, o teatro da mente, na minha opinião, é isso.
Tem jogo que vai ser muito legal, vai ser o teatro da mente, concordo plenamente. Nossa, imaginação, eu descrever um cenário e você ter a capacidade, né, se você não tem a fantasia de imaginar aquele cenário.
Mas eu também acho que é totalmente válido você criar uma Eu acho que um não eclipsa o outro, dá para você usar os dois na mesma aventura perfeitamente.
Uma mesa você tem gente de todo tipo, você tem gente, eu por exemplo, por causa da minha condição, eu tenho hiperfantasia. Então, ah, e tem pessoas que têm o oposto, que é a fantasia. Eu conheci um rapaz que a gente, músico, cacete, artista, e eu falei, pô, vamos jogar RPG. Ele falou assim, um dia ele falou assim, eu não posso jogar RPG. Porque, cara, eu não consigo imaginar. Você descreve as coisas, eu não consigo ver. Falei, caraca, maluco, isso existe.
Tive uma vez um aluno do curso de games que eu dava aula, que conversando com o cara, disciplinar de level design, mandei a galera fazer o espaço lá e tal, projetar coisa básica para nego se entrosar os grupos, né, e tal. Depois tiver aprimorando. O menino falou assim, professor, eu não sei imaginar. O que é imaginar, cara? Caramba, tu imagina o cara que tá no ensino superior, no curso de jogos digitais, né, games, game design, e o cara não sabe imaginar.
Minha vontade era pular pela janela, sair voando e não voltar nunca mais. Falei, cara, isso não existe, né? Na época eu não tinha essa noção, tem sei lá 15 anos, né? Eu não tinha essa noção da coisa. Então um cenário em que você tem na mesa pessoas diferentes, você ter o teatro na mente funciona para cacete, você ter a coisa concreta funciona pra cacete fazer coisas como eu gostava de fazer, tocar música.
Exato.
Sente esse cheiro aqui, fecha os olhos, passa a mão nisso aqui, ó.
E é uma coisa, a torre de pedra, passa a mão aqui.
É isso aqui, ó, entendeu?
Tem um RPG que eu amo, é que é o Nephilim. E o Nephilim, ele tem uma parada chamada retrato chinês. E retrato chinês é usado em muitos jogos, que é o quê? Ao descrever o personagem e ao descrever os tipos de personagem, você tinha um cheiro, uma cor, uma rua, não Cara, você imaginava o personagem tridimensionalmente, era um negócio inacreditável. E aí entra, talvez concordando com o teu amigo que falou, o Diego Bacinello. Então é quando o jogo é criado para não ter o dispositivo.
Por exemplo, Nobilis, né, ele é um jogo onde você é um deus, cara, literalmente você pode rachar o planeta com um soco, não tem combate, cara. Você me desculpa, não tem. Não tira miniatura, não sabe, não existe necessidade disso. É teatralmente o tempo todo. Vampiro, eu acho difícil, a não ser em alguns casos, né, que a galera ainda joga aqueles supers com presas dos anos 90, é você precisar de miniatura para o jogo de vampiro.
Mas é que eu acho que casa sempre, até com o meio termo. Aí aproveitando aqui, já vou fazer o gancho do nosso último parceiro, a Celestian Geek, Que eles produzem, né, arena de dados, bandeja, torre de dados, uma qualidade impressionante. Estava até no DOF quando eu conheci eles, em MDF, e assim, preço muito acessível. Às vezes a gente fala que, pô, tem a galera que tem a cultura maker, o cara consegue fazer, mas tem gente que não. Eu tenho dor na mão esquerda, eu não consigo produzir nada manual.
Se for canhoto não tem problema.
É, então, e sendo destro, né, Esse que é o problema. Então eles têm materiais de excelente qualidade, excelente preço. Por exemplo, torre de dados, bandeja de dados, menos de R$30, né? É um preço muito bom para você colocar o próprio na mesa. E são o tipo de materiais que, por exemplo, você tem um jogo que não é, não tem combate tático, não estamos falando de D&D que você tem que contar, olha, você tem 30 pés da tua corrida. Não, é, mas você tem uma torre de dados e uma bandeja na mesa, você pega o D6 e fala, olha, você tá aqui, essa torre de dados você imagina que é a muralha do castelo onde tá o arqueiro.
Aí é isso aí, os grids que você monta. E aí você, perfeito, cara, você não tem a necessidade de ter uma miniatura e fazer algo tático, mas a representação física ali para você ter o visual, para você ter a noção de se é muito alto, se não é tão alto, Porque se você só descreve, você fala, olha, tem uma muralha alta. Eu, pra mim, o alto pode ser 5 metros, pra ele o alto pode ser 50 metros. E aí fica nessa de cada um tá imaginando uma coisa diferente.
Se você tem algum referencial físico na mesa que você consiga botar um elemento visual, eu acho que já você aumenta essa, pra mim até, essa parte de conseguir que todos na mesa estejam imaginando a mesma coisa.
Mesma coisa.
Porque quando fica só na narração, só no verbal, chega uma hora o cara, você fala, pô, não, então eu vou escalar o muro. Fala, mas como assim? O muro tinha 500 metros. Eu falei, ah não, eu não achei que tinha 500 metros, mentiu uns 5.
Celestia Geek, o nome da empresa. Cara, eu vou te falar, esses dice trays, cara, e as dice towers assim, é para organizar uma mesa. Por exemplo, eu uso muita miniatura, é legal ver o dado rolando pela mesa, mas cara, tem que ter o da Stray tem que ter uma torrezinha, porque, cara, às vezes você tá montou todo o trabalho para montar um esquema ali com as miniaturas, o cara vai lá, joga da cara, derruba tudo, perdeu a marcação onde era para estar.
E é muito legal você ter um produto que é produzido pela galera que tá inserida, né, cara? Porque às vezes você pega o material industrial e não te atende como aquele cara que saca. Ó, tem o cara que tem a mesa menor, o da Stray é pequenininho, pô. Uma torrezinha menor que é individual para os jogadores. Eu acho isso muito interessante, muito legal.
Ele é bem trabalhado, é o que você falou. Eles têm Dice Traders pequenos para ser o individual, tem a arena dele, que arena de dragão, que é a maior de todas, que você pode colocar no centro da mesa. E aquilo, você jogar numa mesa física, mesmo que você nem vá usar a miniatura para um combate tático, mas cara, você chegar numa mesa que tem a bandeja de dados, a mesa tá arrumada, você pensar no próprio, que você falou, um pergaminho que você faz com um papel queimado, uma borra de café para dar aquela cor.
Eu, para mim, tá inserido no hobby tanto quanto a narração, tanto quanto a descrição verbal. Esses elementos que você coloca, para mim, faz muito parte do jogo.
A galera, a galera assim, antigamente, né, quer dizer, antigamente, não sei como é que tem uns RPGs hoje, Eu não vejo muito isso nos RPG contemporâneos. Você tinha coisas do tipo acendo incenso, é, olha, o Vampiro à Máscara, o segunda edição, para mim é um exemplo clássico disso. Você vai no fundo dele, tem as referências, o que que você poderia utilizar na sua mesa de vampiro para aumentar a imersão. Aí tem lá o Carmina Burana que todo mundo colocou durante anos, né? Ainda bem que a galera era do Midnight Syndicate apareceu e outras galeras.
O Caminho do Branco do Excalibur, cara. Quando eu vi a cena do Excalibur tocando, nossa, toda minha mesa quebrou.
Eu assisti uma hora do Caminho do Branco. A gente decorou o latim do Ó Fortuna, Bela Luna. Enfim, você tinha outras coisas. Por exemplo, eu fui descobrir Near Dark, que é um filme, né, por uma produtora, né, uma diretora americana que antecedeu, cara, ele deveria ter antecedido O Garoto Perdidos. E ele traz uma coisa que eu não sabia: o gótico-punk que é apresentado no vampiro, ele vem de uma mudança do vampiro aristocrático do Drácula, né, para esse novo cara que é contemporâneo, que é moderno, que tem problemas psicológicos.
É um vampiro que tem uma outra relação com a realidade, né. E o Near Dark e o Garotos Perdidos apareciam como referencial ali dentro, né? Então hoje eu não sei como é que tá isso. Então na época desse tudo que a gente tá trazendo aqui sobre imersão, sobre tá na mesa, sobre, cara, tinha um jogo que eu amava de computador chamado Dungeon Keeper. Você era um cara malvado que administrava uma dungeon, que você bota os monstros para pegar os aventureiros, e às vezes você pode usar uma magia para entrar monstro ia andar pela sua dungeon que você fazia, era muito legal.
E ele, o CD, você podia ouvir no rádio pulando a primeira faixa porque era uma estática absurda. Meu irmão, eu botava aquilo, eu mestrei Ravenloft de 98 até eu casar, 2000 e pouco, e eu botava aquilo, a galera era automático, todo mundo entrava no clima na mesa quando começava a ouvir.
Era o First Quest que vinha com CD também.
Português também era na época, virou uma febre inteirinha no YouTube, tem muito tempo já.
Tem inclusive no documentário The Fantasy Factory, onde a galera tá falando sobre a TSR, aparece a narração em português e a galera nas descrições falando, é, hello from Brazil, não sei o quê, comentando que tem narrativa em português no evento. É muito legal, né? Então assim, é mais uma vez assim, o jogo nesse momento ele tá sendo uma plataforma para um universo cultural mais amplo, né? É realmente comida. Eu me lembro que um dos garpes falava: separa o lanche tal, queijo com não sei o quê.
Então assim, era muito mais que só sentar na mesa e jogar os dados. É essa coisa que a gente tenta criar hoje, botar o DPS3, botar, fazer os cenários, né? Isso fazia parte da cultura do próprio jogo, que o digital tenta emular um pouco, né? Mas que a gente viu aqui como exemplo o Arcanjo falando, poxa, nos estandes que a gente botava miniatura, cenário, não sei o quê, a molecada no estande da própria, da própria Abril Jovem.
Porque isso, cara, a gente desde a época de 90 começou a fazer coleção de dados. Dado. Coleção de dado virtual não faz sentido nenhum, não é zero sentido. Mas você vê um dado diferente, de uma cor, você pensa, pô, meu personagem tinha essa paleta de cor, eu quero ter o dado, o kit de dados dele, e colecionar e pegar dado diferente. Assim, virou uma febre, assim, coisas que você vai utilizar na mesa, elementos físicos que você precisa ter.
O próprio livro, cara, você tá numa mesa que você tem o livro ali na hora para você folhear e consultar. Eu falei, eu jogava GURPS, os livros de GURPS eram sempre horrorosos. O GURPS só tinha de bonita a capa, depois dentro dele era uma coisa horrível.
Menos o Cabeção.
É, não é menos, é menos o Cabeção. O Cabeção, coitadinho, é horrível todo, né? Aí alguém chegou com o Manual dos Monstros do AD&D. Pô, tem um livro lindo, tu passava ali, ele 100% colorido, os monstros todos bem ilustrados. E tal, era de explodir cabeça. Aí você bota na tua mesa de jogo um livro desse do AD&D, pô, é outra coisa.
Se foi 95, se foi 98 que eu vi a primeira, a primeira que eu vi, a enciclopédia, eu não sabia nem que existia. Quando eu abri, eu fiquei doido, doido. Só que era caro para cacete.
Eu tenho lá, cara, é um livro assim, eu vou te falar, eu ia falar isso agora porque você deu um gatilho aqui quando você falou dessas coisas antigas. Abri o Jovem Um dos motivos pelos quais o final do ano 90, início dos anos 2000, também a gente viu uma sumida do RPG, que é uma coisa que o Marcelo Rodrigues fala muito quando ele tá reunido com a galera, é o seguinte: a Abril Jovem achou que ia poder vender RPG em banca de jornal.
Cara, o D&D faliu, Abril Jovem, né? Essa é a discussão que rola, o comentário que rola, né, no meio, porque a gente literalmente tinha um blister na banca de jornal que vinha um Spellfire, é, o plástico com o kit de Forgotten Realms, por exemplo, né, depois que você comprava os livros básicos. E isso não era uma realidade. Eu entendo que o brasileiro ia jogar, a gente ia criar o mercado, mas você não podia fazer assim, né, de uma hora para outra.
R$39 o livro, cara, sei lá, dava uns 400 conto hoje. É R$39, R$38 cada livro. Então era uma loucura.
Eu lembro que era por aí, porque o Gurps era 29 e pouco.
E aí, o moleque... Só que os Gurps vinha o saco plástico, os dados e aquele kit do mestre com o escudo.
Cara, todo mundo comprava aquilo, cara. É igual, por exemplo, quando a gente comprou o Gurps Supras, vinha o Gurps Supras, os dados e daí vinha o módulo Carta Selvagem.
E tinha isso, e tinha o pôster daquela cena.
É, o pôster vinha com o pôster.
Cara, em Santos nesse momento tem a banca do Paulinho, né. A gente sempre vai ter essas bancas aqui no no, no, no, em cada cidade, né? E ele foi um dos pioneiros. Eu me lembro que quando juntei meu primeiro salariozinho, era boy numa imobiliária chamada Ferreira Dunê, lá em Santos, eu fui no Paulinho. Eu fui no Paulinho para comprar o D&D Caixa Preta, porque era RPG, e eu tinha o Dragon Quest, né? Eu já conhecia o tipo de jogo.
Aí eu virei e falei, pô, Paulinho, eu tô querendo comprar o jogo não sei o quê. Tinha acabado de sair o Dragon Quest, tinha acabado de sair o GURPS Preto, o 2ª edição, não sei Primeira edição, que era linda, daquela caixa preta com dragão. Ele virou e falou, cara, você vai economizar um pouco em relação à caixa e você ainda vai ter mais jogo aqui. Você sabe ler bem? Eu falei, eu achei um pouco bizarro de perguntar aquilo, né, um adolescente.
Eu falei, não, leio sim, cara, não sei o quê. Então leva esse daqui que é mais jogo, cara. Eu me lembro que eu trabalhava no estoque da minha tia, né, é para ajudar ela, e eu deitava sobre as roupas e eu sonhava de noite com texto de tanto tempo tempo que eu passava lendo aquilo, cara, era uma loucura, né? Então assim, voltou na vaca fria, né? O RPG sofreu um pouco porque os, os, as editoras, as livrarias passaram a ver o RPG como encalhe.
É isso, teve muito. E depois é impressionante porque nessa época que a gente achou que ia explodir de vez com a entrada da Abril, Ediouro e tudo mais, e falou, eu vou numa na Saraiva, eu vou na qualquer livraria que seja, né, e vai ter livro de RPG lá. E não foi a realidade assim, a gente não conseguiu encontrar. É por isso que eu acho que depois, na década, quando entra 2010, 2012, que a mulher, quem era molecada na década de 90, que falou, não, pô, eu joguei lá na época, e aí eu quero trabalhar com isso, e decidi abrir essas editoras mais novas.
Retropunk, New Order. E aí vão para esse modelo de buscar livros que talvez eles quiseram ter, que na época não tinha, não tinha saído. Eu falo, pô, vou bater na porta dos cara lá de fora, falar, pô, quanto é que é essa licença aí? Quanto é que custa? Como é que eu faço para levar? E aí calhou de ter a possibilidade da ferramenta de financiamento coletivo também, que era aquilo, é uma aposta, eu não tenho dinheiro para produzir uma tiragem de 1.000, 2.000 livros.
Ou seja, vou fazer uma tiragem realista, é, com que eu vá conseguir vender.
Porque a galera falava, cara, década de 90, sei lá, chegou uma época que os cara foram imprimir 10.000, era de 10.000 para 10.000. Fala, cara, para tu gerar um estoque desse vai levar muito tempo, cara.
Você falou preço R$39, né? Eu também escutei essa história de que o o ADID, perdão, ele ajudou a falir a Abril. Sei, porque ela competia querendo botar, de repente, na banca esse preço. Aí você tinha, eu fui ver aqui o preço que eu não lembrava mais, obviamente, né? Você quer, era minha revista da época, R$4, de R$4 para R$39. Se eu meto uma aventura aqui dentro, pronto. O que que você acha que vai acontecer, né? E quem é que fez isso durante 15 anos?
A Dragão Brasil criou um cenário, só aventuras, né?
Agora, mas eu e o próprio Tormenta ali dentro, o 3DT, que como defensores de Tóquio, é dentro da revista.
Eu ia fazer isso aqui, a coisa só não andou porque é o seguinte: abriu, fez aposta no melhor de todos, né? Só que uma questão de venda equivocada. Aqui a venda tava correta, o foco era revista e livrarias e o RPG. Só tinha um problema, o principal produto tudo era Cyberpunk e o pessoal não jogava Cyberpunk. Eu amo Shadowrun, né? Se tivesse ficado, se eles tivessem feito para o MERP uma coisa mais intensa, né, de trabalhar mais o MERP, porque o MERP tinha a caixa básica, tinha acho que 3 livros-jogos, se eu não me engano.
Sim, né? Então se tivesse tido mais investimento nesse, a conta teria seguido, porque o Shadowrun saiu com o livro básico E saiu com 3 ou 4 romances que não faça contas com dragão.
Exatamente, né?
Só que é cyberpunk. Aquela época não era cyberpunk, era fantasia, né?
Então eu senti falta nos anos 90, né? Início dos anos 2000, primeiro ficção científica no Brasil, né? Inclusive me lembro que o Amésio, começando ainda, chegou lá no evento que a gente fazia na Ponte HQ, né? O Sai da Masmorra, perguntando Poxa, Luciano, e aí, cara, que que você acha que a gente publicaria? Não sei o quê. Eu não sei se ele tava para negociar ainda no Menera, eu não sei como é que era o esquema. Eu falei, cara, ficção, porque a gente teve o— meu Deus do céu, a gente acabou de falar nele, do Igor, né?
A gente nunca teve o Traveler aqui.
Pois é, não veio, né? Aí você tem o Star Wars, que, né, assim A galera jogava em inglês, jogou muito aquele D6, vai vir muito daquele D6 rodando por aí nos anos 90, que era o do West End. É, exatamente, do West End, cara. Aquilo dali para mim ainda é um dos, assim, eu gosto muito do Saga, mas o do West End é, então foi uma coisa que não teve. Inclusive vamos ver, né, é o Interestelar tá circulando, e a gente tem essa ideia do Milena também, porque eu acho que a gente precisa também dessa, desse revigorar, né, essa, essa coisa.
Apesar de ter o Stylander, que é muito bom, né, e a gente tem umas outras publicações. Então eu senti falta de mesa disso, de cyberpunk, de Shadowrun, porque, cara, o conceito é isso que eu falo assim, existe alguns jogos que eles são disruptores. Primeiro, quando eu larguei o escudo e a espada para abrir um livro para jogar Call of Cthulhu, eu jogava com professor com historiador, com antiquário. É, cara, foi surreal. E o pior, era muito divertido.
Depois Cyberpunk, que pegou aquele Cyberpunk, o Shadowrun, que pegou aquele mundo do Gibson, pegou aquela Night City que vai estar sempre na minha memória, maravilhosa. Mas, cara, tinha elfo e dragão, dragão comandando cidade.
Discurso pôde trazer a transformação da humanidade. Sim, que era humano se transformaram.
E outra é a questão do sobrenatural, né?
Como é que ele nasce?
A questão do vulcão, do indígena lá falando que aconteceu com isso. Então assim, aquilo ali fez um, abriu um leque de você, porque você fica limitado ao que lhe apresentam, né? Ele falou, não, imagina mais, cara, imagina Imagina mais, imagina mais. Então assim, sabe, Shadowrun, Vampiro. Vampiro, cara, ele introduziu uma coisa que sempre foi um problema. Como eu disse, né, o jogo não é moral nem ético. Você reproduz toda uma perspectiva colonial quando você joga o jogo de fantasia clássico.
É entrar, matar, pilhar e sair de lá com o que você conseguiu, né? A gente aqui na América do Sul viu muito isso. Então quando Vampiro Monroe entrou, o cara colocou uma coisa simples lá que mudou tudo: humanidade. Humanidade, amigão. Você pode morrer sendo fuzilado, queimado, estacado, pode. Mas não, você vai perder o seu personagem se você perder a sua humanidade. Então ele abriu uma discussão sobre o que é ser humano, é questões éticas que transformaram o jogo numa outra.
A gente sabe de todos os problemas que vampiro, né, né, segunda edição teve, a forma como a galera jogou. Mas não importa, porque essa mudança de conceito, né, foi disruptiva, né. E aí depois você vai ter outros, né, jogos assim. Mas só para lembrar disso que tava surgindo na época, que mudou a perspectiva dos jogos, né, do mercado, da forma de jogar também, né, que se deram nesse momento, né.
É, e mercado também tem uma coisa que eu vejo muito diferente daquela época e de agora, Até na questão de como trabalhar comunidade, porque década de 90, o que você falou, a gente tinha GURPS, os nacionais, né, Tagmas, Filhos Bandeirantes. Mas aí a gente vai ter de Green World GURPS, Vampire e o AD&D do D&D chegando. As opções eram essas. Todos os grupos que jogassem, eles tinham que jogar esses jogos. Se a gente corta para hoje, a quantidade de jogo que existe é absurdo, é absurdo.
Então eu vejo que hoje, por exemplo, é muito mais difícil você trabalhar comunidade agora do que trabalhar antigamente. Você, sei lá, devia fazer uma campanha num evento para ter mais jogador de GURPS, deveria ser naquela época mais fácil do que hoje você pensar, sei lá, pegar qualquer editora dessas, New Order, Luz Negra, RPG Conórdia, qualquer uma dessas nomes, que ela vai lançar um jogo. E como é que ela transforma essa galera em jogadores no jogo dela?
Porque o cara vai, não, pô, eu já tenho, eu tenho 40 jogos na minha estante, eu posso colocar mais um jogo lá que vai ficar só na coleção, ele não vai ver mesa. Como é que você trabalhar um cara agora para ele ser o jogador do teu jogo, criar uma comunidade dele?
Eu acho mais difícil começar a desenvolver um projeto para crianças e jovens neurodivergentes. Contempla isso aí. Eu preciso criar uma comunidade, eu preciso pegar gente que é diferente, né, e botar para trabalhar junto. Preciso pegar gente que tem neurodiferenças, mas não se entende. Eu também não me entendia, né. Como é que eu pego esse pessoal todo, faço eles começarem a se entender e faço criar um senso de comunidade? Eu tenho que criar uma, um ecossistema Parte desse ecossistema tem a ver o quê?
Já que a gente tá falando de jogo aqui, um jogo que seja proprietário para aquilo ali. Então eu faço um evento, eu lanço um livro-jogo, eu faço uma minissérie, uma novelinha vertical e tal. Você cria uma série de produtos correlatos que você puxa para o que você quer. Eu acho que isso que uma editora precisa fazer.
Eu iria para o lado desse espaço, como a gente tá aqui agora. Né? Eu acho que hoje os formadores de opinião são os que mais têm poder de alcance, né? Quantas pessoas seguem o PNP? Vocês têm noção hoje, mais ou menos?
É, no YouTube 20 mil, no Instagram tem quase 700.
Entregar para 10% disso, 2 mil pessoas, né, só no YouTube, são 2 mil livros se a galera quiser jogar realmente aquilo, né? Ou seja, o poder que você tem né, o que os influenciadores têm. Eu acho que inclusive, acho que isso foi um movimento que as editoras começaram a fazer, né, ir para essa galera.
É, acho que talvez até o Ordem Paranormal do Cellbit, que viu muito jogo agora de influenciador.
Pois é, né, foi uma olhada, foi uma jogada que a Jambô teve, né. Então eu acho que isso transforma, permite talvez, né, dessa possibilidade da galera tá jogando É, e cara, é a mesma coisa que eu falei para o Tácio lá em 2003. Eu falei, cara, hobby game tem que ver mesa.
Sim, sim.
Então, cara, você vai ter que pegar uma galera, falar, galera, vamos jogar o meu jogo, toma aqui a camisa, ó, a gente vai pagar para vocês irem para tal lugar mostrar o nosso jogo. Uma galera, claro, né, que esteja capacitada, que conheça o seu jogo, que consiga transportar aquela experiência, né, potencializar, porque como diz o Jean Violle, o que é lúdico para mim pode não ser lúdico para você. Então você acha que tá conseguindo transferir aquela experiência, não tá, mas você potencializa ela.
Então pegar essa galera e falar, vai, que é o que eu senti que aconteceu um pouco nos anos 90 com os eventos. Mas que hoje, né, não tem jeito, você tem que ir para uma iniciativa RPG, botar a galera lá dentro, você tem que ver, poxa, quem é que tá organizando o jogo aqui, né? Tem uma galera pelo Brasil inteiro fazendo isso, né? O RPG Pará, A galera lá do RPG Cujambu, lá do, tem um grupo organizado. A galera que se reúne na Vaza Barris em Salvador, a galera da Matilha Filhos de Gaia, né?
A galera do D30 que você falou, tem aquela Eternales, tem um pessoal do, aqui do lado de Espírito Santo também que se reúne, Vila do RPG, eu acho. Então o que acontece é ir para essa galera, fala quem é que tá organizando, é você? E aí vamos fazer um evento do meu jogo, né? Ó, toma aqui, vou dar umas cópias para vocês fazerem o sorteio, e vai ter, e vai ter essas mesas aqui, e a gente vai colocar no calendário da editora o seu evento, vai falar, ó, dia tal, no lugar tal tá acontecendo.
Porque eu acho que é a forma que a gente vai conseguir recriar isso, né? Não acredito que não, não a gente consiga fugir do influenciador e da galera que tá organizando os eventos.
É, não tem nem por que fugir, são parceiros que me É, mas é porque eu acho que talvez até a velocidade com que os jogos agora estão chegando aqui dificulta isso, porque como o teu catálogo de jogos ele tá cada vez mais vasto, às vezes você tá lançando um jogo por mês, às vezes tem mês que você tá lançando mais de um jogo. Então para você criar comunidade para mais de um jogo ao mesmo tempo, é, vai ficando mais difícil.
É um produto que você tem que fazer, né? Como é que eu vou criar uma comunidade do meu jogo? Eu tenho que fazer uma série de ações. Por exemplo, isso aqui pouca gente conhece, Era Uma Vez. Isso aqui é uma produção nacional, é um filme de fantasia super divertido, né?
Que o Arthur Uranga, que era o diretor, caraca, ele era cineasta.
Eu lembro quando eu fui assistir com o Arthur uma das últimas vezes Ele tava experimentando Tumbum para fazer animação e tava todo animado. Não, porque o Tumbum, acho que é Tumbum o nome, se eu não me engano, que o Tumbum não sei o quê. Eu falei, pô, que porra é Tumbum esse, né? Eu tava na produtora com outro amigo, eu comecei a conversar com ele, pô, legal e tal, né? Então isso aqui é um livro de fantasia, perdão, filme de fantasia super divertido, né?
Uma coisa até para criança, para adolescente ali e tal, e virou um livro-jogo. Então acontece o quê? Você aqui, cara, se você se identifica com o personagem do filme, aqui tu joga com ele. Ninguém inventou a roda, né? Tolkien, filme do Senhor dos Anéis. Não, pera aí, pera aí, segura. Isso cria comunidade. Cidade do Caos, eu já vi isso aqui em 1990 e bolinha, né? Sei lá, é 90 bolinha, muito divertido. Como é que eu transformo isso aqui numa coisa diferente?
Eu peguei página por página, opção por opção, eu desenhei a dungeon. Nossa, eu fiz aventuras dentro da E ninguém sabia que era aqui, entendeu? É uma forma de você transformar o que existe para criar algum tipo de Black Sand da série Aventuras.
Foi o nosso mundo de RPG que a gente jogava na nossa Terra-média, mas a cidade dos ladrões nossa era Porta Black Sand. A gente usava Dino do Rio.
Esse exemplo que eu já mostrei para vocês aqui, né? A marca Saraiva, perdão, a Bertrand Brasil lançou essa série aqui, eu tinha miniatura. Isso aqui foi inclusive um precursor disso aqui, que a revista que tinha o personagem aqui dentro e tinha miniatura. Na verdade, a miniatura já existia, o cara desenhou, desenhou a história, né? Então isso são formas que você tem de criar comunidade. O cara olha assim, pô, eu sou, eu sou o Frodo, inventando a roda, né?
Eu sou o Frodo, eu vou jogar um Frodo aqui, eu botei a miniatura do Frodo, vai ter a musiquinha do Frodo. E agora, gente, com internet, inteligência artificial, computação gráfica.
O Arcanjo tá trazendo transmídia, né, que é um fenômeno mais, mais comum. Quem deu início a isso foi Star Wars, né? Star Wars lá nos anos 70 começou a vender o action. Inclusive foi uma jogada que o diretor teve, né? O cara hoje tá ótimo, é por isso que é fenômeno, cara. Esqueci o nome do diretor. O George Lucas, ele vai fazer o seguinte: não, eu não quero direito sobre o filme não, eu quero direito sobre o merchan. E na época todo mundo falou assim: ih, otário, perdeu dinheiro, irmão.
Aí saiu action figure, camisa, lençol, frisbee, videogame. Então a transmídia, ela auxilia nisso também, né? Eu fico imaginando, cara, o seguinte: você tá falando aí, eu tenho várias produções, por exemplo, a New Order, né, tá lançando os novos Starfinder, o 2, né? E já tá lançando material nele, já tá financiando outro material, tá lançando um suplemento e tá financiando outro, não é isso? É, mas cara, o cara que for levado a jogar Starfinder já tá de olho no material que você tem.
Ele vai querer, é, entendeu? Teve aquelas, aí tem as aventuras dos PEFs, né? Você quer pegando as aventuras para fazer a tua trilha do nível 1 ao 20 e tal, mas você tem que trazer o cara para ele querer jogar essas aventuras.
É o que eu tô falando, você tem que ter, você tem que estar trabalhando no que o Arcanjo tá falando. Eu vou para o influenciador, vou para o evento e vou fazer uma promoção no meu site. Cara, não dá para se cercar assim. Eu não trabalho com marketing, não sei como é que é o esquema, mas eu acredito, né, que você não consiga fugir desse, desse círculo hoje, né? E eu digo porque a gente, a gente fazia diferença nas lojas que a gente fazia evento.
Eu acho que muito, cara.
O cara ia comigo lá, jogava o 3.0, comprava no Tasso na hora.
É isso, acontece demais em evento.
Tava comigo para jogar o RPG que nunca tinha jogado, ia lá, comprava o set de dados, né? Então assim, uma vez eu me lembro que eu nunca vou me esquecer disso. Tinha acabado, tinham acabado de lançar o Cambly, é o Cobolds Eat My Baby, né, em português, que aquele jogo, meu irmão, eu, cara, eu vou te falar um negócio, não dá, é muito engraçado, mas é muito engraçado. E eu entrei na loja com aquilo sem ninguém saber nada, aí eu comecei a falar falando sobre o Cambly, brincando com a galera.
Olha, os kobolds, cara, eles têm uma taxa de reprodução insultante. Se o kobold morreu, não tem problema, tá vendo essa borracha aqui? Ela é um refazedor de kobold. Você troca o nome, é outro kobold, tá tudo bem. Kobold explode por motivos estranhos, são esmagados por vacas. Só de eu falar isso na galera, a galera já correu lá na estante para pegar o Cambly para levar para o Tarcísio, para a gente fazer a mesa. Então assim, eu, a experiência que eu tenho rotina do, do, de estar no meio é essa.
Você promove uma experiência e a galera vai comprar a ideia ou não, né? Não sei se dá para fugir muito disso. É claro que hoje, como eu falei, você tem os recursos dos influenciadores, você tem essa coisa de você tá, não precisar estar presente. Mas, por exemplo, tô no Espírito Santo, tô na Bahia, quem é a galera que faz evento? É tal. Então vamos utilizar essa galera. Olha quem é o chefe aí? Ai, fulano, fulano. Olha só, tô mandando para para vocês.
Eu me lembro que quando saiu o Dia Internacional do Jogador de Dungeons Dragons, eu fui um dos cadastrados lá na, na, na, na, na Point HQ, cara. A Wizards mandou para mim, cara, não sei quantos kits, porque mesmo era mais de 100 miniaturas. Quando eu falei para os mestres que eles iam ficar com um grupo de miniaturas, ia dar os outros para os jogadores e que a aventura ia ficar com ele, a galera, o olho chegava, brilhava. Porque eu me lembro que nos anos 90 você ia para um evento mestre RPG, você ganhava camisa, lanche e dado.
Né? O meu primeiro evento foi inclusive nos anos 90, no Sesc Embaré, lá em São Paulo, organizado pela Banca do Paulinho, né, lá em Santos. Então era a forma de difusão, e que eu acredito que seja hoje também, que mexe. Não ia querer estar ali para você promover no teu jogo, sabe?
Mas é aquilo, para você ganhar um kit que só vai ter naquele evento, se você não for lá e não registrar lá, não vai existir demais.
Quem é que em Manaus tá fazendo evento, sabe? Quem é que tá em shopping, sabe? Manda um banner para o cara, para o cara colocar lá no evento. Olha, esse evento daqui recebe apoio da New Order, recebe apoio da RPG com Noses, recebe apoio da Luz Negra. Você tá entendendo? Bota essa galera, porque sem ver mesa, cara, teu jogo—
e tem outra coisa também, né, cara? Quando eu fazia Speedpaint na caravana, o pessoal tinha miniaturas, né? Não era miniatura vagabunda, Legal, você pinta, você sabe, nesse tempo já era com a Bucânia, meus parceiros lá, Bucânia, né?
Diga-se de passagem, também que saudade também.
Nossa, é outra que você vai procurar hoje, você não acha nada, cara, de pegar história. Cadê as miniaturas da Bucânia? A miniatura da IDD, eu acho que até o Arcanjo viu no Iniciativa RPG, no Barraca do Beholder, cara. Tinha lá o setzinho, ele tem duas caixinhas, ele tem duas caixinhas. Eu falei, caraca, Birol, tu tem da IBD e tá misturado aí com as de resina. Eu falo, tira isso, cara, nem pode estar do lado, isso aí tem que estar na moldura, cara.
Isso era para estar no quê, 280?
Não, tem que ser raridade, tem que ser raridade total.
Talvez primeira mão aqui, a gente tá articulando para trazer ele de volta. De volta aí.
Que isso, sensacional! E se tiver uma coisa que eu sinto falta, tem umas empresas que eu sigo, e isso é uma coisa que é cíclica na história do RPG, né, cara? Um negócio muito engraçado, tem uma série de empresas inglesas que estão fazendo moldes, modelos com a cara dos anos 80 e 90. Então você não tem aquela miniatura que é hoje, né, aquela miniatura heroica na escala 32 que o Warhammer popularizou muito, que eu horroroso, né?
Nossa, tem que ter o cenário tamanho de uma casa para poder trabalhar. Não, é aquela de 28 que você tinha da Princesa Augusta, da Cidadela. Exatamente, né? Da Cidadela, coisa e tal. Então assim, eu, se a galera faz isso, ó, vai ser impressão 1:10, né? Claro que não dá para fugir disso, mas a modelagem é como se fosse do nosso. Galera do HeroQuest tem uma das maiores fanbases mudou muito. O que eles produzem, eles chegam ao cúmulo de vender o scan das peças originais.
O cara compra o scanner que tá R$2.000, R$3.000, escaneia a peça, faz o acabamento e vende. E isso virou Warhammer antigas, da Warhammer da década de 80 e 90, peças da TSR que tinha uma empresa americana que eu esqueci o nome agora, além da Halparta, antes da Halparta até, as primeiras peças mesmo, década de 70 e E aí a galera escaneia e tem um comércio, né, paralelo, onde a galera produz essas peças. Então assim, ia ser o bicho, é o bicho, porque é uma proposta diferente, né, cara? Porque essas peças super produzidas a gente já tá cansado de ver, né?
Luciana Arcanjo, assim, eu tenho uma notícia para dar para vocês: esse já é o episódio mais longo do Aventurando.
Em algum momento A gente já passou de 2 horas e tá chegando em 2 horas e meia.
Tá brincando? Não, caramba, já tá dando 2 horas e meia. Eu acho que merece uma parte 2, uma parte 3. A gente tava falando, cara, o meu sonho era fazer— a gente vim resgatando o cenário do RPG nacional, fazendo ano a ano, pegar um 91, que tudo que saiu em 91, que foi publicado, que saiu em mídia, saiu em jornal, E aí, cara, você é um dos poucos consultores.
Eu tenho as matérias de jornal separadas por ano.
Quando eu vi o vídeo você mandando folheto de evento, eu falei, não, você não guardava folheto de evento.
Então ele vai ter na memória bíblica, cara. É, não é no internacional, você comprava, né? Você comprava os pôsteres e as camisas dos anteriores. Cara, eu queria te agradecer muito pelo convite, é muito bom poder estar com esse cara incrível aqui, cara. Cara, que eu admiro demais, assim, é muito bom. Valeu demais. E é isso.
Obrigado, cara, que eu devo vocês terem aceitado, cara. Eu sou fã de vocês dois. E aí dá agora o recado onde é que a galera te encontra. Dungeon 90, cara, você já— se você agora só dá o pause aqui no vídeo, abre outra aba, youtube.com/dungeon90.
Galera, amador, hobby, Mas quem quiser, por favor, vai lá, Rádio 90, a gente fala lá sobre os jogos. E é isso, nas redes é Luciano Bastos. Quiserem, quiserem me encontrar, Facebook, né, Instagram, não tem mistério lá, coloca Luciano Bastos, vão ver minha cara lá cabeluda lá olhando lá para vocês. E é isso aí, gente, eu sou pesquisador da área de jogos e educação. Então assim, quiser trocar uma ideia mesmo sobre a pesquisa, né, não só sobre a história do jogo ou do RPG em cima sobre aplicação do jogo em sala.
Eu sou coautor do livro Jogo Estabelecido na Educação pela Editora Devir, né? Hoje a gente tá, publicou também no Rolê Simpósio, Simpósio de Jogos e Educação. Sou organizador do Simpósio de Educação e RPG lá do Iniciativa RPG. Então quiser me trocar uma ideia, Luciano Bastos, a gente tá aí.
Maravilha! E você, Arcanjo, onde a galera te encontra? Bom saber que já vai ter Dede voltando, né? Quem sabe volta uma outra revista de RPG, a revista digital de RPG.
A questão toda é o seguinte: a gente tem que pensar, se fosse fazer uma revista de RPG digital, é como é que você torna isso uma coisa viável. Porque você, naquela época, não tinha internet, não tinha informação. Então era uma revista de RPG, tinha uma função social muito grande. Hoje em dia, com internet, né? Mas já pediram para eu fazer um remake da Dragão Dourado.
Legal, né?
Vamos ver. E as miniaturas também estão de volta. E quem quiser me procurar, eu tô no Instagram por enquanto como marcos.archanjo, o Arcanjo com CH. Então lá falo dos meus livros, as coisas que eu faço, teatro e tudo mais e tal. E eu tô lançando um projeto, ele tá ainda na fase embrionária, mas já tô postando algumas coisas também no Instagram, que é Eu Sou Neurodiferente, que é voltado para comunidade que tem neurodivergência, altas habilidades, superdotação, transtorno do espectro autista, TDAH, transtorno de ansiedade.
Enfim, eu quero pegar essa galera que é diferente e usar a fantasia. Na verdade, fazendo esse projeto eu fiz na minha sala de aula durante 20 anos e foi me divertir usando RPG, storytelling, cultura maker, música e imaginação e criatividade, tá?
Será que 2026 vai rolar ligação, a gente vai ver o Equinox chegando? Vou ficar na torcida.
Aí tem que chamar.
Vamos lá, vamos jogar o sinal.
Alô?
Tá aqui na capa, o Lúcio, Arcanjo. Vamos lá, todo mundo! Arcanjo, Fiorito, Notelite, Teles e Pereira.
Eduardo Pereira, uma semana dedicado.
O Pereira, a gente, né, nosso amigo partiu, mas outros 4 estão aqui. Então, meus amigos, é o seguinte, só depende de vocês quererem. Os arquivos estão comigo também, a gente pode fazer a coisa acontecer. Quem sabe um financiamento coletivo, né? Olha aí, Equinox, Dois Mundos, Um Destino.
Fantástico! Eu acho que o Pedro Arcanjo tava sondando jogos nacionais pra publicar aí, hein.
Aí, eu tô falando, são os astros ali, cara.
Da família?
É, o New Order, ah é, é, não, Pedro Borges. Pedro Borges, olha aí. Pedro Borges, perdão.
Valeu, obrigado, Luciano.
Um abraço, gente.
Obrigado por assistir.
Valeu, pessoal.
Valeu. Beijo do anjo, valeu.
Tenda Medieval
Espadas, props, canecas, punhais