NELSON COELHO DE CASTRO | MATECAST #210
Neste episódio do MateCast Guri de Uruguaiana bate um papo com o cantor e compositor Nelson Coelho de Castro.
- Corais e Bandas EscolaresCanarinhos do Colégio São João · Orfeão · Banda marcial · Festivais de banda · Influência de Getúlio Vargas e Vila Lobos
- Tendências Musicais e Convergência de GênerosJovem Guarda · Música sacra · Música folclórica brasileira · Samba · Rock · Bossa Nova
- Influência da música popular e consumo de mídiaTransformação pessoal através da música · Amor pela música · Gentileza e arte
- Aprendizado Musical e InfluênciasIvaldo Roque · Jorge Pérez · Música popular brasileira · Música clássica · Jerônimo Jardim · Loma · Iola · Tennyson · Elis Regina
- Influencias Musicais na InfanciaFamília musical · Violino · Gaita de boca · Reuniões familiares com música
- Samba e identidadeFazer samba com respeito · Música popular brasileira · Ivan Lins · Chico Buarque · João Bosco
- Música e a cidade de Porto AlegrePorto Alegre na música · Geografia arquitetônica · Casarios · Cidade Baixa · Edifícios antigos · Arcos
Buena chequetal. Começando mais um MatiQS com o apoio de Vinícola Aurora. Viva o agora. Chimarrão Leão compartilha aquela emoção. E também Nutriri.
O melhor alimento pro teu pet. E hoje, no Matcast de hoje, eu tenho o grande prazer de bater esse papo aqui com esse cantor, compositor, produtor musical, Nelson Coelho de Castro. Ué, que barbaridade! E daí, Xê, esse teu chapéu já faz parte do teu visual, né? É, é uma prótese, né? Um detalhe aqui.
É uma prótese. Chega, me fala, tu é porto-alegrense. Sou porto-alegrense. Sou porto-alegrense de Porto Alegre. Porque tem várias porto-alegrenses que não são de Porto Alegre. Fico aqui sequer em cima, eu fico porto-alegrense. Mas eu sou porto-alegrense de Porto Alegre. Mas tu tem um jeito de ter porto-alegrense nas tuas músicas também. A tua infância, me fala. Foi a tua família musical, né? Minha família é muito musical, assim, dos dois lados. Tanto parte de pai e de mãe. A parte de pai, minha avó tocava violino.
Meu tio tocava gatinha de boca, meu pai tocava gatinha de boca também. E na família do meu pai, sempre em todos os... Passou um DNA maravilhoso que todas as efemédios, assim, aniversário, casamento, qualquer reunião... Tinha música. Passava, se era um churrasco, se era uma festa, o pai terminava a festa e tinha música, tinha um repertório da família que cantava as músicas e que estavam...
A família tinha um repertório E esse DNA passou até hoje A minha família continua musical Meus irmãos, meus sobrinhos Primos A gente se reúne Depois do encontro Rola um sarau Não muito organizado Tudo que vão ser
canções que vão recoludir na hora umas nostálgicas outras no momento antes da gente continuar eu vou chamar o Licuro aqui porque ele está ansioso que tu vinha aqui porque ele quer tirar um retrato uma coleção de selfies todas as celebridades que vêm ele quer tirar um retrato aí já vai publicar tu publica lá no teu Instagram é verdade? você tem Instagram?
Nem sabe o que é isso. Tava em sono aqui. Xê, me fala uma coisa. Mas no colégio tu cantou em coragem? Do tempo do Orfeão. Como é que chama? Orfeão, não é? Orfeão, mas no meu caso era um grupo chamado Canarinhos do Colégio São João.
Colégio San João. Tinha o Colégio San João. La Salle, San João. Colégio San João ali da... Na Norte de Verdadias com o Assis Brasil. Ali tinha uma banda marcial também que era... Banda de ouro do Colégio San João. Tinha o Dom Bosco que era bom, mas o San João era top. Nós ganhamos... Eu falo porque a gente torcia, ajuda pela banda.
Olha, Tchê, a gente que vem desse tempo analógico, esse tempo que não tinha toda essa tecnologia de perder tanto tempo, que nem o Licurgo, que perde 4, 5 horas por dia, vendo a vida dos outros, não vou falar. É verdade, eu tenho viciado nesse tal do WhatsApp. Eu até falei, para com esse troço.
Olha aqui, Cheio, naquele tempo, o colégio estadual, né? De primeiro e segundo grau, tinha banda municipal. Então, o que que... Banda... Marcial. Marcial. Então, o que que acontece? O pessoal tinha o contato com os instrumentos, né, Cheio? Como é que tu sabe se tu vai ser um bom saxofonista, se tu pegar um instrumento pra tocar? E ali apareciam as oportunidades, né, Cheio? E canto coral, ou orfeônico também que chamava. Exatamente. E aí
muito comum nas escolas. Então, tu tinha essa relação musical já desde cedo. Pera que não tem mais isso. Os colégios, isso foi uma influência lá do Getúlio Vargas, Vila Lobos, que os colégios tinham seus ofreões, seus cantos corais. E isso em todo o Brasil. Alguns colégios permaneceram com isso, até a década de 60. E o colégio São João era um desses.
Chegaram até a gravar disco Sim, gravei dois discos Os Canarinhos A banda do colégio também gravou um disco Tinha os festivais de banda em Porto Alegre que eram fortíssimos Por isso era a banda de ouro do Coração João Tinha a banda do Paroé que era forte A banda do Anchieta que era forte Era um colégio que tinha bandas que investiam Na cultura de ter Banda Mas quando tu fala assim eu fico pensando em uma coisa Que Que
que talvez ultrapasse essa noção que chega em nós, assim como músicos, mas também como pessoas. Quem participava dos carinhos do Colégio São João, ou próprio da banda do colégio, de todos os corais, se tornavam também outras pessoas. Eu sei disso porque...
Depois de os cananinhos, a gente frequentou os cananinhos, eu e o meu irmão frequentamos entre 63, 64, 65, até 67. Foram quatro anos ali. Depois a gente fez um encontro com o Otto Fallmann, que era o regente.
E o meu irmão se tornou Em biologia Outro tinha se formado como dentista Outro era engenheiro Eu tinha ficado como músico O Silvio Marques também participou do festival Dos caninhos de São João Grande Silvio Marques Trazendo o Silvio Marques Trazendo a energia
E todos nós, cada um estava assim, reunidos, e todos nós tínhamos algo em comum. Sabe? O amor pela música. E eu acho que eu reconheço isso no trânsito de Porto Alegre, na gentileza das pessoas, porque torna outras pessoas. Não ficam tão cisudas, tão amargas. Sabe? Não te buzina no amarelo, entre o verde e o amarelo, entendeu?
ficam eternamente com a postura da arte dentro delas e isso torna elas pessoas, outras pessoas e isso foi tão bonito de se certificar disso, nesse encontro que a gente fez depois de 50 anos era aniversário de 80 anos do regente do Otto Fallmann
E eu fui, bem girando, pô, um tinha se tornado professor de matemática, outro tinha se tornado médico, outro engenheiro, e todos com a mesma paixão. Foi só o... O primeiro acorde já saiu em duas, três vozes. Sabe, a gente cantava... E é tão interessante isso.
pra mim depois como compositor que desde lá eu nunca fiquei fóbico a nenhum gênero musical porque a gente, em 60, 63, 64 pegamos toda a Jovem Guarda e a gente também fazia música sacra também fazia música folclórica brasileira e também a gente foi pra samba, né? samba, mas de todos existiram, sabe?
Quer dizer, nunca ficasse pouco. Quando eu peguei violão depois para compor, quando eu ganhei violão... Quando? Eu tinha 17 anos. Então isso foi em 70. 69 para 70. Eu peguei o violão. Se era samba, era samba. Se era rock, era rock. Se era bosta nova, era bosta nova. Eu não tinha essa coisa... O meu estilo era esse ou aquele. Porque eu tinha todo... Desde a família, você cantava de tudo.
Depois dos carinhos do Cláudio São João, se cantava de tudo, desde música sacra até música folclórica brasileira, música folclórica argentina. Esse substrato me deixou, assim, com a melhor dádiva, que era fruir, gozar em todos os estilos de música, sabe? Não faz esse tipo de música, não sabe? Nunca tive assim, até hoje. Depois um aprendizado didático que foi com o Ivaldo Roque. Grande Ivaldo Roque. Não parece linda. Não parece linda.
Música popular e clássico lá. Eu estudei com o professor Jorge Pérez, clássico, e com o Ivaldo Roque, música popular brasileira. O Ivaldo Roque, um grande artista, né? Compositor. O Jerônimo Jardim, com a Loma, a Iola e o Tennyson, fizeram o pentagrama, né? E tem um compósito, fizeram uma linda música, não vou me lembrar do nome agora, mas eu sei, que é uma que tu vai te lembrar também, que é uma música gravada pela Elis Regina.
Ele, o Gerardo de um Jardim E o Eduardo Rosco gravaram Essa música, fugiu o nome Que a Elisa gravou A Elisa já gravou A festa é parte de uma novela também Que era, puxa vida Vou me esquecer Mas eles tem o Couto de Vela Que é lindíssimo Da Califórnia
Que loucura, Che. Foi importantíssimo a presença dele aqui na cidade, como instrumentista e como pessoa também. Super querido o Ivaldo também. Todos eram a Loma. A Loma está aí até. Nós temos que trazer a Loma. Porque a Loma está fazendo ainda um sucesso, um trabalho sensacional, né, Che? A Loma está... Cantando como nunca. Está participando desses eventos aí, nos eventos mais nativistas. Ela foi mais para esse lado, né, Che? Tu nunca foi, né?
Com exceção daquele teu parêntese lá, de este musicanto, que depois não vamos falar. Mas tu era urbana. Sambista, inclusive, Nish. Sambista é um pouco assim. Eu faço samba, eu não me sinto assim. Com o Giba Giba, eu pedi uma vez de permissão pra ele. Giba, eu posso fazer samba? Entendeu?
Porque eu... Esse fazer samba guardando as proporções, eu faço o samba como guardando as proporções. Atenção. Como o artista, o composor brasileiro faz. Como o Ivan Lins faz samba. Como o Chico Marjoramada faz samba. Eu escutando esses caras, João Bosco faz samba. Mas não com aquele lugar de fala. Eu, sabe? Com a pele negra. Com o... Entranhado dentro do samba, sabe?
Mas eu faço como um jeito de caminhar Não é Como eu te falei, não é fóbico pra mim Faço porque adoro Me sinto conversando Com essa coisa dessa música popular brasileira Que é tão tátil pra mim Quando tu te aproximas E que música foi, tu lembra? Puxa, em busca do amor perdido Eu acho Em busca de um amor perdido A gente tem a cor dela
Eu ganhei violão 17, devia ter 17,5, porque logo que eu peguei o violão, meu país se mudou, a gente se mudou, a gente morava em Porto Alegre até 67, em 68 a gente se muda para Curitiba e ficamos 3 anos morando em Curitiba e retornamos em 70. Em 71. 70 para 71.
Nesses três anos que eu morei em Curitiba, no final do último ano, eu ganhei o violão. E tinha uma esquina, onde inclusive eu faço uma música depois sobre essa esquina. Sabe quando tu mora numa casa que a esquina não te pertence? A esquina é da zona, do bairro. Tu mora aqui, a casa fica na esquina, tem um muro da tua casa, mas as pessoas sentam ali, sabe?
se reúne na frente da tua casa e estão um pouco lixando quem é o dono. A esquina não te pertence. A frente da tua casa não te pertence. É a do bairro. E era uma esquina onde todo mundo se reunia. Nós chegamos de férias, tivemos a férias em Porto Alegre, ficamos aqui o período. Quando voltamos, vamos se mudar. Chegamos em casa. No outro dia de manhã, tá aqui a casa, conhecemos a casa. No outro dia de noite, começou a chegar uns vagos e começaram a sentar no muro.
Um trazia violão. Assim, uns 10, 15, 20 neguinho. E eu ficava olhando. Aí fui descendo.
Como eu, forasteiro, dentro da casa, eu, forasteiro, e é com... Oh, tudo mais, mora aí, mora aí, tá, tô com a Uxa, tô com a Uxa, tá, senta aí, conhece, conhece, sabe? E eles...
E eles que me deram O passaporte Tu pode frequentar Esse muro aqui E ali que eu comecei a tocar violão Ali eu aprendi umas músicas do Chico Dos Beatles Mas depois tu participou de um evento Lá no Paro Bé também Quando eu volto Quando eu volto É um prêmio lá Nem me lembro o que era
Porque apresentava no Paralber O festival era Magda Beatriz Magda Beatriz Que era a locutora Na Pampa No programa Atualidades Todo dia Festival estudantil do Paralber
O Festival Estudantil tinha... Tipo, em Horórdia no final ainda. Poxa, foi demais. E era uma música Como Vai Você. Que não era coberto, né? Não, não. Madeira. Madeira. E os festivais, eles eram muito... Acontecia no Colégio Chieta. Tinha o FAC, o Festival Chietando a Canção. Tinha o Musipuk, que também tem a tua história lá no Musipuk. Como é que é essa história do Musipuk? Musipuk era um festival que acontecia lá na PUC. Na PUC é o festival.
O que você está perguntando é o que é o Muzipuc? É o Muzipuc, na URGS. E o MuziURGS, o que é? Na PUC. E ele foi muito importante, porque um fator...
O que acontece com o Music Book, e se torna mais importante ainda, em função das pessoas, os amadores começando a fazer música e tudo, é que o Júlio Furtz, da Rádio Continental, gravava, a Rádio Continental gravava as edições e passava na Continental depois.
A Rádio Continental AM foi a precursora da música urbana, de dar espaço, de mostrar os artistas urbanos. Para dar uma ideia, não existia a rádio FM na época em Porto Alegre. Para dar uma ideia, a FM Cultura, o estereótipo de uma rádio FM era uma música jovem, uma música... E nós tínhamos, em Porto Alegre nos anos 60 e 70,
aquelas rádios mais clássicas, ou sobrepopulares, como a Farroupilha, ou centradas dentro do noticiário, que era Gaúcha e Aguaíba, com aquele noticiário com locutores, com correspondentes, aquela voz... O jornalismo, né? O jornalismo através da locução grave, acentuando uma informação sólida. Era essa a intenção do locutor na época.
A Continental vem e tira essa relação mais cisuda da rádio e quem dava as próprias notícias eram os próprios repórteres, os próprios jornalistas. Os textos eram do Luiz Coronel, do Luiz Fernando Veríssimos, na Porto Alegre de Mário Quintana, são 16 horas.
Começou a fazer uma rádio FM, ainda sendo AM. Era uma rádio do sistema Globo de Rádio, que quem fazia era o judeu, que trabalhava na MPM, e começou a fazer um programa de Júlio Brown, que era um lance meio show music. Aí vem a calça ali, a indústria das redes. Vocês ficam até que aguentar um período de história. Mas a calça ali, na época, era uma coisa difícil de conseguir. Tchau.
Só importada. Só importada. Tinha que conhecer um cara no Viador da Vale. Contrabando, gente. Era o artigo de contrabando. E aí as indústrias grandes pegam o franchise de fazer calça ali em Porto Alegre e tal. Ali é na Quarto Distrito. Quarto Distrito, exatamente. Aí o Júlio Furst... Hoje é o shopping de Sena de Gantel. E o Júlio Furst passa a ser o Mr. Lee. Mr. O Sr. Lee. Aventuras de Mr. E começa a tocar toda... Nesse programa...
começa a tocar, que não era para os americanos que queriam música cálter, começa a tocar a nossa música cálter urbana, que tinha um halai-halai. Aí começa o Bebeto, o Cleito Criandinho estava começando, o Dom Mônica. O Bebeto era ainda com... Utopia. Hermes Aquino. O Violino. Isso, é. O Ricardo Frota. O Ricardo Frota no Violino. Os Irmãos Frotas, é.
Depois tinha também, nossa, o inconsciente coletivo. Teve aqui o João Antônio conversando com a gente também. E eu quero trazer o Júlio Força aqui, mas não estou conseguindo. Ele não está vindo aqui. Ele é um dos grandes culpados.
cara que fez isso tudo acontecer. E ele que pegou, porque a gente era, entre aspas, conhecido, o trabalho do Júlio Fonseca, do Osvio Lopes, fazia um trabalho nos jornais, Tenta Zero Hora, Correio do Povo, fazia um trabalho de... O jornal, um trabalho de divulgação, mas o jornal não tinha dial, né? O jornal não tinha áudio. E o Júlio Fertz...
É um dos primeiros que começa a rodar sem medo, sem... Como é... Purindo, purindo, a música feita aqui dos anos... Da sua época. Então, eu tô recém começando, mas quem já tava mais estruturado eram os Amônicas, o... Com o Trente Credir, o Emerson Aquino, talvez o mais preparado, que logo em seguida estoura a nuvem passageira. Era tudo começando.
ali a importância do Muzipuk é isso que ele gravava o Muzipuk lá tu ganhou lá no Muzipuk? não, eu ganhei com uma música que era, eles não sabiam me classificar como originalidade que era uma música futebol uma vez fui convidado pra jogar um futebol mas eu driblava muito, eu driblava muito nunca mais fui convidado pra jogar um futebol, uma vez fui convidado você ouviu o Londra aí? não
Mas que vaga. Não trouxe? Não trouxe não. Uma vez fui convidado pra jogar uma bolinha de gude, uma bolinha de gude nas calçadas da rua Portugal. Mas os caras me diziam que eu dava muito facão e eu dava mesmo muito facão. Olha o facão. O facão era na época de jogar bolinha de gude, tu empurrava muita bolinha. Bolinha de gude da rua Facão. Na rua Portugal ali onde tu morava. Aí já começa essa relação comigo com o português. E os caras, e os caras. E esse cara... Não, não...
Que música é essa? Que é uma música de um acorde só Que é uma levada de meio afoxé E o samba E tu tem um monte de essa Repetir os carinhas
Uma vez fui convidado para trabalhar de termo e gravata nas portas negras do edifício Oswaldo Cruz. Oswaldo Cruz, gente de médio, no final do bode da Andrada. Tu retratava muito essa coisa da cidade, né? Sempre teve poesia. Eu gosto de ter o lance do jornalismo, sabe?
que eu fiz jornalismo, tem essa coisa de olhar a cidade, de contemplar a cidade. Eu acho que é tão bonito isso. Podia ter citado essa relação, por exemplo, que sei que o teu personagem não pode alcançar isso, mas escutar o Canto Livre, eu escuto Porto Alegre. Escutar o Fernando Ribeiro, eu escuto Porto Alegre. Escutar o Gimagino, eu escuto Porto Alegre. A cidade tem essa geografia, tem a cidade tem a cidade tem a cidade tem a cidade tem a cidade tem a cidade tem a cidade tem
Os seus morros, o Morro da Polícia, o Morro Santa Tereza, o Morro da sua geografia. Tem essa geografia arquitetônica, os seus casarios, a cidade baixa, os seus edifícios antigos, os arcos ali do viaduto da Borges. A gente tem esses estímulos visuais e geográficos de pertencimento. Isso aqui é a minha cidade. Eu caminho sobre essa minha cidade com pertencimento. Mas nós temos também a nossa literatura. Quando você lê um livro, você te reconhece.
dentro desse pertencimento, eu leio de Honório Machado, eu leio de Érico, sei lá, de Mário Quintana, tu te embrenha também. E quando tu escuta a tua música, tu não precisa ler, não precisa ver, e tu tá dentro da tua cidade. Escuta a tua trilha sonora, a tua dicção, o teu assento, a tua poesia, a tua musicalidade, sendo... como é... ...
internamente concebida, não apenas pela sua sensibilidade de olhar, como eu falei há pouco de leitura ou da geografia. Aí tu percebe que aí justifica uma cidade quando a cidade tem a sua música, sabe? Porque ela mantém o seu jeito de caminhar. O teu pertencimento não é só sobre o caminho, nas pegadas da minha rua, leva as luzes de Porto Alegre. Também na audição, né? Eu acho tão importante quando a paisagem sonora te justifica. E esse momento foi rico nessa questão, né? Depois tu não vê mais isso, né?
A gente não tem mais esse reconhecimento De falar das coisas da cidade Talvez quem tenha pego Pega ainda A pessoa do rap ainda que tem Essa coisa de falar dos bairros e tudo Da cidade É o rock gaúcho também um pouco depois Teve essa coisa Mas
Pois é, nós temos o difícil nesse momento, porque a gente fica sempre, a relação do tempo sempre nos trai, né? Porque... Essa coisa toda que nós estamos falando, Chito, pode ver que é bem urbano, nós estamos falando de Porto Alegre, basicamente, né, Chito? Depois tu tem aquele, tu fala do Julim, que era um colégio, que era, tu falou do Parobé, nós falamos do São João. No primeiro disco que eu participei, eu desculpe,
Paralelo 30. Paralelo 30. Nesse disco, cada um podia participar, só para os ouvintes saber, o Paralelo 30 é um disco feito pela gravadora Isaek. A gravadora Isaek, na época, era dirigida pelo Geraldo Flack, músico, e o Júlio Afonseca, da Zero Hora, combinam e fazem uma produção junto com o Cepé Tiraju, pelo Santos. Que era sócio do Geraldo Lugui. E fazem esse disco, que convidam três...
compositores do século passado, todos do século passado, 1960, que é o Raul Evangler, o Carlinhos Ratilib e o Cláudio Veracruz. E três emergentes, novos, que é o Nando D'Ávila, o Bebeto Alves e eu.
E juntou-se seis caras. E gravamos lá o disco. E nesse disco, cada um podia cantar duas canções. A outra música que eu escolhi para cantar, só para fechar essa tese dessa coisa de Porto Alegre, era Casa Calamidade, que falava da vida cruzeira do Sul.
Quando chove muito, quando chove muito, chove barro. Lá ninguém mete a mão. A minha rasa calamidade. E leva um nome bonito de uma constelação. Vila Cruzeiro do Sul, lá ninguém mete a mão. Praticamente até hoje isso, né? Essa coisa de uma cidade ser incrustada em uma vila.
resistente ali, tudo tem uma coisa de sobrevivência ao mesmo tempo de ser marginalizada, então a relação de Porto Alegre sempre teve próximo de Jata Forca. A cabeça dessa época também. Aí já é 79.
Um ano depois. Aí é o disco. Aí é o disco, meu próprio. É um compacto simples, chamado Fazer Cabeça. Não é o Independente. Não, aí é o de 81. Então teve um paralelo que tu participa. 1978. Que tem lá esses artistas todos. Certo. Que foi um sucesso esse disco. Ele teve uma dimensão nacional, inclusive. Não sei se ele atravessou muito bem o Mepituba, mas ele teve crônicas.
o Tark de Sousa, teve o João do Brasil. Tark de Sousa era o crítico da Veja. Da Veja. Junto com o Ockens. Não, Ockens Sousa. Ele trabalhava no João do Brasil, o Tark. O Tark.
Eu tenho uma divulgação lá pra cima, mas é uma gravadora aqui do Sul, então é difícil a gente fazer espetáculo lá. Mas aqui no Sul ele foi, ele é considerado um ícone, porque é a primeira, tem que dar uma ideia pra quem tá escutando, o pessoal de 60 pouco gravou, o Geraldo Fack não gravou nos anos 60, entendeu? Os irmãos Dorf, Paulo Dorf, César Dorf, Mutinho, o Raul Wangler.
Carlinhos Gatilibre. Gravou o Gorgis Roberto Baldov, gravou como é a banda Liverpool, sabe? É de 1960. Pouca gravação. Porque a única saída na época, que é assim que o Dr. Jovem fala que a saída era o aeroporto, para nós também era atravessar uma bituba. E na época, uma bituba era o oceano. Intransponível. Era muito grande. Hoje foi mais perto, né? Assim, essa coisa...
na fronteira, com o centro. Sim, tu ia com o Rio de Janeiro. Era uma coisa absurda. Uma hora de tronça, sim, que estava no imaginário do camarada. Ficava imaginando como é que é o Rio e tudo. Então, na época, a única saída era ir embora daqui. Tem que ter uma... E é que tem um fato interessante, né? Porque a Elis Regina, o Amor Chagas, o Paulo José, os artistas dos anos 60 aqui, artistas...
É que as televisões locais tinham que ter programação local, sabe? Tinha que ter um guri de olharia no ar. Sabe? Porque tinha que vender anúncio. Então, como é, tinha novela local, ao vivo, sem VT. Depois nasce o VT. Em 61, 62, nasce o VT e aí centraliza a cultura brasileira. Não foi o fenômeno só nosso aqui em Porto Alegre. Todo o Brasil agora estava centralizado e distribuía em vez de pagar cada cada...
produção local foi substituído por uma produção nacional e distribuído na fita e aí em 77 em 67 em 68, em seguida vem Embratel, aí é o vivo e aí centraliza a música centraliza centraliza
E todos os artistas que trabalhavam antes nas emissoras, de todo o Brasil, estou falando, mas era só um projeto nosso. Desde o tempo de rádio, as pessoas tinham orquestra, a Rádio Cavalcini, o programa Moritz Sirosky, no Castelo, a Liz Regina.
Tinha que ter atrações locais. Sim, Elis Regina cantava na rádio. Exato, quer dizer, as atrações locais tinham que existir. Cantava na rádio, o que eu digo é ir lá na rádio cantar. É ouvir. E vai todo mundo embora porque acaba essa... Além de... Claro que, no caso de Elis, é que Porto Alegre vai ficando pequena para Elis também. E quando eu digo que tocava na rádio mesmo, porque na Continental, por exemplo, que era um estúdio pequeno que tinha ali, perto do Pedro Amar, ali no...
No edifício do relógio ali No edifício ali da Rua da Praia, ali da András Ali que o pessoal ia cantar E gravar lá com o Júlio Furst No tempo do Miss Perlí Tinha um estúdiozinho pequenininho Ali que o Tomas se amontoava e gravava ali Fazia ao vivo ali, olha só que loucura Ali veio, começou Bebeto Ney Lisboa, Ney Lisboa Vem do Musicanto Ney ganhou pra viajar no Cosme Com o Agostinho Lix Em 80 ganhou no Musipook 11
E assim começou toda essa história, Che. Que história? Primeira música. O teu problema nesse programa aqui agora me convidando é que fica papo de velho, entendeu? Che, mas o nosso perseguidor, nós temos muito perseguidor aqui. Cheio de nostalgia. E que gosta de escutar conversa boa. E história, né, Che?
A proposta exatamente do MatiQS é essa, é deixar registrado histórias interessantes que acontecem e que aconteceram aqui no nosso estado, principalmente. Não que a gente não receba também artistas de fora, né? Mas é muito importante fazer esse registro. A gente já teve aqui, desse pessoal que tu falou aí, o próprio Patinete.
que foi o grande produtor que fez, participou da vida de todos os artistas. Foi fundamental. Desde o Nativista, desde a Elis Regina, né? Ele produziu a Elis Regina, gente. Ele participou de todos. Esteve aqui conversando com a gente também. Então, e o Júlio, que eu quero trazer o Júlio, Juarez Fonseca é outra figura. Naquela época a gente tinha, quando participava de um festival ou de um show, tu ficava esperando para ver se o Juarez Fonseca...
Mas a gente tinha que observando a gente que a gente tinha a gente que a gente tinha que observando a gente que a gente tinha a gente que a gente tinha que observando a gente que a gente tinha a gente que a gente tinha que observando a gente que a gente tinha a gente que a gente tinha que observando a gente que a gente tinha a gente que a gente tinha que observando a gente que a gente tinha a gente que a gente tinha que observando a gente que a gente tinha a gente que a gente tinha que observando a gente que a gente tinha a gente que a gente tinha que observando a gente que a gente tinha a gente que a gente tinha que observando a gente que a gente tinha a gente que a gente tinha que observando a gente que a gente tinha a gente que a gente tinha que observando a gente que a gente tinha
Os Will Lopes iam participar, iam te assistir, porque no outro dia tu ficava apavorado. E ele vai escrevendo, a gente. E era muito importante essa visão, né? Esse momento aí. Então era um negócio fantástico. Esse teu nome saiu no jogo. Eu me lembro que nos concertos, Mr. Lee...
Logo que saiu o Conselho do Mister Lee, estava assim... Teatro presidente, lotava o teatro presidente, vivendo a vida dali, né? Aí tu ficava olhando ver se teu nome saía. Aí saía teu nome. A foto saía do mais conhecido na época, né? Então saía dos almôndegas, ou do...
Tinha queira amanhecido, era isso aqui, né? Aí saiu teu nome, aí tu mostrou pro teu pai, pra tua mãe, aí tu ligava, teu nome, teu filho saiu no jornal. Tu te lembra a primeira música que rodou na Continental? Lembro, que era Versos de Proa. Faz um pedacinho, hein? Puxa vida, é...
Descanse as pernas na guarda da cama. Deite viridama ao amanhecer, ao anoitecer. As unhas cravo e... Ela é meio ousada para ela. As unhas cravo e tem um belo corpo. Como é que é, cara?
Era um negócio, um encontro de um marinheiro com uma prostituta, que ele paga as moedas no balcão, me chamo glória dos delírios, para os colonos dessa praça, para os meninos voo de graça, para você versus de proa. Versos de proa. Mas é importante que essa música que tocava no rádio, os jovens escutavam, aprendiam a cantar e depois quando iam no show, sabiam. O negócio fez me lembrar outra coisa.
Guri de Argoiana. A segunda música que toca na rádio, também no Musipuk e também colocada na Continental, é Mané que Rosa, que fala de Porto Alegre também, olha só. Pegou-se uma negra que mora na beira do Beco do Salso. Matiné no Castelo, Navalha no Salto.
O neguinho levou junto dela o seu irmãozinho que ficou no cantinho trocando o gibinho. Um fantasma sem capa, um zorro de nhapa, por um almanaque colorido de um búfalo bel. Bah! Que momento! Aparece o Getúlio, sorriso na boca, todo mundo levanta e começa a aplaudir.
Porque na época tinha isso, né? O Getúlio era uma imensidão como um baluarte da nação, né? E tinha essa coisa meio fascista, meio nacionalista pra caralho. Então, todo mundo aplaudia o presidente do Getúlio. Ele regulava de tamanho com licu, né?
Deixa eu te mostrar aqui. Vai de Getúlio agora. O Lico Curgo é do tamanho do Getúlio. Mas do tamanho de altura, de capacidade nenhuma. Dá licença. Só queria exemplificar para o pessoal o tamanho do Getúlio. Ah, isso que barra, cara. Desculpe, me roubei, mas o que me fez lembrar que tinha duas músicas que falavam, já falavam de Porto Alegre.
É, não, não, a tua história, ela fala muito em português. Essa conversa merece até um brinde, né? Olha, Google, traz um brinde aqui, Xa, boa, meu amigo, Xa. Vamos trazer um brinde da nossa parceira aqui, que é a nossa apoiadora aqui, Xa, que é a Vinícola Aurora. Opa! A Vinícola Aurora é lá de Bento, Xa, a vinícola mais premiada do Brasil, Xa. São mais de 1.100 famílias associadas, mais de 500 colaboradores para produzir esse produto aqui, ó. Então isso aqui tu vai ganhar. É um Brute, espumante é Brute. Olha só. Tu toma?
Muito bruto Tem a Prosecco E tem essa garrafa bonita aqui Que é Pinto Bandeira Olha que garrafa bonita Dá até pra fazer um abajur É verdade, bota uma na rua Bota uma vela E olha só, se tu fosse fazer um brinde Com alguém, qual garrafa que tu ia escolher Já sei, essa aqui é a mais bonita
Era mesmo. E com quem tu faria se fosse fazer um brinde? Olha, gente, tu fala... Porque é importante hoje, a gente fala assim, antigamente, ainda, já que estamos falando desse tempo aí, a gente tinha um tempo que, para tu tomar uma espumante, primeiro que a gente chamava de champanhe, né? Mas a gente, para tomar uma espumante, era só assim, virada do ano, uma data muito especial, né? E hoje em dia, a espumante está presente na vida de todo mundo, né? Sempre é momento de fazer um brinde com uma espumante.
Tu faria com quem esse teu brinde? Eu faria com a minha mãe. Ela está com 92 anos e cada vez mais lúcida. E essa lucidez dela me deixa perplexo porque está difícil a lucidez.
É difícil encontrar a lucidez do que estamos passando, do que estamos vivenciando nesse momento. E ela tem com 92 anos uma lucidez retilínea sobre todos os fatos. Além de adorar futebol e adorar música. E de ser uma consultora, assim, quando...
Quando estou fazendo algumas marchinhas, ela me lembra. Aquela marchinha, 230. Ela me mata, sabe? Ela é minha consultora. Qual é o nome dela? Para a Dona Eunice. Dona Eunice, vai aí essa espumante aqui que o seu filho, Nelson Coelho de Castro, vai fazer com a senhora. Eu queria conhecer a senhora. Bacana, com 92 anos. Quando ele fala em lucidez, mas aquela lucidez de conteúdo.
saber o que está acontecendo ela sabe tudo que loucura né adora futebol adora tênis gosta muito do Alcaraz eu não sei ela sabe, decora a escalação do Liverpool é toda e os reservas também o técnico
E está meio mal esse ano, está em segunda ou terceira? Sério? Como é que é isso? Ela conhece o futebol atual? O atual. E fica braba com o futebol de brasileiro, que está um horror. Não dá para ver. É a Grimício do lado. E ela diz que, hein? Colorada, coloradaça. Colorada, colorada. Olha aí, dona Eunice. Um abraço, então. E aí, então, vai aí as espumantes da Vinícola Aurora. Vinícola mais premiada do Brasil. Isso aqui é teu, tu vai ganhar. Vinícola Aurora.
Viva o agora! E é exatamente isso que a gente está falando aqui. Viva o agora! Tu viu, né? Tu não vai fazer sacanagem. Bota nas caixinhas direitinho. Não, isso é o licor que eu vou te falar. Me diz uma coisa, e a faculdade de jornalismo, como é que foi? Tu trabalhou com isso aí?
Trabalhei, fazia dois anos na TV Difusora, como produtor do programa Porto Visão, que era apresentado pelo Clóvis Duarte, Fogaça, Lauro Quadros, meu Deus, Tatata Pimentel, Puxa vida, Fernando Vieira, e eu produzi o quadro da Tânia Carvalho e mais duas produtoras.
E depois com o Carlinhos, participou desse disco do Paralelo. Paralelo 30. Depois o Carlinhos fez as rodas de som, né? Participei também. Mas aí um pouco antes. Aí participei em 74. E até eu falei isso pra eles. Poxa, agradeço muito. Porque quando eu fiz a roda de som em 74...
Eu só vou encontrar o Carlinhos depois Em 78 no disco lá Que a gente vai ficar mais amigo, mais próximo e tudo E agradeço, poxa, comecei contigo lá E tinha uma Maria da Paz Que pessoa maravilhosa Meu amor me faz procurar saber
Ele tinha aquele... Tinha um tati-bitati. Tinha um tati-bitati. E tocava charango, né? Charango. Ali eu conheci o De Santana, que estava com ele também. Grande percozinha. De Santana. Depois tocou contigo um tempo. Tocou anos e anos comigo. De Santana. Que também tinha uma coisinha para falar também, né? Tinha um Rzinho diferente.
Tu sabe que tu falou que tu produziu a Tânia Carvalho. A Tânia Carvalho esteve aqui, a nossa rainha Tânia Carvalho. Eu estou com ela lá há 10 anos, Che. Eu faço uns comentários lá na Rádio Gaúcha, no Super Sábado. Sei, sei, sei. E a Tânia também, ela fala sobre livro e tal. E eu falo sobre bobagem, né?
Então, ali a gente está há já uns 10 anos falando. E a Tânia esteve aqui, olha só que interessante. E aí, rapaz, a gente deu as garrafas de espumante para a Tânia. E na hora de ir embora, ela foi embora e esqueceu das garrafas. E ele ligou ao Fekaxi, esqueci das minhas garrafas. Eu digo, fica tranquilo, Tânia. Eu vou te levar na tua casa.
Faz uns dois anos isso, né? Dois anos que ela me cobra, ela dizia, vem cá, né, che? Deixou o caminhão agora lá. Agora, che, eu fiz um atleta com a Shakira. Chegou a ver, não? Não. Eu fiz um atleta com a Shakira, que foi um sucesso, bombou. Nós já estamos com quase um milhão de views lá. Só imagino. Foi semana passada, a gente aproveitou. Tem gente que, né, Licovão? Tu mesmo falou, né? Tem gente que acha que é IA.
que estão dizendo que a Shakira que fez o S.A. para se valorizar fazendo comigo. Mas aí também é pessoal invejoso. E aí a Tânia Carvalho já fez um comentário. Será que ela ganhou as espumantes? Porque eu estou até hoje esperando. Tânia, um abraço e agora nós vamos ter mandado as espumantes. Anota ali.
Agora é certo Agora eu vou mandar mesmo Vou mandar o caminhão Não, não, vou mandar só Mas que bárbaro E na arena, no teatro de arena Tinha as rodas de som Tinha as rodas de som em 74 Depois eu volto pra fazer dois espetáculos no teatro de arena Que é em 77 e 78 Que é o Crocodilo Chorou
Eu tinha uma banda na época que eu tocava comigo, que era o grupo Olho da Rua, que era só parentada. Meu cunhado e minha irmã, um vizinho, o Júnior, outro vizinho, por lá da tristeza. Interessante que era meia-noite o show. Pois é. Isso foi acontecer por causa da Dedé Ribeiro e do Luciano Alabarce. A Dedé Ribeiro disse, vou te apresentar um cara chamado Luciano Alabarce.
A Dedé Ribeiro, na época, era casado com o Fernando Ribeiro ou ela já era casada com o Ney Lisboa? Não, não. Fernando Ribeiro. Isso é em 77, 75, 76. Fernando Ribeiro foi que também começou, né? Fantástico, né? Fantástico. Baita compositor. Depois foi pra São Paulo fazer jingle lá, mas era um cara assim que teve um trabalho junto com o Sisson aqui, né? O Sisson.
E aí a Dedé e o Luciano... Eu conheço eles, já conheci a Dedé, mas eu conheço o Luciano. O Luciano proporcionou uma jogada de um projeto chamado Maldito, à meia-noite. Depois da peça dele, que era Descascando o Abacaxi, eu acho...
Não, o grupo dele era Discação do Avacaxi. A peça, não me lembro que é a peça que ele fazia. Depois que terminava a peça, um espetáculo de música, que era sexta, sexta e sábado da meia-noite. Terminava a peça dele, desmontava todo o cenário dele lá. A gente montava o equipamento e fazia da meia-noite a uma da manhã, uma e meia, às vezes até às três. Meu cunhado trazia uns garrafão de cachaça de Osório. Sontontônia, Azulzinha. Passava, e a Barena, aquele garrafão passava de para a gente.
A plateia ficava bíblica antes da gente. Era muito bom. Eu acho que a gente fazia isso para anestesiar a plateia. E fizemos dois anos. O primeiro foi o Concluído de Chorô, que o meu cunhado, o Luiz Antônio, também fazia... A gente fazia uns curtas-metragens também. Depois eu fiz com... Aí depois eu convidei até o Bebeto Alves, que participou num chamado Milagrezinho. Outro espetáculo também. Aí foi depois da peça do Jair de Andrade, do Brino Marques, acho que jornal da UBC até o atendimento. Aí ficamos dois espetáculos lá.
O Luciano Alabarce, hoje ele é o responsável pelo Teatro São Pedro. São Pedro. Pelo complexo do Teatro São Pedro. Hoje o Luciano Alabarce é o responsável ali no Cheque. É um camarada que tem uma história, o Porto Alegre em cena. Ele que criou, né? Ele que criou há tantos anos aí. E tu vê, naquela época ele já estava fazendo essa cena do teatro em Porto Alegre acontecer.
E o Arena, claro, o Arena era um... Era uma resistência, era um útero de resistência. Era um ícone, né? Um teatro pequeno, para vocês terem uma ideia. Um teatro de Arena mesmo. Era um U, com cadeiras, palco no chão e cadeiras laterais. Havia o quê? 100 pessoas? É, 120 pessoas no máximo, assim.
Que é na descida da Borges, no viaduto da Borges. E foi incrustado dentro de um porão bem difícil, posso dizer assim, que foi feito pelos artistas. Pelo Jardim Andrade, Marlissa Orsig e outros tantos artistas. Paulo Cesar Pereio. Eles cavocaram ali na década de 60 e fizeram de resistência mesmo. E até hoje, o governo subsidia ele, mas merece mais investimento ainda.
É um teatro de resistência E eu falo de útero porque muita gente nasceu ali Fez voz de violão ali Começou a compor ali Todo mundo que eu conheço fez show ali O Bebeto fez show, o Zezinho fez show O Giba Giba fez show Mas quase todo mundo passou de alguma forma Passou pelo teatro de arena Essa é a turma daquela época O Zezinho, Zezinho é o Tanás Depois virou o Joel Tanás Depois o Nando Dávila Nando Dávila E aí
Que tinha uma música maravilhosa. É, uma música mais linda, assim. Lembrava um pouco a natureza. Que tá no disco Paralelo 30 também. E essa turma aí, Che? Fala um pouquinho dessa turma. Essa turma era sensacional, né, Che? A gente teve muita sorte. Tu também teve muita sorte. Eu sei que tu não quer entregar o jogo, mas... A gente teve muita sorte de ter...
Todas as pessoas começando no mesmo momento, na mesma quadra de tempo, e um ajudando o outro, um ajudando a nadrilar a cidade, de alguma forma. Indo no show do outro, participando de um show, indo, se reunindo, se encontrando, se fechando nos mesmos bares, no bar do Beto, no bar da Esquina, no bar do Escaler, na Cidade Baixa. Alguma forma de coisa. Eu acho que Porto Alegre tinha uma grande turma nessa época. Ainda tem.
Porque tem uma relação também que fica chata, porque está falando de um piá de 20 anos. Pô, parece nostalgia. Mas não, tu tem a tua turma também. A nossa turma era grande. Só que eu sinto que tem uma coisa, não sei se tu vai concordar comigo, é que nós tínhamos ali no Bonfim, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ainda não tinha feito indo para Viamão, sabe? Então ali tinha 20 mil alunos, ou 30 mil alunos entrando e saindo da universidade.
Então ali era um polo de filtro da cidade. Os estudantes, a presença dos estudantes ali, tinham um filtro cultural da cidade, sabe? Porque eram vivos, não eram escondidos. Tinha um juninho do lado, quer dizer, tinha um juninho ali perto do...
No DCE da Jopessoa Logo em seguida a URGS E todos os estudantes lotados ali Todos que estudaram Moravam ali por perto E faziam do Bonfim o filtro E na parte cultural Aconteceu Unimusica Que era a Clarícia Que organizava Na sexta-feira Seis e meia da tarde Aconteceu Unimusica Um evento que juntava gente ali Era sensacional Antes disso tinha penha Aconteceu Unimusica
Da Orgis também, né? E teve, ainda nos anos 60, tinha um Arq Samba, que era o Samba na Arquitetura, onde era o Claudio Levitin que participava, todo o pessoal da... o Giba Giba participava, o Mordida na Flor participava, que eram os grupos dos anos 60. Tu vê, né? Claudio Levitin hoje está bombando aí, junto com com o Ike Gomes, né? Ah, sim, sim. Na...
transborda, né? Ele que é um cara assim que tem um trabalho já no tangos e tragédia, já tinha muita música. Sim, muita dele, né? Mas hoje ele tá atuando, né? Ele é super artista, né? Tinha que trazer o Levitã aqui também. A filha dele também é artista. Quanta gente, Xê.
Tá, e vamos falar agora de disco, teu disco. Tu já falou do Paralelo 30, depois tu fez o Compacto, né? Aquele outro. Mas aí, em 81, tu fez o primeiro disco independente do Rio Grande do Sul. Juntos? Juntos. Como é que é essa história de fazer disco independente? É que é de disco independente.
A Isaek, que é essa gravadora que lançou esses dois primeiros discos, o Faz a Cabeça e o Paralelo 30, ela termina por fechar, termina por acabar. E foi todo mundo embora. O Bebeto já tinha subido. Olha, tinha muito gaúcho lá em cima. Galileu, a rua do Raul estava lá. O Raul Evangelho já era no jardim. O Cleiton Cledia já estava lá faz tempo. O Ames Aquino. Tinha uma cena local aqui que sabe que estava... Ou vai embora ou morre aqui. Entendeu?
Eu tinha ido com essa fita cassete minha que era da... que reunia assim, todas as músicas que eu podia gravar em 40 horas, a gente foi indenizado pela Zayek, indenizado pelo contrato. Eu gravei um monte de música, ele veio para São Paulo e Rio, mas mostrei lá para Poligrã, para Warner, sei lá. Incidentado. E aí depois outro dia, assim, olha, legal o teu trabalho, mas o que é Naba?
Naba. O que é Naba? Eu perguntou o que é Naba. E o que é Trolha?
É também, ó. Isso aqui é um exemplo de naba, trulha. Eu só queria usar como exemplo. Eu tinha isso nas músicas, nas músicas que é muito trulha na jogada. Tinha várias músicas que usava naba. Que naba é essa? E Julinho, aquele tempo do Julinho. O que é Julinho? O cara perguntou na gravadora. Um pedacinho do Julinho, aquele tempo. Aquele tempo do Julinho, né?
Eu jamais vou me esquecer. Eu pensei que era um filme. Eu jamais irei me ver. Eu tenho um picho pra cair. E o cara, o que é picho? Picho é grana. Tem uma grana no bolso. Eu tenho um picho pra cair. Eu estava... Que são quatro estudantes conversando. Do Julinho, né? Conversando sobre o...
sobre como está a vida, e um lance que vai acabar para acontecer no final da música, que é um deles que caras morrem, porque se infiltrou, aí foi fazer um ato contra o governo e tal, estabelecido no tempo da ditadura. Então são quatro conversas, um diz assim, aquele tempo do Julinho, o outro responde, eu jamais vou me esquecer, e o outro diz, eu pensei que era um filme, eu jamais irei me ver, eu tenho um picho pra cair, eu estava afim de um futebol, eu voltava a pé do centro, tu tá ficando, é pirol.
Vamos lá na mesma boca, Zé. Para mim o tempo não passou. Eu não me lembro mais de nada. Mas foi aqui que começou. Vamos armar uma jogada, né? Vamos virar o mundo, então, a anarquia. A saudade nos matou de vez. Engordou meu coração. Aí o cara, olha aí, vou dar uma banda. E era o Zé, no caso. A gente espera por aqui. Eu vou transar um lance agora. Ele não podia falar, né?
De repente eu volto aí, aí um diz, mas a vida continua, eu não me lembro o que sonhei, de paixão eu morro sempre, e eu sempre me enganei, já estamos até acostumados, isso se mantém até hoje, já estamos até acostumados com as línguas do país, tem muito trolha, trolha na jogada, ainda penso em ser feliz, alguns se dão conta que o Zé está demorando, mas como o Zé está demorando, minha cabeça vai doer.
olha aí, estão escutando, tem um treme para se ver, está baixando um pau na esquina e são dez para cacetear, estão dimulindo aquele cara, vão assistir assassinar, e olha lá que é o Zé, meu Deus, e ele já nem grita mais, e nós estamos aqui parado, parado este choro pelo gás, gás aqui no Morgênio, né?
Adeus, pavor. Vamos brigar até o fim. Até se dar adeus. Adeus, pavor. Vamos brigar. Vamos lá, vamos nós. O desespero ainda resta bonito, Zé. Vamos brigar. Vamos brigar vazando o fel. Vamos brigar com a raiva toda, Zé. Fico olhando aí do céu. Aquele tempo do Julinho. Eu jamais vou me esquecer. Que bárbaro, né? Isso aí é de 81. E ela foi feita antes. Eu morava em Curitiba. Olha só que história. Eu morava em Curitiba.
E aqui em Porto Alegre Antes de ir pra lá Jogava futebol todos os dias A gente faz lembrar disso A gente jogava futebol todos os dias Até escurecer, ia pra casa Antigamente a mãe chamava Pra ir pra casa Pra dentro da casa Agora as mães reclamam Os filhos saiam do quarto e ir pra rua Hoje em dia Vivia na rua Não joga uma bolinha Isso é pior E aí
Aquele tempo era assim. A gente jogava muito futebol aqui, quando a gente vai para Curitiba, a gente ficou sem parceria nenhuma. Aí meu pai conseguiu lá com um cara que conhecia outro, não sei quem, conhecia outro, e acabamos sendo sócio-atletas, olha só, do Círculo Militar de Curitiba, que era um clube que ficava no centro da cidade. E perto dos fundos do clube, tinha a casa do estudante.
Estudado do Paraná. Casa de estudante do Paraná. Onde moravam os estudantes, era um edifício de uns 3, 4 andares. E um dia a gente estava jogando futebol. Quem jogava futebol com a gente nessa época era o Diceuzinho, que depois foi do Botafogo, da seleção brasileira, sabe? O Diceuzinho jogava bola com a gente. E daqui a pouco a gente para o treino porque a gente começa a escutar os barulhos.
E eu te olho assim, vi uma correria e vi a fumaça lá no colégio, lá do da casa estudante. E chegamos queimando os caras, os camburões encostando, os estudantes jogando molotov, o escarcial e o treinador vão pra casa agora em silêncio. E a gente saiu da gente, a gente era criático.
13, 15 anos, 14, vamos para casa em silêncio. Foi a terceira vez que eu fui para casa em silêncio. Quando eu estudava no São João, em 61, fui para casa em silêncio também. Estudava no primeiro ano de primário, deu um fedor do Brizola aqui, da legalidade, e o meu irmão, que era irmão, o Laçalista, né?
Abriu a porta, vão pra casa em silêncio. Eu nunca escutei um silêncio. Porque se chama quando liberava aula? Era uma sapateada. Depois foi em 64. Vão pra casa em silêncio. Depois em 68. Vão pra casa em silêncio. Sei bem essa quadra de tempo.
Esse corredor escuro que a gente passou, né? E aí eu fiz o... Aí que eu fiz a música do Julinho. Mas não podia ser aquele tempo de mancheta, entendeu? Eu tinha que voltar a um golejo que era... Aqui de Porto Alegre, que era participativo. E esse disco, só lembrando, então... Aí tu fez independência. Tu foi o cara que inventou esse negócio de financiamento coletivo. Não é que tinha, não. Eu chupei a ideia. Eu chupei. É porque não tinha saída.
Eu chupei a ideia que era um termo ruim, mas eu busquei essa ideia porque tiramos do Canto Livre, do Canto Livre, não, do... Canto Livre é teu, é o... É o... Céu da Boca do Antônio Adolfo. O Antônio Adolfo fez um disco independente. Ali, por...
88, 79. Depois o canto... Não é canto livre, cara. Boca livre. Boca livre. Lança um disco independente. E foi um estouro. Com toada. Exato. Matou a pau. Porque antigamente fazia um disco independente.
parecia que as gravadoras não gostavam daquele tipo de música, então eu era obrigado a fazer Independente não vou fazer essa música que é muito elaborada não era comercial o Antônio Adolfo com o Jack com música instrumental e o Boca Livre com música maravilhoso no fim, eles quebraram ambos venderam muito bem quebraram esse estigma de ser uma música, entre aspas, difícil
E eu via que a única solução que eu estava contando antes, eu tinha levado essa fita para o Rio de Janeiro, lá para São Paulo. E eles estavam... Já tinha o hipertório gravado. E como eles não tinham possibilidade de gravar ali, porque não gostaram, mas não acharam interessante. Quer saber? Vou eu gravar, porque as músicas... Tem música que a gente faz.
Tu sabe disso, que se tornam cronofóbicas, assim. Elas têm medo do tempo, têm que ser gravadas rapidamente, porque são crônicas, né? Aquele tempo do Julinho, Armadira, tudo isso. Eram músicas que falavam num momento, né? E eu vou gravar. Aí eu chego, eu estava contando para ti antes aqui do A Gente Começar, que eu estava vendo o programa na TVE, e estava a Ana Taborda, que era uma editora de teatro, lançando um livro.
Livro de forma independente, vendendo umas notas promissoras, que o nome é lindo esse nome. Ah, isso é sensacional. Eu achei a ideia linda, romântica, ao mesmo tempo forte, notas promissoras, era um compromisso dela. E era uma parodiante das notas promissoras. A gente tinha encontroso.
Uma grande sacada, né? E eles, pá, tá aí o lance. Um bônus, né? Aí eu inventei os bônus. Aí tu que inventou o bônus. Aí eu ligava pras pessoas, quer comprar um disco? Porque tu comprava o disco antes de sair o disco. Exatamente. Tu comprava no compromisso e recebia, né? Que nem ela fazia, ela queria pagar, a Ananta Borda queria pagar a gráfica.
É, porque se tu já tinha o conteúdo gravado, que era o mais claro, né? Quer dizer, aí tu tinha que fazer a impressão. Tinha que mandar pra Manaus. Não, na época era pra São Paulo. Era vinil? Vinil? Vinil, não era CD. Era em São Paulo.
Na Continental última fábrica Mandava pra São Paulo pra gravar O LP, o vinil E depois E tinha parte gráfica, né Xê? Você fez na Palote? Eu fiz aqui, não foi na Palote O Cantulino fez na Palote Eu fiz na outra Na hora que fazia a arte A capa ficou um pouquinho maior Então era legal Na gôndola de disco O meu ficou um pouquinho maior que os outros Que técnica boa essa de vendar Obrigada
Muito cara de marketing. Deu errado. Foi só, sem querer, querendo, né? Foi muito legal. Sabe que daí tu foi o que abriu esse negócio do Enxin 70? Antigamente, o nome que se dava pra... Quando tu fazia teu disco próprio, assim, chamava-se Matéria Paga. Tu mesmo pagava e tudo. Mas numa concepção de disco de mercado, que ia rodar na rádio, que tu não ia só escutar em casa, que ia ser comercializado, vendido em loja e tudo.
Foi o primeiro, do Rio Grande do Sul. Diz que independente foi o primeiro. Porque eu tinha sido propagandista, trabalhei como propagandista de laboratório. Então, eu vi muito nas farmácias, como é que o meu medicamento estava sendo... Eu fazia propaganda nos médicos e tudo.
Se o medicamento estava saindo, se estava bem às vezes, porque era uma parte de... fazia parte da minha profissão saber como é que estava a logística do medicamento. E eu fiz a mesma coisa com meus discos. Eu entrava na loja de disco, comprava, passava nas americanas ali na rua da praia, comprava uma caixa de bombom, sonho de valsa, chegava para os balconistas que vendiam o disco da Kings, da Casa Coelho, ia dando os bombonzinhos, pô, meu disco parronado, tá cheio de gente comprando aqui.
Ficava rodando a música de fundo, te lembra? E elas botavam a minha música. Estava fazendo um merchandising, um marketing. Fazia ali, para ficar tocando. Tinha essa música que estava tocando. Então fazia um... Tu sabe, tu abriu um caminho, né? A partir dali, no ano seguinte, em 82, o Canto Livre fez um disco diferente. Foi feliz. E o Saracura também, né?
No ano seguinte surgiram mais dois discos independentes, que foi o Saracura e o Canto Livre. E depois veio o Ney Lisboa também. Ney Lisboa veio. Eu enchi o saco do Ney. Pô, tem que gravar. Porque a única solução era ser convidado para uma gravadora. Ou o patinete te convidar para te gravar. Boa aí, tudo e tudo.
E às vezes não acontecia, ficava na fila, de uma certa fila. Para tu ter uma ideia, esse independente do canto livre em 82, depois da festa nacional do disco, que antecedeu a festa nacional da música, que era o Fernando Vieira que ele fazia, lá na Serra, na Canela, no Laje de Pedra.
E lá juntava as gravadoras E os artistas Pra daí bater papo e fazer as assinaturas E fazer a gravação Tanto é que o Canto Livre gravou Assinou o contrato com a Continental Lá com esse disco Que era independente e aí virou Com o Seu Rodrigues Eu lia com o Rodrigues e assinava Pelo Seno Trilhas Eu gravei depois em 83 Pelo Seno Trilhas Que loucura Que música tinha lá E aí
Tem o disco A mais conhecida acho que é Vim Vadiar Faz um pedacinho pra nós Vim Vadiar, Vim Vadiar, Vadiar Meu Deus
Vim, vim, vadiar, vim, vadiar, vadiar, meu Deus. Bonito é ter um caminho, bonito é ter um amor. Bonito é ter um amigo, ter muito amigo para o bolô. Esquina valia bonita, vadiava o meu coração. A gente ficava na esquina, a vida infinita cuspia no chão. Depois, depois, aquela coisinha do samba, batida do som. Malandro, tchacada neguinho, tchacada neguinho, tribom.
Me empresta tua bicicleta Vou dar uma banda dali Esse fato é verdadeiro Eu tive bicicleta E a gente nunca mais voltava Nunca mais E sumia Pedia pra dar uma banda Só uma banda Sumia com a bicicleta
Depois voltava outro. É, várias vezes, né? Xê, esse bapu tá muito bom, hein? E merece, olha, tu sabe que nós estamos tomando aqui um chimarrão especial, com uma erva muito boa, né, Xê? Que é, olha aqui, ó, chimarrão leão. Isso aqui é bagual, Xê. Isso aqui, ó, novidade, hein? Chimarrão leão. O chá de mate leão.
Tu conhece, todo mundo conhece, já tem 124 anos de tradição. Mas o chimarrão-leão, isso aqui é novidade, tá vendo? Então é uma erva nativa, embalada a vácuo, sem adição de açúcar, né? E essa embalagem a vácuo, ela preserva o aroma, preserva o sabor durante muito tempo, tá vendo? Então é bem prático. E também quem gosta, que agora está sendo muito usado aqui também no sul, inclusive isso não era muito comum aqui, mas agora é o tererê.
Não é mesmo, né? É verdade. E a erva mate e a chimarrão leão tem também agora o tererê. Tem vários sabores. O Licurgo gosta, né? O Licurgo gosta de tererê. Tem o natural, tem o abacaxi e tem menta com limão também, né? Qual é o que tu mais gosta?
Abacaxi? Natural? Olha aí, ele é natural. E o xedé é pra tomar com água gelada, né? Eu gosto de água quente mesmo, a 75 graus, que é a temperatura correta do mato, né, xedé? Eu gosto aqui, ó, desse aqui. Procura, então, chimarrão-leão nos melhores mercados, tá vendo? Chimarrão-leão, compartilha aquela emoção. Vai levar também. Opa, leva lá. Bota lá, lá, nas coisinhas dele lá. Bota lá, ali, com alguém.
Vem cá, Xê. Agora, mudando um pouquinho o dial, como se diz, como o Júlio Furse diria, mudando o dial, tu falou de música...
Porto Alegrense, música urbana, tua história é baseada nisso aí, nos ritmos e tarará, mas tu teve uma passagem e vitoriosa, inclusive, pela música, dá pra dizer que é nativista, embora que esse festival que nós vamos falar, que foi o primeiro musicanto da canção latino-americana, eu acho, era um festival um pouco mais aberto.
que o nosso grande amigo, Luiz Carlos Borges, na ocasião era secretário de cultura lá da cidade de Santa Rosa, e ele organizou então lá em Santa Rosa o primeiro musicanto, em 1983.
Um festival, assim, que aquele disco, né, que saiu, tá sensacional. O Canto Livre tava nesse disco também. E tu ganhou o festival, gente. Me conta. Como é que foi tu participar de um festival que tinha essa característica nativista, praticamente? Você sabe que uma vez, eu tive essa mesma pergunta, que eu passei por um... Depois que eu ganhei o Musicanto, eu fui fazer alguns shows no interior, assim, e passei, e fomos almoçar no CTG.
que tinha aberto lá não sei porquê e eu encontrei um galdério e o cara perguntou assim mas xê, como é que tu me ganha esse festival? eu achei demais xê, mas como é que tu me ganha esse festival? me encarando, entendeu? mas xê, como é que tu me ganha esse festival? porque eu não era muito terreno na praia, né? porque foi assim, eu vou explicar o o
O que que... Eu pouco falei, eu falei um pouco, não tinha aqui no início, mas eu nunca falei pra ninguém isso. Vou fazer uma novidade pro pessoal que tá escutando. O meu avô era de Santana no Livramento. E eu nasci com o meu avô, falando de uma maneira.
que era com a dicção e com os termos. E o gaúcho nasceu na estância, estância frutinha em livramento.
E veio estudar depois em Porto Alegre, no colégio militar aqui. Mas até os... Acho que até os 14, 16 anos, acho que eu fiz um científico aqui. Era da Lida. Do campo. Da Lida mesmo. E aí, sabe, os termos dele... Uma vez eu até falei, fiz uma... Eu peguei os termos dele para o meu avô. E...
E eu fiz uma música pra ele, eu te falei há pouco, né? Eu deixei um bairro lá fora, que é meio tanso e demente. Não quer saber de argola, mas tem liberdade na mente. Mas lidera um na sumanta. Uma sumanta é um chá de casca de vaca, botar o bicho na canga, arrele ponta de faca. E assim vai. É um sistema que ele usava, né? Especial de primeira, tem que tutuar. Especial de primeira. Especial, mas que tal, tio? Mas que tal?
E do musicanto, aconteceu algo que foi sincrônico. Eu estava na rua Otávio Rocha, perto do banco que eu tinha a conta, o Branco Bradesco, e o Patinete, o Ayrton dos Anjos, eu encontrei com ele na rua e ele disse o Borges está fazendo um festival novo em Santa Rosa.
Um festival aberto. Tem uma música. Porque a Berê, que é a esposa dele na época, a Berê, que é a cantora Berê, quer voltar a cantar.
Tu tem a música pra ela e eu minto pra ele, assim, naturalmente eu minto pra ele. Eu tenho. Não tinha? Tinha, não tinha nada. Tinha um refrão. Porque quando eu falei, ele falou festival, eu me lembrei do refrão da música. Mas não tinha música, só tinha um refrão, um refrão assim. E o coração, e o coração lá, e o coração. Tristeza abrindo o coração. E só tinha isso. Não tinha lá.
Nem aberto, não tinha nada. E eu entro para ele e vou para casa. Apavorado. Com uma coisa prometida. Eu morava no Cristal, eu peguei o Padre Reus, o Camacuã, um ônibus, e no ônibus eu comecei a me lembrar que eu estava lendo um livro na época chamado Quarupi, do Antônio Calado, que falava, num dado momento lá, o personagem principal, falava das missões.
que era 150 anos, que agora fez 400, mas na época era 150 anos, que... 300 anos, não sei lá, 300 anos então, né? Agora foi isso aí. Então, que não tinha merecido da história mundial dois parágrafos de uma experiência riquíssima com os índios.
com música, com arte, com escultura, de estética, além do trabalho e tudo, mas fora da intenção... E esse livro falava exatamente... A ausência do registro mais forte sobre isso.
Eu não vou abrir, porque tem várias janelas sobre isso, que é da exploração do índio, mas não vou entrar só no aspecto do legado cultural que essa experiência de um século e meio tinha dado para os indígenas aqui no Guarani, das missões todas lá do Paraguai, vinha vindo para cá e tal, tem a ver lá com o Tordesira, tem a ver com...
com a divisão de terra dentro do Paraguai e Brasil. E eu, puxa vida, está aí o lance, festival em Santa Rosa, missões, vou usar esse lance. E aí eu uso a temática das missões por uma relação desse substrato que não existe.
que podia ser mais rico do índio Guarani, em busca da terra sem mares, da sua identidade. Aí fiz o coração lá, o coração lá, e depois fiz sangue aberta, clara vida, sangue aberta, clara vida, sangue aberta, clara vida, sangue aberta, fome, berra, fome, vida. Nossa vida era outra vida ainda. Trigo, índio, índia, campo santo era. Tu gostavas tanto de plantar na terra, nossa, no sangue da terra, nada Guarani.
Que coragem vem parindo, por dentro parindo, vai parindo feio. Não se amansa a rei, o povo da terra. Vai rasgando ao meio esse peito berra, um grito de guerra para salvar a terra, para pôr os gringos, na casa, eram os espanhóis, para os portugueses, para fora daqui. Não eram os gringos, os americanos hoje, que são gringas, tudo que vê. E ali, e o coração, e o coração, vamos lá.
Tristeza Abrindo o coração E o coração E a Belê cantou De uma forma absurda E deixou A plateia pasma De encantamento Pela voz dela Foi muito bonita a emoção E depois de
Isso foi em 83, né, gente? 83. Nós estamos falando de... Exatamente. 42, 43 anos. Não sei fazer mais cálculo. Eu fui ouvir essa música na interpretação do autor e da intérprete no velório do patinete. Exatamente, cantei lá. A gente pegou um violão lá que o João conseguiu. O João foi velado no Teatro São Pedro. E aí eu pedi para o João um violão. E aí...
Na hora que tu chegou, eu larguei o violão na tua mão e despecaxi. Sacanagem. Nós tampamos isso aqui muito... Isso aqui não é a cara do patinete. Eu falei pro Caetano, filho da Berê, com um patinete de picaxi. Isso aqui não tá a cara do... É verdade. O patinete deve estar aqui, indignado. Ele deve pegar uma champanhe das tuas e tomava lá. Aí tava tomando uma champanhe.
É, e o patinete devia estar pensando, mas está essa turma toda aqui e não vai acontecer nada. Aí quando esse louco chegou, eu dei o violão e disse, o que podia fazer, né? Aproveitar que a Berê está aqui. Não sei como se conta aquilo. Quando eu vi de novo, eu tive a oportunidade de assistir tu tocando e cantando com a Berê essa música, que é troço, né, Xê? E só para exemplificar, esse disco está maravilhoso, né?
Tem canto livre, tem alto saldanha, tem... Meu Deus, é uma nata. Tem até artista de Goiás. Qual é a mulher ali? Tocantins Genésio. Genésio Sampaio, antes de ser Tocantins, cantando maravilhoso. Jurendir também, aquele outro Jurendir.
E aí, Xê, se não bastasse, tu tinha uma outra música com a Berê também, que tá no disco. Tá no disco, que era China Livre. Bom, aí, quando o Patinete me convida, e pode ser duas músicas, aí, poxa, tem que fazer uma outra, então. Aí eu me lembrei, tava lendo um artigo das prostitutas da Vandórias da Pátria, da Garibaldi, que eram abandonadas aqui, sabe, jogadas, eram contratadas.
Parecido com o fato do Epstein, esse cara que tá acontecendo. É uma coisa, que são abandonadas com 20 e poucos anos, 19 anos, 17 anos, 14 anos. Que horror isso. São meninas gaúchas, né? Aí me lembrei dessa coisa da mulher cantada, da mulher gaúcha ser uma pessoa forte, bonita e tão maltratada, e tão jogada. Aí fiz uma música que a Belê matou a Paula.
Sou China livre A interpretação dela é Sou peito amargo do tempo Dos peixes vendidos Minha cama na cama do veito Meu palo a leve escondido Uma chinoca Aí vai embora, uma letra comprida Xê, mas que troço, né Xê Então tu entrou, tu deu esse mês Aí fiz uma coisa Peguei uma coisa histórica
peguei uma coisa histórica dos Guaranis e peguei uma coisa já urbana misturada com essa coisa do êxito rural de vir para a cidade para tentar a vida de não ter trabalho essa coisa da cidade essa história é tão verdadeira e que deu também para o Sérgio Napp
junto com o Mário Barbará, desgarrado. Desgarrado, exatamente. Em 81, quando ganharam a Califórnia, a Canção Nativa. Primeira vez que uma música não campeira ganha a Caliandra, né? Que tinha o Saracura interpretando, né? Em 81, interpretando junto com o Mário Barbará. Mário Barbará.
O Saracura também fala dessa questão Do êxodo Exatamente, e tão bonito foi esse encontro Que o Mário Incorpora o Saracura E no ano seguinte participou novamente Eles gravam o O shot da velha É o shot da amizade É preciso dar a mão Dos velhos Dos velhos, as barbas do pai
Barbas brancas, velhas brancas. Foi o Nacional, aquela música ali também. E foi um sucesso, porque ele era... Um gordo sacoja a pança, carregando uma criança. Os homens trabeçoados.
Um gordo saco de pança E no ano seguinte eles ganharam Califórnia, uma linha também Com Campesina, de novo parceria Do NAP com o Mário E com a interpretação do Saracura Também ganharam Campesina falando Da mulher Da mulher do campo Da mulher, aquela prenda que está lá no campo O NAP tinha muito essa coisa O NAP é daquele 60, né? Que a Elis Regina grava a música dele Com o Celso Dorf Cesar Dorf
Ele era parceiro do César Dorff naquela época. Grande Sérgio Nápio. E o Borghetti? Quando é que entra na história com o Borghetti? O Borghetti... Puxa vida! Era um piá na época. O Borghetti teve um lance que foi... Tem que contar o prefácio da história, que é...
O Carlinhos do Cátibos tinha uma Brasília. Está ele e o Toneco da Costa, nessa Brasília, quebrado ali perto do Instituto de Educação, ali na Oswaldo Aranha. Vem passando... Não, ele está quebrado. Vem passando o Toneco e o Ogiba caminhando e ajudam a empurrar para o caminhote do Carlinhos pegar. Empurra e ela pega. E eles entram, pegam a Macaronda com o Carlinhos e vão embora. E passam na frente do Arugiviana. Na frente do Arugiviana,
O Giba era sempre muito astral e muito... Como é... Lissérgico, suas ideias assim também. E disse, Carlinhos, vamos fazer um show aqui? Aqui? É. O ano que vem? Isso é dezembro. Vamos fazer, vamos fazer. Vamos, então encosta aqui.
Ele andou 200 metros ali. Gostou de falar dentro. O Giba contava isso com grande prazer, porque isso demonstrava na época, isso aí é 1981, demonstrava na época toda a não-burocracia que trava, que esgota, que... Galilson de Mistrou era hoje durante o período. Não, mas a história do Giba é mais bonita ainda, porque eu vou contar depois para falar sobre o que o Giba fala.
que falava pra mim, ele sai e entra ali ao redor ali daquela coisa de areal, você lembra? Vai lá nos fundos, entra lá, fala com o supervisor, que eu nem sei quem era na época, e diz que tu quer agir, eu quero uma data aqui, fazer um show. Quando é que tu quer? Pode ser janeiro? Pode. Abre o agenda. Tá bom o dia 17? Tá bom. Tchau, tchau. Acabou.
Vai pensar numa coisa dessa hoje. Viu? Vai pensar numa coisa dessa hoje. Então o Gilberto contava isso com uma felicidade imensa. O Gilberto é assim, né? Assim. Chega lá, faz que data que tu quer. Escolhe aí. Eu quero, sei lá, 15, 16, sei lá, de dezembro, de janeiro. Ah, verdade.
Eu queria tanto que isso repercutisse, essa é a minha fala, e a fala do Gil. E a alegria do Gil me contar isso, porque isso justificava o que seria ter pertencimento com a cidade. Ele chega, depois de pegar a data, liga para o Carlinhos, conseguir a data, liga para mim. Ele disse, Nelson, tem uma data em janeiro, vou fazer um show eu, o Carlinhos da Tchilibe, tu, e já botou no show. E já tinha falado com o Bebeto, e o Bebeto Alves.
É, tá fechado o dia tal de... Tá bom, Chiba. Eu falo com o meu cunhado, que fez as capas do Luiz Antônio, que fez as capas dos meus dias e tudo. Vamos para o Xarelada para Saquinhos. Tiramos as fotos do Xarelada para Saquinhos. Que pena que eu não trouxe, mas eu posso te mandar as sugestões. Tem essa foto.
E vamos, o nome do show. O Giba tinha feito um show naquela época, de 81, em 82. Tinha feito Sobrevivência, o nome do show dele. Eu tinha feito um disco Juntos, em 81. O Bebeto estava cantando uma música, craft mesmo, no festival da Shell, o nacional, assim. E o Carlinhos estava com Do Tempo da Borboleta. E o nome do show ficou Sobrevivendo Juntos.
No tempo da borboleta, craft mesmo. Juntou. Começamos a ensaiar, então temos os três títulos. Fomos lá pra casa ensaiar, morávamos no Cristal. Estamos lá ensaiando e o Roberto disse pra mim, pra turma que estava ensaiando assim, vamos chamar um cara que está começando aí. É um guri que está quebrando tudo e tem 17 anos, vai, toca pra cacete e tal. Vamos chamar, claro, vamos chamar ele. Chamava assim, Borguetinho. Foi lá em casa, ensaiamos, ele tinha 17 anos.
E eu acho que ele inaugura ali, foi inaugura nesse espetáculo. Na Orveira, foi mais de 3 mil pessoas, é um negócio espetacular, assim, tudo boca a boca. O que ano foi? 1982. Janeiro de 1982. O disco dele de ouro é de 84. É, logo em seguida ele faz, né? Isso foi um negócio assim, dessa espontunidade, começa uma carona...
Uma garacilha quebrada e termina com um conserto para 3 mil pessoas. E como ele consegue essa agenda na data, quando que tu quer, tá bom para ti essa data? Imagina alguém hoje chegar num lugar lá e perguntar, tá boa essa data para ti? Tu quer fazer lá?
O Toneco, que ajudou a empurrar essa Brasília junto com o Giba, tocava com o Giba, né? Era um músico, um cara assim que toca violão demais, né? Era uma referência pra nós. Toneco era o cara do violão, né? E ele tocou muito tempo com o Giba, né? Tocava muito com o Fernando Ribeiro. Fernando Ribeiro. Com o Ares Potof, lembra? Fernando Ribeiro, Ares Potof. Era o Fernando Ribeiro, que parceria com o Sisson, né? Arnaldo Sisson. Ares Potof na flauta. Ares Potof na flauta. Mas está aí até hoje.
Che, mas que loucura, Che. Olha, e desse parceiro todo, Borghetti, Bebeto, o que que tu tem na saudade do Bebeto, com certeza. Ah, Bebeto. Bebeto a gente caminhou junto ali. Eu fiz um texto uma vez sobre isso, que era a Isaé, que era essa gravadora Isaé, que ficava na Senhor do Espaço, ali onde é a igreja, ali perto de Duplazinha, sabe? Pô, tu gravou lá. O Guri gravou já, viu? E aí tinha umas reuniões.
Tive umas reuniões, eu não conheci, eu conheci o meu método de rodar na Continental e de encontrar com ele nos conceitos do Mr. Lee, assim, mas não além do Obo. Oi, tudo bom? Nem além disso. E ali a gente se conhece. Aí subimos o Senhor dos Pássaros ali.
Todo mundo foi embora, o Raul foi para um lado, o Nando foi para o outro, o Carlinhos foi para o outro. Mas eu e o Bebeto ficamos conversando, subimos, ficamos na esquina da doutora Flores conversando. E nós ficamos duas horas conversando ali. Aí foi cada um para a sua casa. E cada um nunca mais deixou de seu amigo ali, nessa data ali. Que é muita coisa em comum, né, Chico? É tudo em comum, durou até o ontem da tarde. E o Gelson Oliveira? Também. O Gelson Oliveira eu conheço.
Eu trabalho na TV Difusora. O Gelson Oliveira é um cara que fazia os quiquitos em gramado, festival de cinema de gramado. Ele fazia os quiquitos, ele trabalha com madeira, trabalha hoje com madeira. Ele copia aqueles quiquitos, que eram todos um tipo de um sal, um índio, uma coisa assim, um símbolo. Não sei exatamente o que é esse quiquito.
Ele trabalhava com uma senhora, vou esquecer o nome, desculpe a senhora, desculpe a história. E ele fazia os quequitos e conhecia muito o Fernando Vieira, que ia seguido e agramado, que fazia festa com prefeituras, conhecia esse pessoal de prefeitura e tudo. Sim, em Canela acontecia a festa. E aí o Fernando Vieira convida o Jelson para participar do programa dele, que tinha na Defesora. Ele tinha um quadro de 15 minutos de música.
E ele disse, pô, vou te apresentar, vai pra lá, vou te apresentar um cara que tu vai gostar e tal dele. Ele trabalha na Contena Carvalho lá. Aí eu conheço o Gels por causa do Filho da Vieira. Ele vem e se apresenta no programa do Filho da Vieira. E eu disse, agora vou te apresentar. Ele foi na sala onde eu trabalhava. Pá, foi. E eu falo pra ele. Ele conta essa história que eu disse, eu não me lembro. Ele disse, mas a gente vai fazer muita coisa junto ainda.
E também foi dali, isso é 1977. Tu vê, né, Chico? E desde lá também. E depois, se fizer, tu foi também o cara que mais ou menos capitaneou a cooperativa. O Covidismo, ela foi o primeiro presidente da cooperativa. Compor, né? Compor, né? Compor, depois virou.
Foi o projeto depois. A Cooperativa Mista dos Músicos de Porto Alegre. 1987, eu não esqueci. 7 de 7 de 1987 foi fundada. Eu fui o primeiro presidente por... Não tinha outro. Não, não quero. Eu não fui para aquela nação. Ninguém queria. Não, não. Tinha o César Dorffo. Tinha pessoas mais graduadas lá e tudo, né?
Mas aí foram tirando o corpo e sobrou eu. Não foi aclamação, foi porque tive que assumir a vontade. O livro espancado à vontade. Exatamente. Obrigado, Che. Mas tu acha que hoje falta esse trabalho de cooperativa, de parceria dos músicos?
Tem gente fazendo. Agora, quando teve a pandemia, as pessoas se reuniram. As Murs, né? Tem várias pessoas que se reuniram. Eu acho que cada geração tem a sua... A gente fica falando de gerações, né? A nossa geração, eu sintetizo ela, sabe? Outras também tem, mas cada geração tem a sua maneira de caminhar na cidade, né? Eu acho que a nossa geração não ficou na janela. Sabe? A gente foi ladrilhar, foi... E...
Tem a ditadura também fazendo esse pano de fundo horrível, mas ele deixava a gente próximo, sabe? A gente estava próximo. Só tinha essa saída de ficar próximo um do outro. E eu acho que um ajudou o outro de alguma maneira.
A gente ia ver o mesmo filme, a peça de teatro, a gente via os shows, se encontrava seguidamente. O teatro naquela época estava bombando também. Depois eu bailei na curva. Bailei na curva, em 83, ali, tem o Edipo Rei, tem o Vendo Esses Sonhos, Verdes Anos, depois veio o cinema. O cinema também já entrou. Veio os guris com o Gerbás e os guris. Para nós, para mim, eles eram mais novos que eu.
Essa fase aí, chefe. Fizemos cinema, literatura, música e teatro. E a música nativista também. Também veio, porque era Califórnia. Entrou depois com o Pulperia. O que era o Pulperia? O Pulperia trouxe a música nativista para Porto Alegre de uma forma assim. E uma coisa tão bonita que aconteceu, porque eu produzi junto. E dei um nome, inclusive, um espetáculo chamado Explode 80.
que foi na URGS, na... no... também ali no Norte de Viana também. Ah, no Norte. Até eu tava aqui, quem tava aqui era o... tinha um ator lá de cima que tava aqui. Depois eu me lembro o nome dele. E eu queria falar, o que tu falou agora, foi tão bonito fazer essa relação, porque, assim, isso foi uma coisa muito bonita, que não tinha drama de gênero de novo, assim, sabe?
Esse Flau de 80 tinha pessoal do jazz, tinha pessoal do nativismo, tinha pessoal da música clássica, tinha pessoal da música popular. A música instrumental era fantástica também, tinha cheiro de vida, hálito de funcho, raiz de pedra, circuito emocional.
Era uma riqueza. Isso aí. Parece que a gente está saudosito. Mas não é nada que teve. Como é que a gente está falando? Porque tem... Porque tinha, né? Nós estamos falando... Tem hoje também. Tem hoje. Vários grupos instrumentais bons. Tem, está existindo. Mas estou falando que...
A gente tem o que contar. Acho que barato de uma geração se encontrar, como é que a gente está se encontrando agora. E daí, o que a gente fez? E isso uma vez eu falei num texto também, que o meu filho me perguntaria, daí pai, o que rolou? O que tu fez? Eu não fiz nada, entendeu? Eu não queria dizer isso pro meu filho. Eu juro que eu pensava isso quando eu tinha 19, 20. Eu não vou dizer pro meu filho, e daí o que tu fez?
Entendeu? Eu queria dizer, pô, aí fez isso, fez isso, fez isso, fez isso, fez isso, entendeu? Que tem o que, sabe, produzir saudade, sabe? Produzir saudade, quer dizer, deixar até na revolta, sabe? Pois é, não dá. Porto Alegre, sabe como é que é Porto Alegre, né? Sabe, essa resignação nunca suportei, sabe? Ah, não dá pra fazer disso com aquilo. Não dá pra chuveir, não pode. É muito difícil. Sabe como é que é a cultura, né? É assim, sabe?
não suportar o não, sabe? Não suportar o não, o destino traçado. Assim, tu vai viver assim, tu vai morrer assim. Não. Por isso o disco independente, sabe? Por isso que fazer, como é, deixar, como é, não esperar que a sorte, a sorte te, a tua sorte, o teu azar, te dirija, entendeu? Não, eu vou estancar aqui, vou sair daqui, vou fazer pra cá, né? E essa coisa que tu falou foi muito bonita, eu tenho referido que, no Popeli, outros bares que tinham também na época.
que juntava toda a galera e não tinha a senhora de olhar assim, não tinha um sons lá e um indiferente. Estava todo mundo na mesma praia, todo mundo querendo pagar aluguel, pagar escola, pagar o colégio do filho, se virar com música, viver de música. Quando eu ficava feliz de fazer disco, era exatamente o que eu queria.
Eu ficava muito mais feliz quando eu fazia um show. Uma vez eu cheguei no Teatro Presidente e disse, quantos dias tu quer aqui? Eu disse, quantos dias tu quer? Eu tenho quinta, sexta, sábado, sábado. Eu quero os quatro. Quinta, sexta, sábado. E eu aluguei quatro dias. Hoje eu me cago para fazer um show num teatro pequeno, entendeu? Mas dá quatro. E lotou os quatro dias.
Tu tá entendendo o que significava isso? E eu não fiquei feliz por mim. Agora eu sou foda. Eu fiquei feliz pra botar aquela plateia, botar guela abaixo. E aqui fico muito puto. Até hoje eu fico, engraçado. Com 72, ainda fico puto. Sabe? Com a resignação. Puto com a resignação. Eu queria pegar aquelas 4 mil pessoas que foram lá, sei lá se eram 4 mil, cabia 780, tinha mais de 3 mil pessoas.
Era para mostrar para as próprias pessoas, para os próprios artistas e para os próprios que mexiam com cultura, que a cidade podia ter cultura. Por que tinha 4 mil pessoas ali naquele período? Ou por que lotou lá o Araújo de Viana depois quando a gente fez o Estrada de 80, ou quando a gente fez o Juba-Jiba, ou quando a gente fez o Juntos também, no Araújo de Viana?
Como se lota hoje ainda, deu. Mas na época era uma coisa assim difícil. Porque cultura não dá, porque não sei o que, sabe? E já dava aquilo ali. Não foi agora, foi 1983 esse espetáculo. 43. Se lotava.
Entendeu? Se tinha uma relação que eu falo que é uma palavra chata que é da moda hoje, mas de pertencimento à cidade, eu me pertencia, eu mexia com ela, mexia. Então eu não ficava feliz assim, agora eu sou foda, que é o lote. Nunca fiquei assim, juro por Deus, velho. Nunca fiquei bobalhão com isso. Eu ficava assim...
Eu queria enfiar essa realidade na cabeça do resignado, na cabeça do indiferente. Tá, deixa a cultura. A cultura é sempre a última coisa, sempre o último lado. A última coisa... Não, a cultura é tão importante quanto o esgoto local de uma cidade.
Deixa a cidade em pé, íntegra. As pessoas ficam inteiras com cultura. Não subordinadas à cultura. Não tem nada que o xinofobia, mas não subordinadas. Fica íntegra. Sabe uma pessoa íntegra? E não precisa ser com a cultura exatamente... Uma visão do que é a cultura. Não exatamente uma cultura que vai defender o tradicionalismo apenas por ser retógnito. O tradicionalismo que se mantém é como história. Entendeu? Transformadora.
Não precisa se agarrar. Pode evoluir. Musicalmente pode evoluir. Pode ir além. Pode manter a tradição. Pode manter o que tu quiser. Mas que evolua. Que seja lúcida. Que seja esférica. Em seus tratos. Respeitosa com as suas pessoas. Com seus irmãos. Com as mulheres. E essa relação. Puxa vida.
Até hoje, velho, quando vejo um show, vejo umas pessoas cantando uma música, cantando armadilhas, cantando armadilhas, cara, eu venci. Mas eu não venci por causa da música, eu venci na proposta que eu tinha, que a cidade pode ter suas canções, pode ter sua discrição, e quando eu escuto cantando...
ou mais uma canção do Bebeto, ou eles cantam uma música do Ney, ou uma canção de uma música do César Dorf, ou estamos cantando, a cidade se justifica como cidade, ou como estado. Eu fiquei, durante muito tempo, com medo terrível de cantar Cidade Maravilhosa. Fiquei com muito medo, sabe? Cidade, essa música não é da minha geografia.
E a gente cantava, como é nos bares de carnaval, cadê a música de Porto Alegre? Mas por que eu tenho que cantar a cidade maravilhosa, cheia de encantos mil? No Rio de Janeiro, eu estudei a tua cidade para valorizar. Porque cadê as nossas canções? Eu tirava um sarro, um avião, eu falei para o Fischer, o Fischer foi um programa de...
Não era programa de rádio, era uma entrevista que ele botou no livro depois. E eu falei para o Fischer que o porto-aleguense só se via de manhã quando escova os dentes, entendeu? Só de manhã, porque não se vê mais. Na televisão não se via mais.
Era o menino do Rio, na época, era o menino do Rio. Era tudo outro, tudo outro, tudo outro. E não sabia, a autoestima do Paraná da Grande sempre foi baixa, pequena. Quando não, quando não podia ser, não precisaria ser. Ele podia ter o seu grau de entendimento do significado dele, sem precisar ter autoestima. O Tieto São Pedro, que tu sempre lá lota, guri, há muitos anos.
E não é um dia, outro outro, uma semana. Aquele teatro ficou fechado 15 anos. Isso aqui aconteceu em Porto Alegre, quando ele fechou e ficou fechado 15 anos? Nada. Nada. Não aconteceu nada. Não teve barricada ali na praça. Não teve na ladeira ali. Não teve movimento cultural. O teatro ficou fechado. O Araújo. Aquela nave, era uma návia, né? Aquela nave estacionada, caindo aos pedaços.
Aí fiquei pensando, puxa, que autoestima do gaúcho, né? Ele deixa aquela nave ali apodrecendo na frente dele e não faz nada. Sabe, deixa o teatro fechado 15 anos. Sabe o que é um teatro fechado? Sabe, um coração que pulsa a arte, pulsa a cidade, estrangulado, fechado.
Não se faz isso com uma cidade. Tu tem que, sabe, qualquer governador, qualquer secretário de cultura, qualquer um, município, estado, tem que se envergonhar do não gesto. Tem que se envergonhar da resignação. Eu não fiz nada. Tu não fez nada. Nem mexeu uma palha. Aí vem a Eva, vai se mexendo com os alemães. Aqui vai trabalhando.
Uma a uma, pegando as famílias, botando uma grana. Olha só! Hoje tem um complexo ali sensacional, o teatro novo, que é o Teatro Simões Lopes, que está substituindo provisoriamente o grande Teatro São Pedro. Substituindo no sentido de que os espetáculos estão acontecendo lá em um teatro grande também, em quase 600 lugares. E o Teatro São Pedro, a gente espera que volte agora. Volta, tomara que volte, né?
Mas só para exemplificar, tu falou uma semana, teve ano ali, que o mês de abril era todo. Chegou a fazer 28 espetáculos no mês de abril, no Teatro São Pedro, de terça a domingo, com sessão... Isso chama-se marco histórico, entendeu? São 200 apresentações no Teatro São Pedro. É marco histórico, não existe isso. Que loucura, né?
Quem é que fazia esse trabalho? A gente tem esse orgulho. Com certeza, tem que ter. Até aproveito aqui, né? Uma entrevistada dele, você já aproveita para você... Quando é que tu vai estar lá? Quando é que tu vai estar lá?
Não sei, como tu falou, agora não está tão fácil assim, né? É difícil. É mesmo? É, mas de qualquer forma, a gente está esperando o Teatro São Pedro voltar agora para poder voltar com força total. A gente tem que voltar, né? A cidade precisa de ti, né? Vem cá, Xê. Nós temos um parceiro aqui, que é a Nutriri, que fabrica essas rações aqui, Xô. Opa! Birbo Prêmio.
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Então tem que ter todo... Isso aqui é uma ciência, né? A Nutrile é a Líder Garibaldi e exporta pra, sei lá, acho que mais de 40 países, né, exporta pra o Mundial de Gênesis. Nutrile, dê o melhor pro teu pet. Guarda lá, Lícogu. Ele não vai levar porque ele não tem cachorro. Tinha até pouco tempo. Se ele tivesse, ele ia levar. Levava mesmo.
E, Catia, nós estamos já conversando bastante aqui com o nosso amigo aqui. E tem história ainda, né? Depois tu teve lá, em 96, o Verniz da Madrugada, que foi outro trabalho. E depois, daí tu ganhou o melhor disco. Ganhou três prêmios. Um monte de prêmios. Três prêmios assolianos.
O Prêmio Assuriano é um reconhecimento muito especial que temos aqui. Tem que ser mais valorizado, inclusive. Tem que ser mais valorizado. O Prêmio Assuriano tem que ser uma chancela também de trabalho realizado, que tenha uma referência e tem que ter mais visibilidade. Tu ganhou três Assuriano nesse trabalho.
E o melhor compositor. E turnê na Europa. Como é que foi? Tu foi com quem? Fui com o Gelson Oliveira, com o Bebeto Alves e com o Totonho. Ah, mas aí já é o Juntos. É o Juntos, é. Esse trabalho, quanta empolgadinha esse trabalho? Ah, foi por isso. Quatro feras, né? O Totonho, que eu não tinha falado ainda, não sei o que aconteceu. O Totonho aqui também, que depois virou Antônio Villarroa. Exatamente. E eu... Não dá pra chamar de...
Era o tempo do Totonho E juntos Foi um trabalho, porque eles estavam juntos Fazendo quatro compositores E intérpretes maravilhosos Cada um com seu trabalho Juntaram as forças Mas foi sem querer querendo de novo Porque tem uma coisa, de novo era o de Viana
Nós tínhamos sido convidados, independentes cada um, assim, pelo Gilmar Otelwein, que era o coordenador de música do município e ficava lotado ali na Orde de Viana. Para fazer o espetáculo de final do ano, tipo no Balanço Cultural, uma coisa assim, um espetáculo. Cada um com a sua banda e tudo. Nós estamos no Saguão, o Bebeto chegou, eu cheguei, o Gels chegou, o Totonho, o Antônio Vila-Ruado chegamos. Estamos no Saguão, esperando para entrar na sala do Gilmar.
E o que tu vai fazer? O Gilmar chamou. Ah, eu também. Cada um com a sua banda. Ah, legal. Aí ficamos olhando assim. Mas por que cada um... Por que cada um vem só com o violão e a gente faz uma banda única? E se reunimos e fazemos com um percussionista, uma coisa assim. Sim, é mesmo, Tchê. E aí, ali nasceu juntos.
Era o nome do meu disco, Juntos, né? Mas eu não me importei Vamos fazer juntos, não te importa? Não, vamos botar um nome juntos E aí fizemos na hora de venda, no final do ano Já em abril do outro ano, o Patinete nos convidou para gravar o disco Ao vivo, no Teatro Renascença A gente vai para a Europa
Ficamos lá uma temporada de um mês, mais ou menos, fazendo shows pela Munique, Viena. O Totonho e o Bebeto tinham ido para a Europa antes e já tinham um ciclo armado lá. O Totonho tinha uma... Tinha um network lá, já fazendo... Na França. Em Munique. Viena também.
Onde eu tinha o... Ais de Pedra. Ais de Pedra estava lá. Circuito Emocional. Isso. A Áustria, né? Isso. Aí fizemos lá. Aí gravamos na volta. Cada um, com a sua carreira, eu ganhei disco enquanto isso. Fiz algumas coisas. E a cada ano começamos a fazer uns espetáculos pontuais aqui. Fizemos várias vezes no Sgt. Pepper. Aí gravamos outro disco.
que é o Povoado das Águas, que é só voz e violão, os quatro voz e violão. Aí voltamos para a Europa de novo. Fizemos lá em janeiro, fizemos Paris e Sanahí também. Aí voltamos, fizemos aqui o...
o Fórum Mundial, fizemos aqui. E depois fizemos o Teatro São Pedro antes do Bebeto morrer, fazer cedo. Pois é, isso aí vocês fizeram juntos, agora uns dois, três anos atrás. Um pouquinho antes do Bebeto partiu. Até tem que falar com... Fazer produção, pegar alguma coordenação de editar, alguma coisa assim, para editar o que gravamos ao vivo com um corte de cordas ali no Teatro São Pedro. Nós fizemos uma temporada ali.
E tá pronto esse disco Tá pronto Agora só um recorte aqui Da música Armadilha Tu teve essa música gravada pelo Zé Cabaleiro Foi, foi gravada O Paulo Nascimento, não sei se tira a Badeira É um compositor de Santa Maria Paulinho Nascimento
Ele foi fazer cinema e foi trabalhando no Rio de São Paulo e fez um projeto, uma série chamada Série Animal, pela GNT. E quem produziu a trilha sonora foi o Silvio Marques.
E o Silvio Marques, ou o Paulo, sugere para o Nelson ver se ele é em contato, porque ele sabia que eu conhecia o Zé Cavaleiro, se ele convida o Zé Cavaleiro para gravar a armadilha. Aí eu liguei para o Zeca e ele disse, pô, eu gravo até, mamãe, eu quero contigo. Aí gravou o quê? Conheci há muitos anos. Tu pensa assim para nós, hein? Falta pouco tempo, eu sei, mas quando a gente é pequeno...
O tempo custa pra passar, também a gente pode crescer. Não é preciso que me diga se tem alguém atrás da porta. Esperando pra atacar e cumprir armadilhar.
E receber o beijo frio da laminar no coração. E como o hábito de ser enxuga a lã, a laminar não repara. No cuspe que sai, no vento venta.
a minha vontade. Vamos botar no branco este preto cambada de feta na mão que sei da lima grossa, sei da lenha minha paixão.
Que respeito. Que respeito. Olha, nosso perseguidor ele, ele, você arrepiou ali, né, Xê? Não, tu viu que gravou que tem? Isso aí se escuta no Spotify, todo o teu trabalho. Tá tudo no Spotify. Essa é uma música pra falar pra dar crédito, né? É uma parceria com o D.R. Ribeiro. D.R. Ribeiro.
Tá todo o trabalho, o pessoal tá afim de escutar o trabalho. Não só na Spotify, como todas as streams estão lá. Olha aí, viu, Xê. Então, quem quiser escutar, Nelson Coelho de Castro... No YouTube também tem tudo. É só procurar lá, pra te achar, assim... É só procurar Nelson Coelho de Castro no Instagram, tem vários vídeos também, mas no Instagram... Sempre com o teu nome, Nelson... Spotify é Nelson Coelho de Castro.
E acho, todos os sete discos vão lá. Tem umas 80 músicas lá. Olha só, Che. Tem assunto, hein? Barbaridade. E o mais interessante, Che, é saber, né, que tu ouve a música, tu canta e gosta, mas a história por trás de cada música, Che. Hoje aqui ele deu uma palhinha, deu algumas aqui, tu fica impressionado. Tem muita história. A música, quando chega lá, a gente chega a ouvir a música...
A história já aconteceu e ele registrou isso aí. Que bacana. Pois olha, então, eu podia ficar mais um tempão conversando com o Nelson Coelho de Castro aqui. E essa lenda viva, como se diz, da música gaúcha, né? Gaúcha como um todo, porque ele faz samba, ele participou do festival, né? E também a música gaúcha. Tem marchinha de carnaval. Tem marchinha de carnaval. Música de criança também. Qual é aquele sambinha a mais que tu mais gosta? Fala aí.
Samba? É. Poxa, conhecido? Não. Dos teus. Dos meus. Faz, faz a cabeça, faz com cachaça, faz a razão, mas toma cuidado.
Com a folia e a da situação Se foi por causa de nós Que este bandido fugiu Nós saímos dando atrás dele Faz ele voltar pro Brasil História que ele vai vir Tremer com os bonecos daqui Nós não somos pelego E nem cheiremos ao jasmin Vê só o fedor se diz que faz
Faz a cabeça, faz com cachaça, faz a razão.
Mas que barbaridade, xe! Esse é Nelson Goelho de Castro, tá? Então, aqui é o compositor, cantor, produtor musical. Referência na música feita aqui no Rio Grande. E tu aí, xe, gostou do programa? Te inscreve no canal, né?
E já põe nos comentários aqui se tem alguém que tu queira, que a gente traga aqui e a gente traça também, né? Olha, hoje a gente falou um monte de nomes aqui que nós vamos agora procurar trazer aqui também. Tá vendo? E não esquece que o MatiQS tem também nas plataformas de áudio. Que nem tu encontra o trabalho do Nelson, tu encontra também o MatiQS. Quer ouvir o MatiQS lá, andando na esteira?
Andando de bike. Bota um aparelhinho aí. Bota um fonezinho de ouvido. E vai ouvir o Matcast na Spotify, Deezer, Apple, Apple, Google, essas coisas tudo aí, tá vendo? Tchê, tu não tomou teu mate, mas nós vamos fazer um brinde. Vamos fazer, não, vou tomar sim. Ele vai tomar o matezinho dele agora no final. Mas que barbaridade! Um abraço.