VERTICALIZAÇÃO E GENÉTICA: O FUTURO DA PECUÁRIA - José Pavan Neto | Ep. 138
Você sabia que a verticalização da pecuária e genética de precisão podem revolucionar os resultados de produção e a qualidade da carne? Neste episódio do Mais Rúmen, exploramos como o uso de estratégias genéticas avançadas e a integração vertical (do campo ao mercado) estão influenciando os atributos da carne e a competitividade do setor no Brasil.
"Quando você une genética de qualidade com gestão técnica da produção, o impacto nos índices produtivos e na carne é enorme."
– José Pavan Neto
José Pavan Neto é zootecnista com atuação consolidada na JP Agronegócios e como presidente da AIC-MTN, liderando iniciativas de melhoramento genético da raça Montana e de produtividade no sistema de produção de corte… além de valorização da qualidade da carne por meio de decisões técnicas e genéticas alinhadas às demandas de mercado.
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Episódio: VERTICALIZAÇÃO E GENÉTICA: O FUTURO DA PECUÁRIA - José Pavan Neto
Podcast: Mais Rúmen Podcast
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Apresentador: Dr. Miguel Santana
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Convidado: José Pavan Neto
instagram.com/netopavan
- 00:00 — Introdução
- 02:15 — O que é verticalização na pecuária
- 05:45 — A importância da genética na qualidade de carne
- 09:30 — Tomada de decisão técnica e índices zootécnicos
- 13:20 — Do campo ao consumidor: o papel da cadeia produtiva
- 17:00 — Tendências e desafios da pecuária moderna
- 20:30 — Recomendações práticas para produtores
- 24:00 — Conclusão
Apoio:
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- Gagueira e GenéticaPrograma genético do Montana · Seleção de animais para produção de carne · Ultrassom de carcaça na seleção genética · Características de carcaça (área de olho de lombo, marmoreio) · Origem e características da raça Montana · Animais compostos e a busca por complementaridade entre raças · Pressão de seleção e descarte de animais
- Verticalização e ManufaturaConceito de verticalização na pecuária · Farm to fork na pecuária de corte · Desafios da verticalização na pecuária de corte · Modelo de negócio da JP Agronegócios · Loja Beef Container
- Qualidade de ProdutosValor agregado da carne de qualidade · Rastreabilidade e história do produto · Demanda por carne de qualidade e marmoreio · Mercado de carne experiência · Diferenciação de cortes e valorização · Consumo de carne vermelha e tendências futuras
- Produção de CarnesOferta constante de animais e produtos · Desafios do confinamento em épocas chuvosas · Logística refrigerada e controle de temperatura · Gestão de estoque e validade da carne · Criação de demanda e fidelização de clientes
- Agronegócio e EconomiaDesafios de sucessão e inovação em empresas familiares · Gestão de negócios e profissionalização · Habilidades essenciais para profissionais do agronegócio · Importância do networking e relacionamento · Coragem e tomada de decisão para empreender · Humildade e a importância de se cercar de bons profissionais · Leitura e aprendizados (O Essencialismo)
- Associação Montana CriadoresExperiência de José Pavan Neto na associação · Objetivos e atividades da associação Montana · Suporte técnico e orientação para criadores · Modalidade de criador júnior e avaliação de rebanho
Ao longo do tempo, Miguel, a gente foi estabelecendo alguns critérios que a gente considerava importante para que a gente tivesse um rebanho produtivo e com carne de qualidade. Então a gente tem o programa genético do Montana, que faz a seleção, a gente avalia todos os animais no nascimento, na desmama e no sobriano. Então é um banco de dados com uma confiabilidade já de...
30 anos de muitos animais avaliados, muitas informações, que nos dão essa confiança para poder oferecer no mercado esses animais que são seipe, né? Só tem 27% dos machos que viram touros. As fêmeas a gente até então usava um critério de fertilidade, de precocidade sexual, então as que emprenhavam aos 14 meses eram a nossa reposição.
E com o passar do tempo a gente começou a incluir algumas características, como o ultrassom de carcaça, para fazer essa seleção do Montana para a gente. Então a gente faz uma seleção baseada para a nossa fazenda, para o nosso negócio, para a nossa realidade.
Olá, ouvintes do Mais Rumi Podcast, estamos aqui para mais um episódio muito especial. Eu sou o Miguel Santana, o seu host de hoje, e hoje a gente vai falar sobre verticalização na pecuária, um pouquinho de genética, um pouquinho de história, qualidade de carne. E é com muita honra que eu recebo aqui José Pavaneto. José Pavan, muito obrigado por aceitar o nosso convite, mas antes de você escutar esse episódio...
Não esquece de curtir, compartilhar. Também comenta aqui algum ponto que a gente discutiu aqui, alguma coisa que você acha interessante, comenta. E se gostar do episódio, não esquece de compartilhar com seus amigos, tá bom? Bom, Zé Pavan, muito obrigado aqui por ter aceito o nosso convite novamente. E eu queria que você contasse um pouquinho da sua história, primeiramente, para o pessoal te conhecer, né? Quem ainda não te conhece, né? Quem é o Zé Pavaneto?
a sua origem e como é que você chegou aqui até hoje. O Mais Rumem Podcast só é possível através do apoio de empresas inovadoras e que apólam a educação continuada na bovinocultura brasileira. Tortuga. Há 70 anos liderando o avanço no campo. Rumenzim. Tradição que gera confiança. Ilana. Agilidade e precisão na análise de alimentos, com opções de resultados em tempo real.
Novo Neses, transformando o mundo através da biologia. Adseu, produtora do Smart Amini M, a referência global em metionina protegida para ruminantes há mais de 30 anos. Obrigado pelo convite, Miguel. É uma honra participar aqui com vocês, contar um pouco da nossa história, um pouco da nossa experiência com a pecuária de corte, um pouco de seleção, carne de qualidade e verticalização, que é o último.
a última etapa aqui do nosso processo, dessa história, a gente já está há 38 anos lá no Mato Grosso do Sul, que é basicamente a minha idade, meu avô comprou a fazenda lá em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, em 87, eu nasci em maio, ele comprou a fazenda em junho e faleceu em agosto. Então a gente...
deu continuidade nesse legado aí, numa época tão difícil, né? Lá não tinha braquiária na época, um monte de desafios, mas mais para contextualizar, eu sou zootecnista também, formado aí na USP de Piracicaba, na 27ª turma, fiz meu MBA em Piracicaba, lá na Exalc, em agronegócios, e desde então eu atuo na nossa empresa familiar, que é a JP Agronegócios, que tem um projeto de pecuária e agricultura.
lá em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, onde eu mencionei antes, lá da nossa empresa familiar. E desde que eu me formei, na verdade, eu vim trabalhar nessa empresa da família. Então, encaramos desafios de sucessão, de trazer inovação para a fazenda, trazer mais gestão. Isso estamos falando lá em 2010. Em 2011, a gente teve a oportunidade de comprar um rebanho Montana.
do qual o pessoal da USP e Pirassununga fazia avaliação genética do programa. Eu conheci esse gado através do Bento e do Joanir, que conduziram muito bem esse programa geneticamente falando, desde o início, hoje o Montana já tem mais de 30 anos no Brasil, e eles que começaram esse projeto com um grupo de criadores na época.
E aí me plantou aquela sementinha da curiosidade, porque a gente já trabalhava com cruzamento na época, que eu já frequentava a fazenda, mas a gente não teve sucesso com outras raças, tivemos uma dificuldade para fazer cruzamento a campo, enfim. Inseminação artificial não era uma realidade ainda, e aí a gente acabou saindo da cria. Mas a gente ficou com aquela lacuna lá na nossa...
no nosso sistema de produção, dependendo sempre de comprar Biseu do mercado, sabíamos que não é a mesma qualidade, né? A gente sempre teve esse perfil de fazer o ciclo completo. E aí, quando surgiu a oportunidade de comprar esse rebanho Montana, em 2011, a gente agarrou a oportunidade para dar sequência aqui na seleção. Enfim, acho que vamos contar um pouquinho de cada etapa aí, conforme você for conduzindo, mas é basicamente...
Esse é o início do contexto dessa história de verticalização, Miguel.
Excelente. Interessante a gente falar sobre verticalização, é um termo que a gente já escutava em outras espécies, acho que em aves e suínos isso é muito evidente, onde empresas fornecem a genética, garantem a recompra dos animais, comercializam a carne, e eu acho que deve ser muito desafiador você pensar nisso numa cadeia tão complexa como a pecuária de corte. Nesse sentido, pensando nessa ideia do famoso farm to fork, ou seja, a gente...
ter todos os elos da cadeia, desde a produção até chegar na mesa do consumidor. Como que surgiu a ideia de você trabalhar com esse elo inteiro, levando realmente desde pensando na genética até o consumidor final? Você se inspirou em algum modelo de negócio? Como é que surgiu essa ideia de você partir, de você ter todos os elos produtivos da cadeia?
Então, Miguel, na verdade, a gente sempre foi um perfil dentro da porteira, né, cara? Então, eu nunca tinha pensado nisso até começar a trabalhar com esse gado de cruzamento, o gado Montana.
a fazenda sempre vendeu commodity, o Montana já trouxe benefícios do tipo de precocidade sexual, de aumentar o giro da fazenda, porque a gente conseguia abater os animais mais cedo, então as fêmeas entram mais cedo em reprodução, os machos entram mais cedo para o abate, isso já trouxe uma dinâmica diferente, a gente conseguiu encurtar o ciclo de um ano, basicamente, comparando o beiseu que a gente produzia com o beiseu que a gente comprava.
Então, a gente sempre teve um foco muito nesse produtivo, né? E aí, com o passar do tempo, a gente foi percebendo que o gado que a gente estava produzindo como commodity tinha uma carne de qualidade excelente, né? Tanto pelos abates que a gente fazia para a gente, assim, como nós, enquanto consumidores, sem ser especialistas.
Mas aí a partir do momento que a gente teve a oportunidade de mostrar essa carne para as pessoas com mais experiência do mercado, e eu digo isso, o primeiro que me abriu os olhos aqui foi o Eduardo Pedroso lá do JBS, quando a gente fez um abate para 19,53, que o Montana é habilitado para...
participar desse protocolo, ele falou, cara, você tem noção da carne que vocês estão produzindo? Vamos colocar isso num restaurante, né? Na época tinha o Touro Negro lá em Bragança, que ele era sócio, a gente fez um festival com a carne, e aí que acendeu esse alerta do tipo, poxa, a gente tá vendendo um comodito de uma carne que tem um valor agregado que as pessoas querem consumir, né? E a partir de então comecei a olhar pra esse mercado, pra esse novo negócio, né? Com um olhar diferente, né?
dentro das grandes indústrias hoje é muito difícil você conseguir rastrear para onde vai sua carne, para conseguir posicionar, enfim, a gente não tem um super volume muito grande, então a gente começou um relacionamento, na verdade já tínhamos um relacionamento com o frigodil aqui de Três Lagoas, que é um frigorífico menor, que hoje só bate fêmeas, enfim, voltado para o mercado interno. E ele estava construindo uma linha...
de animais taurinos, né? De F1 angus, enfim. E oportunidade para outras raças também. Foi aí que eu cheguei para o Marquinhos, lá do Tricarn, e falei, olha...
eu tenho esse gado assim, são fêmeas precoces, no máximo primíparas, né, que falharam na primeira estação, na segunda estação, então, assim, é um gado que é habilitado para esses protocolos, com essa qualidade, a gente tem confinamento, então a gente tem pastos de integração na fazenda, então, assim, a gente tem uma estrutura legal da porteira para dentro, que...
nos possibilitou chegar também nesse resultado, que não adianta só ter a genética também. A gente precisa ter um manejo legal, a gente precisa ter uma equipe bem treinada, enfim, bem-estar animal, vários fatores. Mas eu precisava de uma indústria parceira em que eu pudesse participar desse movimento com um volume menor. Hoje a gente está falando de 40 cabeças por mês, que é o que a gente consegue produzir, a JP Gronegócios, para a JP Bife.
e o Marquinho lá abriu as portas da indústria pra gente, a gente começou a fazer esse trabalho juntos, a carne foi tendo aceitação, e eu costumo brincar que eu comecei um serviço meio de boca a boca mesmo, de formiguinha. A gente fez o abate lá com eles, eu comecei a trazer essa carne aqui pra Paulínia, pra Doutorio de São Paulo, que é onde eu moro, aqui na região de Campinas. Aí comecei a levar num churrasco, num amigo, num parente, num sei o quê.
E as pessoas falaram, nossa, que carne boa. Onde que eu consigo comprar essa carne? Eu não tinha um lugar pra... Ainda não tinha um ponto, não tinha nada. Aí eu falei, você quer saber? Eu vou começar a trazer eu mesmo essa carne. Lógico, o frigorífico me entregava aqui em Campinas. A gente tem um ponto de apoio aqui. E aí eu comecei a armazenar aqui no meu escritório, que é onde eu tô agora gravando esse podcast. Foi meu QG aí inicial, né? Lógico, todas as carnes com selo de inspeção, tudo certo, mas...
comecei a fazer uma coisa bem informal mesmo, porque eu falei, putz, eu não posso ter risco, né, cara? É um mercado que tem muita competição, é um mercado que o boi no pasto não estraga, mas agora a carne em 60 dias você perde.
é uma dinâmica diferente para varejo, para atacado, e a gente estava começando, né? E, bom, enfim, eu comecei nesse boca a boca aí, de um em um, eu mesmo vendia, eu mesmo levava, eu mesmo fazia tudo aqui, até que no final do ano, cara, eu tinha umas 200 pessoas comprando o meu WhatsApp.
nesse serviço de boca a boca mesmo, daqui na cidade eu levava, fazia kit de carnaval, que nem agora tem carnaval, fazia um kit para as pessoas que iam viajar, ou datas comemorativas, que nem dia dos pais, Natal, dia das mães, e aí fui aproveitando essas datas, montando o kit, as pessoas foram comprando com uma certa recorrência, porque a carne era boa, o produto fidelizava, eu procurava fazer um bom atendimento, mas aí chegou um ponto que ficou inviável fazer toda essa logística.
porque eu não tinha mais esse tempo, enfim, tem a fazenda, tem outros negócios que dependem da minha dedicação. E foi aí que a gente decidiu abrir um primeiro ponto físico aqui em Paulínia. É uma loja multimarcas, mas que o carro-chefe, o produto principal é a carne produzida lá na JP Agronegócios.
que é a loja que se chama Beef Container. Ele é um container com foco em carne, uma conveniência em carnes. Em cinco minutos você passa lá, você resolve a sua vida, compra carne para o seu churrasco, para uma festa, para uma viagem, para um almoço, para uma refeição. E é isso, trazer exatamente isso que você falou, a carne da fazenda direto para a mesa do consumidor, contando essa história de origem, de procedência e de padrão, que é o que a gente sempre preconiza da nossa marca.
O campo avançou muito, mas tem um detalhe que permanece o mesmo. A tortuga sempre esteve lá. Uma referência em nutrição animal, com soluções que sustentam o desenvolvimento de fazendas em toda a América Latina há gerações. Sustentabilidade e conhecimento são os componentes de todas as fórmulas tortuga. É por isso que onde você encontra qualidade, tecnologia e produtividade, lá está a tortuga. Acesse dsm.com.br para saber mais.
Excelente, excelente. E como é que você consegue conciliar? Eu estava pensando agora, você tem uma... Vocês conseguem produzir uma quantidade interessante de animais, né? Que realmente...
para poder fornecer aí na loja, mas como é que você consegue conciliar isso também com o processo de seleção do Montana? Porque a sua fazenda também trabalha com genética, José Pavão, então como é que você consegue equilibrar as duas coisas? Geralmente a gente vê a especialização numa propriedade focada em um mercado específico, o cara vai fazer genética, o cara vai produzir carne, você está conseguindo juntar isso daí, como é que funciona o processo de seleção dentro do seu rebanho, da sua fazenda?
Ao longo do tempo, Miguel, a gente foi estabelecendo alguns critérios que a gente considerava importante para que a gente tivesse um rebanho produtivo e com carne de qualidade. Então, a gente tem o programa genético do Montana, que faz a seleção, a gente avalia todos os animais no nascimento, na desmama e no sobriano. Então, é um banco de dados com uma confiabilidade já de...
30 anos de muitos animais avaliados, muitas informações, que nos dão essa confiança para poder oferecer no mercado os animais que são safe, só tem 27% dos machos que viram touros. As fêmeas a gente até então usava um critério de fertilidade, de precocidade sexual, então as que emprenhavam aos 14 meses eram a nossa reposição.
E com o passar do tempo a gente começou a incluir algumas características, como o ultrassom de carcaça, para fazer essa seleção do Montana para a gente. Então a gente faz uma seleção baseada para a nossa fazenda, para o nosso negócio, para a nossa realidade. E acredito que a nossa realidade seja parecida com a de muita gente.
E isso nos dá esse conforto, talvez, não sei se é essa palavra, mas essa confiança de poder oferecer para o mercado. Poxa, se serve para a gente, está entregando resultado para a gente, esses animais podem trazer resultado e entregar muito mais também na fazenda de quem adquirir essa genética. Então, nós aliamos toda a bagagem do Montana, focado sempre na produção, animal com índice bem focado em ganho de peso, desenvolvimento.
precocidade sexual também, e incluímos características de carcaça, ultrassom de carcaça, a gente já vai para quase 10 anos fazendo isso, então a gente mede a área de olho de lombo, que é o critério número 1 para a gente, voltado para a qualidade, a gente entende que não dá para ter um animal com marmoreio ou com foco em características de gordura se a gente não tem um animal produtivo, então dentro desse universo dos animais que a gente considera...
elite ou classe A, como queiram, para essa característica, a gente vai desenvolvendo as características de espessura de gordura subcutânea e marmoreio. A gente mede gordura na picanha também, apesar disso hoje não ser um critério, mas principalmente a área de ouro de lombo, EGS e gordura intramuscular.
Então, enfim, Montana tem mostrado no início uma variação enorme, né? A gente tinha animais muito bons para umas coisas, muito bons para outros, animais ruins para tudo. Mas ao mesmo tempo aí que estava oportunidade, né? Para a gente poder selecionar, né? Hoje em dia, com essa ferramenta do ultrassom, não existe mais falar tal raça é boa para isso ou tal raça é boa para aquilo.
A Feicorte do ano passado, não sei se você teve a oportunidade de estar lá, fez uma degustação de 14 raças diferentes, zebuínas e taurinas compostas, justamente de quem faz esse tipo de avaliação. E todas as carnes estavam boas, o Montana estava lá, representado pela nossa fazenda, e foi um sucesso, a gente fez mais de 300 porções em duas horas, esgotou, foi muito legal.
que mostra justamente esse o caminho, né? Quando você tem variação dentro da raça ou dentro do seu rebanho, tem oportunidade de você selecionar para melhorar aquilo que você quer. E foi exatamente isso que a gente tem feito ao longo dos anos com o nosso rebanho.
Interessante você falar dessa variação. Eu acho que... Até você pode contar um pouquinho para a gente sobre a origem do Montana? Eu acho que a origem do Montana pode explicar um pouquinho como a gente encontra tanta variação dentro da própria raça. Eu acho que isso é um caminho muito interessante para quem realmente está fazendo melhoramento. A gente consegue selecionar melhor, claro, se a gente tem mais variação.
E você poderia contar um pouquinho para a gente do histórico da raça, da raça Montana, também as principais características que você enxerga de vantagens mercadológicas do Montana? Você que é um criador, não somente criador, como também presidente da associação. E se puder contar para a gente um pouquinho dessa experiência sua com o Montana. Então, Miguel, na verdade o Montana, ele surgiu o conceito dele americano, né? Ele é um...
conceito de um animal composto. A gente dentro do mundo não acredita que uma raça seja melhor do que outra para todas as características. Todas as raças têm alguma coisa para contribuir. Então, a gente copiou o modelo basicamente do frango e do suíno, que hoje praticamente não existem mais raças puras. Existem linhagens direcionadas para cada objetivo. Tem uma linhagem...
do frango para rendimento de carcaça, para desenvolvimento do peito, que é o corte mais nobre. E aí, na composição, tem N tipos de raças. Então, basicamente, essa é a ideia do composto, de trazer essa...
essa complementaridade entre raças, né? E porque justamente a gente não acredita que exista uma que seja melhor para todas. Então, começa daí. Aliado a isso, o Mundana nasceu num berço de melhoramento genético, então a gente 100% acredita que animais avaliados...
a gente só consegue melhorar aquilo que a gente mede, então a gente mede várias características para que isso se transforme numa informação genética, que é a DEP. Com essa DEP a gente gerou um índice que a gente julgava interessante, a partir daí a gente consegue selecionar quem são os animais melhores da safra para esses sim continuarem produzindo, tanto no mercado quanto nos rebanhos. Então você vê que a gente tem uma pressão de seleção muito grande.
em que a gente descarta 73% dos machos nascidos. Vamos falar de 10 mil nascimentos de machos no Montana, 7.300 com certeza não tem chance de virar touro. Então isso vai ser descartado.
Desses 27% que geneticamente podem ser touros, ainda vai passar pelo crivo da técnica, né, da Gabriela, que é a superintendente da associação, que vai fazer uma avaliação morfológica, andrológico, enfim. Aí tem exames sanitários que vão, de fato, falar, esse você tá aprovado aqui, mas daqui pra frente você também precisa passar.
Então, a ideia do Montana surgiu para que fosse um animal produtivo nas condições tropicais do Brasil, que pudesse fazer cruzamento a campo, que pudesse ser um animal precoce sexualmente, precoce de acabamento para ganho de peso, enfim. E a ideia começou basicamente cruzando-se animais de raças diferentes. Então, o primeiro grande cruzamento é um...
uma vaca nelore com um touro angus, por exemplo, né? A gente sabe que tem 100% de heterose, são animais de grupos geneticamente diferentes, e a gente tem essa fêmea que é super produtiva, tem uma habilidade materna, enfim, é a bola da vez aí do mercado, né? Todo mundo tá procurando uma F1 angus, seja pra carne de qualidade, seja pra receptora, seja pra... Enfim.
E aí muita gente queria continuar com essa fêmea na fazenda, não sabia o que fazer. A gente buscou uma terceira raça, de preferência a taurina, mas de repente adaptada. E daí vem o grupo dos taurinos adaptados. Bonsmara, Cenepol, Caracu, enfim. E ainda tem o grupo dos continentais, então a gente trabalha com basicamente quatro grupos dentro da composição do Montana. O Zebu.
que é basicamente o Nellore, os adaptados, os britânicos e os continentais. Dentro desses quatro grupos, a gente tem uma série de regrinhas para você seguir o mínimo e máximo de cada grupo, desde que o animal tenha no mínimo três raças na composição para considerar um composto e siga algumas regras de limites máximo e mínimo de cada grupo genético.
ele já pode ser habilitado como montana. Então, a partir de um tricross, vamos pensar assim, a partir de um tricross a gente consegue estabelecer um rebanho montana. E a vantagem disso é que você, por se tratar de um livro aberto, a gente pode incluir material genético de raça que a gente achar interessante, de outros criadores, enfim. A gente não fica com esse problema de endogamia, vamos pensar? Não sei se para o ouvinte aqui é um termo muito difícil, vamos pensar em consanguinidade.
de animais que sejam muito próximos geneticamente, dificilmente a gente tem esse problema no Montana. Porque a gente começa a ter um problema de consanguinidade, pode trazer um animal de fora para refrescar esse sangue. Mas o que aconteceu ao longo do tempo foi que a gente começou a usar Montana em cima de Montana. Então, pegou esse tricrose junto com essa tricrose e isso foi se fixando ao longo do tempo. Então, hoje a gente já tem um biotipo do Montana bem fixado, assim como um animal.
vermelho, muitas vezes mocho, com uma convexidade de carcaça legal, um animal de frame mediano. Então você vai ver as vacas Montana não são super pesadas, porque elas precisam estar adaptadas para a nossa condição aqui de tropical, basicamente, é onde o Montana está mais concentrado.
ali no centro-oeste, para cima, apesar de termos Montana também no Rio Grande do Sul, Paraguai, Uruguai, enfim, Paraná, tem gente que cria Santa Catarina, mas o Montana, basicamente, a grande vantagem é essa questão da adaptação, né? Então, você vai lá para o sul.
Pro sul não tem necessidade de ter uma porcentagem de sangue zebuíno muito grande, porque eles não têm essa problema, tanta resistência ao calor, ou resistência a parasitas, enfim. Então já é um gado mais britânico, um gado mais taurino. Aí você vai mais pra cima, a gente explora o limite máximo que a gente pode usar o zebu, que é 37,5% na composição.
Então, o Montana se adapta à sua região, à sua necessidade, à sua disponibilidade de forragem, ao seu clima. E isso que eu acho mais legal dessa raça é isso, né? Na verdade, capacidade de se adaptar a ambientes diferentes sem deixar de ser produtivo.
Muito bem, interessante. E você poderia falar para a gente também um pouquinho sobre a sua experiência na associação do Montana? A gente vê que você fala com muita propriedade sobre o gado Montana, não só por ser criador há tanto tempo, mas também agora por estar à frente na associação. E realmente, na verdade... É incrível, né? É. Então, eu participo da associação desde 2011, já são 15 anos como membro.
Eu já fui presidente por dois mandatos, então eu fiquei quatro anos na frente da associação, hoje eu sou vice-presidente, na verdade, então eu dei minha contribuição aí nos anos anteriores. Tentando levar o Montana para eventos, a gente...
que queria levar essa informação, a gente sabe que o produtor tem muito essa dor, às vezes, de querer fazer uma melhoria, uma inovação, trazer um cruzamento para a fazenda, às vezes, não tem muito esse conhecimento para tomar essa decisão, então a gente quis levar essa informação através da participação de feiras, de podcasts, entrevistas, assim, de onde a mídia tinha oportunidade para nós participar, mas a gente levou esse nome de Montana.
Anualmente a gente faz uma reunião com os criadores para justamente tomar essas decisões do tipo para onde o Montana está indo, o que a gente precisa incluir. Então, assim, quando a gente decidiu fazer o ultrassom, foi o grupo todo que tomou essa decisão e o grupo todo vestiu essa camisa. É um grupo pequeno, porém muito unido e muito alinhado com essa questão. O Montana não tem esse perfil de julgamento de animais de argola. A gente basicamente não tem animais de cabresto.
nada contra, mas não é o propósito da raça, assim, o que a gente acredita, né? E a maioria dos produtores de montana são pecuaristas mesmo de corte. Então, é o perfil de quem quer criar montana e de quem quer melhorar o rebanho através do cruzamento e associação. Hoje tem uma técnica, né? Que a Gabriela já combina e super habilitada para direcionar, para você que quer começar ou fazer, iniciar no cruzamento com montana, enfim.
E conhecendo a raça, pode te indicar centrais para usar semen, te indicar toros nos leilões, animais para comprar. Então a gente tem esse suporte também, com visitas em loco, tanto para assessorar criadores júnior, que a gente tem essa modalidade, criador que às vezes não quer vender genética ainda, não está nesse ponto, não está preparado, está começando, ele quer...
ter um rebanho avaliado, para ele ir tomando aquele gosto e aprendendo, sabe, com uma taxa super atrativa de associação, mas que ele já vá aprendendo como que ele faz o pesagem no nascimento, que é um índice super importante, a gente monitora isso, a gente não quer que o bezerro nasça super pesado, tanto que o Montana, por anos, selecionou animais com baixo peso ao nascimento, hoje a gente não tem muito mais esse problema.
E, enfim, vai avaliar na desmama, a técnica está disponível também. O cliente precisa já fazer um descarte, né? Precisa de uma assessoria. Será que a gente já não tem uma avaliação de desmama para direcionar os animais do tipo, ah, esses animais eu acho que eu tenho um desafio muito grande aqui para entrar na estação de monta de 14 meses, vamos adiar isso aqui. Enfim, cara, tudo é personalizável, eu digo, né? De acordo com o que você busca.
o rebanho vai direcionado para o seu objetivo. Então, como disse, nós aqui da JP buscamos muito essa questão da carne, hoje é o que tem movimentado o nosso negócio, você acompanha a gente nas redes sociais, nos eventos, é onde a gente está bem posicionado, apesar de ter essa questão da genética, que a gente também explora, a gente faz leilão anual, participa de...
de eventos, enfim, eventualmente alguma prova agora de desempenho, mas isso é, por enquanto eu não posso falar ainda, mas o foco do nosso rebanho é carne. Então, a gente deu um foco justamente nisso.
pro mercado e pra gente mesmo, né? Pra produzir a carne que a gente precisa vender, que a gente quer, que o consumidor quer, na verdade. Não que a gente quer, que o consumidor que nos procura quer.
Interessante. E você, assim, depois que você começou a trabalhar diretamente com o consumidor, eu sei que a ideia, que nem você falou para a gente já, que a ideia que surgiu de você entregar o produto final era pela qualidade da carne que realmente entregava e era uma qualidade de excelente qualidade. Mas depois trabalhando realmente a fundo, tendo uma empresa agora realmente, você separou, você tem duas empresas, a empresa mais, vamos dizer assim, a parte agropecuária e a parte de carne.
E você percebeu alguma coisa que você teve que modificar no seu processo produtivo para atender melhor a demanda dos clientes, estando mais junto com os clientes? Talvez alguma coisa que você não tenha pensado antes quando você entregava a carne para o frigorífico ou, no caso, se entregava para a JBS, mesmo sendo um programa de qualidade.
que você entregava na JBS, e agora, estando com essa empresa, realmente, ali direto com o consumidor, estando em feiras, o pessoal vendo essa qualidade da carne, teve alguma coisa que você teve que reajustar no seu processo produtivo lá atrás na fazenda, pensando nisso? Cara, o desafio maior, na verdade, dentro da porteira, é você ter a oferta constante o ano inteiro.
Esse é o maior desafio, né? Porque a gente termina os animais no confinamento, então agora a gente está numa época de fevereiro, agora lá no Mato Grosso do Sul, de praticamente muita chuva todos os dias. Então, mesmo que a gente tenha baias concretadas, coxos cobertos, sempre é um desafio trabalhar com confinamento nessa época. Então a gente procurou se adaptar para conseguir produzir o ano inteiro. E isso é difícil pra caramba, manter escala com padrão e constância.
Então, como a gente tem uma marca baseada em fêmeas, nuvilhas, no máximo primíparas, apesar de que está surgindo esse conceito da vaca velha agora também, é uma coisa que a gente pode falar daqui a pouco, o maior desafio, na verdade, primeiro foi criar a demanda. Agora, depois que a gente tem essa demanda, o pessoal gostou do seu produto, aceitou e tem essa...
essa aceitação mesmo no mercado de qualidade. Você precisa produzir o ano inteiro, porque o cliente quer o mesmo ancho, o mesmo chorizo, a mesma picanha, o mesmo tudo, igual o ano inteiro. Não dá para um mês estar bom, um mês estar ruim. E a marca que nasce dentro da fazenda, como a nossa, tem esse poder de controlar isso, porque a gente seleciona os animais antes do frigorífico, não é uma marca que nasce dentro do frigorífico.
A gente não chega lá depois do abate, manda um lotê e fala essa vai para JP, essa vai para fulano, essa vai para ciclano. Não, a gente seleciona os animais dentro da fazenda de todo esse processo que eu falei para você até agora. Forma os grupos do confinamento. No dia do abate a gente ainda faz mais uma peneira.
para mandar somente aquilo que a gente acredita visualmente, de acordo com tudo que a gente produziu, que vai produzir 20 carcaças iguais, que é o número do caminhão, por exemplo, que a gente trabalha aqui. Eu preciso mandar 20 novilhas que sejam iguais. Então, diminuir a variação do peso, porque uma vez a picanha está um pouco maior, uma vez uma picanha está um pouco menor.
o cliente já acende um alerta, apesar que a gente sabe que existe picanha de mais de 1,2 kg, mais de 1,5 kg, dependendo do tamanho da carcaça. Mas a gente quer... O que você me perguntou, voltando à sua pergunta, eu acredito que seja esse. Então, são duas coisas. Produzir constante o ano inteiro e, na verdade, a segunda coisa que eu tinha pensado e ainda não falei.
O consumidor, essa palavra, essa questão do marmoreio, tá muito na boca, assim, das pessoas, né? Tá muito em evidência. Por mais que, às vezes, a gente produza uma carne que seja super macia, saborosa e suculenta, e na hora da pessoa comer, depois dela pronta, ela não vai conseguir...
diferenciar muito se tinha um armoreio 10, 9, 8, não sei qual escala a gente pode mencionar aqui, na gôndola o cliente está cada vez mais buscando isso.
Então ele quer visualmente ter aquele marmoreio visível, mesmo que a carne esteja do jeito que eu te falei. Ela é de nuvilha, super macia, tem precoce, tem gordura de acabamento, ela foi recriada a passo, terminada em confinamento, então ela está suplendo. Mas ele busca sempre o marmoreio. Então é uma questão que a gente se preocupa, a gente seleciona.
E tenta melhorar cada vez mais aqui dentro do rebanho, introduzindo esses genes aí dos animais capazes de ter essa deposição intramuscular mais evidente. É que no processo de compra é determinante, né? Você...
se basear em algo que você está vendo. Você não consegue ver a maciez da carne. Você vai sentir a maciez depois, maciez, suculência. Tudo isso é um processo pós-compra. E o processo de compra é baseado em cor, luminosidade e aspectos visuais. Acho que por isso o consumidor está tão ligado em...
em marmoreio, que nem você falou, se a gente pegar uma carne muito macia, suculenta, mesmo que ela tenha pouco marmoreio, comparar com a que tem mais marmoreio, as diferenças podem ser mínimas em termos organolépticos. Mas o consumidor quer ver na hora de comprar, é interessante isso. É, e daí assim, é porque a gente tem de restaurante também, tem essa questão de hotel, evento, enfim, em que o consumidor não vai pegar a carne crua.
E pra loja, daí já é o público que vai pegar ela ali pra escolher na gôndola. Então, a gente tenta equilibrar os pratinhos ali pra atender todo mundo, sabe? Então, marmoreia é sempre uma questão que tá em pauta. Interessante.
E você consegue traçar para a gente os principais pontos positivos e negativos de você ter essa verticalização da produção? Se a gente consegue fazer um paralelo com as outras cadeias, que nem eu já citei aqui, cadeia dos suínos ou mesmo de aves, a gente consegue elencar quais são os principais pontos positivos e negativos? Cara, dos pontos positivos, eu acho que... Bom, a gente tem um negócio a mais dentro da empresa. Tenha um nó.
É como se fosse uma outra empresa, né? A gente trata isso de forma bem separada. Então, da porteira para dentro, a fazenda entrega um resultado, ela faz uma negociação com o frigorífico. Da porteira para fora, é outro CNPJ. Então, isso traz uma organização para a gente, né? Traz uma profissionalização que a gente... O negócio depende do outro, mas ele não pode...
prejudicar o outro, o resultado do outro para se sustentar. Então, as duas coisas têm que ser sustentáveis. Dentro da porteira, que hoje a gente consegue produzir animais mais precoces com prêmio. Então, isso foi um resultado positivo. E fora da porteira, a gente consegue...
garantir a origem do nosso produto, que sem a fazenda a gente não conseguiria. Então, elas coexistem dependendo uma da outra, cada uma com o seu resultado. E só assim a gente consegue poder contar essa história, tipo, eu consigo garantir que essa carne foi produzida assim, assim, assado, para JP Agronegócios, animais dessa raça, com esse grau de sangue, de marmoreia, enfim. Isso é uma coisa muito positiva, porque muita marca...
E, na verdade, é um diferencial da nossa, porque muitas marcas não têm essa possibilidade. A gente entende que é super difícil, né, essas marcas grandes, né, terem essa possibilidade, mas a gente tem. E isso conecta muito com o cliente, assim, com o público, né, que encontra a carne sempre do mesmo padrão, porque é sempre a mesma coisa, o mesmo processo, o mesmo animal, e tá tudo igual. Então, esse seria o primeiro ponto positivo que eu acredito é poder, de fato, que eu acredito.
contar essa história do farm to fork, na prática, sem maquiagem, vamos pensar assim. Dos pontos negativos, cara, exatamente, acho que eu iria mais por essa linha que a gente acabou de falar, da dificuldade produtiva dentro da fazenda, estou fazendo esse paralelo com as duas empresas, tá? E fora, cara, a previsibilidade do cliente, é muito... As coisas são muito sazonais, às vezes...
A gente está numa época agora que todo mundo quer fralda red, fraldinha, fraldinha, fralda red. Então, só tem duas fraldinhas ali, né? Igual só tem duas picanhas. A época daqui a pouco era a época do Denver, todo mundo queria Denver, Denver, Denver. Teve a época do flat-share, flat-share, flat-share. Eu basicamente estou num mês aqui que a fraldinha não existe no mercado. Fralda red não existe. Então, para mim, essa dificuldade de previsão, sabe? De ter essa...
Essa organização é uma coisa que eu estou aprendendo muito, porque, como a gente disse, eu sou zootecnista, venho de dentro da porteira, de usar botina e tal. E agora eu me vejo num varejo, num mercado super competitivo, com grandes players disputando cada bife. E eu me acotovelando no meio desse pessoal para ter oportunidade de mostrar a nossa carne, mostrar o nosso trabalho. Então é super difícil conquistar esse espaço.
quando você não tem um volume muito grande. Então a gente parte para essa diferenciação. Mas ao mesmo tempo, tem oportunidade para a gente poder mostrar esse diferencial, sabe? Quando a pessoa experimenta a carne, é uma satisfação muito grande. Ver a aceitação do produto, a fidelidade do cliente quando volta na loja, o restaurante quando aumenta um pedido, falando que o cliente pediu aquela carne. Então assim...
Mostra a gente estar no caminho certo, a gente precisa aumentar agora a nossa escala para poder atingir mais gente, poder chegar em mais lugares, diluir alguns custos fixos que a gente tem aqui dentro, de logística e armazenamento, enfim. Mas é um mercado que traz muita satisfação para mim. Acho que eu me encontrei aqui nesse mercado da carne como...
como um propósito da fazenda mesmo, de vida, do tipo... É uma responsabilidade enorme você produzir alimento que chega na mesa das pessoas, né? E essa carne que eu vendo é a mesma que eu consumo, que eu ofereço pra minha família, pros meus pais, pros meus amigos, pros meus filhos. Então, é uma responsabilidade grande, mas ao mesmo tempo é uma satisfação enorme, porque...
a gente se sente ali com um papel mesmo de, putz, tá alimentando as pessoas ao redor aqui. Enfim, é uma jornada super intensa, difícil, mas muito gratificante.
Interessante que, eu até vou dar um testemunho aqui, que eu acho que quem está buscando esse tipo de carne, não só esse tipo, mas, no geral, o consumidor quer uma história. Ele gosta de ter toda... Ele gosta de saber das coisas. Por exemplo, se ele tiver essa experiência de pensar...
Esse ancho que eu estou comendo aqui veio de tal animal, esse animal foi criado a pasto, foi terminado em confinamento, veio de tal fazenda, era um animal, era uma fêmea, montana. E isso realmente cativa o consumidor, que ele quer aquela história. Ele não quer só chegar ali e comer uma carne extremamente boa e macia. Acho que a partir do momento que eu...
que quem está fornecendo a carne consegue contar essa história, eu acho que aquilo pega muito mais o consumidor. E é interessante que você tendo todos os elos, você estando verticalizado, chega um consumidor ali na sua loja, vai comprar, ele conhece inclusive quem é o dono dos bois que está ali. E isso fecha esse ciclo da história. Então o cara vai chegar lá com essa carne para fazer um churrasco para os amigos ou para a família e vai falar, olha, eu conheci o dono desse boi aqui.
Então eu sei que é uma carne montana Que foi criada lá em Três Lagoas O animal terminado em confinamento Eu acho que isso é que chama realmente A atenção numa boa experiência E isso realmente você consegue Fornecer, que nem a gente conversou Depois do evento aqui que teve Nos 30 anos do GMAB E assim, eu tive a oportunidade De experimentar realmente a carne A carne é sensacional, realmente um dos melhores Anjos que eu já comi na minha vida Obrigado E...
não só pela experiência de saber que era a carne sua, mas também pela qualidade da carne. Então isso aí realmente foi impressionante. E se a gente for pensar, o produtor que está querendo entender como é que começa, pelo menos nesse mercado, como é que ele pode, talvez não ter a marca dele em si, mas como é que ele chega para um frigorífico, por exemplo, para negociar? Um produtor que tem uma escala média, vamos dizer assim, de animais, como é que ele vai chegar para o frigorífico e perguntar se...
e negociar com ele, assim, eu quero abater os meus animais, mas eu quero poder vender a minha carne também, não quero só entregar os meus animais para vocês, não estou vendendo o boi, eu quero vender eu mesmo a minha carne. Como é que você dá umas dicas aí para o pessoal que quer começar nessa área? Olha, vai muito de construir esse relacionamento com o frigorífico que você tem a proximidade ou já algum relacionamento de antes. Alguns têm essa prestação de serviço, você pode pagar uma taxa por isso,
Só que um dos desafios é você ficar com todos os cortes, né? Dependendo da apresentação, a maioria deles não vai ter valor agregado, né? Cochão duro vai ser cochão duro, cochão mole, patinho, costela, enfim, músculo. São carnes que...
você às vezes tem que entender que vai ser o valor de commodity. Se você não tiver uma apresentação diferenciada, eu digo, vou fazer o cubinho, vou fazer extra limpo, moído, não sei o que lá, vou inventar um hambúrguer. Então, se você não está dentro da indústria, muitas vezes não tem essa possibilidade.
já começa por aí, aceitando que em algum dos cortes você não vai conseguir agregar valor. Bom, dito isso, onde você tem essa possibilidade de agregar valor, aí você tem que trabalhar muito bem o frigorífico te entregando essa carne, você vai ter que ter um acondicionamento adequado, com controle de temperatura, você vai ter que ter uma logística refrigerada.
Então, vários fatores que você tem que pensar. Não estou dizendo que é impossível, mas...
tem que fazer conta para você ver se isso é viável dentro do seu negócio e da sua possibilidade. Ou então, você pode negociar com um frigorífico do tipo, olha, eu queria fornecer meus animais para você, eu queria ter a possibilidade de recomprar esses cortes que eu tenho liquidez. Muitas vezes a JP trabalha muito dessa forma, a gente não tem liquidez para esses cortes que eu mencionei, mas a gente trabalha com o público selecionado, com restaurantes e tal.
de valor agregado, muitas vezes esses scores a gente não tem posicionamento ainda. Pode ser que a gente tenha em breve.
Mas uma possibilidade é você ter essa possibilidade. Falar assim, olha, é uma garantia de venda também, né? Você está fornecendo a matéria-prima para ele trabalhar, ele vai agregar valor ali no trabalho dele, vai processar, vai te entregar aquele embalado, com selo de inspeção, uma caixa legal. E você vai ter um lugar, você vai fazer uma proposta de compra desses cortes do tipo, eu quero picanha, fraldinha, maminha, sei lá. Enfim.
E aí você vai ter que absorver isso. Mas antes de tudo, antes de ter o boi pronto, você tem que saber onde você vai colocar esse produto. Porque como eu te disse, o boi no pasto está ganhando peso, ele pode passar um pouquinho. No confinamento você não tem muito essa possibilidade de deixar lá, né? Mas no pasto, vamos pensar que você tem um pouco mais essa flexibilidade.
Agora a carne, meu amigo, abateu, maturou ali 14 dias, você tem 30 dias para vender. Porque chegou nos últimos 10 dias ali, o pessoal vai falar que é fifo e não quer comprar. Às vezes, dependendo do seu armazenamento, tem que ter um controle de temperatura muito bem feito, um vácuo muito bem feito, enfim.
Antes de ter o boi pronto, tenha o seu cliente para comprar no final. Cria essa demanda no final. Se fosse a dica que eu pudesse dar para quem quer entrar nesse mercado e começar...
O frigorífico você arruma, você dá um jeito, às vezes é mais longe, é mais perto, paga por uma taxa de abate, recompla os cortes. Mas se você fez tudo isso, que é mais difícil, às vezes você demorou 3, 4 anos para chegar ali, vamos supor, da inseminação até você chegar no abate, que demorou pra caramba, você pode perder tudo ali em 30 dias, 60 dias. Então...
Tenha essa demanda, essa ponta final, bem amarrada, bem definida, pra você não perder isso aí na micaco, isso aí na sua mão. Porque é um trabalho de anos, que teve muita dedicação, custa caro produzir carne de qualidade, dá pra ganhar dinheiro, mas dá pra perder também, né? Dá pra perder muito. Então, se você não tem essa demanda no final, eu já começaria de trás pra frente, entendeu?
De que não adianta nada, você deu um produto super bom, um trabalho dentro da porteira bem feito, uma desossa bem feita, uma embalagem bonita. Aí você começar a oferecer. Claro que você tem que ter ali uma noção do que você está produzindo, de repente uma amostra para o pessoal experimentar, faz um abate-piloto, mata uma cabeça, né? Distribui aquela carne para os seus clientes potencial. Enfim.
Cria essa demanda na ponta do seu consumidor pra depois você vir de trás pra frente, entendeu? Isso é um case de muita gente que faz, não é uma novidade minha, sabe? Eu me espelhei, por exemplo, você conhece o Debert lá de São Paulo? Ele começou fazendo o dry edge na casa dele, na sala. Era um produto que não existia no Brasil, ele criou a demanda.
Ele criou um mailing de clientes, de um monte de gente que queria comprar aquilo lá sem ele nem ter produzido. Na hora que ele produziu, ele já estava com quase praticamente tudo vendido e aí a demanda começou a ter aquela recorrência. E aí a gente, daí pra frente o debate virou o que virou por conta disso. Então, eu me espelhei um pouco nisso.
Tem que ter um pouco de coragem também, senão você não sai do lugar, você não bota teu carro na rua, ninguém vai vir atrás de você porque você é legal, porque você é filho de alguém ou tem um amigo não sei aonde. A pessoa vai experimentar teu produto, você vai ter que ser competitivo, vai ter que ter um preço competitivo, vai ter uma qualidade que se garante, que se sustenta, que se mantém, para daí você depois ir desdobrando isso em outros processos dentro da sua...
da sua empresa e da sua marca e criar disso um negócio assim como o nosso, por exemplo.
Excelente. E como é que você enxerga para o futuro agora? Porque a gente viu nesses últimos cinco anos um crescimento exponencial desse mercado de carne experiência, tanto em restaurante como no próprio varejo direto consumidor. Como é que você enxerga com esses próximos cinco anos para esse mercado? Acho que vai faltar carne de qualidade. A gente criou muita demanda e tem pouca gente.
com incentivo para produzir, né? Ou você cria uma marca própria que você controla tudo isso. Os programas de bonificação muitas vezes não se sustentam porque um boi mais 5%, um boi mais 10% não vai pagar a conta desse produtor. Então houve um desestímulo para o produtor, mas a gente criou muita demanda do outro lado. Então esse ano está sendo um ano super difícil de oferta de animais desse tipo.
com uma demanda que vem crescendo 20% ao ano. Então, eu acho que a gente vai chegar num estrangulamento aí, provavelmente com reajustes de preço, enfim, acho que as marcas vão ter que ter criatividade, eu não sei se novas apresentações, novas embalagens, novo posicionamento para conseguir atender essa demanda ou criar novas demandas para outros produtos da carcaça, entendeu?
E daí vem surgindo novidades, né? Assim, o mercado é muito dinâmico, né? Sempre a gente falou que era novilha de 24 meses, F1 ângulos. Hoje a gente vê um monte de raça que é capaz de produzir. Então, vem surgindo oportunidade para outros que estavam fora do jogo, né? Ah, agora a bola da vez é a vaca velha, gordura amarela de 10 anos de idade, né? Que ficou a vida inteira a pasto. Uma experiência completamente diferente do que a gente preconizou até agora.
E o consumidor vai evoluindo e vai querendo ter coisa nova. Então tem que ter criatividade, tem que amarrar bem as calças aí, porque vai ser um ano desafiador. Para quem está preparado, para quem tem a produção na mão, talvez sofra um pouco menos. Mas...
Eu acredito que nesses próximos cinco anos a gente vai ter muita demanda e se não houver incentivo para o produtor, a gente vai ter um problema grave.
Se a gente for pensar como é que está a nossa relação de troca hoje em dia, preço de reposição e esse tipo de coisa, quem não tem ciclo completo realmente esse ano, agora 2026, 2027, vai ser bem desafiador. Eu acho que vai ficar... Mas ao mesmo tempo, Miguel, como eu te falei, a própria FICorte veio ano passado para provar. A gente está falando de Nelore de qualidade, de Montana de qualidade, de outras raças de qualidade. Então... E aí
A gente abre um leque daí, né, pra quem tava fora do jogo, né, ah, não tem que ser só ambos. Não, não precisa ser só ambos. Não precisa ser só um F1 ambos. Pode ser outras raças também. Tem outros caminhos, tem outras possibilidades, entendeu? Isso facilita e novas marcas podem surgir contando novas histórias pra um cliente diferente. Então, acho que o universo do Brasil é muito grande, né, aqui a gente tá na Estrada de São Paulo hoje.
Tem muita gente ainda pra comer, né, cara? Então, carne é uma coisa que não tem como sair do paladar do brasileiro, tem que...
tem que estar cabendo no bolso, tem que estar encaixando ali para que ela continue crescendo o consumo, mas não tem como você... O hábito do brasileiro é muito fiel a isso, a cultura do churrasco, do consumo de carne vermelha. E a gente vê, conforme cresce a demanda, aumenta o consumo de carne vermelha, aumenta a renda, aumenta a demanda por carne vermelha. Então...
Tem que ajustar os ponteiros aí, montar esse quebra-cabeça para as coisas se encaixarem e não faltar carne na mesa do povo. É um caminho sem volta, né? Acho que quem experimenta uma carne muito boa, aquela pessoa, ela vai querer repetir essa experiência, né? Claro que o limitante pode ser o econômico. Aí, nesse sentido, eu tenho uma visão, não sei se você pensa parecido, mas, assim, eu acho que a carne, querendo ou não, ela vai virar como se fosse o uísque.
você vai ter ali os 21 anos, 18 anos, 12 anos, você vai ter os diferentes níveis, mas tudo com qualidade. Claro que você vai ter ainda carne do dia a dia, isso aí não vai deixar de existir. O brasileiro gosta de carne, ele vai comer carne, se a gente tiver ainda um incentivo maior para melhorias da saúde da população, a gente vai ver cada vez mais aumento de consumo de carne, que nem a gente teve agora a inversão da pirâmide alimentar pelo...
pelo FDA americano e o USDA, mostrando que realmente quem tem que estar na base da nutrição humana não são grãos e sim a carne. E se isso for divulgado para outros países, eu tenho certeza que vai aumentar e muito o consumo de carne. Nosso consumo já é um consumo bom.
Mas eu acho que a gente tem muito potencial ainda para aumentar. Claro que tem fatores econômicos em cima disso. E tem esse outro mercado que a gente está discutindo aqui agora, que é o mercado de qualidade, o mercado churrasco, o mercado de quem quer comer uma excelente carne. Nesse sentido, eu acho, é uma visão que eu tenho, que vai virar como se fosse um whisky. A gente vai ter vários blends, vários anos, vários tipos de produto para todo tipo de bolso. Não sei se você pensa parecido. Eu concordo com você. Eu acho que a carne...
pode se especializar muito por um artigo de consumo de luxo, a gente já está falando de terroar da carne, assim como vinho, azeite, café. Então, essa carne desta raça, produzida neste ambiente, com este tipo de alimentação, vai produzir este tipo de produto, que é diferente da carne do Pampa do Sul, a carne do Cerrado, a carne do Wagyu, a carne do Nelore.
O alto grão, sem grão, tem um monte de possibilidade para você conseguir produzir. E aí essa diferenciação de nicho vai ser exatamente isso que você falou. Encontrar o mercado certo, o público específico. E acho que tem espaço para todo mundo, na verdade. É só você se encaixar aí, achar o seu espaço, criar sua demanda, como eu falei. E se o produto for bom, tenho certeza que é só preciso encontrar o cliente certo.
E para os nossos ouvintes agora, eu queria que você desse uma dica de que tipo de habilidades que um profissional deve ter que quer trabalhar com o mercado. Não só o mercado de carnes, mas em fazenda ou mesmo na indústria, ou seja, no varejo. Que tipo de habilidades hoje em dia que a gente está buscando no profissional? A gente sabe que a diferença entre as gerações que a gente consegue observar são enormes e as tecnologias vêm...
modificando muito o jeito das pessoas trabalharem, das vontades das pessoas. Mas o que a gente pode mais apreciar num bom profissional? Miguel, eu vou falar um pouco da minha experiência aqui. Eu acho que conhecimento técnico é uma obrigação, mas relacionamento muda o jogo. Então você ter um bom relacionamento por onde você estiver, manter os contatos que você tem ativos,
fazer um bom atendimento naquilo que você faz, dar o seu melhor, isso é obrigação, né, cara? Mas agora você ter essa habilidade de conexão, de networking, isso ajuda muito em qualquer mercado. Então, como a gente tá sempre vendendo alguma coisa, seja um produto ou serviço, a nossa imagem, ter esse meio bem...
bem relacionado, eu acho que muda tudo, isso começa desde a faculdade até o final da tua vida. Eu acho que primeiro, segundo, primeiro, bom relacionamento, networking, tá aberto. Coragem, né, pra quem tá nesse mercado, tô falando agora do empreendedorismo um pouco.
Nunca vai ter o momento ideal, o cenário ideal, o momento político ideal, a economia ideal. Nunca vai ter o momento perfeito para você começar, sair de onde você está, do ponto A para ir para o B. Então eu demorei muito tempo para botar minha marca na rua, porque eu estava sempre botando alguma dificuldade na frente.
Se eu não começasse, cara, hoje não estaria aqui. Então, tem que ter coragem. E o terceiro, cara, eu vou ter a humildade. Às vezes a gente sai da faculdade, faz um mestrado, um doutorado, não sei o que lá. A gente acha que a gente sabe tudo. No fim, a gente não sabe. Então, eu aprendi na marra que se me cercar de gente boa...
pra fazer o que eu não sei, é muito mais econômico e muito mais rápido do que eu queria aprender a fazer tudo, né? Então não adianta eu querer fazer uma contabilidade, eu sei emitir uma nota fiscal aqui hoje, eu sei recolher o imposto. Mas, cara, tem gente muito melhor fazendo isso, né? Tem gente muito melhor formulando dieta pro seu confinamento. Tem veterinário muito melhor fazendo um serviço de reprodução. Então, assim...
Se cerca de gente, putz, não sei fazer isso. Preciso de um programa pra minha loja assim, assim, assado. Não adianta você querer abraçar o mundo aqui daí, cara. Aí é mais difícil ainda. E eu aprendi bem na marra isso aí, então é o que eu sempre digo. Se cerca de gente boa, tenha coragem, mantenha seu bom relacionamento, que eu acho que pra quem quer empreender nesse mercado ou pro profissional que esteja nesse ramo, independente do ramo, na verdade, né? Isso vale pra qualquer carreira.
Pra gente caminhar agora, já indo pro final, você poderia dar uma dica aí de algum livro que tenha te impactado, ou que você esteja lendo, assim, pro pessoal aqui, pros nossos ouvintes, realmente que vale a pena a gente pegar pra ler, assim, que vai mudar a vida de alguém? Cara, eu li aquele O Essencialismo, se eu não me engano, foi o último que eu li, assim, eu confesso que a minha leitura tá meio... Deixa eu procurar o nome do autor, que agora não me veio a cabeça.
Ah, é do Greg McKeown. Acho que é isso que fala. O Essencialismo, né? Que é aquela... Aquela coisa da gente dificultar muito, assim, assim... A disciplina para buscar menos. É basicamente essa a ideia desse livro. Eu gostei muito que é muito prático, assim, e me ajudou um pouco. Foi o que eu li bem nessa época.
dessa transição de montar empresa e tal, eu achei que foi bem pertinente os aprendizados. Muito bom. E agora conta pra gente aqui, pra finalizar, onde é que a gente te encontra, pode falar as redes sociais, como é que o pessoal entra em contato com você, como é que a gente consegue comprar a carne da sua fazenda.
Bom, nas redes sociais tem o meu perfil pessoal, que é arroba netopavana no Instagram. Depois eu posso mandar o link para vocês aqui. É onde eu conto um pouco essa história, tem um pouco uma coisa mais pessoal minha, mas que eu costumo responder todo mundo. Dali é onde a gente marca parceria, palestra, o que for.
O Instagram da Fazenda é JP Agronegócios, lá é um dia a dia mais produtivo, você vai saber dos leilões, da produção da fazenda, enfim, uma coisa mais do campo. A JP.Beef é a marca da carne, da JP Agronegócios, e a loja física aqui de Paulínia, então se você é do interior de Campinas, interior de São Paulo, região de Campinas, bife.container.
é onde a gente tem o Instagram da loja, que a gente consegue despachar para cliente final, para consumidor final aqui do varejo, todas as carnes que a gente produz lá na fazenda, com certeza vai ser um prazer atender vocês aí para experimentar.
Muito obrigado, então. Agora nós finalizamos mais um episódio aqui do Mais Home Podcast. Agradecer demais o Zé Pavaneto pelo excelente episódio. Não esqueçam de curtir, compartilhar e comenta aí também o que vocês acharam do episódio. Muito obrigado mesmo e até a próxima. Obrigado, Miguel, pela oportunidade. Espero que tenha contribuído, pelo menos para alguém que ouviu aqui, que saia com algum impacto, seja quem está querendo...
criar um pouquinho de coragem para empreender, para tomar uma decisão aí. Quem precisar de alguma coisa, qualquer coisa que eu possa contribuir, deixei minhas redes sociais, aí pode entrar em contato, vai ser um prazer em ajudar.
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