SEMPRE DÁ PARA PIORAR
Bianca DellaFancy apresenta uma experiência imersiva contando histórias da audiência. De zero a dez, Quanto Vale Essa História? Toda terça e quinta (para apoiadores).
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- Desalojamento de moradoresNecessidade de se mudar · Volta a morar com a mãe · Demissão inesperada
- Traição em RelacionamentosDescoberta de traição em festa · Término após 5 anos · Confronto com o namorado
- Assalto e patrimônioAbordagem em assalto · Celular iPhone 11 · Recusa do assaltante
- Desafios de Saúde e ResiliênciaVisão pessimista da vida · Importância de mudar o olhar · Agradecimento por ter um celular
Eu sou Bianca Della Fence e sejam bem-vindos ao Quanto Vale Essa História. E aí, meus amores, vocês estão boas? Eu espero que sim, dentro do famigerado possível, é claro. Hoje é terça-feira, como vocês bem sabem, é dia de episódio aberto para todo mundo ouvir, disponível em todas as plataformas de streaming. Mas não se esqueça que estamos aqui também às quintas e sextas apenas para apoiadores. Se você não apoia a gente, tá tá perdendo tempo, tá?
Por apenas R$13, você tem acesso aos episódios exclusivos para apoiadores. Toda quinta-feira tem Proibidão. Ai, menino mau! E toda sexta tem a nossa Hora Extra. Fora isso, tem também o nosso grupo no Telegram que apenas apoiadores têm acesso. E eu estou lá sempre conversando com vocês. É um ambiente seguro pra vocês interagirem entre vocês e comigo também. É lógico que eu tô de olho e comentando e fofocando com vocês. Lá você tem acesso aos bastidores por trás das histórias, fotos e vídeos que não saem para todo mundo ver, apenas para os apoiadores.
Apoiadores passam na frente, já falei várias vezes, não me canso de dizer. Então corre para apoiar esse podcast, corre! Por apenas R$13 você tem acesso a tudo isso e muito mais. Bora começar a história de hoje? Bora que eu tô ansiosa, porque ela se chama Sempre dá para piorar. Começamos bem, hein? Já começamos naquele climinha gostoso, positividade. Aqui não, aqui tu não te cria. Oi, Bianca, como está, querida? Ai, corrida a vida.
Eu espero que esteja melhor do que este que vos fala. Vale, mulher. Meu nome é Mateus e eu sou de São Paulo capital. Se você acha que está tendo um dia ruim, lembre-se de que sempre existe alguém pior do que você, e provavelmente esse alguém sou eu. Meu Deus, mulher, que autoestima baixa, hein, mulher! Valha! Vamos por partes. Eu tinha acabado de completar 5 anos de relacionamento, tempo suficiente para aprender os defeitos um do outro.
Ter séries que só se assiste em casal, conhecer a família, tudo que um típico casal de longa data teria. Nós morávamos juntos, pagávamos contas juntos e até tínhamos planos pro futuro. Na prática, éramos praticamente casados. E eu estava feliz, ou pelo menos tão feliz quanto um CLT possa estar. Naquela semana, inclusive, eu estava me sentindo particularmente otimista. As coisas pareciam estar entrando nos eixos. Nenhum gasto inesperado havia surgido, nenhum eletrodoméstico quebrando e também nenhum gato vomitando em cima de algo importante.
Talvez esse tenha sido o primeiro sinal de que algo estava errado. Gente, não sei para onde vamos, mas vamos juntos, né? Foi então que numa tarde completamente comum, enquanto eu estava no trabalho fingindo estar trabalhando, mas na verdade assistindo Reels, recebi uma notificação de uma mensagem de um amigo que dizia: preciso te falar uma coisa. Nunca em toda a história da humanidade uma conversa boa Começou com essa frase. Ai, isso é verdade, gente, não existe conversa que comece com preciso te falar um negócio, preciso conversar contigo, precisamos conversar.
Nossa, não existe. Geralmente, geralmente não, sempre, sempre é coisa ruim, gente. Perguntei o que ele queria me dizer e em alguns segundos depois veio a resposta: eu acho que eu vi seu namorado numa festa ontem. Até aí nada demais. Meu namorado e eu nos conhecemos em uma festa. Nós de vez em quando íamos a algumas baladas. Tá tudo certo. Mas eu fiquei pensando, ué, nesse fim de semana ele foi visitar a irmã dele no interior. Não deve ter sido agora.
Você tem um namoro fechado? É monogamia? isso vai acabar mal, hein. É melhor abrir enquanto estamos aqui na primeira página da história. Mas aí veio a segunda mensagem: Eu vi ele na Kevin. Na Kevin! Ah! Pra quem não sabe, a Kevin... Olha, eu ia explicar, mas ele mesmo vai contar aqui na história. Pra quem não sabe, a Kevin é uma festa em São Paulo onde a última coisa que as pessoas querem fazer É curtir a música. É uma festa de putaria.
Ai, eu discordo, viu? Tem muitos amigos meus que vão. Amigos mesmo, tá? Tem uma amiga minha que vai e ela fala que é pela música que ela vai. É claro que hora ou outra, né, ela vai ali dar uma voltinha, uma put volta, né? Que é a volta da puta, da prostituta. Mas ela tá pela música. Quem gosta de música eletrônica gosta muito do som da Kevin. Não é só pelo sexo não, tá? Mas sim, é uma festa de putaria. E se você namora e seu relacionamento é monogâmico, você não tem que passar nem na porta, meu amor.
Eu não pude acreditar no que meus olhos estavam lendo. Passei o resto do dia tentando encontrar explicações alternativas. Talvez meu amigo tivesse se confundido e talvez tivesse visto alguém muito parecido. Talvez existisse um sósia do meu namorado circulando pelas festas de São Paulo. Tem sim, tem sim, viu? Meia-noite eu vou te contar quem é o sósia dele. Qualquer teoria parecia melhor do que a óbvia. Eu cheguei em casa e o confrontei.
Ai, gente, vamos, vamos logo, vamos logo que eu quero briga, hein? Bora, quero briga de casal! E foi aí que a situação ficou pior, porque para o meu completo desespero, ele não negou. Na verdade, soltou um suspiro de quem estava esperando aquela conversa há meses. Disse que já queria falar comigo há algum tempo, mas não tinha coragem. Olha, seu filho da Filha da puta! Não tem coragem de falar comigo, mas tem coragem de ir pra Kevin dar o cu no Dark Ruim.
Dark Ruim, haha, era Dark Ruim. Filha da puta! Que não queria mais continuar o relacionamento, que se sentia estagnado e precisava de mudanças. Bicha, sua casa caiu babado! Nossa Senhora, por que que você não me falou isso antes, seu puto vigarista? Enquanto ele falava, eu só conseguia pensar que eu também precisava de mudanças. Por exemplo, eu precisava mudar imediatamente pra uma realidade paralela onde aquela conversa não estivesse acontecendo.
Aquilo me atingiu como um raio. 5 anos juntos! 5 anos dividindo a vida, as contas, o sofá. A senha da Netflix, a responsabilidade de decidir o que pedir no iFood, e de repente tudo, tudo tinha acabado. Foi então que, meio sem graça, como um chefe que precisa esclarecer um detalhe burocrático depois de demitir alguém, ele me disse: E você sabe que vai ter que se mudar, né? Não, não, bicho, ele já mexe essa assim? Ai, que filho da puta o seu namorado, hein?
Nossa, em 5 anos você não tinha percebido que ele era tão cuzão assim? Foi só agora que ele foi se mostrar desse jeito? Porra, já meteu essa informação, gente? E você sabe que vai ter que se mudar? Não esperou nem o corpo esfriar. Meu Deus. E eu sabia que eu teria que me mudar. O apartamento onde morávamos era da tia dele. Não fazia sentido lutar para permanecer ali. O imóvel nunca foi meu e naquele momento ficou claro que nada mais ali era.
Ai, que triste! Ai, gente, não quero chorar hoje não, hein? Chega de chorar nesse podcast, pelo amor de Deus! Nem mesmo os gatos que considerávamos como filhos. Então, de uma hora para outra, Me vi sem namorado, sem gato, sem teto. Eu tive que fazer a coisa mais humilhante que uma pessoa de 30 anos que já morou sozinha por anos pode fazer. Eu voltei a morar com a minha mãe. Ai, também não acho humilhante não, imagina. Eu, hein, bicha, sai desse buraco, tá vendo?
Acho que muito do seu buraco é você que cava sozinha. Por que buraco voltar a morar com a mãe? Que bom que você tem uma mãe pra voltar a morar. Tem gente que nem isso tem. Eu, hein? Não, bicha, é muito bom ter para onde voltar. Imagina, você passou por uma situação péssima, que bom que você tem um apoio da sua mãe que pode te proporcionar um teto para você voltar. Tem nada de humilhante nisso, bicha, nada de humilhante. Não, eu acho mais humilhante uma pessoa trocar um relacionamento de 5 anos por uma Kevin.
Vocês concordam comigo? Acho que isso sim é humilhação. Tipo assim, bicha, que viadinho que meio que é trefo que você é. Não, meu amor, chamasse o seu namorado para ir junto contigo, pelo menos tivesse uma conversa com ele antes de ir para Kevin, né, esclarecesse as coisas, tentasse mais uma vez, ou terminasse de forma mais adulta antes de se meter numa festa de putaria. Acho que isso é muito mais humilhante, porque isso mostra a pessoa que ele é, que você nem chegou a conhecer em 5 anos, meu amor.
Isso sim É humilhante. Senão você morar com a sua mãe, você sair de cabeça erguida dessa casa que nem é sua. Não, meu amor, isso aí não tem nada, não é humilhação não. Tô certo ou tô errado, gente? Comentem lá que eu quero saber, hein? Comenta no nosso Instagram, @quantovalessaistoria. Ai, ai, ai. Eu amo a minha mãe com todo o meu coração, mas conviver com ela é uma experiência que deveria contar como modalidade olímpica. Ela reclama de tudo, absolutamente tudo.
Tá, então aí tudo bem. Aí eu acho realmente que é uma situação... Aí tudo bem. Aí eu acho que é uma situação... Não é humilhante, mas é uma situação chata, né? Voltar a morar com essa senhora que é um pé no saco, né? Não acho humilhante, acho muito chato, muito chato, né? Um contratempo aí, mas gata, vai, fica um tempinho e já se programa pra ir embora. Se programa pra ir embora do momento que você entrar nessa casa, entendeu?
Pisou dentro da casa, já pensa em ir embora. Já pensa em pisar fora dela. Já se organiza pra cair fora. Ela reclama de tudo. Absolutamente tudo. Se o dia está quente, está quente demais. Se está frio, está frio demais. Se chove, atrapalha os planos. Se faz sol, estraga as plantas. Ela tem o talento. Um talento de encontrar defeitos em qualquer situação apresentada pelo universo. E não é só com as situações. A minha mãe vive brigando com todo mundo.
Com meu pai, comigo, com o cachorro, com o prestador de serviço, com o garçom, com a atendente da farmácia, com a moça do mercado, com o Waze, com tudo. Eu sinceramente acredito que se ela ficasse presa numa ilha deserta, em menos de 48 horas arrumaria uma discussão com um coqueiro. Então imagina a alegria de uma pessoa recém-abandonada pelo namorado, sem casa pra morar e emocionalmente destruída ao perceber que sua nova realidade seria voltar a viver em tempo integral dentro desse ambiente.
Pacífico e relaxante. Enquanto passava por mais essa provação digna de Cristo, comecei a tentar me organizar minimamente para alugar um apartamento para mim. Aí, pronto, mulher, eu, hein? Respira fundo, calma. Como o término foi extremamente repentino e eu precisava sair rápido, A única solução imediata foi me mudar pra casa da minha mãe, mas não era algo que eu planejava manter por muito tempo. Eu passei horas no 5º andar, favoritando apartamentos de até R$2.000 o aluguel, o que em São Paulo significa um cativeiro anunciado como estúdio compacto e aconchegante.
É, gente, pra quem não mora em São Paulo, saiba que essa é a nossa realidade, viu? R$2.000, gente, isso aí é um buraco. Nossa Senhora, se for perto do metrô então, no centro de São Paulo, minha filha, vai piorando, vai virando cativeiro. Depois de algumas semanas vendo minha sanidade se esvair lentamente por conta da convivência com a minha mãe, finalmente marquei algumas visitas pela primeira vez desde o término. Eu comecei a sentir uma pontinha de esperança.
Talvez a minha vida estivesse entrando nos trilhos novamente e eu encontrasse um lugar legal. Talvez o universo estivesse decidido parar de me usar como entretenimento. Mas o destino, mais uma vez, tinha outros planos pra mim. Por essa vai se foder mais ainda, puta que pariu. Numa quarta-feira, às 5 horas da tarde, o RH convocou uma reunião com mais de 50 funcionários de diversos setores. E é claro, eu estava na lista. Ai, gente, reunião com RH!
Todo trabalhador sabe que existem dois tipos de reunião marcada pelo RH para o fim do expediente: as irrelevantes e catastróficas. E aquela definitivamente não tinha cara de irrelevante. Então é claro que lá veio ela, a reestruturação. Palavra bonita que as empresas inventaram para evitar dizer que não querem mais nos pagar. Gente, essa bicha! Meu amor, banho de erva para você. Nossa! Em poucos minutos, o meu acesso ao sistema foi bloqueado.
O meu email— gente, eu tô quase tampando o meu umbigo para ler essa história. Chocou! O meu email corporativo virou lembrança e meu emprego se tornou uma memória distante. Fechei o notebook e fiquei alguns segundos olhando para a parede. Recapitulando: em questão de semanas eu havia descoberto que meu namorado queria terminar, eu perdi a minha casa e perdi o meu emprego. Gente, que palmas, palmas! Essa bicha, nossa, dá o prêmio para ela, gente, dá o prêmio!
A mais fodida que tá tendo. A parte mais impressionante é que naquele momento a minha principal preocupação não era nem o coração partido, era o apartamento. Amor, foda-se seu namorado, você não tem onde morar, você não tem nem emprego agora. Eu quero que esse namorado seu se foda, porque é muito difícil convencer um proprietário a alugar um imóvel para alguém cuja renda atual é exatamente R$0. Mesmo assim, ai, gente, que dó, meu Deus, eu tinha visitas agendadas para os dias seguintes.
E como a vergonha ainda não tinha sido oficialmente proibida por lei, decidi ir. Afinal, o que de pior poderia acontecer? Essa pergunta, como eu aprenderia pouco tempo depois, jamais deveria ser feita. Em voz alta. Gente, não, não, ela vai se foder mais, não tem como mais. O terceiro apartamento que visitei parecia minimamente bom. Conversando com o corretor, demonstrei interesse, ainda sem saber exatamente como faria para driblar o pequeno detalhe de estar desempregado.
Negação? Ou otimismo. Ai, mulher, tô achando você já delulu. Tô começando a achar você meio delulu. Nem negação nem otimismo, delulu. Uma das grandes vantagens do imóvel, segundo o corretor, era que ele ficava a menos de 5 minutos de uma academia enorme. Então, depois da visita, resolvi passar lá para conhecer o lugar e tentar me imaginar fazendo o meu treino diário. Morando a poucos minutos dali. E realmente não parecia nada mal.
Aquele apartamento talvez não fosse perfeito, mas parecia um bom recomeço. Aí, gente, pronto, ótimo, né? Acho que agora na história estamos fazendo a virada dela de chave. Acho que agora as coisas vão começar a melhorar, né? Mas é claro que essa paz durou pouco. Meu Deus, não, gente, retiro o que eu disse. Ai, retiro o que eu disse, que ela vai se foder mais ainda. Eu saí da academia e estava caminhando pela calçada, já quase chegando ao que talvez fosse o meu futuro apartamento, quando dois caras— ai, bicha, não, não!
Quando dois caras numa moto encostaram bem na minha frente e começaram a gritar: Perdeu, perdeu! Passa o celular, passa o celular, filha da puta! Levantei os braços imediatamente e com todo o cuidado do mundo avisei que ia colocar a mão no bolso pra pegar o aparelho. Calma, vou pegar, calma, vou pegar, vou pegar. Enquanto eles gritavam: Vai, porra, passa logo, caralho, porra! Quanto mais eles gritavam, mais nervoso eu ficava. E quanto mais nervoso eu ficava, menos o meu corpo obedecia aos comandos básicos.
Foi então que deixei minha garrafinha de água cair no chão. Quando ouvi o barulho do plástico batendo na calçada, aceitei o meu destino. Pronto, eu vou morrer. Lá vem o tiro na minha cara. Gente, que horror! A minha mãe— não, só o que falta mesmo, gente. É só o que falta. Ai, que horror! Mas é o que tá faltando mesmo. A minha mente já estava preparando uma retrospectiva completa da minha vida enquanto eu aguardava o disparo que nunca veio.
Bicha, olha como seria essa retrospectiva, pelo amor de Deus! Será que seria uma coisa boa? Vamos deixar para lá. O assaltante apenas continuou gritando para eu entregar logo o celular. Afobado, peguei a garrafinha Peguei o aparelho e finalmente entreguei. Ele olhou para o celular, virou de um lado, virou do outro, avaliou por alguns segundos e então me disse: esse não. E me devolveu. Me devolveu o meu iPhone 11. Era— nossa, bicha, iPhone 11!
O meu iPhone 11 era ruim demais para ser roubado. Meu Deus, bicha coitada. Eu tinha acabado de sobreviver a um assalto porque meu patrimônio não atingia os padrões mínimos de qualidade exigidos pelo mercado do crime. Ainda apontando a arma pra mim, ele perguntou: tu não tem aliança não, caralho? Não tem um relógio? Qualquer coisa? E eu, cada vez mais humilhado, respondi que não, não tem nada. Ai, ela não tem nada, moço. É melhor você roubar a mãe dela, porque ela mesmo— Nesse momento, o piloto da moto começou a acelerar.
O assaltante subiu na garupa e, antes de ir embora, soltou a frase que me destruiu mais do que o término, a demissão e a ameaça de assalto juntos. O assaltante olhou no fundo dos meus olhos e disse: Valeu aí, e foram embora. Nem os criminosos conseguiram lucrar comigo. Bicha, você é muito fodida, meu Deus! Não, não é possível, calma aí. E é nesse momento que me encontro agora. Eu gostaria de dizer que dei a volta por cima e que deu tudo certo no final.
E por mais que eu queira que isso fosse verdade, não é o caso. Mona, a história vai acabar e ela tá fodida, não acredito. Ai, eu tô com dó. Não! Então, quando você pensar que tem muito azar, lembre-se de mim. Que eu sou um gay de 30 anos, morando com a mãe, desempregado, com um iPhone 11. Que nem o assaltante quer. Gente... Ai! Eu não acredito que a história acabou. Bicha! Nossa, eu achei... Mateus, eu acabei com você durante a história porque eu achei que no final a gente ia ter um desfecho melhor que esse, né?
Achei que você ia falar, ai, arranjei meu emprego, consegui sair da casa da minha mãe que eu tanto queria, né? Comprei um iPhone melhor, é por esse iPhone que eu estou te enviando essa história. Mas não, gente, ela continua na mesma situação. Ai, bicha, que dó! Mateus, Mateus do céu, gente, o que dizer, né? Nossa, realmente eu nunca vi uma bicha se dar tão mal que nem você, bicha. Pelo amor de Deus, vai no terreiro, vai na igreja.
Fala com pai de santo, fala com pastor, fala com pajé, fala com todo mundo de uma vez. Manda um email com cópia para todo mundo, bicha. Acende uma vela, toma um banho, entra no rio de cabeça, mulher. Nossa, bicha, todos nós aqui do Quanto Vale Essa História desejamos melhor, estimamos melhoras, viu? Meu Deus, que você consiga o que você precisa para se reerguer depois desse término. Esse término acabou com você, bicha. Esse término acabou com tudo, foi o ó, foi uma coisa depois da outra, bicha.
Você não conseguiu nenhum apartamento ainda, mulher, bicha. Bom, mas assim, meu Deus, gente, eu tô rindo, mas é puro nervoso porque eu não sei nem o que dizer, bicha. Boa sorte, cara. Valeu aí. Não, brincadeira. Falando sério, falando sério, bicha, sinto muito, tá? Sinto muito mesmo que você tenha passado por tantas coisas, e uma depois da outra. Isso foi horrível, meu Deus do céu. Mas olha, uma coisa que eu sempre digo, já falei aqui algumas vezes e repito: se você já esteve no momento bom da sua vida, nada impede de voltar para um momento bom ou melhor.
Nada te impede. É porque quando a gente tá no momento ruim da vida, a gente fica desesperançoso, parece que a solução tá muito distante, parece que nunca vai acontecer, né? Parece que a gente vai morrer ali nessa situação horrorosa. Mas não, você já esteve no momento ótimo, você já estava, você já teve um momento onde você tinha um emprego, um apartamento, um homem, você já teve o celular. Acho que não, né? Pelo visto, iPhone 11 tá aí com você há um tempão.
Mas você já foi feliz, né? Você já foi feliz. Nada te impede de ser feliz de novo. É que você precisa passar por algumas coisas aí, aparentemente, antes de resolver muita coisa na sua vida. Mas vai aos poucos, vai aos poucos. Primeira dica que eu te dou é essa: calma, respira fundo, lembre-se que você já foi feliz, gata. Esse sentimento, ele tá dentro de você, ele existe, ele é seu. É que agora tá difícil de acessar ele. Por conta de várias coisas que aconteceram na sua vida, coisas horrorosas.
Então é justo que você tenha dificuldade de acessar essa felicidade. Imagina, é super justo. Mas calma, esse sentimento existe e ele faz parte da sua vida. Você já acessou ele por muito tempo. Então peraí, respira fundo. Outra coisa, para de olhar pra sua vida com esse olhar. Porque eu acho que você puxou muito da sua mãe sem perceber, viu? A sua mãe é a gata que reclama de tudo, que acha tudo uma porcaria. Que se tá frio tá ruim, se tá quente tá pior ainda.
Mas eu senti em você uma característica muito semelhante também, né, de olhar para as coisas sempre com esse olhar para baixo, né, um olhar descrente, um olhar pessimista mesmo sobre as coisas, sabe. Então nada do que você contou para gente, nada, você percebeu que nada do que você contou pra gente foi visto por você mesma como algo bom? Nada. Nada do que aconteceu na sua vida você viu como uma oportunidade de alguma coisa melhor acontecer.
Nem quando você não foi assaltada, você não viu isso como uma coisa boa. Você viu isso como uma coisa ruim. Você queria que o cara tivesse roubado seu celular. Você já não tem porra nenhuma e você ainda ficou chateada por ele não ter levado seu celular. Você deveria ter ficado feliz, bicha, porque é o que você tem, o seu iPhone 11. Né, todo mundo foi embora menos o seu iPhone 11. Então assim, você percebeu como você tem esse olhar sobre a vida?
E vou te falar uma coisa, viu, pessoas que têm esse olhar sobre a vida costumam atrair justamente o que alimenta esse olhar, tá bom, meu amor? Enquanto você continuar olhando para sua vida dessa forma, a vida vai continuar te presenteando com isso. E eu não tô falando que a culpa é sua não, tá? Eu não estou culpando, culpabilizando Uma pessoa que obviamente é vítima de muitas coisas que aconteceram aqui, né? Você foi traída, você foi demitida.
Então assim, né? Mas eu acho que nós somos capazes de contribuir pra mudança na nossa vida. A mudança não depende de você, porque você não é culpada por tudo que aconteceu, né? Por nada que aconteceu, digamos assim. Mas eu acho que você é capaz de contribuir pra que as coisas comecem a mudar. Afinal de contas, a vida é sua, meu amor, né? Os outros acabaram com a sua vida, não espere que eles botem a sua vida de volta nos eixos.
Faça você isso por você mesmo, tá? Então tenta mudar um pouco a forma de olhar para sua vida, né? Para de olhar para o fato de você ter que morar com a sua mãe como uma coisa tão horrorosa assim. Minha mãe, ai, coisa horrorosa! Que bom que você tem para onde voltar, que bom que você tem uma mãe, né? Será que esse momento não é um momento Talvez bom pra você tentar se aproximar um pouco mais dela. Tentar, de alguma forma, ensinar pra ela também que ela pode ver a vida de uma outra forma.
Será que você não consegue fazer isso por ela fazendo isso por você também? Sabe? O fato de você não ter sido roubada, bicha. É claro que é o óbvio, né? Tipo assim, porra, nem num assalto eu consigo contribuir com alguma coisa. Mas que bom que você não foi roubada, bicha. Você tem um celular aí para poder ver os seus anúncios aí do quinto andar, para você encontrar seu apartamento, né, mandar currículo para conseguir um emprego, não é mesmo?
Entrar no Grindr, no Hornet, no Tinder, no Badoo para arranjar outro macho, outro otário. Então fique feliz por estar com celular, meu amor, porque se você tiver sido roubada, você não tem um ponto no bolso. Você lembra disso? Você não ia conseguir comprar outro celular não, meu amor. Então que bom que você não foi roubado. Então essa é a dica da Bianca Dalla Fence de hoje, tá bom? Sempre dá para piorar, depende da forma que você enxerga a sua própria vida, tá bom?
Para você. Ai, por hoje é só, meus amores. Quero saber de vocês, é lógico que eu quero saber de vocês, né? Quanto vale essa história De 0 a 10, comenta lá no nosso Instagram, @quantovalessaistoria. Tô ansiosa para saber o que vocês acharam, a nota de vocês. E comentem se vocês acham que eu tô com razão ou não, se eu falei besteira aqui, tá? Fique à vontade para discordar de mim, tá bom, meu amor? Fique à vontade lá no nosso Instagram, é um ambiente seguro.
Aqui é um ambiente seguro também, né? O Quanto Vale Essa História, de modo geral, é um ambiente seguro para você se soltar suas asinhas aí e comentar o que você achou, tá bom? Tô de olho, hein? Comenta bastante. Por hoje é só, meus amores. Quinta-feira tem mais episódio proibidão apenas para vocês apoiadores. Um beijo, tá bom para você? Bicha, foi o ar para ela, chocou.
Bianca Della Fancy
Lojinha oficial