Episódios de não sei ser

com instagram, andar de mota ou rebarbada com tenistas.

05 de maio de 202648min
0:00 / 48:38

Ando a gostar cada vez mais de gravar o podcast. Até fico entusiasmada. A diferença quinzenal é muito útil. Por outro lado, posso estar a repetir-me nalguns temas. Tenham paciência com a velhinha, está bem?

Lembro-me do sofrimento que era gravar o Psychoterapia, não só por não estar fixe de cabeça, mas também por sentir que não tinha nada para dizer. Não tenho na mesma, mas já dou benefício da dúvida. E tenho sido abordada por vocês a dizer que gostam (até mesmo na rua - bem, em casa seria esquisito).

Obrigada por apoiarem o meu trabalho, tem sido uma cena incrível. O “não sei ser” já tem três anos e sinto que só agora é que está afinado.

Para a semana há Madalena Abecasis. Cansamo-nos uma à outra mas acredito mesmo que, se morassemos mais perto, até poderiamos mandar uns iqos de vez em quando e nem fumo. Gravamos nos Comuna Studios que, por mim, até me mudava para lá.

https://www.instagram.com/comuna_studios/

Sigam, avaliem (aquilo está meio descompensando por malta parva) e comentem o podcast (eu respondo).

Há também no Youtube.

https://www.youtube.com/@Joana_Gama

Mais:www.instagram.com/joanagama

https://www.tiktok.com/@thejoanagama

*o filtro manhoso foi porque tive o ISO em manual. Para a próxima será melhor, grrr.

Assuntos5
  • Desintoxicação digitalImpacto do Instagram na saúde mental · Vício em redes sociais · Benefícios de se afastar do Instagram · Meta Business para agendamento
  • Fome Emocional vs. FisiológicaDificuldade em controlar a alimentação · Relação entre comida e emoções · Pressão social e imagem corporal · Medicamentos injetáveis para emagrecer · Retiro sem espelhos no Alentejo
  • Impacto das Redes SociaisFragmentação da atenção · Diminuição da tolerância ao tédio · Pensamento superficial · Comparação social · Dependência de likes
  • Proteína e NutriçãoFalta de proteína e cansaço · Proteína para saciedade e energia · Alimentação restritiva e mini anorexia
  • Indústria da ComédiaConcurso Funny as Fuck de Kevin Hart · Diversidade de estilos na comédia · Importância da representatividade · Saúde mental e carreira · Proatividade e autoproposta
Transcrição129 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Não é fixe. No outro dia, quando apresentei o jingle, eu disse Ah, se calhar vocês não vão gostar, não é porque eu não achasse o jingle incrível. Era sim porque, daquilo que eu estou habituada ao meio da comunicação, geralmente as pessoas ficam muito perturbadas quando existem alterações, quando mudam um locutor, quando mudam a marca, um logo, fica tudo muito nervosinho.

Mas vocês são fixos. Quem ainda assim ficou com saudades do jingle anterior, fazemos o seguinte, vocês enviam-me o e-mail e eu envio-vos o fecheiro. E assim, quando estiverem, sei lá, no carro, a correr, podem pôr no repeat, não sei ser, e vão... Só nos faz bem a todos. Ficam com o meu podcast no top of mind, pensam em mim, eu sei que pensam em mim, e de repente a vida é tão melhor.

Hello, hello, bem-vindos a mais um episódio do Não Sei Ser, tenho imensas coisas para vos contar, porém existe aqui uma dificuldade, como só gravo sozinha de 15 em 15 dias, às vezes eu tenho aqui medo que a avó se esqueça daquilo que já falou ou não falou, e precisamente esse tema das avós eu acho que já falei há 15 dias, que a minha filha agora tem muito mais contacto com a avó paterna, porque a nossa vizinha mudou-se para cá e está muito feliz. Mas, onde é que eu queria começar? Eu queria começar por vos dizer que venci...

Venci a internet, neste momento não tenho Instagram no meu telemóvel, acabou. Eu já fiz isto várias vezes, já usei aplicações, já um aparelho chamado Brick, fiz isto várias vezes, mas nunca consegui. Agora estou há mais de 15 dias, creio, sem Instagram no telemóvel e sabem o que é que tem sido? Tem sido...

incrível, e eu sei que vou continuar, não sei, se não continuar depois aviso-vos, mas eu sei que vou continuar com isto porque tem sido mesmo maravilhoso, a única desvantagem que tem é não partilhar stories no momento, mas acho que vocês também passam bem sem isso, o resto posso agendar tudo, e então nem tenho sentido falta, sabem quando desligam ou apagam uma aplicação qualquer porque querem fazer um detox, mas depois estão sempre...

a pegar no telemóvel, já estou fixe, estou muito melhor de cabeça, isto porque há uns tempos eu estive aí, não foi, não sei explicar, deixei de conseguir funcionar, deixava chaves na porta, as portas do carro abertas.

esqueci-me do nome de pessoas eu acho que isto tem a ver com várias coisas mas uma delas claramente era a causa e consequência de estar muito mais viciada no Instagram então pensei, pá, isto é só estúpido é só estúpido, estou a consumir conteúdo de cocó porque é isso que se passa por causa do teu algoritmo sim, eu procuro cocó

E tenho cocó e depois vês cocó. E não quero, não quero estar a perder o meu tempo. Vocês sabem, vocês sentem a mesma coisa, não é? Instagram é agora neste momento estão a ver este conteúdo e estou a pensar, eu não devia, não é? Como é que é? Podem fazer uma coisa mindful, não é? Que é ver só aquilo que vos interessa, mas eu não consigo eu não consigo ter esse discernimento. Não consigo.

ainda para mais tudo me faz rir, faz-me rir aquilo que é estúpido faz-me rir aquilo que tem graça faz-me rir o que é vergonhoso e essa também é a minha dopamina é rir-me, não é só curiosidade é assim então parei

Parei, estou super, super feliz. Neste momento não posso dizer que o meu tempo a mais esteja a ser usado noutras coisas produtivas, mas acho que o critério não é esse, não é o da produtividade, é o do espaço mental. E nisso estou mesmo muito, muito feliz. Aconselho vivamente a fazerem...

Quem trabalhar a gerir conteúdo já deve saber disto, mas existe o Meta Business no Facebook e dá para agendar tudo. Portanto, aquilo que estão a ver neste momento é conteúdo agendado, mas enviem-me mensagens que eu vou respondendo, porque também vou ter essa rotina. Percebem isto aí?

Nós dizemos, ah, os miúdos hoje em dia, as redes sociais, mas também temos de assumir a nossa responsabilidade, não é? Estou a tentar assumir a minha e prometo que quando desistir disto, depois também me redimo e venho para aqui contar para vocês não se sentirem os fracassados porque não conseguiram. Eu estou a conseguir! Eu estou... pá!

até estou a ir à casa do banho sem telefone é suposto ou não? é suposto que isto aconteça? e eu gosto sempre de preparar alguma coisa para vos dizer neste sentido porque não sei, sinto sempre que nós podíamos criar conteúdos que vão além do entretenimento eu sei que isto é terrível o que eu estou a dizer mas tenho consumido imensos podcasts até portugueses em que parece que

são todos muito parecidos. Claro que a personalidade difere, mas depois sinto que fiquei a perder qualquer coisa também. Então, como acho que não sou superior a ninguém, ou que não sou mais complexa ou mais interessante, eu tento sempre, também por gosto pessoal, investigar ou ler um bocadinho sobre as coisas e queria também falar disto convosco. Eu tenho a sensação que vocês que ouvem o podcast, já agora obrigada a toda a gente que chegou por causa de outros episódios, até dos convidados.

Há quem prefira este assol, há quem prefira os convidados, fiquei a saber que meu pai e minha madrasta gostam mais dos meus assolos. Hey, somos vizinhos, devíamos combinar mais vezes, mas eu gosto sempre de dar aqui qualquer coisa. E estive a verificar se aquelas melhorias que eu tenho notado em mim, no meu cérebro, são efetivamente comprovadas ou se foi psicosomática. Se eu, ai não, eu larguei o Instagram, a minha vida está muito melhor. Portanto, se...

Isto pode servir não só de incentivo para experimentarem, mas também para conseguirem apreciar se a vossa vida está melhor ou não. Então, como vocês sabem, o Instagram e as redes sociais estão construídas para serem altamente viciantes. Acho que existe até um documentário bastante simples e comercial na Netflix que fala sobre isso. Acho que se chama O Algoritmo.

Desde as notificações, desde os stories serem só 24 horas e ficarmos com aquele fome ou de será que perdemos alguma coisa. O facto de termos os colegas também no Instagram dá aquela sensação de estou a trabalhar se estiver a ver ou o que é que eles estão a fazer que eu não estou a fazer, aquela comparação. Depois o conteúdo é super curto, mantém-nos engaged. Eu sei, estou a dar imensas palavrinhas, mas é o que é, é o que é.

e quanto mais quanto mais nós publicarmos mais também ficamos isto também é uma coisa que se trabalha com o tempo mas ficamos lá como é que isto está a ser recebido será que está a ser viral será que não está e até agora a agendar as coisas não fico presa a isso até porque a maior parte do conteúdo que eu produzo não é para ser viral

Claro que é fixe se ficar, não é? Mas eu podia ser muito mais sensacionalista do que aquilo que sou e tento pontuar conteúdos interessantes. E já não tenho estado com essa sofriguidão de ver como é que está a correr ou como é que não está a correr.

Então, para além desses mecanismos todos hiper viciantes, eu reparei, e acho que vocês também, a memória fica muito mais fraquinha, a atenção fica fragmentada, ficamos com muito menos tolerância ao tédio, vejo isso, por exemplo, pela minha filha, que não tem a capacidade de esperar nem sequer dois minutos, ah, mas a tua filha não devia ter redes sociais, ok, tem.

cá em casa são super regradas, têm 10 minutos por rede social por dia, a não ser o Instagram que está tranquila porque acho que socialmente é importante estar envolvida. Depois, andamos mais sedentos de novidade, o ritmo tem de ser muito, muito mais rápido para ter nova dopamina, não conseguimos ter pensamentos tão complexos.

texturados, o pensamento deixa de ser profundo, porque o cérebro não tem essa capacidade de esperar ainda numa próxima entrevista que por acaso já gravei mas vou conversar com o filósofo, falamos sobre os perigos de não conseguir aprofundar pensamentos e acho que é evidente o comportamento das pessoas nas redes sociais, que não só é um espelho daquilo que somos hoje em dia, mas também é aquilo que contribui para que sejamos assim. Depois há uma cena que...

Isto eu só, toda a gente sabe aquilo que eu estou a dizer, mas acho que às vezes é importante sistematizar um bocado, que é esta questão da comparação social, sabe, mesmo que estejamos educados relativamente a isso, ah, ela tem uma vida que eu não tenho, eu não tenho tempo para isso, ela tem amas e então consegue lidar bem com os filhos e ir ao ginásio, pá, fica sempre ali uma cena, sabe, fica sempre, ah, eu devia ser assim, ou eu podia ser mais assim, e é engraçado que...

Isto é tudo tão falso, parece que existe uma escada de felicidade e que existe apenas um caminho para... Estou com cheio de mexer no nariz, acho que é tipo um cabelo, sabe? Que existe uma espécie de...

de escada, que só existe um caminho para ser feliz e como vemos aquilo a resultar com determinada pessoa e não nos vemos a fazer o mesmo ficamos preocupados ou depois idealizamos e queremos comprar as coisas quando eu me tenho vindo a perceber, primeiro que digo muitas vezes pá, estive agora a editar o episódio da próxima semana e estou sempre pá pá pá pá pá vê se paro com isso mas

Eu tenho vindo a reparar que, por nos sentirmos inseguros, lá está, por não sabermos ser, que quando há comentários de pessoas que nós respeitamos, isto é óbvio, eu sei, nós integramos aquilo como sendo verdadeiro, mas às vezes nós estamos certos. E esta comparação social, not cool, e eu acho que...

Nós temos muito mais a ganhar em consumir conteúdos longos e mais profundos, até por serem mais positivos para a nossa vida. E vou dar-vos o exemplo, mais tarde, neste episódio, do concurso... Concurso? Sim, concurso do Kevin Hart, de stand-up comedy Funny as Fuck, e o quanto a representatividade é uma coisa importantíssima para...

Para nos sentirmos certos. Eu sei que sou um standard da sociedade, mas acho que isso pode aplicar a várias áreas da nossa vida. Isto a longo prazo, faz mesmo mal ao cérebro. Nós ficamos com a autoestima mais dependente dos likes. Há malta, há influencers que estão a passar muito mal.

Eu sei que fomes e guerras, não sei o quê, mas há influencers que têm burnouts, que têm esgotamentos, que entram naquela ótica. Repara, quando não se tem dinheiro, uma pessoa acha que tem de trabalhar mais, não necessariamente trabalhar de forma esperta. Então, a aflição transforma-se numa obrigação constante de produção, o que é uma chatice do caraças. E então, é o Frederico a dizer qualquer coisa sobre a Irã, já lá vou. Bem, não há de ser grave.

tem um pai para isso então isto faz-nos mesmo mal em princípio vocês que estão a consumir o podcast são mais consumidores do que produtores de conteúdos mas eu acho que também é interessante olharmos para aquilo que está por trás daquilo que nos é dado

Como é que vocês acham que esta pessoa está a viver a vida? O que é que ela expõe? O que é que ela não expõe? Qual é que é o estado mental desta pessoa? O que é que interessa transmitir? Uma das coisas que eu sempre considerei engraçada foi aquela desconstrução que houve humorística de alguns reels que havia de quando as instagramers...

que mostravam a rotina do ah, good morning, nananã, e depois houve alguns humoristas que mostraram que para elas fazerem isso tinham que já se ter levantado, já se ter maquilhado, tinham de pôr a câmara num determinado sítio, e nós às vezes temos essa suspension of disbelief que é péssima, que é péssima para nós.

O que é que eu tenho sentido? Tenho sentido que aquele dump scroll antes de ir dormir já não existe. Eu confesso que ia dormesse um bocado a ver o iPad mas tenho que estar tão cansada e já vos explico porquê que ligo o iPad para ver, pá, estive a ver aquela série das miúdas presas, Girls Incarcerated,

O que é que aquilo tem para dar ao mundo? Muito pouco, muito pouco, se calhar daí também eu adormecer, mas não fazer o dump scroll tem sido excelente, acho que tem melhorado imenso o meu dia e a minha noite, o meu sono. Sinto-me com mais criatividade, posso ter menos estímulos para a criação.

É giro quando vejo algum reel de alguma coisa e penso, olha, isto estava não sei o quê, mas existem outros estímulos à nossa volta e que se calhar nos fazem criar conteúdos mais diferenciados. Se todos andarmos a ver as mesmas coisas, porque estamos todos sujeitos à tal viralidade dos conteúdos, mesmo que tenhamos um algoritmo ligeiramente diferente.

Aquilo que nós estamos a produzir ou a dar ao mundo vai ser tudo muito semelhante. Digo eu, eu não percebo nada disto, não sou socióloga, vocês sabem que aqui no podcast existe sempre essa parte. Consigo ter tempo para não fazer nada. Eu sei que isto é um clichê, mas já me sentei, se vocês soubessem, ao longo da minha vida, o estado mental em que eu já estive, ao ponto de ter gatos e não falava com os gatos, eu sei que...

Existe aquele lado cínico de não são para todos, não vou falar com eles, mas eu nem brincava com eles, não falava com eles, dava-lhes todo o amor que eu conseguia dar, mas agora por ter estes momentos do nada, eu já me sentei no chão só a brincar com o meu gato, ou pego nele ao colo e ando aí de um lado para o outro a mostrar-lhes os passarinhos cá em casa. Por acaso a Neboeda estressada com isso, nós vamos de férias para o Algarve uma semana e isto é em agosto, final de agosto de setembro.

E neste momento só tenho um gato e apesar do gato ter dois anos para mim é um bebezinho, é super mimado e eu estou cheia de pena que ele fique cá em casa sozinho. Vai haver, claro que vou ter aqui uma pessoa a vir alimentar todos os dias, a brincar com ele uma hora, um serviço.

mas estou de coração partido a comparação que eu faço é mesmo quando se tem um bebê e não nos queremos afastar dele, sabe? meu gato, meu querido Kiwi, vai ficar sozinho uma semana

Uma semana, quando nós formos para o Algarve, estou mesmo ansiosa, ainda tento fazer a cabeça ao meu namorado para adotarmos um gato, porque mesmo que o gato esteja bem, eu sinto que ele podia brincar mais, mas por outro lado também já o vi a fazer a vida negra ao outro gato, não sei.

Os gatos não adoram mudar de sítio, portanto levar o gato de férias, não sei se é fixe. Ele pode fugir, ele não tem as vacinas para fugir de casa e ficar tranquilo. Não sei o que é que é de fazer, sei que tenho o coração partido. E já puse em questão, vejam lá, vir do Algarve um dia e voltar só para lhe dar uns mimos, mas nem sei se isso é fixe, nem sei se isto é para quem. Tenho medo que ele fique a mear o dia todo, não sei. E para um hospital também não acho fixe, não sei o que é que é de fazer. Mas pronto, problemas meus.

Não abandonem gatos nas férias, nem cães. Periquitos acho que sim. Acho que caguem para os periquitos, estejam bueda bem com os periquitos. Porque eles voltam, então se não voltarem já sabem porque é que é. Outra coisa, eu depois vou falar-vos mais disto, vocês têm perguntado muito sobre o que é que eu fiz para emagrecer, eu já deixei claro que tomei daqueles...

daqueles medicamentos injetáveis, em princípio em breve falarei mais sobre isso e uma das coisas que esses medicamentos me ajudam imenso é a reduzir o food noise. Food noise é uma das razões pelas quais me nerva selenemente as pessoas que acham que ser gordo é uma escolha ou que ser obeso é uma escolha e existe muito mais para além disso e uma das coisas é que...

Muita gente não percebe, e ainda bem, por um lado, apesar de poderem ter mais empatia, é que às vezes pensa-se em comida o dia todo. O dia todo. E estou a falar de pessoas que vivem bem. Ainda assim estão a pensar em comida o dia todo.

não é se têm fome ou se não têm é se devem comer, se não devem comer quantas calorias são, quantas calorias não são não devia ter comido aquilo, agora odeio vou-me castigar, vou comer muito mais já me portei bem de manhã agora vou comer menos ou vou comer mais para compensar, esta semana fiz mais desporto estou tão farta de comida estou fartíssima de pensar em comida é um drama gigante depois chega o ponto de termos partilhado as nossas inseguranças com a pessoa com quem é um drama gigante

nós estamos ou vivemos e depois sentimos-nos julgados sempre que comemos alguma coisa, comemos às escondidas, olhamos para o espelho, é sempre uma chatice, estamos sempre a ver como é que está a nossa imagem, se mudou, se não mudou, se pesamos mais, se não, se é da água, se é do cocó, se é de nada, pá, estou...

passada, estou farta, estou farta deste food noise e lembro-me que uma das vezes em que fui mais feliz e que não tive este food noise, para além de quando estou a tomar essa medicação, pá, abençoada, abençoada, atenção, vários parentes aqui, sejam aconselhados para um médico, façam uma revisão ao vosso estado de saúde, mais tarde em princípio falarei sobre isto e de uma forma mais informada, não tomem decisões só com base naquilo que eu estou a dizer.

mas uma das vezes em que eu estive mais descansada em relação a isto do food noise foi quando fui fazer um retiro sozinha, fui para uma casa no meio do Alentejo uma semana e não havia espelhos. Pá, sei que isto parece shanty, mas o facto de não haver um espelho fez-me concentrar apenas no meu bem-estar.

Apesar de eu achar que o facto de nós nos vermos ao espelho também contribui muito para o nosso bem-estar, porque, por exemplo, eu tenho rosácea e eu consigo ver pelo espelho, consoante o estado da minha rosácea, se ando bem, se ando mal, se ando a dormir bem, mal, se tenho stress, não tenho, mas isto da comida, pá, estou cansada, sabem, estou cansada, ainda por cima tenho desabafado e falado com um amigo sobre isso e...

e cozinhar, como eu não sou excelente a cozinhar e é a última coisa que me apetece fazer, quando cozinho com calma gosto mas ainda assim não é uma tarefa que amo e que me sai extremamente bem porque não tenho praticado, mas já ando numa até de comer marmitas

de mandar vir daquelas comidinhas uma vez por semana, espetar no congelador e vamos embora, desde que sejam saudáveis, se souberem bem, porque há uns anos subscrevi uma cena qualquer de marmitas e sabia tudo a sopa aguada. Até fiquei mal disposta.

E é claro que isto do food noise não é só por uma questão mental ou por causa da sociedade nos estar a lixar a cabeça com o marketing, com o lado de ser sexy. Antes havia o body positivity e que por muito que fizesse bem ou mal havia sempre uma preocupação de nos meios de comunicação inserirem.

maior variedade de corpos. Neste momento, os gordos estão a desaparecer e tenho visto menos representatividade e todo este stress não ajuda a não comer. Aliás, eu acredito que a via oral, até porque desde que somos pequeninos que existe essa fase da via oral.

do mamar, tanto na mama como no biberon, e é uma coisa que nos regula, a comida também está associada a essa regulação emocional, a boca, a boca também, dei o fumar também, diria eu, mas a boca dá-nos esse conforto, e há muita coisa aqui envolvida, além da força de vontade ou não força de vontade, e esta pressão toda só nos lixa mais, e para já existe uma hormona chamada grelina.

grelina, que é a hormona da fome e a leptina que é da saciedade. E o meu problema, não sei se é fome nem saciedade, não é isso. É a restrição alimentar, quanto mais proíbes, mais pensas e as flutuações de açúcar no sangue. Ah, posto isto, tenho que vos contar.

Eu há anos, há anos, não sei quantos, mas quando fui mãe a minha filha dormia muito pouco, acordava muitas vezes e o sono para mim já era uma coisa que era uma prioridade, mas passou a ser sagrado.

e desde aí que durmo cestas todos os dias, que adormeço sempre que me deito, em peças de teatro adormeço, a ver filmes adormeço, sempre tenho um tempo livre, vou-me deitar, e isso começou a perturbar-me. Como estou medicada para várias coisas, achei também que poderia ser da medicação, de ter que reduzir a dose, porque podia estar melhor e aquilo estar a fazer outro efeito, que podia até ser dessa questão do medicamento para emagrecer.

e não só, podia ser de ser ansiosa, e claro que pode ser tudo isto ao mesmo tempo, mas eu comecei a ficar muito triste e deprimida pelo meu dia estar constantemente a ser interrompido, sentir que não sou capaz de... parece que estou doente, sabem? E como já estive deprimida durante alguns anos, essa vontade e necessidade de dormir e de ser uma espécie de vício remete-me para uma altura má e eu não sinto que esteja nessa altura má.

Então decidi fazer uma revisão total naquilo que estava a fazer. O que é que me está a faltar na alimentação, por exemplo? E comecei a reparar que, não querendo desvalorizar, mas é esta questão do food noise todo e de não querer engordar, estava-me a dar aqui uma espécie de mini anorexia, que era, eu não queria comer nada que me fizesse engordar, estava com medo.

E aquilo que eu comia tinha de ser coisas que compensassem. Ou seja, apetece-me imenso chocapix. Aí, ok, agora comi um bife de frango esta hora? Não me apetece comer bife de frango. Percebem? Então, faltava-me proteína.

Eu só como carne, não como peixe, portanto há de me faltar muito mais coisas, mas o facto de eu não comer proteína nenhuma, eu sei que isto burra, tu dás isso na escola, proteína é importante, reconstrução dos músculos, ainda por cima fazes desporto, como é que tu não andavas a comer proteína? Não me apetecia, não me apetecia e é uma coisa que é preciso haver em casa, que é ir comprando, ir pensando nisso, não me apetecia, então o meu corpo estava...

na merda, estava tipo, pá, eu vou dormir, eu tenho que poupar isto, não é? Porque logo à tarde vais ter que te levantar. Eu adormeci em todo lado, dormia duas a três horas por dia, claro que à noite também o sonho ficava afetado por causa disso, pá, not cool, not cool. E agora de repente, tudo bem que ainda agora estou com a cabeça a mil, numa de sempre que durmo, afinal não era a proteína, não sei o quê, mas canso-me na mesma. Mas agora...

sinto-me mais normal, consigo ler sem adormecer logo, durante o dia, à noite, esqueçam, como não estou a fazer cesta também, sou uma pessoa e acordo às seis e tal da manhã, mas agora sinto-me...

uma pessoa, aquilo estava a lixar mesmo a cabeça, e há uma das coisas que eu sempre me interroguei, que é devemos comer sem fome, porque se o nosso corpo está a desenhar para ter fome, nós ao comermos sem fome, estamos a não ouvir o nosso corpo, é pá, nesta fase de uma cagar, é preciso almoçar, ou pequeno almoço vou pôr mais proteína, ou almoço vou pôr mais proteína, e não estou a falar de proteína, estou a falar de iogurte, skir, skir, skir.

ovos de vez em quando tentar sempre ter carne, isto parece tão básico mas às vezes falha-nos e depois há timings, não é? Às vezes nós sabemos mas não queremos fazer as coisas mas cheguei ali mesmo

Mesmo ao meu ponto. E a proteína, além de ajudar a ter mais energia, porque é comida, também é uma coisa que garante que nós fiquemos saciados durante mais tempo. Portanto, de certa forma, é só win-win. Não faz com que nós logo à noite tenhamos aquela fome, ou pelo menos que eu tenha, que é de mamar um pacote inteiro de chips à arroia na cama enquanto vejo miúdas na prisão.

Ah, e isto, se vocês experimentarem, não fiquem todos desesperados, porque nos primeiros dias, se experimentarem, eu acho que isto é super raro, não acredito que vocês estejam a passar por isto, porque nos primeiros dias não resulta logo, eu só comecei a reparar passado 4 dias, é que comecei a ver, ok, estou com mais energia, isto é normal, porque senão teria parado logo no primeiro dia. Estou cheia de sono e hoje já comi um bitoque, mas não, esperei e aconteceu.

E acho que tenho tido mais joado vivo e tenho visto outras coisas na minha vida também a melhorar, como o cérebro não se está a carcomer, consigo pensar melhor, consigo, sei lá, ter mais coisas fixas, por exemplo, acho que tenho líbido, acho que voltei a ter líbido, não sei.

Acho que havia vários fatores aqui também, o facto de eu não gostar do meu corpo, de estar gorda, faz com que não se esteja tão à vontade para partilhar ou para ter momentos, ou se não estamos à vontade com o nosso corpo, como é que nós pensamos? Ah, não, vou dar uso a isto, mas também acho que tem a ver com saúde, não é? Acho que se calhar também tinha a ver com isso. E estou aqui a notar cenas fixas.

É claro que aquilo que eu acho, sabem que é a que eu acho que é mais saudável? As pessoas mais saudáveis de sempre. Não é a malta das granolas, são sim os tenistas. Tenho que assumir. Tenho uma panca por tenistas. Não é uma panca naquela nunca teria... Por acaso tem ali um calendário?

é do casal nunca não sei, ainda esta semana estava a ver o podcast da Luana e ela diz que manda mensagens a malta que admire e não sei o quê acho que nunca não mandaria mensagens atonistas, nem mesmo com pescar do olho, pá, mas é agradável é o meu género

aquele solinho no trombil aquele ar de quem tem que se focar imenso numa coisa e depois tem que se esforçar e depois tem que ali, ali cenas, ali cenas e agora surgiu um puto novo

Tinha a cena do alcaraz, ok, o alcaraz sempre foi, pá, como era mais puto e eu não via um tenista puto há muito tempo e ganha, uma pessoa fica, hum, bom alcaraz, nem sei se tem idade já, não tem, pronto. Mas de repente uma pessoa começa a olhar para o sinar que com chapéu ninguém dá para ele, tira o chapéu, olá, olá menino, dá vontade de fazer assim, hum, hum, hum, a pessoa fica, opa.

somos adultos ou não? Pois não era capaz de ter nada com eles não era não era porque são crianças eu tenho visto crianças de 20 anos e não sei como é que é possível depois, agora surgiu um tipo como é que ele se chama?

O Zverev também acho ótimo. E acho que ele tem ar de bom namorado. O meu namorado diz que não, que há quem ache que ele seja... Como é que se diz? Não é fucker, é... Mas eu acho que ele tem ar de bom namorado. Fuck boy. Agora, surgiu um puto novo. Surgiu? Não, acho que já está no ranking há imenso tempo, mas agora jogou com o Zverev. O Flávio Koboli.

Meninos, então, ninguém diz nada. Estas isto é assim? Eu tenho que estar a ver a Sport TV para de nada me aparecer esta pessoa. Agora que não tenho Instagram, se calhar o tipo está aí, o bué da... Pá, muito bem.

Os meus parabéns aos cobolis, porque fizeram ali um ótimo trabalho. Porquê? Perguntou a vocês. Porque ele tem uns ângulos brutais, tem uma direita, o gajo abre ângulo, que é uma maravilha, tem uma precisão, tem que trabalhar ali o psicológico, porque ténis é muita paciência.

Aquela corzinha. E o patrocínio que tem do On The Cloud, boa camisola, depois tem um relógio. Não é a cena de ser muito caro. Mas eu acho que eles não costumam jogar com relógios e aquilo faz... O relógio faz... Agora, pronto. Parece que tem aqui um franguinho, mas é também de jogar ténis. O relógio faz assim um pulso mais... Mais de macho, não é? Dá assim uma cena de macho.

então acho que tenho mas aquilo que eu adoro em ténis não são os jogadores de todo, de todo, gosto mesmo gosto mesmo e gosto mesmo de de praticar, gosto de individualidade do desporto, o meu namorado está, o Miguel está-me sempre a dizer, ah o coletivo é importante porque ele fez rugby e bababá

mas eu gosto da capacidade que se tem que ter para nos autocorrigirmos e nos melhorarmos que também pode acontecer no coletivo mas há ali qualquer coisa que me agrade e o meu treinador é excelente sabe mesmo como provocar que é isto? é isto que tens para dar hoje? muito bem, sim senhor vim da bunda, vamos embora

Está a ser muito fixe. Estou a gostar mesmo, mesmo de ténis. E daí estar com esta corzinha também. Não acham? Bem, desculpem, foi muito. Mas depois atrás, se tiver de calções, tenho perninhas soxas. Perninhas de quem parece que foi pré-apontar. Ampo.

amputado, assim é que é, quais é que são hum, também, eu já vos falei disto, tipo as do vóley também acho incríveis, aquelas joelheiras, o calção curto que fui também comprar agora a Decathlon uns assim de fininho para ter cá em casa, hum, não vai aparecer uma gaja do vóley mas tênis é uma cena natação, hum

já acho muito candelabro já acho muito abajur já está eu não sou esta pessoa eu não objectifico mas objectificando acho que os tenistas devem ser pessoas muito interessantes porque é que estou de linho? Perguntam vocês estou de linho porque hoje é dia da mãe estou a gravar isto no domingo, dia da mãe e é

Não é que não costumasse ligar a isso, eu sempre dei os parabéns à minha mãe no Dia da Mãe, nunca me faltaram aquelas datas importantes para benizar as pessoas, mas como vos falei num dos últimos episódios em que falo do livro até da Janet McCurdy, ainda bem que a minha mãe morreu.

A relação com a minha mãe tem ficado cada vez melhor. Não pode haver aquela comparação com o que é a família dos cereais, o que é uma família feliz, o que é que não é uma família feliz. Nós arranjámos, acho eu, pelo menos para o meu lado, a melhor relação possível.

gosto muito da minha mãe, respeito-a muito, enquanto mulher na profissão dela, ela é juíza, teve que batalhar imenso, a ascensão social que ela teve, admiro mesmo a minha mãe, a capacidade de resolver as coisas, a confiança, que depois também dá ali uns quiproquos interessantes, mas gosto mesmo muito da minha mãe.

Não quero dizer que fala telefone igual não todos os dias. Há malta. Quando é que vocês falam com os vossos pais? Eu tenho uma amiga que fala todos os dias com os pais, uma ou duas vezes por dia, e nem se estão assim tão bem. Eu tenho um grupo de família, com ambos os lados da família, e vamos partilhando coisas. O meu irmão de vez em quando partilha isto. Eu também. O Miguel aquilo. Sim, o Miguel está no grupo de família.

E isso para mim está fixe, porque nem sempre, não sei, chega um ponto nestas relações e em qualquer outras, quaisquer outras de amizade, que uma pessoa também começa a perceber o que é que tem a ganhar em partilhar determinadas informações. Para quê? Porquê que isto dá? Isto é fixe, porque à medida que uma pessoa vai melhorando na sua saúde mental, vai pensando antes de falar, que era uma coisa que me atribuiu muito, mas não queres começar a pensar antes de falar. Eu, que é isso? E agora de repente noto.

e é giro, é giro, estou a gostar então tenho ali uma prenda para a minha mãe estou desejosa de lhe dar que se correr mal também me vou rir enquanto que há uns anos se lhe desse uma prenda pensava, ela não está grata e não gostou a minha mãe é mesmo e estou aquilo estou contente e espero que com os anos vocês também, caso tenham algum familiar com o qual não tenha uma boa relação, desde que não vos tenha feito terrivelmente mal e propositadamente

Espero que consigam também fazer essa paz, porque quer queiramos, quer não, influencia muito. E ainda esta semana fui ao psicólogo e estava a falar desta questão do food noise, e disse-lhe que isto também tinha a ver com o facto da minha mãe ser magra, de ser um objetivo dela. E às vezes o meu psicólogo vir assim, mas já chega disso ou não? Já chega a dizer que a sua mãe, que a sua mãe já tem 40 anos?

Pai, realmente sim. Eu estava a falar, por acaso estava a falar à passada, não estava isto foi porque... Mas, pá, sim, é isto. Isto acaba por nos responsabilizar, não é? E por conseguir ver a pessoa tal como ela é. Ela é assim, eu sou assim e reconhecendo-nos uma, reconhecendo-nos uma à outra, conseguimos ter uma relação uma com a outra. Isso é fixe, estou feliz. Estou feliz.

A Irene também veio agora ao almoço, ela ainda não sabe que só cá está por minha causa, e por causa do pai, mas muito por minha causa, está bem? Que eu levei um pontinho ainda, com toda a gente a ver, hospital académico, ou lá como é que se chama, que de repente estava ali a malta toda com lupas a ver, oh que engraçado, oh, portanto eu passei por muito também, e as nossas mães também.

Portanto, é isso. Uma das coisas que, e isto falo com a Madalena Apcassi também no próximo episódio, que não tem sido 100% fácil, apesar de ser muito respeitada, tem a ver com a minha profissão agora de ser comediante. Não era nada disto que estava planeado para mim. Por acaso, sempre tive muita sorte que os meus pais nunca me tentaram impor.

nenhuma profissão, diziam-me só porque a minha avó era costureira, a minha mãe dizia-me só acho que não vais para a indústria, porque acho que viu o quanto a minha avó sofreu com isso mas expor mais a minha personalidade e assistir-se ao meu crescimento, isto está a ser só sobre mim mas é o meu podcast, não é? Eu espero que vocês também consigam fazer algum paralelismo

À medida que fui crescendo também publicamente, porque sempre fui criando conteúdos, no início dizia coisas muito mais descabidas, fabricava, não fabricava, empolava ou não, também consoante o meu estado de saúde e a minha família teve de aprender a fazer.

Não diria distanciamento, mas a ter que fazer uma espécie de tapume para não me limitar. Eu tenho sorte porque a minha família tem uma noção muito clara de justiça, bastante racional e quadrada, e isso permitiu-me ter esta liberdade de fazer muita coisa e de não levar muito...

muito hate e sempre posso não ter sido respeitada mas sempre respeitar o meu espaço e isso é uma coisa pela qual poderia ser podia estar aqui a dizer que isso é um devia ser um dado adquirido mas não é, porque há coisas que nos incomodam, por exemplo, a minha filha quer pintar agora o cabelo, tem 12 anos não quero que ela pinte o cabelo se é por ela, também é por ela mas também é por mim não, não, não

eu não quero que não sei como é que é com as vossas filhas ou as vossas sobrinhas, não sei o quê mas a minha filha tem 12 anos, eu não quero que ela anda para aí com o cabelo pintado e não é pintado tipo criativo não é pintado o cabelo todo de cor de rosa e azul, que acho que há uma altura para fazer experiências e não acho que seja agora é aquele pintado de fazer madeixas ainda para mais ir assim a um cabeleireiro menos formado recentemente e ficar com quadrados, não quero não quero

E isso tem a ver também com alguma vaidade da minha parte? Não sei, agora estou-me a sentir má pessoa. Será que devia deixar? Eu acho que não, acho que tem de haver limites. Parentalidade positiva, sim a tudo, menos pintar ou descolorar o cabelo de uma criança de 12 anos. O que é que vocês acham disso? Acham que sim?

Eu não vou deixar, quer dizer, não é vou deixar, estou a empurrar com a barriga, digo, Irene, até podes fazer isso, mas temos de ir a um cabeleireiro de jeito. Quando? O que é que é um cabeleireiro de jeito? Percebem? Então, até acontecer. Não me apetece nada, não me apetece nada. Como eu estava a dizer-vos há pouco.

nisto a importância da representatividade e de nos darmos espaço para questionarmos se os conselhos das pessoas que nós admiramos estão certos ou errados, em vez de pensarmos só, ah lá, fiz merda outra vez isto é representatividade a propósito do concurso do Kevin Hart, o Funny as Fuck que podem ver na Netflix Kevin Hart, um grande comediante, muito respeitado, que já teve alto e baixo na carreira, mas muito autoconstruído Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show Show

que decidiu dar voz às próximas pessoas, à próxima geração da comédia, porque em comédia, não sei se noutros meios também, mas é preciso haver uma combinação de trabalho.

talento, mas depois também ali um patrocínio de alguém maior ou alguma oportunidade. E o prémio deste concurso é os vencedores ou o vencedor ganhar um special na Netflix, que neste momento iria eu, além do Mark Twain Awards, é o prémio máximo de um comediante e a melhor coisa que lhe pode acontecer é ter um special na Netflix. E nisto, eu estive a ver...

até agora, na terça-feira quando sair este episódio vai haver o evento em direto às duas da manhã ou à uma da manhã em que se pode votar mundialmente nos candidatos preferidos agora estou a sentir isto é tipo ídolos e a comédia está agora na moda e ainda bem porque isso faz com que mais gente venha a ver comédia mais comediantes mas depois dá-me medo quando é que isto vai passar percebeu? Aproveita a moda já abre já uma casa de stand-up incrível olha como agora o festival de...

O Festival de Comédia Internacional, o Festival à la carte, organizado pelo César Morão e pela MEU também, é surfar onda, amiguinhos, há festival de comédias, embora, estou lá dentro. Mas estive a ver então isso, e uma das coisas que sempre senti ao longo da minha carreira foi que quando eu fazia conteúdo mais sexual, ou mais sobre o meu pipi, sobre as minhas mamas, sobre a legada promiscuidade durante a minha adolescência, que...

o meu stand-up era mais rafeiro, era mais cru, que fazia o humor fácil, ou que, como é que eu posso dizer mais? Ah, ou que, e isto ainda sinto um bocado, sinto um bocado que é por fazer crowd work, falar com a plateia, não é só de onde é que vocês são, qual é a vossa profissão, não faço muito isso, nem acho que...

talvez de vez em quando, mas não dou aquele follow-up sem ser só, bem, engenheiro, gostas de construir coisas, eu gosto mesmo de fazer crowd work, eu penso, isto é se calhar porque sou má comediana, porque não escrevo texto, e de repente, ao ver este concurso, ver os vários tipos de comediantes, ver o que é que a Chelsea Handler, o Kevin Hart e os outros que lá estavam,

achavam de cada um e as coisas a ressalvar fez-me sentir muito melhor porque a diversidade traz-nos essa liberdade para sermos quem nós quisermos que é ok, isto existe e isto está certo ou pode estar certo e vou-vos dar dois exemplos de duas comediantes que lá estão que mesmo que não queiram ver

um concurso que não sei se aquilo há de interessar tanto a quem não seja comediante, acredito que sim que é Olivia Carter e a Caitlin Pelufo Caitlin Pelufo tem como ídolo a Chelsea Handler e a comédia dela é muito sobre sabem, ocupa espaço e é gaja e é pipi e é mamas

Ai, eu amo, amo o trabalho que ela faz, amo o status alto que ela tem, amo a vontade, amo o texto, amo tudo ali. Mesmo o crowd work que ela fez, acho fenomenal. E Olivia Carter é um wild card que veio do teatro e eu tenho um bocado, ou tinha um bocado o preconceito de quem faz a migração de teatro, o stand-up nem sempre é fenomenal. E ela tem uma escrita linda, linda e...

fora e a outra coisa que eu tenho sentido que é, eu tenho atuado todas as semanas tenho testado material todas as semanas para o meu solo do próximo ano, também para me manter atualizada e tenho visto mais texto dos meus colegas e há uns que são completamente estapafúrdios, isso deixa-me segura, não vos posso falar de quem são os comediantes em particular aos textos, porque muitos deles vão ter espetáculo em breve e não podemos divulgar assim o texto um dos outros mas estamos a ir para o Nonsense e estamos a ir para

não termos vergonha de sermos livres naquilo que nós estamos a dizer. E não estou a falar só da questão da sensibilidade a temas polémicos, estou a dizer mesmo de se abraçar o esquisito ao ponto de não termos que ter pessoas esquisitas para ter pensamentos esquisitos. Antes eu sinto que para dizermos coisas tapafúrdias tínhamos de ser um gajo tapafúrdio, agora podemos ser só nós e também mostrar de forma transparente os nossos pensamentos.

E nisto, como vocês podem ter ouvido no podcast anterior, com o humorista João Pinto, que lançou um livro muito interessante, que é Como Falhar em Stand-Up em Portugal, em 9 Passos, esta hesitação faz mesmo parte do título, em que estivemos a refletir sobre quais são os critérios para o sucesso, o que é que impede uma pessoa de avançar, e eu tenho apercebido cada vez mais, eu sei que isto é tipo básico, mas nem sempre percebemos, enquanto lá estamos, que é...

A forma como nós encaixamos o nosso percurso ou a nossa viagem ao longo do tempo para ascendermos numa carreira tem muito a ver com a nossa saúde mental. Outra vez, Joana, pá, sim, o que é que querem que eu faça? O que é que querem que eu faça? É uma coisa que me interessa. Eu já falava disto antes de ser modinha, portanto deixem-se de merdas. Mas vou-vos dar um exemplo. Há um comediante, mesmo eu já passei por isto, que via as coisas a acontecer e achava que ninguém me convida.

porque não gostam de mim, é porque eu sou uma merda. Depois comecei a perceber que ter uma agência é importantíssima porque as organizações falam com as agências, as agências petam os comediantes estrela ou aqueles que sejam de um tier que faz sentido para aquele evento e fico ocupado, não há espaço. Muitas das vezes a organização, a curadoria do evento não é alguém, não é como no Noz Alive, que é o Gela fazer.

mas é uma pessoa que quer ser recomendada e, portanto, conhece uma pessoa, essa pessoa enche-lhe o cartaz e, em princípio, enche com coisas que revirtam para ela. E, então, uma pessoa acha que, se não for lembrada, é porque não é gostado ou porque não é importante, um bocadinho síndrome de filho único.

é uma infantilidade é uma imaturidade ainda para mais nos dias que correm faz ainda menos sentido por causa de todo o ruído de todo o conteúdo que há quem és tu e muitas das vezes ficamos só nessa mágoa em vez de pensar, ok eu não existo, eu não estou a fazer nada eu não conheço pessoas, eu não me proponho

Que é isso, eu agora proponho-me para as... Tenho uma agência, claro, muitas vezes sou convidada, mas não tenho vergonha de me autopropor. Porquê? Porquê que vou pensar porque não se terem lembrado de mim é porque eu não sou o suficiente, percebem? E este tipo de enquadramento, que espero que também sirva para vocês se ainda não tiverem disponibilidade para pensar nisto, o propor não significa fracasso, o propor significa proactividade, confiança.

profissionalismo e inteligência certo? e portanto é isso, num stand up então isto é mais do que evidente, quando vamos testar texto e se a noite corre muito mal podemos ir para casa a chorar, a pensar que somos uma merda ou pensamos ok, isto não funcionou, vou fazer assim isto é em todo lado

e isto tudo só porque consumi uma cena é claro que há quotes no Instagram que também, apanhar pedrinhas no caminho sim, vou construir um castelo mas eu acho que ganhando tempo de pensamento retiramos muito mais sobre isso Ah! Não vos contei o principal desta semana como assim? como assim? vou ser muito clara, andei de mota pela primeira vez na minha vida

Pela primeira... Eu nunca tinha andado de moto. Por alguma razão, fui condicionada a pensar que quem anda de moto é toxicodependente e se te meteres com pessoas de moto ou se namorares com pessoas que andam de moto à tua vida, vais acabar a injetar-te. Esta semana, tive a oportunidade de andar de moto. Fui atuar e estava lá um dos meus comediantes preferidos, Marcos Bilro.

que anda de moto, eu pedi-lhe boleia e ele disse estou de moto, eu, ah, deixa-te achatar então porque andar de moto é morrer e de repente pensei, a vida é tão curta vou andar de moto fui de moto com Marcos Bilro desde Santos até à minha casa, que é assim no concelho de Lisboa

Conselho de Lisboa, não interessa. E foi boa da fixe, de pôr capacete, a viseira, fechar, ficar articulado, não ficar, ir abraçada a ele, não fui abraçada a abraçada, não foi assim tipo, mas foi...

ver as pessoas nos carros há coisas que eu enquanto condutora estava a ver, mas qual é a necessidade de pôr-as aqui pelo meio é mesmo preciso fazer isto, será que é para pôr o pé no chão será que não é, estava ali toda nervosa o que é que é que eu faço, acompanha-me nas curvas estás pronta para as curvas será que é isso? é doida e adorei, adorei andar de moto não quer dizer que venha a ter uma

Mas tipo, vespinha, uma vespinha. Isso por acaso até para andar aqui nas voltinhas, ir ali, comprar uma toranja e buscar a miúda à escola. Fá! Eu curti. Eu curti andar de moto. Agora, qual será a minha próxima experiência? Vou cortar eu o meu próprio presunto? É assim que eu vou fazer 40 anos e andei de moto pela primeira vez. O quão triste é isto ou o quão lindo é isto?

para a semana, Madalena Apcaciz, preciso explicar quem é não, pois não, é uma influencer e agora ceramista pá, que eu adoro, adoro, adoro a Madalena acho que é outra pessoa que não sabe ser e é muito isto o que é que eu tenho para vos dizer? não tenho lido, apesar de ter deixado o Instagram não tenho lido e agora tenho de ir almoçar à casa da minha mãe porque as horas lá são para cumprir

e portanto já estou de linho até para ir que é para ir assim mais que a minha mãe gosta que eu me pentei porque é que não te penteias Joana? porque é que não te penteias? e portanto aqui estou com o ar acabado acho que não, estou a dormir bem beijinhos, subscrevam o canal, avaliem partilhem o subscrever é fixe porque assim aparece logo a notificação eu ando a papar imensos podcasts e assim que recebo lá a notificação de que está pronto consigo fazer a minha ordem e vou só ouvindo ao longo do dia e portanto é fixe o subscrever é fixe o subscrever é fixe o subscrever é fixe o subscrever é fixe o subscrever é fixe o subscrever é fixe o subscrever é fixe o subscrever é fixe o subscrever é fixe o subscrever é fixe o subscrever é fixe o subscrever é fixe o subscrever é fixe o subscrever é fixe o subscrever é fixe

O avaliarem também é fixe porque tenho recebido imensa gente dos podcasts mais ouvidos que são os dos convidados que por alguma razão não gostam depois do meu humor ou quer que seja portanto avaliem para fazer subir ali a avaliação 4.5, bitch please não é isso que nós queremos aqui neste estaminé, eu sei e comentem que eu respondo, pode ser? Beijinhos, obrigada e boa semana que é isto com as minuzinhas, parece especial não é para isso? Beijinhos

E agora até o vosso próximo podcast que tem já para ouvir, não é? Qual é o podcast que vai dar agora?

Anunciantes1

Comuna Studios

external