Episódios de Medicos Hands-on

Cirugia Platica: mitos e verdades! @alexandrepiassi

26 de abril de 20261h46min
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Dr Alexandre Piassi Cirurgião Plastico HCFMUSPProfessor Doutor Edson Bor-Seng-Shu neurocirurgião professor livre docente HCFMUSPDr Marcelo de Lima Oliveira neurocirurgião doutor pelo HCFMUSPExiste uma tendencia em dicotomizar cirurgia plastica estética com cirurgia plastica reparadora. A cirurgia plastica reparadora trata queimaduras, reconstrói a pele de cirurgias mutiladoras como cirurgia de cabeça e pescoço. A reconstrução de mama também pode ser considerada como cirurgia reparadora após mastectomias por cancer; por vezes a mama reconstruída fica melhor do que as que foram removidas. Rotineiramente a reconstrução é realizada no mesmo tempo da mastectomia; o impacto psicológico é bem significativo na reconstrução imediata da mama. Outra cirurgia reparadora é o escalpelamento do couro cabeludo de mulheres causado por motores de barco (situação endêmica no norte), entre outras causas. A cirurgia estética da mama tem impacto psicológico significativo em mulheres com diferentes tipos de alterações no desenvolvimento da mama. A cirurgia estética de face tem como principal objetivo rejuvenecer a face "cansada" associada ao envelhecimento.A cirurgia plastica brasileira tem fama mundial e nos congressos vários cirurgiões querem saber o quais técnicas cirúrgicas são utilizadas no Brasil. O que é expectava de resultado na cirurgia estética? O cirurgião sempre precisa gerenciar a expetativa do paciente em relação do que ele consegue entregar na cirurgia. A vaidade faz com que pacientes procurem o cirurgia plástico, porém, a vaidade em excesso pode criar falsas expectativas. Os cirurgiões plásticos devem ter cuidado com a dismorfofobias, ou seja, um paciente que tem a visão distorcida de si, ou seja, a queixa do paciente não é compatível com a forma do corpo. Esses pacientes tem queixas nasais além do normal. A cirurgia plastica estética ajuda os pacientes que tem a auto estima um pouco baixa em decorrência de alterações da aparência do corpo. O cirurgião deve ter muito cuidado quando um paciente pede para deixar o nariz ou uma parte do corpo semelhante a de um artista ou pessoa famosa. Tem que cuidar também com aqueles que usam filtros nas fotos das redes sociais. Os selfies e reuniões virtuais aumentaram o consumo de cirurgia plastica em decorrência da maior auto exposição. A cirurgia plastica mascolina ocorre principalmente para cabelos, palpebras, papadas e ginecomastia.A cirurgia plastica como toda cirurgia tem seus riscos. A escolha do paciente é importante pois ele tem que estar preparado para procedimento cirúrgico. O local de cirugia é igualmente importante pois tem que ter preparo para intercorrências: a equipe de anestesia tem que ser preparada. O tempo cirúrgico não deve ultrapassar 6h. Além disso a cirurgia tem que ser bem indicada. Todos estes fatores vão mitigar os riscos de cirugia. A inteligencia artificial ainda tem papel muito pequeno na cirurgia plastica. Talvez tenha algum papel juntamente com robôs para microcirurgias. O papel da inteligência artificial é muito mais amplo na dermatologia que faz o tratamento clinico para melhorar a estética. O futuro da cirurgia plastica talvez esteja na medicina regenerativa com células tronco que ajudam na regeneração de tecidos destruídos ou que possam auxiliar na melhora da qualidade do tecido do corpo. Além disso, este tecido deve ter rejeição muito menor em relação as próteses.Infelizmente existe a banalização da cirurgia plastica é um dos principais fatores para complicação cirúrgica. Pode haver banalização em decorrência de profissionais mal formados, não especialistas, de cirurgias em promoção extremamente baratas, falsas promoções, entre outros fatores.

Participantes neste episódio3
M

Marcelo de Lima Oliveira

HostNeurocirurgião
A

Alexandre Piasse

ConvidadoCirurgião plástico
E

Edson Bor-Seng-Shu

ConvidadoNeurocirurgião
Assuntos2
  • Impacto das Redes SociaisInfluência do Instagram · Filtros e selfies
  • Cirurgia PlásticaMedicina regenerativa · Uso de células-tronco
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Bem-vindos ao novo episódio do podcast Médicos Rendson, ligando a medicina de ponta com você. Hoje nós temos um convidado, um convidado amigo da turma do Edson, né Edson? Doutor Alexandre Piasse, é cirurgião plástico.

formado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. E o doutor Alexandre Pias vai falar sobre plástica para a gente, mas antes eu queria começar com outro assunto. Bom, obrigado por aceitar nosso convite, Alexandre. Obrigado, Marcelo. Obrigado, Edson. Sempre uma alegria. Acho que participar de podcast é um desvertimento que eu tenho. Obrigado pelo convite, Marcelo. Exatamente. Obrigado, Edson.

O Alexandre Piasse, ele é um dos pioneiros do podcast na área de saúde aqui no Brasil. É o PodPlas, é um canal que inclusive eu comecei acompanhando, um canal muito interessante, onde ele entrevista médicos de diferentes especialidades, enfim, um aspecto um pouquinho diferente da nossa abordagem, porque ele conta a história de vida dos médicos, etc. Como é que surgiu essa ideia aí?

Marcelo, essa ideia surgiu de uma forma muito interessante. Acho que foi uma forma que nós não gostaríamos que tivesse surgido, porque foi durante a pandemia.

Nós, cirurgiões plásticas, principalmente nós paulistas, cirurgiões plásticas paulistas, ficamos assim, entre aspas, proibidos de operar. Então, cirurgias estéticas, cirurgias eletivas, elas foram cortadas. Parou tudo, né? Parou tudo, Marcelo. A gente ficou ali oito meses, aproximadamente, nesses dois anos, dois anos e pouquinho de pandemia, sem poder operar.

E aí você fica em casa, de uma forma que você não estava habituado a ficar, e começa a consumir outras coisas que você também não está acostumado a consumir. E uma dessas foi o YouTube. Comecei a assistir o YouTube de um jeito que eu não assistia. YouTube como fosse televisão. Assisti, assisti e descobri um programa que chamava Flow Podcast.

que era um programa de entrevista. É o Flow primeiro. Flow. O Brasil é o primeiro. Era um programa de entrevista, um programa de entrevista longa. Na época da pandemia, eles abusavam, ficavam quatro, cinco, seis horas entrevistando. E aí eu falava assim, poxa vida, eu vou fazer isso em saúde. Não tinha nenhum videocast, tinha vários podcasts, áudio, individual, só a pessoa falando, mas entrevista, no formato videocast, no formato Flow.

O PodPlast, que a gente já tem aí há cinco anos, foi o primeiro nesse formato. E foi uma coisa extremamente assim, como eu posso falar para você, Marcelo, uma coisa extremamente assim, que a gente ficou empolgado no início, mas a gente tinha noção que provavelmente, assim que a gente voltasse à vida normal, entre aspas, a gente encerraria o PodPlast.

A gente não consegue. Não consegue. Estamos aí há cinco anos, toda semana, e eu e o Abel, meu parceiro no PodPlast, nós dois, assim, estamos empolgados. Parece que todo dia é o primeiro dia. Aquele nervosismo, a gente faz ele ao vivo, todas as terças-feiras. Todo podcast dá uma acelerada. A gente não sabe o que o entrevistado vai falar, o que nós estamos aqui.

E você está ao vivo também. Exatamente. E no início do Podplast, que estava assim, na época de pandemia, durante a pandemia, nós começamos assim, em 2021, a gente tinha algumas palavras que o YouTube cortava se você falasse.

A vacina. Ele cortava isso aí do ar. Não podia falar essas palavras. Então a gente policiava ao vivo. Foi muito interessante. E está sendo uma experiência muito grande. Eu falo para o Abel, que é meu partner, é o Junto comigo, e eu falo para ele assim. A medicina para nós, hoje, é muito mais fácil eu conversar, Edson.

sobre medicina com os pacientes, com os amigos, das outras especialidades. Porque a gente aprende. Exatamente. As terças-feiras a gente aprende. Hoje a gente escuta um pouco de neurocirurgia, dopteco, não sei aonde. Cirurgia geral, urologia, vocês entrevistaram a professora Angelita. A professora Angelita. Entrevistamos a doutora Elisa Albonfal, Raul Kutay. Interessamos muito.

O Edson já esteve conosco. É verdade. Você tem um episódio. A gente tem o orgulho da biblioteca que nós temos. E eu não tenho dúvida que os nossos convidados foram ali pelas nossas amizades. É, pois é. Só por isso que eles estão conosco. Mas...

O público que nos acompanha gosta muito. E o feedback em relação a perguntas, curtidas, inscrições no canal, isso reflete que a gente já tem que continuar. Isso é muito importante, que é o nosso objetivo também. Passar a medicina de ponta para as pessoas de uma forma mais didática. Pode plástica, suponho eu. Isso, na realidade.

Essa pergunta é uma pergunta interessante. A gente fala tudo nesse canal, menos de plástica. Hoje nós vamos falar de plástica. Hoje nós aqui no Redzão vamos falar de cirurgia plástica. Mas como são dois cirurgiões plásticos, eu falei, você ficar falando de cirurgia plástica, não vai ter tempo, quanto tempo a gente vai conseguir fazer esse canal no ar? Chega uma hora que você não tem mais o que falar de plástica. Então eu falei assim, vamos falar sobre medicina.

A gente, inclusive, evita falar de cirurgia plástica, evita falar que nós somos cirurgiões plásticas, apesar que nossos amigos que nós convidamos sabem que nós somos cirurgiões plásticas e acabam falando cirurgia plástica e começam a fazer algum tipo de analogia. Mas, assim, a gente habitualmente evita falar de cirurgia plástica. E não faz propaganda também. Isso é outra coisa que eu também acho interessante.

A gente não montou o canal para fazer propaganda pessoal, para fazer propaganda da minha clínica, da clínica do Abel, não. A gente montou o canal para realmente mostrar como você acabou de falar uma medicina de alto nível. E quando não é, isso é uma coisa interessante, quando a gente recebe um convidado, pode ser bem informado, mas que tem uma...

Algumas coisas que a gente não concorda, a gente cutuca. Polêmicas e não convencionais. Tem certeza que isso funciona? Esse tratamento aí não é meio charlatã? A gente fala. Porque, na realidade, a gente quer mostrar ali que a gente, primeiro, que não é vendido. Segundo, que a informação que a gente está levando para quem nos acompanha é uma informação séria. Entendeu? Porque, assim, a gente tem... Isso é uma coisa interessante.

Eu fico imaginando que um leigo, por mais que seja um leigo preparado, porque tem muitos jornalistas, Edson, que é preparado para entrevistar a saúde. Ele tem uma formação, ele não é médico, mas ele tem uma formação, trabalha muito tempo no canal de saúde, e ele entrevista médicos não sendo médico.

Então, assim, mas o filtro dele não é o mesmo filtro que o nosso. Não é o nosso. A gente é mais objetivo. Então, a gente tem um filtro. E a gente consegue ver quando o médico está falando, o que ele está falando. A gente liga aqui os PubMed da vida, umas aulas de 1900 Guaraná com Rô, e fala, opa, aquilo lá não tem muito sentido. A nossa inteligência natural ajuda. Exatamente. Não tem muito sentido médico.

Aí a gente consegue cutucar. Muitas vezes o jornalista, o entrevistador de saúde que não seja médico, ele não tem esse filtro. Ele acaba acreditando. E muitas vezes quem está assistindo esse programa, de acordo com a resposta do entrevistador, acaba acreditando. E mesmo do entrevistador, porque ele fala assim, ah, a verdade, poxa, que bacana, que legal. Pô, eu não sabia que isso acontecia. Quer dizer, ele está estimulando aquele tratamento, aquela conduta. Nós não.

Se a gente não sabe, fala, eu nunca vi falar sobre isso. Vamos lá, né? Existe literatura sobre isso. Quer dizer, eu nunca vi nenhuma publicação. Desculpe, porque a gente não sabe tudo. Sim. Mas tem noção. Sim, claro. E é isso que a gente quer levar. É isso que a gente tem interesse em levar. Vamos entrar. E a maior preocupação, na minha opinião...

Na internet, quando se fala sobre saúde, a maior preocupação é o espalhamento de informações não baseadas em evidências científicas. E falsas, né? Isso, e informações falsas. O intuito único e exclusivamente monetário, dinheiro, business. Então, nós que somos médicos...

temos que lutar por um espaço que defenda os ouvintes de informações falsas e de informações não baseadas em evidência científica. Isso é fundamental. Edson, isso eu acho fundamental, Marcelo, isso é fundamental. E hoje, nós vivemos a medicina, nós três aqui.

Vivemos a medicina antes das mídias sociais. E hoje as mídias sociais poluem o ambiente científico de uma forma absurda. É quase um proselitismo anticientífico. O Instagram não faz um... Será que ele está falando a verdade? Se você colocar ali Alexandre Piasi, o maior cirurgião de face do mundo, ele deixa colocar. Ele deixa. Eu posso não ser.

E ele deixa eu colocar. O maior desentupidor, não sei o que, está ali. Eu não sou. Precisamos de amadurecer. Ainda a gente não está maduro para lidar com isso. A sociedade não está madura para lidar com isso. Você compra seguidor, você impulsiona, você tem lá um milhão de seguidores. Você vira uma autoridade.

Quer dizer, aquilo que você fez, doutorado, mestrado, livre docência, não sei o quê, perde por número de seguidores. Só que a medicina séria, a medicina base, a dividência, como o Edson chamou atenção, não é pelo número de seguidores. Não é pelo número de seguidores. Muito pelo contrário. Pode estar junto. Talvez, quanto menos sério, mais seguidores. Mas não quer dizer que o cara não pode ser uma pessoa extremamente séria com muitos seguidores. Isso pode.

Mas eu acho que eu diria que são exceções. Isso é uma condição mais difícil. Porque o cara precisa cuidar muito, precisa estar o tempo todo atrás disso. E quem trabalha com medicina sabe que não sobra tempo. O tempo que sobra é para você ficar com a família, viajar um pouco, descansar e não ficar... Vamos lá. Por que você fez cirurgia plástica? Essa pergunta é uma pergunta interessante. Por que eu fiz cirurgia plástica? A gente tem vários motivos. Eu sempre gostei de cirurgia plástica.

Só que, assim, eu adoro a medicina. Eu sempre, desde criança, eu falei que ia fazer medicina. Eu nunca imaginei uma outra profissão. Aquelas profissões jocosas de criança, de muito criancinha. Ah, quero ser jogador de futebol. Nunca quis. Mas quero dirigir caminhão de lixo. Eu já quis ser motorista de ônibus. Então, tem essas coisas. Mas tirando isso, eu sempre achei que ia ser médico.

Eu tinha alguns exemplos na família, e assim, vários médicos que povoavam nosso dia a dia, os almoços de domingo. Meu irmão é médico, e eu sempre quis ser médico. Meu irmão é alguns anos mais velho que eu, e a gente tem uma relação muito boa, e eu sempre quis ser médico. Era uma coisa que eu... Quando entrei na faculdade de medicina, eu entrei direto do colégio. Então, a gente entra muito novo.

Eu não fiz cursinho, eu saí do colegial e já entrei na Medicina USP, que era um sonho de muita gente, e eu entrei assim, tipo, opa! CDF. Eu acho que eu era. Não, nós todos éramos, né? Continuamos um pouco.

continuamos um pouco. Mas sabe quando você sai do colegial, entra na medicina USP e assim, opa! E você entra sem muito aquela... Aí eu comecei a olhar pro lado, o cara fez quatro anos de cursinho, aí o outro fez três anos de cursinho. E fora os milhares que não entraram, né? Quer dizer, tinha gente mais madura do seu lado, né? Aí eu entro e falei, poxa, tô aqui na medicina USP. Meu sonho, me diverti, fez seis anos, estudei, foi maravilhoso.

Eu entrei para fazer neurocirurgia, Marcelo. Eu não sei se a neurocirurgia é uma coisa que o cérebro, o centro, eu não sei, o poder da neurocirurgia. Eu não sei, eu entrei para fazer neurocirurgia. Naquela época, fazer medicina era uma faculdade eminentemente cirúrgica. Era cirúrgico. Ali, a moral era do cirurgião. Então você vai contaminando com isso. Então eu entrei para fazer cirurgia.

Só que toda vez que alguém chegava perto de mim, não sei se era meu jeito, não sei o que ia falar. Você vai fazer cirurgia plástica, hein? Era muito engraçado. Eu nunca... Você pode falar, mas não precisa falar, não. São colegas de turma, para quem não sabe. Mas assim, não sei. E aí, eu sempre falava...

E aí o dinheiro de cirurgia logo passou. Passou logo a ideia. Aí a gente começa a ter técnica cirúrgica, anatomia. E eu me empolguei muito com a cirurgia geral, com a cirurgia do paleodigestivo. Inclusive trabalhei com o professor Henrique Walter Pinotti, Zezinho. Lembra do Zezinho, Edson? O Pinotti. O Zezinho, o professor Pinotti fazia uma seleção já no primeiro para o segundo ano da faculdade de medicina. Ele pegava o currículo nosso.

e escolhia entre 4 e 6 alunos do segundo ano da faculdade de medicina para acompanhá-lo na clínica privada.

A gente acompanhava ele na clínica privada dele, entrava em cirurgia, passava visita, discutia casos clínicos, vestia de branco. Na época, vestia de branco, era uma coisa assim... É o sonho da sua mãe. É engraçado. É o sonho da sua mãe. Você vestia de branco. E aí me empolguei pela cirurgia do apeligestivo, segundo para o terceiro ano da faculdade, no quarto ano. No quinto ano, encontrei uma pessoa que se chama José Carlos Marques Faria, que é um cirurgião plástico.

é um cirurgião plástico do HC também. Ele falou, Alexandre, você tem que ser cirurgião plástico, você tem todo jeito de cirurgia plástica, o seu ponto é delicado, você opera, não sei o quê, começou a me elogiar, não vou ficar falando aqui, sendo autoelogia, começou, e eu tinha um jeitinho. Eu sempre gostava de arrumar... Para ser cirurgião plástico, você acha que a técnica, com o jeito de ser, tem um jeito de ser o cirurgião plástico? Tem, tem, tem, tem, tem.

Eu acho que tem, Marcelo. Eu acho que o cirurgião plástico... Poxa vida, como é que eu posso te falar de um jeito... Eu detesto me autopromover. Sim, sim. Não, tudo bem. Mas o cirurgião plástico, ele trata, além da doença, ele trata toda uma questão social, cultural, emocional. Ele não tem um alvo certo. Ele tem vários alvos no paciente.

Ele tem autoestima, ele tem a expectativa, ele tem a moda, ele tem o gosto, ele tem a arte, ele tem um monte de coisa. Você tem que observar a... Desculpa, a casca e a alma, é isso? Exato. Então, assim... As duas coisas. E o cirurgião plástica é um cara detalhista, é um cara que está preocupado no final da cirurgia que ficou cinco horas arrumando o tiro, você está preocupado se a pele está certa, você entendeu?

Eu tô lá tentando conceder. Você olha aqui a pele. Eu vou dar aquele pontinho no intestino. Sabe aquele pontinho certinho, simétrico. Toda vez isso eu falo... E meu jeito também como pessoa. Como eu me vestia na época da faculdade. Eu sempre... Em tabacê cirúrgico eu colocava...

que é obrigatório. Ele chegava com a camisa passada. É, essas coisas. De ali a dia, a calça passada, a gente ia com a camisa amassada. E aí as pessoas começaram a falar. E eu me empolguei com isso. E assim, eu gostava. Tipo, chegavam aqueles FCCs no Pro Socorro no quinto ano.

que é FCC, é ferimento de corte contuso, é um corte na pele. Chegava lá, eu ficava lá horas, dando pontinho. Então, assim, eu tinha essa paciência da cirurgia plástica. Eu lembro que todas as cirurgias, quase todas as cirurgias, você fala assim, estão fechando, é que está terminando. A cirurgia plástica está fechando sempre, né? Ela nunca, porque assim, sempre só na pele, né? Então, assim, isso me... E aí eu fui... José Carlos Macfaria, no quinto ano,

Ele falou, Xander, você tem que fazer cirurgia plástica. Vem comigo, eu vou te mostrar que era cirurgia plástica. Eu não tinha currículo ainda de cirurgia plástica. Aí comecei a acompanhar ele, comecei a fazer alguns trabalhos científicos com ele. Falei, não, é isso que eu quero. É isso que eu quero. E eu acho que... Eu nunca fiz terapia. Não tenho vergonha nenhuma de falar. Acho que eu ia ter feito, mas nunca fiz terapia. Nunca senti vontade.

Diz que para você ter terapia, você tem que querer fazer terapia. Eu nunca quis. Mas eu tenho uma coisa que é assim...

Eu detesto ver as pessoas sofrerem. Detesto. Eu sou uma pessoa que me envolvo muito com o paciente, me envolvo muito com o sofrimento do paciente. Eu tenho. Todas as vezes que eu passava nas áreas, qualquer área médica que eu vi o sofrimento do paciente, aquilo não me fazia bem. Não que aquilo me contaminasse, que eu...

O paciente via que eu não estava legal. Não, eu sempre atendi muito. Sempre fui muito assim. Gosto de falar com o paciente. Adoro relacionamento com o paciente. Tenho uma empatia com o paciente. Você tem que gostar de falar com o paciente. Eu adoro, eu adoro. Tem que se comunicar. E assim, mas eu não gosto de doença. Entendi. Eu não gosto de sofrimento do paciente. Não gosto.

Diante disso, tinha duas especialidades, pensando nisso. Isso não foi na minha decisão, mas era obstetrícia, porque acho que a pessoa vai feliz para o hospital, ou cirurgia plástica. Não tem outra especialidade que o cara vai ser internado feliz. Não tem. Não tem. Só vai feliz para o hospital para ter filho e para fazer plástica.

É claro que se você falar assim, o cara vai ser curado, cirurgia hoje vai curar você, vai tirar a dor. O cara vai feliz também, mas não é aquela felicidade. Mas vai feliz. Pô, tô com uma dor aqui, uma visícola doendo. Ou tô com um tumor que o cirurgião martelo falou, o Edson falou, vai tirar e vai curar. Pô, eu vou feliz, é claro. Mas não é aquela felicidade. E aí isso também me atrai no paciente de cirurgia plástica. Porque ele não é obrigado a fazer a cirurgia.

Ele não é obrigado a fazer com você a cirurgia. E ele pode fazer quando ele quiser, a hora que ele quiser, no tempo dele, tudo certo. Então não tem nenhuma urgência. Tem tudo programado. Ou seja, você consegue trabalhar com o paciente, né? Tudo, tudo. Então assim, eu falo assim, se você pegar os problemas dos médicos no CRM, hoje em dia faz tempo que eu não faço essa pesquisa, mas já fiz há uns 6, 7 anos atrás.

a maioria dos processos médicos eram relacionados com a quebra do relacionamento médico-paciente. A maioria deles. E eu falo, cirurgia plástica, o vínculo médico-paciente tem que ser perfeito. Você tem tempo para conversar com esse paciente. Você tem consulta, a gente tem uma hora e meia, duas horas a primeira consulta. Você tem tempo. Você tem tempo para falar não também. Ele não tem obrigação nem de operar com você e nem de você operar ele. Então, assim...

É uma doação minha e do paciente a cirurgia plástica. Então, eu me adaptei muito bem a essa especialidade. Quer dizer, foi o seu jeito de ser. Foi, foi, foi. E eu combino com isso. Eu sou um cara muito detalhista. Eu combino com a cirurgia plástica. E cirurgia plástica, não sei se o Edson concorda comigo, é uma especialidade muito à parte, né, Edson? A gente quase não tem contato. No hospital, é uma coisa que eu não tenho contato, né? Mas só na época da merda...

Gosseli, né? A gente fechava os retalhos. Eu sofria com aquela criancinha desse tamanho. Mas tem medo do cirurgião que fecha, né? Agora tem, agora tem. Mas eu queria que você pontuasse qual a importância da cirurgia plástica pra sociedade. Isso é uma pergunta que eu acho muito importante também.

A gente tem uma tendência, uma tendência muito grande a dicotomizar cirurgia plástica estética da cirurgia plástica reparadora ou reconstrutiva. É a mesma cirurgia plástica.

Eu faço mais cirurgia plástica estética do que cirurgia plástica reconstrutiva. Mas faço, basicamente, reconstrutiva a reconstrução de mama. Já fiz tudo. Já fiz queimado, já fiz outras. Mas hoje em dia, mais reconstrução de mama e úlceras de pressão. Isso no hospital que eu trabalho. E a famosa escara, a ferida de ficar lá na mesma posição. E cirurgia estética. Mas a cirurgia plástica...

Ela é uma especialidade que trata, isso parece jocoso, mas não é, do couro cabeludo até a unha do pé. Ela faz tudo. Tudo que você imaginar, o cirurgião plástico, faz parte do seu cabedal de atuação. Então, assim, para a sociedade, eu posso listar aqui 200 coisas que são muito importantes. Mas para o público que está nos acompanhando, não existe tratamento de queimados sem cirurgião plástico.

Então, assim, queimadura, queira ou não, é um problema social importante. Sim. Importante. Outra coisa, por muito tempo, algumas lesões oncológicas não eram tratadas porque não tinha como fazer reconstrução dessa retirada desse tumor. Vou dar um exemplo. Cirurgia de cabeça e pescoço. Então, a cirurgia de cabeça e pescoço...

Antes da microcirurgia, na década de 70 aqui no Brasil, mas com impacto maior a partir de 75, 80, quando a pessoa tinha uma lesão muito grande no rosto...

A cirurgia era como a cirurgia que a gente estava inoperável. Era uma lesão inoperável. Ou se fosse, era mutiladora. Mutiladora, mas você não tinha como reconstruir. Você não tinha retalhos locais que pudesse reconstruir. Você tinha, mas sofria, não dava certo. Acabava com o paciente. A microcirurgia que a que a gente trouxe para o Brasil foi a cirurgia plástica, ela mudou a história do câncer de cabeça e pescoço. Então, antes da cirurgia plástica, não se tratava alguns tipos de tumores.

Além disso, reconstrução de mama, que agora estamos no Outubro Rosa, esse programa está sendo gravado no Outubro Rosa, no começo do Outubro Rosa, reconstrução de mama mudou a história da mastologia, mudou a história do câncer de mama no mundo. E às vezes faz no mesmo tempo. Hoje em dia, 90%, claro, aquele papo que eu sempre falo, mas é chato que o Brasil é um país continental, tem vários Brasis dentro do Brasil, mas se pegar, por exemplo, o hospital que eu trabalho.

Toca o trabalho, 95% das mastectomias são reconstruídas na hora, no mesmo tempo. Ou seja, pacientes acordam num psicológico muito melhor. Psicológico melhor. Você melhora muito a autoestima desse paciente.

Paciente com reconstrução e paciente sem reconstrução são pacientes extremamente diferentes do ponto de vista da recuperação de pós-operatório, de obstinato. Sim, porque o bom psicológico ajuda a tratar o câncer. Aderência ao tratamento adjuvante. Se ela vai à quimioterapia, ela vai à terapia muito mais animada do que o paciente que não tem reconstrução. Do que mutilada, né? A mutilação mamária no paciente feminino A exa da área no paciente feminino A exa da área no paciente feminino A exa da área no paciente feminino A exa da área no paciente feminino A exa da área no paciente feminino A exa da área no paciente feminino A exa da área no paciente feminino A exa da área no paciente feminino A exa da área no paciente feminino

Ela tem alguns trabalhos publicados na área de psicologia que é muito semelhante ao impacto psicológico da putação peniana no homem. Para você ver a gravidade psicológica da putação mamária. Então, o restauro mamário é outra coisa que é fundamental. Então, tem mais outras coisas. A gente teve agora, há uns três anos atrás, na região de Belém, ali em Manaus, ali é todo aquele pessoal que vive ribeirinamente. Esse pessoal transporta e é barquinho.

E esses barquinhos tem um motor, parece um motorzinho de liquidificador, e tinha um cabo, que ele vai acelerando, tipo um cardan, não sei como sonhar, acho que é o cardan mesmo.

Mulheres, cabelo um pouquinho mais longo, perto daquele escalpelamento. Ou piscina também. Escalpelamento. Mas lá é endêmico. Piscina é um caso ou outro. Kart é um caso ou outro. Então, existe escalpelamento de outro. Aquele brinquedo que roda em parque infantil, em buffet infantil também, que está lá só usar cabelo curto, prender com... Porque também já teve alguns casos de escalpelamento. Mas nessa região norte do Brasil...

É endêmico. Ou seja, tem muitos. Agora existe uma lei que não pode ter o barquinho com o cardã exposto. Não sei se chama cardã. Estou falando cardã, mas eu não sei. É o que liga o acelerador ao motor que fica rodando. Não pode ser mais exposto. Tem que ter uma capa protetora de metal. Isso é lei hoje. Mas enquanto não era lei, lá era endêmico. O cirurgião fazia vários mutilões.

sem falar fissura palatina a gente tem uma ação social muito grande social e ação como você falou em relação a sociedade cirurgia plástica é fundamental e a estética também e aqui eu como cirurgião estética a estética também você muitas vezes vou falar de mama de novo mas vou falar de rosto, vou falar de nariz uma mama pequena ou uma mama muito grande o paciente o paciente

ele tem também uma questão de autoestima, uma questão de conviver com a sociedade de formas diferentes. Tanto quem tem mama muito pequena, que vai ganhar um implante mamário, como quem tem mama grande, que vai fazer a redução, a relação fica mais introspectiva. É muito comum você fazer uma cirurgia mamária no paciente e mudar o jeito, mudar a roupa, mudar o jeito de se relacionar com as pessoas, interpessoal, de namoro, engaja mais as pessoas, etc.

a pessoa fica mais feliz. A cirurgia plástica tem essa função social também. Outra coisa, cirurgia facial. A gente está vendo algumas aberrações nas mídias sociais, no Instagram. Algumas, muitas. Essas aberrações, infelizmente, acontecem porque tem pessoas que fazem esse tipo de procedimento que não estão atinadas com a medicina, como o Edson falou no início, preocupadas com a ciência.

Por quê? Porque a cirurgia plástica é exatamente igual a qualquer outra especialidade médica. Você faz o diagnóstico e você instala o melhor tratamento para aquele diagnóstico.

Você não hipertrata, hipercorrige, ou você acaba deixando trúbulo com o mesmo rosto. Cirurgia plástica não faz isso. Cirurgia plástica vai tratar o envelhecimento facial. Vai. Vai olhar. Não envelheceu. Então, esse resumência facial, por exemplo, é muito procurado por pessoas que estão na atividade profissional intensa e já estão começando a se sentir um pouquinho mais cansado.

ou envelhecido pelo trabalho que está fazendo. Então, procura o cirurgião plástica. Isso é muito comum essa procura, o cirurgião plástica. Será que a gente dá um up no rosto para eu... Sabe? Porque eu estou com o olho um pouco assim, com pálpebra meio inchadinha, aquele ar de cansado. Aí o chefe começa a olhar de outra forma, e você está ficando velho, hein? Então, a cirurgia plástica tem isso também.

Tem várias coisas. Eu podia ficar aclamando horas e horas. Vamos lá. As vantagens. Eu vou te perguntar agora. O Brasil é um país de destaque na cirurgia plástica no mundo, não é? Muito, muito, muito, Marcelo. Qual é a nossa posição aqui?

Eu acho que hoje a medicina brasileira, não só a cirurgia plástica, mas toda a medicina brasileira, é uma medicina bastante interessante do ponto de vista mundial. Eu vejo vários amigos viajando, dando palestras. Eu vejo que o brasileiro é bem conceituado medicamente. A nossa faculdade de medicina... Nós temos muita tradição. Exatamente. Inclusive... A cirurgia plástica, a gente queira você ou não, toda vez que você viaja para dar aula, ou mesmo se fala, a cirurgia plástica brasileira, eles têm interesse em saber o que nós estamos fazendo.

Tem, inegavelmente. Eu acho que o cirurgião plástico brasileiro tem uma coisinha, eu não gosto de falar mal dos outros, eu não falo mal, mas assim, a gente tem uma dificuldade muito de publicar o que nós fazemos, Marcelo. A gente não publica, a gente faz, faz, faz.

pega os casos, dá uma aula no Congresso, mas a gente não para, faz um trabalhinho, faz uma publicação. É muito raro. Alguns cirurgiões plásticos fazem. Eu me coloco nesse aí que faz trabalho científico. Mas é a minoria, infelizmente. E o americano já não. O americano é um publisher nato. Então, hoje, a referência... Porque a referência, queira você não, é através de trabalho científico.

Você olha e vê que o americano publica muito, o chinês publica muito sobre cirurgia plástica, o indiano está publicando, o turco, a Turquia está publicando muito sobre cirurgia plástica. É, a Turquia é o... Turquia é nariz e cabelo. E cabelo. É nariz e cabelo. Turquia é basicamente nariz e cabelo. A Colômbia, hoje em dia, publica muito sobre contorno corporal. O Brasil está publicando também. A gente está começando com essa cultura. Porque quem não publica não aparece.

Ou agora a mídia social, né? A mídia social. Mas o americano não usa muito. Se pegar o Instagram do americano, é fraco. Médico americano não usa Instagram. Eles usam mais Facebook ainda do que Instagram. Agora tá começando eles usarem Instagram. Mas lá, assim, o americano é, você sabe, mas o americano de público, ele opera uma... Estou falando de cirurgia plástica agora. Opera uma paciente famosa, uma paciente do Jet Set ali, que é da...

um artista, porque o público, aquilo explode. Então, hoje em dia, o que influencia o mercado americano de cirurgia plástica são as digital influências. Então, quem operou a... Ah, esqueci os novidades, vou ficar citando o nome dela. Você tem que estar... Ele opera essa aqui, ele vira a moda de Nova York.

Aí o outro vai lá, opera aquela outra, vira a moda. Vira a moda. É impressionante. É uma pessoa que ele opera, que ele vira o cirurgião da vez. Cirurgião de face, basicamente. É interessante isso. Agora, antes de passar para esse assunto, legados, nomes como Ivo Pitangui, são nomes fortes da cirurgia plástica brasileira. Tem mais nomes?

Eu acho que assim, o Ivo Pitangui, ele foi uma das pessoas que levou a cirurgia plástica para o mundo inteiro. De duas formas ele levou. Naquela época que o mundo era desconectado. Exatamente. Então ele viajava muito. Ele era uma pessoa que era poliglota. Ele falava várias línguas, tinha uma facilidade. Não tinha tradução, né? Eu estive na China agora, esse ano. Se não tivesse tradução, eu estava perdido. Porque assim, ele só fala um chinês.

E assim, ainda bem que tem um tradutor. Naquela época, então, ele falava várias línguas, ele teve essa facilidade. Ele era um excelente didata, gostava de viajar e levou a cirurgia plástica para o mundo inteiro. Na época dele, tinha poucos cirurgiões plásticas. A cirurgia plástica no mundo estava meio que começando cirurgia estética, você vê as primeiras publicações, cirurgia facial, cirurgia mamara, como a gente vê hoje, a cirurgia plástica moderna. Então, ele foi naquela transição, naquela que ninguém fazia.

para o mundo que estava descobrindo cirurgia plástica. Então ele recebeu muita gente do mundo inteiro para operar aqui. E naquela época a formação era cirurgia geral? Ele era um cirurgião geral ou ele era um cirurgião plástico já?

Eu acho que o professor Vip Tangui fez estágios com alguns cirurgiões plásticos e acabou virando cirurgião plástico. A residência, com certeza, ele não fez uma residência clássica como nós fizemos. Agora, eu não sei precisar quando começa a residência de cirurgia plástica no Brasil. Mas deve ser por volta da época de 70 e pouco, no começo dos anos 80, cirurgia plástica sendo residência como nós fizemos.

com cirurgia geral sendo pré-requisito. Começa no final dos anos 70, como residência médica mesmo. Posso estar enganado, depois vocês corrijam aí nos comentários. Mas é por aí. Antes não. Antes era estágio. Se fazia estágio, se começava a fazer. E o Pitangui viajou o mundo inteiro com vários nomes da cirurgia plástica famosa da época, que são os nossos grandes autores citados até hoje. Ele viajava, aprendia e trazia para o Brasil.

Então ele tinha muitos pacientes que vinham operar com ele. Além disso, ele formou muitos médicos pelo mundo. Então ele foi um centro formador de cirurgiões plásticas.

E ele recebia o mundo inteiro para fazer cirurgia plástica no Brasil. Então você tem discípulo do Pitangui da Rússia, tem discípulo em Portugal. Olha só. Tem discípulo do Pitangui no mundo inteiro. Isso também fez o nome dele também. Olha só, que interessante. Ele tem isso, ele tem esse canal aí de abertura. Depois vieram outros cirurgiões. E hoje está pulverizado. Hoje se você falar, quem é o brasileiro fora está pulverizado.

Não tem, são vários. Muita gente, né? São vários brasileiros que são convidados fora hoje. Bom, vamos lá. Vaidade à saúde.

Eu acho que tudo... Cirurgia plástica é maidade? Cirurgia plástica é o quê? Duas perguntas, duas respostas que eu tenho muito medo de dar. Depende do bom senso.

Porque o cara, quando achar que não tem bom senso, ele é louco. Todo mundo tem bom senso, né? Então, assim, aí, outra dosagem. Ah, depende da dose. Ah, depende da dose. A diferença do bebê do bebê é a dose. Muita vaidade não tá certo. Pouca vaidade. Mas também quem falou pra você o que é pouco e o que é muito? Então, assim, a cirurgia plástica, ela caminha no caminho, isso é plenar, mas no caminho subjetivo demais. Sim, subjetivo demais.

Só que eu tenho certeza absoluta que o cirurgião plástico tem que fazer um diagnóstico, aquilo que nós estávamos conversando antes, porque eu escolhi um diagnóstico meio que global do paciente. A gente fala que a gente tem que fazer uma psicoterapia breve no paciente, para entender qual que é do paciente. Sabidamente, uma vaidade em excesso, ela não é legal. Vai dar errado nem para o paciente e nem para o cirurgião plástico. Eu falo que é assim.

que toda vez que eu examino um paciente, eu olho para que ele está se queixando, todas as queixas dele eu estou vendo que existem. Meu nariz está assim, um milímetro para cá, está um milímetro para cá. Ele pode ser extremamente detalhista, mas todos os detalhes que ele está falando eu estou enxergando.

Quando eu parar de enxergar, opa, opa, alguma coisa não está certa. Quando a queixa dele não está batendo com o exame físico, alguma coisa não está certa. Por outro lado, além disso, tem a expectativa de resultado. O que é expectativa de resultado?

eu sei o que eu posso entregar para ele de resultado. Olhando o pré-operatório, eu consigo imaginar comigo o que eu vou conseguir entregar para ele de resultado no pós-operatório. Eu tenho que fazer esse jogo de interpretação. Será que ele está entendendo o resultado que eu vou entregar para ele?

Ou seja, você tem que gerenciar a expectativa do paciente. Exatamente. Que também é extremamente subjetivo isso. Mas com o passar dos anos e com a experiência, com o atendimento, acompanhando resultados, você consegue, já hoje em dia, consigo perceber. Se o que ele está me pedindo é possível de eu entregar.

Mas a vaidade, se você olhar o que é vaidade, é uma coisa também subjetiva. O que é vaidade? O cara fica três horas se penteando, aquele cara que não deixa um fio branco que ele arranca, aquele cara que se maqueia para sair. Então, a vaidade faz bem para o ser humano. A gente tem que ser vaidoso, até do ponto de vista religioso, cuidar do corpo. É uma coisa que é importante. Agora, tudo em excesso não é legal.

Eu tenho medo da vaidade acabando de ser, entre aspas, uma doença. No sentido que ele nunca está satisfeito. E você não vai tratar a doença de vaidade. Exatamente. Ou seja, ele nunca está satisfeito. Ou seja, muitas vezes, quando existe vaidade em excesso, existe a expectativa em excesso também. Existe até uma desmorfofobia.

A gente vê aqueles resultados horrorosos da cirurgia plástica. O que é desmorfofobia? De um jeito simples para quem está nos acompanhando. Desmorfofobia é quando eu me olho no espelho, vejo uma imagem que eu realmente não sou. Eu reflito no espelho uma imagem para mim que eu não sou. Então, por exemplo, é aquela pessoa magra que se olha no espelho e se vê gorda. Isso é o exemplo mais simples de desmorfofobia, que é muito frequente.

A pessoa se olha no espelho e se vê feia e ela é bonita. Você olha para o Edson e fala, o Edson é um cara bonito. Ele olha no espelho e fala, eu sou muito feio. Isso se chama desmorfofobia. Isso, esses pacientes frequentam muitos consultórios de cirurgiões plásticas. E como é que você gerencia um desmorfofóbico? Eu acho que a experiência é fundamental. A sua experiência enquanto clínico, enquanto médico. E você ter vários casos e você perceber o que está exacerbado.

E eu já falei aqui, mas vou repetir, para mim, os sinais mais claros é a, entre aspas, o exame físico não concordar com a queixa do paciente. Existe uma dissociação entre exame físico, o que você está olhando e o que ele está se queixando.

E aí isso é um quadro bem clássico de desmorofobia. Mas tem vários, tem vários queijos desmorofobicos. O nariz é muito frequente. A cirurgia do nariz é a cirurgia que mais impacta no rosto.

Se você olhar, existem vários trabalhos que falam do triângulo de árvores. Triângulo de árvores é um triângulo... Eles falam assim, a beleza triangular da face ou o triângulo de ouro da face, que é mais ou menos a região do supercílio, da sobrancelha, até o fim, desce e vai até o final do lábio inferior. É um triângulo aqui. Essa visão é a visão que nós temos de todo mundo da face. O resto a gente não olha.

Claro que cirurgião plástico olha. Eu olho e já vejo que o cara tem a orelha de abano. Se ele não tem, já vejo se ele tem. Ele já ouviu. Já faz o diagnóstico. Ele já fez vários diagnósticos. Mas, normalmente, a população olha só essa região. É o triângulo da face. E o nariz é o centro dela.

Então, assim, é muito comum o paciente desmorofóbico ter queixas nasais além do normal. Ah, olha só. Bom, a gente falou... Pode falar. Eu penso que a cirurgia plástica desempenha um papel importante na sociedade e desempenha um papel muito importante para o ser humano.

Nós, seres humanos, existem algumas situações que nós não estamos satisfeitos com o nosso corpo. E essa insatisfação com o nosso corpo leva a sofrimento humano.

E sofre aquela pessoa que está sofrendo. E o sofrimento não é mensurável entre as pessoas. Então, algumas pessoas realmente sofrem muito mais do que as outras. Então, não é possível nós julgarmos o sofrimento de uma outra pessoa. E realmente existem pessoas que sofrem muito.

com o formato, seja a nariz, seja a barriga, seja formato da região torácica e assim por diante. Nesse sentido, o papel do cirurgião plástico acaba sendo muito importante porque eu...

Cirurgião plástico tenta fazer a compatibilização entre o formato de uma pessoa, o formato de uma pessoa tenta fazer a compatibilização entre a alma do paciente, a alma da pessoa com o seu corpo. E esse papel do cirurgião plástico acaba sendo...

fundamental para o alinhamento do corpo com a alma da pessoa. Ou seja, tirar esse sofrimento. Agora, nós temos que tomar cuidado porque às vezes, que é essa desmorfofobia que você falou, que às vezes a expectativa do paciente, o modo de enxergar o próprio corpo é de uma maneira tão alterada que nós não podemos parar para o pessoal.

Conquistar aquele resultado que o paciente deseja. É nesse momento que o cirurgião plástico tem que pisar o pé no breque e abordar de outro jeito. Ou seja, de uma abordagem psíquica mais efetiva. Eu acho que você falou as coisas muito importantes.

O cirurgião plástico, eu vou repetir algumas coisas, mas o cirurgião plástico tem a necessidade de fazer essa tal de psicoterapia breve. Sim. É fundamental ele perceber realmente as queixas do paciente, o que está motivando essas queixas. Por que ele está ali procurando o cirurgião plástico? Se você imaginar que ele está procurando uma cirurgia, que vai procurar uma cirurgia, vai sofrer um procedimento cirúrgico.

anestesia, recuperação pós-operatória, vai ficar fora de um período de recuperação pós-operatória, um mês sem atividade física, depende da cirurgia, é claro. Ou seja, tudo isso por uma questão de beleza. Então, tem que ser uma coisa que você tem que tomar muito cuidado quando você vai fazer a cirurgia. Então, eu falo isso e...

E falei outro dia até no programa sobre isso, mas eu não tive muito tempo para explicar isso. E eu vou tentar explicar aqui de uma forma bem tranquila. Quando você vai fazer uma cirurgia que não é cirurgia plástica, estética,

Vamos imaginar que seja um tumor intraabdominal que está perto da cava. Cava é uma veia grande. Está perto da cava, aquele tumor que é difícil de secar, é perigoso. Ou qualquer outra cirurgia que não seja tão perigosa, mas que não é. Você precisa fazer a cirurgia, você não tem como se livrar daquela cirurgia. Um câncer de estômago, sei lá. Bom, quem vai operar?

tem uma responsabilidade enorme de tratar aquele paciente. Então ele está lá operando. Mas a complicação da cirurgia dele, vocês me corrijam.

Ela é muito aceita. E mesmo cirurgião, isso faz parte. Porque eu estava ali mexendo na cava. Estava mexendo na horta. Faz parte do risco. O paciente fica sabendo o risco antes. O paciente evolui com um problema neurológico. Aquilo fica mais ou menos, faz parte do tratamento. Fica resolvido e depois a gente vê o que faz depois. A cirurgia plástica.

A gente pega um paciente ígido. Paciente que não tem nenhum problema de saúde. A gente tem que investigar tudo. Então tem que fazer uma pesquisa pré-operatória, exames pré-operatórios, grande. Uma história. Se não souber, manda pra alguém fazer isso, né? Fazer uma avaliação clínica melhor. E ele tem que operar com você sem nenhum problema de saúde. Se tiver um problema de saúde crônico, diabetes, hipertensão, ele tem que ser equilibrado antes de fazer a cirurgia. Tem tempo pra isso. Aí você vai operar.

por vários problemas, como o Edson falou, que ele não está se achando, que existe uma dicotomia entre a alma e o corpo, que existem várias coisas. Só que a sua cirurgia não é vital. Ela não é... Com ou sem cirurgia, o paciente vai viver normal. Pode viver mais triste, não gostando do seu eu, mas...

Não é vital. A nossa cirurgia é uma cirurgia vital do ponto de vista psicológico, mas do ponto de vista orgânico ela não é vital. Então a responsabilidade do cirurgião plástico, eu brinco, é maior do que o cirurgião oncológico, entre aspas. Não que não é maior no sentido... Sim. Mas assim, imagina se eu dar um erro numa cirurgia plástica. Imagina se eu faço uma cirurgia e faz parte. É isso que eu falo, faz parte.

As complicações fazem parte. É um procedimento. Eu já vi cirurgiões plásticas que abandonaram a carreira. Fazem parte. Então, é isso que a sociedade tem que perceber. Porque não é porque é cirurgia plástica, as complicações não fazem. Fazem parte.

Eu acho que assim, ninguém sai de casa pra fazer uma cirurgia plástica, o cirurgião agora, ah, eu vou complicar, eu vou matar essa paciente, eu vou perfurar. Claro que se o cara não tiver formação, não for um cara... Essa chance é maior, né? Não, aí sim, mas aí passa na negligência, na imperícia, na imprudência. Mas assim, tirando isso, acontece.

Só que a responsabilidade de cirurgião plástica é muito grande. Por isso que me irrita quando a gente escuta que fala que eu faço cirurgião plástica em consultório de dentista. Não estou falando mal. Não dentista. Cirurgião plástica mesmo. Trabalha em lugares não ideais, entendeu? Faz cirurgia plástica em lugares adaptados. Cirurgia plástica não é para fazer em lugar adaptado. É para fazer em lugar o melhor possível, para ter zero, zero chance de dar errado. Para minimizar os riscos. Cirurgia plástica não pode dar errado.

E a chance de dar errado existe, né? Claro que existe. É uma cirurgia como outra qualquer. Não só errado a cirurgia, não só errado o resultado, mas com as complicações perioperatórias. Infarto agudo em miocárdio, tromboembolismo, TEP, AVC e outras complicações da...

Na própria procedência cirúrgica. E na cirurgia plástica tem situações de que não é uma questão somente de estética, é uma questão de necessidade. Eu vou dar um exemplo, nós da neurocirurgia, nós fazemos muito cranioplastia, que são aquelas pessoas que têm crânio deformado ou que num acidente, por exemplo, aí houve necessidade de tirar parte do osso. Sim, sim, para descompressar tudo.

para descomprimir, para tratar a hipertensão intracraniana. E posteriormente o paciente fica com o crânio deformado e afundado. Nessa situação, a correção não é uma questão de vaidade, é uma questão de necessidade estética. Imagine...

nós andando na rua com crânio deformado. Com crânio plástico. Com crânio deformado. Então, a cirurgia plástica craniana acaba sendo uma necessidade. Por quê? Porque ela permite um melhor visual do crânio de uma pessoa. A pessoa sofre menos bullying.

Quando nós saímos, as pessoas não ficam olhando, não chamam a atenção por causa de um crânio deformado. A cirurgia plástica craniana acaba sendo muito importante porque possibilita inserção social da pessoa.

Com uma melhor aparência, inserção social. Fora a inserção social da pessoa, a questão da proteção do cérebro. Se a pessoa estiver andando no parque e levar uma bolada na cabeça, por exemplo, tem lá o material protegendo o cérebro. E fora isso, hoje em dia se sabe que quando se faz a cranioplastia, melhora o fluxo sanguíneo cerebral e melhora a circulação do líquido céfalo raquidiano.

e melhora a cognição do paciente. Ou seja, hoje em dia, hoje em dia, é muito importante a plástica do crânio para a reabilitação social e cognitiva da pessoa. E a cirurgia plástica que vocês fazem, em muitos aspectos, tem tudo isso também. 100%. Inclusive a cirurgia estética tem isso. Ele pode ter o nariz feio e ter as mesmas complicações sociais.

do cara que tem um fundamento cranial. Ele pode ter o mesmo bully, ele pode olhar pras pessoas, todo mundo tá olhando pra ele. Ou seja, ele pode ter as mesmas complicações sociais de uma alteração cranial, ele pode ter em relação ao nariz feio, nasceu com o nariz feio. Por isso que não é somente uma questão de vaidade. É uma questão de necessidade médica e social. Agora você vai falar uma coisa aqui, então. Vamos lá. Você falou que o seu paciente é perfeito. Nem tanto assim. A autoestima dele é um problemão.

Qual é a importância de você recuperar a autoestima de um paciente na cirurgia plástica? Que você falou, você acabou de falar de autoestima aqui. Eu acho que, assim, para você viver bem, você tem que ter uma boa autoestima. Você não precisa ser bonito, você não precisa ser, mas você precisa ter uma autoestima. Você precisa estar com você bem. Eu vejo que tem pessoas que são, nós conhecemos, pessoas que são feinhas, gordinhas, mas se acha...

O Dom Ruando, o cara está ali, está sempre hypando. Então, assim, autoestima é fundamental. É você estar bem com você. Você tem que estar bem com você. Independente da forma do seu corpo. A cirurgia plástica, ela ajuda o paciente que está se sentindo com a autoestima um pouquinho alterada por questões corporais. Ela vai ajudar esse paciente. Se for real, ela ajuda real.

O que eu chamo de se for real, ela ajuda a real? Se realmente o que está se queixando, eu encontro e consigo tratar. Ele não tem uma disformofobia. Aí a cirurgia plástica trata e o paciente melhora a autoestima. Dá os melhores exemplos que você tem. Olha, eu tenho alguns pacientes que me impressionaram muito durante essa minha vida já na cirurgia plástica de 20 anos. Mas eu tenho alguns pacientes emblemáticos. Eu tenho um paciente...

Uma menina que eu atendia tinha 14 anos. Lembro como se fosse hoje, faz uns oito anos. Foi um pouquinho antes da pandemia. 14 anos. Ela consultou com o pai e com a mãe. Queixa de nariz. Essa história é muito interessante. Nariz.

A gente começa a fazer cirurgia plástica estética no nariz, cirurgia plástica estética mamária, a gente evita operar com 14 anos. A gente começa a operar, mais ou menos, perto dos 18, dois anos a três anos depois da mernarca, da primeira menstruação. Isso é mais ou menos, não existe uma lei, não existe trabalho mostrando isso, mas existem algumas coisas, desenvolvimento do clandomaxilofacial, desenvolvimento de mama, quer dizer, a gente tem uma ideia aí.

14, 15 anos. Esse paciente foi no consultório e ela tinha 14 para 15 anos. Qual era a queixa dessa paciente no consultório? Nariz. Levou o pai para fazer nariz. Eu examinei o nariz da menina. Nariz lindo.

E eu estava assim, falei, poxa vida, aquilo me deixa, por que será que ela... Eu não sei porquê, não é habitual meu, porque eu acho que cada um tem a sua, entre aspas, a procura, eu sempre, um dos inícios da minha conversa na consulta é...

Por que você veio? Por que você está procurando cirurgião plástica? Não direto, mas o que te trouxe a cirurgia plástica? O que você está procurando comigo? O que eu posso te ajudar? E eu não fico perguntando assim, você quer operar a mama? Quer operar o abdômen? Quer operar? Não. Eu não fico fazendo diagnóstico. Tem muitas cirurgiões que fazem diagnóstico. Eu evito um pouco. Tipo, a paciente vai lá operar a mama e eu vejo que ela tem o olho quieto.

Você fala, precisa operar seu olho, hein? Quer dizer, eu não sei se ela está querendo operar o olho. Eu não sei se eu estou sendo invasivo. Você não sabe se isso incomoda a pessoa. Eu posso chamar uma coisa, então eu evito.

a não ser que esteja na área que eu vou operar. Eu vou operar a face. E aí ela falou, quer operar só o nariz? Aí, às vezes, quando eu falo, mas eu evito. Não é uma questão pessoal, eu evito ficar indicando cirurgia. Eu opero o que a paciente está querendo ser operado, se assim tiver indicação. E aí eu falei para as pacientes, não sei por que eu falei, não sei se eu... Você queria examinar uma outra coisa? Queria ter uma outra queixa? Aí ela abriu um sorriso.

Falou, mama, doutor. Ou seja, ela estava com vergonha, depois, agora já... Olha só, filho. Já olhando isso, estava com vergonha de pedir para os pais para examinar mama, porque mama no Brasil tem tabu, ela tem uma sexologia, tem um monte de coisa. Mama, ela tinha uma hipomastia, não tinha mama nenhuma.

E o pai falou, Alexandre, ela é uma pessoa introspectiva, não sei o quê. E começou a conversar. Ela é uma pessoa que não tem amigos, ela fica isolada na escola. A professora já chamou ela várias vezes para conversar. Aí eu falei, pô, isso é mama. É mama, Edson. É mama. Não estou aqui fazendo apologia à cirurgia de mama, não, hein? Mama. Falei, olha...

Quantos anos eu atendi menarca? Ah, doutor, tem um ano e meio. Eu faço tudo certinho, gosto de fazer todas as coisas, tudo bem. Se é dois anos e meio, dois anos e meio, dois anos. Vamos esperar seis meses, vocês voltam, eu vou colocar implante e mamar na nela. Ela saiu feliz. Saiu feliz. Me lembro que isso aí é uma coisa impactante. Bom, deu seis meses, seis meses e uma hora, ela estava ali na consulta. Olha só, cara. Te procurou por causa do nariz.

Levou os pais por causa do nariz, né? Ela ficou com vergonha provavelmente de chamar os pais por causa da mama. Porque eu operei essa paciente. Eu acompanhei ela. Hoje ela é uma pessoa de sucesso. Uma modelo extremamente conhecida. Olha que legal, hein? O pai falou que ela mudou. Ela era uma pessoa de extremamente diferença. Mudou da água para o vinho. Foi a mama? A mama ajudou. Não vou falar que foi só o implante mamário. A mama ajudou.

Provavelmente a mama ajudou, o desenvolvimento também melhorou, a relação, tudo melhorou. Por falar em mama... Ou seja, então assim, é o que o Edson falou. A cirurgia plástica parece coisa mais superficial. Ah, colocar o implante mamário. Mas muda a vida. Por isso que eu falo não para implante mamário. Para a gente ter uma mama bonita. Uma mama com aspecto bonito, esteticamente bonita. Ah, eu quero colocar implante. Você tem certeza que você quer colocar implante mamário?

Eu quero colocar... Olha, pensa bem, tá somando bonita, não quer esperar um pouco. Por quê? Porque a cirurgia plástica é igual a outras especialidades. Já falei isso, mas vou referir. É diagnóstico e melhor conduta.

Não é moda. Cirurgia plástica não é moda. Está na moda, está na moda. Não é que está na moda. Eu estou recuperando ela, eu tenho que tratar o defeito. Claro que a moda influencia, é óbvio que influencia. A beleza é sazonal, a beleza é temporal.

Para nós seria muito interessante se a beleza fosse atemporal. Quer dizer, se o que você fizesse há 40 anos atrás fosse igual hoje. Não, se você pegar a... Agora eu vou... Sei lá, na época renascentista. O gordinho era o que era belo na época. A obesidade era beleza. Então hoje a gente não estaria fazendo limpoaspiração, está fazendo enxerto de gordura. A gente estaria enchendo os pacientes. Quer dizer, então, mas a beleza é temporal.

Então o que é bonito hoje pode ser que não seja bonito amanhã. Então você tem que lembrar que a cirurgia plástica, na maioria das vezes, ela é irreversível. Então assim, tem que tomar muito cuidado com isso. E a beleza é temporal. Por que eu estou te falando isso? Porque eu nunca fui adepto de mamas grandes. Mas teve uma aí uns 10 anos atrás, estava na moda aquela mamona enorme.

Hoje em dia não está mais na moda. Então quem colocou está tirando para diminuir um pouco a mama. Olha só. Então tem que tomar cuidado com a moda. Medicina não é moda. Medicina é tratamento de doenças. É tratamento de situação. E assim, o paciente que você vê, você analisa corpo e mente. Tem que analisar. Fundamental. Fundamental, Marcelo. Porque às vezes você mexe, você pode mexer. Se aquilo não está incomodando, você pode atrapalhar a autoestima daquela pessoa. Você quer outra coisa que parece besteira?

Mas não é besteira. Parece não, não parece besteira. É real. O momento que a paciente vai fazer cirurgia plástica. Eu faço muita cirurgia plástica facial. Eu faço três áreas mais, que é face, nariz e mama. Mas faço uma cirurgia que eu faço desde a época que eu trabalhei com o Ishida. Estou com o doutor Jorge Ishida, que é o maior cirurgião plástica de São Paulo. Estou com ele 11 anos na clínica privada dele. E cirurgia plástica facial é uma especialidade que eu faço muito. Eu faço muita cirurgia facial.

Tem que saber o momento de operar. A que momento de operar, Alexandre? Tem o momento certo de você fazer a cirurgia plástica facial. Tem o momento que você não pode fazer a cirurgia plástica facial. Vou te dar um exemplo. Que é um exemplo corriqueiro. E aqui eu não estou jogando do ponto de vista, mas assim, corriqueiro. O mundo está mudando muito, pode ser que isso mude também, e a minha interpretação a essa situação pode ser que mude também. Mas...

você tem separações, separações matrimoniais. Então, existe um casal, casamento de 20 anos, e aí acaba se separando. E várias histórias, cada um tem a sua história, cada um tem o seu motivo, mas eu não estou julgando. Mas é comum o homem trocar a esposa de 20 anos da batalha por uma menina mais jovem. É muito comum. É comum isso.

Nós já vivemos isso com amigos, muito comum. E a mulher, neste momento, ela se sente fragilizada e, obviamente, se sente envelhecida. E aí o que ela faz nesse momento aqui? Procura um plástico. Procura um plástico para fazer cirurgia facial. O problema é que ela nunca se ligou para isso. Entre aspas. Ela nunca se preocupou com isso. Mas na hora que ela vê o marido...

trocar ela por uma pessoa mais jovem, ela fala, eu vou ficar mais jovem, quem sabe... Eu reconquisto, eu reconquisto o meu marido. Então ela vai fazer nesse momento de luto, que o luto não é só luto, pode ser luto sem a pessoa morrer. O luto da separação é o luto. Então se operar o paciente nesse luto, a chance dela não gostar da cirurgia...

Não pelo resultado cirúrgico, porque ela não reconquistou o marido. Olha só, puxa vida. Você entendeu? Ou seja, ela opera com esse intuito aí. Eu vou ficar mais jovem, eu vou ficar mais jovem, vou ficar o rosto melhor, vou ficar mais atraente, seja mama, seja corpo, seja face, e vou reconquistar o marido.

E aí não reconquista. Aí deu errado a sua cirurgia. Quem é o culpado dela não reconquistar? Você. Você. Claro. Entendeu? Isso acontece sempre? Não, não. Você tem que ter uma leitura. Você tem que ter uma leitura de expectativa dos pacientes, que é uma coisa... Assim, não é só expectativa. Você tem que saber o que está acontecendo na vida do cara. Eu vou contar uma história que não aconteceu comigo, não é minha história. Se fosse minha história, eu falaria. Não teria a mínima vergonha de falar.

Mas é uma história que permeou... Todo mundo sabe da cirurgia plástica, sabe essa história. Mas eu não vou falar o personagem, eu sei os personagens, claro, mas eu não vou contar, mas vou contar baseado nisso. Uma paciente que estava com problemas de relacionamento também com o marido.

E sempre o marido, durante o interculto sexual, reclamava da mama do paciente. Ela estava hiper bem com ela. Por isso que cirurgia plástica você faz para você. Cirurgia plástica você não faz para o seu marido, você não faz para o seu namorado. É você que tem que indicar. Não é porque a sua amiga fez, você tem que fazer, não é porque está à moda. Quem tem que indicar cirurgia plástica é o paciente.

Quando vai um paciente comigo e fala assim, ah, meu marido quer um nariz um pouquinho mais baixo, quer que eu faça a face. Quem quer que faz a face? É você ou seu marido? Eu não opero. Quem tem que indicar a cirurgia é o paciente. Mas voltando no caso dessa paciente. Então, durante o intercurso sexual, ele reclamava que a mamba estava caída.

Ah, sua mama está muito caída. Não tenho mais vontade de ficar com você porque a mama está muito caída, muito caída, muito caída. Estou usando um termo mais popular, mas ele falava um termo um pouquinho mais chulos. Procurou um cirurgião plástico de São Paulo. Não queria operar.

Não queria operar, mas o marido estava alegando que estava meio que... Ele indicou a cirurgia. Se distanciando dela, porque não estava mais com vontade de ficar com ela, porque a mama era feia. Por um cirurgião plástico, extremamente capacitado, bem formado, cirurgião plástico de alto gabarito, fez a mama, a mama ficou linda. Resultado impecável.

cicatriz um pouquinho mais marcadinha, que faz parte, é inerente à cicatrização, é inerente ao tipo de pele, tem várias coisas que fogem do controle do cirurgião. O marido, com aquela mama bonita, não tinha mais o que falar que a mama estava feia. Falou que quando olhava a cicatriz não conseguia ter nenhum tipo de atração por ela.

Ele trocou o formato pela cicatriz que estava na mama. Ele olhava para a cicatriz, ele não tinha nenhuma atração. Ela estragou a vida dela. O que aconteceu? Ela processou o cirurgião plástico. Porque ele deixou cicatriz na mama dela.

Porque ela não gostou do resultado? Não, porque o marido era uma desculpa. Você entendeu como esse ambiente é? Você tem que tomar muito cuidado com o contexto e com a expectativa. É louco isso. E só uma coisa que a gente sempre fala em congresso, estamos discutindo muito isso em relação ao processo médico. Quem julga isso é o juiz. Aí você rodou. E o juiz, ele é paciente. O juiz não é médico.

O juiz é paciente. Ele não é um de nós. Ele não é um de nós. Ele é médico. Ele não é médico. Ele é paciente. Ele é paciente. Então, a chance de ele prender por um lado, ele não entender esse cenário é muito grande. E, nesse caso, ele foi pelo... E tem que tomar muito cuidado, né? Sei que tem. É complexo, Marcelo. Você quer falar? Edson, fala.

É por isso que eu concordo com você. Nesse caso, o problema era o marido e, teoricamente, não a paciente. Por isso que a cirurgia plástica não pode atender em um minuto. Ah, vai, mama, mama, tá bom, vou operar. E nesse ano, a mama, vou operar que você... Então, você precisa estar tudo bem. A conversa de cirurgia plástica não é só a conversa da doença. É uma conversa mais...

Falando de autoestima, aqui para fechar, eu lembro que a reconstrução de mama no mesmo tempo, isso surgiu no fim da década de 80 e início de 90. Eu lembro do professor Pinotti, quando ele deu uma palestra lá no...

Como o Congresso Mestre Universitário. O Congresso Universitário lá na USP, e ele mostrou. Você chegou a pegar essa época ou ver pacientes que não reconstroem no mesmo tempo da mastectomia e pacientes que reconstroem? Você tem exemplos de diferença na autoestima? Quando eu comecei a fazer reconstrução de mão foi em 2007.

Já não, já era só imediato. Realmente, quem trouxe essa ideia de se recolher com a imediata foi o professor José Lestoni Pinotti. Eu lembro dessa palestra. Ele tinha um contato muito grande com o Instituto Europeu de Oncologia, em Milão, lá do doutor Veronese.

Então, o Veronese foi o que começou a cirurgia conservadora, que mudou a mastologia pelo mundo, eu acho que foi um dos grandes. E o professor José Henrique Walter é o gasto. José Estonio Pinotti, eles eram primos. José Estonio Pinotti é que mudou também a mastologia aqui no Brasil. Todos os louros, todos os louvores vão para ele. E ele realmente começou. E eu, quando comecei a fazer a recunção de mama, já era imediato. Mas a gente tinha alguns resquícios da recunção tardia.

Eles achavam que você não reconstruir é para você ter um acompanhamento mais de perto das recidivas e se o tratamento adjuvante estavam sendo efetivos. Então, eles evitavam fazer a reconstrução mamária imediata. Eles não se preocupavam muito com a questão psicológica, autoestima. Depois eles viram que você consegue fazer a reconstrução sem piorar de jeito nenhum. Não piora nada para o gnóstico deste paciente. Então, começa-se a reconstrução mamária imediata.

Mas existem vários trabalhos que falam essa comparação. Então eu vou citar um trabalho interessante, que foi um trabalho feito nos Estados Unidos, no Memória de Nova Iorque, que ele comparou reconstrução mamária imediata com reconstrução mamária tardia. Ou seja, tirou o tumor e reconstrói, ou tirou o tumor, deixa amputado e vai reconstruir depois.

Então, quando você fica um período, se você imaginar que o tratamento adjuvante dura seis meses de químio, mais um pouquinho de rádio, depois da rádio, três semanas, algumas duas, até um mês de rádio, de 28, hoje está diminuindo, está fazendo aquelas rádios breves, você só pode operar a mama irradiada depois de oito meses. Então, você vai ficar um ano, um ano e meio sem mama.

Então, a paciente fica um ano e meio, dois anos, sem nenhum tipo de mama, só com a mama contralateral. Esta paciente que nunca fez reconstrução, ou seja, vai fazer a reconstrução tardia e ela ficou esse período longo sem mama, ela é muito menos exigente do resultado estético da reconstrução mamária. Não que não seja, é. Mas o período sem mama...

impacta tanto que qualquer volume que você der na mama reconstruída, ela fica satisfeita. Por outro lado, pacientes que nunca ficaram sem mama e você já faz a reconstrução imediata, elas são muito mais exigentes do resultado estético.

porque ela nunca ficou sem mama. Então ela vai olhar detalhes e muitas vezes você não consegue reconstruir a mama da forma ideal, possível, sem tipo de cicatriz. Então a paciente que faz a reconstrução imediata, ela se queixa mais do resultado estético do que a paciente de reconstrução tardia. Agora eu vejo várias vezes, não estou falando que eu, Alexandre, mas sim, vários cirurgiões plásticos veem isso também, que a gente muitas vezes deixa na reconstrução mamas mais bonitas do que ela tinha antes de fazer o tratamento do câncer. Isso é frequente.

Porque as nossas circunstâncias ficam tão boas que ela fica, pô, está melhor agora do que antes de eu fazer a mastectomia. Isso é uma coisa interessante. E adesão ao tratamento? Isso não tem nenhum trabalho, mas isso é prática diária.

Todo mundo fala que a adesão ao tratamento adjuvante é muito mais fácil nas pacientes que fizeram reconstrução imediata. Ah, olha só. Isso é um dos motivos pelo qual, no início da reconstrução mamária, era um dos índices que se colocava muito frequentemente, sem nenhum trabalho mostrando isso. Mas a percepção era que pacientes reconstruídos de forma imediata tinham uma adesão maior ao tratamento adjuvante. Ao tratamento. É essa a percepção, né? Isso, isso.

Provavelmente porque haja um menor índice de depressão. Depressão. E nós sabemos que depressão prejudica todo o tratamento, principalmente a motivação ao tratamento. E a paciente já está com problema de câncer, já vai ter que fazer químio, já vai ter que fazer rádio, tratamento pesado. E sem uma mama, ou seja, com autoestima não tão boa, isso pode atrapalhar o tratamento dela. Sem dúvida, sem dúvida.

Agora, você viveu uma época muito interessante. Nós vivemos, mas você em especial, porque você é o cara pré e pós Instagram.

E a gente sabe que o Instagram, na prática, é comparação. Como é que está a vida daquela pessoa que eu gosto e de que eu não gosto? Ou seja, o problema de comparação hoje é muito maior do que no passado. Eu não sei se você concorda comigo. Comparação entre médicos? Não, comparação...

entre pacientes. Sem dúvida. Sem dúvida. Então, eu acho que se brincar numa consulta, alguém já abriu o Instagram pra mostrar uma amiga. Olha, como ela tá. Eu quero ficar igual. Como é que impactou isso na sua vida, na sua vida de cirurgião plástico e como você gerencia isso? É interessante essa pergunta. Eu vou tentar responder ela só de uma forma, senão vai aumentar muito a resposta. Não tem problema. Mas assim...

antigamente, eu lembro que o doutor Jorge Schida, que foi um dos meus mentores, o meu maior mentor de cirurgia plástica, ele falava assim, Alexandre, quando a paciente trouxe uma revista, porque não tinha Instagram na época ainda, trouxe uma revista, a Cláudia, ou a cara, eu quero um nariz igual da modelo, da artista, não sei o que, não opere. Ele falava, não opere. Porque ela já está mostrando uma expectativa lá em cima. Se você olhar o nariz dela,

e você achar que não vai ficar nem um pouco parecido, não opere. Isso já é um sinalizador de problema. Concordo com ele plenamente. Porque a paciente quer ficar com o nariz igual a... Por que ela quer ficar com o nariz igual àquela pessoa? Ela pode ter aquilo como exemplo. Aí é diferente. Igual você vai ao cabeleireiro, ele te mostra um monte de foto, agora ele mostra na imagem ali. Ela quer o meu cabelo assim, aí tudo bem. Mas a paciente fala, eu quero igual a esse, você...

Mas o Instagram teve uma outra coisa que mudou a cirurgia plástica. Foram os tal dos filtros. Nossa senhora, é verdade. Os filtros do Instagram. A paciente, ela é uma no Instagram e na hora que você olha, fala, não, não, peraí. Não é a minha. Não, não, não, peraí, peraí, peraí. Tô brincando, eu não faço isso. Mas com a amiga eu faço.

O Maluf fazia isso antigamente. A foto dele na propaganda é quando ele tinha 18 anos. Já tinha 60 e na propaganda eleitoral ele tinha 18 anos. Pelo amor de Deus, eu não estou aqui. Mas assim, os filtros motivaram muitas cirurgias plásticas. Os filtros. Então, por lá, foi bom.

Outra coisa que motivou, eu vejo a minha área, face e nariz, outra área que foi bom, foram as plataformas de conversa virtual, tipo Zoom, Meet, porque as pessoas estão falando e estão olhando para o rosto dela o tempo todo.

Aí ela consegue... Aí ela começa a olhar um pouquinho de pálpebra, um pouquinho tá caído, perdeu a definição da mandíbula. Até mais do que o selfie, né? Exatamente. Então, assim, o zoom motivou milhares de cirurgias plásticas faciais. Olha só. Então, teve esse coisa benéfico, entendeu? Tipo, benéfico não. As pessoas começaram a olhar mais de uma forma como não olhavam com o zoom ali, olhou mais. Mas voltando, sem dúvida nenhuma, agora...

O Instagram, conforme ele é apresentado para mim na consulta, ele funciona igual a revista que o doutor Ishida me falava. Quer dizer, as coisas continuam as mesmas. Só mudou o método. Se ela vier e eu olhar e eu não conseguir, a cirurgia está contraindicada. Está contraindicada. Por outro lado, ele teve isso. Ele aumentou as cirurgias porque ele começou. Cirurgia de nariz e cirurgia de face aumentaram muito depois da pandemia.

Por causa dos filtros e das reuniões virtuais. Quer dizer, você ficou oito meses sem trabalhar, mas depois você trabalhou muito. Mas é isso. E a cirurgia facial e nariz. Aumentou muito a cirurgia de nariz e a cirurgia facial. Eu tenho certeza que foi decorrer nisso. Filtro e reuniões virtuais. Olha só que interessante. E quando você opera... É...

O paciente tem a expectativa da perfeição e você sabe que não tem cirurgia plástica perfeita. Como é que você alinha essa expectativa com os possíveis resultados? Mais uma vez, eu percebo quando a paciente tem expectativa irreal. Eu consigo contratar uma expectativa muito aumentada da cirurgia. Eu tomo cuidado e muitas vezes também não opero. Mas...

Quando eu vou operar, e ela fala, doutora, como eu vou ficar? Eu vou ficar bem, não sei o quê. Eu falo para ela uma frase, primeiro em relação a eu vou resolver, é uma frase que eu gosto de falar, mas uma frase, gosto de falar, gosto de fazer, não só falo. E a outra é, eu tenho certeza, isso eu falo. Pode ser claro que tenha complicações, eu falo de complicação, deicência, necrose, isso eu falo, faz parte da cirurgia, mas eu falo assim.

Eu vou melhorar. Você vai ficar melhor do que agora. Quando eu começo a perceber que existe uma dificuldade de ela entender o que é a expectativa real da cirurgia. Então eu falo, eu te prometo que você vai melhorar. E eu não faço uma cirurgia que eu não tenho certeza que eu vou melhorar o paciente. Você pergunta pra mim, você já fez cirurgia que você achava que podia não chegar na expectativa? Você assumiu o risco de não melhorar? Não, nunca. De chegar na expectativa já.

Você entendeu? Porque eu não sei se minha cirurgia vai chegar na expectativa dela. Na maioria das vezes, graças a Deus, chega na expectativa. E várias vezes ultrapassa, não estou aqui mais ou menos, detesto, ultrapassa a expectativa. Mas a minha venda entre aços para ela é que vai melhorar com certeza. Se você fizer uma comparação pré e pós, vai estar muito melhor no pós-operatório. Se chegou na expectativa, isso eu não posso prometer. Essa promessa eu não faço. Porque ninguém pode fazer essa promessa.

Porque a expectativa é uma coisa extremamente subjetiva.

Agora, que eu vou melhorar, que tem condições que tudo que ela falou, eu tenho uma giba no nariz, eu tenho uma ponta largada, não sei o quê. Isso eu vou melhorar com certeza. Você não vai ficar com giba e você não vai ficar com ponta largada. Agora, se o nariz vai ficar do jeito que você queria, a expectativa, eu não posso. Por isso que você tem que ter uma análise psicológica, uma análise da história. Fundamental, Marcelo. Fundamental.

Ela é tão fundamental quanto a deformidade. Fundamental. Eu acho que algumas coisas ajudavam nós. Hoje a gente parou de fazer. Eu, praticamente, parei de fazer.

alguns cirurgias plásticas continuam fazendo, eu sou meio, eu não sou contra, mas eu tenho um pé atrás com simulações virtuais de pós-operatório. Você projeta o nariz do paciente numa tela do seu consultório e você manipula ele digitalmente. Ah, quer abaixar um pouco a jiba? Aí você vai lá, abaixa um pouco a jiba virtual.

Aí você é tipo um Photoshop. Aí quer levantar um pouco a ponta. Aí fala, olha como o seu nariz vai ficar. Só que a cirurgia no computador não tem nada a ver com... Dá uma ideia, dá uma ideia. Dá uma, dá uma... Sem dúvida. Então, acho que é uma arma que as pessoas utilizam e muitos gostam. Eu usei uma época que hoje em dia não uso mais. Acho que a única cirurgia que você consegue simular bem, bem, é o nariz.

O nariz você consegue. Tem simulador de implante mamário, tem simulador de tudo. Mas o nariz é o melhor. Pra simular, pra você fazer uma simulação digital, o nariz é o melhor. Você falou dela, dela, dela, pra caramba. E os homens, hein? Isso é interessante. Essa pergunta é boa. A minha clínica 90%, 90% ou mais, são mulheres. Eu tenho uma clientela de pacientes masculinos menor. Porque homem opera cabelo, que eu não faço cabelo.

Então, cabelo é uma coisa que eu não faço. Opera pálpebra, que eu faço bastante. Pescoço. Cirurgia de pescoço. Ginecomastia. E começa a parar por aí. Aí tem cirurgia de corpo, tem lipoaspiração. Mas assim, as cirurgias mais é... Cabelo.

Pálpebra, né? Olho e papata. E papata. E ginecomastia. E ginecomastia. Agora... Mas eu faço pouco. A minha clínica é mais feminina do que masculina. Você falou de risco. Mas eu quero. Você falou de riscos, né?

Ou seja, muitas vezes a sociedade vai procurar uma cirurgia plástica como se fosse comprar um refrigerante no supermercado. É isso. Ela acaba de sair de uma cirurgia, ela já está projetando outra para o próximo inverno, porque normalmente ela se espera do inverno. É o mês da cirurgia. É o mês da cirurgia, ou talvez dezembro lá nos Estados Unidos, na Europa. E existem riscos.

Sem dúvida. Riscos anestésicos, riscos cirúrgicos, de complicação cirúrgica. Como é que você gerencia isso? O que você faz para minimizar esses riscos? A cirurgia, o ideal é risco zero. Só que nós todos aqui sabemos que é impossível risco zero na cirurgia. É um procedimento. Só que você tem várias fases de você entrar para mitigar os riscos da cirurgia.

A escolha do paciente é fundamental. O paciente tem que ser um paciente preparado do ponto de vista global, do ponto de vista total, psicológico, mas também do ponto de vista clínico. É um paciente que não pode ter nenhuma doença descontrolada.

Algumas doenças ele está contraindicado à cirurgia, mas as que não tem contraindicação e são doenças crônicas, elas têm que estar bem controladas. Então ele tem que estar com o quadro diabético controlado, hipertensivo controlado, tudo controlado. O ideal é que ele fosse realmente asa 1 de base. Então esse já diminui bastante o risco. Além disso, aonde eu vou fazer?

Qual é o local que eu vou fazer? Então, assim, eu só opero num hospital, mas aqui não quer dizer que não pode ser feito em clínicas. Pode, mas essa clínica é uma clínica estruturada, é uma clínica que tem um serviço de emergência, se tiver uma intercorrência, tem algum hospital de retaguarda, tem ambulância rápida, quer dizer, tem que ter tudo muito preparado. Não pode ser nada no improviso.

Então, o que eu faço eu, Alexandre? Eu só opero paciente ASA1, paciente controladíssimo, paciente com indicação médica da cirurgia, depois de muita conversa, de muita seleção. Vou operar num hospital que eu acho que é um hospital extremamente de ponta, é um hospital que eu confio, que estou lá há muitos anos, só opero nesse hospital. Só opero com a mesma equipe de anestesia que sabe exatamente o que eu vou fazer, já me conhece, não existe improviso.

A minha equipe também é uma equipe que está comigo há muito tempo, então já tem um sincronismo de equipe. Tem uma equipe de pós-operatório. Tenho, ou seja, várias etapas que eu vou checando para ver se está saindo tudo direitinho.

E mais do que isso, as minhas cirurgias também são programadas com o tempo cirúrgico. Isso que eu ia te perguntar. A gente tem alguns trabalhos, que não tem nenhum nível de evidência 1, senão seria obrigatório, seria extremamente recomendável, mas não tem, que é o tempo cirúrgico não ultrapassar 6 horas.

Então quer dizer que você não pode fazer cirurgia de 8? Pode fazer. Porque tem muita paciente que te procura e que eu quero fazer tudo. Mas eu não faço cirurgia estética. Eu, Alexandre Piazzi. Isso não quer dizer que outra pessoa faça e está errado. Não, pelo amor de Deus. Não é isso. Mas eu, baseado na minha... No que eu interpreto dos trabalhos científicos publicados sobre segurança em cirurgia, não em cirurgia plástica, mas em cirurgia geral.

São seis horas de procedimento. Após seis horas, aumenta muito as complicações clínicas. Infarto agudo miocárdio, AVC e outras alterações. Claro que hoje, com todo o controle, com os materiais, com aparelhos de anestesia de último tipo, só falta voar aquele aparelho, quer dizer, o controle é mais fino, até de temperatura, hipotermia, mas mesmo assim eu não passo de seis horas.

Então, se eu tenho uma cirurgia que eu vou fazer mão e abdômen, mão e abdômen lipo, mão e abdômen lipo e não sei o quê, dá para fazer em seis horas? Eu faço. Senão, eu não faço. Perfeito. Bom, você falou uma coisa interessante, que são simuladores, né? Qual que é o papel aí da inteligência artificial na cirurgia plástica? Interessante essa pergunta. Eu me fiz essa pergunta. Eu acho que, assim, na prática ainda não apareceu.

assim, do ponto de vista, assim, no meu dia a dia de cirurgia. Não tem nenhum...

um instrumento, a gente brinca que a cirurgia plástica para o hospital, ela não é uma cirurgia cara, porque a gente não usa equipamento de alta tecnologia. A gente basicamente usa bisturi, tesoura, pinça e mais nada. É, robô ainda não, né? Não, tem alguma... Então, existem algumas tentativas do uso de robô em reconstrução de imã. Eu fiz até treinamento do robô, tem até o certificado da Intuitive de robô.

testasse, entendeu? É porque robô você vê muito em cirurgia onde cavitária e cavitária. Não dá aquele ponto direito e talvez o braço mecânico pegue melhor. O robô vai ter por exemplo, que eu vejo uma coisa muito próxima aí pra microcirurgia.

que a gente usa o microscópio, que vai lá seis vezes, dez vezes, e você coloca o robô e fica muito fácil passar o ponto, porque ele não treme, né? Então, quando você está ali com a sua pinça dando, vocês fazem microcirurgia, vocês sabem. Ali, você dá uma tremidinha, aquilo parece que você fez assim, né? Olha, hoje o microscópio está segurando esses tremores também, já que dá uma...

E o robô não, o robô vai fazer isso de uma forma mais fácil. Então eu acho que... Agora, tem inteligência artificial nos aparelhos mais dermatológicos, cosmiátricos, e o geoplástico também usa. Em laser, ele programa toda a aplicação do laser, quando ele vai fazer um resurfacing, ele vai aplicar um laser para rejuvenescimento facial, ele usa a quantidade, ele já programa tudo isso.

ele te faz um planejamento, você coloca a foto do paciente, ele já dá um protocolo de laser. Isso tem. Existem alguns aparelhos, tipo Ignite, Imold, que fazem todo um tratamento corporal, avançado. Você tira a foto, aí a IA... Mas, assim, cirurgia, cirurgia, eu não vejo. Mas nos aparelhos que envolvem o embelezamento... Nos tratamentos mais clínicos... Aí tem bastante IA. Aí tem bastante IA, sem dúvida. E o que teve de avanço técnico na cirurgia plástica?

nos últimos anos? A cirurgia plástica avançou em que? Couro, cabeludo? A cirurgia plástica é muito interessante. Ela tem muita coisa sendo publicada diariamente. Eu vislumbro um futuro da medicina regenerativa.

A gente está começando agora a trabalhar muito na cirurgia plástica e a medicina regenerativa. E a gente tem um material doador muito rico em células mesenquimais, que é a gordura.

A gordura é muito rica em células mesenquimais. Então tem vários tratamentos, começando aí com o uso de células-tronco. Vários. De reconsão mamária, a gente tem alguns scaffolds, ou seja, a estrutura da mama feita com material.

natural, que a gente chama habitualmente feito de derme, ou derme de humano. No Brasil não pode comercializar derme de porco, que a gente chama de trisdérmica acelular. Então, se faz um escalto, se faz uma estrutura, e aí essa estrutura, ela é tratada pra ter avidez pros células-tronco. Então, você coloca, enche de gordura e aquilo vai, entre as pessoas, criar uma mama. Então, como se fosse um implante mamário autólogo. E aí você pega aquela mama e bota.

Então, assim, essas coisas estão aumentando muito. Para você ver muito em rejuvenção facial, os exossomas, o uso de, o que a gente chama de fat grafting, do nano fat, que é só a parte qualitativa da gordura e não quantitativa. Você não aumenta o volume, mas você dá qualidade cutânea.

Existe muita coisa chegando em tecnologia na cirurgia plástica, mas o futuro é bem, eu acho que é bem a medicina regenerativa. E produtos. A gente tem aí vários produtos. Por exemplo, a gente tem uma dificuldade muito grande na hora que a gente vai fazer a reconsão de mama, do tamanho que a gente coloca, pela qualidade do músculo, pela quantidade de músculo. Hoje tem substitutos musculares. Tem matriz Dering, algumas telas que são 100% absorvíveis, que tem um tempo de tensão longa que a gente não tinha isso.

Então ela fica aí 3, 4, 5 meses sem absorvente, e quando desaparece, é hidrolisado. Tem várias coisas novas. Tem bastante tecnologia por trás. Olha só, hein? Tem, tem. Agora nós vamos para o lado ruim, que é a banalização da cirurgia plástica. Ou seja, o volume de pessoas que, eu acho que especialmente com a divulgação de redes sociais, é o volume de pessoas que,

que querem fazer cirurgia plástica, aí, claro, querem um preço mais acessível, querem uma coisa mais baratinha, aí acaba banalizando. Qualquer um vai tentar se meter nessa área. O que você tem a falar sobre isso? O que você acha disso? Qual é a sua visão? Eu fiquei um tempão falando para você e para o Edson sobre o que eu faço para mitigar as complicações.

dos meus pacientes. E aí falei um monte de coisa em relação ao paciente, um monte de coisa em relação ao hospital onde eu opero e um monte de coisa que eu faço em pós-operatório. Isso não é barato. Não é mesmo, né? Não tem como ser, né? Vocês sabem que isso não é barato.

Quando eu começo a baratear, eu não consigo manter esse mesmo padrão. Não tem como. É como carro, né? É como carro. Você quer comprar um carro bonito, seguro, com airbag, que não derrape na curva e tal. E todo esse padrão que eu falei aqui, de hospital, dos cuidados anestésicos, do material, do uso de drogas de primeira linha, tudo, eu não estou falando aqui o preço do cirurgião, hein? Eu estou falando o preço do cenário onde vai acontecer a minha atuação.

Eu não estou falando do meu preço. Só esse cenário aqui é caro. Eu tenho o meu preço. Então, assim, quando você começa a encontrar cirurgias muito baratas, promoções, sorteios, tem que acender a luz. Eu brinco, tem que acender a luz amarela. Cuidado. Não quer dizer que o barato é ruim.

Não estou aqui para falar de genio. De julgar. A gente não está aqui para julgar. Não quer dizer que barato é ruim. Não quer dizer que o cara que faz promoção seja ruim. Mas tem que tomar cuidado. Então, assim, eu acho que você tem que tomar cuidado quando a coisa é muito barata. Então, assim, eu tenho dificuldade de falar sobre isso porque, assim, eu tenho algumas coisas que eu acho que não são publicáveis, entre aspas, alguns pensamentos meus sobre isso. A cirurgia plástica, ela...

por um período, vou falar assim, até o início dos anos 2000, um pouquinho antes, acho que antes, até metade dos anos 90, ela era uma cirurgia plástica estética, era uma coisa bastante elitista.

Com o passar dos anos, houve uma popularização da cirurgia plástica. Aumentou o número de profissionais, aumentou o número de cirurgiões plásticas. E o mercado... Aumentou a estrutura hospitalar, os hospitais dias. É o mercado capitalista. Então, o mercado capitalista, entre eles, a coisa mais frequente é a divisão de lucros. Não vamos dourar a pílula. Divisão de lucros, exatamente isso. Então, assim, tem espaço para todo mundo.

Na época de 90, tinham 100 cirurgiões plásticas, tinha muito mais, mas estou... 100 cirurgiões plásticas, eles deviam o mesmo filão em 100. Hoje, são 7 mil cirurgiões plásticas que com o mesmo... Entendeu assim? Então, barateou. Inegavelmente, do ponto de vista capitalista, ia baratear.

Mas tem que tomar cuidado esse baratear, se é um baratear compatível com o serviço. Se eu estou em São Paulo, eu não vou falar valores, mas vou falar um valor por cima, não é o valor exato e nem é o valor que realmente cobre. Mas para você ter uma ideia, tem gente fazendo cirurgia de implante mamário por R$ 5 mil tudo.

Só implante que a gente compra, ele custa mais ou menos 4 mil reais. Uma prótese de qualidade, né? Você entendeu, então? Quer dizer, se tudo é 5 mil, alguma coisa está errada. Não sei nem se tem mais, mas era por aí. 5, 7 mil. Quer dizer, está errado. Então, muito barato. Só que o paciente é extremamente barato e se submeter a isso, tem que tomar cuidado. A cabeça não está boa, né? Tem que olhar direitinho quem é o médico, quem que...

no Instagram, você está passando ali nos seus stories, de repente aparece ali uma promoção. Você fala, poxa, que barato que está essa promoção. Eu nunca vi essa bebida tão barata, esse relógio tão barato. Aí você fala, eu vou assumir o rico. Aí eu comprei. Cara, eu já caí umas três vezes. Era golpe.

Você, quando tá aqui, quer que você já fale? Eu vou assumir o vício. Se não for verdade, eu... Imagina em cirurgia. E outra coisa, não é reversível.

a maioria das cirurgias plásticas não são reversíveis. Eu, assim, estou numa fase, estou começando a cirurgia plástica, é brincadeira. Sim. Estou numa fase que eu pego muito caso secundário, caso terciário, que eu opero com um, opero com outro, aí eu venho e vou tentar resolver. E uma frase que eu sempre falo com os plásticos é assim, pena que eu não te operei na primeira vez, entendeu? Que é muito mais fácil. Primeira vez é muito mais fácil.

segunda, terceira e a quarta, você começa a complicar. Então, a cirurgia plástica é coisa séria. Eu gosto dessa frase, duas frases que a gente vê, porque eu repito muito a vez que eu falo.

Cirurgia plástica é coisa séria. Não tem como banalizá-la. Não tem como achar que é cabeleireiro, que vai ali procurar de qualquer forma. Não é isso. E cirurgia plástica é com cirurgião plástico. Edson e Marcelo. Cirurgia plástica é com cirurgião. Não estou aqui defendendo mercado, não. Eu estou defendendo... A formação. Estou defendendo um profissional que, para operar você de cirurgia plástica, ele tem que fazer seis anos de medicina.

E mais seis anos de residência médica. Ou seja, ele tem que ficar 12 anos estudando para te operar como cirurgião plástico. Quem que vai te operar melhor? Um cara que ficou 12 anos ou uma pessoa que fez um curso de circuito no final de semana, um curso de final de semana?

O cara que fez um curso no final de semana, ele pode operar bem? Pode. Eu não estou aqui falando que ele não vai operar bem. Mas qual é a chance de dar certo? É mais um. A gente vai trabalhar com probabilidades. E em medicina e saúde, você não pode trabalhar com a chance de dar errado. Exatamente.

pessoa que fez 12 anos pode dar errado? Pode também, mas a probabilidade inegavelmente é menor. Ô Piaz, é o seguinte, tá caindo, a gente tá caminhando aí pro fim do podcast, eu tenho mais duas perguntinhas pra você. Tá se formando muito médico? Muito, muito médico. A partir de 2020, o boom de médicos formados foi uma coisa assim, absurda.

E esses médicos, eles estão aí caindo no mercado, enfim. E a gente sabe que... A gente conhece a geração Z, que é uma geração que não tem muita paciência, né? Como nós tínhamos, né? Eles querem aprender rápido. Qual é o conselho que você tem pra dar pra essa molecada, hein? Pra essa meninada. Eu queria ser moleque que nem vocês também. O mundo mudou, Marcelo. Eu falo com minhas filhas. Eu tenho uma filha que tá fazendo medicina. Tá no terceiro ano de medicina. Eu falo que é assim.

Eu não posso encarar hoje com os mesmos olhares de 1995, quando nós nos formamos médicos. Não posso. Não posso encarar hoje como a geração alfa, que está nascendo, já nasceu, está encarando a vida como eu encarei a vida. Mas eu acho que eu segui bons exemplos de gerações anteriores.

Eu achava que a minha geração foi uma geração também bastante, uma geração revolucionária. A gente é diferente. Mas eu acho que eu olhei a geração do meu pai, a geração Baby Boomer, que foi a geração antes do meu pai. Eu olhei. Porque eles acertaram também. Eles não só erraram, não. Então, eu acho que a medicina, você se constrói baseado em experiência. Você não constrói baseado em venda, Instagram, em business.

Eu acho que você tem que ter experiência. Para você vender, você tem que ter experiência. E experiência você consegue com o passar dos anos. A carreira médica não pode ser uma carreira médica que você crie um monte de mecanismos, seja midiático, o que for, para você explodir com um ano de formado. Você não tem capacidade de fazer com um ano de formado.

habitualmente, quando você começa muita propaganda e o consultório começa a encher, você vai ter vários problemas. Você vai ter problemas. No começo é fácil. Mas aí começam a aparecer os casos mais complicados. Mas você no começo não tem tantos casos assim. A clínica começa um caso por mês, depois um caso, dois casos por mês, depois três, depois quatro. Você entendeu? Vai aumentando aos poucos. Vai aumentando com o seu desenvolvimento cirúrgico.

Só que o Instagram, eles diminuíram esse intervalo. Esse timing, né? E aconteceu muitos problemas. A gente tem visto isso. Tem visto vários problemas. E os médicos, os jovens, nos procuram muitas vezes para falar sobre isso. Agora...

antigamente que eu falo, eu gosto de falar essa palavra, não é que nós sejamos antigos, a clínica vai começar a deslanchar com 10 anos, 5 para 10 anos, falavam da cirurgia plástica. Hoje não, hoje a gente tem sorte. Hoje com 4, 5 anos eles conseguem deslanchar. Então eu acho que assim, essa é a vantagem disso aqui. Mas para você ter isso aqui bem feito, você tem que ter uma estrutura bem feita. Não faça nada estrutura de conhecimento que você não tenha certeza. Nada.

até hoje eu sigo isso eu olho para um paciente e vejo que ele tem um problema, que eu não sou o melhor para resolver, eu falo não não vou te operar eu só opero aquilo que eu tenho certeza que eu seja o melhor não o único, o melhor às vezes o psiquiatra é até melhor do que você em alguns casos isso é engraçado, você fala em psiquiatria ainda existe um tabu muito grande nós estamos em 2025 o exa

Existe um tabu muito grande de psiquiatria. Você encaminha o paciente em psiquiatra e fala, você acha que eu estou louco? É automático. Mas não tem nada a ver psiquiatria com loucura. É uma questão de equilíbrio. Exato, mas se você encaminhar o paciente, eles podem se ofender.

Às vezes o cara está no lugar errado, ele não é o plástico, é o psiquiatra. Você não pode falar psiquiatria, é engraçado isso. É o psicólogo, então. Aí é o psicólogo que se vira. Tem muita coisa, cirurgia plástica. Mas fala, fala, Marcelo. Não, é essa questão. Às vezes o paciente, o problema não é a plástica, é a cabeça. Cirurgia plástica é uma coisa interessante. O Edson trabalha mesmo no hospital que eu trabalho.

cirurgia plástica para o hospital também não é muito interessante. Isso eu estou abrindo, estou batendo bate-papo. Também não é interessante. Primeiro que não tem tecnologia envolvida muito, como nós discutimos há pouco. Então, assim, você vai fazer uma cirurgia robótica só de abrir o descartável do robô, acho que é 20 mil reais. 20 mil reais.

Cirurgia plástica você não abre. É o seu material que está lá estéreo há 20 anos. E é teu, né? É meu. Estéreo meu lá há 20 anos. A minha caixa de plástica está no Sírio há 20 anos. Opa, falei a palavra. Há 20 anos lá. Não gasta. Entendeu? Isso. Segundo, que nossas cirurgias são demoradas. Cirurgia plástica, pelo menos duas horas e meia, três horas, elas ocupam no centro cirúrgico. E terceiro, que é uma coisa que a gente não entende por quê,

Mas o Brasil é o número 1, o número 2 é cirurgia plástica, mas o número 2 seria o mais justo. Porque as estatísticas são assim, quantas cirurgias plásticas você faz? Aí liga pro cirurgião e tá lá, põe aí 10 por mês. Quer dizer, a gente chupa, né? Então, assim, mas... Existem várias pesquisas que mostram que o Brasil fica entre o primeiro e o segundo número de cirurgias plásticas, aproximadamente 300 mil cirurgias plásticas por ano. Então é um número muito grande de cirurgias.

Só que pro hospital, toda vez que você tem um problema na cirurgia plástica, uma complicação... A dor de cabeça. Morreu, teve uma lesão... É famoso. Vai pra mim. É pouco, mas aí ele... Todas as complicações de cirurgia plástica é muito raro.

que não saia em algum jornal, em alguma mídia. Se você falar assim, morreu em cirurgia plástica, você pode pesquisar que em algum jornal você vai encontrar a notícia sobre essa morte. Morreu de uma neurocirurgia, você pode procurar. Você nunca vai achar. A não ser que seja um cara muito famoso que foi fazer uma neurocirurgia e morreu. Mas mesmo assim, o tumor era grave. Isso. Agora, cirurgia plástica.

O cara não quer saber por que morreu. Não quer saber. Vira notícia. Então o hospital não gosta disso. Até então vai imacular também a imagem do hospital. Então assim, tudo é complicado para cirurgia plástica. Por isso, diante de todo esse cenário, eu não consigo acreditar em alguém que cobre barato para fazer cirurgia plástica. E também não consigo entender o paciente que fala assim, vou no mais barato.

que não é dinheiro, é saúde. É, eu ouvi uma... Agora, o cirurgião plástica falando disso aí, parece que o cirurgião plástica é o cara que só pensa, não, não é isso, é que é todo um cuidado. E não tem convênio, né? Esse é um senão muito grande também. A gente não tem convênio. O convênio não cobre. O convênio não cobre. Então, a gente tem uma coisa que é triste, mas é real, é a invasão. A gente tem invasão do ato da cirurgia plástica. Hoje, quase todas as especialidades médicas...

Acho que uma das sessões aí está a especialidade de vocês, mas quase todas querem tirar uma casquinha numa cirurgia estética. Sim.

porque não tem convênio. Ele vai cobrar aquela parte. Assim começa o otorrino a fazer cirurgia nasal, assim começa o mastologista a fazer recondução. Por quê? Porque ele quer tirar o filãozinho, que a única especialidade de hoje que é sem ainda convênio médio... Convênio total é o cirurgião plástico. Eu lembro no Rio de Janeiro uma clínica clandestina, um argumento dela para atrair as pacientes para a clínica clandestina é se você morrer, você vai morrer feliz. Você vai pagar barato e morrer feliz. Eu falei, o quê?

Não, não tem lógica nenhuma. Bom, para a gente finalizar, o que você gostaria de passar para o nosso ouvinte para desmistificar a cirurgia plástica? Não sei se a cirurgia plástica está tão mistificada assim, mas eu acho que o que nós estamos conversando aqui seria fundamental que todos entendessem.

Que cirurgia plástica é uma cirurgia como outra qualquer. A cirurgia plástica, você tem que procurar o seu cirurgião, eu acho que assim, de uma forma muito intensa, para saber quem é esse cirurgião, onde ele opera, quem já operou com ele, quem indicou ele para você.

Eu falo assim, que o paciente que indica outro paciente é ótimo. Só que assim, pode ter sido, entre aspas, que naquela paciente deu certo, mas em 350 não deu, mas naquela sua amiga deu certo. E ela vai indicar e fala bem. Então assim, outro médico indica bem outro médico. A gente tem um conhecimento entre médicos, de quem é aquele médico.

A gente muitas vezes não conhece, mas a gente pergunta para outro médico. Eu não conheço esse cirurgião plástico, mas deixa eu explicar para um amigo meu que é da classe dele, é do hospital que ele trabalha. Você conhece? Então, o médico tem uma rede de informação sobre outros colegas muito forte. Eu falo que o paciente é bom ser indicado por médico. Mas eu queria deixar uma mensagem que é assim, que a cirurgia plástica no Brasil se perdeu um pouco.

A imagem da cirurgia plástica ficou um pouquinho maculada no Brasil por vários problemas, até por meia-culpa, não meia-culpa Alexandre Piazza, mas meia-culpa nós, cirurgiões plásticas, que saímos um pouco da ciência, tinha um pouco de glamorização exagerado, que não é isso. A medicina, a cirurgia plástica é uma especialidade médica como outra qualquer.

Nós somos médicos, nós temos que se botar como médicos, nós temos que tratar os nossos pacientes como médicos. A gente não é diferente de qualquer outro tipo de medicina. A gente trata o diagnóstico, a gente trata o paciente, a gente não trata a beleza, a gente trata o paciente. Então, assim, tudo que a cirurgia plástica faz hoje e tudo que a sociedade brasileira de cirurgia plástica pensa...

Assim, o ponto fundamental é como está o nosso paciente. Porque todo mundo quer que o paciente esteja bem. E onde o paciente está bem, a sociedade e nós, e eu, Alexandre, como médico, como substituário, estou bem também. Então, assim, toda vez que eu cobro um valor, toda vez que eu opero um paciente, toda vez que eu atendo o paciente, eu penso assim, eu vou fazer o melhor para ele.

Todos os médicos de cirurgia de plástico tinham que pensar nisso. Todos, não os cirurgia de plástico, mas todos os médicos. Eu vejo muitas vezes que existem, duas coisas pioraram muito a medicina. A judicialização e a monetização da medicina. O dinheiro faz parte, o dinheiro é fundamental, ninguém vive sem dinheiro, mas ele não entra antes da medicina. Então, se você fazer uma boa medicina, você vai ter dinheiro. Agora, se você pensar no paciente como...

um caça-níquo, ou seja, você só está atrás do dinheiro dele, isso não é uma boa medicina. Isso não é uma boa medicina, Marcelo. E a cirurgia plástica, ela tem alguns profissionais que olham para um paciente mais no dinheiro dele do que no próprio paciente. Então isso, os pacientes têm que tomar muito cuidado. Eu acho que os médicos também, eu acho que se pensam assim, tem que mudar.

Eu acho que a gente é médico, é uma profissão que a gente não pode, apesar de estar formando aí 40 mil médicos por ano, aproximadamente no Brasil, a gente não pode jogar essa nossa profissão no lixo. Como infelizmente no Brasil, outras profissões tão interessantes, tão importantes, foram jogadas no lixo pelo número de profissionais que nós formamos. Me entristecerá, ou seja, no futuro, se eu ver médico trabalhando de Uber, se eu ver médico, isso me vai me deixar muito triste. Teremos, hein?

Por quê? Porque nós não cuidamos de vida para isso. Mas a gente tem a sensação que o establishment não pensa assim. O establishment pensa em tornar nós médicos, como disse um, não vou aqui refraseá-lo, mas como sal, barato em todo lugar e fácil de achar. Um já falou que se não tiver médico dirigindo Uber é porque falta médico no mercado. Isso não é bom.

Mas o que você falou muito legal aqui, eu acho que resumindo é...

O cirurgião plástico trabalha a mente e o corpo. Isso é muito importante para alinhar a autoestima e as expectativas com os resultados cirúrgicos. Isso é fundamental. Muito obrigado você que ficou até o fim do nosso podcast. Se você gostou do nosso podcast, dê seu like, inscreva-se no canal. Isso é muito importante para o nosso trabalho. Dá uma...

dá uma corridinha lá no canal do Piazzi também, Podplaza, um canal que também me inspirei em parte com o tipo de entrevista que vocês faziam, acabamos abrindo o nosso, isso era o nosso objetivo. Médicos Rendezon, ligando a medicina de ponta com você.

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