Episódios de Primeira Classe

Muro Das Lamentações

09 de maio de 202614min
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Primeira Classic desta semana relembra a partida entre Coritiba e Internacional pelo Brasileirão de 2005.

Créditos Narrações:

Sonora Luiz Zveiter - Régis Rösing/TV Globo.

Corinthians 1x1 Internacional - Campeonato Brasileiro de 2005 - Cléber Machado/TV Globo - Arnaldo Cezar Coelho/TV Globo.

Coritiba 1x0 Internacional - Campeonato Brasileiro de 2005 - Cléber Machado/TV Globo - José Roberto Wright/TV Globo - Reportagens: Rogério Tavares/RPC-PR - Reportagens: Fernando Becker/RBS-RS.

Goiás 3x2 Corinthians - Campeonato Brasileiro de 2005 - Galvão Bueno/TV Globo.

Por Amaury Ferreira

Participantes neste episódio1
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Amaury Ferreira

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Salve galera, eu sou a Mauri Ferreira e estamos começando mais um episódio do Primeira Classe. Hoje vamos voltar 21 anos no tempo e relembrar um decisivo duelo entre Alviverdes e Colorados pelo campeonato mais importante do país. Na ocasião, ninguém ficou feliz. Quer dizer, mais ou menos.

Esse aqui é o Primeira Classe e você sabe, nós falamos tudo de campeonato brasileiro. Passado, presente e futuro. Além do podcast, a gente também tem o site primeiraclasse.net.br. Tem conteúdos bem legais por lá. Vamos relembrar o encontro entre Coritiba e Internacional pelo Brasileiro de 2005. Fique de olho.

Estávamos na 42ª e derradeira rodada do Brasileirão de 2005, o último por pontos corridos com mais de 20 clubes. Foram 22 participantes naquela edição. O Curitiba estava brigando contra o rebaixamento. O Vovô se encontrava na 19ª posição com 46 pontos, sendo o primeiro time da zona da degola e era o único que ainda poderia se salvar, visto que Atlético Mineiro, Paysandu e Brasiliense já haviam caído.

Os paranaenses estavam a 2 pontos da primeira equipe fora do Z4, no caso a ponte preta com 48. Por sua vez, o Internacional brigava pelo título brasileiro. Estava na segunda posição com 78 pontos, 3 pontos a menos do líder Corinthians, que tinha 81 pontos. Mas no caso do time gaúcho, precisamos abrir um parêntese.

pois havia uma sensação de injustiça na turma de Porto Alegre. O Colorado deixou a liderança da competição por conta da anulação dos 11 jogos apitados por Edilson Pereira de Carvalho, que estava envolvido na máfia do apito, e por consequência eles foram remarcados. Com a palavra, o então presidente do STJD, Luiz Sveiter.

A balança do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, uma medida, cautelar preventiva. Defiro eliminar, anulando as 11 partidas arbitradas pelo senhor Edilson Pereira de Carvalho, na Série A do Campeonato Brasileiro de 2005, e determino sejam elas realizadas novamente.

Antes do anúncio da impugnação das partidas, o time gaúcho estava na primeira posição com 51 pontos, porém perdeu 3 pontos, pois um daqueles jogos arbitrados por Edilson era uma vitória justamente contra o Coritiba no Beira Rio por 3 a 2. Desse modo, o Inter caiu para o segundo lugar ficando com 48 pontos.

O Corinthians, que também teve pelejas anuladas, duas derrotas para São Paulo e Santos, manteve 50 pontos e assumiu a liderança. Nas repetições, o Alvinegro empatou com o Tricolor por 1x1 e venceu o Peixe por 3x2, somando mais 4 pontos. Já o Colorado derrotou novamente o Coxa, assim como todos os jogos realizados, o time paulista garantiu o primeiro lugar na tabela.

Além disso, para completar, tivemos o fatídico jogo entre Corinthians e Internacional pela 40ª rodada no Pacaembu. Se vencesse, o Inter empataria em pontos com o Timão. Os paulistas estavam na dianteira com 78 pontos contra 75 dos gaúchos. A partida terminou 1x1. Todavia, poderia ter sido diferente se Márcio Rezende de Freitas não tivesse sonegado um pênalti absurdo do goleiro Fábio Costa em Tinga e ainda ter expulsado o meia do Internacional.

Sobe Stinga e Fernandão lá dentro da área. Olha o Tinga. E o pênalti ou não? E aí, Arnaldo? Ele não vai dar o pênalti. Vai dar uma bronca no Tinga? Vai expulsar o Tinga? Pera aí. Não dá o pênalti? É o problema dele. Agora dizer que o Tinga simulou...

Um absurdo expulsar. Vamos por partes. Foi pênalti ou não? Foi pênalti. O Fábio imprudentemente deu um carrinho. Faz de conta que o Fábio seja um zagueiro. Se fosse um zagueiro, não seria a falta? Olha só o Fábio entrando lá no alto. Acerta o Tinga. Pênalti. Tudo bem. Ele errou. Ele vai... Agora é brincadeira expulsar o Tinga, né? Exato. Ele vai dar um amarelo no Tinga. Brincadeira. O time simulou.

E estava bem no jogo, por causa de um lance desse, deixa tudo a perder. Cartas postas à mesa, vamos para o jogo. No dia 4 de dezembro de 2005, seria a disputada a 42ª e última rodada do Campeonato Brasileiro.

Todos os 11 jogos seriam disputados no mesmo horário, 16 horas. Teríamos no Morumbi São Paulo e Atlético Paranaense, Tricolor se preparando para disputar o Mundial no final do ano, onde seria tricampeão.

no Alfredo Jacone, Juventude Atlético Mineiro, no Orlando Scarpelli, Figueirense e Santos, no Moisés Lucarelli, Ponte Preta e Brasiliense, no Mangueirão, Pai Sandu e Flamengo, em São Januário, Vasco e Paraná, Botafogo e Fortaleza na Ilha do Governador, Cruzeiro e São Caetano no Mineirão, Palmeiras e Fluminense no Parque Antártica, Goiás e Corinthians no Serra Dourada e o nosso jogo, Coritiba Internacional no Couto Pereira.

Para não ser rebaixado, Coxa precisava vencer e torcer por uma derrota da Ponte Preta para o Brasiliense ou por uma derrota do São Caetano para o Cruzeiro. Na situação da Macaca, era apenas o revés que interessava. Porque em caso de empate em Campinas e vitória do Vovô no Alto da Glória, ambos ficariam com 49 pontos, mas a ponte se salvaria no número de vitórias. Já no caso de derrota do Azulão, Coritiba e São Caetano se igualariam nos 49 pontos.

Teriam o mesmo número de triunfos e a decisão da queda iria para o saldo de gols. Por sua vez, para conquistar o tetracampeonato brasileiro, o Internacional precisava derrotar o Coritiba, tirar uma diferença de 4 gols de saldo e torcer para o terceiro colocado Goiás vencer o Corinthians em Goiânia.

Dessa forma, Márcio Araújo escalou o Curitiba assim. Douglas, Rodrigo Batata, Reginaldo Nascimento, Anderson e Ricardinho. Peruíbe, Capixaba, Jackson e Caio. Renaldo, depois Thiago e Alcimar, depois Humberto. Muricy Ramalho mandou o Colorado Gaúcho assim. André, Helder Granja, Bolívar, Vinícius e Jorge Wagner.

Edinho, Tinga, Ricardinho, depois Márcio Mossoró e Fernandão. Renteria, depois Gustavo e Rafael Sobs.

E o Véssio Zequieto do Mato Grosso do Sul era o árbitro do jogo, auxiliado por Paulo César Freitas e Alessio Letzo, ambos também do Mato Grosso do Sul. E a arbitragem já teve problema no início da peleja. Com um minuto e meio de jogo, Helder Granja puxou o Ricardinho na área e o pênalti foi marcado. Alcimar cobrou e anotou o primeiro gol do Coxa. Um minuto e meio de jogo!

Depois de sofrer o gol, o time gaúcho mostrou nervosismo dentro de campo e quase levou o segundo. A grande chance do Internacional foi aos 23 minutos. Renteria recebeu na área e chutou na trave de Douglas.

Como de praxe no ano de 2005, os colorados reclamaram um pênalti em Fernandão. Na ocasião, o atacante do Inter levou uma cama de gato dentro da área. E dentro dele, o árbitro, Elvésio Zequeto, não marca pênalti em Fernandão. Faz a cama de gato e é pênalti.

No segundo tempo, apesar da tensão no Couto Pereira, a partida ficou morna, à medida que o Alviverde não dependia só de si para evitar o rebaixamento e o Colorado precisava de um milagre para ser tetra. Fim de jogo. O Vovô ganhou por 1x0, mas com as vitórias da Ponte Preta por 3x1 sobre o Brasiliense e do São Caetano sobre o Cruzeiro pelo mesmo placar, o Curitiba acabou rebaixado para a Série B após 10 anos consecutivos na primeira divisão.

O time paranaense terminou na 19ª colocação com 49 pontos, 13 vitórias, 10 empates e 19 derrotas. A torcida apoiava, mas se desesperava com as vitórias do São Caetano e da Ponte Preta longe dali. Aos poucos os jogadores do Coritiba foram percebendo. A vitória não seria suficiente.

Mesmo vencendo, o Coritiba estava rebaixado. A torcida, desolada. E a gente tem que lamentar mesmo.

Mas a crueldade com os paranaenses não parou por aí. Na rodada anterior, o coxa empatou com o São Caetano no Anacleto Campanella, confronto direto. Talvez se tivesse conseguido uma vitória nessa partida, poderia ter evitado o rebaixamento. Nunca vamos saber. Inclusive, o técnico Márcio Araújo disse depois do jogo que essa igualdade com o azulão foi determinante para o descenso do vovô.

Na parte de cima da classificação, o Corinthians perdeu para o Goiás por 3x2. Entretanto, como o Inter não venceu o coxa e muito menos tirou o saldo de gols, o Timão garantiu seu quarto título brasileiro. Terminou o outro jogo. É, até que o Fiat acabou agora também isso aqui. Termina o jogo! Termina o campeonato brasileiro de 2005! Rigorosamente!

Na área esportiva, no que é, no que rege a determinação da Confederação Brasileira de Futebol. A torcida do Corinthians comemora e o Corinthians é campeão brasileiro de 2005. Comemora os jogadores, apesar da vitória do Goiás por 3 a 2. 3 para o Goiás, 2 para o Corinthians, 1 para o Feritiba, 0 para o Internacional. Comemora o quarto título brasileiro.

Isso pela determinação da entidade máxima do futebol brasileiro. Mas momentos antes da última rodada, o Inter conseguiu uma liminar na Justiça Gaúcha comum através do advogado Leandro Conrad Conflans.

impedindo que a CBF declarasse o campeão brasileiro naquele domingo, por conta da falta de resolução final dos 11 jogos apitados por Edilson Pereira de Carvalho. Se aqueles resultados fossem oficiais, o Inter seria campeão brasileiro por 1 ponto, 78 dos gaúchos contra 77 dos paulistas. Baseado nisso, os jogadores colorados fizeram até a volta olímpica no Couto Pereira e a torcida comemorou em Porto Alegre.

Os jogadores do Internacional vão ao vestiário e voltam em seguida. A confirmação da derrota do Corinthians é motivo de muita festa.

A festa que começou no campo tomou conta das ruas de Porto Alegre. Os colorados foram até a Avenida Guete comemorar. A gente é campeão. O Inter o ano inteiro lutou por esse título. E não vai ser eles que vão tirar da gente. Na chegada dos jogadores a Porto Alegre, mais festa no aeroporto Salgado Filho.

E não são apenas os torcedores que comemoram, os jogadores também se sentem campeões e fizeram a festa aqui no Beira Rio. Eles brincaram, deram a volta olímpica e agradeceram a multidão de torcedores que foi até o estádio aplaudir o time. Nós estamos de parabéns e temos que comemorar mesmo. A gente respeita muito os outros adversários, mas acho que...

A gente está se considerando campeão dentro de campo, que é onde o futebol deve existir, né? E a gente conseguiu fazer mais pontos.

Em Santa Maria, os torcedores foram às ruas para comemorar, mesmo que o campeão oficial e atual seja o Corinthians. Centenas de colorados estavam na Avenida Presidente Vargas, no centro da cidade. O trânsito ficou interrompido e os torcedores gritavam, é campeão, é campeão. Valia tudo na festa.

Porém, na classificação que foi de fato chancelada pela Confederação Brasileira de Futebol, o Corinthians foi campeão brasileiro com 81 pontos, 24 vitórias, 9 empates e 9 derrotas. O Internacional foi o vice com 78 pontos.

23 vitórias, 9 empates e 10 derrotas. A CBF ignorou o eliminar da Justiça gaúcha e declarou o Corinthians como campeão brasileiro de 2005. As batalhas na Justiça não deram resultado e a classificação com os jogos que foram remarcados foi oficial. Um episódio que é lembrado até hoje pelos colorados. O Inter ficou sem o título e o Coritiba foi rebaixado. Ninguém saiu feliz.

Bem amigos, terminou. Estamos encerrando mais uma viagem no tempo pelo Campeonato Brasileiro. Obrigado pela sua companhia. Primeira classe volta no próximo episódio. Tchau.

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