Episódio #260 - Dicas Triplas do PFC #38
Alexandre Cataldo recebe os jornalistas Tony Vendramini e Renato Félix, e cada um deles fala de um filme que merece ser mais conhecido pelo ouvinte. Renato abre falando do musical da MGM "A Roda da Fortuna" (The Band Wagon, 1953, de Vincente Minelli), filme-irmão de "Cantando na Chuva", trazendo pela primeira vez ao PFC o maravilhoso Fred Astaire. Em seguida, Alexandre traz uma das melhores comédias de Antonio De Curtis, o Totò, grandíssimo comediante italiano, dos palcos e das telas: "Totò Diabolicus" (idem, 1962, de Stefano Vanzina), filme que muito se relaciona com a onda de "fumetti neri" (quadrinhos noir) que fez muito sucesso na Itália e chegou também no Brasil, com personagens como Diabolik, Satanik e Kriminal. Para fechar, Tony traz aquela que é considerada a melhor comédia argentina, "Esperando o Rabecão" (Esperando la Carroza, 1985, de Alejandro Doria).
Capítulos
00:00:00 Introdução
00:03:45 A Roda da Fortuna
00:36:30 Totò Diabolicus
00:58:25 Esperando o Rabecão
01:18:18 Spoilers de "A Roda da Fortuna"
01:24:10 Spoilers de "Totò Diabolicus"
01:28 :23 Spoilers de "Esperando o Rabecão"
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Alexandre Cataldo
Renato Félix
Tony Vendramini
- A Roda da Fortuna (The Band Wagon)Fred Astaire · Cyd Charisse · MGM Musicals · Comparação com Cantando na Chuva · Influência em Michael Jackson · The Bandwagon (musical original)
- Esperando o Rabecão (Esperando la Carroza)Comédia Argentina · Grotesco Crioulo · Crítica à Hipocrisia Familiar · Pós-Ditadura Argentina · Luiz Brandoni · Antônio Gasalla
- Crônica "Marca Diabo"Totó · Comédia Italiana · Fumetti Neri · Paródia de Filmes Noir · Comédia dell'Arte · Sátira de Instituições
- Dicas do PFC #38Filmes não tão badalados · Três filmes de nacionalidades diferentes · Ordem cronológica · Discussão sem spoilers iniciais · Spoilers no final
- Trilhas sonoras de filmesHistória do podcast · Gêneros musicais · Livro do PFC
Você sabe o que tinha para comer? Empanadas. Três. Me partiu, Helado. Três empanadas que sobraram de ayer para dois pessoas. Deus meu, que pouco se pode fazer por a gente.
Olá amigas e amigos do podcast Filmes Clássicos, iniciamos agora nosso episódio de número 260. Esse vai ser mais um episódio de Dicas do PFC, é o Dicas Triplas número 38. Eu sou Alexandre Cataldo, falando aqui do estado de Santa Catarina e hoje eu recebo dois amigos do PFC.
Vamos ser três cariocas, um flamenguista, um botafoguense e eu, um pobre vascaíno. Curiosamente, nenhum dos três falando do Rio de Janeiro hoje. Tony Vendramini, jornalista, que está em viagem, por coincidência, está aqui em Santa Catarina também.
E o Renato Félix, também jornalista, estou cercado de jornalistas hoje, falando de João Pessoa, na Paraíba. Tudo bem com vocês, meus amigos? Tudo bem, Alexandre? Tudo bem, Renato? Pois é, estou em viagem, mas cumprindo aqui o compromisso. Estou disponível aqui para esse Dicas Tripas, sensacional.
E aí, Alexandre, Tony, é sempre um prazer estar aqui de volta. Muito obrigado mais uma vez pelo convite. E estamos aí para conversarmos sobre essas três comédias. Que, aliás, é teu ponto forte aqui com a gente, né? A comédia. Você não se afasta delas, né? Só para recapitular, o garoto, em cima da hora, inclusive, né? Recebeu o convite, acho que no dia da gravação. No dia da gravação. E desempenhou muito bem. Depois você esteve falando sobre muito barulho por nada, no Dicas Triplas.
É uma comédia shakespeariana. O Homem do Sputnik. O Homem do Sputnik também, num Dicas Triplas. Você já frequentou muito os Dicas Triplas, né? E o Jacques Tati também. Fez o episódio do Jacques Tati. Comédia pura. Então, hoje não podia ser diferente você estar num episódio banhado na comédia. É porque no Dicas Triplas, como eu não faço tanto, tem que aproveitar a oportunidade que eu tenho para emplacar um filme que eu gostaria muito de ver, né?
No podcast, então... E esse é o espírito do Dicas Triplas, né? Você, ouvinte que nos escuta sempre, já sabe como é que funciona o Dicas Triplas. Cada um de nós três vai apresentar um filme não tão badalado ou até mesmo um filme bastante desconhecido.
mas que a gente entende que vale a pena vocês conhecerem. São sempre três filmes de nacionalidades diferentes, apresentados na ordem cronológica. E no Dicas Triplas, lembrando, a gente sempre conversa sobre os filmes sem dar spoilers, numa primeira passada, e depois, só no final, a gente volta com os três filmes, para daí sim, liberar geral os spoilers, sem se preocupar.
Então se você ainda não viu algum dos filmes, fica atento àquela vinheta tradicional do Barney, pois depois dela o spoiler come solto.
E não custa reforçar que o uso de trilhas sonoras dos filmes aqui nos episódios do PFC é sempre com fins meramente ilustrativos para enriquecer o episódio sem pretender ferir ou violar nenhum direito autoral envolvido.
Bom, vamos começar então, né? Vamos começar pela ordem cronológica. O primeiro filme, anos 50. É com você mesmo, Renato Félix. Qual é o seu filme? Bom, o filme que eu escolhi é A Roda da Fortuna. O filme, um dos grandes musicais da Metro, o Goldwyn Mayer, 1953. Estrelado por Fred Astaire, Sid Cheris. Eu escolhi esse filme porque, inclusive, o podcast trata pouco esse gênero, né? A gente já... ...
Já conversou sobre isso e tal. Você já puxou a minha orelha, a nossa orelha, e tem toda a razão em fazer isso. Reconheço. A gente... Quer dizer, teve... O show deve continuar recentemente, mas esses musicais da Metro, a gente teve cantando na chuva e o Mágico de Oz lá atrás, lá no comecinho do podcast, há 10 anos. Mais ou pouco mais de 10 anos. E não, nada mais. Teve um musical de uma outra fase, né? O Nash, viu? Dá pra classificar como musical, porém não tem muito a ver com os da Metro.
É outro departamento, vamos dizer assim. Sim, sim. Então, como eu falei, como eu não tenho a oportunidade de vir em Dicas Triplas, eu tenho que aproveitar essa oportunidade e resolvi trazer esse filme do Com, o Fred Asté, que também não teve nenhum filme no podcast até agora. Eu acho que é interessante falar dele. Fundamental.
Pois é, e eu, como vocês sabem, eu já contei essa história aqui, Cantando na Chuva é um filme muito caro pra mim, filme que começou a minha cinefilia, e é o meu filme preferido até hoje. E eu acho A Roda da Fortuna uma espécie de Cantando na Chuva do teatro, assim. Ele tem muitas semelhanças com Cantando na Chuva, e também é hoje tido como um dos principais musicais da Metro do período, né?
É bem reconhecido hoje em dia. Por isso que eu resolvi trazer esse filme. A gente vai, na verdade, começar com aquele tradicional pergunta se vocês já tinham visto, se gostaram. Eu já tinha visto A Roda da Fortuna. Gostei muito quando eu vi. Na segunda vez que eu vi agora, né? Pra mim cresceu ainda mais. Eu acho um filmaço, cara. Ver o Fred Astaire em ação já é uma coisa sensacional, né? Já é fantástico. O cara que dança e faz aquilo parecer fácil.
Se eu tentasse fazer aquilo ali, meu amigo, ia ser uns três dias sem levantar. Eu não tenho aquela leveza que ele tem. É muito agradável ver o Fred Astaire dançando, o Fred Astaire em ação. Houve diversos momentos nesse filme, quando eu vejo ele dançando, me escapa um sorriso, sabe? A Cid Charris também, como você citou, é outra atriz que eu gosto muito também. Está muito bem nesse filme. Então, eu já tinha visto esse filme e já tinha gostado muito. E...
Na primeira vez que eu vi, eu nem sabia, na verdade, né? Eu ainda não tinha visto o filme. Nem sabia que ele tinha sido uma influência muito grande para um clipe do Michael Jackson, né? Que é o Smooth Criminal. Eu acho... Adoro o Michael Jackson também. Essa música eu acho fantástica. Esse clipe é maravilhoso. E eu nem sabia que a inspiração vinha desse filme, da Roda da Fortuna.
Então, cara, eu acho um filmaço, acho uma baita escolha, se a gente resolveu tratar aqui de Fred Astaire, por escolha do Renato, aprovadíssimo, porque é um filme muito bom. Eu te agradeço essa escolha, Renato, porque você tem toda razão em reclamar, vamos colocar assim, do PFC por trazer tão poucos musicais, e realmente, você chamou atenção para uma falha gravíssima da gente não ter tratado de nenhum filme com o Fred Astaire. Essa lenda, esse mito, até hoje eu acho que é considerado setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup setup
Talvez o mais importante dançarino nas telas. E é curioso, eu até traço um paralelo com o cara que está no centro do próximo filme, que vai ser a minha escolha, né? Já vou antecipar que é o Totó. Porque é um camarada que a gente vê na tela já numa fase avançada da sua carreira, depois dele ter tido toda uma carreira no teatro.
Toda uma carreira nos palcos, que deve ter sido brilhante, mas da qual a gente não consegue saber, ver mais isso, porque não tem registros. A gente fica com uma carreira, uma segunda carreira no cinema e vê que o cara, ainda assim, mesmo já mais velho, nesse filme, por exemplo, o Fred Astaire já está com 50.
5 anos aproximadamente, 54 anos. 54. Talvez já não tenha a mesma agilidade lá dos 20 anos, muito possível, mas ainda assim é fenomenal. Imagina esse cara como ela lá atrás. Claro, a gente pode ver lá na série de musicais da RKO lá dos anos 30, né? Aquela parceria famosa dele com a Ginger Rogers, mas é um cara que tem toda uma carreira pregressa.
que tá ali, então quem não conhece nada de Fred Astaire, vê esses filmes, pode até gostar, mas de repente fala, não, mas tá, mas esse é o Fred Astaire, mas esse é a ponta do iceberg, o Fred Astaire completo, você tem que buscar tudo lá desde trás, agora o filme é uma delícia, eu já tinha visto, mas lá no início da minha cinefilia, lembrava pouco, não tinha nunca voltado a ele.
Você me fez voltar a ele, adorei rever e cresceu muito, concordo com a tua comparação. O filme irmão do Cantando na Chuva, aliás, assim, essa era uma época virada ali dos anos 50, em que tinham muitos filmes de bastidores, seja do teatro, seja do cinema, seja do...
da Broadway, então você tem também o A Malvada, por exemplo, há poucos anos antes que não é musical, obviamente, mas também está ambientado nos bastidores do teatro você pode até colocar o Crepúsculo dos Deuses aí na jogada também, afinal de contas você está falando de gente do cinema envolvida ali, mas para ficar só nos musicais, a comparação com Cantando na Chuva é perfeita, é um filmaço é até daqueles filmes que você também já falou um pouquinho que talvez e até mais
não merecesse estar no Dicas Triplas. Talvez merecesse um episódio próprio, talvez merecesse estar num episódio temático de musicais da MGM, entendo isso tudo. Mas, na ausência disso, a gente traz, você trouxe aqui pro Dicas Triplas pra se falar dele, fez muito bem. Mas vamos lá, conta pra gente o que que te chama mais atenção, o que que te faz amar esse filme.
Deixa eu só acrescentar uma coisinha, Alexandre e Renato, que também cabe nessa comparação com o Cantando na Chuva, né? Assim como o Cantando na Chuva, nesse caso aqui, a maior parte das músicas do filme não é original, né? Isso. Mais uma vez, tem uma coletânea de músicas ali que agregam, que costuram a história, inúmeros, né? E que fazem toda a trama correr, funcionar ali, né?
E tem toda uma relação justamente com essa carreira dos palcos do próprio Redester, né? Como, por exemplo, o título original The Bandwagon, né? Que é o título do musical lá, eu acho que de 1931. Foi, inclusive, o último espetáculo que ele fez junto com a irmã dele. Adele. Adele, é. Que depois ela abandonou a dança pra se casar. Pra morar em Londres.
Isso. Espetáculo esse que, por sinal, rendeu dois filmes, né? Rendeu indiretamente esse, com o título original, e uma das músicas daquele espetáculo rendeu um outro filme, que é o Dancing in the Dark, que tá também, a música tá no Roda da Fortuna, né? Que é a música que o casal, vamos dizer, se declara no Central Park ali e tal, né?
É um dos grandes momentos. E como vocês citaram a idade do Fred Astaire, a semelhança aí também, né? Assim como o personagem dele no filme, o Fred Astaire ali na época já contemplava, vislumbrava ali uma aposentadoria, um pará. Então tem essa semelhança também ali entre vida real e filme, né? Ele era uma espécie de...
O pessoal brincava, né? A geração nova talvez nem saiba quem foi, o Silvio Caldas, né? Aquele cantor brasileiro que várias vezes se aposentou, aposentava e voltava e não aposentava nunca. O Fred Astaire já tinha se aposentado acho que duas vezes. É, tem várias, várias relações aí com a história do Fred Astaire mesmo, né? Porque o... O...
Primeiro vamos lá, o filme tem música de Arthur Schwartz, as canções são de Arthur Schwartz com letras de Howard D. E eles eram aquelas equipes de compositores que fizeram muita música nos anos 30 e muitos espetáculos da Brody, entre eles o Ben Duvago com o Fred Adel Aster, lá em 1931.
E aí, uma das semelhanças com Cantando na Chuva é exatamente essa, né? Quer dizer, como é que surgiu esse filme? Igual Cantando na Chuva, né? Cantando na Chuva, o Arthur Fried, que era compositor nos anos 20 com Nathan Herr Brown, chamou aquela dupla de roteiristas, Beth Condem e Adolf Green.
E disse, olha, eu quero um filme com as minhas músicas. Vocês pegam as músicas, costuram aí uma história e vão fazer um filme aí. Com essas canções que a gente já fez lá nos anos 20. E aí eles pensaram, então, numa história que tinha a ver com o cinema, que se passava lá naquela época mesmo, nos anos 20, né? E daí veio a história do Cantando na Chuva.
Filmes sobre a virada do cinema falado, que se passava ali no final dos anos 20 e tal. Dessa vez, do mesmo jeito, Arthur Fried chamou de novo depois de Cantando na Chuva, né? Cantando na Chuva é um ano antes desse filme. Chamou Bats Condem e Adolf Green de novo e disse olha, eu quero agora um filme com músicas do Arthur Schwartz e Howard Dietz. Pega as músicas deles lá e constrói uma história. Construam uma história.
E aí, dessa vez, eles pensaram em usar as próprias experiências no teatro pra fazer essa história que, em vez de agora não é mais no cinema, é na Broadway, né? No teatro. Teatro musical. E então eles usaram várias experiências que eles tiveram, eles se colocaram no filme, inclusive, né? Sim, os Martin, né? É, os Martin. Embora o Betcon, The End of Green, não fossem casados, eles eram só uma equipe de roteiristas.
Engraçado que eles acharam melhor se colocarem casados no filme porque achavam que uma parceria de homem e mulher que não fosse um casal não ia ser muito crível, muito verossímil. Então eles se transformaram... Um moralismo aí, né? Exatamente, é.
Que no filme é o Oscar Levant, que era compositor, um compositor mesmo, e a Nanette Faber, que era cantora, se não me engano, além de atriz. Exatamente, é. E aí, nessa coisa de puxar vários elementos existentes mesmo para compor a história da Roda da Fortuna...
Eles foram primeiro pegar esse nome da peça, Ben Zwogel, mas a história do filme não tem nada a ver com a história da peça. A peça, na verdade, era uma peça de esquetes, não tinha um fio condutor dramático, nem nada. Então, eles pegaram um nome só, pegaram algumas músicas daquela peça, que foi o Dance in the Dark, I Love Luisa, aquela New Sun in the Sky, que é a Cid Charisse.
faz o número mais pro final e outras músicas de outras peças da dupla lá de compositores pra construir essa história aí e aí tem várias coisas a ver com o Fred Asté como vocês estavam lembrando aí né uma delas é essa coisa da aposentadoria né o personagem do Fred Asté que é o Tony Hunter começa o filme pra baixo né assim e o filme começa de uma e aí
É interessante que o filme começa exaltando e diminuindo e ao mesmo tempo, né? Porque começa com aquela imagem da cartola. É. Primeiro com a imagem... A referência ali é o picolino, né? É. Nos créditos, uma imagem que é a referência do Fred Astaire, né? O cartola e... E a bengala. E a bengala, é.
E depois disso... E ninguém quer arrematar, nem por 5 dólares, 3 dólares, 50 centavos, alguém... Totalmente por baixo, assim, né? Então ele tá indo pra Nova York, de Los Angeles pra Nova York, porque convidado pelos Marple pra fazer uma peça no Leste, né?
Falam mal dele no trem, né? Falam mal dele no trem. Quando ele chega, tem um monte de jornalista que não é pra ele. Ele acha que é pra ele, é pra vagar. Tá querendo falar com a vagar. Ele mesmo se diminui muito, né? Ele mesmo fala mal dele no trem, quando os caras não reconhecem ele. E tem aquele número, né? Depois de toda essa coisa do trem, ele canta um número dizendo que tá sozinho, né? Tá por conta dele mesmo e tal. Quer dizer, ele tá bem pra baixo mesmo.
E achando que já era, né? Um cara que já... O tempo dele já passou e tudo. E o próprio Prajás-Té realmente já tinha, como vocês lembraram aí, se aposentado, né? Sim. Ele ficou... Teve uns riados aí na carreira dele no cinema, né? Entre 46 e 48, por exemplo, ele não fez filme nenhum. Não era empregado de estúdio nenhum também. E ele voltou...
a fazer filmes por causa da Metro porque o Gene Kelly, que ia fazer desfile de Páscoa com o Judy Garland, quebrou a perna se contundiu, não pôde fazer o filme então a Metro chamou o Fred Astaire pra substituí-lo pra substituir o Gene Kelly, só o Fred Astaire então a partir daí ele engrenou de novo uma carreira na Metro, fez mais filmes até meados dos anos 50 e até mais
Então o filme já brinca um pouco com isso aí, né? Pô, você me permite só uma comparação. É impossível não comparar com o Cantando na Chuva. Você já começou fazendo essa comparação e cabe mesmo. Mas em relação ao Cantando na Chuva, eu realmente... Minha opinião é que o plot aqui é muito mais...
fino, muito mais tênue, inexistente quase. Simples. Simples, ou até, eu diria assim, irrelevante no sentido de, não é importante. Não é como no espetáculo teatral, que eram sketches, mas é...
É um pouco mais que isso apenas. Na verdade, o que a gente tem de mais importante no filme são mesmo os números musicais principais ali, né? Como aquele primeiro grandioso no parque de diversões, né? Com o engraxate. E depois o... Vamos dizer, o que lançou a música famosa, né? O Death Entertainment, né? E depois o Dancing in the Dark. E foi feita para o filme, né?
foi feita pro filme, quer dizer, é isso que importa nesse filme, assim se alguém escreveu uma resenha negativa lá no Leatherbox dizendo, ah, não tem história a pessoa realmente tá fora do contexto, porque é o tipo de filme que não cabe essa crítica, se tem ou não tem história, isso não é relevante o filme é uma...
É um caldeirão de vários elementos, fotografia, música, atuações, roteiro e tal. Em determinado tipo de filme, esse ou aquele elemento é mais importante do que o outro. Nesse caso, se tem uma história engajante ou não, isso é o que menos importa.
Eu diria que sim, que mais do que no Cantando na Chuva, a questão da arte é mais importante desse filme. Sem dúvida. A grande questão e o grande... Porque lá no Cantando na Chuva você tem a parte do cinema e tem a parte do romance dele, do Don Locuto com a Cat Selder.
E aqui o romance é lá no fim O romance só vai acontecer lá no final É a grande história mesmo É a história da peça sendo construída Do processo de Primeiro do Vamos falar aqui da história Do grande desentendimento que existe
Porque o Tony Hunter é convidado pelos Martin para um espetáculo musical leve sobre um escritor que quer escrever livros infantis, mas é obrigado a fazer romances policiais para ganhar a vida. E aí eles têm um grande diretor para dirigir. É um cara meio Orson Welles, o cara está em três peças ao mesmo tempo na Broadway. Jeffrey Cordova.
produz duas e está atuando e produzindo uma terceira, cara é o grande cara do momento ali, e aí eles quando eu estou contando pra ele como é a história eles deixam escapar assim ele se sente como se estivesse vendendo a alma ao diabo, e aí o Jeffrey Cordoba pega isso daí e faz vamos fazer dessa história uma versão moderna de Fausto, é não, aquele é sensacional
eles param e fazem, Paulo, você não entendeu muito bem, você não entendeu muito bem, não, não, vocês falaram, ele vendeu a alma ao diabo. E aí a gente tem esse número musical, o Death's Entertainment, que é diferente das outras músicas, essa música foi composta para o filme, pelo Schwartz e o Dietz, e é um... E virou um lema, né? Não só foi uma música que fez sucesso, mas virou um lema, é um lema de toda essa indústria de musicais de Hollywood, na época.
Ela e o There's No Business Like Show Business, né? São as duas, assim. E ela tem uma... É interessante porque ela defende uma ideia... Tem duas coisas, né? Ela defende a ideia do que é o musical da época, né? Quer dizer, dizendo que tudo é entretenimento, tudo, né? Ed Poirier é entretenimento, Fausto é entretenimento, tudo é entretenimento. E você pode fazer um musical de tudo, né?
E embora talvez na época não se fizesse um musical de tudo Mas hoje se faz, você tem Hamilton Na Broadway, né? Você tem Book of Mormons Você faz um filme sobre Mormons Você faz um filme sobre os pais fundadores dos Estados Unidos Você faz um filme sobre AIDS Como é Rant, né? Um musical sobre AIDS como é Rant Então você faz um musical sobre qualquer coisa hoje em dia, né? Então essa música defende essa ideia, né? E ao mesmo tempo O filme É E até mais
Não defende isso, porque essa coisa de fazer Fausto é uma coisa que está fadada ao fracasso ali naquele momento. E ninguém acredita naquela história, só o Jeffrey Cordoba. O Tony Hunter de cara diz assim, não gente, isso aqui não é para mim, eu vou embora, muito obrigado aí. Que é aquela coisa dele se diminuir também. Eu sou só um animador, sou só um artista que entretém as pessoas, não sou para isso. E aí ele é convencido a entrar nesse barco aí.
depois eles vão atrás de uma bailarina clássica que a Gabrielle Gerard que a Cintia Rizky faz, né? E é a mesma coisa, né? Ela é uma bailarina clássica. Ela vai fazer o musical? Não, mas isso não é um musical normal. Isso é Fausto, né? Uma coisa... Alto nível cultural. É engraçada a preocupação dele sobre ela ser muito alta, né? Pra dançar com ele.
que é uma preocupação que o Fred Astaire tinha, né? Ele tinha essa preocupação, ele achava que ela era alta, né? Então, aquela coisa de se medir é uma coisa que o... a Beth Condé e o Ducbrin colocaram ali, já meio satirizando o próprio Fred Astaire, né? Então, essas pequenas coisas vão entrando ali, enriquecendo essa narrativa, né? O Vincent Minelli, que é o diretor, né?
diretor cujo visual dos filmes dele é sempre muito comentado, é muito rico, as cores dos filmes, os quadramentos, a maneira como a câmera segue os dançarinos para lá e para cá, dançando com eles também.
Tem detalhes ali que eu acho muito enriquecedores, assim, de pequenas coisas. Por exemplo, na cena da estação de trem, quando ele começa a cantar que tá sozinho, que tá não sei o quê, ele se encosta, assim, num carrinho que tem várias bagagens, assim, né? Encosta o ombro e o carregador tira o carrinho, assim, dele, assim, ele quase que... Quer dizer, nem o respeito do carregador ele tem ali, né? Sim.
Então, essas pequenas coisas que são enriquecedoras de uma história que realmente não tem. Um grande romance, por exemplo, como o Cantando na Chuva tem. Tem uma história de amor que perpassa o filme inteiro, desde o começo. E aqui não tem. Aqui você tem um desentendimento primeiro artístico do Tony Hunter e da Gabrielle Gerard. Eles são de mundos diferentes. E uma das coisas do Tony Hunter era dizer assim...
Cara, eu sou um bailarino clássico, né? Como é que eu vou dançar com essa moça, né? Não é pra mim isso também. E o Fred Acha também tinha isso, assim. O Michael Kidd, que é o coreógrafo do filme, ele conta uma história dizendo que, assim, que ele... E o Michael Kidd era um coreógrafo moderno, né? Depois fez Sete Noites pra Sete Irmãos, que tem aquele número de danças espetacular no final, né?
e ele dizia assim, era muito difícil, porque o Fred, eu tentava improvisar com ele, pra fazer coisas diferentes, e ele, não, Maicon, isso não é pra mim, eu acho que não dou pra fazer esse tipo de coisa, não sei o que, e aí ele falou assim, então eu pensei o seguinte, chegava uma hora que ele ia embora, se terminava a hora dele, e aí eu pegava, os dançarinos estavam ali, ensaiava com eles, criava com eles, improvisava.
que eu não conseguia improvisar com o Fred, improvisava, e no dia seguinte, quando o Fred chegava, eu já tinha pronto.
E dizia, Fred, vamos tentar isso aqui, mas eu já chegava com a coisa já. E aí ele pegava e ia e deu tudo certo. Mas pra você ver, né? Esse é outro elemento de realidade que tem ali dentro da história, né? Sim. E aí, quando você fala do Dance in the Dark, que é o momento em que eles talvez começam a se apaixonar, eu vejo muito a dança nesses filmes como um elemento de comunicação, sabe?
e acho isso muito interessante, então naquele número ali, que eu acho um dos melhores números de dança de casal da história do cinema, aqueles momentos, cara, ali é maravilhoso aquele momento ali, né? Dance in the Dark é o momento em que eles dançam no parque, né? Isso. Exatamente, é. Eu acho o número mais bonito do filme. Mais bonito. Eu fico hipnotizado por esse número. É fantástico. Cara, assistindo, acho maravilhoso.
E ele acontece em que momento aquilo ali? Eles estão num momento em que tá dando tudo errado, né? Tá dando tudo errado, eles brigam muito, né? E o fracasso do musical, aquela estreia, aquela estreia que o público saindo em silêncio sepulcral, né?
Os rostos que, assim, não dá nem pra definir, né? Assustados, não sei, em choque, né? Não saem de um funeral, né? Eles não estão nem reclamando, nem reclamando. Dizendo, é ruim, que peça horrível. Não, estão se comendo. Estão atônitos. Atônitos. Mas esse momento do Sender Dark é anterior. Anterior, né? É um momento, exatamente, em que eles... Eu acho que ela vai pedir desculpas a ele.
Isso, eles se desculpam. Isso, é. Eles estouram, eles estouram lá um com o outro, não sei o que, e ela vai se desculpar e aí eles começam a conversar. Ele até diz assim, coisa boba, né? A gente nunca sentou para conversar, né? Nunca sentamos para conversar. E nessa conversa eles vão dar uma volta, eles sugerem de ir a uma boate, né?
E ela, não, não, não tô de roupa pra isso, tal, aí ele pega aquela charretes lá de Nova York, que tem até um diálogo muito bom que eu quero dizer, pra onde, senhor? Ele diz, deixa o Carvalho decidir.
É, isso. E aí vão parar lá no Central Park e eles passam por uma galera que tá dançando, né? Tão dançando ali. E chegam naquele lugar onde estão só eles. E ali a dança, ali, é eles se entendendo, né? Eles passando a falar a mesma língua ali. Tanto que é uma coisa meio que resume um pouco os dois estilos. Eu não sou dançarino, nem...
nem ser de teoria da dança nem nada, mas eu leio aquilo ali como um pouco da mistura dos dois estilos, né? E ali tem muita coisa do Fred Astaire também, porque você sabe que tem aquela história que o Fred Astaire é que definiu como é que esses musicais eram filmados, né? Ele dizia assim, lá no começo, né? Busby, Berkley e aquela galera, os musicais eram meio clipeiros, assim, né? Você tinha vários planos e tal, e caleleoscópio humano, aquelas coisas tudo, e ele disse assim, olha, gente...
No meu número é assim, vocês vão filmar de corpo inteiro, com o mínimo de cortes possível, não vai cortar pras pessoas olhando assim, não, e é assim que vai ser pra mim, ou dança a câmera ou dança. E aí ficou sendo o estilo dos musicais da Metro, assim, de dança, né? Até essa época, e o dance in the dark é uma prova disso, tem dois planos, dois planos, dois planos sequência. Muito legal. Quer dizer, eles dançam mesmo, né? Não é montado na edição, eles dançam pra valer mesmo.
e depois o espetáculo que daí eles do fracasso, né, depois daquele fracasso da estreia da versão do falso, do Jeffrey Cordova, eles vão fazer... A gente nem vê, né? Porque a gente não vê, a gente só vê a reação da plateia, o fracasso, a festa a festa oficial que não tem ninguém
pelas peças do Jeffrey Cordova mostrando ali, a gente consegue imaginar o que foi tudo muito exagerado aquela cena dele apresentando a peça para os patrocinadores com a sala fechada e cada um abre a porta de um lado para ver como é que está lá e ele fazendo aquela coisa de inferno de Dante aquele desespero, aquele sofrimento aquilo não poderia divertir nenhuma plateia
Você vê que tem todos os passos, tem o passo do roteiro, tem o passo de escolher o elenco, tem o passo de conquistar os investidores. Exato. Vai indo os ensaios e reescrita e não sei o que, você vai tendo todos os passos da montagem da peça. Esse é o barato do filme mesmo. E aí esse novo espetáculo dá suporte, dá base para diversos números que vêm depois.
Eu acho que Oklahoma, alguma coisa, que é só Nanette, Fabre cantando. Tem o Girl Hunt, principalmente, que é o mais lembrado, que é esse que inspirou o clipe do Michael Jackson que o Tony tinha dito mais cedo.
Exatamente. Esse espetáculo também só sai depois que ele vai na festa. Após a estreia Apocalíptica, não tem ninguém na festa, ele sai e vê todos os outros atores, a Raia Miúda, né? Na festa alternativa. Memorando a parte, a festa alternativa e falando muito mal, né? Um partinho de hotel. Todo mundo muito frustrado com o que foi a peça, com o que foi o musical. Tem graça, tem um misto de sentimentos ali, né? Porque quando ele chega no hotel, tá uma algazarra, né?
tá toda se divertindo, vamos comprar cerveja, quer pizza, não sei o que, mas tem aquela frustração dentro deles ali, em certo momento eu baixa o astral assim, quando o Oscar levanta e faz, se tem uma coisa que eu não suporto é o fracasso. É interessante aquela cena porque na festa a orquestra começa a tocar uma música e ele vai embora, e quando ele chega no quarto ali, é a mesma música que tá tocando ali, eles tão ouvindo a mesma música.
É legal que ele se empolga então com aquele calor humano daquele grupo reunido, e pega o telefone para falar com o Córdoba, não, nós vamos continuar, resolvemos que vamos tentar, não vamos entregar os pontos, não sei o que, e a camareira que está do outro lado, não tem ninguém aqui, mas eu passo o recado. E ele está lá, ele ouve tudo, ninguém está olhando para ele, mas ele está lá na sala, no quarto.
Atrás de todo mundo. E acaba ouvindo tudo lá. E dá o braço a você. E diz. Não, Tony. Você tem que comandar a coisa mesmo. E eu vou seguir o que você comandar aí. E aí eles se transformam de novo. Voltam tudo, né?
Vamos usar o velho roteiro e vamos ensaiar aqui os números rapidamente e vamos circular para treinar a peça, que é um processo que acontece. O lema dessa virada, alguém fala, não lembro nem quem é, fala, lembra o que é diversão? É ele mesmo que diz. É ele mesmo. É só uma coisa divertida. Você lembra? Lembra o que é diversão? No telefone ele fala isso. Vai ser uma coisa muito leve e divertida. Lembra o que é diversão? Olá, Jeff.
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É bom falar um pouco da Cid Cherris Só pra gente arrematar aqui Que a Cid Cherris Era uma bailarina Que tava ali na Metro Fazendo papéis coadjuvantes E passou um tempão Ou parecia um número assim Solto dentro de um filme E foi o Cantando na Chuva Que fez a Cid Cherris uma estrela Com aquele número musical Próximo do fim do filme Broadway Melody Ballet E foi o setup setup
E o Girl Hunt Ballet é também mais uma semelhança, né? Outro grande número musical é de 10, 11, 12 minutos, né? Um curta-metragem dentro do filme, né? Que não tem relação qualquer com a história central. E é um curta-metragem, começo, meio e fim. Que, aliás, é incrível, naquele momento em que ela tira o casaco assim. Agora me fala uma coisa, você vai voltar com spoilers? Tem spoilers no Roda da Fortuna?
A gente pode só comentar o finalzinho depois? Comentar o final, tá bom. Eu queria só lembrar mais uma coisa também aqui, que eu separei, que eu acho que é interessante falar. Aquele engraxate, não sei se você sabe a história daquele engraxate do começo do filme. Não, o que eu sei é que é o único parceiro negro do Fred Astaire em toda a carreira, né? O único negro com quem ele dançou. Exatamente, é.
Esse cara, ele era realmente um engraxate. O Vincent Minelli, inclusive com Liza Minelli, garotinha, foram dar uma volta ali no centro de Los Angeles pra se inspirar pro filme. E ele viu esse cara que trabalhava dançando. Ele é o Leroy Daniels, o nome dele. Ele era humorista, tinha um grupo de comédia e tudo. E ele trabalhava com o engraxate dançando. E aí o Vincent Minelli disse, pegou o cara, criaram um número pra ele. Que barato.
E aí ele dança com o Fred Astaire ali. E fez pouca coisa de cinema depois. Mais televisão, alguma coisa assim. Mas ele voltou a ser engraxado depois do filme. Só que com fotos dele com o Fred Astaire. No filme assim. Dando cartaz para ele. No trabalho dele. Mas isso é incrível. É bom lembrar também. Que não era comum.
Na verdade, isso não acontecia, né? Você ter um negro num papel mesmo num filme desse, né? Num dos musicais, por exemplo, ou nesses grandes estudos de Hollywood, né? Assim, havia uma coisa do racismo ali. Muitas vezes, a Lena Horne, por exemplo, cantora de jazz, teve carreira na metro, reclamou disso abertamente, em que...
Os artistas negros, eles ou tinham filmes que eram com elenco negro, ou eles eram incluídos num filme como esse, num número musical, e que podia ser cortado pra quando fosse passar numa plateia segregacionista, lá, sei lá, na Geórgia e tudo, eles podiam cortar um número desse. Sem afetar a trama. Exatamente, sem afetar a trama. Então a Lena Rolins sofreu muito com isso.
grande cantora, bonita, poderia ser uma grande estrela, sem favor nenhum, né? E sempre entrava em filmes assim, entrava, cantava uma música e saía. E com o Leroy Daniels, não que ele fosse ter um papel, um filme, nem nada, mas de certa forma é um exemplo disso, né? Aquele número poderia ser cortado.
E pronto, né? O cara entra, dança ali e acabou a participação dele. Mas enfim, essa história também é interessante, né? Essa coisa dele pegar um engraxate de verdade pra botar ali e dar a ele esse destaque no filme que acaba sendo, como você falou, o único cara negro a dançar com o Fred Asterno. E fica aí, né? A tua dica. A Roda da Fortuna, Ben Wagon, 1953. Esse eu acho que é um filme fácil de encontrar em mídia física. Acredito eu, né? Ou não. Você sabe me dizer?
É, eu acho que ele saiu pela Warner, numa edição dupla que eu tenho, muito boa. Tem um make-off bem bacana. Tá. E eu não sei se ele saiu...
por outra, aquela classic line talvez, não sei, talvez tenha saído por lá também, mas eu acho que dá pra encontrar não tem streaming, infelizmente a HBO Max tá dando passada. No nosso ponto de vista, né, de amantes de filmes clássicos, antigos, a gente pode dizer que em streaming não tem praticamente nada, essa que é a grande verdade, né apesar de ter muita gente que acha que nos stream tem tudo, não, não tem quase nada do que a gente gosta de falar, pelo menos, e gosta de ver e até mais
E olha que esse é catálogo da Warner, portanto a HBO Max poderia facilmente botar no catálogo deles, mas não está lá não. Exato. Vamos seguir então? Vamos para o meu? Vamos lá. Eu vou sair dos Estados Unidos, vou, como de costume, para a Itália, para falar de um filme do Totó.
Como vai o fronte interno? Se vocifera? Se vocifera? É, outro que... Me lo imaginavo, me lo imaginavo, outro que o povo de santi e de poetas. Nós somos um povo de traditores, de vociferadores e afini. Aqui como nós somos, caro lei. Antônio Decurtes, esse comediante que é dos mais importantes do cinema italiano e diria do cinema mundial, Totó Diabólicos.
Filme de 1962. A carreira cinematográfica do Totó é um negócio absurdo. É um cara que começou no cinema já com quase 40 anos de idade. Como eu falei, ele já era um veterano dos palcos, do avanço espetáculo, do teatro de revista. Esse artista napolitano, muito ligado a essa coisa da cultura de Nápoles. E ele começa no cinema em 37, quando já estava com quase 40 anos.
E de 37 a 62, só 25 anos, esse filme já é o filme 80 dele, o 80º filme dele. O cara fez uma média de uns 3 filmes por ano a partir daí. E pra nossa sorte a gente tem todos os filmes dele, ele fez perto de 100, né?
ele ainda faria filmes até sua morte em 67, estão à disposição infelizmente pouquíssimos em mídia física, eu diria que quase nenhum até porque os filmes realmente mais conhecidos e importantes do Totó, eu diria que não são nem filmes do Totó, são filmes com o Totó fazendo participações como por exemplo, Os Eternos Desconhecidos, que é um filme que tem o Vitório Gasman que tem Mastroianni e tal e e
Totó faz um pequeno papel. Agora, os filmes que são filmes do Totó, em que ele está no centro mesmo, esse tem pouquíssimos à disposição. A gente consegue, por meios não lícitos, ou seja, download, torrents e tal, encontrar quase todos. Como é um filme que não existe no Brasil, Totó, Diabólicos, em mídia física e nada, eu deixo aqui a mensagem. Se alguém se interessar e não encontrar...
manda uma mensagem pra gente, a gente dá uma forcinha, que o objetivo aqui não é nunca lucrar com nada, é fazer o filme ser visto, porque se a gente tá escolhendo falar dele aqui é porque eu acho que vale a pena ver esse filme, conhecer esse filme. E assim, o Totó, dos 100 dele, eu devo ter visto, o que, uns 85 e eu diria que uns 20 são maravilhosos, poderia escolher outros, mas...
Esse me toca de uma maneira especial por várias razões. Primeiro porque eu acho que plasticamente, em termos de qualidade de produção, é um dos melhores dele. Por um fato de ser um daqueles filmes em que é um verdadeiro carrossel de personagens, ele vai fazer seis personagens aí nesse filme.
E também porque ele tem contido nele sátira de um monte de coisa, né? Sátira de instituições, sátira do próprio movimento da literatura djala, dos fumetti, né? Os quadrinhos, o fumetti neri, né? Os quadrinhos de crime que começaram a virar uma febre na Itália também. E dos próprios filmes noir americanos e tudo mais, né?
Mas eu vou perguntar primeiro pra você, Renato, porque o Tony eu sei que já viu e que gosta muito também, até porque a gente lá no Podcast Cinema Italiano já fez dois episódios sobre Totó no passado, em 2025, em abril, saíram dois episódios sobre toda a obra do Totó. Até fica a dica, se alguém quiser se aprofundar nessa figura.
que é gigantesca, vai muito além de uma imagem que alguns podem ter, superficial dele. Um cara que era mestre no humor em vários níveis, a questão do físico, principalmente do ritmo.
do humor, ele dizia que no humor era mais ou menos como numa sinfonia ou numa música clássica não adianta conhecer as notas você tem que saber o ritmo certo para tocar as notas, então a gente percebe isso nos diálogos o ritmo sempre, ele nos duelos, vamos dizer assim, com os parceiros recorrentes, os escadas e nesse filme a gente tem alguns desses escadas, é sempre o ritmo meio que perfeito, para realmente dar graça né
Diga lá, Renato, conhecia o Totó Diabólicos ou o Totó, já viu o que do Totó? Qual é a tua impressão?
É, o Totó é... Bem, como você disse, ele tem muita coisa, né? É uma lacuna pra mim. Eu vi algumas coisas, mas pouquíssimas. Eu tinha visto Totó e Cleópatra, Totó e as Mulheres, Eternos Conhecidos. E eu acho que tinha ficado por aí, assim. Não tinha visto esse filme. Três coisas me ocorreram quando eu tava assistindo, assim, né? Assisti sem... Sem ler nada a respeito dele, né? Peguei o filme e fui ver.
Então, a primeira coisa foi três relações que eu fiz automaticamente. A primeira foi As Oito Bítimas, né? Sim. Que filme com o Alec Guinness lá, do Britânico. Comédia da Ealing, né? 15 anos antes, né? Isso, é 49. Só que lá são oito personagens que o Alec Guinness faz, né? Exato, é.
E que engraçado, porque no começo eu dizia assim, a diferença é que lá eles eram as vítimas, né? E aqui parece que são os assassinos. E no final são vítimas também, né? Inclusive não é nem no final, lá no meio, né? No meio tem essa virada já de chave ali. Quando você acha que talvez os três tenham combinado, ou um, quem é que é o assassino ali, os três morrem e tal. Então essa é a primeira coisa que me chamou logo a atenção, assim. Essa relação com as oito vítimas. Perfeito.
A outra coisa é com o Diabolique. Como você falou, o personagem de quadrinhos italiano ali. O nome, né? Diabólico. Quando aparece aquele cara de preto ali, o assassino de preto, eu disse, ué, é Diabolique mesmo? E aí nessa, né? Será que realmente é uma referência ao Diabolique? Sim. E depois eu fui pesquisar e realmente parece que sim, né?
Tem uma história longa aí sobre essa relação. Daqui a pouco eu até gostaria de falar disso também. Pois é. Então, Diabolique teve quadrinhos publicados no Brasil, assim, também. E era um ladrão que se vestia de preto todo e tal. Isso, isso. Pelo menos de uma roupa escura, assim. Então, eu passei o filme com essa coisa, né? Será que tem a ver? Será que tem a ver? A partir do momento que o cara bota o nome Diabólicos bem grande, assim, no peito... Bem didático, é. Só pode ter a ver. Não é possível que não tenha a ver, né?
E a terceira coisa é que me lembrou demais o Marty Feldman, cara. Ah, sim. O Marty Feldman. E eu revi o Jovem Frankenstein um dia desse que eu levei num cineclube pra comentar. Lembra, né? Ele faz umas caretas em algum momento, assim, umas caras, assim. Que é totalmente... Assim, o Marty Feldman lembra o Totó, né? Então, ele veio depois, né? Mas, assim, me remeteu na hora, assim. Caramba, parece demais com o Marty Feldman. Os filmes do Mel Brooks. Então, mas eu gostei muito. Achei muito...
muito divertido também e muito engenhoso nessas mudanças todas que ele tem, né? Beu a Hata Christ, assim. Fala aí, Tony. A gente comentou esse filme no podcast Cinema Italiano. Eu não vi todos os filmes do Totó. Não cheguei nem perto de ver todos os filmes do Totó, mas eu vi muitos filmes do Totó.
E eu digo sem medo que esse daí é um dos melhores. Porque ele é de chorar, de rir. Eu acho que é o Totó de uma grande forma. Ele está em grande forma nesse filme. O Totó, como você citou, é muito físico, né? Sim. O humor dele tem muito físico. E nesse filme ele explora isso demais.
quando começa, eu diria que pode até ser um filme de terror, porque o Totó fazendo striptease no começo é uma coisa dantesca. E depois ele vestido da baronesa lá, da Laudômia, Laudômia, não é esse o nome? Laudômia. É, aquilo é muito engraçado. E depois quando ele faz o...
O irmão que é militar, que é fascista. Chipione. E que tem uma mão, e que ele perdeu um braço, né? E ele tem uma prótese, e ele ajeita aquela prótese o tempo inteiro. É muito engraçado, é muito engraçado. Todos os movimentos do Totó aí são de chorar, de rir nesse filme.
A imagem dele, a primeira morte dele, a imagem dele assim, quando a mulher encontra ele morto na mesa e ele está com a cara assim congelada, com os dentes assim para fora. É muito engraçado. Aquilo é muito engraçado. Só de olhar a gente sente vontade de rir, né? Mas quando ele capricha ali nas atuações, no físico, nas caretas, nossa, é muito engraçado. E eu queria destacar também que...
Por ter essa cultura napolitana, e a gente comentou também no podcast Cinema Italiano, da ligação do Totó com a Comédia dell'Arte, eu vejo uma ligação muito grande com esse filme, até pelos personagens, pelos irmãos. A Comédia dell'Arte tinha muito desse deboche, o Totó é um debochado, a gente conhece muito bem, ele era até muito mais agressivo do que a gente vê nos filmes, na história dele, quando a gente pega o auge do Totó.
contam, a gente não viu, não tem como ver infelizmente, mas contam que ele era muito mais agressivo do que ele aparece nos filmes, ele é muito debochado e a comédia de Larte debochava muito das figuras de autoridade e quando a gente vai ver os irmãos, você tem um militar o fascista, você tem um padre, um religioso você tem uma nobre que é a baronesa beleza?
E você tem um... Qual é o outro? Você tem aquele irmão... O filho ilegítimo que é presidiário. Você tem o médico presidiário. O médico, o médico. O doutor. Eu tinha esquecido do doutor. O médico.
Então são exatamente as figuras, as figuras de poder que a comédia del arte debochava, né? Sempre nas apresentações improvisadas. Mas lei é um paciente, impaciente. Eu vejo muito disso nesse filme, sabe? Tem um deboche muito específico com essas figuras de poder também. Sim.
Essa cena do médico é interessante, né? Porque quando ele vai falando da varonesa, do militar, é a investigação da polícia, né? Os dois policiais vão lá e fazem aquela interrogação, interrogatório e tal, não sei o quê. Mas o médico não, né? O médico, o policial diz, não, a gente sabe que ele não foi porque ele já estava de plantão, sei lá, não sei o quê. Então você tem um esquete do médico ali que não tem nada a ver com a investigação, né?
É, claramente é um esquete solto. Sim. Que é muito bom, aquele esquete todo do médico, né? O médico que é míope, perde o óculos, não enxerga, não sabe nem onde é que está o paciente. É muito engraçado e ele acaba tirando, tem uns metros sobrando de intestino do cara, ele vai tirar para dar de comida para o gato, uma coisa interessantinha. É aquele diálogo, aquele diálogo, né? Qual a sua profissão? Açougueiro, a minha também.
Esses dois policiais que fazem investigação, é bom que se diga, são dois dos grandes parceiros dele nas telas, né, Luiz de Pavese.
E o Mário Castellani, aquele mais alto, o Castellani é o cara que mais contracenou com o Totó, em quase 60 dos 100 filmes do Totó, ele tá, era um parceiro dele já no Avanço Espetáculo, nos palcos, muitos esquetes já manjadíssimos dele dos palcos, eles acabaram transplantando pra alguns filmes, né, como o do... É o do trem, não é? O do trem, né? Sim, do carro dormitório, né, do trem.
famoso, que vai no Totó Colore, uma série de coisas que ele já traz lá dos palcos para as telas. É claro que a gente vê exatamente situações como esse, que são colocadas apenas para a performance do Totó, performance histriônica, mas tem também um simulacro ali, uma falsa história noir, de suspense, de crime, aliás, de mistério, um hudunit. Nós temos um hudunit.
o filme então parodia até os Houdounit parodia a literatura de aula aí deixa eu falar sobre essa coisa do Diabolique tudo começou em 52 quando o Pierre Bolloy e o Thomas Nassejac eles escreveram o Selequin et Tapli não sei falar francês
e viraria no filme Le Diabolique, o filme do Clouseau, um grandíssimo filme, e esse filme depois foi lançado na Itália, naturalmente. Esse nome acabou inspirando um livro dentro daquela série de literatura de ala, que saiu ali por 57, e tinha um personagem dele chamado...
que era um criminoso que se auto-intitulava Diabolique. Foi a primeira existência de um personagem em Diabolique. Foi nesse livro de 57 que se chamava O Tidevano de Noite, Matavam à Noite. Era o título desse livro, de 57. Aí olha que curioso.
Em 1958 teve um crime, um assassinato em Milão ou em Torino, acho que em Torino, em Turim. Um operário da Fiat foi encontrado morto no seu apartamento e tinha um bilhete lá desafiando a polícia. O cara deixou um bilhete, o cara que matou ele.
quero ver se vocês conseguem encontrar o assassino e esse cara começou a mandar cartas pro jornal Estampaceira jornal de Torino, assinando como Diabolique, quer dizer, esse cara se inspirou nesse livro que tinha saído em 57, no ano anterior nesse personagem, é um caso real da crônica, muito bem
Então esse nome já estava circulando por ali. Em 62, em janeiro de 62, começa a ser filmado esse filme Total Diabólicos. Veja bem, janeiro de 62. O filme é lançado em abril, maio, por ali. E o que acontece no final desse ano de 62? Duas irmãs, as irmãs Giussani, Angela e Luciano Giussani, elas lançaram um fumeto, um quadrinhos neiro, fumeto e neire, que eram os quadrinhos...
com o personagem Diabolique. Então, existe até a possibilidade delas também terem se inspirado da mesma forma que o filme Totó. Não é que o filme do Totó partiu já de um fumete nele e lá de Diabolique já existia, não. Ele foi lançado depois do filme do Totó.
o personagem Diabolique, e aí vieram vários quadrinhos nessa mesma linha com diversos personagens, tinha o Satanique, Diabolique, Satanique, Criminal, tudo com K, né, não sei porque eles tinham uma fixação de botar a letra K no nome, e daí veio essa popularização desse personagem que também, por sua vez, inspirou outros filmes, tem um filme do Bavo, acho que de 68, que é Diabolique também.
Então tá tudo na mesma linha. Baseado no quadrinho? É, tem um filme do Bava que é Diabolique, eu não vou lembrar agora, tem um subtítulo aí. Tem um filme que é baseado na HQ, né? Perigo Diabolique. É esse mesmo, é o exato. No Brasil virou Perigo Diabolique, é do Mário Bava, acho que de 68. Ou seja, esse quadrinho, esse personagem rendeu.
Até se você voltar lá no início do século XX, tem outras referências lá. Esse visual dele, todo vestido de negro e tal, isso remete lá ao... Acho que é o Le Vampire, né? O personagem lá de trás. Remete talvez ao Fantomas, né? Então, é um caldeirão de referências e ele pega um pouco tudo isso para satirizar nesse filme, né?
Mais uma vez, é o tipo de filme que ninguém pode ir querendo uma trama que faça todo sentido. Tem várias incongruências, inconsistências, que se você for muito criterioso, você vai... Eles exibem um filme caseiro que o Galeazzo, o cara assassinado no início do filme, teria filmado.
mas se ele tá no filme, quem é que filmou, e quem é que faz aquele cara vestido de negro naquele filme, enfim, já fica pros spoilers até o que eu ia falar, mas tem coisas que não fazem muito sentido, mas e daí?
Esse não é o foco aí, né? O foco é a diversão, é a zoação. E, claro, assim como a gente conversou em off essa semana, você falou assim, eu falei, poxa, nós vamos falar de três comédias, né? Porque o Roda da Fortuna...
não deixa de ser uma comédia, apesar de quando a gente olha para o Roda da Fortuna a gente pensa em musical, não pensa em comédia, mas ele é comédia. Aqui também, e você até falou, não, acho que todo filme tem pelo menos dois gêneros, nenhum filme tem um gênero só. Aqui também é comédia, mas tem outras coisas envolvidas, tem muita sátira.
das instituições, Tony acabou de falar, ele satiriza aquele irmão através daquele irmão que é militar, ele não é só um cara que é militar, ele é um cara que se recusa a evoluir, ele está parado lá em 1943, ele está parado... É um anacronismo, né? É um anacronismo.
Totalmente anacrônico. Ele julga, ele avalia as pessoas, ele avalia até os policiais se ele vai contar ou não alguma coisa policial pra saber se ele fez a marcha sobre Roma. Satiriza a igreja, satiriza a nobreza. Eu ia dizer que é bom ver a reação dos que estão em volta dele, do militar lá. Os policiais e também o ajudante dele lá. Não, ele é assim mesmo. A reação com aquela coisa assim, faça saudação aí.
É engraçado quando eles chegam na casa desse irmão e tocam... Primeiro que tem a placa lá escrita, né? Villa Litoriale. E aí eles tocam a campainha e a campainha é a música fascista, né? Alarme, alarme. É a melodia da música, né? É muito engraçado.
Aquilo já dá um susto, né? Aquilo já dá um susto nos caras. E depois quando o Mário Castellani, que faz um dos policiais, está tamborilando lá num capacete, né? Tan, tan, tan, tan. Que era a vinheta da Rádio Londra, né? A rádio... E que durante a guerra trazia ali a resistência ao nazifascismo vinha através da Rádio Londra. Quem está escutando a Rádio Londra?
Pô, pra mim, dos irmãos todos, é o melhor. É o personagem mais saboroso. É o General Scipione. É, eu também acho. Acho que o cara tá comandando uma milícia ali. Não, isso aí são só uns sem teto que vem aqui pra trocar um dinheirinho. Os figurantes da Tinetitá, né? Os figurantes da Tinetitá que fazem ali a vontade dele. A relação das pessoas com aquele cara ali fascista é muito interessante.
O Totó, em seus 100 filmes, ele teve, diria que três diretores fundamentais que entenderam melhor a máscara cômica do Totó para os filmes. Um deles foi o Camilo Mastroutinque, com quem ele fez diversos filmes.
O Mário Matole, também muitos dos principais filmes foram com o Matole. E o terceiro é o Steno, sem dúvida nenhuma, que é o diretor aqui do Totó Diabólicos. Curioso que o Steno, mais para trás, ele dirigiu diversos filmes em parceria com o Mário Monicelli. Então tem vários filmes em...
em que a direção é assinada por Steno e Monicelli, a ponto de que muita gente naquela época achava que era uma pessoa, era o Steno Monicelli, e vários depois solo. Talvez o mais destacado deles como dupla, Steno e Monicelli com o Totó, é um dos meus prediletos do Totó, se não...
O predileto, que é o Guardas e Ladrões, que é de 51, que muita gente fala até que é uma comédia neorrealista, que ainda tem muito de neorrealismo, e a gente vê um Totó que sabia também ser sério.
Então é um ótimo filme, o Totó e as Mulheres, que você citou, que também é um ótimo filme. E depois, com o Steno Solo na direção, eu citaria, além do Totó Diabólicos, eu citaria o Totó Colori, que é outro desses filmes que é construído para...
para o Totó, inclusive com cenas que são completamente aleatórias, soltas, ou então para ele apresentar skets lá do teatro, como essa que a gente também comentou do vagão leito. Esse é um hoodunit, então vai ter spoilers, vou deixar para dar os spoilers lá no finalzinho. E é isso, por enquanto. Ah, só citar também uma outra cena que eu acho sensacional.
Era uma hora que é rechado de pistas faltas, falsas, de falsos suspeitos, como aquele, eu acho que é um mafioso, o cara que é preso porque ele delata e depois vai atrás dele e vai vestido de negro também. Eles prendem o cara achando que é o Diabolique, não é?
E principalmente a hora que chega o carteiro, né, cara? O carteiro, ele é torturado. O carteiro é torturado. Eles só se convencem que o carteiro é carteiro de verdade quando eles perguntam quem é o ministro das comunicações. Ele não sabe o nome. Ele fala, então ele é carteiro. Ele é carteiro mesmo. Muito bom, cara. A próxima vez eu mando entregar uma carta pelo correio. O carteiro diz. É.
Eu não venho mais entregar a carta aqui não, vou mandar pelo correio pra entregarem aqui. É isso, galera. Agora, Tony Vendramini, você vai pular agora uns 20 e poucos anos, vai mudar de continente, inclusive, voltar pras Américas, só que do sul. Isso. Eu também aqui no Dicas Triplas eu tô me especializando nos latinos, né? Quase foi mais um menino solitário iraniano, né, Alexandre?
Você já trouxe um mexicano, você já trouxe um cubano. Pois é, dessa vez eu vou trazer um argentino, Esperando Rabecão, filme do Alejandro Doria, de 1985. E antes de qualquer comentário sobre o filme, queria perguntar se vocês conheciam e se vocês gostaram. Deixa eu começar, eu não conhecia, nunca tinha ouvido falar, apesar de gostar muito do pouco que eu vi do cinema argentino. Desse mesmo ano, eu acho que é inevitável a gente citar aqui, desse mesmo ano de...
De 1985, a história oficial, um grandíssimo filme argentino, ganhador de Oscar de filme estrangeiro, se eu não estou enganado. Eu não fui relembrar essa informação, mas eu acho que sim.
Ganhou, ganhou. É, que é um filme que eu curto muito. Inclusive, ao ver quem estava no elenco, eu lembrei de um outro filme que eu vi com um ator que está no filme, que é o Luiz Brandoni, que faleceu esses dias, né? Mês passado aí, infelizmente. Eu tinha acabado de ver o Esperando o Rabecão, por sua indicação e atriz, e eu lembrei que eu tinha visto com ele o Patagônia Rebelo, de filme de 74, que eu acho um filmaz também. Já falei dele em Dicas Triplas.
Então procurem aí, mas o cinema argentino é rico, né? É rico também, passou por um momento complicado, até essa questão do período ditatorial, né? E depois ali de 83, com a reabertura, e curiosamente, ou não tão curiosamente, a gente consegue entender exatamente o sentido disso.
Quando fala em democracia, a volta da democracia, curiosamente a gente sempre vê isso entre aspas nos textos, né? Por que será, né? Você percebe esse tom irônico em vários momentos. Mas, Renato? Também não conhecia, não, e também acabei vendo sem pesquisar nada assim, fui puro pro filme.
interessante, gostei muito. Também vou dizer aqui as impressões que eu tive enquanto eu tava vendo as primeiras coisas que foram... Primeiro essa coisa da época, né? Quer dizer, ele é muito representativo dessa, realmente, dessa abertura argentina, né? O pós-ditadura ali. E é interessante identificar esses elementos ali no filme, né? Por exemplo, quando o cara diz assim, não, tem um domingo aqui de paz, harmonia e união nacional. Ele fala uma coisa desse...
Reconciliação Nacional. Reconciliação Nacional. Pois é, aí essa coisa do bairro popular argentino, ele me remeteu muito a Mafalda. Uma relação meio... Pareciam várias susanitas ali naquela família, porque eu já vi muito filme nessa vida, mas eu acho que eu nunca vi tanta hipocrisia junta.
nesse filme, e parece, como eu disse um monte de Susanitas do Kino ali, naqueles personagens assim, e também me lembrou um filme brasileiro, do qual eu não gosto, e eu me surpreendi depois, pesquisando que esse filme brasileiro realmente é uma refilmagem nesse filme
que é a Guerra dos Rochas, do Jorge Fernando com a Arifontora. Me lembrou porque a Arifontora de mulher lá, de senhorinha, né? Parece a Arifontora naquele filme Guerra dos Rochas. Quando fui ver, era a mesma... Não lembrava mais da história da Guerra dos Rochas faz muito tempo que eu vi.
refilmagem. O Arifo Autor é o que salva ali no filme também, porque ele é um ator fantástico, né? A participação dele nesse filme é o que me faz rir. Mas enfim, esperando o Rabecão, é importante situar realmente na época, né? A Argentina tinha acabado de sair de uma ditadura e é muito importante dizer que esse filme é considerado a melhor comédia da Argentina com muitas pessoas e não fez tanto sucesso no cinema, só veio a fazer sucesso realmente na televisão, depois de ser repetido muitas e muitas vezes.
E ele acabou virando um filme muito cultuado, a ponto dos argentinos terem algumas das falas na ponta da língua e usarem frequentemente. Eu comparo, até conversando com o Alexandre, eu falei, eu comparo com o que aconteceu com o Fantose na Itália. Virou um filme referência para a comédia, para o estilo de vida. E acho que tem muito a ver também com a comédia italiana, por ser um filme que o público argentino acha que vai ao cinema e se identifica tanto e ri dos próprios defeitos, ri dos próprios...
problemas, ele na verdade se sente até ri de um certo desconforto de se observar na tela, porque o filme é um retrato exatamente dessa hipocrisia da classe média argentina dos anos 80. É um filme baseado numa peça de 1962, escrita não sei se é essa pronúncia, mas acho que é Jacobo Lanzner.
Um uruguaio, né?
muito nervoso, muita gente pode estranhar, isso pode gerar um certo estranhamento, mas isso faz parte do gênero do filme, porque essa peça de teatro e, consequentemente, esse filme pertence a um gênero chamado de grotesco crioujo.
um gênero teatral argentino que mistura humor e tragédia, para retratar principalmente a vida frustrada de imigrantes, e aí principalmente dos italianos que iam para Buenos Aires. É muito caracterizado justamente por esse patetismo, pela deformação da realidade, pela pobreza que os personagens vivem, personagens que não conseguem alcançar os sonhos, são desiludidos, existe uma desintegração familiar e esses personagens escondem essas dores.
da vida real em uma máscara caricata. Então são gestos exagerados mostrando uma desumanização que é causada por um problema social, por uma crise social. Então a gente tem nesse filme personagens que pertencem a uma família, a gente tem um casal que tem dificuldades financeiras, um outro casal de classe média, uma mulher achando que tem dinheiro, que tem algum status, a gente tem um casal rico. Novo rico, né?
O Novo Rico, mas o Novo Rico ganhou dinheiro com o treta. Com o treta, com a queda da ditadura, ele fez o treta e arrumou uma grana. E a gente tem uma irmã bem pobre. E a história é a seguinte, a gente tem lá a idosa, que é a mamacora, interpretada por um homem, o Antônio Gassadja, ela já é bem idosa, ela tem os problemas da senilidade, mora com um dos filhos e com a esposa do filho.
E ela apronta um inferno na vida dessa família, porque ela se confunde, ela esquece as coisas. E aí a esposa, a nora dela... Plancitos. Plancitos. É Plancitos. Na hora de fazer a maionese lá, né? La maionessa. La maionessa, ela acha que parecem Plancitos.
e mete aquilo no forno põe açúcar na maionese põe açúcar na maionese e aí a nora dela desesperada empurra pra família do outro irmão e aí ficam ali os irmãos empurrando
a coroa para um lado e para o outro, ninguém quer ficar. E isso aí mostra, na verdade, como muitas famílias tratam os idosos. Depois de serem cuidados pelas mães, as famílias acabam não sendo muito pacientes na hora de cuidar dos idosos. Mas aí dentro dessa hipocrisia também, a gente vê casos de infidelidade conjugal dentro da própria família, falsidade, né?
A falsidade também com os vizinhos. A personagem da Elvira, eu acho sensacional, a Tina Zorilha. Ela é ótima, né? Ela é maravilhosa. Isso, fez no teatro. É a única do grupo original. É a única? Não. Não tenho certeza agora. Depois eu pego essa informação.
Mas ela é maravilhosa. As falas dela ficaram eternizadas também. Se eu faço cozido, ela faz cozido. Se eu faço ravioli, ela faz ravioli. Mas que país, né? Então esse filme tem uma...
coletânea. O papagaio cagou. É, o papagaio cagou. Esse filme tem a coletânea de frases. Tem a frase que abriu aqui o episódio das empanadas. Essa frase, ela ficou tão... Dita pelo Brandoni. Ela é tão clássica. Tão clássica, que dizem que você vai na Argentina, na hora que alguém oferece empanadas, os caras respondem. Os argentinos respondem ironicamente. Três. Três empanadas. E ele comendo uma, né?
E ele comendo uma, três empanadas para duas pessoas, três empanadas de ontem para duas pessoas, e ele comendo uma delas.
Mas é maravilhoso, cara, é maravilhoso. Que miséria, que miséria. E aí, eles têm esse tratamento lá com a mamacora, e quando eles estão decidindo quem vai ficar com a idosa, de repente ela desaparece. E aí começa um desespero, porque aí eles começam a valorizar. Por que pode ter acontecido com a mamacora? Começa uma correria, eles vão até a polícia, registram o desaparecimento.
e recebem um telefonema do IML, do necrotério, dizendo, olha, tem uma idosa aqui que se suicidou, mas não está dando para reconhecer, se jogou na frente do trem. É melhor vocês virem reconhecer aqui. E aí eles vão reconhecer o rosto realmente está muito prejudicado, desfigurado. Tem um momento anterior em que, quando eles vão lá na polícia para registrar o desaparecimento,
Eles não sabem os dados da mãe, né? Não é o nome dela. Eles não sabem o nome, não sabem nem o nome. Quantos anos ela tem? Não sei, quantos anos ela tem? Uns 78, 79. Uns 80, mais ou menos. Incrível, né? E aí quando eles vão no IML, eles reconhecem o corpo pelos sapatos.
E aí eles começam a organizar o velório, a levar o corpo, e brigam para saber onde é que vai ser o velório, né? E tudo muito gritado. E a Mamacora está viva lá na casa de uma outra amiga. Isso é até um detalhe, porque na peça de teatro, esse papel da Mamacora não aparecia tanto, tá? Isso foi mudado para o filme. No teatro não se sabia sequer que ela estava viva até o final, né? Quando chega no final do filme.
descobrem que ela estava viva. No filme não, a gente sabe desde sempre que ela está na casa de uma amiga e que os filhos estão ali organizando um funeral à toa, estão organizando um funeral para uma outra pessoa. Uma húngara. Para uma húngara. Aliás, tem outra fala sensacional desse filme, que é quando eles descobrem que é uma húngara, eles falam por que esses comunistas mortos de fome não morrem lá no país deles? Que coisa. Enfim, tem muitas falas muito boas, muito boas.
É um filme que eu acho que você tem que ver mais de uma vez, sabe? Você tem que ver uma vez, aí depois ver de novo pra absorver bem essas falas, as piadas. Ver de uma vez só, você não consegue absorver todas as piadas, todo o conteúdo engraçado do filme. E é muito vergonrásico, né?
Muito, muito. Algumas coisas me chamaram muita atenção, uma delas é... E assim, todas elas, apesar de ser essa comédia histriônica, muito gritado, é tudo muito fundamentado em realidades, né? Essa questão do tratamento dos idosos é um problema real para muitas famílias e isso, inclusive, também é base para diversos outros filmes importantíssimos, né? Da história do cinema.
Eu vou lembrar do A Cruz dos Anos, um filme americano de, eu acho que 37, que é um filme belíssimo. Isso vai estar na base do Era Uma Vez em Tóquio, filme do Ozu, maravilhoso, que a gente já fez episódio sobre eles aqui, que também...
A história toda é baseada nessa coisa do casal de idosos que vai pra cidade visitar os filhos e tem aquela rejeição, ninguém tem tempo, todo mundo com seus afazeres, amanhã você cuida deles, amanhã você vai dar uma volta com eles, que eu tenho mais o que fazer, e é isso.
E outra coisa é o seguinte, essa família completamente desfuncional, podemos dizer, acaba que os filhos, que são os três homens, claro, tem aquela outra irmã que aparece menos, aparece mais tarde, mas os três filhos praticamente não se manifestam, eles se manifestam eventualmente para defender, mas você está falando da minha mãe, né?
As disputas, os pleitos e as defesas são as mulheres que fazem. E as mulheres que torcem para a Mamacora morrer. Elas torcem para a Mamacora morrer. Eu ouvi a falar isso claramente. E corrigindo aqui a informação, o único ator original do teatro...
e que atua também no filme, é o Juan Manuel Tenuta, o que faz o Sérgio. E ele até atua junto com a filha, a Andrea Tenuta, que faz a Matilde, que é aquela adolescente espevitada que está ali também, que se chega ali perto da perua, daquela mulher que é mais cheia de frescura.
Mas enfim, tem muito desse contexto político, nessa cena da empanada, na hora que a câmera vai lá atrás do carro, tem aquele adesivo que traz um lema da batalha ali pelas Ilhas Malvinas. Na cena do funeral, tem uma hora que a Elvira recebe um buquê de flores
E tem uma faixa, né? Uma faixa que diz ali de Dora, que ela fala, ela diz assim, ah, é da Dora e da Alfonsina. Só que quando a gente vai ver ali na faixa está escrito Dora e Alfonsin. O Raul Alfonsin era o presidente da Argentina na época, né? Sim.
Tem várias coisas ali que são muito da época mesmo. Enfim, eu gosto muito desse filme. Eu acho esse filme muito engraçado. E ele é fácil de ser encontrado. Ele está no streaming. Se eu não me engano, ele está na HBO Max. Eu acho que é isso. Acho que está na HBO Max. Tá, então esse teu as pessoas acham no streaming. O Roda da Fua. Com facilidade. O Tuna acham em mídia física. E o outro acham comigo aí.
O seu, Alexandre, tem no YouTube, viu? Tem no YouTube inteiro, né? Também tem isso. Não sei se tem legenda. É, o problema é que são as legendas em português. Eu não sei. Ah, outro detalhe também que eu havia esquecido de falar, né? Como esse filme se tornou importante para os argentinos. Ele foi todo filmado ali naquele bairro, né? Praticamente ele é filmado numa casa, né?
Tem poucas imagens filmadas. Virou local de peregrinação, né? Não só local de peregrinação, virou um marco cultural em Buenos Aires. Versalhe, o bairro, né? Fica no bairro de Versalhes, isso, Versalhes. Essa casa chegou a ficar em ruínas, cara. Ela estava caindo aos pedaços.
iam demolir a casa e ela se tornou tão importante pros argentinos, né, o filme é tão querido pelos argentinos, que o governo de Buenos Aires resolveu reformar a casa toda e transformar em um marco cultural. Então virou um local de peregrinação, milhares de fãs visitam, vão ali na casa, lembram ali das filmagens, enfim, virou um marco cultural mesmo. Eu acho que uma coisa que você falou que é bem importante é que, embora existe um...
Retrato muito caricatural dos personagens Sim, bastante Exagero e tal, não sei o que Mas as relações familiares ali São muito verdadeiras Realmente as pessoas Deveriam se ver muito ali Naquilo, né? As relações de marido e mulher, de pai e filha E de irmãos com a mãe
velha que ninguém quer muito, quer jogar pra lá e pra cá, não sei o que. Eu assistindo, vi muita verdade nessas relações. Sem dúvida, sem dúvida. É o que eu falei, incomoda, né, cara? Eu vi ali que quer ter um status, uma figura de autoridade, mas que tem um tirado de vidro, né? E quando começam a pipocar os segredos, assim, dizer assim, ah, mas você você tem aquela história. Que história? Que história? Não, mas não vou dizer.
Não, diga, não vou dizer. Aí fica e não diz mesmo, né? A gente fica sem saber, inclusive...
O que é que tinha, né? Mas fica pipocando essas coisas que estão por baixo do pano ali, né? Coisas realmente que se... Uma moralidade que na verdade não se sustenta. É o que eu falei, né? É incômodo o cara ir ao cinema olhar aquilo e se reconhecer, né? Aquilo ali é um reflexo, é um espelho.
E tem que rir daquilo, e o cara ri daquilo, né? Um pouco de ri de si mesmo. É curioso esse uso de um ator para fazer o personagem da idosa. No filme brasileiro, a versão brasileira dessa história também foi assim, com a Arifontura, como você falou, né? E nesse filme é o Antônio Gazala, né? É Gazaja. Seria menos divertido se fosse uma senhora mesmo fazendo aquele papel, uma atriz idosa.
As pessoas iam ficar um pouco com pena daquele tratamento que se dá a ela. Então, botando um homem ali, meio que é mais aceitável. Então, escudo para o espectador não se envolver a esse ponto de sentir pena mesmo.
É engraçado que essa história de colocar um homem nesse papel é uma invenção do filme, né? Não era uma tradição da peça. Ou era? Não, né? Não, me parece que não. O filme Haspray é o filme do John Waters, que é um travesti que era divino, né? Uma travesti. E essa coisa se tornou uma tradição no papel, né? Quando foi pra Broadway, era um homem fazendo a mãe da protagonista em Haspray. Quando veio o filme musical, era o John Travolta fazendo a mãe, né?
Era uma tradição da história de Hatspray Mas aí Não vinha originalmente do teatro Acho que foi uma coisa que criaram para o filme Vocês até que o papel aumentou Só para fazer justiça aqui É, aumentou Só para fazer justiça aqui na versão brasileira do filme Além da Lio Fontoura Destaque também para a Nissete Bruno Que é maravilhosa também A pena que o Renato não gostou do filme Ele não deve ter gostado tanto assim Da atuação do Felipe Dilon, né Renato?
Eu nem lembrava que tinha Felipe Dilon. As minhas memórias desse filme realmente resumiam a Aurifontura e que tinha um monte de gente. E que era do Jorge Fernando também, dirigindo. Não, o Aurifontura... Isso. O Aurifontura e a N7 Bruno, que aliás a piada do Aurifontura que hoje seria canceladíssima, eu acho, nesse filme, é porque era o Jorge Fernando, né? O Jorge Fernando acho que não ligava pra isso. Mas tem uma piada do Aurifontura nesse filme brasileiro que eu acho que hoje seria cancelada. E que é uma das mais engraçadas do filme.
Qual é a piada? Na hora que a idosa começa a discutir com a Nisete Bruno, a Nisete Bruno fala que o filho dela está traindo com a cunhada, e aí a idosa fala assim, e o seu filho que é viado? Fala assim, não, meu filho, não sei o que. E a Euripo Fontoura fica repetindo o tempo inteiro, é viado, é viado, é viado.
Aquilo ali é muito engraçado, porque o Ari Fontoura falando daquele jeito dele é muito engraçado, é cômico demais. Então tá, daqui a pouco você fala do final do filme, que ele tem umas curiosidades aí, né? É, tem sim. Mas então, vamos para os spoilers? Vamos lá. Então vamos.
Ei, Fred, este podcast pode conter spoilers. Spoilers de A Roda da Fortuna, Renato. Eu acho que o spoiler que eu vou ter mais, na verdade, é no curta-metragem que é dentro do filme, né?
Que é o Geralt Hunt, que é uma história de detetive também. Mudando de certa forma, né? Mas assim, eu comentando um pouco o final, nesse espírito que a gente estava dizendo aqui, que o filme na verdade é um filme sobre a arte, né? É um filme sobre fazer teatro mais do que qualquer...
qualquer coisa, você tem um momento em que a história simplesmente suspende, né? Aquele momento em que o Tony Hunter e os outros atores e o Jeffrey Córdova resolvem mudar o espetáculo, e aí tem um momento importante, porque o filme não tem um antagonista, né? O Jeffrey Córdova não é um vilão. O cara que talvez fosse mais perto disso seria o namorado da Gabriela Gerrard, que é o coreógrafo.
fazendo só o trabalho dele, né? E aí ele, quando o espetáculo volta a ser um espetáculo leve e tal, sem aquela pretensão de ser falso, nem nada, ele diz, bom, isso aqui não é pra mim, eu tô saindo e você vem comigo, né? Ele tem uma coisa meio manipuladora com ela ali, né? Você vem comigo que isso não é pra você também.
E aí ela resolve É independente Eu que sou a artista e eu que quero fazer E aí ele vai embora e ela fica E aí abre-se o caminho para o romance Ali do Fred Astaire com a Cid Charris Que o filme não tinha Elaborado isso No trem, quando eles A partir daí que vem aquela sequência de números musicais O filme emenda ali uma sequência de números musicais E entre um e outro é que tem uma ceninha no trem E aí
Em que o Oscar Levant lá, que é Lester, né? Chega no Tony Hunter e, em um diálogo muito bom também, né? Ele acaba fazendo o Tony Hunter admitir que tá apaixonado por ela, né? E ainda tá muito assim, né? Se ela tá com o outro cara ou não tá, a coisa não avança além disso, né? Vai mesmo lá, só vai resolver lá no final, né? Mas aí tem o...
The Girl Hunt, o número musical que tem 12 minutos e que é um curta-metragem dentro do filme e que é todo em dança, uma história de detetive, baseada em livros de Mickey Splane. Um daqueles tipos de cenas de musical que é no teatro, mas que seria impossível de fazer no teatro, tem um momento em que a Citi Harris está com dois personagens ao mesmo tempo de cena.
é quando ele descobre que a loura angelical é a assassina a outra, a Femme Fatale que é a morena cabelo preto, está no mesmo cena, seria impossível de fazer isso no teatro, mas eu acho aquele número maravilhoso, muito bem visualmente espetacular musicalmente também, a dança é incrível e tem essa outra coisa com o Cantando na Chuva a Cid Cherrisse nesse momento em dois papéis o papel mais angelical e o papel mais de Femme Fatale sim
E depois disso, a resolução é rápida. Você tem ali um momentozinho de suspense, que é o Fred Asté estranhando, porque ninguém foi no camarim.
cumprimentá-lo, né? E parecer ser um sucesso, de repente, volta aquele sentimento anterior de que ah, eu não vale nada, né? Já passei mesmo assim. O pessoal não vem mais cumprimentar os atores no camarim? Parabenizar? Não, não. O valete dele disse, não, isso aí é tido já como antiquado, né? Ninguém faz mais isso, não. Mas, na verdade, era a surpresa para ele no fim, né?
E aquela cena final é interessante a Citi Chahis falar, porque ela fala em nome de todo mundo, mas fala em nome dela também, né? A gente não te conhecia, a gente te rejeitou, a gente se estranhou, nós estranhamos você e tal. E na verdade ela tá falando dela também, né? Tá se declarando pra ele, mas ao mesmo tempo tá falando em nome de todo mundo. Uma riqueza assim do diálogo que eu acho interessante ali, né?
E no fim, ele termina com aquele statement, aquela declaração de intenções do musical ali, repetindo o Death Entertainment, que é como se repetisse um bis, um bis de um espetáculo musical mesmo. Eles estão cantando para a plateia, estão de frente para a câmera.
cantando pra plateia, falando que uma coisa do tipo, espero que tenham gostado do show, né? Vamos sair com lágrimas nos olhos e tal, não sei o que. E é realmente assim, como se tivesse terminado o espetáculo e o elenco faz aquele último bis ali pra se despedir da plateia, né? E aí é o fechamento, realmente, de um filme que é, eu acho maravilhoso, assim, maravilhoso mesmo. Tanto é que ele, é... o American Film Institute fez uma eleição dos...
Aquelas eleições que eles faziam, né? Aquelas enquetes que faziam entre os maiores filmes americanos de todos os tempos. E ele tá ali no décimo lugar, décimo segundo lugar com o melhor musical. Que é um lugar, talvez até baixo, mas eu acho que é justo que ele esteja ali entre os melhores.
Perfeito. E que sequência, né? Da MGM, né? Tinha tido o Americano em Paris, né? Em 51, Cantando na Chuva em 52, 53. Sete irmãos. Uma década fantástica.
Engraçado que todos eles, assim, Um Dia em Nova Iorque, 49, Sinfonia de Paris, 51, Cantando na Chua, 52, Erralda da Funda, 53, tem esses momentos de um grande número de 10 minutos no fim, né, assim, que viram um curta metade dentro do filme, né? Todos eles seguem esse modelo, assim. Sim.
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Vamos seguir então. Agora os spoilers do Houdunit. Esse tem spoilers se você for levar a sério a trama e estiver interessado na trama que é o Total Diabólicos e assim esse personagem, as histórias do Diabolique, tudo sempre envolve essa coisa da...
da troca de identidade, matar alguém não é só matar alguém, é você assumir a identidade da pessoa, a troca de identidade, uma coisa desse tipo. E nesse filme a gente descobre que isso desde o início já havia essa troca, o suposto assassinado no início do filme, o Galeasso, na verdade, ele não foi assassinado, foi um outro irmão, o Monsenhor, que foi assassinado pelo Galeasso, ele é o culpado, ele é o grande vilão do filme.
O cara que a gente julgava ter sido, entendeu no início ter sido a vítima, ele era o vilão, né? E ele troca a identidade com o irmão que é padre. E tem toda uma reviravolta. No final...
quem acaba se dando bem vai ser aquele irmão que era um filho ilegítimo, que estava preso, que é o Pasquale Bonacore, né? E Boncore, bom coração, né? Seria a tradução literal do sobrenome dele. Pobre diabo que acaba...
herdando tudo, porque ele sobrevive graças a um policial que se sacrifica, né? Porque o policial é morto pelo Galhaz achando que é ele, né? Que é o Pasquale que tá ali. E... então, essa vai ser a resolução, mas o que fica daí é que esse filme, surpreendentemente, foi classificado pela censura para todos, apesar de todo esse humor negro, né? Das mortes.
Três irmãos são mortos no mesmo ambiente, que eles são convidados por cartas anônimas, que é a Lautômia, o Carlo, que é o cirurgião, e o Chipione, o militar, fascista, e todos os três são mortos naquela noite. Aquele momento é interessante demais.
Você chega ali achando que um dos três é o... Talvez os três, né? Talvez os três, né? Que, na verdade, os três vão ser mais três vítimas, né? Quando tem aquela reviravolta, eu achei que estava perto do final do filme. Eu disse, está perto do fim do filme. Quando foi ver, estava na metade ainda. Nossa, não tem tanto acontecer assim.
Aproveito para citar mais uma cena que eu acho fantástica, que é a cena do notaio, do cartorário, o notaio cocote. Me diga a verdade, me guarde nos olhos, de homem a homem. O que é? Lei, digo lei, primeira pessoa, é próprio notaio, não? Como não? Sou notaio. Abusivo. Mas que é abusivo? É notaio. Sou notaio!
Com a laurea? Com a laurea. Que? Laurea. Adesso se dizia laurea? Não, não, se é sempre detto assim. Se é sempre detto assim. Se é sempre detto assim. Não, laurea. E tem um ofício, não? Um ofício, um antico. Do meu bisnão. De pai em filho, só se é meu. Se informa, se informa. Però, cliente... Fala, muito. Se informa um pouco. Quem é o notário Cococça?
E também lembrar que o nosso diretor, o Steno, que eu falei o apelido, o nome artístico dele, mas não falei o nome, para quem não conhece, é o Stefano Vanzina, ele aparece no filme, ele faz uma ponta como o jardineiro Ângelo, eu acho que em dois momentos aparece o jardineiro, que é um cara bem tosco mesmo, e é bastante caracterizado, porque você vê as fotos do Steno, na vida real é bem diferente.
está bem maquiado ali, para aquela aparição, mas fica aí a dica de conheçam mais filmes do Totó, porque é diversão tecnicamente o encontro entre os irmãos é muito bom, bem feito sim, é bem feito, exato esqueci de falar isso quando eles estão no mesmo plano, é bem bom sim, tecnicamente foi bem feito mesmo
Tony Vendramini, agora eu quero saber todos os spoilers de Esperando o Rabecão. Eu vou dar um spoiler duplo, porque eu citei a versão brasileira também, e eu não podia falar o motivo dessa piada do Olifontura, porque ela seria um spoiler para o final. Ele faz essa provocação com a amiga, dizendo que o filho era homossexual, e ele fala de um jeito grosseiro, é viado, é viado, é viado. O que deixa a amiga muito irritada.
Porque no final, a idosa do filme, que tem outro nome na versão brasileira, não lembro agora qual é, acho que é Dina, a idosa e a amiga, Anissete Bruno, vão pra um cruzeiro, e aí no cruzeiro tem um show, e quando vão ver, o artista que tá fazendo um show é uma drag queen, que é o filho da Anissete Bruno, e a Anissete Bruno abraça o filho, né, e é o Jorge Fernando que faz. Então tem essa cena também, né, a mãe aceitando o filho homossexual ali no final. Mas o spoiler do Esperando Rabecão é o seguinte, a mamacora...
aparece, o velório é cancelado, aparece lá um parente da tal da húngara para levar, dizem que ia levar o corpo, dizem que até uma amiga, um amigo, uma amiga da Mamacora, e aí vai todo mundo para o cemitério, corre para o...
para o enterro já de uma outra pessoa, no final das contas, quando a Mamacora reaparece até aquele familiar que aparece em um determinado momento com uma frase que também ficou muito marcada, que falam para ele, ah, é a mãe do Sérgio, a Mamacora é a mãe do Sérgio, um dos filhos chama Sérgio. Aí ligam para um parente e falam assim, ah, é a mãe do Sérgio. É, o Felipe. E aí o Felipe pergunta para a mãe,
Mãe, você conhece algum Sérgio? A mãe responde, quem não conhece um Sérgio? Então, isso acabou virando outra fala muito marcada para os argentinos. Essa fala é sensacional. Aí até esse cara está no velório, ele fala assim, ele é um beberrão, um bêbado. Ele fala assim, eu não bebo nunca mais e tudo mais.
E aí quando termina, vão todos os familiares, é até curioso, eu não comentei isso, mas é até curioso como durante o filme os familiares aparecem sempre juntos na câmera, né? A câmera enquadra o maior número de pessoas possível ali durante o filme, isso é muito curioso. E aí no final todos os familiares estão juntos e eles estão caminhando e eles cantam uma canção infantil que se chama Mi Vaca Leiteira.
E essa é uma canção de 1946 espanhola, ela foi composta por Fernando Garcia Morsillo e Jacobo Morsillo, e ela se tornou o tema mais popular do ano na Espanha em 1946. Então é uma canção muito conhecida, que os avós cantavam para os netos, os pais cantavam para os filhos. Eu até perguntei para o meu sogro, porque o meu sogro é espanhol.
Perguntei para ele, na verdade fiz o meu filho perguntar, pergunta para o vovô se ele conhece a música da Vaca Leteira. E o meu sogro começou a cantar a música da Vaca Leteira, a música do final. Então é uma música muito conhecida, muito famosa, e que remete ao carinho dos avós com os netos, dos pais com os filhos.
São vários idosos ali no fim, né? Isso, e aí no fim está ali, dedicado a nuestros viejos, aos nossos velhos. É uma lembrança carinhosa de como os idosos foram importantes ao longo da nossa vida e são ainda muito importantes e que chega a nossa vez de cuidar deles. Eles cuidaram da gente quando éramos pequenos. Então, chega a nossa vez de cuidar deles e esse carinho deve permanecer, esse amor deve ser sempre reavivado. É um final bem bonito, eu acho.
Ah, e essa música, só acrescentando essa música, Me Vaca Leiteira, ela foi composta porque, como eu falei, em 1946 é uma época na Espanha de escassez de comida, fim da guerra, é conhecido como os anos da fome. Então, nesses anos da fome, ter uma vaca leiteira é um sonho, é um sonho, e ali no filme a gente está tratando de miséria.
E antes desse momento tem a final dos membros da família ali, que quando a Mamacora vai seguir esse velório aí da Úngara, né? A família tá lá toda junta na casa e a Suzana tem aquele ataque de riso nela. A Silvana começa a rir lá e tal. Ela começa a rir, rir, rir, rir. E no final você tá rindo de quê? Ela diz, tô rindo de... Aí fica a série de estou rindo de nós mesmos. Que é aquilo que você falou, né? É.
o filme praticamente se justifica se justifica, estou rindo de nós mesmos o que é curioso é que muito provavelmente não vai mudar nada no final daquele dia, daquele domingo daquele domingo agradável o almoço de domingo ela vai voltar lá pra casa da Silvana pois é
Quem é que vai ficar com a vó? Depois daquele susto, se ela tinha morrido ou não, tudo vai ficar meio perdoado, até a próxima vez que ela botar açúcar na maionese, alguma coisa assim, e ela explodir, né? Só uma última informaçãozinha aí, que é o fato de que esse filme tem uma continuação, né?
Teve uma sequência aí. Tem uma continuação. Sei lá, 2012, não sei, 2020. Eu não assisti, mas eu li que ela não é tão boa quanto a primeira. Não fez sucesso, pelo menos. Não fez sucesso. Está lá, esperando a carroça doce. Não tenha cara de majonésia. Se seguir a lógica desses caras que inventam títulos, deve se chamar Ainda Esperando o Rabecão.
Reunião de elenco Essas continuações que são Reunião de elenco agora Não vamos estar mal juntos, não é? De que eu te rei? De você
de todos nós, meu rio. Senhor, está entregue mais um Dicas Triplas. Muito obrigado pela participação de vocês. Renato, valeu mais uma. Que é isso, eu que agradeço. Estamos aqui sempre apostos. Até no mesmo dia pode chamar que eu... Tony.
obrigado, obrigado, especialmente pelo teu esforço de gravar fora da sede é tudo mais complicado eu sei, mas tá aí, tá entregue um prazer fazer com o Tony, viu essa primeira vez que a gente faz junto aqui a gente vê se tem conversado lá no Creds
Prazer é meu, pô, e obrigado Eu que agradeço aí pelo convite E missão dada é missão cumprida, né meu amigo Tive que trazer aqui o microfone Não é muita coisa, só trouxe o microfone Demais aqui A gente arrumou um cantinho e fez E rolou, foi ótimo, foi maravilhoso Valeu pessoal, até a próxima Um abraço, hein Valeu, abraço
Música
Tchau, tchau.