Cosmeticorexia: skincare infantil e a responsabilidade do varejo [varejocast] tendências #663
Uma nova tendência está preocupando famílias, marcas e especialistas.
Cada vez mais crianças estão usando produtos de skincare, consumindo conteúdos de beleza e buscando uma aparência perfeita antes mesmo da adolescência.
Esse comportamento já tem nome: Cosmeticorexia.
Neste episódio do Tendências & Pendências, Caio Camargo e Fred Alecrim discutem como esse fenômeno surgiu, os impactos na autoestima das novas gerações e qual é o papel do varejo diante dessa realidade.
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Edição e thumbnail: Yanes Maciel http://linktr.ee/yanesppg
Redação: Marília Melo
Caio Camargo
Fred Alecrim
- Autocobrança infantilConsumo de skincare por crianças · Impacto na autoestima · Produção de conteúdo por crianças · Drunk Elephant
- Responsabilidade e IndenizaçãoÉtica no marketing · Marketing para crianças · Regulamentação de redes sociais · Sephora · Benefit
- Vício em Redes SociaisTerceirização dos filhos para telas · Influenciadores digitais · Geração do cansaço
- O propósito por trás dos negóciosCapitalismo Consciente · Venda de cigarros em farmácias · CVS
Você está no Varejo Cast.
Este episódio do Varejo Cast é patrocinado por Alter Vision.
One Beat.
Olá, amigos do varejo, tudo bem? Você já sabe? Ah, você não sabe? Agora é novidade, ó. Toda quarta-feira é o seu novo dia de escutar o Varejo Cast. A partir de agora, nossas tendências e pendências para você, toda semana trazendo o tema para você. O Caio Camargo hoje diretamente de Santo André. Praia da Alegria tá por onde, meu amigo?
Eu tô diretamente de um dos melhores lugares do mundo, a minha casa, Caio Camargo.
Muito bem, muito bem. Você tá onde a gente tira férias, né, cara?
Como você disse, você sabe, cara, eu tava, eu tava fazendo TEDx de Pipa agora, e aí tem um dado importante, interessante, que é Pipa é o lugar no Brasil que tem mais nômades digitais, ou seja, tem gente vindo passar férias e trabalhar aqui.
Faz sentido, faz sentido, faz sentido. Desde o caminho de não badigitar e tudo mais. Para a gente começar, antes de começar nosso episódio, episódio sério essa semana, viu, pessoal? Mas assim, não que os outros não sejam, mas um tema aí para—
não que os outros sejam de humor, né?
A família em casa, o que tá acontecendo. Aliás, depois, antes da gente entrar no tema, eu fui conversar com alguns amigos sobre isso. O pessoal falou que tem pessoas que conhece que já estão sofrendo disso aqui, que a gente vai tratar aqui no episódio hoje. Mas antes disso, já temos aqui recados paroquiais nessa semana?
Temos recados, temos vários recados, Caio. O episódio que você fez com a turma querida da Alter Vision fez muito sucesso, cara. Muitos comentários sobre ele.
Vem, Alter Vision, tá vendo você que não anunciou ainda no VarejoCast? Entra aqui, ó. Lá no final tem nosso endereço comercial para você fazer parte do VarejoCast e ter entrevistas com vocês também.
A Mariana Budelão falou muito bom. O Eduardo Davi falou ótimo episódio. Leonardo Custer falou bom demais. Lucas Signor Ferrari. Gostei aqui, Signor Ferrari. Olha aí, velho.
Senhor Ferrari, puxa vida.
Gostei muito. Tainá Inácio: baita episódio, o conteúdo foi muito bem conduzido. Olha aí, cara, parabéns.
Bom, bom para nós, né, cara?
Nós, nós. Ricardo da Luz Silva: top. Douglas Souza Flores: ótimo episódio. Júlio Milani de Lucena: show de bola. Karina Bernardo: ótimos insights, principalmente a importância de uma cultura data-driven. Para evolução dos negócios. Kellen Peglow: obrigado, Caio, Alter Vídeo, pelo convite. Foi muito bom estar com vocês discutindo, aprendendo, evoluindo sempre em cada troca.
Um grande Kellen, cara, foi ótimo.
Pedro Guimarães: bate-papo muito rico como sempre. Parabéns aos envolvidos. Pedro Guimarães. E finalizando, o nosso querido, nosso board member, Ale Valdívia: o varejo vencedor é o que melhor entende o comportamento do cliente. Nunca foi tão fácil mapear e entender esse comportamento dentro e fora das lojas. Obrigado pelos insights sempre valiosos. Eu gostaria inclusive de dizer, Caio, que esse foi o episódio com mais comentários até agora, meu. E olha, bota aí palminhas, faz barulho aí, gente.
A gente tá ficando mais rarefeito, o pessoal tá ficando com saudade. A gente tá comentando para a gente não parar de fazer episódio, tá vendo? Aliás, é o seguinte, se não tiver, vamos fazer igual YouTube lá, se não tiver 100 comentários a gente não vai gravar o próximo. Vamos começar a fazer assim com vocês.
É o que todo mundo tá falando aí, né, de IGTV, Casé TV, aí todo mundo assim, olha, quero 1 milhão de likes, 1 milhão de likes.
Se não tiver, a gente não vai gravar o próximo. É assim que funciona, só grava depois de 100 comentários. Se vira aí, galera. Você que é nosso varejo cast de carteirinha tem que comentar, hein? Tem que comentar isso aí.
Eu tava semana passada em Salvador fazendo abertura lá daquele projeto bacana Nativos Digitais lá com a Poliana. E aí quem foi assistir o workshop o dia todo foi a querida Elizabeth, a Lisa, o Bet, E aí ela veio falar, ela sentou na primeira fila, cara, e a primeira coisa que ela falou, ela disse: eu ouço o Varejo Cast todas as semanas. E aí ela trouxe uma nova categoria: quem ouve o Varejo Cast. Ela disse: eu falei, você ouve quando? Quando estou lavando os pratos.
Nós temos várias pessoas que já reportaram a lavagem de pratos como momento adequado para escuta do consumo do material do Varejo Cast, tá vendo? Já não é a primeira não, essa não é a primeira não. Se eu falar que é a primeira, o resto do pessoal vai brigar comigo, Freire.
E aí ela falou, olha, eu adoro quando começa lá: Olá, amigos do VarejoCast! Então, Beth, um beijo, obrigado aí pelo carinho, pela audiência, e quero ver comentários seus aqui, hein, Beth? Valeu!
É isso aí, é isso aí. Tema dessa semana é um tema importante, tá? Porque eu escutei a partir de uma matéria lá da BBC em Londres, mas é uma coisa que até por uma questão do digital, que o digital ele deixa todo mundo no mesmo momento, né, vivendo o mesmo momento, as ondas, os hypes, as novidades chegam para todo mundo na mesma intensidade no mundo inteiro. A gente tá começando a falar do que eles chamam de cosmeticorexia, cara, né?
Embora seja uma pauta de saúde, aqui vai ter tudo a ver com a gente, porque aí é um comportamento de consumo. E aí a ideia aqui não é quanto o varejo aproveita isso, mas os cuidados que a gente tem que ter até dentro de casa com o tema, certo, meu amigo?
Certo. E você traz esse tema que eu acho super relevante, eu não tinha ouvido falar, Caio, e eu tô, tava vendo aqui no material que você trouxe, né, compilou para a gente fazer o episódio. Essa matéria é super importante de, para mim, de uma das TVs que mais fazem matérias interessantes, principalmente essas que provocam reflexão, que é a BBC de Londres, né, Caio?
Exato.
Então vamos lá, meu amigo, o que é cosmeticorexia?
O que é cosmeticorexia? Tema difícil, a palavra complexa para a gente tá falando, mas vamos lá. Se trata desse efeito de das pessoas cada vez mais novas estarem viciadas em maquiagem, cara. E a gente tá falando aqui, é, né, que tá mostrando meninas muito jovens consumindo skincare, gravando rotina, usando produto sofisticado, em alguns casos se relacionando com a própria imagem a partir da ideia de correção. Então pessoas estão em formação, pele boa, e achando que a pele tá ruim.
A matéria tá falando que as pessoas estão, crianças de 8 anos de idade, produzindo conteúdo de skincare, cara, né? E isso, e alguns inclusive de um lado olhando isso como oportunidade, porque a menina fica famosa num TikTok da vida, isso rende dinheiro para família, né? A gente tá nesse hype, as crianças estão atentas ali a essa observação de estar sempre olhando as referências da internet e se inspirando nelas, né? Tanto que o próprio Reino Unido, acho que o Reino Unido e Austrália agora chegou com a lei que é a partir dos 16 anos só que pode usar redes sociais, né?
Então a gente tá vivendo esse contexto, né, que realmente pega as famílias, né? E a gente vai entrar um pouco aqui nesse tema, explicar para vocês um pouco o que que a gente tá vendo sobre isso daqui, né? E aí fica a reflexão para ver se você não tá vendo na tua família lá ao redor também alguma coisa nesse sentido, certo, meu amigo?
Certíssimo, Caio. E uma das coisas que o material traz é exatamente assim: se a gente vê uma pessoa tão jovem tratar a própria pele como um problema, então pode ser, né, Caio, que o problema não esteja na pele. E aí eu tava refletindo enquanto você falava, meu amigo, e eu acho que essa matéria é muito interessante. Será que a gente tá vivendo uma era do— seria a Addict Generation, é uma geração viciada uma geração que precisa de vícios, porque a gente já vem falando aqui muito de bets, a gente tá vendo aí toda a polêmica aí durante a Copa do Mundo de como é uma das geradoras.
Eu tô achando um absurdo algumas coisas da Copa, mas isso vira um outro tema.
Exatamente. Mas você vê, né? E a gente tá falando muito disso, né? Então essa questão dos vícios, e esse é mais um deles, né? E assim, é mais impactante porque envolve jovens, crianças, né, Caio?
Cara, neste caso específico Isso é só minha opinião, até porque não sou, não sou da área da saúde para opinar com profundidade sobre isso, mas eu vejo que aqui é uma questão de exemplos na sociedade, né? Uma falta de cultura de um lar forte, né, de família tal, a pessoa vai buscar exemplos na internet, cara. E os exemplos da internet estão nas pessoas ganhando dinheiro fácil, né, trabalhando pouco, né? Aqueles exemplos, aqueles espelhos, ou seja, onde a pessoa, uma criança, não encontra o espelho dentro de casa, não encontra um parente que seja um espelho adequado, ele vai buscar o espelho um canal digital, né?
Infelizmente, né, os influenciadores ali estão hypados pela beleza. Tem aí, tem outros temas também que estão, mas no caso específico da beleza, realmente você tem, né? Todo mundo quer ser famoso, né? Todo mundo quer seus 15 segundos de fama, né? Todo mundo quer fazer um pouco de barulho na vida. Mas as pessoas acabam, as crianças, até por usarem as redes sociais, né, por entretenimento, acabam entrando nessa para criar conteúdo.
E aí o que a gente falou, até por uma situação de algumas famílias, né, O que é um prazer, uma brincadeira, vira fonte de renda. Isso começa a ter uma profundidade complexa, né, das pessoas cada vez mais viciadas nisso, né. O fato é que a gente tá usando o que aqui é uma obsessão precoce e pouco saudável, né, da pele perfeita. Porque não é só gostar de maquiagem, de skincare, né, cara. É o excesso, ansiedade, uso de produtos inadequados para idade, cara, que pode inclusive causar danos severos, cara, no futuro, né.
A gente sempre viu na na televisão, na mídia, as pessoas que exageram na plástica, exageram nas correções, exageram no Botox, né? Só que são pessoas adultas, cada um tem o direito de errar a vida depois de adulto. Mas a gente tá falando que crianças estão errando severamente, né, meu amigo?
É, Caio, isso se remete a um artigo que eu escrevi recentemente. Eu aprendi com meu amigo Kiko Kislansky, que escreveu Pare de Vender Assim Comigo, a expressão ter humano, né? Que é a questão que nós não somos mais seres humanos. Nós somos seres humanos, fazeres humanos, mas que a gente deveria ser ser humano. E esse foi o tema, né, do meu recente TEDx lá em Pipa. E o que você traz aqui é exatamente isso, porque vem de uma, vem de uma sensação de uma necessidade básica humana, que é reconhecimento, pertencimento, ser aceita, a questão de admiração, porém levando para um extremo, né, Caio?
Que para pertencer a pessoa precisa ter aquela maquiagem, ela precisa aparecer, ou seja, vira aparecer humano, ter humano, fazer humano. E o ser humano vai, vai ficando escondido ali dentro, vai ficando machucado ali dentro. Então essa questão de que além de você ter um vício com o cosmético para coisas que você não precisa, você também tem um vício na tela, né? E você falou uma coisa que eu achei fantástico, meu A questão do espelho, porque o espelho passa a ser também um meio para essa pessoa se ver e se projetar, mas não aquele espelho que deveria ser o espelho, né, que é o que você falou muito bem, o espelho dentro de casa, os espelhos, né, cara.
Imita o comportamento de alguém. Uma criança vai imitar pai e mãe no comportamento, na fala, né, e vai seguir exemplo. A gente fala até da periferia tal, né, no morro. A criança às vezes não tem uma cultura forte dentro de casa, ela vai pegar o exemplo exatamente do cara lá, traficante, alguma coisa, porque o espelho de sucesso, que o cara não tem outro espelho de vida, né? Então ele vai seguir aquele espelho, infelizmente. E lembrando, pessoal, isso é só minha opinião, tá?
Isso aqui é só minha opinião, não sou o cara técnico da área para estar falando. Mas o fato é que a gente vê esses espelhos acontecendo. Isso começa exatamente, você falou, né? A gente até trouxe esse tema do arrume-se comigo, lembra? A gente falou isso aqui no episódio podcast. Começa ali, cara.
Eu tava lembrando aqui na hora essa questão de você falando das referências, do do espelho. Se você, você deve ter notado isso várias vezes, né? Você viaja bastante também. Quando a gente vai em restaurantes aí nessas cidades, né, espalhadas pelo Brasil, que a gente vê os pais terceirizando o filho para o iPad, para o iPhone, para os games, né? Os games na mão. Ou seja, desde pequeno eles já estão sendo acostumados a uma outra tela, um outro espelho, né?
Que é aquele espelho onde ela se vê e aí começa a enxergar coisas que na verdade muitas vezes podem não existir. E aí essa nova forma de educar, porque os pais estão naquela pressão do fazer, tem que ser bem-sucedido, tem que estar trabalhando toda hora, porque mostrar que está cansado é que é o troféu, essa coisa do hard work, toda essa geração do cansaço, como fala o Byung-Chul Han, que a gente vem falando também várias vezes aqui.
Ou seja, é muito raro hoje, e você faz isso muito bem, meu amigo. Te conheço há bastante tempo, mas você é um dos caras que eu vejo que passa muito tempo com a tua família, com teus filhos, jogando, né, jogos de tabuleiro, jogo bastante guitarra também, né.
A gente tem, ainda tem bastante, não tem mais tela do que a gente quer aqui em casa, isso é um fato, tá, assim como todos os lares.
Mas eu sempre vejo essa sua intenção e essa sua vontade de reunir a galera que não seja numa tela, né. Só que a gente não vê muito isso por aí, né, cara? Por exemplo, eu tava no hotel recentemente, cara, tava passando um jogo, e no jogo tava um monte de gente, né, 100% homens, com o celular na mão assistindo o jogo e vendo as apostas que eles fizeram, né, ali em tempo real, as odds, eu não sei o quê.
Odds geram ódio, na minha opinião.
A startup israelense OneBit Possui uma tecnologia de gestão de estoques que alia Big Data e Inteligência Artificial para garantir um estoque mais enxuto e oferecer uma redução de até 70% nas rupturas de vendas. Isso é possível porque o seu sistema de otimização de supply chain possui algoritmos que monitoram o comportamento do consumidor nas lojas e no e-commerce. E realiza predições sobre quantos e quais itens devem ser entregues em quais lojas.
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E a gente tá, infelizmente, até por essa terceirização, a gente tá expondo crianças e adolescentes para um cenário que não é correto, né? Porque a gente sabe que a beleza vendeu aspiração para mulher adulta, fato, sempre foi o caminho da beleza. Depois começou a vender prevenção para mulher mais jovem, né? E agora tá vendendo correção para meninas, cara. Né? Então aí, isso, isso que é o grande problema. E a gente até viu, tem empresas sérias fazendo coisas interessantes, embora faliu como grupo, né, corporativo.
A Estrela, lembra? A gente até teve visitando, tinha Estrela Beauty com maquiagem, lembra? O esmalte, né, era à base de água para não ter nenhuma química para criança. Então tem marcas, Natura, Boticário, tem produtos bem orientados, né, para criança, da maneira certa. Granado, né, é famosíssimo pelos produtos para bebê, né? Então assim, Só que a gente tá vendo urgentemente assim, tipo, uma criança vai lá, uma Sephora da vida, pega o que quer, né?
E não é o problema da Sephora aqui, o problema da cultura, tá? Mas as pessoas vão lá e compra o que quer. Então assim, e aí pode usar coisas que realmente podem agredir uma criança, a pele de uma criança, o cabelo de uma criança, de uma maneira irreversível em alguns casos, né, Fred?
Sim. E muitas vezes tem dois motivos, são vários, mas tem dois motivos aí. Um, o produto não é feito para ela. 2, ela não tem o problema que aquele produto tenta resolver. Então são coisas interessantes.
Eu acho que esse é o segundo, esse é o pior de todos.
E eu me lembro que a gente já falou aqui sobre um movimento que tava acontecendo nas lojas de cosméticos nos Estados Unidos, na Ulta Beauty, na Sephora, que era as crianças pegando os produtos. Não sei se você lembra os mostradores e tal, principalmente de uma marca chamada Pink Elephant.
Não, pior que não é nem Pink, acho que é Drunk Elephant, acho que elefante bêbado. Elefante bêbado, exatamente. Uma criança que usa um produto chamado elefante bêbado. Vamos lá.
Então, a questão disso tudo, né, que a intenção ela é muito errada, porque a intenção ali é que através daquele produto eu sinto esse pertencimento, que é uma necessidade humana básica, só que tá sendo atendida de uma maneira que talvez não seja a melhor. Eu sei o que está em alta. Olha como eu sou uma pessoa antenada. Eu sou madura, né? Olha, assim, eu tenho essa idade, mas eu sou madura. E olha como eu sou aceita, porque eu sei tudo isso. Essa é a busca.
Cara, isso é tão crítico. Quando eu escutei essa matéria da BBC, tinha um case que eles falavam de uma criança de 8 anos que ela não saía do quarto para conviver com a família dentro de casa se não estivesse maquiada. Então a nossa conversa, ela além do vender na internet, tá lá e tal, mas é uma criança que passa a não se aceitar da maneira não produzida, vamos dizer assim, certo? Vai buscar essas referências em ídolos na internet, gente maquiada, foto, vídeo produzido, e acha que aquilo é o normal.
Que é normal não é viver a infância dela, né, ou a cara sem maquiagem e tudo mais. E aí, cara, isso acaba virando mais do que um problema só de saúde, um problema social, né? Então ela não sai se não tiver maquiada, não vai conviver com amiguinhos na escola se não tiver maquiada. E a gente vê isso, cara, na escola, por exemplo, As crianças hiper maquiadas, em alguns casos, cara, crianças muito novas, abaixo de 12, 10 anos de idade, né?
Então assim, é uma coisa que pais têm que estar atentos e as marcas têm que ter responsabilidade em cima de como elas conversam com esse público, orientam este público, e orienta inclusive que esse produto não é para determinado público, né? Não é abrir o leque, é fechar, né? Então você fechar esse produto é para partir dessa idade, não é recomendado para partir de menos que essa idade. E muito produto não vem com esse tipo de recomendação, por exemplo, certo, meu amigo?
Certo. E aí entra um ponto super importante no meu ponto de vista, e é uma questão aqui que é bem polêmica, né, Caio, que é uma questão ética. Tem aquela história, não sei se você lembra, ali no livro Capitalismo Consciente, né, quando o John Mackey tá falando do que aconteceu, uma enchente e tal. Então, falando de como as empresas se comportam em momentos de necessidades extremas, tipo tá chovendo muito Ah, eu aumento o preço do guarda-chuva, as pessoas estão precisando de guarda-chuva, mas tem— tudo bem, isso aí é um caso, mas vamos supor, tá faltando água, as pessoas estão morrendo de sede, eu posso distribuir água como algumas empresas fizeram nesse exemplo que o John Mackie deu, ou eu posso triplicar o preço da água.
Então é a mesma coisa que a gente vê acontecendo, as pessoas ficam comparando, por exemplo, essa questão das bets com outros países que têm uma consciência maior, uma maturidade maior da população, uma condição econômica melhor da população, com o país como o nosso, que as pessoas estão buscando melhorar de vida e veem um meio rápido ali na bet, por exemplo, e acham que é a mesma coisa, né? Então aí vai também, as crianças estão buscando isso, ah, então vamos desenvolver produtos para vender para as crianças, né?
Então tem empresas que vão nessa direção e tem empresas que fazem o contrário, como tem, por exemplo, artistas que abrem mão, né? A gente viu recentemente, por exemplo, o Danilo da seleção brasileira fazendo uma campanha contra bets. Tem artistas, a Marisa Monte, estão juntos, todos os artistas estão juntos, né?
Gilberto Gil, Caetano, nós aqui, nós dois aqui, nós estamos desde o começo falando, ó, não pode ter publicidade de bet, isso vai, né?
Desde o começo, acho que foi um dos primeiros, se não o primeiro, no LinkedIn. Lembra que você tomou muita porrada na época falando de bets? E tal.
Não só tomei porrada, quase fui hackeado, porque é uma galera complicada, vamos dizer assim, complexa. Mas é a vida, é a vida.
E a gente tá aqui refletindo, né, Caio? É o nosso ponto de vista e tal. Então assim, a Marisa Monte recentemente, na semana passada, no evento, ela não subiu no palco enquanto as propagandas das bets não fossem apagadas e tal, né? Então são pontos de vista, né? Dentro da sua ética, você com um negócio, você se aproveitaria da fraqueza de um vício de alguém? Ou você ajudaria enquanto empresa a melhorar? Lembra da CVS há muito tempo atrás, enquanto as farmácias nos Estados Unidos vendiam cigarro?
Ela foi a primeira. E olha que era tipo assim 30% do faturamento. E ela disse assim, ó, nós não vamos vender porque isso vai de encontro, se choca com o nosso propósito, que é melhorar a vida das pessoas, levar mais saúde. Então o cigarro, aí ele não só deixou de vender cigarro como começou a dar uma assessoria, ou seja, uma assistência social para ajudar as pessoas a pararem de fumar. E nem por isso a empresa quebrou, muito pelo contrário, né?
E refletindo, né, Fred, tem muita coisa que a gente tá falando aqui do espelho, né, voltando aqui o tema que eu tô vendo aqui dentro da nossa pauta, né? Tava falando que as marcas podem dizer que não falam diretamente com crianças, mas a pergunta é complexa, porque tem embalagem, linguagem, influenciador, cor, experiência de loja e presença no TikTok tá atraindo quem? E aí tem uma coisa do espelho, que às vezes assim, a marca não tá dialogando diretamente com a criança, é um fato, mas dialogando com a mãe da criança.
E como a gente já vem numa geração já com a questão de reflexos, de espelhos, a gente já fala essa história, né, que as pessoas estão, né, valorizando os influenciadores, tem toda essa conversa que já colocamos aqui em pauta, o marketing, né, falando dos creators nesse sentido. No final das contas, as crianças imitam as mães, né. Então a mãe usa lá, e não tô citando para jogar pedra na pessoa, mas lá A mãe tá usando o produto da Virgínia, né, lá não sei o quê.
A filha quer também usar, assim como a mãe, produto da Virgínia. Ela quer ser igual a mãe dela, ela quer seguir o passo da mãe dela. Então assim, isso pode acontecer com parente, com uma pessoa famosa que recomenda um produto. Então a gente tem que tomar cuidado como é que chega essa informação na mão das crianças, porque realmente a gente tá vendo que inclusive tem um termo já criado para isso. Ou seja, isso já é um problema de saúde, né, maior do que a gente já imaginou.
Então isso aqui pode estar acontecendo na tua casa, você nem percebeu ainda. Então esse é o papo pra gente ficar alerta em cima dessa coisa, certo, meu amigo?
Certíssimo. E assim, a gente reforça, né, Caio, que em todas as idades autocuidado é positivo. Nesse caso, principalmente, desde que vá na direção de ensinar higiene, proteção solar, saúde, autoestima, ou seja, coisas que são necessárias, né? Por exemplo, falando de autoestima, você lembra, a gente falou aqui também que a Ulta Beauty treinou os seus funcionários para ajudar também os clientes que demonstrassem baixa autoestima, lembra disso?
Teve todo um treinamento específico para isso, para quando a pessoa fosse usar um produto não se achasse merecedora daquele produto e tudo. Ou seja, existem várias formas de você abordar o tema no mundo dos negócios, né?
E até o tema aqui, ó, tá linkado aqui, ó. A gente falou de cultura K-consumer, né, com consumidor com a letra K, ou não, K-pop e tal. Tá usando aqui o glass skin, a pele de vidro, aquela pele perfeita que o coreano vende, né, cara? Aquilo como um padrão de beleza que muita gente não vai ter, né, meu amigo?
É isso. E outra, né, Caio, com o sucesso dos doramas, e o dorama tem aquele caráter, é humor, é que chega a ser um pouquinho infantil em muitos casos, que muitas crianças também embarcam, né? E aí é nos doramas tem muito merchandising, muito merchandising, e a maioria de produto de beleza. Como provocação aqui, né, Caio, existe uma linha fina entre ensinar uma criança a se cuidar, ensinar uma criança a se monitorar, ficar toda hora olhando se eu tô bonita, se eu tô feia, se eu só saio Como é que as pessoas estão me vendo, né?
Aí você baixa a autoestima da pessoa, afeta a personalidade, né? E um monte de coisa, né, cara? Caio, e aí pra gente ir na direção do fim desse episódio aqui, tem duas coisas importantes: a responsabilidade das marcas e a responsabilidade do varejo. Um ponto importante é a intenção da marca, a questão da ética, né? Como a marca entende a ética. E saber que principalmente Europa e Austrália estão se movimentando nessa direção. Você falou muito bem lá no início do programa, não só em relação a isso, mas também a redes sociais.
A grande questão é que, por exemplo, a Itália abriu investigação contra Sephora, Benefit, ambas ligadas à LVMH, né, por suspeitas envolvendo marketing de produtos adultos para meninas, inclusive com uso de micro influenciadores jovens. A autoridade italiana relacionou a prática ao risco da cosmeticorexia entre menores.
Caio, tem uma forte— vocês vão ouvir falar mais desse tempo que vocês imaginam, viu, pessoal? Esse tempo vai começar a pingar nos assuntos, nas conversas, certo, meu amigo?
E aquilo que você falou também, né, amigo, dá para uma marca dizer não falo com crianças, mas tudo na estética diz que ela fala, né?
É permitido para, não é restrito, né? Não é restrito. Onde você não é restrito, tá aberto lá. Ah não, não falei que era para isso, mas eu também não restringi. Eu acho que a gente ia ter que começar a pensar talvez não em restrições, né? Agora a gente tá falando da bet, né, mas para orientar crianças, tal, tudo nesse sentido, né? Então a gente entende, né, Fred, que o varejo, que o nosso papel aqui, ele não é neutro. A gôndola vai educar, o VM vai educar, né?
A vitrine vai educar, demonstração vai educar, recomendação da consultora lá na loja vai educar, né? O e-commerce, né? O algoritmo tá sempre treinado a cada vez mais olhar. Cara, eu tava vendo shorts com meu filho na televisão, né, do YouTube, né? E aí eu vi um conteúdo e falei, nossa, a gente viu um negócio do Marco, pega o próximo conteúdo e dá like, que aí o algoritmo muda automático. Falei, cara, a molecada tá inclusive entendendo Como você educa rapidamente o algoritmo, cara, entendeu?
Então olha, olha como a velocidade disso aqui, tá? Então se uma menina de 10 anos de idade tiver procurando lá retinol, ácido, produto anti-idade, isso não tem que ser tratado como uma venda normal. É igual uma criança menor de idade ali comprar pinga no boteco, né? Isso já tá óbvio para todo mundo em 2026, né? Quando a gente era criança nos anos 80, a gente ia buscar cigarro e pinga para avô, né, cara? Mas assim, Já mudou esse mundo.
Então acho que a gente tem que começar a repensar a questão da beleza nesse sentido também, certo, meu amigo?
Certo. E aqui tem o conflito normal que a gente entende, né, você que tá nos ouvindo aí, porque nós estamos falando no segmento mais lucrativo que existe no varejo, né, Caio?
Um dos que mais cresce no TikTok.
Exatamente. Então o mercado da beleza é enorme, é rentável, inovador. O skincare tem uma recorrência absurda, o ticket é interessante. Tem um potencial de influência absurdo. Então, para o varejo é um espaço, é oportunidade, porém para a sociedade é um alerta. Então, a grande questão é que tipo de empresa você quer ter, né? Uma empresa que ganha dinheiro mas faz mal para o mundo, e quando eu digo mundo, né, as pessoas e tudo, ou ganha dinheiro e faz bem para o mundo, né? Que legado aí você tá construindo, né?
É isso aí, Faro. E dessa forma, em forma de alerta, a gente encerra esse episódio aqui do Varejo Cast dessa semana. Então, se tem você, lembrando, agora toda quarta-feira tá aí um Varejo Cast no ar para você, sempre que episódios inéditos aqui para você toda semana. Não vamos parar, a gente nunca para. E é isso aí, certo, meu amigo?
Certíssimo, meu amigo Caio Camargo. Episódio super importante. Espero que você compreenda não só os nossos pontos de vista, mas principalmente a gente não tá querendo trazer uma resposta, a gente tá querendo trazer mais perguntas do que respostas, reflexões para que a gente pense, né, se faz sentido, se não faz sentido, e o que fazer para que nossas crianças tenham uma evolução, um crescimento mais saudável, né.
Mas isso aí, a gente fica com esse episódio por aqui e até a próxima.
Até mais, valeu! Você assistiu Varejo Cast.
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