Evil Of a Woman
Entrevista Exclusiva. Biografia.
Ana Beatriz
- A trajetória musical de Ana Beatriz e a formação da banda Devil of a WomanInício na música·Within Temptation·Shania Twain·Clarinete·Blues rock·Pedro Luvandeira·Diogo Caldas
- A mensagem de empoderamento feminino na música "Well-Behaved Women"Well-Behaved Women·Empoderamento feminino·Crueza emocional
- A experiência da banda Devil of a Woman no festival Vilar de MourosVilar de Mouros·Reação do público·Mosh
- O significado por trás do nome Devil of a Woman e a filosofia da bandaRobert Johnson·Empoderamento feminino·Pedro Soares
- Experiências e desafios na gravação dos videoclipes da bandaNo Name of My Own·Hot Trap·Francisco Pinheiro·Sombra chinesa
- A evolução do estilo musical da banda de blues rock para rockBlues rock·Rock
Olá a todos, bem-vindos ao programa Tuga Mix. Hoje vamos estar aqui com a vocalista Ana Beatriz, portanto é vocalista da banda Devil of a Woman, que abriram no dia 22 de agosto, num sábado, o palco principal e a última, e uma das últimas jornadas, que foi a última jornada neste caso, em Vila de Mouros. E portanto vamos falar com a Ana Beatriz e continuaremos a informar todo aquele pressa-rio que eu tenho aqui comigo. Olá, Ana Beatriz, bem-vinda aqui ao programa Tuga Mix.
Olá, muito obrigada.
É com agrado conhecer também aqui a banda que teve, ao fim e ao cabo, no espaço de pouco tempo teve uma série de acontecimentos. Eu não quis estar aqui já a informar, mas o importante é isso. Não sei se queres falar um pouco de si, como é que começaste a entrar no mundo da música? Se queres apenas falar sobre a banda, estás à vontade, é como quiseres.
Não, ou seja, pronto, eu iniciei no mundo da música quando era muito novinha, porque pronto, os meus pais sempre quiseram expor a muitas coisas. E quando eu decidi que queria ser cantora, não foi, não foi um momento específico, foi na maior das inocências, porque o meu pai costumava meter muitos concertos a dar E eu lembro-me de ser obcecada com dois em específico, que era um de Within Temptation e outro que era da Shania Twain.
E eu lembro perfeitamente que uma vez estava a ver antes de jantar e fui para a mesa e disse assim aos meus pais: eu já sei o que eu quero ser quando for crescida. Eu tinha 5 anos. E eles: já sabes? Então o que é que queres ser? Disse: eu quero ser cantora. A sério? Porque queres ser cantora? Ou seja, só nesse ano eu comecei a andar em música. Ou seja, e eles você quer ser cantora? E eu disse, só que estás a ver aquela quantidade de gente que está ali à espera, todas horas de pé?
Eu prefiro ser eu a cantar para não estar tanto tempo à espera. Efectivamente é o que eu faço hoje em dia, mas isso foi mesmo uma linha de pensamento completamente inocente de criança. Depois, entretanto, eu tive o meu percurso musical, estudei clarinete Sou instrumentista também, estive no mundo clássico, estive no mundo jazz, sempre fui apaixonada pelo mundo rock. E quando estava a terminar a minha licenciatura, eu disse, eu quero, chega de adiar isto, eu quero criar um projeto.
E então meti um anúncio a dizer que estava à procura de músicos para um projeto de blues rock. Eu tinha uma maquete gravada e então ainda cheguei a fazer 43 entrevistas para quem quisesse fazer parte. E acabei por os músicos que eu escolhi na altura, que são, ou seja, a base de formação da banda. Depois, entretanto, vieram outros, mas aqueles que eu escolhi foi especialmente o Pedro Luvandeira e o Diogo Caldas, que é o guitarrista e o baterista. E desde então, estás a falar da banda atual, não é? Desta banda?
Ok. Isso começou, portanto, há quanto tempo?
Eu já estive a ler, mas como ainda não falaste Eu comecei a reunir as pessoas em 2023.
Sim.
E o nosso, ou seja, nós lançámos em 2024 o nosso primeiro concerto. Aliás, está aqui atrás, está aqui o cartaz do nosso primeiro concerto.
Ok.
Foi dia 18, não, 19 de abril, 19 de abril de 2024.
Sim.
Ou seja, temos 2 aninhos e qualquer coisa de história.
Já deu para perceber que és uma pessoa portista. Portista que mora no Porto. O teu 18, não é? O teu 18. Claro que eu também tinha lido, mas de qualquer forma o teu 18 está logo para perceber, não é?
Eu falo com várias pessoas também do Porto, portanto é a mesma coisa como vacinas, não é?
Eu até já digo 18 para as pessoas do Porto. É isso mesmo, é isso. E já vi que também és portista, então.
Sim, por acaso sou. Por acaso estava a tentar perceber assim, será que eu tenho aqui alguma coisa do Porto?
Não, não, não, é a maneira de falar, dá para perceber, dá para perceber. As pessoas são simpáticas do Porto, muito sinceramente, são muito simpáticas.
Eu gosto onde vivo e gosto das pessoas, gosto disso, e sinto-me sortuda também por morar aqui.
Sim, voltando então à música.
Sim, ora bem, então depois quando nós criámos Devolável Homem, ou seja, eu queria um projeto em que fosse, eu não queria Ana Beatriz, eu queria, na altura não tínhamos nome, mas eu queria um projeto em que as pessoas que estão comigo não estão ali como músicos contratados a trabalhar para alguém, não. Eu queria que também pagassem e fizessem algo deles próprios. Gostava que eles tivessem toda a liberdade dentro do projeto, liberdade composicional, as vontades deles também no projeto.
E portanto, eu queria primeiro falar com pessoas e perceber quem é que eu acho que se iria encaixar melhor. Pronto, entretanto juntou-se, ou seja, fundámos Devolove Woman Eu, o Diogo Caldas e o Pedro Levandeiro. O nome vem muito dos primórdios do blues, muito por causa do Robert Johnson, porque ele, pronto, era conhecido como o homem que vendeu a alma ao diabo, não é? E ele nunca acusou as pessoas nesse aspecto porque ele era um homem negro naquela altura e dava jeito andar com o diabo no ombro, porque ninguém se queria meter com ele.
E então nós associámos este Deva Love a Woman um bocado a isso, ou seja, levar uma figura feminina não a um patamar de superioridade e de intimidação, mas sim um patamar de respeito e de igualdade. Então nós aí criámos, pronto, foi assim que surgiu o Deva Love a Woman. Entretanto, juntou-se também o nosso mais recente membro o Pedro Soares no baixo. E pronto, tem sido assim estes 2 anos de história.
Qual o estilo de música que escolhias logo no início? Qual o estilo de música que querias ou foste adaptando?
Nós sofremos muitas adaptações porque ao início eu comecei por nos tentarmos definir como um blues rock Mas depois nós éramos demasiado rock para o blues. Era, começámos a definir um estilo muito próprio de Devil of Woman. Eu diria que de hoje em dia nós nos encaixamos melhor em rock, mas seria sempre esse, sempre essa a linha do projeto, que aliás quando eu pus o anúncio era mesmo isso, ou seja, queria músicas para um projeto de blues rock.
E depois fomos sofrendo, foi, ou seja, fomos trabalhando juntos e fomos a percebermos do que é que para nós faz sentido e em que coisas é que nós nos encaixamos melhor.
Sim, quando tu dizes que iniciaste este projeto, tu já tinhas algumas letras, músicas, o que é que já tinhas aí na manga?
Eu comecei por escrever a música No Name of My Own. Que foi o nosso primeiro single, e gravei uma maquete e uma demo e usava isso para explicar às pessoas que eu estava a entrevistar qual seria o estilo do projeto. Pronto, e que acabou por ser o nosso primeiro single, No Name of My Own, e pronto, era isso.
Entretanto, aconteceu aqui durante, no espaço pouco tempo, Se quiseres contar essa história, né? Portanto, houve uma série de acontecimentos, obviamente incluindo aqui o Vilar de Mouros, não é? O concerto.
Sim, no espaço destes 2 anos fomos assim, nós trabalhamos muito, sofremos alguns percalços no caminho, mesmo trocas de membros que atrasam-nos sempre, como é óbvio, mas ainda conseguimos coisas muito boas e inserimos em alguns, pronto, em alguns patamares a nível nacional, que foi muito bom. Logo o primeiro foi chegarmos à final do Portugal Bulls Challenge da BB Bulls. Isso foi mesmo só com apenas uns meses de história e ficámos muito, muito contentes com isso.
Foi uma experiência mesmo incrível. Nós chegámos a ir à final mais uma vez. Pronto, fomos tendo umas surpresas boas pelo caminho. Conseguimos lançar já um EP e um álbum, singles por aí pelo meio, videoclipes. Portanto, trabalhamos, mas acho que temos tido alguns resultados. Eu penso que o maior resultado que nós tivemos até agora foi mesmo o festival de Vilar de Mouros, porque foi uma oportunidade que nos surgiu e nós mandámos de cabeça. Mas eu nunca nos meus sonhos imaginaria que fosse ter uma dimensão destas.
Sim, exatamente.
O primeiro local onde atuaram foi num sítio muito especial para nós e muito especial para mim, que se chama o Barracuda, que é um bar, um bar de rock que nós temos aqui no Porto, por Alçada do Rodas, que é uma pessoa também muito especial para mim, que apostou em mim desde miúda, mesmo com outros projetos que eu tive, nunca me negou entrada no bar dele e sempre gostou de me ter lá. E na altura, quando nós queríamos fazer esse primeiro concerto, eu falei com o Rodas porque para mim só me fazia sentido nosso primeiro concerto ser num sítio tão especial como o Barracuda, que é realmente um dos maiores sítios culturais com música mesmo muito boa que nós temos aqui no Porto e que infelizmente está fechado desde o início do ano.
Foi difícil criares uma personalidade para esta banda ou já tinhas definido? Tem um pouco a ver contigo?
Não, acho que nunca foi complicado. Acho que das coisas pelas quais as pessoas ouvem mais da Eva Love Woman é que nós somos muito crus nesse aspecto, ou seja, Não estamos com grandes filtros. Às vezes se calhar fazemos aquilo que nos apetece, aquilo que é genuíno para nós. Por isso, opá, acho que Devil of Woman não é nada formatado, não é nada pensado. Nós simplesmente nos juntamos e vamos para palco, e aquilo somos nós. Ou seja, se as pessoas também vierem assistir ensaios nossos e momentos nossos de lazer, Quem nos conhece sabe que nós somos assim.
Exato. Tens aqui várias músicas que me enviaste, que eu fui, eu fui ao fim e ao cabo retirar. Queres te focar em alguma música? Ou seja, quem quiser conhecer a banda, qual é que seria a música que tu aconselhavas ouvir?
Para quem quer conhecer a banda Eu diria Well-Behaved Women, sim, porque aborda muito o nosso, um dos grandes temas que nós falamos, que é justamente o empoderamento feminino. É muito, a letra é de uma crueza emocional muito grande. Nós compusemos essa música à distância, na altura o nosso guitarrista estava a morar em Roterdão e ele mandou um riff a dizer tenho isto aqui. Eu na altura escrevi essa música quando saí do funeral da melhor amiga da minha mãe e fui trabalhar para um bar, que na altura era bartender e trabalhava num bar, e comecei a gravar as coisas de trás do balcão do bar, assim com os fones aqui, com aquilo que o meu guitarrista me tinha mandado.
Eu estava no trabalho a gravar as coisas assim E a mandar-lhes a dizer o que é que acham disto. E nós escrevemos esta música completamente à distância uns dos outros, e só quando nós nos juntámos é que conseguimos gravar uma demo daquilo em condições.
Essa música transmite alguma mensagem?
É muito— transmite uma mensagem muito forte, que a mensagem focal é: as mulheres bem comportadas raramente fazem história. Nós às vezes temos muitas expectativas em nós, ou seja, aquilo que eu digo na música é: a modéstia é uma proeza, mas é um disfarce muito fino. Ou seja, se tu fores demasiado fechada, és uma púdica. Se mostrares um bocado mais de pele, já és a pior da tua rua.
És uma devil of a woman.
Sim, nós às vezes podemos sentir-nos demasiado chamadas às vezes de emocionais, instáveis. E é um bocado fazer troça a isso e dizer que é mesmo isso. Ou seja, de todas as vezes que me criticaram e que, pronto, que disseram mulher mal comportada, tudo mais género, a conclusão que eu cheguei foi mesmo essa. Ou seja, as mulheres bem comportadas raramente fazem história. E uma vez ofereceram-me um emblema para a minha capa de estudante com essa frase: porque tinha sido na altura umas pessoas mais velhas que me acompanharam na faculdade e que me pracharam, e que são hoje em dia tipo as pessoas que mais me acompanham no meu percurso profissional, no meu percurso pessoal.
Eles são incríveis e que me ofereceram esse emblema por eu justamente ser às vezes fora da caixa e esmungona, dizer mesmo, as mulheres bem comportadas raramente fazem história.
Isso ficou, fiquei. Qual é a tua área que tu estudaste? Já agora, por curiosidade.
Eu estive, fiz o curso profissional de instrumentista de sopros em clarinete na Academia de Música Costa Cabral. Depois, entretanto, fui fazer o curso de canto jazz no Conservatório de Música do Porto e depois fui estudar som e imagem para a Universidade Católica Portuguesa do Porto.
Exato. No bom sentido, não é? Qual é a marca que tu queres deixar aqui, ou queres passar para quem está a ouvir, para quem ouve as vossas músicas e vai aos vossos concertos? Alguma mensagem que se passe, ou qual é para ti o ambiente ideal para este estilo de música?
Para qualquer pessoa que nos ouça, eu acho que aquilo que nós queremos sempre transmitir É um à vontade, pelo menos nos nossos concertos, é não tenham medo de ser quem vocês são. E é essa mensagem que nós tentamos passar para as pessoas, é uma mensagem de força, uma mensagem de crueza emocional, de que nós só temos uma oportunidade na vida e nós é que temos controle sobre como a vivemos. E por isso é aquilo que nós desejamos todos os nossos fãs, é que estejam sempre à vontade para serem quem são e para perseguirem aquilo que realmente querem.
Nós podemos até já aproveitar redes sociais. Onde é que podem as pessoas tanto conhecer melhor e ouvir as vossas músicas, videoclipes?
Enfim, nós temos, nós temos várias, várias coisas no YouTube, também vídeos ao vivo. Também vai sair agora a transmissão ao vivo do concerto em Vila de Mouros. Temos também 2 videoclipes, No Name of My Own e Hot Trap. Depois, se quiserem ver reels nossos e outros tipos de formato visual nosso, têm sempre o Instagram. Temos agora também TikTok, onde podem encontrar as nossas coisas. Temos Facebook também. E é isso, todas as plataformas digitais estão disponíveis com a nossa música, por isso é só pesquisarem Devil of a Woman e de certeza que nos encontrarão.
Estás a falar de dois vídeos que vocês têm, videoclipes, não é? Queres-me falar de um deles? Onde é que foi gravado? Como é que correram as gravações? Algum backstage? Que não tenha passado no vídeo, que queiras agora aproveitar para informar.
Ora bem, os dois vídeos foram um desafio muito grande de gravar, ou seja, eu pedi ajuda à malta que estudou comigo na faculdade e senti-me muito acarinhada nesse momento porque nem pensaram duas vezes, disseram-me logo, nós vamos, nem sequer penses. E o primeiro ainda foi um maior desafio porque nunca tínhamos feito algo do género, mas foi um passo muito importante, quer para mim, quer para o nosso realizador, o Francisco Pinheiro, que foi o primeiro grande trabalho dele.
E depois, obviamente, quando foi para o outro videoclipe, também confiei nele porque aconteceram-nos uma série de contratempos. Nós perdemos um ator porque ele à última hora disse que não podia ir. Então, para ter noção do grau de gravidade disto, eram 7:30 da manhã, manhã e eu estava a andar pela Foz Velha do Porto no carro a perguntar a algum pescador se queria vir ser nosso ator, e consegui um pescador.
Conseguiste?
Consegui, e está no nosso vídeo. E safou-nos porque nós tínhamos perdido o nosso principal aqui no vídeo. Incrível, foi incrível. Eu só dizia assim, mas vocês, calma, isto vai se resolver de uma maneira ou de outra, isto vai se resolver. E resolveu-se. Tive a ir à casa dele. Sim, sim, mas isso acabou por resultar muito bem. E depois, num outro, nós tivemos 24 horas de filmagens porque nós gravámos, para além desse videoclipe, gravámos—
o quê? Não foi fácil gravar esse videoclipe.
Não, nós gravámos também mais duas músicas com formato de imagem, mas ou seja, a imagem para redes sociais é o formato short de Reels. Sim, sim, também gravámos muita coisa para aí. E tínhamos um videoclipe a gravar, que era o da Hot Trap, que é em sombra chinesa, e tinha de ser um único shot porque aquilo é um plano contínuo, não podia haver falhas. Então eram, nós começámos a gravar esse segundo videoclipe, eram por aí 4 da manhã, nós já estávamos a trabalhar desde as 3 da tarde desse dia.
E então foi muito complicado às vezes fazer a coreografia toda direitinha, porque às vezes o realizador via que alguma coisa não estava bem no pano. E então dizia, pronto, corte, voltar ao início. Porque foi isto, aquilo, falhou até aqui, anda lá, voltou ao início. Outra vez, mas lá conseguimos, lá conseguimos. Apesar de uma das vezes estarmos quase a chegar ao final e nós temos lá uma personagem que é o Diabo, e mesmo no final do videoclipe que quando ele vai buscar o corpo, em que se vê uma sombra dele aí carregar um corpo, ele pega nas pernas do meu baterista e aquilo levanta o pano da sombra chinesa.
O clipe perfeito, estava tudo perfeito, tudo de início ao fim. Por causa daquele final tivemos que repetir tudo outra vez.
Oh my God, mais 5 minutos ou mais?
Foi, foi. E depois mais não sei quantos takes. Mas foi, mas são desafios muito interessantes. E a pessoa que alinha sempre comigo é o Francisco Pinheiro, que é um profissional incrível e um amigo ainda melhor. E também quem alinha sempre nestas coisas é o nosso grande amigo também, o Luís, e que acompanham-me tudo. Inclusive acompanharam-me para Vila de Mouros também para nos fazer o after movie e para nos gravar Também neste momento histórico.
Exato. Locais onde já passaram, portanto, concertos, não sei se têm sido só cá em Portugal, se já tentaram sair daqui das fronteiras.
Já conseguimos ir à Espanha este ano, já atuámos em Espanha com uma banda que é grande amiga nossa, que são os Wax Wings. Agora vamos no dia 3 de outubro também a Sevilha. Atuar.
Muito bom, muito bom.
Tomate Blues Fest.
Tomate, Tameiro Blues Fest. Deve ser isso. O quê?
O quê?
Tameiro Blues Fest, se for em inglês.
Vamos lá a Sevilha agora no dia 3 de outubro. Também já fomos cabeça de cartaz num festival nos Açores. Ou seja, não saímos de Portugal, mas fomos para as ilhas.
Saíram do continente.
Pronto, exatamente, o Faial da Terra Blues.
Sim, nós também passamos lá o programa nos Açores.
Pois, nós estivemos lá também no ano passado e fomos atrás desse espaço.
E então, o que é que acharam?
Que chegaste a perceber qual é a diferença de quem aqui no continente ou nos Açores, o público, ao fim e ao cabo, não sei se era algum meio televisivo, se Sim, aquilo foi muito diferente daquilo que nós estávamos a esperar, mas já antes de nós atuarmos, porque, ou seja, nós ainda éramos, nós tínhamos aí, o quê, um ano e qualquer coisa de história, ou seja, ainda éramos ainda mais novinhos, não tínhamos tido assim uma coisa para além.
E quando chegámos às Suíças senti uma grande diferença, porque, ou seja, não digo que tinha multidões, não é, mas havia gente que me conhecia e que nos conhecia a nós e Nós depois, quando falámos com o produto, o responsável do festival, que foi jantar connosco, eu até comentei, fomos, está toda a gente tão entusiasmada para nos ver, para quê? Olha, nós somos cabeça de cartaz. Assim, não viste a entrevista que o presidente foi fazer à RTP?
Eu, pois, então depois lá também a falarem, estamos muito entusiasmados. Ah, e até apresentadora, assim, você e certamente todos os fãs. Foi assim uma diferença de público que nós estávamos assim, ui, nós, ui, creio, creio, foi assim, acho que se calhar o público—
Foi aí que pudeste dizer, tenho fãs afinal.
Sim, sim, nós já tínhamos aqui, agora eu acho que naquela dimensão eu acho que nunca tinha experimentado e pronto.
Sim, sim, sim. Continuando aqui a falar sobre, portanto, a atuação, Projetos para até ao final do ano, já me falaste, não é? Vão atuar em vários locais, não é?
Já temos vários concertos, ou seja, vamos ter agora também no dia 18 de setembro na Casa do Artista Amador em Famalicão. Temos em outubro Sevilha, em outubro também vamos tocar em Viseu, se não estou em erro. E agora para breve, breve, muito breve, ainda não posso revelar ao certo a data, Mas posso garantir que está mesmo para muito breve. Vamos lançar outro single, Bloodstained Laundry, e muito mais música a vir até ao final do ano.
Até o final do ano, exatamente. Tu, por exemplo, nos teus tempos livres, o que é que gostas de fazer? Mantens-te focada agora na música ou tentas, gostas de ler, seguir alguma série? Não sei. Se calhar ver filmes de terror. Já agora aproveita a dica. É que não vê filmes de terror? Vês filmes de terror acompanhada?
Então quer dizer, tu por exemplo, porque eu estou sempre a parar o filme, tipo, sim, e a tirar o som. Sim, porque eu fico muito assustada a ver os filmes de terror.
Mas então não pode ser tipo, abres um bocadinho a janela, pões lá umas velas e de repente elas apagam e assusta.
Eu assusto, eu nesse aspecto sou muito madríca, especialmente porque eu sou muito sensível a sons. E quando é um bom filme de terror, atenção, quando é um bom filme de terror, eles têm um trabalho a nível de som espetacular.
É verdade, no cinema nota-se isso bastante. Sim, isso é verdade.
Ver um filme, vamos experimentar ver um filme de terror sem som, não é nem metade do assustador. Pronto. E eu, como sou muito sensível ao ao som e às coisas. Então às vezes um bom filme de terror, das coisas que mais me arrepiam, por exemplo, é aquele filme da freira em que eles têm aquele coro de só de baixos, barítonos, só de homens ali. Incrível, arrepia-me de cima abaixo. A foto, a cena era incrível. Então assustas fácil, mas num bom sentido, porque eu quero continuar a ver, só que é tipo, tenho que parar, tenho que parar.
De qualquer maneira, tu tens aí as unhas, por exemplo, pintadas preto, mantens. Esse é o teu, é mais, é a tua imagem quando estás a atuar?
Sim, sim. Ou seja, lá está aquilo que nós falámos, deve— ou seja, quando eu subo a palco, eu não sou diferente da Ana, da Ana verdadeira. Ou seja, é isto. Eu uso só preto, normalmente sempre o meu guarda-roupa é todo preto. Aliás, se nós olharmos aqui para o meu coiso de casacos, isto é tudo, quase tudo, maioritariamente Preto. Pronto, normalmente a minha paleta de cor está sempre entre o preto e o vermelho.
E o vermelho, nós temos ainda alguns minutos. De qualquer maneira, tu para mulher parece que não tens muitos sapatos, são muitos ténis que eu vi aí agora, passaste assim de relance.
Não, eu sou uma mulher muito simples, eu não sou uma mulher de muitas marcas, de querer muita coisa. E é, quando eu gosto de uma coisa, mantenho fiel à coisa, então eu nunca troco. Por exemplo, ainda este, há umas semanas atrás, a minha avó quase que se meteu de joelhos para mim para eu comprar uns chinelos novos, que ela já não conseguia ver os meus chinelos de praia. Eu, avó, é só para ir para a praia, caramba. Não, vais, vais, e vou-te levar, e vais comprar à minha frente, vai ter de ser.
Eu, pronto, lá me levou e eu comprei uns novos chinelos exatamente iguais aos que eu tinha, nem exatamente na mesma loja, tudo igual e eu comprei os chinelos, os mesmos, os mesmos. Desgraça! Exatamente os mesmos chinelos, tudo exatamente igual.
Pronto, mais uma coisa que eu descobri. Eu há uns tempos atrás descobri que a Mónica Cinta, ela gosta de cantar karaoke. Agora descobri que tu usas, quer dizer, nunca tens roupa, quer dizer, no caso dos chinelos, compraste mesmo. Pronto, gostaste tanto deles que não ficaste farta daquilo.
Não, eu dificilmente me farto das coisas que eu realmente que eu realmente gosto e que me são confortáveis, eu não sou grande, não preciso de muita coisa.
Pronto. Isto é um processo recente, não é? Ao fim e ao cabo, não é? De qualquer forma, nós estamos sempre abertos para voltar a falar quando for necessário, ou até quando surgir essa música nova também.
Obrigada.
De acordo com o que eu tenho aqui na biografia, eu agora aproveito para tu passares mais alguma informação, porque Provavelmente deve-me ter escapado alguma coisa e aquilo que quiseres aproveitar para passar a mensagem.
Ora bem, apenas que— o que é que eu quero passar esta mensagem? Olha, até queria só se calhar tirar este bocadinho para também agradecer. Eu sei que há muita gente aí nova que nos está a ouvir e atenção a essas pessoas, quero dar, se gostarem de nós, quero dar as bem-vindas à família, não é? Que isto acaba por ser uma família grande. Mas também quero agradecer a quem estiver a ouvir e que já segue o meu trabalho e que se dá e que tira o tempo para ouvir, para ouvir Devolova Woman, para me apoiar, para estar lá.
Também queria deixar aqui o meu eterno obrigado e todo o carinho e gratidão por essas pessoas.
Exatamente. Portanto, quando surgir alguma coisa que seja necessário, estamos aqui abertos para isso. Portanto, nós falámos praticamente tudo. Entretanto, estou aqui a ler os toppings, ao fim e ao cabo. Portanto, a banda portuguesa abriu a jornada de body count feature, Ice-T, Skindred, Marky Ramone, Rudeboy com morsas, tanto público a cantar em coro e uma ligação imediata ao recinto. Então foi um momento, foi um dos grandes momentos da Devil of a Woman.
Foi, foi, porque a reação, a reação do público foi algo que nós não estávamos à espera de sermos tão acarinhados, ou seja, por um público que nós não estamos habituados, ok? Somente num festival grande. Acho que seria, que seria expectável se calhar nós não, pronto, não termos uma reação logo imediata e calorosa, mas Mas foi, e nós não poderíamos estar mesmo mais gratos do que isso, porque realmente o público, eu não precisava de fazer muito para puxar por eles.
Ou seja, apesar de ter lá uns conhecidos meus do festival, todas as pessoas estavam a aderir, a aderir a tudo, a tudo. Eu podia, cantem mais alto, as pessoas cantavam mais alto. Eu dizia, quero mors, as pessoas abriam mors. E assim, num horário de abertura de um dia de festival em que supostamente era para tudo estar vazio e não estava, nós estávamos muito felizes.
O que é que é aderir ao mosh? Agora fiquei na dúvida.
Então, um mosh, não sabe o que é um mosh?
Sei o que é um mosh, mas aderir a um mosh?
Aderir, ou seja, eu dizer, ou seja, iniciar um mosh, começar um mosh e termos várias pessoas a fazer um mosh, inclusive eu ir-me juntar ao mosh.
Também? Ah, ok.
Sim, sim, sim. Ok. Quer no palco histórico, quer no palco principal de Vilar de Mouros, os Stivalayers também eram nossos as duas vezes e eu fui-me juntar lá as duas vezes.
E foste também. E é realmente a parte bastante interessante essa que tu estás a dizer, porque o público é um público que dá bastantes aplausos, saltos, danças e conhecem a letra, não é? Ao fim e ao cabo devem te seguir numa dessas plataformas, ouvir a tua música, não é? Essa é a parte bastante gratificante, não é?
Sim, e é que lá está, eu não estava à espera que tanta gente nos conhecesse e que tanta gente nos ouvisse, ou que até tanta gente tivesse a seguir o que aconteceu, porque depois, entretanto, quando cheguei ao Porto, estive por cá. Pronto, eu vi, por exemplo, ainda ontem à noite, acho que foi ontem à noite, e eu saí de casa e tinha um papel no meu carro.
Até pensava, mais uma multa.
Eu assim, será que é uma multa? Será que alguém mandava ir comigo? Não, era só um papel a dizer, Vilar, devolve o homem com corações. E não estava à espera desse carinho, tudo. Até estava a dizer, eu não sei quem deu isto, quem é que daqui me conhece, mas fogo, obrigado!
Claro, claro, isso é ótimo receber esse feedback, porque como ainda temos uns minutos, os ensaios como é que estão a ser neste momento? Tem algum local? Como é que fazem os ensaios?
Sim, nós ensaiamos em casa do baterista da banda, o Dio Caldas, e nós antes ensaiámos no Stop, quando há um tempo atrás, simplesmente quando o nosso baterista conseguiu arranjar condições suficientes para ter um espaço confortável na casa dele, passámos para lá, até porque conseguimos ensaiar também de Insiders e era melhor para nós também percebermos quais é que eram as falhas, onde estavam, o que é que nós podíamos melhorar, onde é que estávamos a meter pregos, porque às vezes era muito complicado quando nós a tocámos sem monitores, era um bocado complicado perceber isso.
Agora com Insiders nós acabámos por melhorar bastante desde que começámos lá a ensaiar, porque estamos atentos Pronto, é estes detalhes.
Continuas a criar letras ou vêm os sons também às vezes primeiro e depois é que crias a letra ou as batidas, não é?
Funciona das duas maneiras, ou seja, ou às vezes eu escrevo uma letra e digo vamos construir uma música em torno disto, ou digo as ideias, ou então às vezes são alguém chega à frente e diz, olha, tenho aqui este riff, tenho aqui esta coisa, Ana, o que é que tu pensas que isto podia encaixar? E eu começo a escrever letras para aquilo, porque eu acho que sou uma pessoa um bocado mais intuitiva e não tão racional, digamos assim. Porque, por exemplo, o nosso álbum Last Call for Freedom chama-se Last Call for Freedom porque depois de escrever o álbum montou ele.
Então disse, foi que eu tenho de dar um nome a esta porra. Eu tenho que ter alguma coisa, não é? Mas só depois daquilo estar tudo montado é que eu comecei-me a perceber que todas as músicas, mas eu estou a falar de todas as músicas mesmo, a mensagem principal é sempre liberdade. Quer seja em Well-Behaved Woman, liberdade feminina, quer seja em Heaven Needs a Sinner, uma liberdade religiosa, quer seja em Midnight Dancer, que é uma liberdade sair de uma relação tóxica, mas vai dar sempre à liberdade, liberdade, liberdade.
E a nossa música Let's Call for Freedom estava lá, foi por isso que eu chamei o álbum Let's Call for Freedom, porque eu disse, ok, estava a passar numa fase da minha vida em que, por aquilo que eu escrevo, eu claramente estou a precisar de muita mais liberdade daquilo que eu tenho. E pronto, ficou assim a mensagem. Exato.
E chegou a tempo, ao fim e ao cabo chegou o tempo de terminarmos. Agradeço teres cá aparecido.
Eu é que agradeço.
E que continue a correr tudo bem, como tens aqui informado, não é? Que é um dos teus sonhos, não é? Seguir este mundo da música.
Sim, sem dúvida, sem dúvida alguma. Muito obrigada por me teres recebido e por me teres ouvido e por teres tido interesse em saber um bocadinho mais sobre Devolove Woman.
Muito obrigado. Fica bem então.
Pronto, obrigado.