Mariam Fakir
Entrevista Exclusiva. Biografia.
- Lançamento do livro 'Vozes que Ficam' e a inspiração na mãeVozes que Ficam·Abi Ali·legado·inspiração
- A luta da mãe contra o cancro e a atitude positiva diante da adversidadecancro·atitude positiva·superação·deficiência física
- A importância de compartilhar a história da mãe como motivaçãomotivação·lição de vida·Vozes que Ficam
- Empreendedorismo e a importância de começar com o que se temempreendedorismo·motivação·condições ideais·negócios
- Projetos empreendedores de Mariam Fakir e lições aprendidasfábrica de gelados picolés·detergentes de bolsa·criação de frangos·gestão de negócios
- A trajetória de Mariam Fakir entre Portugal e MoçambiquePortugal·Moçambique·carreira profissional·família
Olá a todos, bem-vindos ao programa Tuga Mix. Hoje temos uma convidada especial, temos Marianne Fakir, é autora moçambicana, economista e empreendedora, e portanto vem apresentar aqui um projeto muito especial que lançou recentemente em Moçambique, no dia 1 de junho, Vozes que Ficam, uma obra inspirada na vida e no legado da sua mãe. Abi Ali, uma mulher cuja história continua a inspirar várias gerações. Olá, bem-vinda aqui ao programa Tuga Mix e agradeço poderes vir aqui mostrar todo o teu trabalho que tens feito, não é? E este também é dedicado, que é dedicado à tua mãe ao fim e ao cabo.
Obrigada eu pelo convite, por esta oportunidade. Sim, é Vozes que Ficam, é uma dedicatória assim à minha mãe. Mas com as vozes que ficam, eu procurei ir mais além, não é? Não quis que fosse apenas uma dedicatória. Eu quis que a obra fosse primeiro um legado que pudesse inspirar outras pessoas, outras mulheres, porque senão, porquê é que o leitor havia de querer ler sobre a vida da minha mãe, não é? Então eu quis ir além, portanto procurei colocar algo que inspira outras pessoas.
Isto porquê? Porque eu acho que a vida dela foi de fato inspiradora, tudo o que ela viveu e teve que superar, mas superou sempre com um sorriso, sempre com uma atitude muito positiva. Eu acho que, portanto, isto acaba sendo um dos principais obstáculos numa pessoa normal, se assim posso dizer, porque não é fácil quando a pessoa está a enfrentar algo assim muito difícil tu continuares a manter uma atitude positiva e E a meu ver, esta atitude é que faz a diferença, ajuda a pessoa a superar.
E foi isto que eu vi nela. Lutou contra o cancro 30 anos, foi uma batalha, teve claro altos e baixos, mas eu nunca lhe vi deprimida, nunca se martirizou, nem nunca se deixou definir por estar, quer dizer, definir por aquela situação, certo? Então para mim isto é realmente uma lição de vida uma motivação que deve ser partilhada com o mundo, porque cada um de nós enfrenta diferentes problemas, diferentes obstáculos, e a diferença está na forma como tu vais encarar e o que fazer para ultrapassar, a meu ver, não é?
Exatamente.
Então acho que todos nós precisamos de ouvir essa palavra, estas palavras de alento, de motivação. Pronto, é normal, é Todos nós temos direito de errar, mas a questão é o que é que nós vamos fazer para depois ultrapassar esta situação. Pronto, então eu queria um pouco descrever o porquê de eu ter decidido escrever a obra, não exatamente por ser ela e não apenas um legado, mas eu acho que é muito mais do que. Por isso é que eu escolhi o título Vozes que Ficam, que eu acho que as vozes dela tanto começaram nela, passaram para mim, e eu própria também já me vejo a passar para os meus filhos, portanto, ao meu redor, no meu dia a dia de trabalho, nas decisões que tomo.
Enfim, eu consigo ver, portanto, com os ensinamentos dela, que se calhar até não intencionais, mas que depois têm-me ajudado eu a superar também os obstáculos que eu tenho que enfrentar no meu dia a dia.
Sim, exatamente. É difícil, tanto no Calma Urgente, no país onde esteve a tua mãe, não é? É difícil ultrapassar esses momentos. Existem algumas condições viáveis teve aquele suporte que poderia ter?
Eu acho que é muito difícil, sim. Não há muito suporte. Já começa a haver algumas instituições, sim, que ajudam pessoas que estão a enfrentar, em especial, o cancro. A minha mãe, para além de ter lutado contra o cancro 30 anos, ela, a meio do percurso, também teve que amputar a perna por causa— foi uma consequência, não é, do cancro. Então ela passou também a ser portadora de uma deficiência física, e mesmo assim nunca se deixou ir abaixo.
Mas respondendo à sua questão, sim, de fato, eu acho que ainda há muito espaço, há muito trabalho a ser feito em termos de apoio. E ela em particular, ela ajudou muitas pessoas que padeciam desta doença, ela fez muito trabalho social, envolveu-se, portanto, trabalhou com pessoas que estavam hospitalizadas, e sempre a abordagem dela foi sempre esta: olha, atitude positiva, vamos encarar, não vamos nos deixar ir abaixo, Portanto, ela própria já fazia esse trabalho de forma não estruturada, mas fazia.
Então ela fez muito trabalho social. E sim, eu acho que ainda há muito que pode ser feito no nosso país para apoiar estas pessoas.
Portanto, a tua mãe foi um exemplo de partilha de emoções, não é? E ao fim e ao cabo de provavelmente pessoas com o mesmo tipo de, mesma doença, não é? Ao fim e ao cabo, que duraram esses 30 anos, como tu dizes. Portanto, a tua mãe foi inspiradora, portanto, para outras pessoas e conseguiu partilhar e receber informações de outras pessoas, não é?
Sem dúvida. Para mim em particular, sim, ela é a pessoa que eu tenho como referência, a minha ídola. Não apenas por ser minha mãe, mas porque eu de facto consigo ver, se calhar quando eu era mais pequena não via, mas agora que eu sou uma mulher adulta e eu própria também tenho que passar por certos desafios normais, não é, de qualquer pessoa, eu consigo perceber que se já não é algo normal numa pessoa. Então eu acho que ela de fato tinha assim algumas dotações e não ficava com ela apenas, ela gostava de ajudar.
Então eu acho que não ficou colada à doença, quis, não, não, de maneira nenhuma compartilhar e motivar pessoas que na mesma situação, não é? Tu dizes 30 anos, que idade é que tinhas na altura quando Quando portanto surgiu essa doença?
Eu tinha 14 anos. 14 anos. Era muito novinha assim, e de certa forma portanto a doença também afetou-nos, não é? A mim e ao meu irmão, porque havia momentos em que ela ia, teve que, portanto ela ia para o hospital na África do Sul fazer cirurgias e nós tínhamos que ficar sozinhos, acabámos tendo que crescer mais precocemente, mas aquele sofrimento, claro que chegava a nós, e era, não era nada fácil. Mas lá está, mais uma vez eu não conseguia entender de onde é que vinha tanta força interior, porque não foi só apenas a luta contra, mas ela passou por cirurgias, as cirurgias já eram penosas, e foram assim, o câncer, tu fazes o tratamento contra o câncer e depois tu crias outros problemas, né?
Porque a quimioterapia depois vai criar desgaste, vai trazer um bocado mais, muito mais, muito mais. Mas lá está, eu nela via, claro, podia ir abaixo, normal, mas depois ela conseguia se reerguer. E aí está esta força que eu acho que é importante eu partilhar com o mundo, não é?
Sim, exato, exatamente. Portanto, este projeto, explica-me um pouco melhor qual é a tua intenção, portanto, de o que é que já foi feito, o que é que, quais são os, o que é que poderá acontecer ainda este ano, não é?
Primeiramente, eu quando escrevi o livro, eu escrevi para mim, para ela, e eu querer retribuir, não é? Eu achei que a voz dela não podia se calar, então eu comecei neste sentido. Mas depois de eu fazer o lançamento do livro Eu não estava à espera da receptividade que tive dos leitores, das pessoas de uma maneira geral. Foi muito boa e ajudou-me a perceber que se calhar o que eu escrevi lá, o que eu partilhei, faz sentido, que as pessoas precisam de ouvir.
Houve quem veio falar comigo e disse-me, olha, muito obrigada por teres partilhado a história, a tua história, a história da tua mãe. E eu não só partilhei histórias como também procurei transmitir ensinamentos, os ensinamentos que eu corporativo dela, não é? Eu coloquei no livro que eu achei bastante interessante e que ela até nem, ela não foi para a universidade, mas ela já conseguia implementar estratégias e ensinamentos que eu aprendi na universidade.
Então achei bastante interessante neste sentido, como é que alguém que se calhar não teve tanta exposição, não é, nesse mundo corporativo, mas conseguiu se posicionar dessa forma. Era algo Era um instinto, né? Era natural dela. E pronto, com essa receptividade que eu fui percebendo, eu também percebi que, olha, eu não posso deixar as vozes ficarem só neste momento meu, não é? Exato, exato.
A vossa experiência, portanto, humana, não é? E familiar, portanto, queres também dar continuidade àquilo que ultimamente já estava a fazer pessoalmente, não é?
Sem dúvidas. Eu tenho um convite em Moçambique de uma ONG, portanto será no modelo de uma, de um debate, não é, onde eles convidaram duas senhoras, uma portadora de uma deficiência física e uma outra, não me lembro muito bem qual era o contexto, mas é portanto pessoas que de certa forma a sua vivência tanto enquadra-se aquilo que eu tentei transmitir no livro e vamos conversar sobre isso. E eu acho que podendo poder falar vai ajudar a divulgar ainda mais as pessoas perceberem que olha é possível, né?
E vou juntar a vivência dessas senhoras que estarão no painel, que uma delas é empreendedora e portadora da deficiência física, o que é fantástico, não é? Porque ela claramente está a dizer aquilo que eu também várias vezes repito no livro: não podemos deixar que aquela situação, aquela deficiência, aquela doença nos defina. Nós somos capazes, nós podemos fazer mais. E claro que eu vou me focar um pouco na mulher, na mulher africana, na mulher no geral, porque as mulheres sempre foram, portanto, o elo mais fraco, entre aspas.
Se bem que nós agora, nos dias de hoje, cada vez mais tentamos nos posicionar, vamos atrás, queremos estudar e cada vez mais conquistamos espaços de liderança, mas ainda é preciso divulgar a nossa voz, né? Por aí.
Tu já estiveste cá em Portugal? Portanto, penso que nós vamos aqui de Lisboa, não sei se estou a dizer bem.
Sim, eu ainda estou, estou, ainda estou neste momento, só vou em setembro para Moçambique, mas olha, eu vivi muitos anos em Portugal, eu estudei, eu fiz a minha primária, fiz a universidade aqui em Portugal também, Então é um país que considero a minha segunda casa. Voltei para Moçambique por causa da minha mãe, porque eu não queria ficar longe dela há muito tempo, e também por oportunidades profissionais, certo? Eu consegui logo uma colocação em Moçambique e foi, mas venho sempre, tenho muita ligação com Portugal.
Então tiveste aqui numa idade Há quanto tempo é que, quando é que vieste para cá, para Portugal?
Eu saí de Portugal em 2005, em 2005, mas eu venho, eu venho todos os anos. Os meus filhos agora estudam, o meu filho mais velho está na universidade, está a estudar na Holanda, e a minha filha mais nova está a estudar aqui. Então mais um motivo para eu estar aqui sempre, sempre que estiver bem.
Vais fazendo uma ligação, não é? Uma ponte.
Vou, vou, vou, vou, vou, vou.
Parto do teu tempo aqui um bocadinho.
E gosto também. Identifico-me, sinto saudades, como é óbvio, passei a maior parte da minha vida aqui. Gosto, de certa forma também penso, é normal, não é? Vives tanto tempo num país, é impossível tu dizeres que o país não vai te modelar. Claro, eu sinto que uma parte de mim tem a ver com Portugal.
Ao fim e ao cabo também é bom conhecer outros países, não é? Para podermos perceber o que é que o nosso país tem de bom, não é? O teu país tem de bom.
Sim.
E aquilo que se pode aprender com outros países, obviamente, não é? Porque o que interessa é vivermos todos bem uns com os outros. E voltando aqui a falar sobre, portanto, esta doença, que é uma doença que que pode afetar muito, que vai afetar e afeta muita gente, não é? O nosso programa passa pelos Palop, não sei se queres passar alguma mensagem também para quem nos está a ouvir para além de fronteiras, não é?
Ou para os nossos ouvintes, pronto, quem puder adquirir o livro.
Para que possam conhecer melhor, não é, através do livro.
Sim, sim, sim, a história que eu acho que Quem lê, até porque já tive vários feedbacks nesse sentido, quem lê consegue sim se identificar à sua maneira, enquadrando-se na história da sua vida, porque exatamente tem esta mensagem de motivação. Quer dizer, é assim, eu penso desta forma: há muitas, há muitos palestrantes, muitos motivadores Não é que dão palestras e motivam as pessoas a fazer isto, assado, mas para mim é importante que quem está a dizer, olha, faz assim, ou vai para a esquerda, vai para a direita, consiga te dar exemplos que essa pessoa também fez, não é?
Então para mim, a história da minha mãe, eu usei desta forma. Desculpa a expressão usei, mas eu encaixei no livro desta forma. Exatamente, olha, se tem ali uma lição, diz: olha, tu podes, começa. Porque muitas pessoas ficam: ah, eu gostaria de fazer, eu gostaria de empreender, eu gostaria de abrir negócio, mas eu não consigo porque eu ainda não encontrei as condições ideais. A minha pergunta é: quando é que essas condições ideais vão aparecer?
Começa de algum lado, começa pouco, começa com aquilo que tens. E eu motivo, enfatizo várias vezes no livro O importante é começar, porque se tu não tentares, tu até podes te arrepender. E se eu tivesse? Não esperes pelas tais condições ideais, porque se calhar podem nunca acontecer. E eu costumo dar o exemplo de vender abadia. Nós lá em Moçambique chamamos abadia, não é? Vender lá fora na rua abadia. Tu podes começar com um pouquinho, 10 abadias, sei lá, começas a vender e dali fazes um lucro, consegues aumentar o material.
Produzir mais e vendes mais, portanto, não é? Já estás a fazer ali um negóciozinho.
Exato. Tu afinal de contas é literatura, é memória, liderança, empreendedorismo, tanto ligado, não é? Afinal de contas é todo este trabalho onde estás envolvida, não é?
Sim, sim, sim, sim, sem dúvida. Eu acredito muito, pronto, porque para além de de ser empreendedora, agora tentativa de escritora, eu também trabalho para uma empresa, não é? Trabalho para um escritório de advogados onde eu controlo todas as operações, o back office dessa empresa. Então para mim todo esse aprendizado ajuda-me nos meus objetivos, não é? Eu consigo tirar experiências de onde eu trabalho para também os meus pequenos negócios, Para tudo o que eu decido fazer na vida, eu uso essas experiências que eu vou colhendo daqui, dali, da colar, para melhorar e fazer mais melhor.
Sim, portanto, és uma pessoa que consegue ver o teu potencial, não é? Porque às vezes o nosso problema é esse, é não vermos o nosso potencial. E na realidade nós conseguimos ir sempre mais além que aquilo que pensamos que iremos conseguir, não é?
Eu acho que sim, sempre ouvi falar na lei da atração, no foco. Portanto, a pessoa identifica onde quer chegar e cumpre. Mas claro, é assim, não te adianta nada dizer eu quero fazer se não há compromisso. Não tens que te comprometer a correr, ir atrás, fazer, porque nada vem de mão beijada. E para conseguires conciliar tudo isto, tu tens que entregar, não é? Se calhar vais ter que abdicar de umas saídas à noite, não é? Vai menos dar menos voltinhas e mais trabalho.
Então, nesse sentido, mas que é possível, se a pessoa decidir fazer, é possível.
Sim, podemos dizer que és uma mulher trabalhadora, ao fim e ao cabo, não é?
E tens grandes possibilidades. E com muito orgulho. Acho que as mulheres, mais uma vez, temos que sim trabalhar e conquistar o nosso espaço, e não há outra forma.
Como é que têm sido os teus contactos, tanto fora ou aqui em Portugal, não é? Como é que têm sido Portanto, quais têm sido os teus contactos e quais são os objetivos que tens para este ano a nível de contactos? O que é que pensas fazer?
Já fiz, nesse sentido sinto-me bastante feliz. Portanto, desde que cá cheguei participei num programa da RTP África, foi bastante positivo, claro, porque agora as vozes que ficam vai ter outra visibilidade, certo? Deram uma oportunidade de poder partilhar com o do Lusófono, o mundo inteiro, acredito, onde passa o programa, não é? Já foi um bom começo, a meu ver, fora de Moçambique. Participei também num outro programa de rádio, agora no seu, e tenho boas perspetivas quando voltar para Moçambique.
Eu estou aqui quase um mês e já consegui fazer, portanto, ter esta atividade toda. Acho que é muito bom. Daqui para frente vamos ver. Em Moçambique sei que já tenho algumas, algumas questões agendadas, mas vou continuar a trabalhar porque eu acho que de facto a obra tem potencial e não, não vejo porque é que vai parar. Vou tentar conciliar com toda a minha rotina e agarrar as oportunidades, é o que eu vou fazer. Há bem pouco tempo até estive numa outra, numa outra conversa onde conheci uma senhora, ela tá nesse mundo literário e já me deu alguma abertura para também ajudar na divulgação das vozes que ficam pelo mundo inteiro. Então vamos ver, acho que as perspetivas são boas.
Para quem tiver interesse em conhecer, quem está a ouvir, ao fim e ao cabo querer ler o teu livro, onde é que pode ser adquirido? Como é que poderá quem está em Portugal ou noutro país, haverá forma de poderem adquirir o teu livro?
Sim, sim, sim. Eu neste momento estou em negociações que é para ver se consigo colocar nas livrarias aqui em Portugal. Portanto, estava a discutir como é que será o processo, não é? Se tudo correr bem, vou conseguir colocar. É essa a minha ambição. Neste momento, em Moçambique, já está em algumas livrarias, está na Mabuco, está na Casa do Leitor. Contudo, também quem me contacta pelo Instagram, se quiser adquirir, há sempre formas de fazer chegar o livro.
E tenho a pretensão depois de colocar no Amazon o e-book, pronto, vou ver se consigo, mas a obra foi lançada há bem pouco tempo, então ainda não consegui dar todos esses passos, mas já tenho o pensamento estruturado e essa ambição é o que eu pretendo fazer. Mas pela minha página do Instagram nós podemos portanto falar e depois definir a melhor estratégia para fazer chegar o livro.
Já agora, se quiser ajudar, o teu endereço do Instagram, redes sociais.
Sim, sim, é vozes que ficam, é vozes, aquele underscore, que underscore ficam.
Ok, portanto é esse. Enviaste-me aqui uns 2 ou 3 links, se não estou em erro. Queres falar um pouco sobre os links que me enviaste, não é? Tu tens aqui o Diário Económico.
Ah, sobre as minhas outras?
Sim, exato.
Ah, sim, então Eu abri uma pequena fábrica, pequena porque ainda estou a começar, mas com muito orgulho, de gelados picolés. São feitos de fruta, de fruta natural. O meu conceito é natural, sem conservantes, corantes. Pronto, ia com a fruta, com pouco açúcar. Portanto, eu quero andar nesta linha, não é? O mais saudável possível, orgânico possível, porque eu vejo que cada vez mais eu como mãe também me preocupo. Acredito que os outros pais, não só para eles, mas também para os filhos, estão cada vez mais preocupados em— porque o gelado todo mundo gosta, né?
Mas o pai vai dizer, não, mas tem muito doce. Mas o meu conceito é mesmo natural, o mais saudável possível, e estou bastante satisfeita com a receptividade que estou a ter. E nós lá em Moçambique temos fruta boa disponível e estou a apostar também em frutas locais, é diferenciado, não é? E até agora a aceitação está a ser muito boa. Pronto, o meu objetivo é conseguir colocar a nível nacional em Moçambique, depois vamos ver, mas por agora é o que estou a fazer.
E agora que estive aqui pela Europa Também o que eu fiz foi investigar o que é que está a ser feito, não é? Perceber novas técnicas e tudo mais. E fiquei bastante feliz em perceber que aqui também, portanto, este conceito, as pessoas estão bastante preocupadas com o natural e já existe o picolé. Só não sei se as frutas serão tão naturais como nós lá em África, né?
Mas é um dos teus objetivos, ao fim e ao cabo. Aqui no Diário Económico, portanto, tens o lançamento Vossos Que Ficam, Não é? Com o apoio do BCI?
É assim, o lançamento do livro. Ao fim e ao cabo, o que é que aconteceu aqui?
Foi um debate? Foi— talvez seja melhor explicares.
Não, essa, portanto, essa reportagem no Diário Económico foi a cobertura do evento de lançamento do meu livro, que foi feito no auditório do BCI. Portanto, o patrocínio deles foi acolher, portanto, o lançamento, a cerimónia de lançamento do meu livro, que correu muito bem, graças a Deus, foi, esteve acima das minhas expectativas. Pronto, esteve lá um dos canais de televisão fazer a cobertura, e depois disso, nos dias subsequentes, vi várias reportagens em vários jornais e revistas, e que deixou-me bastante muito feliz porque de fato a mensagem, pronto, mostrou ser algo importante e que faz a diferença na vida das pessoas. E pronto, e foi exatamente a cerimónia de cobertura do lançamento.
Exato. E tens conseguido arranjar alguns contactos importantes, obviamente, para este lançamento?
Sim, no dia de lançamento, claro, consegui, porque também eu já tenho uma rede de networking bastante sólida. Tinha a expectativa de que tivessem participado mais pessoas, mas se calhar a data, 1 de junho, não tenha sido das melhores, mas foi o que eu encontrei disponibilidade por parte do BCI. Mas sim, até agora não há o que reclamar. Acho que a receptividade está a ser mesmo acima das minhas expectativas. Eu acho que isto já é bastante positivo.
Sim, depois temos aqui a página Cameraman, onde fala sobre a obra literária com o título Você Precisa.
Sim, eles também fizeram a cobertura.
Em Maputo, não é? Foi em Maputo?
Sim, sim, foi em Maputo.
Como é que foi este lançamento? Foi o teu primeiro, a tua primeira apresentação a um público deste livro?
Do livro, sim, sim, foi mesmo a cerimónia de lançamento do livro. Foi o primeiro livro que eu também escrevi. Já escrevi alguns artigos, portanto, para a revista Business and Legal, Mas portanto, um artigo mais, portanto, relacionado com a minha atividade, portanto, com o negócio de turismo, não é? O artigo foi mais o que eu pretendi motivar. Nós em Moçambique agora estamos a passar por algumas dificuldades em termos de moeda estrangeira, então eu tentei ali dar algumas sugestões, por exemplo, para quem tem os filhos a estudar fora, portanto motivei um planeamento, não deixar para a última da hora, tendo em conta que estamos com estes constrangimentos, se calhar se conseguires transferir um pouco mais, não é, quando chegar o momento em que tiveres dificuldades já não estarás tão apertada porque já haverá algum excedente, não é, lá do outro lado com o seu filho, Portanto, ser um pouco mais organizado financeiramente ajuda bastante para estes momentos onde aperta mais.
Então o artigo foi mais nesse sentido, portanto, em termos de gestão de tesouraria, de cash flow, gestão de pessoas e processos, neste sentido que é o trabalho que eu também faço no meu dia a dia.
Sim, uma vez que tu tens esta experiência toda, não é? Portanto, ao fim e ao cabo partilhas para ajudar as mulheres e outras pessoas, não é, que precisam de organizar as suas finanças, ao fim e ao cabo, e o seu futuro.
Sim, sim, sim. Olhei para a liderança, não é, porque o meu dia a dia é gerir pessoas, recursos, portanto gerir pessoas e recursos, que é um dos principais desafios, não é? Gerir pessoas já é o desafio, agora imagina gerir pessoas e com poucos concursos, como é que nós podemos gerir isto e a mesma conseguir alcançar resultados. Portanto, a ideia andou por aí.
Sim, exatamente. Se quiseres dar mais alguma informação, posso ter esquecido algo.
De qualquer forma, talvez falar do meu outro projeto, que é dos detergentes de bolsa, que eu também coloquei agora, estou a colocar no mercado. É um produto bom. Neste caso eu estou a colocar como distribuidora. Não é fácil quando é um produto novo, as pessoas ainda não conhecem, portanto existe uma certa resistência, mas vou trabalhar, vou insistir e acredito que vá conseguir. É um negócio também recente, mas estou focada porque acredito no potencial do produto que estou a vender.
E acho que isto é que é importante, não é? Não vou vender uma coisa na qual eu não acredito. Então, primeiramente, eu própria tenho que gostar, acreditar, depois fica mais fácil convencer outra pessoa.
Portanto, este produto é em Maputo, não é? Portanto, aí em África, não é? Que vais lançar?
Sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim. Não é uma produção minha, não sou eu que produzo, eu importo.
Distribuição, será isso?
Sim, estou a fazer a distribuição.
Sim, exatamente. Como é que foi o teu primeiro projeto, não é, de trabalhar por conta própria? Ao fim e ao cabo, não é? Como é que surgiu o teu primeiro projeto?
Bom, eu sempre trabalhei no mundo corporativo, eu sempre tive uma carreira corporativa, e durante, nos primeiros anos da minha carreira corporativa, era muito focada na carreira. Na verdade, eu vejo que eu tinha a mente um pouco fechada, eu só estava ali, ok, vou apostar na minha carreira, e não conseguia olhar para mais nada. Mas em algum momento da vida, da minha trajetória, em que tive algumas dificuldades, e esse momento foi exatamente no momento em que eu perdi a minha mãe, e pronto, e passei também por algumas situações em que eu percebi que deveria fazer algo mais.
E foi aí que tanto todos os ensinamentos dela, porque ela era empreendedora também, então eu até já lhe ajudei em vários dos negócios dela, participei, ajudava, mas nunca havia feito nada para mim, não é? Então aquele momento eu considero que foi um momento de decisão, onde eu decidi ter outro tipo de abordagem, não apenas focar-me no meu mundo corporativo, mas também fazer outras coisas. Por exemplo, eu já, eu já produzi frangos.
Em Moçambique come-se muito frango. Eu não percebia nada de frangos, mas tendo em conta os ensinamentos todos, não precisas de perceber, desde que tu tenhas a ousadia investigar, perguntar, tenta. Então resolvi tentar. Como em minha casa eu tenho assim muito espaço e tenho assim tanto um terreno Resolvi colocar ali na dependência que eu tinha e comecei com 100 francos. Portanto, uma conhecida explicou-me, olha, precisas de ter X, Y, Z, são os raw material que tu vais precisar, e comecei assim.
Lembro-me, e até coloquei algo nesse sentido no livro, portanto acabou sendo uma história engraçada, que os primeiros, a primeira encomenda que eu tive foi para uma tia minha. Então E eu não, eu ainda não sabia como tratar o frango, né? Depois de penar, que tinha que separar as patinhas, tirar o pescoço. Bem, o que é que eu fiz?
Eu peguei no frango, a gente quer Portugal ser uma miúda.
Exato.
Mas eu não fiz nada disso. E o que é que é para comer com frango assado com batata frita?
Exatamente. Mas eu não fiz nada disso. Eu peguei no frango, coloquei lá no plástico, todo ele com as patas e tudo assim inteirinho. Meu Deus! Depois não deixou o frango secar como deve ser, começaram a ficar meio esverdeados. A minha tia quando recebeu, olha, graças a Deus foi ela, ela não ficou chateada, ela só disse: olha, ó filha, como ela me trata, não era assim que devias ter feito, devias ter cortado as patas, tirado o pescoço, separar portanto ali as moelas, não sei o quê. Eu não sabia, devias ter colocado à parte.
Então Veja, né?
Eu estava às cegas, mas olha, depois disto eu fui investigando mais e o número de que consegui fui aumentando, a quantidade de frangos a produzir. Depois chegou uma altura que depenar estava a ser muito difícil, importei uma máquina de depenar da China. Enfim, eu fui melhorando a minha técnica, os processos.
Este tendo o teu lucro e este investindo o teu lucro, reinvestindo no negócio.
Exatamente isso.
E melhorar a qualidade do produto.
Sim, sim, sim, sim. E a minha própria técnica, fui investigando, fui perguntando e percebi que, bem, frangos é um negócio que dá, porque nós em África comemos muito frangos. E chegou uma altura que já tinha 2500 francos de produção mensal. Já não era brincadeira, não era brincadeira. Já comecei a ter alguns tipos de dificuldades no sentido de que onde eu estava a criar já não era adequado, porque era a minha casa, era uma zona habitacional.
Exato, eu ali teria que escalar, ou seja, teria que provavelmente encontrar um sítio adequado para este tipo de produção e não na minha casa, porque depois gerava insetos, baratas, coisas assim. Já não estava, já não não sou compatível com uma residência.
O pedido já era superior àquilo que era possível fazer na altura.
Exato. E entretanto, só que eu tive um problema. Houve um ano que tivemos cheias e perdi tudo, tudo foi. Os frangos, porque aquele tipo de criação, água não combina com água, foi logo tudo, tudo, perdi E como eu também já estava naquela situação, ou eu arranjava forma de escalar, não é, saía dali, ou parava. Porque entretanto tive uma quebra gigantesca, né, financeiramente foi uma quebra que não ajudou. E eu não, não decidi não avançar mais, decidi não avançar mais.
Mas eu, eu falo disto com muito orgulho porque aprendi, não sou ou não, essa não é a minha área de expertise. E as pessoas perguntavam, mas tu estudaste economia, tu trabalhas? Eu disse, olha, mas não há multinacionais que vendem e produzem frangos? Claro que há, não é? Isso não tem nada a ver.
Mas se houvesse procura, significa que estavas a fazer um bom trabalho. Obviamente que era necessário, sem dúvida, ou escalar ou fazer uma pausa, não é? E aprendes.
Exato.
Há muito sempre a aprender com tudo isso, e as coisas podem fica em standby e mais tarde voltar, nunca se sabe, não é?
Sem dúvida, mas para mim foi esse, foi esta, como eu vos posso explicar, foi um momento decisivo na minha vida, não é? Em que eu depois disso não parei mais, fui fazendo outras coisas, mas passei a ter outra forma de pensar, que pronto, tu dizes do trabalho, mas não acho que as pessoas tenham que ficar ali só no trabalho, Claro, eu dedico ao meu trabalho de corpo e alma, e porque eu gosto de entregar qualidade, e só vou ao ritmo que eu vejo que consigo, não é?
Se eu perceber que não dá, tenho que travar. E é por isso que também as minhas empresas só ainda estão assim numa dimensão mais pequena. Quem sabe um dia, quando eu me reformar ou algo assim do género, eu possa me dedicar a 100%. Mas o bom disto é que eu estou a retirar muito aprendizado. Isto ajuda-me até onde eu trabalho a tomar decisões mais conscientes, mais com pés no chão. Então é muito positivo.
Nós estamos quase a terminar, mas o importante aqui é dar um, ao fim e ao cabo, é um breve resumo de tudo isto, porque o importante aqui é perceber que tu és uma mulher cheia de força, cheia de vontades, não é? E isso é importante ver aqui também a parte feminina, não é, de tudo aquilo que se consegue, que tu consegues fazer. E isto é importante, por isso é que decidimos fazer esta entrevista. Fugimos de uma coisa, um pouco da parte musical, mas é muito importante também conhecer as pessoas e saber aquilo que elas fazem, a luta, as emoções e tudo o que se com a família e com a vida, não é?
E portanto tens todo este conjunto que foi bastante útil aqui para o nosso programa e pudeste partilhar. E quem quiser, obviamente, estar interessado, se quiseres voltar a dar alguma informação sobre as redes, tens um minuto mais ou menos antes de terminarmos.
Muito obrigada. Quem quiser adquirir o livro, está no Instagram, na página das vozes que ficam, e os outros, os lados. Bibita Pops também está lá, e os detergentes está Malixa Care. Enfim, hoje em dia com essas plataformas digitais é muito fácil nós chegarmos a todo mundo. Estou aqui de braços abertos para quem quiser ouvir as vozes e tudo o resto, para partilhar experiências. Estou aqui disponível.
E que vai dando notícias, ao fim e ao cabo, quer seja nas redes sociais, quer seja mais algo surja, podemos obviamente voltar a falar. E é bom ver sempre pessoas assim motivadas e poder motivar outras pessoas, pessoas que nos estão a ouvir. Portanto, agradeço.
Muito obrigada, muito obrigada, muito obrigada, muito obrigado, muito obrigado. Com licença, até breve.
Até breve. Obrigado, obrigado.