Marta Ferreira
Entrevista Exclusiva. Biografia.
Luís
Marta Ferreira
- Lançamento de Temas Originais e EP· EntretenimentoNelson·Viva a Música·N-Prod·O Cú Duro da Marta·Na Festa da Aldeia·Almadão
- Carreira em Bailes e Vida Artística· CulturaRedes sociais·Facebook·TikTok·Instagram·Música popular portuguesa
- Mensagem e Inspiração para Jovens· SociedadePersistência nos sonhos·Aprender acordeão·Orgulho pessoal
- Carreira e Mercado Musical· CulturaCampo Maior·Acordeão·Influências musicais·Primeiros passos na música
- Trabalho na TV Cultura· EntretenimentoPraça da Alegria·Estrelas ao Sábado·Música Alentejana·Arranjos musicais
- Acordeão de Botões· CulturaAcordeão de teclas·Acordeão de botões·Pandemia de COVID-19·Aprendizagem autodidata
Olá a todos, bem-vindos ao programa Tuga Mix. Hoje temos aqui uma convidada especial, portanto, a artista Marta Ferreira, que tem 24 anos e é de Campo Maior. Olá, Marta Ferreira, bem-vinda ao programa Tuga Mix.
Olá a todos os nossos ouvintes, olá Luís, e obrigada pelo convite e pela oportunidade de estar aqui a dar a conhecer e a divulgar também o meu trabalho.
Exatamente. Tu começaste a música, portanto, aos 9 anos de idade, se não estou em erro.
Exatamente.
Conta-me um pouco da história. Tu és de Campo Maior. Como é que, como é que, quais foram as influências que tiveste?
Então, eu sou de Campo Maior, nascida e criada até aos dias de hoje. A minha terra foi-me a crescer tanto a nível pessoal como a nível também profissional. Ou seja, a música e o acordeão entram quando eu tinha 9 anos de idade, que fui numas idas de férias para o Algarve com os meus pais. Fomos lá passar umas férias e há sempre aqueles bailaricos de verão, e num desses bailaricos havia um jovem a tocar acordeão. E o som começou-me a entrar no ouvido, eu comecei a gostar de ouvir o que o rapaz estava a tocar mesmo, e a melodia.
E virei-me para os meus pais e disse que queria aprender a tocar o acordeão. Meus pais, que sempre me deram asas para voar e sempre acreditaram no meu sonho de criança de, pronto, querer aprender acordeão e tudo, então procuraram uma escola de música. Por sorte tinha cá uma escola de música na minha terra, que é Campo Maior, e aprendi aí a tocar com o professor Tiago Afonso. Depois houve vários vertentes que isso na música. Marta, dos 9 anos, depois de aprender acordeão, decidiu que pronto, teve o sonho de ser artista, ter os seus próprios temas originais.
Só que até que cheguei aqui fui subindo a escada a pouco e pouco, digamos assim. Então comecei a aprender acordeão na escola aqui da minha terra, em Campo Maior, E comecei a frequentar alguns ranchos. Comecei aqui pelo Rancho da minha Terra, depois o mesmo acabou e fui para o Rancho da Ronchas. O mesmo também acabou e então fui para um grupo de cantares de Santo Hilário. Aí comecei a cantar no grupo de cantares, comecei a cantar. Nos outros era só acordeonista, aí já era acordeonista e um pouco vocalista.
E também vocalista.
E também vocalista.
Tu, por exemplo, Tentas escrever letras para as músicas? Tens o apoio de alguém? Como é que iniciaste ou está atualmente o teu trabalho em relação a isso?
Então, eu tenho cabeça para música, mas cabeça para fazer letras não, ainda não consigo. Não digo que daqui a um tempo não consiga fazê-lo, porque acho que também vai crescer sempre aperfeiçoando as coisas, os promórios.
Eu questiono isto porque há pessoas que cantam que passa obviamente por outras letras, não é? Até mesmo pessoas famosas. E que entretanto têm ali um diário que vão juntando e chegam a uma altura em que então querem expor. Há, por exemplo, situações como a Mónica Sintra. Ela tem as suas músicas, mas não é? Tem ali sempre algo no baú guardado, no seu cofrezinho, para mais tarde, quando for à altura certa, fazer, não é?
Então, de momento, de momento, ainda não tenho esse cofrecinho, baú. Mas quem sabe um dia mais tarde, também com esta experiência dos temas originais, que não vá escrever alguma coisa.
Um diariozinho com cadeado, não é? Fala-me das teclas, não é? Nós offline estávamos a falar sobre isso. Quer explicar um pouco a tua passagem, não é?
Que houve? Sim, claro que sim. Eu iniciei, quando aprendi acordeão, iniciei no acordeão de teclas. Toco teclas durante 8 anos. Depois decidi que queria começar a aprender botões.
Qual a diferença, para quem não percebe e olha para o acordeão e julga que é tudo igual?
Então, a diferença está em termos de escala. Ou seja, num acordeão de teclas temos de tocar, digamos, com a mão mais aberta, enquanto num acordeão de botões Os botões estão ali todos ao pé, quase não precisamos de andar ali com muita ginástica de dedos porque está ali tudo ao pé.
Ok, mantém-se os mesmos, o mesmo número de teclas, mas há um distanciamento, será isso?
Sim, então comecei aos 9 anos com o acordeão de teclas e depois, ainda na altura da pandemia, decidi trocar para botões. Lá está, iniciou a pandemia, as escolas fecharam, tudo fechou e nós ficámos em casa. Eu sei saber tocar o acordeão de botões, fiquei ali só com o acordeão em casa. Aí, para eu aprender, eu sempre tive muito ouvido para a música, então ia tocando uma tecla, ia tocando o botão para ir associando o som. Ou seja, o acordeão de botões foi tudo à base do ouvido para eu conseguir tocar hoje em dia. Nada teórico, a teoria tive já toda as teclas.
Sim.
E pronto, juntei o útil ao agradável, com o conhecimento que eu tinha, com o ouvido também que tinha, e lá me fui descerrascando, digamos assim. Depois de já saber onde estavam as notas, saber, digamos, a teoria entre aspas, decidi, então, se temos numa pandemia em que não podemos fazer nada, vamos fazer alguma coisa de jeito.
Criaram os lives. Será que foi isso?
Não foi bem live, ou seja, foi mais criar um repertório para fazer a minha vida de baile, para iniciar a minha vida de baile.
Ok, aproveitaste para refletir sobre, ou seja, refletir, criar novas ideias e avançar mais um piso, não é?
Se eu já tocava acordeão e no último grupo que eu estive integrada comecei a cantar, ou seja, já cantava e tocava, porque é que não iniciar uma vida de baile? Se é também uma cena tipo de música, é o popular português, bora iniciar um tipo de baile dentro desse género musical. Então fui criando o repertório, mas ao mesmo tempo pensava, e se não der certo? Porque ninguém me conhecia, tipo aqui ao redor sim, mas pelo país ninguém me conhecia.
Então vamos lá testar para ver se isto vai dar certo. Na época só tinha a rede social do Facebook, então decidi, vou gravar um vídeo, vou meter no Facebook, desapareço por umas horas e vou ver o que é que isto dá. E assim foi, gravei os vídeos, eu a tocar e a cantar, e pronto, comecei a ter visualizações, gostos, comentários. Ou seja, o público aderiu muito bem. Eu tinha poucos seguidores na época, que não eram seguidores, eram os amigos do Facebook. Na tua página na época.
Sim, só estou a organizar aí a rede social, não é? Está a acrescentar algo mais? TikTok, utilizas atualmente, por exemplo? Atualmente sim, mas até que vi o TikTok, às vezes é mais o TikTok que o Facebook. Por acaso não utilizo muito, não tenho tempo para isso. Se a gente tem um segundo trabalho, não é? Mas sim, o TikTok dá boas audiências também, por exemplo. Mas sim, continua.
E depois era para o próprio filme mesmo do Facebook, comecei a ter visualizações, gostos. Iniciei a minha vida nos bailes quando acabou a pandemia, iniciei em 2023.
Era isso, estava a ouvir e a ler.
Iniciei a minha vida nos bailes em 2023, pronto, comecei a ser conhecida pelo país. Comecei a ir atuar ao Norte, atuar ao Algarve, a fazer aqui as zonas do Alentejo. Comecei a ter maior reconhecimento e comecei então a criar a minha página de Facebook, que é a que está atualmente. Na época era como acordeonista e vocalista, que era como me apresentava nos bailes, coro portório de outros artistas. Depois também, pronto, já tinha uma página de Facebook, vamos criar uma página de Instagram.
Quem ainda tem Facebook tem Instagram. E também comecei no Instagram a meter lá uns vídeos.
Temos aqui um jovem talento. Sim, sempre fui, digamos, os pés no centro da terra, que é isto que funciona, não é?
Eu sempre, em termos de música, sempre fui ligada muito ao popular português, sempre ouvi muita música portuguesa.
Pelo facto de estares a morar em Campo Maior, não é? É onde dão mais ênfase àquilo que é feito por nós, não é?
Inicialmente, mas também temos muita influência dos espanhóis, também ouvimos muita música espanhola.
Também hablas um pouquito de espanhol, por suposto?
Sim, também hablo um pouquinho espanhol. Inclusive, eu não toco só em Portugal, também antes fazia também uns bailaricos aqui por volta de La Codocera, La Barça, por aí.
Muito bom.
De nossa cidade.
Mas tu cantas em espanhol ou português?
Ambos. E acho que isso é portinhão, é uma mistura dos dois.
É isso mesmo. Olha, mas para além da tua simplicidade, portanto, entretanto já tiveste, graças a Deus, tiveste tanto o poder participar na Praça da Alegria, nas Estrelas ao sábado na RTP1. Queres comentar como é que foi a tua Esta experiência, não é?
Claro que sim, esta experiência foi boa, abriu muitas portas também. Então, primeiro foi a Praça da Alegria, fui convidada para falar sobre um bocado do meu projeto enquanto acordeonista e vocalista, que antes não tinha temas, não tinha editora, não tinha nada, era só uma jovem que cantava. Ok, nas festas de verão fui lá, portanto eu, pronto, o meu trabalho. E a música que levei para tocar em direto foi o Baile de Verão do José Malhoa, bastante conhecido, e é a música com que abro sempre os meus bailes.
Sempre.
Exatamente. Ainda, ainda ouço.
Dá-me aí 30 segundos, ou queres cantar um bocadinho, mesmo sem o instrumental?
Claro que sim. Ainda te lembro, amor, contudo começou-se. Te esqueceste? Eu não. Nosso primeiro beija-beija foi atrás da igreja, num bailarico de verão. A lua estava a sorrir, a tua boca a pedir, e toda a aldeia também a crer no cheiro acertar. E para me encorajar, ainda me lembro o meu bem. Muito bom, muito bom.
Vê-se a tua alegria, tu gostas mesmo do que fazes. Não sei se continuas a estudar. Mas vê-se que—
e há de ser uma curiosidade, que é mesmo tendo os meus temas originais, mas não a Scura Móri Meia de espetáculo ainda, porque ainda são só 4, mas estamos a trabalhar para muitos mais saírem. Mas ainda o Baile de Verão é aquela música que dá aquela energia logo no início do espetáculo, até é a música que abro os meus espetáculos. Depois, de modo estratégico, fui metendo as minhas, pelo menos aquelas Há ali duas que estão a bater mais, que o público gosta mais, que houve mais.
Até essas deixei mais para o final, que é mesmo a estratégia de segurar o público até ao final.
Como é que foi a primeira vez? Eras muito nova, não é?
A primeira vez que subi ao palco, atrevo-me a dizer que nem um ano de formação eu tinha. Ok, lá está, eu tinha muito ouvido. Sempre tive muito ouvido. Então quando o meu professor me estava a explicar o exercício, ele tinha que simplificar as notas. Então eu não ia muito pela pauta, ia muito pelo ouvido.
Sim.
Então chegou ali a uma parte que ele percebeu isso e começou-me a ensinar música. Pronto, as primeiras músicas que aprendi foi o Apitó Comboio, muito popular nos bailos, e depois aqui na minha terra Há muito as saias de Campo Maior, das festas das flores, tudo. Então as primeiras músicas que eu aprendi foi o Apito ao Comboio e uma moda de saias. No mesmo ano houve uma apresentação da escola para mostrar ao município o trabalho que nós temos tido ao longo desse ano, só que eu tinha meses de formação, mas já tocava essas duas músicas.
Então pronto, uma ideia minha e do meu professor, por que não apresentar essas duas músicas? Se correr mal também não faz mal, vocês cá para aprenderes. E eu fiquei a ideia para a frente, e coras de formação, apresentem-me no palco, toquei o apito ao comboio, toquei as saias, sempre com aquela coisa, isso corre mal, isso corre mal. Era nova, era novinha, tinha 9 anos, mas correu tudo bem.
Então é isso, já é novo aquele problema de, ai, os amigos estão a ver, são os maiores críticos logo.
Não, não, porque eu tinha o cordão ao colo e olhava assim, eu tocava literalmente assim, olhar para baixo e não olhava para pessoas.
Ótimo, deves ter começado na melhor altura, porque assim não tens amigos, são os maiores críticos, e interessa é avançar. Às vezes, não estou a dizer que sejam sempre, mas pronto.
Depois, no meu primeiro baile, eu estreiei-me em Elvas. No meu primeiro baile, muito nervosismo, muito isso faz uma nota, faz-se notar. Já tinha um repertório criado para 4 horas, sim. 5 horas. E se eu falhar e tudo mais, correu tudo bem, graças a Deus. O público também aderiu muito bem às minhas músicas, às músicas que tinha escolhido. E depois continuei a fazer a minha vida dos bailes, 2023, 2024 e 2025. Praticamente foram só aí coisa de 2 anos de baile.
Entrei lá, tá, participei na Praça da Alegria, apresenta-me como acordeonista e vocalista, apresentei o tema O Baile de Verão do José Maior. E passado há 4 dias apresentei-me nas Estrelas ao sábado, onde levei uma música que foi, não é da minha autoria, mas foi que fiz do arranjo da música. Então vou explicar. Isto na altura da pandemia, muito tempo em casa com a música, fui explorar um bocadinho a música alentejana, que eu sou alentejana.
Então juntei 4 músicas alentejanas numa só, que é o Passarinho, a Senhora Cegonha, o Montinho e a Laurindinha. E fiz uma rapsódia quando decidi participar nas Estrelas Só Sábado, que é um mix, não é?
É um mix.
Sim, praticamente é isso.
Quem é que estava lá na altura nas Estrelas Só Sábado?
Tinha um público enorme, tinha 7 câmaras a apontar para mim, mas o meu pilar assim maior era os meus pais que estavam na plateia a assistirem. Mais uma vez E apoiaram também. Agora, para a televisão, vamos para a televisão. Meus pais nunca foram aquelas pessoas que me disserem, olha, não faças, pode não dar certo. Meus pais sempre foram aquelas pessoas, faz, faz, se der certo ainda melhor, mas se não der, ao menos tentaste.
Exatamente.
Sempre tive essa força e esse apoio deles para chegar até aqui. Então, quando a equipa, quando a produção entrou em contato comigo, qual era os temas quais nasceram, Eu apresentei esse tema e disse que era pronto um arranjamento. Lá toquei o tema. Infelizmente não passei do primeiro tema, mas aí foi onde as portas se me abriram. Foi aí que tive a oportunidade de, pronto, surgiu a oportunidade de ter os meus próprios temas.
Pois é, é isso que eu ia perguntar logo a seguir. O Jorge e a Nai surgiram depois disso então?
Exatamente.
Eu não sabia quando é que tinha surgido.
Surgiram depois disso, eu fiquei bastante contente daquela, daquele sonho da Marta, que era uma miúda de 9 anos, estar-se a realizar. Estava a um passo de se realizar. Hoje em dia não está realizado, mas ao menos já consegui uns temas.
Mas vais alcançando sonhos, não é?
Sim, a pouco e pouco lá está. A gente não pode dar o passo maior que a perna. A gente tem que ir subir na escada à medida das nossas pernas e à medida dos degraus. E eu, e eu estando aqui já neste nível e olhar para trás para tudo o que vivi, tudo o que corri atrás, a Estrela vai dizer que sinto um grande orgulho porque é uma arta de 9 anos, nunca desistiu, sempre batalhou, sempre lutou até chegar aqui. E certamente que eu estou orgulhosa da Marta de 9 anos e a Marta de 9 anos está orgulhosa da Marta de 24. Ter conseguido chegar.
Tu entraste tanto para uma editora, não sei se queres falar da editora, estás à vontade. Entrei para a editora que tens agora, não é?
Sim, a editora que tenho agora é a Viva a Música. É a editora que, pronto, está a lançar os meus temas, que me faz, pronto, a divulgação, a promoção, que faz tudo. Agora é editora. Depois, os meus temas são da autoria do Nelson Costa, que é bastante conhecido na música popular e tradicional portuguesa. Ele é que é o autor dos meus temas, ele é que é o meu produtor musical. E além também do Nelson e da editora, também tenho a equipa da N-Prod, que pronto, é uma equipa toda montada atrás da minha imagem.
Ou seja, a equipa da N-Prod criou-me o logotipo, criou-me a imagem, criou-me os cartazes, Isto surgiu este ano? A entrada para a editora, de entrar mesmo, surgiu este ano em fevereiro, mas os temas, começou-se a trabalhar com Nelson, começou-se a trabalhar aí no final de novembro, inícios de dezembro.
Sim, ok.
Mas pronto, o grande lançamento de artista foi este ano.
Pois, exato, exatamente. O primeiro EP, O Coduro da Marta.
Exatamente, o meu primeiro EP.
É de estares muito tempo sentada na cadeira.
Exatamente, aqui no Alentejo nós já sabemos.
Aí em Campo Maior, e estás bem aí ao sítio calminho.
Sim, sim, claro que sim. Então, falando do meu primeiro EP, porquê O Coduro da Marta? Porque eu, em termos de acordeonista e focalista, que é a minha entidade anterior, sempre fui muito ligada ao popular português. E quando me tornei artista, juntamente também com a ideia do Nelson e também com as minhas ideias, quis dar a mostrar aos jovens lá em casa, às pessoas que querem aprender acordeão, que o acordeão não é só popular e tradicional como muita gente tem na cabeça.
O acordeão a gente pode tocar todo o estilo musical que a gente quiser. Daí ter lançado o Coduro da Marta, porque já não é tão popular, já tem outra batida, já tem mais instrumentos, já é uma coisa para os jovens, né, que as pessoas com mais idade não possam ouvir. Mas se calhar bate mais nos jovens. E juntamente com essa música lancei Na Festa da Aldeia, que é que faz conjunto com esse EP. A festa da aldeia já é aquela música popular mesmo de festa.
Ou seja, o acordeão é para festa, sim, mas também tem outros estilos musicais que a gente pode estudar e pode aperfeiçoar. E foi isso que eu quis transmitir lá para casa, porque muita gente—
tu tens é passar, estou-te a questionar, obviamente, é passares música dançável animada?
Sim, sem dúvida. Até porque eu sou uma pessoa bastante divertida e essa coisa que eu quero transmitir lá para casa, músicas alegres, músicas divertidas, mas também músicas de vários géneros musicais. Tanto que agora no meu segundo EP lancei Almadião, que é o último.
Foi em maio, não é?
Vem em maio, sim. 29 de maio. Mas sim, o Homem-Malhão lá está, porque nunca tinha tocado nenhum Malhão. Era muita base do Pimba.
Não conheço essa música. Como é que é o Malhão Malhão?
Conheço a música do Malhão Malhão, mas nunca tinha incluído assim no meu repertório.
Exato, exato.
Então também, como é que é a música do Malhão Malhão? Homem-Malhão. A minha é o medalhão.
Ah, tu é da plástica? Diga. Criaste uma letra?
Criei não, Nelson criou.
O Nelson criou uma letra para o medalhão?
Para o medalhão.
Então, que vida é que é a tua? Conta lá como é que é a tua vida.
Olha, a minha vida é nos palcos, é animar as pessoas e elevar o medalhão que eu sinto. Então, nesta época quis trazer o malhão, que é outro estilo musical, e também uma kizomba, que é o vem devagar, vem devagar, mas kizomba, mas kizomba. Que é para mesmo para mostrar, porque as pessoas, e eu falo as pessoas porque também tinha isto na minha cabeça, com acordeão só tocava música tradicional e música popular, e afinal não é bem assim.
A gente pode adaptar o acordeão ao estilo de música que a gente quer tocar. E ainda temos a trabalhar em mais temas, e vão sair mais temas, não sei quando, porque o Cú Duro da Morte ainda é muito recente e o Homem de Leão mais recente é. Vamos deixar bater um bocado essas músicas, expandir mais essas músicas.
No total são 4 ou 5?
São 4.
4, exato, que foi as músicas que me enviaste.
Exatamente. E depois iremos lançar outras músicas, outros géneros musicais, porque é mesmo isso que é que é transmitir às pessoas lá em casa. O acordeão dá para coisas.
Alguma informação que possas dar sobre o que vai acontecer este ano? Claro que as músicas não posso dizer quais são, se surgirem mais.
Então, este ano é de continuar a fazer os meus espetáculos. Agora é versão espetáculo, versão de 1 hora e meia de espetáculo, em que incluo os meus temas originais, mas Como ainda 4 temas não dá para uma hora e meia, tenho que incluir temas também de outros artistas para o bailarico também. Vou estar também a trabalhar em estúdio, a trabalhar também para o público lá de casa, a trabalhar também nas minhas redes sociais para chegar o melhor aos meus seguidores, ao público também lá de casa, e procurar um bocadinho também cada zona do país a fazer os bailes agora no verão.
E depois, quem me quiser seguir e acompanhar isto tudo ao pormenor, basta-me seguir nas redes sociais. No Facebook é Marta Ferreira, lá tem a minha página, certamente facilmente encontrarão. No Instagram é Marta Ferreira Oficial, aí já publico um bocadinho mais do meu dia a dia para os seguidores também verem, e também está mais perto deles porque nem sempre é fácil responder às mensagens. Não é fácil. Então eu, para ter aquela ligação com eles e não aquela ligação do tipo, oi, sou artista, não quero manter essa ligação.
E eu quero manter essa ligação porque também já estive no outro lado. Então eu tento sempre meter histórias em que o público possa interagir. Quando eu lancei o Cuduro da Marta, eu perguntei mesmo ao público qual é que gostam mais, o Cuduro ou Na Festa da Aldeia. Quando foi o Almadão, perguntei qual é a vossa preferida. Aí o público também dá o feedback, pronto, pessoal, e que eu consigo interagir com eles, eles comigo também.
Através das redes vai recebendo, exatamente, vou recebendo e vou interagindo com eles.
E agora a novidade também que criei foi o TikTok, também é Marta Ferreira Oficial. Certamente que irei encontrar.
Exato. Eu ia te perguntar vídeos, onde é que a gente pode ver vídeos?
Em todas as redes que eu referi, canal do YouTube também está, que a Marta também tenho, Spotify, tudo. Em todas as plataformas digitais estão lá as minhas músicas. E em qualquer rede social também é fácil encontrar.
Encontrar também. Ainda temos aqui uns minutinhos. Nos teus tempos livres, obviamente pensas na música, mas quando queres assim uma coisa diferente, o que é que gostas de fazer?
Olha, gosto de passear, gosto de conhecer sítios novos, gosto de ir às compras.
Vais ao Shopping de Campo Maior?
Não há.
Eu sabia, eu que estou a falar aqui de Lisboa, da zona de Lisboa, é assim, tens de vir a Lisboa, não vais ao Algarve, que também lá é um shopping muito bom. É que eu vim do Algarve, muito bom mesmo. É assim, senhora.
E depois, além da música, também tem um trabalho à parte que trabalha com crianças dos 3 aos 6 anos de idade.
Os traquinas.
Exatamente. Quando aí os caricas é o que eu ouço mais de segunda a sexta-feira.
São os traquinas, mas eles têm um coração, tem uma alma transparente, não mentem.
Sim, sim, as crianças são das mais puros que existem. Se gostam da gente, demonstram, mas também se não gostam, também demonstram. E é muito bom trabalhar com crianças também.
Exato, exatamente. Portanto, tu tens os temas O Coduro da Marta, A Festa da Aldeia, O Malhão e Vem Devagar.
Exatamente.
Estes projetos surgiram num pouco espaço de tempo, estas letras, estas músicas, deu o seu trabalho?
Acredito que tenham dado o seu trabalho, mas correu tudo bem, dentro de tempo. Fizemos sempre as coisas com tempo, não foi nada tem que se fazer, temos aquele limite de data e tudo. Foi tudo com tempo. Tive aquela base, como eu referi, a minha maior base foram os meus pais, mas também conheci acordeonistas, E artistas que me ajudaram também a suportar isso tudo e ajudaram-me também em termos de acordeão, de técnica, tudo. Mas também, como tudo na vida, tive na parte da acordeonista, pronto, músicos, antes de ajudar, atrapalhavam mais do que ajudavam. Mas está tudo bem e tudo passa na vida.
Estás a aproveitar também, e agora, não é, neste momento, para fazer o marketing, não é, de todo o teu dar a conhecer ao público o teu trabalho. Tiveram a oportunidade de conhecer a televisão, já passaste pela Praça da Alegria, Estrelas de Sábado. Nós sabemos que obviamente é mais um patamar, não é o final, mas é uma forma de poderem conhecer o teu trabalho em vídeos.
Provavelmente tens no teu canal do YouTube, canal do YouTube, Spotify, Apple Music, todas as plataformas estão lá expostas as minhas músicas. Nas minhas redes sociais também estão lá expostas, em stories, em destaques, em tudo. Faço muito marketing também à minha música e à minha divulgação e tudo. Temos sempre também, entre eu e a minha equipa, temos sempre a tentar expandir mais também. Então estamos por um bom caminho.
Sim, neste momento o teu foco é através da agência, da editora, não é? Fazerem o marketing e darem seguimento a este.
Na ausência da editora e também fora da mesma, se podemos ir pelos dois caminhos, não vamos só por um. Mas sim, o objetivo é expandir, é dar a conhecer a minha música, porque lá está, enquanto a Corte Iniciativa, o Calixto, já algumas pessoas me conheciam, que a editora conhece muitas mais, não vou dizer que não conhecem. Conheça. Mas lá está, é como se fosse um recomeçar. Se nós fazemos as coisas em modo personagem, não conseguimos transmitir a mensagem que a música quer transmitir.
Toda a música tem uma mensagem para ser transmitida. Por exemplo, na Festa da Aldeia tem a mensagem na música, há uma parte que diz: sou a Marta Freire e tocar é o meu desejo, viva as nossas festas e viva o Alentejo. Que é: eu sou Marta Ferreira e tocar é o meu desejo, sempre foi o meu sonho. Digamos que o acordeão é a minha marca, digamos assim. Viva as nossas festas, que é viva os nossos arraiais, viva a nossa festa, as nossas folias, a tudo. E viva o Alentejo, que é o meu cantinho.
Pronto. E falta o canto maior, que é o canto maior. A gente está aqui um bocadinho na cabeça. Sem maldade, mas quem estiver a ouvir—
Não, mas não é com maldade, atenção.
Não, não é com maldade, deixo-te um espacozinho para cantares.
Bom.
Não, mas pelo menos dás a conhecer o teu trabalho, que portanto é um trabalho que é iniciante nesta editora, não é? Mas que já tens originais, não é?
Já tenho 4 originais.
Porque começa tipo karaokes e não sei o que mais, e cantar para casamentos, bailes, mas tu já tens originais, portanto é uma etapa muito grande.
Já tenho originais. Já modifiquei um bocadinho, pronto, as minhas festas, os meus espetáculos. Antes fazia 4 e 5 horas, no qual as pessoas ao final de 2 horas quase se desligam ali o botão, tarde chega tarde. Então cortei o tempo. Antes de fazer 4 e 5 e 6 por aí adiante, faço só 1 hora e meia. Incluo os meus temas, incluo temas também de outros artistas, que não há problema. E fazemos tocar estes assuntos tanto eu com o público como o público comigo.
Estás numa fase que vais juntando singles, obviamente que vais pondo aquelas músicas também populares ou que o público pede e que já estás habituada.
Singles entre aspas, porque eu as músicas dos outros artistas eu toco ao vivo, sim, o acordeão e canto.
Sim, ok.
Não é que as da editora nas toco ao vivo, nas canto ao vivo. Claro que toco e canto ao vivo, mas pronto, se é uma dinâmica diferente, digamos assim.
Sim, exato.
Já tem tudo por trás da editora.
Exato. Vê se queres passar mais alguma mensagem. A antena fica aí do teu lado.
A mensagem que eu quero transmitir lá para casa é a que passa em todas as rádios, que é: se és jovem, adulto, com mais idade, e se estão a aprender acordeão ou pensam em aprender já aprender outro instrumento. Não desistem, se têm algum sonho, não desistem do sonho. Pensem sempre se chegaram até aqui se vale a pena desistir. Não vale, só vale a pena continuar. Insisto, insistam nos vossos sonhos porque um dia há de se realizar, e esse dia só Deus sabe quando é.
Quando for o momento certo, irá se realizar, e um dia mais tarde irão sentir orgulho de vocês próprios. É essa a mensagem que quero transmitir.
Exato. Olha, eu não dou pronto o meu amigo, que se agradeça, e hoje sou uma música da Marta Ferreira.
Exatamente.
Agradecimento imenso estares aqui. Ainda bem que bateste à porta, tocaste a campainha. Eu estendi-te aqui o tapete. Espero que tenhas gostado da nossa conversa.
Gostei muito, gostei muito da nossa conversa. Foi uma conversa muito agradável. E também para dar a conhecer um pouco do meu trabalho, também como foi o meu percurso, porque certamente o meu percurso há de ser não igual, mas sim partido alguns tocadores de baile, alguns artistas também. E é sempre bom a ver esta partilha, pronto, de outros artistas, de outros que já frequentaram a vida nos bailes. E é sempre bom termos conhecimento e darmos conhecimento também da nossa experiência, porque também ninguém nasce ensinado.
É verdade, é verdade, é verdade. Ok, olha, e pronto.
Enquanto a ti, Luís, agradeço-te o convite, agradeço por teres aberto a porta do teu programa para eu vir aqui a falar e divulgar o meu trabalho. Espero vir cá mais vezes.