Bluegrass - 5º Festival
Entrevista Exclusiva. Biografia.
André Dal
- Festivais de MusicaOrigem e história do Bluegrass · Bill Monroe · Earl Scruggs · Crescimento do Bluegrass em Portugal · Edições anteriores do festival
- Crescimento do Bluegrass em Portugal e Novas GeraçõesCrescimento sustentado de estilos musicais · Comparação com Jazz Manouche · Aparecimento de novos músicos portugueses · Músico de 22 anos como exemplo
- Sustentabilidade e PatrocíniosModelo de festival comunitário e sustentável · Não repetição de bandas internacionais · Objetivo de trazer bandas de novos países · Adesão crescente do público
- Voluntariado e SolidariedadeFestival feito por e para a comunidade · Voluntariado nacional e internacional · Atividades paralelas (passeios, visitas, fantoches) · Adoção do festival pela vila
- Experiências de Shows e FestivaisAmbiente acolhedor e único · Fuga do stress e correria semanal · Imersão musical e sensorial · Interação com a vila e gastronomia
- Características do BluegrassMúsica tradicional americana · Instrumentos de corda · Improviso e convivência musical · Proximidade com o público
- Infraestrutura e logística do LollapaloozaLocalização pitoresca da Trafaria · Transportes públicos (barco, autocarro) · Horários de funcionamento · Festival ecológico e materiais recicláveis
- Musica InternacionalComunidade Bluegrass unida e colaborativa · Orgulho de músicos americanos · Divulgação em festivais europeus e EUA · Bandas internacionais participantes
- Trajetoria MusicalPaixão pelo banjo e Bluegrass · Aulas com Mário Ribeiro · Experiências com músicos no Algarve · Formação da banda Stone Bones and Bad Spaghetti
Olá a todos, bem-vindos ao programa Tuga Mix. Hoje vamos falar sobre Trafaria Bluegrass, onde o tejo se faz ao mar. É uma iniciativa dos Recreios Desportivos da Trafaria e do músico André Dal, que está aqui comigo, contando com o apoio da Câmara Municipal de Almada, da União das Freguesias da Caparica e Trafaria, e de diversas entidades locais, nacionais e internacionais. Ao longo das suas 4 edições anteriores, o festival consolidou-se como uma referência cultural da região e como o único festival dedicado à música bluegrass realizado, portanto, em Portugal, contribuindo para projetar a Trafaria além fronteiras.
Bem-vindo uma vez mais. Cá estamos para a nossa conversa, pelo menos anual, não é?
Olá, obrigado por me convidar.
Conta-me como é que, se calhar para quem está a ouvir pela primeira vez, apesar de nós já falarmos mais que uma ou duas vezes, pelo menos duas, não é? Conta-me o que é que, o que é afinal, portanto, o Trafaria Bulugress.
Bom, o Travouria Bluegrass é um festival de música tradicional americana, não é? O teu nome, Bluegrass, é um estilo de música que nasceu nos Estados Unidos mais ou menos no final dos anos 30, princípios dos anos 40 do século passado. Havia um músico que tocava bandolim que se chamava Bill Monroe e andava à procura ali de um estilo um pouco diferente. Um estilo de música tradicional, portanto com instrumentos de cordas. E entretanto ele tinha uma banda, e entretanto juntaram-se para a banda dois músicos: Lester Flatt, que tocava guitarra e cantava, e principalmente o Earl Scruggs, que tocava banjo, banjo de 5 cordas.
E realmente aquele som que ele procurava com Lester Flatt e com Earl Scruggs fez como ali uma chama e portanto a partir daí, durante os anos 40, princípio dos anos 50, então era um estilo de música bastante ouvido. E depois, pronto, teve o seu percurso natural como todos os estilos de música, teve uma projeção, quer dizer, é um estilo de música tradicional, portanto não é um estilo de música para as massas, mas sim realmente existe uma projeção a nível mundial deste estilo de música para, digamos, aficionados, porque vive muito à base do improviso, vive muito à base da convivência entre os músicos, da relação que estabelecem com o público.
É um estilo de música muito, muito agradável para quem ouve e para quem participa, para todos os ouvintes ou para quem toca, para quem quer aprender. Existe uma proximidade muito grande entre, entre lá está o público, os músicos quer sejam, quer estejam a começar ou quer sejam já músicos consagrados. E portanto, na Europa existem muitos festivais de bluegrass, por essa Europa fora existem muitas, muitas associações de bluegrass em diferentes países.
Em Portugal houve no início dos anos 80 realmente ali uma digamos ali um abrir de uma aresta, abrir uma janela que entretanto não se conseguiu abrir na totalidade. E durante bastantes anos era um estilo de música que praticamente era desconhecido em Portugal. E lá está, como ao jazz, como ao blues, que tiveram que ter uma projeção, digamos, nacional para se conseguir captar músicos e captar público para festivais desse estilo de música.
O bluegrass, não havendo muitos músicos, não sendo um estilo de música muito ouvido, realmente não conseguiu furar. E portanto, nas últimas décadas, desde os anos 80, passaram 40 anos, não teve muita projeção. Felizmente houve aqui uma ideia que foi trazer um festival de música deste estilo para Portugal. No início de, pronto, entre em 2021, 22. Lá está. Eu já vou a festivais de Bluegrass na Europa desde 2007. Já fui a, pronto, Holanda, França, Noruega, outros para Espanha, Suíça, muitos países.
E o objetivo foi realmente tentar trazer o melhor de cada um desses festivais para a Trafaria e portanto encontrou-se ali na Trafaria o sítio, digamos, o sítio ideal para um festival de música que não é um festival para as massas, mas é um festival muito interessante para quem ouve, para o público, muito participativo, muito diversificado, em que realmente o público está muito próximo dos músicos, em que os músicos tocam no palco e fazem jams ao pé do público e isso realmente capta a atenção, cativa as pessoas E desde a primeira edição o festival tem sido um sucesso.
Portanto, já estamos na 5ª edição.
Exato, exato, sim. Acho que a primeira edição foi em 2022, era para ter começado em 2020, portanto já tinha vindo a ser trabalhado há mais tempo, só que não houve essa possibilidade por causa da pandemia. Tivemos que atrasar 2 anos, mas desde 2022 tem acontecido todos os anos e este ano chegámos à 5ª edição. Digamos que ainda não entrámos na escola primária, mas acho que é um bebé com muito sucesso já.
De qualquer forma, tu deves ter apercebido, não é? E vais estar percebendo ao longo dos anos como encaixar e como está a ser a recepção das pessoas, que obviamente basta apanharem, por exemplo, o barco e irem, portanto, poder assistir. Este ano não sei se eventualmente, mas pareceu-me ver na na internet que vai haver mais transportes de barco. Não sei se eventualmente irá conjugar com esta, com o Traferi e o Bulugresso, mas portanto, se é algo bom, porque é perto, ou seja, está perto da cidade e está num sítio mais calmo, não é?
Portanto, é um pouco, é enriquecedor estar a ouvir, a ver, portanto, tudo isso que que envolve ao fim e ao cabo o Trafaria Blue Grass, não é?
Sim, é assim, a Trafaria é uma vila pescatória muito pitoresca e muito agradável, não é? Está ali à beira-mar, está próximo do— à beira-rio, está próximo do mar, de Lisboa na outra margem, e realmente é um sítio pacato, relativamente— pronto, é uma vila, as pessoas que vão lá gostam bastante, tem boa comida, portanto é conhecido pelos restaurantes. Nós este ano fizemos um reforço realmente de transportes, mas a nível de autocarros, quando se sai, quando acaba o festival, mas também para quem quer ir, ou seja, para não haver só realmente os barcos, porque os barcos têm os seus horários, não é?
É isso, o problema é a volta ao fim e ao cabo, não é? É, até que horas é que vai o Blue Race, ou quando, até que horas é que foi o ano passado, o problema depois é a volta para Mas existem, já existe alternativa, é isso que estás a dizer?
Sim, exato. Ou seja, isto é um festival um pouco, tentamos que seja um festival um pouco ecológico também no âmbito do que é que é música tradicional. Ou seja, desde o primeiro ano quisemos fazer decorações da Vila da Trafaria com materiais recicláveis, não é? E portanto, sendo um festival que procuramos que seja verde, não é? Portanto, As decorações servem com materiais recicláveis, o estilo próprio, o próprio estilo de música é com instrumentos acústicos em que as pessoas podem ouvir acusticamente, sem amplificação nenhuma, não é?
Tentamos também que as pessoas tragam o mínimo possível o carro. Realmente a Trafaria não é uma vila que seja muito, que tenha muitos transportes à disposição, Tem o barco, efetivamente, tem autocarros também, mas nós quisemos aumentar um pouco a oferta de transporte a nível de autocarro, quer na ida, quer na volta, principalmente na volta, porque sim, o festival quer na sexta, quer no sábado, tem os concertos da noite no palco principal que acabam à meia-noite, mas quando acaba a música no palco principal, os músicos continuam a tocar, ou seja, vão para os recreios esportivos da Trafaria.
E vão fazer as tais jams, não é? Até às 2, às vezes até vamos ali para a zona ribeirinha, onde pronto, não há assim pessoas ali a viver, e as jams continuam pela noite dentro, sem problema nenhum. É um ambiente muito agradável, porque quem vai, quem quer ouvir, vai ouvir, e os músicos gostam de tocar 24 horas sobre 24 horas. E portanto, se pudermos ter também esses transportes, Eu neste momento não sei que horários é que eles estão, mas definitivamente que há, vai haver autocarro depois dos concertos no palco principal terminarem.
Sim, sim, exatamente. Uma das, portanto, nós tivemos a oportunidade de almoçar o ano passado, este ano não houve hipótese, mas uma das coisas que se falou, não me recordo se foi no almoço, se foi na entrevista, que tivemos é realmente a envolvência das pessoas, não é? Em fazerem as coisas.
Sim, pronto, desde a primeira, desde o primeiro ano, o objetivo foi que este festival fosse feito por pessoas da Trafaria para as pessoas da Trafaria, em primeiro lugar, e portanto, e ser um festival voluntário, comunitário, ou seja, em que temos voluntários, quer sejam da Trafaria ou das zonas mais próximas de Almada, da costa, mas também temos voluntários que vêm de outros pontos do país e de outros países também. Temos voluntários que vêm dos Estados Unidos para ajudar e de outros países também para participar no festival e para ajudar a montar o festival.
Ou seja, esta componente de voluntariado comunitário também, o facto de termos atividades paralelas que mostram a Vila da Trafaria. Além da música, temos passeios, temos visitas arqueológicas, temos fantoches para crianças. Ou seja, existe ali uma panóplia de atividades durante o dia para— nem toda a gente tem que ouvir música todo o tempo, não é? A toda hora. Portanto, mas existe realmente esse cariz comunitário contrário. E a Trafaria realmente, penso eu, que já adotou aquele festival como sendo o festival da vila, o festival que traz muita vida à vila, muita diversidade à vila, traz, lá está, é um, no fundo, um festival internacional, não só pelas bandas que vêm, que vêm de fora de Portugal, mas também pelo público que traz, que também é um público nacional e internacional. Vem muita gente de fora, inclusivamente do Japão.
Sim, aqui neste caso, por exemplo, os americanos estão cá em Portugal, já têm o conhecimento ou forma de tentar passar a mensagem para eles também?
Olha, é assim, a comunidade de Belo Grécia é uma comunidade muito próxima em que toda a gente fala com toda a gente. Quer sejam músicos consagrados dos Estados Unidos, quer sejam músicos europeus, quer sejam, digamos, os iniciantes na prática da música bluegrass, existe uma grande partilha de ideias. Toda a gente procura ajudar uns aos outros, toda a gente procura ensinar e toda a gente procura aprender com os melhores, não é?
E portanto, eu tenho amigos meus que são músicos americanos e que dizem que para eles é um orgulho ter um festival de música Belo Grécia a acontecer noutro ponto do mundo, não é? Que não é o país deles. Portanto, o festival de Travesseiro Belo Grécia é amplamente divulgado dentro da comunidade, quer seja na Europa, em todos os países, quer seja nos Estados Unidos. E realmente estas bandas que vêm, esta banda vem, acho que é dali da zona de Boston, acho não, é da zona de Boston.
Aliás, o contrabaixista é um músico que vem várias vezes a Portugal, que eu já o conheço. A Érica também é cantora e violinista, que dá numa banda, também vem muitas vezes com o seu parceiro, que é o violinista da banda. Pronto, são músicos que estão relativamente habituados a viajar para tocar. O O Banjuísta também toca noutras bandas que já atuaram em França e portanto todos estes festivais de música bluegrass, não é, onde eles participam, divulgam, divulgam a música, divulgam os festivais, no fundo numa maneira de partilhar e de divulgar e de alargar o público que queira ou que possa querer ouvir música bluegrass.
E portanto é um festival que também é divulgado a nível internacional e nos Estados Unidos também.
Exato, eu estava até a ouvir e a ler também aqui a informação que recebi e é isso realmente que estás a dizer, portanto é Estados Unidos, Irlanda, Bélgica, Suécia, Países Baixos e Portugal. Como é que tens achado durante estas, vai ser a 5ª edição obviamente, mas que já está preparada, não é? Como é que está Portugal neste momento em relação ao bluegrass? A malta nova já adere? Já tem curiosidade? O que é que tens notado disso?
Eu tenho notado, tenho notado. Eu costumo dizer que para um estilo de música crescer de uma forma sustentada são precisas décadas. Isto não é, isto é preciso muito tempo, é preciso que haja festivais, é preciso que haja músicos, é preciso que hajam bandas para poder, para o estilo de música poder crescer. Eu penso que isso foi o que aconteceu com música irlandesa, por exemplo, com o blues e o jazz, se calhar mais cedo. Mas eu lembro-me que nos anos 90 acho que só existiam um bar de música irlandesa em Portugal e havia muito pouca gente a tocar música irlandesa.
E no fundo, com a abertura de haver mais espaço, haver mais bandas, haver se calhar festivais também folk ou festivais mais ligados à música tradicional europeia, isso começou a crescer. E realmente Não foi de um dia para o outro, demora bastante tempo. A música, tal como está a acontecer agora com o jazz manush, por exemplo, o jazz manush era um estilo de música que se calhar há 15 anos não se ouvia e hoje há 2, pelo menos 2 festivais de jazz manush a acontecer no país.
Há jams que acontecem praticamente todas as semanas e há cada vez mais e mais músicos a aparecer. Eu entendo que o jazz manush é realmente um estilo de música muito próximo da música bluegrass. No conceito, porque é um estilo de música que vive muito do improviso e vive muito da relação instrumental dos instrumentos. No caso do bluegrass, acaba por ser um pouquinho mais difícil, porque é um estilo de música que está mais longe do nosso país, não é?
Tem que atravessar o mar, não é? Mas eu sinto que sim, que demora tempo Mas, por exemplo, uma coisa boa que o festival já trouxe foi um músico que começou a querer aprender a tocar música bulgaresca, já conhecia qualquer coisa, e com o festival começou-se a dedicar e neste momento faz parte de uma banda que vai tocar ao festival. Portanto, este ano temos 7 bandas, 2 das quais são portuguesas, e essa é uma dessas bandas. Tem um músico que tem 22 anos e que no fundo É um apaixonado pela música bulgaresa e isso é, para mim, já é uma vitória.
Já é uma vitória.
Já vamos juntos. Porque eu toco banjo, eu comecei a tocar banjo em 1987.
Eu estava a pensar nisso. Como é que tu estavas como músico, como é que entraste no conhecimento na música, nesta música bulgaresa? Como é que isso aconteceu?
Bom, é assim, eu não sou músico, eu sou um apaixonado pela música baloerense e pelo banjo em particular. Portanto, eu nunca tive assim a formação musical. Eu quis comprar o banjo porque fiquei completamente apaixonado pelo som quando vi um filme. Não é um filme muito agradável, mas tem uma música muito, muito engraçada. Estive a fazer o Erasmus em Inglaterra e comecei a dar os primeiros passos lá durante 6 meses. Em 1999, 2000, encontrei um músico, para mim é um dos melhores músicos portugueses, mas que realmente ele, lá está, é um apaixonado da música bluegrass e do jazz manúcio.
Ele toca guitarra, banjo, bandolim. Ele chama-se Mário Ribeiro. Tive aulas com ele durante um ano, aprendi muito mesmo, muito. Depois comecei a trabalhar e banjista, lá está, são degraus. Às vezes o patamar é muito comprido, não é? Fui trabalhar para o Algarve, encontrei um músico banjista inglês, foi dos primeiros a aprender a tocar banjo em Inglaterra. Tive um ano e meio de aulas com ele também, mas o grande clique foi efetivamente quando eu fui a um festival de música em Belo Horizonte.
Aí é que eu decidi mesmo que eu queria fazer mais, queria, ou seja, não queria ser só um músico de quarto, no fundo, que às vezes chama-se um bedroom player, que é a malta que toca em casa e que pronto, e não sai dali. E felizmente conheci, consegui encontrar outras pessoas que entraram mais ou menos nessa onda e formámos uma banda que é o Stone Bones and Bad Spaghetti, penso em 2009. Depois de começar a ir a festivais de Belo Grécia, e depois foi um crescimento gradual, fomos a tocar a festivais de Belo Grécia na Europa, na Holanda e França, Noruega, Espanha, Suíça, muitos países.
Mas faltava qualquer coisa, e esse qualquer coisa era realmente um festival de música Belo Grécia, porque um festival de música Belo Grécia permite trazer também bandas de lá dos Estados Unidos, mas também de todos esses países da Europa. Eu gostava de trazer, por exemplo, há bandas bluegrass na Argentina, no Brasil, no México, no Japão.
Porque não, não é? Porque não?
Exatamente. E o público português, o público português é um público que gosta de ouvir música, é um público que adere bastante bem a qualquer estilo de música. E este estilo de música teve logo a adesão do público do português desde o primeiro ano.
E portanto, a coisa também, portanto, que posso juntar a música à comida, não é?
Exatamente.
E atrafaria, mas há o intercâmbio, não é? Há a oportunidade de no local também ir passando por alguns locais onde pode também, portanto, comer, não é?
E portanto, e também os próprios músicos Às vezes sentam-se nas esplanadas e põem-se a tocar entre as refeições. E portanto todas as pessoas que estão ali estão no fundo a ouvir como um concerto acústico improvisado, não é? Mas enquanto se alimentam, pronto.
Exato. Cria-se ali um bom ambiente entre, portanto neste, eu tenho aqui informação, portanto são os dias 11, 12 e 13 de setembro, se não estou em erro.
Exatamente. O festival começa na sexta-feira, portanto temos o concerto de abertura no dia 11 às 7 da tarde nos Recreios Desportivos da Trafaria, como sempre, onde a banda americana Erica Browning da Bluegrass Connection vai atuar. É um concerto um pouco mais intimista porque é dentro de um espaço, é um espaço interior, muito, é um espaço muito giro. Os Recreios Desportivos da Trafaria foi realmente A casa que deu a imagem ao festival, e é um palco muito, muito giro.
E depois à noite vamos ter os Tom Bones and Bad Spaghetti de Portugal na sexta-feira, os Tennessee Studs, uma banda dos Países Baixos que já existe há muitos anos e que tem uns, uma, digamos que uma filosofia muito particular, muito americana, bluegrass, e conjuga ali muito música de autor, que é muito engraçado realmente. E portanto pode ser, pode ser um bocadinho diferente, mas no fundo a música bluegrass é isso, a música bluegrass vai beber a todos os outros deles e criar a sua própria abordagem.
A última banda de sexta-feira é uma banda da Suécia, uma banda muito boa, que são os Rookie Riot. E é uma das coisas que eu gostava imenso de acontecer em Portugal, porque é uma coisa que acontece muito neste estilo de música, que são os filhos a tocarem com os pais. Existem muitas bandas nos Estados Unidos em que os filhos tocam com os pais, existem bandas que são a segunda geração e a terceira geração às vezes até têm o mesmo nome.
E neste caso, a banda sueca, a filha do rapaz que toca banjos também faz parte da banda e é cantora e toca guitarra. Depois, no sábado, temos um dia cheio, não é? Temos workshops de instrumentos na parte da manhã, temos workshops de todos os instrumentos da música do progresso, temos banjos, guitarra, bandolim, violino, dobro. Quer no sábado de manhã, quer no domingo de manhã. Temos um concerto muito engraçado com os Tennessee Studs, concerto digamos secundário no Coreto, às 3 da tarde.
É muito agradável, portanto logo a seguir aos almoços. Às 5 da tarde os Rookie Riot da Suécia vão tocar no Palco dos Bombeiros, que foi o palco que abriu a primeira, no ano passado foi a primeira vez que houve esse palco e foi um sucesso, esteve cheio. E penso que será a banda ideal para tocar no palco dos bombeiros às 5 da tarde no sábado. Às 7 da noite temos então a segunda banda portuguesa que vai tocar na igreja. É um trio instrumental de bluegrass com esse rapaz de 22 anos, que são os The Seven Hill Speakers, que por acaso até vão fazer o lançamento do álbum de estreia agora no dia 27 de junho nos Recreios Desportivos da Trafaria.
Vai ser um concerto engraçado, eles são muito engraçados. É só instrumental, mas pronto, a ideia foi um pouco mostrar a filosofia da música instrumental no espírito da música bluegrass. Depois, à noite, temos os concertos outra vez nos palcos principais. Às 9 da noite temos os The Harbour Hillbillies, da República da Irlanda. Que é um dos músicos, é um habitué do festival, ou seja, ele vem praticamente todos os anos só para fazer jams.
E nós achámos por bem convidar a banda dele para vir cá tocar, porque ele vem todos os anos. No ano passado, a banda teve toda cá só para fazer jams, vieram, não vieram tocar nos palcos, vieram só para participar nas jams. E acho que, e a gente convidá-lo David Carr. Aí vão abrir o palco, o palco principal, às 9 da noite no sábado. Depois, às 10, temos os The Grassmobile da Bélgica. Também um dos músicos vem muitas vezes só para fazer jams.
É uma banda muito engraçada. E então, às 11 da noite, no palco principal no sábado, temos o fecho dos palcos principais no festival com a banda americana outra vez, Erica Brown and the Bluegrass Connection. Acho que vai ser vai ser muito engraçado. No domingo ainda temos dois concertos paralelos, dois concertos secundários, às 3 da tarde no Poço Novo, que é um largo muito engraçado, outra vez depois dos almoços com os da Harbour Hillbillies da Irlanda, e os da Grassmobile outra vez para fechar no casino, nos Grãos Desportivos da Trafaria, às 5:30, para fechar o festival em beleza.
Mas as gémeses continuam, porque quer sexta, sábado e domingo Essas vão continuar a noite fora.
Para quem nos está a ouvir, já sabe que é dia 11, 12 e 13 de setembro. A que horas é que tu aconselhas as pessoas irem, uma vez que vão lá para o ambiente, para tudo isso, não é, que está envolvido no congresso?
Eu aconselho que as pessoas vão lá a partir das 5 da tarde. Aliás, ao meio-dia, já meio-dia, 1 da tarde, na sexta-feira, já há pessoas a fazer gems. Até na quinta-feira anterior, porque há bandas que vêm antes. E enquanto eles não estão, pronto, não estão a fazer soundchecks, não estão a tocar, eles estão a tocar no palco, eles estão a fazer jams. E portanto, há bandas, a banda americana já cá está, a banda da Suécia vem na quarta-feira, e portanto com certeza vai haver jams no casino mesmo nos dias anteriores.
Mas o que eu aconselho mesmo é as pessoas, se vierem para o festival, que venham 5 da tarde, 6 da tarde, pá, para arranhar o primeiro concerto. Mas se puderem Fiquem na trafaria, fiquem até domingo ou até segunda-feira, porque é uma ótima experiência desfrutar do festival por completo. Eu penso que ainda há alojamentos, ainda é cedo. Normalmente eles esgotam, mas acho que é uma ótima ideia ficar no festival porque há sempre atividades a acontecer o dia todo.
Temos concertos durante a tarde de sábado, à noite de domingo, durante a tarde, à noite de sábado também, durante a tarde de domingo temos jams a acontecer depois dos concertos no palco principal até às 2, 3, 4 da manhã. Temos workshops de instrumentos para quem quer aprender a lidar com música bluegrass no sábado a partir das 10 da manhã e no domingo também a partir das 10 da manhã. Temos os concertos durante a tarde nos palcos secundários.
Temos, lá está, passeios, visitas, a própria vila está toda decorada, os restaurantes são maravilhosos, portanto não há melhor maneira de passar 3 dias, pelo menos, passar 3 dias pelo menos na Trafaria, porque é muito giro, é muito engraçado.
Sim, exatamente. Portanto, este estilo de música cria também, cria obviamente um bom ambiente. E é uma forma de uma pessoa fugir do stress. Ao fim e ao cabo, é um ambiente totalmente diferente daquilo que estamos habituados, da correria semanal.
É verdade. Inclusive, quem passa muito tempo a ouvir os concertos, a ouvir as jams, às vezes quando já não se ouve nada, os nossos ouvidos ainda ouvem música. Isso é uma experiência É uma experiência única. Às vezes imaginemos que a gente se vai deitar e passamos por um sítio onde não há barulho nenhum, quase que ouvimos, quase estamos a ouvir instrumentos ao longe. Isso é uma, é uma, portanto, a nossa música não pensa em mais nada, a nossa cabeça não pensa em mais nada a não ser música.
Exato, exatamente. Nós ainda temos algum tempo, eu estava aqui a recordar-me, já agora já me recordo Há, pelo aquilo que me tens dito, a preocupação de haver locais em que o som possa passar para quem está a ouvir, não é? Portanto, tentar evitar algum vento, algum, uma vez que não é, portanto, que é acústico, não é? Portanto, tem havido essa preocupação. Tu, por exemplo, falaste, portanto, vai ser na igreja, não é? Por exemplo, aí Deve ser uma coisa mesmo divinal.
Pronto, os palcos exteriores, que é o caso do palco principal, o palco, o Coreto e o Poço Novo, são palcos em que realmente a limitação de pessoas não é tão rigorosa. Ou seja, a gente consegue encher bastante bem todos os espaços, mas realmente há sempre espaço para mais alguém, não é? E os bombeiros, que é um palco muito, é um espaço muito, muito grande também, aquilo enche, mas é difícil chegar à limitação do espaço. Portanto, aí não há problemas.
Agora, no caso do casino e em particular da igreja, são espaços que realmente esgotam. E portanto, eu até aconselho as pessoas a irem cedo, porque senão não conseguem entrar nesse espaço. E o que aconteceu na igreja, por exemplo, no primeiro ano, foi que nós fizemos um concerto acústico, a igreja encheu e sentimos a necessidade de amplificar não só para dentro da igreja, mas também para fora da igreja, para as pessoas que estão cá fora, que não conseguiram entrar, poderem desfrutar da música.
Também desfrutar da colocação de, por exemplo, as colunas cá fora para poderem também não ser apenas para uma, apenas aquele espaço, não é? Uma vez que vai ficar cheio, não é?
Sim, portanto, e o que aconteceu desde o segundo ano até, e tem acontecido todos os anos, é que a banda que toca na igreja toca amplificada, nós metemos duas colunas cá fora, e o que às vezes se vê é realmente as pessoas lá dentro está só a ouvir a música e cá fora está-se a dançar. Pronto, que é um tipo de música também permite, claro, as pessoas dançarem.
Tem espaço para isso. E exatamente. Não sei se queres passar mais alguma mensagem. Ainda há aqui uns minutos que temos. Como é que, por exemplo, tens sentido ao longo desta, neste momento, a 5ª edição? Como é que, o que é que tu tens notado? Tens, é um melhoramento, não é? E a experiência, ao fim e ao cabo, não é?
Eu acho que o mais importante realmente é perceber que todas as pessoas envolvidas, quer seja os Recreios Desportivos da Trafaria, a Câmara Municipal de Almada e a União das Juntas de Freguesia de Caparica e Trafaria, que são os nossos parceiros do festival, todas as outras coletividades, todos os outros apoios que a gente tem, o público A população da Trafaria, o público vem de fora, público vem do estrangeiro, mas toda a gente que passa pelo Festival da Trafaria sente que realmente aquele festival é um festival que acolhe toda a gente.
Muito, muito engraçado. É um festival único do meu ponto de vista e que É um festival que agrada a toda a gente. Acho que, acho que, claro que nem é impossível agradar a 100% das pessoas que vão, mas eu penso que o festival tem muito, muito, é bastante positivo, não é? É bastante positivo. O feedback que nós temos de toda a gente é, eu acho que não podia ser melhor, e tal, de tal forma que toda a gente quer que o festival aconteça todos os anos.
Ou seja, eu penso que isto é um modelo de festival, e um festival que não é para milhares e milhares de pessoas, não é?
Nós temos o objetivo também, não é esse o objetivo? Estamos a falar da trafaria, não é?
Portanto, neste momento é um festival para a trafaria, para acolher toda a gente que vem de fora. Mas claro que é um festival que não é, que mete bastante gente.
Ou seja, a gente tem Tens notado de ano para ano umas pessoas que vão passando a palavra, não é?
Sim, sim, eu penso que nós temos por noite temos 1500 pessoas ou mais, que é um número já bastante aceitável para a Vila da Trafaria. Não estamos a falar de mega festivais, não é? E portanto, mas o que importa é que desde o primeiro ano o festival só tem vindo a ganhar adesão e público. E realmente, mesmo as pessoas das entidades gostam bastante do festival, e portanto o modelo está para continuar. Toda a gente quer que o festival perdure no tempo, e portanto uma coisa que eu gostava de realçar é que, apesar de ser um festival de um estilo de música que é pouco conhecido e que é um nicho, no fundo, digamos assim.
Em 5 edições nunca repetimos uma banda, a não ser as bandas portuguesas, não é? Portanto, nunca repetiram uma banda, curioso. A não ser as bandas portuguesas, porque a ideia é sempre ter uma banda portuguesa. Então realmente é difícil, não há bandas portuguesas, não é? E Portanto, temos que, temos que aceitar aquelas bandas que há. Mas de fora de Portugal nunca repetimos uma banda, e o objetivo é continuar assim por mais alguns anos.
Ou seja, eu penso que se calhar vamos chegar à 10ª edição e fazer uma, digamos, um inquérito a ver se as pessoas querem trazer se querem repetir alguma banda, porque o objetivo é trazer sempre bandas diferentes e procurar também países diferentes. Nós já tivemos bandas da Polónia, já tivemos bandas da República Checa, da Irlanda do Norte, da Noruega, da Suíça, de Espanha. Ou seja, o objetivo é trazer bandas de todos os países europeus que realmente têm uma proximidade mais próxima de de Portugal, porque também de mais longe é difícil, não é?
Portanto, o orçamento não chega. Mas eu até gostava de trazer uma banda da Coreia do Norte, da Coreia do Sul, do Japão, da Argentina, do Brasil. Tem muitos bons músicos e portanto isso seria fenomenal. Mas pronto, acho que o nosso modelo é trazer sempre uma banda americana e depois trazer bandas europeias e nesse âmbito, tentar diversificar por diferentes países e também sempre bandas diferentes. E tem acontecido assim.
Exato. Agradeço imenso poder estar aqui. Teríamos mais uma outra situação para poder aqui falar. Com certeza que vamos sempre continuando a nossa conversa, pelo menos anualmente. Portanto, tens aqui vários apoios, portanto, que estou a ver aqui no cartaz. Portanto, esta data ainda está sempre aberta para passar essa informação e divulgar pelos canais que depois estão distribuídos.
Ok, obrigado. Eu agradeço imenso a oportunidade e é um orgulho poder falar da música bluegrass e perceber que existe, que existem pessoas com vontade de divulgar, porque isso é o mais importante. E é o que toda a gente no mundo da música bluegrass quer, é que a música bluegrass cresça para outros públicos, para outras paragens. E como está a acontecer aqui em Portugal, que acho que graças ao Trafalgar Bluegrass mais e mais pessoas estão, estão a conhecer o estilo música.
E portanto, a divulgação é bastante importante. Importante, e por isso eu agradeço muito.
Ok, um forte abraço. Está quase a terminar o nosso sinal. Um forte abraço, obrigado. E portanto, com certeza queremos combinar um dia passarem por aí para a gente se cumprimentar novamente.
Obrigado, obrigado.
Um forte abraço.