Episódios de Rossandro Klinjey - O divã de todos nós

Relações maternas traumáticas também marcam o Dia das Mães para muitas famílias

10 de maio de 20265min
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Rossandro Klinjey destaca o sofrimento de quem convive com vínculos disfuncionais e aponta que reconhecer e nomear a dor é o primeiro passo para aliviar a culpa e buscar apaziguamento

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Participantes neste episódio2
F

Fernanda

HostAdvogada familista
R

Rossandro Klinge

Convidado
Assuntos2
  • Pilares da Saúde EmocionalNomear sentimentos e dores · Diferença entre dor física e emocional · Cura através do diagnóstico
  • Vínculo emocional com São PauloNão se sentir culpado ou ingrato · Reconhecer-se como pessoa ferida · Olhar para dentro sem culpa
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O Divã de Todos Nós, com Rossandro Klinge. Rossandro Klinge, bem-vindo e boa tarde para você. Tudo bem?

Boa tarde, Fernando. Como é que você está, meu amigo? Tudo em paz? Tudo bem, tudo ótimo. Rossandro, vamos lá. Hoje, um dia que para muita gente é de celebração, é de festa, de confraternização. Mas também para muita gente, não é um dia para festejar. É um dia de lembranças e às vezes umas lembranças tristes. E são para essas as pessoas que a gente vai dialogar hoje, certo?

Exato, acho que a gente sabe que a maior parte das pessoas tem memórias incríveis sobre as mães, são pessoas que têm a personalidade construída por essas mulheres sem as quais nós não estaríamos aqui, mas é verdade também que tem pessoas que têm relações muito dolorosas, e que, sabe o que é uma grande questão, Fernanda? Aquelas não têm um nome para dar para essa dor, porque quando você, por exemplo, perde uma mãe, você recebe o apoio de todo mundo, as pessoas vão ao velório, a gente se torna órfão.

Mas e quando você é órfão de uma pessoa viva, sabe, que por motivos que eu não vou julgar aqui, não cumpre o seu papel e deixa traumas, dores, e as pessoas têm vergonha. Então elas passam por duas dores, Fernanda. A primeira dor é a relação disfuncional em si com aquela mãe. E a segunda dor é exatamente o fato de que elas não podem nomear essa dor porque as pessoas dizem, como assim, é sua mãe, você não pode sentir isso.

E às vezes, quando a gente pensa isso também, a gente pensa só em uma coisa extrema, pessoas que passam por abuso, por abandono, mas tem dores silenciosas, Fernando. Pessoas que são excluídas na relação com os irmãos, pessoas que são preteridas em relação ao parceiro ou à parceira. Então, tem muitas camadas de dor que fazem com que algumas pessoas, no dia de hoje, estejam tendo angústia ou que estejam sentindo um certo alívio, porque não podem...

Porque fizeram um trabalho grande para poder se afastar, para poder sobreviver a uma relação que foi muito difícil e destrutiva desde o início. Ô Sandra, a gente sempre discutiu aqui a necessidade, a importância de nomear os sentimentos, nomear as dores. E agora eu fiquei até impressionado porque existem ocasiões, existem fatos em que a gente não consegue nomear a dor.

Existe. Às vezes você está tão angustiado que você apenas sente de forma difusa, sem que você consiga definir. O que é que eu estou sentindo? Às vezes você pensa que é raiva, que é inveja, que é ciúme, que é angústia, que é medo, que é decepção. E um dos primeiros movimentos emocionais para que a gente possa desenvolver uma cura é dar nome à dor que nós sentimos. É como se fosse um diagnóstico emocional. Quando a gente está doente...

e a gente está com dor de cabeça persistente, qualquer coisa que o valha, a gente vai com um profissional de saúde que ele passa exames, a gente faz exames de sangue, e aqueles exames são apontadores biológicos para dizer que doença a gente tem. Essa dor de cabeça é por causa de uma gastrite, é uma úlcera, é uma outra coisa, é realmente um problema neurológico. A partir desse diagnóstico, você pode ter um tratamento. As emoções também precisam disso, só que elas não são tão...

fáceis de diagnosticar, como ir para o laboratório fazer um exame e saber o que você está sentindo. Lembra da música que diz que um doelho ralado dói bem menos que um coração partido? Até por isso, porque um coração partido nem sempre tem um diagnóstico fácil de a gente fazer. Rossandro, como apaziguar esse sentimento? Eu acho que resolver não é viável no momento como esse, mas como agora amenizar? O que você sugere?

Minha sugestão é justamente essa. O primeiro movimento de apaziguamento é dar nome a essa dor e dizer para você que sente isso, que você não é uma pessoa perversa, não é má, não é ingrata, porque tem mágoas. Você é uma pessoa ferida. Então, o primeiro movimento hoje não é nem pensar em uma resolução, um apaziguamento, um perdão, mas muito menos uma cura, se é que a gente pode dar esse nome a esse evento. Mas, pelo menos, não se sinta pequeno, menor.

ou uma pessoa ingrata, uma pessoa ruim, porque você tem mágode, é uma pessoa que é importante, mas que te machucou. Esse seria, digamos assim, um presente para quem nunca se permitiu sentir isso sem culpa. É um bom momento para olhar para dentro, né? Essa é uma boa provocação, diria.

Sim, meu amigo. Com certeza. E necessária, né? Necessária. Rosandro, mais uma vez, obrigado pela conversa aqui. Eu sei que tem uma mãe nova aí perto de você. Quero dar os parabéns para ela também. E um beijo a todos aí. Um grande abraço, Rosandro. Tchau, tchau. Um grande abraço.

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