089 • Onde fica a saída do fundo do poço?
Episódio 01/06 da Série “O Resgate”, que abre o retorno do Podcast Reconectar-se. Um papo sobre a percepção de que a porta de saída de alguma situação está sempre na gente.
Para somar: escute também o episódio 060, 067 e 072.
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Um super abraço e até o próximo episódio,
Clarice
- A percepção de que a saída do fundo do poço está em si mesmoFundo do poço·Autoconhecimento
- O padrão de controle excessivo e suas consequências na vida pessoalControle excessivo·Ansiedade·Maternidade
- A necessidade de coragem para iniciar o processo de mudança e resgate de siCoragem·Mudança de rota·Natália Agostini
- O retorno do podcast Reconectar-se como parte do resgate pessoalPodcast Reconectar-se·Jornada pessoal·Resgate de si
- A escrita como ferramenta essencial para o autoconhecimento e a mudançaEscrita terapêutica·Autoconsciência
- A dificuldade de sair de ciclos repetitivos e a culpa das circunstânciasCiclos repetitivos·Autoculpa
Tem situações que a gente só percebe que não dá mais para manter e que precisam ser transformadas quando fica insuportável sustentar aquilo, quando a gente passa do limite ali, o famoso fundo do poço, né? Pois é. E olha, sabe onde fica a saída desse fundo do poço? Bem, a gente é a própria escada e a porta de saída dele, né? Não só a porta, mas a escada, porque é um processo, né? A gente não simplesmente abre abre a porta e sai.
Tem todo um processo ali, né, como subir da escada. Então é, a gente é a própria saída e não tem ninguém que possa subir essa escada por você, né? Não tem ninguém que possa abrir essa porta por você. Então você já teve esse clique por aí em algum momento, esse estalo assim de, meu Deus, por que eu ainda tô fazendo as coisas assim? Se só eu posso transformar isso para mim de fato, então por que que eu sigo esperando uma mudança milagrosa?
E eu tive recentemente esse clique, e foi dele que veio a percepção de que pausar o podcast, como eu tinha avisado que eu faria há alguns meses, né, que era por tempo indeterminado, talvez para sempre, então eu percebi que isso era um erro, não só em termos profissionais, mas pessoalmente mesmo, né, na minha jornada. Essa decisão veio meio que impulsivamente e decorrente de uma um apagamento mesmo religioso, partes de mim importantes, né, que decorreram desse, entre aspas, fundo do poço.
Então o retorno definitivo dele tá no ar agora, tem relação direta com a minha saída desse fundo do poço, entre aspas, porque não foi algo assim, né, minha vida inteira está assim, foi só uma área específica, mas que tava transformando o quem eu quero ser, né, especialmente agora que eu sou mãe e que eu tenho alguém para dar um exemplo direto. Então sair disso tem relação também com a volta do podcast, com resgatar partes de mim que eu quero manter, que são importantes para mim, para eu estar bem, para eu estar sendo eu de fato.
Então nesse episódio de reestreia do podcast Reconectar-se, o papo é justamente sobre o início do processo de se reconectar consigo, né? Quando a gente se percebe perdido ali, né? Como que a gente dá esse estalo? O que que a gente pode fazer para retomar assim, né? Retomar quem de fato a gente é, em vez de ficar negando, apagando e consequentemente indo para lugares e vendo situações que não são aquelas que fazem bem para gente.
Sabe quando você se sente num limbo em meio a desafios repetitivos sem saber como sair daquele ciclo? Muitas vezes a gente começa a culpar as circunstâncias, né, e até a gente mesmo, num looping ali infinito de se questionar: por que de novo eu tô vivendo ou caindo de novo nessa situação, às vezes a gente se culpa, a gente se sente mal com a gente mesmo por estar de novo ali, e a gente se pergunta como parar aquilo, porque a gente não consegue, porque a gente não vai adiante, o que que a gente precisa para fazer, né, aquilo mudar.
E a notícia boa é que não precisa procurar fora, nos outros, nas circunstâncias, porque é bem provável que você seja a própria saída. Mas isso também pode ser algo difícil de encarar. E eu escolhi esse tema porque eu mesma comecei a me dar conta de um padrão na minha vida nos últimos anos, e depois, né, de crescida, enfim, talvez já tivesse antes ali em alguns momentos até, mas na vida adulta mais mesmo, e que em algum momento sempre volto a viver um determinado desafio decorrente disso.
Resumindo bastante, para mim isso vem muito na relação com controle, né, com controle excessivo. Só que ele é a raiz, e aí ele vai crescendo, né, e vai se ramificando. E essas ramificações vão dando— aliás, ele é a semente, né, e vem a raiz, e essa raiz vai indo para vários lugares. Então várias consequências vêm acontecendo por causa disso. Então desencadeou uma questão com dinheiro nos últimos tempos, com ansiedade, com alimentação em outro momento.
Isso me prejudicava, né, me prejudica volta e meia. Também no meu relaxamento mesmo diante da vida, porque a cabeça fica o tempo todo a mil, né? Quem tem essa questão com controle, com querer controlar muito tudo, sabe disso. Então eu não tive tanto essa questão da perda de identidade que falam com a maternidade. Eu continuei sendo eu, sim, né? As prioridades mudaram, sonhos, alguns gostos e tal, algumas coisas claro que mudaram, né?
Faz parte do processo de viver novas experiências e circunstâncias. A gente vai mudando também. Mas não foi nada fora da curva demais assim. Eu continuava consciente ali das coisas que faziam sentido para mim, só que eu me perdi no gerenciamento do tempo, porque maternidade te traz muitas responsabilidades novas também que nada mais traz além da maternidade, da paternidade, enfim. E o tempo, né, o uso do tempo tem que mudar muito.
Então isso mexe com o quê? Com controle, né? É uma pessoa que gosta de controlar tudo, balança bastante. Então Nisso eu acabei adormecendo partes essenciais de quem eu sou e de quem eu quero ser também. Então, em vez de encarar aquele novo momento ali, né, e ver que muitas coisas precisariam ser transformadas, então eu tinha que dar um jeito de encaixar o que era importante para mim de acordo com a realidade daquele momento, mas gerenciando com o novo tempo que eu tinha.
Eu não fiz isso, né, eu adormeci muitas partes. Então Especialmente agora que eu tenho alguém, como eu falei, né, direto ali para quem eu quero dar o melhor exemplo possível do que eu acredito de vida, de como a gente precisa se tratar. Eu vi que não tava dando certo, né, isso não tava sendo bom. E eu me vi compensando isso usando dinheiro de forma impulsiva, né, ou seja, gerando outro problema ali para mim. Então gastando com coisas que não eram importantes de fato, enchendo minha filha com coisas que ela não precisava.
Então nunca substituí minha presença por material, enfim, eu sempre estive muito presente ali. Mas até nisso, né, o controle excessivo, inclusive agora que eu me dei conta, isso que eu nunca tinha pensado, que o controle excessivo interferiu nela também, no querer controlar a minha presença constante ali, né, aquela culpa de eu preciso estar constantemente ali, sendo que eu também sou um ser humano, né, enfim. Nossa, outra coisa para eu escrever aí, para eu pensar, mais para frente eu vou falar disso aqui.
Mas eu enchi. Então assim, eu vi que isso podia estar gerando ensinamentos que eu não queria passar sobre consumo, consumo excessivo, sobre dinheiro em si, né, sobre a criatividade mesmo, porque ela é uma criança tão criativa, né. Crianças no geral, né, são muito, mas ela assim demais mesmo. Então tem muito brinquedo, pode levar isso para um caminho diferente, né, então pode afastar dessa criatividade. Não era o que eu queria.
Totalmente contrário ao que eu pensava que eu queria quando tava grávida, e o que eu acredito hoje ainda. Então, só para contextualizar, né, eu consegui corrigir isso. Então mudei a rota-tempo. Hoje ela não tem tanto brinquedo assim, tem o normal e sem exagero, e sem esses brinquedos que trabalham por ela, né. Ela tem os que ela pode usar na criatividade dela, nas brincadeiras que ela quer. Mas isso aconteceu em outros momentos também, desse gasto impulsivo, né, dessa Comprar, comprar, comprar para substituir partes de mim inconsciente, tá?
Nada disso foi um processo consciente. Ah, eu fiz sabendo que eu tô fazendo assim. Não, fui porque eu estava cansada, porque não por não dormir ou por isso, por aquilo, mas porque eu tava negando parte de mim, eu tava me adormecendo. Então eu tava cansada muito mais emocional e mental pelo que eu não fazia por mim e não pelo que eu tava fazendo de ação de fato, né, prática. Em outro momento, né, muitos anos já, eu já falei até disso, que quando eu estudava para concurso também tive essa questão com controle excessivo e eu adormecia parte de mim em decorrência disso.
Porque se você quer controlar muito uma situação, você acaba deixando outras coisas de lado. E aí com isso eu tive uma questão séria com alimentação também, né, e que disso decorreu também uma questão com ansiedade. Inclusive a ansiedade apareceu há pouco tempo também, recentemente, de uma forma que não vinha há anos. Muito por isso também. Então, enfim, tem vários momentos assim, né, mas esses foram os mais marcantes para mim pelas consequências que geraram mesmo e pela forma como isso me fez passar a me ver quando eu pensava em mim, né, em quem eu sou, enfim, quem eu estava sendo.
Só que esse clique do que eu tava fazendo e de como isso vinha de novo pelo padrão, né, do controle excessivo e tal, me adormecer em decorrência disso, em vários sentidos. Veio algum tempo, mas como eu falei lá no começo, pode ser difícil de encarar, né? Não é um processo linear sair disso. Inclusive, isso também me gerou já muitas vezes me estressar e me envolver em situações que eu não precisava, que bastava ter pedido ajuda.
Mas quem gosta muito desse controle excessivo sabe como é difícil pedir ajuda. Então tô trabalhando muito nisso também. Já tive um avanço considerável, mas ainda sei que preciso mais pedir ajuda, né, e tal. E para mim isso sempre foi algo muito difícil, mas, né, não é um processo linear. Então assumir que a melhoria de alguma situação, de alguma mudança que precisa ser feita, né, de um ciclo que precisa ser encerrado, um ciclo desafiador ali que precisa ser encerrado, depende de si, é algo que pode ser doloroso de encarar.
Então muitas vezes a gente vai negando, a gente vai afastando inconscientemente a gente vai jogando aquilo para frente, depois eu resolvo, depois eu vejo, porque é difícil, porque dói olhar para algumas situações, né, ver que, puxa, aquilo decorre de mim, eu que preciso agir. Então pode ser difícil, mas é extremamente necessário. Ou então a gente vai ficar buscando muletas, né, para a gente descansar aqui, descansar ali, ou culpabilizações.
Ah, é culpa de de tal coisa que aconteceu, culpa de alguém que fez isso, por isso que eu tô agindo assim agora. Ou justificativa mesmo, né, também, que pode vir junto com a culpa. Culpar alguém, justificar, tá agindo assim por causa de outra pessoa, enfim. Então a gente fica esperando uma mão puxar a gente também. Ah, não, mas é que não sei quem não me ajuda. Então depende muito do padrão, né, que você tá vivendo, o que que é, qual é o fundo do poço que você tá.
Mas a nossa mão é a única que pode abrir a porta pra gente passar ali e sair daquele lugar, né. Algo que me ajudou demais nesse processo, por isso que eu sempre falei disso aqui, por isso que eu falo disso em todo lugar, por isso que eu levo isso de alguma forma sempre nos cursos que eu já dei, né, enfim, é a escrita, né, é o escrever, é o transbordar através das palavras para si mesmo, não escrever para o outro, escrever para si.
É realmente uma ferramenta assim que é gratuita, né, que você precisa de um papel, um lápis, um bloco de notas do celular, se não for possível escrever à mão naquele momento. Mas enfim, você precisa de você só e da sua mão, né, para escrever. Então ajuda muito, ajudou não só nesse processo, né, porque também ajudou em várias coisas já, ajuda diariamente escrever sobre. Então eu comecei a colocar no papel, mais especificamente no bloco de notas do celular, as emoções, pensamentos, tudo que vinha na minha vida mesmo ali Enquanto eu tava caindo naquele padrão, enquanto eu me percebia, né, comecei a observar mais, porque por causa da escrita eu comecei a observar mais o que antecedia as ações que vinham daquele padrão, os pensamentos, as emoções, um olhar também para os desafios que eu tive no passado e que vieram desse mesmo padrão, e escrever, escrever sobre aquilo com o meu olhar de hoje, né, como que eu enxergo isso hoje, por que que eu acho que eu agi daquela forma, por que que eu acho que eu fui por aquele caminho.
Membranças, né, que eu vou tendo e vou colocando, vou colocando. Então eu acordei, eu percebi que não adiantava cortar as consequências apenas, não adiantava me policiar para não seguir mais nas ações que decorriam daquele padrão. Eu precisava de fato olhar profundamente para mim, né, que eu era a saída. Então eu precisava entender o que dentro de mim tava bloqueando a porta, o que que me impedia de sair dali, ou melhor, o que me jogava sem sempre para aquele lugar, né, as emoções, as crenças inconscientes, o que que me levava a abraçar o controle excessivo de novo.
E bom, esse clique, né, esse estalo de puxa, é isso que tá acontecendo, eu preciso mudar isso, é o início, é fundamental, porque é o que traz a consciência para algo precisa ser transformado em mim, traz a luz, né, porque tá originando aquilo, ou então para para a luz, para que algo que tá em mim tá originando aquilo. Às vezes você nem sabe o que ainda, mas sem ação nada acontece de fato. Então portas podem até se abrir, mas se a gente não ousar passar por ali, são portas, e portas abertas que não fazem nada por si só, né?
A gente tem que atravessar. Não tem mudança de fato se a gente não agir. Então o clique significa que a nossa consciência tá despertando do estado de torpor ali que a gente se colocou. Já é alguma coisa, né? Uma grande coisa, mas ainda não suficiente. É o primeiro passo. Depois a gente vai precisar da coragem. A coragem de iniciar o processo de mudança, a coragem de olhar para si, a coragem de se ver de fato, se encarar sem julgamento, né?
Com acolhimento e tudo, mas também com decisão de agir de fato. Inclusive, no dia que eu defini que esse seria o episódio de retorno do podcast, Eu abri o Substack e eu dei de cara com a nota de uma psicóloga, Natália Agostini. Eu não conheço, mas eu li o que ela escreveu e uma pergunta me pegou bastante. Além de coincidir, né, com o que eu quero trazer aqui nesses primeiros episódios de retorno, ela questionou assim: de quanto tempo se precisa para tomar coragem e tirar os velhos sapatos que, embora sejam lindos, sempre esmagaram seus pés?
Porque às vezes, por fora, o que você vive ali decorrente daquele padrão pode parecer lindo para os outros, né? Às vezes tá num relacionamento que todo mundo acha lindo, mas não é o que tá fazendo bem para você, por exemplo. Então, para você, no seu mundo interno, naquele espaço você e você, sabe, você sente que aquilo tá apenas te adormecendo, te apagando, te ferindo. E o caminhar, né, o nosso caminhar tem que ser alinhado com o que a gente quer e precisa, com que a gente acredita, com que faz bem para gente de fato, né?
E não com que o mundo acha bonito, não com que o mundo acha que você deve fazer e ter e como você deve viver. Então é preciso iniciar um resgate de si. E aí eu encerro esse primeiro episódio de volta do podcast te perguntando então: do que mais você precisa para assumir que precisa mudar a rota e seguir numa outra direção? Do que você precisa para acordar? E no próximo episódio, na segunda-feira que vem, o assunto vai ser em cima desse questionamento.
Então sobre coragem, sobre ação, sobre iniciar a mudança de rota, sobre iniciar o resgate, né, reconectar-se de fato. Então super abraço e até segunda-feira que vem!
Clarice
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