Trump perde popularidade com guerra no Irã; ouça análise
Em meio a uma guerra impopular no Irã, que elevou os preços de energia e alimentos nos Estados Unidos, a desaprovação do presidente Donald Trump chegou ao nível mais alto de seus dois mandatos, superando a baixa popularidade de janeiro de 2021, após a invasão do Capitólio. Divulgada a seis meses das eleições legislativas, a pesquisa conduzida por ABC News, The Washington Post e Ipsos mostra que o mandatário é reprovado por 62% dos norte-americanos. Denilde Holzhacker, Professora de Relações Internacionais da ESPM, analisa o tema.
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Denilde Holzhacker
- Oposição interna ao Trump sobre guerra no IrãDesaprovação recorde de Donald Trump · Impacto da guerra no custo de vida e inflação · Ações do governo Trump e seu impacto econômico · Eleições de meio de mandato nos EUA · Perda de apoio de republicanos moderados
- Tensão no Estreito de HormuzAtaques iranianos e ações americanas · Impasse diplomático e possibilidade de escalada militar · Importância do controle do Estreito de Hormuz para o Irã · Programa nuclear iraniano como ameaça · Negociações de paz e falta de confiança entre as partes
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Mais cedo nós noticiamos aqui os últimos acontecimentos lá no Golfo Pérsico, com os Emirados Árabes reportando um ataque iraniano, também o comando americano destacando que afundou sete embarcações iranianas. Mas no meio desse contexto todo, embora a gente tenha oficialmente um cessar-fogo, ainda não há uma parcelada e isso repercute negativamente também nos índices de popularidade.
do presidente americano Donald Trump. Acabou de sair uma pesquisa, essa pesquisa da rede ABC, também do Washington Post e do Instituto Ipsos, mostrando um recorde na desaprovação do presidente, 62% desaprovação, 37% de aprovação. Mas a gente verificar um recorte que é importante aqui.
Quando a pesquisa pergunta sobre como ele conduz a questão do custo de vida, é o maior índice de rejeição que ele tem, 76%. E aí tem uma pergunta específica sobre inflação, né? Eles fazem diferenciação entre custo de vida e inflação. Como ele lida com a inflação? 72% também desaprovam o governo Trump nesse aspecto. E são dois aspectos que têm muita relação também com a guerra lá no Oriente Médio.
Mas a gente convidou para uma conversa a professora de Relações Internacionais da SPM, Daniel de Rose Hacker, para analisar essa situação de Donald Trump, esse prolongamento de uma guerra que, por um lado, ela pode não continuar como estava lá nos primeiros dias, por outro lado, também não acabou, não chegou a um acordo de paz. Professora, bom dia, obrigado pela presença.
Eu que agradeço. Bom dia. Como é que a senhora avalia primeiro esses dados aí da pesquisa em relação à rejeição do governo Trump? Olha, mostra aí uma queda, né? Já vinha essa rejeição se aprofundando.
E o grande ponto, como você mostrou, é a questão econômica, o aumento do custo de vida do americano médio, especialmente, que piorou também em função de várias ações do próprio Trump.
com relação a tirar benefícios sociais que têm impacto no dia a dia do americano, na questão do Medicare, a ajuda para famílias com situações mais críticas e vulneráveis com relação à compra de alimentos. Então, o governo dele vinha desde o ano passado fazendo uma série de ações.
para tirar o peso do Estado na economia, que faz com que tenha mais impacto. Outra ação também econômica que...
gerou um impacto negativo na inflação e no custo de vida do americano é a questão das tarifas, que também elevaram o preço para o consumidor americano no final. Quem paga o maior preço do aumento das tarifas é o importador.
e que vai repassar para o consumidor. Então, duas ações que já vinham sendo uma crítica ampla sobre as ações dele. E aí agora, com a guerra, você tem o aumento do preço do petróleo, que afeta não só a economia mundial, como tem afetado também a economia americana. Então, a economia é um centro, mas ela é resultado de várias ações do próprio governo.
E vai ter provavelmente implicações para as eleições que vão acontecer em novembro, que são as eleições de meio de mandato para a mudança do Congresso. Então, diferente do Brasil, que as eleições são de quatro em quatro anos, para o Congresso americano é de dois em dois.
Isso, a perda da maioria que hoje é importante para o Trump manter essas ações, vai implicar aí no que se esperar dos dois últimos anos do governo dele.
Se a gente pegar só as ações dele em relação à guerra com o Irã, aí a desaprovação é de 66%, quer dizer, um índice alto também. A senhora vê nesse momento que cenário para esse conflito? É, e antes do cenário, só é importante a gente lembrar, desculpa, que no caso da base do Trump, ele desde a campanha vendeu...
para o americano e para a sua rede de apoio, que não entraria em novas guerras, que seria diferente de todos os outros presidentes americanos. Então, entrar numa guerra em que tem um custo interno, que para a população não fica claro quais são os objetivos.
reforça esse lado negativo e é uma pressão importante dentro do governo. Inclusive, esse dado mostra que ele começa a perder também apoio dos republicanos mais...
moderados. Ele ainda tem uma base muito forte com os americanos, com os republicanos, que chamado da MAGA, que são os americanos de apoio a ele, mas já começa a ter fraturas dentro do partido, o que também é um ponto complexo para a sua gestão.
Quanto ao conflito, o conflito hoje vive um impasse. Hoje as notícias mostram que há uma possível retomada de bombardeios por parte do Irã, em retaliação às ações americanas com relação ao bloqueio e os ataques aos navios que tentaram passar pelo estreito. Então aumenta a tensão, então a gente volta para um momento de aumento da tensão.
uma preocupação sobre a escalada, novamente,
porque atingir os países no entorno é uma resposta que o próprio Irã deu no início do conflito. Então, havia uma perspectiva no final de semana de que, apesar dos impasses, se caminharia para um cenário em que estaria numa situação de mais...
mais voltada para o âmbito diplomático, agora a gente volta para um cenário de novo de possíveis ações militares. Então a gente vai ter que ver qual vai ser a resposta dos Estados Unidos frente a esse ataque a um aliado, que é o Emirado dos Árabes, e qual vai ser a contra-ação também, a retaliação do Irã.
Para o Irã, o controle da passagem do estreito é essencial, porque é como ele consegue recursos da venda do petróleo, mas também do fluxo de passagem, porque do pedágio que ele cobra dos navios para terem acesso e passagem no estreito.
E para o governo americano, a estratégia de bloquear exatamente para diminuir a capacidade econômica ainda mais do Irã. Então esse era um dos impasses centrais. O outro impasse central é a questão do acordo.
do programa nuclear iraniano, que os iranianos entendem que é uma questão nacional e que não vão abrir mão de manter o seu programa, enquanto Estados Unidos e Israel entendem que é uma ameaça à sua própria segurança, especialmente Israel. Então, os impasses continuam nesse cenário com o agravante de que a gente volta.
por uma tensão nas ações militares, e o que torna os resultados mais improváveis de avanço de qualquer negociação, que era uma expectativa no final de semana para o início dessa semana, a gente já tem uma mudança de quadro.
E para finalizar, professora, a senhora vê alguma chance mínima, alguma base mínima para um acordo entre os dois países mediado pelo Paquistão? Olha, havia até uma perspectiva. Depois da situação e das notícias dessa manhã, a gente volta novamente para o ponto...
próximo ao zero da negociação. Negociações, elas acontecem, para chegar a um acordo, ela precisa estabelecer algum nível de confiança entre as partes de que o acordo vai ser seguido. E hoje nem...
Nem Estados Unidos, nem Iran, tem esse nível de confiança. Então, é um conflito que deve se prolongar. Pode ser que não numa escala, como a gente viu, de questões militares, mas com situações como essa que a gente está vendo, é um ataque pontual em um lugar, depois um ataque no outro, e aí mantendo a tensão constante.
para o Trump, apesar dos índices negativos da guerra interna, para ele mostrar a vitória é essencial. Ele precisa mostrar para os seus apoiadores que não foi uma guerra que só trouxe custo, é uma guerra que ele conseguiu, de fato, fazer uma mudança no contexto do Oriente Médio.
Então, para ele, um acordo agora seria um acordo que desse vitória para os Estados Unidos. Já o Irã também depende da vitória e ter claro os ganhos em pontos importantes.
pelo menos o Estreito de Hormuz, para garantir a sua integridade interna também, que também sofre uma pressão e um desgaste. Então, esses dois objetivos, que não são ligados à guerra, mas envolvem a sobrevivência política, é também um ponto que torna a possibilidade de um conflito mais longo do que estava dado até a semana passada.
Muito bem, ouvimos e agradecemos aqui a professora Danilde Rose Hacker, ela é professora de Relações Internacionais da SPM, analisando esse cenário atual da guerra no Oriente Médio e também as consequências políticas para o presidente Donald Trump. Obrigado professora, até uma próxima oportunidade. Eu que agradeço, bom dia.
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