Episódios de Tomando uma

Tomando uma com... EUDES JR #EP308

06 de maio de 20262h31min
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O Futeboteco recebe hoje o grande jornalista EUDES JUNIOR para o episódio 308 do Tomando Uma Com!

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Rodolfo Gomes

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Felipe Oliveira

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PRODUÇÃO:

João Rodrigues

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Assuntos9
  • Carreira de Eudes JuniorJornalismo esportivo · Jornalismo político · Jornalismo econômico · UOL · Globo Minas
  • Supremacia de Flamengo e PalmeirasEspanholização · Gestão financeira · Eduardo Bandeira de Mello · Paulo Nobre · Corinthians · São Paulo · Vasco
  • Campeonato Brasileiro de FutebolModelo de negócios · Lucro e acionistas · CBF · Liga de clubes · Clubismo
  • SAF no futebol brasileiroDívidas dos clubes · Botafogo · Cruzeiro · Vasco · Atlético Mineiro · Lei da SAF
  • Conscientização do torcedorPolítica interna dos clubes · Má gestão · Fair Play Financeiro · Efeito rebote · Dívida do Santos
  • Mudanças no jornalismoMorte da reportagem · Custo da reportagem · Novas tecnologias e mídias · Vídeos curtos · Credibilidade do veículo
  • Jornalismo e futebolAcesso a clubes e jogadores · Off-tube · Qualidade da transmissão · Credibilidade · Capitalismo selvagem
  • Grandes coberturas jornalísticasExploração e trabalho infantil · Vale do Jequitinhonha · Ocupação do espaço público · Comparação entre São Paulo e Belo Horizonte · Impacto social do jornalismo
  • Ética e corporativismo no jornalismoDignidade profissional · Críticas a colegas · Mistura de comercial e editorial · Desinformação
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Salve, salve, galera! Seja muito bem-vindo para mais um Tomando Uma. Já vou te dizer que o papo, antes de ir para o ar, já estava maravilhoso. Eu tive que interromper. Eu falei, calma. Muita calma nessa hora para a gente continuar esse papo, porque as pessoas que estão em casa também merecem apreciá-lo. Porque é um cara que, bom, tem uma carreira no jornalismo longa.

mas ele ainda é jovem, tem muita coisa para fazer, acabou de ser contratado pelo UOL, cara que já passou por várias editorias do jornalismo, vários veículos, e que agora está desfrutando um pouco mais dessa liberdade do novo jornalismo, de você ter um contrato um pouco mais amplo, que você te permite fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, a gente falava sobre isso aqui, então é uma ótima oportunidade para a gente conversar sobre esporte, sobre...

cidade, política, como ele sempre cobriu, sobre jornalismo, sobretudo. Um mestre da profissão. Fala aí, Felipe, quem é? Grande Eudes Júnior, palmas. Palmas. Grande Eudes. Que papo maravilhoso estava fora do ar, hein? Vai ficar melhor. Me parece que eu estava no boteco de verdade. É.

Muito obrigado, obrigado a você que nos acompanha, obrigado Rodolfo, Felipe, prazer estar aqui, ainda não sei o que vocês fizeram, a relevância dos convidados, a lista de convidados, quando eu me deparo com elas, eu que acompanho o trabalho de vocês.

Esses caras estão me ligando, o que eles estão me chamando? O que eles querem falar comigo? Mas é um prazer estar aqui. O cara é um professor de jornalismo. Ela vai nos dando uma aula aqui fora. Puta humildade, porque... Mas, cara, assim... Eu quero... A gente vinha falando sobre questões do jornalismo, que a gente vai entrar nesse papo. Eu acho todas elas muito pertinentes pra gente discutir a profissão. Acho que é uma das coisas que a gente mais faz aqui.

discutir, rediscutir os humos dessa profissão que a gente tanto ama, mas, sobretudo, eu queria que você contasse um pouco como que você se conecta com essa profissão, como que você decide entrar, o que te brilha os olhos para você decidir a sua carreira e ir nessa direção você que foi federado, como o jogador estava contando aqui, de futsal, não é isso? Futsal, Minas Senas. Pois é, então me conte um pouco.

Não sei se eu escolhi ou se eu fui escolhido, né? Foi logo na primeiríssima infância. Meu pai, saudoso pai, era dentista. Minha mãe também, saudosa mãe. Infelizmente, já perdi pai e mãe. Aproveitem os seus.

Mas meu pai era dentista e minha mãe se formou em jornalismo, mas ela era funcionária pública, ela nunca exerceu a profissão. E muita gente fala, então você escolheu por causa da sua mãe. Meu pai muito pequeno, meu pai tinha sido líder estudantil, então a gente ia muito para o Rio passar as férias, por exemplo. Eu sou de Belo Horizonte, nasci, cresci lá, me formei lá, comecei minha carreira lá. Mas a gente ia para o Rio, férias escolares, feriados. E aí meu pai sempre, desde muito pequeno, interessado.

Adoro história, amo história, de qualquer coisa. Política, economia, esporte. Meu pai, percebendo isso, então ele passava, a gente ficava muito em Copacabana, então passava pela rua Tonelheiros. Ah, aqui teve um atentado contra o Carlos Lacerda, que culminou no suicídio do Getúlio Vargas. Enfim, quem assistisse aquela cena, por que você está falando isso para um garoto que nem foi alfabetizado ainda? Eu sempre me interessei, então levava a gente para a escola ouvindo o rádio.

e ouvindo jornal na rádio. Cresci nos anos 80, então era ainda aquela época em que a família ficava na sala com o aparelho de televisão, que tinha ainda aquela antena, de vez em quando colocava bombril, garotada pode colocar aí na internet para saber como era, como se dava isso.

os jornais chegavam, o jornal impresso, você ia à banca comprar o jornal, não tinha nem assinatura ainda, você tinha aquela coisa de ficar ali com a textura do jornal nas mãos, também das revistas impressas. Então, desde muito pequeno, eu olhava para a profissão, para quem estava no ar, fosse no rádio, fosse na TV, ou lendo uma coluna aí já alfabetizado.

Como vocês, assim, como muita gente, eu fui leitor, consumidor de noticiário esportivo. Brinco com o Juca, querido Juca Kfuri, abraço Juca. Grande Juca. Ele é ocupado, né? E aí, como ele sempre responde para todo mundo, não me venha com essa, assuma suas responsabilidades. Mas eu lia muito a placar e colecionava a placar, né? Então, assim, eu tinha acabado de ser alfabetizado, li as colunas do Juca.

Aplacar. O Júlio, em um dado momento, dirigiu também a revista Playboy. Tinha aquelas célebres matérias e entrevistas da Playboy. Então, além dos jornais impressos, consumia muito também as revistas. E aí, óbvio, já era de uma geração televisiva. Então, tudo passava na televisão, eu assistia. Rádio muito, evidentemente. Agora, não queria trabalhar com esporte. Eu cresci tendo ali o jornalismo sempre como... Isso é algo que eu quero fazer.

Mas o esporte não passava pela minha cabeça. Então, pratiquei esporte a vida inteira. Como vocês podem ver, preciso voltar a fazê-lo urgentemente. Fui federado futsal. Fiz natação há muito tempo. O Minas é um dos maiores clubes do país, se não for o maior. Grande formador de atleta olímpico. Móis vencedor da natação brasileira. Mas adorava aquilo. Mas eu já via dos bastidores do esporte.

que é tudo isso que todos nós sabemos, que acontece também, o futebol não é muito diferente da política, que não é muito diferente do mercado financeiro. Eu falo que eu cobri também muito isso, eu cobri mercado financeiro em São Paulo, cobri futebol e cobri política. E mais de uma vez essas três coisas. Eu não vejo suficiente diferença entre um político em Brasília, um cartola do futebol e alguém que está ali.

literalmente operando o mercado financeiro, sabe? Mas ali, no caso, eu envolvido com esporte na adolescência, eu falei, não quero esporte. Comecei a faculdade para trabalhar querendo, né? Trabalhar em revista.

ao que um professor meu reagiu, dizendo, quanta arrogância, hein, garoto? Você já quer começar trabalhando em revista. Porque revista era tido como um cara mais prêmio, né? Era o que eu queria, assim. Era mais tempo pra fazer a matéria, né? Eu era revisteiro, assim, como se dizia, né? Gostava, mas tinha aquela cultura do rádio também ali. E aí fui trabalhar em rádio, numa rádio comunitária.

Foi muito importante para a minha formação. E aí aquela coisa, pé na lama, mestre Ricardo Cote, o lugar de repórter era na rua, estudei desde o primeiro período de faculdade, mas aí fora do esporte. Estou cobrindo cidade, polícia, política, economia, durante muitos anos, até ir para o esporte em um determinado momento. Já na Globo Minas, eu entrei na geral, como a gente chamava.

Fui para o esporte, porque em um ano e menos de um ano e meio, voltei para geral, aí um longo período cobrindo só política e economia, e até retornar depois para o esporte, mas indo e voltando, fazendo essa trajetória, um pouco lá, um pouco cá. A gente estava falando em off aqui, das mudanças do jornalismo, e em dado momento você citou, e é algo que a gente já vem falando aqui há muito tempo com alguns convidados, sobre reportagem, cara.

Eu lembro de você, já no Esporte TV, fazendo reportagem. No Esporte da Globo também. O que você classificaria como a morte da reportagem no jornalismo que a gente tem atual? Na TV, na internet? Principalmente no esportivo, né? É, principalmente no esportivo, que não existe praticamente mais nada. É caro? Qual que é a justificativa? Qual o seu panorama? A justificativa que é dada por quem faz parte da gestão dos mais diferentes veículos, inclusive também dos veículos impressos, né?

é que a reportagem é algo caro. E eu entendo que seja, porque para você investir em reportagem, você precisa investir um longo tempo em apuração. Você pode ter um trabalho em voo solo, principalmente no impresso? Pode. Na televisão fica muito mais difícil. É trabalho em equipe, não tem como fugir disso. E você depende de tecnologia, do equipamento, é câmera, microfone, é quem vai operar a câmera, quem vai editar depois, quem vai produzir aquilo. Então você tem uma equipe grande que você precisa...

Isso eu estou falando não da matéria ali do dia a dia, do treino que se cobria para dizer quem vai jogar, falando que está machucado, quem está suspenso, isso não. Mas a grande reportagem, vamos dizer assim, pensar lá no programa da TV Cultura, os grandes momentos do esporte, nos programas que a ESPN Brasil teve, o Sport TV com o Sport TV Repórter.

Isso para falar só do esporte. Esporte espetacular. Esporte espetacular, quando você ainda tinha grandes matérias, matérias muito bem produzidas, muito bem acabadas. É caro? É caro, é verdade. Você tem também o que se alega de mudança geracional, de um advento das novas tecnologias, das novas mídias, você passa a ter novas gerações.

que consomem vídeos, mas vídeos curtos, vídeos rápidos. Então, se algo passa ali de três minutos, já é grande demais. Então, você imagina uma grande reportagem, como você via no próprio Esporte Espetacular, de 15, 18 minutos, um programa inteiro de reportagens que vai levar ali entre 50 e 55 minutos.

preencher uma hora ali com os intervalos comerciais. Você tem um custo que é considerado elevado para um retorno de audiência que nem sempre, na visão de quem está bancando aquilo, seria compatível. Mas eu acho que se despreza o que seria intangível, que é o que você ganha também de credibilidade com aquilo.

O público que você mantém, porque hoje se pensa muito nas novas gerações, com a linguagem da internet, que são consumidores, principalmente na plataforma. Onde estamos aqui agora também, que é o YouTube? E aí se diz, não, tem que ser vídeo curto, tem que ser algo mais rápido, porque senão o pessoal vai embora, a audiência vai embora, não retorna. E a gente sabe que, no caso da televisão, principalmente, e o jornalismo, os veículos de comunicação de uma maneira geral, você depende da publicidade, certo?

Então, para você atrair publicidade, você precisa de audiência. Vendendo jornal, vendendo revistas, assinaturas nos portais, no caso da TV fechada, pay-per-view, tudo isso. Então, a coisa ficou muito mais rápida. A notícia ficou muito mais rápida, liquefeita. E isso, eu acho que provoca uma situação quase que de comodismo nas redações.

Olha, isso aqui é mais rápido, é mais barato, é mais simples. Antigamente, para entrar ao vivo, um repórter para entrar ao vivo, eu peguei isso no começo da minha carreira. Então, vamos lá, comecei a minha carreira profissional na TV Globo, na Globo Minas, em BH. Para fazer uma entrada ao vivo no Bom Dia Minas ou no MGTV ou nos telejornais em rede da Globo, você tinha aquele caminhão que a gente chamava de um MJ, Unidade Móvel de Jornalismo.

que alguém da produção tinha de ligar na véspera para a prefeitura, o órgão responsável pelo trânsito. No caso ali é BH Trânsito, você que é em São Paulo, CET. Dizia assim, olha, amanhã eu preciso parar o caminhão na Avenida Paulista, altura tal, tem autorização, porque você ocupa o espaço ali. É grande, né? É um negócio grande, aí sobe a antena.

Aquilo tinha um custo gigantesco, mas não havia outra forma. E você não tinha, evidentemente, vários veículos não tinham sequer esses caminhões para as entradas ao vivo. E mesmo o veículo de maior estrutura, que era a TV Globo, você tinha um limite. Não dava para colocar todo o repórter entrar ao vivo, porque não tinha um caminhão para cada repórter em cada ponta da cidade. Com o passar do tempo, vieram os equipamentos, que são mochilinhas hoje.

E você entra ao vivo do alto da montanha, de qualquer lugar do mundo. Mochilink. Conexão. Aí o Mochilink, LiveU, Deluke, vários surgiram. Então tem vários aparelhos desses, de qualquer ponto do planeta. Você liga, claro, você vai precisar de conexão, internet, enfim. Mas você entra ao vivo de qualquer lugar. Isso barateou muito a entrada ao vivo.

E ficou muito mais fácil você entrar ao vivo do que mandar uma equipe de reportagem. Primeiro, tirar alguém da pauta do dia a dia para apurar uma determinada informação, levantar aquela informação, checar aquela informação, ir a campo atrás daquela história. E aí, tanto faz no esporte, na política, na economia. Depois, ter uma equipe de edição, uma equipe, no caso da TV, de arte.

para preencher aquela reportagem especial, seja em série ou seja uma reportagem maior num dia ou num programa. No caso dos portais, grafismo, tudo isso custa caro. Eu sei que custa caro, mas tudo isso é o que dá também credibilidade ao veículo. Quando você também assina um jornal ou um portal ou consome o noticiário de uma televisão, você está apostando na informação.

qualidade e de preferência exclusiva. Então tem um custo. Só que tudo ficou muito pasteurizado. Então qual é o sentido hoje? Os acessos, no caso do esporte, foram perdidos. Antes a gente entrava nos CTs, você assistia aos treinos, você conversava com o roupeiro, com o médico. O acesso direto ao jogador já não era tão simples quando eu comecei, se comparado com os colegas dos anos 90 e anos 80, mas você ainda tinha algum acesso.

os jogadores não tinham essa equipe completa, cada jogador com o seu fisioterapeuta, com o seu fisiologista, com a sua equipe de assessoria de comunicação. Você tem que pedir autorização para a assessoria do jogador, para a assessoria do clube, para a assessoria de sei lá quem. Enfim, tudo ficou muito mais complicado. Depois, com a pandemia, os clubes já estavam se fechando, se fecharam de vez. Você tem, na prática, hoje, um repórter na porta de um centro de treinamento para falar de algo que ele não viu.

Então a exigência se torna maior também, porque se você não assistiu ao treino, se você não tem mais o acesso direto a vários funcionários do clube como você tinha antes, estando diariamente dentro de um CT, você tem que buscar outras formas para obter uma informação.

Mas isso também provocou uma onda, eu acho que, quase que de comodismo. Então você espera ali nos grupos de WhatsApp de imprensa, o que chega oficialmente do clube, por exemplo. Porque assim, se a gente for analisar friamente, cara, até economicamente esse cenário...

Você tem, obviamente, a decisão de fazer a coisa da maneira mais eficaz possível, mais barata possível, mas também não é como se essas emissoras estivessem passando fome. Não é como se elas não estivessem com uma margem de lucro muito grande. A própria Globo saiu uma notícia um mês atrás que bateu recorde de faturamento. E a Globo, nos últimos anos, andou, por exemplo, mandando embora muita gente que ganhava salários de três dígitos e...

readaptando o elenco para tentar ser um pouco mais equilibrada financeiramente. E parece, de novo, que é um... Eu usei aqui o exemplo da Globo por ser óbvio de ser a maior emissora da América Latina, eu acho, do Brasil, pelo menos é. E terceira do mundo. Então, assim, agora... ...

Não sobra, parece que, um dinheiro para você tentar investir um pouco nisso, nessa credibilidade? Ou essa credibilidade deixou de ser importante? Porque quando eu olho para outras coisas, inclusive aqui para a internet, porque é produzido aqui...

Existem muitos canais que têm muita qualidade embutida, que são respeitados como tal. Tem muitos com grande audiência e pessoas... Mas os maiores...

não necessariamente são esses. Os que detêm mais publicidade, não necessariamente são esses. Podcasts como o nosso aqui, que muitas vezes os apresentadores sequer carecem de informações importantes a respeito dos seus convidados, passam vergonha, mas estão trilhardários, porque...

porque tem muita gente que assiste, que não está muito preocupada com essa qualidade. Então, até que ponto tudo isso que você falou é porque, no fundo, se percebeu que essa qualidade e essa credibilidade no Brasil...

não passa de mero capricho, porque não faz, no fundo, a menor importância. Você já refletiu sobre isso? Já, tem um pouco disso na prática. Aí nós vamos cair em questões amplas e profundas, e também históricas. Nós vamos sempre voltar na questão do modelo de negócios, qualquer que seja ele. Como a gente está falando, ainda mais no modelo brasileiro.

De televisão, mas eu ampliaria para comunicação, porque não é só televisão, internet também é assim, evidentemente. Você tem um modelo que é totalmente privado, que vai seguir, evidentemente, uma lógica de mercado. Quem detém aquela força de produzir conteúdo, se não for independente, como o trabalho que vocês fazem...

vai se submeter àquela lógica e vai buscar, evidentemente, o lucro acima de qualquer coisa. E uma margem de lucro cada vez maior. Com os dividendos que precisam ser distribuídos aos acionistas. Muitos deles nunca entraram numa redação. E, portanto, também não tem compromisso com aquilo. E aí você começa a fazer avaliações, e aí o que eu vou falar agora não é para fazer uma defesa dos gestores, nem desses veículos.

Mas quando a pessoa vai lá e coloca na ponta do lápis, ela começa a ver, opa, por que eu vou ter esse gasto? Veja bem, eu não estou defendendo isso, mas eu vou dar um exemplo prático.

Veio pandemia. A pandemia mudou muita coisa. Mudou. Muita coisa, na verdade, já estava mudando, inclusive o acesso aos clubes, mas a pandemia... Acelerou. Catalizou e aprofundou isso. Depultou também. Forma, assim, absurda. A gente vive um período de mudanças muito rápidas e muito profundas, ao mesmo tempo. A própria revolução tecnológica, digital...

Tem tudo a ver com isso. Então, vamos lá. Eu peguei um período, felizmente, em que a equipe de transmissão viajava completa para fazer um jogo em loco. Então, você vai fazer o Flamengo e o Grêmio e o Porto Alegre. No caso, o Grêmio e o Flamengo, o Grêmio como mandante. A gente saía do Rio, narrador, comentarista, o repórter que, no caso, faria o time do Rio, seria o Flamengo, Vasco, Botafogo, Fluminense. Teria o repórter de Porto Alegre fazendo o time gaúcho, o Grêmio e o Inter.

Aí teria o coordenador da transmissão, viajava uma equipe para fazer um loco. A partir da pandemia, e por causa dela passou a reduzir o número de pessoas nos ambientes, então os ambientes também precisavam ser controlados, mesmo com a retomada do futebol, vocês já se lembram, a pandemia estoura ali em março de 2020, em um dado momento o futebol é interrompido e ele é retomado no segundo semestre.

só que com aquelas restrições. Eu mesmo usei, quantas vezes eu usei máscara ali no gramado, com aquele distanciamento, então não era mais o meu microfone.

ali com o jogador, tinha o boom ali, o microfone que se estica assim, para manter o distanciamento entre o jogador e o repórter. E aí a cabine, que obviamente o narrador fica ao lado, do comentarista muito próximo, você começou a fazer dentro da própria emissora, por causa do distanciamento. Então num dado momento, e aí a gente chama isso de off-tube,

Quando o narrador, comentarista, está todo mundo na emissora e não no estádio, em loco, está só o repórter no estádio. Então, o off-tube começou a prevalecer, inicialmente por causa da pandemia. E a injustiça seja feita, a Globo e o Sport TV tinham esse mérito, porque muitos veículos já faziam off-tube. No caso do Sport TV, num dado momento, todos os jogos você tinha sempre...

Equipe de transmissão completa, incluindo narrador, comentarista, enfim, todo mundo no estádio, em loco. A transmissão fica muito melhor? Fica. Porque quando eu estou com um narrador na cabine, eu estou no gramado, eu não tenho aquele delay enorme. Então faz diferença para a qualidade. O narrador, ele tem a percepção do estádio.

Então ele percebe também coisas ali que ele, na emissora, com um monitor, obviamente ele não vai conseguir enxergar. Tudo isso faz diferença. Só que, entra naquilo que você citou, que é qual foi a audiência do jogo com a narração off-tube? Qual foi a audiência do jogo com a equipe loco? X também. Então por que eu vou mandar?

duas, três, quatro, cinco pessoas a mais para Porto Alegre, pagando passagem de avião que está caro, isso eu estou falando de novo, não é para fazer defesa desse modelo, tá? Eu sinto falta disso. Mas eu vou pagar passagem de avião a mais, diária de hotel, certo? A mais. E as diárias de alimentação de cada um daqueles profissionais, se eu mantendo essa equipe e eu vou pagar passagem de avião.

no Rio de Janeiro, ou em São Paulo, se o jogo for de São Paulo, e só o repórter viajando, o resultado de audiência vai ser o mesmo. Percebe? Cai exatamente no que você falou, Rodolfo. Então, assim, essa conta, ela começa a ser feita. Além disso, tem uma outra questão.

por exemplo, é que é foda, os Estados Unidos, o mercado mais rico no esporte, isso nunca foi nenhuma coisa pensada, os caras, todo jogo de universitário, a equipe tá lá, todo mundo lá, não tem essa coisa de off-tube no mercado mais rico esportivo do mundo. A gente aqui parece que só quer cortar gasto, cara, que a gente só quer lucrar, cara, a gente só quer dinheiro, a gente não quer qualidade, velho, e foda-se, porque o dinheiro é igual.

Puta, isso me dá com moda. Eu tenho a transmissão da Globo do jogo do Palmeiras aqui para o São Paulo. O Everaldo, o Roger e o Caio estavam no estúdio. E a repórter, Julia Douta, eu acho, estava lá no Paraguai, em Assunção. Aí, em um dado momento, acho que o Everaldo até errou a informação, achando que o Abel não estava no banco. E ela avisou ele, obviamente, e ele não viu o Abel ali na beira do campo. Se ele estivesse no estádio, ele teria visto.

com certeza ele teria visto ele entrando com os jogadores ali e ele não viu. Ele não viu, ele achou que ele estava suspenso. E você perde qualidade, na minha opinião, não há dúvida. E além da qualidade, você perde a temperatura do jogo. Pô, tá, tá. Porque o jogo, pelo menos pra mim, sempre foi assim. Mais do que o jogo. Ele é um fenômeno antropológico. Lógico. Ele vai muito além da bola rolando com 22 pessoas correndo atrás dela, tentando acertá-la no meio de três pausas que se deu o nome de gol.

O jogo é feito de inúmeros fatores, componentes. A torcida no estádio, como ela se comporta, o que ela grita, o que ela fala. A gente fala tanto também, Eudes, de que no Brasil faltam gramados de qualidade. No Brasil falta um envelopamento.

de imagem, que é mais padronizado, como é lá fora. Porque no Brasil falta uma organização horários melhores de jogos, que também a TV sempre influenciou muito para se beneficiar disso. Mas também a transmissão ela também é parte do produto para que ele tenha interesse a respeito disso. É claro que o torcedor do Flamengo vai assistir o jogo na Globo se a única opção dele for o jogo na Globo.

Com ou sem off-tube? Ele vai assistir em qualquer lugar. É óbvio, mas é o seguinte, se você fizer uma pesquisa, e às vezes uma pesquisa que o cara seja capaz de responder, porque tem coisa que o cara às vezes nem percebe, mas se você fizer uma pesquisa simples, você vai perceber que isso faz diferença. Mas, de novo, a gente está vivendo um capitalismo selvagem. E ainda mais se tratando de Globo, né? Essa dinâmica que você falou, ela acontecia quarta-domingo, né?

Mais, né? Porque você tinha jogo... Vocês indo pros estádios e ficando em hotel e tudo mais? Muitas vezes mais, porque com o número de competições, o número cresceu. Lá atrás você não tinha a Copa Sul-Americana, num dado momento você passou a ter, né? Porque você chegou a ter nos anos 90 a Copa Comembol, depois ela foi interrompida, aí vem a Mercosul, aí, enfim, no começo deste século a Copa Sul-Americana. E aí se o mesmo veículo passa a ter, num dado momento, mais direitos de transmissão, então você tem mais competições.

Então, assim, lá atrás, essa coisa do jogo às quartas e aos domingos, lá, anos 80, um pedacinho dos anos 90, de lá pra cá você tem jogo terça, quarta, quinta, sábado e domingo. E Série B você tem sexta-feira. Você chegou a ter jogos de Série A num dado momento, segunda-feira às oito da noite. Ainda tem. Por exemplo. Então, assim, você tem a semana inteira ali com jogos.

Não podemos nos esquecer de uma coisa importante também. Quem paga a conta do futebol brasileiro? Se você for conversar com qualquer dirigente do futebol brasileiro, quem pagou a conta, hoje também, em função de inúmeras situações, você tem outras fontes de renda, os clubes com seus próprios estádios, são arenas multiuso, tem o programa sócio-torcedor, mas durante muitos e muitos e muitos anos, na verdade décadas, a conta do futebol brasileiro, a conta de cada clube,

Foi paga predominantemente e majoritariamente pela TV. Então, por isso que a TV exerceu um papel também tão importante nesse processo. Agora, o que eu acho que falta, e aí não apenas por parte dos veículos de comunicação, dos detentores de direitos de transmissão, a gente trata o futebol, e acho que deve ser assim mesmo, como o chamado ecossistema, para usar a palavra... Da moda. Da moda, sobre isso.

Isso vale para todo mundo efetivamente. Você tem a imprensa, você tem os clubes, você tem as entidades que organizam aquelas competições, sejam as federações estaduais, a CBF, a Comembol, a FIFA. Você tem os anunciantes, os patrocinadores, as empresas parceiras. Você tem um conjunto de empresas fortíssimas, muito interessadas naquilo. Um negócio que gera muito dinheiro.

Deveria interessar a todos esses entes o melhor produto, para usar outra palavra da moda, possível. Temos isso, especialmente no Brasil? Não. Obviamente, há um enorme oceano de diferença entre uma Premier League e o Brasileirão, como há da Champions League para a Libertadores.

Por aí vai. Sabemos, aí tem a ver com estádio, gramado. Qualidade do jogo. Qualidade do jogo. O respeito ao consumidor, ao cliente, seja o torcedor em campo, seja quem está vendo pela televisão ou pela internet.

E eu acho que falta isso. A gente não consegue reunir os clubes. Outro dia os clubes, não faz muito tempo. Para não ficar datado aqui, eu não vou citar o dia, mas vamos lá, começo de abril. Início de abril, os clubes se reuniram para tratar da Liga. Essa entidade que eu ouço falar desde que eu estava na primeiríssima infância. Logo depois surgiu a Copa União como uma tentativa. Anecida Copa União. E foi sepultada. Então passei a vida toda ouvindo falar em Liga, Liga, Liga.

Podia ter nome, tentativa com Copa União, Clube dos 13, também falecido Clube dos 13, por aí vai. Inúmeras tentativas com inúmeros nomes. Até hoje discutimos isso. No início de abril de 2026, estávamos falando, estamos falando de liga. Aí depois, de repente, você começa a falar não só de uma liga, como já tem uma outra. Porque os clubes se dividem entre elas. Aí um clube passa de uma liga para outra. E vice-versa. Porque aí tem um clube dessa aqui que está indo para outra.

Aí esses clubes se reúnem. Bom, vamos tentar fazer a liga. Onde eles se reúnem? Na sede da CBF. Em qual lugar do mundo a liga, e para criar uma liga, para fazer uma liga, você faz uma reunião?

na sede da entidade máxima do futebol, que deveria cuidar de seleção brasileira. Deveria ser o papel da CBF. A entidade máxima do futebol brasileiro cuida da seleção brasileira, dos interesses da seleção brasileira, do calendário da seleção brasileira, do patrocínio da seleção brasileira. Só que os nossos clubes não conseguem sentar e conversar. E aí fazem uma reunião na sede da CBF, tendo a CBF como mediadora da conversa.

Aí, a despeito de todas as críticas históricas que todos nós temos, eu sei que vocês têm, eu tenho, todos nós temos, a CBF, historicamente, estamos falando da atual gestão, desde sempre. Temos muitas. Mas aí, nesse caso, a culpa é da CBF. Se os clubes não conseguem sentar e conversar... Os caras saíram da reunião, não sei se você viu. A Leila, o Finetano, o Flamengo...

O Pedrinho criticando o presidente do Flamengo, o outro presidente criticando o outro, chorando por arbitragem. Cara, como vai ter uma liga num país? E outra, para a CBF, ótimo, né? Porque se ela conseguir organizar isso e participar, pegar um pouco do bolo para ela, porque é uma entidade privada, está pensando em lucro.

se ela consegue organizar, e os clubes já aparentemente perceberam que esse modelo de liga dividida foi um fracasso completo, que se eles venderem tudo em conjunto, economicamente, vai ser melhor para todos, ainda que essas diferenças diminuam. E se a CBF pudesse atuar com uma mão ali de organização e em troca, pegando...

Um bolinho pra ela? Tá todo mundo feliz, mas isso evidencia ainda mais a incompetência de todos nós, dessa galera que tá no comando do futebol brasileiro. Uma coisa assim. Na cobertura política tem um jargão

em Brasília se usa muito isso. E aí Brasília não é uma cidade, eu adoro Brasília, inclusive. Mas Brasília pensando ali na Praça dos Três Poderes e na Esplanada dos Ministérios. É algo que se usa sempre, porque assim, o poder não admite vácuo. O poder não deixa vácuo. Isso que você acabou de falar da CBF é o quê? O vácuo. Criado e mantido por quem? Pelos clubes. Desde quando? Desde sempre.

A CBF está na dela. Na dela. Ela viu, opa, vocês não conseguem conversar? Não, e se eu chamar aqui, se eu chamar ali? Ah. Ela vai e cumpre esse papel. Deveria ser dela? Não. Porque, de novo, coloca o protagonismo, literalmente, na sede identidade, né?

no Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca, e a entidade como protagonista de algo que deveria ter como estrela principal o conjunto dos clubes. E nas eternas discussões sobre um milhão a mais, um milhão a menos, eu sei que não é um milhão a mais, um milhão a menos, torcedores de cada cúmulo começam a dizer não, mas o time tal está ganhando não sei quantos milhões a mais, outro a menos e tudo. O fato objetivo é, o seu time está ganhando menos no atual modelo. Como ganhou muito menos,

nos últimos anos e nas últimas décadas. Porque aí entra uma questão também, e aí eu vou falar da cobertura econômica. Você vê que futebol se mistura com tudo, né? Para quem acha que o futebol não se mistura com política, com economia, a gente está falando de tudo aqui ao mesmo tempo. Então a gente está falando de poder e disputa de poder. Poder não deixa, nem permite, nem admite vácuo. Na economia tem uma coisa que é quando você vai fechar o negócio com alguém.

Então tem um ditado que diz assim, eu vou adaptar para não criar aqui polêmica com ninguém. Mas tem uma situação que é três pessoas conversando. Então, você imagina, para fechar um negócio. Aí você vira e fala assim, Eudes, quanto é que eu vou ganhar? A gente está discutindo um negócio, está fechando um negócio. Eudes, quanto é que eu vou ganhar? Aí o Felipe vira e fala assim,

Mas vem cá, quanto é que nós vamos ganhar? Claro. E aí eu chego para vocês e falo assim, para cada um, Rodolfo, quanto é que você vai ganhar? Felipe, quanto é que você vai ganhar? Então assim, os clubes não conseguem sentar, conversar, e chegar a um mínimo consenso, que seja, para dizer quanto é que nós vamos ganhar. E se quer, alguns até estão.

preocupados com quanto é que eu vou ganhar. Mas ninguém pergunta quanto é que nós vamos ganhar. E a maioria está assim, mas quanto é que você vai ganhar? Mas quanto é que você vai ganhar? Quanto é que você... Então, a CBF agradece. E detalhe, assim, o que mais me chama atenção nessa história...

é que eu nunca vi, posso estar errado, se alguém conseguir me dizer que eu estou errado, comente aí, eu retiro o que eu falei, mas eu não conheço um clube grande do país que se apresentou, apresentou um grande projeto, e eu não estou falando a partir dele, mas ó...

conversamos, buscamos aqui o grande, o cara que criou a Premier League ou o cara que trabalhou na NFL, o cara que conhece modelos de aplicação de grandes ligas no mundo, contratamos esse cara, o cara apresentou um projeto, o projeto é esse, a ideia é que seja um CEO assim, então a gente vai trazer esse cara, a gente vai reunir, convocamos todos os clubes para reunir, porque a partir disso a gente vai criar essa entidade que não vai ser completamente...

entre aspas, a política com relação a preferências e a gente vai se colocar dessa maneira o projeto é esse os clubes nunca nenhum se colocou a frente para apresentar um projeto e aí irmão, assim pode ser o Flamengo

Pode ser o Corinthians, que são os clubes que tem mais torcedores e mais potencial de arrecadação. Como poderia ser um time médio. Irmão, não importa quem. Alguém tem que puxar a fila. Nunca ninguém apresentou um projeto consistente. E eles são os maiores interessados.

Pelo contrário, o Corinthians destruiu o que era uma mínima união, né? É, então... Foi aí o Clube dos Treze com o Andressan. Exatamente. Para destruir projeto, eles conseguem. Agora, para encabeçar um projeto, ainda não tem, cara. É que é mais fácil destruir do que construir, né? E acho que barra muito no clubismo, você não acha, não? Totalmente. Mas o que você colocou aí sobre... E aí

Você deu como exemplo o esporte americano, estadunidense, com algumas de suas modalidades. Sabem transformar aquilo efetivamente em uma máquina de fazer grande show, uma máquina de fazer dinheiro. Você falou da Premier League, a gente sempre traga esse dado. A NFL tem 10 meses menos audiência que a Premier League e fatura mais. O que você colocou, até como sugestão,

Podia passar por clube A, B ou por um time médio, mas enfim. Num dado momento, você falou como algo... Foi apolítico o termo que você usou, mas eu entendi. Como sendo a parte dos interesses... Dos interesses individuais. Clubísticos, digamos assim. É isso, é. Vamos lá. Quando aprovamos a nossa Constituição na retomada da democracia em 88, no ano anterior, em 87, criou-se a chamada Assembleia Nacional Constituinte. E você elegeu... A.

para o Congresso Nacional, os chamados deputados constituintes. Especificamente para aquela missão, para discutir o que viria a ser a Constituição. Numa analogia, eu acho que um caminho pode passar por aí. Pensar de que maneira clubes, as entidades, todo mundo que faz parte desse chamado ecossistema que citamos, se sintam representados, contemplados.

por pessoas indicadas, por eles, por alguém que vá assumir o comando daquilo que seja o Ulisses Guimarães dessa construção, para tentar ser o amálgama dos interesses ali de cada um, mas que não esteja neste momento diretamente envolvido com a gestão de clubes e com as disputas entre eles. Porque senão assistiremos infinitamente as cenas e trocas de farpas entre, por exemplo,

não apenas eles, para ser justo, BAP e Leila Pereira. Até quando? Então, assim, será que se fizermos uma reunião, chamarmos uma audiência com todos os clubes, chegaremos a algum resultado nessa troca de farpas? Nessas gracinhas, ironias?

Joga pra torcida também. Exato, que são trocadas quase que diuturnamente, não é nem mais diariamente, é diuturnamente. Você abre a internet de manhã, tem uma gracinha aqui. À tarde tem outra. À noite já tem uma declaração. E a gente tá chegando num nível, cara. A gente tá chegando num nível do futebol brasileiro com a supremacia de Palmeiras e Flamengo. Cada campeonato de pontos corridos evidencia mais isso.

Que, cara, hoje não é mais o Flamengo e o Palmeiras que precisa da liga, mano. O Flamengo e o Palmeiras, mesmo sem liga e mesmo ficando aquém dos clubes europeus, como demonstraram no Super Mundial, na terra de ninguém é que eles dominam. Então eles estão felizes, porque eles jogam o Super Mundial uma vez a cada quatro anos. Agora.

O Santos, o Vasco, o Boca. Esses caras estão precisando dessa liga urgentemente. O São Paulo, o Corinthians, estão precisando urgentemente que saia. Porque a gente pode sair de um cenário que esses times em curto prazo, em 10 anos, estarão ganhando 4 vezes mais.

Esse é um bom ponto também, porque muito se fala da tal espanholização, e também há tempos se fala sobre isso, né? Só que agora a gente está diante de um quadro mais real batendo a porta. O que eu falei da CBF, agradecer o vácuo que se deixa, a falta de união dos clubes, Flamengo e Palmeiras também agradecem hoje mais. Porque nada indica que essa supremacia dos clubes...

será sequer igualada nos próximos anos. Nada. A não ser que algum clube mude radicalmente, clube ou SAF. E a SAFs mais ainda, né? A não ser que mudem radicalmente os seus modelos de gestão. E aí tem uma situação que é, acabei de citar aqui, Bap e Leila Pereira trocando farpas. E uma rivalidade crescente entre Flamengo e Palmeiras, que se manifesta até de forma preocupante.

maneiras diferentes, em ambientes diferentes. De qualquer forma, esses clubes estão organizados. Então, eu vejo muitos dirigentes de diferentes clubes apontando muito para o Flamengo, principalmente, porque tem todas as questões, várias podem ser justas.

Ah, porque o Flamengo nos anos 80 teve o patrocínio de uma estatal. Ah, porque... Enfim, tem várias questões que dirigentes e torcedores de clubes trazem à tona. Repito, várias podem ser justas, só que não é mais este o ponto. Em um dado momento, e eu até cobri esse momento, 2013, Eduardo Bandeira de Mello assume a presidência do Flamengo e toma uma decisão junto com o grupo.

Vários integrantes da atual gestão do Flamengo e da anterior do Rodolfo Andim, eram tudo um grupo só. Depois eles foram ali achando entre eles. Mas o Flamengo mudou, inclusive, o estatuto do clube. O Flamengo colocou vários dispositivos para proteger o clube.

De má gestão ou de gestão fraudulenta. Então esse mérito, o Flamengo tem. Eu já vou chegar no Palmeiras para depois passar para os outros clubes. Mas só qual é o raciocínio? Não adianta mais todo mundo ficar chorando, dizer que o Flamengo, como tem a maior torcida do Brasil, arrecada muito mais que o Direito de TV, porque o Flamengo, Flamengo, Flamengo... Ok, o que você está fazendo no seu clube? O Flamengo deu um jeito, né? O Flamengo deu um jeito. O Flamengo liberou o Wagner Love e ficou com o Hernani Brocador. É.

Que pra sorte do Flamengo foi o artilheiro do Brasil em 2013 e o Flamengo ganha a Copa do Brasil em 2013. No primeiro ano de gestão do Eduardo Bandeira de Mello. E o craque daquele time, o Hernani Brocador, era o artilheiro, mas era o Wagner Love. Não tem dinheiro pra pagar o Wagner Love. Ficou com o Hernani Brocador. Ganha a Copa do Brasil com o Elias. O Elias estava emprestado pelo Sporting Lisboa. O Flamengo queria ficar com o Elias. O Sporting pediu um valor, não me lembro qual, mas alguns milhões de dólares.

E o Flamengo falou, não, não tem condições de ficar com o Elias. Quem contratou o Elias? O Corinthians.

Então, é muito fácil... Que é campeão lá. Que é muito fácil alguém olhar e só apontar, mas o que você fez? Então, por exemplo, o Palmeiras poderia ficar chorando também, como todos os outros clubes do futebol brasileiro. Ah, porque o Flamengo... E no caso do Palmeiras, ele tem um Flamengo em São Paulo, que é o Corinthians, que é o time de maior torcida. Era para ser ele rivalizar. É o time que talvez mais pudesse se aproximar do Flamengo, pelo potencial que tem de arrecadação em função da sua torcida.

correto? Sem dúvida. E o Corinthians, embora tenha a torcida menor que a do Flamengo, ele tem a maior torcida no maior mercado do país. Então isso permite ainda mais ao Corinthians nivelar ali com o Flamengo, que é o que deveria acontecer. Quem nivela com o Flamengo? Quem disputa com o Flamengo? Não é o Corinthians, é o Palmeiras. Mas se o Palmeiras tivesse ficado chorando, ah, porque o Corinthians é maior torcida em São Paulo, arrecada mais em TV por isso, isso, isso. O Palmeiras não teria chegado a lugar nenhum. Eu só tenho uma ressalva a fazer.

que às vezes a gente quando passa por esse momento do bandeira, a gente se esquece que aplicar isso hoje é muito mais difícil, porque hoje as recetas de televisão estão muito mais atreladas ao desempenho esportivo do que estavam naquela época. O Flamengo, mesmo sendo um time que naquela época abriu mão de ser competitivamente forte,

ele continuava arrecadando mais que os outros, principalmente com pay-per-view, que era fixo e ele tinha, inclusive, um...

Um bônus garantido lá. Ele e a Globo. Então, assim, fazer o que o Flamengo fez hoje, ainda no caso do São Paulo, tem uma torcida, terceira, quarta maior torcida, o próprio Corinthians é mais difícil porque as recetas estão atreladas ao próprio desempenho. Mas aí é uma incompetência do Corinthians naquela época não ter feito o que o Flamengo fez. Exatamente. Pelo contrário. Eu não retiro nada do que o Eudes falou. Eu estou contextualizando para dizer que, assim, hoje até os dirigentes...

defendem isso. Fala, porra, peraí, irmão. Se eu não contratar, se o meu time foi cair, eu perco receita e viro uma bola de neve maior. Eu não tenho condição de fazer igual o Flamengo fez, porque está cada vez mais competitivo, tem cada vez mais dinheiro. Aquela coisa do que futebol está caro. E não sei o quê. O próprio Mirasol é um exemplo.

Ótima administração, vai para Libertadores, etc. Vai todo mundo embora e hoje está na zona do rebaixamento. Rodolfo, eu não tenho nenhuma dúvida, nenhuma, zero, que mil ajustes precisam ser feitos, que há distorções, que essas distorções precisam ser corrigidas. Só o que me incomoda, e é por isso que eu estou dando um exemplo prático. Eu não discordo de nada o que você falou, só vou deixar claro. O que me incomoda é a eterna... Porque o torcedor usa argumentos, inclusive históricos.

Vários deles são corretos e procedem e fazem sentido. Agora, dirigente de futebol, para jogar para sua própria torcida, fica usando de argumentos que, na prática, servem muito mais para ocultar o que ele fez de errado ou o que ele deixou de fazer e que deveria ter feito.

do que para expor efetivamente um quadro que o impede de fazer o clube dele crescer, esse é o meu ponto. Não, é isso. E é por isso que eu faço uma comparação direta do Palmeiras com o Corinthians no mesmo período histórico. É isso. A realidade era a mesma para os dois. Minas Gerais, acho que é um caso que exemplifica muito a maneira como a gente enxerga o futebol, porque a gente viu...

um Cruzeiro ali em 18, 19, quando é bicampeão da Copa do Brasil, com o Mano Menezes. É, 17, 18, bicampeão cai em 19. Ganha o Campeonato Mineiro e cai em 19. 17, 18, se alertava, eu me lembro fortemente, que era um time que o Cruzeiro não tinha condições de pagar.

E aí se começava a se investigar os interiores do time, os repórteres que divulgavam coisas não muito legais, que depois se comprovaram completamente, eram ameaçados pelo torcedor, porque o time estava forte. Rodrigo Capelo e Gabi Moreira, principalmente. Pois é, cada nome é Os Bois. Reportagem, né? Reportagem. Reportagem e porra. Exatamente. Aí, mais pra frente, em 2021, aconteceu coisa parecida no Atlético Mineiro.

com os caras comprando o jogador a troco de depois criar-se uma dívida e se apropriar dessa dívida em termos de ações na SAF do clube. E quando se criticava...

Quando o Ciclis falava, pô, mas o Atlético, qual é o Atlético? Não tem condição, não sei o quê. Você falava, é, o eixo, não tem o direito. Não pode ver um time fora. Isso aconteceu comigo. Eu sou mineiro de Belo Horizonte, morava no Rio, trabalhava no Rio. E aí, num dado momento, o Galo estava interessado no Soteldo, que estava no Santos. Aí o Soteldo custava ali, acho que era na época, 60 e tantos, 70 milhões de reais. Caramba, tá.

Não vamos lembrar o ano exatamente, ou 2018 ou 2019. Curiosamente... 2019. Do Vale, isso do... 2019, exatamente. Sérgio Sete Câmara era o presidente do Galo e ele tinha feito um discurso de austeridade fiscal, que era muito parecido com o discurso do Eduardo Bandeira de Mello quando assumiu o Flamengo.

E claro que o Flamengo sempre com muito mais condições do que qualquer outro clube do futebol brasileiro de fazer ajustes, porque de qualquer maneira arrecada mais, em função da torcida, patrocinador mais caro, porque dá mais audiência, porque vende mais, etc. Mas o discurso era correto. E aí, quando surgiu esse assunto, eu me lembro que eu estava na bancada do Seleção Esporte TV, eu falei, mas o Galo vai contratar como? Só tem o do como? Com que dinheiro? Não tem dinheiro.

E aí, na própria bancada, teve a fala, ah, mas tem os mecenas. Eu falei, não existe mecenas no futebol. O que mais se aproximou de mecenas foi o Paulo Nobre, que fez um grande trabalho no Palmeiras. Eu acho até que é um trabalho subestimado no Palmeiras. Ele reinvestiu no clube. É.

O Paulo Nobre é alguém para quem o Palmeiras deveria dar muito valor. E ainda assim não é um mecenas, porque ele pegou esse dinheiro, ainda que com juros baixos, mas ele foi bem recebido. O Palmeiras pagou. A figura do mecenas é o cara que coloca dinheiro lá e recebe de volta. Não existe mecenas. Mas o Paulo Nobre fez um trabalho que...

mais se aproximaria... Muita gente na imprensa apresentava ele como mecenas. Pois é. Eu sempre combati o uso do termo mecenas. Bom, não tem almoço grátis, evidentemente, portanto não tem mecenas. E aí eu falei, não tem mecenas. O Marcelo Teixeira penhorou a vila. Enfim. Pra receber. E basta ver as cláusulas contratuais agora, envolvendo a própria permanência dele no Santos, e condicionando isso no Vasco do Demar e tal. Exato.

Jornalismo. Faz falta. E aí eu me lembro de falar isso. Não tem mecenas. Ah, os investidores, os empresários, atleticanos. Bom, se alguém está colocando dinheiro, vai receber de volta. Certo. Saiu. Foi a única vez, eu acho, que eu tomei uma enxurrada de críticas.

eu não consigo falar X, eu ainda uso... No Twitter. Vamos lá, no Twitter. Esse Flamenguinha, eu morava no Rio, trabalhava no Flamenguinha, eu não sei mais o que, aí alguém, eu me lembro lá que alguém foi o negócio lá, e eu apanhando de tudo quanto é jeito. Porque não sai aquele discurso que os atleticanos compraram, ah, porque tem o shopping, ah, porque tem isso, ah, porque tem patrimônio, ah, tem aquilo. Aí alguém falou, ah, ele é mineiro, ele não é Flamenguinha, ele é mineiro, esse cruzeirinho, esse aqui.

Vira sempre a discussão para este ponto. Enfim, no caso, o Soteudo não foi contratado. Mas a partir dali, Jorge Jesus, vocês vão se lembrar, ele chegou a assistir ao jogo, inclusive, entre Galo e Flamengo na Independência. E estava lá o Ricardo Guimarães, um dos quatro R's, um dos acionistas da SAF.

Salvo engano, até o Rubens Menin estava também. O Rubens Menin é o majoritário, ele e o filho, o Rafael. Ricardo Maranhão, hoje acionista minoritário. Mas levaram o Jorge Jesus. Eles têm negócios em Portugal. Eles trouxeram o Jorge Jesus ao Brasil. E aí ficou aquela história. O Jorge Jesus vai para o Galo, não vai para o Galo. E num dado momento, o Sérgio Sete Câmara, o então Presidente, não tem dinheiro. Porque ele custa caro, a comissão técnica dele custa caro. E ele quer um elenco para ser campeão.

Isso foi a defesa que eu fiz no ar, inclusive. Bom, tá certo. É um clube altamente endividado, que não tem condições de pagar um técnico caro, uma comissão técnica cara, e contratar reforços pra montar um time campeão, sendo que já tem esse grau de endividamento. Jorge Jesus foi pro Flamengo.

Até fiz a primeira entrevista exclusiva com ele, ele no Brasil. É mesmo? Olha só, cara. É, que aí ele foi, ele viu esse jogo no Independência, ele viu um jogo do São Paulo, salvo engano, contra o Bahia no Morumbi. E um jogo do Vasco também, não? E aí depois ele foi pro Rio. E aí começou a coisa do Vasco, até por causa da influência da colônia portuguesa no Vasco, né?

E aí eu fui gravar com ele. Gente boa? Ele foi ali super gente boa. Falamos sobre diversas questões, inclusive. Foi uma entrevista longa. A gente usou uns dois, três dias ali em vários programas de Sport TV, vários temas. Mas se falava dele no Galo e no Vasco. Só que tinham me soprado a história do Flamengo.

Eu pergunto pra ele sobre... Não, o Abel Braga é meu amigo, o Flamengo não tem nada. Ele respondeu mais tranquilamente sobre Vasco e Galo do que sobre o Flamengo. O Abelão, ó. Não, isso foi pro ar na época. E aí, logo depois, ele foi pro Flamengo. Aquilo se confirmou.

Foi pro Flamengo, o resto é história, certo? Sabemos o que foi Jorge Jesus Flamengo. A partir dali, o galo olha praquilo, e o mesmíssimo presidente que fazia acertadamente, a meu ver, o discurso de austeridade fiscal, começa a falar do quê? Não, peraí, começa a pressão. Pô, mas você não trouxe Jorge Jesus. E a pressão, de fato, ela é insuportável. E aí, de novo...

Todo o ecossistema, eu não gosto dessa palavra, eu estou repetindo de propósito para ver se alguém me arruma uma outra. E o tratamento da imprensa também muda em relação a isso. Mas o chamado ecossistema contribuiu para a mudança de posição e de entendimento do presidente. Você começa uma pressão de boa parte da torcida, de boa parte da própria imprensa. Mas isso é muito porque foi o Flamengo, porque há esse papo de que a rivalidade interestadual a maior do Brasil é Flamengo e Galo.

Teve isso? Teve influência de ser o Flamengo levar o Jorge Jesus? Tem o peso de ser o Flamengo, mas no caso ali, se o Jorge Jesus tivesse ido pro Vasco, ou tivesse acertado com o Palmeiras ou o Corinthians, o sucesso do Jorge Jesus...

foi tão avassalador. O cara tava aqui, a gente não pegou o cara. Isso começa a pressão. Aí, ou seja, o Galo que não contratou o Jorge Jesus, nem a comissão técnica do Jorge Jesus, porque eram caros, o técnico e sua comissão, e os jogadores que ele queria. O Flamengo trouxe, né? Rafinha, Felipe Luiz, ele se reforçou, ele foi buscar no mercado. O Gabigol e o Arrascaeta já tinham chegado, mas assim, no meio do ano, o Flamengo investe ainda mais. Vieram, né? Dois laterais.

Seleção. Brasileiros, mas com a carreira na Europa, né? Rafinha e Felipe Luiz, por exemplo. Enfim, o fato objetivo é o que fez o Galo, então, com o mesmo presidente que não queria o Jorge Duz, que era caro, e tinha razão. São Paulo, ele de 2020. Que era caro, com uma comissão cara, com jogadores caros.

E o time campeão brasileiro de 2021, já com outro presidente, que aí muda o Sérgio Sete Câmara para o Sérgio Coelho, e aí muda também depois o diretor de futebol, Alexandre Matos, passa a ser o Rodrigo Caetano. Mas o Galo fica em terceiro lugar naquele Campeonato Brasileiro de 2020, a três pontos, talvez, no total do título. Fica muito perto. Até hoje, muita gente acha que se tivesse torcida no estádio...

talvez aquele galo tivesse sido mais longe, já com vários jogadores que ganhariam os títulos de 2021 naquele elenco de 2020, mas ali o processo de endividamento vai, com aquilo que muitos chamavam de mecenas.

que era o termo que eu recusava, e aí passaram alguns a substituir por investidores, outros os empresários atleticanos, que depois, em 2023, na oficialização da SAF, porque na prática já era uma pré-SAF, certo? Esses empresários, que eram os principais credores do clube, eles se tornam ali os donos do clube. Esses empresários compraram jogadores? Não, mas o dinheiro para contratar jogadores, fazer investimentos...

Eles emprestavam para o clube. Eles emprestavam para o clube. Sem nenhuma ressalva. Assim como o Pedrinho Lourenço, o Pedro Lourenço, dono da rede de supermercados, emprestava dinheiro também para o Cruzeiro. Enfim, a questão objetiva é, você tem lá os empresários que emprestam dinheiro para o clube, eles se tornam credores do clube.

E aí depois, a própria lei da SAF vislumbra isso, porque o que se dizia é que antigamente um dirigente colocava dinheiro no clube, aquele clube quebrava, o dinheiro se perdia de vista. Quando a lei da SAF cria esse dispositivo de um credor depois tornar-se um acionista...

É uma forma de fazer aquela pessoa que emprestou dinheiro e o clube ficou endividado, aquela pessoa se torna também responsável pela dívida quando aquele clube vira SAF. É um ponto. Ok, eu acho que a lei da SAF também precisa de ajustes para pensar em travas. E aqui não estou fazendo nenhuma acusação, nenhuma ilação, não se trata disso. Mas assim, até que ponto também você não deve pensar em mecanismos que protejam o clube?

de alguém que coloque muito dinheiro ali e que depois, quase que obrigatoriamente, aquele credor vai se tornar dono do clube. Por exemplo, amanhã o Santos se tornar uma saf e se vê de dar uma parte para a família Neymar diante da dívida que hoje está posta. Isso seria um crime. Quer perdoar essa dívida? Me passa metade do clube. Me passa umas ações aí.

Bom, a lei da SAF precisa de ajustes, né? E seus próprios idealizadores também, enfim, eles concordam. Os caras serem punidos também, se fizerem alguma coisa. Tem várias previsões na lei, a lei tem vários méritos. Não acho que a SAF seja o problema do futebol brasileiro. Só que o equívoco, na minha avaliação, é tratar a SAF como uma solução. Tem dúvida. Ah, não. Agora veio para salvar o futebol. Não por acaso, os primeiros clubes que viraram...

Eu estou falando dos grandes clubes, né? Você tem um número muito maior de clubes.

Estou pensando nos grandes clubes do futebol brasileiro. Os primeiros dos maiores clubes do Brasil que se tornaram, são aqueles que estavam mais endividados. A gente está falando de Botafogo, Cruzeiro, Vasco, Galo. E veja o que está acontecendo. Olha o que deu o Vasco. 777 já foi expulsa do clube. O Cruzeiro é deficitário hoje. O Cruzeiro mesmo é deficitário. O Botafogo está nessa situação com o Textor afastado.

Faturou tudo em 2024. Olha a diferença para Flamengo e Palmeiras. Botafogo ganhou títulos. Bateu em todos. Títulos que rendem muito dinheiro. Onde foi parar esse dinheiro? Agora negocia o Barbosa com o Palmeiras para pagar a folha salarial. Acreditável.

de um time que ganhou tudo há dois anos. Há menos de dois anos, porque eu fui no fim do ano. Ganhei ali no mesmo mês Libertadores e Brasileirão, com premiações milionárias. Então, assim, a SAF é um problema? Não, mas a SAF também não é a solução. Agora, voltamos ao ponto em que falávamos de Flamengo e Palmeiras. Flamengo fez o seu dever de casa, quer queiram, quer não. Eu sei que vou apanhar de um monte de gente ao dizer isso.

E, de novo, não estou desconhecendo... Eu sei que vou apanhar de um monte de gente ao dia.

Várias situações históricas que permitiram a alguns clubes terem condições melhores do que outras. Mas efetivamente ali foi feito dever de casa. O outro clube que disputa com o Flamengo a supremacia do futebol brasileiro, o Palmeiras, poderia ficar lá, como todos os outros times brasileiros, chorando.

Ah, porque não tem a mesma arrecadação. Ah, porque não tem o mesmo tamanho de torcida. Ah, porque não dá a mesma audiência, então o patrocinador não paga o mesmo. O Palmeiras não fez isso e aí está. Então, o meu ponto objetivo é, para você, torcedor de qualquer outro clube que não seja Flamengo e Palmeiras, até quando você vai aceitar que o seu dirigente venha a público apelar para o sentimento do torcedor?

dizendo que o Flamengo... É curioso, porque eles sempre falam do Flamengo e não falam do Palmeiras. A meu ver, de forma proposital. Porque o Palmeiras também fez o seu dever de casa. Começa ali com o Paulo Nobre, mas fez. De uma maneira diferente, mas fez. Investiu muito na base. Compete com o Flamengo. E disputa títulos com o Flamengo.

Então a questão objetiva para todos os outros clubes, seus dirigentes, seus torcedores é... E aí, o que vocês vão fazer? Uma vergonha, por exemplo, pelo menos na minha opinião, não sei se você concorda, Corinthians e São Paulo, cara. Tem torcidas gigantescas. Vasco, que é um time nacional. Vasco, que é um time nacional gigantesco também. E não daria o seu jeito.

Não olharem para dentro e darem o seu jeito, ficarem nesse papo. Você viu, a gente reagiu a uma notícia do Corinthians na live. Em 2026, tentaram implementar o sócio-torcedor votar para presidente. No clube que teve a democracia, sabe? O Corinthians é super atrasado. O São Paulo tendo escândalos de camarote, etc. E o clube vivendo como se fosse o soberano ainda, sabe?

O fato objetivo é, os torcedores e dirigentes dos outros clubes podem considerar, e podem inclusive achar plausíveis para considerar o BAP arrogante e a Leila sarcástica. Enquanto fizerem isso, os torcedores de Flamengo e Palmeiras...

vão também agradecer. Porque vão continuar soberanos no futebol brasileiro. O meu único ponto, assim, eu que faço cobertura de Santos e tal, bom, é no eleitoral, no clube e tudo mais, e vejo isso no dia a dia, é muito difícil, isso em qualquer clube, mas é muito difícil a gente tirar um pouco, separar um pouco o campo da política.

existia agora uma expectativa de quatro jogos em casa?

que serão quatro adversários em tese acessíveis, o Neymar jogaria os quatro, então, portanto, com bons resultados, a gestão já iria implementar um novo estatuto que é horroroso para o clube, que dificulta ainda mais com que pessoas de fora consigam se candidatar à presidência, que pagaria salário de presidente da república para as pones da presidência, que, entre outras coisas, por exemplo, é...

dificultaria, ainda mais com esse pretexto de transformar em SAF, mas dificultaria ainda mais uma série de proteções do clube com relação a isso. Isso é um estado horroroso que é feito claramente para quem está no poder continuar no poder por mais tempo. E aí, diante das derrotas, do não resultado positivo, recuaram. Mas se tivesse passado...

Ou talvez, ah, porra, aquele discurso de, não, a gestão tem que confiar na gente, porque olha aí, o Neymar jogando muito, etc, a gente trouxe ele de volta, a reconstrução se conseguiria através dos bons resultados colocar na cabeça das pessoas que aquilo é uma gestão. E o que eu vejo, e eu me pergunto, e eu quero através da sua experiência, poder tentar entender se em algum momento...

embora aqui nem você nem ninguém tem a bola de cristal, mas sua experiência pode dar um pouco de divisão para a gente, se em algum momento o torcedor vai entender que não trata-se só da quarta e domingo, que trata-se dos detalhes, de cara, eu torço para esse time, eu tenho que acompanhar os detalhes.

Porque, de novo, não há mecenas, não tem almoço grátis, não adianta você achar que o Neymar e o pai dele vão vir aqui para o Brasil para fazer caridade, ninguém vai fazer caridade. O presidente do clube, de qualquer clube, está muito interessado, eles utilizam hoje.

os clubes ao qual eles presidem, com a despeita de falar que estou devolvendo um pouco do meu sucesso empresarial, isso é a maior mentira. Os caras usam esses cargos para se beneficiarem politicamente e pessoalmente dessas relações e dessas portas que se abrem a partir de eles se transformarem em presidente. Sempre com o discurso do sacrifício pessoal.

o sacrifício. E aí o torcedor acaba ah, eu tô com o time bom, tudo bem. Esse presidente é o máximo. Ah, tá perdendo, então esses caras. E aí coloca a gente que tá diante dos fatos da realidade numa situação difícil, porque eu sei que se meu time tivesse numa sequência como eu gostaria que ele tivesse.

líder do Campeonato Brasileiro, líder do grupo dele na Sul-Americana, campeão estadual, colocaria meu time aonde? Num provável buraco no futuro, porque isso praticamente daria todo o salvo conduto para esses caras dominarem o clube. Não é no futuro, né? Qual é a dívida do Santos hoje? Só com o Neymar, por exemplo.

Os caras dominaram, os caras dobraram a dívida do Santos em dois anos, numa dívida de 111 anos que demorou a ser adquirida essa gestão. É em bi, né? O Santos tinha 600 milhões de dívidas, vai bater agora no final desse ano 1.2. Os caras dobraram em uma gestão uma dívida que o Santos demorou 111 anos para adquirir, e nada acontece com esses caras.

Nada, teve presidente empichado, que foi empichado com superávit de 19 milhões. Os caras estão em déficit de centenas de milhões todo ano e continuam lá, porque dominam a política do clube. Então, assim, a minha batalha, todo dia quando eu abro um vídeo, gravo e falo sobre... É para tentar abrir o olho do torcedor, irmão.

Não é, eu sei que você quer ganhar, eu sei que você vai pra feira, pro mercado, pra padaria, pro porteiro do seu prédio, você vai discutir, perdeu, ganhou, vai ser... Mas, irmão, enquanto você não entender que o futebol não acaba esse ano, não acaba amanhã, os botafoguenses venderam a alma pro demônio.

E hoje estão correndo risco de não existir mais. E se você, na Orda Botafoguense, se você falasse alguma coisa do John Textor, o Tiago Franklin chegou aqui, fez uma mínima crítica ao John Textor, pediu para a gente apagar o vídeo, porque os botafoguenses começaram a ameaçar o cara. É, como você fala assim do Textor? Até quando a gente vai viver nessa...

Nesse mar de desinformação, essa coisa totalmente da ordem do acontecimento do agora, imediatista, de, pô, tem que ganhar hoje, amanhã, e a gente não vai olhar para o macro, cara. Eu não sou a pessoa mais otimista do mundo.

Quem me conhece me chama de pessimista, então não posso nem alegar que sou o realista esperançoso lá do mestre Areano Suassuna, que tanta falta nos faz. Mas eu tenho uma esperança. Embora o poeta gaúcho lá da fronteira de Alegrete, o Mário Quintana, dizia que a esperança é o urubu pintado de verde. Seria o fair play?

O Fair Play, de alguma maneira, ele está aí e vai caminhar até 2030. A esperança que eu tenho não, é sobre a sua pergunta da conscientização do torcedor de que não é só campo e bola e a bola na casinha e a possibilidade de títulos. Que é a própria comparação direta com esses dois clubes, Flamengo e Palmeiras. Bem ou mal, o torcedor do Santos foi lá tirar satisfação com o Marcelo Teixeira outro dia. Certo?

Se você for pegar o noticiário dessa semana, estamos gravando aqui dia 30 de abril. Pra quem estiver vendo depois, na semana, dia 30 de abril. Os noticiários de Santos, Corinthians e São Paulo foram tomados por questões políticas. Falou muito mais de política, desses clubes, da crise do que de futebol. Processo de impeachment de presidente, afastamento de sei lá quem, a dívida, enfim.

Falamos de uma dívida milionária do Santos com o Neymar. Tem uma dívida milionária do Corinthians com o Memphis. E aí você começa a ter torcedor cobrando. Quando se divulgou a cláusula, os torcedores foram lá. Então você tem uma primeira resposta. De alguma forma, está ali o torcedor do Santos, do Corinthians, do São Paulo, ele olha assim para o noticiário. Seja ele Santista, Corintiana ou São Paulino? Ele olha...

O meu time tá que nem o Corinthians. Vai ter, claro, cada clube com as suas particularidades, com as suas questões de mãe, mas os três afundados ali... Até o Corinthians ganhar, né? Porque ano passado o Corinthians ganhou, é o que eu vi. Aí, ó. Tem que gastar pra caralho. Os caras me alopram.

Mas, mas... Dupa Palmeiras, ganhamos de vocês. Mas, isso vai ser sempre pontual. Cada vez mais pontual. Como querendo ou não, foi pontual o Galo em 2021. Alguém pode dizer, ah, mas chegou a final da Libertadores da Copa do Brasil em 2024, chegou a final da Copa Sul-Americana em 2025. O Galo correu o risco de ganhar a Libertadores, de ser rebaixado em 2024, por um lance.

nos últimos minutos, e era mais fácil ser rebaixado do que ter ficado com o título contra o Botafogo. Então, enfim, o 2021...

Foi pontual. Como 2024 do Botafogo, foi pontual. Como Libertadores do Fluminense, foi pontual. A Copa do Brasil e Corinthians. A realidade que se mantém ao longo dos anos é de Flamengo e Palmeiras. Para quem está em São Paulo, Santista, o corintiano em São Paulino, na semana de 30 de abril de 2026, dia após dia, notícia sobre dívida, conselheiro afastado, processo de impeachment que se quer abrir, ex-dirigente respondendo ao processo, é o outro devendo explicações.

E aí o sujeito olha pro Palmeiras e fala, opa. Lá não tá acontecendo nada disso. Opa. A gente debate o papel. O Palmeiras não tem nada disso. O torcedor do Flamengo, ele passou muito tempo também.

Durante décadas, vamos combinar, o Flamengo também foi chacota. Aí era, com o perdão da expressão, mas para usar a expressão do torcedor, a casa da mãe Joana, tudo acontece. Aquela que o Vampeta falou lá. Eles fingem que pagam e eu fingo que jogam. O Flamengo era isso aí. Durante muito tempo o Flamengo foi assim. O Flamengo da Libertadores era motivo de piada. Ah, vai ser eliminado. E era eliminado, precocemente, quando disputava a Libertadores também.

Veja o que aconteceu com o Flamengo, como o que ocorreu com o Palmeiras. Por que a minha mínima esperança reside nisso? Se alguém, acho que os torcedores de Flamengo e Palmeiras, eles, por exemplo, já entenderam. Opa, o meu clube fez o dever de casa. Se não tivesse feito o dever de casa, eu não chegaria até aqui. Eu tenho muitas dúvidas se alguém, se algum dirigente amanhã, fala amanhã, um ano que vem, no outro ano, em algum momento,

próximo, tentar fazer uma gestão irresponsável, do ponto de vista financeiro mesmo, do Flamengo ou do Palmeiras,

eu acho que tem uma reação da torcida. Ah, sem dúvida. Porque essas torcidas também experimentaram outras fases da história desses clubes. Eu tenho dúvidas. É, eu acho que tem pelo seguinte, são dois clubes... Se a irresponsabilidade vier acompanhada de um Cristiano Ronaldo, os caras não estão nem aí, velho. Rodolfo, eu... Pode ser. Eu acho que isso vale... Você pedia a Gabigol todo dia. Eu acho que isso vale... Eu quero ir para o aeroporto.

Eu acho que isso vale para todos os outros clubes do futebol brasileiro. Eu estou falando clube ou SAF.

Lube ou Sáv. Mas... Já tava indo pro aeroporto, tá vendo? É horrível porque eu falava que o Palmeiras tinha que trazer um refúgio de aeroporto. É, o cara fala isso todo dia, mano. Eu sei, eu sei disso. Eu só acho que no caso... Eu acho que no caso emblemático de Flamengo e Palmeiras, esses torcedores que se acostumaram com anos e anos e anos dos times ou ganhando ou disputando títulos...

e quase sempre ganhando e disputando títulos, mesmo os títulos que não ganharam estavam ali na disputa, inclusive em finais um contra o outro, em finais de Libertadores, por exemplo, eu acho que esses torcedores se acostumaram a vencer...

E se acostumaram a vencer sem ter no noticiário questões sobre dívidas. Está devendo isso, está devendo aquilo. Eu acho que fica um aprendizado. Acho que isso pode, pode. Eu não estou dizendo que vai. Por enquanto, estou contigo. Repito, isso aconteceu com o Cruzeiro do Itair Machado. O Cruzeiro, bicampeão da Copa do Brasil 2017-2018, que vai para a Série B, é rebaixado em 2019, fica três anos na Série B. Aconteceu com o Galo, afundado agora também em Nova Crise.

tanto financeira quanto administrativa e com resultados esportivos pífios, por exemplo, neste ano de 2026, e lutando contra o rebaixamento nas últimas temporadas. Os torcedores estão vendo claramente os sinais, não vê quem não quer. Qualquer torcedor de qualquer clube olha para Palmeiras e Flamengo e, ok, poderia ter achado isso lá atrás.

quando o Flamengo, depois de fazer a sua reengenharia financeira, começou a não competir, a atropelar os outros. E mais ou menos na mesma época, o Palmeiras também. E isso se mantém já há anos. Dez anos. Certo. Palmeiras campeão brasileiro em 2016, 2018. Dez anos. O Flamengo já tinha chegado ali antes, o Jorge Jesus em 2019, o Flamengo já tinha sido finalista do Sul-Americano e finalista da Copa do Brasil.

Perdeu um título para o Independiente e outro para o Cruzeiro. Mas já estava chegando aos finais. Já estava contratando jogadores caros, como o Diego Ribas, que era uma baita contratação na época. Guerreiro, lembra? Guerreiro. Vitinho chegou a ser uma das contratações mais caras de futebol brasileiro. Isso foi se intensificando de lá para cá. Eu acho que isso passa um recado claríssimo para os torcedores dos outros clubes. Mas principalmente para esses.

Eu acho que o flamenguista e o palmeirense hoje, eles se acostumaram a ganhar com dinheiro sobrando. Se amanhã, depois de amanhã, chega alguém e tenta dar um cavalo de pau nisso, eu acho que as duas são sendo... Opa, peraí, não, não é assim que a banda toca.

Enquanto, aí eu vou repetir o que eu já disse aqui, enquanto os torcedores dos outros clubes e os dirigentes de outros clubes não olharem para isso e entenderem o que está acontecendo, vão continuar chorando a derrota de seus clubes, enquanto flamenguistas e palmeirenses continuarão comemorando os títulos de seus clubes. E os clubes que viraram SAF também servem de exemplo para esses outros. Viraram SAF porque estavam numa situação falimentar.

O caso de todos eles. Botafogo, Cruzeiro, Vasco, Galo. O Bahia tem uma situação diferente com o Grupo City. Isso também serve de exemplo. Falamos aqui de Corinthians, Santos e São Paulo. Não são SAF.

Mas tem crise política, crise administrativa e crise financeira. Correto? Então por isso eu digo. A SAF não é necessariamente um problema. Mas a SAF por si só está longe de ser uma salvação. Sabe o que eu acho, cara, assim, para a gente concluir esse assunto e partir para um outro, que é o seguinte. O problema do futebol é que o rebote, ele demora a vir.

Eu lembro que se falava, eu citei o caso do Cruzeiro, eu lembro que se falava, ó, o Cruzeiro vai ter problemas mais pra frente. E não sei o quê, era 17, 18. Aí cai só no final de 19. Aí vai subir lá em 22. Mas até ali...

Os caras já tinham entendido que de fato aquele tinha sido o problema mesmo, mas já tinha passado muito tempo. Eu acho que se a gente... Por isso que eu te perguntei se era o fair play a sua esperança. Eu acho que se... Eu não acho que tem uma medida isolada. Eu acho que passa pelo fair play também, mas eu não acho que nada isoladamente vai resolver... Mas porque assim, pense o seguinte. Hoje, o Santos, falei pra você, o Santos dobrou a sua dívida.

Isso na prática. O que mudou na vida do torcedor do Santos? O Neymar continua lá. Tá devendo milhões, mas tá lá jogando. O Gabriel tá lá.

Tá lá o Cuca, tá lá um ou outro talento da base, tá surgindo, o seu time ainda tá na primeira divisão, tá jogando nada, mas tá na primeira divisão. Essa, o efeito rebote desse absurdo que estão fazendo vai vir depois. Num momento que já meio que assim, essa gestão já passou.

Então, como não tem bloqueios e travas para isso acontecer, eu acho que essa atitude do torcedor de se revoltar com essas coisas administrativas, ela acaba sendo um pouco mais fraca. Se, por exemplo, existe um fair play, e aí através desse fair play, regras claras que falam assim, bom, vocês não podem gastar tantos por cento além do que vocês arrecadaram esse ano. Caso vocês fizerem isso, eles vão, sei lá, um exemplo ser rebaixado, ser punido. Tchau!

um dirigente é punido e é rebaixado, sem ter sido rebaixado, por conta de uma improbidade administrativa, de uma má gestão, aí, irmão, aí a casa cai pra cima do cara. Só que hoje o cara vai lá, dobra a dívida do clube, amanhã ele pede uma eleição.

Tudo bem. A vida dele continua. Sai, a vida dele continua, não acontece nada, o clube fica com aquela dívida. Aí vem um outro que a responsabilidade e a pressão em cima dele também é de resultado. Muito mais do que... E aí não tem... De novo.

Eu não sei e eu sou cético que o fair play financeiro será não só implementado, que eu acho que ele vai, mas ser fiscalizado da maneira como ele deveria. Olha a lei do Profute aí. O Santos vem anos e anos descumprindo a lei do Profute. Até hoje o Santos não saiu do Profute. Quem que fiscaliza isso? Qual é aquela punição que a CBF institucionalizou no ano passado, eu acho?

A CNRD. CNRD. Que é uma espécie de negociata entre os clubes. Uma política de boa vizinhança para não se dever. O Santos está mais de dois anos devendo para o Cuiabá. E até hoje nunca foi julgado. Passa-se para frente. O Corinthians foi campeão. Vendeu o Joaquim para fora e não pagou o Cuiabá. Então, mas o fair play para mim é fundamental e é indispensável. Eu só acho que ele não pode vir isoladamente.

várias outras ações que precisam ser tomadas. E algumas passam também pela criação da Liga, pela revisão da lei da SAF. Pega ali, o José Francisco Mansur, que é um dos idealizadores da lei da SAF, ele próprio defende ajustes na lei da SAF. Sim. Essa é uma questão que precisa ser discutida. Agora, Rodolfo, cada vez será mais difícil ter ano pontual na vida de um clube. Então era muito comum e vamos.

o futebol brasileiro viveu isso por décadas, um time gastar o que podia e o que não podia, sem ter a garantia do resultado esportivo. Quantas Sela e Vasco, Sela e Galo, Sela e isso, Sela e aquilo não foram montadas também ao longo da história e que fracassaram de forma retumbante, várias. Mas, ainda que dê certo, dificilmente...

Por exemplo, Cruzeiro foi bicampeão, antes disso, com outra gestão, bicampeão brasileiro, 13-14, bicampeão da Copa do Brasil, 17-18. Mas já começou também um processo de endividamento ali atrás. 13? Mas claro, gestões diferentes. Sim, já estava investindo altíssimo, você pagando ali um milhão mesmo para um jogador que era reserva. O Júlio Batista. O Júlio Batista chegando em carro forte. Enfim.

Você tinha questões ali de endividamento. Situações diferentes das duas gestões. Você tinha já uma situação ali. Isso, com esse predomínio de Flamengo e Palmeiras, fica cada vez mais difícil repetir. Vai ser, no máximo, sonho de uma noite de verão. O Galo de 21, o Fluminense na Libertadores, o Botafogo de 24. Só que o custo também virá cada vez mais rapidamente. O custo dessas aventuras.

Nesse sentido, é que eu acho que o torcedor pode demorar um pouquinho ainda, mas ele passará a ficar mais atento. Eu acho que você já tem um contingente mais expressivo de torcedores falando opa, não é assim. É claro que se o time está vencendo, se o time está ganhando título, ainda agora você vai encontrar torcedores botafoguenses com dizer olha, o que eu vivi em 2024...

Vários botafoguenses dizem. Não, valeu a pena. Mesmo a situação agora, valeu a pena. Valeu a pena. Tatuaram o texture no corpo. Não dá. Que isso, cara. Mas você vai ter um contingente cada vez mais expressivo de torcedores já cientes.

E esse custo virá. E virá cada vez por muito... As alegrias vão durar no máximo um ano, pontual. E as tristezas vão durar muito mais anos. E os clubes que se organizarem neste momento... Temos mais de dois. Tem outros clubes que estão se organizando. Mas, assim, com poder de competição, nós temos dois, Flamengo e Palmeiras, esses clubes ficarão aí.

dia após dia, rodada após rodada, competição após competição, ano após ano, jogando na cara de todos os outros. Ou vocês fazem alguma coisa, ou continuaremos aqui surfando, disputando só nós dois a mesma onda. Ô, Eudes, qual que é a...

pra gente falar de jornalismo também, da sua carreira, qual que é a grande cobertura, o grande furo que você tenha dado na sua profissão, que te marcou, te fez ascender na carreira? Você tem na memória alguma história de bastidores? Como que foi a apuração? Enfim, eu gosto de saber dessas coisas. Tem um trabalho que foi mais longo, porque você tem furos pontualmente que você pode dar, um time tal, por exemplo.

Era repórter em Belo Horizonte quando o Galo contratou o Tite. Foi um furo. Estava lá no meu aeroporto. E aí, na época, tinha um quadro do Globo Esporte que se chamava Blitz do UGR. Algo assim. Blitz do Globo Esporte.

E aí tinha informação que o Tite chegaria, estava no aeroporto de Confins, e aí já fizemos como se fosse um plano de sequência mesmo. O Tite chegando, eu já posicionado, fazendo abertura, o técnico Tite desembarcou em Belo Horizonte, vai assinar contrato, estava sozinho ali. E como eu já estava efetivamente gravando, já fiz ali uma pergunta para o Tite, enfim, ele não teve nem como escapar. E algumas situações desse tipo. Mas, assim, eu não acho isso mais marcante.

Um trabalho que eu fiz de um programa de reportagem, de grande reportagem. Era na TV universitária ainda, com o canal OHF, chamado TV Horizonte, em Belo Horizonte. E aí criamos um programa de reportagem, que tinha entre 30 e 35 minutos de duração, e explorava um tema. Eu coloquei o nome de Fato Público.

É uma redundância, porque isso é fato, em tese, é público. Mas foi proposital. Eu falo, bom, quero tratar de temas que é do conhecimento de todo mundo, mas que, de alguma forma, a imprensa abandonou, a sociedade não discute mais, seja porque essa realidade está dada e todo mundo está cansado daquilo, enfim.

sem nenhuma forma de comparação, mas um dos caras para quem eu olhava, quando estava ali na minha pré-adolescência, adolescência, trabalho fantástico, que para mim é um dos melhores textos da história da TV, o Marcelo Canelas, ele fez uma série, em 2001, sobre fome.

a série mais premiada da história do telejornalismo brasileiro, e teve impacto efetivo, porque foi uma série que ajudou depois na criação do programa Fome Zero, que depois o Bolsa Família, toda a política pública de combate à fome no país, aquilo foi fundamental, ele foi premiado também por isso, por esse impacto que causou efetivamente em políticas públicas. E fome era uma coisa que muita gente ali dentro da Globo, quando o Canelas foi propor a série, mas de novo, a gente já fala muito sobre fome, mas a fome está aí ainda.

Tem um monte de brasileiro passando fome. Estamos falando ali, já virada de 2000 para 2001, 2001 para 2002. Enfim, é pauta e é urgente. Você tinha toda aquela questão envolvendo a ação da cidadania contra a fome, do Betinho, com o slogan, quem tem fome tem pressa, enfim. Mas ninguém, na avaliação de muitos, não, mas de novo, falar de fome, isso está batido. O fato público desse programa era um pouco para isso.

E aí a gente fez uma primeira edição sobre a exploração e trabalho infantil no Vale de Actiõe, que é uma das regiões mais pobres de Minas Gerais, quando sociólogos, cientistas políticos e antropólogos tratam Minas Gerais como Estado síntese. E é por isso que tem essa coisa que Minas Gerais, não só por ser o segundo maior colégio eleitoral, acaba sendo um Estado decisivo para a eleição presidencial, desde a redemocratização, por exemplo, todos que se elegeram presidentes ganharam a eleição em Minas.

Ninguém que ganhou a eleição presidencial sem ganhar a eleição em Minas. Na história, acho que o Vargas talvez tenha sido a única exceção.

Enfim, vai dar redemocratização para cá todos. Por quê? Porque você tem um Estado gigantesco, que faz divisa com vários outros, e você tem um Nordeste dentro de Minas Gerais, que é exatamente ali na região norte do Estado, principalmente os vales, Vale do Mucuri e Vale de Acitionha. E esse trabalho foi bem bacana. Logo depois, tem um outro que era a ocupação do espaço público em Belo Horizonte. Se discutia muito sobre a questão dos camelôs, divãs.

beiravam um pouco algo que depois passou... Depois não, que já era visto no Rio de Janeiro, mas que tomou conta também do Rio de Janeiro. Quer dizer, quem ocupa os espaços públicos da cidade? Se o Estado não está lá, que se fica ao Deus dará, alguém vai se aproveitar daquilo, impor um serviço, cobrar a taxa da população.

Pegamos esse tema, a ocupação do espaço público, e discutimos esse tema no programa de 35 minutos. E aí, depois, políticos, até colegas jornalistas mais experientes, pegaram aquela fita, levaram para a Câmara Municipal. E aquele programa, depois me disseram, foi muito importante para a implementação do Código de Postura da cidade, para a discussão de um novo Código de Postura da cidade.

revisando ali como é que se daria a ocupação desse espaço público. Até de coisa simples, como colocação de mesas, cadeiras, bares, restaurantes, na calçada, até algo mais complexo. Mas aí a gente volta ao que conversamos aqui no início do programa, reportagem. Não é algo barato e não é algo rápido. Tinha que fazer um amplo levantamento. Quais estabelecimentos não estão cumprindo a lei?

desses estabelecimentos. Eu tinha uma coisa que eu não queria usar e não usamos ali, microcâmera, ou câmera escondida. Um amplo levantamento para fazer a Vera, gravando com quem estava ali em tese.

uma infração, se não uma ilegalidade, mas gravando e mostrando aquilo. É um trabalho de fôlego. Ah, é um grande furo, é algo que ninguém sabia? Não. Mas é algo que vai ter um certo impacto.

Eu acho isso tão ou mais importante do que o furo. É claro que o furo, o Gabriel Garcia Marques dizia, a obsessão de todos nós, mas eu acho que esses trabalhos que produzem algum efeito prático de mudança, seja para mudar algo que é dado naquela localidade, principalmente a realidade das pessoas, das pessoas que mais precisam, ou influenciar na adoção de políticas públicas, eu acho que isso é uma coisa bem bacana, que você olha e fala, putz, que legal.

Eu vou ser bem sincero, ouvindo você falar, a minha busca quanto repórter e tal, quanto apurando alguma coisa, é muito mais sobre isso. Estou muito pouco preocupado se eu vou ser o repórter que vai revelar, se o Santos vai trazer o Hulk. Estou se falando agora ou se... Hulk? É, está falando aí, não sei.

O Fluminense já dá conta. É, então. Mas, enfim, estou um pouco lixando para isso. Estou preocupado em... O meu olhar vai muito mais para, tipo, o que eu posso colaborar em termos de reportagem para que cause um impacto dentro, no meu caso, do clube, que é o clube que eu cubro hoje, mas que possa mudar um pouco esse clube para melhor no futuro.

e é esse tipo de pauta que eu olho mais, que eu busco mais, etc. Eu acho que é isso, cara. Talvez os repórteres mais lembrados e condecorados são aqueles que dão esses furos do jogador, etc. Mas no fim do dia, quem são os caras que mudaram?

alguma coisa, sabe? Porque no fim do dia a gente entra na faculdade pensando como a gente pode mudar um pouco as coisas ao nosso redor. Mudar o mundo, né? É, o mundo a gente não vai mudar, mas alguma coisinha ali no nosso redor a gente pode ser capaz. Deve ter mudado a vida de algumas pessoas. De um professor chamado Maurício Lara, na faculdade, um abraço pro Maurício, ele dizia o seguinte, jornalismo é a profissão mais doida

É a profissão mais doida e a mais doída ao mesmo tempo. É a mais doida porque a gente faz jornalismo querendo mudar o mundo, achando que vai mudar o mundo, até ler Balzac e As Ilusões Perdidas. E a mais doída porque a gente não precisa de muito tempo para perceber que, se você não tomar cuidado, é muito mais fácil o mundo te mudar do que você mudar o mundo.

Você aderir a um determinado modelo, ao chamado sistema, qualquer modo de produção quase que automática que você segue a regra do jogo. Você se viu assim em algum momento? Não, você se depara com conflitos o tempo todo.

Eu vivi conflitos éticos, conflitos resistenciais, muitas vezes. E todas as vezes custou muito caro para mim, porque é a decisão mais fácil. Vocês falaram um pouco sobre isso, né? Alguém dizendo, ah, vocês são independentes, tem que ganhar dinheiro, faz isso, faz aquilo. Esse é o caminho mais rápido, mais fácil e mais rentável. Então, assim, a minha opção foi sempre pelo caminho mais difícil.

Isso eu não faço, isso eu não aceito, com isso eu não concordo. E assim, o limite para mim é muito claro, o limite que eu sempre estabeleci na minha carreira para tudo, nas relações todas, seja nas relações com entrevistados, principalmente os poderosos, com chefes, com empresas. De uma maneira geral, o meu limite era assim, bom, o que não vai violar os meus princípios?

Um dia eu tive um chefe que me perguntou, qual é o seu limite? O meu limite é o limite da minha dignidade. Essa precisa ficar intacta. Eu posso até não dormir à noite, por N motivos, mas não por crise de consciência. Então isso eu preservei. Exatamente isso, cara. E nesse aspecto, eu nem ia falar sobre isso, eu ia te fazer uma outra pergunta, mas... Uma coisa que eu tenho percebido...

estando no meio agora um pouco mais de tempo, é a respeito desse pacto, meio de alguma maneira da profissão de ser um problema a gente apontar colegas, porque nós somos acusados de...

um certo rito ali. E eu não falo de jornalismo bom e jornalismo ruim. Eu não falo, ah, esse cara é uma bosta, esse cara é bom, esse cara não é sobre isso. Embora também ache que se a gente tem a possibilidade de analisar um jogador de futebol, a gente também tem a possibilidade de ser analisado.

Só que a gente é colocado muito, muitas vezes quando a gente faz críticas a posições de colegas, como ombudsman da imprensa, como uma coisa meio negativa, esse cara é meio que um traidor do movimento e tudo mais, e é todo mundo meio que ali, sabe que o cara tá fazendo uma merda, mas ninguém fala nada, fecha o olho, porque não é do meu papel apontar o erro desses caras, e aí com isso o jornalismo, a minha maneira de ver, vai indo pro ralo, porque gente traindo...

É que assim, o seu limite é a sua dignidade. A dignidade de cada um é de cada um. Se o limite de todo mundo for dignidade... Altamente objetivo, né? Se o limite for dignidade de cada um, a regra vai ser diferente para cada um. Então eu posso receber salário de uma pessoa que eu cubro. Teve, na época, você citou o momento do Cruzeiro. Caiu na E, né? Que a diretora do Cruzeiro pagava jornalistas para falar bem. E os caras que receberam isso, qual era a dignidade desses caras?

Isso era por debaixo dos panos. Os canto do Master agora convocaram, vários veículos também sendo investigados. Isso era debaixo dos panos. Hoje tem jornalista que trabalha pra TV de presidente e tá aí em grande... E a gente não pode... Em grande emissor. A gente não pode falar nada, porque se eu falo, aí vem um outro jornalista. O que você está falando? Ele é digno, que não sei o quê. Então é um corporativismo que, por exemplo...

Isso não me abala, isso não me faz dormir, deixa perder um pouco de sono, porque como é para você, o Juca Kifuri é para mim alguém um espelho. Então eu já vi ele falar de colegas que ele não achava que estavam tendo condutas que eram compatíveis com o jornalismo que ele aprendeu e que ele respeita. Então eu também fui muito por esse caminho, ao mesmo tempo que me fecha a porta todos os dias. Mas como você vê esse corporativismo, na minha maneira, exacerbado do jornalismo brasileiro?

Hoje mais nada, eu falei que a regra do jogo, num dado momento, usei essa expressão, é só porque tem um livro ótimo do Cláudio Abramo, que foi um cara fundamental para a mudança, para a guinada que a Folha de São Paulo num dado momento deu, e o título era esse, a regra do jogo, Cláudio Abramo, um grande jornalista que faz muita falta. Mas é um bom livro.

A regra do jogo. A regra do jogo. De qualquer maneira, Rodolfo, que você coloque... Eu tenho dúvidas, sabia? Eu sei que isso está na crista da onda neste momento. Dia sim, dia também tem uma discussão sobre essa questão. Você falou do corporativismo e eu entendo o ponto.

que é a base do que você coloca, é gente que pode criticar porque você está falando de colegas de profissão e o corporativismo viria daí. Ao mesmo tempo, se você for pensar, é muito louca essa história porque eu ainda peguei uma época que se cobria muita greve. Como repórter, começo de carreira, fazia greve de um monte de coisa. E a única greve que não se cobria era a greve de jornalista.

os jornalistas cobriam greve de todas as categorias. Mas a deles não eram cobertas por ninguém. Porque greve é um direito constitucional, afinal de contas. Mas, primeiro que sempre você tem a figura do furagreve, depois muitas vezes era greve em um determinado veículo que não estava honrando pagamentos, como temos aos montes até hoje também. Mas, de qualquer maneira, você tinha essa... Lasta.

Premissa, quase. Bom, jornalista cobre guerra. Cobre guerra também, mas cobre greve de qualquer categoria. Certo. Menos a sua. Certo. Então, onde está o corporativismo?

o outro ponto é, se fala muito hoje, que é mais ou menos o que você está suscitando, essa enorme balbúrdia, para usar também de forma proposital esse termo, principalmente na imprensa esportiva, sei que vocês já trataram também desse assunto aqui, mas se você for voltar nas décadas passadas, também sempre teve essa história de briga dentro da imprensa.

A imprensa estava bairrista. Lá atrás, até anos de Copa do Mundo, seleção brasileira, você tinha essa coisa. A imprensa paulista e a imprensa carioca. Ah, vou ter isso aí. E aí ficava um falando mal do outro. Então, assim, isso que se coloca hoje, que de alguma forma está, ainda que não dito desse jeito, na sua questão, não é novo.

Porque lá atrás, quando você tinha essa... Ah, imprensa paulista, imprensa carioca, fulano, beltrano. A única coisa que me preocupa, e aí eu vou falar como... O que eu tenho de preocupação e como eu procuro agir é... Até falávamos um pouco disso antes do programa. A gente vive num momento muito complicado da vida, de uma maneira geral. E não estou falando de jornalismo, não estou falando de esporte, futebol, não estou falando só de Brasil, do mundo. Você tem...

um monte de déspota para tudo quanto é lado, nada esclarecido, tacando fogo no planeta, literalmente. E o debate deixou de ser isso para se transformar ou num embate, na melhor das hipóteses, ou em combate, numa sucessão de enfrentamentos. A minha preocupação, o que eu tomo...

E aí isso não é nenhum juízo de valor sobre quem age de outra forma, tá? Porque quem sou eu para dizer como é que cada um deve se comportar. Eu tenho só uma preocupação com tudo que a gente traz hoje de redes sociais para um microfone. Ainda que esse microfone esteja sendo utilizado também em redes sociais e em plataformas diversas. Então, assim, porque é muito fácil hoje, né? Está todo mundo o tempo todo, as conversas são todas transversais.

A interação se dá o tempo todo. Então, sim, a gente está no YouTube, tem mil comentários aqui, algumas pessoas podem gostar, outras podem detestar, podem estar fazendo críticas justas, honestas, outras simplesmente se comportando como pessoas detratoras, pelo gosto de xingar.

E eu tenho a sensação que, às vezes, nós, de uma maneira geral, trazemos... Isso acontece um pouco também no jornalismo político, não só no jornalismo esportivo. A gente traz para as nossas plataformas, sejam elas colunas, impressas ou em vídeo, programas, podcasts, videocaches, entrevistas, até a linguagem e até os termos que são usados nas redes sociais.

Isso me preocupa um pouco. Então, assim, eu evito a adoção de qualquer termo que possa, de antemão, soar agressivo a quem quer que seja. Primeiro, não é com medo de algum tipo de debate ou de discussão. Não por isso. Mas para não interditar esse debate. Porque se eu falo algo que ofende o Felipe, ou que te ofende, Rodolfo, a minha chance de estabelecer um diálogo e dar sequência a uma conversa com a conversa.

fica muito mais complicada, fica muito mais remota essa possibilidade. Não é. Além disso, a gente está numa época...

E aí, de novo, entra aquilo que eu falei, dos meus princípios, dos meus valores. Eu nunca segui onda assim. E eu acho que, perigosamente, a imprensa, em variados momentos da sua história, ela também obedece a certas ondas. Então, num dado momento, tem a onda do engraçadinho, a onda do entretenimento, a onda do polemista.

Eu não posso pegar essa onda agora, agora não é mais essa, é a outra, e vou mudar o meu jeito de ser em função dessa onda para tentar ser algo que não sou, para ser mais popular, ou para ter mais seguidores, ou para ter mais likes. Tudo isso, que essa nova realidade quase que nos obriga, eu não posso fazer isso, eu não posso fazer parte disso. Então vou usar um termo batido.

que é usado e mal usado o tempo todo, que é a tal da lacração. Então, você quer desqualificar alguém, você diz, ah, não sei quem disse isso para lacrar. Ah, isso aí é o lacrador. Esse é um termo, por exemplo, eu estou usando aqui dentro de um contexto. Estou usando um termo para falar que eu não gosto dele, que eu evito. Isso faz com que eu critique qualquer pessoa, usá-lo? Não. Mas eu evito, porque eu acho que estou interditando um debate se eu faço isso.

E muitas vezes eu acho que até em função dessa interação com as redes sociais, com as caixas de comentários, com esse vínculo direto de quem está nos vendo e ouvindo e fazendo programa e entrevista junto contigo, que pode dar várias sugestões de pergunta, de assunto, de pauta, mas também vai usar um termo que você pode repetir no ar, sem às vezes medir aquela palavra e o impacto dela. E aí depois alguém, porque...

colega disse, repete, aí o outro repete, e aí você já cria uma situação que é dessa, de enfrentamento ou de combate, que eu vejo produzir pouco resultado, pouco efeito. A gente deixa de discutir o principal, você coloca em arenas antagônicas pessoas que às vezes dos dois lados têm valores.

assim, sabe, pessoas que você pode falar, cara, eu gosto desse jornalista, ou eu gosto desse jornalista também, mas essa pessoa tem uma trajetória respeitável, essa aqui também. E, claro, podemos cometer erros, e cometemos sempre, até porque estamos sempre muito expostos, aqui falando o tempo todo, você corre o risco de um deslize, de uma palavra mal empregada, ou de uma opinião infundada, várias coisas podem acontecer nesse percurso.

E isso provocar um certo dano e provocar ruídos de comunicação. Então, assim, a minha preocupação só é, farei parte de algo assim? Quero alimentar algo assim? Qual será a minha contribuição se eu fizer? Porque o que me incomoda um pouco hoje é ver que assuntos importantes, ou eles deixam de ser debatidos.

para que a polêmica, a intriga, fique naquele lugar. E eu sei que não era disso que você estava falando quando você colocou o seu ponto. Mas não você, mas muitas vezes uma conduta de apontar o outro gera isso. O assunto sai de uma crítica, que pode ser super justa, honesta e até necessária, muitas vezes, para discussões que também vão ganhar ares e elas.

de clubismo, de CEP, de localização geográfica. E isso eu não vejo sentido. Você acha que não contribui? Eu acho que contribui pouco. Se é que contribui, de alguma forma. E aí a gente perde muito tempo discutindo mil e um assuntos, se o termo X pode ser usado, se não pode ser usado. Arrasca pênalti.

Isso se transforma no assunto principal quando tem mil coisas mais importantes para se tratar. E aí eu tenho receio também da fulanização. Porque ao usar um termo, eu posso adotar o nome ou o apelido ou apelidar tal conduta.

com o nome de um jogador, ou de um colega jornalista, ou de um dirigente que seja, e aquilo fica marcado numa pessoa só, quando dificilmente, se você for imaginar...

tem ali o exército de um homem só, só uma pessoa fazendo tal coisa. Mas aí você cria aquela marca. Então, assim, eu evito, mas, de novo, eu não estou aqui com isso julgando quem faz isso. Não é nenhuma crítica. Estou falando o que eu tenho de preocupação. Entendeu? E esse é o meu ponto, porque eu acho que quando a gente coloca situações assim, a gente promove um ciclo.

de enfrentamentos, de intrigas, de combates, às vezes até de fofocas, que eu acho bastante perigoso para o próprio jornalismo.

E eu acho que acaba sendo algo que beira a distração. Mas não te incomoda ver jornalismo tacanho também? A gente não faz nada com relação a isso, a gente só deixa, beleza, vou fazer meu trabalho e essa galera que se vire com os deles, não sei, me dá um senso de amargor, uma coisa de querer fazer alguma coisa, porque é a profissão que eu amo.

jogada no lixo. E às vezes falar, né? É, e falar, porque também essas coisas eu acho que essas filhas precisam ser expostas. E eu não tô falando sobre termos ou o comentário que eu discordo, porque a gente pode discordar também sem criticar a pessoa, sem falar da pessoa. É acabar com ela. Só que o que a gente tá vendo é mistura inclusive de parte comercial com parte editorial. Isso é gravíssimo. Esse é um outro ponto. Eu me despejo.

acha que tá defendendo que o Neymar vai pra Copa porque vai lucrar mais se o Neymar for pra Copa. Porra, tem um monte de gente que cobre seleção, que é influenciadorzinho, que é o cacete, que é amigo, que não sei o quê, que vai lá fazer uma cobertura de Neymar. Você já cobriu Copa? Cobri duas, cobrir seleção cinco anos. Você falou aqui, o Santos é falado por causa do Neymar. Então o Neymar é uma editoria hoje. Então se o Neymar for pra Copa, muita gente vai ter mais likes, mais views, mais não sei o quê, do que não teria. E aí o cara...

quer botar na nossa cabeça que ele está jogando bem, sendo que o mundo inteiro está vendo que ele não está jogando nada, porque o cara vai ganhar mais dinheiro. E isso, porra, aí o cara que está em casa acredita, porque o cara não entende a lógica monetária da parada. E aí a gente vê isso e fala assim, não, beleza, eu vou ficar quieto porque eu não quero alimentar esse discurso de ódio. Mesmo vendo tudo isso...

Eu respeito, mas eu não consigo. Não, acho que é preciso fazer uma distinção aí. Primeiro é o seguinte, e aí é um bom ponto esse, é uma boa provocação entre elas. E por quê? Porque vai revelar exatamente o que me aflige um pouco.

que é com esse debate tão violento que a gente tem, e aí eu não estou falando entre jornalistas esportivos, não. Estou falando da sociedade de uma maneira geral. Tudo que passamos nos últimos anos no Brasil, nos Estados Unidos, em vários lugares. Qualquer coisa que é dita, você tem uma reação imediata e muitas vezes uma força desproporcional. Obviamente que aquilo que eu falei, que é da minha conduta, da minha preocupação, não diz respeito a compactuar.

com gente desonesta, com gente que está sendo paga para dizer tal coisa, principalmente sendo essa coisa uma mentira, uma desinformação, ou qualquer situação parecida com essa. Isso é preciso. Contra isso, estou de acordo. Isso se combate. Isso se enfrenta. Também é a forma de fazer.

Mais ou menos eficaz. Mais ou menos eficaz. Eu não estou falando disso. Não posso concordar com um jornalista esportivo que recebe dinheiro de clube. Não existe isso. Eu não posso concordar com um jornalista que obre político que recebe de partido ou de um político ou de alguém ligado a um partido ou um político. Óbvio. Estamos de acordo. E não é disso que eu estou falando. Mas, por exemplo, você citou aí. Certamente pode ter muita gente ganhando muito dinheiro para falar bem ou mal.

Muitas vezes é para falar mal também. Isso também está sendo investigado nesse momento, na decorrência do escândalo do Master, por exemplo. Pagamento de influenciadores para falar mal disso, daquilo, ou para falar bem de fulano. É um absurdo. Então, seja para falar bem, seja para falar mal, isso não pode ser o parâmetro. O parâmetro é qual é o fato. Então é isso, eu sou jornalista. Eu não brigo com fatos. Isso é questão. Importa o que eu acho, importa o que eu sei.

Se a questão dialoga com algo que é desonesto, que está na contramão do que deveria ser o interesse público, obviamente isso precisa ser combatido. Agora,

Temos casos e casos. Vamos pegar, então, Neymar na seleção, Neymar deve ir à Copa ou não. Você vai ter jornalistas sérios, honestos, que quem você gosta e que defendem que o Neymar vá à Copa. E honestos, claro. Então, a minha preocupação é essa, porque você estava falando de uma outra esfera, certo?

Só que no momento que a gente vive, no tempo em que a gente está, tudo isso se mistura. E aí fica parecendo que todo jornalista que defende que o Neymar... Eu sei que não. Eu sei que não. Eu abri falando isso. Não, foi o seu caso. Eu estou falando por que me preocupa. Porque muitas vezes, para quem está recebendo...

Seja porque aquela pessoa entendeu mal ou entendeu equivocadamente, ou mesmo que tenha entendido corretamente e de forma deliberada, que é desertuar o que você disse, vira um campo fértil para misturar alhos com bugalhos. Então, duas pessoas podem ter a mesma opinião sobre o mesmo tema. Então, você pode ter duas pessoas que vão falar assim...

Na variação da pessoa A e na variação da pessoa B, o Neymar, sim, deve ser convocado pelo técnico da seleção brasileira e disputar a Copa do Mundo. E elas podem fazer isso por motivos totalmente opostos. Uma, por motivo condenável, como o que você colocou aí, alguém que vai ganhar dinheiro em cima daquilo. E outra, porque tem essa opinião. O que me aflige e me preocupa é que a proporção que tudo toma hoje e, principalmente, a rapidez.

com que a coisa se propaga, o alcance que isso tem, porque um clique você propaga aquilo de maneira exponencial. Certo? Aquelas pessoas, entrem todas, passem a ser todas farinha do mesmo saco, ainda que não sejam. E muitas vezes não são. Então o meu receio é que, neste momento em que vivemos, no contexto...

em que estamos. Para mim é muito perigosa a ideia de que apontar o dedo aqui, falar ali, falar acolá, usar, adotar um termo, principalmente quando esse termo já está ali, nas redes sociais, rodando em diversas bocas, inclusive aquelas que você pode condenar.

E aí você involuntariamente passa a fazer parte de algo que você mesmo condena. E você passa a ser usado, inclusive um corte seu, uma frase sua. Nossa, isso é o fim do mundo. Por quem não deveria fazer aquilo e de quem você discorda frontalmente. Então essa é a minha preocupação. Isso aconteceu muito na política nacional. Essa é a minha preocupação e o que eu vejo acontecer hoje, inclusive muitas vezes na imprensa esportiva.

É às vezes você pegar cortes, que são sempre perigosos. Tirar um... Você pega aqueles cortes de duas pessoas, coloca como se essas pessoas estivessem... E muitas vezes estão discordando, mas aquilo fica parecendo briga, e muitas vezes briga de rua. E às vezes você coloca por meio de cortes...

sobrepostos ali, ou um ao lado do outro, como se essas pessoas estivessem uma apoiando a fala da outra e não necessariamente estão. Então, sim, há as duas situações hoje. Pessoas que discordam frontalmente, que você pode pegar cortes eventuais delas sobre qualquer assunto e colocá-las como se elas tivessem a mesma opinião sobre tudo, estão longe de ter. E você pode pegar cortes com opiniões diferentes, distintas.

de pessoas que agem de maneira correta, que são muito próximas na sua conduta. São pessoas honestas, são profissionais de trajetória respeitável, mas porque têm opinião diferente sobre um tema, aquilo ali colocado como se fosse um debate, distancia aquelas pessoas. E às vezes elas são muito mais próximas.

do que outras que, eventualmente, têm uma opinião parecida, ou mesmo uma opinião igual sobre um outro assunto. Entendi. Então, assim, isso é que me preocupa. Entendo. E aí, antes de você chegar, Filipe, eu estava falando com o Rodolfo, né? Eu me lembro sempre do querido amigo Luiz Roberto, abração para o Luiz, muito sucesso no tratamento, está em tratamento, tudo correndo bem. Luiz Roberto, antes de cada transmissão, vinha regressivo ali, 30 segundos, 20, 15, quando chegava ali no 10...

O Luiz só falava assim, que Nossa Senhora da Boa Palavra nos acompanha. Eu nunca me esqueci disso. Porque esse é o ponto. É muito fácil uma vírgula nossa, uma palavra mal colocada, mal encaixada, um termo mal utilizado. Uma brecha que você deixa. Você escorregar, sabe? Você cair numa casca de banana. Então, acho que tudo que... Está até na regra do jogo, do Cláudio Abramo, né?

A ética do jornalista deve ser a ética do cidadão. E isso, para mim, era um ponto muito importante. A gente entra na faculdade e vem essa questão. Qual é a ética do jornalista? E aí o Cláudio Abramo dizia que a ética do jornalista é a ética do cidadão. O que for bom para o cidadão deve ser bom para o jornalista. O que for ruim para o cidadão deve ser ruim para o jornalista.

E aí, muitas vezes, você tem de lado a lado um bom jornalista que é um bom cidadão, do outro também, mas por causa de uma opinião muito diferente, e às vezes de termos que soam agressivos ou que se tornam agressivos, até porque já foram ali usados e propagados de maneira diversas nas redes sociais com outras intenções, aquilo se transforma numa guerra.

quando você vai espremer, o que tem de conteúdo ali? Jornalisticamente, o que ficou? De que maneira aquilo mudou o debate? De que maneira aquilo mudou aquela realidade? De que maneira aquilo contribuiu para melhorar o estado das coisas, como diria o velho político, no futebol brasileiro, por exemplo? Entendeu? Então, assim, mas isso são dúvidas que eu tenho.

Não estou aqui dando sentença. Primeiro que não tenho autoridade para fazer isso. Enfim, não seria eu aqui ficar ditando cátedras, mas tem essa preocupação. Você falou para a gente que você trabalhou na Band concomitantemente com Boechai e Boris Kazoi que...

às vezes você entregava uma mesma pauta, uma mesma matéria, mas eles tinham visões diferentes em matérias, sobretudo, econômicas. E aí você falando isso, e assim, eu... Putz, cara, eu lamento muito não ter te dado a oportunidade de conhecer o Boechat, porque... Mestre.

Puta, eu tinha uma admiração, assim, pela maneira como ele falava, como ele impunha e como ele trabalhava, assim, que era uma inspiração para mim, muito antes de eu fazer faculdade de jornalismo e tal. Embora nem, sobretudo, a gente concordasse.

E aí quando você falou que trabalhou com ele, que tinha essa diferença, eu fiquei curioso, cara. Primeiro, como que é trabalhar com esses caras? Qual que é essa diferença que você falou, mas eu pedi pra você segurar um pouco, pra gente falar um pouco melhor no ar. Como é que foi essa época pra você? Eu tinha pedido demissão da Globo Minas, na minha primeira passagem pela Globo, e vim pra São Paulo trabalhar na Band.

Eu já era da Geral, na Globo Minas, já fazia matéria de tudo quanto é tipo, estava fora do esporte, mas cobria muito política e economia. E na Band, fazer especificamente política e economia, jornal da Band, apresentado pelo Boechat, Jomir Betting era o comentarista de economia. Fui fazer até um MBA.

Em economia financeira e mercado de capitais, por causa do João Amir, ele me fez uma provocação, cobria ali aqueles eventos internacionais, reuniões de cúpulas, G20, G8, G7, encontros de países árabes, sul-americanos, ele falava, olha, se é mineiro, o mineiro nasce discutindo política.

Ele se lembrava daquele ditado sobre a Bahia, baiano não nasce, baiano estreia, baiano nasce cantando. E vocês em Minas, assim, mineiro, nascem discutindo política. Então, política para você está muito na veia, está muito no sangue, faz parte da sua formação. E a economia ali, o que está no supermercado, o dia a dia do cidadão também, porque tem essa coisa de Belo Horizonte, se é a cidade teste do mercado publicitário para a classe média.

Lá atrás, no período de hiperinflação, movimento das donas de casa, os fiscais do Sarney, tudo isso se dava muito em Belo Horizonte. As matérias de economia ali, o preço do feijão, tudo que se fazia em rede, nos telejornais do país, muitas vezes se escolhia Belo Horizonte com uma praça para fazer isso, por ter esse termômetro.

Ele falou assim, olha, mas só que se ele dando com política internacional, e era a época ali, 2008, 2009, crise financeira global, a quebra do Lehman Brothers, um monte de coisa acontecendo, ele falou assim, cara, invariavelmente, esses eventos de política internacional vão estar calcados na questão econômica e de mercado mesmo, mercado financeiro. E eu fui fazer um curso por causa disso. Até falei para o Mauro Betting sobre isso uma vez. Falei assim, olha, eu fiz um curso por causa do seu pai.

Mauro ficou feliz dessa. E aí era o Boechat com o João Eumir, no Jornal da Band, e o Boris Kazoi no Jornal da Noite. E são figuras totalmente diferentes. Figuras de longa trajetória, na imprensa já naquela época, dois profissionais...

super experientes, e aí tinha as matérias de economia e, às vezes, a pauta, o assunto X. Mas como é que você vai cobrir? Você pode cobrir de diversas formas, certo? Qualquer assunto. Quem que você vai ouvir? Qual o enfoque? Então, tem lá, o tema. Enfim, inflação no Brasil. Saiu o índice de inflação, então a matéria é essa.

Para o Boechat, que às vezes era minha equipe, eu tinha que fazer uma matéria que você fazia o que a gente chama de diversão. Então você pega um outro trecho de um entrevistado, você trabalha mais um outro dado, mas não sai muito daquilo. Mas no caso deles ali, era muito curioso, e aí, de novo, o melhor ou pior fica a critério de cada um. Eu até normalmente propunho meio que um mix dos dois.

Mas aquela pauta para o Boechar é o seguinte, olha, vamos lá, sacolão, é a feira, Dona Maria e seu José reclamando, o preço da banana, está caro a beça, não consegue comprar mais nada, o que compra no lugar, não dá o filé mignon, troca para o frango, era isso.

E o Boris Casoy, que era muito ligado mesmo à cobertura política, o Boris Casoy que ainda está aí no mercado, à política institucional, enfim, tinha aquela questão das vozes oficiais. Não, vamos ouvir gente do mercado. Então tinha sempre um ex-ministro da Fazenda, um ex-ministro do Planejamento, alguém da Comissão de Valores Mobiliários. Ou seja, visões muito antagônicas do que deve ser uma matéria de economia com o mesmo tema. Então...

Certo? Então, assim... E que falam pra pessoas completamente diferentes. Isso. Me parece que, assim, por essa descrição, o Boechat queria atingir o povo e o Boris Casoy queria atingir um público mais restrito. Tinha um pouco também do horário daqueles telejornais. O Jornal da Band era como se fosse o Jornal Nacional da Band, mais ou menos ali no mesmo horário. Trabalhador de chegar em casa. E o Jornal da Noite...

Mais tarde, como o Jornal da Globo, e também com viés mais de política e economia mesmo. Então, em tese, como se fosse, ainda aqui na TV aberta, um pouco mais segmentado. Certo. Tinha também essa lógica, óbvio. Mas era efetivamente o perfil de cada um. Então, era um pouco isso. O Boechat estava na geral.

E o Bora estava na tribuna de imprensa. Tinha um pouco dessa situação, né? Que você vive de tempos em tempos. Isso é uma questão de estilos também. Isso no Bom Dia Brasil. O Renato Machado apresentava o Bom Dia Brasil. Baita jornalista, com uma baita trajetória, muita experiência, correspondente internacional, super premiado, entendedor de vinho, enfim.

adorador de música erudita. E aí, num dado momento, o Renato Machado, depois de uma trajetória de sucesso no Bom Dia Brasil, ele deixa o Bom Dia Brasil, ciclos, né? Que se cumprem. E entra o Chico Pinheiro. Sim. Querido amigo Chico Pinheiro, abração. Chico da massa. Esse eu amo. Esse já veio aí, pô. É, o Chico é demais, né? O Chico é demais.

E aí alguém, foi até um veículo, realmente não me lembro, se eu me lembrasse eu citava. Então perdoe a falta do devido crédito, mas não me ocorre agora qual veículo exatamente, não vou cometer nem a chance de errar aqui no crédito, mas algum veículo deu exatamente essa situação. Com Chico Pinheiro, a Globo coloca o Bom Dia Brasil na arquibancada.

Então é um pouco isso, um estilo mais popular, de linguagem direta com o cidadão, com o dia a dia do cidadão. Era o Chico Pinheiro que vinha do SPTV, que ele apresentava aqui, o SP1, com aquela ideia muito do jornalismo comunitário. Vocês devem se lembrar, quando acontecia um grande fato em São Paulo, ele apresentava o jornal na rua, em loco, fora do estúdio, tirava gravata, arregaçava a manga, então era um jornalismo sem paletó e gravata.

Isso é louco, cara. Que eu acho que é muito importante. Então assim, mas essa diferença era curiosa. Às vezes eu falo assim, olha, veja bem, eu tenho X horas para fazer essa matéria. O que vocês querem? Dá para fazer isso e dá para fazer isso, juntar um pouco. Mas um queria só uma coisa, o outro queria só outra. Então assim, era um momento bastante curioso e de negociação. Então pegava só isso aqui para o Borchard, só isso aqui para o Boris, e aí eu tentava numa negociação colocar um pouquinho de cada.

para ter também algo que não fosse simplesmente oficial, institucional, uma autoridade econômica falando sobre determinado assunto de forma pomposa, mas também, por outro lado, que tivesse a justa reclamação do cidadão, que é o mais afetado pela inflação, principalmente o trabalhador mais pobre, porque tem um dinheiro varrido quando tem inflação, mas uma mínima explicação também sobre aquele processo.

É pontual? Esse alimento está mais caro porque é uma questão de safra? Quebrou uma safra ou não? Alguém explicar também para aquele cidadão, sem o economês, nós falando diretamente para ele, eu julgava importante também. Mas esses são desafios que o jornalismo nos impõe. E aí a gente vê, às vezes, alguém, quem está em casa, que está nos vendo agora, tal veículo tem tal linha editorial. Que é verdade, muitas vezes os veículos têm as suas linhas editoriales. Mas os profissionais lá dentro também. Todos os veículos têm...

aquilo que é inegociável para eles. Todo profissional sabe disso. Ah, esse veículo aqui, isso aqui é um assunto delicado nessa casa. É. Todo mundo tem isso um pouco. Não vai escutar a nossa senhora. Mas nada é um monolito, né? Então é isso. Você tem dentro da mesma emissora, mesmo para o mesmo tipo de cobertura, política e econômica, por exemplo, profissionais no mesmo canal, com visões diferentes.

que pedem coberturas diferentes. É isso. Ô, Eudes, a gente tem o momento Bet Nacional aqui da nossa patrocinadora Bet Nacional, que a gente fala de brasilidades. Era de Copa do Mundo, dia 18 de maio, tem a convocação. Quero saber de você sua relação com seleção brasileira, que já cobriu Copa. Se é um torcedor eufórico, não liga, totalmente cético, tem alguma Copa inesquecível. Enfim.

Eu cobri seleção brasileira por mais de cinco anos. Eu falei muito que entre idas e vindas do esporte, eu praticamente fiquei só duas Copas do Mundo que coincidiram com o momento em que eu trabalhava no esporte. A Copa de 2014 no Brasil e a Copa de 2018 na Rússia.

E a felicidade de cobrir essas duas copas, era do núcleo da Seleção Brasileira, da Globo de Sport TV, e aí cobrir essas duas copas, Seleção Brasileira nessas duas copas, 2014 no Brasil e 2018 na Rússia. Nas outras copas eu estava fazendo coberturas em outras editorias, cobrir muita eleição também por causa disso, sete eleições, BH, Rio, São Paulo e Brasília. E Seleção Brasileira...

A primeira Copa, eu não tenho muita lembrança dela, que é a de 82. Era muito pequeno, muito pequenininho. Em 86 foi a minha primeira Copa. E talvez por isso seja a Copa inesquecível para mim ali. E aí eu me lembro de estar na casa da minha madrinha.

assistindo àquele Brasil e França. Zico, né? O Zico entra naquele passe monumental para o branco, que sofre o pênalti. E aí, quando o Zico perde o pênalti, o grande craque da seleção, né? As novas gerações não têm ideia disso, mas eu me lembro muito de coberturas dos veículos brasileiros, mas já naquela época, mostrando jornais estrangeiros, antes da Copa, você tinha uma discussão. Quem vai ser o craque da Copa? Qual é o camisa 10 da Copa?

E aí ficava fácil para os veículos trabalharem com essa lógica, porque você tinha três grandes nomes ali. Você tinha o Maradona, camisa 10 da Argentina, o Platini, camisa 10 da França, e o Zico, camisa 10 do Brasil. Mas o Zico, obviamente, dos três ali, com toda aquela questão do joelho, depois daquela entrada do Márcio Nunes, do Bangu e Flamengo, o Zico sem condições, fez o que pôde e o que não pôde para tentar jogar a Copa. Tanto que era preservado, não conseguia treinar, só fazia tratamento.

Naquele momento, eu acho que eu senti aquela dor de... Foi a minha primeira dor de torcedor brasileiro, sabe? Tinha aquela situação do camisa 10, o grande craque, e aí aquele pênalti...

que não teria existido se não fosse a participação dele, porque ele acha um passe que efetivamente, mesmo outros grandes jogadores ali, talvez o Sócrates, alguém assim, algum grande craque, o Zico foi um gênio, para achar aquela bola, e aí aquele cara perde o pênalti. E futebol eu acho didático, acho que o futebol é importante, eu falava que eu gosto do futebol muito mais por ser um fenômeno antropológico.

do que pelo jogo em si, eu gosto do jogo em si, mas o futebol me fascina pelo que provoca. O futebol me comove pela arquibancada, muito mais do que pelo que rola no gramado. Essa, para mim, é a grande magia do futebol. Então, eu criança ali, tendo de lidar com aquela frustração, com aquela dor, aprendeu que é uma derrota da pior forma, vendo um ídolo do futebol brasileiro perder um pênalti.

Saber o quanto aquilo humaniza uma pessoa que você, criança, coloca acima de... Num lugar diferente, né? Não é um simples mortal, na sua cabeça. Um jogador da seleção brasileira numa Copa do Mundo pra uma criança, pô... É quase um super-herói ali. E aí, de repente, você vê aquela pessoa...

diante de uma situação que a deixa também em fragilidade. Depois foi para a disputa de pênaltis, o Zico converteu na disputa, inclusive, outros brasileiros perderam. Mas ali foi a primeira relação com a seleção brasileira muito próxima e foi na derrota. Um empate no tempo normal, saiu nos pênaltis, mas assim...

Foi aquela ideia de, caramba, o que é isso? O que isso significa? Você vê aquelas ruas lá, coloridas ainda, de verde e amarelo, aquelas bandeirinhas, e aquele silêncio monumental. Sai o pênalti, aquela euforia, todo mundo berrando nas janelas dos prédios. Minha madri morava no centro de Belo Horizonte, em frente até ao prédio da imprensa oficial, curiosamente. E ali aqueles berros, buzina...

no minuto seguinte, a defesa do goleiro é aquele silêncio, você ouvia a mosca passando, e aquilo te ensinando sobre o que é ganhar, o que é perder, e o que hoje eu acho que faz falta também, porque no futebol, como na vida, acho que a gente perde mais do que ganha, se você for pensar bem.

A felicidade é um estado muito passageiro. E de vez em quando você busca de novo. Então, assim, aprender a lidar com a derrota, com a tristeza, com a frustração... Aprender a lidar com a vida. É, aprender a lidar com a vida. E aí, nesse sentido, eu acho que o futebol é um retrato mesmo da vida. Você estava hoje no 7x1? Na academia pedagógica. 7x1? É. Eu estava no Mineirão, eu cobri a seleção.

e aproveitar para contar um caso que é curioso e mandar um abraço para um outro amigo esse já recuperado, falei do Luiz Roberto em tratamento Força Luiz, que o tratamento corra bem contigo como eu disse, e o Lédio Carmona amigo, irmão, abração Lédio e convencer esse cara de vir aí eu amo esse cara o Lédio é demais o Lédio é um cara que não tem, eu falo para ele ele também não é um grande nome porque não tem rejeição ele é um grande nome

É impressionante. O cara é o gentleman, jornalista esportivo. E ele consegue ser incisivo, todo mundo sabe o que ele pensa, como ele pensa, ele é muito claro, né? Mas...

consegue passar em Colomir, sim. Eu viajei muito com o LED, imagina. Mil coberturas Brasil a fora dos times do Rio e também seleção brasileira. Então, dentro e fora do país, muitas, mas muitas viagens. Muito aeroporto, muito hotel, muita, enfim. É uma figura maravilhosa. Muita resenha. Nesse dia do 7 a 1, a gente estava no hotel. E aí eu me lembro cedinho, vamos tomar café? Vamos tomar café. Aí combinava ali.

Combinava já no café da manhã. Por acaso, a gente estava no mesmo andar e trombamos a caminho do elevador. Entramos no elevador, tinha um casal relativamente jovem ali, casa dos 30 anos. E aí, o cara olha para o Lédio e fala assim, e aí, Lédio? Ele é animado, também. Pô, de manhã cedo, cara. Sei lá, às 7, 7 e meia da manhã, dia do jogo. Já estavam lá acordados, já com camisa da seleção. E aí, Lédio? Como é que vai ser hoje e tudo?

O Ledio daquele jeito dele. O Ledio é um falso ranzinza. O Ledio é um cara muito engraçado, muito divertido. Espirituoso, tem umas tiradas maravilhosas. Ele não perde uma chance. A bola quicou. Ele seria um artilheiro monumental, porque não desperdiça uma chance.

Quando ele... Aquela história, né? Tancredo Neves, uma raposa da política mineira, quer dizer, quando você não tem algo de bom pra falar a respeito... Fica quieto. De alguma coisa de alguém, melhor não dizer nada. E aí acho que o cara perguntou de forma tão eufórica que ele, evidentemente, esperava assim, estamos na final, ele esperava alguma resposta desse tipo. Ah, vambora, Brasil, porra! E o LED, aí na hora que ele olha, aí o LED vai... Hum...

amigo, você quer que eu fale a verdade? Olhando assim de lado. Caralho, consigo ver ele falar. O cara começou... Muito bom, ué. O cara começou a recuar assim e tal. Não, mas... Dá tudo certo, né? A gente tá na final, né? Aí... Amigo... Veja bem. Era um andar alto, então aquilo foi descendo. Parou umas duas vezes no caminho pra pegar mais gente.

E era a forma gentil do Lédio também de preparar o espírito do torcedor, porque ele não ia mentir para o torcedor, mas ele também não queria... Eu falo isso para o Lédio até hoje, e eu falei isso no ar depois. E o Lédio fala, não, mas eu nem estava achando tudo isso. Estava sim. Aí o torcedor diz, então, como é que vai ser? Depende do Filipão, né? Como assim? Depende da escalação, né?

Se abrir o time... Você não acha que tem que abrir o time? Teve aquela história do Felipão, escalar o Bernard, alegria nas pernas. Aquela formação não tinha sido treinada. A gente não viu o Bernard. André Rizek viralizando até hoje. Com seu tweet, né? Coragem, Felipão. Tem a coragem. E ele brinca com isso. Ele já brincou. Rizek já brincou várias vezes sobre isso. Já mostrou. É, é, é. Do caralho. Ele faz ali o alto-scracho muito bem em relação a isso, né? A brincadeira consigo mesmo.

Então tinha esse papo e essa coisa de ganhar a torcida do Galo. E de fato deu o efeito no estádio, porque foi aquela coisa. Aí o Bernard na escalação, o Mineirão explode e o time foi pra cima. Mas aí o Led falou, se for pra cima... Você não acha que tem que ir pra cima? Aí o Led... Você acha que vai ser ruim se for pra cima? Nós vamos perder? Se for pra cima...

Aí, ele falou assim, sério mesmo? Bom, mas vai ser um jogo apertado. Se for pra cima... Como assim? Amigo, se for pra cima, a coisa vai ficar feia. Caraca, velho. Aí saímos assim e tal, eu olhei pra ele.

Se for para cima, acho que vai ficar difícil, né? Aguentar. Tinha aquela falsa crença de escalando o Dante, que o Dante jogava na Alemanha, o Thiago Silva estava suspenso, né? E o Neymar machucado. Tinha tudo isso. Esses dois componentes fundamentais. O Dante conhece os adversários. Não era só o Bernardo e a Grina as pernas. Tudo bem.

Pra colocar o Dante e inverter o lado do David Luiz. Eu lembro até hoje ele entrando e cumprimentando todos os alemães, dando risada. Falo, meu, zagueiro da seleção, de risadinha com os rivais. Irmão, manda todo mundo tomar no olho do...

Irmão, odeio todos vocês. Depois a gente conversa. E aí chegou ali. Não dá, né, cara? Aí a gente, já no café, eu falei, o torcedor estava todo animado. E eu tentei. Eu tentei, não dá a real, mas ele insistiu. E de fato, você foi bem. Foi sutil ali. Aí ele falou assim, vai se abrir, vai ser uma goleada. Esse jogo eu tenho curiosidade. Ah, e aí rapidamente para eu concluir. Desculpe se eu romper, Felipe.

Primeiro tempo daquele jeito, né? É, então, é isso aí. E aí a histórica, narração do Galvão, né? Gol da Alemanha! Virou passeio! Virou passeio! Ele é perigoso! E aí, gol da Alemanha! No intervalo... 5x0. 5x0, eu deixei o Mineirão para o aeroporto de Confins. Alguém tinha que receber a seleção na Granja com o Marinho, né?

Aí se virasse, a seleção ia voltar para a Granja Comari. Então, fui para Confins, peguei um voo, Rio, carro até Teresópolis. Com o jogo rolando. Eu saí no intervalo. Eu estava no Mineirão, no intervalo 5x0. Já era. No intervalo, fui para Confins, peguei avião, desci no Galeão, carro até Teresópolis, região serrana do Rio, onde fica a Granja Comari, concentração da seleção brasileira.

E lá estava. Tinha um ou outro colega ali de imprensa, mas eu era o único que tinha saído de Belo Horizonte. E aí, cara, nessa coisa do trânsito, a hora que eu chego, enfim, foi o jogo, porque eu entrei no avião ainda sem resultado. Cheguei em cima na hora do voo, inclusive. E aí, desembarco no Rio, 7x1. Aí fiquei sabendo, dois caras, fui ver os lances ali e tal.

Esperei algumas horas, a seleção pegava o voo logo depois, pegou o voo. E sempre que a seleção chegava a Teresópolis, depois de um jogo, tanto na saída para viajar, para jogar, quanto na volta, aquela multidão na porta da Granja Comari. Nesse dia, não é que tinha muito jornalista, éramos poucos. Mas tinha mais jornalista do que gente. E ali foi o meu momento.

e quase que dialogava com aquele garoto que chorou com o Zico perdendo o pênalti na Copa de 86. Não chorei, eu estava ali cobrindo a seleção brasileira, não tinha esse impacto, né? Eu criança vendo ali um grande jogador, um grande craque da seleção perdendo o pênalti, óbvio que não, mas dialogava no seguinte sentido, de você perceber que por...

Mais que as pessoas falem, queiram ou não, mesmo quem fala assim, ah, tô nem aí pra Copa do Mundo, deixa eu começar a Copa pra ver. E ali eu vi, porque foi aquele choque. Então, assim, eu tava ali pra cobrir a seleção profissionalmente, não tinha essa questão de, ah, emocional ou não. Até porque, pra quem tava cobrindo a seleção naquela Copa, e foram mais de 50 dias consecutivos. Cansado, né? Não, era evidente que, assim, pra seleção ganhar essa Copa é uma zebra.

E no caso da Alemanha, a Alemanha efetivamente é uma seleção mais forte do que a brasileira.

E você estava sem dois dos seus principais jogadores, dois pilares. Sem o seu principal jogador, que era o Neymar, o grande craque, e sem o Thiago Silva, que era o capitão e o principal jogador do sistema defensivo ali. Então era quase que algo, digamos, a tragédia anunciada, mas não daquela forma. Não com o 7x1, né? Não com aquele apagão, nem com a carta da Dona Lúcia depois. Estava nessa coletiva. Estava também. Nossa! Você entreolhava assim.

E até hoje eu falo com os colegas. Parece que depois, né? Aquilo virou um meme. Um meme, uma piada e tal. Bom, a grande pauta agora é achar a Dona Lúcia, né?

quem é a dona Lúcia? Já sabendo que a dona Lúcia era uma personagem fictícia, né? Olha o nível, os caras metem qualquer pessoa real ou não poderia ter enviado aquela carta e aí puxa quem é a dona Lúcia? Bolsonaroismo, cara tô brincando, óbvio, mas assim uma coisa que eu não posso te perguntar perguntar

Você pediu demissão da Globo duas vezes, cara. E sobre isso...

Eu nem quero entrar na questão, claro que se você quiser falar do porquê, cada um dos contextos que você resolve sair, mas o que me chama mais atenção sobre isso é que a Globo é, para o jornalista brasileiro, supra-sumo do lugar do status. A gente já conversou com pessoas que trabalharam na Globo que disseram que às vezes se viram até um pouco se achando demais, meio que...

fora do eixo, por conta do que aquele símbolo provoca profissionalmente em termos de aparências e tudo mais. Então, você tem uma... Meu avô, quando eu comecei a fazer jornalismo antes dele falecer, o sonho dele é um dia eu vou te ver na Globo. Então, assim, foi projetado onde todo mundo deveria chegar como sinônimo de sucesso. Muita gente é demitida da Globo.

Algumas pessoas pedem demissão, mas é a minoria. Você foi um desses casos que fez duas vezes. Sair da Globo é difícil? É difícil chegar lá e falar, não dá mais para mim, estou indo embora? Ou no seu caso, não foi?

Só para rapidamente corroborar o que você está dizendo, quando eu me formei, e eu já trabalhava desde os 18 anos como repórter, inclusive dando plantão, fim de semana, feriado, enfim, abrindo muito buraco de rua, aquelas coisas todas, mas quando eu me formei, e aí resolveram... Minha mãe resolveu fazer uma homenagem, uma fita VHS ainda na época, ela filmou aqueles depoimentos, como se fosse um arquivo confidencial do Fausto, com os meus melhores amigos, enfim.

E aí o meu irmão caçula, o Bernardo, ele falou assim, só vou te levar a sério...

no dia em que você for para a Globo. E aí, meses depois, a Globo fez um processo de seleção, passei nesse processo seletivo e entrei para a Globo, em BH ainda, depois trabalhei muito tempo no Rio e também aqui em São Paulo, no jornalismo, no esporte, mais de uma vez, mas nessas três cidades. Então, tinha um pouco disso, mas, no meu caso, eu, como falei, queria trabalhar em revista quando entrei na faculdade.

E depois as coisas foram mudando. Já trabalhava em rádio, então já acabei me aproximando naturalmente da TV e ainda na faculdade fui trabalhar em televisão e fiz quase que toda a minha trajetória ali. Agora, eu nunca quis ser...

e acho que nunca fui, o funcionário institucionalizado. Eu tinha aquela coisa de vestir a camisa porque você leva a sério o que você faz. E se você é pago para fazer um trabalho, você vai fazer bem feito, vai levar a sério.

Então, se fala nisso. Então, neste caso, efetivamente, eu me dedicava muito, eu me esforçava muito. Enfim, não era só uma questão de cumprir horário, cumprir tabela. Enfim, era de levar muito a sério, de tentar discutir até as coisas internamente para... no melhor sentido, estou falando, né? Claro, claro. Com colegas, com chefes, o que pode ser feito, como vamos tratar isso, como vamos tratar aquilo, enfim. É muito difícil...

por algumas razões. E aí não é pela questão da Vênus, Platinada, toda essa coisa que povoa o imaginário coletivo de tanta gente. Tem isso? Tem. Mas, assim, no caso ali para mim era difícil, porque, embora eu já trabalhasse desde a faculdade, eu formado foi a...

Foi a minha primeira casa mesmo. Então, comecei ali, me criei ali e trabalhei em diferentes cidades, em diferentes redações, tanto no jornalismo quanto no esporte, mais uma vez, nessas cidades todas.

Isso tinha um peso, porque você cria vínculo, você cria laços, você faz grandes amigos, citei alguns deles aqui durante a entrevista. E o dia a dia da redação ali, eu que sou um jornalista forjado no ambiente de redação, aquilo ali eu sabia que ia me fazer falta. Porque tem, felizmente, no meu caso...

colegas se tornaram amigos. Não é todo colega que vira amigo. No caso, muitos colegas se tornaram amigos. E amigos muito próximos. E amizades que eu trago até hoje. Você tem o Ledio, por exemplo. Mas no esporte e no jornalismo, na Globo e em outros veículos, como a Band, TV Brasil, enfim. Amigos eu carrego até hoje em função disso. E ali era o mais difícil.

Porque, na minha situação, trabalhando como repórter na maior parte do tempo, muitas viagens, tanto para cobrir política quanto para cobrir esporte. E viagens, assim, por todo o território nacional. E viagens internacionais. Você passa horas ali do lado. Parece que é bobagem. Você pega um voo de dois, está ali a pessoa do seu lado. Depois, mas não sei quantas horas. Aí, hotel. E café da manhã. E almoço. E jantar. E o trabalho em si. Então, isso tudo...

torna aquela situação muito difícil. A outra dificuldade é a realidade do nosso mercado. Quem é jornalista neste país sabe que é um mercado ainda muito fechado, ainda muito restrito, pensando neste mercado tradicional, eu falo. Com as novas tecnologias, com as novas mídias, as coisas começaram a se abrir.

Essa possibilidade que hoje é dada não existia até outro dia, até bem pouco tempo. Nós não estaríamos aqui. Sem dúvida. Não faz tanto tempo assim, se formos parar para pensar. Se você dependia de um veículo tradicional, de uma redação ali que funcionasse 24 horas por dia, aquele entra e sai, aquele barulho, isso eu sabia que eu sentiria falta disso. E também essa preocupação com o mercado.

Eu preciso buscar um outro espaço, eu preciso fazer outra coisa, eu quero algo que me acrescente mais daqui para frente, que seja um novo desafio.

Onde? De que forma? E aí você tem aquele frio na barriga que realmente bate. Agora, eu também não podia me condicionar a uma situação que era confortável, porque estou na principal empresa de comunicação do país, o maior veículo, o mais bem estruturado, numa situação confortável, eu ficaria aqui. A partir do momento que, para mim, aquilo não fazia mais sentido, tudo.

E não por uma questão da emissora em si. Foi uma questão minha mesmo, do que eu queria pessoalmente, profissionalmente. Foi, bom, precisa ter propósito, sabe? Propósito. O que você busca? Propósito. Ah, aquilo ali cumpriu, fechei um ciclo. Preciso de algo que me dê propósito. Para produzir sentido.

para a minha vida. E aí foi essa a escolha. Agora, fácil? Não, não é. Em um país como o Brasil, em um mercado como o nosso, com as dificuldades que nós temos, você... Coragem. E coloca ali de Guimarães Rosa. 70 anos de Grande Sertão Veredas. Grande Sertão Veredas que é a Bíblia da minha vida. Neste ano, 70 anos, João Guimarães Rosa.

Correr da vida embrulha tudo. A vida é assim. Você tem ficos? Esquenta e esfria. Não. Não tem? Aperta e daí afrouxa. Sossega e depois desenqueta. O que ela quer da gente, a vida, é coragem. É isso. Eu acho que é isso. Mas eu tenho sobrinhos, hein? E acho que é a melhor profissão do mundo. Virei agora, velho. Ti, pega, brinca, devolve. Você acha que é mais fácil ser corajoso quando a gente não é pai? Tipo, no meu caso, por exemplo, eu tomo decisões assim, tomei decisões na minha curta carreira.

Se eu tivesse sido um pai jovem, nossa, eu tenho certeza que minha vida teria tomado rumos completamente diferentes. Você já parou pra pensar nisso? Já. Até porque nessa vida, principalmente com a... Eu ia falar rotina, mas melhor dizer a falta de rotina de repórter, a questão da paternidade, ela se impõe várias vezes, né? Você começa a falar assim, bom, mas... Eu vou ter...

Quantos namoros começam e você está conversando? Quantas ex-namoradas? Não, é seu trabalho, eu entendo. Aí vem o dia dos namorados. Estou viajando. Ah, é aniversário da minha mãe.

Aí você tá de plantão. Começa a pesar. A namorada entende uma vez, entende a segunda, entende a terceira. Chega no momento. Chega no momento que aquilo... A sua profissão coloca a relação ali, né? Cheque. Numa situação complicada. E você, quando também pensa no nosso caso aqui da paternidade, sempre lembrando que como tudo na vida é infinitamente mais difícil para as mulheres, né? Sem dúvida. É difícil ser mãe do que ser pai, óbvio. Claro. Mas ainda assim eu pensava, bom, que pai eu seria?

Não tenho horário fixo. Sei o meu horário de amanhã às 8 da noite. 7 e meia, 8 da noite. Posso fazer uma viagem. Uma vez fui fazer uma viagem pela Band aqui. Estava em São Paulo. Aí teve aquelas enchentes no Vale do Itajaí. Na verdade, em todo o estado de Santa Catarina, fim de 2008. Fim de novembro para dezembro de 2008. Mas principalmente no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Várias mortes e tal. Eu cobri algumas das maiores enchentes do Brasil. Isso é um aprendizado de... Nossa, da região serrana do Rio.

E ali eu fui para ficar três dias e dez. Você vai para uma Copa do Mundo de 2014, mais de 50 dias com a seleção brasileira. De 2018, mais de 40 dias seguidos.

Aí você fala, que pai eu seria? Eu sei que todos os nossos colegas que são pais, que têm filhos, falam, cara, a gente sempre dá um jeito, não é impossível. Mas na minha cabeça aquilo foi se afastando, porque eu falei, pô, como é que eu vou fazer para participar de uma reunião de escola? Para levar na natação? Para fazer o dever de casa junto? Quer dizer, eu vou ser pai, mas...

poderei participar daquela criação. Então, tudo aquilo... Já afastou. A profissão acabou se colocando ali na frente daquilo. E temos colegas maravilhosos que são pais incríveis e pais maravilhosos. No meu caso ali, foi uma coisa que eu vi como incompatível. Nesse período vieram os filhos dos melhores amigos, eu tenho uma turma de melhores amigos de colégio até hoje, os meus sobrinhos, filhos dos meus dois irmãos.

É bem resolvido com isso. Eu falei, pô, eu acho o tio a melhor profissão do mundo. Eu achava... Tem o texto do Garcia Marques, de novo, a melhor profissão do mundo. Ele fala mais do que sobre jornalista, ele fala sobre o repórter em si.

E aí eu concordava com isso, a melhor profissão do mundo, embora, relembrando o professor a mais doida e a mais doída, mas ser tio é maravilhoso. É isso. Maravilhoso. Cara, puta papo, hein? Caraca. Baita papo. Só posso te agradecer. Uma delícia conversar contigo. Prazer, muito foda. E é uma honra te conhecer pessoalmente.

Valeu, acompanha tempos o trabalho de vocês. Só repito o que eu disse no início, a lista de convidados que vocês já tiveram. Você agradeceu. Você agradeceu. É isso. E dá um toque no Mestre Lédio lá, quando ele estiver em São Paulo. Dom Carmo, aí Dom Carmo. Ele que está bem agora, ficamos felizes com a recuperação dele. Felizmente. É isso, tem muita vida pela frente. Gente, obrigado. Deixe seu like, se inscreva no canal.

Merece. Comente aí o que você achou. A gente vai se falando amanhã. Tamo de volta. Tem o Guilherme Palese, o Guipa. A gente vai conversar com ele às 5 da tarde, né? Em pleno dia do trabalho. Vamos trabalhar. De homenagem. É isso. Um grande abraço. Tamo junto.

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