#181 - Como transformar consumidores em fãs? (com Potyra Lavor - IDW Company)
Como uma marca deixa de ter apenas consumidores e começa a construir uma verdadeira comunidade de fãs?
Neste episódio do Branding Tudo, Galileu Nogueira recebe Potyra Lavor, fundadora e CEO da IDW, para uma conversa sobre branding, fandom, comunidade e o poder das experiências na construção de vínculos entre marcas e pessoas.
A partir de projetos como o Afropunk e o Club Renaissance, Potyra compartilha aprendizados e bastidores sobre como criar experiências que geram pertencimento, o papel da consistência na construção de marcas e por que as comunidades precisam ser protagonistas.
Tem também bastidores da passagem de Beyoncé por Salvador, a relação entre artistas e seus fandoms e uma discussão sobre o que as marcas podem aprender com o entretenimento para transformar consumidores em fãs.
- Experiência Clube Renaissance· EntretenimentoBeyoncé·Parkwood·Experiência para fãs·Logística e detalhes·Cavalo holográfico
- Fandom e Relação com Fãs· EntretenimentoConsumidor vs. Fã·Fan accounts e mobilização·Claudinho·Anitta
- Construção de Marca e Comunidade· NegociosExperiência como ativo de marca·Autenticidade e continuidade·Consistência na comunicação
- Estratégias de Festivais e Artistas· CulturaLineups inovadores·Relação artista-festival·Claudinho·Afropunk·Gilberto Alves Filho
- Experiências ao vivo e shows· EntretenimentoValorização do presencial·Marcas de luxo e experiências·Festivais sem celular·Artesanal vs. Padronizado
A gente é fã dos fãs. A gente busca construir uma relação muito horizontal com eles. Assim, a gente já fazia isso nos outros projetos. Acho que no Clube Renaissance com a Beyoncé foi o ápice da gente mergulhar no universo, né? Os fãs dela são tudo. E no Afropunk, aí vou dividir até uma coisa muito recente que a gente lançou aí, tem um mês agora que a gente lançou o line do Afropunk da edição desse ano. E a gente já tinha, enfim, mapeados algumas artistas internacionais internacionais que a gente queria trazer e tal.
Mas a gente abriu sempre, a gente tá sempre atento ao que eles estão dizendo, o que eles estão querendo. E não necessariamente às vezes são os fãs do festival, mas eram fãs dessas artistas. E a gente foi se aproximar deles. Pra você ter ideia, eu liguei pessoalmente para os administradores das contas, das principais contas brasileiras dessas artistas que a gente tava mapeando pra conversar.
Olá, olá, olá, cidadãos da Galileia! Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do Branding Tudo Podcast. E hoje a gente vai falar de um tema muito gostoso, que é construção de marca, comunidade, fandom, relação emocional entre marcas e fãs e consumidores, com uma mulher que é uma expert nesse assunto. Vocês já sabem quem é, mas eu gosto de fazer um mistério pra quem tá ouvindo no Spotify. Se você tá vendo no YouTube, você já viu o título do episódio, já viu o nome dela, mas pra quem tá ouvindo no Spotify, você vai ser apresentado a ela daqui a pouco.
Ela é fundadora e CEO da IDW, uma empresa de entretenimento e conteúdo, por trás do Afropunk, o maior festival de cultura negra no mundo. Foi produtora da única edição do Clube Renaissance. Sabe o que é Clube Renaissance? Da nossa querida Beyoncé. Você sabe disso, você que é BeyFans, Beyhive, já sabe. Foi o único na América Latina, trouxe a Beyoncé a Salvador, criou experiências exclusivas para fãs da Miss Lauryn Hill. Gente, para poucos, né?
No Brasil e na África do Sul, e recentemente lançou o Arraial do Brasil, que é uma plataforma de cultura junina para escalar esse fenômeno. Ela que é baiana arretada, Companheira de região nordestina como eu. Seja bem-vinda, Potira.
Muito obrigada, Galila. Eu tô muito feliz de estar aqui.
Ai, vai ser muito bom esse papo de hoje.
Vai, vai ser.
Potira Lavor. Lavor. Lavor.
Chique, né?
De onde vem Lavor?
Então, é um mistério, mas assim, tem uma parte que diz que é italiano, é francês, mas eu não sei ao certo. Eu sei que eu sou Potira, eu digo um nome 100% brasileiro.
É isso. Potira, pra gente começar, você tem uma experiência gigantesca nesse mercado de eventos, entretenimento ou comunidade. Sim. E você fala geralmente que a forma como a gente faz as coisas importa mais do que o que realmente você tá entregando na ponta. O Simon Sinek fala muito isso, né? As pessoas compram o porquê e não o como, ou como é o quê lá na ponta, né? É muito mais o que você tem. Então, nesse mundo de entretenimento, a gente tá vendo que não é mais só comunicação.
Fazer entretenimento hoje é uma estratégia de marca, retenção, construção de preferência. Então, pra começar, o que que tá transformando hoje, o que que transforma de fato uma experiência num ativo de marca? Muita marca quer fazer evento, mas pouca marca quer fazer experiência. Como é que a gente faz isso? Como é que começa nesse lugar?
Olha, eu acho que primeiro a marca precisa ter um entendimento muito claro de quem ela é, né? E do que é que ela tá desejando e como é que ela quer se relacionar com essa comunidade. Porque não é só estar em vários eventos ou ter uma grande exposição de marca, mas a experiência ela vem pra criar vínculo, né? Então, pra você criar vínculo é preciso verdade, Autenticidade, que é a palavra do momento, né? Autenticidade e continuidade.
O que a gente às vezes observa muito no mercado é uma marca criando um movimento, indo, se associando a um determinado território, e aí chega um novo CMO, uma nova CMO, e muda tudo aquilo e desfaz e vai para um outro caminho. Então, a gente fica vendo as curvas aí acontecendo. Então, acho que é muito importante continuidade, consistência, Sabe? E ser insistente ali nessa construção. Quando você tá falando de experiência ao vivo e relacionamento com marca, não é do dia pra noite, não é um evento que vai te garantir isso. Então é fazer isso de uma forma contínua e consistente.
E é difícil, né? Como você falou um ponto que eu acho que eu já gravei uns... Já estamos no episódio 180, acho que eu já falei isso.
Parabéns, viu?
Muito bom. São quase 3 anos gravando e eu tento lembrar das entrevistas, né? Eu falo muito sobre isso, você trouxe um ponto que eu acho que é importantíssimo. Que a gente reforce aqui. Eu às vezes falo que gestão de marca no Brasil é meio gestão pública. Trocou o prefeito, troca tudo. Trocou o governador, troca tudo, né?
Todo mundo quer ser pai de alguma coisa e quando você chega na cadeira você meio que quer desfazer um pouco o trabalho anterior de alguma maneira.
Exato. E ao mesmo tempo, o princípio de construção de experiência de marca, ele envolve consistência, que é a repetição. E a gente no mercado de trabalho não é premiado por repetir nada, né? Se você chegar e falar, vou fazer o mesmo evento que eu fiz ano passado durante 10 anos, que a Potira organizou, então a minha gestão ela é falha porque eu tô copiando o que ela fez, ou eu não sou inovador, o mercado me vê como uma pessoa que só tá dando continuidade a alguém que já fez por ele, né?
Como é que você tá encarando isso? Você falou que isso é muito importante. Eu acho que você tem clientes que você tem que convencer, né, de que a consistência é importante, que a repetição das mensagens é importante. Dá uma dica para quem tá ouvindo aqui, como é que é essa conversa?
Olha, a gente tem muitos nossos projetos, então, e tem marcas que estão com a gente já desde o dia 1 da empresa, assim, desde o início da empresa, né? E essas pessoas que estão dentro das empresas vão mudando e a gente tem que fazer o pitching de novo, explicar o projeto. E a gente é muito detalhista nos produtos que a gente tá associado, porque a gente vai realmente um pouco mais a fundo ali, profundamente, trazer um pouco, trazer talvez à tona assim coisas que você tá vendo por fora de um projeto, de um festival, e que não são vistas muito diretamente, que a gente precisa trazer esses bastidores para que a marca caminhe junto com a gente e saiba como tá fazendo essa construção.
Então eu acho que faz parte do jogo você começar tudo de novo, mesmo com a mesma marca que tá com você há tanto tempo. E eu acho que é trazer sempre dados. Então assim, contra fatos não há argumentos, né? Então nos nossos produtos a gente às vezes trabalha, especialmente na Afropunk, por exemplo, que você citou, a gente ouve muito, ah, mas é um projeto de nicho. E a gente fala, mas é a maioria da população brasileira, que nicho é esse?
Um nicho de 56% da população.
Um nicho de 56% da população brasileira. Ou então, ah, é um projeto regional. E a gente fala, não, ele é um projeto global que acontece fora do eixo econômico do Brasil, né? E a gente tá justamente fazendo uma transformação conjuntamente com as marcas que estão com a gente. Então, eu acho que faz parte a gente repetir. Eu acho que é ter, no nosso caso, né, partindo da nossa visão, ter muito claro dados. E a gente, na IDW, a gente persegue muito, investe muito em pesquisa e dados no entretenimento, que é um mercado que ainda não tem tanta pesquisa quanto poderia e deveria.
Investir em pesquisa não é barato aqui no Brasil, mas é fundamental. Então acho que ter dados, ter argumento e ter um conceito muito claro para que você possa estar sempre trabalhando. E acho que do outro lado é conseguir engajar, porque a gente precisa engajar as pessoas o tempo todo, inclusive os nossos parceiros, as marcas. Então engajar as marcas naquele projeto, e fazer com que elas também se sintam seguras para atuar e se relacionar com um produto que para elas pode ser novo, né?
Então acaba que vocês também são guardiões dessa história, né?
Sem dúvida.
Então é quase como, ah, trocou o CMO, é quase uma obrigação de vocês relembrá-lo de tudo que já aconteceu e segurar essa rédea, porque senão ela tem chance de mudar, né?
Exatamente. A gente tá sempre fazendo esse recap e traz todo o histórico. Então assim, nossos reportes pós-evento que vão especificamente para cada marca que tá com a gente. Eles são bem densos, mas a ideia é tá tudo ali acessível e a gente sempre tá fazendo esse recap quando necessário, porque não só a gente tem um cuidado com a comunidade dos nossos projetos, mas com as marcas que estão com a gente também, né? A gente trabalha também para que elas também tenham um excelente resultado, atinjam os objetivos, façam uma construção verdadeira nesse processo.
Então a gente tá ali, ó, de mãos dadas o tempo inteiro com a marca, com os parceiros, as agências que trabalham com a marca. Então a gente tem muito esse cuidado pra garantir, né?
Eu digo que a gente é, são os Avengers do branding, né? Que fica ali o guardião, tipo, não mexe nisso aqui, por favor, vamos manter a consistência disso.
Até pra proteger às vezes algum caminho que a marca pode tá decidindo ir, mas não conseguiu visualizar um outro lado, e a gente traz alertas também. Olha, não é por aí, faz assim. A gente chega até, Galileu, a sugerir, por exemplo, a gente é, a gente tenta, a gente roda o Brasil, são os nossos projetos, e a gente tem por princípio trabalhar só com fornecedores e com talentos locais por onde a gente passa, porque isso gera transformação, isso deixa legado.
Então tem o nosso time e a gente vai rodando esse Brasil fazendo isso, e a gente faz a sugestão para todas as marcas que trabalham com a gente que façam o mesmo também. Assim, contratem fornecedores locais, contratem talentos locais, invistam ali, porque vai deixando esse legado e isso fica, né?
E é muito louco porque parece meio óbvio, né? Se você, se eu sou uma marca que atuo, né, meu escritório tá em São Paulo e eu vou fazer um projeto em Salvador, nada melhor do que as pessoas que trabalham e moram e vivem em Salvador para executar aquilo, né?
Não, sem dúvida. Mas aí é porque tem todo um bastidor onde às vezes a marca tem uma agência que tem uma atuação nacional, mas que já tem aquele um pacote meio que pronto ali e de alguma maneira vai replicando isso, que óbvio que é importante manter o conceito, mas dá pra gente fazer isso. Às vezes dá um pouquinho mais de trabalho, mas o resultado é tão melhor, sabe? Esses dias eu recentemente fui no SXSW de Londres e tava o VP da Coca-Cola e falou, cara, como é que uma marca que tem 130 anos e consegue fazer uma atuação no mundo inteiro com muita consistência, né?
Você não vê uma coisa que, aí, poxa, isso não tem nada a ver com a Coca-Cola, tá associado. Então, ele falou muito de disciplina, né? Até parafraseando, a gente brincou, o Renato Russo, né? Que disciplina é liberdade. Então, é você ter ali, ser tão disciplinado que isso vai te dar liberdade para inovar sem se perder.
É isso. Eu falo da gestão pública porque acaba que assim, Eu tenho, já trabalho com isso há 15 anos, a gente tem muito contato com fundadores, às vezes contato com os VPs que não são donos, né, não são as pessoas que fundaram. E principalmente aqui no Brasil eu vejo que tem essa coisa dos fundadores confundirem um pouco o que é empresa versus o que eu acho, o que eu defendo versus o que a empresa defende. Então às vezes até eu acho que as pessoas que fundam usam a empresa como uma plataforma mais pessoal do que profissional.
Então acaba que ter essa consistência é meio difícil, porque às vezes a pessoa quer colocar a religião dela na marca, ou ela colocar a visão de mundo dela na forma de conduzir o negócio. E isso vai ficando difícil na hora de fazer uma gestão, porque nem sempre aquilo que ela acredita é o que o público daquela empresa ou aquela marca consome.
Não, com certeza.
E aí isso vai ficando difícil de ter consistência, isso vai ficando difícil de construir uma coisa que é ligada para o consumidor, né?
Exatamente. É porque aí você— é quando a marca tem que entender que ela é coadjuvante da sua comunidade. A sua comunidade é protagonista. Então, como é isso? A gente tem outro exemplo também interessante no Afropunk, que a gente convida todas as marcas a assinarem em preto e branco no festival. Então assim, muitas marcas, foi a primeira vez que elas patrocinaram um projeto desse porte assinando em preto e branco. Isso é um statement para deixar ainda mais forte, dizer assim, é sobre o público.
A gente tá aqui criando e oferecendo essa experiência para vocês, para celebrar a cultura negra e tal, mas a gente é coadjuvante.
Nesse processo. O ativo de marca é outro, não é aparecer o logo colorido no backdrop, né? Definitivamente. E você falou da comunidade, tem uma coisa que eu gosto muito, eu já falei isso alguns episódios atrás, que meu sonho era trabalhar com marca de artista. Eu sei que é uma confusão, tá? É uma confusão, coragem. Eu até acho que eu contei no episódio aqui que muito tempo atrás eu conheci uma pessoa da Warner e me apresentou para ser brand manager, não me apresentou para fazer uma entrevista para ser brand manager da Vanessa.
Sim, né? E eu falei, nossa, artista pop na época, né? Eu falei, nossa, está pop, é meu sonho, vou fazer um trabalho. Imagina colocar pesquisa, colocar estratégia, fã, gente, fã compra tudo. Fã é fã, assim, não é consumidor. Consumidor você tem que convencer, você tem que ter uma oferta de custo-benefício boa, depende da situação financeira naquele momento, depende da tendência. O fã é fã, a música pode ser ruim, mas ele fala, não, ela inovou, eu vou comprar, eu tô lá no show.
E eu queria falar um pouco com vocês sobre fandoms também, porque se no final o Afropunk é sobre a comunidade, sobre as pessoas que estão celebrando a cultura negra, e tem ali muitos fãs de artistas, né? E como ele não é consumidor, porque ele vai defender e se identificar, como é que as marcas— o que que você diria para as marcas entenderem essa lógica entre consumidor e fã? O que que é diferente? Quem vai para o Afropunk lá, bate carteirinha todo ano, e que tá ali na frente, no front, como é que é essa relação?
Sim, olha, a gente é fã dos fãs. Na IDW, a gente tem uma relação, a gente busca construir uma relação muito horizontal com eles. Então, assim, a gente já fazia isso nos outros projetos. Acho que no Club Renaissance com a Beyoncé foi o ápice da gente mergulhar no universo, né? Os fãs dela são tudo. E no Afropunk, aí vou dividir até uma coisa muito recente. Que a gente lançou aí, tem um mês agora que a gente lançou o line do Afropunk, da edição desse ano.
E a gente já tinha, enfim, mapeados algumas artistas internacionais que a gente queria trazer e tal. Mas a gente abriu sempre, a gente tá sempre atento ao que eles estão dizendo, o que eles estão querendo. E não necessariamente às vezes são os fãs do festival, mas eram fãs dessas artistas. E a gente foi se aproximar deles. Pra você ter ideia, Eu liguei pessoalmente para os administradores das contas, das principais contas brasileiras dessas artistas que a gente tava mapeando, para conversar de fandoms, né?
Agora do QG lá, eu queria te ouvir, eu queria entender e tal, porque isso, isso para mim é, primeiro que eu amo fazer isso, e segundo, acho que eu tô ali fazendo, pegando uma informação tão quente, eu consigo sentir a temperatura, eu consigo perceber nuances que às vezes numa pesquisa geral não vou ter também. E aí a gente fez, eles estavam fazendo um movimento para trazer a Kehlani no Brasil. E a gente viu tudo isso e a Kehlani já tava no radar do festival.
Cara, vamos com eles. E aí a gente entrou junto, eles começaram a marcar várias, várias empresárias, empresários do entretenimento no Brasil, várias produtoras também. E a gente entrou junto com eles. E então eles têm um poder tão grande que eles conseguiram botar a música da Kehlani no top 1 da Apple Music no Brasil. Assim, óbvio, artista lá ficou, ela ficou louca, né? E aí eu conversando com o empresário dela, eu falei, olha, a gente quer trazer e tal, tem esse contexto.
Ele falou, cara, eu vou ter que ir, assim, a gente vai ter que ir para o Brasil, assim, a gente precisa respeitar. Isso foi muito interessante como ela também enquanto artista entendeu a importância disso. Ela tá fazendo uma turnê enorme, todo mundo, a gente reclama muito, não vem para o Brasil e tal, mas Mas em termos de logística é mais complexo vir mesmo, é mais caro fazer aqui mesmo. A gente, enfim, tem toda uma questão que não é porque o artista não quer somente.
Olha aí, fãs de Beyoncé, vocês vão ouvir, hein? Vocês ficam revoltados achando que ela não quer vir porque ela não quer, né?
Pois é, não é. E aí, enfim, a gente conseguiu fazer isso e a gente fechou. E a gente aí trouxe também, porque a gente já tava com a Flo mapeada a primeira vez no Brasil, com a Khalyla também e com a Jorja Smith, que já tava fechada, anunciada. Então a gente fez uma interação com as principais contas, que hoje você não tem fã clube, né? Você tem as fan accounts, que aí são eles que fazem essa gestão. E a gente, gente, a gente montou um, conversou com todos eles, montamos, fizemos reunião, montamos um grupo de WhatsApp, e a gente, eles souberam as informações em primeira mão, e a gente pediu: vocês não podem contar, pelo amor de Deus, né?
Então a gente queria um laço mesmo. E assim, com isso a gente criou uma relação. E na hora que a gente foi anunciar as artistas a gente falou, a gente vai anunciar em colaboração, em collab com eles, né?
Com quem tá fazendo, fez a sustentação de tudo, né?
Então é isso, o mercado de entretenimento é um tripé assim na nossa visão. Então tem as empresas do nosso setor, né? Tem as empresas de entretenimento como a nossa, como a IDW, tem os artistas e tem os fãs. Um não vive sem o outro, né? Então por mais que hoje a gente sabe assim, as experiências ao vivo são fundamentais para carreira dos artistas, E aí depois é uma outra polêmica, se quiser puxar eu falo também dessa relação dos artistas com os festivais.
E os fãs também, então não tem um que tá acima, essa relação é horizontal. E os fãs são distribuidores da arte desse artista, são os maiores distribuidores da arte do artista.
Os fãs, eles têm, se souber trabalhar bem com eles, eles conseguem exaltar tudo, né? Eles conseguem fazer as coisas acontecerem. Eu lembro muito do top 1 global da Anitta, né, quando ela pegou com Envolver. Foi uma movimentação de fã no final do dia, que é: coloca lá o play, vai lavar louça, deixa no repeat, mas assim, ajuda que a gente vai conseguir. E a gente conseguiu, né, no final.
E aí a gente— eu já tô vendo que você já fez parte desse movimento também. Você é Anitta?
Eu sou Anitta, eu acompanho a Anitta das antigas. Eu fui, eu lembro que quando eu me mudei para São Paulo, eu fui para um show da Anitta, que ainda ela era patrocinada pela Elo. As roupas. E aí ela fez um show surpresa no Facebook, avisaram 2 horas antes assim, a Anitta vai estar na Rua do Bucolismo. E eu cheguei lá, tinha umas 50 pessoas, e ela tava lá fazendo um pocket show, cantou 6 músicas e tal. E aí desde então eu admiro ela como artista, né?
Eu acho que ela construiu um negócio que realmente é inédito. E o cuidado que ela tem com a imagem e carreira e toda essa condução, que é só dela, né? Ela fez uma lição de casa muito bem feita, né? Um feijão com arroz bom. E agora nessa era do Equilibrium também. Então já estou equilibrado, já comprei o ingresso dia 8 de agosto também, vou ver aqui e vou ver amanhã, que aí você tá vendo esse episódio, amanhã já passou, mas amanhã no Arena Brasileira que ela vai estar nos jogos, antes dos jogos do Brasil.
Então eu sou super Anitta também, tá? Vamos falar agora, você tocou um ponto de Clube Renaissance e eu acho que todo mundo tá muito curioso, né? Eu fiz o spoiler no comecinho e a gente acabou de falar de comunidade, de fãs, mas eu queria entrar no que você trouxe também, que é o detalhe detalhe, né? Hoje evento tem a rodo, festival tem um monte, ativação de marca tem 500, mas poucas são aquelas que são memoráveis. E eu lembro de Clube Renaissance, todo aquele frenesi, né?
Ela vem, ela não vem. E quem descobriu foi um fã que tinha um jatinho que era o dela, que tava saindo, vindo para o Brasil. E aí começa todo o rumor, né? Vocês já estavam sabendo com um pouco mais de antecedência e tal. É, e a gente fala de uma comunidade que assim é muito forte e presta atenção nesses detalhes. E a gente tem um artista do outro lado que, né, quem assistiu o documentário do Renaissance, ela fala que não, né, que ai, eu tô deixando mais tranquila, não tem que provar nada para ninguém.
Corta a cena ela dizendo para o cara substituir a lente da câmera, que ela pesquisou outra, e essa outra lente era melhor do que a que ele está usando, e ela nem cameraman é. Como é que foi? Em construir uma experiência de marca com tanto detalhe, tanto cuidado e polêmica até, porque assim, quem vai estar lá, quem vai ser convidado, quem não vai e quem vai poder falar, tinha toda uma mística porque ela é, né, a pessoa que todo mundo queria falar e todo mundo queria ver.
Bom, eu acho que desde o início foi uma parceria com a Globo e com a Parkwood, né, e foi esse tripé ali com a IDW. E desde o início a Parkwood foi muito clara, Esse, essa experiência é para os fãs. A gente não tem prioridade nenhuma em ter artistas, influencers, não é esse o objetivo. A gente quer os fãs, especialmente os fãs cuja conexão ou viver uma experiência dessa seja mais difícil para eles ter, então ter esse acesso. Então a gente fez um mapeamento gigantesco no Brasil inteiro Imagina, nesses fãs.
E, gente, foi em 4 dias. Então a gente fez esse mapeamento inteiro e a gente também montou um... Dentro da IDW também, a construção desse conteúdo, do que também apareceria no palco, tudo isso foi feito. E a gente convidou a Luna Monte pra ser a diretora criativa. A Luna, que é uma artista preta, trans, periférica de Salvador, fãzona da Beyoncé. E ela falou, mas eu nunca fui. Eu nunca fiz direção criativa. A gente fica, você já nasceu assim, você vai conseguir, você já faz, né?
Você já faz isso, já nasceu com isso. E ela brilhou. Então assim, aí foi feita toda uma amarração. Então as pessoas que estavam construindo o conteúdo também, os talentos envolvidos também tinham toda uma relação com a artista, né? Então acho que por isso que foi tão verdade tudo que aconteceu assim. Foi muito, foi muito, foi tudo muito rápido. Quando eu penso em 4 dias Acho que pra quem tava vivendo ali, podia parecer um ano e a gente tava lá.
Cada segundo, gente, cada segundo era uma decisão, uma coisa que a gente tinha que tomar, porque não ia ser daquela proporção, não ia ser daquele tamanho. Foi tudo escalonando muito rápido. E a gente também foi dando ideia e foi querendo, sabe?
Foi construindo junto, né?
Sabe quando você vai puxando mais desafio pra você mesmo? Mas você fala, cara, vai dar certo. E aí eu acho que vem uma coisa também interessante da própria IDW nesse lugar, assim. Como que é uma empresa de entretenimento, a gente tem 7 anos de mercado. Na época, imagina, a gente tinha... 5 anos de mercado, a gente também era muito jovem, né? A empresa de entretenimento que nasceu um ano antes da pandemia. E a gente é tão coeso, acho que a gente tem uma coesão e um entendimento da nossa marca, do nosso posicionamento tão forte que mesmo num desafio desse, imagina, a pressão não é só a pressão externa não, internamente a gente se cobra muito.
Precisa entregar algo impecável, né?
E a gente não conseguia fazer 50 alinhamentos por dia, 50... Não, as coisas foi, sabe, vamos aqui, planejamento, mas ó, vamos aqui executando. Então, quando tá todo mundo muito dentro e sabendo exatamente que tipo de decisão essa empresa, essa marca tomaria, gente, assim, a gente teve zero problema. A gente inventou de fazer uma réplica do palco do Clube Renascesce, que não veio. A gente quis oferecer todo um... Buffet e a parte também de bebidas para os fãs.
Então imagina esses 3 mil fãs entrando naquela, na Venue ali em Salvador, sendo recebidos com tudo gratuito proporcionado pela artista, é, vivendo uma experiência mágica. Já estava mágico mesmo antes dela chegar, né? A gente se preocupou em oferecer ônibus para as pessoas pegarem o metrô com segurança. Então assim, foi um tudo pensado. E aí no momento que ela chega, né, eu acho que é uma coisa especial que cada pessoa que chega para gente conta tem uma experiência, uma visão, um momento mágico na cabeça.
Mas aí também eu acho que a gente vê também um artista muito consistente, né? Então consistente e com uma forte relação com os fãs dela, com a comunidade dela. Ela veio para eles, né? Ela pegou um jato tantas horas lá e veio para eles, veio para eles por eles. Então foi uma aparição lá de 10 minutos, mas que é isso assim, um presente, uma memória de anos depois, né? E para a gente foi uma super lição, foi uma super lição para o que aparece, que essa relação com os fãs, que eu acho que é um artista como a Anitta também, que tem uma relação muito honesta e transparente com os fãs dela, né?
E a Beyoncé também. Nessa verdade. E no bastidor a gente viu também essa verdade, porque muitas vezes, para quem já trabalhou no entretenimento sabe a loucura que é. Muitas vezes, infelizmente, a gente presencia muito ambiente tóxico, né, que a gente tá sempre trabalhando com o curto prazo, muita pressão. Mas a gente tem uma forma de fazer, e a gente viu a Parkwood trabalhando exatamente nessa mesma linha, né, com alta competência, nível de exigência lá em cima, mas muita humanidade e transparência nessa relação.
E também uma empresa liderada por mulheres, assim como a nossa. Então a gente se viu ali e a gente, a gente tava passando por um momento de empresa onde a gente tava se questionando muito: será que a gente tem que fazer isso? Será que a gente tem que seguir um pouco o mercado? Que a gente tem uma forma muito própria de fazer. E a gente viu: não, a gente tá muito certo no que a gente tá fazendo.
A gente só precisa ter o cliente ou fornecedor certo para atuar com a gente, né?
Exato.
E teve alguma coisa nesse, que se você possa contar, claro, de obsessão dos detalhes, que no meio do planejamento veio uma obsessão assim, ah, a gente tá preocupado com a fita que passa embaixo do cabo, assim. Você pode contar alguma curiosidade que você lembre?
Sim, a gente tem obsessão de detalhe, mas teve uma coisa assim, isso eu acho que eu não sei nem se eu comentei isso já, acho que talvez seja a primeira vez que eu falo. A Beyoncé queria muito trazer o Renê, né, o cavalo, né. E enfim, ela ia trazer mesmo o cavalo, sabe. Então a gente já tinha pesquisado como é que ia ser essa logística, onde a gente armazenar. A gente já tinha conectado com pessoas que trabalham com obras de arte, porque ia ser um tratamento muito similar e tal.
Enfim, no fim das contas não foi possível. E aí a Parque Uji tava muito frustrada que não ia ter o cavalo. Eu falei, não, a gente vai entregar esse cavalo. A gente vai de alguma forma possível entregar esse cavalo. E a gente lidando com mil coisas, porque imagina, ó, 4 dias. Primeiro que no dia 1 não ia ser esse evento para 3 mil pessoas, ia ser só uma ação no cinema. Então a gente foi escalonando muito rapidamente tudo. Então era uma festa para 3 mil pessoas com tudo gratuito, com show, com a banda de dar com apresentação da Luna, com ballroom, com tudo isso, cenografia, luz, som, palco, convidados, toda uma estrutura que a gente também ofereceu pra que a TV Globo pudesse trabalhar com tranquilidade.
E do outro lado também, todo um outro lado de segredo, de segurança, de tudo, de logística, de relacionamento com os órgãos públicos da cidade pra proteger e fazer a vinda dela. Enfim, tudo isso, eu falei, a gente vai entregar esse cavalo com pouca coisa para fazer, né?
A gente ainda quer mais.
No final das contas, a gente conseguiu fazer meio que uma peça digital com hologramas de lá, e o cavalo tava lá presente. E aí foi quando a Justina, depois que tudo passou, a Justina, que é a vice-presidente da Parkwood, ela falou assim, olha, eu já tava vendo que vocês eram muito, muito boas assim, mas o que me pegou foi que no meio daquilo tudo vocês ainda conseguiram atender e entregar. E eu não tava exigindo isso. Falei, é porque a gente quer o máximo, né? Então aquela coisa, não sabe que é impossível, aquela coisa, vai lá e faz.
Aí eles viram o comprometimento da entrega, né? Eu acho que vocês estavam muito obcecados em gerar realmente essa experiência legal e que para você fazia todo sentido se esforçar para esse cavalo aparecer de alguma maneira, né? E isso é reconhecido pelos fãs do outro lado, né? O consumidor sente isso.
E a gente tava, Galílio, que eu acho que é uma coisa importante para quem trabalha com entretenimento, com artista, com esse universo: você não é artista, tá? Assim, tipo, você não é artista, você é um trabalhador do entretenimento. Então eu digo, eu trabalho todos os dias para cada pessoa que pisa o pé em cada um dos nossos projetos, que entra ali no portão e pisa. Então a gente tava lá muito assim, a gente tá trabalhando para que esses fãs para atender, obviamente, o desejo da artista, mas especialmente, assim como ela também estava trabalhando para os fãs.
Então tava todo mundo muito assim, o foco são eles. Então o que é que a gente pode tornar mais especial? Então a gente tava obcecada por esse detalhe para que eles tivessem essa experiência mesmo e criar essa memória, né?
Sim. Eu fui esses dias numa ação que o Spotify fez no Brasil para os fãs do BTS. E assim, também é um grande desespero, um grande surto, né? O BTS é incrível. Inclusive, quem não assistiu o documentário do da volta do BTS na Netflix, assista, é uma lição.
Ah, eu vou ver, não vi ainda não.
O BTS é aquela banda coreana de K-pop e eles ficaram— é engraçado, na Coreia tem a coisa, é uma banda masculina, então quando eles fizeram 18 anos eles são obrigados a irem fazer o serviço militar. Então a banda acaba, né? Então ela tem que acabar. Então aquele ano é o ano da despedida, eles vão, cumprem o serviço obrigatório e voltam. E o BTS já tinham 12 anos juntos. Então quando eles tiveram que parar para fazer isso, falou, bom, como é que vai ser essa volta?
E aí tem assim detalhes muito legais da história. Eles queriam se conectar com os fãs, eles conseguiram. Depois do Beatles, o BTS foi o único artista que conseguiu emplacar 3 álbuns sequencialmente no primeiro lugar em número de reprodução e tal. Então assim, um fenômeno, fenômeno. Eles fizeram um show que eu brinco que é o Todo Mundo no Rio da Coreia, né? Então foi aberto, gratuito. Em Seul, e aí aquele desespero dos fãs, etc.
Mas eles estavam discutindo, tem uma parte do documentário que discute o conceito de como vai ser essa volta. E aí lá tem uma música que chama Arirang, que é uma música que foi cantada, foi composta pelos primeiros artistas coreanos que se mudaram para os Estados Unidos e foram fazer a primeira faculdade, tá? Os primeiros coreanos se formaram nos Estados Unidos e eles construíram uma música. Enfim, essa Essa música virou como se fosse um hino coreano.
E aí, pra volta, eles falaram, nada melhor do que pegar uma música que foi criada 100 anos atrás e a gente celebra a cultura coreana com a volta do BTS.
Perfeito.
E aí, no documentário, você tem discussões mil, assim. Tem um board que eles colocam, um conceito, as roupas, como eles vão se vestir, como é que é esse conceito da volta, o que que imagem eles querem construir, como é que dá essa ideia de 12 anos depois tá todo mundo junto ainda e todo mundo cresceu, e quem começou criança já não é mais. Enfim, vale a pena assistir.
Vou assistir, vou assistir. E é incrível como eles projetaram o país e a cultura, né, da Coreia para o mundo mesmo.
E aí assim, isso é uma coisa que é muito legal, porque a popularidade do K-pop é um pedido do governo coreano, né? Então é um produto de entretenimento incentivado, tem dinheiro envolvido, tem uma promoção disso para trazer os olhares para Coreia.
Eu fico sempre fazendo um paralelo com o Brasil, sabe? Como a gente ainda Brasília tem uma lacuna enorme de tudo que a gente pode e poderia fazer de cultura e turismo. Assim, a gente tem tudo, tudo, tudo. É assim, é absurdo o que a gente tem. E a gente não consegue fazer esse trabalho estruturado porque exige o quê? Uma visão também de longo prazo.
Sim, não dá. Essa construção do K-pop, eu lembro que eu vi um relatório em 2014 ou 15 falando: o K-pop vai dominar o mundo nos próximos 10 anos. Porque já existia um movimento governamental para fazer isso acontecer.
A base tava ali, né?
E é uma explosão. Eu fui na Coreia e assim, é um negócio de maluco. As pessoas são loucas, enlouquecidas. É realmente um produto cultural, as pessoas gostam mesmo. E aí quando eles usam essa música do Hwarang, é justamente isso. Porque assim, pensa um artista falar: o hino do Brasil é Evidências, e aí a gente vai fazer uma música daqui a 20 anos sobre aquele hino que marcou e todo mundo conhece. Então sim, foi conexão imediata com a cultura coreana. E um respeito à história.
Então tem todo um cuidado, tudo muito amarradinho, né?
É muito legal. Eu, e a experiência do Spotify no Brasil foi também a mesma coisa, assim, era para promover o lançamento do novo álbum, que era esse retorno, e tinha uma série de ativações e foi exclusiva para os top fãs do Spotify, é aquele 1% que escuta. E é uma loucura porque eu fui num dia e assim, as pessoas cantando as músicas em coreano, assim, isso para mim é um negócio, como é que as pessoas aprenderam, né? Tipo, e elas estão cantando a música inteira. Tem um momento que era um projeto de nós brasileiros.
A gente é inacreditável também, né?
A gente é, quando a gente é fã, a gente é fã. Eu fui formado na Escola RBD de espanhol, né? Escola RBD de espanhol, eu obviamente sabia cantar todas em espanhol. E quando eles lançaram em português, fiquei com raiva. Eu falei, não, a gente sabe cantar em espanhol, para que que vocês estão lançando uma tradução, né? Mas era mais para alcançar ainda mais gente. Pô, Tira, a gente pode ficar ficar aqui mil horas, tá? Mas eu preciso, mas vamos, vamos aqui falando de futuro agora, né?
A gente olhando para esse movimento. Você falou muito de autenticidade no começo, falou muito sobre essência, saber o que você é e os seus valores para realmente construir uma marca única. Ontem eu fiz um vídeo falando que a gente tá caminhando no mundo de padronização, e isso é um fato, né? Existem vários estudos, né? Então os carros, eles agora são preto, branco e cinza, as roupas elas são cortes retos que agrada todo mundo, a gente tem inteligência artificial agora gerando textos iguais para todo mundo, todo mundo fala igual a mesma coisa.
Como é que você tá enxergando, né, o oposto? Porque ao mesmo tempo que tudo isso cresce, também existe um movimento de volta do ao vivo, volta da experiência presencial, marcas que já entenderam isso investindo muito na experiência. A gente tá olhando as marcas de luxo Agora é assim, é fazer parte de um show que ninguém pode ser convidado, só algumas pessoas. É ter um clube do livro em algum lugar que você pode fazer parte daquele clube.
É a Prada abrindo uma cafeteria, que é um lugar em torno de uma comunidade que tá ali para comer e não necessariamente para comprar produto. Como é que você tá enxergando aqui esse encontro de pertencimento, de ao vivo, que vai ser bom para as marcas se elas entenderem isso?
Eu sou muito otimista e tô muito animada com esse momento que a gente tá vivendo. Acho Sempre que a gente tá vivendo um avanço tecnológico muito forte, a gente vem com a balança do humano ali também, né? E é isso, a gente é um todo. Eu fico dizendo que também, como a gente não separa também CPF de CNPJ, todo mundo, né?
Todo mundo é uma coisa só, né?
É uma coisa só. Eu acho da mesma forma. E eu acho que a experiência ao vivo te traz algo que não volta, você não repete. Não é replicável, né? É um momento que você tá vivendo, que você tá ouvindo o seu artista favorito, ou então conhecendo até um novo artista que te emocionou. Você tá com seus amigos, você tá com sua namorada, você tá— então é algo que você tá vivendo num coletivo, né? E que não volta, é uma memória única. Até o crescimento dos festivais sem celular agora, né?
Onde você deixa o celular antes e só pega depois, pra que as pessoas estejam ali realmente vivendo aquela experiência. Então acho que só tende a crescer. E aí eu acho que para as marcas que perceberem o ouro que é você aterrissar um pouco mais aqui e talvez sair um pouco, eu vou dizer assim, de alguma maneira assim, sair de um varejo da experiência e ir para algo que é mais um artesanal, cara, isso não tem preço, sabe? Então, e como é que você faz isso?
Quando você consegue, num lugar onde você é uma grande marca, entender que você não tá aqui no topo e seu público tá aqui. Quando você inverte essa balança e olha um pouco mais de perto, mais desnudo esse lugar, eu acho que é super campeão. E talvez seja isso, talvez não seja a minha logo aparecer mais vezes no telão, não sei o quê, não é isso, mas como é que eu crio uma experiência que que é absolutamente única e como é que eu mantenho essa consistência também, porque também não adianta você impactar só uma vez.
E como é que eu consigo em todos os canais também fortalecer essa história? Porque você tem experiência ao vivo, tá junto com o digital, né, tá junto com a mídia, tá junto com creator, tá junto com— isso é um pacote único. Então como é que você faz que esse 360 conte exatamente a mesma história, impacto da mesma forma, eu investiria mais, eu vou ser suspeita falando isso, né? Mas nas experiências ao vivo mesmo. Então elas trazem um retorno absurdo.
Também no SXSW de Londres, eu participei de uma palestra do Alex Hill, da AAD, e ele falou assim, as pessoas nas pesquisas, né? As pessoas valorizam muito mais viver uma experiência ao vivo do que ter algo material. Então esse investimento é o único que inclusive rejuvenesce, né? Diz que você vive mais tempo mais feliz. Quem vai, quem vive experiências ao vivo.
É, e o ponto do que a gente viveu de digital principalmente, é a gente trouxe num começo um grande avalanche de todo mundo pode fazer, todas as marcas podem comunicar, o que é ótimo, mas a gente chegou num lugar de saturação que é tão parecido ficar vendo vídeo, ficar vendo banner, que no final participar de uma experiência ao vivo é o que de fato que constrói, não que o digital não construa, Mas você tem ali uma construção que depois você amplifica no digital.
Mas para quem tá ali, para quem viveu, para quem soube criar essa comunidade, você vai gerar um efeito de marca muito mais positivo, né?
É, certamente. E aí eu acho que eu divido também aqui uma, enfim, uma experiência para quem também é empresária, empresário do setor de entretenimento. Não tenha medo de fazer diferente do que todo mundo tá fazendo assim, sabe? A gente acaba vendo a maioria dos festivais, os muito repetidos, você quase consegue adivinhar o que vai ser. Não tenha medo de, primeiro, você tem que experimentar, é o famoso MVP, né? Não, que a gente não inova se a gente não experimentar.
Então experimenta, testa e olha para sua comunidade e aprende com ela e fica, se sinta livre para fazer diferente, sabe?
Eu acho que senão a gente vai ficar com tudo também, até as experiências ao vivo extremamente pasteurizadas, É porque eu, eu como quem gosta de ir pro show, festival, tem alguns festivais já que você já perde o interesse, que você fala, cara, mesma pessoa que veio ano passado, eu já vi esse artista um ano atrás, eu tenho a sensação de que eu tô vivendo a mesma coisa, muito mais pra estar ali pelo momento do que pra realmente ver.
E eu acho que o que vocês fizeram com a Kailani é isso, não é uma artista que é o lineup padrão, que ela tá em todos os eventos, tá em todo lugar. Então de fato existe um lugar que você fala, putz, ou eu vou no AfroPunk ver ou eu não vou ver, que ela não tá nos outros festivais. Depois provavelmente vocês vão abrir um caminho para ela vir mais vezes, mas eu acho que o ponto de vou arriscar no lineup que de fato vai trazer uma comunidade que já está formatada também não é o arriscar pelo arriscar.
Existe uma base que vocês construíram de entender o line, entender se tem força, se tem volume de gente, porque no final do dia vocês têm que vender ingresso, as pessoas têm que ir no fundo, né? Mas vocês têm uma, existe uma cama que vocês podem formatar antes de sair tomando a decisão, né?
E aí eu acho que tem nesse caso especificamente, nesse case aí, eu acho que tem os dois lados. Tem a comunidade do Afropunk, que é o, assim, eu sou fã deles mesmo, porque assim, é, e é para eles que todos nós trabalhamos aí um ano para entregar a experiência. Mas é uma comunidade tão alinhada e tão forte com o festival que se alguém entra nas redes do festival para fazer alguma crítica, o festival não precisa nem se defender, assim, eles vão, as pessoas vão e contribuem.
São pessoas que têm essa relação horizontal, deram apelido ao festival, né, chamam de Afri, e aí conversa com o festival mesmo e dá sugestão. E aí nessa relação também com os fãs dessas artistas, então foi uma união disso daí e nos deu, a gente tava muito seguro para fazer esse movimento. Eu acho que por isso que também bateu E aí a gente vê um exemplo da postura da Kehlani nisso daí. Ela é uma artista que tem quase 30 milhões de ouvintes mensais no Spotify, é uma grande artista global.
E ela tava repostando a coisa dos fãs dela brasileiros, repostou o festival, colocou no feed a divulgação do festival. Enfim, assim, fazendo coisas que infelizmente a maioria dos artistas que estão no festival, nos festivais, não fazem. É uma outra polêmica. Se eu quiser, depois eu falo mais sobre isso.
Se você quer mais polêmica, comenta aqui para parte 2, porque a gente grava mais um episódio para falar só sobre essas polêmicas, tá? E isso é um fato, né? Os artistas em si às vezes só vem aqui para apresentar e vai embora também.
É, e eu acho que tá tendo uma inversão quando esse artista que já atingiu um grande número no digital, ou então tá numa ascensão, passa a desvalorizar um pouco esse ao vivo, especialmente nos festivais. Porque assim, artistas para fazerem show solo no Brasil que sustentam grandes casas ou estádios são poucos. E o festival é o momento que você pode crescer sua comunidade, sua audiência, né? E tá dentro de um outro contexto. E eu acho que tá tendo um recuo assim dessa valorização da importância do que é um artista estar num lineup do festival.
Imagina, a gente vai ter Gilberto Gil esse ano, assim, Seu Gilberto, nossa entidade, né? Ele não precisa mais estar no festival para isso, mas ele entende a importância de estar nessa troca.
E do lado do consumidor, né? É muito mais, é um movimento que se criou. E hoje eu vejo muito claro, quando você tem um festival que você tem um único ingresso, você consegue ver um monte de artista ao mesmo tempo. Para quem tá em casa é muito mais legal de falar, vou pagar aqui, ainda vou conhecer gente nova, Seu Gil do palco, eu de um lugar para o outro, tem uma experiência. E aí, para quem é fã, você quer ir no show daquele artista, tudo bem, né?
Então menosprezar também estar num palco só porque é um festival, eu vou aqui fazer o meu e vou embora, é menosprezar uma audiência que poderia se apaixonar por você ali.
Sem dúvida nenhuma.
Eu vi a Tayla, por exemplo, no The Town, foi no Rock in Rio, não lembro exatamente. E eu já acho que ela foi no Rock in Rio, eu acho que foi no Rock in Rio. E eu já ouvia a Tayla há um tempo, né, por fazer aula de dança, sempre aparece na Afro Punk.
A gente tá gente.
Então, e a Tayla é uma artista que assim, uma graça, uma fofa. Eu não compraria o ingresso para assistir a Tayla, mas o fato de eu estar passando e falar, tá no palco, vou ali. E aí de lá eu falo, putz, que legal. E aí eu começo a consumir e começa a entender mais. Então é super oportunidade, sem dúvida, sem dúvida. Pô, Thira, foi excelente esse papo, gente. Já acabou 43 minutos gravando. Tem uma série de coisas para a gente conversar aqui, então se vocês querem mais entender sobre esse universo do entretenimento, entenderem um pouco mais sobre essa construção mesmo de detalhe, ao mesmo tempo comunidade de pertencimento, comenta aqui para parte 2.
A gente traz a Putiria de volta para fazer um outro também só sobre as polêmicas, sobre esse lugar, que eu acho que é importante usar esse espaço para debater sobre esse assunto também. Eu quero te agradecer, agradecer pela generosidade em compartilhar tanto, então assim, de uma maneira tão gostosa de ouvir.
Ai, muito obrigada! Todo mundo na IDW super admira você e seu trabalho. Então a gente é fã também, nosso fandom aí, ó, Galileu, os cidadãos da Galileia. Então, gente, muito obrigada, espero que tenha contribuído com vocês. Eu adoro trocar, então tô sempre à disposição também, converso pelo Instagram, viu, sempre que eu posso, tá? Mas tô à disposição, sou uma pessoa que sou entusiasta do nosso mercado, sou entusiasta da cultura brasileira, e me muito como pessoa empresária, muito na obrigação da gente fazer uma construção que nos fortaleça e faça com que a gente ainda ganhe mais espaço aí nesse mundão.
Muito bom. Você acabou de fazer uma coisa muito ruim, você falou que está à disposição das pessoas, elas vão mandar DM.
Eu gosto, gente, eu converso. Então pronto, quem fala comigo lá sabe, eu gosto.
Os cidadãos, eles vão mesmo, cidadãos vão mesmo, manda DM, manda LinkedIn, assim, pode mandar, pode mandar. E surgem muito boas também, tá ali, você descobre gente, talentos para você contratar, é muito legal.
Pois é, e a gente fica ouvindo as coisas, né? Então é sempre uma dica, um insight, enfim, é muito bom.
Muito bom, muito bom. Cidadãos, se vocês gostaram desse episódio, eu tenho certeza que você vai gostar de mais dois outros episódios. Um é um que a gente conversou com o André Carvalhal, que tem tudo a ver, que é o futuro do branding vai ser offline, sim ou não? Como é que a gente tá vendo essas construções de experiência no offline? Ele fala muito, bastante, fala muito sobre isso, isso complementa o nosso papo. E o segundo é o episódio queridinho que vocês amam.
Se você ainda não assistiu, Michel Kofrade falando sobre branding de comunidade, que é justamente como é que você sai de um lugar de só comunicar e criar uma base de fãs e entender como é que o consumidor se relaciona. Se você gostou desse episódio, manda para pelo menos 3 amigos que querem aprender a construir experiências de marca e aprender com Potira. E dê 5 estrelinhas no seu player favorito, porque senão eu vou te bloquear.
Você sabe disso, por favor, gente, vai lá, dá esses likes, senão você não vai ver mais nenhum conteúdo meu na internet. Tá bom? Um beijo e vejo vocês no próximo Branding Tudo. Esse episódio é um oferecimento de Galileu Branding. Clique no link da descrição e peça já a sua proposta. Identidade sonora criada pela Sound Thinkers.