#180 - Bruna Tavares: 10 anos de BT, do blog de beleza à fusão internacional
Recebo Bruna Tavares para contar como um blog virou a BT: licenciamentos, BT House, fusão internacional e os bastidores que ninguém conta sobre construir uma marca que dura 10 anos.
A marca cresceu muito. E crescer é uma coisa que dói muito. As pessoas não falam sobre isso. E crescer é muito difícil, porque quando você tá grande, o efeito borboleta, ele é insano. A vinha bate aqui, ali vira um furacão. Por conta do meu hiato no mercado, começou a ter muita falsificação. De base, de não sei o quê, né. Eles estavam com mais estoque que eu. E assim, eles estavam criando collabs, tá. Teve uma coisa icônica que eles criaram. Eles, assim, os criminosos, né. Eles criaram uma collab entre eu e a Too Faced.
Olá, olá, olá, cidadãos da Galileia! Sejam muito bem-vindos à terceira temporada do Branding Tudo Podcast. E hoje eu tenho uma convidada que já esteve aqui no episódio 55, ou seja, 128 episódios depois ela está aqui de volta presencial. A gente gravou na pandemia. Eu recebo uma convidada que ela construiu um dos cases mais sólidos de branding, não só no Brasil como na América Latina. Posso falar isso para ela? Ela é jornalista de formação, é empresária, transformou a autoridade que ela construiu em conteúdo em produto em uma marca de beleza com mais de 4 mil pontos de venda e tem presença internacional.
A marca vai fazer 10 anos, ou já fez, ela vai falar aqui sobre isso. Passou por vários rebrands, por uma mudança de parceiro de produção, por aquisição e maturação no posicionamento. E mais interessante, enquanto tudo isso acontecia, ela ainda fazia algumas plataformas para colaboração com vários segmentos. A gente vai falar sobre eles também aqui, também desde papelaria até cuidados capilares. Como é que se mantém uma coerência então de marca em meio a tanta mudança, sendo leilão o negócio principal? Hoje eu tô aqui com Bruna Tavares, seja muito bem-vinda.
Oi, adorei, adorei essa entrada, gente, muito chique.
Eu amo essas introduções, né, que apresentam a gente de um jeito que a gente não espera, né?
Não, e a gente fica, passa um filme na cabeça assim, sabe? Eu falo, nossa, não é que eu fiz umas coisas? Porque tanta correria no dia a dia, tanto rolê. Aí eu paro e penso, pô, eu tô construindo algo legal até, sabe? Até que não tá tão ruim.
10 anos depois, né, Bruna?
Nossa, 10 anos, mais de 15 anos na internet, né? Sim, e eu acho que isso é uma das coisas mais difíceis difíceis assim.
Eu converso muito com a TT Conde, com a Carlinha, Carla Notra, que a gente vê que são eras mesmo, né? Você vai se reinventando, você vende um blog, depois você vem construir a sua primeira marca, depois você passa por um rebranding, depois você vende para o grupo, né?
Que mudam também, né? A gente tem que se reinventar na comunicação o tempo todo.
E como é que foi assim, para a gente dar um contexto para todo mundo que tá aqui? É, muita gente já te conhece, tem muita gente que tá chegando aqui e ainda não sabe exatamente a história por trás de Bruna Tavares. Que não é só esse rostinho bonito maquiado de BT, mas a gente tem uma história muito legal assim de origem, né? Então eu queria entender, a primeira coisa é como é que você, que já começou com blog, já tá 15 anos na internet, um dia falou, acho que isso aqui pode virar um produto, eu acho que isso pode virar uma marca, saindo desse universo, indo para o universo do dia a dia das pessoas, uma marca de produto físico inclusive.
Eu sempre tive uma, por ser jornalista, eu sempre tive uma consciência muito de um negócio que eu ouvia muito na redação, que é a imagem cansa. Ah, essa celebridade fez a capa, então ela não pode fazer a capa por tanto tempo, né? Então trabalhei em um ambiente de jornalismo ali, trabalhei na Editora Abril, né, muitos anos. Então eu ouvi muito essa frase. Então eu sabia e ouvia muito também como jornalista aquela coisa: ai, o jornal vai acabar, é o fim do jornal, é o fim das revistas.
A gente sempre tem alguma coisa acontecendo, o jornalista ele tá sempre num estado de emergência assim do que que vai acontecer. Eu acho que faz muito sentido até a minha carreira hoje porque combina muito com jornalismo, eu me sinto jornalismo o tempo todo, eu não larguei ainda essa profissão, até porque eu lidero a comunicação da marca também, tudo. E aí, quando eu tava no blog, né, e eu sempre achei o blog uma coisa muito efêmera, assim, o dinheiro que eu ganhava no blog eu deixava numa poupança, porque eu falava, isso aqui é 5 minutos de fama, não tinha a profissão blogueira, não tinha essa visibilidade toda.
Então eu tava ali curtindo enquanto a minha carreira de jornalista tava correndo ali por fora, digamos assim, né, tava até ganhando mais já como blogueira, com contratos já grandes e tal. Mas tava ali naquele paralelo. Então, a hora que eu senti que podia virar algo foi quando eu lancei meu primeiro licenciamento. Na realidade, que foi uma colaboração, claro. E foi uma coisa inédita no Brasil, assim. Chamaram várias influenciadoras.
Nem tinha esse nome na época, né? Era blogueiras mesmo, né, pra fazer um batom. E naquele momento eu falei... E aí deu muito certo, né. Na verdade, eu usei esse batom como um cartão de visita porque eu queria fazer um networking maior com colegas de trabalho e tal. E também pra alavancar meu blog. E aí eu transformei toda a minha comissão na época em batom. Porque eu já tive... Não que eu não precisasse do dinheiro, mas eu queria que fosse um cartão de visita porque é um approach legal, né?
Olha, eu sou a Bruna Tavares, eu tenho um blog, eu lancei um batom num projeto e eu mesma fiz o release, eu mesma montei os press kits. Então eu transformei a comissão em batom e criei esse meu press kit pessoal que ajudou muito, né? O blog passou de 4 mil visitas por dia pra 40 mil, que nem era o objetivo central. Eu fiz muito contato e o meu batom foi o mais vendido nessa hora. E vi a repercussão das pessoas, né? Participar de um projeto do começo, meio e fim.
Eu que não gostava muito de fazer publicidade, até hoje eu não faço muito porque eu sou tão controladora na narrativa, como é que eu vou controlar, né? Então eu só trabalho com marcas que eu já uso, que me deixam desenvolver junto. Hoje é um assunto que ainda é um tabu para muita empresa, imagina na época. Então quando eu fiz o licenciamento, me apaixonei por esse processo de ciência, que eu sempre amei ciência também, acho que isso tava destinado a mim, tanto que eu tenho meu laboratório hoje.
E quando eu vi a repercussão do público e enxerguei a quantidade de coisa que eu podia fazer, porque eu já tava falando sobre maquiagem, sobre produto de beleza, sobre produtos importados e que tava faltando no mercado nacional, eu falei: independente do que aconteça, se a imagem cansa, se não vai ter jornal e vai ser outra rede, hoje é blog, amanhã é tal coisa, eu já tinha essa consciência, as pessoas vão continuar comprando produto de maquiagem, independente do canal que elas estão sendo acessadas para esse desejo.
E aí, naquele momento, eu tive essa certeza que era isso que eu queria fazer, além sempre esteve apaixonada pelo desenvolvimento e tudo mais. Então ali que foi o clique.
E aí você começou como licenciamento, que hoje, olhando para o ponto de vista de negócio, é uma decisão mais segura, que você já entra numa estrutura que já tá pronta, o produto já tá ali, você entra com o seu, sua visão de como blogueira na época, que já falava sobre beleza, know-how. Mas do ponto de vista de business mesmo, você não precisa ter uma fábrica, você não precisa ter um laboratório, investir, você só empresta seu nome.
Teve alguma decisão nesse começo que foi muito arriscada? Que você falou assim, eu vou ter que fazer 1 milhão de batons e vambora que vai dar certo.
Ah, teve muitas, assim, decisões. Eu acho que inclusive a decisão de no começo reinvestir tudo, né, em produto, assim. Tudo que eu ganhava, eu reinvestia em press kit. Porque não tinha ainda essa... esse lugar, assim, né. Existia já press kit, porque eu trabalhava em redação e recebia press kit de várias marcas. Mas era um projeto pequeno, entendeu? Então eu apostei muito nisso. Foi uma decisão arriscada, mas que valeu a pena.
E eu arrisquei. Em vários segmentos, porque me apaixonei, né? Eu acho que o maior risco aqui foi uma coisa que me falaram na época, porque assessoria, né? Eu sempre gostei de ser minha própria empresária, mas eu tive assessorias eventualmente. E aí falaram assim, você tá perdendo dinheiro com isso que você tá fazendo, porque a partir do momento que você tá linkada com licenciamento em beleza, você perde chance de fazer publicidade.
Então você tá perdendo dinheiro aqui. E naquele momento não tinha esse universo de blogueiras com marcas. Entendeu? Eu fui realmente a primeira ali do mainstream, assim, sabe? E eu não ligava de afastar a publicidade. Então isso não era uma coisa que me deixava com medo, mas foi uma coisa que eu arrisquei. Eu falei, cara, isso aqui eu vejo isso aqui com longa duração. Não é possível que eu tô doida, mas pode ser que eu esteja.
Pode ser, tudo bem. Mas em 2016, a gente tá falando 10 anos atrás.
Mas pode ser isso.
2011, né? 2011, é verdade, que era um blog ainda.
Porque eu fiquei 5 anos licenciando o produto. E testando esse rolê mesmo, entendeu? Então licenciei com várias empresas. Eu licenciei com a Kendis Berenice, por exemplo, Grupo Boticário. Licenciei com a Jequiti. Eu fui testando canais de venda. Falei, preciso licenciar com uma marca que tá distribuída em catálogo, preciso entender como que é. Preciso licenciar com uma empresa que tá com loja própria, né? Outro segmento, só online.
Então eu fui entendendo o mercado de bilheta porque eu já tinha um plano, que eu sou uma pessoa que vê muito na frente. Eu vivo muito no futuro, assim. Tratar, até porque a gente fica ansioso demais, né? Mas eu sou assim, projeto muito. Meu marido fala, meu, você tá aqui, mas você já pensou nas 30 coisas que pensei? Pensa também comigo, por favor. Me ajuda!
E é curioso, porque quem acompanha você, eu pelo menos acompanho você já há bastante tempo, e é uma sensação que eu tenho mesmo. Eu falo, gente, a Bruna não para. Porque como eu sei que existe um bastidor pra desenvolver isso, então quando chega a linha de BT com Coca-Cola, não é que você pensou ontem.
Não, não.
Ela foi pensada um ano atrás, pra um ano depois ela tá pronta. Então essa sensação, pra quem te segue, pelo menos pra mim...
A gente vive no futuro.
Ela tem uma coisa assim, cara, não para. Tem sempre uma novidade, tá sempre chegando alguma coisa num timing bom. Não fica um hiato assim de 2 anos sem fazer nada.
Não, não dá. Esse mercado é muito dinâmico. A minha próxima collab, inclusive, é com o Brief, da Netflix.
Ah, que legal!
E a gente tá falando...
Nossa, e eu lembro dessa stories na Netflix, tá? Tem bastante tempo.
A gente começou... Eu peguei ontem que eu tava fazendo o roteiro do vídeo. Até porque eu sempre faço um... Além da campanha, tem o videozão que eu conto a história. Então a primeira conversa nossa foi em 2024. Então assim, é muito tempo, né, pra finalmente nascer a criança, né. Então, e eu vivo muito no futuro mesmo, assim. Eu acho que maquiagem é isso, né. Então isso me ajuda muito, sempre me ajudou a projetar minha própria carreira, de falar, cara, isso aqui tem sustentabilidade com a minha experiência como jornalista também.
Isso ajudou muito o meu feeling. Isso aqui sustenta, isso aqui acho que talvez não, sabe. Então inclusive eu trabalhei muito no começo também com programa de afiliados, que hoje tá super em alta, né. Eu, cara, eu consegui sair da redação, eu saí da redação assim de largar meu CLT, digamos assim, assim, 2013, eu já tinha até marca de maquiagem, já tinha até licenciamento já. Mas foram os programas de afiliados, porque eles conseguiam me dar um certo fixo, sabe?
Porque você consegue formatar um certo fixo que você fala ali do que você quer, do jeito que você quer, e coloca o link ali de comissionamento. E é muito legal que tá voltando isso. E realmente é uma mega forma assim de você vivenciar sua carreira, viu, gente? Deem valor para esse programa de afiliado.
É que na época dos blogs era o único jeito que existia de monetizar. Não existia os banners do Google AdSense ali que você configurava, todo mundo podia configurar. E o link era no meio do texto, então você podia colocar ali uma publicidade muito mais sutil, né?
Então eu sempre gostei de fazer isso, era inserção, que eu gosto de falar do que eu quero do jeito que eu quero, entendeu? E aí, claro que eu sempre fiz disclaimer, né? Jornalista sempre atenta. Então sempre falei, olha, não é uma publicidade, mas gera uma comissão. Obrigada, você tá me ajudando. E ali eu vi realmente que dava para ser uma carreira. E foi um risco, porque eu tava arriscando de repente virar uma super influenciadora com muita publicidade, com muitas campanhas, que era o que tava acontecendo. Né? Eu nadei contra a maré, mas deu certo.
Mas deu certo, 10 anos depois estamos aqui pra falar sobre isso. Você falou do licenciamento, a gente teve algumas evoluções. Então rolou o licenciamento, pausa pra Feminices e tudo mais. E depois vem Bruna Tavares, BT. E aí você tinha uma parceira de produção no passado.
Sim.
E construiu um pouco mais essa sua presença, até do ponto de vista, como que eu posso falar, mais disponibilidade. A gente conseguia encontrar sua marca mais facilmente, né? Porque tinha uma distribuição maior. Como é que foi dar esse próximo salto assim? Você agora saiu de um lugar que era o licenciamento e agora passa a ter seu próprio nome, nome, não era mais nome do blog. E agora uma Bruna Tavares que você encontra no Brasil todo.
Eu acho que foi uma coisa que eu mapeei também, né? Eu sempre falo que eu vou atrás das coisas assim, eu não espero a oportunidade vir, eu vou desenhando ela. Inclusive as colaborações que eu fiz, elas foram muito assim de eu ser proativa, de eu chegar com o projeto e tal. Até hoje eu sou assim, tem que ser para sempre, né? Não pode morrer a proatividade jamais. E eu já tava 5 anos licenciando, né, projetos, e projetos muito digitais.
A minha colaboração principal, que era a Pausa, tava só no digital. E eu já encontrava pessoas às vezes no shopping ou comentários todos os dias, ai, queria tanto poder testar essa cor. Ainda mais que eu fazia umas cores de batom diferentonas. E aquilo assim, que cor que fica o Hermione, né, em mim? As pessoas queriam conhecer, é muito sensorial a maquiagem. E eu já tinha tido algumas experiências, né, com outros licenciamentos.
Eu queria ir pro varejo. Eu falei, cara, o varejo... Eu mapeando o varejo, indo nas lojas, assim, falando, não tem uma marca como eu posso criar. Né? Porque eu pensei, eu vou criar uma outra, uma marca própria pro B2B. Porque a marca digital, ela era B2C, não tinha nem a conta matemática, nem existia ali pra fazer dar certo. E eu falei, eu quero ir pro varejo, tem espaço pra uma marca como a minha, tem muito espaço. Ou eu tô doida de novo.
Porque eu sempre coloco essa questão. Porque eu posso estar com uma visão incrível, como eu posso estar completamente errada. Eu sempre tenho essa humildade, digamos assim.
Quem que te puxa quando você tá assim, tipo...
Ai, eu vou me basear em fatos mesmo. Aí eu entro na parte técnica, eu sou muito técnica, eu tava falando pra você assim. Eu vou atrás dentro do que dá. Hoje eu tenho acesso a mais pesquisas e tal. Naquela época era muito só internet. Só que com a internet, amor, você consegue tudo. Porque eu sou da época que eu ficava na biblioteca pegando todos os livros, anotando. Então tem uma biblioteca ali disponível, né? Quem veio da era sem internet, com a internet voa, assim.
Isso é um fato, que a gente dá muito mais valor a essa acessibilidade ali. E aí eu fui pegando dados assim, também coletando, conversando, sabe? Ali no campo mesmo, sabe? Tirando foto. E aí eu fui atrás de investidor que já trabalhavam comigo assim e falei, olha, existe um espaço pra gente ter uma marca que não seja colaboração, né, uma marca própria com essa identidade, uma marca que se aproxime do mercado internacional. Existe o mercado nacional, existe o mercado internacional, tem um gap gigante aqui.
As pessoas querem consumir as tendências, as pessoas querem consumir produtos mais acessíveis, mas que tragam pra elas aquele, aquela textura de um batom líquido importado, aquela cor diferente, que a moça usou no red carpet. Então tinha esse espaço e eu via que os displays era tudo muito preto e branco assim, sabe? Eu falei, cara, eu vou colocar um negócio colorido aqui, muito colorido, e vai chamar atenção, no mínimo vai chamar atenção.
Então foi quando eu comecei a estudar psicologia das cores. Eu sempre gostei de estudar os cases, sabe? McDonald's, Nike. Então já eu tinha tudo isso embasado. Então com embasamento, né, você chega num pitch assim numa reunião, explica, fala, isso aqui vai dar certo por conta disso, disso, disso. E torce pra dar certo também, né?
Torce pro investidor liberar o dinheiro. É, entendeu?
Que é o Eternamente vai ser a nossa, a minha, né, briga entre aspas assim. Eu sempre vou estar atrás de investimentos porque eu acredito, mas eu tenho que embasar tecnicamente, né? Cada vez eu embaso mais.
Eu acho que é isso que também garante uma longevidade do seu negócio. A gente tá falando de uma pessoa que tá há 15 anos na internet. É muito desafiador você permanecer 15 anos, né? Eu tava, ano passado eu entrevistei a Camila Coutinho e Camila Coutinho também é uma das grandes clássicas da internet. E eu fiz essa pergunta pra ela: como é que é se renovar tanto por quase 20 anos, porque eu conheço a Camila Coutinho do blog que escrevia sobre moda, vi a Camila Coutinho fazer cobertura de desfile, sendo chamada por marcas internacionais, vi depois a empreendedora que lança produto para cabelo, que não tem nada a ver com o que ela fazia necessariamente, e ao mesmo tempo ela já também separa do marido e vai, e você tem toda uma história acontecendo.
E é engraçado o case dela, porque ela lançou a marca de cabelo por conta de uma coisa que ela teve que lidar ali, de um problema, né, tirar de um problema uma oportunidade, né. Gênia, eu adoro o Kate também.
Eu gosto muito dela. E aí, quando a gente tava falando dessa parceria de produção, você chegou num desafio grande, que foi encerrou essa parceria.
Sim.
Você tinha uma loja física na Oscar Freire, que inclusive eu estive na inauguração, que era muito legal.
Maravilhosa, icônica, gente.
Eu usei muito, assim, o argumento da abertura da loja como um grande investimento em branding no Brasil.
Foi, foi uma feira única.
Foi muito dinheiro.
Não teve nada parecido.
E uma arquitetura que vendia toda essa história da marca, o sensorial que aquela marca quer passar. Tinha uma coisa de tangibilizar a Bruna no ponto de venda físico. Físico, que é muito importante. É diferente você tá numa multimarcas que você pega, ou no online, e você chegar na loja que é a essência da marca, né?
Esse controle da narrativa do ponto físico é a nossa grande, nosso grande desafio, assim. É, a BT House foi, é um sonho assim que eu vivi, assim. Às vezes eu me pego vendo as fotos, porque foi exatamente isso, né? Você colocar, materializar o que tá na minha cabeça, né? Então tudo que eu apliquei ali, sabe? Teve detalhes ali, por exemplo, que eu sempre fui apaixonada por parque temático. Demorei pra conhecer, conheci muito, ia muito no Parque da Mônica.
Então, o Parque da Mônica, eu lembro que quando eu vi ali uma parte que mostrava os rascunhos do Maurício de Souza até chegar no desenho final, aquilo foi a coisa que mais me encantou no Parque da Mônica. E eu falei, eu preciso disso na BT House. Então eu coloquei lá como que nasce um produto, né? Então coloca a materiazinha-prima, bem coisa assim de criança, mas o lúdico, né? Eu acho que a maquiagem é muito do lúdico. Eu aprendi a me maquiar no teatro, então eu sempre vou trazer isso.
A linha do tempo, Eu peguei essa ideia numa loja da Lancôme, da Champs-Élysées, que tinha a linha do tempo da Lancôme. Eu falei, ai, que loja linda! A coisa de tudo ter proporção grande, né? Então o espelho é gigante, tudo é muito grande na BT House. Que é como os parques, como o Walt Disney fez, né? Tudo tem uma proporção diferente pra você se sentir menor e, sabe, despertar ali a criança interior. E quando você mexe com maquiagem, você quer despertar ali o desejo de experimentação e tal.
Então, muitos detalhes. A cestinha, né? Do tipo, você pega a cestinha azul. Eu não lembro a cor agora. É porque você quer ser atendido. A cestinha rosa é porque você quer ficar à vontade na loja, que eu sou dessa, que eu gosto de ficar à vontade. Então foram muitas coisas que eu apliquei ali. Era pra ser uma loja temporária, na realidade a ideia até que ela fosse itinerante. Eu penso em trazer essa ideia de novo. Só que quando a marca cresceu muito, e crescer é uma coisa que dói muito, as pessoas não falam sobre isso.
E crescer é muito difícil, porque quando você tá grande, o efeito borboleta, ele é insano. Porque se uma matéria-prima atrasa aqui, vai gerar um efeito borboleta que dá um rombo, sabe? Assim, né? Dá uma ruptura, dá um problema. Porque pensa, tem um monte de loja esperando o produto, 4 mil pontos de vendas, produto não tem, vira um rombo. Aí vira uma cascata.
E eu lembro que eu acompanhei um pedaço disso, que era assim, como é que você vai na Better House e não tem o produto, né?
Começamos a vender muito, a produção não acompanhou, o investimento não acompanhou. E aí eu sabia que eu precisava ir pro próximo passo, né? Assim, com muita gratidão ao meu investidor anterior, assim, a gente fez uma história incrível, assim. Mas eu precisava dar o próximo passo, foi uma coisa muito conversada ali dentro do possível, né. Claro que tem muitos desafios, né, em qualquer rompimento. Mas existe a parte positiva, que é o que eu gosto de memorizar, assim.
A parte que foi a construção, né, de uma história. E eu sabia que eu precisava ir pro next step. Mas eu sempre tive uma consciência de que isso iria acontecer um dia. Porque como eu estudo muito os cases, né, das grandes marcas e tal, eu visualizava essa história do tipo cria a marca, cresce, chama atenção, começa a receber proposta de grandes grupos, né? Então já tava recebendo algumas propostas e eu sempre ouvia, porque acho que você tem que ouvir, você tem que entender, né?
Então assim, também eu já tava ali entendendo e já ouvindo uma proposta ou outra, até que eu tive que focar realmente nisso, né? Que eu falei, eu tenho que ir pro meu next step. E eu já pensava num grupo internacional, porque a gente pensa longe, amor. Sonhar pequeno e sonhar alto tem o mesmo peso, assim, dá a mesma dificuldade. Porque eu falei, cara, um grupo internacional vai trazer dinheiro de fora. Eu acho que vai ser importante, né, tipo, dolarizar ali, né.
Acho que é uma outra economia, não depender tanto aqui às vezes da economia do país, que é mais volátil. Não é toda economia, mas a brasileira é volátil. Então eu queria muito um grupo internacional. E também pra trazer mais tecnologia, pra trazer mais investimento e mais escala, mais produção. Que nem hoje eu tenho acesso a muito mais fábricas, são 10 fábricas. Simultaneamente hoje trabalhando para BT. E mesmo assim eu tenho ruptura ainda, porque a gente tem que pegar uma fila, né?
Então tá produzindo tal marca aqui, que a fábrica não é própria, então tá produzindo tal marca aqui, aí eu tô na fila aqui. Se meu produto do nada dispara, como é que eu vou atender a demanda? Então hoje a gente tem até algumas técnicas, né, que a gente deixa 3 por acaso, produto bom, a gente meio que compra já a matéria-prima dentro do fabricante, porque daí ele já fica preparado, a gente já acredita antes já. Então tem toda uma logística, é uma coisa assim, que é insano.
E esse nível de detalhe, eu acho importante frisar aqui para quem tá ouvindo. Eu já fiz um conteúdo sobre isso, né? Por que que as marcas de blogueira às vezes não dão certo? Porque o que a gente vê na internet é esse lado bonito, o produto pronto, as cores, fazendo a escolha da paleta. A parte que eu queria fazer, é saber que ali eu escolhi, ele vai ser feito, né? Mas quando a gente vai olhar para o cenário, até quando eu trouxe a Carla no trabalho aqui, Carlinha, beijo, inclusive, maravilhosa, já fez É, então ela já trabalhou com BT também.
E aí ela traz a lógica da engenharia de produção do negócio, que é uma coisa que geralmente uma jornalista não tem uma ideia de como a matéria-prima que vem no container da China leva 60 dias para chegar. Que é um lead time, né?
São muitos lead times, porque é um produto, a fórmula tem muitas fábricas envolvidas, são muitas matérias-primas, muitos fornecedores, a embalagem também, porque é uma fábrica fábrica que coloca ali o hot stamping, outra que coloca a tampa, outro do aplicado. Então assim, é uma cadeia muito grande de fornecedores e os seus próprios fornecedores. Então vai desse, então assim, então quando você vai crescer numa marca, o efeito borboleta, ele é, ele vira, a asinha bate aqui, ali vira um furacão.
Então foi isso que aconteceu. Na realidade, a marca cresceu muito, muito rápido, explodiu, né? Tá crescendo ainda, mas agora a gente tá numa fase de transição. E aí eu negociei, né, com vários grupos, como eu falei, fechei com um grupo internacional vislumbrando esse investimento de fora e também um grupo que aceitasse as minhas regras, assim, digamos, que eu não queria sair do comando, eu queria continuar como diretora executiva, como gestora, trazer o meu time.
Teve grupos que negociaram comigo que queriam, ah, a gente tem um time incrível aqui, você pluga com a gente. Eu falei, ah, pô, é a galera que construiu a história, né? Como é que eu vou garantir, né? Eu queria meu próprio laboratório, eu falei, eu quero um laboratório próprio, eu não abro mão de ter esse controle também da ciência, né? E vários pontos, não quero abrir mão de ter o controle das redes sociais, então eu tenho meu time para Paralelo, eu que faço esse investimento inclusive.
Então eu continuo sendo investidora da marca, né? A gente, eu tenho uma parte no investimento e eles têm uma outra parte. E a gente fez uma fusão, na realidade eu ainda não vendi nenhuma parte da minha marca. A gente vai começar a falar de uma possível venda daqui 8 anos, para de repente, se eu quiser, se eu achar interessante, eu vou ceder, a gente vai cedendo um pouquinho, que também é bom também, né? Pegar um cash out, né?
É bom sair, ganhar um dinheirinho, né?
Tem que ter o planejamento, eu tenho planejamento. De carreira.
Não, e até também dá uma pausa, eu acho, né? Quando a gente tava olhando uma empresa ontem que era baseada em uma pessoa também, a pessoa decidiu encerrar a operação 24 anos depois. E uma das coisas que a pessoa falou era: eu queria voltar a viver, assim, eu não queria mais estar o tempo inteiro criando produto, inovação, lançamento. Tem uma hora que eu preciso dar uma segurada.
Mas eu quero ficar como diretora criativa, assim, eu não me imagino longe dessa parte, sabe? Mas sair da parte operacional, assim, de execução, de gestão. Só que hoje não dá porque eu tô criando esses processos dentro de uma Então eu tô criando esse legado do que é a minha gestão, do que são os meus processos como BT. Então eu tenho que estar liderando tudo.
É, e consolidar também. Consolidar. No dia que você vender isso, pelo menos ser seguido, né?
Exato, eu tenho que consolidar e criar esse legado realmente, né? Porque não é... é uma construção que a gente tá fazendo ali, porque são culturas diferentes. Eu tô numa empresa dentro do Brasil de americanos e coreanos. Então imagina coordenar. Às vezes eu tô aqui, a gente tá falando em inglês e depois começa a falar coreano, que eu não sei falar ainda. Eu falo, gente, volta pro inglês, pelo amor de Deus. Nem o inglês às vezes a gente, né? Então é uma grande— eu falo que tudo hoje, tudo doido.
Essa é a próxima era de BT. Inclusive vou deixar registrado aqui nesse episódio, teremos uma conversa quando essa marca for vendida. Você tem que gravar para contar a história depois, porque aí é que tem cases mais emblemáticos. E aí, cidadãos que estão acompanhando aqui, Jo Malone está com uma disputa judicial gigantesca com a Zara, justamente porque vendeu a Jo Malone London, que é a marca barra nome dela, e ela não pôde mais assinar. Mas a Zara espertamente assinou Zara Plus, Jo Malone.
E é o nome dela, não é da bacia, né? É o nome dela, né?
E tá uma discussão muito ferrenha. A gente tem casos similares aqui no Brasil. Alexandre Hrkovic, por exemplo, vendeu o nome dele e ele não pôde criar produtos durante muitos anos. Tem que tomar cuidado. E ele viu a marca também dele estando em lugares que ele não gostaria que estivesse, mas ele vendeu. Então não tinha muito o que fazer.
É complexo, porque é o nosso nome e sobrenome, né? Se fosse um nome aleatório assim, ia ser mais fácil de lidar. Por isso que eu tive que manter o controle. Mas também, ao mesmo tempo, eu tenho que me manter como investidora, né? Ônus e bônus, assim.
São escolhas. Talvez daqui a 8 anos você fale, ai, pode fazer o que vocês quiserem.
É, pega aí, eu vou mudar de nome mesmo, entendeu?
O Alexandre Radkovich fez a Lagarsoni, que era a outra marca durante um tempo. E ele recomprou os direitos agora. Então agora ele volta a trabalhar. E Jo Malone não tem interesse em comprar de volta. Ela deve ter ganhado muito dinheiro vendendo.
É, entendeu?
Mas ela tá na disputa. A Zara já fez uma proposta.
A Bobbi Brown parece que fez uma coisa assim. Enfim, a gente sempre fez...
Daqui a 8 anos a gente conversa sobre esse assunto. Por agora, um leão por vez. Eu sei que você tá usando a Armani.
Eu tenho um plano, eu tenho um plano.
Eu tenho um sonho.
Inclusive.
Eu acho que isso é um ponto de você chegar no lugar que você falou, cara, meu nome se tornou uma referência, né, como marca. E aí, mesmo não estando no comando, as pessoas vão lembrar de mim ali.
É muito bom assim, as pessoas entendem muito. Eu me vejo lá assim, na realidade, crescendo, né, muito. E é muito legal porque quando eu escolhi esse grupo também, além de toda a questão de ver a valorização do meu espaço, de assim quererem realmente que estivesse presente, né, não só eu tive que exigir como era uma exigência deles também, sabe? Foi a fome com a vontade de comer. E é um grupo onde eu não tenho concorrência interna, porque não tem uma marca no meu segmento, né, de mastígio.
Então eu falei, cara, é um lugar que eu posso, que eu não vou ter tanto limite pra crescer. Porque grupo tem muito isso, né? Às vezes tem aquela limitação, porque, ah, você concorre muito com essas nossas marcas e a gente tem que crescer essa agora. Então você vai ficar meio aqui. Então também isso eu coloquei assim na negociação. Mas só de saber que eles não tinham marcas concorrentes, eu sabia que eu teria mais trabalho, porque eu tenho que implementar o que que é uma marca.
Eles não construíram uma marca mastígio. Então, o que é trabalho? Então eu sabia que teria mais trabalho, óbvio, mas ao mesmo tempo eu tenho mais espaço para crescer, né?
Então... É, e grupo é sempre uma discussão, né? A gente viu, por exemplo, grupos como Ambev, que em alguns anos eles falam, esse é o ano da Brahma. E aí bota todo dia. Agora esse é o ano da Skol. E aí Brahma fica de lado. Então foi bom você também fazer uma proteção.
Tem que olhar tudo. Eu sou aquela pessoa que já projeta todos os problemas, né? Então já todas as possibilidades.
Calma, que é a teoria do caos. O que der para errado vai dar errado.
Né?
Tipo, ô Bruna, e aí assim, a gente teve uma, acho que um capítulo emblemático nessa história, né, na transição. Antes de você ir pro Grupo Kissing York, você fechou a Better House. E eu lembro que eu acompanhei você na época e olhando, né, pros stories, né, eu via uma tristeza, né, do tipo, eu precisei fechar, né? E você falava de um jeito muito ponderado, tipo, eu precisei. Eu não disse exatamente por quê, eu não falei. Todo mundo tinha interesse de manter porque é muito linda, as pessoas iam lá.
Eu lembro que vieram meus investidores, via coisa linda, né? Ninguém quer fechar uma loja linda daquela. E eu lembro que eu ficava passando ainda ali meu nome, né, na fachada. Eu falava, alguém tem que pegar esse ponto logo e tirar esse Bruno Atavares daqui. Porque daí as pessoas ficavam perguntando, né, quando que reabre? Porque tava com uma sensação de reabertura. Por mais que eu falei, nem todo mundo tá ali acompanhando, né?
E eu olhava e falava, aí o pessoal falava assim, é propaganda para o seu nome, deixa aí a propaganda.
No mínimo estão lembrando de você, né?
Para ele. Mas foi lindo, eu amo assim essa coisa de— a gente fez a Better House muito antes de começar essa conversa mais pesada aqui no Brasil de loja de experiência, de sensorial.
Não tinha as temáticas assim, a Better House de Natal, e aí mudava a fachada.
Ai, gente, era um sonho! E assim, é uma coisa que não tava se falando tanto ainda, não tinha as experiências. Marcas hoje trazem as experiências, né, que são momentâneas. É uma coisa que tava acontecendo lá fora ainda. Então foi muito pioneiro, foram 2 dias, aí teve que fazer 2 dias de evento pra atender todo mundo. Você abria o feed, só tinha isso, sabe? Foi insano, assim. Foi muito importante, acho que alçou a marca pra um outro lugar.
E me deu um pouco dessa noção do que é ter uma loja própria também, que é perrengue.
Que é outro desafio, né?
É um desafio porque você controla a narrativa da marca ali, entendeu? Então é uma coisa que no site a gente já tem muito essa consciência. O meu site, ele não trabalha com larga escala, ele é uma boutique online. Então provavelmente sempre vai ter produto esgotado ali, porque a gente quer atender poucos clientes. Mesmo. A gente, claro, vai sempre melhorando. A gente tá indo para uma logística agora que atende a Cartier, Hermès.
Então imagina o nível de atendimento que eu vou ter em investimentos também. Porque quem compra no meu site oficial, no site da marca, é atendido pela marca. Eu não tenho desculpa, sabe? Não é uma multimarca, entendeu? Eu sou 100% responsável e aquilo vai reverberar no todo da marca, entendeu? Então eu tenho que fazer um controle de narrativa muito controlado, né? Então eu prefiro ter uma escala pequena, não vender, não fazer aquela venda absurda, porque eu vou controlar o envio, o investir mais.
É um investimento que se paga só, porque é um investimento alto nosso de logística pelo nosso ticket. A pessoa comprou um produto, ela vai ter todo um produtinho ali, ela vai ter toda a experiência. Então na loja física isso é vezes 10, porque na loja online é mais fácil, né, criar isso. Então lá na loja física era difícil criar esse equilíbrio, sabe, também.
Então aí você entra agora com pessoas, né, atendimento, vendas, substituição.
Tinha muita gente que ia lá achando que eu tava lá, muita gente achava que eu ficava lá 24 horas por dia.
Você era vendedora, você trabalhava lá atendendo.
Tinha gente que fazia plantão lá. Vou ficar aqui até a Bruna vir. E uma coisa, daí os vendedores falavam, Bruna, a pessoa tá aqui esperando ainda. Tinha umas coisas assim, sabe?
Você tinha que ir lá, né? Falou, deixa eu tirar isso da sala. Tô chegando, vai, vai.
Então assim, você começa a entender que não é tão simples assim. Não é só vender produto e fazer uma loja bonita, sabe? São muitos fatores assim que envolvem, né? Então hoje eu acho lindo, maravilhoso. Mas eu não tenho vontade de ter de novo exatamente a BT House. Eu tenho vontade de ter itinerante. Porque eu acho que daí não fixa tanto, sabe? Até porque trazer essa experiência pro... Pro Brasil todo de alguma forma diferente, tá nos meus planos um dia, porque é lindo, né? É uma delícia.
E é o lugar que você materializar a essência da marca muito mais forte.
Ah, e sim, pros próprios lojistas, né? Porque eles vêm e falam, ah, então é isso. De repente eu melhoro o meu móvel ou a gente cria uma coisa diferente, um espaço diferente da Bruna aqui dentro da loja. Eu acho que inspira também.
Quando teve um episódio que a gente conversou com o pessoal da Eletromídia e aí falando um pouco sobre os estímulos, né? Uma coisa é você acompanhar a Bruna nos stories, comprar no site dela e na loja física é um outro estímulo, é uma outra relação emocional, É uma outra forma que, por mais que você melhore a experiência no e-commerce, por mais que chegue um unboxing, é diferente de estar numa loja, né? De você entrar, ser atendido, ter uma experiência.
Eu lembro que eu fui num dos dias da inauguração. Eu tenho até hoje ainda uma paleta de blush da Mina.
Que foi gravada.
Que foi gravada, né? Que era uma experiência. Naquele dia eu falei, cara, eu vou sempre lembrar que foi o primeiro dia do lançamento da loja. Que isso no online, por mais que você ofereça personalização no online, é frio, né?
Chega na sua casa... E depois da pandemia, eu tinha certeza que eu precisava precisava disso, sabe? De um lugar pra aquecer de novo esse contato, sabe? Físico. Eu acho que é isso que aconteceu, né? Hoje a pandemia facilitou muito as lojas online, assim, todo mundo teve que acelerar, né, as logísticas todas aí. E aí, por que que a pessoa vai pra loja física agora? Então tem que ter um algo a mais, tem que ter uma experiência, né, um visual.
Acho até que todas as lojas multimarcas, as principais, também passaram a ter mais cuidado com o espaço físico delas, assim, com a distribuição. Esses dias eu fui na Soneda da Paulista e fiquei impressionada ali com a loja, ativações das marcas dentro da loja assim, você fala, cara, o negócio tá aí.
Você tem uma vitrine que você consegue falar do seu produto também na vitrine, que a pessoa passa, né? E teve a história do yoga também, que rolou uma festa.
Agora a gente tem que amorar, agora é todos os pontos de contato, não é mais só vender produto.
Ficou mais difícil agora, ficou, mas é gostoso.
Eu gosto, como uma grande contadora de história, eu gosto.
E marketing é sempre assim, né? No final das contas, a gente trabalha ali durante muito tempo TV, rádio, jornal, dará. Aí vem uma onda agora digital, aí vem uma onda agora da experiência, vem outra onda agora é do contato físico. Aí vem uma pandemia, aí, né, traz uma sensação diferente de como é consumir. Aí volta, aí a gente volta a ter que era um monte de evento presencial, aí todo mundo enjoa dos eventos presenciais. Então assim, a gente nunca tem paz no final das contas.
Não tem, não tem. Não sei por que a gente escolheu ir, quem escolheu isso?
Eu sempre fico imaginando assim, como é que será hoje se eu falasse assim, eu quero ter uma, sei lá, uma franquia de uma loja que abre 9 e fecha 18, assim, como é que seria a minha Chegar em casa, né? Chegar em casa às 8:01, assim, sabe? Eu fechei a porta. Eu não sei como é que seria. Eu não gostaria, mas eu fico imaginando às vezes como é que seria. Você já tem uma ideia de como seria assim? Você tem uma profissão tipo dentista, fechou o consultório e voltou para casa?
Não sei como seria mesmo. Eu não sei o que é férias. Eu fiz uma cirurgia esses tempos de emergência que eu tive que tirar a vesícula. 8 horas depois eu tava lá fazendo vídeo para o treinamento no hospital ainda toda.
Eu vi, você fez até com um acesso na mão. Eu falei, mulher, deixa essa mulher desrelaxar, pelo amor de Aí, Deus.
nossa, que os remédios também dão um up assim, né? Tava sem dor, sem nada, né, amor? Porque eu voltei da cirurgia com muita dor, não tava com muita dor. Aí eles me deram morfina.
Nossa, gente, aí você tava assim, on fire! Me dá uma câmera aqui, faz uma live.
Começaram a mandar mensagem, meu amor, o que tá acontecendo? Ela fez a cirurgia? Porque assim, tá email chegando, tá não sei o quê. Eu falei, nossa, amor, eu sou uma máquina agora. Mas é isso, a gente— mas tem que melhorar, né? Eu não tenho essa tara assim por ficar assim para sempre, não. Eu quero construir uma vida onde eu possa dedicar mais para aceitar os momentos online, tá com a minha família, viajar, né? Mas não sei como vai ser, mas eu espero que eu consiga, porque eu acho que vai ser mais saudável. E a vida passa, né?
Então não é sustentável também, né? Eu fico pensando nisso esses dias. Eu tive uma mentoria uma vez com um cara, ele falou, até quando você vai ficar pegando voo para dar palestra no Brasil inteiro? Até que idade você vai conseguir fazer isso? Será que você quer com 58, 60, você tá pegando um voo a cada 2 dias, dormindo fora de casa. Você vai querer isso para sua vida, né? E a gente não aguenta fisicamente, mas eu acho que até emocionalmente demora.
Que eu olho para o meu pai hoje, meu pai tem 70 anos, meu pai foi jornalista durante 45 anos, foi jornalista de bancada 20 anos. Hoje tem alguns convites para ele ser radialista, ficar no rádio, e ele fala: acordar cedo, não quero.
É isso, aceitar a aposentadoria. Eu acho que eu vou me— estou me preparando para isso, por isso que eu tenho um plano assim assim de, ah, eu tô fazendo tudo agora e depois eu quero ficar só como diretora criativa, sabe?
O que eu tenho, você vai fazendo um fade out assim, né? Você vai ficando só numa posição que você gostaria de estar.
Eu sou uma pessoa muito criativa assim, eu gosto de— e a mente da gente, a gente tem que estar sempre mantendo ela ativa, né? Quanto mais idade a gente tem, a gente tem que manter. Então eu acho que essa parte da criação eu nunca vou querer abandonar. E eu amo maquiagens, mesmo nos meus day-offs eu tô vivendo isso naturalmente, sabe? É algo que realmente é um hobby que virou também um trabalho. Trabalho e tal. Então eu acho que talvez enquanto eu tiver sã eu vou querer trabalhar com a criatividade.
Eu amo disclaimer: enquanto tiver sã.
Porque do nada, às vezes, né, gente, pode acontecer um surto, uma loucura.
Ô Bruna, e aí entramos no Kiss New York, muito bom, grupão, um monte de marca, né? E aí você, a gente tava conversando um pouco antes, agora você tem outras marcas no grupo de outros segmentos. Só que você passou por um momento também muito emblemático, que é quase começar tudo de novo, né, os seus produtos. E aí entra de novo naquela fase que a gente tava falando aqui, jurídica, registro, produto, formulação. E você ficou no hiato também, sem produção, né?
Fiquei, porque eu tenho, eu tinha toda a patente das fórmulas, né, claro, né, dos produtos e tal. E meus produtos têm patente também, porque eu sempre tomei cuidado com isso. Então a minha base líquida não é uma base ali, a BT Skin, a minha sombra líquida não é uma BT, tudo tem um nome próprio. Microscópio para criar esse mundo de BTs assim, né? Então as pessoas falam muito BT até, mais do que Bruna Tavares. Eu mesma falava BT e tal.
Então assim, só que na hora que a gente entra num grupo novo, por mais que a fórmula seja a mesma, a gente tem que plugar tudo de novo, né? Em novos fabricantes. Então é como se fossem lançamentos. Então o que que a gente fez? A gente plugou 150 produtos, mais ou menos, de 150 a 200 produtos na estrutura nova. Então toda a Curvada, a marca que era muito grande, a Curvada, a gente precisava preencher para não espaço nas lojas, que é a coisa que ninguém quer perder, né?
E que não se fala também sobre isso na internet, que se você não tem produto, ele pega aquela coluna ali na loja e dá pra outra marca. Você perdeu espaço de loja.
É, e aí as empresas tinham tanta confiança em BT que guardaram meu espacinho ali, sabe? Então eu não podia, então isso tinha que ser urgente, né? Então os primeiros 6 meses da transição ali, 6 meses a 1 ano, os 6 meses ficou parado mesmo, que foi assim documentação pro lugar. E por mais que sejam as mesmas fórmulas e as mesmas pessoas por trás, porque eu, a minha equipe de laboratório laboratório e tal, você tem que ir no fabricante de novo e você tem que validar se aquela máquina tá entregando exatamente a mesma textura, validar todos os fornecedores de novo, fazer toda a documentação que mais demora no desenvolvimento de produto eventualmente assim.
Então pra gente foram 200 novos produtos, como se a gente tivesse lançado 200 novos produtos. Pro público foi, cadê as novidades? Então a gente teve que no meio disso colocar algumas novidades assim, e aí colocamos colabs, que eu acho que elas foram muito legais para isso, porque primeiro que eram coisas que já tava devendo, né? Então uma coisa é eu pegar um produto meu e falar, ah, vou deixar para depois. Outra coisa é falar com uma empresa internacional e não dá, tem contrato, tem regras ali que a gente tem que cumprir.
Eu falei, cara, eu acho que vai ser muito bom a gente ter as collabs ali a cada 6 meses, porque a gente vai estar com pouco lançamento, porque a gente tá aqui no corre para fazer a máquina girar de novo, acertar esse termômetro, porque a gente tinha uma demanda reprimida muito grande, muito maior até do que a gente grande em alguns produtos, menor em outras. Então em alguns ficou com estoque a mais, outro com estoque a menos. Mas no geral, até que a gente, acho que agora, né, quase 2 anos, eu posso falar que a gente realmente acertou essa, equilibrou.
E enquanto isso a gente fez alguns lançamentos pontuais, as collabs que demandam muito, porque você tem que entrar em todos os processos da outra empresa, empresa internacional, né. E no meio do caminho a gente ainda desenvolvendo novos produtos para fazer uma virada, né. O que que essa BT nova, que tem essa expectativa, entendeu. Então a gente não fez o habitual que é tudo, deletar toda a existência da marca e começar do zero com produtos novos.
Do zero, a gente fez exatamente as 3 coisas ao mesmo tempo: produto novo, lançamento, collab, trazer os bestsellers e ainda trabalhar novidade, entendeu? Então assim, a gente é tudo doido, é tudo doido.
E aí eu acho que tem uma coisa legal para todo mundo saber aqui, é que você também— aqui é onde a gente entrou no capítulo que mistura marca pessoal e marca ter, né? Porque ao longo desse processo que ficou parado, a marca Bruna Tavares Pessoa não estava parada. Ela tava lançando uma collab com papelaria, tava lançando collab com marca de cabelo. Isso também foi pensado, esse ato de você falar, já que eu vou ficar 6 meses sem lançar produto, que pelo menos de imagem eu continue lançando outras coisas.
Eu nunca gostei de aparecer, né, muito assim. Então foi o momento que eu falei, vou ter que aparecer, né? Porque como é que eu vou segurar aí outra? Eu preciso explicar para as pessoas o que tá acontecendo, né? Então eu preciso que elas entendam que BT continua, que eu tô na frente, mas eu tô passando por um processo. Tanto que eu vou fazer um vídeo até atualizando, explicando isso, né? Porque a gente passou 2 anos já, e aí, né?
Qual que é o fim, né? Eu preciso, eu preciso abrir um pouco as estratégias para o meu público, mesmo que seja uma coisa que a gente não abre normalmente, porque eu vou abrir para todo mundo, né? Até para minha concorrência. Mas eu preciso, porque a primeira coisa que eu tenho que fazer é Então é um processo assim... Nossa, mas eu perdi o fio da meada.
Não, mas é só falando das collabs em si, do tipo, ao longo... Você foi pra outros segmentos, né?
E aí eu comecei, exatamente, eu comecei a aparecer mais e trabalhei com outros segmentos. Eu sempre gostei de licenciamento assim. E aí teve uma coisa muito curiosa que aconteceu, que por conta do meu hiato no mercado começou a ter muita falsificação de base, de não sei o quê, né? Eles estavam com mais estoque que eu. E assim, eles estavam criando collabs, tá? Teve uma coisa icônica que eles criaram, eles assim, os criminosos, né?
Eles criaram uma collab entre eu e a Too Faced e criaram uma coisa assim, BTG. Eu falei, gente, mas assim... Nem eu consigo fazer isso. Eu fiquei impressionada, eu mandei até pro pessoal da Too Faced. Eu fui embaixadora da Too Faced muitos anos. Eu acho que, sei lá, bugou a cabeça. Não sei se ela mexe... Então assim, tinha muita coisa a mais, até produtos a mais, né. Então, além de combater com a Polícia Federal e tal, tudo isso.
Porque é um produto que é impressionante. Eu peguei na mão assim, eles copiam realmente a embalagem, né. Uma embalagem exclusiva. E você vai ler os escritos ali, eles copiam o CNPJ, o email. Vendava pra gente, né, como produto oficial, sendo que é um produto que não tem rastreabilidade. Só que aí também a Polícia Federal um dia ligou pra alguém do meu time e falou, vocês não têm noção do que tá acontecendo aqui, tem tudo com a logo da Bruna, tem até talher com a logo dela.
Aí a menina, né, que trabalha comigo me contou rindo assim, né. Eu falei, gente, mas assim, temos um nicho, né, temos algo a ser construído. Então acabei olhando também pra essa oportunidade e falei, cara, realmente a gente tem um branding forte, né, das cores, azul marinho, rosê, rosê gold. Você aplica essas cores, meio que você vê a marca. A Arca já, porque até eu fui atrás disso, né, de cores que identificassem BT ou espelho e tal coisa.
Independente da embalagem que ela estivesse, né? Independente.
Então a gente tem uma identificação de fato. Então dá pra pegar um talher, deixar azul marinho, rose gold e botar Bruna Tavares e vira realmente um talher de BT. E não lancei talher ainda, mas quero, vamos ver.
E aí, Bruna, vem aqui, gente. Vamos ver. Bruna, acessórios pra casa.
E aí foi quando eu falei, preciso ter uma área de licenciamento no time assim pra começar a trabalhar de forma estratégica, né, alguns licenciamentos que conversem com esse universo da marca, qual que é o branding da marca. Então não são só as cores, né? É criar um produto que traga uma experiência para o consumidor diferente, que tá faltando, sabe? Então eu entrei primeiro na papelaria, que tem tudo a ver comigo como jornalista.
Eu sou uma pessoa que escreve muito, né? Eu acho que as coisas se conectam. E aí da papelaria veio uma extensão também para lápis, caneta, que é o que você usa junto, né?
Porque como a papelaria deu muito certo, os produtos com a Caderno Inteligente, que tá aí, eu dei para você, que inclusive cliente nosso, da Galileu Brand, e eles Também vão fazer um movimento de mercado logo logo, você vai saber. A gente fez toda a parte de posicionamento de marca também.
É, eles arrasam assim. Então, e aí o case com a caderna inteligente deu tão certo que eu lembro que eu fui naquela feira, né, que tem a feira escolar. E aí várias empresas querendo conversar comigo. Não, porque, ó, vamos fazer também mala, vamos fazer mochila, vamos fazer o lápis. Eu falei, cara, eu vou pegar essa galera aqui do escolar. Então tem algumas coisas que vão sair ainda. Começando esse mundo aí da papelaria barra escolar.
E o cabelo era uma coisa que eu já tinha vontade assim, porque meu cabelo é uma parte importante, vai, da minha imagem, né, do que é o mercado de beleza. E eu sempre tive publicidade assim, foi a única área que eu consegui trabalhar publicidade, porque eu sempre pintei meu cabelo em casa. Agora eu tô indo em salão, tá? Mas eu sempre fui uma autodidata com cabelo, desde muito nova, corto cabelo sozinha, tudo. E aí eu já queria trabalhar nisso, mas eu sabia que era um segmento muito complexo, que eu teria que ter um know-how já, tipo, que teria que ser um licenciamento, sabe?
Não inventar de entrada, né?
Porque eu já tava trabalhando na perfumaria, e a perfumaria já é um segmento assim, a experiência que eu tive na perfumaria, que eu não entrei, tô há 4 anos estudando, fazendo. Eu falei, cara, um segmento novo é um negócio assim complexo, e as pessoas colocam expectativa lá em cima, né, no BT. Então eu tenho que ir para o lugar, numa marca que já esteja no mercado, que já seja um produto que eu gosto e que me dê a liberdade de desenvolvimento.
E aí a Brae encaixou super assim. O Renato, que é o CEO fundador, ele é meu amigo pessoal. Então entre a gente chora as pitangas, sabe, João? Entre chorar as pitangas, a gente bolou essa collab nesse período de transição meu assim. E eu tô amando porque é uma outra ciência, né? É um outro rolê assim. Tem muita ideia também que surge, uma coisa puxa a outra. No final do dia eu acho que tudo tem que se conectar, né? Eu penso nesse universo da pessoa, como que eu entro no ritual dela de uma forma que faça sentido.
Então, cabelo que faz sentido com a maquiagem, com skincare, a papelaria, né? Então tem que conversar. Hoje eu não consigo abrir mais pra mais segmentos porque demanda muito de mim, do meu time, mas eu tenho alguns objetivos. Porém, eu tenho que primeiro fortalecer esses, essas colaborações, porque eu gosto de fazer coisa a longo prazo. E aí depois eu vou começar a abrir pra outros segmentos, provavelmente, mas que façam sentido assim, sabe? É, que faça sentido com a marca Bruna, né?
Eu acho que é muito bom a gente falar sobre a elasticidade que a marca pode ter, né? E eu acho que isso é uma coisa que você conseguiu capturar bem, que é um pouco do que eu já ensinei algumas vezes aqui, né? Como é que você compra um chip de celular do Nubank? Porque você imagina que vai ser fácil, vai ser descomplicado, vai ser simples. E aí era um banco que não tinha experiência nenhuma com o celular, mas você compra tranquilo, você não tem medo, você já sabe como que funciona o modus operandi, né?
E eu acho que é um pouco do que as pessoas imaginam, né? Se eu vou comprar um shampoo da Bruna, eu já imagino que vai ter uma textura boa, sensorial bom, que vai ter um cuidado com embalagem, tecnologia. Ou seja, são atributos que se aplicam a qualquer segmento, né?
Com certeza.
Bruna, para a gente fechar, senão a gente vai ficar aqui 3 horas e meia, tá? Se você quiser parte 2, comenta parte 2, que a Bruna volta depois de— ela não pode demorar 120 episódios, tá? A gente vai ter um episódio mais curto. Comenta aí parte 2 para a gente falar algumas outras coisas. Mas eu queria que a gente fechasse aqui com o último bloco, que é falando justamente agora do amadurecimento de BT. Então, 10 anos depois passaram, você lançou recentemente— eu não vou chamar de rebranding, porque não foi um rebranding, foi só uma atualização, né, de posicionamento e uma atualização de design.
Você agora tem um logotipo mais limpo, você agora tem cores mais sóbrias. Qual foi o sinal que você falou, a marca tem que amadurecer?
Eu acho que começou, veio da minha equipe de design. A gente tava fazendo uma ativação, porque sempre tem o estopim, né? Então ali, né, a gente tava fazendo uma ativação para um carnaval Carnaval que a gente fez camarote ali. Então a gente teve que criar as penteadeiras e tal. E aí meu designer, o Bruno, querido, beijo, ele falou assim, ah, vamos simplificar um pouco porque vai ser melhor para aplicar o espelho e tal. Ele já deu uma simplificada ali.
Então foi simplificando ali para facilitar aplicações e ativações inicialmente. Como a gente entrou em larga escala também, a minha logo, meu Bruno Tavares, ele é muito, era muito cursivo, e aquilo dava um problema na manopla, sabe? Então a gente reprovava muito cartucho, reprovava muito embalagem, Eu falei, cara, eu tenho que otimizar. Então tudo nasceu da otimização inicialmente, sabe? Porque por mim tava ali do jeito que tava.
Então eu tive que otimizar a aplicação. Então por isso um design mais limpo. E quando eu fiz Coca-Cola também, é na hora que a gente foi aplicar, tanto que a gente não ia aplicar na Coca-Cola, a gente ia começar depois. Mas na Coca-Cola a gente já aplicou o Bruna Tavares novo e foi muito curioso porque poucas pessoas falaram, tá diferente esse aqui, né? Ou, ai, vai ser a eu gostei. Como a Coca-Cola também é muito cursiva, aí a minha cursiva com a cursiva da Coca ficou ali muito poluída.
Aí eu falei, como eu gosto de fazer colaboração, eu também preciso de uma logo que seja um pouco mais minimalista, entre aspas, apesar que tem uma identificação ali, tem uma história, porque eu gosto de fazer colaboração. Então eu prefiro deixar. E assim, a minha marca antes tava ficando muito básica, a logo tava muito trabalhada, mas tava tudo azul marinho e rose gold. Então ela tava minimalista no ponto de de cor e de aplicação de hot, mas ela só tava maximalista na logo.
Eu falei, eu quero fazer o contrário, eu prefiro deixar a logo mais limpa. Aí eu mantive o espelho, só que a gente fez um contorno um pouco mais limpo, digamos assim, né? Mudei o BT também para acompanhar com Bruna Tavares, né, para fazer sentido. E esse BT novo, ele forma um 3, que é o número da arte onde eu aprendi a me maquiar. Então acho que tem mais, tem uma história ali, tem uma simetria melhor. E eu falei, a partir do momento que as pessoas vão ver essa onda acontecendo ainda, né?
Mas acho que já tem um pouquinho disso. Então eu trouxe assim, meu primeiro, que não era para ser esse porque a linha do tempo mudou por causa de atraso e tal, era para ser um outro produto que ia entregar melhor, eu acho, que esse reposicionamento até. Então o primeiro ele veio com cartucho todo trabalhado, com estampa, com mais detalhes e tal. E aí depois a gente veio com banana, que tudo embalagem amarela, quer dizer, eu já tô brincando mais com as cores, sabe?
Então as pessoas vão ver que a logo ficou mais simplificada, mas eu vou brincar mais, que era o que eu fazia no começo, sabe, que eu tinha aquelas embalagens com as flores e tal, entendeu? A minha próxima colaboração, inclusive, ela encaixou certinho porque Bridgeton é muito floral e tal. Então vai ter muitas flores na embalagem. Eu falei, cara, isso aqui é muito eu, né? Então, só que é realmente, você tem que escolher o ponto de contato onde você quer mais assim se destacar.
Então a gente simplifica a logo, mas traz mais elementos que as pessoas vão ver aí cada vez mais em outros pontos da marca. E continua com o core forte das cores que trouxeram a marca até aqui, né, que é o azul marinho, o rosê, o zinha. E o Rose Gold, eu também trouxe um pouquinho do marrom também para ter uma novidade também, né? Sim. Então, mas muita coisa vem aí, muita, muita seriedade.
Vem aí das blogueiras.
Acho que a gente não pode ficar muito preso ao manual da marca também. Acho que tem um manual da marca que é importante, né, que é identificação do branding ali. Mas acho que brincar também ajuda a criar novos estímulos, sabe? Só que sempre tem que ter um pilar, né?
Você tem que ter um fio condutor, né, que liga as coisas.
Exato. Mas a gente quer brincar mais.
Eu acho que meu desejo é esse, assim, trazer um pouco mais de cor.
Apesar de parecer que eu fiquei minimalista, as pessoas vão ver que vem muita coisa diferente aí.
Bruna, muito bom!
Ai, adorei, adorei!
Nossa, a gente passou assim, tem muito mais coisas, tá, pra gente falar. Espero que as pessoas coloquem um parte 2, porque aí a gente explora mais. Eu queria fazer uma pergunta pra você: se a gente tivesse que resumir em uma frase sobre o que que é 10 anos de BT?
Nossa, eu acho que é uma frase assim, eu acho que é uma jornada de aprendizado, desenvolvimento, desenvolvimento e construção de legado, assim, que eu quero muito deixar um legado. Virou mais que uma frase, um legado não só para mim, mas para indústria. Eu quero poder saber que eu colaborei, sabe, com a indústria nacional, porque não é, não pode ser só por mim, senão não tem graça. Eu tenho que deixar alguma coisa para o planeta, sabe?
Por mais que não seja assim uma cura de uma doença, eu tô deixando algumas coisas que eu modifiquei, que eu melhorei, que eu criei, que eu implementei, um olhar de um Tipo, por exemplo, foi a primeira vez que uma marca brasileira fez uma fusão com um grupo internacional. E eu sei que vão ter outras, sabe? Então eu acho que isso, pra mim, é o que me motiva. E acho que essa é a história dos 10 anos de BT.
Não, maravilhoso. E eu posso dizer aqui, como alguém que acompanha como fã também, é uma história muito consistente. Eu acho isso muito legal. Uma das poucas histórias no Brasil que a gente vê uma marca que ela poderia ter tudo pra acabar em 2, 3, 4 anos, né? Ficar 10 anos ativa e com mais lançamentos, etc., não é fácil.
Não.
Não é fácil pra nenhuma, assim. Eu tenho falado muito muito sobre isso. A gente vê as marcas surfando trend, vê as marcas fazendo de tudo. Eu digo sempre, essa marca não passa de 5 anos, não passa de 8, porque não tem essa solidez.
Você tem que aguentar, é porque as tendências vão e voltam, né? Você vê, teve aquela tendência de embalagem de um jeito, de outro. Você tem que ter o seu core assim e acreditar nele, só fazer essas pequenas adaptações que eu acho que é importante. Ninguém pode virar dinossauro, né? Todo mundo tem que se adequar, mas estudar realmente o que Eu sempre falo da psicologia das cores, assim, que cor que é sua marca, qual que é o logotipo, essa coisa do manual.
Daí entra o manual de marca, né? Entender o seu diferencial e acreditar nele mesmo, porque é isso no final do dia, né?
Vamos que vamos! Parabéns pela sua construção.
Muito obrigada!
Obrigado pela generosidade em compartilhar um pouco da história de BT com a gente, com os cidadãos da Galileia.
Obrigada, gente!
E se vocês gostaram desse episódio, não esqueça de dar 5 estrelas no seu player favorito, mandar para pelo menos 3 amigos, principalmente amigos que querem construir marcas com longevidade e aprender um pouco da história de como faz isso com a Bruna, que já tá construindo há 10 anos e vem muito mais anos por aí. Obrigado, vejo vocês no próximo Branding em Tudo. Esse episódio é um oferecimento de Galileu Branding. Clique no link da descrição e peça já sua proposta. Identidade sonora criada pela Sound Thinkers.