🎙️DISCURSO | Lula participa da reunião da Sociedade para o Progresso da Ciência - 28-07-26
No encontro com cientistas, professores e estudantes, o presidente pediu que a comunidade científica apresente um plano capaz de preparar o país para competir em áreas estratégicas, como inteligência artificial, minerais críticos e tecnologias digitais. “Se não investirmos em pesquisa, não vamos a lugar nenhum”, disse.
Foto: Ricardo Stuckert
Lula
- Investimento em Ciência e DesenvolvimentoImportância da pesquisa para o desenvolvimento · Plano para áreas estratégicas (IA, minerais críticos) · Comparativo histórico de investimento em ciência · Ecossistema de inovação e pesquisa
- Qualidade das universidades brasileirasAcesso à universidade para todos · Políticas de cotas e ProUni · Comparativo de universidades no Brasil e exterior · Escolas cívico-militares
- Programas de desenvolvimento econômicoCombate à fome e à pobreza · Crescimento do número de universitários · Impacto da distribuição de renda · Desindustrialização
- Defesa NacionalRenovação da frota militar · Importância da defesa para a soberania · Recursos naturais e fronteiras brasileiras · Forcas Armadas
- Conhecimento e AprendizadoDiferença entre inteligência e conhecimento · Tomada de decisão no governo · Aplicações da inteligência artificial
Uma coisa importante acabou de acontecer com uma fala do nosso governador. Eu não sei se todo mundo percebeu A coisa importante que aconteceu aqui, o governador veio aqui na simplicidade de um desembargador que nunca tinha passado pela cabeça virar governador do Rio de Janeiro, com a simplicidade dizendo, olha, eu não sou político, eu não tenho discurso de político. E vocês aplaudiram ele quando ele foi chamado para falar, e vocês aplaudiram pelo gesto dele dizer que não era político.
Sabe por quê? Porque ele não está governador porque vocês votaram nele. E ele prometeu fazer muita universidade, fazer muito investimento na ciência, fazer o metrô, fazer mais um estaleiro. Ele não tá governador porque prometeu fazer as coisas para vocês, mas vocês aplaudiram ele porque vocês sabem que ele pode fazer no cargo de governador provisório aquilo que nenhum eleito será capaz de fazer. Esse é o milagre da política, é o improvável acontecer na vida da gente.
E muitos governadores Jamais, governador, muitos governadores eleitos jamais teriam coragem de vir numa SBPC. E muitos candidatos a presidentes e a governadores também não terão coragem de vir. E você veio e, na sua simplicidade, leva para casa, de volta para sua família, o reconhecimento de que quando a pessoa tá cumprindo a missão séria, o povo reconhece. Portanto, parabéns. Eu, como quero fazer um discurso muito curto, Eu vou ler uma nominata para poder falar bem de algumas pessoas que estão aqui.
Eu, a primeira coisa que eu tenho inveja é um dia ser chamado Magnífico Reitor de alguma coisa, porque o presidente da República, que é o cargo mais importante, é xingado de tudo quanto é nome, e você é só tratado de Magnífico Reitor. Magnífica reitora. Eu acho chique, mas eu quero dizer para você a alegria de ter compartilhado com você como reitor nesses últimos anos a realização de um sonho de poder provar que a universidade não é uma coisa inatingível pela sociedade e que a universidade é uma coisa Sabe que todos podem fazer, que todos têm acesso.
O problema é que eu faço questão de dizer sempre, é que na história do Brasil, a elite política e a elite econômica brasileira, e durante muito tempo a elite intelectual brasileira, não imaginava universidade para todos. Esse é o dado. Até pouco tempo atrás, havia gente nesse país que achava que o Brasil só daria certo se ele fosse governado para 35% da população. E esse, essa é a visão que predominou no Brasil durante muitos Quem é que imaginava fazer universidade para indígena?
Quem é que imaginava fazer universidade para negros? E nem reconheciam o papel que os negros e os indígenas tiveram na construção desse país, na formação da nossa cultura, na formação do nosso jeito de ser. Não precisava. E muito menos trabalhador. Para que trabalhador de fábrica fazer universidade? Trabalhador tem que trabalhar. Universidade é para quem pode. E havia uma contradição no Brasil, é importante a juventude compreender isso.
No Brasil, nós temos grande parte dos grandes intelectuais brasileiros que fizeram o ensino fundamental em escola pública. Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, Dom Pedro II é um exemplo. Os grandes intelectuais, se vocês pegarem os principais intelectuais brasileiros, todos eles estudaram em escolas públicas e também estudaram em universidade pública. Agora, tem uma outra parte da elite brasileira que não estudou escola pública, estudou nas melhores escolas particulares privadas, e quando foi fazer universidade, por ter tido uma formação mais aprimorada, porque pagava, ocuparam as universidades públicas.
E o pobre que teve um péssimo ensino fundamental, porque o professor era muito mal remunerado, Ou seja, essas pessoas para universidade tinha que pagar. Veja o contraditório: o pobre passava no vestibular, ia para uma particular; o mais rico passava no vestibular, ia para pública. E a desgraça era que quando o pobre passava no vestibular numa escola privada, ele descobria quando ia começar as aulas que ele estava proibido de estudar porque ele não tinha dinheiro para pagar mensalidade.
Esse é o Brasil de até outro dia, é o Brasil do século passado, é o Brasil do século 20 aí, muito próximo de nós. Quem é que não sabe a briga que nós fizemos para poder fazer passar a política de cotas nesse país? Quem é, quem é que não se lembra? Quem é que não se lembra quando a gente criou o ProUni, a quantidade de preconceito com ProUni, porque diziam que a gente tava colocando as pessoas da periferia de escolas públicas na universidade?
E que isso iria baixar o nível da educação. A Marilene deve ter ouvido muito isso em Manaus, e tudo isso aconteceu no Brasil. Eu, em Belo Horizonte, tive vários episódios de meninas negras que se diziam rejeitadas dentro da sala de aula porque tinham ganho bolsa de estudo do ProUni, estavam com outras que pagavam e que não aceitava que ela estivesse estudando lá. Esse é o país que a nossa geração herdou, e é esse país que a gente tem que mudar.
É esse o desafio. Quando aparece em pleno século 21 alguém achando que a solução da educação nesse país é a escola cívico-militar, Alguma coisa tá errada, alguma coisa tá errada. Quando aparece nesse país, em pleno século 21, alguém dizendo que não quer que o filho dele vá para escola, que o filho vai aprender dentro de casa, ou seja, na verdade é a supremacia da ignorância tentando vencer o pensamento da maioria da sociedade.
O que que leva um pai ou uma mãe não querer que o seu filho, a sua filhinha, se misture com os outros? É a cabeça da supremacia, sabe, de uma pequena parcela sobre a grande maioria. Então esse país é assim, e esse país vocês sabem que ele de vez em quando ele piora e ele melhora, que vocês sabem que destruir as coisas é muito simples, né, Sérgio? É muito simples. Ou seja, você passa 10 anos para fazer uma casa, vem um vento e derruba tua casa.
Ou se contrata um japonês com uma dinamita, ele implode o prédio que você construiu. Agora, construir é muito difícil. Eu fico imaginando, eu fico imaginando, eu fiquei 15 anos fora da presidência. Eu saí em 2010 e voltei em 2023. 13 anos eu fiquei fora. A gente tinha acabado com a fome nesse país em 2012. Quando eu voltei em 2023, Sérgio, já tinha 33 milhões de pessoas passando fome no Brasil. Nós, desta vez, porque já tínhamos expertise, conseguimos acabar e apenas 2 anos e meio outra vez, apenas 2 anos e meio.
Segundo o meu ministro da Saúde, em 2002, meu ministro da Educação, em 2022, 2002, a gente tinha no mercado de trabalho do Brasil 5 milhões de pessoas com diploma universitário. 5 milhões. Hoje nós temos 25 milhões. É pouco, é pouco, é pouco, porque nós estamos ainda sendo vítima do atraso, sabe, de se investir na educação desse país. Eu conto uma coisa para juventude saber: Sabe que é preciso poder saber da história para a gente não comer gato por lebre.
Eu conto sempre a seguinte história, governador: Cristóvão Colombo aportou o barquinho mequetrefe dele em Santo Domingo, na República Dominicana, em 1492. Em 1632. 40 anos depois, Santo Domingo já tem a primeira universidade. Cabral chegou aqui 8 anos depois de Colombo lá em Santo Domingo, aportou o mequetrefe do barquinho dele também aqui. Não era mequetrefe, porque quando a gente foi comemorar os 500 anos de descoberta do Brasil Nós não conseguimos fazer uma caravela como aquela que chegou no Brasil.
Ela não conseguiu atravessar o Atlântico da Bahia para cá. Então o caboclo aqui fez, aportou o barquinho dele. A primeira universidade federal brasileira só foi surgir aqui no Rio de Janeiro em 1920. 420 anos depois. Lá foi 40, aqui foi 420. Primeira universidade do Brasil que foi feita era porque o rei da Bélgica vinha para o Brasil e rei precisava receber título de doutor honoris causa. Não foi por causa de vocês, foi por causa do rei da Bélgica que vinha para cá.
Isso eu tô dizendo só para vocês entenderem o significado do atraso da educação nesse país. Eu não faço com orgulho e não falo com orgulho, mas não pode ser normal, não pode ser normal que um torneiro mecânico que só tem um diploma primário e um curso do SENAI, passe para a história como o presidente que mais investiu em universidade na história desse país. Não pode ser normal, não pode, com tanta gente letrada que governou esse país.
Tanto fazendeiro, tanto banqueiro, tantos advogados, tantos sociólogos, tantos. Ou seja, não é normal. Eu não falo isso de orgulho, não. Eu falo isso com uma certa tristeza, porque se a quantidade de doutores que já governou esse país tivesse feito a lição de casa, a gente hoje seria uma nação altamente desenvolvida, altamente qualificada, e uma nação que pudesse ser comparada a mais desenvolvida de qualquer parte do mundo. É isso.
Eu conto outra história para as pessoas perceberem o seguinte: quando os paulistas perderam a revolução para o Getúlio Vargas, em 1930, aqui deve ter muita gente de São Paulo, o Jarino tá aqui. É um paulista. Pois bem, o que é que os paulistas decidiram? É verdade que o Getúlio ganhou a Revolução em 32, mas quem vai governar o país vai ser São Paulo, pela inteligência, e criar a USP. E vamos ser francos, A USP é um centro de excelência desse país.
E vamos ser francos, a USP formou durante muitas décadas a inteligência que governou esse país, porque eles não queriam que o governo central metesse o bedelho. Quanta que universidade nós tivemos em São Paulo? A Universidade de São Carlos, É, não, não, Federal do ABC agora. Nós tínhamos a Federal de São Carlos e nós tínhamos a Unifesp, Unicamp. Pois bem, só para você ter ideia, eu sou da região mais industrializada do Brasil, o chamado ABC Paulista, e a gente não tinha uma universidade, duas faculdades federais.
Nem São Bernardo, nem Santo André, nem São Caetano, nem Diadema, nem Mauá, nem Santos, nem Sorocaba, nem Osasco, nem Guarulhos. Não tinha. Eu criei em todas essas cidades faculdades federais e alvando universidades do ABC. Mas você sabe que se a gente não toma cuidado, isso acaba, isso acaba. Quando nós chegamos no governo, 13 anos depois, Sérgio, não, 13 anos não, eu cheguei no governo depois de 2016, sabe, 7 anos depois do impeachment da Dilma.
Eu cheguei no governo, eles tinham acabado com tudo. O Brasil não tinha mais Ministério da Cultura, o Brasil não tinha mais investimento em bolsa, o Brasil não tinha mais Ministério do Trabalho, o Brasil não tinha mais Ministério da Igualdade Racial, não tinha mais Ministério dos Direitos Humanos, não tinha mais ministério, sabe, não tinha muitos ministérios. Que nós começamos. Só vou dar um dado para vocês, para vocês marcarem na cabeça de vocês.
O Ibama de 2010 tinha 700 funcionários a mais do que o Ibama de 2023, quando eu cheguei. Ou seja, 13 anos depois, o Ibama tava quase que destruído. Eu vou dar um número para vocês. Para você que é cientista político, quando eu deixei a presidência em 2002, a indústria automobilística brasileira emplacava 3 milhões e 800 mil carros. Quando eu voltei em 2023, a indústria brasileira emplacava 1 milhão e 600 mil carros, menos da metade do que a gente emplacava 8 anos atrás.
O que aconteceu nesse país? É importante a gente perceber, sabe, que nós estamos lidando com coisa muito grave no mundo, muito grave. E nós assumimos a responsabilidade, sabe, quem gosta de ciência, quem gosta de pesquisa, porque nós temos um defeito, Sérgio, O Zé é um companheiro do PSB, ele era muito ligado ao Miguel Arraes lá em Pernambuco, mas toda vez que eu fui candidato sem ser do PT, ele que fez o meu programa de tecnologia.
Nunca me perguntei de quem que ele era, mas tava lá e foi um ministro da maior competência que eu tive. Como aqui também tá o nosso companheiro Roberto Amaral, que foi meu primeiro ministro da frente de tecnologia. O Sérgio Redenio viveu um momento histórico comigo. Em dezembro de 2010, nós recebemos uma homenagem da ciência brasileira, de todos os cientistas. Era muita gente que foi dar os parabéns para o governo porque nós tínhamos cumprido a meta do Pacto da Ciência e Tecnologia, que era R$41 bilhões, e nós tínhamos aplicado todos os R$41 bilhões com uma coordenação de cientistas.
Nunca houve na história da ciência brasileira e da pesquisa um governo que fosse homenageado pelos cientistas. Normalmente eles são vaiados, são vaiados. Eu lembro que quando eu fui na primeira SBPC na Bahia, político não entrava. Entrava eu porque era metalúrgico, então era o cara mais coitadinho Pet Love, deixa ela entrar. Então, gente, é o seguinte, eu acho que nós temos que tomar uma decisão nesse país. Eu sempre digo o seguinte, eu sou um ser humano, minha querida presidente da SPPC, muito fácil de trabalhar, muito fácil.
Primeiro porque você percebe que eu não sei tudo como as pessoas que sabem tudo, porque tem um tipo de gente que sabe tudo, tem um tipo de gente que a gente fala bom dia, ele começa a explicar o dia. E eu, eu não sou, como eu não sou um cara muito estudado, eu sei pouca coisa. A única coisa que eu sei é o que precisa ser feito. E eu tenho consciência de que se a gente não investir em ciência, se a gente não investir em pesquisa, esse país nunca será um país decisivo, um país competitivo, um país capaz de dar um salto de qualidade.
Eu tenho consciência disso, eu tenho consciência disso. Que se a gente não investir, sabe, em pesquisa, a gente vai para lugar nenhum. E quando a gente fala em pesquisa e inovação, tem muita gente que fala e não inova coisíssima nenhuma, porque a Petrobras é responsável por 2/3 do dinheiro que investe inovação nesse país. A iniciativa privada brasileira não põe dinheiro, não põe dinheiro. E é importante que a gente saiba que precisa dinheiro.
Se não fosse pesquisa, a gente não tinha o pré-sal. Se não fosse pesquisa, a gente não tinha o biodiesel. Se não fosse pesquisa, a gente não tinha muitas das coisas que hoje nós temos. Então eu sei que é preciso investir. Por isso que eu disse para nossa presidente da EPPC me apresente uma proposta, porque se a gente for discutir pesquisa, for discutir ciência e tecnologia a partir do orçamento que a gente tem, a gente não vai ter investimento em pesquisa.
E por que que não vai ter? Porque como o Brasil não pensou nisso, o dinheiro é sempre muito limitado. E eu sei como na ciência e na educação, se a gente não tiver um projeto novo, uma proposta ousada, que a gente possa discutir, inclusive isso aqui dentro do orçamento não cabe, nós vamos ter que construir o funcionamento disso até por fora das coisas que nós conhecemos como arcabouço fiscal. A gente vai ter que pensar aonde arrumar dinheiro extra, porque se a gente não arrumar— veja, eu tô falando aqui, daqui a pouco o jornalista vai dizer: Lula tá propondo desrespeitar o arcabouço fiscal.
Eu não vou desrespeitar porque eu sei o preço que ele tem para mim. O que eu preciso é construir alternativa para criar um programa que a gente possa anunciar ao Brasil. Nós vamos ter um investimento em pesquisa e em 10 anos a gente vai atingir tais metas. Como é que a gente vai atingir, por exemplo, sabe, tudo que nós precisamos na área da saúde? Como é que a gente vai atingir tudo que a gente precisa no investimento de uma nova indústria nesse país?
Como é que a gente vai chegar na inteligência artificial? A gente vai deixar que a briga fique entre Estados Unidos e China Ou a gente vai entrar no meio e dizer: nós existimos, nós existimos, e o nosso povo não é mais burro do que o povo de vocês. E nós queremos outro tipo de inteligência artificial, nós queremos uma inteligência artificial que atenda os anseios da humanidade a partir do nosso país. Como é que a gente vai explorar esses tais de materiais materiais minerais críticos e terra rara.
Eu pensei, Janine, que terra rara era só Garéu, porque não dava nada. Eu falei, porra, aquilo é raro mesmo, sabe? De um lado, de um lado te falava, no Brasil é uma terra onde se planta tudo dá, e Garéu não dava. Então eu falei, porra, é terra rara? Não, é uma coisa fabulosa que tá na mão dos chineses. Vocês acham que eu quero brigar com a China? Eu não sou louco. Vocês acham que eu quero brigar com os Estados Unidos? Eu não sou louco.
Eu não sou louco. Eu não tenho nem os aviões que ele tem, nem os tanques que ele tem, nem as bombas que eles têm, nem o dinheiro que eles têm, nem o conhecimento científico e tecnológico que eles têm. Então, ao invés de ficar brigando com eles, eu quero derrotá-los estudando mais do que eles. Investindo mais do que eles, pesquisando mais do que eles e me transformando. É este o desafio que tá colocado para nós, este o desafio que tá colocado para nós.
E por isso eu quero desafiar vocês com o maior respeito, com o maior respeito. Vocês, quer dizer, na frente de vocês, essa senhorita será convidada por mim quando ela tiver a proposta, um plano nós vamos fazer para educação. Eu quero ver, já tem no Plano Nacional de Saúde, já tem a necessidade da gente investir uma quantidade de dinheiro para a gente em 10 anos dar uma solução na educação. A ciência é a mesma coisa, ou nós fazemos isso ou a gente vai ficar sempre para trás.
E nós precisamos, inclusive, direcionar para a nossa juventude quais os cursos que, nesse momento, são mais importantes para que a gente possa competir com aqueles que estão na nossa frente. Não é que eu não queira formar advogado, eu quero formar advogado. Não é que eu não queira formar cientista político, eu quero formar. Afinal de contas, o Brasil precisa de cientista político, Eu quero formar qualquer coisa, mas nós precisamos saber que o mundo tá numa caminhada maluca nesse mundo digital.
Vocês vão ver o que vai acontecer nessa campanha. Você vai ver mais inteligência artificial na televisão do que candidato. E o que é que nós vamos fazer? Nós vamos ficar lamentando? Vamos ficar chorando? Eu não quero chorar, eu não quero lamentar, eu quero preparar esse país. E são vocês, são vocês que podem dizer: Lulinha, meu querido Lulinha, nós queremos que você coloque em prática tal plano, porque se o plano for bom, nós vamos levar no Congresso Nacional, vou conversar com o presidente da Câmara, vou conversar com o presidente do Senado, Vou levar vocês para conversarem com eles e nós temos que provar para eles que não é bom para mim, não é bom para um partido, é bom para esse país, é bom para o filho deles, é bom para o neto deles, é bom para o nosso amanhã.
Essa é uma coisa fantástica. Portanto, eu quero que vocês façam a proposta para a gente discutir. A mesma coisa que eu vou fazer na educação e na frente de tecnologia, eu vou ter que fazer na defesa. Gente, deixa eu contar uma coisa para vocês. A questão da defesa é uma coisa muito séria. Esse país, eu vou contar uma coisa que vocês não sabem. Vocês sabem que quando eu tomei posse em 2003, Sérgio, Eu fui eleito presidente da República e eu tinha que escolher 3 comandantes, um da Marinha, um da Aeronáutica e um do Exército.
E eu não conhecia nenhum sargento, nenhum cabo. E eu fiquei pensando, pô, como é que eu vou montar os meus comandantes se eu não conheço ninguém? Lembrei eu que o pai do Aluído Mercadante Era o famoso General Oliva, que tinha sido da Escola Superior de Guerra e era ali a dura. Eu falei, ah, Olívio, o Aloísio, dá para você chamar teu pai para ter uma conversa com ele? E eu fui conversar com o pai do Aluísio Mercadante, General Oliva, e com o irmão do Olívio, do Aloísio, que era coronel.
E lá conversei, eles me deram uma instrução muito simples. Ô Lula, contar uma história para você. Lá nas Forças Armadas a gente tem uma fila, como tem no Itamaraty, como tem nas universidades, como tem todos os cargos de carreira, tem uma fila. Então tem o cara que é o primeiro da fila Sabe, se você for escolher e vou escolher o segundo, vai ter um pequeno problema. Se você escolher o terceiro, vai ter um grande problema. Então é o seguinte, Lula, respeite a fila, que estão pessoas que já estão há 50 anos esperando a vez deles, que eles não vão te criar nenhum problema.
E foi assim que eu fiz, escolhi a fila. E nunca eles me criaram nenhum problema. Mas o que que eu vou dizer agora é que no primeiro 7 de setembro que eu fui fazer, o general que veio para eu dar ordem de começar o desfile tava com um carrinho, um carro militar com um banquinho todo rasgado, plástico. A gente não tinha mais batalhão de engenharia, o soldado eram liberados às 11 horas da manhã porque não tinha dinheiro para pagar o almoço dos soldados e eles não ganhavam salário mínimo.
Então esse que vos fala, que não conhecia nenhum sargento, foi o cara que recuperou o batalhão de engenharia do Exército, foi o cara que renovou a frota do Exército, foi o cara que pagou o salário mínimo para o Exército e foi o cara que criou o soldado cidadão. Todos os aviões que a Aeronáutica tem foi comprado no meu governo. Porque sabe qual era o avião do Fernando Henrique Cardoso? Vocês estão lembrados como é que chamava o avião do Fernando Henrique Cardoso?
Sucata 1. Todos vocês sabem o que é Sucata 1. E o Fernando Henrique Cardoso tinha 2 Sucata 1 e 2 Sucatinha. Um sulcatão, caiu o motor com Marco Maciel andando lá para o lado de Pernambuco, não sei aonde, e aposentou os dois sulcatão, ficou dois sulcatinha. Eu resolvi então que era preciso comprar um avião novo. Comprei o mais humilde dos aviões, comprei um 319 da Airbus que o Brizola apelidou do Aero Lula, tá lembrado? Ele tá até hoje.
É aquele mesmo avião que o motor quebrou no México e eu fiquei 5 horas sobrevoando o México com motor só porque não poderia esvaziar o tanque, sabe? Todo mundo rezando no avião, todo mundo. E eu fui fazer uma brincadeira estúpida, Sérgio. Todo mundo nervoso. Eu falei, olha, comam, porque Deus não quer que ninguém chegue com fome. Foi, veio. Mas então, veja, tudo fui eu que comprei. Eu fui à Antártica. Eu, quando era mais novo, eu vi aquele Barão de Tefé, aquele famoso navio da Marinha que ia lá para Antártica.
Eu fui na Antártida e fui subir no Barão de Tefé, não cabia duas bundas, não cabia duas pessoas, não passava assim. Um navio mequetrefe. Eu voltei e falei, ó, vamos comprar um navio decente. E compramos um navio decente agora mesmo, acabamos de comprar 4 fragatas para Marinha, todas muito caras, mas preparar. Quem é que vai tomar conta do nosso petróleo a 300 milhas, sabe, da margem. Quem é que vai tomar conta do pré-sal? Então nós também vamos ter que ter um plano de defesa, porque esse país tem 16.800 km de fronteira seca, esse país tem 8.000 km de costa marítima, esse país tem 5.700.000 km de mar que é sob a nossa responsabilidade.
Esse país tem uma quantidade enorme de terra rara, de minerais críticos, tem a maior floresta tropical do mundo, tem 12% da água doce do mundo e tem 215 milhões de habitantes que nós temos que tomar conta. E se a gente não tiver defesa, a gente não toma conta. Qualquer dia, qualquer dia alguém resolve invadir a gente e a gente tá despreparado. Como é que a gente vai fazer? O avião que eu vim hoje é um da Embraer, comprado por mim em 2006.
O desgraçado faz tanto barulho que a gente não consegue conversar mais. É verdade, você veio no avião hoje. Então eu fico pensando, se a gente não pensar num salto de qualidade nas coisas que são estratégicas, a gente ficar dependendo do que sobra É como o salário de vocês. Se vocês não tiverem coragem de fazer um planejamento e comprar alguma coisa nova com uma dívida que vocês possam pagar, e ficar esperando sobrar dinheiro, a gente nunca vai ter nada.
Nem o colchão da cama a gente troca, nem uma televisão melhor a gente compra, porque nunca sobra. O orçamento da União é a mesma coisa. Então, o que eu quero dizer para vocês é o seguinte: eu sou presidente da República, eu não posso fazer promessa numa campanha, eu não posso, eu não posso ficar aí, eu falei isso, falei aquilo, porque eu quero que vocês, se tiverem que votar, vote pelo que eu fiz e não pelo que eu vou fazer, porque o que eu fiz é certeza, o que eu vou fazer não é certeza.
A certeza é uma relação de confiança. A certeza é uma relação de confiança. E eu posso dizer para vocês, posso dizer para vocês que nós vamos terminar o mandato de forma muito exitosa. A gente fez tudo? Não. A gente cresceu o que queria? Não. Até porque eu queria que vocês soubessem do número. Vocês sabem qual era a última vez que a economia brasileira tinha crescido acima de 3%? Vamos ver se vocês se lembram. Aqui tá cheio de gente estudiosa.
Vamos ver se vocês lembram qual foi a última vez que o Brasil tinha crescido acima de 3%. Foi 2010, quando eu era presidente. E só foi crescer quando eu voltei em 2023, 24 e 25, sabe? Porque tem uma coisa que eu aprendi que não tá na universidade, que eu nunca ouvi um economista do PT falar, nunca ouvi, que é uma coisa simples: se o dinheiro não circular no meio da sociedade e o pobre não tiver participando da economia, não dá certo.
O que faz uma economia crescer é a chamada microeconomia. É a seguinte tese: Muito dinheiro na mão de poucos significa miséria, pobreza. Pouco dinheiro na mão de muitos significa desenvolvimento, significa distribuição de renda. E é isso que é o milagre do que dá certo. É por isso que o Brasil, o Brasil é um dos países que mais tem resultado positivo, crescendo 3,4 ao ano. Acho que só tem 3 países que cresceram mais do que o Brasil.
Agora, a política de distribuição de renda, eu digo uma coisa e vou terminar. Eu digo uma coisa, acho que eu já disse para você. Vocês podem pegar os estudiosos aqui, por favor, não me frustrem, porque vocês podem me ajudar. Se eu tô falando bobagem e vocês me ajudarem, eu paro de falar. Mas eu já repeti tanta vez essa bobagem, ninguém me disse nada. Eu acho que eu tô certo. Vocês podem pegar esse país da Proclamação da República, Marechal Deodoro da Fonseca, 1889, e peguem todos os presidentes que governaram esse país de lá para cá, coloque todo junto, coloca numa panela Reserva, eu duvido que dê 10% da política de inclusão social que nós fizemos nesse país.
Eu digo mais, eu digo mais, esse país teve um grande momento de inclusão social, 1936, Getúlio Vargas com salário mínimo, e 1943 Getúlio Vargas com a CLT, que tirou a gente da semiescravidão e deu direito para os trabalhadores. Lembrem o que aconteceu depois disso. Você teve o Plano Real com Itamar Franco, você teve que destabilizou a economia, você teve o Vale Gás e você teve o Vale Leite. O que mais? Lembrem. Ou seja, porque se todo ano a gente fizesse um pouquinho A gente já tinha feito tudo.
O problema é que quando eu cheguei na presidência, a gente discutiu o orçamento da educação. A primeira palavra que eu ouvi era o seguinte: não pode fazer isso, isso é gasto, nós não temos dinheiro. A primeira decisão minha foi: não, investir em educação não é gasto, investir em educação é investimento. Gasto é pagar dívida de juros que a gente paga todo ano mais de R$1 trilhão. Sabe por quê? Senão, senão a gente é induzido a acreditar em coisas que não são verdadeiras.
Vocês percebem que a gente começa o ano, os banqueiros falando da questão fiscal todo ano. Pega dezembro e janeiro: ah, o governo não vai cumprir a meta fiscal, o governo não vai cumprir. É verdade. A gente cumpriu todo ano. Você sabe quanto que eu fiz de superávit primário? 4,25%. Eu que era contra fazer superávit primário, eu fiz 4,25% em 2006, 2007. Agora veja que absurdo. Esse país, quando eu tomei posse em 2002, quando eu tomei posse em 2003, esse país tinha uma dívida de 30 bilhões de dólares.
Esse país não tinha como pagar as suas importações e o Fernando Henrique Cardoso e o Malan não eram recebidos pelo presidente do FMI. Eu tomei posse, chamei o presidente do FMI e falei para ele: eu sou filho de uma mulher analfabeta que ela me ensinou a não gostar de dever, eu vou pagar a tua dívida. Em 2005, eu paguei a dívida e comecei a fazer, comecei a fazer, sabe, compra de dólar, e fiz uma reserva pela primeira vez na história do Brasil, uma reserva de 370 bilhões de dólares, que é o que sustenta a nossa economia até o dia de hoje.
Porque também a gente aprende uma coisa errada. A gente entra na universidade E a gente pensa que a gente aprende a ficar inteligente na universidade. Na universidade a gente não aprende a ficar inteligente, na universidade a gente aprende conhecimento. A inteligência é você saber como aplicar aquele conhecimento. Essa é a parte da inteligência, é você saber como você vai aplicar aquele conhecimento, porque governar é decidir.
Você que decidir toda hora. E toda hora que você decide, você tem que escolher um lado, você tem que escolher um lado, não tem jeito. Você vai tomar decisão, você vai escolher alguma coisa. Alguém vai reclamar e alguém vai ficar feliz. Às vezes você atende os dois, os dois fiquem felizes, tá? Eu, por exemplo, cheguei aqui, um rapaz me entregou um papel e falou assim: eu vou fazer pós-graduação na Xira, eu vou fazer doutorado na Xira, e tá a bolsa de 17 anos atrasada.
Falei, porra, 17 anos sem reajuste da bolsa, a bolsa tá menos zero, essa bolsa tá desvalorizada para cacete, tá? Meu Luciano, deu um jeitinho, eu tô com papel aí, vou passar para você, porque eu, o Bolsonaro não governou 17 anos, governou só 4, e o Temer só 3. Como é pode estar 17 anos sem reajuste da bolsa? Tipo assim, eu vou me condenar, eu e você, e Sérgio Reda também que foi ministro, e Roberto Amaral também que foi ministro.
Como é que pode uma bolsa tá 17 anos sem reajuste, gente? Puta que pariu, não é possível! Então, gente, é o seguinte, como, como Como governar é decidir e governar é escolher lado, minha querida presidenta dessa IPPC, eu termino a minha fala dizendo para você: você precisa o mais urgente possível me entregar o plano que vocês aprovarem de ciência e tecnologia para que isso entre no programa de governo e a gente possa começar a discutir como colocar o dinheiro que é preciso para ciência no orçamento da União.
Dito isso, eu me despeço de vocês. Um beijo no coração de cada um, um beijo no coração de cada pesquisador, de cada estudante, de cada pesquisadora, e até o nosso encontro, que eu vou convidá-la para ir em Brasília e levar proposta. Um beijo, gente!