🎙️DECLARAÇÃO À IMPRENSA | Presidente Lula e o presidente da Coreia na assinatura de atos e declaração à imprensa - 27-07-26
Lula celebrou o fortalecimento da parceria estratégica entre Brasil e Coreia do Sul, destacando a reciprocidade diplomática e a intenção de expandir os laços econômicos para além do patamar atual. O presidente brasileiro ressaltou o potencial do país asiático. "Poucos países transformaram sua realidade com tanta rapidez e consistência", disse.
Foto: Ricardo Stuckert
Lula
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Eu quero começar essa declaração à imprensa dizendo a vocês da imprensa brasileira a alegria pessoal que eu estou com a vinda do presidente e a primeira-dama ao Brasil. Porque o tratamento que eles deram à nossa delegação brasileira em fevereiro deste ano foi uma cortesia e um tratamento tão extraordinário que eu espero poder aqui, se não devolver 100% da gentileza e do carinho, dá pelo menos uns 90% do tratamento que nós recebemos lá.
Há 11 anos não recebíamos uma visita de Estado de um presidente da Coreia do Sul. Esta também é a primeira vez que o presidente e a primeira-dama veio ao Brasil. Janja, tenho o prazer de apresentar à Primeira-Dama Kim um pouco da diversidade da cultura brasileira e retribuir a gentileza com a qual foi recebida durante sua visita em Seul. Além de Brasília, Amanhã o presidente e a primeira-dama vão conhecer a cidade de São Paulo, onde vive a maior comunidade coreana em nosso país, mais de 50 mil pessoas.
Tenho certeza de que a hospitalidade brasileira fará jus àquela que recebemos na Coreia em fevereiro passado. Em Seul, Coreia e Brasil se tornaram parceiros estratégicos. Hoje estamos construindo uma parceria mais ambiciosa e preparada para responder aos desafios de um mundo em rápida transformação. Nos últimos 3 anos e meio, o Brasil retomou sua presença na Ásia. Centro dinâmico da economia mundial. Visitei China, Índia, Indonésia, Japão, Malásia, Vietnã e a República da Coreia.
Restabelecemos o diálogo de alto nível com as maiores economias da região e aproximamos empresas, investidores, universidades e centros de pesquisa. Abrimos mercados para produtos brasileiros, ampliamos a cooperação em tecnologia, energia e indústria, e participamos pela primeira vez em nível presidencial de uma cúpula da ASEAN. Para o Brasil, aproximar-se da Ásia significa aproximar-se de uma das regiões que mais impulsiona o crescimento, a inovação e a transformação da economia global.
É nesse contexto que a Coreia ocupa, é nesse contexto que a Coreia ocupa um lugar especial. Poucos países transformaram sua realidade com tanta rapidez e consistência. Em algumas décadas, o investimento em educação, inovação e capacidade industrial fizeram da Coreia uma referência mundial. Os jovens brasileiros são apaixonados pela Coreia. Cresce ano a ano o número de estudantes de coreano em universidades, centros culturais e institutos Kim Il-sung no Brasil.
Música, gastronomia e doramas coreanos conquistaram os brasileiros, sem falar no enorme sucesso das guerreiras do K-pop entre nossas crianças. O cinema coreano teve papel importante ao conferir alcance universal a narrativas locais. Jungkook e a primeira-dama Kim participarão em São Paulo de sessão especial da Mostra de Cinema Coreano no Brasil. Justamente hoje temos notícias vindas da Coreia que representam um grande, uma grande conquista da cultura brasileira.
A UNESCO, reunida na cidade de Busan, reconheceu o Teatro Amazonas em Manaus e o Teatro da Paz em Belém como patrimônio mundial cultural. É o merecido reconhecimento internacional da riqueza cultural da Amazônia brasileira, onde biodiversidade, história e criação humana se encontram de maneira única. Meu caro presidente, aproximação de Coreia e Brasil também se reflete em nossas relações econômicas. Apesar do ressurgimento do unilateralismo e do protecionismo em todo o mundo, o comércio bilateral entre a Coreia e o Brasil cresce de forma consistente e alcançou cerca de 11 bilhões de dólares em 2025.
É pouco diante do tamanho da Coreia e do tamanho do Brasil. E posso afirmar para imprensa brasileira e para imprensa coreana que depois dessa reunião de hoje, o ano que vem, o saldo comercial será bem maior do que os R$11 bilhões. O Brasil já é o principal destino dos investimentos coreanos na América Latina e ainda há muito espaço para avançar. Decidimos criar um grupo de trabalho que vai identificar sensibilidade dos dois lados, evitar que ela seja um empecilho para retomada das negociações de um acordo do Mercosul com a Coreia.
É importante lembrar para vocês que nesse grupo de trabalho eu indiquei o meu companheiro vice-presidente Geraldo Alckmin para ser o coordenador do nosso grupo. Para fazer com que a nossa relação possa andar mais rápido. E o presidente também indicou uma pessoa da confiança dele para facilitar os acordos entre Brasil e Coreia. Em 2025, o Brasil exportou quase 2 bilhões e meio de dólares em produtos agropecuários para a Coreia, após 17 anos de negociação.
Temos agora o compromisso concreto de realização de missão sanitária ao Brasil no próximo mês, passo decisivo para o acesso dos frigoríficos brasileiros ao mercado coreano. O fórum empresarial que será realizado em São Paulo amanhã com a presença do presidente Yi também vai contribuir para aproximar nossos setores produtivos e impulsionar os investimentos. A inovação é uma das principais marcas dessa parceria estratégica. Assinamos hoje memorando sobre educação e tecnologia industrial.
Queremos aproximar nossas universidades e empresas em áreas importantes para a economia do futuro, como semicondutores, economia digital, inteligência artificial e indústria aeroespacial. Também estamos aprofundando nossa cooperação em tecnologia de saúde, diagnósticos e medicamentos. A escolha do C-390 Milênio da Embraer pela Força Aérea da República da Coreia é um símbolo do potencial da parceria em defesa. A missão espacial da empresa coreana Indospace, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, abriu caminho para uma nova frente de cooperação tecnológica.
É importante dizer à imprensa brasileira que possivelmente em setembro teremos em Alcântara, na base de Alcântara, um novo lançamento de foguete. E nessa, presidente, eu faço questão de estar presente. Se o outro foguete não subiu, esse vai subir, sabe? E a partir desse, todos irão subir. Nossos países também compartilham o compromisso com o fim das desigualdades. Estamos juntos na Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, principal iniciativa brasileira durante a presidência do G20.
Em 2028, a Coreia assumirá esse posto e tenho certeza de que dará continuidade a esses esforços. Na semana passada, a FAO divulgou o relatório que indica que o Brasil registrou o menor índice de insegurança alimentar da sua história. Hoje o Brasil é um país menos desigual e mais sustentável. Temos uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, abundância de fontes renováveis e lideranças em combustíveis sustentáveis. O presidente e eu também conversamos sobre o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, o TFFF, uma iniciativa brasileira que inaugura um novo modelo de proteção das florestas tropicais.
Só para vocês entenderem corretamente, esse Fundo de Florestas Tropicais é uma inovação para quem quiser ajudar o cuidado do planeta Terra. Nós estávamos habituados a ficar pedindo dinheiro aos países ricos para que eles financiassem os pobres. Eu lembro que quando eu participei da COP15 em Copenhague, os países ricos ofereceram em 2009, assumiram o compromisso de dar 100 bilhões de dólares por ano para que a gente pudesse cuidar das florestas.
E do meio ambiente. Nunca deram, nunca deram. Então, ao invés da gente ficar pedindo favor, ao invés da gente ficar implorando, nós estamos propondo um fundo de investimento que os países e iniciativa privada, empresários que quiserem investir, investe. É uma parte do resultado desse investimento que vai servir para financiar os países que queiram preservar suas florestas. Presidente, quem conhece as dificuldades da vida aprende cedo o valor de cada oportunidade.
Nós dois viemos da pobreza. Hoje temos compromisso de melhorar a vida de cada cidadão e cada cidadã, de cada estudante, de cada trabalhador. Sabemos que a educação O trabalho e a democracia podem mudar o destino de uma pessoa, de um país. Ambos soubemos defender as nossas democracias frente aos ataques de setores extremistas. Seguiremos construindo um mundo regido pelo diálogo, pelo respeito entre as nações e pelo fortalecimento do multilateralismo.
A paz e o desenvolvimento não nascem da imposição, nascem da cooperação. É com esse espírito que Coreia e Brasil caminham lado a lado. Katchi gap shida, vamos juntos! Presidente, bem-vindo ao Brasil.