🎙️DISCURSO | Presidente Lula participa de encontro com lideranças do sistema de ciência e tecnologia no Brasil - 24-07-26
Lula defendeu a ampliação dos investimentos em ciência, tecnologia e educação como fatores para o desenvolvimento do país. O presidente afirmou que é necessário garantir planejamento e financiamento de longo prazo para a pesquisa e pediu que a comunidade científica apresente propostas para orientar as políticas públicas do setor.
Lula
- Investimento em Ciência e DesenvolvimentoPlanejamento e financiamento de longo prazo · Propostas da comunidade científica · PAC da Ciência e Tecnologia
- Desenvolvimento Humano e EducacaoUniversalização do ensino fundamental · Ensino integral em tempo integral · Criação de universidades · Educação para periferia e povo negro
- Ecossistema de inovação e pesquisaTransformação de pesquisa em produto · Nova Indústria Brasil · Revolução na área da saúde (SUS) · Descoberta do pré-sal · Minerais críticos e terras raras
- Desigualdade Social BrasilSalário mínimo e CLT · Cotas raciais e sociais · Direitos Indígenas · Universidade para povos indígenas
- Programas SociaisFome Zero e Bolsa Família · Farmácia Popular · Brasil Sorridente
- Essencialismo e Gestão de PrioridadesOrçamento apertado e priorização · Educação como investimento, não gasto · Juros da dívida pública
- Soberania nacionalPotencial do Brasil em recursos naturais · Necessidade de plano de defesa · Fronteiras e costa marítima
e viva e forte, sabe, do nosso lado. O nosso querido Leonardo Marquinhos, nosso ministro da Educação, a querida Francilene, já presidente da SPPC, e a Helena Nader, presidenta da Academia Brasileira de Ciências, a Raiana Assunção, reitora da Universidade Federal de São Paulo, o Aloysio Segurado, reitor da Universidade de São Paulo, Cooper Denise Carvalho, presidenta da Coordenação de Desenvolvimento Pessoal Nível Superior. O Olival Freire Júnior, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
O nosso companheiro Luiz Antônio Elias, presidente da Financiadora de Estudos de Projeto. O Renato Giannini, nosso ex-ministro da Educação e nosso companheiro também presidente da Sociedade Brasileira de Progresso para a Ciência.
O nosso companheiro Arthur Quioro, ex-ministro da Saúde e hoje um companheiro presidente da HUB, sabe? Era uma empresa alemã que tinha, que nós mudamos o nome a semana passada. Eu queria dizer para você que eu fui, fui enganado hoje, porque é o seguinte, eu só marquei para vir aqui porque eu não podia ir ao Rio de Janeiro. Então, por respeito a SBPC, eu falei para o meu companheiro que marca a minha agenda, eu vou para São Paulo, marca uma visita à sede da SBPC que eu vou fazer a visita porque eu não vou poder ir.
Sabe, ao Rio de Janeiro, e vou conversar um pouco quais são as pretensões da nossa gloriosa, sabe, nosso glorioso mundo da ciência. E cá estou eu, mas já assumi o compromisso de ir ao Rio de Janeiro. Então, ou seja, Eu não sei se eu ganhei ou você ganhou. Eu acho que eu queria dizer duas coisas para vocês muito rapidamente. Eu, quando vejo as pessoas falarem de números, eu fico imaginando o que aconteceu com o nosso país durante tantos e tantos anos.
A impressão que eu tenho era que todas as pessoas que governaram o Brasil durante muito tempo imaginavam o Brasil para um certo percentual da sociedade brasileira. Acho que poucas vezes o Brasil foi pensado para totalidade da sua população. E no campo da educação é a coisa que eu vejo mais, mais visibilidade disso. Ou seja, durante muito tempo a educação foi pensada para uma pequena parcela da população que nascia em berços privilegiados, porque a maioria da população não era, não era para estudar.
E não faz muito tempo que a gente tá falando isso, porque na nossa vida pessoal 50 anos dura muito, mas para uma nação 50 anos é nada. Eu lembro que quando o Paulo Renato, ele fez com que fosse universalizado a educação desse país, sabe, o ensino fundamental. Ele não se deu conta de que nas escolas do Nordeste não tinha ensino médio. E eu lembro que quando eu tomei posse em 2003, a gente teve que construir quase que estado de emergência escola para ensino médio em quase todos os estados do Nordeste.
E olha que o Paulo Renato era uma pessoa bem-intencionada, Sabe, era uma das pessoas que a gente tinha uma relação democrática e muito civilizada. Ele não era uma pessoa do mal, ele era uma pessoa do bem. Mas acontece que era a visão de uma elite. Hoje, sabe o que que eu lembro? Durante muito tempo, educadores importantes nesse país era contra o CIEP do Brizola. Dizendo que era muito caro. Quantas vezes e quantos debates eu participei, quantos debates para discutir a questão da educação, sabe, dos nossos educadores, gente muito importante, que eu não vou citar o nome aqui porque tem pessoas que já não existem mais, então não vou falar de quem não tá aqui.
Mas as pessoas falavam contra o CIEP dizendo, é muito caro, não é possível, isso não vai dar certo, não sei das quantas e tal. Ou seja, hoje há quase que uma unanimidade no país de que o ensino integral em tempo integral é a solução para esse país, para melhorar o nível da educação e dar amplitude na capacidade do que as crianças têm que aprender, inclusive despertar a criatividade das crianças. Ou seja, Eu tô falando de pouco tempo, eu tô falando de período em que eu vivi, eu não tô falando de coisa de séculos que eu não estava presente.
Eu estava presente e era parte das pessoas que participavam desses debates. E depois de dizer isso para vocês, eu fico me perguntando por que se demorou tanto para entender que era preciso fazer mais universidade nesse país. Por que que a gente demorou tanto para entender que era preciso dar às pessoas da periferia, ao povo negro desse país, o direito de estudar? Era porque era uma coisa cultural, era uma coisa da nossa vida. Nós nascemos assim e íamos continuando assim.
Esse país teve gente importante que chegou a dizer que o Brasil, para dar certo, teria que ser governado para 35% da sua população. Eu conheço isso no movimento sindical. Tem muitos sindicatos que nunca gostaram de fazer sócio. Por que não gostava de fazer sócio? Porque vivia com imposto sindical. Então recebia o imposto sindical para gastar com 10 pessoas. Se eu fizesse sócio, eu tinha que gastar com 1000. Então não fazia sócio, sabe?
E aí você vê, sabe, a razão pela qual as pessoas não querem fazer investimento. Quanto mais universidade fazer, quanto mais cientista a gente fazer, quanto mais doutor a gente formar, mais dinheiro vai precisar para educação, porque mais pesquisa vai ter que fazer. E quanto mais pesquisa a gente fizer e mais coisa a gente descobrir, para esse país, mais dinheiro vai ter que investir. Essa é uma lógica que deve permear as pessoas que governam o país.
Por isso eu resolvi vir aqui, para pedir para vocês o quê? Para cobrar de vocês o quê? Cobrar de vocês o seguinte: não, não, não, não, não espere que eu faça sozinho a coisa que tem que ser feita. Mesmo que eu soubesse, mesmo que eu fosse um cientista famoso, sabe, e vocês não insistissem, se não houvesse essa pressão, a gente não faz. E eu aprendi uma coisa no governo também, que é o seguinte, gente: a gente tem sempre um orçamento muito apertado.
Eu dizia que o cobertor, o orçamento da União, é como uma manta de avião. Você vai naqueles, viajou longe numa cadeira econômica? Já não vou nem falar da comida, vou falar da manta. É que você começa a sentir frio da cabeça aos pés e a desgraçada da manta não cobra cabeça aos pés. Você vai ter que escolher o que que você quer cobrir. O orçamento da União é assim, o orçamento da prefeitura é assim. O orçamento da SBPC é assim, o orçamento do sindicato é assim, o orçamento nunca permite que a gente faça tudo que é preciso fazer.
Como tem gente que não gosta de fazer tudo, é melhor ser assim. E o que que eu aprendi? Eu aprendi que a gente só consegue fazer as coisas se a gente for teimoso e resolver desafiar a nós mesmos. Quando eu pensei em fazer o programa Fome Zero, vocês pensam que eu tive apoio de imediato das pessoas que trabalham comigo, dos meus companheiros? Não. As pessoas levantam muita dúvida, muita dúvida. Mas será que vai dar? A gente começou com R$50 antes do programa se transformar no Bolsa Família, e tinha gente que achava que não dava, o orçamento não cabe.
Vocês pensam que foi fácil a gente pensar em fazer Instituto Federal? Não dá, o orçamento não cabe, orçamento não pode. Aí vamos fazer universidade. Você é louco, cara, o orçamento não dá, não dá para fazer, Lula, não dá para fazer. Você gosta de fazer extensão universitária pelo Brasil inteiro afora? Não tem orçamento, orçamento não cabe. E você só faz do orçamento caber se você tiver determinação de priorizar. E a gente conseguiu fazer muitas coisas que não estavam previstas a gente fazer, por teimosia, por disposição de fazer e por compromisso.
Para que que serve um operário se pretenda república se ele fizer as coisas iguais o que fizeram antigamente? Se vocês pegarem a história do Brasil, vocês todos sabem muito mais da história do Brasil do que eu, porque todos vocês têm pelo menos 30 anos mais de estudo do que eu. Vocês vão perceber o seguinte: em que momentos da história desse país, esse país teve política de inclusão social. Em que momento? Pesquise para vocês verem.
Desde que foi proclamada a República, o que que foi pensado para o povo brasileiro, para o povo pobre, para o povo trabalhador, para o povo da periferia, para o povo negro? Nada. Eu tive dois momentos importantes, eu digo sempre. Um deles foi em 1936, quando Getúlio Vargas resolveu criar o salário mínimo, porque até então o povo não tinha salário. E o segundo momento foi em 37, em 45, quando ele criou a CLT. Hoje tem muita gente que é contra a CLT, tem muita gente que acha que a modernidade essa é contra a CLT, mas quando ela foi criada, a gente trabalhava num sistema de escravidão, não tinha horário de trabalho, não tinha horário de entrada, não tinha jornada, não tinha férias, a gente não tinha direito.
Por isso é que aqui em São Paulo não tem nenhuma viela com o nome do Getúlio. É por isso, porque ele conseguiu romper com uma tradição conservadora em que as pessoas de nível mais baixo não eram levadas em conta. Vocês não têm noção da alegria que eu vejo hoje a USP ter metade de gente estudando, negros, pardos e da periferia. Não tava alegria que eu tenho. A USP era uma universidade, vamos ser francos, de brancos, de gente de classe média, mas universidade para pobre estudar.
E graças a Deus houve essa evolução. E até hoje tem gente que não acredita, que tem raiva das cotas, até hoje. Porque o problema é que as pessoas não se contentam em que a gente não tire deles. O que a pessoa não gosta é que a gente faça com que os pobres sejam iguais a eles, tem a mesma oportunidade. Eu lembro que uma vez eu tava numa rua aqui em São Paulo, perto da 25 de Maio, eu, Minucarta, o Vefó, e tinha mais uma pessoa comigo.
E nós fomos no restaurante comer uma feijoada. Eu não fui comer esse caracol, fui comer feijoada. E tinha duas mulheres bem vestidas sentadas numa mesa, e eu fui ao banheiro, passei perto dela, e as duas me dizem assim: é, ele disse que defende o trabalhador, mas veio comer no nosso restaurante. É assim que se pensa o mundo. Então vocês não pensam que os pobres incomodavam quando começaram a utilizar o Parque do Ibirapuera? Vocês não pensam que o pobre começa a incomodar quando ele começa a ir no cinema, quando ele começa a ir nos teatros, quando ele vai para o aeroporto?
Apelidaram o aeroporto de rodoviária porque tinha pobre lá. E as pessoas não percebem que os pobres têm como grande sonho deixar de ser pobre, porra. Ninguém faz opção para ser pobre, né? Você faz opção para ser o que você quiser, jornalista, médica, dentista, tudo, mas você não faz opção para ser pobre, você não faz. Então, sabe, é isso que eu aprendi governando, como é que a gente faz para excluir os pobres nas coisas desse país.
Como é que você faz? Ou seja, vocês acham que a sociedade brasileira aceita com facilidade a gente propor a criação de um Ministério dos Povos Indígenas? Vocês acham que a sociedade acha normal a gente agora criar uma Universidade Federal para os povos indígenas e que a gente quer que o reitor seja indígena, que a gente quer que os professores sejam indígenas e que os alunos sejam indígenas? Você acha que é normal isso? Tudo isso é muito estranho a uma elite, sabe, que nunca aceitou isso de graça.
Então, quando você vai construir o orçamento da União, se você não tiver determinação de brigar por alguma coisa— eu digo para vocês, a primeira grande briga que eu fiz no governo, em 2003, foi proibir tratar educação como gasto. Porque assim, tudo que a gente faz é gasto, e ninguém fala que pagar 1 trilhão de juros da dívida é gasto. Ninguém gasta. Você não vê um jornal escrever uma matéria: nossa, o governo tá gastando 1 trilhão, sabe, com juros, poderia estar gastando com educação.
Não, você pode pegar que as primeiras matérias do final de dezembro, começo de janeiro, é cobrando o fiscal. Porque cobrar o fiscal significa garantir o pagamento, sabe, dos juros. Então nesse lenga-lenga nunca sobra dinheiro para fazer as coisas necessárias. Vocês acham que as pessoas gostavam de investimento em pesquisa. E as pessoas precisam ser educadas, porque no Brasil também, Janine, tinha uma coisa séria com pesquisa. Você tinha uma certa teoria na pesquisa que o cara gostava de pesquisar, mas o resultado da pesquisa ele gostava de colocar na gaveta.
Muita gente, sabe, pensava, pesquisava, fazia suas teses, mas depois isso se transformava num projeto. Um projeto que pudesse servir um produto ao país, que pudesse atender o crescimento de uma nova coisa nesse país. Isso mudou, isso mudou. As pessoas hoje estão querendo pesquisar e estão querendo transformar o resultado da sua pesquisa em algo que seja útil para todo mundo. E aí a gente tá com sucesso da Nova Indústria Brasil.
A gente tá vendo a revolução que a gente tá tendo na área da saúde. Eu digo todo dia, todo dia, o SUS nunca teve tão respeitado e admirado no Brasil como ele tá agora. Nunca, nunca teve. Precisou acontecer a desgraça do COVID para que o SUS pudesse sair de cabeça erguida Sabe, com uma maior autoridade, sabe, que salvou muito mais gente de morrer nesse país. Quando a gente descobriu o pré-sal, aquilo foi resultado de teimosia de inventar, de investir em pesquisa.
Porque se você não investe em pesquisa, você não vai achar nada, não vai achar. O que que é essa tal de terra rara, de, de minerais críticos. Ou seja, se a gente não pesquisar e não investir, sem saber se vai dar certo ou não, a gente não vai entrar nessa disputa. A gente vai ficar vendo o Trump brigar com o Xi Jinping. E como o Brasil tem um potencial extraordinário, nós temos que nos qualificar para que a gente seja dono do que nós temos no nosso território.
O Brasil não será exportador de terras raras Sabe, de minerais críticos e Natura. Não. Então, eu queria dizer para vocês o seguinte: olha, se nós quisermos resolver os problemas do país, nós vamos ter que criar projetos, projetos que tenham começo, meio e fim, projetos que tenham sustentação, para nós tentarmos discutir que aquele projeto tem que estar fora do arcabouço fiscal. Ou seja, é preciso convencer o Senado, convencer a Câmara dos Deputados de que se a gente quiser chegar na ciência e atingir um patamar em 10 anos, nós temos que dizer: durante 10 anos nós temos que ter tais investimentos, tem que acontecer tais coisas para a gente poder resolver o problema do Brasil.
E para educação, a mesma coisa. Se a gente não definir um dinheiro para educação, não sei se é 10, se é 15 ou se é 5 anos, a gente não resolve. Porque se ficar dependendo do governo que entra diminuir o orçamento, do governo que entra criar, bota, do governo que entra criar, ou seja, se não tiver algo que seja perene, que a gente saiba que todo ano vai ter, e a gente ficar dependendo da vontade de quem decide, não teremos jeito.
Eu agora quero, já falei para as Forças Armadas que eu quero um plano de defesa nesse país, alguma coisa séria, porque não é possível um país com 16.800 km de fronteira seca, 8.000 km de costa marítima, mais 5.700.000 km de água à nossa responsabilidade, mais maior reserva florestal do mundo, 12% da água doce, uma riqueza mineral que a gente ainda não sabe, na terra e no mar, e a gente esteja tão desprovido de defesas. Qualquer dia o que ou não resolve invadir o Brasil e vem aqui, sabe, nos criar problema.
Ah, é difícil? É difícil não. O Paraguai um dia invadiu o Brasil, Argentina, Uruguai, da sua vez. Para fazer coisa boa, o cara tem que pensar. Mas para fazer loucura, o cara não precisa pensar. E eu fico pensando, por que que você não me entrega um estudo, Francilene? Quanto custou a guerra do Paraguai a esse país? Quantos orçamentos do país a gente teve que gastar para poder vencer aquela guerra que durou 5 anos? Então eu tô aqui, querida, e vou na SBPC para pedir para vocês o seguinte: apresentem um projeto de ciência que seja convincente, não apenas para os cientistas desse país, os pesquisadores, mas que a gente possa convencer a sociedade de que com aquilo o Brasil dará um salto de qualidade.
Se a gente conseguir essa proeza, porque quando eu cheguei era meu ministro, ele era vivo, nós fizemos uma pesquisa na Secretaria de Assuntos Estratégicos e a única coisa que teve unanimidade de 100% foi que o povo queria educação de qualidade. Aí, na segunda pergunta, você perguntava: o que que você prefere? Qual é o teu maior sonho? Educação de qualidade. Aí você perguntava: é possível? Só 40% acreditava. Então nós temos que convencer a sociedade a acreditar nos projetos, nós temos que convencer a sociedade.
E hoje nós temos resultados fantásticos, sabe, de que é possível. Eu fico vendo os números. Vocês não pensam que eu gosto de comparar para mostrar que eu fiz mais. Eu gosto de comparar para mostrar a ineficiência de século nesse país, de responsabilidade, porque custa muito pouco fazer as coisas que a gente faz, custa muito pouco. Então, veja, se a gente começar a pensar, Francilene, você precisa saber o seguinte: 51% de todas as terras disponibilizadas para reforma agrária nesse país foi feita entre 2003 e 2008.
Se você imaginar, 49% de todas as terras quilombolas demarcadas nesse país foi feito de 2023 até essa data. Ou seja, numa demonstração que quando você quer, você faz, mas se você quiser quebrar barreiras, porque não é só a lei que proíbe, é a burocracia. Se você tem um projeto bom e ele passa na mão de um burocrata, eu vou contar um exemplo: Farmácia Popular. Farmácia Popular, eu chamei meu companheiro ministro, falei: eu quero um programa para distribuir remédio de graça para o povo pobre, porque eu conheço muita gente que ia no médico fazer a consulta, pegava essa consulta, ia na farmácia, não podia comprar remédio e morria.
Morria com remédio embaixo, com a receita embaixo do travesseiro. Hoje não pode falar mais criado-mudo, porque é politicamente incorreto, mas as pessoas morriam sem comprar remédio. Depois, as pessoas morriam comprando remédio porque não tinha segunda consulta, porque não tinha máquina para fazer imagem. Então nós estamos resolvendo tudo isso com muita clareza. E com muito investimento e com muita briga. Da mesma forma, sabe, o programa Brasil Sorridente.
Vocês acham que alguém queria que eu criasse um programa para cuidar de dente das pessoas? Não era habitual pobre custar de cuidar de dente. Eu fui do departamento médico do sindicato naquele tempo. O trabalhador, o trabalhador ia no dentista, ele não pedia para tratar, ele falava: arranque esse dente que tá doendo, arranque esse dente. Tratamento de canal é coisa sofisticada, sabe? As pessoas não pediam para fazer, as pessoas iam pedir para arrancar.
A gente é que brigava com o dentista para não fazer. E no sistema de saúde desse país não era contido o pensamento de saúde bucal. O corpo inteiro era tratado como uma coisa de saúde bucal, mas como uma coisa de doença. A boca não. Então nós criamos o Brasil Sorridente. Não foi fácil, mas hoje sabe o que que nós compramos? 850 VAM, ambulatório dentário. Com máquina 3D para fazer prótese. Não tem mais aquele molde que enfia uma placa na boca do cara e fica.
Não, hoje não. Hoje é escaneado a boca do cidadão. Hoje em dia eu sou de uma região em que na época da eleição os candidatos majoritários levavam cesta de dentaduras prontas para as pessoas pegarem na cesta e experimentar Se não caísse, tava pronta. É nesse país, até outro dia, não é um país antigo não, é aqui nesse país, pela falta de respeito. Então quando você fala em pesquisa, o cara fala: porra, dá dinheiro para esses malandro pesquisar?
Pesquisar o quê, porra? Ficar estudando 4, 5 anos gastando o nosso dinheiro e não vai dar resultado? É assim que muita gente pensa. Então nós temos que ter teimosia para defender o que é correto nesse país. E portanto eu quero dizer, eu já fiz uma vez, os mais pesquisadores com mais experiência aqui sabem que quando nós criamos o PAC da Ciência e Tecnologia, nós colocamos R$41 bilhões e vocês mesmos, foi montado um comitê de cientistas para pesquisar a aplicação do dinheiro e quando chegou no final do meu mandato em 2010, houve um encontro lá em Brasília porque tinha sido aplicado 100% do dinheiro determinado pelo comitê que criou.
Isso pode ser feito outra vez e a gente pode ter o dinheiro que a gente necessita da gente convencer a sociedade. Então é o seguinte, preparem e me entregue terça-feira quando eu for nessa BBC. Prepare, tá? No mais, gente, um prazer estar aqui com vocês, ver tanta gente importante, tanta gente que eu já convivi, ver que o meu amigo Tadinho tá mais gordinho aqui, tá mais gordinho. Mas foi bom, tá? Pode contar comigo. Se você estiver no Rio de Janeiro, eu estarei lá na terça-feira para a gente fazer um bom debate, uma boa discussão, tá? Muito obrigado.