🎙️DISCURSO | Presidente Lula visita unidades industriais da empresa Avibras Aeroco - 24-07-26
O presidente destacou a retomada das atividades da empresa de alta tecnologia de defesa e espacial e defendeu o fortalecimento da indústria do setor como estratégia para ampliar a capacidade tecnológica, preservar empregos e reforçar a soberania nacional.
Foto: Ricardo Stuckert
Lula
- Recuperação da AvibrasAvibras Aeroco · Defesa Nacional · BNDES · Ministério da Ciência e Tecnologia
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- Empresas admiradas no BrasilIndústria automobilística · Produção de carros · BNDES · Exportação de defesa
Bem, meus queridos companheiros e companheiras, já quero aí, e são ideias dos campos e do Vale do Paraíba, queridos trabalhadores da Avibras, queridos companheiros e companheiras jornalistas que estão cobrindo esse evento, convidados da Avibras, e da presidência, que estão participando aqui, ministros, a nossa histórica vereadora, né, média, Zé dos Campos, sabe. Eu sinceramente, hoje é um dia especial, eu vou contar por que que é um dia especial.
Quando eu ganhei as eleições, Uma das primeiras reuniões que eu fiz, em janeiro ou em fevereiro, eu convidei o ministro da Defesa, o comandante da Marinha, o comandante do Exército, o comandante da Aeronáutica, meu vice-presidente, então ministro da Indústria e do Comércio, com o Pero Alckmin, o presidente do BNDES, Aluísio Mercadante, A nossa ministra de Ciência e Tecnologia, Luciana, e o companheiro Luciano Coutinho, que tava trabalhando na possibilidade de recuperar a Avibras.
E disse para eles que não tinha justificativa. Mancha, pô, eu tô te vendo aqui, mancha. Eu, eu disse para eles que não tinha explicação política, econômica, social, e não tem explicação também como nação soberana a gente presidiu um país que tinha uma empresa que tinha acumulado o conhecimento tecnológico da Vibrave. Que produzia uma coisa tão importante para a segurança do país, paralisada, sendo destruída, onde naquela época os dois maiores credores era o BNDES e o Ministério da Ciência e Tecnologia.
Eu na época cheguei até sugerir para eles que os dois deveriam falar com o juiz, assumir o controle da Vibras como credores, sabe, da empresa. E depois a gente ia ver o que é que a gente ia fazer. Mas sabe o que acontece? É que quando a gente faz uma reunião com ministro, depois do ministro vai conversar com os assessores dele, ele vai, a burocracia entra em campo.
E quando a burocracia entra em campo, aparece, sabe, o procurador-geral da Fazenda que diz tal coisa não pode ser feito.
Aparece o procurador do Ministério Público, advogado, que diz que não pode ser feito, sabe? E a coisa, vamos trabalhando. Eu acho que eu nunca conversei com o Zé Múcio sem perguntar da Avibras nesses 4 anos. E quero dizer para vocês que muitas vezes eu fiquei muito puto da vida. Como é que se demora tanto para resolver um problema que as Forças Armadas queriam, que o presidente queria, que o ministro da Defesa queria, que o vice-presidente queria, que o BNDES queria, que o ministério queria e não acontecia.
Muitas vezes eu fiquei muito puto da vida, porque é assim que as coisas acontecem às vezes.
Por mais que a gente queira fazer as coisas, tem sempre, sabe, uma coisinha para atrapalhar. Então é por isso que eu tô feliz. Essa é a primeira coisa, porque a gente tá tomando consciência e fazendo a sociedade brasileira— nós temos 16 milhões, 16.800 km de fronteira seca. Nós temos 8 mil quilômetros de mar, ainda controlamos da nossa responsabilidade 5 milhões e 700 mil quilômetros de água que a gente tem que tomar conta no mar.
A gente tem fronteira com todos os países da América do Sul, menos com Chile e com Equador. A gente tem a África na nossa frente e a gente tem uns loucos pelo mundo querendo fazer guerra. E a gente não pode se esquecer que, embora a gente só goste de paz, a gente seja de paz, nós gostamos de carnaval, nós gostamos de futebol, nós gostamos do Corinthians, mas nós gostamos do Vasco, tá? Então veja, então a gente gosta de tudo, a gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil.
Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, ao mesmo tempo invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou 5 anos. E aquela guerra, eu ainda não tenho preciso, mas deve ter consumido o equivalente a 5 orçamentos do país daquela época. Porque quando tem uma confusão, ninguém fica perguntando se tem dinheiro, não tem dinheiro. A hora que começa a confusão, ou você arruma ou você tá ferrado. Então nós tomamos uma ação de que cuidar da defesa.
Esse país é muito poderoso. Além dessa quantidade de 8 milhões e meio de quilômetro quadrado, a gente ainda não sabe a riqueza dos minerais críticos e terras raras que a gente tem nesse país. A gente tem a maior floresta do mundo, sabe? Como reserva. A gente tem 12% de água doce do planeta Terra, a gente tem 217, 214 milhões de pessoas que a gente tem que tomar conta, sabe? Então nós precisamos levar em conta que a defesa é séria, porque se a gente vai conversar com algumas pessoas, vai gastar dinheiro com Forças Armadas para quê?
Não precisamos disso, não precisamos disso. Eu sempre falo o seguinte: as Forças Armadas É que nem Deus, você pode não acreditar, mas quando você tiver a primeira dor de barriga, você vai: ai, meu Deus! Não é isso? Então, as Forças Armadas, a mesma coisa. Por isso que eu digo o seguinte: eu quero as Forças Armadas bem preparadas, bem treinadas, com os soldados que for suficiente para tomar conta desse país. E quero ela bem preparada do ponto de vista do poderio de armamento, de conhecimento científico e tecnológico, para que a gente possa andar de cabeça erguida, sem nenhuma arrogância, falando em paz, mas preparado para não deixar ninguém meter o nariz no nosso país.
É por isso que eu estou aqui feliz. E a terceira coisa que eu estou feliz, é pelos trabalhadores. Eu confesso a você, companheiro, meu presidente do sindicato, que eu não conheço, não conheço, vim conhecer aqui momento em que trabalhadores ficaram 33 meses sem receber salário, 36, essa empresa fechada mais de 2 anos, e aqui não se quebrou uma luz. Aqui não se roubou uma torneira e todas as máquinas que são necessárias ao funcionamento das empresas estão intocáveis, preparadas para produzir mais tantos anos.
Por isso eu quero dizer para vocês, eu quero dizer para vocês que eu tô muito orgulhoso de todos vocês e muito orgulhoso também pela capacidade de fazer o acordo. Porque não é qualquer cara que aceita uma conta para receber o atrasado em 36 meses, até 48 meses. E o que vocês fizeram foi um gesto de muita maturidade política. Por isso eu quero dar os parabéns aos sindicatos, porque foi uma TED de muita maturidade política. Primeiro, pela compreensão da importância da empresa.
Segundo, pela compreensão da importância de que o mais importante era vocês voltarem a trabalhar, voltar a ter o salário diário, e o atrasado parcelar para que a gente possa ajudar a encontrar o dinheiro e vocês receberem, e o Brasil ficar com a consciência leve diante da grandeza de vocês a fazer esse acordo para recuperar a Vibras. Eu quero dizer para vocês que pode ficar tranquilo. Eu já falei com meu ministro Zé Musso, já falei com a Luciana e já falei com o homem aqui da Vibras, com o Silvério.
Nós vamos, cada dinheiro que entrar na Vibras, nós temos que saber uma parte será para pagar a dívida em atraso com os trabalhadores e trabalhadoras. Porque se vocês são motivo de orgulho para o presidente da República, se o sindicato é motivo de orgulho pela maturidade da compreensão da importância da empresa e do momento político que estamos vivendo, nós temos que ser motivo de orgulho para os trabalhadores e cumprir aquilo que nós prometemos no acordo dos trabalhadores.
É simplesmente isso que nós temos que fazer, porque esse país, quando volta a vibrar— eu, Alckmin, ontem, antes de ontem, recebemos a indústria automobilística, a Stellantis, uma empresa italiana que foi, foi Fiat, né? Então nós recebemos. Uma coisa para vocês saberem: em 2012 o Brasil licenciava por ano 3 milhões e 800 mil carros, eram emplacados todo ano. 2012 eram 3 milhões e 800. Quando eu voltei em 2023, o Brasil só emplacava 1 milhão e 600 mil carros, metade daquilo que a gente emplacava em 2012.
E antes de ontem nós recebemos a notícia: este ano nós vamos voltar a emplacar 3 milhões de carros. Crescemos 1 milhão e 400 mil carros, sabe, nesses 3 anos e meio. Isso numa demonstração de que esse país foi quase destruído. Esse país aqui, quando a gente fala de educação, quando a gente fala de tecnologia, quando a gente fala de indústria, quando a gente fala do Ministério do Trabalho, Ministério do Desenvolvimento, Ministério da Igualdade Racial, Ministério da Mulher, todos foram acabados em nome da moralidade.
Em nome de Deus, eu lembro quantas vezes o BNDES foi acusado que tinha uma caixa preta. Eu vou acabar com a caixa preta do BNDES. O imbecil ganhou as eleições, ele não achou caixa preta. Caixa preta tava na cabeça dele, que tava atrofiada de inteligência, não tinha inteligência. E depois de meter o pau no BNDES, investigar, se rendeu. A competência do BNDES que é o banco que tem a maior competência de trabalhar com investimentos de longo prazo com a indústria brasileira.
E sabe quanto que eles têm dado emplência? 4 a 0, numa demonstração da seriedade com que o BNDES trabalha. E o nosso companheiro Luiz Mercadante é motivo de orgulho para nós, e a diretoria do BNDES também é motivo de orgulho para nós. Essas coisas só acontecem porque a gente colocou gente que tem interesse nesse país. Então, companheiros e companheiras, hoje é um dia especial para as Forças Armadas Brasileiras, que agora tem que se preparar para a gente fazer as encomendas necessárias, necessárias, num pensamento de médio e longo prazo, para que o Brasil, sabe, se alguém Eu teve um tempo, teve um tempo, eu era molecão, tinha uma garrucha 22 e eu não colocava bala na garrucha, eu com medo de me machucar com as balas.
O Brasil não pode ser assim, nós não podemos ter as Forças Armadas, ter aeronáutica, marinha, sabe, e não ter as coisas que a gente precisa. Quando alguém quiser invadir a gente, falou, não invada agora não, deixa eu comprar, me dá um 6,5 Bravo, um 8. Ninguém espera, cara. Ninguém espera. Então as Forças Armadas, junto com o Ministério da Defesa, vão se preparar para a gente fazer as encomendas que for necessário fazer. A gente vai ter que viajar, Zé Múcio, aqui, o Márcio, vendendo, vendendo, vendendo coisa.
E quando eu vender uma arma lá fora, eu falo: gente, essa arma foi feita por trabalhadores brasileiros e trabalhadoras, muitos deles corinthianos, e que não querem matar ninguém. Essa arma é da paz. Essa arma não é para você detonar, é só para você falar que tem, para ninguém mexer com você. E nós vamos vender. E uma coisa que foi falada aqui pelo companheiro Alckmin: a gente exportava R$600 milhões pela Vibras, R$600 milhões.
Esse ano exportamos na defesa, exportamos R$3 bilhões e R$700 milhões. Isso a gente vai poder fazer muito mais.
E o que eu posso dizer para vocês é que aquilo que eu puder fazer para que o emprego de vocês seja garantido e que vocês possam sustentar as mulheres de vocês, os filhos de vocês, a família de vocês, à custa do suor de vocês, pode ficar certo que eu vou fazer, tá?
Por isso, um grande abraço. Um grande abraço tanto ao Alckmin, a Defesa, ao Márcio, ao BNDES e aos demais. E parabéns ao sindicato pela tua decisão, querido. Que Deus abençoe todos nós e que o mundo viva em paz.