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🎙️DISCURSO | Lula defende a soberania e a democracia ao celebrar aliança com o PDT - 20-07-26

21 de julho de 202619min
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Durante discurso na sede do PDT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania nacional, criticou a privatização de ativos públicos e reforçou a educação em tempo integral como investimento prioritário. Ele também destacou sua motivação para disputar a eleição e pregou a defesa firme das instituições democráticas.


Foto: Ricardo Stuckert

Participantes neste episódio1
L

Luiz Inácio Lula da Silva

HostPresidente
Assuntos4
  • STF e DemocraciaHistórico da democracia no Brasil · Crítica ao negacionismo e à mentira · Golpe contra Dilma Rousseff
  • Soberania nacionalOrgulho nacional · Construção histórica do Brasil
  • Investimento em Educação e TécnicosEducação em tempo integral · CIEPS · Comparativo de custos: prisão vs. educação
  • PrivatizaçõesBR Distribuidora · Liquigás · Empresas de fertilizantes
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LILuiz Inácio Lula da Silva

Bem, primeiro eu quero, Lupe, dizer a você da minha alegria de poder estar na sede do PDT para discutir mais uma eleição. Eu tive aqui na última vez numa homenagem que nós fizemos ao Brizola, e eu acho que O Brasil, o Brasil sente saudade do tempo que a gente fazia política nesse país com um pouco de decência, com um pouco de respeitabilidade ao povo brasileiro, porque a política nos últimos anos apodreceu. E eu acho que a gente fica vendo aqui na mesa tanto os brisolistas, vendo a neta do Doutor Arraes aqui, vendo pessoas como o Riquião, vendo pessoas como Vivaldo Barbosa, vendo pessoas que brigaram a vida inteira para que a gente restabelecesse o processo democrático no Brasil.

E depois da gente ver o que aconteceu no Brasil nos últimos 6 anos antes da gente voltar A gente tem que dizer alto e bom som que não há nada mais sagrado nesse momento histórico do que duas coisas para marcar uma campanha política nesse país. Primeiro, a defesa da soberania nacional. Nós precisamos voltar a fazer com que o povo brasileiro sinta orgulho de que esse país foi criado e construído por brasileiros. Nós somos o que nós somos por 350 anos de escravidão.

Nós somos o que nós somos pela matança de quase 5 milhões de indígenas na história desse país. Mas nós queremos uma coisa sagrada: aqui nós erramos por nós, nós acertamos por nós, e aqui ninguém diz o que nós vamos fazer. Aqui nós decidimos o que fazer, porque isso significa a gente voltar a andar de cabeça erguida e defender a nossa soberania. A outra coisa é a questão da democracia. Aqui tem gente que já viveu em democracia antes do golpe militar, depois experimentou, sabe, como era boa a democracia.

Durante 23 anos de regime militar, a gente sentiu saudade da democracia. E depois, as pessoas sentiram o quanto a democracia era boa antes do golpe na presidenta Dilma Rousseff. Ou seja, depois do golpe na Dilma, a gente sentiu o que foi plantado nesse país. E a gente hoje sente saudade do tempo que a gente disputava eleição com Brizola, com Ulisses Guimarães, com Mário Covas, sabe, com tanta gente que defendia a democracia. Hoje o que está estabelecido no país, sabe, é uma coisa de ódio, uma coisa negacionista, uma coisa de pessoas que prima pela mentira, que prima pela inverdade, que prima por tentar difamar nome e figura de pessoas.

Eu sou candidato pela quarta vez a presidência da República desse país. Eu confesso a vocês, confesso a vocês, eu digo sempre, todo dia, de que eu tenho 80 anos de idade e hoje eu estou mais motivado e mais preparado do que quando eu tinha 57 anos e fui eleito presidente da República pela primeira vez. E uma coisa, Lupo, uma coisa para mim é sagrada, é o valor do que significa a democracia para o povo brasileiro. Eu senti na pele a capacidade, a facilidade da destruição das coisas que são construídas com muito sacrifício e que são destruídas.

Você assumiu o governo junto comigo em 2023. E você sabe o quanto essa gente destruiu o país em apenas 6 anos depois do golpe contra Dilma. Além da quantidade de ministérios que foi destruído nesse país, quase todas as políticas públicas que tinham virado conquista do povo brasileiro foi destruído outra vez, e nós tivemos que recompor tudo outra vez. Só para você ter ideia, a nossa indústria naval, que tinha, nós tínhamos pego ela em 2003 com apenas 6 mil trabalhadores, que tinha chegado a 82 mil trabalhadores quando nós deixamos a presidência.

Quando nós voltamos agora, só tinha 16 mil e já estamos com 75 mil outra vez e pretendemos chegar a mais. Hoje vocês não têm noção do significado da destruição que eles fizeram com a nossa querida BR da Petrobras. Vocês não têm noção. Eu fico perguntando a todos os especialistas, alguém me dizer o que que esse país ganhou privatizando a BR. Qual foi o ganho desse país? O que que o trabalhador ganhou? O que que o país ganhou? Nada.

Absolutamente nada, apenas entregamos um patrimônio público brasileiro que hoje poderia estar nos ajudando a fazer o enfrentamento à guerra do Irã e dos Estados Unidos, tentando evitar o preço do petróleo. Hoje nós não temos uma distribuidora, hoje nós não temos uma distribuidora de gás que eu tinha comprado, a Liquigás, você estava no governo e eles venderam. Eles tentaram destruir a Petrobras, nós agora estamos tentando recuperar.

As empresas de fertilizantes. Já recuperamos a do Paraná, já recuperamos a de Sergipe, já recuperamos a da Bahia. Estamos refazendo uma que nós deixamos pronta, Lupo, faltando 15% para ela produzir ureia para esse país. 15% faltava em 2010, faltava 15%. Até hoje ela não foi construída. Nós tivemos que recuperar essa empresa para que a gente passe a produzir no mínimo 36% do fertilizante que esse país deixou de produzir ao longo desses últimos anos nesse país.

Bem, vocês sabem da minha obsessão, sabe, pela educação e da minha obsessão pela inclusão social. Eu digo sempre que nós já fizemos muito. Mas ainda fizemos pouco pelo tanto que esse povo necessita, pelo tempo, o tanto de tempo que esse povo ficou esquecido. Eu, portanto, Lúcio, quero dizer para você, eu fico feliz pela decisão do PDT, porque o PDT tem uma coisa muito engraçada na relação comigo. Mesmo quando eu e Brizola brigávamos A gente nunca deixou de ser amigo, nunca deixou de ser amigo.

Por mais que a gente tivesse divergência, a gente teve uma relação respeitosa. E hoje, passado tanto tempo, eu posso dizer para vocês, o nosso querido engenheiro Léo de Moura faz falta na política brasileira no dia de hoje, como faz falta uma pessoa da dignidade do Miguel Arraes Como salta, as pessoas precisam aprender. E eu queria que vocês lessem a biografia do Getúlio Vargas, as últimas duas biografias do Getúlio Vargas. Aqui vai de até 30, a de 30 a 45, e a de 45 até o suicídio dele em 54, para vocês verem como o que o Getúlio pensava em 1950 está atualizado em 2026.

Quando você lê a biografia, você tem a impressão que nada aconteceu nesse país, nada. E a gente tem que lembrar, eu digo todo dia, Lúpio, eu tô disposto a discutir com qualquer um, vocês têm que pegar toda a história do Brasil, da Proclamação da República, que na verdade não foi proclamada a República, foi um golpe que deram naquele tempo, depois do fim da escravidão, vocês têm que lembrar o seguinte: pegue de Marechal Deodoro da Fonseca até a gente chegar ao governo e veja em que momentos da história desse país teve política de inclusão social.

E eu lembro sempre, teve dois momentos: Getúlio Vargas em 1936, com salário mínimo, e Getúlio Vargas em 1943, com a CLT. Hoje tem gente que critica a CLT, mas imagina o que era o Brasil antes da gente ter tido a coragem de ter um presidente que fizesse a consolidação da Lei do Trabalho a ponto dele não merecer nenhum nome dele numa viela em São Paulo, porque a elite empresarial nunca perdoou Getúlio Vargas. E eu digo isso à vontade porque eu comecei Eu comecei a minha vida política criticando Getúlio.

Eu dizia que Getúlio Vargas tinha criado a estrutura sindical brasileira cópia fiel da Carta de Lavoro de Mussolini, e você sabe disso. E hoje, depois de acompanhar tanto e ler tanto sobre Getúlio, eu acho que em nenhum momento da história o país teve um presidente da envergadura que ele teve, Getúlio, e que pensasse o Brasil como ele pensou nos anos em que pensar o Brasil era muito difícil. Criar a Petrobras em 1953 era muito difícil, era muito difícil imaginar criar a Petrobras, porque a elite brasileira achava que o Brasil não tinha petróleo.

Depois, quando descobriram que tinha, acharam que não era preciso. Era muito complicado, era muito complicado a gente entender o Brasil, porque depois que houve a vitória, sabe, contra a Revolução de 32, que na verdade era uma tentativa de golpe contra o Estado brasileiro, ou seja, São Paulo tomou a decisão de continuar governando o Brasil pela inteligência. E criou a USP. E esse país, só para você ter ideia, São Paulo só tinha uma universidade federal, que era em São Carlos, porque era pensado em que São Paulo, ao ter perdido para o Getúlio Vargas a Revolução de 30, São Paulo queria governar pela inteligência.

E é verdade que a USP ofereceu muita gente boa a esse país. É verdade que a USP virou um centro de excelência, ainda hoje o melhor centro de excelência que nós temos no Brasil. Mas é verdade também que o Brasil é muito maior, e eu tenho muito orgulho de dizer, embora eu não tenha diploma universitário, eu sou o presidente que mais fiz universidade, extensões universitárias, institutos federais do país. E isso vai continuar. Isso vai continuar porque não é possível a gente falar do futuro desse país sem investir em educação.

Todos vocês sabem que eu proibi no governo utilizar a palavra gasto quando se fala de educação. Educação é investimento sem o qual a gente nunca será um país altamente soberano, um país independente, porque a gente quer continuar exportando soja A gente quer continuar exportando minério de ferro, a gente quer continuar exportando qualquer coisa, mas nós precisamos saber que esse país vai ser mais forte quando a gente tiver exportando inteligência e conhecimento.

E isso a gente só faz através de uma revolução na educação. Ah, vocês não sabem como eu tenho pensado, quantas vezes eu fiz debate sobre educação e como foi inteligente o Brizola quando criou o CIEPS, que quase ninguém queria colocar em prática porque era muito caro. Veja que engraçado, quando o Brizola decidiu me apoiar em 89, aquela decisão do Brizola foi uma tortura, porque eu cheguei no apartamento do Brizola, tava lá o Brizola o Vivaldo, que eu vi aqui atrás, tava lá o Brandão Monteiro, que era o líder do PDT aqui no Congresso Nacional, e tava o deputado do PDT de Resende, que era o dono da— é, pois bem, naquela reunião o Brizola chegou a propor que eu deveria desistir porque eu e ele tínhamos tido um empate.

Eu tinha tido 500 mil votos a mais do que ele e que eu tinha tido um empate, que era importante que eu desistisse de ser candidato no segundo turno para a gente apoiar o Mário Covas. Eu falei, Brizola, isso aqui não é mais pesquisa, é um resultado eleitoral. Eu tive 500 mil votos a mais do que você. Sabe, se o povo quisesse votar no Mário Covas, teria votado. Não tem explicação para a sociedade a gente desistir para apoiar o Mário Covas.

E o Brizola, depois que decidiu, porque o Brizola ele inventava umas coisas da história dele que era o seguinte: ele, quando ele começou a pensar em me apoiar, ele resolveu me contar uma história de um líder sindical australiano que salvou a Austrália. Ele pensou essa história para me contar. Ô Lula, sabe que quem resolveu o problema da Austrália foi um líder sindical? E por conta disso ele tomou— eu vou te apoiar, mas você vai ter que visitar comigo um CIEPS.

Pegamos helicóptero e fui visitar um CIEPS. E naquela época, muitos educadores do PT, educadores importantes, eram contra o CIEPS. O argumento é que era muito caro, era muito caro. Hoje, todo mundo que era contra sabe que esse país não terá solução se a gente não nacionalizar, sabe, escola de tempo integral para todas as crianças nesse país. Hoje todo mundo tem clareza, hoje todo mundo tem clareza que a escola de tempo integral é o que vai dar a esse país do que ele precisa no campo da educação.

Porque não é só educação, é mais do que a educação que a criança precisa, é tranquilidade da mãe, é tranquilidade do pai saber que uma criança tá não aprendendo matemática ou história, mas também tá aprendendo cultura, cultura, tá aprendendo dança, tá aprendendo um monte de coisa que em 4 horas as crianças não aprendem. Custa caro? Não custa caro. Eu vou contar dois casos para você, Lupe. Eu fui na Universidade Federal do ABC e fui ver as crianças fazendo engenharia espacial.

Um jovem para fazer um curso de engenharia especial, engenharia espacial, custa R$20 mil por ano. Sabe quanto custa um preso numa prisão de alta segurança? R$40 mil por ano. Em qualquer cadeia, em qualquer estado desse país, um preso comum custa R$35 mil por ano. No Instituto Federal, o menino custa apenas R$16 mil por ano. Portanto, meus queridos companheiros, Eu tô dizendo isso para provar o seguinte: não existe nada neste país mais necessário, mais barato e mais eficaz do que investir na educação desse país, porque a educação é o futuro desse país.

Eu quero agradecer a você, agradecer a lealdade do PDT. Agradecer a disposição de vocês de estarmos nessa campanha junto mais uma vez. E essa campanha a gente tá junto para ganhar as eleições, para ganhar as eleições. Nós não temos o direito de perder essas eleições, nós não temos o direito de permitir que o negacionismo, que o fascismo volte a pensar em governar esse país. A gente não tem o direito. Outro dia eu disse, nesse país antigamente traidor era enforcado, porque trair a pátria é uma coisa muito grave.

E hoje nós temos não um, nós temos vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir para os Estados Unidos impor punição ao Brasil. E eu quero dizer para vocês, eu acho isso tão engraçado que eles podem até montar um comitê para apoiar o nosso adversário aqui, pode até montar um comitê, porque não há neste país, a não ser vocês, que decida que país a gente quer para os próximos anos. Nesse país não há possibilidade, não há possibilidade, e quero assumir um compromisso com você, não há possibilidade da gente permitir que a democracia sofra mais um arranhão como sofreu no golpe contra Dilma Rousseff em 2016.

O lema é esse. Aliás, eu tô convidando quem quiser vir do mundo para ver as eleições aqui no Brasil. Quem quiser pode vir acompanhar. Se o secretário de Estado americano Marco Rubio quiser vir apoiar o meu adversário, que venha, que monta o comitê. Porque a gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia nesse país. Por isso, obrigado a vocês. Mais uma vez, eu espero que a gente esteja junto na construção da nossa proposta política.

E a gente vai ter muitas, muito, muito para percorrer esse país, porque se depender de mim, nós vamos ganhar as eleições. No primeiro turno dessas eleições. Um abraço e obrigado, companheiro do PDT.

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