Episódios de Mil e uma TrETAS

#113 - O CORPO É MEU: COMO ENSINAR LIMITES PARA AS CRIANÇAS DESDE CEDO | Bia Ben e Laila Romano

25 de maio de 20261h17min
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Falar sobre proteção infantil também é falar sobre escuta, confiança e presença. No episódio de hoje, patrocinado por O Boticário, a gente abre espaço para uma conversa essencial sobre respeito ao corpo, autonomia e proteção infantil de forma acolhedora e acessível. Porque proteger também passa por criar espaços seguros para que nossos filhos entendam, desde cedo, que o corpo deles merece respeito e que eles podem — e devem — ser ouvidos.Pra essa conversa tão necessária, recebemos a influenciadora e mãe do Benjamin, o Benzinho, Bia Ben (@Biaben), e a psicopedagoga, educadora sexual e emocional, autora infantil e mãe do José, Joaquim, Liz, Linda e Valentim, Laila Romano (@_lailaromano).O movimento “É Meu” nasce para transformar a hora do banho em um momento de diálogo e aprendizado entre pais, mães, responsáveis e crianças, incentivando conversas sobre conscientização corporal, respeito e limites desde cedo. A iniciativa conta com a parceria no projeto dos Grandes Pequeninos e do Instituto Liberta, além de disponibilizar uma plataforma com conteúdos educativos desenvolvidos pela própria Laila Romano para ajudar famílias a abordarem o tema de forma leve, lúdica e apropriada para cada fase da infância.Porque conversas importantes começam nos pequenos momentos do dia a dia.Para saber mais sobre o movimento e acessar os materiais educativos, acesse: https://www.boticario.com.br/e-meu#MilEUmaTretas #MaioLaranja #ProteçãoInfantil #MaternidadeReal #EducaçãoParental*publicidade

Participantes neste episódio4
J

Júlia

Host
T

Tayla

Host
B

Bia Ben

ConvidadoInfluenciadora digital, mãe do Benjamin
L

Laila Romano

ConvidadoPsicopedagoga, educadora sexual e emocional, autora infantil
Assuntos8
  • Relacionamentos AbusivosCaso do tio que pegava biscoito · Abusador no convívio familiar · A importância de nomear as partes íntimas · O caso de Benjamin trancado no carro · A importância de ouvir a criança
  • Proteção de MenoresMedo e maternidade · Escuta e confiança · Abuso e exploração sexual infantil · Maio Laranja · Movimento É Meu · Nomear partes do corpo · Consentimento e respeito · Educação sexual na infância
  • A Família como Base e PropósitoEducação parental · Responsabilidade coletiva · Quebrar o ciclo do silêncio · Mitos e tabus sobre sexualidade infantil
  • Poder da escutaConstrução de um espaço seguro · Atenção aos detalhes e sinais da criança · Tempo de qualidade com os filhos · Pedir desculpas aos filhos
  • Maternidade precoce e traumasHistórico de abuso na infância · Medo de repetir traumas · Diferentes perspectivas maternas · Superproteção vs. preparação
  • Educação de Meninos e PrevençãoRespeito ao não · Educação emocional · Não formação de novos abusadores · Tratamento de homens para com mulheres
  • Relação mãe-avó na educação infantilCrianças extrovertidas vs. introvertidas · Adaptação da educação sexual · Importância da escuta ativa · Respeito à individualidade da criança
  • Uso de referências musicais no ensinoMúsica como ferramenta educativa · Brincadeiras sobre o corpo e limites · Movimento É Meu
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A CIDADE NO BRASIL

Tem uma frase que eu ouvi depois que eu virei mãe que nunca mais saiu da minha cabeça. Quando nasce um filho, nasce também uma nova forma de sentir medo. E eu acho que toda mãe entende exatamente o que isso significa. Porque antes da maternidade a gente atravessa o mundo pensando na própria vida. Mas com a chegada de um filho, o nosso coração passa a existir fora do nosso corpo também.

E de repente, coisas que antes pareciam distantes começam a atravessar a gente de um jeito completamente diferente. Esses medos, conscientes ou não, que começam a existir após a chegada da maternidade, fazem com que a gente entenda que proteger as nossas crianças passa pelos nossos cuidados diários.

mas também pela importância de criar um espaço de confiança, onde ela possa entender sobre si mesma e seus sentimentos, para que ela se sinta segura para falar, perguntar, pedir ajuda, caso necessário. Só que por muito tempo, algumas conversas foram consideradas proibidas dentro das famílias, pelo constrangimento, pelo medo, pela falsa ideia de que certos assuntos deveriam permanecer em silêncio. Mas o problema é que quando os adultos silenciam,

As crianças aprendem a silenciar também. E aí vem a pergunta que atravessa tantas mães. Como preparar uma criança para o mundo sem tirar dela a leveza da infância? Como ensinar sobre cuidado, limites e segurança sem transformar tudo em medo? A resposta talvez esteja justamente na conversa e na construção da confiança dentro de casa.

A campanha do Maio Laranja, por exemplo, que acontece todos os anos no Brasil, fala sobre a importância da conscientização de uma das urgências mais dolorosas que milhares de crianças e adolescentes passam todos os dias, que é o abuso e a exploração sexual. E os dados são alarmantes, já que aqui no Brasil, a cada hora, três crianças são abusadas e cerca de 51% tem entre.

um e cinco anos de idade. Esse é um tema difícil de ser falado, mas a convite do Oboticário, que criou o movimento É Meu, que incentiva a conscientização do tema através da educação e do diálogo, nós decidimos trazer esse assunto para a nossa roda de conversa porque a gente entende que o silêncio não resolve o problema. E que para uma criança estar protegida, ela precisa aprender desde cedo que o seu corpo é só dela e que ela merece respeito.

Eu sou a Júlia e sou a mãe da Cora. E eu sou a Tayla, mãe do Francisco e da Tereza. E esse podcast é Coisa de Mãe.

Para esse episódio tão necessário, a gente conta com a presença da nossa amada plateia, Mio e Uma Tretas, e das nossas convidadas. A influenciadora digital, mãe do Benjamin, o Benzinho, Bia Bem. E a psicopedagoga, educadora e autora infantil, mãe do José, Joaquim, Liz, linda, e do Valentim, Laila Romano. Sejam muito bem-vindas, muito obrigada pela presença de vocês.

Toda vez que a gente entra no assunto, a Thayla sai com crise de pânico e ansiedade. É, porque eu faço parte da estatística. Então, realmente, para mim, é um tema muito delicado, porque como eu gostaria de ter tido um movimento como esse do Boticário, aliás, incrível movimento, onde pudesse ter dado o mínimo de ferramentas para que os meus pais pudessem ter tido qualquer tipo de conversa comigo, que nunca existiu.

Como é que foi? Como é que tem sido, né? Como é que foi a sua infância? Como é que tem sido você criar o seu filho ensinando a ele sobre os seus limites, o seu corpo e o respeito que ele tem que ter?

Primeiramente, estou muito feliz de estar aqui. A gente também! Muito feliz mesmo. E eu estou mais feliz ainda de estar falando de um assunto tão importante. Eu estava conversando ali nos bastidores coisas que já aconteceram comigo também na minha infância. E enquanto vocês falavam, e as estatísticas, e a idade das crianças, eu não consigo ouvir direito. Sabe? É algo que atravessa a gente mesmo. Corta a gente. Tipo, no meio, assim. É muito doloroso.

Pensar que uma pessoa tão inocente pode ser... Gente, um a cinco anos é um negócio que assim... É um neném. Não dá pra você achar que... Com cinco anos é um neném, sabe? Eu não consigo imaginar. E, nossa, é uma coisa que realmente mexe comigo. E eu tenho essa conversa com meu filho desde que ele é muito pequenininho.

sobre ele tem 6 ainda muito pequenininho mas só que eu tava conversando até com ela que eu falei a criança a gente tem muito a fazer com a criança assim tipo é a ele não tá entendendo muito pelo contrário criança entende tudo então sempre coloquei meu filho pra poder conversar comigo e explicar as coisas pra ele porque porque o mundo explica do jeito dele então eu queria trazer a minha perspectiva sobre as coisas sabe o benjamin e filho olha como é que é

Vou te guiar. E é isso. A criança não sabe que se ela botar a mão queima, se ela gritar talvez seja errada ou certo. Eles não sabem. Então é você que é a primeira pessoa a guiar essa criança. E a proteger também. E aí, é uma responsabilidade. E eu vou dizer que eu sou uma mãe muito medrosa.

Então, o Benjamin não fica em ambientes com pessoas. Pode ser assim, a pessoa que eu mais confio. Não fica sozinho. E é um estalo meu. Tipo, eu estou na cozinha. Ele está no quarto. E tem alguém na parte de cima da casa. Eu, do nada, vou subir. É câmera para todo lado. Eu sou muito doida. É muito louco você trazer isso, né? E eu falei que... Comecei o episódio falando que a Tayla fica ansiosa. Mas, obviamente, que não existe nenhuma pessoa que participe desse tipo de conversa, que ouça as estatísticas e não saia ansiosa. É doloroso. Mas eu acho que quem passou por isso...

não tem esse histórico de abuso na infância, ela tem esse histórico, ela já deu depoimento aqui algumas vezes, eu acho que é diferente o jeito que ela abora, então a gente já conversou sobre isso, como às vezes as mesmas situações, que eu falo, tô com a Cora fazendo não sei o que, ela fala, como?

Então ela tem o limite dela, a corda dela estica de outro jeito, porque ela traz coisas que ela viveu e coisas que ela passou. E milagrosamente, que é milagrosamente, eu não tenho nenhum registro de abuso na minha vida. Então isso faz com que as nossas cabeças olhem para situações completamente diferentes.

Existe um meio do caminho, né? Que a Thayla trouxe na cabeça de não perder a leveza da criança, né? Não... Não colocar o seu trauma. Você quer proteger. É muito difícil. Eu vi uma frase uma vez que é a pessoa que foi completamente ferida.

E a pessoa que teve zero ferimento, assim, sabe? A pessoa que teve uma infância, tipo, completamente difícil. E a outra que teve uma infância simples, comum, muito feliz, elas nunca vão enxergar o mundo da mesma forma. Então, até como mãe, como pessoa mesmo, como amiga. Como ela sendo sua amiga, quando é exatamente isso, você fala, ah, eu tô fazendo algo com a minha filha. Ela fala, você tá louca, não faz isso. Você precisa fazer isso e isso pela sua filha.

Porque ela vai ter uma perspectiva diferente. É, exatamente. Pelo que ela viveu. Ela olhou pra mim e falou, entendeu? Você tá maluca?

Você tá sentada aí, ela tá ali brincando com a monitoria, você tá louca. E às vezes a gente vai chamar ela de exagerada. Não, eu não chamei. Na hora eu falei, nossa, tô louca. Tô indo lá. Mas na minha cabeça, naquela hora, eu tava vendo. Não tem nada demais. Não me ocorreu, né? Não me ocorreu. Não, gente, ontem eu tava no aniversário com a minha filha e ela tava fazendo aquela coisa de tatuagem na festa, né? E a mãozinha tava na coxa do moço tatuando. Eu, na hora, falei... Eu, na hora, falei...

Só um minutinho aqui. Se eu ficar... Tipo, toda situação de festa. Vem aqueles bonecos de aniversário. Você tá no colô. Tipo assim... Então, todo e qualquer movimento é totalmente calculado. Que você até já me trouxe. Que às vezes você acha que é demais e que você tem medo de... Sim, total. De depositar nela vários traumas que são seus, de coisas que você passou. Então você tá aqui...

dizer qual que é esse meio do caminho da gente não ser nem não prestar atenção deixar de prestar atenção ou ser desatenta, jamais mas também não ser tem o meio do caminho ou não dá porque os números me fazem entender que

Eu queria agradecer, essa conversa é tão importante, eu fico feliz em vivenciar um momento como esse, onde a gente amplia esse diálogo e fala de um tema tão necessário. A gente precisa quebrar o silêncio e se as estatísticas nos trazem um medo, e muitas vezes esse medo vem para fazer com que a gente entenda o que eu posso fazer de diferente. Então, um movimento como é meu, do Boticário, vai nos atravessar.

E faz com que a gente possa agir através da informação. Então a gente precisa falar sobre isso. As mães, elas precisam entender como tratar esse tema com mais naturalidade. E a informação, ela traz isso. Ela traz um caminho que é muito positivo, porque é o caminho da gente...

gerenciar os riscos, analisar os riscos e ao mesmo tempo trazer aprendizado para a nossa criança, para que eles estejam seguros em todos os ambientes. Pelo menos que a gente possa diminuir os riscos com crianças que ganham um novo repertório sobre limites e sobre proteção.

E por onde a gente começa com o limite, né? Com a criança pequenininha em casa. Porque eu acho que lendo muito, né? A coisa de nomear as partes do corpo, que essa campanha traz muito também, né? É super importante. Que é uma coisa que antes não se falava. Ou dava um apelidinhos. Queria que você trouxesse pra gente aí um caminho, um passo a passo.

Esse caminho, Júlia, eu acho que ele existe muito dentro do cotidiano. Então, a gente precisa falar sobre isso com as crianças de forma muito natural. E quando a gente fala ensinar, trazer educação sobre o corpo na infância, a gente está falando de ensinar para a criança limites, consentimento, falar sobre higiene, sobre o autocuidado mesmo, e esse valor que a criança percebe que o corpo dela tem e que ele merece respeito. Então, no cotidiano, as famílias têm...

inúmeras chances de gerar aprendizado nas crianças. Então quer dizer, vamos trabalhar limite e que a criança entenda que a voz dela é importante. Então a gente nomear as partes do corpo, a gente aproveitar os momentos da rotina com a criança, a hora do banho, para falar sobre essas partes do corpo. Quer dizer, o seu corpo é tão especial e existem partes que são íntimas. Elas são tão especiais que a gente tem uma roupinha só para elas.

Então essa conversa é importante. Na infância, assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim

com leveza, com naturalidade, mas se a criança aprenda, meu corpo é importante, o meu corpo precisa ser respeitado. E isso vai acontecer ali na nossa rotina. O que acontece é que as famílias muitas vezes, elas pensam que esse tema vai para um lugar muito pesado e que não é adequado. Então, quando a gente traz a informação, a casa, o ambiente da criança, ele está preparado para trazer esse tema.

hoje em dia, né? Graças a Deus. Porque o que a Thayla também trouxe, os nossos pais não tinham essa... Eu acho que a importância desse diálogo cada vez mais ampliada hoje é justamente pra trazer essas ferramentas, porque eu imagino que assim, isso na educação geral, né? Quando a gente não teve uma base, sei lá...

de qual o caminho da educação dos nossos pais, você criar essa referência, eu sempre trago isso aqui também, criar referência da maternidade do zero, eu não tinha referência de maternidade, então é sempre mais desafiador. E a gente vem de uma geração onde realmente não se falava. Então eu acho que nós, óbvio que deve ter suas exceções, mas eu acho que nós somos a primeira geração que está mudando isso.

Então, eu acho que eu aprendi nesse caminho, graças ao meu e uma também, eu peço licença para tocar nas partezinhas dos meus filhos desde que eles eram recém-nascidos. Eles não entendiam ainda o que eu estava, literalmente, acho que ainda não entendiam o que eu estava falando, mas se tornou, eles cresceram ouvindo, pedindo licença, licença agora, mamãe vai lavar a sua vagina. Outra coisa que eu não consigo entender, mas com...

respeito mas não consegui entender porque não se dar nome é um órgão que se chama pulmão de cocôs de pulmão é o coraçãozinho é o é órgão é um órgão é vagina pênis de uma milo ela é uma tem que saber o nome desde sempre e isso ajuda muito muito muito então entender outro dia eu acho que eu acho que já aconteceu aqui eu contei pra você

Isso era diálogo aberto dentro de casa, quem dá banho. Basicamente, sou eu, mãe, pai, a babá e minha cunhada. Porque eu não tenho família próxima. Então, basicamente, somos nós. Então, acordado, vagina, pênis, nananana. Então, desde sempre. Do nada, já conversei na escola quando a minha filha trocava de fralda, com a Didira, que era a única que trocava a fralda dela.

nada a minha filha no banho solta um apelido que nem me lembro a pele sei lá vocês não estão entendendo eu quase desmaio eu comecei a tremer na hora tremei o tremei o tremei pensava mal que ali você já pega um possível abuso porque a gente sabe que não é um padrão mas normalmente o abusador da apelidinhos e nominhos então assim ali eu já comecei a tremer inteiro comecei a cês não estão entendendo o meu pânico porque eu falei isso foi há pouco tempo minha filha tem três anos então nunca não era outro assim

E aí eu descobri que uma babá que veio ficar com ela no final de semana, nananã, e eu, tipo, fui atrás. Aí lá, eu fui, eu desculpa, não sei quem, mas eu falei, menos mal. Então só ali você já pode proteger sua criança, ou proteger assim, né? Tipo, saber que alguma coisa mudou da rotina só por dar um nome.

Exato. Nome real. Mas eu percebo que é um movimento que não são só os pais, né? A gente não educa só os nossos filhos, é todo mundo ao redor. Que é isso. Claro, é isso. Você tá falando pra sua filha que não tem que dar nomezinho pra vagina dela, mas você tem que falar pra todo mundo também que não tem que dar nomezinho. É isso. E é exatamente o que eu falava em relação ao Benjamin, porque eu falava, qualquer coisa que alguém fizer, ele vai falar, tá botando a mão no meu... Por quê? Porque...

E aí a gente vai saber e as pessoas falam aí. É estranho. E aí uma vez eu ouvi uma história que mexeu muito comigo, que foi uma criancinha assim, muito pequenininha, ela ia pra creche e todo dia ela falava assim, meu tio pega meu biscoito. Meu tio pega meu biscoito. E aí tá, tá com... Ah, deve ser um biscoito, tá comendo. E aí ela falava, meu tio pega meu biscoito. Jesus, você é amado. E aí uma vez a mãe pegou e falou... A professora... Minha boca tá fomeando.

Não, horrível. A professora chegou brincando com a mãe. Fala pro tio parar de pegar aquele biscoito dela. A mãe gelou, porque a mãe chamava a vagina dela de biscoitinho. É o biscoitinho da mamãe. Aí ela foi entender o que estava acontecendo.

Esse tio era irmão da mãe. Olha que loucura que estava acontecendo. Então, desde pequeno, o Benjamin sabe tudo. Porque 70% dos abusos são dentro de casa. E o Benjamin sabe tudo ao ponto de ele sabe o que é um... Ele fala pênis, mas eu ensino todas as palavras que as pessoas vão... Com todo respeito aqui, piru, essas coisas. Porque de repente a pessoa fala isso e ele não sabe o que é. Ele vai saber.

Não pode mexer, é meu, é dele, entendeu? E é um lugar de tipo assim, filho, eu preciso fazer, tudo bem, tudo bem, tua mãe vai fazer. Às vezes ele sente vergonha, eu falo, você quer fazer? Eu te ensino a fazer você mesmo. Agora ele tá com seis anos, então eu deixo ele se cuidar ali do jeito dele, vou só supervisionando. Mas essa independência também é muito importante pra não ter tipo, super importante eles aprenderem a tomar o banho sozinhos.

Total. E eu sou, eu sou, eu confesso que eu sou uma mãe meio chata. Agora há pouco tempo eu queria uma babá pra semana, assim. Porque começou a minha vida a ficar muito corrida, viagens no meio da semana, e eu não queria quebrar a rotina dele. Precisava de alguém pra me dar esse suporte. Pra quê? Eu penei. Porque aí um dia eu tava, falei, ah, traz ele pro shopping, eu tô aqui, quero passar um tempinho com ele e tal. Ela levou.

Aí a gente tava numa loja. Benjamin brincando, entrou no meio das roupas. Ela tava no telefone.

Ela olhou, ela perdeu o bem de vista. Eu falei, eu tô aqui. Mas se eu não tiver, qualquer coisa pode acontecer. E, gente, são segundos. São segundos pra uma criança desaparecer. São segundos pra uma maldade acontecer. É um momento que ela tá dando uma risada. Já aconteceu. E eu não quero ter que lidar com o fato de reverter um trauma. Eu não quero que aconteça. Eu não vou dar abertura pra que aconteça. Entendeu? E a minha mãe foi sempre assim comigo. Eu, graças a Deus, não passei por abuso nenhum.

Mas a minha mãe sim. Eu ia te perguntar isso na sua infância. Você tinha esse diálogo que eu tinha também na minha casa? Por conta da minha mãe. Mas você pode perceber que quando a gente tem isso na nossa casa, os nossos pais talvez sofreram por algo. Porque o que acontece? A minha mãe dizia que na época dela, quando ela falava, na verdade a criança era... Como é que você tem capacidade de falar isso dele? Ele é tão bom. O abusador era endeusado naquela época. Era tipo assim, por que isso? O abusador nasceu...

Na sociedade ele é tão legal, ele é tão gente boa e a criança é calada. Você tá falando, não, ela tá mentindo, ela tá inventando. Gente, a gente tem, aliás... Até hoje, porque aconteceu também dentro da minha família e não só abusou de mim como da minha irmã. E até hoje, não acredita.

Não, isso é um terror. Isso é um terror. Aliás, é uma outra dica boa aqui que eu acho que vale a gente obter. Eu não conseguiria me relacionar, sendo bem sincera. Nem deixar filhos meus me relacionar. Não com ele. Não só com ele, mas com as pessoas que fazem isso. Eu não tenho nenhum relacionamento com essa parte da família. E não tá errada. Na minha concepção, não tá errada. Isso que você trouxe do abusador, né? De desconfiar, da criança.

A gente tem um episódio sobre abuso infantil e tráfico muito legal também, que eu convido quem quiser.

aprofundar mais com uma delega duas super especialistas e a delegada traz que uma das dicas é também quando a sua criança chega para te fazer uma confidência ou te contar qualquer coisa nunca na minha começa com certeza de você alguém vem te falar do seu próprio irmão que é o caso do exemplo que você trouxe

Qualquer, né? Você fala, mas nunca questione sua criança. Abra espaço para que o diálogo aconteça. Então, é filha, mas como? É filha, mas quando? Nossa, é até difícil a gente se imaginar numa situação dessas, mas a gente precisa fazer esse exercício, né? Muito. E a criança precisa se sentir segura. Eu acho que na minha vida, eu tinha um lugar com a minha mãe...

por conta dessa questão, né? Minha mãe, ela sempre trabalhou muito, enfim, mãe solteira, uma realidade muito parecida, assim, comigo, eu sou mãe solteira também, enfim, e só que eu me, era assim, minha mãe tava ali me protegendo. Eu vou contar o episódio que aconteceu comigo quando eu devia ter uns oito aninhos, assim, por aí. Eu morava numa comunidade.

E aí tinha um moço que ele dava muito doce, ele tinha uma sacola tipo essa, só que de plástico. E é cheio de doce. E doce bom, não era tipo bala, sabe? Era uma coisa que as crianças ali não tinham muito dinheiro. Lembra daquele doce que era tipo um doce de leite assim no saquinho, a gente mordia a pontinha? Então ali tinha esse, tinha paçoca, tinha vários doces bons. E aí ele vinha distribuindo para as crianças, só que tinha uma menina que era muda e ela ganhava mais que todo mundo.

E a gente ficava tipo assim, por que ela ganha mais que todo mundo? A gente não entendia. Hoje que eu sou adulta, infelizmente eu sei o que acontecia.

E aí, tá bom. Ele dava, às vezes, dinheiro também. 25 centavos, 50 centavos, 1 real. Porque eles aliciam assim. É impressionante como ninguém tá vendo, né? Não, só que assim, era tipo 10 crianças brincando ali na rua. As mães estão trabalhando. Exatamente. Só que a minha mãe, você não tá entendendo. A minha mãe era assim.

Alguém quer tocar em você? E aí minha mãe era meio exagerada na minha concepção. E não é exagerada. Mas sua mãe é a frente do tempo, né? Porque ela viveu. E ela, tem alguém tentando tocar em você? Ela falava uma coisa muito específica que eu lembro que eu ficava com vergonha. Alguém tentou lamber seu corpo? E aí eu, mãe, quem vai me lamber assim? E ela, alguém tá tentando te tocar? Alguém mexeu na sua roupa? E era o tempo todo.

Eu e minha irmã. Eu e a Clara, né? Nessa época, era só nós duas. Eu fico até meio tremula falando disso, porque é uma coisa que me marcou absolutamente... Tipo, muito.

E aí eu lembro que um dia, era uma escadaria, eu tava até explicando que a escadaria fazia uma curva assim, então quem via de cima não via. E só quem via de baixo. E ele me levou justamente pra esse cantinho, subindo comigo e tal. Me levou nesse cantinho e falou assim, ó, o que você acha de dois reais? Aí, acha que é muito dinheiro? Eu falei, muito dinheiro. Ele, e cinco? Eu lembro de tudo. Ele mostrou a nota, abriu a nota. Aí eu falei, muito dinheiro.

Ele falou, tio, te dá se você mostrar isso aqui pro tio. Ele fez uma cruz pra mim. Na hora.

os gritos da minha mãe, alguém tá tentando te lamber, tão mexendo nessa roupa, o que que... começar a recuar na minha mente. Gente, eu tinha 8 anos. Ou seja, a sua mãe te protegeu. Muito. Aí eu lembro que eu fiz pra ele assim, tá bom, virei. E aí eu corri pra casa, só que desabar, chorando, chorando, chorando, chorando. Aí cheguei em casa, mas o que que foi, o que que foi? E não conseguia falar, não conseguia falar, e quando eu contar pra ela, acabou.

Aí ela virou um leão. Foi atrás dele. Foi horrível. E uma coisa que eu acho que eu nunca contei publicamente é que eu lembro que naquela época, quando minha mãe foi atrás dele pra poder brigar com ele,

a esposa dele veio defender ele tipo contra minha mãe meu marido nunca faria isso e não sei o que e aí foi uma confusão que minha mãe e a minha mãe assim dane-se ela vai ser uma coisa que não foi para cima foi uma loucura só que o problema foi que tempos depois a gente morava na comunidade a tempos depois a gente descobriu que ele abusava da filha dele na casa dele

E aí aquilo foi um choque para todo mundo daquela região, porque... E aí as coisas foram... Tá, e a menina, e a muda? E realmente o que aconteceu com a Bia? E sabe, esses pequenos... Gente, e você não está entendendo. E ele estava operando com tranquilidade. E ele era a pessoa mais legal.

daquele ambiente. E o que ele fazia? Ele via as crianças mais vulneráveis. A mãe que estava sozinha tinha que trabalhar muito. A criança que ficava sozinha em casa, que eu chegava do colégio, aí minha mãe deixava tudo para eu me virar e não sei o que, eu queria brincar. Então, ele vai sempre procurar um lugar vulnerável. O que eu faço? Não dá para o Benjamin ficar sozinho. E aí eu não posso estar o tempo todo? Não, eu preciso de alguém.

Uma babarra. Minha irmã. Clarinha, por favor, me ajuda. Falei, não, tira o olho. Minha mãe, então, tem pessoas que eu confio muito para cuidar do meu filho, entendeu? E isso eu penso muito, eu quero muitos filhos.

eu falei cara eu preciso da presente foi o que você está presente para criar meu filho porque eu não posso tem pais que nem sabem que os filhos foram abusados descobre na vida adulta sim a minha mãe só descobriu gente meu irmão a gente está elaborar a gente acha que isso também nunca falei tomara que

Meu irmão não me mate. Mas o meu irmão, ano passado, trouxe uma história e ele é menino. Porque também tem a falsa sensação de que só acontece com meninas. Nada. E ele se abriu comigo e eu conto pra minha mãe. Minha mãe fica meio incrédula, assim. Porque minha mãe abriu mão do trabalho. Ficou cinco anos com a gente. Dedicada totalmente ao maternar. Então, você traz uma coisa, né? Que você fala, eu vou proteger ele de tudo. Outra coisa que a gente já aprendeu aqui, o abusador, ele é muito treinado.

Pra que ninguém descubra, inclusive a mãe. Ele é muito treinado pra que ninguém perceba, inclusive a mãe. Óbvio que a gente vai fazer tudo o que tiver ao nosso alcance, né? Estamos aqui discutindo isso pra que a gente tenha mais ferramentas. Mas que no final do dia, é isso, o abusador não tem cara de abusador. Ele vai ser o cara mais legal da comunidade. Ele pode ser o seu irmão. Ele pode ser o seu...

Melhor amigo que cresceu com você. Ele pode ser o padrinho da sua criança. E vamos colocar também que não necessariamente o abusador vai ser um homem. E não necessariamente o abusador. Infelizmente, existem mulheres também que vão abusar das suas crianças. Então, não se dá pra confiar 100% em ninguém. Porque a única pessoa que realmente não vai fazer uma maldade com o seu filho é você, porque eu amo muito ele. Então, por exemplo, existem pessoas que eu confio 100%.

Confio na minha mãe, cuidando do meu filho. Entendeu? Eu confio em mim, cuidando do meu filho. Mas eu vou dar um exemplo. Eu tenho dois irmãos. Eu tenho o Davi, que tem 13, a Manu, que tem 12. E o Davi não toma banho com o Benjamin.

E porque eu acho que cada um tem que ter o seu momento ali, não vai se ver pelado, até porque tem a intimidade. Eu não vou tirar roupa aqui na frente de vocês, vou ficar nua, entendeu? Por mais que a gente se ama e seja a melhor amiga, mas tem um limite, entende? E aí até que os dois tenham uma idade bem parecida e já sejam, tipo assim...

consiga dizer o que quer exatamente 100% porque eu percebo que assim é perto um pouco meu filho vai ficar tímido ele vai ficar meio pra dentro até que eu sinta uma segurança do benjamin conseguir se defender nesse mundo sozinho eu vou criando esses sabe essas proteções e gente é básico é dia a dia são as pessoas eu sou completamente eu sou uma pessoa assim eu falei pronto não vou conseguir contratar um babá para poder cuidar do meu filho porque

eu preciso de alguém que realmente cuide. E as pessoas... Aí eu percebo, eu falei, é porque ele corre muito. Falei, criança corre muito. Normal. Seis anos, então piscou, é isso. Piscou não tá... Graças a Deus. É, entendeu? Ele corre muito. Um problema a gente teria se... Entendeu? Criança corre muito. Então tem umas questões assim, e eu não contei isso em lugar nenhum. Aconteceu há pouco tempo no carnaval. E foi uma situação que me pegou muito. Na verdade, eu me questionei enquanto mãe.

E é um lugar que me pega... Porque eu posso errar no trabalho, errar com pessoas, posso errar com você, vou te pedir perdão, mas errar com meu filho pra mim é algo que me corta, me machuca mesmo, sabe? E aí eu fui ajudar um amigo, ele tem uma bebê muito pequenininha, de um aninho, e aí o meu filho foi de carro com meu primo, minhas irmãs, a babá, pra casa da minha mãe.

Só que eles foram mais tarde, assim, tipo, meia-noite e tal. A gente ia viajar no carnaval, passar a família toda juntas e tal. Essa babá tava junto e aquela pessoa que parecia que se preocupava e tudo mais. Chegou lá, minha mãe não sabia que eles estavam de carro, porque o meu amigo tinha emprestado carro, então eles iriam de Uber praticamente. Gente, eles chegam meia-noite na casa da minha mãe. A casa da minha mãe é de três andares, então minha mãe não desceu do terceiro andar.

Tiraram as bolsas dentro do carro, todos desceram dentro do carro, deixaram meu filho trancado dentro do carro. Quatro horas.

Que? Quatro horas. Eu não tava lá. E aí, quando isso... Mas... Quando contaram pra mim... Mas consciente, foi uma escolha? Não. Quando contaram pra mim... Até desculpa, quando contaram pra mim...

Eu me senti impotente, eu me senti... Eu falei, eu podia estar lá. Se eu estivesse lá, isso nunca teria acontecido. Sabe o que aconteceu? Minha mãe desce quatro horas da manhã. Minha mãe, ela é evangélica, né? Ela falou, filha, naquela madrugada, eu orei a madrugada inteira. Deus me chamou para orar. E eu não estava conseguindo dormir, eu não estava entendendo o porquê. E aí eu desci quatro horas para poder entender como que estavam as coisas.

Eu vejo a babá deitada na sala e eu falo, cadê o Benjamin? Aí ela levantou, tá com você?

Aí minha mãe falou que naquela hora, ela falou, filha, parecia que o chão abriu e eu caí. Por quê? Eu não sabia que eles tinham vindo de carro. Se uma pessoa de um carro de aplicativo leva uma criança, não é para voltar nunca mais. Perdi meu neto e aí começou um desespero e eu não estou em casa, eu não estou lá. Porque eu tinha feito, no dia anterior, eu tinha feito uma viagem, eu chego no Rio, vou ajudar meu amigo a pegar essa neném de um ano e a gente ia se encontrar direto na viagem. Direto lá, que a gente foi para Búzios. Aí quando isso aconteceu, horrível.

Aí minha mãe pegou, aí amiga da minha mãe tava lá também. Todas no terceiro andar, elas não chegaram a descer. E aí ela falou, o carro! Minha mãe falou que quando ela foi lá pra fora, no carro, ele tava com o olho tão grande, e ele batia no vidro. Aí ele viu ela, aí ele começou a chorar, aí minha avó, minha avó, minha avó. E aí minha mãe disse que a babá começou a, tipo, gritar desesperada, porque ela tinha medo, aí a mãe falou assim, não é o seu momento. Eu preciso da atenção pro meu neto. A babá, essa babá já... Não, é.

E aí eu preciso da atenção pro meu neto. E aí eu sei que minha mãe cuidou. E aí o Ben falou assim, vocês esqueceram de mim. Como que você... A minha família esqueceu de mim. Ela esqueceu de mim. Cadê a minha mãe? Aí eu falei, cadê eu? Cadê eu que eu não tava lá? E aí acabou. É que ela mexeu muito comigo. É uma situação que eu não conseguia falar, elaborar. Eu fui elaborando na psicanálise, nas minhas análises pra poder entender.

E aí eu nunca imaginei que eu fosse ter que entrar num carro com meu filho, trancar o carro com meu filho e falar assim, vou te ensinar a sair daqui. Sim. Eu nunca imaginei que eu fosse fazer isso. E aí eu peguei, entrei no carro com ele, a gente na viagem ainda. E aí olha o que aconteceu, que vai piorar.

Quando a gente chegou na viagem, eu não sabia de nada. Todo mundo sabia o que tinha acontecido, mas eu não sabia de nada. E aí, eu indo pra viagem, o bem é muito grudado comigo. Então ele fica me ligando, mãe, tá chegando, tô com saudade. E ele me ligava e falava, eu quero você, mãe. Aí eu tava na estrada, aquela coisa de carnaval, aquele... E o mamãe tá chegando, eu tô chegando. E eu achei que era só saudade. Eu chego na viagem, aí ele me abraçou, me beijou.

A gente é muito assim mesmo, a gente tem muito afeto e tal. Aí ele me olhou e falou assim, eu quero te contar uma coisa, mas eu acho que eu vou estragar a sua viagem.

E eu falei, por quê? Não, eu falei, por quê? Não, a babá disse pra ele. Se você falar pra sua mãe, você vai estragar tudo.

Ai, o que eu queria? Gente, com todo respeito, eu queria dar uma coça nela. Eu queria porque eu falei, eu nunca mais quero ver a sua cara. Gente, isso é muito grave. Isso é muito grave. Quatro horas, seu filho trancado no carro, ele podia ter que ir. Não, a minha sorte, a sorte da gente foi que foi de madrugada. Porque se há de dia... O calor. Não, o meu filho poderia não estar aqui. Sim, claro que sim.

E aí, cara, ele me conseguiu. Eu falei assim, você não... Como acontece, acontece. Tem pais que esquecem seus filhos. Não, horrível. Eles morrem. Horrível. Só que a gente tá falando de... A gente não tá falando de um recém-nascido que não fala. Tá falando de uma criança de seis anos. Sim. Como é que você esquece uma criança de seis anos? E o Benjamin não é uma criança que ele fica quietinho. Ele faz... Ele brinca, ele faz barulho.

Ele... Você dá falta, entendeu? Não tem como. Eu chego em casa... Vou chegar em casa agora. Se ele estiver dormindo, eu abro todos os quartos. Cadê o Ben? Tá dormindo onde? É tipo isso, entendeu? Você não esquece uma criança.

E aí quando eu cheguei lá, ele falou isso pra mim, eu falei assim, não filho, nada que você me fale vai estragar, estraga nada pra mim, você é meu filho. Aí ele me contou, ele falou, eles me esqueceram no carro, mãe, todo mundo me esqueceu no carro. E aí eu imaginei, a minha mãe deve ter ido, tipo, comprar um café, ele tava dormindo, voltou, pensei que era coisas... Quando eu fui entender a gravidade da coisa...

Eu fiquei completamente... A minha mãe me chamou pra conversar. E aí eu fiquei desesperada, claro. Mandei a moça, né, embora. Aí ela pediu pra... Não, não conta que fui eu, porque senão não trabalho em lugar nenhum. Mas eu falei, mas esse é o certo. Você não pode cuidar de uma criança. Escolhe outra...

Você não pode cuidar de um jeito de ganhante. Mas assim, não foi um lugar que eu expus ela, eu tenho muito esse lugar em relação às pessoas, não expus, não... Claro, conversei com quem tinha que ser conversado, mas o que me pegou foi a minha impotência. E aí, nessa sua fala que você falou, poxa, eu vejo a Bia muito e eu vou proteger ele. Só que mesmo a gente querendo, a gente não consegue proteger de tudo. Por isso que a gente tem que prepará-los.

Cuidado com isso. Entendeu? E aí tem coisas assim, quando você vai esperar que uma pessoa vai esquecer seu filho num carro? Nunca. Mas você trouxe um ponto tão importante dessa conversa, inclusive, para todos esses ensinamentos. Algo que você nem imaginava, Bia, e que você conseguiu trazer um repertório em relação àquilo. Quer dizer, eu vou levar ele no carro, eu nunca pensei que eu teria essa conversa. E não foi por mim.

Porque eu fiquei destabilizada. Quem me ajudou foi o Brenner. Ele falou, você precisa ensinar seu filho. Ele precisa... Porque eu bem entrava no carro e falava, não dorme bemzinho, não dorme bemzinho, não dorme bemzinho. Aí ele falava, mãe, eu não consigo mais andar de carro, eu não consigo. Aí o Brenner falou assim... E ele estava mexendo comigo aquilo, né? E eu assim... Aí eu lembro que o Brenner olhou para mim e falou assim, Bia, você é o porto seguro do seu filho.

Olha para ele e fala assim, confia em mim. Eu nunca te esqueci aqui. Eu não vou te esquecer. Deita no meu colo e dorme. Minha mãe está aqui.

E aí ensina pra ele o que fazer. Aí eu lembro que eu entrei no carro. Aperta a buzina, aperta a buzina. Falei, olha a janela, todo mundo olhando pro carro. Alguém vai vir alguma hora. Se ele aperta a buzina naquela madrugada, o pessoal vai descer pra reclamar. Com certeza. E quando disse que tivesse uma criança. Não, mas assim, mexe com a gente. A gente fica sentiando. Não, porque também alguém vai vir. Também dá medo de quem é que vai vir, né? Quem é que vai vir?

Aí o mundo quer. É horrível. É tudo tão... E ampliar essa conversa sobre o corpo, né? Meu corpo é meu, é justamente trazer um repertório. E muitas famílias se calam porque imaginam que essa é uma conversa que pode esperar. A gente pode esperar, não é hora. Inclusive, se eu falar, vou sexualizar meu filho. Exatamente.

Vou sexualizar... E aí vale lembrar que, como a gente estava falando antes, só para te complementar, que o abuso, a menor idade de abuso, aconteceu no Brasil com um bebê de três meses. Então, assim, não tem idade. É desde sempre. Desculpa.

Imagina, eu acho que isso complementa muito isso para trazer essa consciência. Eu acredito muito nessa educação consciente, nessa educação intencional. E como a Tayla trouxe nessa conversa, é muito difícil, sim, para as famílias colocarem em prática algo que elas não receberam. Então, quando a informação chega para a família, isso se torna possível. Quer dizer, eu posso fazer diferente. Eu sei que os números, eles assustam, mas é muito isso que a Bia falou, quer dizer...

Parece tão distante, mas o abusador, se as pesquisas mostram que o abusador, na grande maioria ele é do convívio da criança, os números eles revelam a realidade desse cenário que é tão triste e tão assusta, mas a gente precisa agir. E no cotidiano a gente vai trazendo esse repertório que a Bia trouxe. Então só com tudo que você trouxe aqui a gente já entende essa preocupação e essa intencionalidade na sua educação, Bia.

Claro que a gente, inclusive sobre esse tema, sobre o corpo, essa educação sobre o corpo, não é uma conversa perfeita, ela não vai acontecer em um momento só. Ela precisa da repetição, ela precisa da presença do vínculo do adulto. E tudo isso que a gente percebe na sua maternidade. Então, os pais se culpam muito.

Mas a gente tem que sair desse lugar e pensar o que é possível, essa educação que é possível. Vão ter dias que a gente está mais cansada, vão ter dias que a gente, às vezes, perde até uma oportunidade ali numa correria do dia. Mas quando possível e com intenção nomear as partes do corpo, trazer esse repertório para a criança sobre o seu corpo. É a criança entender o valor que ela tem e respeitar também o corpo do outro. Então, a gente entende que é uma cascata.

A gente precisa quebrar esse ciclo do silêncio, né? Entregar para a criança um entendimento sobre isso. E a gente percebe como a rotina é potente. Agora, a gente também sente as famílias, apesar de terem mais informação, ainda insegura por conta da desinformação, dos mitos, dos tabus, que a gente ainda carrega muito.

mito de todos é esse eu falar vou sexualizar tem a chance de eu sei que enquanto é o oposto você vai evitar que isso aconteça né você pode falar o silêncio é que prevê a informação que vai salvar ou salvar sua criança aí claro que você pode entender né quantos anos aquela criança tem de que jeito eu posso né trazer essa informação que ela entenda né como nomear e tudo estudar ajuda muito

Estudar a idade da criança. Ajudar muito. Cada idade tem. Me ajudou muito. A se comunicar com o seu filho, se conectar com ele. Falar a língua dele ajuda muito. Sim. Falar sobre o corpo com a criança de forma adequada, a gente sempre vai respeitar a fase que ela está. Então, o desenvolvimento dela. Então, uma criança pequena, a gente traz a ludicidade, a gente traz a música. O É Meu é um movimento que traz muitas frentes. E que foi...

tudo desenvolvido com muito cuidado, com muita responsabilidade. Então, quer dizer, a música vai ao encontro da criança, a criança aprende cantando, é muito leve. É importante a gente falar que quando a gente fala sobre esse tema, educação sexual na infância, ela sempre vai estar ligada ao aspecto da afetividade. Então, ela nunca traz temas inadequados.

Então a gente nunca vai antecipar um assunto da vida adulta. Assim é a educação adequada, mas as famílias precisam de mais informação. As pesquisas mostram que quando as crianças recebem essa aprendizagem, elas vão vivenciar a vida sexual mais tarde. A gente diminui a chance de uma gravidez precoce.

Então, as pesquisas mostram exatamente o contrário, mas enquanto esses mitos existem, as famílias se calam e tudo que o abusador precisa é do silêncio. E é muito como, assim, eu tenho dois bebês, um de quatro e um de três.

É muito impressionante como até aqui, né, até essa idade, é óbvio que como a gente está falando, cada idade vai gerar outros tipos de informação e cuidados, etc. e tal, mas até aqui tem sido muito simples.

tipo é isso é só uma rotina é começou a pedir licença e ele segue até hoje vai limpar xixi vai limpar o cocô vai limpar qualquer coisa é licença em qualquer momento que vai tocar nas partes íntimas nomear as partes íntimas explicar que ninguém toca que é sagrado que é íntimo

Só. E eu só faço isso basicamente durante o banho. A licença é sempre, né? Que vai limpar e tal. E é automático. Não precisa de mais tempo, mais elaboração. É automático. Com licença, a mamãe vai limpar. Com licença, a mamãe vai tocar. Com licença, a mamãe vai... Tipo assim... É um detalhe que protege uma vida, né? É.

Criar um espaço seguro para as nossas crianças falarem sobre os seus sentimentos, inseguranças e dúvidas faz parte da nossa responsabilidade como pais e responsáveis. E esse lugar é construído diariamente com muito cuidado, afeto e conversas que nem sempre parecem fáceis para nós como adultos.

Pensando em diminuir esses espaços de silêncios que ainda acontecem em muitas famílias e com o objetivo de gerar uma maior conscientização social, o Boticário criou o movimento É Meu. O Boticário, assim como a gente, acredita que a educação é uma ferramenta poderosa de proteção.

e avanço social. Por isso, eles criaram o movimento É Meu, que transforma a hora do banho em um momento de conversa entre os pais e seus filhos, para que possam iniciar um diálogo natural sobre o seu corpo e os seus limites.

Todo o conteúdo dessa campanha, mais do que necessário, está disponível no QR Code que está aparecendo aqui na tela para que vocês tenham acesso a conteúdos com especialista, uma animação e uma música educativa disponível no Spotify e YouTube para assistir e ouvir com as crianças e iniciar essa conversa fundamental.

Quando a gente fala sobre prevenção, a gente fala sobre amor também, sobre cuidado e responsabilidade coletiva. Porque proteger as crianças não é uma tarefa só da família ou da escola, é um compromisso de toda a sociedade e o Boticário está junto com a gente nessa.

Como é importante a música, né? A gente, acho que toda criança, acho que é unânime o quanto a criança, ela aprende e ama música, né? Criança é muito musical e eu sempre tive o playlist do banho, né? Então, assim, a gente sempre colocou a musiquinha do banho, que eram, enfim, músicas de banho que já existiam, né?

Então assim, o quanto agora, com mais essa ferramenta do movimento É Meu, tipo de fato fica ainda mais simples, mais palpável através da música, do lúdico com o É Meu, o quanto isso facilita, então não é...

nossa, uma coisa super elaborada, super difícil, é muito mais simples do que você imagina, né? É tão importante. E esses dias o Chico, ele já falou, os dois já falaram algumas vezes, não pode tocar, né, mamãe? Não pode pegar, é minha parte íntima, então assim, já tá lá. E é muito louco como cedo, né? É muito simples. Eu tive uma, a pessoa que cuida da minha filha, eu troquei de babá há um ano atrás, mais ou menos. E quando a que tá com ela entrou, a Lele, que é a babá dela hoje,

Agora sempre a gente em casa sempre falou pra ela e pra Maia do tipo, seu corpo, suas regras. A gente fazia só toca no seu corpo, mamãe, papai pra limpar a tinta. Aí quando a Lelê foi dar o banho nela no primeiro dia eu pegando as coisas no quarto, ela colocando lá.

Meu corpo, três anos, meu corpo, só quem me dá banho é minha mãe, meu pai. E aí ela falou o nome da babá dela que não tava... Filha, agora ela tá chegando com a gente pra ocupar esse lugar de pessoa de confiança com a mamãe. Mamãe tá aqui do lado dela. Então assim, a gente acha que não, mas tão novinhos... E traz uma tranquilidade você ouvir isso dela, né? Desde sempre, até contra mim, quando ela quer, tipo, mamãe, meu corpo, minhas regras, não quero.

E você também não forçar. Eu tive uma experiência com o Benjamin de algumas experiências com babás novas. E aí teve uma que ela queria, tipo, dar banho, pentear. E aí ele falou, mãe, eu não quero. Eu não quero que ela nem me veja. E aí eu falei, deixa aqui, eu vou fazer as coisas. Acreditar na sensibilidade deles. Eu falei, tudo bem. E é isso, porque a gente fala assim, a gente nessa correria, um mês pra gente é muita coisa. Mas um mês pra conhecer alguém, ficar pelado na frente dessa pessoa, é nada.

Então ele falou, mãe, eu não quero que ela me veja, eu não quero que ela toque em mim. Aí eu falei, tudo bem, a mamãe te ajuda. E aí eu falei, olha, pinti o cabelo dele, ajuda ele a botar roupa depois que ele pôr a cueca, mas ele não quer. E aí eu sempre vou respeitando esse limite, porque você fala, não, tem que ser, ela tem que fazer. Bom, claro. Agora a gente que é mãe de filho único, perguntar para as duas aqui, que são mães de meninos e meninas. Tem diferença nesse diálogo com a menina e com as meninas e com os meninos?

Por enquanto, na idade dos meus, não, absolutamente nenhuma. É licença pra todos, partes íntimas pra todos, não pode colo, isso aí é o limite que eu colo. Pode colo. Não deixa colo também, não. É, enfim, pra mim, até então, 3 e 4 é o mesmo diálogo.

Absolutamente. Esse diálogo é importante tanto para os meninos quanto para as meninas. A gente não pode eliminar os meninos dessa conversa. Não, com certeza não. As crianças, elas precisam... Pelo contrário, né? Pelo contrário. A pergunta é, existe? Exatamente. Como é que a gente faz com os meninos? Eles precisam entender que eles têm uma responsabilidade, eles precisam respeitar o não. E a gente precisa dizer que os meninos, eles precisam de atenção e ter educação emocional.

Então a gente vê ainda algumas famílias que acham que esse é um papo que a gente precisa ter com as meninas. Então essa é uma educação para meninos e meninas, porque quando a criança entende sobre o seu corpo, ela entende que o seu corpo é importante, é valioso, merece respeito e o do outro também. Então quando a gente fala nisso, a gente precisa dizer que é tão importante a gente trazer essa aprendizagem porque a gente vai evitar...

com que as nossas crianças sejam abusadas, com que as crianças sejam abusadas. Então aí a gente está trabalhando a prevenção, mas nós também estamos falando na não formação de novos abusadores. Então essa é uma conversa que a gente precisa ter e que enquanto pequenos, essa afetividade está sempre presente, o tema existe, educação emocional e sexual elas andam juntas, porque a criança vai entendendo que o não do outro importa.

Quando o outro diz não, eu preciso respeitar. E o meu não importa também. E o meu não importa também. Então, são tantas camadas, é tão complexo. E a gente precisa trabalhar isso nos meninos. A gente está vendo esses movimentos. E que os meninos cheguem na adolescência entendendo a responsabilidade que eles têm também.

sobre isso, sobre as suas escolhas, sobre o outro, sobre os limites. E tudo isso que a Thayla falou que é tão importante, né? Nossa, eu tô conversando, eu vou trazendo, por enquanto tá tão leve. E é isso, tem que ser uma conversa leve, mas ela precisa existir. Porque o simples, ele é muito potente. Começar de alguma forma nessa.

E a gente começa e você fala, poxa, é tão leve. Existe esse medo, né? E esse bloqueio. Como é que eu vou trazer o nome correto da parte íntima? Parece que é tão pesado. E aí você entende, poxa, da mesma forma que eu falo de outras partes do corpo. Mas eu acho que daí o perigo. Exato. Porque se os pais já colocam...

é uma tensão em algo que deve ser naturalizado estamos falando de parte do corpo está falando de órgãos que existem no nosso como o olho como todo o caderno tem função então assim se os pais já colocam essa atenção aí já tá já começa tudo errado ao meu ver assim né minha opinião acho que concordo tá ela 100% porque é isso qual é a mensagem que chega para criança para isso aqui a assim assim assim assim

corpo tem alguma questão, algumas partes. Não, essas partes são muito importantes, elas são suas partes íntimas. E a gente ensinar que mesmo um adulto conhecido, ele não pode ultrapassar os seus limites. É uma conversa que vai acontecendo e que...

A criança, ela entende uma conexão de aprendizagens que são importantes para que ela esteja segura. Porque hoje a gente está falando do ambiente da nossa casa, de uma ajuda, de uma rede de apoio que você fica insegura. Mas essa criança está em outros ambientes, ela está na escola. E quanto mais velha, está mais exposta a bondir dos seus olhos.

Então, o que você acha, para além desse exemplo, que é essa tensão em comunicar e nomear, que são os erros mais comuns que os pais podem cometer na tentativa de proteger os filhos? E que talvez não estejam percebendo. Sim.

Olha, esperar por essa conversa. O momento certo, não é hora de falar. A idade certa. A idade certa, deixa eu esperar meu filho perguntar, deixa eu esperar meu filho chegar na adolescência. Porque é tão importante, a Tayla trouxe um aspecto importante. A filha, o filho, a Júlia, olha a entrega que a criança te traz. Quer dizer, quando você ouve esse tipo de fala, meu corpo é meu.

A criança entendeu. Ela entendeu um conceito tão importante. Meu corpo é meu. É meu. Ele precisa ser respeitado. E aí isso não pode esperar. Porque a criança está vulnerável. Enquanto a gente se cala, a criança está vulnerável. Enquanto a gente fala, a criança ganha repertório. Então esperar o momento certo, Júlia, é um grande erro. O momento é enquanto a criança está crescendo e a gente tem vínculo com a criança, a família é a grande protagonista.

Quando as crianças crescem, chegam na adolescência, elas buscam pelos pares, a voz dos amigos tem uma importância muito grande. A gente tem que aproveitar agora. A gente tem que aproveitar agora. A gente é a voz que eles mais escutam. Até 10 anos você é a vida do seu filho depois. Se a gente der sorte. A gente vê uns números menores.

É que você já tá pertinho, eu não vou falar pra você não ficar triste, não. Tá bom, melhor. Outro erro também, Júlia, além da gente esperar, é a família que fala também falar só pelo medo. A gente precisa explicar, a gente precisa nomear, a gente precisa trazer repertório e também uma explicação e uma repetição, quer dizer, eu não falo uma única vez. Não, é.

Não é uma conversa perfeita. Inclusive a lei, nunca existe conversa. Não é uma conversa. É repetição. Mas é uma construção. Eu consigo ver uma construção desde pequenininho. Começa na licença eles não entendendo. E aí depois você vai falando pra ele, não, não pode. Aí o corpo é meu. Isso aqui é meu, ninguém mexe. Então é uma construção que quando, por exemplo, sua filha tiver 10 anos, esquece.

O que você trouxe da rotina de estar muito atento para o que eles apresentam. Em algum episódio, eu já contei aqui que um dia minha filha chegou para mim e falou ele é muito legal, mas eu não gosto do bafo dele. Eu falei, mas que bafo, filha?

bafo chegou perto como assim com naturalidade que acho que isso ajuda ajuda né sem demonstrar nossa atenção em qualquer mas ela foi um adulto um adulto ela foi porque toda hora tem que ficar dando beijo ele pede beijo beijo eu falei você não tem que você tem sim se é uma menina educada você tem que dar oi quando você chega você tem que se despedir mas você pode dar oi daqui você não precisa

Filha, você não precisa dar beijo em ninguém que você não quiser e não sentir vontade. Às vezes você não vê e não tá afim de dar beijo na sua avó? E você fala, ah, avó, não. Então, se você não tiver vontade, sim, não significa que você vai ser mal educada. Você vai falar, oi. Você pode dar um tchauzinho de longe, mas você não precisa. E se você sentiu desconforto, é uma coisa que eu repito muito pra ela. Filha, se você sentiu desconfortável...

Então, presta atenção nisso e não dê mais. Então, é muito também o que eles vão trazendo para você de material. E eu não falar, filha, pelo amor de Deus, não vem demonizar aquela pessoa. Óbvio que você fica mais atenta, né?

ainda mais atenta, mas acho que é um negócio que a gente já está o tempo todo mesmo em estado de alerta, e de explicar para ela, essa ou qualquer outra, principalmente alguém que você não conhece, não precisa. E tem uma questão, eu faço isso com ele, ainda mais porque o Benjamin é uma criança pública.

Ele grava comigo, então as pessoas encontram ele na rua e veem ele. E a gente já passou por algumas situações, assim, é... Eu percebo muito assim, existem pessoas e pessoas. Tem pessoas que são muito respeitosas. Tem pessoas que ultrapassam um pouco mais o limite. Mas uma coisa que eu sempre faço é, caramba, o Benzinho, posso tirar foto com ele? Filha, você quer tirar foto?

E aí eu percebo que, por eu ter construído isso, as pessoas já... Eu posso ter um abraço? E aí, o bem, se vier te agarrar e você não quiser, você não precisa agarrar. E é exatamente isso. Eu não quero fazer uma foto, não tem problema. Não faça. E aí eu até me coloco, tipo, gente, é uma criança, ele pode não estar... Serve eu, tipo, serve, entendeu? Claro, pelo amor de Deus. Mas eu não obrigo ele a fazer...

nada que ele não queira. E eu dou essa autonomia pra ele, por exemplo, uma coisa que eu ensinei pra ele é brincadeira. Tem pessoas que adoram, brinca, né, com a criança e tal. Eu falei, filho, quando a brincadeira não tá boa pra você, você fala, essa brincadeira não é boa pra mim. Até que uma vez eu vi ele brincando com uma pessoa assim, brincando com ele, ele falou assim, por favor, não brinque assim, essa brincadeira não é boa pra mim.

assim, assim, não gostei muito bom, não gostei e como os pais podem agir quando percebem que a criança tá desconfortável com algum limite tipo de abraço, contato físico normalmente até dentro da família tipo aquele jantar, almoço de natal que vem o tio, que a criança nunca vê e quer abraçar tem muita mãe e pai, eu vejo perto de mim falando vai dar um beijo e não sei quem vai sentar no colo do papai noel vai entrar no meio e falar não não

O que eu vou trazer agora, Júlia, vai muito ao encontro desses erros que os pais cometem. A gente tem uma tendência a dizer para a criança que ela precisa obedecer o adulto a qualquer custo. Isso vai num lugar muito perigoso, que quer dizer o adulto está sempre certo.

É autoridade massa. A gente, de forma alguma, vai colocar para a criança e normalizar o desrespeito. Mas a partir do momento que a gente está mediando essa situação, a gente está respeitando os limites da criança em relação ao corpo. Quer dizer, eu não quero abraçar esse adulto.

eu não quero dar um beijo, mas eu estou ensinando a respeitar o adulto, ter a gentileza de dizer oi, tudo bem? Então essa mediação com leveza, eu acho que ela é muito importante e ela coloca também os pais ali num lugar seguros, de que eu respeito o limite do meu filho, estou percebendo que ele não está gostando, eu estou ensinando para ele aqui com consentimento e tudo isso e você pode dizer para o adulto, ah...

quebrar um pouquinho esse momento com naturalidade, filho, você quer cumprimentar como? Quer dar um touch? Você prefere dar um oizinho de longe? E aí a gente mediar essa situação, dando para a criança a opção que é muito maravilhosa da Bia, que é o que você fala tem importância. Como você se sente confortável?

não fazer a foto, dar um abraço ou não dar um abraço, mas desde que a gente traga isso que a Julia trouxe de, quer dizer, a gente trabalha o respeito, a gente precisa trazer a gentileza de dizer um oi de longe, de dar um sorriso, de dar um touch, entrar na brincadeira e na leveza da criança, mas a mensagem que fica para criança é a sua voz importa.

Ensinada a ser educada, mas se respeitando, né? E eu sempre falo assim, a gente requer coisas de crianças que a gente não faz. Exemplo, eu cheguei aqui, eu não conheço ninguém. Eu não chego, e aí, gente? Eu não conheço. Eu vou chegar mais tímida, tudo bom, gente? Bom dia.

E aí, se você é criança, você às vezes não consegue nem falar, porque você está aprendendo a lidar com as sensações, vem uma raiva, vem uma vergonha, vem um... E aí, é isso. Ele está entrando agora nessa outra infância, tudo novo, aí estão sensações diferentes, pensamentos diferentes, amigos novos e tudo mais. Então, e ele fica exposto ainda, até por ele ser uma criança famosa, né? Esses dias ele chegou para mim e falou assim, Mãe...

Várias crianças hoje no condomínio pediram para tirar foto comigo. Eu, poxa filho, que legal, porque acontece com frequência. Ele, mãe, mas não foi só isso. Depois eles brincaram comigo. Então é muito esse lugar dele, eu quero amigos, ele quer às vezes só ser criança.

É muito mais simples pra ele, né? O que eu ensino é o que você falou. O gol é a gente simplificar, que o movimento vem pra isso, né? Exato. Eu ensino o que você falou. Pra que a gente simplifique em vez de complicar, que é tão simples. E a gente complica, o adulto complica, porque a criança faz as coisas. É muito fácil pra criança. E o que você falou, filha, dá um tchau de longe. Isso é educação. Gente, bom dia, boa tarde. Eu não fui mal educada, eu fui educada. Aí intimidade é o que se constrói.

Ele vai... Aí, uma coisa que aconteceu já, foi uma moça, muito aleatória, gente, aquela moça, até hoje eu lembro dela. Uma moça aleatória, ela chegou e falou assim, é... E aí, benzinho, não sei o que, assim, bem íntimo, né? E acaba que a internet acaba criando essa intimidade que a pessoa sente que te conhece mesmo sem te conhecer. E com um adulto funciona, mas com a criança, estranho. E aí ela...

Oh, benzinho, não sei o que, não, não, não. E aí ele ficou tímido assim e foi indo pra trás de mim. Ela, ué, na internet não é assim. Aí eu falei, mas ele é uma criança. Na internet ele tá comigo, ele tá no banheiro da minha casa com a mãe dele. Não, aí eu me posicionei que eu também, entendeu? Aí eu falei, lá ele tá comigo, na minha casa, a mãe dele. Com tudo que ele conhece. Infelizmente eu não sei nem seu nome. Exato.

Ele não vai ser a pessoa. E ninguém é. E nem tem que ser. Entendeu? E não é. A gente adulto não é quem dirá uma criança. Então, nesse lugar, eu respeito muito bem como pessoa. Entendeu? Porque a gente coloca, ah, é a criança. Não, ele é uma pessoa. Ele tem sentimentos. Ele quer, ele não quer. Não é aquela coisa tipo, vai ter que comer tudo. E se ele não tiver com tanta fome? Sim.

Que loucura, sabe? Essas coisas que eu acho que são colocadas de geração em geração, mas são abusivas, desnecessárias. E aí não vai mudar, porque quando eu falo, filho, pode dar um oi. Você tem que chegar e falar, bom dia, boa tarde. Eu estou ensinando educação. Super. Eu não preciso obrigar ele a abraçar uma pessoa desconhecida, porque a gente não abraça a gente.

E ao mesmo tempo que você está ensinando educação, você está ensinando tantos conceitos importantes. E a gente precisa falar que enquanto a educação sexual acontece, a educação emocional também. Quer dizer, o que você sente é respeitado. Então elas andam juntas. É esse aprendizado que fica para a criança. E hoje com o digital, educação sexual, emocional e digital.

Porque as nossas crianças da manhã, elas... Ai, ai. Então, é muito complexo para as famílias tudo isso. Mas essa consciência, Bia, que você traz, é algo que realmente a gente percebe que faz a diferença. Essa criança que sente que ela é respeitada. E ao mesmo tempo... Com vida, né, também. Exato. O importante é que eu... Segura, para falar o seguinte. E aí, em relação a esse repertório que ela ganha, né, sobre todos esses conceitos, a afetividade que está presente na educação sexual na infância.

Essa prevenção que a gente trabalha, essa criança que entende o que eu penso importa, o que eu sinto importa, a minha voz importa. O que acontece é que a história da criança na sociedade é sempre, a criança sempre esteve num lugar que ela realmente foi desmerecida, não foi ouvida, foi silenciada, foi calada. Então, é uma geração que quebra ciclos e é uma geração que está construindo uma criança que sabe se posicionar.

Completamente. Completamente e de maneira alguma a gente está aqui para falar que as crianças não vão entender os limites, a importância do respeito, a importância da gente trabalhar tudo isso, mas a gente precisa falar que quando o abuso acontece enquanto as crianças estão pequenas e que o cérebro da criança está em formação.

isso tem todo um impacto na vida adulta. Então a gente como família a gente precisa agir e a nossa casa é o lugar para isso, é onde as nossas crianças precisam ter segurança e vínculo. E tem uma questão importante sobre o medo que eu achei muito importante que a Bia trouxe, que é, quer dizer, eu sinto tanto medo, será que eu estou exagerando?

Mas a gente também ter essa consciência de que não é contar para a criança que tudo é perigoso, o mundo é perigoso. É contar. E você conta isso porque você está sempre consciente desses detalhes e dessa sensibilidade que você traz na sua fala, que é...

O mundo não é perigoso, mas se alguma coisa acontecer e você sentir desconforto, eu estou aqui para você. E sai também. E sai também. Liberdade de conseguir sair. E a criança fica, posso ou não posso? É adulto, o adulto é soberano. É, não sai. O adulto tem sempre razão. Sai. A gente não pode parar. Eu ensino ele a fazer escândalo. Isso é o que você se sentir ameaçado.

Grita socorro, alguém vai ouvir. Eu ensino umas coisas muito... E você falou uma coisa muito importante, que foi sobre a importância. Gente, acho que a parte mais é fundamental. É o seu filho se sentir importante pra você. E uma coisa que é muito pequena, mas eu passei a fazer no meu dia a dia com bem, Jaminha, vocês têm uma rotina muito parecida com a minha, que é essa rotina corrida. A gente é mãe, a gente trabalha, a gente prende, a gente faz um milhão de coisas.

E a gente tentando fazer a vida acontecer de várias formas. E uma coisa que acontece é, eu tô normalmente numa correria do nada, eu vivo nessa correria.

Mas eu tô aqui conversando com vocês, eu posso estar numa conversa. Aí seu bem fala assim, mãe, eu olho pra ele. Parece uma coisa muito boba. Mas ele fala, mãe, eu olho pra ele. Eu posso até falar assim, filho, oi filho, dá um minutinho pra mãe. Eu seguro na mão dele, aí eu termino aqui e eu posso voltar. Mas esse olhar, já viu quando a criança fica, mãe, mãe, mãe? E você percebe que você foi ouvir ele só, ó. Só que se eu gritar agora pra vocês, você ouve.

Se eu gritar teu nome agora, você ouve. Se alguém falar pra você, amanhã você pode estar em São Paulo? Você pode.

Mas você precisa da essa pequena atenção de... E foi o que você falou, é construção. Daí ele fala, não importa se eu precisar da minha mãe, eu grito e ela tá lá. E é uma coisa boba. De um... Mãe, às vezes eu já vi ele me chamar pra nada. Tipo, mãe, oi, Ben.

virou fimora. Não tem uma fala. É só tipo, tá aqui? Eu percebo um. Você tá aqui? Eu tô aqui. Acho que o quanto é importante, por mais insana e, enfim, né, cada mãe, aí a gente sabe do número, né, das mães solos desse Brasil. Então, cada uma tem as suas limitações mesmo, reais, né, e mais assim.

O quanto é importante a gente estar atento dentro do que a gente tem, né? De tempo com essa criança. Porque eles... Eles são muito... Eles... Tá tudo lá. Se você parar e prestar atenção, tá tudo lá. Outro dia eu fui buscar meu filho na escola. Essa semana eu fui buscar ele na escola. Semana passada eu fui buscar ele na escola. E ele entrou no carro. Eu peguei ele. Ele saiu da escola diferente. Eu já o quê? Na hora, né? De tudo, obviamente, pelo meu trauma já me... Tudo leva. Ele entrou, ele saiu, ele se sentiu. Mas, mamãe, corre. Ele saiu.

diferente, entrou um carro diferente, aí muita gente, né, tava com o pai, a filha, todo mundo tava no carro, não sei o que, obviamente, tá tudo bem, filho, nananana, depois sentei com ele, falei, você tá chateado, o que aconteceu? Ah, ele me contou, era uma briga com o amiguinho, nananana, perguntei, três dias seguidos eu perguntei, pra ver se a mesma história acontecia e tudo mais, e era, mas assim, o quanto...

Tá tudo ali, eles demonstram, se você estiver atento, num pouco de tempo que você tem com o seu filho, de olhar no olho, de sondar. E quando você não conseguir ver, por você ter insistido em conversar com ele, ele vai falar, mamãe, preciso falar uma coisa. Fiquei chateado com não sei o que, ele chega assim, mãe, briguei com tal, aí ele falou isso pra mim, e ele começou a me falar de um... Aí me conta, se alguém botar um apelido nele, ele me conta na escola, e você tem que começar a entender isso também, porque agora ele tá com quase sete, né?

Aí tem um lado de, ele não faz na frente da professora, ele só faz quando a professora não tá. Aí eu preciso colocar ele pra se defender.

tipo você tem que responder ele chamou não finge que você não liga aí vou vendo ali acho porque ea gente sabe como é colégio na gente ou todo mundo aqui sofreu trauma em colégio eu pelo menos é sofre muito bullying colégio exatamente isso a falar professora não é qualquer coisa que os adultos resolvem tem coisa tem que ser na criança resolver dentro daquele meio dela criança resolve criança e aí eu fui

É essa questão dessa adaptação, é essa construção. Mas eu acho que essa conexão com a sua criança faz total diferença nessa jornada, sabe? E eu, como mãe de menino, eu ensino muito Benjamin como tratar meninas. E o Benjamin, ele é uma criança que... Ele é um menino que tem muita amizade com meninas. Por incrível... Meu filho também.

Muita amizade com meninas. Melhores amigas dele são sempre meninas. Muita amizade com meninas e tal. E aí eu sempre explico pra ele o que ele pode fazer, o que ele não pode fazer, como ele tem que falar. Uma coisa que eu já... Algumas pessoas acham que é precoce. Mas eu falo pra ele, como homem, tem que tratar uma mulher. Que um homem nunca pode agredir uma mulher. Que um homem nunca pode levantar a voz pra uma mulher. O Benjamin, às vezes, ele tava chateado comigo fazendo birra.

Aí eu falei, você não pode me tratar assim. Eu não me pergunto assim. E aí ele revê na hora.

Eu lembro de uma vez que eu falei pra ele não pegar um suco e tal, ele pegou o suco e quebrou o copo. Aí eu tava estressada, eu dei um grito. Aí eu, putz, gritei. Aí depois eu fui e falei, sentei do lado dele, depois de um tempo. Me desculpa por ter gritado com você. Ele, mãe, me desculpa porque eu peguei o copo, eu não devia. Então a criança começa a te entender. Entendeu? Então esse diálogo eu tenho com ele o tempo todo, o tempo todo.

Aí ele já começa a respeitar, mas é isso. É um lugar que mais uma vez eu falo, construção.

E assim, você está criando um ser humano, né? Eu acho que é a coisa mais difícil da vida. E essa construção que acontece das conversas mais simples até as mais complexas. Porque se a gente quer que as nossas crianças nos procurem, no caso de algum desconforto, a gente tem que ter essa construção desse vínculo e dessa escuta. Quer dizer...

eu sou ouvido aqui, a gente tem essa conversa e essa construção que muitas vezes a gente não dá ouvidos, quer dizer, eu estou tão ocupada, tudo bem, a gente está mesmo, a realidade é difícil, né? Então os pais, eles precisam também saber que está tudo bem, tem dias e dias, mas quer dizer, quando a gente tem consciência, a gente tem esse minuto de sentar com o filho, de pedir desculpas, de conversar.

E de trazer através desses acontecimentos os ensinamentos para as nossas crianças. E é entender que você é pai e mãe, gente. E realmente ser pai e mãe é algo que requer muito da gente. E às vezes eu percebo que eu preciso sentar e brincar de lego mesmo sem eu querer. Porque eu preciso da atenção para o meu filho. Porque se alguém falasse para mim assim, você precisa entregar isso amanhã, eu daria um jeito mesmo, sem eu querer entregaria.

Então como que eu não vou fazer algo pela pessoa mais importante da minha vida? Entende? Então eu me coloco muito nessa cidade de pai.

E é isso, a gente tá cansado mesmo. Tem dia que a gente tá cansado. E a criança tá toda, quer brincar, quer brincar. E não dá. Mas aí você fala, cara, eu preciso, nem que seja 10 minutos. Eu falo, bem, 10 minutos. Sabe o que já aconteceu? Eu tava muito cansada e eu peguei. Eu lembro que eu deitei na cama, assim. Sabe o que aconteceu? Nem quis mostrar a cama, você só cobre o corpo. Eu falei, nossa, eu tô morta. Aí ele falou...

Vamos jogar um Uno. Aí eu falei, filho, hoje não. Hoje a mamãe tá muito cansada, tá bom? Eu fechei o olho e quando eu abri, ele tava sentado do meu lado. Ele, ó, já separei tuas cartas. Ah, sim. Sete cartas pra mim, sete cartas pra ele. E ali eu não tinha o que fazer. Eu falei, tá bom. Tô preparado pra eu te ganhar. Aí ele já vem. Tirei aquilo ali, me levou assim, 15 minutos. Eu tava muito cansada. Aí eu não ia descer pra brinquedoteca, eu não ia fazer nada. Mas você vê que a criança quer você.

Seu filho quer um tempo ali. Ele falou. Ele tá. Então ela falou que não, mas eu vou dar um jeito. E não tem como você. Como você vai falar? Não quero. E aí às vezes também os pais pecam nisso. Tá estressado. Aí você dá uma explodida. Então eu tô sempre ali. E é isso. É a inteligência emocional que eu passo pra ele também. Muito. Converso muito. Quando ele dá um mais... Como é que foi? Explode. Eu falei. Ih, suas emoções estão te dominando.

Tu não tá se dominando. Aí ele beija-me e se domina. Beija-me e se não é assim. Ai, ai.

é isso aqui entendeu a gente vai conversar em casa ele fala também é muito legal essa coisa dos sentimentos não quanto realmente desde sempre a gente também teve essa preocupação

nos livros, nas músicas também nomear os sentimentos hoje ele tem um livro que chama, que ele tem o Chico Mal-Humorado e o nome do meu filho é Chico e tem um livro chamado Chico Mal-Humorado e meu filho é um pouquinho mal-humorado e aí toda hora ele fala, tô Chico Mal-Humorado tô Chico Mal-Humorado então nomear os sentimentos, entender os sentimentos acho que tudo isso colabora

para isso que a gente está falando, né? Através das brincadeiras, a gente também pode muito trabalhar essa educação sobre o corpo, né? Então, toque do sim, toque do não. O que é o toque do sim? O toque do sim é aquele toque que a gente sente o coração tão, assim, transbordando, feliz, um abraço na mamãe, pegar a mão para atravessar a rua e a gente se sentir protegido, com ato de confiança. E o que é o toque do não? Quer dizer, aquele toque que não é legal, aquele toque que a gente ficou um pouquinho envergonhado, ou então...

um sentimento que não é legal, um friozinho na barriga. Então a gente também, com as brincadeiras e com essa leveza, às vezes tem a ideia de uma dinâmica, de uma conversa, de um livro que traga esse tema. Tudo isso que a gente pode colocar no nosso dia a dia. Então é hora da leitura? A gente pode trazer um livro que fale sobre o corpo. Com certeza.

E é tão gostoso, fica tão mais leve. E aí a gente percebe que essas são ferramentas que são fáceis, que traz essa leveza. Se os pais, eles não sabem por onde começar, comece pelo lúdico, comece com essas ideias que são fáceis, sabe? Da gente vivenciar junto com as crianças. Cria conexão, quer dizer, essa conversa... Eu acho que é a cama, né? Não é? É a base de tudo.

O afeto, a conexão, a segurança de poder contar com alguém. Posso falar o que eu quiser, posso contar. Ela me olha quando eu chamo, ela me escuta quando eu falo. E eu já ouvi umas duas vezes, quer dizer, duas vezes não, eu ouvi recentemente uma vez do meu filho e uma vez da minha filha. Algo parecido, não foi a mesma frase, mas alguma coisa, ah não, vai brigar.

que a mulher mais brava, né? E aí sentei, olhei no olho e falei, não exige, disse que realmente reforçar, não existe, eu vou te ouvir. E foi engraçado, porque eu não tinha um histórico.

É porque eu sou a que coloca mais limite nas coisas em casa, né? Então, eu acabo estando mais em casa, né? Agora, meu marido, graças a Deus, tá precisando de um tempão lá. O universo tem sido gentil de separar as agendas. Minha agenda tá mais apertada e ele tá mais tempo. Mas eu sou a mais firme. Não pode, não pode. E eu fiquei pensando, em que momento, de fato, chegou algo que eu reprimi? Do tipo, tá errada.

E eu não achei. Talvez eu não me lembre. Talvez tenha existido. E você também não é perfeita. Calma, porque... Não, claro! Zero esse lugar de perfeita, mas nesse lugar de me contar uma coisa e eu... Sim. Eu tenho essa escola aqui, então me ajuda muito. Sem isso aqui, eu já teria feito muitos outros erros.

acho que continua a troca que nós aprendemos então sempre meio que atenta agora só que quase uma vez por semana e eu não me lembrei de nenhum momento mas mesmo assim só pelo pelo pelo pelo ser por eu ser mais a que coloca o limite e tiveram esse registro de uma mãe vai brigar não vou contar não sei lá alguma coisa que quebrou eu era

e deu sem tal ea no olho falar de jeito nenhum eu tô aqui pra sempre pode contar que você for o tio vivo te acolher se não for legal a mãe vai conversar com você para te dar um outro caminho e aí eu senti que logo depois disso já tipo é já mudou que bom assim tipo a quebrei o mãe sabe coisas aconteceram assim fala nossa

Como é importante realmente... A conversa fala. E a gente se reeducar também, porque... Pela forma como vocês falam aqui, eu percebo que vocês não são mãe desse exemplo que eu vou dar. Mas existem muitas pessoas em casa que agem de forma muito negativa com as crianças e às vezes com o estranho não. E aí eu comecei a usar isso comigo.

assim eu falei cara se você chega lá em casa agora e a gente fez um café da tarde e você realmente derramar a jarra de suco toda na mesa e acabar com tudo aí molhou o pão molhou tudo eu falo não tudo bem tudo bem vamos dar um jeito gente traz pano vamos lá se a criança derrubou você foi assim

Não é possível. Aí a criança, tipo, eu fiz a pior coisa do mundo. E às vezes foi, esbarrou. Ou às vezes realmente tava brincando. Não, eu queria das vezes sem querer. É, mas às vezes, ó, brincou foi. Aí eu, bem, tem que prestar atenção. Agora vem me ajudar a limpar. Então, não é também você, não, tudo bem, tudo tá. Nem sempre tá tudo bem. Mas quando não tá tudo bem, bem, prestar atenção, filho. Vem me ajudar a limpar, não dá pra ficar assim.

Vem cá, mamãe. Vamos, aí ele vai limpando. Ah, eu não queria limpar. Eu falei, tem que prestar atenção pra não ter que limpar. Então, é essa conversa que eu teria com o adulto.

Entendeu? Então eu passei a ser muito mais gentil com os meus, porque a gente tem disso, né? O melhor é pra fora. Melhor copa, melhor taça, a melhor louça. Inclusive isso inclui no que ela tava falando, né? Total. Da coisa do abraço. Você fica preocupada com que o outro vai pensar se não abraçar ou se beijar o outro. Assim. Entendeu? E você não tá preocupada com o desconforto do teu filho ou qualquer coisa que pode vir a ser ali naquela situação.

Não, não, não. Seu filho é prioridade. Não existe nada, nada mais importante. Nem mãe, nem pai, nem minha avó, avô, tio, papai. Não existe. A prioridade tem que ser o seu filho. A escuta e o conforto, a segurança do seu filho. E isso se trabalha como pessoa, até. Porque eu pensei em muitas pessoas que, infelizmente, criam um personagem pra fora. Sim.

E aí quem são essas pessoas dentro de casa? Quem é você pro teu filho? Pra tua mãe? Pro teu tio? Entendeu? E aí fora você aquela pessoa, cara, que sorrisão. Aquela pessoa que abraça. E não sei o quê. Mas assim, e dentro? Sabe? Então eu sempre, toda vez que eu tô muito cansada. Que eu tô muito estressada. Que a gente tem nossos momentos, né? Tô muito não sei o quê. Eu falo, ei...

Se eu tivesse agora com um monte de gente que eu acabei de conhecer agora, eu seria? Então calma aí, eu preciso dar o meu melhor. Então eu sempre estou dando o meu melhor pra dentro, entendeu? Pro Benjamin. E eu acho que essa questão, gente, eu trabalho muito ele se sentir importante. Porque eu acho que durante a minha vida, até pelo fato de a mãe ser mãe solo, algumas vezes eu senti falta dela, né? Eu me sentia meio... Eu sabia disso, tipo, nada vai acontecer comigo, minha mãe me protege. Mas eu sentia falta de um abraço, de um olhar e querer conversar.

Então a gente vai, acaba que a gente começa a... A gente pega os pontos bons e melhora outros pontos também. Então é o que eu faço com o meu filho. Cara, conta comigo. Tô aqui. Fala com a mamãe. E eu ainda tenho um ponto que você falou. Cara, eu sou mais severa. Eu falo pra ele. Ó, isso pode, isso não pode. E eu sou mãe e pai. Então eu tenho que ser o... Pode tudo. Mas isso aí também não pode mexer. Não, isso aqui não pode fazer.

Então eu sou o limite e o amor. Entendeu? Então é uma linha tênue. É um equilíbrio que eu tenho que conseguir ter ali. E é isso. Ele é meu primeiro filho.

Eu também aprendi a ser mãe com ele. Todos os dias. Entendeu? Porque todos os dias temos uma criança diferente, né? Todo dia. Todo dia. Aí quando eu comecei a aprender como lidava com o Benjamin de 3, ele fez 4. E você falou uma coisa interessante aqui, quando a gente estava conversando antes, né, Bia?

Ele não era tímido, agora ele virou tímido. Como assim? Da onde veio essa tímidez? Não, meu filho, ele ia chegar aqui, ele ia falar, olá, eu sou o benzinho, que eu não sei o quê. Agora, se ele chegar aqui, ele vai olhar todo mundo a fazer assim. Acabou, virou uma... Tá tímido, tá muito tímido. Aí eu entendi, falei, filho. Aí eu falei, filho, olha, você era pra fora, cadê meu beijamin pra fora?

Aí ele falou, não sei. Falei, tá, quer fazer alguma coisa? Aí quero fazer teatro, quer fazer não sei o quê. Aí agora ele quer fazer coisas dele, né? Aí tá me pedindo fazer umas coisas. Aí tá fazendo impismo, ama música, tá tocando piano, ama não sei o quê. Falei, vamos, vamos tocando. Talvez ele queira se expressar de outras formas, sabe? E a criança também muda muito, né? Quando ela entra na segunda infância, alguns aspectos aparecem e a gente fala, opa, peraí, cadê aquela criança da primeira infância?

Vem um sentimento novo, pudor. E a gente precisa também respeitar. A vergonha, né? A vergonha pega muito, né? Tudo isso que a criança começa a descobrir nessa nova fase. A gente muda. A gente não tem nada a ver com a pessoa de cinco anos atrás. Sabe? A gente muda. Então é isso. A gente vai estar sempre mudando. O tempo todo. E eu respeito isso nele, entendeu? Com essas mudanças de personalidade, eu quero falar sobre...

as crianças extrovertidas e introvertidas, que a gente falou também sobre meninos e meninas, né, da educação sexual, como que funciona, é diferente ou não, tem um aspecto que eu gosto de trazer, que é essa diferença, como a gente vai aplicar a educação sexual para diferentes personalidades, por quê? A criança extrovertida, ela está mais vulnerável num lugar diferente da introvertida, então quer dizer, enquanto a extrovertida, ela se relaciona muito bem com as pessoas, o que pode trazer alguns riscos.

que é mais aberta, ela é mais sociável, ela é muito corporal, ela pode gostar de um abraço, isso pode levar ela para uma situação que não seja tão confortável ou tão segura, digamos assim. Então, essa criança a gente precisa puxar um pouquinho, filho, peraí. Então, a gente ir trabalhando nela alguns aspectos que para ela vai ser importante.

Agora, a criança mais introvertida, a gente precisa ter atenção para outros aspectos. Então, quer dizer, será que essa minha criança me conta tudo? Ela tem abertura para falar? Então, a gente perceber também essas diferentes personalidades e também pensar que essa educação sexual, ela não é uma coisa...

única. Então a gente entender como é o nosso filho e o que eu preciso desenvolver na minha criança. Meu filho, ele é mais tímido, ele chega da escola e não me conta muita coisa. Então eu vou... Menos verbal, né? Ele é menos verbal, ele não me dá muitos detalhes, então quer dizer, eu vou puxar ele para uma conversa, eu vou sempre manter essa conversa, dar espaço. Claro que respeitando essa criança ser assim, mas a gente quer dizer, tendo atenção para esse tipo de personalidade. Então a gente entender que as crianças, elas são únicas.

E abrir essa agenda, né? Porque hoje eu trazei 20 minutos para chegar aqui no estúdio porque minha filha já está na fase do Ah, mãe, não quero falar. Ela faz assim, não quero falar. Não quero falar. Nem sempre é a hora que a gente quer puxar alguma coisa, é a hora que eles estão dispostos a falar. E hoje, tipo, eu saindo de casa para deixar ela na escola, na mesa de café da manhã, ela falou Mamãe, eu vou te falar um negócio que eu nem sabia se eu ia te falar. É você, eu tenho que ficar aqui, eu tenho que ouvir. Aí na hora eu parei tudo.

Por isso eu cheguei 20 minutos atrás da, que eu falei, eu não posso desperdiçar esse momento valioso que ela se colocou na minha frente, disponível para abrir alguma coisa que ela considerou se ela ia me falar ou não. Ou seja, alguma coisa importante. E de fato, era uma coisa importante que eu não vou abrir aqui. Bem importante. Então, se não era fácil, tá bom, filha, vamos para a escola, depois você me fala. Eu acho que essa coisa do prestar atenção neles, eu podia não validar.

Mas no momento em que ela fala, pensei e não tinha, eu falei, mamãe, vamos conversar. Porque também, às vezes, a gente quer que eles estejam disponíveis na hora que a gente quer. E na hora que eles querem, a gente normalmente não está disponível, porque está tudo acontecendo. Então, essas coisas acabam passando batido. Então, na hora eu parei tudo mesmo sabendo que eu precisava correr. E é um assunto que eu quero retomar com ela, mas que bom que eu fiz isso. E na hora eu me trouxe para esse pensamento. Eu falei, caramba!

É um tropeço. É um tropeço. Oportunidades como essa. Bom, aproveitando, obviamente, o tema do nosso episódio, as denúncias devem ser realizadas por meio dos Conselhos Tutelares, CREAS, Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente, Ministério Público, Primeira Vara da Infância e da Juventude, e o Disque SEM.

Nesse episódio ficou muito claro que falar sobre proteção infantil não significa criar filhos assustados do mundo, mas criar filhos conscientes para que daqui para frente conversas fundamentais que foram evitadas durante muito tempo dentro das famílias se tornem naturais, já que o silêncio nunca protegeu as nossas crianças.

Por isso, mães, pais e cuidadores que nos assistiram até aqui usem de momentos cotidianos para dialogar com seus filhos para que eles se sintam seguros em entender sobre os seus limites emocionais e físicos. A gente quer agradecer muito a presença da Bia, da Laila, da nossa plateia Mio e Uma nesse episódio por trazerem tanta informação importante.

E é claro ao O Boticário que nos trouxe uma pauta tão necessária para dialogarmos na nossa roda de conversa e por pensar em criar um movimento É Meu, que transforma a hora do banho em proteção, em educação, como um incentivo para os pais e responsáveis de crianças a começarem uma conversa sobre o limite do próprio corpo, que é dela, é só dela.

E vale lembrar que o Boticário deu pontapé inicial com o sabonete infantil É Meu, mas essa conversa pode ser feita com qualquer sabonete. Por isso, eles disponibilizaram mais de 20 mil adesivos para serem distribuídos e colados em qualquer sabonete infantil para que assim essa conversa chegue ao maior número de famílias.

Vamos fazer a diferença não só na campanha do Maio Laranja, mas em todos os momentos para que as nossas crianças possam viver uma infância segura e feliz. O nosso episódio de hoje termina aqui. Muito obrigada pela companhia e nos encontramos semana que vem. Beijo! Beijo!

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O Boticário

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