Episódios de Mil e uma TrETAS

#111 - O CUSTO DE SER MÃE | Fátima Bernardes e Maria Homem

12 de maio de 20261h29min
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Ser mãe muda tudo. O tempo, o corpo, a carreira, as prioridades, a forma de enxergar a si mesma e até o jeito de existir no mundo. E, por trás da romantização que ainda cerca a maternidade, existem renúncias, culpas, exaustões e reconstruções que quase nunca ganham espaço nas conversas.

No episódio de hoje do Mil e Uma Tretas, falamos sobre os custos, emocionais, profissionais, físicos e subjetivos, de ser mãe. Sobre o peso invisível de tentar dar conta de tudo, sobre identidade, desejo, ambivalência e as transformações que atravessam a vida de uma mulher depois da maternidade.

Pra essa conversa, recebemos a jornalista e apresentadora, mãe dos trigêmeos Beatriz, Laura e Vinícius, Fátima Bernardes (fatimabernardes), e a psicanalista, pesquisadora, professora, escritora e mãe do Vicente, Maria Homem (@maria.homem).

Um episódio profundo, necessário e honesto sobre tudo aquilo que a maternidade oferece… e tudo o que ela também exige.

Assuntos7
  • Custo de vida e impacto na maternidadeRomantização vs. Realidade da Maternidade · Impacto na Carreira e Finanças · Pressão da Mãe Perfeita · Identidade e Desejo Pós-Maternidade · Maternidade e Conexão com a Natureza · Informação e Desinformação na Maternidade · Rede de Apoio e Julgamentos · Maternidade e Trabalho · Ética do Esforço vs. Malandragem · O Papel do Pai na Maternidade · Sobrecarga Mental Materna · Educação de Meninos · Misoginia e Machismo Estrutural · O Espelho na Maternidade · A Importância da Escuta Ativa · Separação e Impacto nos Filhos · A Transformação Irreversível na Relação da Mulher Consigo Mesma
  • Maternidade de MúltiplosDesafios da Gravidez de Trigêmeos · UTI Neonatal e Puerpério · Desenvolvimento de Crianças Prematuras · Acompanhamento e Comparação entre Irmãos
  • Desafios da juventude e educaçãoA Astúcia da Nova Geração · O Debate entre Conteúdo Escolar e Noticiário · A Importância de Ensinar o Autocontrole · Desafios da Parentalidade na Era Digital · A Diferença entre Saber e Vivenciar
  • Rotina e conexão com os filhosTransição para a Vida Adulta dos Filhos · A Importância da Presença e do Prazer em Estar Junto · Diálogo e Respeito Mútuo · Aprender a Ouvir sem Dar Soluções · A Influência da Maternidade na Vida Profissional
  • A Hora do Lobo e o PuerpérioAngústia do Pôr do Sol em Bebês · Conexão Ancestral e Biorritmo · A Angústia Materna no Puerpério
  • Patriarcado e a realidade das mulheresMedo da Mulher e Misoginia · Controle e Supressão da Autonomia Feminina · A Luta pela Igualdade de Gênero
  • A Paternidade de São JoséConfusão de Papéis na Sociedade Atual · Sobrecarga Mental Materna · A Busca por um Homem Adulto Pleno
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E aí

A maternidade, durante muito tempo, veio acompanhada de uma ideia quase pronta. Como se, ao se tornar mãe, uma mulher automaticamente encontrasse um lugar de plenitude, de sentido absoluto, de amor que resolvesse tudo. Hoje a gente vive um momento em que as mulheres estão falando mais. E quase pela primeira vez com tanta honestidade sobre sentimentos que muitas vezes nós não tínhamos nem coragem de falar em voz alta. Porque ser mãe não é só sobre ganhar um filho.

É sobre perder pedaços de si, reorganizar a própria vida, rever sonhos, recalcular caminhos. E isso tudo tem um custo. Um custo que não aparece só na conta do banco, mas no corpo, na mente, na identidade. As pesquisas mostram isso de uma forma muito clara, que a maternidade impacta a carreira, a renda e o tempo das mulheres. Mas o que talvez não apareça nos números é o que acontece por dentro.

A pressão de ser uma mãe perfeita, a cobrança silenciosa de dar conta de tudo, a dificuldade de admitir que às vezes é difícil. Porque por mais que a gente tenha avançado nas nossas conversas e conquistas sociais, a gente sabe que ainda existe um lugar onde a maternidade não pode falhar, não pode cansar, não pode questionar.

E é exatamente esse lugar que a gente quer mexer nessa semana do Dia das Mães, nesse episódio especial de Dia das Mães, o quanto essa performance imposta ainda custa na vida das mulheres. Eu sou a Júlia e sou a mãe da Cora. E eu sou a Tayla, mãe do Francisco e da Tereza. E esse podcast é Coisa de Mãe.

E para essa conversa tão importante, a gente tem a honra de receber duas mulheres incríveis que nós admiramos imensamente. A jornalista apresentadora, mãe dos três gêmeos, que inclusive temos a honra de receber a filha dela que também havia, a Vieta na plateia, mãe de Laura e de Vinícius, Fátima Bernardes e a psicanalista.

pesquisadora, professora e escritora, que a gente tá aqui também esperando há muito tempo, Maria Homem. E é claro, a nossa plateia é mil e uma, lotada. Sejam todas muito bem-vindas. A gente tá querendo essa dupla aqui.

E eu amei que a gente sempre coloca o mãe de e o nome dos filhos, né? E a Maria já chegou e falou, ó, sou mãe de adolescente, não coloca o nome não. A gente vai passar por todo, ela vem do futuro já, o que nos espera, né? A minha filha, mamãe, foto comigo, mamãe, pra daqui a pouco, mãe.

Não, eu acho que... é, deixa aqui, apaga minhas fotos aí. É, eu sei que é uma pergunta difícil, nem tá nas nossas fichas, mas eu vim pensando muito sobre isso, né? Vocês com mães, né, mães de adultos e adolescentes já bem à nossa frente, e falando que a gente vai passar por essa maternidade que, como dizem amigas minhas que tiveram filhos há muitos anos, na época que tudo era mato, digamos assim, né, esse bombardeio de informação que a gente tem hoje.

Eu sei que não há uma comparação, porque não temos filhos mais novos para comparar, mas vocês acham que era mais fácil, se é que eu posso colocar isso, onde na época que era tudo mato? Que a gente não sabia nem nomear as coisas. Tanto de informação deixa a gente um tanto mais confusa, mais maluca, não sei. Fala para a gente um pouquinho, o que vocês acham?

Quer que eu comece? Eu acho que tem vários aspectos. Eu acho que num aspecto é muito boa a informação. Eu fui, engravidei de múltiplos, de trigêmeos, numa época que ainda não se falava muito, não era muito comum. Hoje em dia você tem várias pessoas que fizeram tratamento, fertilização in vitro, né? E conseguiram ter filhos que não teriam uma outra possibilidade. Mas eu buscava informação, a internet era discada, gente.

Então, eu botava para aquilo, para discar, para esperar o sinal, para esperar a conexão, eu ia fazer coisas em casa, entendeu? Por quê? Porque não tinha livro sobre trigêmeos, não tinha revista, não tinha artigos de fácil acesso. Então, assim, era uma escuridão mesmo. Então, você não sabia o que esperava.

Num aspecto, hoje, eu penso que foi até bom, né? Porque algumas informações que talvez eu não precisasse ter, chegariam a mim hoje, né? Então, antecipariam sofrimentos ou antecipariam questões que eu ia...

ter tempo para viver, né? Então, assim, nesse aspecto, foi difícil, não tem nenhuma informação. Eu lembro que eu tinha um livro, que era O Que Esperar Quando Está Esperando, que é um clássico, né? Então, ali tinha um capítulo e eu pulava capítulos que eu achava que não tinham relação comigo, mas eu tive que aprender muito na prática algumas coisas, né? Por exemplo, eu não sabia da importância de cada semana na gravidez para três bebês, né? Porque...

Eu tive que ir a uma UTI ao Natal, olhar que o bebê não seria capa de revista, que era um bebê muito pequeno. Eu cheguei lá andando, com um vestidinho longo, de salto, feliz da vida, para conhecer, sair sentada na cadeira do porteiro, porque eu fiquei tão impressionada, o que era um bebê de 900 gramas, o que era um bebê de um quilo e pouco, e os meus seriam bebês. Então, nesse aspecto, acho que...

Teve prós e contras. Agora, pensando em filhos maiores, já um pouco maior do que o de vocês, eu dou graças a Deus deles terem nascido numa época em que não existia essa exposição. Graças a Deus, eles foram, acho que, um último grupo. Eles dizem que eles foram os últimos a ter celular com 12 anos, a turma já tinha. Mas, realmente, foi possível só ter o celular.

com 12 anos e não era nada tão absurdo. Meu filho diz a mesma coisa e eu falo, errei, tinha que ser 18. 16, limite legal. Quando eles eram nessa fase, 12 era o que as pessoas estavam realmente... Era outro celular. Era um celular para falar com um amigo, para mandar uma mensagem e tal. Não era rede social. Não era rede social.

é difícil hoje eu fico uma dó eu fico de todo um outro tópico né mas pra voltar na pergunta eu acho assim por um lado é muito bom ter informação claro em discute isso o detalhe é tem dois problemas aí primeiro o que é informação o que é mentira que é desinformado que é informação útil

que realmente te traz algo, te faz pensar, te ajuda a viver dentro da realidade. E o que é informação anestésica, informação que é só divertimento para te dar um quentinho no coração e que é alguma coisa que você está perdendo seu tempo.

naquilo sabe a informação informação né não tem embasamento nenhum é só uma coisa é uma opinião é um convencimento é uma manipulação então tem todo esse capítulo gigante agora tem outro lado da discussão

Eu falo com vocês, eu falo... Gente, a plateia está tão grande. É, a gente precisa pra onde olha. Ai, que delícia. Então, a gente tem a plateia off, off brother e a plateia brother. E tem a gente aqui. Que bom, né? Obrigada pelo convite. Obrigada a vocês.

Qual é um problema? Antes do mato, tinha uma era em que o feminino estava mais coligado com a natureza. Então, a gente sabia melhor o que é parir. Não tinha essa história de parto em casa, porque não existia parto em outro lugar que não fosse a casa, concorda? Isso, me avisa a avó.

Durante milênios, é, antes do mato, a gente tinha a conexão natural que ajudava a gente a parir, a gestar, a amamentar, a cuidar, a escutar.

A gente tem um aparato psíquico, biológico, corporal, que é de aprender a transmitir a vida e se conectar com a cria. E aí a gente perdeu isso, porque a urbanidade vai afastando a gente da natureza ela mesma. Isso vale para a maternidade, é evidente, mas isso vale para a sexualidade, vale para a alimentação.

Vale para o movimento. Então a gente tem que pagar uma salinha fechada com ar-condicionado para movimentar, correto? Sim. Para não estourar o coração e não meter açúcar e gordura na veia. Basicamente é isso que a gente faz. Então a humanidade está se divorciando do mato natureza.

E isso é um problema. Então, acho que agora a gente vai, espero, ter mais consciência da nossa conexão com o orgânico. A gente está falando muito disso, né? É uma discussão mais ampla, mas dá para captar, né? Tem tudo a ver com este assunto maternidade, né?

Tanto que eu tive a curiosidade de fazer essa primeira pergunta, porque a gente já falou muito isso aqui, o quanto agora, gente, na nossa maternidade, Júlia fala muito isso aqui, peraí, enquanto vinha um bando de informação, um tanto de informação ou desinformação, como aqui é assim, assim, assado, e de falar, não, pera, é meu bebê, meu filho, deixa eu me conectar.

Com essa, silenciar tudo isso pra não perder a sutileza do olhar da minha filha, né? As mil cartilhas. Eu acho que é disso. A cartilha tá totalmente ligada com o que você trouxe. E eu diria isso, é que não é um programa coach, nem de conselho, mas assim, nem tô fazendo isso, mas assim, confia.

Se eu pudesse dizer, confia que você tem uma ancestralidade, milhões de anos estão pulsando nas nossas veias, nos neurônios, confia. E acho que a gente perdeu essa confiança, você vai saber escutar a tua cria, porque você é bicho, falante.

que tem linguagem, mas você tem uma linguagem pré-verbal profunda, que conecta com aquele ser, então não se aliena disso. A gente foi sendo alienado, mas a gente pode recuperar. E eu acho que as mulheres dando as mãos...

sim né e todos os das mãos que tá um pouquinho difícil né assim a gente vê progressos mas é também a gente vê umas coisas que a gente fala meu Deus né a gente sempre fala muito aqui é da importância de estar conectadas de procurar sua rede de apoio de de fazer a sua sua aldeia né mas também a gente é o quanto as mulheres acabam

muitas vezes ao invés de ser rede de apoio, ser uma rede de agouro, né? Tipo, ao invés de você estar ali fortalecendo e ajudando, você está, ah, meu filho não fazia isso. Eu quando estava grávida, a minha médica falou uma coisa que eu achei bastante interessante. Porque por trabalhar com o que eu trabalho, eu estou sempre muito disposta a ouvir, sou sempre pretenciosa, tem uma característica dessa minha maternidade que é...

muito provavelmente a de vocês também, que é de você nem sempre poder dar uma dura, uma fala mais ríspida na rua, porque você está sempre sendo observada. E quando eu estava grávida, ela dizia assim...

Seja um pouquinho mal educada. Quando alguém vier te contar uma história, ah, está com quantos meses? Nossa, a fulaninha teve com essa idade. Você diz, olha, eu não quero ouvir. Você me desculpa, mas é que eu sou muito, eu me influencio muito, sabe? Sei que a sua intenção é ótima, mas eu não quero ouvir. E parar com algumas histórias, porque às vezes a pessoa realmente não está fazendo por mal. Ela se conecta com alguma coisa que, nossa, que ela acha que vai ser legal te contar, mas não vai.

Não vai ser legal. Como polimite, né? Isso é um tema tão bom também. Ah, isso depois que a criança nasce. Ah, polimite para a mãe. Não, polimite para... Na vida, né? Na vida, polimite você com você mesmo, com o outro que te pergunta, com essa expressão muito boa do agoro, né?

Gente de amor, gente de apoio. É, porque além das informações, barra desinformações, tem os julgamentos todos, que esse momento que a gente vive totalmente online tem. Então, não é só... Então, acho que daí também veio a pergunta da Tayla, né? Quando tudo era escuridão, era escuridão, mas não tem informação e tal, mas ao mesmo tempo também não tinha gente te dizendo o que você tem que fazer antes de você dar espaço para a sua ancestralidade operar. Sua mãe.

pra quem tá perto falar alguma coisa. Sua aldeia mesmo. Imagina, sei lá, olhando a maternidade da minha mãe, que também era uma mulher que precisou trabalhar, tipo, a gente era pequena, mas tinha uma aldeiazinha ali, né? Os meus avós, minha tia, minhas irmãs mais velhas. E hoje é, tipo, muito individualizado. Além da aldeia, a própria intuição de mãe e bebê, né? A própria conexão sua com o bebê. Porque são as informações e são as pessoas dizendo como tem que ser feito o tempo inteiro, né?

A plateia toda está concordando. Rindo de nervoso. Da minha mãe foi muito interessante porque eu tenho nela uma referência de maternidade de uma mulher que não trabalhou, de uma mulher que se dedicou integralmente aos filhos. Então, assim, o meu sarrafo era muito alto. Então, eu acho que até hoje eu faço coisas para agradá-la.

criar filhos. Isso é uma questão de divã, Fátima, criada. Ah, eu trabalho isso. É brincadeira. É que foi tão boa essa bola aqui. É verdade, eu trabalho bastante isso. Mas é muito interessante, porque quando eu tive filho, eu tinha muito claro que eu não faria igual. Conta pra gente, pode contar? Alguma coisinha assim leve, que não vai pegar, entendeu? Eu acho que eu tentei.

Tentei, tá bem? Ela tá aqui pra desmentir, a mãe se empolga! Eu tentei ser menos apavorada em alguns aspectos. Eu era assim, eu sou de ligar. Depois da adolescência, eu fui mais chata. De ligar, de querer saber e tal. Mas assim, de estimular a fazer uma coisa que eu nunca tinha feito. Assim, a minha mãe tinha medo que eu andasse de patins. Então, que eu andasse de bicicleta. Então, eu fui uma criança que cresci com uma edrosa.

de cachorro, entendeu? E eu falei, não, eu vou fazer diferente, eu vou ser muito mais leve nesse aspecto. A questão do estudar era importante, mas não só estudar, eu acho que o foco, por a minha mãe não ter conseguido chegar à universidade, por ter parado de trabalhar e de estudar quando nós nascemos, então assim...

era muito diferente e eu queria que para eles o olhar fosse outro queria que ele tivesse uma relação muito positiva com o meu trabalho então nunca sair escondido nunca falei que a mamãe vai trabalhar para comprar biscoito arroz feijão a mamãe vai trabalhar que precisa para as coisas que a gente mas também que a mamãe gosta muito do que eu faço isso sempre foi muito claro para mim de destacar muito

muito isso. A minha mãe destacava o meu pai muito isso. Mas era assim, você tem que ser independente, porque foi algo que ela não foi. Então, no fundo, eu acho que talvez eu visse também com um pouco de peso. E eu queria que eles vissem isso ao contrário, com leveza. Eu tinha que conseguir trabalhar e ser independente, porque...

Ela não tinha... Era por ela também. E para eles eu queria que não, que fosse por eles. Que eles tivessem uma relação saudável com o trabalho, que eles tivessem uma relação saudável com o próprio sustento, que soubessem que iam ter que correr atrás deles, sim, desde sempre. Mas, ao mesmo tempo, essa conexão que você diz com a própria maternidade, com esse olhar, muitas vezes eu pedi socorro a psicólogos e tal, mesmo sem eles irem.

Para mim, porque eu achava que eu conseguia ter um olhar individualizado e vendo que cada hora um precisava mais de alguma ajuda. Só não consegui fazer uma recomendação de que era de sair muito independentemente com cada um, porque às vezes fazia de ir a um lugar, porque se uma fazia fono, a outra não fazia, levava eu e tal, mas a ideia de ter muitos momentos sozinha, eu não consegui. Porque como eu trabalhava, os momentos todos disponíveis, eu queria que fosse...

Para os três. Isso é interessante, porque a gente quer mostrar que o que a gente faz tem sentido e é bom. Em última instância, trabalhar é bom. Porque é uma delícia trabalhar para quem tem um luxo de ter um trabalho que goste. Que escolheu, né? Então, eu acho que a nossa cultura tem uma coisa muito estranha, que está na moda você ser bom aluno sem fazer nada.

Então você tem que ser esperto, você tem que ser safo para se dar bem sem estudar. Então faz uns anos já isso, a gente pode até teorizar o porquê disso. Então é uma espécie de crise quanto ao esforço.

Como se se esforçar fosse uma coisa um pouco demodê, né? Uma coisa dos fracos, dos que precisam. Então, eu acho que tem uma ética do não esforço e da malandragem. Acho que isso é o primeiro problema. Então, acho que educar tem muito a ver com você revalorar.

A ética do esforço, no bom sentido, é uma força que você põe em alguma coisa. Você tem que pôr libido, energia, força, e que pode ser bom, que você gosta daquilo. Aí eu conto uma história, acho que nas férias, e aí eu estava discutindo com o meu filho qual filme assistir. Então imagina eu... Quantos anos tem seu filho? Agora ele tem 16.

Acabou de fazer 16 e aí ele queria ver um filme e aí eu falo não. Filme de pancadaria, assim, me desculpa, não tenho tempo para isso. Tenho tanto livro para ler, tanta coisa para pensar. Eu quero ver alguma coisa menos tonta. Não, mas você não consegue só ver um filme, mamãe. Você não precisa ver alguma coisa. Porque eu falava, eu quero alguma coisa que me instigue, que me faça pensar, que me ensine. Provoque, estimule. Me provoque, me estimule, me dê algum conteúdo.

Mas você não fica lendo o dia inteiro? Você não faz isso o dia inteiro? Você não pode só relaxar? Você não pode só relaxar e não fazer nada? Eu acho que eu vou ficar do lado dele. Não, aí eu falei. Não, mas eu argumentei, Fátima. Não, argumentar é sempre muito importante. Aí eu falei, filho, mas isso, pensar, é o que me relaxa.

tem ideia entender o mundo assunto só curiosa é isso que nossa me deixa eu me ter um intervalo aqui que eu preciso dar uma lida no livrinho sabe isso é bom para mim e dá uma pergunta para você então que eu eu adoro quando tem né vocês que aprofundam muito em tudo super especialistas e tal

Você teve algum momento da sua maternidade em que, por pério, que mesmo quando você passa por ele mais leve, não tem como você não ser atravessada reaprendendo aquela dinâmica, aquela triangulação, aquele ser que chegou. Que a teoria está toda, mas na hora que vira mãe, fica tudo de lado.

Sim. E não consegue, meio inacessível, assim. Sim, sim. Você passou por isso. Tem uma hora que todo esse conhecimento, ele se perde de você e você está só ali. Sim, eu até vou te falar usando uma coisa que me ajudou muito, foi um conceito do Inicot. Mas só para fechar a minha própria história.

que tem a ver com isso, que era o seguinte, eu argumentando com ele que era bom você poder assistir alguma coisa, escutar alguma coisa que fosse na sua direção de prazer, que fosse no que fizesse sentido para você.

Aí ele me saiu com uma frase que me ajudou a me entender, né? Porque filho tem isso, é um bom espelho. Pode ser um bom espelho de autoconhecimento. Ele falou, sabe qual é o seu problema, mamãe? É que o seu lazer é seu trabalho e seu trabalho é seu lazer. Igual eu. Eu falei, filho matou. Matou, porque aí... Minha análise da semana tá feita. Economizou.

É, não, e ele, acho que ele é filho de peixinho, porque ele tem um olhar sagaz, às vezes ele me sai com umas... Ah, mas como é que vai ser seu filho e não vai... Não tem como, não. É, mas ele também não é... Tem outros lados, tem outros lados difíceis. Tá, um lado de adolescência, hormônios, mudança. Mas, eu acho que foi uma boa síntese.

disso, né? Então, tudo isso, porque a Fátima estava falando, de poder transmitir esse amor ao trabalho. Como um lugar onde você põe sua energia e tem esforço, claro, tem essa força de fazer, mas também é uma coisa que você se conecta.

E hoje eu faço muitas palestras e cursos e lupa da alma e tal, mas eu acredito mesmo nessa história do desejo e do propósito. Uma palavra talvez um pouco desgastada, mas eu acho que o que você se propõe a faz sentido. Quando você consegue descobrir, sabe, com a lupa você descobre, aí você fala, nossa, eu sou isso, eu estou no meu elemento, né? Comunicando, pensando, transmitindo.

Aí você achou isso, aí é você. Então, o que foi a gestação para mim? Antes, grávida, um amigo que era cineasta, ele falava para mim e adorava, tinha três filhos e adorava, ele falou para mim, vou te falar, filho é uma faculdade de psicologia, sociologia, economia, tudo. E é verdade, né?

é eu não sei não tem dúvida ensina tanto que para mim aí eu aí desde você grávida eu grávida e já era né faculdade meio de biologia e daí você fica lendo as semanas da gestação e embriolo eu tive na faculdade né de psico eu fiz USP e era em biológicas então a gente ia lá abria abria cadáver abria do cérebro tinha

né, neuroanatomia. Eu também. Tinha psicofármaco e tinha, né, sistema límbico e tal. Eu adorava, embriologia, adorava. E aí você ia vendo. Então eu sou uma pessoa que gosta de entender. E aí eu fui vendo. E aí ele ia nascendo. Meu Deus, o Piaget inteiro. Winnicott inteiro. Freud. Aí você fala, meu Deus.

Pode ser difícil, era difícil, né? E dormir, né? Mas ao mesmo tempo você está ali mergulhado. E o Inicot, ele tem um conceito que me ajudou muito, que é assim, a mãe, quando nasce o bebê, ela tem uma regressão primária.

Você retorna para estágios muito arcaicos da psique. Você enlouquece. Público, aspas, né? Por favor, com todos os asteriscos. Mas você tem uma regressão para um estado em que você precisa ser um pouco pré-verbal, pré-racional, mergulhar num lugar para poder se comunicar com a cria.

Então, você esquece toda a teoria. Você tem que esquecer. E aí você alterna. A mãe, por que é tão difícil? Porque ela alterna ser adulta, precisa ser, e ter a razão, ter o controle, ter o domínio, e ela ser um bebê.

um quase bebê na sensibilidade para se conectar com aquele bebê e talvez por isso que você possa saber acho que é fome para e que foi a angústia do pôr do sol para aí é a hora do lobo para aí é dor de ouvido para ficar fica aqui só fica aqui

Eu acho que tem uma... Eu ouço falar muito do puerpério hoje, né? Eu acho que tem algo que precisa ser estudado e olhado nas mães de crianças de UTI, que foi o meu caso, né? Porque ela ficou 26, os outros 24. Bastante. Então, assim, eu não tive como olhar para mim. Eu fiz uma cesariana...

Quando eu acordei, que eu tentei levantar, eu desmaiei. Tive que fazer uma transfusão de sangue, porque foram três placentas. Eu não engordei muito, eu engordei 14,5 kg dos três, mas eu tomei muita cortisona, porque no final a gente viu que ele já nasceria mesmo de forma muito precoce. Nasceram na 33ª semana incompleta. Um quilo. Ela nasceu com um quilo e 365. A Laura com um quilo e 525.

E o Vinicius com 1,710 kg. Você decora os números. Ah, sei tudo, não tem como. Não tem como. Porque eu, então, tomei a transfusão. E assim que a transfusão entra, parece que você fez...

E aí eu fui, fiquei os dias todos num tamburete entre os bercinhos, três incubadoras, bercinho não, né? Incubadoras, ali. Então, você me perguntava, mas a sua cesárea, você teve gases porque você falou? Você...

Eu não sei, não tive nada. Eu tive um... Você estava em outro estágio, né? É um outro estágio, assim, uma outra coisa. Eu brincava, brincadeira, gente, pelo amor de Deus. Eles, quando foram para casa, eles ficaram 20 e poucos dias com essa luz, né? Luz clara.

Então, assim, eu ia receber uma visita, se botasse um dimmerzinho, acendesse um pouquinho a luz, ninguém acordava. Eu ia dizer, tá vendo, gente? Tem um lado bom de ter ficado ali. Era uma brincadeira, como quem diz assim... Não, mas é que quando você sai da UTI, realmente, tudo fica... Então, tudo ficou maravilhoso, entendeu? Então, assim, quando o pior momento, 24º dia de UTI, alta de Laura e de Vinícius, Beatriz fica.

E aí eu tinha, porque até então eu podia ir para o hospital, ficava lá, até a hora que a gente tem que sair. Aquela coisinha. Eles não, eu lembro do primeiro dia que manda levar um lacinho, porque já pode botar um lacinho para elas dentro de uma meinha. Eu tinha que comprar roupa de boneca, porque eu tinha feito um enxoval de recém-nascido e prematuro. Mas um quilo e 350 não dá roupa de prematuro. Então eu comprava de boneca. Então a meia era esse tamanho aqui, a meia.

Então, cada vez que você vai vencendo essas batalhas, com dois dias depois ela teve alta, ela teve alta com 1,920 kg. Porque como o médico já sabia, em geral eles davam com 2,2 kg alta. 200. Então, assim, eu acho que o envolvimento emocional, eu ganhei uma camiseta nessa época de uma mãe também de trigêmeos, que era assim, sou mãe de múltiplos, nada me apavora.

É mais ou menos isso, porque você acaba tendo que dar... E eu sempre falava para todo mundo que tem filho, se vocês tivessem me encontrado, eu ia dizer, só melhora. Porque foi o que aconteceu na minha vivência da maternidade, né? Só melhora. Três meses, puxa, todo mundo passou a cólica. Ela teve muita. Passou. Seis meses, ai, começaram a sentar.

Ui, então eram só conquistas, então assim, e tá indo tudo normal, porque crianças trigêmeas, você não sabe como é que vai ser o desenvolvimento daquelas crianças, então assim, acabou que o meu, eu acho que eu tive o puerpério agora, junto com o ninho vazio, aí ali deu uma abaixada de bola.

Mas eu vou aproveitar que a gente tem uma convidada muito especial, já que a gente tava falando do trabalho, né, o quanto pra você, você fazer a questão de que o trabalho, né, tentou de que o trabalho pra eles fosse um lugar prazeroso, bom. Conta pra gente, foi? Olhar só, porque vocês estão com projetos juntas. Foi, tipo, de fato, a sua mãe conseguiu dar um check nessa missão?

Eu acho que a gente sempre pôde perceber que, apesar de ser trabalho e ela ter que deixar a gente em casa, era uma coisa que, para ela, fazia bem também. E ela aparentava estar feliz. Então, acho que os dois também, tanto meu pai quanto a minha mãe, na época que a gente teve que decidir o que a gente ia fazer...

eles nunca pressionaram a gente, por exemplo, a seguir a mesma carreira que eles ou seguir alguma coisa que, teoricamente, daria mais dinheiro, por exemplo. Então, a gente sempre teve muita abertura da gente fazer aquilo que a gente tivesse vontade. Tanto que veio... Eu sou designer, minha irmã é psicóloga e meu irmão é engenheiro. Então, assim, foi cada um em uma área diferente. E eu acho que é isso. Eu acho que a gente, na decisão, sempre optou também por alguma coisa que nos daria...

Além de ser uma renda, nos daria prazer também, que era o que os dois tinham. Que vocês, tá vendo? Check nessa lista aí. Agora conta pra gente se juntar pra fazer um projeto de vocês. Agora a gente tá começando, esse é um projeto novo que tá agora em maio começando, que foi uma ideia nossa exatamente por causa do Dia das Mães, de fazer alguma coisa que a gente conversasse sobre esse conflito de gerações, né?

Porque é bem diferente ter 28 anos, né? Como ela tem e como era quando eu tinha. Já sinto muita diferença. Nossa! Muita diferença. Então a gente vai conversar um pouco sobre essa maternidade, não só com pessoas que são mães, mas também com pessoas que não são mães. O que elas pensam e como é a relação, quais são os choques, quais os momentos mais difíceis, mais diferentes.

Eu estou muito empolgada. Está empolgada, Bia? Eu também. E eu acho que a gente também vai saber... Mas foi como isso? Foi ideia de quem? A gente estava... Foi a seguinte, eu tenho um canal. Desde que eu saí da TV, eu tenho um canal. E cada ano a gente pensa uma coisa para o canal. No ano passado, de 2025, o meu foco foram entrevistas. Eu acho que eu queria estar mais conectada com o que eu tinha feito a vida inteira, já que eu tinha tanta coisa nova para aprender num...

como youtuber. Então vamos lá, vamos fazer algo que para mim é mais, é mais, tenho mais domínio. E aí eu fiz uma sequência de nossas vivências com mulheres e com homens sobre em que momento as nossas vivências se encontravam. E aí para esse ano da própria equipe surgiu a ideia, por que vocês não fazem para o mês de maio, que é o mês das mães, atribui algo relacionado à maternidade.

Eu fui convidada pela equipe, a minha mãe nem me falou. Eu cheguei na reunião de uma foto da Beatriz. Ah, cara, uma reunião. É. Aí eu achei, porque eu sou designer na agência, né? Em que eu trabalho. Em que minha mãe faz parte. Aí eu achei que era uma reunião de trabalho, tá? Um projeto novo. Aí me botaram ali como... A gente pode falar que foi certo? Uma porrúcia, é. Como apresentadora junto com ela. Claro. Entendi. É, porque quando vem a sugestão... Deu uma baladinha ou é a sua mãe?

Não, então, eu acho que por ser uma dela... Porque eu fiquei amalada aqui de fazer esse programa aqui. É que pra mim ela é minha mãe, ela não é Fátima Bernal. Conta a história de quando você descobriu que a gente... Porque a gente nunca falou de fama. A gente sempre falou de trabalho. Trabalho, trabalho, trabalho. Aí elas viam na escola as pessoas pedindo... Ainda era autógrafo, gente. Aí conta como é que foi na escola. Aí é uma escola...

A gente era pequeno. Eu não sei quantos anos a gente tinha, mais ou menos. Menos de cinco.

Não, não foi não. Já foi? Foi. Enfim, a gente era bem pequeno. E aí, um dia na escola, na saída, acho que a gente estava ou na entrada ou na saída, os nossos amigos começaram a pedir foto. Foto não, autógrafo. Para minha mãe e para o meu pai. A gente escolhendo assim, a gente foi lá e pediu também. Então, eu estou aqui. Aí, depois, eles explicaram para a gente. Precisamos de um show de Sandy e Júnior para explicar o que era famoso. Nós fomos, eles quiseram fazer foto e pegar autógrafo. Eu falei, está vendo?

vocês não vão gostar de mostrar na escola? É isso que os amiguinhos fazem. Como o nosso trabalho aparece na televisão, eles querem mostrar que conheceram alguém que trabalha na televisão. Ai, que massa. Fiquem ligados aí. A gente está empolgada. Eu estou empolgada. Tem horas que eu acho que o convidado vai se aliar à Beatriz. Tem horas que eu espero que o convidado se alie a mim. Vai ser uma grande boa, gente. Vai ser muito legal.

Eu espero, né? Eu acho que até a gente vai conhecer um pouco mais do que a outra pensa.

É, entre nós duas, né? É, porque vão surgir assuntos que talvez a gente nem tenha conversado. Ela já foi a vários podcasts e eu gosto de ver quando ela vai porque eu fico olhando, nossa. É diferente, né? Não, você abre uma agenda pra sentar com a sua filha e conversar sobre temas que talvez não seriam postos à mesa no dia a dia. Talvez sem ela ia estar contando. Muita elaboração aí, muita terapia ali, ó, sendo elaborada. Muito bom, estamos animados.

Agora, a Fátima trouxe ali a fase do puerpério na UTI como um momento de muita vulnerabilidade. Eu quero o seu, ainda estou tentando arrancar aqui. Algum momento que tenha ficado marcado como difícil de atravessar. Qual foi a maior treta da maternidade para você?

Olha, pensando agora, eu diria o seguinte, eu aprendi, eu levava ele no meu pata, e ele falou isso que eu acho que eu comentei até aqui, aquela hora do lobo.

fiquei curiosa que nunca me falaram na hora da bruxa não é uma coisa assim tem alguma coisa eu isso me marca até hoje eu queria até pra mim é um pouco enigmático que era um pouco hora do pôr do sol é hora da bruxa que a gente chama bruxa então a minha a minha época ou esse o meu papo ele era mais gentil assim comigo ele era mais

Então era a hora do lobo em que ele podia estar trocado, acabou de mamar, então você ia, né? Que bom que ele acordou para mamar seis da tarde, então vai significar que ele vai mamar logo. Vai dormir. Vai dormir, vai ser tranquilo. Aí acabava de mamar, estava bonitinho, estava trocadinho e tal, e ficava aquela agonia.

E eu acho que deve ser ancestral, deve ser alguma coisa que a gente tem como bicho, né? De autodefesa, né? Porque olha só como a vida é engraçada. Eu fui ano passado fazer umas palestras no norte, e aí às vezes eu faço isso, eu consigo escapar um dia, dois dias, fui ver a revoada dos guarás.

No delta do Parnaíba. Não sei se vocês foram... Não, tá na minha lista que eu quero fazer assim, ó. É, mas vale o check, porque é lindo. É assim, o Brasil é o capítulo à parte, né, gente? Que é maravilhoso. E aí, aquela hora, todos os pássaros se juntam pra dormir, né? Com aquela...

com aquelas penas vermelhas. Aí, nesse dia, você vê como ficou na minha cabeça. Anos depois, nesse fim do ano passado, eu falava, nossa, é da natureza inteira o se recolher para descansar.

para você parar. A gente inventou a luz elétrica e a gente se desconectou do nosso biorritmo, a gente sabe tudo isso. Mas o bebê recém-nascido não sabe, então ele precisa procurar um abrigo, ele não está entendendo o que é aquilo.

Eu acho que eu demorei para entender que era simplesmente esse bicho humano querendo o abrigo quando o sol se punha. E que isso é nosso, é da gente mesmo. Eu lembro bem desse horário. E talvez tenha uma pequena agonia ou uma angústia. É uma angústia, tecnicamente. Mas talvez seja essa mudança da luz.

Mas que louco que você tá... Alguém na plateia tem... Você, não o neném, tá? Mãe. Porque quando a gente vira mãe, a gente só pensa na criança. Porque eu tenho um negócio com esse horário. Eu não gosto desse horário. Eu amo o pôr do sol. Eu acho a coisa mais linda. A gente tem nossos momentos de pôr do sol. Mas me dá angústia.

Olha a minha associação muito estranha. Vamos perguntar para a plateia. Alguém sente a angustiazinha das seis? Tetinha para o sim. Só de curiosidade. Não, todo mundo. Aí, a maioria. Agora, quem vê? O que é esse sorrisinho? É a tetinha, é a tetinha.

É o sim, muita gente. Agora, quem passou pela Hora da Bruxa? Quem teve a Hora da Bruxa com o bebê? Principalmente no Purpério. É, no Purpério, com certeza, sim. A maioria, né? 100%? Não. Não que não. E sabe que eu tenho... Eu não sei. Eu tenho... Os anos, né? Eu falo, gente, eu tenho uma fome das 6 horas. Eu não sei se vocês têm. Eu tenho fome das 6 da tarde. Aí, qual foi minha conexão? Eu falei...

Vai ver que é um horário em que a gente tem uma fome, também biológica, que você precisa estar alimentado para aguentar a noite. Estou muito mais tranquila agora, então. Então está liberado tudo, né? E o médico hoje, não o meu pai, o meu filho, há uma década, mas o médico fala, olha, não janta à noite. Agora está a tendência, né? É, tarde, né? Não janta tarde, as duas horas, a digestão e tal. Então eu falei assim...

Mas eu nem tenho fome à noite, posso comer às seis? Ele é ótimo, excelente. Então, agora eu acho que, sabe aquele early dinner? Meu pai janta às seis e meia. Era isso que eles queriam fazer com a gente, criança. Então, eu sempre fui notívaga, mas eu agora acho que é essa angústia.

que a fome e tal, tem a ver com isso. E se você entende isso com o filho, acho que esse foi um desafio. O seu desafio? Porque eu não entendia. O seu filho tem 16 ou 14? 16. São 16 anos, 15, se a gente falar do ano passado que você estava ali.

vendo os pássaros se elaborando. Esse eu acho que é uma... A gente corta na carne. E como é bonito, porque são muitos anos pra entender. E às vezes, assim, né? Minha filha tem quatro e meio, né? Tem muita coisa pra passar. Mas já eu olho fotos da mãe que eu era quando ela tinha um ano,

E às vezes eu só queria me abraçar, que eu falo, nossa, quanta coisa eu ainda não tinha entendido. Eu imagino vocês vindo mais do futuro. Depois da UTI, teve algum outro momento? Depois de passar por isso, nada mais? Não, vários, vários momentos. Chega perto.

Mais uma vez, por ter filhos da mesma idade, a angústia de ver se todos alfabetizariam mais ou menos na mesma época. Tinha essa comparação dentro do curso. Inclusive, a gente de início botou em escolas, em turmas diferentes. Aí depois eu tive uma orientação de que o melhor seria uma escola em que eu acreditasse, não numa escola só que tivesse três turmas da mesma série. Então eu fui buscar uma escola em que eu acreditava, mas aí eles ficaram juntos na mesma turma.

Mas a gente já tinha percebido que eles conseguiam, porque é muito fácil você chegar em três numa turma, né?

Mas aí a gente viu que quando eles se separaram, eles fizeram amigos diferentes. Depois, mesmo juntos na mesma turma, o melhor amigo deles também tinha diferença, embora tivesse um grupo muito próximo, porque é uma escola pequena. Mas a alfabetização é um porém. E eu acho que a maior dificuldade que eu pensei nisso, eu acho que só agora que eles estão todos fora de casa, eu vou me emocionar.

que eu jamais seria uma mãe perfeita, por mais que eu tivesse tentado. E que tudo bem. Ah, que bonito. Porque a minha mãe, por mais que fosse o meu referencial, um sarrafo muito alto, ela não foi perfeita. Eu quis fazer coisas diferentes. Então, eu jamais seria a mãe perfeita que um dia, claro que eu sonhei.

E é uma cobrança muito interna. Então, quando eles começaram, já adultos, a me dar orientações, a me dar dicas, eu falei, nossa, eu não fui perfeita, mas eles estão aí, estão me orientando em muitas coisas. A minha filha, que é psicóloga, uma vez, jantando, falou, você já reparou que você trabalha igual, como se você fosse começando na profissão?

Eu falei, é mesmo. Aquilo foi um start para mim. Beatriz, ainda adolescente, eu não queria que ela fosse numa festa que era uma, eu gostava dessas festas e comprava ingresso. Porque eu não sabia quem era, eu estava acostumada com o grupo onde ela ia nas festas de pessoas que eu conhecia. Mas chega uma hora, né? E aí, mãe, isso é uma festa da escola, você acha que se todo ano desse errado, a escola ia permitir que continuasse?

Um argumento, né? Tive que deixar, né? Então, assim, quando você percebe que você já está mudando o seu comportamento por conta da mudança de comportamento deles, é incrível. E aí você fala assim, tudo bem. Eu não fui perfeita, mas eu fui a melhor mãe que podia ser. Eu tinha instrumento para ser. Mas isso chegou para você só quando eles começaram a sair de casa? Eu acho que durante um tempo você cobrou. Eu acho que eu me cobrei muito. Muito, muito, muito, muito.

Mas eu acho que depois que eu saí do horário noturno do jornal, que eu passei a ter um programa matinal e que eu passei a estar em casa na chegada deles, passei a jantar com eles de novo...

isso pra mim foi muito importante porque aí eu comecei a ver quantos anos eles tinham? eu saí do jornal e eles estavam com 14 que era exatamente a fase que eles iam entrar na adolescência então pra mim pra eles não sei, mas pra mim tinha uma importância muito grande eu estar em casa, ver chegar disso, chegar daquilo e ter essa troca ali eu acho que eu comecei

comecei a ver os resultados de muita coisa. Sempre acho que eu fui uma mãe, às vezes, muito exigente em alguns aspectos, em algumas cobranças, em limites. Eu acho que a gente, tanto eu quanto o Ilha, nós fomos firmes em alguns comportamentos. Não foi, Bê? Assim, é.

Não é? É verdade, assim. Mas tem que ser, né? Em relação a falar com as outras pessoas, como é que era o comportamento, nem precisei, na verdade, fazer. Eu acho que era uma coisa que já estava claro para eles. Que tinha que cumprir os compromissos da escola, que eu não ia passar a mão, que eu não ia passar pano. Mas é muito curioso, né? A adolescência que a gente vê muitas vezes esse movimento de afastamento, né?

Quer dizer, não que é o ideal, né? É o oposto disso. Mas você volta... Eu volto, mas eles começam a ficar no quarto, né? Eu queria ver como é que entrava e saia do quarto. Eu acho que é um bom momento a gente falar de adolescência. Você está vivendo ela agora, né? Com o seu filho. E que a Fátima trouxe... Nesse momento em que você volta para casa. Como é que você é recebida quando começa a sua cobrança da hora do jantar, ali na rotina? Ah, depende do dia, né? Cada dia é um dia, mas eu acho que...

Pra mim foi muito bom, porque mesmo naquele dia que tava todo mundo querendo jantar e ir logo pro quarto, eu tava ali todo mundo, não era aquele único dia, aquele único momento que eu teria com eles, né? Porque a gente ouve muito assim, quando a gente traz nossas dificuldades, espera a adolescência. A gente ouve muito desconfrequência, espera a adolescência, espera a adolescência. Você que tá vivendo a adolescência.

É difícil porque você tem sempre aquela fantasia narcísica de que o filho é um prolongamento seu. Então acho que qualquer um que faz terapia, ou que vê internet, todo mundo discute isso agora. Então você tem sempre que...

Falar, não, ele não é um complemento, ele não é um espelho, ele não é o meu falo. Não é uma projeção fálica, ele é outra pessoa. Então, o mantra é esse, ele é um indivíduo, ele é um outro. Lide com a alteridade, certo? Então, você até já sabe, teoricamente. Uma coisa é saber, outra coisa é se deparar com. E ver que, às vezes, ele pode ter uma opinião, uma postura, um estilo.

que você não teria e que você discorda. Então, isso é um pouco difícil. E é assim, outra coisa que me surpreende agora é que eles têm uma astúcia, né? Eles têm, não sei se... Mas eu acho que essa geração aí já está mais safa, né? Já está mais rapidinha.

que talvez seja até positivo, mas por exemplo, esses dias teve semana de provas, e estão chegando aos tais das notas, e ele está muito instável, pode tirar três, pode tirar nove. E eu falo, filho, o que é isso? É absurdo, e você estava ali ouvindo um podcast, o que você está ouvindo?

um podcast americano que está fazendo o que filho que nota são essas não é possível você vai ficar nessa já ele falou não é que e aí ele a gente estava discutindo a guerra do irã e civil que ia conseguir o f-35 avião invisível mas armada então significa que a rússia que a china que o radar e a nova ordem mundial geopolítica

Eu tenho que escrever coluna para o jornal, estava discutindo com ele, se ele achava que eu podia ir por aqui, por ali. Então, é um parceirinho. Aí quando chegaram as notas, eu falei, o que você está ouvindo esses podcasts? E aquele dia, e ontem a gente estava discutindo a guerra, você não tem que ficar vendo isso agora, você tem que estudar física. Estava achando que estava com a razão absoluta. Aí ele vira para mim,

Mas como? O que você acha que é mais importante? É uma guerra que pode mudar o meu futuro. Aí eu fiquei tão atônita, que eu fiquei tão sem resposta. Ele, lacrei, lacrei. Olha o espelho de novo. Que poderia muito... Eu não te conheço, mas eu te conheço, porque estou ali te acompanhando. Poderia muito ser a sua resposta para a sua mãe, se fosse... Poder.

Então aí você fala, nossa, o que será? Aí isso me fez pensar. E daí vou eu lá, né? Você vai com seus amigos, com as suas análises, com seus espaços. Peraí, o que é educar? O que é mais importante? O conteúdo da escola?

ou o noticiário, as questões que estão acontecendo, qual é a ênfase, o quão rigorosa eu vou ser com isso, com aquilo. Então, adolescência é difícil, sobretudo, eu acho, porque te implica e te faz ser outra coisa do que você estava habituado a ser.

Porque do zero aos dez você quer ser a melhor mãe possível. Como diria o Winnicott, a good enough mother, a suficientemente boa que a gente depois fala, foi o que eu fui, que bom, a melhor possível. Depois, eu acho que a outra década é você falar, pera, o que sou eu de novo? Você não está apaziguado com o que você é, você está o tempo todo sendo questionado.

por você mesmo e pelo filho, ou pelos filhos sobre quem é você, qual é o correto, qual não é, qual o critério, pode ou não ir na festa que tem ingresso e open bar. Aí eu falo, peraí, é ilegal? E a festa é open bar? Tem um pedaço que não está entrando na minha cabeça. Então, não, não vou beber. Eu falo, tá bom, não vai porque não pode, é ilegal.

ao mesmo tempo você fala pera, o que seria o que deveria fazer o tempo todo você tem questões do seu lugar no mundo sendo o tempo todo testado esse lugar é, é que você vem do futuro pra falar pra gente, porque eu já tenho essa sensação desde a gestação desde o gerário eu me sinto sendo colocada à prova o tempo todo

todo de transformação assim que essa pergunta quem sou eu né quem sou eu agora é o tempo todo né assim tipo quando eu fui nunca quis ser mãe a engravidei fiquei presa nesse quem sou eu agora no filho nasceu tão pera mudou tudo que isso e ou seja

muda, continua. Só um pouco mais agora com o adolescente, num outro lugar de questionamento, né? Só uma parêntese aqui, você é que pode, mas você nunca quis ser mãe, mas agora que você é, você gosta?

Eu não gosto muito da função... Deve? A função mãe... Eu preferia ser pai. Eu preferia ser pai. Não, eu preferi. Mesmo hoje sendo mãe, eu preferia ser pai. Eu...

amo os meus filhos. Não é que eu engravidei sem querer, né? Eu acho que eu fui mãe com 37. Então, até os 35 eu não queria ser mãe, justamente porque a minha referência de maternidade sempre foi caótica, terrível, onde eu via mulheres infelizes, insatisfeitas, aprisionadas. Era um lugar, né, pra mim que não era legal. Não quero viver isso.

E hoje eu quis ser mãe, quis viver isso e tudo mais, mas eu acho que ser pai é mais legal. Se eu pudesse escolher, eu seria pai. É que hoje está tão confuso, que bom que está confuso o que é função materna, o que é função paterna.

Porque muitas mulheres, sobretudo no matriarcado Brasil, na prática, muitas mulheres jogam nas duas posições. É ataque e defesa, é materna e paterna. Porque você é provedora, você é exemplo, você põe limite, você faz a maternagem, o holding, a coli, e você corta, sustenta, educa, põe limite, não é?

Então, eu acho que é sobre a sobrecarga mental. Ah, isso é nosso tema. Eu dou curso sobre isso. Estarei lá. É, lupa da alma, o curso pode ir, porque tem várias etapas e um dos, tem sete tópicos, um é família. E é toda essa discussão. Porque eu acho que o que eu não gosto da maternidade é a sobrecarga materna.

Porque... Mental. Mental. Desculpa, sobrecarga. Mental. Porque o físico, eu dou conta ali. Agora, a sobrecarga mental, ela me deixa maluca, assim. É um lugar que você fala, caraca, a cabeça não... E aí eu não tô presente com meus filhos, eu não tô aproveitando, eu não tô nada, enquanto eu vejo que o pai...

Pega o uso do tipo, cara, quando ele tá lá com as crianças, ele tá lá com as crianças. E eu olho e fico com inveja. Eu falei isso pra ele, ele falou assim, eu tenho inveja do seu tempo com as crianças. Porque você tá inteiro. Eu nunca tô inteiro, tô sempre aqui. E o cara, e que bom que ele me traz essa referência, porque eu olho e falo, vou conseguir. E eu me forço pra conseguir, mas é um esforço. Porque é sempre, tipo, um milhão de coisas na cabeça pra resolver, pra fazer.

E a lista é a fralda, a pára, tudo, a obra da casa, tudo, tudo. Então, tipo assim.

É isso que eu não gosto na maternidade. Imagina três gêmeos. Não tá maluco? É, mas isso, eu acho que isso é uma questão social. Eu tenho dois, tá? Tô quase lá. É uma questão social mais ampla e é uma injustiça. É incorreto, só pra combinar, acho que tá todo mundo aqui, os meninos, homens, inclusive, e o nosso trabalho é educar.

Um homem para ser um homem adulto pleno. E é um desafio, né? Para todos nós, como cultura. Porque não dá para eles não saberem aonde fica guardado o tapeuero, ou a fralda, ou que dia, ou qual é o papel, ou não sei o quê. Não tem mais condição. A galera acabou. Começa a perguntar. Então, eu não posso deixar de lembrar do contardo, de saudosíssima memória, que era um homem, gente.

Então era assim um homem com um H adulto na sala, analitizado, que realmente até era levemente controlador, achava ótimo, não estava habituada com aquilo, ele tinha umas frescuras ali com comida e tal, então eu tinha cozinha e ele fazia o menu.

Eu falava, nossa, que luxo, eu não estava habituada com isso não, porque ele vai discutir como é que ele quer melanzánico, não sei o que, a lasanha de berinjela dele, não sei o que, uma coisa que a avó fazia, que a tia fazia, tinha uma conexão, tinha uma outra relação com a casa de um homem europeu, adulto, sem a lógica escravocrata brasileira, para quem pode, então acho que...

Eu estou falando todos esses pontos só para colocar a questão, ela é muito ampla, ela é complexa. Para a gente falar, opa, peraí, não é do feminino o cuidado, é de todos nós como cultura e vamos nos educar. Aproveitando o gancho que temos duas mães de meninos, e a gente sempre tenta trazer isso aqui, né? Tipo, a gente está vendo os números assustadores de misoginia, feminicídios e etc, etc, etc.

Tem alguma dica para a gente do que vocês fizeram e deram certo ou está dando certo na criação de meninos? Algum lugar que vocês perceberam que precisava de mais atenção ou de informação ou de caminhos que vocês decidiram? Já ouviar?

Já ouvi de mães assim, tipo, cara, percebi que essa galera dessa escola, da turma, quando virou adolescente, esses dias encontrei um amigo meu e falou, cara, quando vi que a adolescência estava se formando, eu comecei a perceber no colégio.

que não era legal, eu troquei de escola, sei lá, alguma coisa que aconteceu aí no caminho dessa... Eu acho que não é na adolescência, sabe? Eu acho que isso começa... Não, eu estou falando de uma coisa específica dessa minha amiga, mas é da vida, óbvio. É, muito antes para você poder, né, ficar... Eu acho que o estar atento, e isso eu lamento muito, porque...

mesmo trabalhando, eu tinha uma estrutura que me permitia. Eu fico imaginando essa angústia, essa sobrecarga em mulheres que não têm nenhum suporte, que saem para trabalhar de manhã, às vezes deixam as crianças trancadas em casa, porque não tem quem olha e tem medo de deixar ir na rua. Então, é...

É uma angústia que deve ser desesperadora. No nosso caso, de pessoas que são privilegiadas, que têm um suporte, eu acho que mesmo tendo suporte, tem que ter um olhar muito nosso. Não sei se é essa conexão com essa ancestralidade, mas de perceber. Eu tive um menino e duas meninas. Ele teve uma fase, eu dizia que quando eu estava grávida, que eu queria ter um filho levado. Aí o filho às vezes brincava comigo, mas você rezou bem, hein? Meu Deus do céu!

Ele veio levado, né Beatriz? Ele teve uma fase muito levada e eu fiquei muito agoniada com essa fase. E aí conversando com psicólogos, ele não chegou aí, mas eu ia. E aí havia uma questão da maturidade de um menino e de uma menina quando muito pequenos. Elas muito mais verbais, comunicando e ele muito menos verbal naquele início. Muito mais irritadiço com duas meninas o tempo todo, né?

falando e eu fiquei muito ligada nisso a ponto de uma orientação muito engraçada deu começo e ele era maior fisicamente que elas então embora fossem da mesma idade ele era bem mais alto bem mais forte começar a dizer para ele que ele era pequeno

a não colocar nele, porque antes o discurso era meu filho, você é maior que elas. Mas ela dizia para mim, mas ele percebe que ele não é articulado como elas, ele percebe que ele não consegue na mesma gama que ela. Então começa a dizer o contrário, diz que ele é pequeno, que ele não precisa saber isso, que ele é pequeno. E eu comecei a tentar fazer isso e desestressar ele nesse aspecto. A escola que eu acabei escolhendo é uma escola onde ele...

Ele e elas tinham aula de culinária, todos tinham aula de marcenaria, todos. Então, uma educação que foi muito voltada a isso é só de menino, isso é só de menina, foi uma coisa que a gente tentou agregar a esse ensino. Hoje ele pinta o cabelo da mulher dele, ela é uma ruiva linda, ele que pinta, eles cozinham. Não existe isso de dividir, nem de dividir.

É uma coisa de quem chegou primeiro faz, eles moram fora, moram em Paris, os dois trabalham, acabaram. Eu acho que...

É difícil a gente dizer se foi alguma coisa que a gente fez que deu certo ou se já seria dele mesmo. Porque também é o seguinte, tem muita coisa que fica no nosso colo, na responsabilidade das mães. Mas assim, tem uma hora que eles crescem e aí não tem o olhar para outras coisas. Ou seja, aprende com um amigo uma determinada coisa, mas não aprende uma coisa boa com nenhum amigo, com ninguém, com outras famílias. Então, acho que depois isso acaba muito dividido desse...

de ter formado alguém capaz de olhar para outra coisa. Ah, tá bom. Então, aqui eu não gosto disso na minha casa, mas eu gosto disso e de ter um senso crítico. Isso eu acho muito importante. Ter uma capacidade de olhar, avaliar e se posicionar. Porque eu acho que isso vai ajudar um aprendizado na comunidade, no todo. Com certeza. Então, se você começa a ficar... Olhar que se você está fazendo diferente...

Você tem que ter, aí fica tudo no colo. Ah, mas quando ele era pequeno, eu vejo o mãe e dizia, mas a mãe fazia assim. Eu falo, gente, mas não cresceu? E tem também o inconsciente. Não consegue olhar? Tem o inconsciente partilhado, né? O inconsciente coletivo, social. A gente está junto, né? É, não é só a mãe, né? Não é só.

culpa da mãe ou mérito da mãe culpa do pai o mérito do pai é uma aldeia que educa uma criança e é uma é um coletivo que educa um bicho humano é sempre assim mas claro você é o canal que está mais próximo e quem sou eu né o divã mostra que você vai falar de pai de mãe de avô de avó

Agora, pra mim, eu acho que eu destacaria uma outra coisa, e aí vou fazer um parênteses, vou só voltar um minuto, eu acho que pode, porque a gente tem que botar o dedo na ferida, mas eu, vocês estão acompanhando que descobriram...

uns grupos de telegram que chama rape academy né então eu me choquei tanto com esse nome gente porque assim academia do estupro para ensinar os meninos né como é que vai do para suas mulheres suas namoradas como é que se vai alienar aquele ser e eu eu tenho um né faço vários cursos e uma plataforma que chama mh academy

Então assim, eu faço uma academia, MH Maria Homem, para expansão da consciência, para se colocar no mundo de outra maneira, fazer... E de repente eu vejo aquele símbolo, aquele significante junto com estupro. Você fala, nossa, é muito medo da mulher.

É muito medo. Eu vi, eu vi. É um pânico. É síndrome do pânico coletiva, objeto feminino, por isso a misoginia. Você tem que controlar a mulher, tem que dopar, você tem que matar. Você só consegue ter relação se você faz um nocaute, boa noite, Cinderela. Eu fico pensando exatamente como é difícil hoje, então, graças a Deus os meus estão criados, porque como é que você controla esse acesso a essa informação?

A discussão era essa, como você pode, como pais, e depois eles crescendo. Mas eu acho que a nossa parte que trabalha com o público, e a gente está aqui discutindo isso, é ir para a matriz, é ir para a raiz.

E para mim, é assim, eu vi, foi o que eu senti, mas junto com a experiência clínica, com conversar com pessoas, com pesquisas, com livros, com bibliografia, tem na base da cultura patriarcal, machismo estrutural, misoginia, é um pânico diante da alteridade que a mulher representa. Esse ser que é a mulher desejante, você vai lá e mata.

A mulher que, né, você foi casado com ela, ela está com outro, você vai lá e mata mesmo. Então, você não consegue suportar que uma mulher deseje, seja livre, seja autônoma, goze, ande, pense, fale, você proíbe livro, você proíbe escola, você proíbe voto, você proíbe roupa. Então, isso é muito antigo.

É assim, calma, galera, calma. É só um ser humano com outra sexuação, com outro corpo, e é muito bom, pode gerar vida, calma. E eu acho que os nossos filhos estão crescendo, né? Cresceram e estão crescendo com mulheres que acho, espero que não os assustem. Que ele fala, né? Oh, pô, legal, minha mãe.

né? Ele às vezes me sacaneia. Ele é craque nisso. Aquela coisa que você contou, né? De dar bronca. Às vezes eu vou dar uma bronca ou fazer... Ele fala assim Ih, Maria Homem, vai ser cancelada. Se você falar isso daí em público, se eu falo, filho, não, não pode, não sei o que, não sei o que lá, ele usa.

Ele brinca um pouco com isso. Mas eu acho que tem um restinho de essa maré homem, esse lugar do feminino fálico, mas espero que seja só uma piada. E você consegue saber o que ele vê na internet? Eu fico curiosa de saber. Você consegue? Não. Não. Você controla? Como é que é? Eu tenho um problema. Eu levei uma bronca ontem.

Semana passada, numa amiga discutindo isso, da nota, do noticiário, dessa história, ela falou assim, mas e o controle parental? Eu falei, oi?

Então, eu não sou muito do controle. Eu sou da falação e vou nas digressões, e vou explicar as causas, e vou contar uns históricos, e volto 3 mil anos, filho, porque os gregos... Isso é minha cara.

Eu acho que eu errei essa história de, deixa eu ver exatamente o que você faz, o que você vê, colocar ferramenta, travar. Eu sempre fui mais, não sei se está correto, mas naturalmente a minha índole é dar a formação para ele, para que ele tenha um certo autocontrole. Então, eu não sei se seria a forma mais eficaz, mas...

me choca muito uma masculinidade que precisa tanto ser tóxica ou bélica né ou destrutiva e é todo mundo hoje como está e que é um problema mas eu acho que as novas gerações espero que não precisem ser menos né menos destrutivas em geral

Esses dias meu filho falou uma coisa que eu... Essa semana ele falou e eu fiquei na cabeça, será que se algum dia vai mudar, tomara que não. Meu filho tem quatro anos e eu perguntei de uma pessoa assim pra ele, mas você não gosta dele? Aí ele falou, não. Aí a mãe, né, já noiada, eu falei, por que você não gosta dele? Porque ele não é menina.

tipo, meu filho só gosta de meninas, de brincar com as meninas, só gosta de todo mundo, só gosta de meninas. Ai, eu falei, Deus, que isso não é ruim de nunca. O que a maternidade transforma de forma irreversível na relação da mulher consigo mesma?

Eu vou primeiro nessa, porque me veio uma imagem, e que é assim, quando ele era bebê, eu lembro que ele era muito bebezinho, morava numa casa, e tinha uma jabuticabeira maravilhosa, eu sempre adorei que tinha na casa da minha avó. Eu tenho em casa.

Sabe aquelas cenas que você não esquece, que é talvez aquela luz quase catártica aquele momento? Ele tinha talvez dois meses. Aí eu beijava, beijava. Aí eu falava assim, nossa, não vai passar nunca. Eu tinha dois meses. Aí eu lembrei disso. Aí ele tinha talvez três anos na festinha. E daí a mesma coisa, você pega no colo e tal. Aí esses dias eu fiz a mesma coisa.

Eu falei, vem cá, filho, para, porque agora não tem esse papo de, ai, mamãe, para, ai, filho, vai, só um pouquinho, não pode ser um, aí ele fica, é um beijo só, fala, não, filho, três, senão não tem graça. Isso é uma coisa assim tão boba, tão infantil, mas o que mudou para mim é esse rio.

de amor é um rio de emoção e não que eu não tenha crises e xilix e fique brava e tenha raiva e falar não acredito só que eu te amo mas pelo amor de Deus como está fazendo isso comigo então é tem um é muito bom você se autorizar a amar livremente

Eu acho que isso é com o filho. É porque com o outro, com os pares, com o homem, com o amigo, tem lampejos disso, né? Tem lampejos. Então, acho que a gente tem medo, é um risco, você não se expõe. E é muito bom você ser atravessado por essa avalanche e deixar correr, sabe?

Deixa, deixa. Eu acho que é o conceito de felicidade. Eu acho que muito rapidamente eu percebi que eu nunca mais ia ser feliz 100%, se eles também não estivessem felizes. Eu percebi, eu tive uma alegria imensa quando os dois filhos tiveram alta da UTI, mas uma ficou.

Então, ali eu falei, não adianta, dois tiveram alta, mas uma está aqui. Então, eu tenho que me dividir entre ir para casa e ficar aqui no hospital. Então, essa percepção de que a felicidade não estava mais... A gente, às vezes, acha que ela está nas nossas mãos, ou pelo menos buscar aquilo que poderia me fazer feliz, já não seria suficiente. Eu tinha que torcer para que eles estivessem buscando também algo que deixasse eles felizes. Então, isso foi uma mudança.

Legal. E você caiu na armadilha em algum momento de achar que poderia protegê-los de todo e qualquer sofrimento? Com certeza, claro, com certeza. Proteger de tudo. E quando a gente se dá conta que não dá. É, não, é da parte mesmo do dia a dia, né? Primeiro, eu contei isso, vou contar porque eu já contei e ela já ficou chocada.

Primeira vez que eu deixei a praia sozinha, eu depois fui lá passar pelo lugar, pelo posto onde elas... Isso é um absurdo, né, Fê? Mas eu não desci, não. Eu só passei. Passei de carro, falei, eles estão lá. Tá ótimo. Eu fui pra casa, só pra saber se eles estavam lá.

A gente tem essa, acho que é um último fiapo que você fica tentando ainda se segurar, né? E eu acho que hoje, com eles adultos, a relação é tão boa. Eu sempre pensava que eu fui mãe com 35. E eu pensava, ai meu Deus, claro que com 35 eu achava que quando eu tivesse...

com filho com 20, com 25, eu ia estar fazendo mais nada com eles, né? Mas, puxa, e não, é tão legal você ver que você pode estar junto, que a gente vai para show hoje em dia. Eu vi esses dias você iria um show. A gente vai, bom, eu também fui... Péricles, né? É, Péricles com Ferrugem. Eu vi. Mas eu também sempre fui do casal, como o William ficou trabalhando no jornal, e eu aqui estava mais livre, era eu para os shows. Então, Rock in Rio, tudo.

Tudo era eu que ia mesmo. Aproveitar que a gente tem um filho aqui, eu acho que esse é o desejo de 10 em 10 mães, né? A gente fala muito, mas será que ela vai querer a nossa companhia? Será que a gente vai estar junto até lá? O que você acha que a sua mãe fez? Onde ela acertou?

Mas pergunta onde eu errei também, que eu estava querendo perguntar. Com toda certeza. Por favor. O que você acha que foi o que deu mais essa vontade de vocês estarem muito junto? Agora você topou trabalhar com ela, né? Eu trabalho com a minha mãe também e acho que amo. E o que você achou? Isso aqui ela podia ter feito diferente. Ou, sei lá, algum momento que você sentiu que ali você mexeria.

Eu acho que ela acertou em muita coisa, até porque ela criou três, agora adultos, né? Mas três filhos ao mesmo tempo. Eu acho que eu não tinha noção do quão difícil isso poderia ser, até eu ter, eu tô com 28 anos, né? Eu tenho alguns amigos que estão tendo filhos.

E aí eu vejo de perto, eu fico assim... Aterrorizada. Eu tenho vontade de respirar fundo assim, quando eu fico perto, e vejo a mão não para. E aí eu penso, gente, imagina se tivessem mais dois aqui do lado. O que a pessoa vai fazer? Não tem o que fazer.

Então, acho que agora que eu sou adulta e que eu tenho a noção de o quão difícil pode ser, que eu entendo o quão bem ela conseguiu fazer isso. Porque, assim, poderia ter dado muito errado. Eu acho que deu certo, mas poderia ter sido um caos, entendeu? E eu acho que acertou muito nisso.

Mas... Mas acompanhar a gente na praia... Não, acompanhar não, eu não fui com vocês na praia. Pior ainda. Só passei. Espionar a gente lá pra frente. Espionar a nossa primeira ida praia, eu achei um absurdo. Eu soube disso algumas semanas atrás.

Não, mas... Eu acho que, assim, eles eram bem rígidos em questão de a gente tinha que fazer tudo muito certo. Até entendo assim por causa de... Porque eles têm uma imagem, são pessoas públicas. Então, enquanto vários amigos nossos faziam coisas...

Coisas de adolescência mesmo. Se sair adolescente, sai, sabe? A gente não podia muitas vezes. E eu lembro que a gente ficava muito chateado. Porque, assim, gente, o grande argumento do meu irmão era eu tenho 16 anos. Tipo assim, a gente falava, exatamente. E aí... Só que era isso, porque com 16 anos os nossos amigos já estavam vivendo. Nossa, no Rio de Janeiro, então.

E a gente não podia fazer nada, tipo, a gente só começou a realmente sair com 18 anos. Então, assim, isso deixava a gente muito frustrado. Eu entendo que tenha sido por precaução, mas eu acho que em alguns momentos eles eram um pouco rígidos. Era a preservação deles, mas a nossa também, né? Porque uma coisa é uma pessoa anônima ter um filho que bebeu demais, ficou lá sorinho como alcoólico. Outra coisa é o filho da Fátima e do William, ou a filha da Fátima e do William.

Então, era um peso para nós e ia ser uma exposição enorme para eles. Então, porque não ia passar batido. Claro que não era. Então, assim, quem é que preserva e quem é que tenta cuidar de algo que no futuro eles possam... E com 18, eles já querendo ou não, além de mais maturidade, obviamente, mas não estão longe dos 16, eles são responsáveis pelas próprias... Não, e a gente dizia, nós somos jornalistas, nós somos legalistas, vale o que está na lei.

Não pode. E se eu dissesse não pode, já ia acontecer. Mas sabendo que não pode, já não ia... Jornalistas e legalistas. Amei que é que eu vou usar com a minha f... Amei que é que eu vou usar com a minha fã.

Não ia poder exagerar, porque eu conheço pessoas que liberaram. Eu falo, mas eu pensava, se eu liberar, aí está liberado. E aí pode não ter... Se eu proíbo, mesmo que faça no escondido, não vai tomar mais do que...

que não vai poder chegar em casa, porque eu sempre, né, Bê, casualmente, quando ele chegava, eu estava lanchando. De madrugada. Que nem casualmente ela passou pela praia. Casualmente. Eu tinha que passar ali pela praia. Não era, Bê? Chegava e falava, nossa, foi legal. Nossa, me deu uma fome, acordei agora. Mas é maravilhoso, né? Porque tem muita mãe, e hoje em dia que a gente fala de educação positiva.

Tem muita mãe que confunde isso com permissividade no intuito de ser escolhido por esse filho conforme ele for ficando adulto, mais velho e tal. Então é muito legal que você traz os limites muito bem colocados, até esticando cordas que todos os colegas já estavam tendo mais flexibilidade. E ainda assim eles escolhem estar perto, como você trouxe. Eu achava que, 28 anos, eu ia ver, sei lá, uma vez por semana, no almoço do...

É, não, às vezes até pode acontecer de não ver, mas a gente, eu sinto que tem um prazer em estar junto. Prazer em estar junto, é isso. Isso é bom, porque hoje não tem mais essa cobrança, então é pelo prazer mesmo de estar junto. Então, como limite, tem um elo, né?

Você fez um laço social, você fez um... É uma pessoa que você gosta de conversar, não é porque é sua mãe. Acho que é porque você conhece aquela pessoa, você tem uma intimidade, você tem um conforto. Imediatamente você reconhece, né? Você já conhece as expressões. É, sabe tudo. O que foi, filho? Tá chateado. O que aconteceu? Filho, eu te conheço, vai. Ou vice-versa, ele já bate o olho, ele...

Então é muito bom o elo da intimidade. A gente está sofrendo até disso, né? A gente está muito distanciado e muito redes e muita virtualidade. Mas é muito bom, né? Aquele corpo, a presença. Você trouxe logo no início o espelho, né? O quanto ali naquele momento, lá atrás, seu filho foi um espelho, né? O quanto se a gente estiver, estivermos atentos a essa maternidade, o quanto eles realmente...

durante a vida são espelhos, né? Eu vejo isso muito com meu filho mais velho, o quanto ele realmente... Ele me reflete muito. A minha falta de paciência, essa coisa raivosa, enfim. Muitas coisas eu olho e eu falo, cara, é só o meu reflexo. Esses dias eu vi com a minha mãe.

Tinha uma coisa com a minha mãe, tinha uma coisa específica que eu falava, cara, como que ela faz isso? Por que que ela faz isso? E aí, de repente, eu falei, não sei o que, aí eu falei pra ela, entendi tudo, eu sou igualzinho. Aí meu marido falou, é sério? Tipo, agora que você percebeu? Eu falei, agora. Então, quando a gente realmente vê esse espelho, vou passar pela filha também, o que que no maternar de vocês...

Foi transformador, assim, do espelho, assim, de ser algo que mexeu. Teve algum momento, assim, de... Tanto como pode ser com os pais, né, de vocês, ou com o filho, de que, nossa, entendi, quero melhorar nisso aqui, tipo, quero evoluir nesse lugar. Que eles estancaram, né, na cara disso. Com a Laura, mais do que com Beatriz e com o Vinícius, às vezes a gente quer muito ajudar, né?

E aí você quer levar a solução. Então você vê que a criança ou o adolescente está lá sofrendo com aquilo, aí a criança conta, nesse caso já era adolescente, para adultos já chegando, a pessoa quando você diz, ai que horrível isso, eu te entendo. Mas olha, uma vez aconteceu e você conta algo que deu certo.

como ela fazia psicologia, né? Ela falou, mãe, não precisa me contar o que deu certo. Eu só quero que você escute. Eu falei, ah, tá. Ali eu entendi. Não me dê soluções. É como se eu tivesse que dar valor, reconhecer o que ela estava sentindo ou passando.

mas sem apresentar. Às vezes você só quer dizer assim, mas vai passar, entendeu? Vai passar, você vai ver logo, logo isso vai passar e vai acontecer isso, vai acontecer. Não precisa. Deixa só, cada um tem o seu tempo de curtir aquele momento, aquela dificuldade e você apresentar uma solução positiva não é bom, né?

Até porque ela via muitas coisas que eram positivas, né? A gente tinha uma realização profissional, nós dois estávamos muito bem. Então, até nos nossos novos momentos de vida. Então, é bom também ela saber que às vezes dá errado. Mas também não precisa contar ali naquela hora que deu errado. Só ouve.

Então isso foi algo que eu percebi que eu tinha que melhorar e aí isso me serviu para a vida como um todo, assim, de às vezes ficar só realmente na escuta. Essa coisa que você trouxe, os novos momentos, né? Vários desafios, enfim, eu acabei de passar por uma separação.

E aí, tudo que envolve minha filha nesse processo, é um desafio parece que dobrado, com a responsabilidade de como isso vai impactar. Não é só sobre a minha dor de viver esse momento. Parece que todas as escolhas e todos... Se eu virar a direita aqui, eu tenho que pensar como... E a gente não tem controle nenhum, né? Eu tenho uma, você tinha...

3, como foi para você, quando você dá a notícia ou quando você explica, e isso fez o todo ser mais difícil? Ah não, é um momento difícil para toda a família, mas no nosso caso eles tinham 18 para 19.

Então, não teve nenhuma das discussões. Primeiro que entre nós foi tranquilo. É dificílimo a reunião para falar, claro. Mas, assim, não tinha que ter dia de visita, não tinha que ter nada. Eles pegavam o carro e dormiam lá ou dormiam aqui a hora que queriam. Nós dois também sempre... Nunca teve esse tipo de discussão nossa, né? Agora, é óbvio que é difícil, porque para a família é um momento de uma nova configuração.

então acho que quanto melhor eu tenho certeza que eles nunca ouviram o William falando mal de mim nem eles nunca me ouviram falar mal do William em nenhum momento porque realmente não tinha o que dizer então eu acho que nesse aspecto para quem se separa com filhos mais jovens já assim quase adultos

é muito mais tranquilo do que esse início de ver como é que a criança vai se adaptar, como é que vai ser... Até onde ela consegue compreender. Até onde ela consegue compreender. Acho que você pode colaborar mais, mas não é fácil em nenhuma idade. Acho que até mesmo se fosse agora, ainda seria difícil, porque em qualquer momento é difícil.

Eu acho que eles têm um sonho, né? Eu lembro, eu me separei do pai do meu filho, ele era pequeno e depois tive a sorte de encontrar o contardo.

E o pai dele tinha uma mulher, eu tinha contado, e todo mundo se dava bem, aquela família assim até moderna, passa o Natal junto, a gente, né? Falei, eu fiquei com a casa, tinha árvore de Natal grande, a sala, o jardim, e plá, plá, plá. Aí ele falava assim, não, mamãe, mas olha, a casa é grande, por que o papai e a Di não podem morar aqui?

Eu falava, não filho, mas ele está casado, mora lá. Mas cabe. Mas eu te juro que eu pensei o seguinte, porque a gente fica aqui, vai para lá, vai para lá. Então, assim, ele tem a ideia, aí você traz a realidade, ele tem o contra-argumento, ele tem aquela fantasia. Idealização.

E aí e assim mas a gente não faz Natal a gente não faz porque que porque para mim eu tenho a minha divisão eu não quereria ter então escolha dele né eu quereria juntar tudo né e tinha reunião na escola e amos os quatro assim é porque né porque a gente perspectiva boa de futuro

Porque tinha... Eu lembro uma que a coordenadora era uma salica desse tamanho. Ela, peraí, peraí, gente, cadeira. Vinha pelo corredor ali, bota uma cadeira. Senta aqui, sabe? Porque tinha...

os adultos para se ocupar daquela criança. Então, é aquela mini aldeia. E aumentar essa mini aldeia, né, de repente. E que tudo bem, entende? Não que não haja conflitos de outros tipos e tal, mas pode ser isso, né? Qual, vamos dizer, a parentalidade, a classe parental que se ocupa daquelas vidas. Mas, para responder aquela pergunta, eu acho assim...

O que eu tenho me percebido, pessoalmente falando, é que eu vou lá e tenho uma situação qualquer, aí eu vou lá e começo minha pequena digressão.

Aí eu já vou, já falo alguma coisa, já faço um gancho e falo, ele até me tira sarro com o Height, ah, ela e o Height, que é o Jonathan Height, que fez o livro A Geração Ansiosa, que fala do celular, ah, agora minha mãe está no Franz De Waal, então ele vai acompanhando. Gente, mas ele, depois eu quero, como você traz ele tão...

pra perto assim. Impressão. Ele tem os autores. Ele tem, mas pra me tirar uma onda, né? Mas tá funcionando. Mas tá funcionando. Minha mãe, agora a paixão dela, porque agora eu tô nos primatologistas e tem esse argumento, mas veja bem o chimpanzés.

o livro de gênero, o livro é de gênero, então como é que é masculino, feminino, né, que que é psicanálise, a sociologia, psicologia social, mas a primatologia, e vou nessas, ele, aí teve uma situação que eu já tirei lá, né, o que eu associo, não é racional, eu vou e...

O que vem na minha cabeça que eu vou falar ele? Ah, tá, lá vem. Mas você pode... Ele me mandou uma parecida. Você pode... Eu não estou querendo falar de psicanálise. Você pode só... Eu estou só falando.

Ele falou, estou só falando. Aí, e olha só, eu falei, filho, vou te dar a mão à palmatória, porque eu fiz um doutorado inteiro sobre o silêncio. Era sobre Clarice Lispector e o silêncio. E você vê como inconscientemente é a nossa questão. Porque eu vivo de falar.

Eu vivo de falar, de escrever, de contar, de dar aula, de dar palestra, de dar curso, né? É o meu drive primário. E assim, acho que eu tô há anos, desde os 20 anos do doutorado, para aprender o silêncio. E acho que é o meu filho que tá me convidando, né? Assim, e é uma coisa que várias vezes eu falo, nossa...

que já é teu desejo, mas que o outro parece que vai te ajudar. Vamos junto, filho. Faltou você. Você com o seu espelho. Eu acho que a gente tem jeitos muito diferentes. Eu acho que é o oposto, quase. A minha irmã tem mais coisas parecidas e acabam tendo mais embates até por causa disso. Mas a gente não está conseguindo pensar o que... De semelhante?

É, de... Nesse lugar de... Eu acho que a Beatriz tem um olhar para o outro e que eu acho que eu tenho profissionalmente, por exemplo, sempre foi algo que eu gostei muito de ouvir e eu não aplicava em casa, precisei de um puxão de orelha para aplicar e eu acho que ela tem muito isso. Ela tem um...

Ela é uma pessoa preocupada com o outro. E eu custei entender isso nela. Porque como nós somos muito diferentes e ela aparenta ser desligada de tudo, eu disse assim, mas a Beatriz não se preocupa com isso. Eu sou um pouco desligada. Você não, você é muito desligada. Eu tenho muita dificuldade em falar não.

E a minha mãe não tem, você não tem dificuldade, tem? Muita. Jura? Pra mim não tem. Ah não, pra filho eu não tenho não, pra filho eu falo mesmo. Mas assim, na vida, mas nunca cheguei numa loja... Tem uma semelhança, nós temos dificuldade de dizer não.

A Beatriz chega pra fazer depilação do busto, sai feita a depilação inteira. Perna, porque ela não consegue dizer não. Porque ao fazer o busto, ela ganhou axila. Ao ganhar axila, ela ganhou meia perna, desde que ela pague mais... Eu já cheguei na manicure querendo pintar minha unha de marrom. Aí a manicure olhou, a ela. Mas olha esse. Aí era um verde. Aí eu. Aham.

Eu usei com a unha verde, eu queria pintar a unha de marrom. Eu não consegui falar não pra ela, que eu não queria aquela cor. Porque fiquei com medo dela se sentir ofendida como se a cor fosse feia. É, eu tive que aprender a falar sim, né? Ela é super... Mas é isso, ela fica preocupada da moça achar que ela achou que a cor que a moça sugeriu era feia. Entendeu? Passem a ver a gente também no canal do YouTube, cá entre nós. Vai ser uma forma da gente se comunicar.

E o nome foi muito sugerido, o grupo todo chegou, mas o nó é nós e são os nós. E o nome foi feito por favor.

dessas relações. Que demais! Que ideia da minha designer. Arrasou, Bia! É isso, programa Novo no Ar. Estarei entrando no seu curso, por favor, e passa a todos os convidados. Lupa da alma.

curso e a lupa pra gente seguir na vida com um olhar né um pouco mais ampliado sim autoconhecimento eu tenho um outro podcast que eu nunca divulguei meu próprio podcast que chama meu lugar de falha é sozinha eu cito tantas frases suas de você é cada cinco episódios e pegar um ali de bobeira toda alguma coisa que eu ouvi no seu contato olha eu tenho uma amiga do rio estilista e a gente estava imaginando fazer umas camisetas

umas frases minhas olha só, fica a dica, a gente já faz gente, já, vamos trabalhar nisso se alguém, é não, porque cada frase

Eu bebo muito ali, muita coisa eu trago. Falar sobre o custo de ser mãe é, antes de qualquer coisa, um convite a sair do automático. Porque durante muito tempo tudo isso foi tratado como algo natural, esperado, quase obrigatório, como se o peso viesse junto com o papel e não precisasse ser questionado. Mas hoje, quando a gente olha para os dados, para as histórias, para os relatos, fica evidente.

que esse custo não é pequeno e principalmente não é individual. Ao mesmo tempo que reconhecemos que esse custo não diminui a maternidade, pelo contrário, dá dimensão e verdade. Porque quando a gente tira a maternidade desse lugar idealizado, a gente abre espaço para enxergar a mulher que existe ali dentro, que sente, que cansa, que se frustra, que ama, que tenta, que erra e que muitas vezes precisa se reconstruir no meio de tudo isso.

Nós queremos agradecer imensamente a presença de vocês, Fátima, Maria, Bia. E tenho certeza que a nossa conversa foi extremamente enriquecedora. Eu queria mais uma hora e meia aqui, tá? Para todo mundo aí que nos assiste, o nosso muito obrigado. E é claro, agradecer muitíssimo a nossa plateia 1001, que hoje está lotada, belíssima.

Muito obrigada pela presença de vocês. E a todos vocês que sempre nos acompanham aí do outro lado da tela. A gente espera vocês semana que vem. Episódio novo. Beijo grande. Até lá. E aí

#111 - O CUSTO DE SER MÃE | Fátima Bernardes e Maria Homem | Castnews Index — Castnews Index