O diferente não significa errado
Se uma casa de Candomblé faz alguma coisa diferente da forma como você aprendeu, isso significa que ela está errada?
Parece uma pergunta simples. Mas ela revela um problema muito maior: a facilidade com que transformamos aquilo que aprendemos em nossa própria casa numa regra para o Candomblé inteiro.
Neste episódio do Podcast Jékialó, eu falo sobre diferenças entre casas, famílias de Axé e tradições; sobre procedência, adaptações históricas e sobre a importância de compreender o contexto antes de julgar uma prática que não conhecemos.
Porque dizer “na minha casa eu aprendi diferente” é muito diferente de dizer “você está fazendo errado”.
Isso não significa que tudo esteja certo ou que no Candomblé qualquer coisa possa ser feita de qualquer maneira. Erros existem. Invenções existem. Práticas sem procedência também existem.
A questão é outra:
ser diferente, por si só, não é prova de estar errado.
Antes de julgar, talvez seja necessário perguntar:
De onde veio essa prática?
Quem ensinou?
Qual é a família de Axé?
Existe uma razão para aquilo ser feito daquela maneira?
Porque diferença precisa de contexto antes de julgamento.
E essa discussão nos leva diretamente à próxima pergunta desta temporada:
ter acesso à informação significa compreender fundamento?
Eu sou Ogã Leandro.
Este é o Jékialó, podcast do Farol Ancestral.
Cuide do seu Axé.