Episódio 289 - Rebecca & Christine Vance - Parte II
Nessa semana, Renata nos traz a segunda - e final - parte da história da família Vance.
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Escrito e apresentado por Natália Salazar e Renata Schmidt
Produção: Natália Salazar e Renata Schmidt
Edição: Natália Salazar
Música: Felipe Salazar
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Natália Salazar
Renata Schmidt
- Falecimento PatriciaA descoberta do corpo de Talon · A descoberta dos corpos de Rebeca e Christine · A causa provável da morte: desnutrição, giardíase e hipotermia · A teoria sobre a ordem das mortes · A proximidade de uma área de camping que poderia ter salvado suas vidas
- A vida de Priscila e ÁquilaO equipamento limitado levado para a sobrevivência · A recusa em levar medicamentos e o medo de chips · A escolha de um local inadequado para o acampamento · A falta de conhecimento sobre plantas e água potável · A tentativa de construir uma cabana improvisada
- História de SeveroA decisão de Rebeca de fugir da civilização · A falta de experiência das irmãs com vida ao ar livre · A influência de teorias da conspiração e 'The Survivalist Mom' · A recusa da oferta de ajuda de Jara e Tom · O despreparo de Christine para a vida na natureza · A partida e a mentira sobre o destino
- Teorias da conspiração e 'The Great Reset'A alegação de uma cidade secreta subterrânea de 21 trilhões de dólares · A teoria de eventos cíclicos e cataclismos em 2040 · A crença na morte de cientistas por saberem demais · A ideia de que a elite sobreviverá a um cataclismo
- Teorias da ConspiraçãoO perigo de acreditar em teorias da conspiração sem base · A influência das 'echo chambers' online · A incoerência de 'influencers' que pregam isolamento · A crítica ao movimento 'trad wife' · O efeito Dunning-Kruger em relação ao conhecimento de sobrevivência
- O papel da 'The Survivalist Mom'A influência de seus cursos pagos online · O conselho de não compartilhar planos de preparação · A incoerência de pregar isolamento enquanto vive na sociedade
Meu nome é Natália Salazar. E eu sou a Renata Schmidt. E me conta essa história logo, Renata, porque eu tô muito, muito, muito curiosa pra saber. Eu não tenho tempo para recados, não tenho tempo para churumelas, não tenho tempo para reclamações. Eu só tenho tempo para saber como chegamos de pandemia a três metros de cocô. Três metros de cocô no mato? No mato. No mato. Nossa, a gente tem um cocô no mato. Era aquele cara que... Foi o mesmo! E aí
Era aquele cara que vinha e chavou o saco que chamava cocô do mato. Gente, a gente tinha um hater tem uns dois anos que ele chamava cocô do mato. Ele sempre ia xingar a gente nos atos. Eu fico até pensando, no nosso YouTube tem sempre uma pessoa que dá dislike nos vídeos. A gente tem tipo 99.2% like.
E aí tem 0.8 dislike. Eu vou ver sempre... Será que é o cocô do mato? Deve ser. Cocô do mato. Se manifeste. Você ainda está aqui nos hateando? Cocô do mato. A gente foi de ter um hate cocô do mato para falar de um outro cocô do mato. Um cocô de 3 metros. Uma pilha de 3 metros de altura de cocô no mato. Que é o nosso hater. Será que é? Eu sou hater do hater. A Natália é hater do cocô do mato.
Eu acho que você tem que respeitar alguém que tem um nível de desapego que coloca o handle de qualquer coisa cocô do mato. Seria ter vergonha de alguém, tipo, sei lá, você tá no busão xingando um podcast e aí alguém olha assim cocô do mato? Eu acho que quando você tá disposta por cocô do mato no seu handle quer dizer que você já desistiu de alguma coisa.
Nada te atinge mais. O julgamento dos homens não é mais para você. Você está pleno como um cocô do mato. E se alguém não achar bom, o problema é de que é da pessoa. Para você, tudo bem? Ai, gente. Filosofia sobre cocôs no mato, né, gente? Bom, essa é uma parte 2. Então, se você chegou aqui agora, primeiro, nos perdoe. Segundo, volta uma casa. Volta para a parte 1 para você entender do que eu estou falando. Porque a gente está falando da história das irmãs Rebeca e Christine Vance.
E a gente está falando de um caso criminal muito triste, é uma verdadeira tragédia que envolve mortes na família, pandemia, teorias da conspiração, a nova ordem mundial e uma mãe survivalista. Então a gente tem vários elementos de história.
E a gente terminou a parte 1 quando, no final de setembro... A gente parou no final de setembro de 2021, quando a Christine mandou a seguinte mensagem para a Jara, que, como a gente comentou, elas se mantiveram bastante próximas, elas foram criadas juntas, depois a Jara saiu de casa para casar, formar família e tudo mais. Mas mesmo não morando mais juntas, as duas ainda eram bastante próximas. E a mensagem dizia, você não vai acreditar no que a Rebeca inventou, ela quer fugir da civilização. Paramos aí.
A Jara ficou meio chocada. Mas por que ela ficou meio chocada? Porque nem a Rebeca, nem a Christine eram pessoas muito outdoors ou apegadas a uma vida ao ar livre. Ah! Nenhuma! Você não tá entendendo do quanto a gente vai se revoltar. É, não. Gente, pra você sobreviver no mato, você precisa...
de certas habilidades. E essas habilidades precisam ser aperfeiçoadas ao longo de algum tempo. Você precisa saber como se alimentar, como defecar direito, para você não morar do lado de uma montanha de cocô.
Pois é. E assim, de acordo com a Jara, elas não tinham nenhuma experiência em andar no meio do mato e nenhuma experiência nem interesse em camping. Inclusive, o Tommy, o marido da Jara, ele é indígena, ele é navarro, hopi e yaqui.
E ele e a Jara têm uma propriedade em uma área de montanha pra onde eles costumavam ir quando eles queriam se desligar um pouco da civilização. Mas as irmãs Vance, a Rebeca e a Christine, nunca tinham demonstrado qualquer tipo de interesse nesse tipo de passeio. O próprio indígena chega pra elas e fala mano, o que você tá fazendo no mato? Sim, eu não tô zoando. Isso aconteceu.
ele chegou e falou, essa conversa aconteceu eu que sou de origem indígena tem uma cabana, filha com água encanada e esgoto obrigada essa conversa e o que eu acho muito, essa história me pegou muito é porque a gente está falando aqui de pessoas absolutamente normais que conversam, que falam exatamente o que a gente diria na mesma situação sabe
Gente, é uma situação tão surreal. Mas vamos lá, vamos lá. A princípio, a Christine se opôs completamente à ideia da Rebecca. Vale ressaltar, entretanto, que ela também estava passando por momentos difíceis. Porque, junto com o luto pela perda do padrasto, ela estava enfrentando diversos problemas de autoestima.
De acordo com a Megan Phillips, que era uma das muitas amigas da Christine no trabalho, ela se sentia muito desconfortável em seu próprio corpo, alegando que ela estava insatisfeita com seu peso, com a sua aparência, com a ausência de um relacionamento sério e com a sua inabilidade de parar de fumar. Ela estava tentando parar de fumar há muitos anos e ela não conseguia.
Basicamente, ela estava tentando perder peso, ela estava tentando levar uma vida mais saudável, ela estava tentando parar de fumar e nada estava dando certo. E sobre isso, a Megan conta. Eu vivia tentando trazer sua confiança de volta. Tipo, cara, você é uma pessoa tão boa e tão bonita, apenas deixa as pessoas te amarem.
Mas ela estava insegura. Além dessa insegurança, ela estava vivendo luto ainda pela perda dos pais. Principalmente do pai, que era a perda mais recente. E ela tinha uma dependência emocional da Rebeca.
Além de tudo isso, ela era uma segunda mãe para o Talon e ela não queria que ele fosse deixado sozinho com a Rebeca no meio do nado. Claro. A Rebeca, por sua vez, começou a compartilhar com a Christine os fóruns e vídeos e cursos que ela estava consumindo e não demorou muito para que as mensagens da Christine para a Jara passassem a ser também sobre a New World Order. Ah, pronto.
Ela, inclusive, tentou convencer a Jara a assistir os vídeos e ler os artigos sobre o que ela chama de The Great Reset, ou o Grande Reset.
Eu peguei, gente, de novo, vocês não podem dizer que eu não faço nada por esse podcast, porque eu entrei no 4chan. Uf! Sim, você chafurdou. Eu chafurdei o chorume. Da internet. Ai, amiga. O chorume do... Tem um pântano, dentro desse pântano tem uma poça, essa poça é de chorume. Foi lá que eu enfiei minha cara. Esse é o 4chan.
Esse é o 4chan, é. E assim, eu coloquei entre parênteses, assim, esse roteiro me fez parar no 4chan. Nossa. Nem no Reddit tinha nada nesse nível, assim. O Reddit viu esse tema e pensou, ó.
É que o 4chan é tipo a dark web do Reddit. É isso. É isso. Bom, ó. Nossa, foi toda uma vaga, porque aí eu vi esse texto e pensei, gente, preciso confirmar se isso é verdade, mas a gente vai chegar lá. Vamos lá. O que é o post? Tá falando sobre o grande reset. Prestem atenção. As pessoas estão começando a perceber o que as antigas linhagens já sabiam há muito tempo.
E aí ele põe o link de uma notícia. O link da notícia é A autoridade do governo Bush afirma que os Estados Unidos construíram uma Cidade, entre aspas, subterrânea secreta de 21 trilhões de dólares para ricos e poderosos viverem caso ocorra um evento de quase extinção. E aí embaixo tem um link de uma matéria do New York Post.
E eu fui conferir essa informação, e de acordo com um artigo no jornal The Independent, que é um jornal grande no Reino Unido, essa alegação realmente foi feita por uma mulher chamada Austin Fitz, que foi secretária adjunta de Habitação e Desenvolvimento Urbano durante o governo Bush. Ela falou isso em um podcast de um ex-apresentador da Fox News chamado Tucker Carlson. Ufa! E ela disse... É, é.
Ele é difícil, mas, gente, ela disse isso pro Tucker Carlson pra justificar o rombo de 21 trilhões de dólares de gastos não autorizados no departamento dela entre os anos de 98 e 2015.
Ah, eu também teria falado isso. Então, exato. É isso que eu quero dizer. Então, assim, essa informação nunca foi confirmada. Não tem nenhuma evidência de que exista uma cidade de 21 trilhões para os milionários se esconderem. Então, assim, basicamente o que aconteceu é que essa mulher foi num podcast de direita.
Ela foi questionada sobre um rombo de 21 trilhões de dólares de gastos não autorizados no departamento dela, de 1998 a 2015, e ela respondeu Ah, então, esse dinheiro foi desviado para construir uma cidade trilionária para os ricos se esconderem.
E ela só jogou essa informação e aí essa declaração dela repercutiu em um monte de lugar. Postou e saiu correndo. É. Mas, gente, a postagem não acabou. Tá voltando pra postagem do Fortin. Ela alincou essa notícia que eu expliquei pra vocês o que é. E aí ele continua. Vivemos de empréstimo porque esse evento de quase extinção acontecerá em 2040.
São eventos cíclicos que ocorrem a cada 6 mil anos, quando esse sistema solar atinge uma região cósmica com densidade de plasma diferente.
Se quiser uma explicação mais detalhada, assista ao vídeo abaixo. Você se lembra de Nuno Loureiro, o físico de plasma do MIT que foi assassinado em dezembro passado? Você se lembra de Carl Grilmer, um astrofísico proeminente envolvido em missões de telescópios como o telescópio espacial Hubble? Ele foi assassinado em fevereiro. Ambos sabiam demais e foram assassinados por isso.
Quase todos na superfície morrerão e as elites sobreviverão. Esse cataclisma é o grande reset. Você entende agora porque estão investindo trilhões em IA? Não, eu não entendi. Eu não entendi nada, mas eu tô louca pra extinção, gente. Não aguento mais trabalhar. Sinceramente, deixa a porra da elite aí. Daí eu quero ver eles indo plantar a própria comida.
Eles indo fazer... Limpar o próprio banheiro. Limpar o próprio banheiro. É isso que as pessoas não entendem, né? Vocês acham que a elite quer ser a única que sobrevive? Pra quê? Pra eles terem que fazer a própria comida, a própria roupa, limpar o próprio banheiro? Você acha mesmo que é isso que eles querem? Pois é. Pois é. Tá bom. E é, calma que não acabou. É melhor começar a acreditar em círculos de transmutação. Você está em um.
Como vocês devem imaginar, a Jara ficou super preocupada e foi conversar com o Tom sobre os papos cada vez mais estranhos da Christine. A Jara não sabia como estava o mindset da Rebeca, porque a Rebeca só conversava seguindo, como a gente viu na parte 1. A Rebeca entrou num loop de começar a ler artigos e fazer cursos de uma... O nome da influencer era The Survivalist Mom.
E essa The Survivalist Mom falava que você não pode compartilhar seus planos com ninguém, porque todas as pessoas são uma ameaça. Então, o círculo da Rebeca não incluía a Jara. Sim. A princípio, o Tom disse... Ele foi mais compreensivo que a Jara no começo, tá? Quando a Jara começou a falar para o Tom, ela falou, mano, olha o que ela estava falando, olha esses papos, olha que doideira, ela está querendo sair da civilização, e aí?
O Tom disse, olha, eu entendo porque eu tenho vários amigos que gostariam de escapar da sociedade. Então, às vezes, ele falou para ela, calma, antes de se preocupar, vamos ver se a gente consegue ajudar, né? E ele e a Jara chegaram a oferecer a propriedade que eles tinham na montanha para elas viverem lá o tempo que elas quisessem.
Já que era um local bastante isolado, mas dotado de um mínimo de infraestrutura. E sobre isso adiara conta. O lugar é praticamente isolado da civilização. Não tem sinal do celular, não tem água encanada, não tem eletricidade. Tínhamos um trailer lá com um gerador. E imploramos que elas usassem nossa propriedade, mas Beck não aceitou. Eu tentei de tudo, menos sequestro para impedir-los de ir embora, mas nada funcionou. Tadinha.
Hoje, sabendo do que a gente sabe sobre o tipo de conteúdo que a Rebeca estava consumindo, é evidente que o motivo para a recusa da oferta de Jara era o conselho dado pela Elizabeth Ford, na survivalist mom, em seus muitos cursos pagos online, que era não faça toda essa preparação para proteger sua família apenas para atrair predadores e sofrer danos. A Rebeca não confiava em ninguém além da Christine.
E a Jara não sabia, com esse nível de detalhamento, né? Como eu comentei, qual que era o mindset da Rebeca. Nem o que ela tava vendo na internet. Mas ela, de certa forma, inferiu que a recusa foi por falta de confiança da parte da Rebeca. E ela ficou chateada. O que eu entendo. Tipo, nossa, você quer se isolar do mundo. Eu tô te oferecendo um lugar meu. Pra você ficar o tempo que você quiser. Que tem tudo que você precisa. E você, tipo... Sabe? Sim.
E o Tom, mais uma vez, falou para ela ficar calma, porque ele, de certa forma, conseguia entender a preocupação da Rebecca. E ele fala, Acredito que a Becky estava mais preocupada com a possibilidade de alguém aparecer, encontrá-los e obrigá-los a voltar.
A mentalidade dela era tipo, o mundo está desmoronando, vou sobreviver e sair na frente, passar despercebida, não ser prisioneira deste mundo em decadência. Com o passar das semanas, entretanto, até ele, que estava com uma postura mais de boas, que estava mais compreensivo e também que estava acostumado com a vida na natureza, ele começou a se preocupar com o total despreparo da Christine para essa empreitada. Claro.
E ele conta, para a Christine se preparar para viver fora da civilização eram coisas tipo, ai eu comprei um par de botas. E eu respondia, ok, de boa. Mas e se você fizer um buraco nessas botas, não seria melhor você ter mais pares? E ela respondia, ah, com sorte até lá não saberemos como usar coisas da própria terra para fazer botas. Amada.
E aí é que... Ai, gente. Aí é que entra a ignorância da pessoa que é privilegiada e nunca foi uma pobre fodida. Muito obrigada, sim. É uma pessoa que não sabe como o tênis dela foi feito.
Que não sabe como as roupas dela são feitas. Que não sabe como a comida que chega no supermercado dela é colhida. Que não tem ideia. Tipo, ela acha que as coisas da natureza vão... Tipo, que ela vai montar um computador com as coisas da natureza. Que ela vai montar botas com coisas da natureza. Ela não sabe o quanto de trabalho.
E de matéria-prima e de conhecimento existe nisso? De diferentes partes do mundo? Não, a Jara conta que quando a Christine mandou aquela mensagem, a última vez que elas tinham ido para o mato foi quando elas eram crianças. Dá para ver. Dá para ver. Ela tem uma ideia completamente...
romântica, equivocada, do que é você sobreviver, do que que... É uma ideia extremamente privilegiada de quem não sabe como nada é feito, e do trabalho que dá, e de quantas pessoas estão envolvidas no conforto do dia-a-dia dela. Sim, sim.
E aí, voltando para o Tom, o Tom também conta que quando ele percebeu que não ia ter como fazer as duas mudarem de ideia, porque ele começou a ouvir detalhes dos preparativos, ele ficou desesperado também, ele falou, não, gente, vocês não podem ir. Mas a Christine falou que não tinha negociação, que elas iam, que elas iam, que elas iam. Como parecia que não ia ter jeito, ele apresentou elas para um conhecido dele que também é indígena e que chegou a viver fora da civilização.
por um tempo, pra que ele pudesse dar algumas dicas de sobrevivência pra elas. Mas foi uma conversa de mais ou menos uma hora, o que, segundo o próprio Tom, não é suficiente pra ninguém aprender a viver fora da civilização. E aí eu imagino na outra, lá na outra, na Survivalist, vamos vendendo curso de duas horas, né? Intensivão de duas horas. Enfim.
O Tom e a Trevala, a Jara, chegaram a dar algumas entrevistas sobre isso mais tarde. Se você é apoiador do Pátria, a gente vai soltar um episódio de apoio no domingo, trazendo mais detalhes sobre o que foi falado nessas entrevistas e algumas dicas de sobrevivência que esse amigo dele trouxe durante essas conversas. Então, para quem quiser um extra desse episódio, vai estar lá para os apoiadores do Pátria. Bom...
pouco tempo depois dessa conversa que elas tiveram com essa pessoa que também viveu fora da civilização um tempo a Christine também pediu demissão do emprego na Atmel e disse a seus amigos que ela iria sair por estar mudando de cidade e que não levaria seu telefone porque tinha um plano de se reinventar completamente o plano da Christine, ela tinha a esperança de que ela ia entrar no mato e que ela ia sair por estar mudando de cidade
E, gente, é difícil não rir, né? Mas ela tava pensando que ia ser uma experiência meio de spa, assim, que ela ia voltar sarada. Ela pensou, ah, já que a gente vai, eu vou usar e vou ficar fitness. É sério, ela acreditava que ela ia voltar uma mulher renovada porque ela ia entrar em contato com a natureza selvagem. Que ela ia ter uma experiência transformadora no meio do mato que ela ia voltar uma nova mulher.
Mano, tu vai pegar dengue, mulher. Tu vai pegar dengue. É isso que vai acontecer com você. Você vai pegar febre amarela, malária, sei lá. Então ela falou pros amigos, né? É aquilo. Como ela era mais sociável, ela queria contar pra eles, mas ela não podia. Então ela só avisou que ela ia sair da cidade sem celular, sem nada, pra se reinventar. Um dos amigos dela, um homem chamado Quentin Jackson, perguntou se ele poderia manter contato através da Becky. E a Christine respondeu que não.
Sobre isso, ele conta. Eu sinto que ela queria que fizessemos perguntas, tipo, por que você está indo embora? Para onde? O que você vai fazer por lá? Mas quando lhe perguntávamos essas coisas, ela respondia, eu não posso te dizer mais nada. No final, eu fiquei tipo, bom, ok, então eu espero ter notícias suas em algum momento do futuro. Porque ela se recusou a manter contato com todo mundo.
Na véspera da partida, ela escreveu para a Megan, a amiga dela, né? Dizendo, estou me mudando. Vou com Rebeca. Isso é tudo que eu posso dizer. A Rebeca mandou uma única mensagem de despedida para uma das pessoas que ela conheceu em um dos seus fóruns online. Em que dizia, eles realmente querem fundir homens e máquinas e eu me recuso a deixar eles fazerem isso comigo ou com meu filho. Eu não sei quando isso vai acontecer, mas acho importante que as pessoas fujam enquanto podem.
Então tá. Em primeiro de agosto de 2022, às 11 da manhã, a Rebeca e o Talon foram pra casa da Merlin pra se despedir. A Merlin conta. No início, eu achei que ela fosse pedir pro Talon ficar conosco aquele dia. E já estava trazendo ele pra dentro quando ela falou, temos que nos mudar pra ficarmos seguros.
Imagina o desespero de uma avó vendo isso, de um pai vendo isso, não podendo fazer absolutamente nada para parar. Essa parte me quebra o coração, porque a Rebeca entregou uma caixa para a Marilyn que tinha camisetas antigas do Talon, fotos escolares, um vaso que ele tinha feito na escola para o Dia das Mães e um animal de pelúcia de um passeio que eles tinham feito para o aquário de Colorado Springs antes da pandemia.
Era tipo uma caixa de lembrança. Porque eles não iam se ver nunca mais. Nossa, gente, que desespero pra uma pessoa. Que horror pra uma avó. Detalhe, tá?
O Eric nem viu, o Eric nem ficou sabendo até a Merlin contar, porque ele tava no trabalho. Putz. É. Pra Merlin, a Rebeca disse que eles iam se mudar pra West Virginia pra ficar próximos da família do pai biológico dela. O que a Merlin estranhou. Porque elas se conheciam há 13 anos, né? O Talon tava com 13 anos. E nesses 13 anos, a Rebeca nunca mencionou o pai dela. Nunca.
A Merlin perguntou então se o Talon levaria o iPad para que eles pudessem se manter em contato e ela disse que não. A Merlin também perguntou do gato da família, tinha um gato, e a Rebeca respondeu que o gato tinha sido deixado com o vizinho da Jara. Antes da Merlin se despedir do Talon, a Rebeca puxou ela para perto e sussurrou, ele não sabe de nada. Tipo, não fala nada para ele. Ela concordou e pensou, bom, eu também não sei, não sei nem o que ela acha que eu vou falar, porque eu não sei o que está acontecendo.
A Christine presenciou a cena inteira de dentro do carro, ela nem saiu pra se despedir. E a Marilyn se despediu do neto sem saber que aquela seria a última vez que ela o veria. Nossa, gente. Como vocês devem imaginar, né? A Rebeca mentiu mais uma vez pra Marilyn. Ela mentiu a primeira vez na parte 1 quando ela contou pra Marilyn que ela ia parar de trabalhar pra trabalhar de casa e, na verdade, ela tava passando o dia assistindo fóruns na internet sobre o filme do mundo, né? Bom.
A família não estava indo para West Virginia, e sim para a área de camping de Goat Creek, no condado de Gunnison, prontos para viver uma vida longe da civilização. Com a chegada da primavera no hemisfério norte, nós finalmente podemos aproveitar o clima ameno e gostoso do qual os brasileiros desfrutam a maior parte do tempo.
E com o calor, vem também 354 novos compromissos. É reforma da casa, treinos ao ar livre, passeios no parque, happy hour, viagem. Isso tudo em cima de uma rotina de trabalho já sempre bem apertada. Então não tem jeito. Para conseguir lidar com a vida moderna, você precisa de roupas que não te limitem, que não criem mais atrito para a sua rotina. Você precisa de roupas que incentivem o movimento e tragam leveza para o seu dia a dia, não importa onde você esteja.
É, gente, vocês precisam da Insider, tá? E eu falo por experiência própria. Tem alguns dias eu comemorei meu aniversário em Dublin, né? Eu não moro em Dublin, eu precisei viajar pra chegar. E, gente, calhou de cedo. Eu dei muita sorte porque foi o fim de semana mais quente do ano até agora no país, né?
E eu dei sorte não só por conta do clima, mas porque eu sabia que dava pra contar com a Insider. Porque eu fui com as roupas da Insider, eu só levei praticamente blusinhas da Insider pro meu aniversário. E, gente, eu fiquei na rua o dia inteiro. Tipo, da hora do almoço até as 11 da noite. E eu cheguei no hotel fresca. Fresca, plena e serena. Não parecia que eu tinha ficado literalmente o dia inteiro na rua.
É sensacional, é sensacional. Ah, é maravilhoso. Não, sério, faz diferença da segurança. Dá, dá muita segurança. É o prazer das grandalhonas é usar uma Insider, gente. Exatamente. E o tecido é uma delícia. E o caimento também. Sim. Nosso cupom é o PA Criminal e ele continua sendo dinâmico. Isso significa que o mesmo código, quando aplicado no carrinho, oferece 15% off para novos clientes.
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Depois de dois ou três dias na área de camping, que é equipada com chuveiros e mesas de piquenique, eles migraram para alguns quilômetros mata-dentro, onde Tellon não poderia ser microchipado nem corrompido pelo anticristo. Ai, que bom, né? É. O carro foi abandonado no camping para evitar que eles pudessem ser rastreados pelas máquinas, segundo eles mesmos. Certo. E aí, minha amiga Tiaga?
Você deve estar se perguntando o que elas levaram de equipamento para se preparar para essa nova vida longe da civilização, né? Absolutamente nada. Vamos lá. O equipamento deles consistia em...
Uma barraca de 80 dólares do Walmart, sem isolação térmica. Ah, legal. Aposto que não era impermeável também, porque 80 dólares não é impermeável. Não, eles não levaram nem... Sabe aquela placa de tipo EVA que você coloca embaixo para isolar do frio do chão? Sim, não levaram isso também, claro que não. Não, não tinha. Então, uma barraca... E detalhe, uma barraca de 80 dólares do Walmart, sem isolação térmica, para os três, tá?
Ah, claro. Não era cada um com a sua barraca, não. Não, claro que não. Três sacos de dormir, pacotes de sementes, roupas, toalhas, uma vara de pescar, protetor labial, um par de botas, tênis, sandálias, livros sobre survivalismo e de literatura infantil juvenil, algumas ferramentas e dois LifeStraws. Gente, LifeStraw... Você tá de brincadeira. Juro pra você.
elas planejavam viver filtrando água com dois Life Straws. Gente, pra quem não sabe, Life Straws são canudos de emergência usados por praticantes de trilha pra o caso deles se perderem e precisarem beber água de rios e lagos meio duvidosos, né? De acordo com a própria descrição do produto, esses canudos são ideais pra filtrações de emergência e trilhas ultra-leves de curta duração.
Por quê? Primeiro porque esses canudos são descartáveis. É pra você usar uma vez e jogar fora, porque a capacidade de filtragem deles é muito limitada. Depois, porque eles não devem ser usados no inverno, porque eles podem congelar e perder a capacidade de filtração. E foi isso que elas levaram. Mano, se eu fosse acampar perto da civilização,
Aqui do lado de casa, num camping... Eu levaria mais coisas. Eu passaria perrengue com o que elas levaram. Sim.
O que elas levaram é pra uma viagem na praia. Numa cabana. Elas levaram equipamento pra uma viagem numa cabana na praia. Uma cabana com banheiro, com infraestrutura. Por quê? Porque elas passaram... Elas não, no caso a Rebeca, né? A Cristina não sei o quanto disso ela consumiu, mas a Rebeca passou meses fazendo cursos de survivalismo minimalista. Você não precisa de muitas coisas, segundo o The Survivalist Mom.
Eu acho que você precisa. É uma opinião controversa. É uma opinião controversa. Mas eu vou falar. Eu preciso falar porque eu sou muito corajosa. Eu acho que você precisa de mais. E calma que piora. Sabe por quê? Porque elas se recusaram a levar qualquer tipo de medicamento. Porque, segundo Christine, era através dos remédios que o governo implantava biosensores nas pessoas.
Mas é verdade. Eu falei isso no episódio passado, que o Bill Gates estava fazendo com as vacinas, né? Sim, isso mesmo. Pois é. Ai, que desespero, gente. Tem uma criança envolvida. É! Tem uma criança. É isso que me irrita. Sim!
Não, e assim, Natália, o nível de despreparo me deixou horrorizada. Hã? Como? Como que você leva isso e você acha que com isso você vai conseguir viver, se alimentar e, tipo, filtrar água pelo resto da sua vida? Cara, elas levaram sementes. Sementes?
Elas levaram sementes que elas achavam, em agosto, que elas achavam que ia fazer durar o inverno. Neva nos Estados Unidos. Gente, no Brasil, com o clima do Brasil. E o Brasil, assim, depois que você vai pra um lugar muito frio, você vê como o Brasil é excelente. No Brasil seria muito difícil sobreviver com o que elas levaram. Você imagina num lugar que no inverno neva. E neva muito. É. Gente, assim, eu fico inconformado.
Como eu comentei, elas se mudaram para a floresta no dia 1º de agosto de 2022. Em outubro, o trio dirigiu até a cidade. A cidade ficava 45 minutos de carro de onde eles estavam acampados, Gunnison, né? E eles usaram o telefone público para ligar para o Donald Vance, o pai biológico da Christine e da Rebecca.
Lá, eles pediram pra que ele transferisse 500 dólares pra conta de uma delas, sem dar muita explicação. Foi tipo, oi pai, long time no see, por favor, me transfira 500 dólares. Ele fez a transferência sem questionar. E por que elas ligaram pra ele? Porque elas sabiam que ele não ia fazer pergunta. Sim. Então ele fez a transferência e elas foram pra um Walmart, onde elas compraram um fogão de acampamento de uma boca. Agora? Agora. Agora.
Miojo. Miojo, é bom. Proteína, nutrientes. Te sustenta, né? Te sustenta por dias. A base da alimentação deles foi miojo e capnudos. Bem natureza, bem natural, bem vivendo da terra, bem mantras, bem spa, bem fitness.
Eles não se prepararam nem no sentido de tipo, nossa, agora que eu vou ter que viver da terra, deixa eu começar a me adaptar aos alimentos que eu vou ter ao meu redor, né? Deixa eu começar a consumir mais plantas e ver como é que é, o que eu preciso. Não. Nada. Assim, a ausência de preparo... Gente, elas tinham 40, 42 anos. É, amiga. Não é tipo dos adolescentes que pegam uma mochila achando que vai fugir de casa, sabe?
Eu fico inconformada. Então, elas compraram um fogão de acampamento de uma boca, miojo, comida enlatada, doces, pilhas, fósforos e papel higiênico e voltaram para a floresta. No final de outubro, começou a nevar forte na floresta.
Em novembro, a temperatura média nas montanhas rochosas varia entre menos 10 e menos 20 graus Celsius. E elas numa barraca sem isolamento térmico. Com dois canudos de filtragem de emergência e alguns pacotes de miojo. Você repou que elas não compraram filtro, né? Mana. Elas compraram pilha, mas elas não compraram filtro de água. Mana. Então, se elas compraram miojo...
Mas elas não compraram um filtro para filtrar a água do miojo. E o que tem em água de rio duvidoso? Giardia? Uhum.
Aí você pensa nas roupas íntimas sujas. Sim. Tá tudo fazendo sentido. Tá tudo se conectando agora. Em 25 de novembro, a guarda florestal estadunidense encontrou o carro da Rebeca abandonada em Gold Creek e fez um boletim de ocorrência. O boletim de ocorrência diz Busca realizada no local. UTL. UTL significa Nable to Locate. Ou não foi possível localizar, né?
A central de atendimento da polícia estadual tentou dois números de telefone para os dois proprietários registrados do veículo, que era Rebeca e Christine. Os dois foram desconectados, tentando fazer uma checagem de bem-estar dos donos. E eles não acharam nada, porque como eu comentei, elas estavam para dentro, alguns quilômetros para dentro da área de camping. Elas não estavam no camping.
A polícia fez uma checagem, só que, gente, era novembro, nas montanhas do Colorado, uma temperatura entre menos 10 e menos 20 graus Celsius. A polícia achou que alguém tivesse, tipo, abandonado um carro velho. Claro. Ninguém ia imaginar que tem alguém morando nas montanhas rochosas no meio do inverno.
Sim, exatamente. E também eu não acho que a polícia tenha que se arriscar nas montanhas rochosas, no meio do inverno, para salvar essas duas Nersa. É que, infelizmente, tem uma criança no meio. Sim. E é aqui que a gente volta para o início da nossa história, aquela tarde de 9 de julho de 2023, quando a família Malcolm saiu para uma trilha e encontrou um pesadelo, né? Claro.
Eles contataram a delegacia mais próxima às 5h47 da tarde, reportando terem encontrado um corpo mumificado e um acampamento imundo. Por conta do horário, a polícia acabou enviando uma equipe de busca no dia seguinte. As imagens que vocês viram na parte 1, inclusive, são da câmera corporal da polícia.
da busca que eles fizeram e tal. Eu fico imaginando, pelo que a gente vê das imagens, e você parando para pensar que Gunnison é uma pequena comunidade de 16 mil pessoas, eu acho que os policiais devem ter pesadelo com aquele acampamento até hoje. Sim. Bom, o corpo encontrado pelo CJ Malcolm era do Talon, que segundo o relatório da perícia foi o primeiro a morrer.
Ele estava vestindo duas calças de moletom cinza, uma por cima da outra, uma camiseta térmica de mangas compridas e um moletom preto. Mas não estava usando meias nem sapatos. Seus cabelos estavam longos e ele estava deitado em posição fetal, com rosário verde em seu pescoço.
Que eu achei, eu não sei porquê, esse é um detalhe que eu achei, assim, extremamente perturbador. Hum. Ele pesava aproximadamente 20 quilos. Com 14 anos, né? 13 para 14 anos. Mas é porque ele estava decomposto. Ele estava lumificado, né?
Mas assim, todos estavam muito magros. Claro. Dentro da barraca estavam os corpos da Rebeca e da Christine. A Rebeca estava deitada em cima de um saco de dormir preto. Inclusive, quando vocês veem nas imagens, quando a polícia abre a barraca e tal, que é censurado são os corpos delas.
A Rebeca tava então deitada em cima de um saco de dormir preto Usando um moletom preto Gente, você vê, eles não levaram nem Tipo roupa isolante térmica Eles estavam de moletom do Walmart Eles não levaram roupa de lã Eles não levaram lã Eles estavam de moletom Eles não procuraram nem a roupa adequada Lã que é uma coisa que é Uma coisa que isola Inclusive quando ela tá molhada Lã Sino Sino
Eles não levaram nem lã. Eu não entendo como você não entende disso morando no Colorado. Porque mesmo que você não tenha nenhuma experiência morando... Tipo, nenhuma experiência de acampamento, de trilha, de nada...
Quando você mora num país em que neva, você aprende que lã é o melhor isolante que você pode usar quando você está passando muito frio em casa. Você aprende várias coisas para você não ter que depender tanto do aquecedor, porque o aquecimento, o gás e tal, o carvão, é tudo muito caro.
Então, você aprende as melhores roupas pra usar. Eu fico muito surpresa delas terem um conhecimento tão escasso de como viver mesmo. Sobreviver. Ai, gente. Porque assim, meia de lã é um negócio que você põe pra trabalhar quando você acorda no frio em dezembro. Como que você não leva? Sim. Esse tipo de detalhe me deixa inconformada. Como que você vai achando que você vai sobreviver no mato, levando umas caixas de moletom?
Eu vou falar uma coisa que talvez eu vá receber algumas críticas, alguns comentários ácidos.
Mas eu acho que para quem não é um povo originário, para quem não tem a sabedoria da floresta, a sabedoria da terra, a sabedoria da montanha, como os povos indígenas têm, por exemplo, isso, assim, tanto os inuitas quanto os povos originários do Brasil, não interessa, mas esses povos têm uma...
um conhecimento milenar de como sobreviver da floresta, da terra, na neve. E eu acho que gente que nunca teve contato ou nunca se deu o trabalho de valorizar o conhecimento desses povos,
Acha que tudo é muito fácil. Acha que é só você chegar na floresta e comer uma frutinha. Entendeu? Tanto que tem gente que acha que sobreviveria na floresta amazônica. Nossa, gente. Que é só você comer frutas e coisas da terra e você consegue sobreviver. Só que as pessoas que conseguem sobreviver isso são povos originários que têm um conhecimento milenar.
de como sobreviver. Ou é aqueles mateiros, tipo Tatum Canara, que passa mais tempo que vive no mato. Mas por quê? Porque ele absorveu uma cultura que é milenar, que tem um conhecimento milenar daquela terra. Entendeu? Eu não posso ir pro norte da Noruega e achar que eu vou sobreviver lá só porque faz muito tempo que eu moro aqui.
As pessoas que sobrevivem no norte da Noruega, o Sami, eles são pessoas que têm um conhecimento milenar de como sobreviver. É muito diferente, só que eu acho que a gente que nunca teve contato com essas pessoas, que não valoriza, não entende o quanto...
de conhecimento você precisa para sobreviver nesses lugares, você acha que tudo é muito fácil, que você chega pelado, ai, eu sou indígena, eu chego pelada como uma fruta, e ai, como toda fruta é comestível, nenhuma é venenosa, nenhum animal é venenoso, você come um sapo, entendeu? Você caça, você toma banho de rio, e você acha que é fácil, porque você não valoriza.
o conhecimento desses povos. Você não sabe o quanto de conhecimento você... É o Dunning-Kruger Effect. É o efeito Dunning-Kruger. Você não sabe o quanto você não sabe. Você sabia, por exemplo, que tem uma ameba que ela dá em água parada em algumas regiões dos Estados Unidos? Eu acho que não tem no Brasil. Tá falando com uma amiga médica disso.
Se você entra, por exemplo, você entrou nesse lago de água parada que tem essa ameba, e aí você, sei lá, entrou, pulou de cabeça e tal, você respirou um pouquinho da água. O que acontece, né? Você entra, se essa ameba chega no seu cérebro, ela come o seu cérebro, não tem nada que você possa fazer. Sim. Você pegou uma ameba comedora de cérebro, e é isso. E ela fica em águas paradas. Essa é a sua vida agora. Essa é a sua vida, não tem o que você possa fazer. Então, assim, isso é porque eu nem entrei pra falar malária, giardia.
Animais peçonhentos, alergias que você pode ter, lesões que você pode ter que podem infeccionar porque você não levou nenhuma medicação. Gente, isso é só o que apareceu na minha cabeça agora. Olha, eu faço muita trilha, eu entro no meio do mato todos os dias, não tem um dia que eu não me afundo num pântano, alguma coisa assim, eu não tô preparada pra viver, eu não conseguiria culpar.
E eu tenho plena consciência disso. A natureza é cruel, a natureza é implacável. Eu sou bem, eu gosto muito de fazer hiking. Eu não sou uma boa camper, eu não sou uma... Eu não gosto muito de acampar. Mas assim, já acampei. E eu posso falar que se você me largar, se eu me perder por uma noite numa floresta, eu imediatamente vou morrer.
Cinco minutos sozinha na floresta eu vou comer uma fruta que eu não devia. Sim. Imediatamente, porque eu não tenho conhecimento de nenhuma fruta. Tanto que aqui na Noruega a gente tem muito wild berries. O pessoal vai na floresta, tem duas coisas. No outono o pessoal vai na floresta pra catar cogumelo. E no verão eles vão pra catar amora. Amora e berries assim, tipo frambuês, esse tipo de coisa.
Eu não me atrevo a catar nenhum dos dois, porque eu sei que eu vou pegar do tipo errado e vou morrer. Já aconteceu, eu dou uma enfiada, eu tô fazendo uma trilha, e de repente eu olhar pro meu marido e falar, olha umas amorinhas. Vamos pegar uma. Eu falei, nossa, devia ter trazido um saco pra gente pegar umas amorinhas. Aí ele falou assim, mas como você sabe se essa é a que pode comer? Tem uma que você não pode comer? Aí ele tem.
Aí a gente falando disso, passou pela gente uma... Gente, ele tinha a cara do velho mateiro do mar.
Ele tava com uma calça camuflada e ele tava com aquele... Sabe...
É tipo uma cobertura de calça que você usa, que é de lona, que você põe em cima do seu sapato. Ele tava com sapato de trilha, com essas capas de bota de trilha, com um... Tipo um... Um cajado. Um galho, um cajado, e um saco, chapéu, e um saco cheio de amor, assim. Aí eu e o Brito, é, esse cara sabe o que ele tá fazendo. Esse cara pode comer as amoras. A gente, não. Esse cara fode. Esse cara pode.
Esse cara sabe o que ele está fazendo. Ele só pode falar com o sacão. Essa é uma pessoa que eu seguiria. Eu nem sabia que tinha uma que eu não podia comer. Eu já estava ali. Ainda bem que eu não tinha um saco. Porque eu ia enfiar um monte de coisa na bolsa sem saber o que era. É a minha cara morrer. É a minha cara morrer.
Mas, gente, voltando, né, pra cena, como eles encontraram, né, falando dentro da barraca, então, estavam os corpos da Rebeca e da Christine. A Rebeca tava deitada em cima de um saco de dormir preto, usando um moletom preto e calças de moletom pretas também, também sem meias ou sapatos, como o Talon.
tinha uma grande cruz de madeira e um apito de sobrevivência ao redor do pescoço dela. Lembra que o Talon também estava com o Rosário? Uhum. Isso é muito esquisito. As pessoas especulam o que pode ter acontecido. Tem gente que acredita que no final elas entraram em algum delírio religioso, acreditando que aquilo era alguma provação vinda de alguém, o que estava acontecendo. Enfim, não dá para saber.
O apito de sobrevivência, gente, são aqueles apitos que eles dão pra galera apitar quando eles estão em perigo, pra buscarem ajuda, né? O que eu acho interessante, porque assim, a gente não tem registro de ninguém ouvindo o apito, então, se eles tocaram, ou ninguém ouviu, ou mesmo estando à beira da morte com o apito no pescoço, a Rebeca não quis pedir ajuda.
A Christine estava do lado da Rebeca, dentro de um saco de dormir, fechado até o pescoço, usando também um moletom, cerolas e um gorro cor-de-rosa, também sem sapatos e sem meias.
E a Christine estava com a cabeça totalmente raspada. Os cabelos dela... Lembra que eu falei que uma das coisas que os Malcolm acharam foram cabelos compridos, escuros? Os cabelos dela foram encontrados num canto do acampamento. Tem foto dessas coisas, tá, gente? Também vai estar nas nossas imagens de apoio. De acordo com o relatório da autópsia, a Rebeca pesava cerca de 50 quilos.
Nossa senhora, gente. Ah. E a Christine, que foi a última a morrer, pesava 43 quilos. Caralho.
A Christine apresentava pequenas feridas na boca do estômago que eram consistentes com hipotermia. Os peritos acreditam que as roupas íntimas sujas de fezes encontradas no local apontam que os três provavelmente contraíram giardíase ao consumir água de um rio próximo que não é apropriado para o consumo humano. Sim.
eles ficaram no lugar perto de eles escolheram o lugar ao que tudo indica, porque não dá pra gente saber o que elas estavam pensando mas eles escolheram o lugar ainda no verão, eles ainda estavam bem, e acredita-se que eles escolheram o lugar que fosse longe do campo e mais perto de um rio
Sem ter nenhum tipo de conhecimento de como identificar um rio que tem água potável ou não. Pera só, tem água aqui, vamos parar aqui. Então eles acreditam que eles muito provavelmente contraíram os giardias e logo depois que os canudos de emergência falharam. O boletim de ocorrência do gabinete do xerife do condado de Gunnison, a queixa número 2023-181-GSO, dizia...
O fato de a barraca, uma simples barraca de nylon em formato de cúpula, estar de pé leva este policial a considerar que as vítimas podem ter sobrevivido por boa parte do inverno. E há apenas uma teoria de que elas precisariam ter removido o acúmulo de neve para evitar que a barraca desabasse. A escolha do local do acampamento também indica que as vítimas tinham pouca experiência prática em técnicas de sobrevivência na mata.
Elas escolheram um lugar que era praticamente inviável. Era um lugar... Até eu vou te mostrar de novo o vídeo. Sabendo que a gente já sabe de como estava o acampamento. Olha aí. Não era um lugar protegido. Elas estavam totalmente à mercê dos elementos. Está vendo? Sim. Normalmente, você procura lugares em que as árvores te ofereçam uma proteção mais natural, né? Para, tipo, se a... Essa barraquinha, se eu fosse acampar na Noruega no verão, ia passar frio. Três pessoas. Hum. Nessa barraca.
Tem uma hora que você vai conseguir ver que eles fizeram, tipo... Elas tentaram juntar, construir, tipo, uma cabana de madeira. Mas deu pra ver... Gente, é total despreparo, né? Dá pra ver que, muito provavelmente... Tá vendo? É. Você sabe o que eu acho que aconteceu? Que elas tinham um plano...
De cavar, né? Fazer, pelo menos pelo que, gente, como eu comentei, esse vídeo, ele tá disponível já no nosso canal no YouTube. A gente soltou ele junto com a parte 1, que é a visão da câmera corporal do policial que foi pro local, né? Depois que a família Malcom fez a denúncia.
Então, todo mundo vai poder ver. Esse vídeo vai estar tanto disponível sozinho como material de apoio para quem consome o podcast no Spotify, nos agregadores e tal, e quiser conferir só o vídeo no YouTube. Se você ouve os episódios pelo YouTube também, ele também vai estar no começo do episódio no YouTube, tá?
Então tá ali pra todo mundo ver, se vocês tiverem interesse de entender melhor o que eu tô falando, né? Você reparou que tem uma hora que tem o começo da cabana que elas tentaram construir, e do lado tem um buraco, e o buraco tá cheio de lixo. Você já viu o despreparo aí, porque elas estavam bolando um lugar pra elas dormirem do lado do lixo. Eu não sei se foi despreparo ou se elas já não estavam com giardias e estavam usando aquilo de privada também. Ufa.
É, eu não sei, não sei dizer. Mas eu imagino que elas estavam com um plano de fazer, assim, de cavar o buraco, de fazer a cabana, e elas esqueceram, não pensaram, né, que no inverno a terra congela. Ah. Ou isso, ou elas achavam que em duas elas iam conseguir construir um acampamento completo de 1º de agosto até 30 de setembro.
Sem nenhum preparo. Sem preparo, sem condicionamento, sem material, porque elas iam ter que basicamente pegar, cortar madeira. Olha, imagina, elas achavam que elas iam conseguir cortar toda a madeira, cavar uma fossa, cavar o buraco da barraca e subir
Uma barraca com esses galhos até o inverno. De primeiro de agosto até o final de novembro. Em duas. Sem saber o que estão fazendo. Sem saber o que estão fazendo, tendo como base... Cursos do YouTube. Ai, gente. É. Dá ódio, desculpa. Elas fizeram isso com uma criança.
Faz isso com você. Vai viver no mato você. Fazer isso com uma criança é isso que eu não admito, sabe? Caralho, velho. Você não pode fazer isso com uma criança. Na moral. Uma das coisas encontradas pela perícia no acampamento foi um diário com 24 páginas escritas pelo Talon. E trechos desse diário também vão estar no episódio de apoio que vai ser enviado para os nossos apoiadores no domingo.
O boletim de ocorrência, somado ao relatório da perícia, levou as autoridades a concluírem que os três perderam a vida em dezembro de 2022, provavelmente em decorrência de uma mistura de desnutrição, giardíase e hipotermia. Tudo isso a poucos quilômetros de distância de uma área de camping que poderia ter salvado suas vidas. Elas estavam a quilômetros da área de camping.
É por isso que ninguém entende. Elas estavam a walking distance da área de camping. Elas poderiam ter andado... Elas poderiam ter ficado fechadas nos banheiros da área de camping e sobrevivido ao inverno. É isso que ninguém entende. O que acredita... Tem algumas teorias, vou falar um pouco mais disso. Ainda segundo esse relatório, a teoria mais provável é que o Talon perdeu a vida primeiro.
por ser o mais frágil dos três, tendo sido, então, tirado da barraca pelas irmãs que o colocaram no local onde ele foi encontrado com o rosário no pescoço. Como a terra estava congelada, ele não foi enterrado, né? Ele foi deixado ali.
A Christine teria morrido de frio, desculpa, a Rebeca teria morrido de frio na barraca algum tempo depois, e ao constatar a morte da irmã, a Christine ou desistiu de viver, ou estava fraca demais para ir até o campo e procurar por ajuda, tendo ficado deitada ao lado do corpo da irmã por alguns dias, até acabar sucumbindo também. Ela ficou deitada, esperando a morte chegar do lado da irmã morta.
Puta que pariu, velho. Que final horrível. Eu tô vendo as fotos aqui da barraca. É. Gente, a teoria, o que a galera especula é que depois que o Talon morreu, elas provavelmente queriam morrer também. Claro. É, mas não sabem se foi isso.
Ou se foi porque elas também já estavam tão fracas de giardias e de desnutrição que elas não estavam nem conseguindo raciocinar que elas estavam a poucos quilômetros de uma área de camping.
Então, ninguém sabe direito o que foi. Tem quem também considere que elas podem ter, dentro do acampamento, passado por algum tipo de delírio coletivo, tendo em vista que a Christine raspou a própria cabeça inteira, tendo em vista que os três estavam sem meia e sem sapato. Quando você falou que eles estavam sem meia e sem sapato, eu imaginei que fosse a hipotermia, porque no final dá aquele calorão.
Mas eles não teriam tirado a roupa inteira? É, então. Daí foi quando eu vi que todo mundo tava sem roupa, sem tênis e sem sapatos, eu falei, parece uma coisa meio que eles estavam fazendo de propósito. Eu fico pensando se eles não começaram a pirar que tinha rastreador nas solas dos sapatos, alguma coisa assim, sabe?
Porque eles estavam na pira de que remédio não podia porque os tais chips que controlam as pessoas estariam nos remédios. Eu fico pensando se com a doença, né? As jardias e mais tudo que estava acontecendo e tal, se eles não...
Se eles não estavam com essa paranoia cada vez maior Em decorrência da fragilidade dos corpos também, né? Não dá pra saber Não dá pra saber mesmo Os corpos foram identificados pela documentação disponível no acampamento E mais tarde as identidades foram confirmadas por exame de arcado dentário
A Jara, que era a parente mais próxima, ela foi contatada pela polícia no dia 11 de julho, dois dias depois que eles foram encontrados, e ela tentou entrar em contato com o Eric, mas a Rebeca era tão reservada sobre o relacionamento com o pai do filho dela que ela nunca tinha revelado o nome completo dele para a Jara. Então a Jara não sabia como encontrar ele. Ela só sabia que o pai do filho da Rebeca chamava Eric.
O pai do filho da Rebeca Chamava Eric Era isso que ela sabia dele Que eles trabalhavam juntos e que ele chamava Eric Caralho Deixa eu te mostrar essa foto da família A Jara é essa do meio Que tá abraçada com as duas A Rebeca é que tá abraçada com o Talon Que tá com o rosto coberto E a Christine é que tá abraçada com o Tommy Que é o marido da Jara Que é indígena Olá
A foto da família, gente, vai estar... Vai ilustrar o episódio. Vai estar no nosso Instagram, tá? Essa foto que eu tô comentando com a Nath. Esses são eles. O Eric ficou sabendo da morte do filho da mesma forma que ficou sabendo do seu nascimento. Através das mensagens de condolências de seus colegas de trabalho que leram sobre as mortes nos jornais. Que desespero, gente. Que horror.
E as famílias do Eric, da Christine e da Rebecca seguem tentando se recuperar do que aconteceu. A Jada diz, só espero que minhas irmãs possam ensinar as pessoas que não se pode viver isolado da sociedade sem experiência. Aquelas montanhas são implacáveis. Mas vá em frente, desliga a internet, desliga a TV, volte a viver praticamente como nos anos 80. Só não tente viver isolado da sociedade. Não.
E essa é a trágica história da família Vance, gente. Como eu falei no começo, é uma tragédia mesmo, porque você... As pessoas, elas foram vítimas delas mesmas, né? O que me corta o coração é o Talon, que não tinha absolutamente nada a ver com isso e que foi arrastado pra morte pela pessoa que deveria protegê-lo, né? Isso, mais uma vez, reforça...
Obviamente que eu critico e julgo elas por terem feito isso com o Talon, porque elas eram as pessoas adultas levando uma criança para o meio do mato. Mas isso também reforça o perigo que é você acreditar em teorias de conspiração.
Sem que você acreditar no que você lê na internet, gente. Eu pensei, porque para mim isso é uma psicose. Porque assim, você questionar o que você lê, questionar o que o governo te fala, questionar o que as notícias te falam, é 100% saudável. Mas ela só é saudável se quando você, ao questionar, não substitui o que o governo está te falando com uma teoria que veio do cu de alguém.
Você só está substituindo algo lógico por algo completamente ilógico, algo completamente irracional, algo que não tem sentido, não tem fundamento. E eu acho que também tem o ponto de que nenhuma mudança drástica de vida devia ser inteira baseada em meia dúzia de abobrinha que você ouviu de um estranho da internet que você não sabe nem que qualificação que tem. Basicamente isso.
Porque vê, ela guiou todo o novo começo de vida dela com base em curso vendido por uma mamãe blogueira. Ah. Com experiências que ela tirou do quê? Tipo, você tem uma pessoa vendendo curso de apocalipse. Que, obviamente, não passou por nenhum apocalipse. Ah.
Não, e é isso que eu tô falando. Você tá questionando o governo e a sociedade e o que a mídia ou o que estão te contando e daí você tá falando beleza, esse mundo está perdido. E daí você substituiu tudo que você já sabia, tudo que estão te falando que você agora acha que é mentira com algo que alguém tirou do cu.
Não é algo lógico, com embasamento científico, com embasamento... Não é algo coerente. É algo que alguém literalmente tirou do cu.
Sim. Então você substituir uma... É muito importante você questionar. Sempre questione. Só que você não pode substituir uma resposta que tem embasamento científico com algo tirado do cu. Você não pode substituir algo que funciona, algo que é seguro com algo tirado do cu.
E tem um detalhe, tá? The Survivalist Mom mora numa casa de fazenda, tá? É claro que mora. E tá vendendo curso na internet. Ela tá falando pra todo mundo, não conte os seus planos pra ninguém. Ela tá vivendo a internet. Você percebe a incoerência? Ela tá contando os planos pra todo mundo, os planos dela. Ela tá vendendo os planos dela num curso.
Ela tá falando pra você se preparar pro fim da sociedade, pra você se isolar. E ela tá fazendo isso da casa dela, sentada na internet, conversando com milhões de pessoas, né? Milhares de pessoas. Enquanto vivendo na sociedade. Por que que essa senhora não está vivendo off-grid, não está vivendo a margem da sociedade?
Exatamente. E aí, esse é o tipo de... Sei lá, pra mim, essa é uma versão criminal, obviamente escalada, dos seguidores do Leverking, sabe? É. Mas sabe, é engraçado, você já viu essas mulheres que são thread wives, né? Que são as esposas tradicionais, antifeministas, que falam que o feminismo trouxe muita...
infelicidade para mulheres um dos exemplos que está mais na mídia é a Erika Kirk que é a esposa do Charlie Kirk que foi assassinado brutalmente no ano passado
A Érica, ela vai agora, ela faz turnê pelos Estados Unidos, falando de como o marido dela era uma pessoa maravilhosa e de como há felicidade no casamento, na submissão, de que uma mulher não precisa ter uma carreira, de que a verdadeira vocação da mulher é ser mãe.
e ter filhos, e é assim que ela encontra a verdadeira felicidade, que você não precisa ir buscar a felicidade fora da sua casa. Só que... Diz ela em sua carreira, né? Diz ela em seu dia a dia fazendo turnês, né? Só que a Erika Kirk... A Erika Kirk, ela tem faculdade...
ela tem uma carreira ela toca o negócio do marido morto e ela tá fazendo uma tournée pelos estados unidos e quem tá cuidando dessas crianças ninguém sabe porque desde que o marido morreu ela tá fazendo tournée falando
de como ser uma thread wife, de como ser uma esposa tradicional, de como rejeitar o feminismo, de como rejeitar a, entre aspas, ideologia trans, de como rejeitar a modernidade. O que eu acho engraçado é que se não fosse o movimento feminista, ela não poderia fazer tudo. Ela não poderia fazer nada disso, mas ela usa isso pra falar que você tem que abrir mão da sua independência e ter três filhos com um merso. Pra ela poder manter a dela, né, te vendendo o curso. Exato. E aí
Então, assim, e essas mulheres, você vai ver essas mulheres na internet que falam que uma mulher tem que ser submissa, todas elas têm uma carreira. Todas elas, nenhuma delas está dependendo do marido.
Você viu essas Threadwife, que depois foram pegas todas no Olifé? Sim! Fazendo milhões no Olifé? Sim! Porque aí elas vêm, na verdade, elas têm todo um business que é vender conteúdo adulto nesse contexto de Threadwife. Sim. Então, na verdade, elas falarem, não, as mulheres não têm que trabalhar. É parte do discurso que faz elas venderem foto adulta. Exato! Porque elas têm uma carreira. Porque é o homem que compra, o homem que vende. É.
Elas não se submetem para os maridos porque elas sabem que você submeter a sua independência financeira para o marido ou para qualquer pessoa que seja é uma puta de uma furada. É, é verdade. Porque quando você submete a sua independência financeira para uma pessoa, você precisa, homem ou mulher, você precisa, normalmente vai dar certo. Você achou um parceiro legal, você achou uma parceira legal, vai dar certo, vai funcionar.
Mas sempre tem aquele caso em que você submeteu toda a sua independência financeira para uma pessoa e agora você tem que aceitar uma situação bosta que você não gostaria de aceitar. E muitas vezes essa situação é abusiva.
Deus queira que não, se você é uma pessoa... E, gente, eu não tô falando de mulher dona de casa, tá? Eu tô falando de uma pessoa que, literalmente, tá falando pra você não ter o seu dinheiro, sabe, só ter filho, não ter a sua carreira, não estudar, simplesmente viver do seu marido, enquanto ela tem uma carreira.
E eu queria muito, eu procurei muito, gente, material para falar sobre esse tipo de relações parasociais e psicose envolvendo comunidades online. Mas não existe estudo, eu não encontrei pelo menos nenhum estudo...
Claro que se você procura só estudo, vai ter os estudos meio suspeitos, sabe? Eu não encontrei nenhum estudo confiável, nenhuma fonte confiável, estudo que tenha, assim, analisado pessoas, analisado casos, não encontrei. Porque eu acho que é uma coisa meio recente, eu acho que a gente está ouvindo falar mais disso com o conceito de AI psychosis, né? Psicose de IA.
Mas eu acho que a gente tinha que falar mais e entender melhor sobre o que acontece em determinados casos para as pessoas terem esse nível de... Eu não sei nem o que é isso. Eu não sei se elas são extremamente delusional com a vida. Eu não entendo se é uma... Eu não sei, uma falta de... Eu não sei, uma paranoia?
um transtorno esquizoso, eu não sei. Eu acho que não vai tão longe. Eu acho que não vai tão longe. É que a gente está acostumado já a pensar no diagnóstico, mas eu acho que não vai tão longe. Eu acho que vai simplesmente o mundo decepciona muito. Não. A vida, a sociedade, a política decepciona muito. Então a gente quer...
a gente quer soluções, a gente quer alternativas, e a gente não vai achar nos meios comuns. Então, a gente começa a achar essas respostas em teorias e histórias e possibilidades diferentes. O que aconteceu na pandemia? Todo mundo estava em casa, todo mundo estava cronicamente online.
E daí você começa, se você tem um pouquinho da teoria do antivacina, daí você se conecta num fórum que tem 30 mil pessoas que também são antivacina. Daí se você é uma pessoa que acha que você pode sobreviver ao apocalipse no meio do mato, agora você está cronicamente online falando com 20 mil pessoas que também acham que vão sobreviver no meio do mato. Daí se você acha que a Terra é plana,
ou que o feminismo trouxe a infelicidade do mundo e todas as mulheres são interesseiras e elas merecem morrer por causa disso, agora você está se conectando com 100 mil caras que estão subindo montanha para achar que é homem e você acha isso normal, porque daí vira uma echo chamber, uma câmera de eco que só respeite a mesma teoria que você já tinha.
Eu fico só inconformada, porque tipo, eles chegaram em agosto. Eu tenho certeza que no final de outubro, começo de novembro, eles já viram que aquilo não era sustentável. Claro! Como que eles não foram embora? Mano, se você chegou... Em novembro, você já ia estar... Como que você não pelo menos viu e não falou assim, deixa eu mandar alguém buscar o Talon?
Porque isso aqui não é pra ele. Sabe? Como que você... Eu não sei. É uma coisa que eu não consigo entender. Mas eu acho que é por isso que eu quero acreditar que teve algum surto. Porque aceitar que elas não salvaram nem o Talon por teimosia é uma coisa que não me desse. Muito embora eu acho que seja extremamente provável que tenha sido teimosia. Mas...
Mas assim, a partir do momento, eu acho que isso é muito básico do ser humano. Você tá sozinho, no frio, com uma verminose, tentando viver de miojo. Você percebe, como que você não sente que você vai morrer se ficar assim? Como que você tá nessa situação e você pensa, it's fine. Três metros de cocô, Natália. Tem isso também, a pilha de cocô, ela congelou no inverno, né?
Caralho, velho. Então, provavelmente, é por isso que elas não estavam se importando com o cheiro. Porque quando elas estavam ali, não devia estar fedendo. Porque a pilha começou a se formar. Quando a terra começou a congelar, elas não conseguiam mais enterrar as próprias necessidades. Porque elas estavam fazendo isso no começo, nesse vídeo. Sim. Aí a pilha começou a crescer.
Eu não sei, eu realmente não sei. É um negócio que, assim, muita gente não se conforma. Tipo, gente, eles estavam a uma distância a pé razoável do acampamento. Então, mas eu acho que foi o que eu te falei. Tipo, você tem... O mundo decepciona muito. Daí você acha alguma coisa que você acredita.
Daí você tem contato com milhões de pessoas, com milhares de pessoas que também acreditam naquilo e ficam reenforçando suas ideias. Quando você vai pro meio do mato, você não quer voltar pra sociedade, porque você acredita, você foi feito acreditar que o que você tá fazendo é o correto. E se é o correto, você tem que terminar. É igual eu cantando Boys Don't Cry na festa. Você tem que terminar.
Você não sabe o que você está fazendo, mas você tem que terminar. Daí eu acho que vira uma coisa, tipo, você também começa a falar eu não posso voltar para a sociedade porque a sociedade talvez não exista mais, talvez eu esteja sozinho já, entendeu? Você já começa a entrar em umas piras. Porque as suas ideias todas foram reenforçadas. Então eu acho que não é nenhuma psicose, eu acho que é simplesmente...
você realmente começa a ficar cego de acreditar. Você realmente acredita que aquilo é real porque aquilo foi reenforçado pra você. Sei lá.
Bom, gente, conta pra gente o que vocês acham, se vocês já conheciam essa história, se vocês têm algum caso pra recomendar de gente que se perdeu no meio do mato ou que foi pro meio do mato e as coisas deram errado. Conta pra gente. Nossa, eu fiquei puta. Mas, nossa, eu... Ah, eu fiquei com essa história na cabeça por muito tempo. Porque, pra mim, são mortes que não tiveram sentido, que não precisavam ter acontecido. É a tragédia grega, né? É uma trag... Não tinha por que acontecer.
Elas causaram o próprio fim horrível que elas tiveram e o Talon era o inocente, não tinha nada a ver com isso. Não sei, é muito triste. Eu acho muito triste. Bom, Renata, eu odiei, mas nota 10 pelo roteiro. Muito obrigada. Eu fiquei bem revoltada. Nossa, não, é senseless. Não tem motivo. São tragédias que não precisavam ter acontecido. Não precisavam ter acontecido. É apenas isso.
E você vê, elas costuraram de um jeito que ninguém sabia pra onde elas realmente estavam indo. Então ninguém tinha nem onde procurar por elas. E a mulher que causou tudo isso, a mulher que ensinou elas o pouco que elas não sabiam, ela tá na casa dela, quentinha, na frente da lareira, tá comendo, tá bebendo.
passando creme. Não tem vermes. Não tem verme. Tomou remedinho quando fica doente. Lendo a Bíblia dela de cabeça pra baixo. Lendo só o que interessa, né? Só os salmos e o apocalipse. E o Velho Testamento. Parabéns. Parabéns. É muito triste, é muito revoltante. Vaca. Bom, vamos dormir.
Eu adorei. Muito obrigada. Que bom. E muito obrigada, ouvinte, pela sua audiência. Não se esquece de se inscrever no nosso canal. E até semana que vem. E tchau, tchau.
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