O erro de Lula, o PT e a rejeição aos liberais
No Ponto de Partida React, hoje com Luiza Silvestrini, Pedro Doria reage a comentários da audiência do Meio sobre a rejeição no Senado do nome de Jorge Messias, indicado de Lula, para a vaga no STF. Em seguida, responde a cobranças de "autocrítica liberal".
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Pedro Doria
Luísa Silvestrini
Yasmin Reston
- Indicação Jorge Messias ao STFDerrota do Planalto e de Lula no Senado · Disputa de poder em Brasília e o Banco Master · Perda de capacidade de leitura política de Lula · Críticas à indicação de nomes para o STF · Degradação da democracia e do STF
- Congresso NacionalCongresso com mais poder que o Planalto e o STF · Disputa por espaço e poder entre os poderes · A importância das emendas e a negociação política · Erros de cálculo político e a relação Planalto-Congresso · A nova república sendo redesenhada
- NeoliberalismoLiberalismo como minoria e a dificuldade de convencimento · Liberalismo pragmático vs. utopias socialistas e conservadoras · O esgotamento do modelo neoliberal e suas consequências · O papel do Estado e a atuação de governantes como FHC, Clinton e Blair · A crítica ao neoliberalismo e a distinção com o liberalismo democrático
- Polarização e preferências eleitorais no BrasilRelevância de Renan Santos em pesquisas eleitorais · Metodologia da pesquisa Atlas e suas distorções · Críticas à comunicação digital do MBL e Renan Santos · Desenvolvimentismo de Renan Santos vs. liberalismo de Pedro Doria
Oi, gente! PDP React dessa semana no ar! Eu sou Yasmin Reston, como vocês podem ver, sou Luísa Silvestrini, e estou aqui com o Pedro Doria. Oi, Pedro! Doutora Luísa, como vai, Vazmissi? Muito bem, e o senhor? Muito bem, obrigado. É, pois é. Continuou bem, tá? Depois da gravação do PDP. Foi leve essa semana? Mais ou menos. Até que foi, não. Até que foi mais pra leve.
Pois é. Não sem críticas aos liberais e aos neoliberais, mas trouxemos aqui, ele vai responder para a gente e também vai falar sobre a derrota do Planalto e do presidente Lula no Senado com a indicação vetada de Jorge Messias ao STF. É isso, né? É isso. Haja assunto essa semana. Vamos falar.
Oi, gente, chega mais. Esse aqui é o ponto de partida React desta sexta-feira, 1º de maio de 2026. Como vocês podem ver, eu não sou a Yasmin Restum, que deu no pé e me deixou aqui com o Pedro Doria no feriado. Oi, Pedro. Tudo bom, Luísa? Fogo e vê-la também. Ah, é sempre um prazer, chefe. Aham.
Bom, vamos começar pelo PDP da quarta-feira então, Pedro, que você até esperou para gravar, né? Porque foi quentíssimo logo depois da derrota do presidente Lula no Senado, né? Com a rejeição do Jorge Messias para o STF e vou te contar que a galera não te atacou muito nesse aí não, tá? Pegaram live com você, estão falando mais da votação mesmo. Incrível.
Bom, vamos lá. Então, a primeira participação, Ila Gomes, 1816. Polícia Federal está atrás do irmão do Alcolumbre, que colocou uma monta de dinheiro no Banco Master. E a Nazaré também manda mensagem, indo por essa mesma linha de raciocínio, dizendo Alcolumbre está vendo a PF atrás dele. Muita gente questionando o quanto de Banco Master tem nessa história da rejeição do Messias.
Eu acho que não tem, não. Quer dizer, veja, Luísa, vamos lá, vamos reformular a coisa. O que eu quero dizer, em essência, é o seguinte. Tudo em Brasília, no momento, tem a ver com o Banco Master sempre. Eu já ouvi de mais de uma fonte, e já falei isso, tanto no Central quanto em pontos de partida, que a conta de...
a conta ali em cima de um papel de pão, sabe, que você faz. A conta de padeiro dá que um terço de Brasília está no Master. Então, não é só o Alcolumbre. Mas aquilo não, aquilo foi uma disputa de poder. O Alcolumbre disse que não queria o Messias. E ele foi para o pau com o Lula.
E o Lula não teve poder de mudar o cenário. Eu acho que a principal história que fica é uma história de uma derrota gigantesca do presidente Lula por não entender o jogo no qual ele estava se metendo. E insistir na indicação. E insistir na indicação. Quer dizer, eu acho que não é menos insistir na indicação.
Mas uma coisa de timing mesmo. Ele perdeu o timing. Ele apresentou o Messias no momento em que ele achou que ia ganhar. E tinha senadores do PT que achavam que ia dar. O Planalto não soube ler o Senado.
E isso é muito grave. Esse erro de compreensão, esse erro de leitura, é perda de capacidade de leitura política de movimento. Então, é um problema político que o presidente tem.
Certo. A Valéria escreve aqui pra gente dizendo, eu tô aqui tentando entender por que vocês, liberais, ela coloca entre aspas, estão tão contentes com a derrota do Messias. Por que contente? Vamos lá. O que que eu acho?
fazendo uma leitura liberal. Tudo é um horror. Tudo é um horror. Mas não é que as indicações do Lula sejam um horror. Não é que as indicações do Bolsonaro sejam um horror. Não é que as indicações do Michel Temer sejam um horror. A gente simplesmente desistiu de pensar no Supremo como o lugar para o qual vão...
Os grandes juristas do país, tá? Que não são nenhum dos indicados dos últimos anos, entende?
quais são as exceções? Barroso é um baita no jurista. Gilmar Mendes tem problemas éticos, mas é um baita jurista. Joaquim Barbosa é um baita jurista. A gente perdeu isso. A gente tem grandes juristas na academia brasileira. São essas as pessoas que... Carmem Lúcia. Fachin e Carmem Lúcia são pessoas muito íntegras. Elas não são conhecidas como grandes constitucionalistas.
Isso é uma coisa que é uma coisa muito própria do mundo ali, dos juristas, que é quem são os grandes nomes e tal. E a gente não tem esses nomes no Supremo. Não tem. As indicações dos presidentes da República na última década são essencialmente indicações políticas. Quem que vai defender o meu quinhão?
Sabe? Às vezes é certa, às vezes erra, mas o jogo virou isso. E isso vai fazendo do Supremo um tribunal menor. E vai fazendo do Supremo um tribunal cada vez mais político. Então, neste sentido, o Pedro Liberal, olha, é ruim.
Entendeu? O desenho institucional não é esse. Isso é uma degradação da democracia que parte dos presidentes da República. Mas parte um bocado também do Supremo Tribunal Federal que se prestou a se tornar também uma corte cada vez mais política e cada vez menos jurídica.
Então, por esse ponto de vista, não é que eu esteja satisfeito com a derrota do Messias. Veja, ele não foi derrotado pelos senadores por causa das razões certas. Ele não tem estatura para o cargo. Ele foi derrotado pelos senadores porque o Alcolumbre queria o Pacheco, que não tem estatura para o cargo. Então, tipo, eu não estou satisfeito ou insatisfeito, eu estou lendo.
Agora, como jornalista, quando você vê uma coisa que é muito diferente, quando você vê uma coisa que a notícia berra na sua cara, e ontem, a gente está gravando na quinta-feira, foi ontem a votação, ontem uma coisa muito diferente aconteceu. Ficou muito patente como Lula leu toda a situação muito errado.
E isto não é comum, porque o Lula costuma ler muito bem esse cenário. A gente tem esses políticos, né? Michel Temer, Gilberto Kassab, Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu. Você tem esses políticos que são esses leitores de cenário. Entendem o que está acontecendo. Eu não sei o que quer dizer esse erro imenso do Lula.
Mas tem algum significado aí que a gente vai explorar. Isso foi uma coisa de um momento? Ou isso foi uma coisa de ele estar perdendo amanhã? Eu não sei. Então, esse diagnóstico do erro de cálculo político, de leitura política, trouxe vários comentários também contrários à sua argumentação no ponto de partida de quarta-feira.
Principalmente por causa disso que você acabou de colocar, de que a rejeição foi pelos motivos errados. Então, Marilha, Mariland de Fátima, acho que é Mariland. Lula errou feio ou foi traído por puro despeito, rancor, descontentamento de políticos inescrupulosos. Rejeitar o Jorge Messias e aprovar nomes como Cássio Nunes e André Mendonça é de perder a esperança no Congresso. Reforma política urgentemente, ela diz.
Luísa, a lei não se trata de rancor, não. Não se trata de ressentimento, não. A disputa é por poder.
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O Alcolumbre não está magoado com o Lula, o Alcolumbre quer botar um nome dele no Supremo Tribunal Federal. Ele vai conseguir. É que eu acho que a traição a que ela se refere, e aliás isso foi ontem na reação do Lula, isso aparece, né? É que, como você colocou aqui, foi pelos motivos errados e a prerrogativa de indicar o ministro era do presidente, mas a prerrogativa de vetar também era do Senado, né?
O presidente indica, o Senado rejeita. Veja, isso é disputa política, isso é disputa de poder, isso é disputa de espaço. Isso é o jogo do Congresso Nacional há algum tempo. Mas isso não acontecia desde o século XIX, né? Isso não acontecia desde 1894. Mas o problema aqui é o seguinte.
O Congresso, no momento, tem mais poder que o Palácio do Planalto. O Supremo Tribunal Federal hoje tem mais poder que o Palácio do Planalto. E o Supremo e o Congresso estão em disputa, estão disputando espaço, estão disputando poder. Lula é peça fraca. Isso é um jogo de equilíbrio de forças no Planalto Central acontecendo.
Não se trata de rancor, motivos errados e tudo mais. É uma guerra brutal de poder político, de espaço político. A nova república está sendo redesenhada. E a partir daí, o que um grande político, um político hábil faz? E o Lula não fez.
Você entende a correlação de forças, você não briga com a realidade. Você compreende a correlação de forças e você joga em cima dela. E você usa a sua habilidade para mover as peças de forma que os seus objetivos sejam cumpridos. Essa coisa de, ah, houve uma traição, traição de quem?
O governo liberou uma quantidade imensa de dinheiro para os senadores quando eles aprovaram Flávio Dino. Não entregou o dinheiro em emendas. Quem que traiu? Aí as pessoas... Teve um comentarista que... Não, você trata como se fosse normal esse jogo. Olha, esse jogo é normal. Esse jogo é normal.
se chama pork barrel, isso faz parte do jogo em qualquer democracia. Em qualquer democracia. Entendeu? No fim das contas, políticos estão ali movidos pelos seus interesses. E seus interesses em democracias costumam, e é isso que a gente conta que aconteça, costumam estar interligados com os interesses dos seus eleitores.
Entendeu? Por quê? Porque o político quer ser reeleito, então ele quer levar benefícios para os seus eleitores. É isso que é a verba. O político que quer ser ministro, ele quer ter poder de estabelecer políticas públicas, porque isso vai beneficiar os eleitores dele e, portanto, vai continuar a fazer com que ele seja reeleito. Às vezes, o varejo desse jogo pode parecer sujo. A gente pode concordar que no Brasil esse jogo está muito exagerado.
E esse jogo está muito exagerado no Brasil. Agora, isso acontece por quê? Por causa de erros de cálculo político. Isso acontece porque, num determinado dia, a Luísa Mercadante chegou à conclusão de que sabia o que era o jogo que estava acontecendo na Câmara, se atirou numa determinada eleição para presidente da Câmara, e Severino Cavalcante terminou eleito.
Isso acontece porque, num determinado dia, Dilma Rousseff decidiu meter, aliás, com a Luís Mercadante novamente, meter uma faca nas costas do seu vice-presidente Michel Temer. Tomou-lhe um tombo. Entendeu? Você vai acumulando esses erros de leitura política na relação do Congresso e o resultado, aos poucos, foi um de que o Congresso foi construindo...
Foi feito por gente como Arthur Lira, como Eduardo Cunha? Foi. Mas o fato é que, com o passar do tempo, esses erros de leitura de dentro do Palácio do Planalto Petista foram levando a um determinado tipo de dinâmica, que é a dinâmica que a gente vê agora.
E a entrega das emendas na gestão Bolsonaro. A entrega das emendas na gestão Bolsonaro, claro, mas a entrega das emendas na gestão Bolsonaro foi feita porque o Bolsonaro era tão incompetente na lida com o Congresso quanto a Dilma. Mas também porque o Congresso já estava com mais poder do que tinha antes.
Entendeu? Então as coisas se somam. É claro que a incompetência do Bolsonaro faz parte desse jogo. É claro que esse troço é um acumulado de coisas. O Temer não era incompetente, muito pelo contrário, na lida com o Congresso, mas ele era um presidente extremamente fraco, porque ele tinha o Rodrigo Janot, que era o Procurador-Geral da República, atirando as flechas dele. Então, o Temer precisou entregar, a Dilma precisou entregar tudo para o Congresso, entregou e não conseguiu sustentar.
O Temer entregou tudo para o Congresso e conseguiu se sustentar. Bolsonaro entregou tudo para o Congresso e conseguiu se sustentar. Lula está de volta, não consegue reequilibrar o jogo. Mas aí eu vou até fazer um cross do central meio aqui, vou fazer uma pergunta diretamente para você. Tem como negociar num cenário em que a pessoa com quem você está negociando não quer nada do que você tem para dar?
Porque o Congresso hoje não precisa de nada que o Executivo tenha para dar. A gente viu o parlamentar recusando o Ministério, eles querem as emendas. Ou as nomeações, que aí também é você abrir mão de uma prerrogativa para atender ao presidente do Senado. Veja, é muito mais difícil. É muito mais difícil, mas não é impossível.
No fim das contas, quem assina o cheque do dinheiro que vai para o Congresso ainda é o presidente da República. Então, emenda empenhada não é emenda paga. Enquanto alguém no poder executivo, pode ser um ministro de Estado, não assinar a transferência de uma determinada verba para ser alocada para uma determinada emenda, nada acontece. E o Planalto usa esse poder, usa mal esse poder, mas usa esse poder.
Além disso, o Planalto ainda é um canhão de comunicação. Ele tem ainda uma capacidade imensa de se comunicar com a sociedade. O problema é que ele não sabe se comunicar com a sociedade. Existe pressão popular. A pressão popular simplesmente não é a favor do governo. Por quê? Porque o Planalto sistematicamente escolhe pautas que não são populares.
Entendeu? Por que que permitiu que o seu ministro da Fazenda fosse apelidado de Itachade? Entendeu? Por que que... Você começa a... Tem um acúmulo de erros. Tem um acúmulo de erros nesse governo. E o Lula está muito cercado de mais isso, todo mundo fala.
Daquilo que os americanos chamam, e todos os nossos espectadores vão entender exatamente o que a expressão quer dizer, o Planalto está cheio de yes-men, que são aqueles assessores que falam para o Lula exatamente o que ele quer ouvir. Não era assim o Lula nos primeiros dois governos. Então, o Lula está operando às cegas, a Janja tem poder demais, tem influência demais.
Ele operou durante dois anos e meio com uma comunicação muito ineficaz, só consertou no primeiro semestre do ano passado. Então você, cara, essas coisas todas se juntam. O Planalto está mais fraco, mas isso não quer dizer que o Planalto não tenha poder. Tem, e ainda pode usar, e ainda faz diferença. Mas...
Esse discurso de traição, o Planalto trai muito também. O Planalto deixou de cumprir muita promessa feita pelos parlamentares, numa circunstância em que eles têm mais poder. O Lula, antigamente, nunca deixava de cumprir promessa feita parlamentar.
Michel Temer nunca deixou de cumprir promessa feita parlamentar. Fernando Henrique Cardoso nunca... O parlamentar entende quando você se vira e fala, eu não posso te prometer isso. Mas depois que você promete, você tem que cumprir. Esse é um jogo, o jogo da política, em que a palavra empenhada tem muito peso. E as pessoas são conhecidas pela palavra empenhada. A coisa que mais pesou ontem...
na votação que derrubou a indicação do Jorge Messias, foram as emendas não pagas que foram prometidas quando da aprovação do Flavidino. Certo. Vamos ao PDP de segunda agora, Pedro. Você falou sobre o manifesto do PT contra o neoliberalismo, né? E aí chegou bastante coisa sobre isso, com provocações aos liberais, claro. Você estava esperando alguma coisa diferente? Nem ocorreu que pudesse acontecer.
Bom, a Jade participa dizendo, acho que está na hora dos liberais começarem a fazer uma autocrítica, onde erramos na comunicação? E aí eu já queria emendar em mais mensagens sobre isso, de liberais também, como você, que começando aqui pela Thalita.
Ela diz que não se sente ofendida como liberal quando se critica ou se demoniza o neoliberalismo. Ela diz, entendo uma distinção clara e mantenho críticas similares às da esquerda ao sistema neoliberal. Não acho que o PT estava se referindo a nós liberais democráticos.
E o Yuri Pinheiro entendeu da mesma forma, ele diz que a crítica não é sobre os liberais, muito pelo contrário, a crítica é sobre o modelo econômico neoliberal que vem causando desigualdade nas últimas décadas. Houve um esgotamento desse modelo. A fome caiu no início, muito por causa do fim das guerras e de uma maior cooperação entre os países. Mas todos os países que passaram a dominar o mundo fizeram isso com forte atuação do Estado, inclusive os Estados Unidos. Vamos lá.
Primeiro, o primeiro comentário a respeito da autocrítica dos liberais. Olha, não nos escapa a percepção de que viramos uma minoria na sociedade e que isso evidentemente está diretamente relacionado ao fato de que não somos capazes de conquistar pessoas.
Então, a gente não precisa de uma autoflítica porque a realidade...
Ela não se disfarça, sabe? Ela joga na cara de vocês. Ela joga na cara, entendeu? Está absolutamente compreendido que temos tido pouca capacidade de convencimento das pessoas. Agora, existe uma razão para isso em particular, que é... Tem uma coisa que é muito difícil você encontrar, muito difícil, que é liberar o ultracarismático. É um tipo de político muito raro.
Porque o liberalismo é muito pragmático. Diferentemente do conservadorismo e do socialismo, o conservadorismo e o socialismo têm na sua base uma promessa de utopia. Entendeu? O socialismo tem na sua cabeça, mesmo que não seja possível na prática para alguns socialistas,
O que o socialismo almeja é um mundo ideal. É um mundo em que todos têm as mesmas condições econômicas e todo mundo tem uma vida farta. Mas isso me parece utópico. É claro que é utópico. É claro que é utópico. Mas o que o socialismo quer...
É trabalhar para que aquele mundo seja possível um dia. Mesmo que você nunca consiga, a meta do mundo socialista, do pensamento socialista, é uma utopia. O que o socialista tem para vender é uma utopia. Olha, existe um mundo perfeito ali na frente. A gente precisa trabalhar na direção daquele mundo perfeito. Claro que alguns socialistas acham que aquele mundo é atingível, outros socialistas acham que aquele mundo não é atingível.
Mas você parte de um modelo mental que é utópico, que é uma utopia. E o conservadorismo idem. É claro que para alguém de esquerda, o mundo conservador ideal, que é aquele mundo estável de famílias heteronormativas todas sorridentes, com café da manhã margarina, toda aquela coisa. Aquilo pode soar para uma pessoa de esquerda como um horror, uma coisa assim.
Mas aquilo é também uma utopia. Aquilo é também um mundo idealizado. Aquilo também é um mundo idealizado. O liberalismo é diferente nesse sentido. O liberal não acredita em utopia. O liberal não tem um mundo ideal.
Não é como a gente pensa politicamente. A gente não tem uma meta, o mundo perfeito é daquele jeito. Não. A gente está preocupado o tempo todo de criar regrinha para a gente não entrar em guerra um com o outro. Entendeu? A gente está o tempo todo preocupado em ter o suficiente.
Entendeu? A maior utopia que o filósofo liberal já pensou foi o movimento do século XIX em inglês, início do século XIX em inglês, chamado utilitarismo, que prometia, olha, a cada decisão a gente vai tentar tomar a melhor decisão para a maior quantidade possível de pessoas. E se a maior quantidade possível de pessoas é 60%, então é isso. Entendeu? Se é 40%...
Porque os outros grupos se dividem em grupos. Então é isso. É difícil você vender um sonho, porque o trabalho de todo político na sedução é a venda do sonho. É difícil vender um sonho quando o cerne da sua ideologia política é não acreditar em sonho. É não acreditar que sonhos sejam possíveis. É simplesmente ter de lidar com...
Olha, o natural de nós aqui é a gente se atracar, então vamos negociar. Vamos topar regras de negociação e vamos nos forçar todo mundo a vir para a mesa. Tipo, a gente acredita que o convívio é possível. A gente não acha que esse convívio vai ser amistoso e as pessoas vão se amar. E que todo mundo vai beber uma Coca-Cola e vai ser feliz.
Embora a gente defenda o direito da Coca-Cola de vender a Coca-Cola dizendo que... O ponto que eu estou dizendo é, existem políticos carismáticos liberais? É claro que existe. Barack Obama. Mas é raro, Luísa.
É raro, é bem raro. A maior parte dos políticos liberais são Fernando Henrique Cardoso. Entende? É um cara bem intencionado, é um cara competente, é um cara preocupado com dado, com número, com governança. Mas ele está preocupado com as coisas práticas do dia. Ele não é aquele cara... Mas ele ganhou duas eleições. Ele ganhou duas eleições porque ele resolveu a economia do Brasil.
Mas na primeira ele não tinha resolvido. No plano real já tinha estabilizado a economia. É verdade. Então, essa é a parte da autocrítica. Mas então essas entregas também são complicadas de fazer, né? Porque ele fez uma entrega e ele foi eleito.
E ele entregou muito para o país. Enfim, a gente não precisa discutir o governo Fernando Henrique Cardoso todo, mas ele arrumou muito o Estado brasileiro para o Estado brasileiro funcionar. É aquela coisa que ninguém vê, que não é aquela coisa bonita na vitrine. É aquela coisa que permitiu o governo Lula 1 e o governo Lula 2.
deslanchar num momento bom de economia do mundo. O Estado estava organizado, estava arrumado, estava enxuto, estava azeitado. As peças estavam todas funcionando para que as coisas, as políticas públicas pudessem ser entregues. E isso é um pedaço que é muito difícil de explicar e que as pessoas, em geral... Mas, enfim, o ponto não é esse. Eu entendo os liberais que falam...
Eu não me sinto ofendido porque eu não sou neoliberal. E está tudo certo. Eu também não sou neoliberal. Acreditem. Era de nós que os petistas estavam falando. Não era de outra pessoa. Era de Fernando Henrique Cardoso. Era de Bill Clinton. Era disso. É do sistema que permitiu o enriquecimento do mundo. Que fez mais do que qualquer outro sistema na história para eliminar a fome do mundo. Porque essas coisas o liberalismo entrega.
Só que o mundo não é perfeito. E o operário no Ocidente se ferrou. E a classe média no Ocidente estagnou. E isso tem consequências políticas. Então, o que o liberalismo produziu dos anos 90 para cá? Jogou no chão a fome. Trouxe para a classe média um número sem precedente de seres humanos. Enriqueceu muito.
fez crescer muito o PIB das duas regiões mais pobres do planeta, que são Ásia e África. O que é tudo isso? Isso é abertura de mercado. Isso é negócio sendo feito mais rápido, isso é livre trânsito de moeda, isso são países fazendo mais negócios entre si. Isso é puro liberalismo. Não neoliberalismo, puro liberalismo.
Isso gerou muito trânsito de dinheiro e enriqueceu muitos países. Enferrou com os operários do Ocidente e estagnou a classe média no Ocidente. E tanto operários no Ocidente quanto a classe média no Ocidente foram para a extrema-direita.
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Mais de 15 milhões de pessoas do mundo todo já usam e confiam. Afinal, quem sabe, vai de Wise. Baixe o app da Wise hoje ou visite wise.com. Termos e condições se aplicam. Então, aí o PT se vira e fala, olha o que o neoliberalismo criou. É disso que eles estão falando. Eles estão factualmente errados na crítica.
O neoliberalismo não criou fome. O neoliberalismo, o que eles chamam de neoliberalismo, que é a política do consenso de Washington, que houve... Eles não estão falando de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, que é o que eu chamo de neoliberal. Eles estão falando de Bill Clinton, eles estão falando de Gerard Schrader, eles estão falando de Fernando Henrique Cardoso, eles estão falando de Ricardo Lagos, eles estão falando de Tony Blair. Entendeu? Cara,
Esses governantes, o que eles entregaram para o mundo é o que demais já foi entregue para as sociedades humanas na história do planeta. E ferrou com o ponto de equilíbrio das democracias do Ocidente, que são a classe média e a classe operária.
O liberalismo não trabalha com mundos perfeitos, você mexe numa peça aqui, a outra... E não é previsível, sabe? Você não sabe como é que essas peças vão se mexer. Você sabe que o balanço vai ser bom. Mas você não sabe quando peças começam a... Então, eu simpatizo com meus confrades liberais.
Mas é na gente que os petistas estão pensando. Não se enganem achando que é de outras pessoas. Não é com a gente mesmo. Agora, não ia faltar uma provocação sobre Renan Santos, né? Ah, claro. Você passa algum dia sem receber uma mensagem sobre Renan Santos, Pedro Doria? Nenhum. Então tá, vamos lá. A de hoje é do Miguel. Miguel diz o seguinte, Pedro, você errou numa coisa. Renan Santos, um dos candidatos da direita, é expressamente contra a anistia para Bolsonaro. Importante corrigir isso.
Então, correção feita. Só que o Renan tem traço nas pesquisas, junto com o Aldo Rebelo. Gente, vamos lá. O Renan só aparece relevante em uma pesquisa, que é na Atlas. Certo? Nas pesquisas sérias. E a Atlas tem uma metodologia muito particular que aumenta a presença de tudo que é muito forte na internet.
E diminui a presença de tudo que é muito fraco na internet. Quando o Renan chegar em 4 ou 5% na YPESP, no IPESP, Datafolha, Quest, Meia Ideia, qualquer uma delas, eu começo a tratar o Renan como um candidato relevante.
Eu não estou dizendo que a Atlas não seja uma boa pesquisa. Ela é uma boa pesquisa, é uma excelente pesquisa. Todas as pesquisas têm questões metodológicas. Cada metodologia vai trazer um determinado tipo de distorção. Então, para você acreditar que um fenômeno está acontecendo, você tem que ver esse fenômeno se repetindo em mais de uma pesquisa. Se só está numa pesquisa aparecendo de um determinado jeito, é porque aquilo é algo que a metodologia daquela pesquisa leva...
Aquele tipo de distorção. E eu não estou falando de distorção estatística no sentido de ah, então está errado. Não, não, não. Toda metodologia tem um tipo de distorção. A Atlas tem muita facilidade de falar com classe média. Muita facilidade. Porque classe média está toda na internet. O DataFore tem dificuldade de falar com classe média quando faz pesquisa no meio da rua.
Porque essa coisa de pontos de fluxo, gente de classe média é sempre muito ocupada. Nunca para para responder a pesquisa. Então, cada metodologia tem sua limitação. Eu tenho zero implicância com o Renan, com o MBL. Vamos lá, eu tenho...
problemas, que são críticas, eu acho que eles são irresponsáveis na maneira como conduzem a comunicação digital deles. Irresponsáveis. Eu tenho um problema pessoal ideológico com o Renan, que é, ele é desenvolvimentista.
E isso é, do ponto de vista econômico, a coisa mais distante que pode estar do modelo ideal que eu considero do ponto de vista político. Mas isso é o Pedro analista de política liberal. Entende? No momento que o Renan chegar a 4 ou 5% em mais pesquisas boas...
Eu levo ele a sério como candidato, porque levar a sério como candidato fica ruim posto desse jeito. Como candidato viável. Exatamente, leva a sério a viabilidade da candidatura. Muito obrigado. E vou batalhar para entrevistá-lo, como a gente está batalhando para entrevistar o Zema, o presidente Lula e o Flávio.
Então é isso, mas eu admiro muito a presença continuada dos comentaristas pró-Renã. Ele tem uma coisa que nenhum outro candidato tem, que é seguidores muito batalhadores nos caixas de comentário no meio.
É verdade, todo dia tem um, pelo menos. É isso. Tem às vezes mais de um, mas vocês estão sempre lá. Então é ótimo, tá tudo certo. Nem doeu, né? Bom, gente, então tá. PDP React é encerrado, você tá liderado. Muito obrigado. Se cuide, beba uma água neste feriado e tenha um juízo, mas não muito. Semana que vem a Yasmin tá de volta, então até a próxima. Tchau, tchau.
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