Na corda bamba
Um lugar pro seu dinheiro e um nome pra sua rua
No primeiro ato: uma corrida aos bancos e uma corrida de avestruzes se encontram. Por Carolina Moraes.
No segundo ato: a batalha entre a esperança, a paz, e a amizade nas ruas da Maré. Por Mariana Filgueiras.
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Palavras-chave: Banco Master, Daniel Vorcaro, Avestruz Master, FGC, FDIC, Redes da Maré, ONG, mapeamento comunitário, Beco da Amizade
Carolina Moraes
Consuelo Diegues
Eliana Souza
Mariana Filgueiras
Vitor Hugo Brandalisi
- O caso Banco Master e a fragilidade do sistema financeiroAvestruz Master e a corrida aos bancos · A Grande Depressão e a quebra da bolsa de Nova York · Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) · Fundo Garantidor de Crédito (FGC) · Banco Master e suas operações de risco · Daniel Vorcaro · Consuelo Diegues · CDBs com rendimentos atípicos
- A história da nomeação das ruas na MaréO plano de Carlos Lacerda e a criação da Nova Holanda · A associação de moradores e a escolha dos nomes das ruas · Eliana Souza · O primeiro mapeamento completo da Maré · Dálcio Marinho · A disputa por nomes de ruas duplicados · Decretos de Marcelo Crivella e a mudança de nomes · A luta por CEPs e placas de rua
- Funambulismo e o espetáculo do perigoOrigem e significado do termo funambulismo · Funambulistas na Grécia Antiga e nos Jogos Olímpicos · Funâmbulos no Império Romano e a lei dos colchões · Travessias ousadas das Cataratas do Niágara · Charles Blondin e O Grande Farini
- Inteligência Artificial no BrasilRevolução tecnológica e o papel do Brasil · Pesquisas brasileiras em IA · Áreo podcast · Instituto CUNUMI
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Rádio Novelo.
Tá começando o Rádio Novelo Apresenta. Eu sou a Branca Viana. Esses dias eu ganhei uma palavra nova para o meu vocabulário: funambulismo. Não confundir com sonambulismo, é funambulismo mesmo, com F. As duas têm "ambulismo", né, que vem do latim, significa "andar", mas enquanto sonambulismo começa com "sonus", de sono, né, andar dormindo, o "funis", de funambulismo, vem do grego e significa "corda". Ou seja, o funambulismo nada mais é do que uma modalidade do equilibrismo.
A façanha de atravessar o espaço com só um fio entre você e o chão. Na Grécia Antiga, os funambulistas vestiam branco igual os membros do Senado, porque se acreditava que eles tinham a proteção dos deuses. Mas quando começaram os Jogos Olímpicos, eles não foram chamados para participar. Diziam que o que eles faziam não era esporte, era arte. No Império Romano, os funâmbulos também não eram bem-vindos nas competições esportivas.
Um historiador escreveu que o que eles faziam, aspas, "não refinava nem o corpo nem a mente e só poderia ser descrito como violento e perigoso". Mas mesmo assim ninguém resistia ao espetáculo, que aliás nem sempre tinha final feliz, né? A graça tava justamente aí, no perigo real. Pra evitar tragédias, um imperador chegou a promulgar uma lei que exigia a presença de colchões embaixo da corda bamba. Ao longo dos séculos, os equilibristas foram ficando cada vez mais ousados e subindo a alturas em que os colchões nem iam fazer diferença nenhuma.
No século 19, várias pessoas atravessaram as Cataratas do Niágara, entre os Estados Unidos e o Canadá. Teve até uma rixa entre dois equilibristas que ficavam tentando se superar: o Charles Blondin e o William Hunt, que também atendia pelo nome artístico de O Grande Farini. O Blondin foi o primeiro a conseguir atravessar as cataratas. Ele até parou no meio do caminho para tomar uma taça de vinho e depois voltou com uma máquina fotográfica para tirar foto da multidão.
Depois, o Grande Farine fez a mesma travessia dando cambalhota e depois carregando uma pessoa nas costas. O Blondin triplicou atravessando de olhos vendados. O Grande Farine não se fez de rogado e decidiu lavar uma roupa no meio do caminho. Pra superar esse feito, o Blondin foi lá e levou um fogãozinho pra corda dele. E preparou um café da manhã completo, com direito a omelete, ali a não sei quantos metros daquele turbilhão de águas.
Eu andei pensando em equilibristas por causa das histórias dessa semana. A primeira delas tem a ver com cálculos de risco, que são inerentes à arte do funambulismo. Ela também envolve colchões e quedas. E mais não vou dizer. Depois de um rápido intervalo, eu deixo a palavra com a Carolina Moraes.
A inteligência artificial está em toda parte e parece cada vez mais difícil imaginar o nosso mundo sem ela.
Se a gente ficar brigando contra as máquinas como a gente fez lá na Revolução Industrial, a gente vai ficar para trás.
Essa é uma revolução tecnológica que mobiliza grandes potências e empresas bilionárias. E aí a gente se pergunta: será que o Brasil é um mero espectador dessa corrida? A resposta é não. Em laboratórios espalhados pelo país, cientistas brasileiros desenvolvem pesquisas de ponta em IA, com potencial para transformar profundamente o nosso dia a dia, o jeito que a gente trabalha, se protege e se conecta. Eu sou o Filipe Forattini, do Instituto CUNUMI, e nesta temporada do Áreo, converso com cientistas e estudantes do Brasil sobre pesquisas que expandem as fronteiras da inteligência artificial, natural e, acima de tudo, coletiva.
Área é um podcast do Instituto CUNUMI produzido pelo Estúdio Novelo. Ouça nas principais plataformas de áudio.
Vitor, você lembra o que você me falou quando eu te chamei para fazer essa pauta do Banco Master juntos?
Ah, eu honestamente não lembro, Carol.
Esse é o Vitor Hugo Brandalisi. Normalmente aqui na Rádio Novelo a gente tenta fazer com que as pessoas cubram a especialidade delas. Seja artes plásticas, esportes, enfim. Mas nesse caso você falou assim para mim: "Eu sou o pior entendedor de Banco Master de todos os tempos." E falou que a gente ia ter um ignorante na sala.
Então melhorou um pouquinho de lá para cá, mas vou te dizer que não muito, viu?
Acontece que às vezes o contrário também pode ser bom. Ter alguém participando da pauta que sabe muito pouco do assunto. Porque esse aqui não é um podcast especializado sobre nada, né? A gente quer falar com todo mundo. E o repórter, que também não é especializado, ele tá ali pra fazer as perguntas que esse ouvinte também pode estar fazendo. Eu achei isso meio ótimo, porque a real é que eu me senti exatamente assim quando a gente tava fazendo Avestruz Master, que foi uma série que a gente fez aqui pra Novelo sobre um outro golpe financeiro master.
E que eu só fui entendendo melhor assim o que que era esse golpe quando a gente se liberou para fazer umas perguntas meio bobas, meio vergonha alheia, do tipo: "Que que é sistema financeiro?" Esse tipo de coisa. Dando um resuminho para quem ainda não escutou Avestruz Master: a série é sobre essa empresa de mesmo nome, Avestruz Master, que vendeu centenas de milhares de títulos de avestruzes para investidores espalhados por boa parte do Brasil.
Deu muito errado. E os detalhes saborosos estão ali na série. E eu, se sou você, vou correndo escutar. Assim que terminar esse episódio, tá? Continua aqui agora. Mas eu contei pro Vitor que foi uma coisa que aconteceu com o Avestruz Master que me fez entender melhor o problema do Banco Master. Tinha muita coisa que podia ter feito o Avestruz Master cair. Mas o que rolou foi meio que uma corrida ao banco. Ali em 4 de novembro de 2005, especificamente, foi quando a coisa começou a ruir de vez pra Avestruz Master.
Porque foi o dia que o escritório principal ali, que ficava em Goiânia, num lugar super chique e movimentado, fechou. Porque começou uma boataria enorme em Goiânia de que Avestruz Master não tinha os fundos pra pagar todo mundo que tinha investido em Avestruz. Então começou um pânico generalizado das pessoas tentando reaver o seu dinheiro. Teve um cara que a gente entrevistou que disse que nesse dia acabou o estoque de Lexotan em Goiânia.
Mas as consequências iam muito além do fornecimento de ansiolíticos. Porque a empresa estava tão entranhada na vida financeira da cidade, do estado, que ela quebrar ia ser um baque imenso. Mas eu confesso que eu não sabia até esse momento o que uma corrida aos bancos podia fazer. O que um monte de gente tentando reaver seu dinheiro era capaz de criar no sistema financeiro, do caos que isso podia criar.
Afinal, dinheiro não é ilimitado, né?
É exatamente esse o ponto. Não tem dinheiro infinito, né? E aí assim, eu vou ter que voltar um pouco aqui no século passado e para os Estados Unidos, mas eu prometo que vai fazer sentido. Fiquem aqui comigo e com o Vitor. Vitor, fique comigo. Acho que você já deve saber que em 1929, a quebra da bolsa de valores de Nova York causou um estrago um pouquinho maior do que a quebra da Vestuário Smaster. Foi o começo da Grande Depressão.
E nessa época teve milhares de corridas aos bancos. Isso porque nos anos anteriores tinham brotado milhares de bancos na praça, com origens mais ou menos duvidosas e contabilidades mais ou menos sólidas. Daí, quando a bolsa despencou, esses bancos não estavam preparados pro baque. Um banco entrava em crise e os correntistas iam lá. Aí o pessoal, vendo aquilo, corria pro outro banco sacar o dinheiro delas. Aí aquele banco também falia.
Aquilo tudo jogou o sistema financeiro inteiro em queda livre. Daí, em 1933, o governo norte-americano resolveu colocar tipo um colchão, que foi o Federal Deposit Insurance Corporation, que é conhecido como FDIC. Esse colchão, o FDIC, existe até hoje. É uma agência independente do governo em que os bancos todos botam uma grana em nome da preservação coletiva. Ele garante que se um banco quebrar, os correntistas dele podem receber até $250 mil do valor investido lá.
Isso para impedir um pânico generalizado das pessoas vendo um banco falir e correndo para saquear outro. Então, a lógica é: você, Vitor, foi lá, investiu um dinheirinho no Banco Master, né, por exemplo. Se esse banco quebra, o que que esse fundo vai falar para você? A gente te garante "Que a gente vai te devolver esse dinheiro. Vai demorar um pouco, vai ser meio chato, mas esse dinheiro volta." Então, isso faz com que outros bancos não quebrem, né? E eu não sabia, mas no Brasil a gente tem um também.
Quando você fala em garantia, aí eu pensei que podia talvez ser o FGC.
Exatamente, é o FGC. A parte que eu achei muito legal é que ele não foi criado no Brasil para mitigar uma crise, ele foi criado para evitar uma. A gente não tava— Aqui, o FGC, o Fundo Garantidor de Crédito, surgiu há bem menos tempo, foi em 95, logo depois do Plano Real. Já tinham rolado várias trocas de moeda, inflação galopante, o confisco do Collor. Vamos dizer que as pessoas não tinham essa fé toda no sistema bancário. Então o FGC era pra ser um colchão também.
Até agora, o FGC já foi ativado mais de 40 vezes. Então é um mecanismo que funciona, ainda que a gente só esteja sabendo agora no noticiário, nos lengos, ele funciona há muito tempo. E assim, só contando rapidamente o que que você pode fazer se você quer ativar o FGC. Só pode ativar o FGC se o banco quebrar, declarar falência, declarar que ele não pode de jeito nenhum pagar o que você colocou lá. E aí você, ele cobre até R$250 mil por CPF ou CNPJ de investimentos de baixo risco.
Então a galera que tá apostando alto na bolsa, fazendo as operações mega de risco, elas não podem ativar o FGC. "Mas você, Vitor, que colocou o seu dinheirinho ali no Banco X e esse banco quebrou, você pode pedir até R$250 mil de volta." Dá um certo alívio assim pensar que tem como reaver. Sim, mas eu vou puxar teu tapete um pouco aqui. Mas a real é que quando a gente olha para o Banco Master, nosso outro caso master, já que a gente está nos golpes masters hoje, o FGC ele acabou sendo usado, e aí assim, isso não é culpa do FGC, tá?
A gente já vai chegar nisso. Mas ele acabou sendo usado como uma das peças do golpe do Banco Master, quase como uma forma de transformar essa segurança que o FGC pode dar como uma moeda de aposta. E a verdade aqui, Vitor, é que eu sozinha seria bastante incapaz de entender como é que o Banco Master chegou nisso tudo. E aí, por isso que a gente foi atrás da pessoa que descobriu que esse novo golpe tava na praça.
Alguém que ia salvar a gente da ignorância.
Eu não sou uma pessoa, gente, muito boa em matemática, muito boa em conta. Eu confesso para vocês que eu não sou essa pessoa.
Essa é a Consuelo Diegues, que é repórter da revista Piauí. E ela tá sendo modesta. A Consuelo já cobriu de tudo: as origens do bolsonarismo, o escândalo das americanas, a tragédia de Mariana. Mas acho que um dos segredos dela ser tão boa repórter é que ela chega em praticamente qualquer assunto assim, como se ela não soubesse de nada, sem medo de fazer as perguntas básicas. E acontece que quando ninguém nem sabia direito o que era Banco Master, muito menos quem era Daniel Vorcaro, essa história caiu no colo dela.
Essa informação chegou até mim de uma fonte que eu já conhecia há muito tempo, há muitos anos, que já tinha me ajudado em várias outras matérias. Eu tava de férias E tava assim quase já voltando para o trabalho e eu recebi um telefonema dessa pessoa e ele falou: "Olha, Consuelo, tem um escândalo acontecendo na praça, uma coisa muito perigosa, uma operação muito perigosa de um banco chamado Banco Master", do qual eu nunca tinha ouvido falar.
Isso foi numa sexta-feira, no fim das férias dela. Na segunda, ela já tava no escritório dessa fonte pra entender que raios era esse Banco Master. Ela não faz ideia do que podia ser essa "operação perigosa" que o Master tava fazendo. Mas já dava pra ter uma ideia do tamanho que o banco tinha tomado. E do quão esquisita era a rapidez desse crescimento. De 2019 a 2024, no espaço de só 5 anos, o patrimônio líquido do Master passou de R$219 milhões para R$5 bilhões.
Daí, nessa conversa, esse cara começou a contar para Consuelo como que o banco conseguiu fazer isso nesse tempo.
Tinha assim muito número, muita explicação de fundos, coisas que eu não tava muito familiarizada, né?
Um monte de número e de palavras que eu só fui aprender agora para poder ter essa conversa com a Consuelo e com o Victor. Quanto que você quer investir no meu banco hoje?
eu vou começar com uma quantia módica de R$100.
Pronto, R$100. Dentro desses investimentos que você pode fazer com seus bilionários R$100, você pode aplicar num CDB, que é um Certificado de Depósito Bancário. É um título de investimento, você vai lá no banco, veio aqui comigo hoje, você vai pegar esses R$100 e você vai deixar por X meses, por X anos, vou te devolver com juros Depois que esse prazo passar, né? Quanto que você sabe assim do quanto seu dinheiro tá investido, Victor?
Eu sei o básico, Carol. Eu sei que, por exemplo, CDB é um investimento de baixo risco. Então eu já coloquei, já investi algumas das minhas reservas em CDBs. E aí, escutando ali a explicação do pessoal do banco, eu sei que se você coloca o teu dinheiro ali, se aproxima de um valor ali do CDI, começa a aparecer as novas siglas, né?
Mais uma: CDI, Certificado de Depósito Interbancário. Então, pegando os seus R$100, Vitor, o que que isso vai render a partir dessa taxa? Vai render tipo uns R$14 e pouquinho todo ano de dinheiro bruto, assim, né? É um dinheiro ali que dá mais ou menos, não chega a 1,5% ao ano. Se você pegar uma taxa um pouquinho melhor, tipo de 100,5%, Esse ganho também não muda muito nesse valor baixo que a gente tá falando de R$100, né? Sobe alguns centavos.
A diferença de verdade ela começa a aparecer quando a gente fala dos títulos mais agressivos, que não são muito comuns inclusive, né? Porque como eu falei, CDB, ele é considerado um investimento seguro e portanto não rende muito, né? E foi por causa desse dado específico que a Consuelo começou a desconfiar do Banco Master. Eles ofereciam CDBs que não eram nem de 100%, nem de 100,5%. Chegavam a 130% do CDI. Depois saíram reportagens contando que chegavam até a 140%.
Pra emitir esses CDBs, esses investimentos, os bancos têm que ter lastro, uma garantia. A Consuelo explicou pra gente que isso faz parte, inclusive, de uma convenção internacional que normatiza todos os bancos. E quando ela começou a olhar para isso, quase 2 anos atrás, ela percebeu que o Master tinha uns 40 bilhões emitidos em CDB e tinha um patrimônio que não chegava a 3 bilhões. Então, um banco pequeno, que não tinha muitos recursos, tava prometendo um super rendimento. Ou seja, o Master tava fazendo operações arriscadas.
Eles tinham fundos de investimento que, em tese, daria um lastro para esses CDBs. Olha, se eu não conseguir pagar esse CDB, eu tenho um fundo aqui que vale 10 bilhões, 20 bilhões, sei lá. Bom, fato é que quando você ia olhar, as empresas que estavam dentro desses fundos eram todas empresas quebradas.
O que eles ofereciam como garantia de rendimento era o dinheiro de empresas que estavam fadadas ao fracasso. E não era só isso. Os números do balanço da empresa não batiam direito. Parecia que eles estavam fazendo uma maquiagem nas contas do banco. E ainda assim eles estavam crescendo super rápido sem ter muito problema com nenhuma autoridade.
E eu perguntava para minha fonte: se eu, que sou essa pessoa que tem dificuldade de fazer regra de três, como que o Banco Central e a CVM lotaram cercados de especialistas, não perceberam isso.
A Comissão de Valores Mobiliários é um braço do Ministério da Fazenda que controla tudo que tem na praça do mercado de valores. Então qualquer investimento, qualquer ação que uma pessoa como a gente pode comprar, tem que passar pela fiscalização da CVM. No caso da Avestruz Master, inclusive, eles tiveram que dar vários bailes na CVM para conseguir continuar as operações irregulares. Mas no caso do Banco Master, rolou uma outra chamada da CVM, mas ficou por isso mesmo.
Não aconteceu nada que colocasse em xeque essas operações de risco. A Consuelo não fazia ideia da extensão que o Master, ou Banco Master, tinha naquele momento. E que a gente já sabe agora. Do quanto ele é conectado com políticos, com outras pessoas conhecidas por "mutreta" no mercado. Mas já tinha várias evidências de que tinha alguma coisa errada com o banco. E a Consuelo queria entender quem era esse cara e como ele estava emitindo esses títulos com taxas tão altas.
O Banco Master, ele foi comprado pelo Vorcaro. Esse banco se chamava Banco Máxima, já era um banco super problemático, tinha milhares de operações fraudulentas. E o Vorcaro operava com esse banco, não como banqueiro, mas ele tinha negócios com esse banco.
O Daniel Vorcaro tentou comprar esse banco em 2017.
Só que ele não recebe autorização do Banco Central para operar. O Banco Central fica pedindo documentação, documentação, documentação.
Mas aí, em 2019, no governo Bolsonaro, quem assumiu a presidência do Banco Central foi o Roberto Campos Neto. E ele autorizou o Master a operar quase 6 meses depois que ele ocupou esse cargo. Aí o Vorkaro fez como vários outros bancos e empresas fazem: ele foi atrás de amizades influentes. Ele estabeleceu salários na faixa de R$100 mil para os membros do comitê consultivo e começou a procurar figuras que pudessem dar credibilidade para o banco dele, incluindo políticos e ex-políticos.
Até o vice-presidente da Caixa, na época, prestou serviço de assessoria para a presidência do banco.
Aí eu falei: "Bom, como que essa pessoa que ninguém tinha ouvido falar, esse Daniel Vorcaro, já tem essas relações todas?" Eu falo: "Eu tenho que conversar com essa pessoa, entender quem é essa pessoa, como que ele montou essa estrutura." E aí eu peço uma entrevista para ele e ele concorda e me dá essa entrevista.
Uma entrevista que aconteceu no prédio do Master, em São Paulo.
Eu entro lá no prédio, que é esse Pátio Vitor Malzoni, que é o prédio mais badalado da Faria Lima. Estão todos assim, tá o BTG, tá lá, tem grandes empresas lá, é o prédio da Faria Lima, a joia da coroa da Faria Lima. Eu começo a conversar com ele e pergunto: "Nossa!" Ele fala: "Eu tenho 4 andares aqui." Eu falei: "Quanto custa o aluguel de cada andar?" "R$560 mil por mês." mês para um banco que tinha começado a operar há pouquíssimo tempo.
O cara tem 4 andares no Victor Manzoni. Aquilo já era assim um absurdo. E aí eu vou descobrindo, ele tem prédio na avenida mais cara de Miami também, o banco tem sede lá, tem no prédio mais caro de Londres. Era uma uma fortuna em aluguéis, que como é que você explicava que esse banco, que é um tamburete, gente, que é como o mercado chama banco pequeno, não é banco, é tamburete, podia ter esses 4 andares no Vitor Malzoni?
Quando o Vaccaro foi dar um tour para Consuelo, ela achou tudo mais estranho ainda.
Ele me mostra o prédio, as salas, Curiosamente, meio vazias. Ele disse que era hora do almoço, mas para um banco que operava tanto, você olhava as salas, não tinha ninguém. Era meio estranho, né? Aí ele fala...
Mas tinha ali os postos de trabalho, tinha as mesas e os computadores.
Sim, tinha mesa, um computador ou outro, tinha mesa, tinha um ou outro. Todo mundo almoçando, sabe? A uma hora da tarde, sei lá, saiu o prédio inteiro, ou meio-dia e meia, todo mundo não volta, não vai um, volta outro. E aqui nesses bancos aqui, quando eu fui fazer perfil, de outros gestores do mercado, de outros banqueiros. Eu fui, você entrava na sala de operação, é lotada o tempo todo, lotada. É ali, não.
E como que explica essa operação esquisita? Esse banco que opera nas margens, sobre o qual ninguém sabe, mas que ocupa esse tipo de prédio no coração financeiro de São Paulo? Foi o que a Consuelo perguntou para o próprio Borcaro.
Ele me explica que ele era um outsider, porque o mercado não gostava dele, porque ele era de Minas.
Nunca fui um "farialimer", nem da sociedade paulistana, nem da sociedade de Belo Horizonte eu era. Então assim, era totalmente fora, né?
Ele não é de lá, não era um cara do mercado. Ele vem do mercado imobiliário, o histórico familiar dele é do mercado imobiliário em Belo Horizonte. E vira banqueiro.
Mesmo sabendo um pouco mais de onde o Vorcaro veio, ainda é difícil entender como ele ganhou tanta influência. A Consuelo foi embora da sede do Master e continuou com a apuração para tentar responder essa pergunta. O primeiro negócio que ele tocou foi na área da educação, quando ele tinha 19 anos. Tudo isso que eu tô contando, aliás, são das reportagens da Consuelo na Piauí. O Vorcaro, ele se aproximou de herdeiros que tinham uma gestora de recursos com quem ele fez outros negócios.
Ainda jovenzinho, ele entrou no ramo imobiliário com o pai. E ele deu um cano milionário na prefeitura de Belo Horizonte, na construção de um hotel de 37 andares. Entre 2010 e 2017, o Vaccaro participou de um esquema que aplicou um golpe em institutos de pensão públicos. E o Banco Central não viu problema em nada disso. Quando o Vaccaro foi confrontado com os dados que a Consuelo compilou durante toda a apuração, então os fundos ligados a empresas falidas, um monte de CDB emitido com rendimentos absurdos, o patrimônio banco inflado, ele se defendeu.
Diz que era tudo inveja de outros banqueiros. "Só que eu cheguei aqui, né, sempre com um pouco de ousadia e também de conhecimento nessas questões de estrutura empresarial, de muita coisa." Mas a Consuelo cutucou o Vercário também com os gastos homéricos dele com dinheiro do Master. Ela já sabia a essa altura que o balanço do banco indicava que eles não tinham dinheiro para pagar nem os fundos que iam vencer naquele ano, 2024.
Que dirá todo o resto. E pra piorar toda essa situação financeira, o Vorcaro tava dando festas imensas, contratando artistas famosos, tipo o Alok, que tem um cachê altíssimo, em festas que aconteciam até fora do Brasil, tipo em Miami. Não era pouca grana.
E ele fala pra mim: "E se eu for fazer a festa de casamento, eu vou gastar muito mais. Inclusive porque teve um banqueiro aí que foi casar a filha em Israel, gastou muito mais e ninguém falou nada." Então tinha todo esse sentimento dele também de ser um outsider.
E fazia sentido essa reclamação dele? Do tipo, realmente essa galera gasta pra caramba e ninguém fala nada?
Eu acho que até pode fazer algum sentido. Eu nunca vi nada como essa coisa dele, esses gastos dele. Eu nunca vi nenhum banco fazer isso, nenhum grande banco ou banco médio, porque era uma coisa fora do normal. Né? Mas isso, gente, eu não sabia ainda dessas outras coisas. 15 milhões, que uma pessoa que já tá há décadas no mercado, você até pode compreender. Um cara que acabou de chegar é meio estranho, né? O cara que vem do mercado imobiliário e de repente já tá com 40 bilhões na praça. Ninguém constrói um patrimônio assim nessa velocidade, você leva anos.
E sabe a história dos CDBs que eles emitiam prometendo rendimentos altíssimos? A situação ficou ainda pior.
Você tinha duas plataformas porque o banco, ele não tem cliente dele, ele não tem cliente próprio que ele vai lá e vende um CDB. Ele tem que vender através dessas plataformas de investimento. Então ele vendia através da XP e do BTG, principalmente.
Então ali, nessas plataformas, eles vendiam CDBs.
E eles vendiam como? CDB do Master a 140% com garantia do FGC. Essa foi a coisa, aliás, gente, que mais me chamou atenção quando eu fui fazer a matéria. Eu dizia: meu Deus, esse banco está consumindo todos os recursos, quer dizer, metade dos recursos do FGC. Como é que vai ser isso? Se outros bancos quebrarem, como é que vai ser pros outros, pros investidores dos outros bancos?
Quer dizer, parte do negócio deles já era uma garantia a partir da quebra.
Exato. E assim, só fazer um disclaimer aqui: todo banco, se o tipo de investimento é um investimento seguro, que é coberto pelo FGC, eles colocam lá no contrato de que tá coberto pelo FGC. É uma coisa que tem que fazer. Então não é que essa informação tá errada. Mas o jeito que eles usavam era para falar que o investimento ia voltar com certeza, era uma garantia assim de que aquele investimento no Banco Master valia a pena. E aí essa conta ela foi ficando tão absurda, porque o patrimônio todo do FGC é de R$123 bilhões e por hora os cálculos que a gente tem do Banco Master, e que podem aumentar, indicam um uso de quase R$60 bilhões só para lidar com isso?
Nossa, eles realmente contavam aquele asterisco ali no contrato, né? Como se você fosse num restaurante e dissesse assim: "Não se preocupe, a comida tá aqui e caso ela esteja ruim, esteja estragada, leva junto ali um Sonrisal, uma Enterogermina." Parte do modelo de negócio do restaurante é oferecer uma comida estragada. Exato, comida estragada e depois o remédio.
Tudo isso que a Consuelo descobriu nessa primeira apuração foi publicado em outubro de 2024 na revista Piauí. A Consuelo encontrou muito mais informações do que a gente tá contando aqui, e eu recomendo muito que vocês leiam as reportagens que ela fez sobre esse caso. A gente vai deixar o link no nosso site. Uma parte importante para explicar como eles operaram por tanto tempo são as ligações que a Consuelo, e depois vários outros jornalistas, encontraram entre o banco e a política brasileira.
Mas voltando pro aspecto mais, digamos assim, econômico dessa história toda que a Consuelo escavou em 2024. Uma das consequências da reportagem dela na Piauí é que o mercado ficou agitado. E o Banco Central passou a ser pressionado a lidar com o caso.
Aí o Roberto Campos Neto começa a sofrer uma pressão enorme do mercado.
Lembrando: o presidente do Banco Central na época. Indicado pelo Bolsonaro.
E aí, em novembro, logo depois que saiu a nossa matéria, um mês depois que saiu a nossa matéria, ele chama o Vaccaro. Tem uma reunião do Vaccaro com a diretoria e ele fala: "Olha, se vocês não fizerem um aumento de capital nesse banco, vocês vão ser liquidados. Vocês têm 3 meses para fazer isso." Era até março.
E lembrando também que o Campos Neto teve 5 anos para chamar o Vaccaro para dar explicações. E ele só chamou em novembro de 2024, às vésperas de largar o cargo.
Sabe quantas comunicações o Banco Central fez pro Boccardo? 18! Quem é que faz 18 comunicações pro banco? Na terceira comunicação já tem que ser: "Cê está fora do mercado!" 18 pro cara se enquadrar! E o cara não se enquadra! E cada vez emitindo mais CDB, cada vez colocando mais investidor em risco. Sabe? E cada vez se envolvendo mais com político.
Quando o Banco Central finalmente tomou uma atitude, aí o resto da imprensa embarcou na cobertura. E também foi nessa hora, em dezembro de 2024, que o Vorcaro deu o passo que a Consuelo acha dos mais revoltantes. Porque é o que mais impacta a vida das pessoas.
É quando ele passa a atacar os fundos de pensão dos estados.
Fundos ligados a partidos como União Brasil, o PP e o PL no Rio de Janeiro.
O irmão do Alcolumbre fazia parte do conselho do fundo de pensão. Esse dinheiro dos funcionários públicos do Amapá, dos aposentados e funcionários e pensionistas, acabou.
As estimativas até o começo desse ano era que esses fundos colocaram quase R$2 bilhões no Banco Master. E esse dinheiro não é coberto pelo FGC. Ou seja, o dinheiro de vários aposentados e pensionistas virou pó. Até existe uma proposta em andamento para fazer o FGC cobrir esses fundos, o que ainda não foi decidido. E esses R$2 bilhões cresceram. Operações que foram feitas contra o ex-governador Cláudio Castro revelaram que só no Rio o valor estimado agora é de R$3,7 bilhões.
O que mais impressionou a gente, primeiro, é que todo mundo sabia o que o Masser tava fazendo. O Banco Central, a CVM, vários políticos. Eles esperaram a corda esticar o máximo que podia. E só tomou o noticiário quando o escândalo começou a ter desdobramentos mais políticos. O que não deixa de ser importante, claro. Quando o caso já estava dominando a imprensa, tinha agentes de mercados que sugeriam que os investidores não tivessem mais de 250 mil investidos no Master, ou seja, não passassem do valor que seria restituído pelo FGC.
A Folha de São Paulo até publicou uma reportagem em abril de 2025 contando que especialistas não viam motivos para resgatar os ativos do Master se o valor ficasse nesse limite. Mas aí o que me espantou de vez é que isso pode acontecer de novo. Meio que já tá acontecendo, na verdade. Que o Master inaugurou esse uso especulativo do FGC de um jeito que pode acontecer de novo. Entre a primeira chamada do BC para o Forcaro se regularizar e finalmente liquidarem o Master, um outro banco surgiu na praça, o Banco Pleno.
O Pleno era do Master, ele se separa do Master, abre um banco, esse Augusto Lima, com autorização do Banco Central, no mesmo momento em que o Banco Central manda para a justiça, para a Polícia Federal e para o Ministério Público, a comprovação de que ele tinha Eles tinham fraudado a carteira lá com BRB. Como isso daí vai demonstrar que o Banco Central tá tendo algum controle, tá deixando, tá tendo controle sobre as instituições que ele tá deixando funcionar?
Eles já não estão conseguindo funcionar. E para quem eles pediram ajuda já? Para o FGC. E agora tem um outro banco chamando atenção, o Digimais.
O Digimais é o banco do Edir Macedo, que tá quebrado o banco. Esse banco é ligado à Igreja Universal, e o partido, o braço político da Igreja Universal, é o Republicanos. Ou seja, você liquidar um banco desse agora pro Banco Central, quais as consequências num ano eleitoral? Então são todos os questionamentos que estão sendo feitos.
Esse banco do Edir Macedo vende CDBs por meio de plataformas que se escoram na garantia do FGC e aplica os recursos em empresas falidas. Soa familiar? E ele também tá entupido com ativos podres do próprio Master.
O Banco Central tem que mostrar para a população que ele está controlando o sistema, que ele tem condição, condições de controlar. Se não tem, tem que botar a gente lá, tem que botar tem que pagar melhor, ou seja lá o que for. Que que precisa esse banco para você ter um controle efetivo? Para a sociedade saber que o Banco Central está controlando todos esses bancos que estão surgindo aí. Se você quer abrir o mercado, ótimo, mas você não pode abrir assim, ao deus dará.
Porque assim, uma coisa que eu tava pensando, vendo você falar aqui da falta de coragem do Banco Central, por exemplo, né, de atuar efetivamente Manda 18 avisos, mas não faz nada. Além disso, é a contaminação de 3 poderes e a coisa acontecendo ao longo de muito tempo e pessoas ali colocando seu patrimônio. Escutar isso pra mim, assim, como cidadão, dá vontade de, não sei, tirar todo o dinheiro do banco e colocar embaixo do colchão.
Porque senão, quem é que tá cuidando? É falta de confiança. Ninguém tá cuidando do pouco que você consegue guardar. Ou quem tá cuidando do que você consegue guardar, no fim das contas, né? Uma sensação ao ver esse noticiário de falta de confiança, que o teu dinheiro pode evaporar a qualquer momento a partir de um exemplo como esse, né?
Não sei.
Na hora dessa entrevista, eu tava acompanhando de São Paulo e o Vitor tava com a Consuelo no estúdio no Rio. E eu percebi, vendo os dois na câmera, que ele ficou bem abalado com o que ele ouviu. A gente tinha ido de reserva, que é como um colchão para o investidor, direto para investidor tirando dinheiro do banco "para colocar embaixo do colchão", que é exatamente como essas corridas começam. E eu não quero menosprezar o tamanho desse rombo.
O Haddad, quando ele ainda era ministro da Fazenda, chegou a chamar o caso de, abre aspas, "a maior fraude bancária da história do país". E ele não tava aumentando o caso. São mais de 1 milhão e 600 mil investidores lesados, fora todos os pensionistas. Mas eu queria te contar uma coisa que eu só descobri depois dessa conversa que a gente teve com a Consuelo, e que me fez olhar de um outro jeito assim pro FGC. E antes eu queria te fazer uma pergunta: você tem carro?
Eu tenho carro.
E esse carro tem seguro?
Esse carro tem seguro. Ai meu Deus, o que que você vai me dizer?
Não, tá tudo bem. E como que você se sente sabendo que seu carro tem seguro assim? Qual que é quando você sai, tem uma batida, tem uma coisa, como é que você fica?
Aí eu sou uma pessoa, acho que Eu sou muito otimista, então nunca vou pensar que vai ter um acidente. Eu não vou pensar que vai ter um acidente. Mas eu penso mais assim se meu carro estragar e eu precisar de um guincho, sabe?
Perfeito, achei bom você ser otimista e também parece cuidadoso no trânsito, porque tem gente que dirige como se não houvesse amanhã assim. E eu descobri conversando com alguns especialistas de economia que várias pessoas que têm um seguro, que seja de carro, que seja de qualquer coisa, O que elas sentem no momento em que elas têm o seguro é que elas meio que podem dar uma liberadinha. Então, assim, tudo bem dar uma arranhada, tudo bem dirigir com um pouco menos de cautela.
E isso é um fenômeno discutido por vários economistas, porque quando a gente olha para um fundo como o FGC, o FGC meio que tem que prever no desenho dele, de como ele vai funcionar, que a partir do momento que alguém tem um colchão para cair, talvez ele fique mais de boa com a queda, né?
"Mas tem que levar no martelinho, tem que fazer um monte de coisa." Dá trabalho, gente, vamos dirigir.
Dá trabalho, dá trabalho. E também o FGC pegar esse dinheiro de volta vai dar trabalho. As pessoas vão ter que ir lá esperar, esse dinheiro vai demorar um tanto para voltar. E assim, tem até várias pessoas da área da economia discutindo se devia ter mudança no FGC por causa desse caso do Banco Master. Mas assim, nada disso é consenso, ainda é uma discussão que está rolando. Mas, e aí é nisso que eu queria chegar, esses dois especialistas com quem eu conversei, eles me falaram que tem mecanismos dentro da FGC para que os bancos que fazem parte, para dar uma engordadinha, né?
Então vai sair uma grana do Master, mas esses bancos podem ajudar a engordar de novo esse seguro para a gente não cair duro numa próxima.
Como alguém que não gosta de correr risco assim à toa, eu fiquei mais tranquilo ainda saber que estão discutindo maneiras de que o FGC não faça parte de um modelo de negócio podre como esse, sabe?
Sim. E cara, sabe que isso de ter gente olhando para isso, gente qualificada, foi o que mais me aliviou também? Porque voltando para o nosso outro golpe master, Avestruz Master, tem uma coisa do caso do Avestruz Master que eu acho que é, que me dá um pouco mais de segurança que do Banco Master. Opa, quero saber o que que é. Avestruz. As pessoas, quando aquele negócio foi pras cucuias e ninguém sabia o que fazer, claro, eles não rendiam quanto falaram, um monte de gente foi mesmo pro prejuízo.
Mas teve uma mulher que a gente escutou, a Silvia, que ela falou pra gente que assim que ela acordou e falou: "Puts, tô mais pobre", ela saiu correndo pra uma das fazendas. Ela até falou assim pra gente: "Eu estourei a cerca com o peito pra abrir lá os piquetes de avestruz". E ela foi atrás de pegar carne de avestruz, de pegar ovo, tentar vender, criar avestruz. E nesse caso não tem nem avestruz.
Então acho que eu não posso sair correndo do banco lá e pegar meu, minha meia dúzia de CDBs.
Como é que eu vou sair de lá com um CDB embaixo do braço? Exatamente.
No fim das contas, CDB é muito mais arisco do que o avestruz lá atrás da cerca.
Essa história foi produzida pela Carolina Moraes, com participação do Vitor Hugo Brandalisi. A gente volta já já.
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Na segunda parte do episódio, a gente traz a história de uma comunidade que está há décadas com a sensação de que está na corda bamba, sem conseguir se firmar. Quem vai contar é a Mariana Filgueiras.
Eu lembro de uma vez, quando eu era pequena, tinha uns 5, 6 anos, eu estava assistindo TV e estava passando um programa falando da morte da Elis Regina. Eu lembro de ficar vidrada naquilo. Devia ser 1986, 1987. A Elis tinha morrido alguns anos antes, mas as pessoas ainda estavam repercutindo como aquilo tinha sido uma perda imensa para a música brasileira. Eu sabia que a Elis tinha sido importante e eu sabia que ela era cantora.
E aí eu perguntei para minha mãe por que que ela tinha morrido. Minha mãe respondeu na hora que era porque ela tinha tomado whisky com guaraná. Eu fiquei impressionadíssima com aquilo. Imagina tomar Guaraná e morrer. Na sequência, minha mãe mudou de assunto, claramente não querendo se aprofundar numa história de intoxicação fatal com uma criança. Os laudos na época falavam de uma mistura não de Guaraná, mas de cocaína com álcool.
Mas aquela resposta da minha mãe me marcou tanto que eu nunca questionei. Eu lembrava disso toda vez que eu via ela cantando aqueles versos: "E hoje me embriagando..." De whisky com guaraná, ouvi tua voz murmurando: são dois pra lá, dois pra cá. Demorou pra cair a ficha de que minha mãe tinha colocado uma pedrinha de gelo nessa história. Por muitos anos, Whisky com Guaraná foi a minha manga com leite. É engraçado como algumas histórias ficam grudadas na nossa memória, né?
Outro dia eu lembrei de uma reportagem que eu fiz muitos anos atrás. Era 2012, iam lançar um guia de ruas do Complexo da Maré, que é uma das maiores favelas do Rio. Na verdade, é um complexo de mais de uma dúzia de favelas. Pela primeira vez na história da comunidade, ia ter um mapa completo da Maré com todas as ruas, becos, vielas, travessas e praças. E o meu chefe no jornal tinha me mandado cobrir aquilo porque tinha dado treta.
Era o seguinte: quando o pessoal tava fazendo o levantamento, eles viram que vários nomes estavam duplicados. A Travessa da Paz, por exemplo. Ou o Beco da Amizade. Enquanto aquilo tava na informalidade, até passava. Mas não ia dar pra entrar no mapa oficial. Porque tem uma regra no Rio, assim como em vários lugares, que não pode ter duas ruas na mesma cidade com o mesmo nome. Aí os moradores iam ter que decidir qual era a verdadeira Rua da Amizade ou o Beco da Paz.
Essa era uma história que eu contava de vez em quando na mesa do bar, porque eu achava curioso, poético até, você ter que fazer uma reunião no bairro para decidir quem merecia morar na esperança, na felicidade, no sossego. Mas outro dia eu contei para Flora Thompson de Vaux E ela ficou fascinada e quis saber mais. E aí eu fui vasculhar a minha memória e as minhas matérias antigas. Eu lembro que eu entrevistei os pesquisadores na época.
Tinha tudo quanto era nome de rua. O Beco do Tatão, a Rua da Batata, até o Beco da Ratolândia tinha. Tinha 4 ruas da Esperança, 2 ruas e 2 travessas da Paz, 2 Becos do Sossego e 2 Ruas das Flores. Na Nova Holanda, uma rua ganhou o meu amor para sempre: Rua das Maravilhas. Imagine escrever no envelope de casa: Rua das Maravilhas. Era uma rua pequena, com poucas casas e sem asfalto, mas os moradores chamavam assim. Um dos pesquisadores me disse uma frase que eu nunca mais esqueci: "As pessoas nomeiam o que elas não têm." Elas nomeiam o que elas desejam.
Eu lembrava da reportagem, mas não lembrava do desfecho da história. De como tinha terminado a disputa dos nomes duplicados. Quem tinha ficado com o direito de morar na paz ou na amizade. E aí eu fui tentar achar a reportagem pra relembrar. Eu procurei no acervo do jornal, gastei todas as palavras-chave possíveis, fiquei dias encucada com aquilo. Mas não achei rigorosamente nada. Talvez eu tivesse feito as entrevistas, mas o jornal não tivesse se interessado em publicar a pauta, afinal.
É muito comum a gente escrever histórias que acabam não sendo publicadas, que ficam para sempre na gaveta. Mas essa eu quis tirar da gaveta agora, quase 15 anos depois. Eu fui atrás da ONG Redes da Maré e tive a sorte de poder falar com o mesmo pessoal que tinha feito aquele primeiro guia. E eu entendi que pra contar essa história direito mesmo, a gente ia ter que voltar mais ainda no tempo.
Eu cheguei na Nova Holanda no início da década de 70.
Essa é Eliana Souza, diretora fundadora da Rede da Maré, que no começo nem era pra ser um bairro.
A Nova Holanda, especialmente, ela era um centro de habitação provisória, né?
No começo dos anos 60, o governo do Carlos Lacerda tava varrendo uma favela atrás da outra do mapa do Rio. O plano era transferir essa gente toda pra novos conjuntos habitacionais que estavam sendo construídos bem longe do centro, tipo a Cidade de Deus, a Vila Kennedy e tal. Só que a expulsão rolou antes desses conjuntos ficarem prontos. Então quem perdia a casa acabava indo temporariamente pra Nova Holanda, que era uma área nova que tinha acabado de ser aterrada.
Por isso o nome até: a Holanda é um país que cresceu em terras aterradas. Então os nomes das ruas desse não bairro não eram assim muito poéticos, porque não era para durar.
Tinha um lado da Nova Holanda que era da Rua A à Rua O. Então Rua A, Rua B, Rua C. E um outro lado era, por exemplo, da Rua 1 à Rua 7, 8, né?
E ali, em meados dos anos 80, na mesma época em que eu tava aprendendo fake news sobre Guaraná, essa história mudou. A Eliana era presidente da associação de moradores na época.
A gente tava querendo justamente estabelecer a ideia de não provisório, né, de permanência ali.
Então eles resolveram que não ia ter mais Rua A, B, C, ia ter rua com nome de rua, né? Brasília, que me perdoe.
Era em torno de 33 ruas e cada rua tinha um representante. A gente fez uma reunião, uma assembleia por rua E cada rua escolheu um nome.
Teve de tudo. Tinha a Rua das Rosas, a Rua dos Lírios, a Rua 25 de Dezembro, que os moradores escolheram porque é uma data em que todo mundo fica feliz. Mas surgiu também uma Rua Carlos Lacerda, de quem a Eliana e muita gente não era muito fã, por motivos óbvios. Mas paciência, a democracia é assim. Também teve rua para homenagear pessoas importantes dali da comunidade. Acabava muito a luz nas primeiras décadas ali. Então, um grupo resolveu batizar a rua deles de Eletricista José Ramos, um cara que tinha quebrado o galho de muita gente. E os nomes, eles têm poder.
Ah, eu fico sempre pensando que é um momento em que as pessoas veem alguma esperança de mudança, sabe? E, de fato, as pessoas começaram, de barracos de madeira, começaram a construir, porque elas começaram a acreditar que eles iriam permanecer realmente ali, como permaneceram. E a própria associação na época fez placas com esses nomes de rua.
Dá pra dizer que essa é uma história em câmera lenta, porque levou mais uns 10 anos pra Maré ser reconhecida oficialmente como um bairro da cidade do Rio. Isso foi em 1994. E mais uns 15 anos depois, comecinho dos anos 2010, lá tava eu. Cobrindo o primeiro mapeamento completo desse bairro.
As favelas do Rio de Janeiro, elas não estavam cartografadas, elas não apareciam no mapa da cidade do Rio de Janeiro, né?
A Eliana me explicou que no caso da Maré isso só mudou nos anos 2000, quando vieram imagens de satélite. Porque entrar na favela para mapear mesmo a prefeitura não queria. Mas eles repassaram essas imagens aéreas para a Rede da Maré fazer esse trabalho.
A gente fez o mapa da Maré, a gente enche a boca pra falar disso porque politicamente é assim mesmo que a gente se sente, porque essas distorções, a gente que foi a campo, né, fazer essas conferências, né, o Dálcio coordenou essa parte aí, né, dessa cartografia.
O Dálcio é o geógrafo Dálcio Marinho, que também tava na entrevista com a gente. A pesquisa que ele coordenou levantou quase 1.000 ruas.
Depois que a gente organizou, a gente viu, olha, tem rua que não tem nome. 105 sem nome. 105 sem nomes, entendeu?
Pior do que uma rua com nome de letra, só uma rua sem nome. Mas o Guia das Ruas da Maré saiu assim mesmo, com um monte de ruas sem nome e um bocado de ruas com nome repetido. E esse mapeamento já foi uma baita mão na roda. Ele começou a ser usado em escola, por agentes de saúde, por oficiais de justiça, pelo sistema eleitoral e até por religiosos para fazer evangelização. O guia saiu de novo em 2014, numa edição atualizada, agora com um monte de rua que já tinha nome, graças à mobilização da comunidade naqueles 2 anos. Só que o buraco era mais embaixo.
Das quase 900 logradores que Eliana mencionou, nós tínhamos cerca de 500 que não existiam no cadastro da prefeitura.
No cadastro imobiliário.
Não era só uma questão de não ter nome, era essas questões também de não existirem.
As ruas estavam lá no guia, mas essa era uma publicação comunitária, né? Pro governo municipal, nenhuma dessas vias existia oficialmente. E pra elas passarem a existir, não ia poder ter nome repetido. Foi aí que começou a "rinha das ruas". Nessa altura, você não deve tá nem lembrando mais da minha historinha de mesa de bar, né? Do Beco da Amizade, da Rua do Amor, ou da Rua da Amizade, do Beco do Amor. E é aqui que vem meu momento whisky com guaraná.
Tinha esse problema, sim, das ruas duplicadas, mas era só essa briga meio pitoresca que o jornal tinha se interessado em cobrir. E a minha memória também ficou com a parte poética da disputa. Eu não lembrava de todas as dificuldades que os moradores tinham tido para nomear as ruas ali.
Então, um exemplo: Rua das Rosas. Rua das Rosas é uma rua que já existia no Rio de Janeiro.
Na Vila Valqueire, mais especificamente. E aquela Rua das Rosas tinha entrado primeiro no mapa da cidade. Então nem ia ter briga. As Rosas da Nova Holanda iam ter que mudar. Daí eles voltaram pro mesmo método lá dos anos 80.
Fazer reunião.
Junta a galera e escolhe.
A Rua das Rosas, por exemplo, tocou por um nome de um jovem que morreu de AIDS, foi um agente de saúde, foi o Carlos Alexandre.
Aconteceu a mesma coisa com a Rua H, que tinha virado a Rua 25 de Dezembro. Como já tinha outra 25 de Dezembro no Irajá, ela acabou virando Rua Vanderlei Gomes Barcelos. Eu perguntei para Eliana sobre o nome por trás da rua e ela me contou que o Vanderlei trabalhou desde jovenzinho como porteiro na escola municipal. Dizem que ele era um cara rígido, mas muito querido pelas crianças. Também já tinha uma Rua dos Lírios no bairro Cavalcante.
Então a Rua dos Lírios da Nova Holanda se transformou na Rua Ezequiel Francisco de Araújo. O seu Ezequiel andava com um megafone e uma câmera fotográfica, fazendo anúncios pra comunidade e registrando a memória da Nova Holanda. Achei bonito que agora ele é uma parte oficial dela. E apesar dessa rodada de mexidas, as ruas que tinham nomes inéditos iam poder ficar. Tipo a Rua Eletricista José Ramos e, pra minha felicidade, a Rua das Maravilhas.
Beleza, essas decisões foram parar numa série de decretos que o prefeito agora precisava assinar. Só que lembra, essa é uma história em câmera lenta. Eram vários decretos diferentes, que foram saindo a conta-gotas. Em 2017, na gestão do prefeito e pastor Marcelo Crivella, um desses decretos mudou os nomes de 42 ruas numa tacada só, na Vila do João, outra comunidade do Complexo da Maré. E nem todo mundo gostou do resultado. A Rua 14 virou Rua do Aração.
A antiga Rua 17 agora era Rua Eden. Tinha a Travessa Perdão, a Travessa Entusiasmo, a Travessa Monticião, a da Dignidade, a da Delicadeza, a do Equilíbrio, a da Suavidade, a da Conciliação, a da Gratidão. Mas detalhe: todas elas tinham sobrenome da Vila do João. Tipo: Rua Otimismo da Vila do João, Travessa Tranquilidade da Vila do João. Muita gente achou que era um golpe evangelizante do prefeito, sem consultar a população. Mas a Eliana me contou que isso tinha sido deliberado em assembleia, sim.
Muita gente não participou, aí o grupo que tava lá escolheu, e aí depois o nome não era o nome que todo mundo daquela rua realmente queria, entendeu?
Vê se essa história serve como aviso pra você não dar um perdido na próxima reunião de condomínio.
Vai ter sempre questões, né?
Uma parte do problema era a demora. Decisões que tinham sido tomadas anos atrás e que ninguém se lembrava mais. Quando fui atrás dessa história, eu achei que eu ia resgatar um caos antigo. Mas eu acabei descobrindo que quase 15 anos depois daquele primeiro guia e mais de 30 anos depois da Maria Vera Bairro, Ainda tá rolando até hoje uma luta por CEPs e por placas de rua. Alguém consegue imaginar uma rua em Ipanema ficar sem nome, sem CEP e sem placa por mais de 15 anos?
"O Maré se tornou um bairro, mas não tem cidadania de bairro, não tem esse planejamento." Ano passado, saiu mais um decreto daqueles, que deu mais confusão. "Os moradores, eles estão cansados com tantas mudanças que não se consolidam." Então era uma letra, era um número, virou um nome, esse nome não pode mais, vai pra cidade aí, já tem esse nome, tem que mudar.
Nisso, o amor e a amizade vão se esgarçando. E a vontade de permanência, que já tava lá há décadas atrás, vai virando uma grande frustração. Mas teve uma coisa bonita que eu vi nessa última leva de alterações das ruas. A Rua 3, que já tinha sido Rua Carlos Lacerda, virou Rua Francisco José Jorge, para alegria da Eliana.
Francisco José Jorge foi o presidente do Gato de Bom Sucesso, foi diretor da Associação de Moradores da Nova Holanda. Porque foi um momento em que já tinha uma juventude mais crítica que questionou. No momento que podia mudar, que a gente falou: Nomes foram escolhidos na década de 80, mas agora a gente vai tornar eles oficiais. "Vamos mudar?" era uma outra geração que participou da reunião para mudar o nome da rua, entendeu? Então é isso, né? A história.
Ó, nem a Comissão da Verdade conseguiu fazer isso, hein, gente? A Ponte Presidente Costa e Silva tá lá até hoje.
Essa história foi produzida pela Mariana Filgueiras. Obrigada por ouvir mais esse Rádio Novela Apresenta. Você já sabe que toda quinta tem episódio novo no ar. Quem é membro do Clube da Novela consegue ouvir um dia antes e sem anúncio. Tá aqui um trechinho do episódio da semana que vem.
Ela era uma mulher muito religiosa, tinha sido criada por freiras, então ela vai se confessar para o padre e vai se dizer: olha, eu sou um homem, eu não sou mulher. E nisso vai cair na mão do judiciário, né, vai cair na mão do juiz que vai decidir a vida dela.
A gente tá cortando um dobrado para fazer o Clube da Novela ficar cada vez mais legal. Além da bolsa que vem com assinatura anual, a gente está planejando mais brindes. A gente também começou a fazer um Clube da Escuta para revisitar alguns dos nossos episódios preferidos do Apresenta e trazendo os repórteres e colaboradores para contar bastidores da feitura de cada um. Além disso, já tem 3 episódios bônus no feed exclusivo para os membros.
Pra fazer parte do clube, tem todas as informações no nosso site. A gente já volta.
Oi, aqui é a Neca Setúbal.
E aqui, a Sueli Carneiro.
A gente tá aqui pra te contar que no episódio desta semana do Escute as Mais Velhas, a conversa tá um pouco diferente.
Isso porque, pra encerrar mais uma temporada, uma jornada tão especial, a gente quis olhar para o presente e para o futuro para entender qual o legado deixado pelas mais velhas e quem está cuidando dele.
Eu entendi que era possível fazer alguma coisa sendo feminista, né? Não é só um estado de espírito, é um compromisso político cotidiano. Então acho que esse momento da universidade e dessa efervescência política me apresentaram para o feminismo.
Essa é a Laura Molinari. Especialista em direitos humanos e defensora da legalização do aborto na organização Nem Presa Nem Morta.
Se tem algo que ficou é essa certeza de que a gente precisava continuar juntas pra fazer esse negócio dar certo, assim, porque a marcha acaba sendo a nossa vitrine pública, né? Mas o que realmente acho que transforma é justamente o que acontece nos bastidores. É a conscientização política, ampliação mesmo da luta, a gente conseguindo conquistar outras mulheres para a luta e é isso que vai dando corpo à marcha.
E essa é a Juliana Gonçalves, jornalista, mestre em estudos culturais e uma das articuladoras da Marcha das Mulheres Negras.
Em dois episódios, a conversa com a Laura e a Juliana nos ajuda a entender querer saber qual é a cara do movimento feminista hoje, como se formam as feministas e quais são suas agendas mais urgentes.
A gente também quis saber como elas estão se articulando e quais os métodos usados pelas novas gerações na luta constante pelos nossos direitos.
Escute as Mais Velhas é um podcast da Fundação Tietze Tübbel, produzido pelo Estúdio Novelo. O penúltimo episódio dessa temporada já está disponível em todos os tocadores.
A gente te encontra lá!
No post desse episódio no nosso site tem links para as várias reportagens da Consuelo Diegues que a gente mencionou aqui e também pros guias de ruas da Maré, além de algumas matérias sobre a confusão que rolou na época das trocas de nome. E vem cá, cê já foi dar uma olhada no nosso canal no YouTube? A gente publica todos os episódios do Rádio Novela Apresenta lá, mas tem também várias playlists de histórias avulsas. Vale a pena ouvir de novo e vale mandar pra aquele amigo que ainda não conhece o podcast.
Tem ainda dá a aba comunidade, onde a gente coloca fotos relacionadas às histórias. Na verdade, onde quer que você ouça a gente, tudo que você puder interagir com o programa, dando uma curtida, 5 estrelas, deixando comentário, compartilhando nas suas redes, isso ajuda a gente a chegar a mais ouvintes. Para quem é de redes sociais, a gente está no @radionovelo no Instagram, no Twitter, no Threads, no Blue Sky e no no TikTok. Para quem é de email, dá para mandar críticas, elogios e sugestões de pauta para o email apresenta@radionovelo.com.br.
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Nossos repórteres e roteiristas são Vinícius Luiz, a Evelyn Argenta, a Bia Guimarães, a Bárbara Rubira, o Paulo Vitor Ribeiro, o Vitor Hugo Brandalini, a Denise e a Carolina Moraes. A Maíra Valejo é nossa trainee de criação. A Ashley Calvo é nossa produtora. A checagem desse episódio foi feita pela Ethel Rudnitsky e pela Caroline Farrar. Esse episódio teve desenho de som do Amon Medrado e do Bauer Marim, com mixagem da Bia Guimarães e da Mariana Leão.
Nesse episódio a gente usou música original de Vitor Rodrigues Dias e também www.dodot.com.br. O design das nossas peças é do Gustavo Nascimento. Nossos coordenadores de parcerias são o Pedro Lopes e a Ellen Pimentel. A nossa analista administrativa e financeira é a Tainá Nogueira e o nosso analista de produto e audiência é o Vinícius Magalhães. Obrigada e até a semana que vem!
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