Episódios de Rádio Novelo Apresenta

No dia em que o avião caiu

06 de agosto de 20261h16min
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Quando os primeiros minutos dão o tom do filme todo.

Leandro Ribeiro sempre desconfiou de que ele não era filho biológico dos pais que o criaram. Ele até tinha uma hipótese: a de que ele tinha sido resgatado entre os sobreviventes de um acidente aéreo. Por Paula Scarpin.

No dia 2 de setembro, a experiência imersiva das histórias do podcast Rádio Novelo Apresenta vai ser transportada para o MASP. Branca Vianna e os repórteres da Novelo vão subir no palco num evento com histórias inéditas. Os membros do Clube da Novelo já podem comprar os ingressos com desconto de 30%. A venda geral abre no dia 7 de agosto.

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Você sabia que a história do manguebeat também passa pela Zona Oeste de São Paulo? 

Gravado em 1994 no Be Bop Studios, o primeiro álbum da Mundo Livre S/A, Samba Esquema Noise, reuniu a produção de Carlos Eduardo Miranda e Charles Gavin e se tornou um marco de um movimento que conectou a identidade pernambucana a sonoridades e influências de diferentes partes do mundo. No dia 29.08, a Casa Natura Musical revisita esse capítulo da trajetória da banda e a conexão entre Recife, São Paulo e um dos álbuns mais importantes da música brasileira com um show enérgico e pulsante. Assinantes da Rádio Novelo têm 20% na compra do ingresso. Assine para saber mais e confira a programação completa de shows da Casa em www.casanaturamusical.com.br

Palavras-chave: história de nascimento, identidade, bebês, maternidade

Participantes neste episódio5
B

Branca Vianna

Host
F

Felipe Foratini

Convidado
L

Lânia

ConvidadoAdvogada
L

Leandro Ribeiro

Convidado
P

Paula Scarpin

Reporter
Assuntos8
  • Revelação da troca de bebês e busca por família biológicaLânia·Rodrigo Pacheco·Clínica de Guarulhos·DNA
  • Troca de bebês na maternidadeRodrigo Pacheco·Lânia·Clínica de Guarulhos·DNA·Acidente aéreo em Guarulhos
  • Desconfiança sobre paternidade e identidadeRodrigo Pacheco·Diferenças físicas·Papéis familiares·Presença materna
  • Maternidade e Identidade· SociedadeRodrigo Pacheco·Lânia·Maternidade·Identidade
  • Relação com a família biológicaRodrigo Pacheco·Lânia·Pai biológico de Leandro·Irmão biológico de Leandro·Construção de laços
  • Jogo de Búzios· ReligiaoRodrigo Pacheco·Jogo de búzios·Urgência pessoal
  • Poder Judiciario· PoliticaLânia·Clínica de Guarulhos·Dano moral·Sentença judicial
  • Separação dos pais e infância de LeandroRodrigo Pacheco·Diferença de idade·Papéis familiares·FGTS e Dívidas
Transcrição216 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
BVBranca Vianna

Oi, eu sou a Branca Viana e eu queria te fazer um convite. Pela primeira vez depois de um bom tempo, o Rádio Novelo Apresenta vai fazer um evento ao vivo e dessa vez vai ser no auditório do MASP, o Museu de Arte de São Paulo. Vai ser uma noite de histórias inéditas com direito à participação especial do coletivo Meio Lab, E de música ao vivo da Stella Neghini. Isso que você tá ouvindo, aliás, é música que ela compôs para acompanhar nosso último ao vivo na Flip de 2024.

Eu tô avisando com antecedência para você se programar, de repente até programar uma viagem para São Paulo, se você não morar lá. Vai ser na quarta-feira, 2 de setembro. A pré-venda dos ingressos começa no dia 3 de agosto só para membros do Clube da Novelo, que ainda ganham um desconto de 30%. A venda geral abre no dia 7 de agosto. Todo mundo aqui tá muito animado para esse encontro com os ouvintes e para contar várias histórias estranhas, para não perder o costume.

A gente te espera lá! Novelo. Tá começando o Rádio Novelo Apresenta. Eu sou a Branca Viana. Quanto é que você sabe sobre o dia em que você nasceu? Estava chovendo? Estava fazendo calor? Se você chegou de surpresa ou se já tava agendado ou até atrasado? Como que foi o caminho até o hospital? Se é que teve caminho até o hospital. Eu já ouvi muito a história de como eu nasci, porque não foi um dia, foram 3. 3 dias de trabalho de parto para depois ter que apelar para cesariana com anestesia geral.

Reza o folclore familiar que deram gás analgésico para minha mãe, tipo um gás hilariante, e que o meu avô ficou tentando roubar um pouco para ele para sentir o barato. A minha mãe só ficou sabendo depois que o obstetra dela tinha perdido um bebê via cesariana e tava traumatizado com isso. Mas com essa demora toda, quase morremos nós duas. Até hoje a minha mãe quer me obrigar a comemorar meu aniversário, coisa que eu parei de fazer aos 10 anos, mas ela quer porque quer comemorar, porque ela diz que o meu aniversário é dela por causa do sofrimento que ela passou.

É meio chocante pensar que ela teve coragem de talvez ter que passar por isso de novo quando ela engravidou da minha irmã. Não é mole parir e não é mole nascer. O dia do nascimento, o jeito que a gente nasce, acaba sendo a primeira cena do filme da nossa vida. E a gente sabe como são importantes os primeiros minutos do filme porque eles geralmente dão o tom do filme todo, né? A história dessa semana começa num comecinho desses.

Quem vai contar, depois de um pequeno intervalo, é a Paula Escarpim. Olá, ouvintes da Rádio Novelo!

?Voz B

Quando você escuta a palavra anistia, o que você imagina? E se eu te contar que na cidade de Roma, em 1979, aconteceu a Conferência Internacional pela Anistia no Brasil? E as filmagens desse encontro foram descobertas recentemente em um porão em Paris. No filme Anistia 79, que estreia em 20 de agosto nos cinemas, a diretora Anita Leandro nos mostra por que, no Brasil, o passado ainda não passou.

LRLeandro Ribeiro

E a gente pensa que esqueceu, né?

FFFelipe Foratini

A inteligência artificial tá em toda parte e parece cada vez mais difícil imaginar o nosso mundo sem ela.

LRLeandro Ribeiro

Se a gente ficar, né, brigando contra as máquinas como a gente fez lá na Revolução Industrial, a gente vai ficar para trás.

FFFelipe Foratini

Essa é uma revolução tecnológica que mobiliza grandes potências e empresas bilionárias. E aí a gente se pergunta: será que o Brasil é um mero espectador dessa corrida? A resposta é não. Em laboratórios espalhados pelo país, cientistas brasileiros desenvolvem pesquisas de ponta em IA, com potencial para transformar profundamente o nosso dia a dia, o jeito que a gente trabalha, se protege e se conecta. Eu sou o Felipe Foratini, do Instituto Cunume, e nessa temporada do Área eu converso com cientistas e estudantes do Brasil sobre pesquisas que expandem as fronteiras da inteligência artificial, natural e, acima de tudo, coletivo.

Área é um podcast do Instituto com nome, produzido pelo Estúdio Novelo. Ouça nas principais plataformas de áudio.

LRLeandro Ribeiro

Meu nome é Leandro e minha história começou já de uma maneira meio cinematográfica, porque eu nasci no dia que caiu um avião em Guarulhos.

?Voz B

Isso foi no dia 21 de março de 1989. O aeroporto de Guarulhos tinha sido inaugurado em 1985. E esse nem foi o primeiro acidente ali, foi o terceiro. Pensa no drama que era pegar um voo pra Guarulhos. Ou pior, no drama que era morar em Guarulhos perto do aeroporto. Diz que Cumbica, que é o nome que a maior parte dos paulistas chama o aeroporto, porque é o nome ali da região onde ele foi feito, enfim, Uma das interpretações possíveis do significado da palavra Cumbica em tupi é nuvem baixa.

Daí você vê a excelente escolha de localização do aeroporto, né? Hoje em dia os acidentes são raros, graças ao tanto de tecnologia envolvida nos voos. Mas enfim, foco no acidente desse dia, do dia do nascimento do Leandro. Era um Boeing 707 da Transbrasil, Um avião cargueiro, sem passageiros, que tava voltando de Manaus. Tinha 3 tripulantes a bordo: o engenheiro de voo, o piloto e o copiloto. No caso, quem tava pilotando era o copiloto, porque apesar dele já ter 10 anos de experiência em jato 727, ele ainda era aprendiz no 707, e o comandante tava ali pra dar orientação e suporte pra ele.

Isso em si é padrão e não teria sido um problema se não fossem outras duas coisas: o fato de que outro avião que já tava ali no aeroporto tinha tido um problema técnico e tava obstruindo a pista em que tava previsto o pouso, e também que por causa da neblina eles tinham pouco tempo para pousar antes das outras pistas fecharem. O imprevisto, a pressa e a pouca familiaridade com o modelo de avião acabaram descambando numa sequência de erros.

E deu no que deu. Nenhum tripulante sobreviveu ao acidente. Mas a grande maioria das vítimas não tava dentro do avião. Foram mais de 100 as pessoas atingidas em solo, das quais 19 não sobreviveram. Isso entre os bairros do Jardim Ipanema e da Vila Barros, nas imediações do aeroporto.

LRLeandro Ribeiro

Minha família é de Guarulhos, relativamente perto do aeroporto, né? E eu sempre achei que a minha história Tinha alguma coisa a ver com esse acidente, sabe? Porque desde criança meus pais me falavam desse acidente.

?Voz B

Bom, imagina morar num bairro vizinho da queda de um avião. Não tem como você não imaginar que podia ter sido com você. Mas no caso dos pais do Leandro, tinha mais um detalhe dessa história que não tinha como passar batido por eles, que estavam ali nesse dia ganhando bebê. Uma das vítimas fatais, a Eliana de Souza, Ela também tava grávida de quase 9 meses. Ela tava num orelhão, na rota da queda. E ela tava lá porque ela tinha ido ligar pro laboratório pra saber dos resultados dos exames pré-natais.

O Leandro sempre pensou muito nesse acidente, quando ele era criança, na adolescência. E não só pela coincidência temporal e geográfica com o nascimento dele. Ele achava que talvez ele pudesse ser esse bebê.

LRLeandro Ribeiro

Alguma adoção estilo anos 80, assim, ah, criança ficou sem mãe, pegou ali e criou, e aí não podia contar a história porque, né, de alguma maneira podia configurar ali alguma coisa ilícita, né, um crime, sei lá, alguma coisa assim, né.

?Voz B

Muita criança fantasia que foi adotada, né. Eu fiz uma pesquisa informal aqui na Rádio Novelo e quase metade do pessoal já teve essa desconfiança. As razões variam. Tem gente que recebeu essa fake news de bullying do irmão mais velho. Tem também quem nunca viu um registro da mãe grávida. Eu me enquadro nessa categoria, aliás. Mas em geral, essa desconfiança tem origem no fato de que nem toda criança é xerox do pai ou da mãe, né?

LRLeandro Ribeiro

É isso, eu nunca me enxerguei fisicamente no rosto deles, né? Meu pai, ele é descendente de português, né? Então os 4 avós dele São portugueses, não teve tanta miscigenação, né? E a minha mãe é isso, né? Lida como branca. No entanto, ela é nordestina e é isso. Tem o pai dela, era, vai, talvez mais indígena assim, né? Uma pele mais escura, mas o cabelo liso e tal. Então é isso, eles têm uma família de pessoas de cabelo liso. E meu cabelo foi ficando cada vez mais crespo.

?Voz B

É complexa, né, essa história de genética, hereditariedade, quais genes são recessivos, quais são dominantes, quais características vêm do lado do pai, quais vêm do lado da mãe. Mas o Leandro me contou que ele reparava nas outras famílias, na rua dele, na chegada e na saída da escola também, e que os pais dos amiguinhos sempre se pareciam, pelo menos mais ou menos, com eles.

LRLeandro Ribeiro

E automaticamente eu acho que essas pessoas também viam a não semelhança. Lembro de um amigo, né, na escola me questionar, falou: você já parou para pensar? Eu lembro das palavras assim: você já parou para pensar que você não tem os traços do seu pai? Você não acha estranho? Eu fui entender que eu não era branco igual às outras pessoas, que eu não era igual meu pai, que eu não era igual— acho que na escola mesmo assim, né, nesse processo da escola assim, de estar num colégio particular e ter poucas pessoas pretas.

E aí, por questão de bullying, né, essas coisas, enfim, criança não tem vários filtros, né, que adulto a gente acaba tendo. Então é isso, acho que foi na escola, assim, por questão de piada, essas coisas assim, de fazer piada com você, de inventar apelidos, que ficou bem forte o fato de eu me sentir diferente.

?Voz B

E aí você chegava a levar isso pros seus pais? Tipo, falar, ó, tá... O que que tá acontecendo aqui?

LRLeandro Ribeiro

Acho que eu trouxe pros meus pais e eles deram uma desconversada, assim. Não exatamente, eu não pareço com vocês, mas de alguma coisa do cabelo, alguma coisa de boca, de nariz, alguma coisa assim. Mas é isso, de alguma maneira, na família do meu pai, apesar de eu ser diferente, pra eles a diferença não soava tão estranho pelo fato da minha mãe ser nordestina e o meu avô ser... Eles conheceram, né, meu avô. Então se justificava eu ser mais escuro que eles assim, né?

Já a família da minha mãe, por conta do meu pai ter essa descendência toda de portugueses, achavam muito estranho. Então causou mais estranheza, apesar de eu ser mais parecido com eles. Muito louco, né? Mas não, não é louco, né? Tudo pode ser explicado.

?Voz B

Mas o Leandro acabou crescendo muito mais próximo da família do pai dele.

LRLeandro Ribeiro

A minha mãe é isso, era uma mulher de 21 anos, né, que foi morar na casa do meu pai com a família dele. Meu pai morava numa edícula, né, numa casa, num terreno que tinha na casa da frente, tinha minha avó e alguns irmãos do meu pai. Então tinha uma tia e um tio que moravam lá também.

?Voz B

Os pais do Leandro tinham se conhecido no trabalho, no escritório de uma empresa metalúrgica. Mas além disso, eles não tinham muito mais em comum, a começar pela idade.

LRLeandro Ribeiro

Meus pais têm 20 anos de diferença. O meu pai, ele sempre foi muito tranquilo, muito pacato assim. Quando eu nasci, ele se dedicou a ser pai. Então meu pai era mais regrado ali com as coisas, com horários, com disciplina assim de o que tem que fazer, de agora é hora disso, tem que dormir, tem que tal. E a minha mãe sempre foi muito workahólica assim, então ela tinha a rotina dela de trabalho e tal, que às vezes deixava a gente distante assim, né.

Mas ela era da brincadeira de, sei lá, meu pai tá com receio de me deixar brincar na rua e me machucar de alguma maneira. E ela, ah, então os meninos da rua vão brincar todos no quintal aqui de casa.

?Voz B

O Leandro não sabe se essa diferença toda entre eles era uma questão só de temperamento, quanto que a diferença de idade tinha um peso nisso. Mas o fato é que eles foram se dando conta de que eles estavam com planos diferentes pra vida.

LRLeandro Ribeiro

Minha mãe tava com vários sonhos ali ainda de Né, prosperar financeiramente e tal, com a criança, sim. Mas viajar, aproveitar que tinha uma rede de apoio de avós e fazer viagens e tal. E meu pai já tava numa outra fase da vida, já bem mais...

?Voz B

Ele tava numa fase mais caseira. E tinha o fato de que ele tava no território dele ali, né.

LRLeandro Ribeiro

Eu acho que minha mãe, apesar de viver numa casa com muita gente, sempre se sentiu muito sozinha, né.

?Voz B

Então... Bom, a gente sabe que nunca é uma coisa só.

LRLeandro Ribeiro

Meus pais se separaram quando eu tinha uns 4, 5 anos, assim. E... Minha mãe não saiu de casa de uma vez, ela foi saindo aos poucos, né. Foi um processo deles irem se desligando como casal, de alguma maneira.

?Voz B

E aí, quando ela realmente saiu de casa, ficou decidido que o Leandro não ia com ela.

LRLeandro Ribeiro

Minha mãe conta que meu pai fez uma pressão psicológica mesmo disso. Se você tira essa criança daqui, minha vida acaba, né. Às vezes é como você sente as coisas, né. Mas enfim. Minha mãe conta desse jeito, que meu pai se colocou muito vulnerável. E ponderar, né? Falar, pô, você que tá saindo, você que tá procurando uma instabilidade, de certa forma. Você não vai levar a criança pra viver essa instabilidade contigo. Porque, enfim, aqui ele tem uma rede, né, de suporte que você não vai conseguir dar sozinha.

?Voz B

Bom, talvez rede de suporte não faça jus ao tratamento que o Leandro tinha naquela casa.

LRLeandro Ribeiro

Era isso, eu era a única criança, né? Então tinha todo esse mimo ali de ser a única criança da casa, né? Apesar de ser uma casa grande, com várias pessoas e tal. Então, enfim, era alguns privilégios, sim, alguns privilégios. Não todos, mas vários.

?Voz B

Casa de vó ainda por cima, né?

LRLeandro Ribeiro

Casa de vó, é, exato.

?Voz B

E aí, não muito tempo depois, a mãe do Leandro se casou de novo e começou uma nova família.

LRLeandro Ribeiro

Ela teve o meu irmão, que nasceu em 97, que eu tinha então já 8 anos. E ela ficou mais dedicada ao bebê, à família ali, de alguma maneira, né? Eu já tinha o suporte do meu pai, da minha família, mas sei lá, de alguma maneira eu me senti excluído desse contexto e tal. Então tinha algumas situações que era isso, que ela tinha que escolher entre tá com meu padrasto e o meu irmão fazendo alguma coisa que eu não podia estar, e como é que ela ia dizer isso pra mim, que eu não podia estar assim.

Eu não podia voltar na escola na segunda-feira, eles iam fazer uma viagem que só podia voltar tal dia, então eu não conseguia estar com ela no fim de semana, mas ela tinha prometido que ia fazer tal coisa no fim de semana, mas aí a vida... Então essas situações assim foram afastando a gente e me deixando cada vez com mais receio das promessas, né?

?Voz B

Então depois a mãe do Leandro engravidou de novo, ele ganhou mais um irmão.

LRLeandro Ribeiro

Hoje eu entendo que os recursos eram poucos assim, então você tinha que fazer algumas escolhas, né? E eu não tava dentro das escolhas. Apesar de eu entender, a dor segue, né? De não me sentir parte da família dela, né? Que ela tava construindo ali e tal. Então isso foi afastando a gente. Na minha pré-adolescência, adolescência assim, E a figura, né, da minha mãe, de divertida, de alguém muito próxima, que sabia de mim, que olhava pra mim e já sabia o que eu tava sentindo, foi ficando, sei lá, mais pra uma tia legal, depois pra alguém, enfim, uma madrinha, alguma coisa assim, sabe?

?Voz B

Hoje em dia, o Leandro é bem próximo da mãe. Ele consegue entender o lado dela nessa história. Com detalhes que ele não tinha como ter acesso quando ele era criança. E sim, o fato dele ser tão diferente fisicamente dos pais tem a ver com isso. Mas não, isso não passava por uma possível adoção irregular de algum órfão do acidente de avião.

LRLeandro Ribeiro

A sensação que eu tenho pelos relatos dela, assim, né, é que todo mundo, vizinhos, todo mundo tinha essa impressão, entendeu? Que ela tinha Eles têm essa diferença de 20 anos de idade. Falando português, claro, assim, né, o velho não dava no couro direito, então ela teve que ter o filho com outra pessoa. Aí o velho cria agora o filho, o corno cria o filho do— era essa. E aí cada um tinha o seu, meu pai biológico na cabeça deles, assim, né.

Ah, o professor que ela teve não sei quando, esse, ah, não sei, tal pessoa. Não sei direito, assim, mesmo porque isso não chegou pra mim, assim. Eu fiquei com o mormaço dessa história, assim, de chegar e o assunto acabar, assim.

?Voz B

O Leandro só pegava ali as rebarbas dessa fofoca, que no fim pra ele era mais uma teoria nebulosa, que nem a da adoção irregular. Mas era uma teoria que ele percebia que deixava todo mundo muito desconfortável e que só piorava a relação dele com a mãe.

LRLeandro Ribeiro

Eu fui crescendo e fui ficando cada vez mais diferente. Então eu fui deixando o cabelo crescer e ficou mais marcada a nossa diferença. Então ela começou a implicar muito com o meu cabelo.

?Voz B

Quer dizer, se os traços do Leandro eram o que fazia as pessoas desconfiarem da fidelidade dela, quando ele deixava o cabelo crescer, ele tava escancarando essa diferença. Mas ela não tava sofrendo sozinha com isso, né?

LRLeandro Ribeiro

Eu lembro de pegar ônibus e tentar achar no rosto das pessoas um rosto parecido com o meu.

?Voz B

O Leandro não sentia muita abertura para tentar tirar essa história a limpo em nenhum dos dois lados da família. Ele tinha medo de magoar o pai e a relação dele com a mãe ali no final da adolescência, começo da vida adulta, já era quase protocolar.

LRLeandro Ribeiro

Essa lacuna, né, na relação com a mãe É muito ruim mesmo a gente se relacionar, né? Enfim, sou um homem hétero, então me relaciono com mulheres. Ter esse problema com mãe é muito difícil, né? Se relacionar com homem que tem esse problema. Então eu vivi algumas coisas, algumas repetições das minhas relações assim, de, desse lugar de não me sentir aceito. Então não me senti aceito na minha família, não me senti aceito na família da outra pessoa também, não me sentia aceito dentro da relação, apesar de não— que confirmação eu tava esperando?

Que, que, o que que era isso? Porque é isso, essa sensação de não pertencimento. Que que rolava? Rolava muito ciúmes, situações que eu me isolava. Então é isso, tá todo mundo junto, aí eu vou fazer outra coisa, vou embora, vou fazer outra coisa. Então é difícil, né, viver com alguém que é isso, não confia em nada, nada, nada. E eu me sentia assim comigo, eu ficava com esse cansaço de mim também. Então já levava uns anos fazendo terapia, vai, não muitos, mas 2 ou 3 anos ali de terapia, e tinha coisas que eu não acessava.

E nesse dado momento foi 2020, assim, foi bem o início da pandemia, assim, né? Eu tava vivendo essa relação, assim, tava vivendo uma relação que eu queria fazer muito dar certo, mas com toda essa história no background eu não tava dando conta. Porque eu precisava resolver isso. E eu senti uma urgência do eu preciso de qualquer coisa. Então começou com dobrar o turno da terapia. Então, em vez de fazer uma semana, eu tava fazendo duas.

Não deu conta. Ah, então vou fazer acupuntura. Não deu conta. Então vou fazer tal coisa. Então se desse jeito, tentando organizar, não dá, eu vou tentar dar uma bagunçada mesmo. Vou botar as coisas que estão pra... Que tá aí, tá sendo me soprado no ouvido, quero ouvir isso, né? Porque eu acho que essa história sempre foi isso, algo que tava, sempre teve no ar, era uma coisa ali, mas não era uma voz, não era uma coisa sólida. Precisa ser sólido isso, precisa entender.

?Voz B

E aí nessas, o Leandro lembrou que um tempo antes uma amiga tinha comentado de uma revelação importante que ela tinha tido nos Búzios.

LRLeandro Ribeiro

Ela falou, pô, por que você não joga e tal?

?Voz 1

Vou te passar o contato.

LRLeandro Ribeiro

E ao mesmo tempo que eu falei, pô, que legal, eu falei, vamos, depois a gente vê, na volta a gente vê, né? Na volta a gente compra. E aí foi isso, foi passando um tempo. E aí nessa, nesse momento de urgência dessa relação, de não, preciso fazer dar certo, não dá pra ficar errando nas mesmas coisas, né? Foi esse lugar dos búzios assim, eu fui pra me salvar de alguma maneira ali, mas inicialmente salvar a relação, né? A relação. Era a relação que eu queria salvar com o Jogo.

?Voz B

Daí o Leandro recuperou o telefone daí, a lorixá que a amiga dele tinha passado, marcou uma hora.

LRLeandro Ribeiro

E uma das primeiras coisas que o Jogo me falou era que essa relação ia ter que acabar, que ela ia terminar, que se eu continuasse com essa relação, é... não ia ter história boa pra depois. Não tem história boa pra depois, tem só história ruim pra ser vivida a partir daí, tem que acabar, tem que terminar. Então, pra mim já foi um baque aí, né, já foi...

?Voz B

Poxa, não era o que ele queria ouvir, né? Mas ele sabia que ele não tava lá só pra isso.

LRLeandro Ribeiro

Aí me foi apresentado onde geralmente tem, né, as figuras ali da ancestralidade do pai e da mãe, mais pessoas. Em vez de ser duas, outras duas mais.

?Voz B

Duas figuras maternas, duas figuras paternas.

LRLeandro Ribeiro

E aí a Lurixá me perguntou Que história é essa? Tem alguma história em relação a isso?

?Voz B

O Leandro não lembra quanto que ele falou pra ela ali na hora sobre a diferença física dos pais, sobre a suspeita de adoção, sobre a queda do avião, sobre a fofoca de traição. Mas ele lembra o que ele ouviu.

LRLeandro Ribeiro

Ela falou, ó, a sua mãe não vai dormir um dia sem pensar nessa história, desde o dia que você nasceu. Ela vai ser a pessoa que você vai falar, assim que você sair daqui, é a pessoa que você vai falar E ela pode ficar tranquilo que ela vai te atender, ela vai saber exatamente o que você tá falando. E ela falou também que a partir daquele momento, né, daquele encontro, ia acontecer como se fosse um furacão, é, a vida de muita gente ia mudar a partir dali de um jeito que não, enfim, não vai voltar.

A partir dessa conversa com a sua mãe, as coisas não vão voltar a ser como era. Assim, e agora não tem mais como voltar, não tem como voltar pra trás, é daqui pra frente.

?Voz B

Eu não sei qual que é a sua relação com os búzios, ou com a espiritualidade, ou com vidências em geral, mas o fato é que o Leandro tava precisando de um empurrãozinho pra ir finalmente atrás das respostas que ele tava procurando desde criança. E ali ele conseguiu isso. Ele saiu da sessão e foi direto fazer o que a Ialorixá tinha mandado. Na verdade, ele não ligou pra mãe dele, ele mandou uma mensagem.

LRLeandro Ribeiro

Mandei uma mensagem pra minha mãe, assim, escrevi uma mensagem, ó mãe, passei por um jogo, né, eu joguei búzios aqui.

LLânia

E foi num lugar, né, onde uma cartomante, em algum lugar.

?Voz B

Essa é a Lânia, mãe do Leandro, e isso aconteceu em 2020. Quando a gente se falou agora, ela já não lembrava exatamente a fonte da revelação. Mas o que importava era a revelação em si, né?

LLânia

E que disseram pra ele algumas coisas.

LRLeandro Ribeiro

Saiu uma história que eu sempre desconfiei e tal. Que fizeram com que ele me procurasse e dissesse: O que você tem pra me falar em relação a isso?

LLânia

Mãe, qual que é a real?

LRLeandro Ribeiro

Tô achando que ela fosse falar: Não, então, aconteceu, você... A gente achou você nos escombros do...

?Voz B

É óbvio, mas não custa deixar claro: o Leandro não tá rindo da desgraça alheia, do desastre do acidente aéreo. Acho que ninguém riria disso, pelo menos eu espero que não. Aliás, pesquisando aqui depois de conversar com eles, eu vi que infelizmente o bebê da Eliana de Souza, né, a gestante que morreu na queda do avião em Guarulhos, o bebê até chegou vivo no hospital, mas ele acabou não resistindo. Quer dizer, essa hipótese, de qualquer jeito, tava descartada.

Mas o que tava fazendo o Leandro rir agora era o insólito da situação. Da hipótese que ele criou quando ele era criança, que ele tava carregando até os 30 anos e que ele jogou ali pra mãe dele do nada depois de um jogo de búzios. E como você se sentiu?

LLânia

Aviltada, insultada de alguma maneira.

LRLeandro Ribeiro

Leandro, eu não sei o que você tá pensando. Agora é você me questionando depois de todo esse tempo se eu traí seu pai, se eu não traí seu pai. E aí, tipo, enfim, ela já tava com várias pedras na mão.

LLânia

Não que ele tivesse fazendo isso, mas ele falou.

LRLeandro Ribeiro

Eu falei, não, mãe, não tô te questionando, não tô dizendo nada disso.

?Voz B

Até porque os búzios tinham mostrado não só duas figuras paternas, mas duas figuras maternas também, né.

LLânia

Mas ele falou, tudo bem, eu só quero saber da minha história. E aí eu contei a história.

BVBranca Vianna

A gente vai fazer um intervalo curtinho e já já a gente tá de volta.

?Voz 1

Se você tá ouvindo o Rádio Novelo Apresenta agora, é porque você gosta de uma história boa. Tem prazer em ouvir até o fim e não tem medo de descobrir um assunto novo. Então eu acho que você vai gostar do Trip FM. Eu sou o Paulo Lima e quero te convidar para ouvir o podcast da Trip. Toda semana, celebrando a tradição das páginas negras da revista Trip, eu converso com alguém que tem o que dizer, seja do mundo da música, das artes, do esporte, da fotografia, do cinema.

Aqui a gente também gosta de histórias que mexem com a cabeça, que fazem a gente pensar. São conversas que geram reflexão e fazem a gente sair diferente de como entrou. Bom, é isso. Já que seu ouvido tá treinado para coisa boa, aumenta o volume, abre a cabeça e vem ouvir o Trip FM. Toda semana tem um episódio novo no seu tocador preferido ou lá no site da Trip.

LLânia

Eu vou até voltar um pouquinho atrás.

?Voz B

Aqui é a Lany, a mãe do Leandro. O Leandro disse pra ela que ele queria finalmente entender a história dele. E ela disse que ia contar. E aqui ela quis dar um passo atrás pra gente entender. O Leandro, obviamente, já tinha muitas dessas informações.

LLânia

Tive uma infância bem difícil e a ambição da cultura era uma coisa que fazia parte de mim. Eu queria muito estudar, eu queria muito me destacar de alguma maneira.

?Voz B

Tinha uma pressão da sua família por isso, de estudo?

LLânia

De forma nenhuma.

LRLeandro Ribeiro

Não?

LLânia

Minha mãe é um pouco machista, então era, eu era a filha, né, mulher, e mais 4 filhos homens. Então os filhos homens deveriam buscar uma vida melhor, a filha mulher deveria buscar um casamento. E aí a minha história com essa história que a gente vai falar hoje começa aí. Por quê? Porque quando eu terminei o ginásio ali com 13 anos de idade, a minha mãe falou, você não estuda mais, você não precisa. Aquela história, já sabe escrever o nome e tal, daqui a pouco vai arrumar um namorado e tal, e a gente vai ter um, não tem necessidade.

E aí eu enlouqueci, eu briguei muito no sentido de, não, eu consigo trabalhar e estudar. Então com 12 anos para você para você ter ideia, olha, é uma criança hoje, né? Eu tinha carteira registrada numa fábrica já, eu era costureira, porque muito pequenininha, com 7 anos, minha mãe colocava almofadinhas assim para eu poder alcançar a máquina de costura, que era um monstro. Quando eu fiz 14 para 15 anos, aquele sonho de adolescente, né?

Vou trabalhar no escritório e tal. E eu consegui uma vaga no escritório. E nesse escritório, com 15 anos, eu conheci o pai do Leandro, né? E ele é uma pessoa incrível. Ele continua meu amigo 39 anos, 40 anos depois. É uma pessoa bem mais velha que eu, cerca de 20 anos mais velha. Então eu uma menina, ele já um senhor de 30 e poucos anos, né? E casei para estudar. Sem desmerecer a pessoa incrível que ele era, mas ele me incentivava, ele me motivava.

Então começou uma brincadeira no escritório, né? Mas não era bem um namoro, uma coisa— hoje, né, pensando bem, ele era cavalheiro, ele era aquela pessoa que levava o bombom, ele era aquela pessoa. E aí, numa brincadeira, vamos casar, vamos casar, vamos casar. Eu gostava de como a família dele vivia. Era uma tranquilidade, era uma paz. Não tinha aquele monte de irmãos, cada um querendo ouvir um som diferente. Não tinha briga, não tinha um pai agressivo, não tinha uma mãe sofrida, não tinha...

E eu era uma menina! Hoje eu consigo enxergar isso. Eu era só uma menina, com 17 pra 18. Casei direitinho, bonitinha, tudo certinho, né? Virgem. E aí eu pude estudar, né?

?Voz B

A Lânia terminou o colegial, hoje ensino médio, começou a se preparar para entrar numa faculdade de direito, que era o sonho dela. Mas aí esse sonho precisou ser adiado.

LLânia

Eu engravidei, né? E lá na família deles eram todos muito mais velhos, né? A caçulinha é mais velha do que eu, 6 anos, pra você ter uma ideia. E tinham cuidado e tal. Então essa criança, ela foi muito esperada pela família toda. E tinha caído um avião naquele dia em Guarulhos. Foi o dia que o avião caiu.

?Voz B

O parto da Lani ia ser uma cesárea, ela ia se internar à tarde. O acidente aconteceu às 11:54 da manhã, 6 para o meio-dia.

LLânia

Tinha uma mulher grávida no telefone, no orelhão.

?Voz B

Essa história horrível que a gente já conhece.

LLânia

E passou na televisão na época, assim, na hora do almoço. A minha mãe até ligou e falou, você tá em casa? Eu falei, ah, tô indo para o hospital. Ah, porque uma mulher morreu grávida. Não sei o quê. Então tava um fuzuê dentro do hospital, as enfermeiras todas preocupadas, muita gente de bairro, muita coisa. Então ficava uma entra e sai na sala, uma entra e sai, uma conversaiada, porque tinha acontecido uma tragédia na cidade. Mas eu estava num quarto particular.

Essa criança nasceu às 8:27 da noite, foi cesárea, foi tudo marcadinho, tudo pensado, tudo organizado. Quando aquela criança veio para mim, foi um amor inexplicável. No dia seguinte de manhã, na hora que trouxeram a criança para mamar, eu me assustei porque era outra criança. E aí eu disse lá dentro do hospital, esse não é meu filho. A enfermeira olhou a pulseirinha e disse assim, olha, é o seu nome, olha aqui, ó, é a mesma. E não tem como não ser o seu filho porque essa pulseirinha é colocada lá na hora.

Então fique tranquila, não era meu filho. Eu senti naquele momento que não era meu filho.

?Voz B

O Leandro até tinha ouvido essa história meio atravessado uma vez.

LRLeandro Ribeiro

Com uns 9, 10 anos que eu questionei a minha avó, minha avó materna. E aí ela contou pra mim a história dos bebês, que a minha mãe tinha sentido diferença no primeiro bebê que ela amamentou. E a primeira vez que ela amamentou, ela amamentou um bebê maior, né? Eu não sei se tinha menos cabelo, alguma coisa assim, tinha alguma característica física diferente assim, mais marcante. Só que é isso, acho que ela tava ainda sob efeito, né, da anestesia.

LLânia

E a enfermeira que estava lá comigo falou assim, então, mãe, mãezinha, né, que elas falam toda, então, mãezinha, Você tava dopada, é normal essa confusão mental, né? Seu primeiro filho, você tava emocionada, mas é seu filho, fica tranquila.

LRLeandro Ribeiro

Ela questionou meu pai, meu pai falou, não, eu tava lá, eu não desgrudei nenhum momento do— assim que a criança nasceu, eu fiquei olhando pelo vidro, eu fiquei lá o tempo inteiro, não tem como isso ter acontecido.

LLânia

Então eu era a louca, né? Com confusão mental, que tinha visto, que tinha percebido uma diferença gritante. A diferença era gritante.

?Voz B

O que que você reparou de diferente assim?

LLânia

Era outra criança, era o cabelinho, era diferente, era mais escura, era outra criança. E aí eu falei para minha mãe, eu acho que o meu filho foi trocado, eu queria conversar com alguém para ver. Aí ela riu. E disse, eu entendo que seja por uma ignorância, né, que ela não, enfim. Mas ela disse, ah, você, porque eu sempre na minha adolescência eu falava que eu queria casar com negro, eu acho lindo até hoje. Então eu falo assim, ai, eu queria casar com um homem negro e tal, não sei o quê.

E aí ela disse assim, ah, você já está querendo arrumar uma desculpa, que que você aprontou? Aprontou alguma coisa.

?Voz B

A sua avó, a mãe dela que falou isso?

LRLeandro Ribeiro

Mãe dela que falou isso.

LLânia

Que eu acho que essa é a minha maior mágoa.

LRLeandro Ribeiro

Falou, ó, você casa com um homem 20 anos mais velho que você e aí você faz seus negócios por fora e fica inventando história. Veja bem, tem que lidar com a situação, né?

?Voz B

Assim, você não chegou a insistir muito?

LLânia

Você insistiu muito? Historinha mexicana que você vai criar aqui agora? Não. E eu levei aquela criança para casa. Fui para casa, tinha lá a avó, já uma senhora de idade, aqueles tios senhores assim e tal. Todos tinham certeza que eu tinha traído, todos.

?Voz B

Ninguém falava, ninguém falava, ninguém comentava, mas o pai do Leandro também não dizia nada nesse sentido.

LLânia

Pelo contrário, tá tudo bem, é meu filho, nossa. Aí o Leandro tinha umas entradinhas, ele é calvo e tal, ele tinha, olha só as entradinhas minhas.

?Voz B

É aquelas histórias que a impressão que ela tinha era que para eles a teoria da traição tava dada como certa, mas que isso não parecia fazer muita diferença.

LLânia

Se apaixonaram por essa criança imediatamente, se apaixonaram a ponto, ô Paula, de não me permitirem que eu desse um banho no meu filho. Não porque você vai virar a cabecinha. Eu tava dando mamar e a avó, né, Segurando a cabecinha, porque não, porque você vai se distrair, porque você— porque eu era a louquinha, maluquinha, a jovenzinha no meio deles, né? Assim.

?Voz B

E é claro que ela gostava de ver o carinho dos parentes com Leandro e ficava agradecida por todo o suporte que eles davam pra ela ali no puerpério. Mas esse controle todo, misturado com a sensação de que ela tava falando com as paredes, tudo isso era enlouquecedor.

LLânia

Nunca ninguém me ouviu. Nunca ninguém disse, pode ser que você tenha razão, né? Sabe quando você fala, só se eu fui abduzida, né? Só se alguém me dopou. Porque nunca tive um contato que não fosse com o pai do Leandro até aquele momento. A minha conversa sempre foi essa, se não for dele, não é meu também. E aí eu insistia que tinha alguma coisa errada, que tinha alguma coisa errada, que tinha alguma coisa errada. Só que naquela época, para eu fazer um DNA era o preço de um apartamento, e eu não tinha essa condição, nós não tínhamos essa condição.

Mas aí a criança começa a crescer e as diferenças vão aparecendo, né? Cabelo crespo, o Leandro era muito grande, o Leandro era uma criança fortinha, né, tal. E nós, eu tenho 1 metro e 2 dedos, Todo mundo pequenininho e aquele menino, né? Aí a minha mãe falou, ah, porque vai ser igual aqueles seguranças grandão quando crescer e tal. E aquilo me incomodava. Ele estava comigo, perguntavam se o pai era negro. Ele estava com o pai, perguntavam se a mãe era negra.

Vizinhos tiravam sarro, em festas de família tinham comentários. O Leandro com 2 aninhos Eu levei ele um dia na empresa onde eu trabalhava e foi uma chacota, porque todo mundo conhece o pai, uma pessoa muito branquinho, muito branquinho. Então virou uma chacota: quem é o pai? Quem é o pai? Não sei o quê. Aí apareceu um negão: ah, deve ser aquele ali. Uma chacota. Chegaram a pintar uma foto do pai de preto e falar: olha, achei o Padre Leandro aqui. Sabe, umas coisas assim pesadas, muito pesadas.

?Voz B

E como era a sua relação com ele, assim, de pequenininho?

LLânia

Amor, né? E eu, apesar de morrer de amor por esse menino, eu sempre senti isso. Eu fiquei, Paula, nessa época com 42 kg. Eu tinha uma angústia Eu não era feliz, eu era uma pessoa muito infeliz, muito amargurada. Eu não tinha vontade de nada, eu não tinha vontade de comer, eu não tinha vontade de viver. E eu tinha uma criança que eu amamentei até 3 anos de idade, pra você ter ideia.

?Voz B

Foi nessa época que ela começou a pensar em se separar.

LLânia

A avó me chamou e disse assim, se você não quer continuar o casamento... E pra mim era muito difícil ficar ali. Sendo julgada 24 horas por dia. Se você não quer continuar o casamento, tudo bem, mas o Leandro vai ficar com a gente. Não importa o que você fez. Foi muito difícil, foi muito difícil. Muito julgada, né? Você imagina, muito julgada pela minha família.

?Voz B

Isso porque se a família do pai do Leandro tava fechada com a história da traição, mas preferia não falar no assunto, A família da própria Alânia não era assim.

LLânia

Tem uma música, né, que os meus irmãos cantavam, aquela pega na mentira, tirava um sarro.

?Voz B

Mas a pior de todas era a própria mãe dela.

LLânia

A reação da minha mãe foi estranha porque ela tinha criado uma história, ela tinha criado um enredo para as pessoas que perguntavam para ela. Ela dizia assim, ah, eu até conheço o pai, mas é porque ela não quer falar, né? O que que eu posso fazer se ela não quer falar, né?

?Voz B

Alânia não tem a menor ideia de quem era suposto pai do Leandro que a mãe dela dizia conhecer. Mas essa história com certeza não ajudou o relacionamento das duas, que sempre foi meio complicado. E bom, quando o Leandro tava crescendo, pra usar uma expressão que ele mesmo disse, ele ficava só com o humor maço dessa história. Mas imagina a Lânia, depois de 9, 10 anos gritando com as paredes, chega o filho e diz que ele tinha ouvido da própria avó, mãe dela, que nunca tinha acreditado nela, que ele tinha ouvido dela a história da maternidade.

LRLeandro Ribeiro

Eu tava lá com a minha avó, né, e a minha mãe passou pra me buscar e tal. E quando eu entrei no carro, eu falei, ó, perguntei pra minha avó por que que eu sou tão diferente. Ela me contou essa história. E aí ela virou pra mim e falou, ó, sua avó, ela tá viajando, Leandro.

?Voz B

Naquela altura, a Lani já tinha jogado a toalha. O Leandro sentiu que essa nova teoria de por que que ele era diferente dos pais Ela conseguiu deixar a mãe dele mais irritada ainda. Foi mais uma explicação nebulosa. E ele deixou ela lá, no escaninho das hipóteses, junto com a queda do avião e com a suspeita de traição. Eles nunca mais tinham tocado nesse assunto. Até esse dia, quando o Leandro saiu do jogo de búzios querendo, nas palavras dele, bagunçar tudo.

LLânia

Aí contei a história do hospital e tal. Eu falei, eu tenho 100% de certeza que eu casei virgem. Engravidei, fui no hospital, ganhei o neném, trouxe pra casa. Eu não fiz nada de errado, nada. Então vamos fazer esse DNA.

?Voz B

Se no fim dos anos 80, começo dos anos 90, um teste de DNA custava o preço de um apartamento ou de um carro, em 2020 já dava pra fazer em qualquer laboratório de bairro por algumas centenas de reais. Hoje em dia dá pra fazer até na farmácia.

LRLeandro Ribeiro

É um teste com sangue, assim, com sangue do dedo.

?Voz B

O Leandro e a Alânia foram juntos no laboratório.

LLânia

Eu entrei pra fazer o DNA com ele e as enfermeiras falaram, mãe fazer DNA com filho? Nunca vi! A gente fez o DNA e...

?Voz B

O resultado demorava 2 semanas pra ficar pronto. E eles combinaram de abrir juntos também.

LRLeandro Ribeiro

A gente pegou o teste, a gente resolveu não abrir na rua, né, abrir em casa.

?Voz B

A Alânia foi pra casa do Leandro, com o filho caçula dela.

LRLeandro Ribeiro

A gente chegou em casa, abriu assim, eu logo achei onde é que tava lá. E a mãe demorou ontem pra achar onde é que tá, onde é que tá, onde é que tá?

LLânia

Eu não consegui ler. Eles já estavam chorando e eu tentando achar. Olha, advogada que tô acostumada a saber onde tá, não conseguia.

?Voz B

Sim, nesse tempo, a Alana se formou em Direito. Depois que os 3 filhos já estavam adultos, na verdade. Mas naquele dia, quem desembaralhou as letrinhas miúdas pra ela foi o Leandro, que aliás não é advogado, ele trabalha com audiovisual.

LRLeandro Ribeiro

Enfim, é aquela conclusão, né? 99,9% de chance dela não ser minha mãe biológica.

LLânia

Eu lembro do grito, sabe?

LRLeandro Ribeiro

Ela soltou um grito assim, um grito de novela assim. Eu nunca tinha ouvido um grito fora do contexto de teatro, do audiovisual assim, é um grito tão alto assim, parece um grito de dor assim, né? Talvez, enfim, talvez seja isso mesmo. Um grito de dor, né?

LLânia

Era um misto de alívio de poder gritar pra todo mundo, eu não errei, eu não fiz nada de errado, eu não sou essa pessoa, eu não traí, eu não enganei. Eu senti um misto de coisas ao mesmo tempo. O Leandro vai se afastar da gente. Ele já tava muito afastado por conta de não se sentir. Na família, uma coisa muito louca. Muito amado e vai ser sempre.

LRLeandro Ribeiro

Pra mim, eu tava vivendo aquele momento pós-jogo ainda. Aquilo pra mim já tinha sido um teste de DNA. Foi uma confirmação científica de algo que eu senti a vida inteira. Então... não foi... foi impactante ver a minha mãe ali e tal. E é isso, aí a gente chorou, né, os três juntos ali e tal. Minha mãe pediu desculpa, assim. Várias vezes seguidas, assim... Enfim, acho que ela nem sabia direito por que ela tava pedindo desculpa, o que era, assim.

LLânia

Mas eu senti um alívio, Paula. Era um alívio tão grande, era um peso que saía de dentro de mim. Era uma coisa de poder falar, nossa...

?Voz 2

Sabe?

LLânia

Mas ao mesmo tempo, e o meu filho? Tá onde?

BVBranca Vianna

Quem é?

LLânia

Tá vivo? Não tá? O que aconteceu naquele hospital? Por que que pegar? Não sei, morreu alguma criança e substituíram com a minha? Eu não sei, né? Podia ter acontecido um milhão de coisas. Então você fica num, numa, sei lá, num furacão de emoção que você não consegue entender.

?Voz B

E qual foi o próximo passo?

LRLeandro Ribeiro

O próximo passo foi a minha mãe bruxona.

LLânia

Porque o que eu queria naquele momento, Paula? Eu queria os documentos das crianças que nasceram naquela clínica, pra eu ter um norte, pra eu saber, né, quem eram as crianças.

?Voz B

Acontece que essa não era uma missão fácil. Pra começar, a clínica onde o Leandro tinha nascido, em Guarulhos, fechou um tempo depois. A primeira pessoa que a Lânia pensou em procurar foi o obstetra que fez o parto.

LLânia

Uma pessoa da minha confiança até hoje, meu ginecologista até hoje, ele é a pessoa E aí ele falou, eu vou falar com ele.

?Voz B

Com ele, no caso, o antigo dono do hospital onde ela teve nenê.

LLânia

Ele é dono de outro hospital de Guarulhos hoje, aliás, de mais 4 ou 5 clínicas. Só que passou 15 dias, ninguém me ligou. Você imagina a angústia. 15 dias ali foram 5 anos. Aí eu liguei de novo, e aí ele falou, ele não tá me atendendo, ele não tem interesse nessa história. Como que não tem interesse? Troca uma criança no hospital dele e ele não tem interesse na história? E aí eu fui conversar com ele. Eu fui ali, era a mãe da criança que tinha sido trocada, não era advogada, não era— eu não pensei em dano moral, eu não pensei em processar, eu não pensei em nada.

Eu queria que ele me desse um norte para eu poder ir à frente nessa história. Aí o que que aconteceu? Ele se negou. Ele me tratou como uma louca, mesmo vendo o exame, tudo, porque ele disse assim: tá, mas 30 anos depois, o que que você tá querendo? Tá querendo o quê? Você já tem um filho. E eu falei: sim, será sempre meu filho. O Leandro vai ser sempre meu filho, mas eu quero saber o que aconteceu com a outra criança, onde ela tá.

Mas pode ter acontecido tudo, ele pode ser aí um— ele pode estar numa Cracolândia da vida hoje. Ele pode estar fora do país, você vai gastar dinheiro, você vai não sei o quê, você não vai chegar nessa criança. Imagina, 30 anos, quanta coisa pode ter acontecido. Ele pode até não tá mais entre nós. E aí eu insisti, ele falou assim, mas o que que aconteceu depois de 30 anos? Ele quis dizer o seguinte, você veio buscar algum dinheiro nas minhas costas?

Você não vai levar nada, meu. E aí ele falou assim, olha, você tá nervosa, você tá, mas eu vou te falar uma coisa, você nunca vai conseguir nada porque isso já prescreveu. E aí eu falei para ele, o doutor é advogado? Ele falou, não. Falei, mas eu sou, eu vou sair daqui agora e eu vou tomar todas as providências. Você não vai levar nada, já prescreveu isso aí. Só que ele não sabia, por não ser advogado, eu acredito que a prescrição é a partir do DNA e não da história, é a partir da constatação, né?

Enfim, entrei nesse processo advogando em causa própria, saí dali, fui no cartório.

LRLeandro Ribeiro

Ela fez sozinha esse processo de ir atrás da documentação, né, do outro filho dela, né.

LLânia

Pandemia, tá, 2020, começo de 2020.

?Voz B

Como tudo no comecinho de 2020, o serviço dos cartórios tava meio de ponta-cabeça. Em princípio, eles estavam trabalhando só no emergencial, tipo certidões de nascimento, de óbito.

LRLeandro Ribeiro

Ela conseguiu que o processo fosse mais rápido por conta de já conhecer as pessoas do cartório.

LLânia

Eu fui lá e falei, escuta, eu queria todas as certidões de nascimento, uma relação, né? Na verdade, eu pedi uma relação, uma relação das crianças que nasceram no dia tal, no ano tal, Não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê. Por isso, por isso, por isso.

?Voz B

No dia seguinte, ela já tinha uma lista com todos os nascidos naquele dia, naquela clínica.

LLânia

Eram 5 crianças, descartando a do Leandro. Porque eu pensei, bom, a do Leandro a gente sabe que ele nasceu lá, tem a certidão. Uma era menina, eu descartei. E eu pedi as outras 3 certidões. Peguei essas certidões, levei pra casa. Tava muito mal, muito agitada, muito perturbada. Entreguei para o meu filho advogado e falei, olha, tem essas 3 crianças, ainda bem que são só 3, né? Aí a gente tem que achar. Na minha cabeça era uma força-tarefa.

Ixi, vai ter que fazer um monte de pesquisa, vai ter que— nossa, é muito complicado, vai ter que ir na polícia, vai ter que não sei o quê. E fui trabalhar. 2 horas depois, Paula, ele me liga e fala assim, mãe, achei meu irmão. Aí eu falei, como que você achou?

LRLeandro Ribeiro

A gente achou mais ou menos ao mesmo tempo. Um perfil no LinkedIn desse menino.

LLânia

Eu vou te mandar a foto e você fala se não é ele. A hora que mandou a foto, ele era a cara do meu pai. Então era igual, era muito igual. Mesmo assim, né, pela emoção, eu falei: calma. Que que eu fiz? Eu falei: tá, mas tem contato? Tem tudo, mãe. Tem email, tem telefone, tem tudo aqui. E aí A pessoa aqui sem noção, né? Porque naquele momento você deixa de ser advogada, você deixa de ser racional, você deixa de tudo. Mandei um email dizendo, olha, eu sou amiga da sua mãe, ganhei neném no mesmo dia que ela.

?Voz B

Você falou que era amiga dela?

LLânia

É, fiquei amiga em tal hospital, ganhamos neném juntas. Só que faz muito tempo que eu não vejo sua mãe e eu queria falar com ela. Você pode me passar o número dela? Só que eu tinha deixado o rodapé: Doutora Lânia, OAB, não sei o quê embaixo.

?Voz B

Mas você realmente tinha conhecido ela ou não? Você só falou?

LLânia

Claro que não. Como que eu ia chegar para ele e falar: eu posso ser sua mãe? Não tinha como, tinha que falar com a mãe. Então eu tinha que arrumar um contato da mãe. Mas na hora, eu hoje eu teria feito tudo diferente, Paulo, mas ali na emoção, os meninos: mãe, fala com ele, liga para ele, não sei o quê. Uma coisa assim, querendo conhecer o irmão, querendo, sabe? Aí ele responde assim, ó: oi, doutora, qual é o BO? Aí eu falei para ele: BO nenhum, eu só queria rever a sua mãe, se você puder me mandar o contato dela.

E ele disse assim: então é estranho, né, porque minha mãe disse que não conhece ninguém com seu nome. Ah, mas é que eu tenho um apelido, me chamavam de Nana, ela não vai lembrar de mim, faz muito tempo. Sem chance, se você não disser qual é o BO, a minha mãe não vai falar com você. Parou no email. Aí fui para casa à noite, contei para os meninos. E aí o filho do meio começou: liga para ele, mãe, fala com ele, não sei o quê. Mas como que eu vou, como que eu vou falar para ele?

Ó, pode ser que eu seja sua mãe? Não tem como. Só que eu, muito emocionada, liguei. E aí eu falei: oi, tudo bem? Tudo bem. Tinha uma TV no fundo, sabe quando você escuta o barulho da TV? E ele falou, tudo bem. Aí eu falei assim, eu sou a Lânia. Ele falou, ah tá, você é advogada, né? Eu falei, não, na verdade eu não tô aqui como advogada, eu só queria dar uma palavrinha com sua mãe. Aí ele falou, minha mãe não vai falar com você se você não falar qual que é o B.O.

Bom, então é o seguinte, você já tem 30 anos, você não é criança, então eu vou falar o que tá acontecendo. Eu tive um nenê no mesmo dia que você, fiz um DNA e deu que o menino não é meu filho. Portanto, ele foi trocado na maternidade. Não estou dizendo que você seja a criança possível de ser meu, mas existe uma investigação aqui entre nós e tem 3 meninos. Então eu tô falando com os 3 da mesma forma que eu tô falando com você. E eu lembro que ele parou só a TV.

E eu falava alô e ele não respondia. Aí uma hora ele falou, minha mãe vai ligar para você.

?Voz B

Naquela mesma noite, o telefone da Alânia tocou.

LLânia

A princípio agressiva.

LRLeandro Ribeiro

Começo da pandemia, esse lance dos golpes digitais assim, eu não sei se era essa a sensação que eles tiveram, é alguém tentando aplicar algum tipo de golpe. Mas que golpe é esse do bebê trocado? Com 31 anos, é meio estranho. Então demorou um tempo até a guarda abaixar deles ali, né?

LLânia

E ela disse que nunca tinha percebido. Aí ela disse que teve um antepassado que era igual, que era não sei o quê, não sei o quê.

LRLeandro Ribeiro

Pô, eu tenho uma tia-avó, pô, eu sempre achei que ele tinha puxado a essa tia-avó minha. E aí a gente tem no pano de fundo talvez dessa disparidade das duas histórias E aí talvez seja um pouco da minha... do meu jeito de ver, assim. Eu sinto que outras pessoas envolvidas na história não veem da mesma maneira. Mas eu vejo assim, pelo diferente dele ser mais claro. Então ele é diferente, mas ele é mais claro. Enfim. E é isso, inicialmente esse descrédito, mas depois quando elas começaram a trocar fotos de um lado pro outro, elas começaram a se enxergar, né.

LLânia

Passamos a noite inteira conversando, trocando fotos. A hora que eu mandei a foto do Leandro, ela falou, mandou uma foto do pai biológico e falou, olha, até o jeitinho é igual.

?Voz B

Ainda naquela noite, a Lânia passou o telefone do Leandro para outra mãe e eles se encontraram no dia seguinte.

LRLeandro Ribeiro

A gente se viu clandestinamente porque a gente não podia se ver, porque era, foi um dia, acho que um dia depois do lockdown. 2 dias depois do lockdown. Mas ela falou, tem uma praça aqui onde eu trabalho, a gente vai se ver nessa praça. Então, se você quiser, você senta num lado do banco, eu sento no outro e tal, mas é isso. Enfim, a gente chegou e se abraçou, não teve nem como manter o distanciamento social, né, prudente pra época assim.

Foi de olhar pra ela e me enxergar, falar, não, não tem como não ser assim, né. A gente chegou a fazer o teste de DNA depois de alguns meses assim já. Que a gente já tinha se encontrado algumas vezes e tal. Mas pra mim tava muito claro que eu era filho dela, né, deles.

?Voz B

Bom, talvez você tenha notado que a gente não tá citando o nome de mais ninguém nessa história, além da Lani e do Leandro. Cada um encontra um jeito de lidar com um acontecimento dessa magnitude na vida, né? Eles dois quiseram falar. O Leandro que escreveu aqui pro email do Apresenta, querendo contar a história dele. E a única pessoa que ele se sentiu à vontade para fazer a ponte era a Lânia. Ele tinha certeza de que mais ninguém da família queria falar disso.

Até por isso a gente não tá botando os nomes deles aqui. Quando eu propus para Lânia de ouvir ela também, ela topou na hora. Ela tinha sofrido tanto tempo de não se sentir ouvida que o que ela mais queria era sair falando para os quatro ventos. Mas claro que não é assim com todo mundo, né? Porque as pessoas viveram coisas diferentes, elas sentem diferente. A Lânia passou um bom tempo tentando ter contato com o filho biológico dela.

LRLeandro Ribeiro

Ela que foi atrás, ela que queria ter esse contato, que eu tivesse contato com a minha mãe, que seja. Mas assim, ela queria ter contato com essa criança que ela deu à luz e não sabia quem era e tal.

LLânia

Ele não aceitava. Eu falava, a gente podia marcar um café. Eu sei que com um menino de 30 anos não vai mudar muita coisa, né?

?Voz B

Mas ele tinha toda dificuldade da pandemia, que devia ser tudo mais complicado também.

LLânia

É, e tinha umas desculpas que ele dava e tal.

?Voz B

Eles só foram marcar de se encontrar 6 meses mais tarde.

LLânia

6 meses depois ele quis me ver. No dia que a gente se encontrou foi maravilhoso, foi um abraço de 30 anos. Tiramos fotos, conversamos. Num determinado momento eu falei, olha, eu vou, eu vou te liberar Você que tá com a tua noiva, tudo, eu tô aqui empatando o seu dinheiro. Ele falou: não, hoje eu tirei o dia para isso. E aí eu criei uma ilusão achando que a partir dali nós iríamos ser amigos, nós iríamos frequentar casa ou ter ele mais perto.

Só que não, ele não, ele preferiu se afastar. Então é assim, é mais ou menos assim, eu falo, oi, bom dia, ele fala, bom dia, e para aí. Eu falo para ele, feliz aniversário, Deus te abençoe, ele fala, amém. O que o Leandro fez do lado de lá não aconteceu do lado de cá.

LRLeandro Ribeiro

Meu pai, por ele ter essa diferença de idade, ele já, já tá numa idade avançada hoje em dia. Então a gente inicialmente não contou pra ele, mas em um dado momento eu tava visitando meu pai e tal, a gente foi revisitar umas fotos antigas assim comigo bebê e tal, não sei o quê. E minha mãe chegou bem nessa hora que a gente tava vendo as fotos e a gente ficou vendo ali e aí começamos a chorar e meu pai ficou sem entender nada Que porra é essa?

Por que que vocês tão chorando? O que que tá acontecendo? Tipo, o que que tá acontecendo? E a gente, ah, não tava não sei o quê. Isso era um domingo assim. E aquilo me consumiu de... Eu falei, puta, eu não quero que ele seja a última pessoa a saber também. Então na segunda-feira eu saí do trabalho tarde e apareci lá plantado do lado da cama dele e falei, pai, a gente precisa conversar. Aí ele, é dinheiro? É doença? É o que que é?

Eu falei, não, é dinheiro, não é doença. É uma história de muito... De décadas atrás, não tem o que ser feito, eu só tô vindo aqui pra te contar mesmo. Aí ele deu uma acalmada, ele falou, tá. Falei, então, ó, eu fiz um teste de DNA, aí descobri que eu não sou filho biológico, não tem outro jeito de dizer, que eu não sou filho biológico seu nem da mãe. Aí ele, não é possível, eu tava lá o tempo inteiro. E outra coisa, eu gastei um carro no seu parto, não tem como isso ter acontecido.

Eu falei, é... Ele ficou bem resistente ali e tal, ele falou, não, não é possível. Eu falei, pai, não tem como não ser possível, porque eu fiz um teste, é isso, o teste Tem 0,01% de chance de tá errado. Então não tem muito o que você não aceitar, assim. É o que eu vim te contar, não vim perguntar o que que tá acontecendo e tal, né? É isso, assim. Meu pai é muito doce e eu não, assim. Então ele tava ali todo, pô, e agora? E eu, é isso, a história é essa.

?Voz B

Tanto Leandro quanto Alânia tinham comentado que a primeira impressão que eles tiveram do rapaz que foi trocado com Leandro na maternidade Ainda ali na foto do LinkedIn dele, era que ele era a cara do pai de criação do Leandro. Pessoalmente, então, eles acharam ainda mais impressionante a semelhança.

LRLeandro Ribeiro

Eles são muito parecidos.

LLânia

Muito, mas é muito! O jeito, a forma, o tamanho, os vícios, por exemplo. Olha, imagina, né, um filho ficou afastado do pai tantos anos. O pai tem mania de morder a língua, fica... É igual, é uma coisa impressionante. Ele por trás andando, é uma coisa impressionante.

LRLeandro Ribeiro

Quando eu conheci assim, é isso, me pareceu muito familiar por ele parecer muito meu pai. Eu ser muito próximo do meu pai, então assim, de já gostar da pessoa sem ser, tipo, pra eu entender que era outra pessoa até demorou assim, sabe? De falar, caramba, ele é muito parecido com meu pai, deve ser legal que nem meu pai, deve até entender que não, ele é uma outra pessoa, ele não tem obrigação de gostar de mim, de me amar que nem meu pai tem, né?

?Voz 2

Então...

?Voz B

O que eles foram se dando conta o desenrolar dos acontecimentos pós-teste de DNA é que os dois têm o temperamento muito parecido também. Se o rapaz não fazia muita questão de se entrosar com a família biológica, o pai do Leandro também não parecia muito disposto a isso.

LLânia

Ele diz, meu filho é o Leandro e será sempre o Leandro. Eu não preciso de outro filho.

LRLeandro Ribeiro

Ele ficou bem não querendo muito trocar ideia sobre isso, até repetidas vezes que eu falei, ó, é importante pra mim que você desenrole essa história, que você aceite encontrar o seu filho biológico, que não seja um tabu pra gente falar disso a partir de agora, é importante pra mim. Então, se você dedica todo esse amor que você tá propondo, faz parte disso também você fazer coisas que talvez você não esteja tão confortável. Mas é isso, pensa no meu desconforto da vida inteira. Aí ele, tal. Aí pra ele foi depois disso, assim.

?Voz B

O Leandro conseguiu em seu pai. Mas não foi tão fácil assim com o rapaz.

LRLeandro Ribeiro

Meu irmão, né, no meu irmão trocado, né, do irmão gêmeo.

?Voz B

Eles chegaram a marcar 3 vezes, a família toda se reunia para o encontro e ele desmarcava. Até que um dia rolou.

LRLeandro Ribeiro

Foi na casa do meu pai, né, nessa casa que eu cresci. E minha mãe tava lá com os meus irmãos e tal, com meus, né, os filhos dela. Meus irmãos que não são filhos do meu pai, eles frequentam a casa do meu pai assim. Meu pai sempre Sempre incentivou assim, né, a gente ser irmão mesmo assim. Então, né, de estar junto e tal. Então foi mais um momento que eles estavam lá, né.

?Voz B

Mas você não?

LRLeandro Ribeiro

É, eu não fui, eu não fui porque isso. A gente tinha marcado 3 vezes, aí nessa vez eu não sabia se ele ia ou se ele não ia. Eu falei, dessa vez eu não vou porque eu já não tô mais... Enfim, já tinha perdido um pouco a paciência assim, tanto com ele quanto com meu pai, com essa situação de tipo, meu, vocês precisam entender que é importante pras outras pessoas e tal. E acabei me ausentando assim de birra mesmo.

?Voz B

E o que que você sabe desse encontro? Qual que foi o relato?

LRLeandro Ribeiro

É, o relato é que é isso, que eles foram cordiais, né, um com o outro, se abraçaram e tal, né, prazer em conhecer e tal. Mas foi pontual assim, não teve, não teve Acho que foi o— é isso, mais uma vez, né? Acho que o que marcou foi para minha mãe, né, de ter ali os— não tinha os 4 filhos, né, mas tinha de certa forma os 3 filhos dela juntos ali, os 3 filhos biológicos, né?

LLânia

Foi uma coisa muito mágica, não tinha como não se emocionar de ver aquilo.

LRLeandro Ribeiro

E meus tios, irmãos do meu pai, estavam lá também. Então a família meio que, né, devem ter se enxergado, né, no nos rostos ali. Acho que para ele também deve ter sido uma experiência parecida com isso assim. Como ele fala pouco, ele não divide nem com a mãe dele essas situações, eu não sei assim exatamente como é que foi para ele. Mas eu acredito que tenha, que tenha, como você vê, um monte de gente que tem a mesma lata que você, né?

Eu passei por isso, né, com a família que ele cresceu. É muito, muito maluco assim, né, de se enxergar no rosto das pessoas. Então deve ter ter passado por isso.

LLânia

Ele ficou muito pouco tempo lá. Eu acho que ele queria, na verdade, conhecer o pai e a mãe, porque ele conheceu e se afastou, conheceu e se afastou.

LRLeandro Ribeiro

E é isso, ele não tem essa vontade, ele preferiu manter os laços de família que ele sempre teve, né, com a família da vida inteira. Assim, não, não sentiu a necessidade de estreitar esses laços biológicos assim. Eu acho super válido.

LLânia

E ele me disse um dia, olha, não se Porque eu falei, eu não tenho culpa, eu fui a vida inteira punida por isso e agora eu tô sendo punida de certa forma como se eu tivesse tido culpa dessa troca. E ele disse, não, você não tem culpa, só tinha que ser assim.

LRLeandro Ribeiro

Ninguém tem culpa, né? Ninguém tem culpa. Alguém tem culpa, a gente não sabe quem é essa pessoa, né? Ou se é uma pessoa, se é uma situação.

?Voz B

Aliás, sobre culpa, ou talvez a melhor palavra aqui seja responsabilidade, né? A Alana levou até o final o processo contra a sociedade responsável pela clínica onde ela teve o bebê, por dano moral.

LLânia

Mas eu processei pela forma como ele me tratou no dia que eu fui até lá. Mas tava buscando dinheiro? Não, eu queria aquela sentença que eu tive. É como se eu tivesse escrito aquilo, sabe? O juiz, ele entendeu exatamente quais eram os meus sentimentos. Eu queria mostrar o processo para as pessoas. Eu queria colocar num quadro e sair levantando assim, como se fosse um, sabe, uma bandeira assim, uma medalha, sabe, uma medalha para todo mundo ficar lendo assim, porque eu queria mostrar para todo mundo, sabe.

?Voz B

O processo tramitou em segredo de justiça, como é comum nas varas de família, mas Alânia me mandou a petição inicial e a sentença do juiz, com alguns detalhes que ela achou melhor rasurar. Mas o que importa é que ela teve uma indenização que ela considerou justa e principalmente a sentença. Eu vou ler aqui um trechinho da sentença que resume: a falha cometida nas dependências da maternidade da ré é inexcusável e gravíssima, sendo indubitável que causou dano inestimável à autora, o bastante a ensejar reparação.

LLânia

Eu sou muito feliz por ter o Leandro na minha vida. Sabe? Eu queria ter podido ser para ele uma mãe melhor, mas eu tava doente, eu não conseguia. Não era uma rejeição, nunca foi uma rejeição, mas era um olhar para ele, era dizer, você não é meu filho. Ele é meu filho, é louco, né? Porque ele é meu filho, vai ser sempre meu filho.

?Voz B

Essa descoberta dos bebês trocados já tem 6 anos. Ao longo da entrevista, eu notei que o Leandro continua chamando a Lânia de mãe. Claro, né? Faz sentido. E ele encontrou um jeito de diferenciar na hora de falar delas. Por exemplo, na hora que eu perguntei se alguém do resto da família ia topar me contar essa história.

LRLeandro Ribeiro

Eu acho que a minha mãe, a minha mãe da vida inteira, né? Não minha mãe biológica. Ela Super toparia.

?Voz B

Eu achei muito bonito isso de mãe da vida inteira em vez de mãe de criação. Até porque aos 31 anos, quando ele fez finalmente o teste de DNA, ele já tava mais que criado, né? Mas deu pra perceber que esse jeito de falar, que é bem carinhoso, né, tem a ver com o quanto eles têm conseguido se acertar depois de tirar esse nevoeiro tudo da frente.

LLânia

Hoje a gente consegue brincar muito, a gente consegue rir, a gente consegue falar de muitas coisas. E é muito doido porque às vezes eu falo assim, ai, quando eu tava grávida de você, aí a gente ri, né? Porque ele fala, você não tava grávida de mim. Às vezes eu falo, ah, quando eu tava esperando você, porque é muito, né, é um hábito, né?

?Voz B

Eu fiquei curiosa para saber se hoje em dia ele chama os pais biológicos de pai e mãe também.

LRLeandro Ribeiro

Houve um momento que eles chegaram até a perguntar para mim, né, meu pai e minha mãe biológica, era perguntar, você sente que a gente, porque a gente já te vê como filho assim, né? A gente consegue te olhar e te ver como filho. Você sente essa mesma situação? Aí eu lembro que a resposta que eu tive foi: é uma construção, né? É uma construção. Eu posso chamar vocês até de pai, de mãe, mas é uma construção que é com o tempo, né?

Acho que a gente vai sendo, a gente vai, a gente vai nascendo para isso de alguma maneira. Então inicialmente não, assim, não. Eu lembro que foi um baque, né, para Foi, é, pra eles foi decepcionante assim. E em um dado momento foi natural chamar de mãe, porque... Ah, sei lá, você tá na casa lá da família que tem outras pessoas, aí alguém pergunta, ah, cadê sua mãe? E aí você vai falar, não, minha mãe tá lá em casa. Minha mãe não é...

Não, minha mãe tá ali, ó. Foi ali, foi fumar, foi fazer tal coisa. A gente é mãe e filho, mas tem muito do desconhecido aí ainda. E a gente precisa, pra conviver, a gente precisa respeitar E precisa entender esses limites, assim. Então a gente, vira e mexe, a gente acaba esbarrando no limite um do outro, assim. Por exemplo, assim, ela deixou claro que se ela tivesse me criado desde o começo, provavelmente eu ia ter uma outra profissão, uma profissão mais segura.

Provavelmente eu ia ter outro cabelo, provavelmente eu já seria uma pessoa casada, porque... Então ela começou a projetar muito de como eu era, era porque eu tinha sofrido esse trauma com a minha mãe. Inicialmente, tal. Então por isso que você é assim, por isso que você quer ser diferente, porque você é isso, porque as pessoas não faziam você se incluir na sua família, se sentir parte dela. Então por isso que você quer ter um cabelo desse jeito.

E isso é horrível, não é um cabelo de uma pessoa cristã que você seria se tivesse sido criado por mim. Por exemplo, se tivesse sido criado por mim, você jamais jogaria um negócio desse, o jogo de búzios. A gente nem ia se conhecer porque você não jogaria, não ia fazer isso. Não ia. O que eu entendi é: eu não vou escapar de ter problema com mãe, eu não iria escapar de nenhuma maneira. Ia ser mãe, é uma questão que eu ia ter que trabalhar nessa existência de alguma maneira ou de outra, com bebê trocado ou senão.

Eu lembro que eu contei isso, eu tava num churrasco com os amigos assim, aí o pessoal foi indo embora, vai ficando aquele clima de, né, de vamos contar história e tal. E eu contei essa história e todo mundo ficou: ó meu Deus! E aí eu tenho um amigo que conviveu com a mãe por muito tempo e perdeu a mãe e tal, não sei o quê. E isso, a minha história pegou um pouco ele assim. Mas eu lembro que ele concluiu uma coisa dolorosa assim, é, para mim, de ouvir na hora, mas de alguma maneira, ao mesmo tempo que doeu, foi um conforto.

Ele falou assim, é engraçado, você tem duas mães, né, mas você tem uma lacuna nessa figura de mãe, né. E é isso, né, apesar de eu ter de eu ter duas mães, não vira uma só. É isso, ainda, ainda tem um espaço aí, né, que enfim, eu tenho que preencher comigo mesmo.

?Voz B

Mas não foi planejado, mas calhou de eu fazer essa entrevista com o Leandro justamente na semana seguinte ao Dia das Mães. Eu perguntei para ele em que casa que ele tinha ido no domingo.

LRLeandro Ribeiro

Nenhuma delas se propôs a, vamos almoçar, vamos... Porque acho que elas entendem de alguma maneira assim. Acho que uma deixa que eu deixo assim e eu acabo ficando sem mãe nesse dia.

?Voz B

Deixa eu ver se domingo você ficou em casa.

LRLeandro Ribeiro

É, fiquei, fiquei. Fiquei com meu pai. Fui pro meu pai, fiquei com meu pai.

BVBranca Vianna

Essa história foi produzida pela Paula Escarpim. Obrigada por ouvir o Rádio Novelo Apresenta. Você sabe que toda quinta-feira tem episódio novo no ar, e quem é membro do Clube da Novelo consegue ouvir um dia antes e sem anúncio. Tá aqui um pouco do que vai ter na semana que vem.

FFFelipe Foratini

Lá estava o Martinho da Vila com um terninho surrado, concorrendo com o cara de bamba. Milton Nascimento estava lá com Fernando Brant, seu parceiro. Fiel. Ali tinha também o Quinteto Villa-Lobos, com Ayrton Barbosa. Essa turma se reunia toda para fazer jam sessions.

LRLeandro Ribeiro

E eu ali sentado, assistindo extasiado aquilo tudo e aproveitando para algumas entrevistas.

BVBranca Vianna

Quando você vem para o Clube da Novelo, você também ganha acesso a episódios bônus e eventos com os nossos repórteres, além da bolsa que vem com assinatura anual. A gente acabou de soltar um episódio bônus com a Flora Thompson Devaux contando o que ela aprendeu sobre os americanos confederados no Brasil. Se você assinar, os cadeadinhos desse e dos outros bônus se abrem todos para você. O passo a passo tá lá no nosso site. A gente já volta.

?Voz 2

Oi, pessoal, eu sou Ana Clara, repórter da Revista Piauí e apresentadora do Foro de Teresina. E trago uma novidade para você que gosta de ouvir os nossos podcasts. Em agosto, a Piauí lança a Rádio Piauí Escute a Revista, com uma seleção de reportagens da revista lidas em voz alta para você pelos nossos jornalistas. A cada mês serão 2 textos da edição que está nas bancas e 2 que estão entre os melhores do nosso baú. O Escute a Revista está disponível disponível apenas para os assinantes da Piauí e do Clube da Novelo, no Spotify ou no nosso novo aplicativo, e é produzido pelo Estúdio Novelo para a Revista Piauí.

Para ouvir essa novidade, é só clicar no link que está na descrição do Foro de Teresina ou na aba de áudio do nosso novo aplicativo.

BVBranca Vianna

E no post desse episódio no nosso site tem fotos da Lânia e do Leandro e hoje em dia. Agora, você já foi dar uma olhada no nosso canal do YouTube? Além dos episódios do Rádio Novelo Apresenta completos, a gente tem publicado lá várias playlists de histórias avulsas. Vale a pena ouvir de novo e vale mandar para aquele amigo que ainda não conhece o podcast. Ali no YouTube também tem a aba Comunidade, onde a gente coloca fotos relacionadas às histórias e dá para você comentar e conhecer outros ouvintes.

Para quem é de redes sociais, a gente tá no @radionovelo no Instagram, no Twitter, no Threads, no Blue Sky e no TikTok. Para quem é de email, dá para mandar críticas, elogios e sugestões de pauta para o email apresenta@radionovelo.com.br. Se você tem uma marca ou um cliente que tem tudo a ver com os nossos podcasts, você pode contratar o Estúdio Novelo para criar o seu próprio podcast ou para anunciar nos intervalos dos nossos episódios.

É só escrever pra gente em comercial@radionovelo.com.br. O Rádio Novelo Apresenta é um original da Rádio Novelo. A direção criativa é da Paula Escarpim e da Flora Thompson de Voo. A direção executiva é da Marcela Casaca e a gerência de produto é da Bia Nossos repórteres e roteiristas são Vinícius Luiz, a Evelyn Argenta, a Bia Guimarães, a Bárbara Rubira, o Paulo Vitor Ribeiro, o Vitor Hugo Brandalize, a Maíra Valejo e a Carolina Moraes.

A Ashley Calvo é nossa produtora. A checagem desse episódio foi feita pela Ethel Rudnitsky. Esse episódio teve desenho de som da Paula Escarpim e mixagem da Mariana Leão e da Bia Guimarães. Nesse episódio, a gente usou música original de Kiko Dinucci e também da Blue Dot. O design das nossas peças é do Gustavo Nascimento. Nossos coordenadores de parcerias são o Pedro Lopes e a Ellen Pimentel. A nossa analista administrativa e financeira é a Tainá Nogueira e o nosso analista de produto e audiência é o Vinícius Magalhães. Obrigada e até a semana que vem!

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