Episódios de Rádio Novelo Apresenta

Na arquibancada

28 de maio de 20261h5min
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Histórias de quem torce e de quem corneta.

No primeiro ato: a água da sarjeta mostra o caminho. Por Maíra Vallejo.

No segundo ato: revolucionários do Brasil, uni-vos: para secar a seleção brasileira. Por Vitor Hugo Brandalise.

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Palavras-chave: corrida de tampinhas; futebol; Copa do Mundo; Seleção brasileira; previsão; Copa 1970; luta armada; esquerda brasileira; ditadura militar

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Participantes neste episódio9
B

Branca Viana

Host
C

Cid Benjamin

ConvidadoJornalista e professor
D

Daniel Arão Reis

Convidado
E

Edson Juca

Convidado
I

Ieda dos Reis

Convidado
L

Ladislau Dolbor

ConvidadoProfessor de economia
L

List

Convidado
M

Maíra Vallejo

Convidado
V

Vitor Hugo Brandalise

Convidado
Assuntos5
  • Ludmila Grillo: Exílio e Diáspora BrasileiraSequestro do embaixador alemão · Copa do Mundo de 1970 · Ditadura Militar · Fernando Gabeira · Cid Benjamin · Ladislau Dolbor · Ieda dos Reis · Daniel Arão Reis
  • Futebol e FluminenseCorrida de tampinhas · Copa do Mundo de 1970 · Seleção Brasileira · Ditadura Militar · Esquerda brasileira · Debate sobre torcer pela seleção · Derrotismo revolucionário
  • Regulamentação de Trabalho por AplicativosKarina Trindade · Sindicato dos trabalhadores de aplicativo · Fundo de Apoio ao Trabalho Digno (Labora) · Precarização do trabalho
  • Reflexões sobre o FuturoGalinhagem sagrada romana · Polvo Paul · Previsões com tampinhas
  • Bienal de São PauloEm Obras (podcast) · 36ª Bienal de São Paulo · Itamar Vieira Junior · Maria Homem · Milly Lacombe · Michel Melamed
Transcrição165 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

O dia já exige demais da gente. Nossa roupa não precisa exigir também. A ideia da Insider é levar tecnologia para aquilo que você veste no dia a dia. São peças que desamassam no corpo, facilitam a evaporação do suor e seguem confortáveis por horas, sem virar mais uma coisa para você administrar.

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Qual é o seu maior desejo na gravidez? Alguns são tão reais que não dão coragem de dizer em voz alta. Quando a maternidade chega, surgem muitos desejos. Em parceria com Nestlé Materna, o podcast É Noia Minha estreia Noias da Maternidade. Vamos refletir quantas vidas uma mulher já carregava em si antes mesmo de se tornar mãe. É noia nossa ou sua também? Descubra no primeiro episódio. Nestlé Materna com você, do seu jeito.

Rádio. Rádio. Rádio. Novelo. Bem-vindo ao Rádio Novelo Apresenta. Eu sou a Branca Viana. Tem tudo quanto é tipo de torcedor na redação da Rádio Novelo. Corintiano, botafoguense, flamenguista, praticante e não praticante.

Agora, eu torço para uma coisa em uma situação muito específica. Eu adoro cachorro. Tudo quanto é tipo de cachorro. E eu adoro assistir a show de cachorro. Aquelas competições em que cachorro de raça fica desfilando para cima e para baixo, sabe? Não é por eles serem cachorro de raça, não. Eu amo vira-lata. É por apreço aos caninos em geral.

E eu sou uma torcedora bem frustrada porque eu tenho um apreço muito maior por cachorro grande. E eles raramente levam o troféu. Ganha quase sempre algum cachorrinho todo penteadinho, desses que cabem no bolso, e eu não consigo ver muita graça neles. Mas nem por isso eu deixo de assistir e não deixo de torcer pelos grandalhões.

Essa semana, no Rádio Novelo Apresenta, já que a Copa do Mundo está se avizinhando, a gente tem duas histórias sobre torcida. Duas histórias que dá para dizer que se passam na arquibancada, mas com meio século de diferença e coisas muito diferentes em jogo. No primeiro ato, a gente foi fisgada por uma nova modalidade.

Daqui a pouquinho, quando a gente voltar, quem conta é a Maíra Valejo. Não optei. Eu, na realidade, quase que fui forçada a estar no aplicativo porque eu trabalhava em cargo comissionado lá no Rio Grande do Sul.

A história de Karina Trindade se repete por aí. Aos 40 anos e mãe solo, ela ficou desempregada e viu nas viagens de aplicativo a chance de voltar ao mercado de trabalho, como muitas mulheres. As mulheres estão no aplicativo, muitas vezes, para garantir sair de casa, para garantir sair daquele relacionamento abusivo que elas sofrem em casa. Mulheres que saiam para a rua só para comprar o remédio do filho.

Mas ao mesmo tempo que os aplicativos funcionam como porta de entrada para uma renda imediata, eles acabam deixando muitos trabalhadores vulneráveis pela falta de direitos. Sem férias ou seguro, a conta fica toda com quem dirige.

Eu entendo, as pessoas, ah, não vou ter patrão. Não, a gente não tem um patrão formal, a gente tem um algoritmo que funciona como um patrão. É ele que determina se eu vou fazer corrida a 80 centavos o quilômetro rodado ou a 2 reais o quilômetro rodado.

Sete anos depois de começar a transportar passageiros, Karina preside um sindicato que representa os trabalhadores de transporte por aplicativo no Rio Grande do Sul. O trabalho de articulação e luta do sindicato ganhou ainda mais força com o apoio do Labora, o Fundo de Apoio ao Trabalho Digno. Com ele, ela conseguiu levar cursos de formação e conscientização para motoristas de todo o Estado. E hoje pode se sentar na mesa de negociação.

Garantir que a gente continue a nossa luta dentro do sindicato ou dentro do debate em si, né? Do trabalho de plataforma digital, que é uma categoria que está precarizada, que não está reconhecida ainda, que precisa ser reconhecida para ter políticas públicas.

Atualmente, 39 milhões de trabalhadores no país vivem na informalidade. O Labora é uma iniciativa do Fundo Brasil de Direitos Humanos e oferece apoio essencial à sobrevivência de movimentos e lutas por trabalho digno. Conheça o nosso trabalho em fundobrasil.org.br Outro dia eu li uma história.

No ano 249 a.C., um comandante romano estava se preparando para uma batalha naval. Eles iam enfrentar os cártagos no dia seguinte, e ele estava ansioso. E aí, ele mandou buscar as galinhas. Naquela época, todo o exército romano andava com o galinheiro. Mas não era para alimentar o pessoal. Elas eram galinhas sagradas, porque elas previam o futuro.

Funcionava assim. O cuidador das galinhas sagradas, porque isso era uma profissão, o cuidador espalhava alguns punhados de comida e soltava as galinhas. Se elas saíam logo para ciscar, isso era um ótimo sinal. Significava que você estava no caminho certo. Mas naquele dia, as galinhas estavam meio emburradas, ou de papo cheio. E elas não se interessaram tanto pelo petisco. O comandante ficou furioso e reza a lenda que ele mandou jogar as galinhas no mar.

E talvez por desobedecer o auguro galináceo, talvez por alguma vingança dos bichos, os romanos perderam a batalha. Se tem uma coisa que a humanidade sempre quis, é saber o que vai acontecer. Amanhã, semana que vem, ano que vem. A gente não resiste a essa vontade de invadir o terreno misterioso do futuro. Tem gente que observou dos pássaros, outros que analisam a direção da fumaça. Tem quem interprete sonhos, quem joga tarô.

E num dia de chuva, o Edson Juca resolveu jogar. Não tarou. Ele jogou umas tampinhas na água da Sarjeta. Joguei na água e foi aonde que tudo aconteceu, né? Eram tampinhas de garrafa pet mesmo, de plástico. Uma vermelha, uma branca, uma azul e uma verde. E vai ser dar da largada, meus amigos, valendo uma viagem pro Maranhão. Eu sou branco, isso aconteceu.

Já fazia uns dois anos que o Edson andava postando vídeos no YouTube. Sou paraense, natural do Pará, na cidade de São Miguel do Guamá. Mas a gente já vai fazer quatro anos que eu moro aqui no Mato Grosso. E desde então eu sempre gravei conteúdo aleatório, né?

Tinha vídeo dele mostrando as gaiolas de passarinho que ele tinha feito. Dele fazendo gincana musical, dele dando aula de violão. O acorde de hoje será o acorde de dó maior. É o basicão. Tinha ele fazendo o unboxing de pinto. Pinto de galinha mesmo. Fazendo umas piadas de gosto bem duvidoso. Quem ser o homem mais bonito do mundo? Nada tava engrenando muito.

E aí veio aquele dia de chuva. Foi no dia 23 de dezembro de 2024. Então peguei quatro tampinhas e soltei, né? E lá vai na frente. É o verde e o branco, partiu. No vídeo, dá pra ver as quatro tampinhas paradas num graveto que o Edson levanta pra dar a largada. As tampinhas saem boiando na correntiza. E o Edson vai seguindo elas e narrando. E o branco parou, galera. E o verde passou com tudo.

Quem nunca fez uma brincadeira parecida num córrego ou numa sarjeta que atira a primeira pedra, ou tampinha. Quer dizer, o Edson não inventou nenhuma roda ali, mas tinha alguma coisa hipnótica no vídeo. As tampinhas indo, girando, agarrando em algum graveto, ou em alguma irregularidade no chão, andando e parando. E com essa narração como se fosse uma final de Fórmula 1.

As pessoas se amarraram naquilo. Tinha gente torcendo pra tampinha azul, outros apostando na tampinha vermelha. Mas no fim, nenhuma delas cruzou a linha final. Todas foram parando na lama. Esses cabas não quiserem ir pro Maranhão, galera. E essa foi a verdade. Elas não cruzaram a linha final, elas não chegaram. Mas esse vídeo viralizou. O Edson interpretou aquilo como um sinal. O caminho era aquele.

A partir dali, ele começou a fazer uns testes. Ele botou as tampinhas para disputar mais viagens imaginárias, para mais destinos. Em um novo circuito, eu falei, um novo circuito agora, dessa vez, está valendo uma viagem para o Ceará, eu falei, uma viagem para o Ceará.

Depois, ele inventou de botar nomes de parentes dele nas tampinhas. Tinha o Naldo, a Lene, a Renata, o Zé. Parecia que o Chico estava com tudo para ganhar, mas na retíssima final, foi a Elisângela quem levou. A tampinha do próprio Edson ficou na saudade.

Ao longo das semanas, o Edson testou algumas dinâmicas de engajamento. Ele chegou a colar adesivos com as caras dos seguidores nas tampinhas. Eu achei o efeito meio estranho, mas pode ser só coisa minha. Ele fez até uma corrida presidencial nas tampinhas, que o Lula chegou bem na frente, mas essa ele nem narrou. De qualquer forma, ele tinha sacado uma coisa essencial. As pessoas que viam os vídeos dele queriam torcer.

Então daí surgiu a ideia dos clubes através dos seguidores, né? Que fizeram os comentários. Faz com clubes. Outros faz com famosos. Faz com marcas famosas. Mas não. Então ficou decidido que a gente só vai fazer com clubes e com seleções.

Meus amigos, apresento para você os 70 clubes que irão participar da primeira edição da Copa do Brasil de Corrida da Estampinha. Essa aqui é a maior modalidade esportiva de alta velocidade sobre as águas. Vamos agora para a execução do hino nacional brasileiro.

No Brasil, tem pouca coisa que a gente torce tanto quanto a gente torce pra futebol. Então, a paixão nacional foi tomando conta das tampinhas. E o Edson resolveu fazer um campeonato. Ele levou as tampinhas pra um riacho maior, pra corrida durar mais tempo. E ele até batizou esse esquema de circuito noite e dia. Porque tem uma hora que as tampinhas entram no tunelzinho e depois saem de novo na luz.

O Edson trabalha numa serraria. Então, ele pegou umas tábuas de madeira pra fazer uma borda no riacho e dar mais velocidade. Ele fez uma linha de chegada trabalhada com uma estruturazinha metálica adesivada com a palavra chegada. E ele adesivou todas as tampinhas com o escudo do clube que elas representavam. Então, eu já pensei num projeto bem ambicioso. Eu fiz 70 clubes. A nossa primeira competição com clubes foi a Copa do Brasil, ano passado.

O Edson fala nossa porque essa estrutura toda não é feita só por ele. A equipe ainda conta com a mulher dele, a Euthiane, e a filha, a Marianne. A Marianne vai com ele gravar. Ela pega as tampinhas e coloca todas aleatoriamente na linha de partida, pra ninguém ser favorecido no posicionamento. E a Euthiane fica nos bastidores da produção, que tá ficando cada vez maior. Hoje a gente tem em torno de duas mil tampinhas aqui numa sacola guardadinha.

Cerca de 350 clubes, mais ou menos, em clubes organizados, adesivadinhas. E quase 2 mil, várias cores, né? Hoje em dia, o Edson tem mais de 80 mil seguidores no Instagram dele. E só vendo pra entender o fascínio. Eu sou uma flamenguista bem não praticante, mas eu me peguei torcendo muito pela tampinha do Flamengo.

O Edson passou uma boa parte da conversa me explicando tudo o que ele faz pra igualar as condições pras tampinhas. Que elas são todas iguais, tem o mesmo peso, que ele nunca regrava as corridas. Já teve vez, ó, aconteceu, eu caí no momento que eu tô gravando, na linha final, caí, mas eu não repeti a corrida. Pra não ser injusto com o clube, né, porque eu caí, mas não tirou tanto a imagem, né, eu consegui identificar o clube que chegou em primeiro, segundo, terceiro e tal, pra não prejudicar o clube.

É igualdade de condições para servir de exemplo aos campeonatos de futebol de verdade, né?

Tudo começou com a Copa do Brasil das tampinhas. Mas em pouco tempo, o Edson começou a fazer campeonato carioca, paulista, mineiro, alagoano, baiano, gaúcho, campeonato brasileiro. O calendário das tampinhas começou a ficar tão cheio quanto os dos times da vida real. Só que com antecedência. Se seu time ia jogar domingo, você podia torcer pela tampinha dele na sexta.

Em algum momento, o Edson começou a usar a palavra previsão nos vídeos dele. Nesse vídeo, que foi lançado dois dias antes do confronto entre o Corinthians e o Flamengo, a tampinha paulista abriu uma vantagem imensa para a tampinha carioca e manteve até o final. Tinha corintiano confiante comentando no vídeo, comemorando a previsão do Edson.

E aí, no dia 1º de fevereiro, a realidade imitou as tampinhas. 2 a 0 pro Corinthians. Não, eu não me considero uma pessoa supersticiosa, né? Não me considero, não. Só que quando ele soltava logo a tampinha do Flamengo, que é o time dele também, ele sentia um friozinho na barriga. Quando é bem negativo você pro Flamengo, eu fico com aquela coisa ruim. Temendo que a tampinha acerte.

Ele é do tipo que não crê em bruxas. Pero que lá sai, lá sai. Quando eu fiz Flamengo e PSG, e aí o PSG ganhou, né, nas tampinhas. E aí foi fatal também. Ganhou lá, e a galera vem lá me parabenizar. Parabéns, você acertou e tal. Mas eu já tava triste, né, que era. O meu Flamengo tinha perdido. Bom, talvez você já esteja adivinhado onde é que isso tudo foi parar. Sim, tem gente que faz aposta baseada nas tampinhas. Meu cunhado, né, na verdade, ele fez baseado nas tampinhas.

Na tampinha, no dia 4 de abril de 2026, deu empate entre Flamengo e Santos. Um empate nas tampinhas é quando as duas chegam juntas no final. O jogo, de fato, ia ser no dia seguinte. Que concha dos altos. O próprio Edson, olhando para os dois times, diz que ele chutou que ia dar 3x1 para o Flamengo. Mas o cunhado preferiu acreditar nas tampinhas. E se deu mal. Três para o Flamengo, um para o Santos.

pra praticamente definir a virada com o Bruno Negra. Eu fico pensando que quando a gente fala de futebol ou torce por alguma coisa, talvez a gente queira se agarrar num certo misticismo mesmo. Tem gente que só usa a mesma camisa em jogo importante, que faz promessa na hora do pênalti, que prefere nem ir se tá se sentindo pé-free.

Vale qualquer coisa nessa tentativa desesperada de se agarrar num pedacinho de futuro. Um sonho, um número, umas tampinhas correndo num riacho. Já faz mais de um ano que o Edson tá botando as tampinhas pra correr. E recentemente, ele botou na ponta do lápis pra ver qual a taxa de previsão do futuro delas. Eu fiz todo um mapeamento e eu cheguei à conclusão, pegando todos os vídeos do ano passado até hoje, elas acertaram 50%. Então elas estão pra lá e pra cá.

50%. Ou seja, a mesma taxa que dá jogar uma moeda pro alto. O Edison jura que isso tudo nunca foi um exercício de adivinhação. Mas não dá pra controlar a reação do público, né? E bom, acontece que tá chegando um evento que, historicamente, tem sido o foco de muita futurologia.

Não sei se você lembra do Polvo Paul. Ele era um polvo mesmo, num aquário na Alemanha. Num dia de 2008, botaram duas caixas na frente dele. Uma com um mexelhão e outra com uma ostra. E cada caixa tinha uma bandeira de um país. Isso porque a Alemanha jogava a Copa UEFA naquele ano. O que se descobriu é que o Paul era mesmo um polvo patriota. Ele apostava, entre aspas, que a Alemanha ia ganhar todas as partidas.

A seleção alemã acabou perdendo na final para a Espanha. Mas isso não arranhou a carreira do Paul. Ele foi escalado de novo para a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. E aí ele simplesmente acertou, de novo, entre aspas, todos os resultados que testaram com ele. Do primeiro jogo da Alemanha até a final entre Holanda e Espanha. O Paul morreu alguns meses depois daquela Copa, mas o legado dele continua por aí.

Nas Copas seguintes, teve previsão por aí de pinguins, de araras, de burros e até de outro povo, que acertou todos os jogos do Japão na Copa de 2018, até ser morto e vendido no mercado local. Descanse em paz, povo rábio. Porque se a gente for pegar todas as previsões que a galera faz, é que nem você falou, jogar moedinha vai ser 50%, 50% pra cá, 50% pra lá. Porque um papagaio acertou ali, um povo errou ali, o cachorro da ração ali, as tampinhas aqui.

O Brasil começa a jogar dia 13 de junho. E no Mato Grosso, a equipe das tampinhas já está se preparando. A primeira vez que eu fiz Brasil nas tampinhas foi Brasil e Argentina. O Brasil perdeu na tampinha. Se você pegar, vai estar lá o comentário de um rapaz que deixou. No mundo que nós vivemos hoje, não era para você fazer isso. Era para você repetir a corrida para o Brasil ganhar. Como o Brasil perdeu, ele queria que eu fizesse outra corrida, duas ou três, para que o Brasil ganhasse. Porque ele disse que hoje o mundo está assim, está meio corrupto. Então eu falei, não, mas eu não sou assim.

Toda essa história começou porque muita gente descobriu, ou redescobriu, o prazer quase escondido de torcer pra uma tampinha boiando num riacho. Mas o Edson reparou que, no meio de mais de duas mil tampinhas dele, poucas têm recebido tanta rejeição quanto a da seleção brasileira. Quer dizer, esse um rapaz que tava pedindo uma trapacinha das tampinhas era uma exceção.

A galera mesmo está torcendo contra o Brasil. Se você ver o comentário, a galera... Eu não sei por que a galera não quer torcer contra o Brasil. No dia 24 de março, teve o Brasil e a França nas tampinhas. A França abriu uma vantagem enorme, mas o Brasil virou o jogo e ultrapassou a seleção francesa no meio do caminho.

Nos comentários, até tinha gente comemorando. Mas também tinha gente duvidando seriamente do poder das tampinhas. Dizendo que a seleção só ia ganhar no riachinho do Edson. E no final, deu dois a um pros franceses. Como eu já vi muitos comentários negativos, querendo que o Brasil perca, a galera fica muito feliz. Eu não sei o que acontece. E não, é pessoas estrangeiras, viu? São brasileiros mesmo. Tem um limite do que o Edson consegue controlar no mundo das corridas de tampinha.

Dá pra melhorar a rota, investir mais nos adesivos, caprichar na edição. Mas se o pessoal não quer apoiar nem a tampinha do Brasil, não tem muito jeito. Essa história foi produzida pela Maíra Valejo.

Aliás, essa foi a primeira entrevista do Edson para a mídia e ele ficou tão contente que fez até uma corrida personalizada com uma tampinha da Rádio Novelo para comemorar. O vídeo está linkado no site para você assistir e torcer pela nossa tampinha. A gente volta daqui a pouquinho. O que uma obra de arte tem a ver com a vida da gente?

Na segunda temporada do podcast Em Obras, essa pergunta guia uma série de encontros improváveis. Eu sou Xênia França e a cada episódio, obras de artistas como Leonel Vazquez, G. Viana, Paul Taburet e Andrew Roberts, na 36ª Bienal de São Paulo, servem de ponto de partida para uma conversa com pessoas como Itamar Vieira Jr., Maria Omen, Milly Lacombe e Michel Melamed.

Ao longo da temporada, arte e vida se cruzam em histórias que ajudam a olhar para obras por outros caminhos. Em Obras, estreia novos episódios toda sexta-feira nas principais plataformas de áudio no YouTube e no site da 36ª Bienal de São Paulo.

O projeto é uma coprodução do UOL com a Fundação Bienal de São Paulo e foi realizado com o apoio do Programa de Ação Cultural PROAC, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo.

No segundo ato do episódio, a gente foi atrás de outra história que se passa em clima de Copa do Mundo, mas com pessoas que estavam lidando com um dilema bem sério. E só para avisar, essa história fala de violência. Quem vai contar é o Vitor Hugo Brandalize. Na madrugada do dia 15 de junho de 1970, um grupo de 40 brasileiros desembarcou em Argel, na Argélia, depois de um voo complicado.

Até teve uma boa refeição a bordo, e logo depois da decolagem, o piloto avisou que tinha um presente para os passageiros. Um voo panorâmico pela Baía de Guanabara. Mas estava difícil para os passageiros curtir tudo isso, porque eles estavam algemados. Esse avião estava levando um grupo de presos políticos que tinham acabado de sair da cadeia.

A liberdade deles tinha sido negociada em troca do embaixador alemão Ehrenfried von Holleben, que, por sua vez, tinha sido sequestrado por integrantes de organizações armadas contra a ditadura no Brasil. Foi mal o grupo desembarcar em Argel às quatro da manhã e eles foram logo cercados por jornalistas do mundo todo que queriam ouvir sobre o momento político no Brasil.

O avião que tinha deixado eles decolou de volta imediatamente. Mas antes, os policiais que estavam acompanhando o grupo avisaram que se eles pusessem o pé de volta no Brasil, eles iam ser mortos. Nesse contexto, isso que eu vou dizer vai parecer a menor das preocupações. Mas dali a seis dias, ia ser a final da Copa do Mundo de 1970.

O Brasil do Pelé, do Tostão e do Rivelino, uma das maiores seleções brasileiras de todos os tempos, ia pegar a Itália na final da Copa para tentar conquistar o tricampeonato. Boa parte do grupo que tinha acabado de pousar em Argel era apaixonado por futebol. Mas naquela circunstância, fazia sentido torcer pelo Brasil? Fazia sentido torcer por aquela seleção que era usada como peça de propaganda da ditadura? Do regime que tinha torturado e tentado matar eles?

O grupo estava rachado. E a eminência da final desencadeou uma série de discussões acaloradas. Eu já tinha ouvido algumas versões dessa história de que a esquerda brasileira se dividiu entre apoiar a seleção ou não na Copa de 70, que era quando a repressão e a violência da ditadura estavam no auge. Esse dilema já foi tema de muito estudo e até de um filme que eu lembro bem, o ano em que meus pais saíram de férias do Carl Hamburger.

Mas como que essa história se deu de verdade? E o que ela diz sobre a gente? Sobre a nossa forma de torcer pela seleção brasileira?

Eu pensei que se tinha alguém que podia falar disso, era esse grupo de presos políticos, que tinha acabado de conhecer na pele o pior que um regime político pode oferecer, os centros de tortura do DOPS e do DOICOD no Rio de Janeiro e em São Paulo, e que saiu de lá direto para a final daquela Copa. Pesquisando sobre esse episódio, um amigo me indicou um livro chamado O Crepúsculo do Macho, do Fernando Gabeira.

O Gabeira estava naquele grupo de exilados na Argélia. E nesse livro, ele fala das, abre aspas, muitas discussões em torno da Copa. Alguns decidiram que iam torcer contra o Brasil, pois a vitória ia servir para uma propaganda da ditadura. Debates intermináveis, gritos, insultos. Eu queria saber o que era falado naqueles debates intermináveis. E que gritos e que insultos eram aqueles.

Então, porra, seleção com o país e o país com a ditadura. Eu fui atrás dos 40 da Argélia, que é como o grupo ficou conhecido. No site do Memorial da Democracia tem uma foto da lista original dos exilados. A lista que tinha sido enviada para os órgãos de repressão da época, exigindo que aquelas pessoas fossem libertadas. Eu bati o olho nos nomes e o primeiro que me chamou a atenção foi o número 9, Cid de Queiroz Benjamim.

Cid Benjamin, hoje sou aposentado, jornalista e professor. O Cid é uma pessoa pública. Ele tem vários livros publicados, já apareceu em muito programa de rádio e TV. Mas o nome dele chamou a minha atenção por um motivo bem mais prático. É que eu sabia que ele é vizinho da minha colega aqui na Novelo, a Evelyn Argenta. Quer dizer, essa minha busca estava começando com o pé direito. Era muito ativo na guerrilha urbana.

O CID fazia parte do MR8, Movimento Revolucionário 8 de Outubro, um grupo de resistência armada à ditadura. O mesmo do Gabeira, inclusive. Eu participei de todas as ações armadas do MR8. Os assaltos a banco para financiar a organização, as expropriações de documentos em cartórios, as operações de deslocamento de militantes procurados.

Fui preso em 21 de abril de 1970. Eu estava muito procurado. Tinha cara em cartaz, como no Velho Oeste, procura-se e tal. Muita gente daquele grupo dos 40 tinha sido presa nesse mesmo período, em março ou abril de 1970. A repressão estava toda, ainda na esteira do AI-5. Foi uma época de prisões sem mandado, de presos sem comunicação nenhuma com o lado de fora e do uso sistemático da tortura.

Isso foi abril de 70. E tinha que achar uma Copa do Mundo que ia ter o interesse. Aquela Copa começou no dia 31 de maio. E mesmo antes de ela começar, ela já estava contaminada pelo ambiente pesado da política do país. A começar pelo João Saldanha, que era comentarista esportivo e virou técnico da seleção em 69.

Ele que montou aquele time que fez uma boa campanha nas eliminatórias e que classificou o Brasil para aquela Copa. Era um cara muito admirado, querido. E era um cara destimido, muito bom de entrevista, de gogó. Tanto que criou-se essa expressão, João Sem Medo. O Saldanha era um cara de esquerda. Com relações com o Partido Comunista. E ele acabou sendo demitido dois meses antes da Copa.

Ele saiu atirando, acusando o presidente, o general Emílio Garrastazu Médici, de tentar interferir na escalação do time. Quase mandou o Médici a merda. Ele disse, olha, ele que escalou o ministério, eu escalou a seleção. O Saldanha caiu. O Zagallo assumiu como técnico. E a seleção partiu para o México para jogar a Copa.

O Médici não escalava a seleção, mas ele fazia de tudo para colar a imagem dele na do time. Ele vivia acompanhando os jogos com radinho de pilha, ia direto no Maracanã, se enrolava na bandeira. Tem várias fotos dele nos jornais fazendo essas coisas. Paralelamente a isso, havia um ensaio do troço que depois da editadura fez mais, mas ele estava começando a fazer ali.

que era dessa propaganda do Brasil grande, Brasil para frente, ame ou deixe, essa coisa. Coisa dos militares. Já tinha uma mobilização grande e os militares faziam um esforço muito direcionado no sentido de identificar a seleção com o país. Então, porra, seleção com o país e o país com a ditadura.

Bom, nesse quadro, transcorrem as eliminatórias e eu sou preso. A Copa Rolando e o Cid preso no DOICOD, que era o centro de tortura do exército. No DOICOD tinha uma coisa que era muito clara. Os militares acompanhavam muito. Então, na hora do jogo do Brasil, não tinha tortura. Eles estavam ouvindo o jogo. Alguns até diziam, se o Brasil perder, vocês estão fodidos.

O Cid lembra de um dia que ele foi acordado bem cedo. ... aos pontapés e posto assim no corredor, que ligava algumas celas, outras salas com as salas de tortura, me tiraram lá do doicode, puseram num camburão, me levaram para o Galeão, de onde saiu o voo para a Argélia.

As pessoas não se dão conta como eu saí da prisão para ir para a Argélia. Em outras unidades da polícia política pelo país, outras pessoas também foram tiradas das celas. Eu saí da prisão em 1970, saí nesse estado.

os tornozelos sangrando, e o pessoal colocava algodão molhado em torno dos fios para você receber choque e não deixar marca, certo? Só que depois de horas de coisa, você destrói os tecidos. Esse é o Ladislau Dolbor. Ele era o número 26 naquela lista dos 40.

Sou professor de economia na Conquistre de São Paulo, mas também na área de educação e administração, porque trabalho de maneira ampla. Tenho meus 85 anos, fizeram uma grande farra para o meu aniversário, e hoje eu olho assim com espanto as coisas que eu já enfrentei. A Copa do Mundo não era nem de longe a prioridade do Ladislau quando ele ficou sabendo que o nome dele estava na lista para ir para a Gélia.

Eu sei que, saindo do DOPS aqui de São Paulo, o general veio inspecionar para ver como estavam os... Porque são preocupados. De repente, gente torturada, de repente colocada no âmbito internacional, frente à imprensa mundial. Quando ele olhou para a minha perna, aquele buracão sangrando, ficou muito irritado. Não por eu ter sido torturado, mas pela marca. Que serviço porco, disse ele. Esse é o nível, o general.

Vladislau era um dos dirigentes da VPR na época, a vanguarda popular revolucionária, o grupo do Carlos Lamarca.

Na realidade, a gente elevar de avião para o Rio, junta-se os 40 e troca o do embaixador alemão. Veja que interessante, para você salvar pessoas, você precisa pegar um diplomata de peso internacional que pressione o governo para liberar as pessoas, porque o governo não respeita simplesmente as leis, não tem problema de fazer tortura, coisa do gênero. Era uma forma de a gente conseguir, a gente salvou um bocado de gente para fazer um negócio,

através de sequestros, uma situação limite, digamos assim. Quando eu comecei a falar com alguns dos 40, eu não sabia por que eles tinham ido parar na Argélia, especificamente. Foi o Ladislau quem explicou para mim. Ele falava francês, então ele acabou virando um dos intérpretes e um dos porta-vozes do grupo.

Nós estamos, em 1970, em plena luta de independência de tantos países. E luta de independência que, apesar de um milhão de mortos, a Gélia conquistou. A Gélia tinha sido colônia francesa, certo? Então se tornou um polo de atração para todos esses diversos movimentos africanos que estavam lutando ainda.

Na verdade, Argélia não estava inspirando só os africanos. Desde que conseguiram a independência, em 1962, o país ficou conhecido como a meca dos revolucionários no mundo. Isso porque eles adotaram uma política de não alinhamento às duas potências na época. Nem aos Estados Unidos e nem à União Soviética. E trouxeram para o debate a ideia de solidariedade entre os países do chamado Terceiro Mundo.

Na regra, naquela época, nós tínhamos mais de 70 organizações de luta, de guerrilha, de luta pela libertação, descolonização, etc., dos mais diversos continentes. Os 40 brasileiros chegaram lá quando tudo isso estava fervendo. E ali eles podiam tanto trocar ideia com outros grupos revolucionários, quanto denunciar o que eles tinham passado.

A gente fez entrevistas para toda a Europa sobre como funciona a tortura no Brasil. Os nomes, os locais, as técnicas, o sofrimento, as pessoas mortas, tudo. Era o oposto da imagem que o governo brasileiro estava propagandeando pelo mundo. A daquele timaço da seleção em campo.

Se os bravos rapazes do time brasileiro ganhassem a Copa, de certa maneira, os militares, por cima das estrelas deles e das decorações, etc., iam puxar a bandeira brasileira. Estamos bem, Brasil para frente.

É claro, é empréstimo de valor, sem nenhuma base, porque estão fazendo barbáries. Então, a gente discutiu, sim, entre nós, que o Brasil ganhar a Copa, de certa maneira, claramente seria utilizado como argumento político.

A preocupação maior é que a gente estava colocado nessa contradição entre a vontade que o Brasil vença e a tristeza de que isso seria explorado pelo que há de mais podre, que havia de mais podre no Brasil. Para muita gente, era difícil desvincular esse podre da seleção brasileira. Mas para o Ladislau, era impossível. Eu não lembro qual o jogo que eu estava no interrogatório, no DOPS.

E era o jogo do Brasil, não tenho certeza. Mas eu sei o seguinte, eu estava nu, pelado, porque penduravam a gente para botar os fios elétricos em diversas partes, me puseram numa cadeira.

carregaram com algema por trás da cadeira, me carregaram pelado em cima da cadeira para uma sala onde tinha televisão, uma sala de um delegado, coisa assim. Então, eu assisti o jogo pelado entre vários policiais que estavam ali, teoricamente, fazendo interrogatório, mas estão vendo o jogo.

Esse é o nível. Você sabe o que é? O ser humano é uma coisa curiosa, sabe? É uma coisa curiosa. Na realidade, para mim, eu adoro futebol, mas essa Copa realmente não me passa pela garanta. Ou seja, ele com certeza era do time dos que não iam torcer pela seleção naquela final, né?

Acho que não dá para simplificar. Na realidade, é óbvio que eu gostava de cada pequeno drible, cada movimento que o Brasil levava vantagem, a gente fica feliz, certo? E tem por trás a consciência de que tem gente que pode transformar uma coisa bonita e feliz, uma vitória do Brasil, numa justificação das porcarias que estão fazendo.

São coisas que a gente enfrenta, né? Muitas vezes há um conflito entre a dimensão emocional e a dimensão racional. Você tem uma balança que tem dois pesos, né? Mesmo com aquela memória tenebrosa do jogo no interrogatório do DOPS, a balança do Ladislau ainda pendia para o lado da seleção. E cada pequeno drible pesava.

Eu fiz essa pergunta para todo mundo com quem eu falei do Grupo dos 40. E a cada resposta eu ia ficando mais surpreso. Aqui de novo o Cid Benjamim. Eu me somava, eu vou torcer pelo Brasil. Primeiro estamos aqui, nesse cafofo, em condições precaríssimas, machucado de porrada. Ele torcer ou não torcer não vai ter.

menor diferença. Então deixa eu curtir o futebol. Tem essa coisa de racionalmente às vezes eu consigo me identificar com os dois lados. Aredor do futebol eu consigo dizer que é claro que eu torci para vocês, eu sou no Peléculo do Alves, Rivelino, todo mundo. Agora, eu também consigo racionalmente dizer que eu não vou torcer para o time que está sendo usado como propaganda pelo regime que mata e torcer para o time. É, os dois lados tinham argumentos. Mas o Cid tinha uma teoria para explicar como acontecia a divisão sobre esse assunto.

Na verdade, a clivagem se dava meio por longe das preferências futebolísticas. Quem acompanhava e gostava de futebol, em geral, torcia pelo Brasil. E aquela seleção dava gosto de torcer. Quem não ligava muito...

mas a ditadura vai usar. Então, eu não... Essa patrulha, eu nunca participei dela. É representação do país e de uma prática esportiva extremamente popular. Você tinha ali, desde o burguês, o lascado torcendo pelo país, pelo Brasil. Isso aí é um belo argumento, eu acho, para a gente sair disso.

Os jogadores também dependiam daquilo para o seu próprio sustento. Não havia esse mercado milionário, bilionário que tem agora em relação a jogadores de futebol. Essa, trazendo mais um argumento à baila, é a número 19 da lista. Meu nome é Ieda dos Reis, nasci em Alassatuba, uma interiorana. Estou com 80 anos agora.

A Ieda foi uma das sete mulheres naquela lista dos 40. E ela adorava futebol. Oh, eu gostava bastante. A Ieda costumava acompanhar os jogos pelo cinejornal, em uma das duas salas da cidade dela. A gente recortava fotografia de jornal, de revista, colava no guarda-roupa, grudava no rádio para ouvir a copa. Só que, naquele Mundial de 70, a Ieda estava presa no doicode do Rio.

Estava ainda numa fase muito difícil, estava muito fraca também. Estava só, como eu te disse, lambendo ferida. A Iada me disse que ela não estava nem entre os que torceram pela seleção, nem entre os que torceram contra. Indiferente. Indiferente.

Só um parênteses, essa é justamente a posição da maioria dos brasileiros nessa Copa de agora, de 2026. Numa pesquisa que o Datafolha fez em abril, 54% disseram que não estão interessados na Copa. Por razões bem diferentes daquelas de 1970, obviamente. A Ieda, por exemplo, ela estava indiferente, mas ela simpatizava com aquele time, por causa do chão de fábrica.

É publicidade para a ditadura? É publicidade, mas os meninos que estão lá não são justos ditadores. Os ditadores são os militares. Depois do Cid, do Ladislau e da Ieda, eu falei com mais duas pessoas do Grupo dos 40. As duas disseram que lembravam dos debates, mas também que elas estavam entre os que torciam pela seleção. A essa altura, isso estava começando a parecer um padrão meio estranho. Cadê o pessoal do contra?

houve muita animosidade. Sim. Esse era um tema quente. Esse que está falando é o Daniel Arão Reis, número 10 na lista dos 40. Era um tema quente e era um tema que realmente tinha a ver. Não era uma elucubração abstrata. Era uma elucubração que se servia de debates muito mais antigos. Por exemplo, na Rússia, quando estourou a Primeira Grande Guerra Mundial,

A maioria esmagadora do povo russo aderiu, como os outros povos europeus aderiam à guerra e os revolucionários que não aderiram à guerra ficaram isolados. Isso era argumentado. O Lênin, em 14, a massa toda foi para a rua, os deputados bolcheviques se opuseram na Duma, foram presos e não repercutiu nem na esquina. O Daniel me apresentou o conceito do derrotismo revolucionário.

Basicamente, é a ideia de que tem que trabalhar pela derrota de vez em quando para uma revolução prosperar. É um conceito da Primeira Guerra, quando o Lenin e os bolcheviques defendiam que o caminho para a revolução passava pela derrota do próprio país. Na verdade, pela derrota daquele governo, no caso, o governo czarista. Mas o Lenin não era o único evocado diretamente dos manuais da experiência revolucionária.

O Mao Tse Tung dizia que o que caracteriza um revolucionário é a capacidade dele contra a corrente, dele se opor às maiorias. É preciso firmeza ideológica e tal. Então você tinha uma linha de argumentação que não era desprovida de base. E não à toa ela congregava tanta gente. Para o Daniel, os mesmos argumentos usados para jogar praga no time do Zagallo explicavam os conflitos internos da esquerda no Brasil.

Ele faz uma divisão entre a esquerda que se autodenominava revolucionária, da qual fazia par, com as suas grandes ambições, ela queria realmente não apenas empreender reformas no país, mas revolucionar o país, não queria apenas derrubar a ditadura. A maioria, pelo menos a imensa maioria daqueles que atuavam na luta armada queriam derrubar a ditadura e destruir o capitalismo.

bem diferente de outro segmento da esquerda. E se distanciava da esquerda tradicional, denominada de modo muito pejorativo na época, a esquerda reformista. Que se posicionava contra a luta armada e a favor de alianças com sindicatos e setores de centro e moderados contra a ditadura. E as esquerdas se dividiam muito nesse particular.

As esquerdas tradicionais brasileiras, o Partido Comunista e o Partido Trabalhista, que eram as esquerdas que prevaleciam antes de 1964, isso nunca foi um problema para elas. Elas defendiam sempre que o Brasil entrava em campo, como se dizia na época no jargão esportivo, a pátria de chuteiras.

Já para os revolucionários, a visão era outra. Bom, se ganhar aí vai ser um desastre, que a seleção vem, o Médici vai recebê-la, a gente está sendo torturado e as pessoas gritando Brasil para frente, para frente Brasil. E muitos militantes, fora e dentro das cadeias, defendiam que não podíamos torcer pelo Brasil, que isso era uma inconsequência política do ponto de vista de uma perspectiva revolucionária.

que entra na tradição reformista. Isso era compreensível, porque eles não queriam revolucionar o Brasil. E, além disso, essa tradição reformista tinha se consolidado numa época em que o Brasil vivia um regime democrático. Um regime democrático cheio de problemas, mas um regime democrático qualitativamente diferente de um regime...

ditatorial. Então, por essas razões todas, essa militância defedia, com unhas e dentes, a gente boicotar a Copa do Mundo.

Olhando agora à luz dos últimos anos, parece uma história que se repete. Quando a democracia brasileira está em risco, isso respinga para a camisa amarela, que entra na disputa. Já quando o regime democrático se impõe, como foi na formação dos partidos de esquerda tradicionais que o Daniel está citando, a questão fica mais pacificada.

Mas bom, depois de ouvir tudo isso, e sabendo que o Daniel se identificava com a esquerda revolucionária, eu fiquei esperançoso de ter finalmente encontrado alguém dentro do grupo dos 40 que tinha torcido contra a seleção naquela Copa. O senhor se incluía em qual contingente? O contingente se apavora de torcer pelo Brasil.

Eu era um apaixonado pelo futebol e achava que era um estrupício a gente dar as costas ao povo e se afastar disso era se afastar do povo. A gente tinha que torcer pelo Brasil, como a grande maioria do povo fazia, e denunciar as instrumentalizações que, eventualmente, seriam feitas.

Bom, daí eu de volta para a lista dos 40, né? Qual ou quais daqueles nomes tinha mais jeito de ter nadado contra a corrente naquela Copa do Mundo? Ou de ter ido contra a corrente para frente que a ditadura estava querendo emplacar? Eu falei com mais pessoas da lista e eu ouvi uma frase que ficou comigo. Uma delas me disse assim. Eu estou até lembrando de duas pessoas que torceram contra. Uma foi assassinada pelo regime assim que voltou para o Brasil.

A outra não sei se ainda está por aí. Mas eu não vou dizer o nome dela. Eu não vou delatar. Delatar. Como se torcer contra a seleção fosse um crime. Na verdade, naquele contexto, quase que me parecia o contrário. Porque além da propaganda, aquela seleção tinha muitas conexões com o regime.

O chefe da delegação era um militar, o brigadeiro Jerônimo Bastos, e o encarregado da segurança era Roberto Câmara Guaranis, que mais tarde até foi apontado pela Comissão da Verdade como um dos torturadores do regime. O Guaranis era um homem de confiança do Médici, e ele mandava relatórios diários da seleção para ele. Tá, você pode estar pensando, mas isso era gente no entorno da seleção. Nada a ver com o time do Tri.

Bom, aí teve isso que eu encontrei na pesquisa. Enquanto o embaixador ainda estava sequestrado, o Brigadeiro Bastos publicou uma nota na imprensa dizendo que os jogadores, e até citava nominalmente o Pelé e o Rivelino, que eles achavam que os sequestradores eram, aspas, traidores e maus brasileiros, e que eles podiam prejudicar o desempenho da seleção.

Eu citei essa nota para os militantes com quem eu conversei, mas nenhum deles lembrava, ou nenhum deles tomou conhecimento da fala do brigadeiro. Ou porque eles estavam presos, ou porque eles estavam chegando na Argélia naquele momento. Mas o fato é que não era difícil sentir raiva daquela seleção, apesar do bom futebol. E tinha esse relato de que muita gente tinha torcido contra. Só estava difícil encontrar alguém que admitisse.

Eu já estava quase desistindo e começando a pensar no significado disso tudo, mas aí uma das pessoas com quem eu estava tentando falar me salvou. Ele não topou gravar a entrevista, mas conversou comigo. Ele disse que a chave era justamente a racionalidade. Ele tinha uma dica de quem, para ele, eram as duas pessoas mais racionais naquele grupo.

Um era o Darcy Rodrigues, o número 11 da lista, que tinha sido sargento do exército, e que, segundo essa fonte, era muito firme nos seus propósitos. O sargento Darcy morreu em 2022, mas eu falei com o filho dele, o Jorge. E foi um tiro na água. O Jorge achou engraçado e me disse que o pai dele era um apaixonado pela seleção e que até o fim da vida ele ainda ficava de pé quando tocava o hino nacional antes do jogo.

Jorge me falou que o pai dele contava com frequência a história dos companheiros que tinham ficado contra a seleção, mas que não era o caso dele. E aí sobrou o outro nome, Racional. Meu nome é List, venho da minha vida. Sou de uma família de classe média de Niterói. O List se formou em Direito, trabalhou como defensor público e depois do golpe de 64, ele começou a participar de passeatas.

Até hoje eu gosto de correr, porque eu me lembro, fugindo da polícia em 68, quando a polícia chegava, a gente tinha que sair correndo. Chegou um ponto que eles estavam até atirando, aí veio o AI-5. Quando veio o AI-5, em dezembro de 68, ele entrou para a luta armada, também na VPR do Lamarca. Ele participou de várias ações, inclusive o sequestro do cônsul japonês. Por que o cônsul japonês? Primeiro que o cônsul japonês de São Paulo é mais importante do que o embaixador em Brasília, porque colônia japonês de São Paulo é poderosa.

E depois, porque um companheiro nosso de origem japonês tinha sido preso. Ela estava sendo torturada. Então, era um pouco assim, tomada a cara, contraposta. E, enfim, foi bem sucedido. Esse sequestro foi em março de 70. O List foi preso em abril, entrou na lista dos 40 e chegou na Argélia naquele dia 15 de junho. E no nosso tema. O cara tomou posição política, o esportivo que bem entendesse.

Eu, pessoalmente, achei que, racionalmente, que a vitória do Brasil iria contribuir para enfraquecer a luta contra o ditador. Se o povo tivesse revoltado, ia lutar mais contra o ditador do que se ele estivesse contente, porque o Brasil é campeão do mundo.

Então, realmente, isso é uma atitude racional. Opa! Racionalmente, você estava optando por não torcer para... É, racionalmente. Quando nós fomos ver o jogo, alguns torciam pelo Brasil. Comprei os nossos, alguns torciam pelo Brasil, outros ponta. E assim foi o List para ver a final daquela Copa.

Em Argel, o grupo ficou em uma espécie de colônia de férias chamada Ben-Aknum, um conjunto de bangalôs num espaço verde, afastado da cidade. Tinha um restaurante, um salão de jogos, área de reuniões com a imprensa. O grupo dos 40 ainda estava em Ben-Aknum no dia da final, e uma parte deles assistiu ao jogo juntos, incluindo o List.

Era um lugar, acho que no restaurante. Acho que foi no restaurante, porque tinha várias pessoas. Um dos 40 lembrava que algum dos racionais ficou o tempo todo do lado da TV criticando o jogo, na linha do derrotismo revolucionário. Não era o List, ele não tem memória disso. Na memória dele, ele assistiu o jogo calado.

Firme no propósito. Mas só por 18 minutos.

Camisa número 10! Eu gritei gol, fui traído pela emoção, fui levado pela emoção. Tinha alguma coisa dentro do list que não estava ligada no canal das convicções revolucionárias. O meu eu profundo estava torcendo. Atenção, para Gerson, ajeitando a canhota. Quem chamou? Gol do Brasil!

Aí eu percebi que eu estava torcendo a favor do Brasil. Não consegui torcer contra. Lança a penaltia a Pelé. Pelé dominou. Carlos Alberto está livre. Correu o Camila. Tirou o gol! Gol! Carlos Alberto! No fim, o torcedor contrário acabou virando a casaca também.

É o tricampeonato mundial de futebol. Podem comemorar, chorem conosco. Brasil tricampeão mundial de futebol. E os derrotistas, aqueles que apregoaram a derrota da seleção brasileira, coloquem a cabeça num guasto sanitário e puxem a água. É hora de festa, é hora de emoção. Mas essa é a minha experiência pessoal. Não posso falar pelos outros.

Desde criança, que eu estou para o futebol, acompanho, estou esperando a seleção brasileira.

1950, quando o Brasil perdeu a Copa do Mundo no Maracanã, para o Uruguai, foi uma tragédia nacional. Eu era pequeno, mas eu lembro. Meu pai foi esse jogo, por exemplo. Então, futebol faz parte da história da minha vida. Então, a minha posição política não tinha, não estava ancorada na minha estrutura emocional, digamos assim. Já do futebol, estava. E assumi e torcei favor do Brasil.

Esclareceu para mim mesmo essa outra dimensão. Porque racionalmente a gente pensa, vou fazer isso, eu acho aquilo. Mas a emoção a gente sempre acompanha, a gente acompanha. No caso, foi um conflito. É, porque tem toda uma vida por trás.

Para a maioria daqueles 40, o tempo na Argélia durou cerca de um mês. Depois o grupo se dispersou. Muitos foram para Cuba, para a França ou para a Bélgica, para o Chile, e a maioria só foi voltar para o Brasil em 1979, quando teve a anistia. Seis dos militantes que quiseram voltar antes disso para o Brasil foram mortos em circunstâncias que nunca foram esclarecidas.

Aquele time do Pelé, do Tostão e do Rivelino, que sem dúvida foi uma das melhores seleções que o Brasil já teve, ela voltou e foi direto para Brasília desfilar no carro de bombeiros e ser recebida pelo Médici. No Brasil, grande potência, Brasil campeão do mundo, virar que é econômico, rimava, né? A música Eu Te Amo Meu Brasil, de Dom e Ravel, foi adotada pela ditadura e tocava na rádio o tempo todo.

E o governo lançou a campanha oficial Ninguém Segura Esse País com uma marchinha de carnaval que dizia que o Brasil é o rei do futebol. Nas últimas conversas que eu gravei, eu fui perguntando para alguns entrevistados por que eles achavam que estava tão difícil hoje encontrar alguém que não tivesse torcido pela seleção. E o Daniel Arão me ajudou a entender.

Durante muitos anos fiz minha tese de doutorado sobre a ditadura, fiz muitos livros sobre o assunto. Então eu estudei, além de ter sido uma testemunha, eu nos meus estudos identifiquei o nosso isolamento político e algumas das causas fundamentais desse isolamento. A teoria do Daniel era que a divisão em relação à seleção brasileira antecipava uma questão que ia ser importante no destino da esquerda no Brasil.

que era esse descompasso entre a nossa visada e a visada do povo, que a gente não tinha consciência na época, mas era um descompasso que evidenciava, em certa medida, a disjunção entre o nosso projeto revolucionário e a dinâmica da sociedade brasileira, que estava longe de ser uma dinâmica a favor de propostas revolucionárias.

Mas esse descompasso não chegou a ser superado. Não à toa, as nossas organizações se isolaram tanto e acabaram sendo destruídas num tempo relativamente rápido. Quer dizer, seguindo a teoria do Daniel, quando eu chego perguntando para alguém daquela turma se ela torceu contra a seleção, essa pergunta acaba embutindo também outra. Se ela fez algum movimento em direção a esse isolamento da esquerda revolucionária.

que acabou resultando no fim daqueles grupos. É uma coisa muito mais difícil de admitir. A boa parte idealiza aqueles anos, acham que ali foi o melhor momento da vida deles, isso é forte. Então é difícil você conjugar a celebração de um momento e ao mesmo tempo uma certa amargura por reconhecer que o projeto foi aplastado, como dizem os espanhóis, quer dizer, esmagado.

Além disso, você se auto-identificar como uma pessoa que se afastava de um movimento que, afinal de contas, empolgou a sociedade, fica assim algo antipático. Então, acho que isso pesa.

Quando eu pensei nessa reportagem, eu não estava imaginando que eu ia contar uma história sobre o poder do futebol e daquela seleção arrebatando todo mundo, até militantes que tinham tudo para torcer contra ela. Mas dá para dizer que o que eu ouvi de muitos deles, sobretudo daqueles que gostam mais de futebol, é que essa é uma história sobre o direito de apreciar o bom futebol e o futebol bonito. E também sobre a possibilidade de um divórcio entre o que acontece fora e dentro do campo.

Acho que eu fui atrás dos 40 da Argélia porque em algum nível esse debate em torno da seleção estava rolando dentro de mim. Eu tenho tido dificuldade de usar camisa amarela na rua. Já faz uns anos, desde 2013 pelo menos. E não é que eu passo o tempo todo me atormentando com isso, mas em tempo de Copa do Mundo, esse dilema volta.

Também não está fácil curtir a Copa desse ano, em que boa parte dos jogos vão ser em território americano, e considerando tudo que os Estados Unidos andam fazendo dentro e fora desse território. Só dar ibope para esses jogos parece um entreguismo. Ao mesmo tempo, essa vai ser a primeira Copa que o meu filho pequeno vai assistir comigo para valer, e eu queria que ele tivesse essa alegria como eu tive tantas vezes. Ou porque eu era pequeno demais para problematizar, ou porque as engrenagens democráticas estavam mais nos eixos, e dava para torcer sem culpa.

Quando eu saí para essa reportagem, eu estava esperando encontrar um grande debate entre torcer ou não torcer pela seleção, pelo ponto de vista de pessoas que, infelizmente, tiveram que viver uma situação limite. E é muito forte ouvir essas pessoas falando sobre o amor delas pelo futebol praticado no Brasil. Ouvir de um depois do outro que a seleção se sobrepunha, até mesmo quando tinha um esforço consciente para evitar isso, me deu um novo jeito de olhar.

Acho que esse ano, no fim das contas, eu vou vestir a camisa amarela. Pensando no que eu aprendi com os 40 da Argélia, já que é quando a democracia está sob risco que esse símbolo entra em disputa, acho que vale a pena fazer parte dela.

41 minutos de luta e vamos ter a palavra daqui a pouco de sua excelência, o senhor presidente da República. Bola entregue na direção de Clodoaldo. Dribla um, dribla dois. É o epílogo de uma festa verde e amarela. Esse foi o Vitor Hugo Brandalize.

A gente agradece a todas as pessoas que contribuíram para essa reportagem. Além dos que aparecem no episódio, muito obrigada ao Alexandre Vaz, a Maria Cláudia Badam Ribeiro, ao Carlos Faial, ao Edmauro Gopfer, ao Jorge Rodrigues e à Tatiana Merlino. Obrigada por ouvir mais esse Rádio Novela Apresenta. Toda quinta-feira tem episódio novo. Está aqui um pouco do que vem por aí.

contavam muitas histórias de pessoas que tinham sido mortas, jogadas na travessia da Baía de Guajará, com pedras atadas ao pescoço. Isso daí impressionaria qualquer pessoa. Tinha história de alma penada, de visagem. O pessoal também contava histórias de fugas da ilha, de gente que estava tão desesperada para sair de lá que ia nadando ou numa canoinha qualquer.

Quem é membro do Clube da Novelo consegue ouvir ou apresenta um dia antes, sem anúncios, e tem acesso a conteúdo extra. Para se juntar, gente, e ganhar esses e outros benefícios, inclusive uma linda bolsa da Novelo, é só ir lá no nosso site. A gente volta daqui a pouquinho.

Oi, aqui é a Neka Setúbal. E aqui, a Sueli Carneiro. No episódio desta semana do Escute as Mais Velhas, a gente conversa com a psicóloga e ativista Maria Lúcia da Silva. Então, é nesse momento que eu costumo dizer que se na década de 70 eu me tornei negra, na década de 80 eu me tornei mulher. Porque o que chega primeiro é o racismo. Não tem jeito.

A Lucinha foi uma das mais importantes aliadas na construção e manutenção de instituições que promoveram a valorização da negritude na sociedade brasileira, como o Guelhé Dez, Instituto da Mulher Negra, e o SECAM, Centro de Cultura e Arte Negra.

Ela também teve uma percepção vanguardista sobre a saúde mental da população negra e levantou esse debate no Instituto Ama Psique e Negritude, um dos pioneiros a tratar do assunto no Brasil. Porque é no nosso corpo que mora a nossa alma. Entenda, a nossa psique está no nosso corpo. E o racismo, ele incide exatamente no básico que a gente precisa ter acesso, né?

Escute as Mais Velhas é um podcast da Fundação Tid Setúbal, produzido pelo Estúdio Novelo. Com episódios novos toda terça e disponível em todas as plataformas de áudio. Siga o podcast para não perder.

No post desse episódio no nosso site, a gente vai deixar um link para a primeira corrida das tampinhas do Edson Jucá e também referências da pesquisa do Vitor Hugo sobre os 40 da Argélia.

No canal da Rádio Novelo no YouTube, tem uma playlist só com histórias aqui do Apresenta que falam sobre futebol. Tem amnésia, goleada e uma defesa bem inesperada do Neymar como herói do proletariado. E todas as histórias têm até 30 minutos para você ouvir rapidinho durante o dia.

A gente está fazendo várias curadorias dessas, tem playlist sobre música, política e dá até para ouvir episódios completos do Apresenta Também. Então, segue a gente no YouTube para não perder nada.

Para quem é de redes sociais, a gente está no arroba radionovelo no Instagram, no Twitter, no Threads, no Blue Sky e no TikTok. Para quem é de e-mail, dá para mandar críticas, elogios, etc. Para o e-mail apresenta arroba radionovelo.com.br. A gente também recebe sugestões de histórias por lá.

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O Rádio Novelo Apresenta é um original da Rádio Novelo. A direção criativa é da Paula Scarpin e da Flora Thompson-Levaux. A direção executiva é da Marcela Casaca e a gerência de produto é da Bia Ribeiro e da Juliana Yeager. Nossos repórteres e roteiristas são a Bárbara Rubira, o Paulo Vitor Ribeiro, o Vinícius Luiz, o Vitor Hugo Brandalize, a Carolina Moraes, a Evelyn Argenta e a Bia Guimarães.

A Mayra Valejo é nossa trainee de criação. A Ashley Calvo é nossa produtora. A checagem desse episódio foi feita pela Caroline Farah e pela Eter Rudnitsky. Esse episódio teve montagem da Evelyn Argenta e desenho de som da Mariana Leão e da Bia Guimarães, que também assinam nossa mixagem. Nesse episódio, a gente usou música original de Arthur Cunz e também da Blue Dot.

O design das nossas peças é do Gustavo Nascimento. Nossos coordenadores de parceria são o Pedro Lopes e a Ellen Pimentel. A nossa analista administrativa e financeira é a Tainá Nogueira e o nosso analista de produto e audiência é o Vinícius Magalhães. Obrigada e até a semana que vem.

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