Episódios de Rádio Novelo Apresenta

Trabalhando no escuro

23 de abril de 20261h3min
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Disparos em massa e tiros na noite.

No primeiro ato: quem é que não sabe o que faz no trabalho? Por Paulo Victor Ribeiro.

No segundo ato: uma biógrafa trabalha de olhos vendados. Por Maíra Vallejo.

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Palavras-chave: trabalho; fake news; jornalismo; política; eleições; biografias; imaginação histórica; escravidão; investigação; pesquisa; século XIX

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Participantes neste episódio6
P

Paulo Victor Ribeiro

Hostjornalista
C

Carolina Moraes

Comentaristajornalista
M

Maria Alva Barbosa

Comentaristaprofessora
M

Mayra Vallejo

Comentaristajornalista
N

Nayara

Comentaristaestagiária
P

Patrícia Campos Mello

Convidadorepórter
Assuntos3
  • Trabalho no escuroDisparos em massa de mensagens · Investigação sobre aborto legal · Biografias de escravizados · Ruptura como metáfora do trabalho · Impacto das fake news nas eleições
  • História de SeveroEscravidão no Brasil · Violência e resistência · Narrativas de escravizados
  • Fake news e eleiçõesCampanha de Tarcísio de Freitas · Patrícia Campos Mello e investigações
Transcrição162 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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Tá começando o Rádio Novela Apresenta. Eu sou a Branca Viana. E hoje a gente está apagando as luzes. Bom, na verdade, as luzes estão sempre apagadas aqui no Apresenta, né? A gente traz as histórias, mas você não está vendo a cara de ninguém.

Você só vê de vez em quando no Instagram, e lá, cada vez que tem um vídeo dos nossos repórteres, rola um pequeno rebuliço, porque cada ouvinte imagina o rosto que quer. E aquele rosto nunca é exatamente o rosto que aparece um dia no seu feed, acoplado à voz que você já conhece, contando sobre uma apuração qualquer.

Eu entendo. Eu já passei por isso, de ficar perturbada de ver que os apresentadores dos meus podcasts preferidos não tinham a cara que eles deviam ter. Mas não é esse o ponto aqui. Voltando. O que eu estava querendo dizer é que a gente trabalha no escuro.

E a gente gosta disso, porque por mais complicado que seja enfiar um microfone na cara de uma pessoa e pedir para ela contar uma história, é bem mais complicado quando tem uma câmera envolvida. E a gente acredita que quando você não está vendo o rosto, o corpo, a roupa de quem está te contando uma história, você tende a ficar mais aberto para aquilo que a pessoa tem a dizer.

E no episódio dessa semana, a gente está mergulhando mais ainda no breu. Isso porque as duas histórias de hoje têm a ver com pessoas trabalhando no escuro sem conseguir enxergar completamente aquilo que elas estão fazendo. Quem vai começar a tatear nas trevas depois desse intervalo é o Paulo Vitor Ribeiro.

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Oi, aqui é a Carolina Moraes, da Rádio Novelo, e eu tô aqui pra te fazer um convite. No ano passado, eu, a Natália Silva e a Bia Guimarães passamos meses mergulhadas numa investigação sobre uma nova ameaça ao acesso ao aborto legal no Brasil.

O que disparou essa investigação, e que virou uma série chamada Sala de Espera, lá no feed do Rádio Novelo Apresenta, foi o fechamento de um serviço de referência, o do Hospital Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo. Depois de meses no embate jurídico, esse serviço acabou de ser reaberto.

Mas as ameaças ao aborto legal continuam pairando. Por isso, nós três resolvemos nos reunir para uma live no nosso canal no YouTube no dia 28, uma terça-feira, às 8 horas da noite. A gente vai conversar com os especialistas Romina Margarita Ramui e com o Rodolfo Pacanella para falar um pouco sobre a nossa série e entender o que está em jogo agora nessa disputa. É só procurar por Rádio Novelo no YouTube e se inscrever para não perder a conversa. A gente te espera lá.

Ano passado eu fiquei viciado numa série chamada Ruptura. Esse é o nome em português. Talvez você conheça pelo nome em inglês. Severance. Mas mesmo que você não tenha assistido, talvez você tenha cruzado com ela por aí, porque ela ficou bem famosinha. A história acompanha um grupo de trabalhadores de uma empresa que se submeteram a esse procedimento. A Ruptura, que divide sua vida em dois. Você é uma pessoa no trabalho e outra pessoa fora dele.

Aí, dentro do escritório, você não sabe como é a sua vida fora, e fora dele você não tem ideia do que você faz lá dentro. São realmente duas pessoas diferentes, habitando um corpo só. Isso cria uma situação meio estranha, porque não ter noção do que rola dentro do prédio pode permitir uns arranjos meio suspeitos, né? Mas não é só que aquela versão de folga de você não sabe o que a versão trabalhadora faz. O próprio interno não sabe o que ele faz.

Tudo o que ele sabe é que o trabalho é misterioso e importante. E isso vai criando um desconforto gigantesco nesses empregados. Na prática, tudo o que eles têm que fazer é escolher no meio de um mar de números na tela do computador os números que mexem com as emoções deles. Às vezes eles olham para os números e sentem pavor. Às vezes eles sentem alegria. Às vezes eles não sentem nada.

Daí, eles vão organizando esses números tipo em caixinhas, ali na tela do computador. Rolou muita teoria sobre o que era essa organização de números, dentro e fora da série. Um personagem, por exemplo, acha que a Terra foi destruída e que eles estão ali preparando o mar para receber a humanidade. Outro acha que eles estão só tirando palavrões dos filmes.

Nos fóruns de discussão sobre a série, as teorias menos ambiciosas falam que eles estão treinando inteligência artificial. Mas tem gente achando que eles estão mesmo editando a realidade. E o que mais tem nesses fóruns é gente filosofando na ideia da série Ruptura como uma metáfora. De como o trabalho hoje, nesse estágio do capitalismo, não vê o trabalhador como um ser humano integral. De como a gente sofre com esse corte entre pessoa física e pessoa jurídica. E sim, a Ruptura é uma versão extrema dessa alienação.

Mas, pô, falando literalmente, quem é que não sabe o que faz um trabalho? Eu seria auxiliar administrativa, então mexer com o planilho de Excel, o básico de hoje, coisas que qualquer estagiário sabe fazer. Aí tranquilo, né? Pra mim tava perfeito. A gente vai chamar essa pessoa de Nayara. Ela tem vinte e poucos anos. Por questões de segurança, a gente alterou vários dados aqui pra ela não ser identificada.

Em 2022, que por coincidência foi o ano em que Ruptura estreou, a Nayara estava na faculdade e estava procurando um emprego. Ela recebia um auxílio do governo que quebrava um galho, mas estava longe de ser uma solução para os problemas dela. Era só o básico mesmo que você comprava, não era nem uma cesta básica, na real, não era nem o básico. E ela estava fazendo faculdade. Então o ideal era achar algum emprego na área dela para ganhar experiência. Logo quando eu entrei no curso... E aí

A primeira coisa que eu fiz foi me inscrever nessas empresas intermediárias de contratação de estagiários. E eu consegui esse estágio, o dito cujo, pela Anubi, né? A Anubi é uma plataforma de contratação de estagiários muito famosa nas faculdades. Eles fazem isso aí mesmo que a Nayara falou, intermediam a contratação. Oferecem estagiários para as empresas e vagas para os estudantes.

A Nayara viu essa vaga de assistente administrativo, que na teoria parecia uma porta de entrada interessante para a área dela, que era administração, mas na prática ela sabia que era um nome genérico, que podia significar qualquer coisa dentro de uma empresa.

mas ela não estava muito em condição de escolher. E os benefícios dessa vaga eram bons. Eu acho que era um combo de benefícios. Tipo, estava um salário, uma bolsa auxílio, ok, para a média, para mil e pouco, mil e cem, algo assim. Aí tinha vale-transporte e vale-refeição. Não é todos os estádios que oferecem vale-refeição, isso já me pegou.

Além de tudo, ainda era fácil de chegar. A empresa estava muito bem localizada, estava numa região que dava acesso à Zona Sul, a Jardim Ângela, a Cidade Adhemar, coisa e tal. Não tinha nada que fizesse parecer que tinha algo estranho acontecendo. Foi tudo muito perfeito. Eu fui bem recepcionada, a empresa era uma casa enorme de dois andares, então tudo ok. Uma portaria bem equipada, câmeras de segurança, absolutamente normal.

O treinamento foi rapidinho e rolou logo ali no primeiro dia de trabalho mesmo. Já tinha vários outros funcionários na mesma função que ela e todo mundo tinha o mesmo equipamento de trabalho. Seis aparelhos de celular, chips de telefone, na verdade, uma caixa de isopor cheia de chips.

era um pouco maior do que caixa de sorvete, sabe? Eu não sei dizer assim a quantidade, mas tinham muitos chips de celular. Muitos chips. De todas as operadoras, tinha até Nextel, sabe assim? Eu nem sabia quem ainda usava Nextel, sabe? Mas tava lá.

Ok, ela ganhou um isopor de chips e um computador. Tinha duas telas de computador, era computador mesmo, tinha CPU lá e tal. Meio peculiar, né? Celular e computador, show! Seis celulares, uma pad chip e um computador estranho. Eu, sem querer fazer muita pergunta, até pra não parecer muito em pro, queria mostrar a proatividade, enfim, mostrar que eu queria trabalhar. Fiquei bem quietinha na minha, só observando.

O supervisor da Nayara sentou ali, junto com ela, para ensinar o processo. E aí ele falou, então, o que a gente vai fazer é basicamente instalar o WhatsApp nesses celulares, colocar o chip no celular e criar uma conta de WhatsApp em cada um dos celulares. E ia ficando cada vez mais esquisito. Aí ele falou assim, agora que você criou o número em todos os celulares, você vai interagir eles, conversar entre eles.

Era tipo brincar de boneca ou escrever uma peça. Ficar ali, criando diálogos. Ia conversando entre eles, criava grupo, mandava figurinha. Mas na verdade, as mensagens nem precisavam ter sentido. Era só pro WhatsApp entender que aquele número tava interagindo com outros.

Aí no Google, pegava foto de mulher cabelo loiro e subia uma foto fake no WhatsApp. Colocava qualquer coisa genérica no Google, né? Qualquer pesquisa genérica. Mulher feliz, sorrindo. E aí colocava foto. Homem, sei lá, qualquer coisa, assim. E aí subia fotos fakes em cada um dos WhatsApps. Aí ele me orientou a conectar o WhatsApp Web no computador. Só que não era o WhatsApp Web normal.

A empresa tinha softwares próprios que estavam já naqueles computadores. Aí eu ia lá no celular, clicava no WhatsApp Web, lia o QR Code da tela e conectava. E fazia isso com todos os telefones. Só que automaticamente, quando eu fazia isso, sem eu precisar dar nenhum comando específico, o bot já começava a trabalhar, né? Ele já fazia o que tinha que fazer.

Aí que começava o trabalho. Do bot, né? Não da Nayara. Era um trabalho tão bestializante que ficava todo mundo conversando e comendo enquanto acontecia. Às vezes eu ficava no meu Instagram, ficava vendo vídeo no YouTube, levava algum lanchinho, entendeu? Eu ficava comendo lá. Na empresa tinha aquelas máquinas de... de snack, sabe? Que se podia colocar a moeda e pegar um lanchinho. Então era isso que eu fazia. Se na série Ruptura os personagens precisam ficar o tempo todo interagindo com os números,

Na empresa da Nayara, nem isso os funcionários tinham que fazer. A máquina fazia tudo sozinha. Eles só precisavam ficar ali monitorando. Só que era um monitoramento no escuro. Na tela do computador eu não via nada mudar. Continuava lá os QR Codes acontecendo. Mas na tela dos celulares eu conseguia ver que estava sendo enviada mensagem para muita gente, muitas mensagens sendo enviadas.

Coisa assim, de 10 por segundo, assim, muita coisa mesmo. Eu não conseguia nem acompanhar os números que estavam... Mas eu conseguia ver o DDD e os números, né? Não eram contatos salvos. Era assim, mais 45, 11XYZ. Então, não faço a mínima ideia do que eu enviei. Mas naquele dia eu enviei 011. Eu lembro disso. Esse WhatsApp Web diferentão aí que eles usavam parecia ser uma criação da própria empresa.

Eu acredito que seja próprio da empresa que eu trabalhava, porque quando o bot caía, aí os nossos supervisores iam até a UTI para conversar com o pessoal e dizer, ó, tem que trabalhar, tem que atualizar porque o WhatsApp derrubou o bot. Às vezes o sistema caía e a dor de cabeça era do TI. Mas às vezes era a própria conta de WhatsApp criada pela Nayara que caía. E isso acontecia quando muitas pessoas contatadas por aquele número faziam denúncias para a plataforma.

A Nayara não via as mensagens que ela tava mandando. Mas, pelas respostas que ela recebia, não parecia boa coisa. A pessoa respondia, quem é você? É onde você conseguiu o meu número? Aí xingava, né? Seu filho da puta, não sei o quê. Então, dava pra ver que aquelas pessoas não tinham se cadastrado. Elas não sabiam por que que estavam recebendo aquelas mensagens.

Demorou um pouco para eu me incomodar bastante, né? Porque eu estava pensando muito no meu salário. Quando eu recebi o primeiro salário, que aí eu consegui pagar as contas e pensar em outras coisas, a não ser sobreviver, aí eu comecei a refletir melhor. Eu não sabia o que eu fazia, né? Ela não era a única perdida.

Primeiro que era muito moleque na operação, né? Muita gente jovem, assim, 18, 19 anos, falando groselho o dia inteiro, sabe? Brincando, falando palavrão, zoando, coisa e tal. Ela até achava divertido passar as tardes assim, mas os assuntos nem sempre batiam. Conexão mesmo rolou com algumas poucas pessoas. Uma, que também parecia estar levando aquilo um pouco mais a sério, acabou virando amiga.

Aí eu dizia, aí amiga, você tá gostando? O que você tá fazendo? E aí a gente foi trocar figurinha e a gente descobriu que a gente não sabia o que a gente fazia. Aí eu não sei o que eu faço. Eu conecto lá no bot e fico comendo lanche, né? Fico conversando com o pessoal, fico... E era isso. Quando eu fui contar pros meus pais que eu tava trabalhando, né? Eu não morava com os meus pais já naquela época, mas eu atualizava eles da minha vida. É... Ah, o que que se faz? Ah!

como é que você descreve essa atividade? Ah, mãe, eu trabalho com planilha. É assim que você explica, né? Porque não tem como dizer, eu fico conectando o WhatsApp web num bot que envia... Que isso, né? É ridículo, né, você falar isso pras pessoas. Até falando em voz alta eu me sinto ridícula. Então eu tentava romantizar muito o que eu fazia pra parecer especial, né?

E quanto mais eu refletia, mais eu via que eu não sabia o que eu tava fazendo. E mesmo quando eu tive acesso às mensagens, mesmo assim não ficou claro o que eu fazia. Em nenhum momento ficou claro. Eu saí de lá faz quase cinco anos e ainda não ficou claro pra mim o que eu fazia. Um dia, o bot saiu do ar. O que falaram pra Nayara foi que o WhatsApp tinha atualizado e o sistema da empresa tinha parado de funcionar. Mas o trabalho não podia parar.

porque a empresa tinha que honrar as entregas que tinham sido contratadas. Então, naquele dia, excepcionalmente, os funcionários tiveram que enviar as mensagens à mão, uma por uma. E pela primeira vez, sem o bot, eles conseguiam ver o conteúdo que eles estavam mandando.

Isso porque, em vez de conectar os celulares no programa do computador, com aqueles QR codes na tela, os funcionários tinham que abrir uma planilha com os conteúdos das mensagens, baixar as imagens, copiar o texto e enviar seus celulares pessoais para os celulares de serviço. E daí ir disparando as mensagens daqueles celulares contato por contato. Foi um disparo em massa artesanal. E uma dessas mensagens ficou gravada na cabeça da Nayara.

um vídeo grotesco, assim, uma coisa bem... Era um vídeo de um palhaço, vermelho, e ele ficava dançando, assim, bem... Bem idiota, assim, ficava dançando como se fosse, sei lá, uma dança de criança, ficava dançando, assim, bem bobalhão, todo vermelho, e a cara dele era do Tarcísio, da pessoa que estava candidata a governador em São Paulo, do Tarcísio de Freitas.

E o vídeo tinha um texto que acompanhava, e o título do texto era, em negrito, né? Em caps lock. Não vote um forasteiro. E aí tinha um textinho menor embaixo, que eu já não me lembro qual era, mas era complementando o título, né? Assim, como quem diz, não vote uma pessoa que não é daqui. E... nossa, foi horrível. Foi horrível. Foi péssimo pra mim.

A primeira preocupação da Nayara foi, será que... Será que isso não é ilegal? Será que o que a gente tá fazendo não pode dar ruim? Mas além da possível ilegalidade da coisa, a Nayara não tava curtindo fazer parte dessa história. E assim, sendo uma pessoa que não se interessava muito por política na época, não era o Tarcísio meu candidato, de fato, mas eu também não queria que...

que eu chegasse no número pessoal das pessoas dizendo pra não votarem nele, entendeu? Bom, a gente sabe que, a despeito dessa campanha difamatória, o Tarcísio de Freitas foi eleito governador de São Paulo em 2022. Ah, em 2022? É, em 2022. Fiquei bem surpresa de ainda estar rolando a resiliência aí do esquema do disparo em massa.

Hoje em dia você olha pra isso, é uma coisa tosca. É tipo da idade da pedra, né? Você ficar plugando os celulares, ou você ficar... Então, acharia já em 2022... Cara, será que não tem... Eles não descobriram uma coisa mais moderna pra tentar fazer picaretagem? Eu quis falar com a Patrícia, porque foi ela quem revelou o disparo em massa de mensagens políticas no WhatsApp no Brasil. Meu nome é Patrícia Campos Mello, sou repórter da Folha de São Paulo.

Eu não sou uma repórter de política, né? Mas eu tinha começado a cobrir, lá em 2014 ainda, uso de internet, de aplicativo de mensagem por políticos, né? Pra tentar influenciar eleições. Começou lá em 2014, com mais força, com o Narendra Modi na Índia. Eu cobri aquela eleição. Depois eu cobri a eleição do Trump. Tinha saído umas matérias na BBC Brasil, no Estadão.

Sobre os grupos de WhatsApp bolsonaristas, que estavam bombando e que circulava muita fake news, etc. E aí eu falei, bom, deixa eu dar uma fuçada nisso, né? A eleição do Modi na Índia, que a Patrícia está falando, é a de 2014. E a do Trump nos Estados Unidos foi a primeira, em 2016. Nessa fuçada que ela resolveu dar no WhatsApp por aqui, a gente está em meados de 2018. Mas aí eu fui falar com campanhas eleitorais.

E aí eles me disseram que tinha umas agências de marketing que estavam prestando um serviço, elas disseram que era para as campanhas na época, que era de eles ficarem disparando mensagens, né? Normalmente mensagens com informações falsas, mas também mensagens... A Patrícia conseguiu o nome de quatro agências que estavam prestando esse serviço e resolveu investigar elas por um caminho curioso, a justiça do trabalho.

A lógica é que se algum ex-funcionário já tivesse processado a empresa, tinha uma chance razoável desse processo ter boas informações internas. Bingo.

E aí a gente puxou Daia Caos, que era uma delas, e tinha um funcionário que tinha movido um processo, pedindo uma indenização, e que aquele processo era o paraíso das informações, porque tinha fotos das mensagens que eles mandavam, tinha fotos de onde eles trabalhavam, e era uma linha de montagem de envio de WhatsApp. Tinha, assim, foto da caixa com chips, chips de celular. Tá suando familiar?

Imagina, hoje em dia você tem chip e SIM, né? Na época não, era chip e chip. Eles iam lá na Santa Efigênia e compravam lista de dados CPF, normalmente de idosos, para poder registrar os chips. Essa era uma linha de montagem, literalmente, uma coisa bem tosca. Eram várias pessoas sentadas, assim, uma ao lado da outra.

E elas usavam ou vários celulares ligados no computador, cada um com o seu chip desviado e registrado com o CPF roubado, ou elas tinham um negócio chamado chipeira.

E aí elas prestavam serviço para quem contratasse. No caso, quando eu fiz as matérias, eram empresários que estavam comprando, não diretamente as campanhas comprando. Aí eu entrei em contato com a pessoa que estava processando a empresa, e falei, olha, estou aqui com o seu processo, tem foto, tem as trocas de mensagens, coisas que vocês mandavam, a gente quer fazer uma matéria sobre isso. Te interessa?

Aí ele ficou super assim, não, sim, interessa, interessa. E aí ele passou mais informações, passou mais mensagens que ele tinha, mais fotos, etc. Você lembra dessas matérias? A gente tá tão imerso num espiral de acontecimentos políticos malucos desde então que eu não vou te culpar se você tiver esquecido. É que aqui, na bolha do jornalismo, que eu tava começando a acompanhar naquela época, isso foi uma explosão.

As matérias contavam que empresários estavam comprando esses pacotes de disparos de WhatsApp em massa das agências de marketing e a matéria relatava eram contra o Fernando Haddad. Fernando Haddad, que na época era o candidato do PT à presidência. Sim, na quadra rival do Tarcísio de Freitas, aliado até hoje de Jair Bolsonaro, que foi quem ganhou a eleição presidencial em 2018. Quer dizer, os pacotes de mensagem têm como alvo tudo quanto é canto do espectro político.

E hoje, olhando para trás, esse é só mais um escândalo de tantos que a gente tem acompanhado. Mas ali em 2018, esse era o escândalo. Grande o suficiente para fazer algumas pessoas acharem que a chapa do Bolsonaro podia cair. A campanha do PT se agarrou nisso e entrou com uma ação eleitoral no TSE, tentando contestar, empugnar a candidatura do Jair Bolsonaro. Eu lembro que quando a gente fez a matéria...

TSE não sabia nem o que era isso. O TSE falava assim, não, mas não sei o que, diz que não existe impulsionamento. Isso não é impulsionamento, é um negócio feito a revelia do WhatsApp, do dono da plataforma. É uma pessoa ali que eles fizeram uma gambiarra para ficar enviando mensagem. Em 2018.

ninguém sabia nada dessa coisa de usar, era tudo muito no começo de uso de internet e de fake news, de campanha eleitoral pela internet. Tem um amigo meu, perguntou para alguém, assim, no alto escalão do PT, assim, olha, você não está preocupado com as fake news, né, o efeito que isso pode ter na eleição? E aí a pessoa do PT falou assim, fake news? Eu estou preocupada com o Globo, a Folha, a Globo.

visionário, né? Então, assim, as pessoas não tinham muita noção do alcance, da amplitude. Nem os jornalistas, nem os políticos e nem o TSE. Alguns anos depois teve a conclusão do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral sobre isso especificamente e eles chegaram à conclusão, era basicamente assim, olha...

Isso foi feito, isso é ilegal, mas nós não podemos provar se isso foi suficiente para mudar o resultado eleitoral. Então, foi meio que essa a conclusão. Eles não anularam o resultado da eleição, etc. Isso foi em 2021, um ano antes da Nayara entrar na empresa. Mas ela não estava acompanhando as notícias. Mas vamos voltar para aquele dia, em 2022, em que o vídeo do Tarcísio estava sendo disparado.

Eu lembro que eu voltei pra casa, a primeira coisa que eu fiz, e que eu não tinha feito até então, foi pesquisar o que era aquela empresa. O CNPJ era novo, tinha tipo meses de existência, tipo três meses de existência, o CNPJ do estágio que eu tinha sido contratada, né? Aí eu fui e joguei o interesse da empresa no Google. Aí eu descobri que naquele prédio tinham quatro CNPJs. E assim, todos os CNPJs, eles ficavam menos de um ano existindo.

Era derrubado e aí construiam outro CNPJ, né? Criavam outro CNPJ fazendo a mesma atividade. Tudo que a Nayara sabia do dono da empresa era o nome dele.

Eu ouvia falar dele o tempo todo, mas eu nunca fui apresentada a ele. E ele também nunca foi na operação, assim. Eu nunca vi ele. Nós nunca fomos apresentados. Eu vi o reflexo dele uma vez. Eu tô falando que ele era uma lenda, uma lenda urbana, realmente. No pior sentido da palavra, assim, sabe? Loura do banheiro.

O nome dessa lenda urbana era Lindolfo Antônio Alves Neto. E foi só quando a Nayara jogou o nome completo do chefe dela no Google que ela viu a cara dele pela primeira vez, depondo na CPMI das fake news no Congresso Nacional e se recusando a fazer o juramento e dizer somente a verdade. Eu pergunto ao senhor depoente se deseja fazer algum esclarecimento inicial antes de partirmos para a fase.

O senhor Lindolfo, quando da intimação, não ficou claro se ele estaria vindo na condição de investigado ou de testemunha. Isso porque quando você é testemunha, você tem a obrigação de dizer apenas a verdade. Nessa condição específica, mentir e omitir são crimes. Mas quando você é investigado, se espera que você diga a verdade, mas isso não é uma obrigação legal. Porque nenhuma pessoa pode ser obrigada a produzir provas contra si mesma.

Doutor Júnior, essa comissão quer que o nosso depoente, já que no requerimento não está explícito, ele faça o compromisso de dizer somente a verdade. A discussão sobre a natureza do depoimento levou 20 minutos. Por orientação do advogado, o depoente não prestará compromisso de dizer a verdade.

O Lindolfo era sócio-administrador da IACOLS, a agência de marketing que foi processada por um trabalhador e deu origem às descobertas da Patrícia Campos Mello. Mas não só. Ele tinha uma rede de agências, com diferentes nomes, diferentes NPJs, que se confundem em quadro societário, endereço, atividade. Na CPMI, ele disse que todas faziam parte do mesmo grupo. Importante salientar a IACOLS. Ela é uma empresa constituída em 2011.

Hoje nós temos algumas empresas, então logo nós chamamos a IAC de um grupo de empresas. A Book Services é uma plataforma de marketing direto que permite que pessoas possam utilizar para envio das mais diversas mídias para os mais diversos meios de comunicação.

A defesa dele era que esse grupo de empresas funcionava meio que nem os correios. A pessoa chega nos correios, fecha, lacra sua carta, coloca o selinho, coloca nos correios, o carteiro leva até o destino e a pessoa do outro lado recebe a mensagem, seja ela qual for.

Então, basicamente, é isso que a plataforma Book Services faz. Ela faz com que as mensagens, nos mais diversos meios, cheguem aos seus destinatários. Reportagens e processos judiciais, incluindo o processo trabalhista que deu origem às descobertas da Patrícia, apontam que o grupo que as diferentes empresas fazem parte é só uma estratégia de pulverizar as atividades em diferentes NPJs para manter o negócio funcionando quando a casa cair. O que, por coincidência, foi exatamente o que aconteceu.

E eu voltei a fazer matéria na eleição municipal de 2020, que eles continuavam oferecendo esses serviços. Eu entrevistei, inclusive, teve um candidato a vereador que entrou em contato e me mandou todas as trocas de conversas, de tudo que estava oferecendo para ele. Ou seja, estava rolando igual. Esse grupo de empresas não só tinha sido proibido pelo TSE de seguir com essa prática, como eles também tinham sido processados pelo próprio WhatsApp.

Na época, o WhatsApp negou tudo. Dizendo, não, não tem nada disso. Na época, o WhatsApp não tinha ninguém no Brasil. A gente não conseguia nem falar com alguém do WhatsApp. Um ano depois, um executivo deles falou, é, a gente sabe que foi usado o WhatsApp de forma irregular, etc. Até que chegou num ponto que alguns anos depois, eles processaram essas empresas que fizeram os disparos em massa. Acho que eles processaram por...

uso indevido da marca, que foi o jeito que eles arrumaram ali, e era um uso irregular da ferramenta, não era para isso, não era para fazer spam que era usado. Em 2022, o tema dos disparos em massa quase não fez parte da cobertura política.

Então eu já tinha decidido que assim eu conseguisse não ter mais dívidas, né? Porque eu tava com dívidas acumuladas desde a pandemia. Juros de cartão, enfim. Eu decidi que quando eu pagasse as minhas contas, eu encontraria outro estágio. Eu conversei com aquela minha amiguinha que trabalhava junto comigo. E eu falei, amiga, eu vou pedir demissão. Ela falou assim, eu também. Eu também. Isso que a gente tá fazendo não é certo. Eu não aguento ficar aqui, a gente vai ser presa daqui a pouco.

Se acontecer alguma coisa, muito possivelmente nós seremos responsabilizadas também. Isso era coisa de semana do dia 20. O salário ia cair coisa do dia 30, sabe? Ia demorar coisa de 10 dias pra gente receber o próximo salário cheio. Então vamos esperar mais X dias? Vamos, vamos esperar. A gente decidiu isso. Eu tava muito preocupada, muito preocupada. E...

Eu fui trabalhar pensando, mentalizando de que eu ia fazer aquilo por mais alguns poucos dias e que ia ficar tudo bem. Mas, quando eu fui trabalhar na semana seguinte, a coisa escalonou muito rápido. Ficou muito pior, muito rápido. A Nayara contou que um dia estava correndo tudo normal. O pessoal do TI já tinha resolvido o problema no bot, a Elia e os colegas já tinham voltado a trabalhar naquele esquema de só monitorar a máquina fazendo o trabalho dela.

Eu fui fazer a minha pausa de lanche, já tinha escurecido o dia, e eu vi que tinham policiais entrando e subindo pro primeiro andar. Policiais militares. Falei, gente, descobriram tudo, eu vou ser presa. Eu fiquei tão angustiada que eu mandei mensagem pra minha mãe. Contei tudo pra minha mãe, como que diz assim, se eu sumir, mãe, saiba que foi isso, entendeu? Saiba que me mataram. Que descobriram o que a gente faz, que foi queima de arquivo, sabe assim?

E aí esses policiais subiram. Aí esses policiais desciam, às vezes, tinha tipo quatro policiais. Eles desciam, tomavam café, ficavam conversando. E eu, assim, sem saber o que fazer, né? Saber se me escondia, se chorava, se... Nossa, eu tava super angustiada, assim, com vontade de chorar. Tava tremendo. Eu voltei pra sala da operação e conversei com o pessoal. Gente, esses policiais aí, o que eles estão fazendo aqui? Ah, não, isso aí é cotidiano. Eles vêm sempre. Uma vez por mês, eles estão aqui.

Na série Ruptura, quando alguns funcionários, esses que passaram pelo procedimento de separar a consciência da vida de fora da empresa para a vida de dentro, quando eles querem reverter esse procedimento, sair da empresa, pedir demissão, a empresa dá um jeito deles não conseguirem fazer isso. Ali na empresa da Nayara, ninguém tentou impedir ela de se demitir. Mas ela passou um bom tempo achando que podiam tentar vir atrás dela.

Hoje em dia, não que eu esteja protegida, né? Mas eu já saberia mais ou menos qual recurso procurar para me proteger. Tem muitos jornalistas que estão com graves problemas por denunciarem a mesma empresa, entendeu? A mesma... Não a mesma empresa, né? Porque o CNPJ muda. Mas é a mesma atividade que o Lindolfo faz, né?

Eu não sei exatamente quantos jornalistas estão com graves problemas por denunciar esse esquema. Mas eu sei quem estava na cabeça da Nayara quando ela disse isso.

Quando eu comecei a publicar as matérias, começaram a rolar fake news comigo. Então, assim, eles circulavam umas coisas dizendo assim, ah, que eu tinha sido condenada pelo Supremo. Imagina, né? Olha o foro que eu tenho. Pegava uma foto que não era eu, do lado do Haddad, falava, olha lá, a jornalista que é... Me chamava que eu era de esquerda. Pegaram uma entrevista que eu tinha dado para uns alunos de uma faculdade.

que eu explicava lá os meus posicionamentos políticos e como eu tentava que isso não influenciasse, editaram esse negócio, esse negócio viralizou. Eu passei de uma pessoa que eu era uma repórter de jornal, absolutamente desconhecida, a não ser entre jornalistas, eu diria.

para uma pessoa que estava no grupo do WhatsApp das pessoas, com as notícias e fotos mais bizarras. E aí a pessoa que era a fonte de uma das matérias, que tinha movido o processo, ele falou uma mentira na CPMI, falou que eu tinha oferecido, ou dado a entender que eu ofereceria sexo em troca de informação. E depois dele falar isso, e o presidente Bolsonaro... É...

fazer um trocadilho com isso, uma piada com isso em rede nacional, e o deputado Eduardo Bolsonaro falar isso diversas vezes, inclusive no plenário do Congresso, aí minha vida virou um inferno, porque aí eram coisas sexuais, era vídeo pornográfico com a minha cara, eram todas as coisas mais horrorosas do mundo que você pode imaginar. Isso assim...

centenas, milhares, mensagens horrorosas de pessoas, assim, você tinha desde o vereador do não sei aonde, todo mundo me xingando, eu moro num prédio, e o meu prédio são três prédios juntos, todo mundo vai na mesma portaria, né?

Tinha uma mulher que morava no primeiro andar que ela abria a janela toda vez que eu passava e começava a me xingar. E falava assim, sou filha da puta petista, sou comunista, berrando da janela. Porque ela devia ter recebido algum negócio por WhatsApp e até os porteiros, que são super gente fina, eles ligavam para mim e falavam assim, dona Patrícia, não desce que a louca abriu a janela.

Então era isso, eu ia no clube, as pessoas me abordavam, aí começaram, aí vinha umas mensagens, veio uma mensagem falando se você quer a segurança do seu filho de seis anos, saia do país. Aí comecei a ficar neurótica, né? Ligaram no meu telefone, no meu celular, falando que ia dar um soco na minha cara. Eu só fiz uma matéria. Quatro anos separam as descobertas da Patrícia das descobertas da Nayara.

quatro anos também distanciam um agente da história da Nayara. E a gente está de novo em um ano eleitoral. Cara, eu acho que talvez eles tenham umas coisas mais eficientes hoje em dia. Por exemplo, influenciadores. Eu acho que influenciador vai ser um rolê, porque a gente já viu isso sendo usado

No Banco Master, para falar mal do Banco Central, eles foram contratados. É sempre uma coisa muito cinzenta. A gente viu agora, depois da escola de samba que o manajou o presidente Lula, e teve uma repercussão negativa, você também teve vários influenciadores. Então, eu acho que para você moldar a opinião pública, é muito mais eficiente você contratar um influenciador por debaixo dos panos.

do que você enviar esses disparos em massa, porque hoje em dia é spam, né? Essas transações são tão cinzentas que você nunca vai saber se o cara está falando bem do fulano porque ele quer, criticando o ciclano porque é a liberdade de expressão dele, ou se alguém pagou. Eu diria que eu acho que isso aí é muito mais eficiente do que era disparo em massa de WhatsApp.

Até agora só tem duas temporadas de ruptura no ar. E ali para o fim dessa segunda temporada, a gente tem um vislumbre do que aqueles funcionários fazem. Os números que eles refinam, esse negócio meio difícil de explicar, ajudam a empresa a domar as emoções humanas. Esses números são as emoções humanas. Uma forma de representação delas. E o que parece é que a empresa vai conseguir controlar isso. Graças a esse trabalho.

A Nayara me contou que ela até começou a ver ruptura, mas ela não engajou com a série. Abandonou depois de alguns poucos episódios. Ela também não fez muita conexão com o trabalho dela. Ela disse que o paralelo que ela traçava era com o filme Tempos Modernos. Tempos Modernos, o Charlie Chaplin, sabe? Apertando parafusos, pode ser. Só que são parafusos que manipulam emoções. Tanto na Yakles, quanto em ruptura.

Esse foi o Paulo Vitor Ribeiro. A gente volta já já.

Chegou a hora de deixar os carros da idade da pedra para trás. O BYD Dolphin Mini foi o elétrico mais vendido no varejo por dois meses consecutivos. Pela primeira vez, um carro 100% elétrico lidera essa posição no Brasil. E chegou a sua vez de ter um carro mais econômico que moto. BYD Dolphin Mini, a partir de R$ 109.990 para CNPJ. Fala até uma concessionária BYD e faça um test drive. Consulte condições em byd.com.br. No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.

Oi, aqui é a Sueli Carneiro. E aqui é a Neca Setúbal. Estamos aqui para te convidar a ouvir o episódio desta semana do Escute as Mais Velhas. Toda hora me espanta, eu fico assim chocada, né? Porque a gente passou por isso, né? Meus filhos foram sequestrados mesmo, foi torturada grávida com oito meses de gravidez. Nós recebemos a escritora, jornalista e advogada Amelinha Teles.

Nós temos que conhecer a democracia e defender a democracia. Não dá pra achar que democracia é qualquer coisinha, não. Nós temos que levar a sério, porque eu acho que às vezes a gente trata com desdém, direito, cidadania.

A Melinha contou pra gente sobre a sua atuação no Partido Comunista, o enfrentamento à ditadura militar e também sobre sua identificação e atuação no movimento feminista. Escute as Mais Velhas é um podcast da Fundação Tid Setúbal, produzido pelo Estúdio Novelo e já está disponível em todos os tocadores de áudio. Com episódios novos a cada terça-feira. Siga o podcast para não perder.

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No segundo ato, a história começa numa noite escura no Rio de Janeiro. E parece que quanto mais ela avança, fica mais difícil de enxergar o que está acontecendo. Quem conta essa é a Mayra Vallejo. Numa noite de julho, num bairro da zona norte do Rio, um tiro ecoou pela rua. Era uma zona mais urbana do que rural.

perto da linha do trem, mas não muito longe de chácaras e fazendas. Tinha comércio, sobrados, uma padaria onde o pessoal tocava música. As noites já não eram tão tranquilas como algum tempo atrás.

Mas mesmo assim, o tiro deve ter assustado. O som veio de uma casa perto da estação de trem. Dentro daquela casa estavam três pessoas. A Rosinda Lucinda Fernandes, uma mulher de uns 70 anos, e dois rapazes, irmãos. Um deles a gente não sabe nem o nome. O outro tinha 20 anos e se chamava Severo.

Ele era um escravizado que trabalhava numa casa no Engenho Novo, mas era qualificado como lavrador. Ou seja, essa história não é recente. Essa noite do tiro foi dia 22 de julho de 1883.

A gente pegou a história no meio do caminho, na verdade. Porque o Severo vivia ali com Rosinda desde pequeno. Então ele saía de manhã pra fazer trabalhos de lavoura nos arredores e voltava no final do dia. Então essa era a rotina dele. E aí ele fazia ainda serviços domésticos. Naquele domingo não tinha sido diferente. Ele saiu, trabalhou e voltou pra casa.

E quando ele voltou, a Rosinda mandou ele preparar um café pra ela. Só que a gente tá em 1883, então não é só jogar uma colherada de pó na Melita. Tinha que socar os grãos na mão. E nesse dia, o Severo tava exausto. Ou de saco cheio, ou os dois, sei lá. Fato é que ele não quis passar o cafezinho pra Rosinda.

E ele disse que não ia fazer. Só que para um homem escravizado em 1883, não fazer não era opção, né? Ela aí pega uma correia e dá nas pernas dele. O que ficou para os anais, na verdade, é que foi um pedaço de bambu. O que importa é que doeu. E mesmo assim, o Severo não passou o café.

Aí ele sobe, vai para o interior da casa, para o quarto onde ele dormia com o irmão, pega uma espingarda. Nisso, o irmão dele vê o que está acontecendo e grita para a Rosinda. Ela sobe para o quarto dela. O Severo vai atrás. Ele tenta entrar e ela tranca a porta.

Aí ele vai, desce, escala a parede, vai até o telhado do segundo andar, tira as telhas para atirar de lá de cima. A Rosinda ouve o que está acontecendo. Sai correndo do quarto dela, desce as escadas e abre a porta da frente. O Severo já está lá, com a espingarda na mão. E ele atira. Só que tem um detalhe curioso. Ele atira nas pernas dela.

Portanto, ele não atira para matar, né? Faz um tempo que essa história não sai da minha cabeça. Quem me contou essa história e está contando aqui agora foi uma professora minha. Meu nome é Maria Alva Barbosa, sou professora titular da Escola de Comunicação da UFRJ e titular aposentada da Universidade Federal Fluminense.

Muitos anos atrás, a Maria Alva começou a puxar um fio que ia acabar levando até a história do Severo.

E eu trabalho com a questão da memória há muitos anos, e me chamou a atenção o fato de, no Brasil, só ter uma biografia de escravizados, enquanto que na Inglaterra e nos Estados Unidos existe um ramo de estudo, um braço de pesquisa, só em direção a isso, a publicação dessas biografias, de tantas que são as existentes.

O gênero se chama slave narratives. São narrativas escritas ou narradas por pessoas escravizadas. E é isso mesmo. Tem todo um gênero desses textos em outros países, mas no Brasil só tem um texto escrito por uma pessoa escravizada aqui. Uma unidade mesmo.

O Mohameda Aquacua nasceu no que é hoje o Benin e foi sequestrado, depois traficado para o Brasil na década de 1840. Ele foi escravizado por dois anos entre Pernambuco e o Rio. Até conseguir fugir com a ajuda de abolicionistas quando o navio em que ele fazia parte da tripulação chegou em Nova York. Essa biografia é escrita lá, então ela não é escrita aqui.

O Bacuacua contou a história dele para um abolicionista canadense que publicou o livro Por Lá em 1854. Talvez o fato de ter só uma biografia dessas nem devesse ser surpreendente, considerando tudo o que a gente sabe sobre o regime de escravidão no Brasil. Então eu fui construindo uma metodologia que eu pudesse não falar por eles, que essa é uma pretensão nossa, mas sobretudo deixar eles falarem.

Mas se simplesmente não existe a história dos escravizados contada por eles mesmos, então como faz?

Esse é o problema que a Maria Alva está tentando solucionar com a pesquisa dela. E que tem como resultado um livro que reúne várias dessas histórias. Que são biografias imaginadas, imaginadas como. Eles são vidas existentes, né? Mas que eu vou reconstruindo essas vidas usando muitas fontes e ao mesmo tempo altas doses de imaginação.

Eu pego a planta do lugar, a descrição das ruas, como eram as casas, para reconstruir a ambiência. Por exemplo, o frio, os barulhos, os sons, as conversas, a lama.

No caso do Severo e da Rosinda, que eu contei ali no começo, a Marialva tenta reconstruir todo o mundo ao redor. Os sons do subúrbio, o apito do trem chegando na estação ali perto, o barulho de gente indo e vindo, o bonde, que em muitos lugares naquela época ainda era puxado a burro.

Ela vai montando esse quebra-cabeça a partir de registros da época sobre aquele lugar. E ela junta isso com as histórias das pessoas escravizadas, que vem de um lugar bem específico. Todos eu encontrei do único modo, através das notícias publicadas nos jornais quando eles cometiam algum crime.

E aí eu vou daquela notícia para trás e para frente, em busca da documentação, para conseguir o máximo possível de informação sobre aquele personagem. A notícia que começou tudo saiu na primeira página da Gazeta de Notícias, no dia 14 de outubro de 1884.

A manchete era assim, o crime do escravo severo. E esses textos das páginas policiais são, digamos, pouco equilibrados na abordagem. Na verdade, não é tão diferente assim das páginas policiais de hoje em dia. Diz ali no terceiro parágrafo.

É preciso notar que essa senhora, dona Rosinda Lucinda Fernandes, é maior de 70 anos e que Severo era a cria dela. E que sempre o tratou com carinho. Aham, sei. Outro caso que eu conheci pela Maria Alva é de uma mulher que foi presa no dia 9 de setembro de 1882. Era uma mulher jovem chamada Deolinda, também escravizada.

Era um sábado e ela foi, por conta própria, para a delegacia com os quatro filhos dela. Duas meninas de seis e oito anos, um menino de doze e um bebê de um ano. E todos eles foram presos. A Deolinda e as quatro crianças. Por um crime que eu nem sabia que era crime.

O crime da Deolinda foi prestar queixa por maus tratos. Pois é, reclamar de maus tratos, denunciar, era crime naquela época. Dava cadeia. Isso era o maior motivo de prisões entre as mulheres escravizadas, inclusive. Elas já sabiam que elas iam presas. Até por isso, elas iam junto com os filhos para não deixar as crianças sozinhas.

Às vezes, várias mulheres iam denunciar juntas. Porque são quatro ou cinco por dia, para você ter uma ideia. Essa recorrência indica o que a gente pode pensar como a imposição de um domínio. Eu vou reclamar sim. Isso não é justo. Eu não quero viver isso, mas ela sabe que isso não vai resolver o problema imediato dela.

Então ela talvez esteja construindo um discurso na direção de um futuro e não daquele passado. Ou seja, para que isso seja reconhecido como a gente está fazendo agora, que existiu, mas que houve gente que não se conformou com isso. Talvez Deolinda estivesse pensando nos historiadores do futuro.

Talvez não. A gente vai dando os significados da forma como a gente compreende o mundo hoje. Mas o mundo do século XIX e a compreensão dessas pessoas daquele mundo não são as nossas. Quando a gente olha para essas histórias, a gente está olhando daqui do século XXI. Mas o que a Maria Alva tenta fazer é trazer um pouco da visão de mundo do século XIX. E especificamente dos povos banto, que era a maioria dos escravizados daqui do Rio. Eles têm uma...

percepção de mundo extraordinária, uma concepção de vida, morte, de vida feliz, de alegria, de partilha, de coisas entre eles, de resistências em atos banais, que devem ser considerados quando a gente olha para esses personagens do passado. O Manuel Moçambique é um desses personagens.

Ele estava na casa dos 40 anos, morava na rua da Quitanda, no centro do Rio. Trabalhava como surrador de couros. O nome parece meio macabro, ou um eufemismo de alguma coisa. Mas era uma profissão, que fazia parte do tratamento do couro de vaca, de boi mesmo. Ficar batendo pra amaciar. Enfim, um dia mandaram o Manuel buscar água nos chafariz da Carioca. E ele demorou pra voltar.

Quando ele chegou, ele já devia saber que ia apanhar. Porque ele correu pros fundos da casa, pegou uma faca, acertou vários golpes na barriga do cara que ia bater nele e fugiu. Manuel correu, correu muito, se enfiou nas velas do centro e, de repente, ele parou. Ele não foge, ele desiste, ele para, ele senta e espera ser capturado. Ele ficou ali, nos degraus de uma casa em obras, esperando até ser preso.

Nessas cenas que a Maria Alva fica imaginando, tentando reconstruir, sempre chega uma hora que bate naquilo que não dá pra saber. Naquilo que é difícil saber mesmo se a pessoa tá do nosso lado. No mesmo momento histórico. O que ela tá pensando? O que ela tá sentindo?

ele não sabia se corria, se ficava, se chorava, ele estava desesperado quando ele mete a faca no outro, depois de meter a faca no outro. Por que tanto desespero? É a pergunta que a gente faz, né?

O que dá pra saber é que o Manuel foi condenado às galés, que era prisão perpétua com trabalho forçado. Nos documentos tem uma descrição física dele, dizendo que ele tinha um sinal de nação na testa, entre as sobrancelhas, as bochechas encovadas e os olhos muito vivos. A gente também fica sabendo que, no fim, o Manuel não matou ninguém. O cara que ele atacou não morreu.

Tem um elemento da cosmovisão banto que a Marialva acha importante pra gente levar em consideração nessas histórias. A ideia do além e do que significava um assassinato. Ao produzir a morte, tirar a vida do outro, é uma morte maléfica, não é uma morte do bem. Uma morte do bem é você morrer, odiar dos seus e tal, blá blá blá blá.

Tira a vida do outro, você está produzindo uma morte que eles denominam maléfica. Essa morte maléfica faz com que você esteja condenado. Jamais, quando você morrer, você jamais vai encontrar com seus ancestrais, você não vai ser um ancestral.

Por isso, talvez, o desespero do Manuel. E por isso, talvez, o Severo tenha atirado para baixo e não para cima. Para devolver a violência da Rosinda, mas sem tirar a vida dela. A própria Rosinda, que talvez nunca tenha conversado com o Severo sobre a visão de mundo dele, falou num depoimento que talvez ele tenha errado a mira só porque estava escuro.

Naquela noite, o Severo também fugiu. Ele ficou escondido durante uns dias, no mato ali perto. Era julho, no meio do inverno. Ele pode ter sentido medo, frio, fome. E ele acabou tomando a decisão de se entregar. Ou ele foi pego depois de ser cercado pela polícia. Ou os dois.

O julgamento dele foi adiado duas vezes por falta de defensor. Só aconteceu em outubro de 1884, mais de um ano depois. O advogado do Severo era um sujeito chamado Joaquim Caetano da Silva. Não disse que ele pegou a causa pro bono, mas consta que o doutor Caetano era meio especializado em aspas, causas de pessoas miseráveis.

Pelas contas dele, aquela ia ser a causa de número 375. Mais de dois terços dos clientes dele tinham sido absolvidos. No tribunal, o doutor Caetano ia falar em nome do Severo, que agora era um homem livre. Pois é, homem livre. Está escrito desse jeito na página do Gazeta de Notícias contando sobre o crime e o julgamento.

A Rosinda tinha libertado ele. Mas não foi assim, um surto de altruísmo. A primeira coisa que o dono faz é dar a euforia. Por quê? Porque senão ele tem que arcar com as custas dele na cadeia. Então se você dá a carta de euforia, você não tem mais nada a ver com isso. Então eles todos se tornam livres, porque eles dão as cartas de euforia, eles libertam.

Ou seja, além de tudo, era uma liberdade extremamente fajuta. Severo saía diretamente da condição de escravizado para a condição de preso. Diz no jornal que, durante o julgamento, Severo estava com uma cara indiferente, como se ele não tivesse arrependido. Talvez ele não tivesse mesmo. E talvez a cena que eu te contei lá no começo, aquela história toda do café, não tenha sido nada daquilo.

No dia que ele foi preso, Severo supostamente confessou. Mas ali, na hora do julgamento, ele disse que não tinha feito nada. A Maria Alva disse que só aparecia bastante na pesquisa dela, de escravizados que primeiro confessavam e depois negavam.

Na cobertura do jornal, diz que perguntaram para o Severo por que ele tinha confessado. E ele disse que, ao contrário dele, o delegado e o escrivão sabiam ler e escrever. E que podiam ter escrito o que bem lhes parecesse. Não é uma recusa admitir, não é que eles estejam enganando.

Eles estão deixando claro que a palavra deles, escravizado, não tem valor de prova. O que eles disserem pouco importa. Aliás, eles são condenados por antecipação, porque eles é que são escravizados. Eles estão ali sendo condenados duplamente, pela segunda, pela terceira, pela quarta vez. Mas, a rigor, eles já estão na condição de condenados.

Eu fico voltando nessa hora em que pedem para o Severo contar a parte dele da história e ele se recusa porque ele sabe que não controla o que vai ser escrito ali. A história que vai para a página já não é a dele. Parece um resumo perfeito do motivo da Marialva ter tanta dificuldade de achar essas narrativas de pessoas escravizadas. Eu acho que o crime pouco importa. O crime é só o pretexto para a gente chegar...

nos sentidos de mundo e sentimentos que eles possuem. E quem são esses personagens com as mais plausíveis características que a gente puder encontrar e o maior número de informações sobre eles que a gente puder encontrar.

A Maria Alva e o núcleo de pesquisa dela, porque ela trabalha em conjunto com outros pesquisadores e muitos alunos de graduação. Eles não conseguiram achar o processo penal no caso do Severo. O que deu no jornal foi a sentença. Ele foi condenado às galés. O advogado dele ficou contrariado. Era o único cliente daquele ano que tinha sido condenado.

No começo de 1885, saiu uma nota curtinha em outro jornal. Ela parece dizer que o Severo ia ter um novo julgamento, também por aquela tentativa de homicídio. De repente, uma chance de pegar uma pena menos pesada. Mas o julgamento acabou não acontecendo, por falta do réu. E ele não comparece no tribunal porque ele morreu. Morreu de quê? A gente não sabe. A gente nunca vai saber.

Num artigo que a Maria Alva escreveu sobre esse caso, ela termina assim. Afinal, nenhum historiador acha o que procura, contentando-se em interpretar o que, por sorte, pode vir a saltar diante de seus olhos. Porque o historiador não acha o que ele procura, ele acha o que às vezes, sem pensar e sem esperar, lhe cai das mãos, quase como uma dádiva. Nem sempre você acha o que procura.

Nessas de tentar reconstruir histórias que estão tão longe da gente, e que só foram registradas muito parcialmente a contra gosto, a gente sente falta de muita coisa. De saber o que Severo pensou, o que o Manuel sentiu, o que fez a Deolinda fazer o que ela fez. Mas nem por isso a gente tem que desistir de tatear um pouco no escuro.

Essa foi a Mayra Vallejo. Obrigada por ouvir mais esse Rádio Novelo Apresenta. Você sabe que aqui tem episódio novo toda quinta-feira, mas que ele chega mais cedo, na quarta-feira, para quem é membro do Clube da Novelo. Taquei um gostinho do que vem por aí na semana que vem.

E foi assim que eu embarquei numa missão que ia me levar meses de entender e de explicar para o pessoal do Novelo, e agora para você, como é que Nossa Senhora ficou anticomunista. Além do episódio do Apresenta antecipado, quem assina o Plano Anual do Clube da Novelo ganha uma bolsa linda e também acesso a outros conteúdos exclusivos.

Esse mês também teve episódio bônus do Avistruz Master, só para membros, em que a Flora Thompson Devour conta tudo sobre um trambique vintage para Paulo Scarpin e para Carolina Moraes. Para fazer parte do clube e ganhar esse e outros benefícios, é só seguir o Caminho das Pedras no nosso site. A gente volta já já.

Olá, eu sou o Cristiano Botafogo do Medo e Delírio em Brasília. Medo e Delírio em Brasília. Medo e Delírio em Brasília. Medo e Delírio em Brasília. Sensacional. F***, eu quero que o Medo e Delírio em Brasília. Pois é, aquele podcast de política. Aquele podcast. Na primeira vez, ouvir a gente pode ser um pouquinho desagradável. Medo e Delírio em Brasília. Mas aí depois você abraça a loucura. Deixa com a cara magoada. A gente tá lá na Central 3 ou em todos os outros agregadores de podcast. Eu não ouço Medo e Delírio em Brasília. Medo e Delírio em Brasília. Medo e Delírio em Brasília. Medo e Delírio em Brasília.

Puxa daí, Eduardo Cunha. Que Deus tenha misericórdia dessa nação. Ouça o Medo e Delírio. Na página desse episódio, no nosso site, tem links para as reportagens que a Mayra conta e para a pesquisa da Maria Alva Barbosa sobre biografias imaginadas de pessoas escravizadas. Tem também link para as reportagens da Patrícia Campos Melo e para vídeos da CPMI das Fake News.

Se você for de redes sociais, a gente está nas redes no arroba radionovelo, no Instagram, no YouTube, no Twitter, no Threads, no Blue Sky e no TikTok.

Se você é de e-mail, dá para mandar sugestão de história, crítica, elogio, etc. para o e-mail apresenta.com.br Se você tem uma marca ou cliente que tem tudo a ver com os nossos podcasts, você pode contratar o Estúdio Novelo para criar o seu próprio podcast ou anunciar nos intervalos dos nossos episódios. É só escrever para a gente em comercial.com.br E aí

O Rádio Novelo Apresenta é um original da Rádio Novelo. A direção criativa é da Paula Escarpim e da Flora Thompson-Devô. A direção executiva é da Marcela Casaca e a gerência de produto é da Bia Ribeiro e da Juliana Jäger. Nossos repórteres e roteiristas são a Evelyn Argenta, a Bia Guimarães, o Vinícius Luiz, a Bárbara Rubira, o Vitor Hugo Brandalize e a Carolina Moraes.

Os nossos treinis de criação são o Paulo Vitor Ribeiro e a Mayra Vallejo. Esse foi o primeiro episódio com histórias deles, aliás, parabéns para os dois. A Ashley Calvo é nossa produtora. A checagem desse episódio foi feita pela Ethel Rudinitsky e pela Caroline Farah.

Esse episódio teve desenho de som do Amon Medrado e do Bauer Marim, com mixagem da Mariana Leão e da Bea Guimarães. Nesse episódio, a gente usou música original de Arthur Cunhas e também da Blue Dot.

O design das nossas peças é do Gustavo Nascimento. Nossos coordenadores de parceria são o Pedro Lopes e a Ellen Pimentel. A nossa analista administrativa e financeira é a Tainá Nogueira e o nosso analista de produto e audiência é o Vinícius Magalhães. Obrigada e até a semana que vem.

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