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Desenrola SMS #65 - Comunicação Assertiva na Segurança do Trabalho (Ademar e Rosileni Melo)

25 de agosto de 20261h11min
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Neste episódio do Desenrola SMS, falamos sobre comunicação assertiva e como ela impacta diretamente a segurança do trabalho, a liderança e a gestão de pessoas nas organizações.Recebemos o casal Ademar Melo e Rosileni Melo, sócios da RJ Group, com mais de 18 anos de experiência em liderança, gestão de equipes e desenvolvimento de pessoas. Uma conversa cheia de exemplos práticos sobre como se comunicar melhor no ambiente de trabalho.Neste episódio você vai entender:✅ O que é comunicação assertiva e como ela se diferencia da comunicação agressiva e da passiva✅ Por que a comunicação é uma habilidade que pode ser desenvolvida e treinada✅ Como tornar treinamentos e DDS mais envolventes e eficazes✅ Os desafios da comunicação entre diferentes gerações no ambiente de trabalho✅ Por que punir ou demitir nem sempre resolve o problema✅ A importância da escuta ativa ao lidar com erros e desvios de segurança✅ Como conduzir uma investigação de acidente com foco na causa raiz, e não na culpa✅ Como a inteligência artificial pode ajudar a revisar o tom das suas mensagensUm episódio essencial para técnicos de segurança do trabalho, líderes, gestores de RH e qualquer profissional que queira melhorar sua comunicação no dia a dia.👍 Curta o vídeo e deixe seu comentário🔔 Inscreva-se no canal para não perder os próximos episódios📲 Compartilhe com os colegas da sua áreaAgradecemos aos nossos parceiros Marluvas e MetaSafety pelo apoio a este projeto.

Participantes neste episódio2
A

Ademar Melo

ConvidadoTécnico em segurança do trabalho, administrador e sócio da RJ Group
R

Rosileni Melo

ConvidadoAdministradora e sócia da RJ Group
Assuntos5
  • A comunicação assertiva como habilidade treinável para expressar opiniões e sentimentoshabilidade de comunicação·escuta ativa·comunicação agressiva·comunicação passiva
  • A necessidade de acolhimento e escuta ativa ao abordar trabalhadores com erros ou problemasacolhimento·escuta ativa·empatia·advertência
  • A ineficácia da punição e a importância de investigar a causa raiz dos acidentespunição·causa raiz·investigação de acidentes·cultura da empresa·NR-1
  • A importância da interação e inovação em treinamentos de segurança para engajar colaboradorestreinamentos de segurança·engajamento·NR-18·fornecedores de EPI·realidade virtual
  • A influência da inteligência artificial na melhoria da comunicação escrita e na análise de tom de vozinteligência artificial·ChatGPT·comunicação escrita·tom de voz
Transcrição196 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Fala, galera desenrolada! Sejam muito bem-vindos a mais um episódio aqui do Desenrola SMS. É um prazer tê-los aqui. Já de antemão, quero convidá-los para se inscrever no canal, né, seguir aí, compartilhar também com os colegas esse que vai ser um episódio sobre comunicação assertiva. A gente vai falar sobre um tema que na verdade não tá muito nos livros, não tá muito nas normas, né, mas que faz parte do no dia a dia, é uma necessidade que a gente tem em todas as organizações de todos os tamanhos. Então sejam muito bem-vindos!

?Voz C

Salve, salve, desenrolados e desenroladas! Sejam bem-vindos aí ao mais novo episódio do Desenrola SMS. É com muita satisfação que recebemos todos vocês aqui pelo YouTube, pelo Spotify, né, por todos os canais que a gente divulga aí o nosso trabalho. Mais uma vez, muito obrigado pelo apoio. Pelos compartilhamentos, pelos comentários, enfim, isso ajuda a gente a crescer bastante aí como canal. Não deixa de se inscrever no nosso canal, de curtir esse vídeo, lá no final compartilha com os colegas.

E nesse primeiro momento, nessa abertura aqui, então a gente reforça aí os nossos apoiadores aqui do projeto. Então mais uma vez o nosso agradecimento aí para a Marluvas, calçados de segurança, que já tá com a gente aí praticamente desde o comecinho do nosso projeto. Acompanham a gente em vários momentos aí durante o desenrolar, né? E também a Meta Safety, né? A Meta Safety que trabalha com a parte de games para segurança do trabalho, envolvendo aí games de trabalho em altura, espaço confinado, combate a incêndio com os extintores, jogo dos 7 erros, simulador de embriaguez e sono na direção.

Todos esses games em realidade virtual você pode usar nos seus treinamentos, pode usar na CIPAT. Se você quiser uma CIPAT diferenciada, além de somente palestra, né? Então conheça um pouquinho do nosso trabalho aí, torne a parte de vocês inovadora e disruptiva. Mas vamos lá então, Neize, quem tá aqui para conversar conosco hoje?

?Voz A

Então, para falar sobre comunicação, nós temos aqui o Ademar Melo, que é técnico em segurança do trabalho, formado também em administração e possui 18 anos de experiência em obras, projetos de ampliação, indústrias, treinamentos, consultoria e gestão de equipes. Sua trajetória profissional sempre esteve muito ligada a pessoas, liderança e tomada de decisões. Hoje é sócio da Uhuu Group, onde continua atuando na gestão e no desenvolvimento de pessoas e empresas.

E também temos aqui a Rosilene Melo, formada em Administração, possui mais de 18 anos de experiência profissional, principalmente em empresas do ramo de cooperativismo. Desde criança sempre teve uma facilidade, uma paixão muito grande pela comunicação e e pelo relacionamento com as pessoas. E na Rojo Group é sócia e atua na administração financeira das empresas da família. Sejam muito bem-vindos, Ademar e Rose.

?Voz D

Obrigada, obrigada, obrigado.

?Voz B

Prazer estar aqui com vocês.

?Voz C

Prazer é nosso.

?Voz D

Obrigado pelo convite, né?

?Voz A

Vai ser muito bom ouvir vocês, né? A gente fala de comunicação, comunicação, comunicação, mas a gente já quer começar entendendo, né?

?Voz C

Aproveitar o tempo de vocês aqui.

?Voz A

O que que afinal é uma comunicação assertiva, né? O que que torna essa comunicação assertiva? Conta para gente, Rosi.

?Voz B

Então, a comunicação assertiva, ela é uma habilidade, uma habilidade da gente expressar as nossas opiniões, os nossos sentimentos, as nossas necessidades de forma clara, objetiva e respeitosa com o outro.

?Voz A

Muito bom, muito bom. Mas aí a gente sempre, né, numa comunicação a gente sempre fala que tem os dois lados, né? Tem o lado do transmissor e do receptor, né? E a comunicação só acontece quando uma pessoa entende a outra, né? E eu acho que uma das principais dúvidas assim é como é que a gente faz essa comunicação sem ser agressivo, né? Como é que a gente fala de forma assertiva, mas não agressiva? Como é que a gente baliza isso, né, para que seja uma prática adequada, né?

?Voz B

Sim, falando de forma clara, e eu acho que também ouvindo, tendo uma escuta ativa com o outro, né? É o largar tudo que tu estás fazendo e ter a tua atenção voltada totalmente para aquela outra pessoa, né? Tendo, ouvindo ela, se colocando no lugar do outro, né?

?Voz C

Como é difícil hoje em dia, né? Pegando o que tu falaste, né, Rose? Essa questão de sentir que alguém tá te ouvindo. Não sei se vocês têm essa mesma impressão que eu. Eu tenho a impressão que hoje em dia tá todo mundo envolvido com mais de alguma coisa e a gente tá falando e a pessoa tá escutando, mas não tá ouvindo. Não, mas eu tenho pavor quando eu tô falando com alguém, a pessoa, e aí pega o celular e aí ouve um áudio, aí digita não sei o quê, aí troca de canal na televisão, mas não sei o quê.

E aí realmente, né, parece às vezes a gente conversa as coisas, as pessoas não entendem, né. As pessoas hoje em dia estão com uma dificuldade de entender. Não sei se vocês ouvem isso, eu ouço muito isso, mas parece que as pessoas hoje em dia não entendem o que a gente— mas claro, não, né, a gente não se comunica bem, a gente não presta nem atenção no que que o outro tá falando, mas é claro que a gente não vai entender, né. Eu vou pegar uma palavra que tu usaste ali que eu acho que pode dar uma discussão legal para a gente aqui.

Citaste ali no começo a palavra habilidade, né, que a comunicação é uma habilidade, né. Eu achei muito legal esse teu conceito, porque normalmente existe uma discussão, né, de que enfim, para determinadas áreas de conhecimento, de atuação, enfim, ah, eu tenho habilidade para isso, eu tenho habilidade. Mas a comunicação, assim, na opinião de vocês, ela é uma habilidade? E quando a gente fala em habilidade, a pessoa ela pode ter essa habilidade como uma característica ou ela pode ser treinada?

O que que vocês pensam assim sobre isso nessa trajetória de vocês? O que que vocês já têm experiência com relação a essa situação?

?Voz B

Eu falo assim por experiência própria que ela pode ser treinada. Eu já fiz alguns cursos de comunicação e com certeza melhorei muito a minha forma de me comunicar, não só na vida profissional como também na vida pessoal, com meu marido, com meu filho, né, com meus familiares. E com certeza a gente pode sim melhorar e muito, né?

?Voz A

Sim.

?Voz C

Porque é muito comum a pessoa dizer, ah, eu não consigo falar em público, eu tenho dificuldade para dar um treinamento, eu não consigo dar... Aqui a gente está trazendo um pouquinho mais para segurança do trabalho, né? Eu tenho dificuldade para dar um DDS.

?Voz A

Sim, às vezes a pessoa tem um super domínio técnico, né? Sabe muito assim sobre a área e sobre até aquele conhecimento que ela vai passar ali, mas não sabe como se expressar, né? E aí isso é um E realmente assim, tudo bem, né? Eu acho, ninguém nasce sabendo. A gente aprender e treinar, acho que é um primeiro caminho assim, né? Meio que às vezes a gente é meio que obrigado, né? Sobe lá no palco e dá o dedézio.

?Voz C

Quantas vezes!

?Voz A

Te vira, né?

?Voz C

Principalmente quando a gente é novato, né? O pessoal adora fazer isso, né? O Adhemar deve ter passado por isso também. Hoje é dia do novato, vai lá fazer o dedézio. Exatamente!

?Voz D

E deixa ele tenso, e essa tensão que realmente flui, e a gente descobre às vezes características particulares que na entrevista essa pessoa não apresentou, né? Mas trazendo para esse gancho da habilidade, eu acho importante, a gente conversa bastante sobre isso, que habilidade sim, ela pode ser treinada, tá? E a gente tem que cuidar muito quando se comunica com as pessoas. Por quê? Porque se comunicar falando e se comunicar gesticulando tem que ter um cuidado, tá?

Por quê? Porque eu preciso transmitir em gestos aquilo que eu realmente tô passando, senão o cara não vai engajar, ele não vai entender nada, ele não vai nem prestar atenção no que tu tá falando, ele vai estar te olhando Ele vai estar olhando para ti, mas ele não vai estar entendendo nada do que tu tá falando. Então, é importante quando a gente dá treinamento, principalmente, aí um dos cuidados que eu tenho é de fazer com que o público participe daquele treinamento.

Porque norma regulamentadora, hoje falar de NR é muito fácil para a gente, mas para transmitir aquilo que tá lá escrito em norma, transmitir para aquela pessoa que tá sentadinha ali olhando e às vezes pensando no filho doente, na mulher com problema ou na conta que ele não conseguiu pagar, Esse é o problema e esse é o diferencial. Por isso que a comunicação hoje é extremamente importante e é um tema que a gente conversa muito em casa sobre isso.

Eu tive cargo de liderança em algumas empresas e a comunicação dela comigo melhorou comigo com os meus liderados. Então me ajudou muito nisso. Então a forma que ela se comunica, a forma que ela se comunica comigo, com o Pedro, ou se comunica com as pessoas, me ajudou a me comunicar com as pessoas dentro da empresa. Tanto como líder, como gestor, tanto com a diretoria, a alta diretoria. Então ela me ajudou bastante nisso. Então se comunicar bem tem muito a ver com gestos transmitindo para alguém, mas se comunicando de forma clara, ou seja, eu sendo claro.

A gente vinha falando hoje no carro ali sobre um exemplo bem claro sobre comunicação, sobre a entrega de um relatório. Hoje, quando tu chega para um liderado, eu tô falando de líder para liderado agora, que a gente precisa entregar esse relatório no fim do dia, será que a gente consegue? O que que vocês acham? Que tipo de comunicação é essa? Como que eu tô me comunicando com o profissional? Tanto faz. Ou seja, será que a gente consegue entregar no fim do dia? Tanto faz.

?Voz C

Será que eu vou estar vivo no final do dia?

?Voz D

Será que é sério que ele tá falando para mim?

?Voz B

Uma comunicação muito negativa, né? Será que a gente vai conseguir, Joãozinho, né? Fica uma coisa muito superficial.

?Voz C

Esse aqui é o relatório, se quiser entregar, fica à vontade.

?Voz D

Esse vídeo sempre fez muito sentido quando a gente conseguiu ver no Reels, né? Muito engraçado, né?

?Voz C

Pois é, porque parece que tá dizendo isso, né? Ele tá deixando, se quiser fazer, faz isso, tudo bem, né?

?Voz B

E como a gente vivencia conhecia ainda essa comunicação passiva, né?

?Voz A

Sim, sim. Mas é realmente isso, é uma falta às vezes de saber que aquilo ali pode impactar ou não, né, na resposta da outra pessoa. Mas acho que uma coisa que tu comentou, né, que é bem legal com relação aos treinamentos, é a interação das pessoas no treinamento, né? Isso é uma técnica de comunicação, inclusive, né? E tu fazer a pessoa participar faz com que ela se engaje mais, porque ela se sente pertencente àquilo que ela tá aprendendo.

E uma coisa que a gente sempre fala aqui também é que a pessoa precisa entender aquilo no contexto dela, né? Aquele treinamento precisa fazer sentido no contexto dela, porque não adianta eu falar, sei lá, de escada portátil se a pessoa usa uma, sei lá, um andaime, né? Porque as coisas não têm relação uma com a outra. Então acho que nesse sentido faz total sentido que tu trouxeste com relação a isso, assim, cuidado com a forma como tu vai colocar, mas que aquelas pessoas participem de alguma forma.

Até porque eu costumo sempre dizer também, né, Ninguém é um papel em branco, né? As pessoas já trazem uma bagagem, elas já sabem. A maioria dos trabalhadores até já passou várias vezes por aquele mesmo treinamento e tá ouvindo pela milésima vez aquilo assim. Então não ignora isso assim, né? Não finge que a pessoa não sabe nada, como se ela tivesse ali zerada. Não, ela tem toda uma bagagem, pode contribuir inclusive, né? E deve ir com os colegas e tudo mais, né?

?Voz D

É isso. Por que que eu falei de gestos, né? Porque gestos tem um livro muito conhecido que chama Seu Corpo Fala. Não sei se vocês já ouviram falar dele, já leram ele. Sim, O Corpo Fala ajuda muito o técnico de segurança a dar o treinamento, sabiam disso? Demais. Por quê? Porque a gente, quando chega no contexto, a gente não consegue olhar para todas as pessoas ao mesmo tempo, mas tem gestos em algumas pessoas na plateia que nos chama, que nos chama muita atenção.

E aí, o que que a gente usa isso? Usa exatamente esse gatilho dessas pessoas para aqueles gestos de Não interação, ou seja, que horrível estar aqui, para não dizer outra coisa, né? Ah, sim.

?Voz A

Você identifica se tu tá indo bem ou não no treinamento pela reação que as pessoas estão tendo, quem tá te ouvindo, né?

?Voz D

O cara cruza o braço, o cara pensa assim, o cara fica olhando para cima, o cara coloca para o lado, o cara balança a cabeça. Esse é o gatilho para saber se o teu treinamento tá num time legal ou se tu precisa interagir mais com aquela pessoa ou se tu precisa mudar o teu caminho a percorrer no treinamento Porque aquilo ali está muito normativo, né? Hoje o técnico de segurança... E está mudando, né? Eu já tenho sentido isso nas novas contratações, que essa turma está vindo um pouco mais qualificada, um pouco mais tecnológica, um pouco mais viciada em algumas coisas, mas eles estão vindo com uma visão um pouco mais diferente do que realmente a gente tinha na velha guarda, né?

Eu sou ainda da velha guarda, né? 18 anos. Imagina, 18 anos atrás, a gente não tinha tanta tecnologia ao nosso favor hoje, né? As empresas, elas não investiam tanto porque não viam um retorno. Momentâneo, né? Então eu vi vocês falar do óculos, né, de realidade virtual. Eu estive numa empresa, numa multinacional, onde eles estavam fazendo teste para movimentações de carga com esse óculos, ou seja, fazendo simulações de ambientes de riscos com esse óculos.

Ou seja, é um treinamento muito melhor, tá? Ele engaja mais as pessoas, elas ficam mais participativas, entendeu? Porque tu desenvolve com que elas treinem e não tu explica para elas como que elas fazem. Elas fazem então uma forma de comunicação muito melhor, né? Muito melhor.

?Voz C

Porque, e claro, tem perfis, né? Daqui a pouco realmente a gente pega por perfil do pessoal que já tem mais tempo de mercado profissional, às vezes não vai querer mesmo, não vai. Não, eu prefiro sentar na sala de aula, pegar um papel, uma caneta. Mas a gente, né, eu acho que nós como profissionais da área, a gente tem que estar preparado para todo tipo de perfil que vai chegar na nossa empresa. Não adianta eu só escolher trabalhar, treinar aquele que é mais a moda antiga ou treinar só com tecnológico, enfim.

E eu vou pegar um gancho ainda que tu falaste também, Ademar, da questão do treinamento, que a gente começa— eu fui falar, até deixei de concluir o teu raciocínio ali. Quando a gente está dando um treinamento, eu me lembro que principalmente quando eu comecei nessa função de fazer treinamento e comecei na área, eu olhava justamente essas carinhas das pessoas ali, tu vê o cara tá assim, tá dormindo, tá não sei o quê. E hoje eu vejo, né, como a gente vai mudando a postura profissional com o tempo, né.

Eu ficava irritado com ele, né, eu ficava irritado. Mas como é que tu tá dormindo? Presta atenção, que coisa, cara. Aí depois, né, aí nesse treinamento, e depois, né, virei docente também, comecei a dar aula. E a gente vai vendo com o tempo, comecei a ver algumas coisas em sala de aula. E a gente fica bravo, né, com o aluno, com o trabalhador, né, e até o ponto que a gente começa, não, mas espera aí, será que não é eu? Será que de repente não é eu que tem que mudar a minha forma, talvez, de colocar na realidade, né, desse trabalhador, desse aluno, né?

Que que adianta eu falar para ele alguma coisa que ele nunca viu, nunca vivenciou, ou que ele já viu tantas vezes que eu não tenho nada de novo para falar para aquela criatura, né? O cara já tá ali, ah, Ele já sabe. Não, e pior ainda que tem aquela questão assim, né? Não sei se você já trabalhou, já vi isso, né? O treinamento é o mesmo, chega a ser os mesmos slides do treinamento lá normativo e tal. Aí o cara tem que fazer a reciclagem.

Aí o cara prefere arrancar um dente sem anestesia do que lá fazer o mesmo treinamento com os mesmos slides. Aí pega o instrutor que conta as mesmas piadas todo ano, cara. Tu tenha que rever a tua expectativa que o cara vai entrar lá e vai querer assistir alguma coisa, né?

?Voz D

Impressionante. Ele até vai porque ele vai ser obrigado, né?

?Voz C

Ele vai porque ele tem medo de perder o emprego muitas vezes, porque não é para aprender nada.

?Voz D

E é só isso também, né?

?Voz C

Não, e é interessante, né? Mas como tu disseste, né? Hoje eu ainda já sinto, né? E aí tanto na docência também quanto no mercado, consultoria, enfim, já sinto que existe sim, né, um movimento, né? Principalmente as empresas estão enxergando um pouco melhor isso.

?Voz A

Né?

?Voz C

Mas realmente, pessoal, essa nova geração também já tá vindo com algumas exigências maiores, assim, mais questionadores. Não sei se eu tenho essa impressão, que no começo, quando a gente iniciou, era: tu tem que fazer isso. E aí o cara, ele podia não fazer, se negar a fazer. Cara, faz, né? Bota o capacete, vai lá, entra lá, usa isso. A impressão que eu tenho hoje aí, trabalhando com alguns funcionários mais jovens, mas primeiro emprego, gurizada. Por quê?

?Voz D

Ah, mas tem que fazer.

?Voz C

Por quê? Ah, mas não faz sentido. Então precisa hoje criar novos. Pelo menos eu tenho sentido isso, eu não sei se vocês têm visto isso também. E vai nos desafiando. Aquela vez, quando eu— e eu acho que isso a gente melhora como profissional mesmo, que eu toda vez que hoje em dia vou dar alguma orientação É quase um jogo de xadrez assim. Eu fico, principalmente o pessoal que é mais jovem, eu fico tentando pensar assim: se eu for pedir isso para ele, qual a forma que ele vai contra-argumentar comigo?

Já tem que pensar em 3, 4, 5 respostas possíveis. Se ele sair para cá, eu digo isso. Se ele para cá, é um desafio, né? Um desafio a gente tentar adequar, é um choque geracional, né?

?Voz D

É que talvez a gente tem que mudar a pergunta também, né? Também eu acho que a pergunta é o contrário, né? Eu acho que a gente se colocar no lugar dele para perguntar, né?

?Voz B

Com certeza.

?Voz C

Exato.

?Voz B

Aí entra a comunicação assertiva, né, mais uma vez.

?Voz A

Sim. Mas aí quero puxar agora olhando por um outro aspecto assim, né. A gente sabe que a falta de comunicação pode gerar acidentes, mas aí na prática como é que isso acontece, né? Porque às vezes o líder ele é alguém que se destacou muito bem na equipe E acabou sendo promovido porque ele fazia aquela atividade. Então, às vezes, o líder não tem esse preparo, né? Às vezes não tem isso, não é nativo, né? A pessoa, nem todo mundo tem esse dom, ou sei lá, não acho que dom não é a palavra, essa habilidade, né, nativa assim.

Muito bem. É, então... Muito bem. E aí esse líder acaba achando que ele tá passando a informação clara, mas na verdade não tá, né? E aí isso resulta em alguns problemas lá na frente. O que que vocês têm enxergado assim dentro das organizações que já virou problema? O que é um problema maior assim dentro das organizações com relação à comunicação?

?Voz D

Quer falar? Quer que eu fale? Bom, vamos lá. Cada dia que passa a gente tem pessoas achando que estão mais preparadas do que realmente elas estão, tá? Hoje em dia a gente encontra muito líder que é extremamente produtivo, que foi exatamente onde tu iniciou. Mas vamos lá, estar preparado e ser bom em produção não significa que eu consiga liderar pessoas, porque isso é um outro aspecto, e por isso habilidade. Para mim ser um líder, primeiro eu preciso me autoliderar, porque se eu não sei me autogerenciar, como que eu vou liderar pessoas?

Quando a gente tá liderando pessoas, a gente vai ter que passar ordens para elas, orientações, coisas que muitos líderes não gostam de fazer e terceirizam aquilo ali. Eu vejo isso quando eu entrei na área técnica. Eu tinha gestores que não gostavam de fazer diversas coisas e eles pegavam os novatos para fazer. DDS era um deles. Por isso que DDS é o clássico, né, de todo mundo que entrou na área da segurança.

?Voz C

É quase o batismo, né?

?Voz D

E o segundo era dar treinamento de NR-6 e 18. Por quê? Porque é mais do mesmo todo ano, né? Todo ano é a mesma coisa, todo ano a gente fala das mesmas coisas. E aí eu mudei de empresa e acabei entrando com um gestor que pensava um pouco diferente. Todo ano a gente tinha que fazer uma inovação no treinamento de NR-18. Todo ano, todo ano tinha que inovar, tinha que fazer diferente. E aí a gente tinha dificuldade, porque como é que tu vai pegar uma norma que ela é a mesma coisa, cara?

Nós temos etapas, ela fala de área de vivência, fala disso, fala daquilo, fala de trabalho em altura, fala de EPI. Como que eu vou criar algo diferente? A gente começou a pensar em trazer o fornecedor de EPI. Por quê? Porque eles estão acostumados a enxergar a gente falando de luva, de óculos, de protetor auricular, de, enfim, de cinto de segurança, mas eles não estão acostumados a ver o Joãozinho lá, o cara da Marluvas, por exemplo.

Eles não estão acostumados a ver ele. E essas pessoas, por incrível que pareça, esses fornecedores, eles adoram ser convidados para fazer isso. Sim, eles adoram, gente. E os técnicos de segurança cada vez mais estão utilizando. Mas o pessoal que é da antiga ainda é mais conservador, eles não gostam. Ah não, não vou trazer um cara aqui que vai me ensinar a fazer isso, eu sei fazer. Cara, tá tudo bem tu saber fazer, mas traz uma experiência, porque o teu colaborador vai aprender, tu vai aprender mais sobre algo que tu não conhece, tá?

E tu vai ser a pessoa que vai estar assistindo como se tivesse lá. Era para mim estar lá naquele palco falando. Mas é o cara da Marluvas que tá lá e eu tô assistindo ele, então eu estou aprendendo. Então habilidade sim, mas a inovação junto com habilidade. Se comunicar com as pessoas também pode ser na terceira pessoa. Eu também posso utilizar um terceiro para fazer essa comunicação de forma assertiva. Porque falar que o cara precisa utilizar um óculos, uma luva e um protetor É mais do mesmo.

?Voz A

Ele sabe, ele sabe.

?Voz C

A placa fala isso, né? A placa fala, a placa tá falando ali isso aí.

?Voz D

E eu trabalhei numa empresa aonde as placas precisavam ser trocadas a cada 6 meses de lugar. As placas de segurança precisavam trocar, precisavam ser trocadas a cada 6 meses de lugares. Por quê? Porque se a gente passar na nossa— pega o exemplo da nossa casa, pega o exemplo da nossa casa. Se a gente colocar um quadro na parede A gente vai olhar para ele nos primeiros dias, nos primeiros meses, e daqui a pouco ele vai ser algo normal.

Agora experimente mudar ele de lugar, vocês vão começar a olhar de novo para ele. E experimenta daqui a pouco mudar de novo. Por que que a gente muda os móveis de lugar? Porque a gente enjoou, né? E quando a gente muda, a gente sente: nossa, mas ficou mais legal aqui, ficou mais bacana.

?Voz A

Parece que é outra casa, né?

?Voz B

E uma forma de provocar, né, para chamar atenção dessas pessoas, né?

?Voz D

Porque a placa de sinalização, assim como os gestos e assim como a fala, também é uma comunicação. Sim. E ela se torna assertiva quando a gente muda ela de lugar. Quando a gente faz com que o cara não fique adaptado ao ambiente. Aqui, a todo momento, ele precisa se modificar, ele precisa se mutar. Ele precisa mudar o ambiente dele.

?Voz A

Muito legal isso.

?Voz C

É, isso é uma prática nossa.

?Voz A

Isso é uma coisa que a gente— tu falaste, né, que quando tu tava sendo desafiado a pensar em formas diferentes de trazer aquela NR, a gente fica meio perdido mesmo, porque Acho que a gente também não é muito incentivado a isso, né? Inclusive no curso mesmo, né? No curso técnico lá, quando é que alguém falou de trocar placa de lugar, de chamar fornecedor? Não se explora isso, né? Metodologia ativa, nem sei o que que é isso, nunca ouvi falar, sabe?

?Voz C

É, não, é bem isso aí mesmo.

?Voz A

Aí acaba que a gente tem uma formação muito técnica de fato e os outros aspectos meio que ficam de lado assim, né? Eu acho que daí chega lá na frente, a gente realmente sente, oi, agora o que que eu faço, né?

?Voz C

Eu tenho impressão assim que quando a gente tá no curso, né, tanto na engenharia lá, enfim, todo mundo tem uma receita de bolo para vender, né? Tem que chegar lá, tu vai ter que falar para o cara usar isso para fazer o treinamento. Beleza, tá? Higiene ocupacional é assim que tu mede, assim que não sei o quê. Ah, sei lá, trabalho em altura assim, sabe?

?Voz A

Tá.

?Voz C

E quando a primeira pessoa te disser não, eu não vou fazer assim, o que que tu faz? Tu buga. Porque todo mundo te deu a receita de bolo se o bolo der certo, né? Mas ninguém sabe fazer se o bolo começar a derramar, se faltou o gás, né? Porque muitas vezes, ah não, beleza, tem que fazer tudo isso, né?

?Voz A

Mas considerando que deu tudo certo, considerando que deu tudo certo, é isso.

?Voz C

Não, beleza, bota o caderno embaixo do braço, terminei hoje, eu arrasei na aula. Daí tu chega lá no serviço, é, mas vai fazer o bolo, é que não tem forma e não tem gás, mas Tá aí, tá aí uma boa pergunta, né?

?Voz A

Primeiro, como é que a gente aborda uma pessoa que tá fazendo um negócio errado, né? Porque acho que isso é uma dúvida, principalmente de quem tá iniciando na área. A gente sempre ouve aquela história: ai, começa falando de futebol. Tá, mas eu não gosto de futebol. E daí, como é que eu começo abordando a pessoa? E aí, como é que a gente gerencia isso assim? Qual que é a melhor forma de abordar alguém que tá fazendo um negócio errado?

?Voz D

Qual a melhor forma, Dona Rosilene?

?Voz B

Eu sempre penso que a melhor forma é tentando aproximar essa pessoa da gente, né? Eu, para mim, né, eu chamaria a pessoa e entra de novo a escuta ativa, né? Eu tentaria ouvir e entender o que que se passa. Ele, vamos dar um exemplo de um colaborador que ele não usou a luva para executar X trabalho, tá? E por que será que ele não usou luva, né? Por que que será que isso tá acontecendo com ele? É fácil chegar e já chegar com uma comunicação já mais agressiva, né?

Ou de repente até passiva, né? Mas será que eu vou entender o que que tá acontecendo com aquela pessoa? Com uma dessas comunicações, não, eu não vou. Mas se eu entrar com a escuta, né, ativa, com uma comunicação mais assertiva, sim, eu vou, porque eu vou ouvir essa pessoa com atenção, tá? Eu vou ter empatia por ela, né? Porque às vezes esse cara tá com filho doente, tá? Esse cara passou a noite em claro com filho doente, com febre.

A cabeça dele não tá no trabalho. A cabeça dele tá na casa, tá na esposa que ficou com o filho doente. E é aí que eu preciso entrar, sabe? Eu preciso entender o que que está acontecendo com essa pessoa.

?Voz D

Acolher, né?

?Voz B

Acolhimento nesse momento, né? Trazer, aproximar ela. Eu vejo que falta isso nas organizações hoje, sabe? Aquele acolhimento. As pessoas estão precisando de acolhimento, de alguém que ouça elas com uma escuta ativa. Né, que olha, eu tô aqui para ti, ó, eu não tô no celular, eu não tô olhando para TV, eu estou aqui para te ouvir, né? Como que eu posso te ajudar? Daí ele vai me contar do filho doente e a gente vai ter uma conversa e eu vou falar: olha, João, eu entendo a tua situação, tá?

Só que eu preciso, tá, que na próxima vez que tu for executar o teu trabalho tu use a luva, porque acontece, pode acontecer um corte se tu não usar luva, tu pode te contaminar com algum produto se tu não usar a luva. Então assim, ó, eu preciso que na próxima vez que tu for executar tu use a luva, tá? É um pequeno exemplo, mas com certeza, com todo esse acolhimento, com certeza na próxima vez ele vai usar a luva. Porque ele vai lembrar dessa conversa.

?Voz A

Sim, às vezes pode ser só uma questão de esquecimento mesmo, mas às vezes tem todo um contexto por trás.

?Voz B

Ou às vezes assim, ai, Rose, ninguém me ensinou como se usa essa luva. Vou fazer até uma brincadeira, eu não sei se eu uso ela na mão ou no pé, nunca ninguém me explicou. E aí eu vou orientar ele de como ele vai utilizar essa luva Porque às vezes a gente ouve muito assim, bom, mas tu não sabe que é assim? Mas tu já não viu isso várias vezes? Tá me perguntando de novo?

?Voz D

Mas gente, até o óbvio precisa ser dito.

?Voz B

Sim, sim, precisa.

?Voz A

E às vezes tem um aspecto que a gente não tá vendo, né? Agora, pegando esse gancho da luva aí, né? Às vezes tu fornece um EPI para um colaborador e tu não, se tu não perguntar para o trabalhador como é que tá sendo aquilo ali, às vezes tá machucando, às vezes está incomodando, às vezes, ou às vezes tem um procedimento de trabalho, poxa, mas fulano não tá seguindo, mas por que que não tá seguindo o procedimento? Não, porque do jeito que tá escrito aqui eu não consigo fazer.

Várias vezes já aconteceu assim, de eu chegar num trabalhador e dizer, olha só, tem um procedimento aqui que tu não tá seguindo, por quê? Não, porque simplesmente não dá para fazer, quem escreveu o procedimento não fazia essa atividade aqui, né? E aí, se tu não vai para escutar, se tu não vai para entender, continua, ele continua, sei lá, se eu chegasse lá e não perguntasse, ele ia tomar uma advertência, outra advertência.

?Voz C

A importância da escutativa.

?Voz A

É, a importância da escuta.

?Voz C

Tem uma passagem no livro do Todd Conklin lá, que trabalha a parte de fatores humanos, que ele fala que quanto mais próximo, digamos assim, do risco o trabalhador está ali, mais ele efetivamente consegue enxergar os reais riscos daquela atividade, mas ele tem pouco poder de decisão para mudar aquilo. E quanto mais distante, ou seja, a gestão tá do real risco, ele enxerga muito pouco, mas ele tem poder decisório. Então, tipo assim, é uma balança completamente invertida, né?

E quando, que nem a Alice falou, se tu não faz a escutativa, que nem tu disseste, realmente daqui a pouco o padrão é inexequível. Daqui a pouco o cara já, eles já resolveram aquele problema há muito tempo e a gente nunca parou para ouvir qual é a melhor forma que eles, até teve um, lembra, não sei se tu do Rafael agora, quando ele falou, agora eu falei, me veio agora, né, o humorista aquele que ele era, dá um bebe, né, ele teve conosco aqui uma vez, ele falou, a gente brincou alguma coisa assim com ele, tá, mas por que que daí o piano não fala aquela brincadeira toda, aquele jeitão dele, ele que o peão pensa duas coisas: se eu tiver errado, vão me dar mijada, e se eu tiver certo, não vão dizer que fui eu, né?

Porque realmente a gente já tem muito essa cultura, né? O procedimento tá aqui, mas por que que tu não faz? Mas porque muitas vezes é isso, né? A gente que tá na ponta, talvez na linha de gestão, não enxerga o risco real, não sabe bem como é que a atividade é feita. E o que sabe como é que a atividade é feita não tem poder decisório para mudar, ninguém escuta ele.

?Voz B

Exatamente.

?Voz C

É uma balança que a gente tem que tentar equilibrar constantemente, assim, mas é difícil, é muito difícil.

?Voz B

E olha só como ele pode agregar falando para vocês qual é a dor dele, porque quando tu ouve a dor do outro, isso com certeza vai agregar. Olha quanta, quanto tu pode desenvolver, né, uma pessoa te relatando uma situação dessa. Olha, eu não uso porque a luva ela me dá alergia, as minhas mãos ficam doloridas.

?Voz C

Às vezes em algum trabalho que precisa pegar uma peça pequena, agora tu dá uma luva de raspa de couro pro cara, ele não consegue.

?Voz D

Exato, trabalho minucioso, né?

?Voz C

Aí tu vai lá ver o cara de longe, toma advertência. Cara!

?Voz D

Sim. Advertência eu sempre, eu, né? Eu sempre fui contra advertência, né? Eu acho que advertência ela pune, mas ela não ensina. Ela cria reatividade, porque primeiro ele vai criar presença. O Ademar não tá aqui, vamos fazer. Ah, o Ademar tá aqui, bom, vamos fazer certinho. E quando o funcionário ele quer presença, ele não tá aprendendo, ele só vai fazer quando eu estiver ali. E aí, gente, é um indicador que vai lá em cima. E aí, ah, mas eu tenho 10 acidentes no ano, fechei meu indicador lá com 10 acidentes, 5 com afastamento.

Gente, isso é horrível para uma empresa, tá? Isso é horrível para uma empresa e é horrível para área de segurança. Mas às vezes o problema não tá na produção, às vezes o problema tá na segurança. As pessoas precisam se fazer autoanálise e o mais importante, se autocriticar. O técnico de segurança, principalmente quando eu estudei, tinha uma questão muito de ego, né? Ah, porque eu sou Deus, porque eu chego lá e eu faço o cara fazer.

Isso, eu chego lá e mando o cara fazer. Cara, tu tem que colocar luva porque a luva é importante para ti. Se tu não colocar, tu vai te cortar. Tá tudo bem, mas e aí, o que que tu agregou em mim me dizendo isso?

?Voz A

Nada.

?Voz D

Tu só me gerou medo, né, porque eu posso perder meu emprego e a minha família ficar sem a renda. É só por isso. Tu não ensinou o cara a fazer nada. Sim, tu não ensinou ele a fazer nada.

?Voz A

Isso é um problema que eu vejo que acontece em vários setores ali da segurança, né, inclusive na questão do reporte dos acidentes assim, né. Tem um monte de pequenos acidentes que acontecem e que a galera não reporta por medo justamente da represália ou de ser desligado ou qualquer coisa do tipo. E isso tem muito a ver, acho que, com a cultura da empresa também, né? Porque embora às vezes o técnico seja alguém super acolhedor e que vai escutar, às vezes a liderança não é, ou às vezes aquele ambiente não é propício para trazer um problema.

Eu acho que isso também tem muito a ver com o que a NR-1 está trazendo agora, assim, de tu ter canais que tu consiga se expressar sem precisar passar por alguém que talvez fosse barrar o que tu vai dizer ou criticar o que tu vai dizer, ou talvez até chegar a um extremo de te desligar porque tu tá insatisfeito, sei lá, né? Então vejo assim que é um desafio para várias áreas, assim, a comunicação é uma parte disso, mas muita coisa tem que estar integrada para que isso funcione assim de fato, né?

?Voz D

Vamos lá, né? A NR-1 ela veio Em outras coisas, obviamente, mas ela veio pela falta de comunicação que se tem entre alta liderança e liderados. Por quê? Porque a balança tá tão desequilibrada que ela tá tentando fazer isso aqui para as pessoas se aproximarem um pouco mais. Então, NR-1, com fatores psicossociais, veio para que o trabalhador fale exatamente o que ela tava comentando, tá? Como ele tá se sentindo. Então, essa frase é muito importante a gente chegar para os nossos liderados, ou até mesmo para os nossos colaboradores da produção, e dizer assim: Como você está se sentindo hoje?

Mas olhando para o cara, olhando para ele, olhando para a expressão que ele vai te fazer quando ele for te responder. Por quê? Porque não adianta eu chegar para eles assim: ah, olha só, como é que tu tá te sentindo hoje? Cara, nem tá.

?Voz A

E não adianta também tu perguntar para o cara como é que tu tá te sentindo, o cara vai dizer: bah, não tô legal, não passei o dia bem. Ah, então tá, valeu. Eu tô me chamando ele virar as costas, sair, entendeu? Não, se tu vai perguntar, tu resolve o que tu tava perguntando para o cara, né? Que senão não adianta nada também.

?Voz D

A resposta mais óbvia, né? Tô bem.

?Voz A

É porque daí a resposta que vai vir é essa, exatamente. Geralmente é a tendência, né?

?Voz D

Eu tô bem.

?Voz A

Porque se tu vai perguntar, o cara vai dizer que tá ruim, mas tu não vai fazer nada igual, né? Serve para quê?

?Voz C

Pois é. E, cara, quem tá recebendo, digamos assim, essa nessa preocupação fake, a pessoa sabe, né? Sabe, ela sabe quando tu tá perguntando apenas por uma mera formalidade, quando tu efetivamente tá preocupado, né? Então, e eu tô bem, vem muito disso, né? Tipo, o tô bem é tu não te importa mesmo. Sim, então tô bem. Por que que eu vou perder tempo te explicando alguma coisa se daqui a pouco tu vai pegar o celular, tu vai atender, tu vai sair, tu não vai resolver?

Resolver o problema. Então é até perder meu tempo. Mas eu vou pegar também, vou voltar um pouquinho ali na conversa que a gente tava comentando, que o Ademar usou um exemplo, né, da questão da advertência, pedir, né, pela presença, digamos, de alguém monitorando, né, e tal. E eu acho, concordo bastante com a tua fala assim, porque eu penso que quando o pessoal, né, fala, óbvio, né, que que em determinados momentos advertência é uma solução e tal.

Mas é que nem o EPI, né, que a gente fala, EPI é a última barreira. Então já é uma advertência porque já tentamos tudo, né. Óbvio que não vai deixar o cara também se acidentar antes, né. Mas quando a gente fala nesse sentido assim, que tá, deu um problema, eu passei por uma situação parecida por essa, parecida com essa há pouco tempo, né, de ter uma advertência, de ter uma ocorrência, um incidente, acidente e tal. Ah, demite os dois.

E aí tava aquela coisa, não, porque é uma palavra que o pessoal agora tá caindo um pouco em desuso, mas usava mais antes, gestão de consequências. Agora já, né, o pessoal, gestão de consequências era o quê? Tipo, vai botar para rua, vai demitir, vai dar uma sabatina. Gestão de consequências é alguma cabeça tem que rolar para dizer, né, que a coisa para dar como lição aprendida para os outros.

?Voz D

É isso, é.

?Voz C

Enfim, eu tava numa situação, uma determinada situação que, né, ainda se tinha muito essa cultura de gestão de consequência dentro do processo ali. Aí manda os dois embora, manda. O que que tu acha? Eu falei, se nós mandar os dois embora, esse acidente nunca mais vai acontecer. Então resolve, não é esse o problema. Porque não tem a garantia nenhuma que se eu mandar esses dois, esse mesmo acidente não se repete. Porque quando a gente, eu penso assim, precisa dessa presença física, precisa punir alguém, quer dizer, a partir do momento que alguém pune por não cumprir um procedimento, ah, ele não sabia que não tinha que cumprir o procedimento, então demite o cara.

Mas daí a gente chega lá no que a Deise falou como exemplo, no que a Rose falou como exemplo, ele não tava usando por algum motivo específico. Então assim, quer dizer que se eu botar para rua, se eu der uma advertência, então tá resolvido, né? A gente tem ainda muita cultura de que a nossa forma de comunicar ela é muito agressiva ainda, né? A gente tem uma cultura, por exemplo, eu, vocês me corrijam se eu tiver errado, eu acho que nós, principalmente o Brasil, a gente ainda tem muito uma cultura do achar o culpado, né?

Se eu achei o culpado, o problema tá resolvido, não interessa o que que aconteceu, né? Então se eu achar o culpado, tá ali, é culpado, demite o culpado. Mas a gente tem muito essa cultura de quando acontece uma coisa errada, né, eu percebo que as pessoas elas não perguntam o que que aconteceu, mas perguntam quem foi, quem foi que fez essa, né, belezura, né. Porque realmente, né, a gente acaba não se comunicando e as pessoas não se sentem seguras para dizer que erraram.

E aí muitas vezes a pessoa fica escondendo o erro. Por quê? Porque eu vou tomar uma advertência. Porque se eu falar não vão nem me ouvir. Porque eu sei que o meu gerente, meu gestor, né? Você vê que eu nunca falo meu gerente de segurança, meu técnico de segurança, né? Porque esses escutam os trabalhadores. É os outros lá.

?Voz A

Os outros que não escutam.

?Voz C

Mas eu acho que é bem por essa linha, né? Quando a gente vai só para a questão da punição, de ter alguém presente ali, o contexto acaba direcionando para o outro lado mesmo, né?

?Voz D

Mas tu falou uma frase que ela me impactou de certa forma e tu tá de parabéns, tá? Quanto à comunicação. Tu fez uma pergunta para um grupo de pessoas que estava disposto a punir de forma agressiva alguém ou algumas pessoas. Tu colocou a frase da forma correta e assertiva. Se nós tirarmos os dois agora, resolve o problema? Ou seja, tu transferiu a responsabilidade que ela tava no teu colo, porque eles te colocaram no teu colo, né?

Para ti resolver o que que tu acha. Ou seja, a tua palavra é muito importante. Quando tu devolveu com uma outra pergunta, tu fez todo mundo pensar de forma assertiva.

?Voz A

Muito bem, viu? Ganhou estrelinha.

?Voz D

Muito bem.

?Voz A

É, mas isso é um segredo até da comunicação, inclusive, né? Usar perguntas para instigar aquilo que tu quer, quando tu quer chegar na verdade, né?

?Voz D

Na investigação de acidente.

?Voz A

Parabéns!

?Voz C

Muito obrigado, Dili.

?Voz B

Parabéns!

?Voz C

Aprendi com vocês.

?Voz A

Parabéns!

?Voz B

E na investigação de acidente acidente usa muito isso, né?

?Voz D

Tu joga perguntas para descobrir o contexto. Por quê? Porque numa investigação de acidente, para quem já participou, tá, ninguém quer falar, ninguém quer contar, porque eu não quero entregar meu colega, mesmo que esteja tudo certo e que não tenha sido nada e que tenha sido uma ocasião da natureza. Mas na cabeça de quem tá sentadinho ali na sala de investigação, ele: eu vou entregar alguém, eu vou entregar a cabeça de alguém. E quando tu faz esse questionamento tu abre o jogo, porque aí todo mundo diz assim, nossa, agora sim, agora a gente vai conseguir conversar e resolver o problema.

Por quê? Porque tem alguém disposto a resolver esse problema. É assim, então desde a alta direção até o liderado mesmo que tá lá na ponta da frente, ele vai entender, sim, cada um do seu jeito, mas eles vão entender.

?Voz A

Sim, é isso. Tanto é verdade e tanto faz sentido que não adianta tu cortar as pessoas querendo resolver o problema, porque via de regra o acidente nunca é um fato isolado. Assim, é muito difícil que um acidente ocorra por um único fator. Normalmente ele tem diversos fatores, né? É a história lá do queijo, né, que os buraquinhos do queijo tem que se alinhar lá para— não lembro o nome da teoria do queijo suíço, né? Não lembro do nome do autor agora.

?Voz D

Nossa, eu nem lembro disso, mas agora Passou um filme na cabeça agora, né?

?Voz A

Voltaram 18 anos atrás.

?Voz C

Tinha bastante antes, né?

?Voz A

Então, porque de fato nunca é um problema isolado. E se tu não fizer investigação, muito menos ainda que vai saber, né, qual que é a causa raiz do negócio, né?

?Voz C

Como é que era as causas raiz antes, quando a gente começou na área desse?

?Voz D

Vamos mudar de assunto.

?Voz C

Condição insegura, comportamento, ato inseguro, condição insegura. Não, pronto, tá resolvido, né? Eu lembro que até quando a gente dava aula, vamos fazer o seguinte, Vamos, aqui tem um acidente, pessoal. Eu vou concluir aqui já porque é condição segura, ato seguro. Vamos para o próximo. Condição segura, ato seguro. Porque aí quando a gente consegue entender efetivamente, né, quando o acidente não é uma questão só, é um multifatorial, aquela questão toda.

E, ah, não tava prestando atenção, cara, é muito relativo, né. Então quando a gente parte da premissa que ninguém erra porque quer, né, ninguém vai sair de casa dizendo assim, bah, hoje eu vou me arrebentar no trabalho.

?Voz A

Não vai, né.

?Voz C

Ah, mas e se tu Mas é, se eu for lá, né, sempre quando eu falo essa frase, normalmente treinamento, né, que o erro, o erro é a principal característica do homem, né, que o errar é humano, acho que a primeira coisa que todo mundo fala, né. E eu normalmente falo isso em treinamento ou alguma palestra, alguma coisa, a gente tem que aprender que o erro muitas vezes ele vai pelo contexto que te direciona, né, que nem aquelas questões.

E aí ninguém vai, ninguém erra porque quer. Ah, mas e se ele for para o trabalho e for lá e der uma martelada no dedo? Se ele for, então ele acertou. Se ele queria dar uma martelada no dedo, ele não errou, ele fez certo. O objetivo dele, qual era? Era se machucar. Ele conseguiu. Que tirando isso, e aí normalmente o pessoal dá mais contra ele, mas aí começa a entender um pouco mais o conceito. Porque quando as pessoas, elas não toleram que alguém erre, né?

E até que ponto ela entendeu efetivamente, né, o que que eu precisava que ela fizesse? Até que ponto ela não se constrangeu em dizer, eu não sei o que que é isso que você tá falando.

?Voz B

Tem mais isso, dependendo da comunicação que tu teve com essa pessoa, ela se sentiu até, né, recuou. Bom, esse cara tem uma comunicação super agressiva, como que eu vou falar para ele que eu tô sentindo? Imagina, ele não vai nem ouvir.

?Voz A

Ficando defensiva, na verdade, né?

?Voz D

Sim, eu ficaria, eu ficaria, não daria nem conversa para ele. Eu tive gestores tóxicos, né, muito, né. E eles se comunicavam de forma muito agressiva, do tipo: vocês têm que fazer assim porque eu tô mandando fazer assim. E, gente, para mim não funciona. Nossa, eu comprava cada pé de guerra, cada vez mais, né. Eu acho assim, eu comprava cada pé de guerra por causa disso.

?Voz C

Gera efeito completamente ao contrário, né.

?Voz A

É isso.

?Voz D

Não, é a liderança pelo medo, né. Essa liderança é uma forma de se comunicar pelo medo, né. E eu vou dizer, ainda existe, tá. Ainda existe. Na construção civil isso existe demais, tá? Demais isso ainda, tá? Na construção civil. Outras áreas até estão mais, são mais treinadas, o pessoal tá mais lapidado também, tem um choque de gestão maior. Mas na construção civil nata mesmo, naquela construção civil raiz, gente, isso é comum, tá? Tô vendo no dia a dia.

?Voz A

Mas isso tanto é verdade que senão a gente não precisaria estar falando em assédio. Não teria sido acrescido, inclusive, na NR-5, as questões de assédio, de abuso, e as questões psicossociais na NR-1. Se as pessoas já tivessem aprendido, a gente nem ia precisar estar discutindo isso, né? Então, tanto isso é tão presente quanto é verdade, assim, né? E agora tu falou uma questão da construção civil, a raiz, né? É impossível que alguém algum dia não tenha passado na frente de algum prédio e tenha visto alguém em cima de um andaime, sem cinto, sem proteção nenhuma assim, né?

E às vezes quando eu passo em uma situação assim, eu sempre me pergunto o que que faltou para aquele trabalhador estar fazendo aquela atividade ali daquela forma. E sempre me vem várias respostas assim na cabeça. Então eu penso, bom, primeiro, ele pode ser que ele não tenha tido treinamento para fazer aquilo ali, é uma possibilidade. Segundo, pode ser que ele tenha tido treinamento, mas ele não entendeu o que foi dito no treinamento.

Terceiro, ele pode ter tido o treinamento, entendeu o que foi dito, mas ele não tem uma linha de vida para se clipar em cima do prédio para fazer aquela atividade corretamente. Então assim, às vezes quando a gente passa e vê uma situação assim, a gente julga, né? Ah, olha lá o cara pendurado lá sem um cinto. Esses dias eles estavam pendurando, fazendo, colocando a lona de um outdoor perto lá de casa E foi justamente esse contexto assim, né?

Os meninos estavam lá e não estavam clipados, nada, né? E aí tu pensa, pá, mas olha lá! Mas é que existem vários contextos diferentes, não dá pra colocar todo mundo no mesmo saco e dizer que, ah, olha lá, o cara tá fazendo errado. Não só um pouquinho, mas tu sabe qual é a condição que ele tem? E outra, muitas dessas pessoas não têm uma alfabetização mínima. Aí tu bota o cara sentado lá e mostra um monte de slide e fala para ele, ó, tem que fazer assim, assim, assado.

Qual é a chance desse cara entender o que tu tá falando? Ele nem sabe o que é um talabarte duplo, ele nem sabe o que é uma linha de vida, sabe? E aí num treinamento de 4 horas lá da NR-18, tu acha que ele vai aprender a fazer?

?Voz C

É, daí tu vai fazer investigação de acidente depois do cara treinar. Tinha treinamento?

?Voz A

Tinha, tinha.

?Voz B

Será que foi passado de uma, com uma linguagem clara?

?Voz C

Como é que foi a comunicação nesse treinamento? Tinha sentido para ele nesse treinamento, para o que ele ia fazer, né? Outro simplesmente pegou os mesmos slides que tu apresentou da mesma forma, né? E aí mascara inclusive a investigação, né?

?Voz D

Sim, com certeza mascara. E a gente não chega no objetivo final, né, que é de realmente entender o acidente ocorreu, tá bom? O acidente é sempre causado por alguma coisa ou por alguém, né? Ele nunca é uma Teoria da natureza que veio ali, caiu um raio. Não, ele é causado por alguém ou por algum fator que estava naquele ambiente quando ocorreu. E quando a gente investiga o acidente, a gente procura o culpado primeiro, tá? É fato, é fato.

A gente pode estar falando aqui, tá, qualquer outra coisa, mas o objetivo inicial é procurar a causa raiz. A causa raiz vai chegar em alguém. E normalmente em quem chega sempre?

?Voz A

Na ponta mais fraca.

?Voz D

Por quê? Por que que chega na ponta mais fraca? Porque todos os outros, as instâncias anteriores de ocorrer o acidente, não teve comunicação, as pessoas não se comunicaram. Eu passei muitas vezes por aquele local ali e vi que o cara tava sem a luva. Ah, mas eu tava atendendo telefone aqui, depois eu volto. Aí depois tu foi fazer outras coisas. Tu passou de novo, o outro colaborador tava fazendo outra coisa. Aí quando alguém se corta, tu lembra assim: ah, pior que eu passei por uma situação dessas esses dias aqui na empresa, pô, deveria ter falado no DDS, ou deveria ter reunido aquele grupinho de pessoas ali, ter parado o que eu estava fazendo e dado atenção à minha atribuição, que é fazer a segurança das pessoas.

Era minha atribuição, eu tinha que ter parado e ter feito. Tem um fiscal do trabalho que ele já tá aposentado em Porto Alegre, que ele passava por esses outdoors assim e via essas pessoas nas fachadas com uma escada de mão de 7 metros lá, pendurado sem cinto, sem clipar em lugar nenhum. Ele parava o carro dele, descia e perguntava, e fazia a pessoa descer. Isso deve fazer uns 7 anos mais ou menos. Fazia as pessoas descer e perguntava para elas o que que elas estavam fazendo.

Por que elas estavam instalando aquele outdoor ali, por exemplo? Vou usar o exemplo do outdoor. No caso dele era fachada de prédio, tá? Porque isso é muito comum em Porto Alegre, né? As pessoas estarem penduradas numa escada, colocando uma lona ou grafitando alguma coisa, ou pintando, ou colocando até mesmo uma placa. E aí a pessoa explicava para ele, não, porque o cara me contratou para fazer isso. E tu foi bem remunerado por isso?

Não, tive que pagar um, tive que cobrar um preço. Não, é porque eu também tô querendo colocar lá na minha loja, não sei o quê, não sei o quê. Ele usava essa teoria. Mas aonde que ele queria chegar? Que o cara não tava fazendo segurança. Era o fim da conversa dele, era: tu tá imaginando o risco que tu tá te expondo ao subir nessa escada sem nada de proteção? Tu imagina se tu desequilibra de lá, o que que vai acontecer contigo? Ah, vou cair, vou me esborrachar no chão.

E que que vai acontecer depois disso? As pessoas que vão ficar O que que vai acontecer? Então assim, ó, já se tinha umas leves pinceladas, tá, de uma mudança, de uma mudança nessa turma. Então ele era uma pessoa que falava— eu fui numa palestra dele em Novo Hamburgo e ele contou esse exemplo. Eu sabia que ele era fiscal do trabalho, que ele já tinha auditado uma obra onde eu tava trabalhando, né, e ele era muito rígido. Então eu já tinha, eu já conhecia ele disso, mas não sabia que ele fazia isso, tá.

E isso me fez me questionar. Será que eu tô fazendo isso no meu ambiente de trabalho com os meus colaboradores? Não tô e não tava.

?Voz A

Pois então, por quê?

?Voz D

Porque para mim era óbvio, o cara abriu uma permissão de trabalho, colocar o cinto de segurança e subir. Para mim era óbvio, eu ia lá, liberava a permissão de trabalho, o cara subia para trabalhar. Cara, tinha R35? Sim, que era questão de treinamento. Tinha R35? Tinha. Tava com cinto de segurança? Sim. Tinha o lacre de inspeção? Tinha o checklist? Tinha. O andaime tava montado da forma correta? Tava. Mas e aí? O cara subiu para trabalhar, eu liberei, tava tudo certo, né?

?Voz A

Sim.

?Voz D

Mas será que eu me preocupei com o cara que tava subindo lá? Não, não me preocupei, não me preocupei. E é assim o nosso dia a dia.

?Voz A

É verdade.

?Voz D

Aí quando tu escuta essas outras coisas, tu começa a entender que a tua comunicação tá falha, tá muito falha, e a gente precisa mudar. Eu noto, vocês são docentes, né? Então eu noto que a comunicação de vocês ela já é diferente por causa da docência. Vocês se comunicam muito bem por causa disso, porque a comunicação para vocês é importante. Primeiro porque vocês precisam transferir isso para alguém, e esse alguém precisa sair dali com aquilo fazendo sentido.

Senão não tem sentido vocês estarem ali, era só ter uma televisão e as pessoas estarem assistindo. E o técnico de segurança na área, ele precisa disso, ele precisa que aquilo que ele transmita para alguém faça sentido. Por isso que a comunicação tem tudo a ver, por isso que o tema que a gente trouxe, o tema que a gente aborda bastante, e eu levo vários puxões de orelha dela, tá, por por causa disso, muitos puxão de orelha por causa disso, porque para mim era óbvio, tava tudo certo, era só fazer o cara subir.

Ela me faz pensar, e eu levei isso, entendeu? E eu levei isso para o meu dia a dia. Por isso que nas investigações de acidente a gente sempre procura a causa raiz e o culpado. Mas tu diz para o cara: não, é que a gente não tá procurando culpado, tá? A gente tá procurando resolver o problema para que não ocorra novamente. Mas o cara tá sabendo que não é.

?Voz C

É, e a gente tem muita questão, a gente falou antes do julgamento, né, a questão da investigação do acidente, né. Mas tava tudo tão claro, a gente comunicou, a gente treinou, né. Como é que, como é que isso foi acontecer? Mas é uma coisa que chega a ser desleal numa investigação de acidente, porque a gente sabe como é que a história termina. Então fica muito fácil tu fazer uma investigação de um final que tu sabe como é que vai ser.

Né, deslealmente, né. Infelizmente, o trabalhador, ele não sabia como é que terminava. Então, para nós é muito fácil já saber como é que terminou, mas ele ali no meio, para ele, ele não sabia que ia terminar daquele jeito. E com certeza ele não queria que terminasse daquele jeito, né. E eu acho que faz muito sentido isso que você disse, né, Demora. Para nós, lá no final, como tudo funcionou, e a gente sabe o que que não funcionou, e lá a gente sabe o final.

Ele não sabe, ele não sabe, né. Infelizmente, ele não sabia que ia terminar daquele jeito. E aí chega a ser desleal tu queria achar um culpado nisso, porque daí realmente tu ignora tudo isso que tu falaste antes ali dessas barreiras que tinha, né, e tudo mais. E ele é o culpado.

?Voz A

É como se todo mundo lavasse as mãos e a culpa ficasse só para ele.

?Voz C

Exatamente.

?Voz D

A história do morto não fala, né? Então o mais fraco às vezes não tem o poder de dizer algo, ou até tem e fica com o famoso X na paleta, né, dentro da organização, né? Mas esse cara é polêmico, não dá para falar muito aqui com ele. Ah, vamos cuidar.

?Voz A

Muito bom exemplo, muito bom exemplo.

?Voz D

Vamos lá, deu até para dar uma respiradinha agora.

?Voz C

Momento reflexão, vai aparecer ali pausa dramática.

?Voz A

Muito bom. Mas a gente tá chegando ao final e antes da gente terminar, acho que dá para a gente ainda dar uma fechada, que se vocês quiserem trazer um recado final ou quiserem compartilhar uma situação, né? Às vezes a gente aprende mais quando a gente escuta algo que aconteceu, né, de uma dificuldade que vocês tiveram em alguma empresa ou observaram em algum momento, ou sei lá, alguma conversa difícil que vocês tiveram que ter. A gente finaliza então com esse recado final de vocês aí.

?Voz D

Como eu sou muito cavalheiro, né, eu vou dar.

?Voz B

Eu gostaria de dar alguns exemplos porque acabei não trazendo a diferença da comunicação assertiva, da agressiva e da passiva. A gente fica se perguntando, mas o que que é comunicação assertiva? Bom, nós já entramos falando do que que é a comunicação assertiva, mas a agressiva e a passiva ainda não. E eu queria dar um exemplo de cada uma para quem está nos assistindo entender, né? Então, a comunicação assertiva, vou dar um exemplo bem simples assim para as pessoas poderem entender.

A comunicação assertiva é eu falar com a Deise, né, pedindo: Deise, eu preciso que tu envie o relatório hoje até às 17 horas, vamos conversar e definir como iremos fazer? Isso é uma comunicação assertiva. Com a Deise, mas eu podia chegar para Deise e falar: ô Deise, ontem eu te pedi para enviar os indicadores e tu não enviou, o que que tá acontecendo contigo? É uma outra forma de me expressar, né? Eu estou tendo uma comunicação agressiva com ela.

E a passiva? A passiva, eu posso chegar para Deise e falar assim: Deise, Eu preciso que tu envie os indicadores até às 17 horas. O que que tu acha? Será que vai dar para nós fazer? O que que tu acha?

?Voz C

São 3 formas completamente diferentes de falar a mesma coisa.

?Voz D

Passou um filme, né?

?Voz A

É impressionante a forma como tu coloca as palavras, já muda totalmente.

?Voz D

E os gestos, né? Vocês viram que na forma agressiva ela usou o gesto da mão.

?Voz B

E é incrível assim que quando eu falo é de mim, né, da Rose. Eu preciso, como a gente deveria usar, né? Eu sinto, eu sinto, eu me sinto triste, eu me sinto ansiosa por alguma coisa, né? Mas não, a pessoa às vezes coloca a culpa no outro, ela transfere para o outro, né? Eu tenho a necessidade Sabe? Eu preciso abrir essa caneca, eu preciso de ajuda, pode me ajudar? Sabe? É diferente. Aí, não tô conseguindo abrir, abre aí tu. Já é diferente, a pessoa já recebe.

?Voz D

Opa, sabe?

?Voz B

Então a gente tem que ter muito cuidado porque tudo é comunicação na nossa casa, com nosso marido, com nosso filho. No nosso local de trabalho.

?Voz A

E eu acho que isso também tem um pouco a ver com a forma como a gente fala, né? Eu vejo muito essa diferença assim, por exemplo, quando tu tá escrevendo, quando tu tá gravando um áudio, por exemplo, né? Ou quando tu tá falando com a pessoa de verdade, como ela falou, né? E os gestos, né? Quando tu tá só num áudio, por exemplo, tu perde os gestos, já perdeu uma parte da comunicação, né? Mas tu ainda tem o tom de voz, e tu ainda tem, né, a forma como tu vai falar de verdade.

E quando tá só escrevendo, que é o caso de um email, por exemplo, né, que tu vai redigir, e isso todo mundo faz isso, todo mundo redige emails o tempo inteiro, tu já perdeu duas partes da comunicação, porque tu já não tem os gestos e tu já não tem a entonação da voz. Então tu tem que conseguir expressar tudo aquilo ali que tu quer transmitir só através da escrita. É muito mais desafiador, né?

?Voz D

Mas tem um caminho, tá? Hoje a IA tá nos fazendo utilizar isso, ajudando, né, Cintia? A gente pega o email, principalmente quando é de um gestor, tá? A gente pega o email. Olha só eu contando que não deveria contar, meu Deus do céu! Mas tá tudo bem, tá? Hoje a gente pega o email, coloca no ChatGPT, porque é mais visualizado hoje, né? Coloca no ChatGPT e pede para ele te dizer o tom de voz utilizado naquela mensagem. E ele te dá ajuda.

E às vezes é uma mijada com categoria e tu tá achando que é um elogio. Tu lendo, tu pensa, nossa, mas o cara tá me elogiando. Não, ele tá te dando uma chamadinha de atenção ali. E o ChatGPT conta para gente. Então a IA tá aí, gente, mas a gente tem que usar.

?Voz A

E até da forma contrária, né? Porque às vezes tu quer falar uma coisa para alguém, mas tu não quer ser agressivo. E tu não sabe como escolher as palavras certas ou como formatar aquela frase de uma forma que não fique agressiva, né? Então daqui a pouco uma IA pode te ajudar a reescrever aquilo que tu ia dizer, né? Claro, sempre tendo muito cuidado, né, a gente não colocar dados pessoais, dados da empresa, nada do tipo na viagem.

Mas utilizar assim para tornar aquela fala mais humana, né? Eu acho muito engraçado falar isso mesmo.

?Voz C

Tornar a fala mais humana, tem que pedir para IA, porque a gente já É louco isso.

?Voz B

E o quanto é importante também às vezes, se tu tá, né, deu algum problema que tu tá mais nervoso, o quanto é importante tu dar aquela pausa. Será que eu devo enviar esse email agora? Acho que não vai ser necessário um envio agora. Vamos dar aquela pausa, respirar fundo, espera e releia de novo.

?Voz D

O que que eu quero fazer?

?Voz C

Muitas vezes assim também, querer responder um email, alguma coisa, uma mensagem, entendeu? Tem um negócio, todo mundo acho que tem isso, que uma cloud, uma nuvem, eu deixo ali. Se amanhã eu quiser, ou daqui a 4 horas eu quiser mandar isso aqui, eu vou mandar. Mas normalmente não dá. Dali tu já dá uma filtrada, já respirou, já saiu, já caminhou, já passou.

?Voz B

E às vezes assim, o quanto é importante tu dar essa pausa e olhar para dentro de ti, olhar Que sentimento eu tô sentindo? Nossa, eu tô sentindo raiva disso. E um momento de tu te acolher, sabe? Aquela pausa, aquele acolhimento contigo mesmo, sabe? Eu acho muito importante, porque às vezes tu revida e acaba arrumando um problema ainda maior.

?Voz C

Sim, sim, nesses casos, porque toda decisão normalmente que tu toma em extremo, né, ou com raiva ou muito feliz, tu faz bobagem.

?Voz D

Eu tenho uma conversa difícil.

?Voz A

Fala, conta.

?Voz D

Vocês notaram que eu falei da advertência, que eu não gosto, né? Mas eu tive um problema com essa advertência. Eu chamei um colaborador uma vez para dar uma advertência na sala, que eu disse para ele, cara, a gente já te treinou, a gente já te orientou, a gente já, cara, a gente usou todos os meios que a empresa tem, a gente já te mandou fazer treinamento externo, e mesmo assim tu continua fazendo as coisas erradas. E a empresa não quer que tu te machuque.

O cara começou a chorar. E aí eu me perdi na conversa ali porque eu tava de uma forma dura ali, sabe? Porque eu também tava indignado, né? Porque eu recebi uma chamada de atenção de um líder e aí eu tinha que resolver o problema, né? E o cara começou a chorar. E aí ele me disse assim, Bademar, vai ser a terceira advertência que eu vou levar. E se eu levar a terceira advertência, a chance de eu ser demitido vai ser muito alta. Eu tô com meu filho com problema de saúde, aonde a gente tá gastando uma grana para manter o remédio dele.

E aí ele me contou isso, né? E eu que tenho uma filha, aquilo passou um filme, sabe? Aqueles 2, aqueles 10 segundinhos, aqueles 7 segundinhos, que é o que normalmente a gente usa na comunicação, que é os 7 segundos antes de se comunicar com outra pessoa. É um gatilhozinho que a gente tem, né? Eu pensei assim e disse, então tá, se eu te ajudar a resolver o problema do remédio do teu filho pelo SUS, eu não vou ter mais problema contigo?

Ele disse, cara, se tu resolver esse problema para mim, além de tu tirar um peso dos meus ombros, eu vou ser muito grato a ti, tá? E a empresa onde eu trabalho. E eu disse, bah, o cara me colocou um baita de um desafio no colo, né? Mas eu tenho a condição de ajudar ele, porque eu consigo sair da empresa, consigo fazer outras coisas externas, eu consigo ajudar. E eu fiz isso por ele e ele conseguiu. Eu nunca mais tive um problema na empresa.

Ele saiu depois da empresa, ficou meu amigo particular assim, a gente conversa pela rede social. Hoje ele é um encarregado líder de uma empresa e ele lidera hoje mais ou menos umas 80 pessoas.

?Voz A

Que legal, que legal!

?Voz D

Mas só porque eu peguei a dor dele E não o objetivo que eu tinha. Eu não dei advertência para ele, não dei advertência para ele, e disse para o encarregado dele que a advertência ia ficar comigo na minha mesa porque eu tinha assinado um acordo com ele. Mas o cara não assinou, ele não assinou advertência. Então assim, às vezes a gente quer punir alguém por não respirar e não pensar 7 segundos, e é muito fácil. Cara, tá levando uma advertência por isso, por isso, por isso, aquelas cláusulas que tem ali, né, aqueles itens ali da lei ali que que a gente fala.

Por isso, por isso, por isso, só preciso que tu assine aqui, ó. E a partir de agora, se tu levar outra, tu vai ser demitido por justa causa. O cara vai assinar ou vai te dizer que não vai assinar. Tu vai chamar duas pessoas ali, vai virar uma testemunha e pronto. Mas sabe quando bate aquilo que, ah, mas tem alguma coisa errada com esse cara? O cara me disse que é a terceira advertência que ele tá levando. Tem alguma coisa errada.

Mudei a vida dele. Talvez com outras pessoas não funcionaria, mas com ele funcionou. Então, antes da gente tomar uma atitude mais enérgica com alguém, tenta se colocar um pouquinho no lugar dele. É tão difícil a gente fazer isso, se colocar no lugar do outro para tentar absorver, mesmo que seja um desafio que saia dele, que a gente não tem responsabilidade nenhuma. Ele tá ali para trabalhar, essa responsabilidade não é minha. Isso é um problema teu que tem que resolver fora da empresa, não é minha responsabilidade.

Mas quando tu sente que aquele cara tem condição de fazer diferente, E ele tem potencial para ser alguém diferente. E aí o feeling que o técnico de segurança às vezes tem dentro do ambiente de trabalho é o feeling de analisar as pessoas, tá? Então façam isso antes de dar uma advertência. Eu nunca mais dei uma advertência para ninguém na vida, viu? Isso deve fazer uns 12 anos. Eu nunca mais dei advertência para ninguém e eu não permito que os meus técnicos de segurança deem advertência para as pessoas. Sem fazer essa pergunta.

?Voz A

Sim, é aquilo que a gente sempre fala, né? Uma pessoa, ela não é só aquele aspecto profissional que tu tá vendo ali. Ela é um pai, ela é um filho, ela é um esposo, ela é— então tu precisa levar isso em consideração na hora de conversar com ela. Não dá para tu simplesmente fechar os olhos para todo o resto, todos os outros aspectos que a pessoa tem, e julgar ela só como trabalhador que tá ali na tua frente balançando a cabeça para assinar uma advertência.

?Voz B

E aí dizer assim, ai, tem que saber separar o trabalho do pessoal. Gente, isso não existe. Uma mãe com um filho doente, ela não pensa, ela quer acolher o filho, ela quer cuidar, ela não vai pensar no trabalho naquele momento, sabe?

?Voz A

Não é um botão, né, que tu aperta, não, agora eu tô no trabalho, agora eu vou desligar o resto.

?Voz B

Não existe isso, sabe? E a gente ainda ouve pessoas falando desta forma, sabe? Olha o quanto falta conhecimento, né, das pessoas, né, empatia, né?

?Voz A

Muito bom, gente, muito bom.

?Voz C

Vamos lá então, pessoal. Desde já a gente vai chegar, agradecemos e comunicamos que estamos chegando na nossa parte final aqui do nosso episódio. Até passamos um pouquinho na hora que a gente tá acostumado, mas o papo tava bem legal, bem legal aqui mesmo. Então Esse é o momento que a gente faz aí um agradecimento para vocês, né, porque a gente sabe que o tempo é o que a gente tem de mais valioso hoje, né, porque todo mundo diz que não tem, né.

Então quando vocês disponibilizaram o tempo de vocês para vir aqui conversar, compartilhar, né, eu tenho certeza absoluta que é para o pessoal que tá nos ouvindo, nos assistindo, tiraram vários insights legais aqui. Eu tirei muitos insights legais dessa nossa conversa, com certeza, né. Acredito que deles também. E acho que para todos nós assim foi um ganho muito legal. E esse é o momento que a gente entrega para vocês então, né, essas duas lembrancinhas, esses dois mimos que a gente chama, né.

?Voz A

É personalizado para vocês não esquecerem da gente também. Todo dia quando forem tomar café, para quando forem tomar café, né.

?Voz C

Isso aí, né, a hora do café também normalmente é um dos momentos que a gente se comunica em casa, né? No momento que a gente toma aquele café, conversa. E que essa experiência tenha sido tão positiva para vocês quanto foi para nós aqui.

?Voz D

Então, com certeza. E a gente tem o objetivo esse de tomar o café, né? Eu sempre tive um sonho de que eu conseguisse tomar o café da manhã com ela de manhã. E hoje a gente tem essa oportunidade. Porque durante muitos anos, né, eu saía e às vezes ela estava dormindo ainda, né? Então eu chegava no final do dia Ela já estava preparando alguma coisa, a gente já estava fazendo e ia dormir. Então agora a gente consegue tomar o café junto, né, Monique?

?Voz B

Sim, muito bom isso aí.

?Voz C

Para nós vai ser uma satisfação estar participando desse café.

?Voz B

Então, né, chega. Sim, sim, espero a lembrança de vocês.

?Voz C

Pode até marcar a gente lá para a gente saber, ó, estamos tomando café juntos.

?Voz B

Vamos marcar sim, com certeza.

?Voz C

Tá certo, pessoal.

?Voz B

Agradecemos muito pelo convite. Com certeza foi uma noite assim, ó, que agregou muito conhecimento. Aprendi muito com vocês também.

?Voz C

Que legal.

?Voz D

Muito obrigado, gente. Agradeço mesmo, agradeço a Deise, agradeço aí pelo apoio. Tá? E estamos aí caso queiram falar sobre algum outro assunto mais interessante também. Mas foi um prazer para a gente estar aqui hoje, tá, no podcast de vocês, tá batendo um papo, tá, e conhecendo um pouquinho mais, tá? Cada dia a gente aprende um pouco, né? Hoje a gente aprendeu muita coisa. Legal a questão dos insights, né? Eu sou uma pessoa que guarda os insights aqui, né?

Então muitas palavrinhas mágicas do que vocês falaram aí, né? Ficaram guardadas aqui e vão levar para o meu dia a dia, com certeza.

?Voz C

Podemos, certamente a gente fala o mesmo do lado de cá. Então tá, pessoal, chegamos então no nosso bloco final aqui do nosso episódio de hoje do Desenrola SMS. Então novamente reforçando aí o nosso patrocinador, nosso apoiador aí, Amar Luvas, né, que tá aí com a gente. Então calçados de segurança, esses calçados aí que vocês já conhecem, a excelente qualidade, que dá para usar inclusive na rua, né, no shopping, dá para passear. Às vezes, várias vezes já esqueci, saí de botina, Marluvas, na rua aí também.

?Voz A

As pessoas já estão até acostumadas a ver a gente de bota.

?Voz C

Já fomos até jantar uma vez eu de botina nela lá, shopping, já fomos em tudo. Então Marluvas aí continua sendo nosso apoiador. Muito obrigado ao pessoal da Marluvas e também a MetaSafe, né, nossa empresa que trabalha aí com a parte de gamificação, de games em realidade virtual para sua Cipati, para os seus treinamentos, para também comunicar de forma diferente a mensagem de segurança que vocês gostariam de passar para os seus trabalhadores. Da minha parte é isso.

?Voz A

Foi um prazer, foi um prazer estar aqui com vocês hoje. Obrigado por todos que nos acompanharam, obrigado por estarem aqui com a gente até aqui, né? E não esqueçam, né, se inscrevam no canal, para serem notificados também quando sair vídeo novo. E compartilhem nos grupos, compartilhem com os colegas para que eles também possam melhorar cada dia mais a sua comunicação e a gente ter cada vez mais isso como uma habilidade, né, de todos os profissionais da nossa área também. Muito obrigada e até uma próxima.

?Voz C

Tchau, tchau!

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