Escolas sem celular: o que mudou depois de mais de 1 ano?
Depois de mais de um ano de restrições ao uso de celulares nas escolas, o que realmente mudou?
Neste episódio do Arco43 Podcast, Marcos Keller e Regiane Taveira discutem os efeitos práticos dessa decisão no dia a dia escolar, da atenção em sala de aula ao engajamento dos alunos.
A proibição resolveu o problema ou só mudou o desafio de lugar? E, mais importante: o que a escola precisa colocar no lugar para garantir aprendizagem de verdade?
Porque, mais do que retirar distrações, o desafio agora é construir experiências que façam sentido dentro da sala de aula.
- Legislação sobre Celulares nas EscolasMelhora na atenção e foco · Diminuição do bullying online · Desafios de engajamento e interesse · Dependência digital e ansiedade · Uso consciente da tecnologia · Mudança pedagógica necessária · Retorno do uso de cadernos · Equilíbrio no uso de celulares
- Educação midiática e formação de professoresImportância da educação midiática · Necessidade de materiais de apoio · Professores já praticando educação midiática · Formação para lidar com tecnologia · Coleção Bem Me Quer Mais Digital · Algoritmos e personalização de conteúdo
- Uso de celular em sala de aulaProjetos de leitura e formação crítica · Disponibilização de mangás e quadrinhos · Incentivo a caderninhos de perguntas · Jogos analógicos e de tabuleiro · Melhora nas relações interpessoais · Atividades de interação e brincadeiras
- Metodologias de ensino e engajamentoAulas expositivas no século XXI · Importância da didática e psicologia · Uso de mapas mentais · Técnicas de engajamento de alunos · Histórias pessoais e anedotas
Você está no Arco 43, o podcast educacional da Editora do Brasil.
Já faz mais de um ano que a proibição do uso de celulares nas escolas ganhou força em diferentes redes e debates pelo país. A promessa era clara. Melhorar a atenção, reduzir distrações, fortalecer a convivência e recuperar o foco na aprendizagem.
Pois, passado esse tempo, a pergunta que fica é, o que realmente mudou dentro das escolas? Será que o problema foi resolvido? Será que só mudou de lugar? Porque se por um lado o celular sai da sala, por outro os desafios continuam. Engajamento, interesse, participação e a própria relação dos estudantes com o aprender.
E hoje a gente discute o que já dá para perceber na prática dos efeitos reais dessa decisão e principalmente o que a escola precisa fazer para que a ausência do celular não seja só controle, mas oportunidade de transformação pedagógica. Regiane Taveira, e o celular? Ai, ai, ai. E o celular? E o celular?
Como é que foi na tua escola essa transição? Lembrando que os meus pequenos já quase não usavam, Kelly. Então, a gente já tinha essa vantagem. Depois da proibição, acho que a gente pegou umas duas vezes e era aquela coisa...
de ter que falar com a mãe quando está saindo da escola. Então, eu, de verdade, não enfrentei o problema de ter o celular na escola atrapalhando o processo de ensino e aprendizagem dos alunos. Mas, óbvio, tenho colegas diretoras que contam o que aconteceu relacionado às escolas delas. Então, percebo que, vamos lá, o que eu ouvi.
Ele não sumiu totalmente. A gente não pode mentir, né, gente? Ou mentir? Ah, eles levam, está escondido. Então, assim, óbvio que em sala de aula, isso diminuiu. Dificilmente eles estão com o celular em sala de aula. Até porque a proibição traz uma força nessa regra.
Nesta regra de poder tirar se ele pegar o celular. Então, assim, né? A gente tem que colocar desta forma. Mas tem que ter uma disposição também, né, Rê? Porque a gente tem uma disposição pra comprar uma briga, né? Usou, eu vou lá, vou retirar, vou deixar guardado. Você tem que ter um protocolo, né? Que momento que...
Você fala com a mãe, o que acontece. Exato. Por isso que a regra de não usar, ela funciona por conta que ele sabe que o celular vai ser retirado e que vai ser chamado à família. Então, neste ponto, sim, eu acho que funciona. Mas aí ficam muitas perguntas, não é, Keller? O engajamento melhorou? A atenção melhorou? Já há estudos com relação a isso. Acho que a CNN, ela traz um...
Uma pesquisa, na verdade, que agora os alunos, 80%, de 80% a 83% dos alunos, dizem prestar mais atenção após a proibição. Então, após a proibição.
Ou seja, já é um número legal, de 80% a 83%, diz que tem mais foco na aula, os professores percebem uma participação desses alunos maior do que anteriormente, não é? Também achei bem legal essa reportagem da CNN, o Keller, porque eles falam que os gestores e os professores...
77% dos gestores e 65% dos professores perceberam menos bullying online. Então, olha, alguns problemas que eles tinham que estar ali resolvendo, porque esse problema vai para a escola, vai para a sala de aula. Esse desafio que eu falo, não é? E o professor tinha que intervir, os gestores, e neste caso também eles perceberam uma diminuição.
Então, são dados importantes, não é? Mas a gente tem que pensar que as aulas melhoraram. A gente tem aulas do jeito que deveria ter no século XXI. Todos os problemas acabaram, né? É, eles podem ter diminuído, mas eu digo que diminuído no sentido de que eles não terminaram. A gente tem uma camuflagem aí.
porque a gente não eliminou o problema do processo... O processo de ensino e aprendizagem não é o que a gente queria, não é ideal, ou seja, a gente tira alguma coisa, melhora, mas é emergência. Sabe pronto-socorro?
A gente resolve como um pronto-socorro. Você chega lá machucado, te fazem um curativo, e aí a gente vai levando. Porque ainda há muitas outras coisas que a gente precisa melhorar, não é? E também pensando no celular, estou falando demais, né? Falei a Rijane desembestou. Pensando no celular, ele... Podemos colocar assim, ele não é um vilão isolado. Entende?
Então, quando a gente olha para tudo que a gente vê aí com relação à educação, e, inclusive, a gente não pode descartar que se ele tivesse uma intencionalidade pedagógica, ele seria muito bem usado. Aliás, há escolas que fazem isso.
Perfeito, perfeito. Eu vou te dar um parecer de como foi a experiência para mim. Eu estou em dois mundos. Estou no estado de São Paulo, também como professor de filosofia, e estou em uma escola da rede privada, uma escola particular, aqui na região que eu moro. Uma ótima escola particular, inclusive.
Na escola particular, quando saiu a notícia, pra gente já era uma coisa velha. Porque no ano anterior, a coordenadora já tinha conversado com a galera, a gente já tinha feito todo um processo, então já tinha rolado aquele luto de ter que parar com o celular, de ter que brigar por causa do celular, já tinha acontecido. Então quando saiu a notícia da lei, pra escola particular que eu trabalho, já tava tudo certo, já tava tudo certo. Inclusive a escola fez uma... tipo um...
Um painel, assim, onde você coloca os celulares, então tá visível pra todos, e tá super seguro, tem câmera, por aí vai. Então, nas salas, né, tem esse painel, e funciona muito bem. Mas assim, molecada ligeira. Tem aluno que descolou um celular falso, uma cópia. Cara, tava com três celulares, assim, sabe, pra continuar com algum.
Então ele se virou com algumas coisas. E tem um outro ponto que a gente esquece que a lei não é só celulares. A lei é qualquer aparelho eletrônico que não seja utilizado para o processo educacional. E um outro processo que essa escola fez também foi voltar a utilizar mais o caderno, porque era uma escola que utilizava Chromebook. Era uma escola bacana, utilizava um Chromebook para trabalho.
Só que o Chromebook, você não tem como bloquear o acesso do sujeito à internet, né? Ele abre as apostilas, os papéis todos ali no Chromebook mesmo. Então, você sabe se está no Chromebook, está jogando joguinho, o que está acontecendo, né? Então, a escola também optou por não utilizar o Chromebook e voltar a utilizar o caderno.
E eu senti uma melhora até nesse processo de registrar. Pô, você é uma defensora do registrar para fixar na mente, para fixar no processo. Então, voltar esse processo de fixar também foi uma coisa que foi muito legal. Agora, na rede estadual...
Quando saiu a notícia, eu fui de sala em sala, expliquei, conversei, falei com os alunos, expliquei tudo certo, entenderam, guardaram. A primeira semana o diretor em cima, todo mundo em cima. Foi na quarta semana, na quinta semana, já tava a galera com o celular, uma coisa meio escondida. E aí o diretor até comprou a briga por algum tempo, mas eu percebi que chegou um momento que era tanta briga e ele ia ficar fazendo só isso.
Ou ele tinha que pegar um agente escolar, alguém e falar assim, olha, seu trabalho é isso aqui, ou ia ficar muito difícil. Então, diminuiu? Diminuiu. Diminuiu o uso, com certeza. Mas falar que resolveu todos os problemas que eu tenho como professor de rede estadual, como professor de rede privada, não resolveu, né? Porque tem aquela coisa, é uma distração? É uma distração.
mas ignorar a tecnologia resolve? Será que a gente não precisa do famoso uso consciente, que a gente fala? Ia colocar isso agora, exato. A proibição não leva você a ter um uso consciente. Então, é o que eu falei, é um freio de emergência. É emergencial essa proibição. E uma outra coisa também, Kelly, que é importante a gente destacar.
escutando esses amigos e amigas diretores e diretores, e vendo também na minha escola. Esse aluno que deixou de usar em alguns momentos da escola, está usando muito mais em casa.
Olha, que legal perceber isso, hein? Muito mais em casa. A ponto, lembrando, sou uma diretora de escola de anos iniciais, eu tive essa semana, recebi o laudo de uma criança do terceiro ano, ou seja, ele está entre os sete ou oito anos ali, que ele está viciado em tela.
Nossa, dependência digital, né? Olha isso. Quando ele vai pra escola, ele estava ficando super irritado. A gente percebeu uma irritação nele, assim, que não era normal, que a gente sabe que ele não era assim. Ele tá ficando na escola sem, quando ele vai pra casa, ele tem. E ele tá muito viciado em tela. Então, o tempo que ele tá na escola, ele fica super irritado, porque ele tá sem. Nossa.
entende? Aí quando eu faço, fala re, mas é um caso isolado, não, porque aí escutando outras pessoas, o aluno, né, do ensino médio, dos anos finais, perceberam ansiedade, uma ansiedade, né, tipo, de ir embora, esperando o horário de ir embora.
Porque realmente ele não tem ali, ele não vê a hora de chegar em casa. E aí é até interessante que eu fui olhar em relação a isso, os estudos, já existe um estudo que chama, que é sobre um esgotamento cognitivo.
chama, né, justamente no momento que você tá sem o celular, porque você usa tanto, você fica tão afetado, que o tempo inteiro você tá nesse esgotamento cognitivo. Então imagina, isso leva à ansiedade, isso leva à irritabilidade, né, porque são muitas coisas que é o que, aí você destaca muito bem, não é só a proibição, como que a gente vai lidar com tudo isso e não é só a proibição. As cultivas são mais curiosidade. As cultivas são mais curiosidade.
porque se essa criança vai para casa, esse adolescente agora fica mais tempo no celular em casa, nas telas em casa, alguma coisa também vai ter que ser feita.
E aí a gente percebe, e vou aí agora falar como gestora de escola, quando você chama um pai, ele vai olhar e falar, mas quando eu chego, eu estou fazendo isso, eu estou fazendo aquilo, e realmente ele está lá na tela, ele está jogando, ele está não sei o quê, ele está não sei o quê. Então você entende que é um... Parece que é um círculo que não tem fim. É.
É um processo muito grande que não acaba no celular, nem acaba dentro da escola. Não, por isso que você traz a questão do uso consciente e a gente vai ter que bater muito nessa teclinha na escola. Entender tudo isso. Ter ajuda de especialistas, que você vê, a gente sozinho não vai dar conta. Não vai, não vai. A gente não tem a formação para entender isso. Não, não, a gente não dá conta.
Você sabe o que você me lembrou, Rê? Que assim, nas aulas de projeto de vida, eu tenho conseguido encontrar um espaço pra discutir um pouco sobre. Então a gente chegou a falar... E é um uso consciente, porque aí eu vou utilizar em sala, aviso com antecedência, vou utilizar em sala o celular. Pra dar uma olhada, por exemplo, nos...
no quanto tempo tem o uso. Todo celular tem uma saúde, uma opção assim, onde ele fala sobre o quanto está sendo utilizado o aparelho, quantas horas. E é muitas horas, às vezes, que os estudantes têm. Oito horas, nove horas por dia que o celular está sendo utilizado. E aponta também quais são os aplicativos a serem utilizados. Então é uma reflexão que eu já fiz em projeto de vida também.
Foi muito legal fazer isso. E tem outras funções que são legais também. Sei lá, uma pesquisa, um teste, alguma coisa desse tipo que você pode utilizar. Mas, de novo, é um uso consciente. E, professor, a gente sabe também que não é todo professor que tem a formação para lidar com isso. E aí vem aquela velha história que a gente sempre fala de procurar materiais que possam te ajudar nesse processo.
E eu não estou falando isso para o professor que está acompanhando a gente, assim, do tipo, você não tem capacidade. Não, a gente precisa de referência mesmo. Se a gente não tiver uma referência para lidar com a educação midiática, fica muito difícil. Eu estou esperando com muita alegria esse material do PNLD para trabalhar a educação midiática. Eu estou esperando mesmo, porque eu quero dar uma olhada no que tem, como que a gente pode trabalhar essas questões, porque é preciso ter essa intencionalidade, ter esse cuidado.
ter essas questões que às vezes nos faltam para trabalhar, nos faltam entender como que eu posso trabalhar esse uso consciente. Trazer segurança, né? Traz segurança, um bom material. Isso. Sim, na sala, para você falar com o estudante, para você entender. Quantos professores também não estão viciados em tela em algum momento? Pode ser nosso caso. Sim.
às vezes você tá, sei lá, pegando o ônibus toda hora teu único entretenimento é aquela tela que tá ali do lado pra você desligar um pouco a cabeça só dorme com um vídeo rolando alguma coisa desse tipo então é preciso a gente entender também esse uso consciente pra nós mostrando que não é fácil não é só o proibir você tem um enfrentamento da consciência dessa tecnologia pra lidar e tem mais uma coisa também que eu tô pensando aqui que eu tô pensando aqui que eu tô pensando aqui que eu tô pensando aqui que eu tô pensando aqui
Pode ser que o professor que esteja ouvindo a gente, a professora que está nos ouvindo, pense assim, ah, mas será que isso que vocês estão falando não é anedótico? Não é uma realidade só de vocês? Pode até ser, porque a gente está falando da nossa realidade. Só que a gente sabe que, apesar de cada escola ser uma escola, tem algo que nos une, né? A Regiane está lá do outro lado da cidade, um outro canto, duas, três cidades de mim, e muitas das dores que ela passa com o ensino, os anos iniciais dela...
estão conectados com o que eu passo aqui em Suzano, com os meus ensinos médios. A gente entende um pouco como que trabalha isso. E aí cabe também o professor que está ouvindo a gente aqui falar qual que é a experiência. Nós adoraríamos ver nos comentários, receber e-mails de vocês para entender também qual que é essa experiência anedótica que vocês também estão vivendo e ver o quanto que isso ecoa no nosso dia a dia, nas coisas que nós estamos querendo entender. E tem mais um ponto, Rê. Só proibição?
Vai desenvolver esse cuidado midiático, essa educação midiática que a gente está falando? De jeito nenhum, né, Kelly? E aí você destaca a questão. Olha como isso é muito mais fundo do que parece, né? A formação do professor.
Se a gente falar de educação midiática, é você também falar de formação, é você pensar nos materiais. Mas, assim, muitas vezes, Keller, e é legal a gente também destacar...
Parece que a gente está falando de uma coisa de outro mundo e às vezes o professor já está fazendo aquilo. Só que ele não deu o nome ainda. É verdade. É muito legal a gente pensar nisso. Porque não se trata de algo mirabolante, não se trata só de tecnologia. Se você traz um texto, um meme, uma notícia, você vai estar trabalhando com esse aluno à educação midiática.
E muitos já fazem, aliás, a grande maioria já faz isso. Então, é uma questão de nomenclatura que eu brinco. Aí o professor já fala, eu não estou preparado para isso. Eu falo, calma, gente, nós estamos já até fazendo. Mas é óbvio, às vezes a gente faz, Kelly, e eu gosto muito de lembrar um pouco do período da pandemia, a gente fez muita coisa de emergência, correndo.
e que a gente nem imagina isso você usou a palavra certa no improviso e a gente olhando agora se a gente pensar em educação a gente tem material
a gente consegue planejar, se organizar, não estou dizendo que a gente trabalhou com educação midiática durante a pandemia só, entende? Eu dei como exemplo, que foi tudo correndo, mas quando o professor senta, planeja, estuda, ele vai perceber que ele já faz, que já está inserida na aula dele, muita coisa já está inserida na aula dele, o que falta realmente, e você destacou muito bem, materiais, né?
uma formação, e aí a gente pode partir para aquela... O Keller já está fazendo lá na escola. Keller, ajuda aqui. Traz para a gente. Então, essa coisa de olhar até para o seu próprio contexto e falar, dá para fazer.
Entende? Uma coisa que você falou agora e me veio à cabeça dos estudos que eu estava fazendo aqui, há escolas que elas equilibraram sim, elas não tiraram o celular. Então, no momento que o professor, focando agora no celular, planejou uma aula, vou usar o celular para vocês pesquisarem algo, usarem tal aplicativo, eles deixam usar.
E os alunos, pelo que eu vi, também isso foi uma parte que eles, como uma pesquisa, na verdade, esse lugar fez, na verdade, os alunos até avançaram mais de onde tiraram totalmente.
Então ele teve um equilíbrio, não é? Então usa-se nos momentos com intencionalidade pedagógica, tudo planejado, organizado. Ele pode, naquele momento ali, como é que se diz, pegar no celular, que parece uma coisa boa. Olha, parece uma coisa boba, mas para ele é tudo, né? Falando do adolescente, enfim.
Então, você vê, nem tudo eu acho que pode ser nem 8 nem 80. Dá para ter um equilíbrio, dá para ter uma organização. Se a gente for pensar no celular como uma ferramenta pedagógica, ele pode ser uma super ferramenta pedagógica.
Só que a gente se perdeu no caminho. A gente se perdeu. E me coloco nisso. A gente foi sem rumo. Todo mundo com celular, mas ninguém sabia direito. Em alguns lugares tiravam, em outros tiravam. Isso falando antes da lei. E aí, de repente, quando vem a lei, vem a lei estadual primeiro, depois vem a federal, que já acabou, todo mundo. E não teve um equilíbrio.
Eu acredito ainda, eu falo que eu sou a do diálogo e da reflexão sobre, a gente podia ter feito algumas coisas que poderiam ter sido diferentes.
tá? Porque eu não sei, posso estar enganada, você podia até me dizer, você trabalha com o ensino médio, né? Você tem ali contato com eles. Eu acho que eles respeitam quando acabou, chega, desde que isso já tivesse sido feito desde o início. Perfeito.
Eu acho que faz muito sentido, sim. E, de novo, eu quero resgatar tanto essa ideia que você falou agora sobre se tivesse sido feito desde o começo, quanto a ideia de que muitas vezes o professor já está fazendo algum processo de educação midiática. Eu penso que...
Recentemente nós gravamos um programa, não sei se vai ao ar antes ou depois desse que nós estamos gravando agora, onde a gente fala um pouco sobre educação midiática, pontualmente, foi o programa que a gente gravou com a Jane, e ali a gente conversa bastante, nós conversamos bastante sobre o lidar da relação com a tecnologia.
E eu lembro que eu citei uma coleção da editora do Brasil, que é a Bem Me Quer Mais, pra crianças, né? Que é ali pros anos iniciais e tal, um volume... Bem Me Quer Mais Digital. Acho que é isso mesmo. É, o Bem Me Quer Mais Digital. É isso mesmo. Isso mesmo. E assim...
Se você der uma olhada lá, não vai ter nada relacionado diretamente ao computador ou diretamente relacionado ao celular. Mas vai ter o quê? Como que o celular se organiza? O celular se organiza como? Aí tem lá, tipo, listas. Ele faz listas de informação. E aí como que é uma lista? E aí o estudante aprende a fazer uma lista. Ah, como é que funciona o algoritmo? O algoritmo funciona de tal forma. Então ele vai acostumando com esses termos. E é importante saber disso, porque se você não tem a noção
quando for mais velho, que existe um algoritmo ali, é muito fácil você acreditar que aquela informação que você está vendo no celular é a única verdade e que todo mundo está vendo aquilo. E não, aquilo está sendo visto especialmente para você. Então olha só como conecta legal lá atrás e vai conectando com aquilo que tem lá na frente. Isso é muito legal, isso é muito bacana. E ali você consegue desenvolver alguns projetos com essa intencionalidade pedagógica. E eu imagino que através dessa informação...
dessa formação e dessa informação, desse trabalho, que a gente começa a dar pro aluno, a fornecer pro estudante, a possibilidade dele ter um pouco mais de controle sobre a rede social que ele tá trabalhando, sobre o tempo que ele tá ali envolvido com aquela questão, e talvez até entender que não tem problema, não tem problema você mexer no celular, mas a hora de estudar talvez seja hora de estudar. Vamos lá, o método Pomodoro, 35 minutos...
30 minutos que eu vou estudar, que eu vou ler. Aí, 5 minutinhos, eu posso mexer no celular rapidão. Vejo uma mensagem, consulto uma parada e volto. Então ele começa a conseguir lidar. Ah, mas não dá para já fazer isso agora sem educação, a pessoa simplesmente tomar esse controle? Cara, não dá. A Big Tech, a empresa que construiu aquele aplicativo, aquela função, ela pagou...
Trouxe centros psicólogos, marqueteiros, designers, estudos pra fazer como que eu posso tornar esse aparelho, esse aplicativo que eu tô trabalhando aqui, uma coisa irresistível. Algo que a pessoa vai olhar e a dopamina, a endorfina, sei lá mais o quê, vai sair dela ali enquanto tiver rolando.
tela, né? É um algoritmo que ele pega pequenos nuances do tempo que você permaneceu num lugar, um pedacinho de um vídeo que você viu, pela faixa etária de quem tá utilizando. Então, não dá pra você só vencer esse tipo de coisa. É preciso que tenha uma consciência pra você trabalhar e pra você entender. Então, eu tenho muita esperança mesmo nesse processo de educação digital.
de formação midiática, para poder ir de educação midiática, para entender, para ver se a gente consegue lidar um pouco mais com isso e sair do emergencial. Porque parece realmente que tudo que a gente está lidando com tecnologia, ela está no emergencial. E deixar claro, professor e professora,
muitas vezes o emergencial é melhor do que deixar correr solto, tá? Por favor. Também, também. É o emergencial por algum motivo. Não dá pra correr solto, o aluno no TikTok só, toda hora, e você falando pra parede, né? Perfeito. E aí você traz, Kelly, que não adianta a gente proibir sem mudança pedagógica.
É isso, perfeito. Mudança pedagógica. Porque a proibição, ela não vai fazer esse aluno ficar mais engajado do nada, ele não vai... Nada é do nada. Entende que o adulto da situação somos nós? Para você trazer... Porque se o cara for dar uma aula só expositiva no ensino médio...
Esse moleque vai morrer de tédio. Não vai tancar, não vai segurar. Entende? Então, a mudança pedagógica é a chavinha. E isso em todos os tempos, não é? Se a gente for pensar, em todos os tempos, junto com o material, junto com toda uma organização que a gente já destacou, planejamento. Então, vai muito além.
do proibir. E eu acho que depois de um ano a gente já tem bons resultados? Sim. Mas eu acho que a gente não curou nada. Há muitas coisas que ainda... E vou além. Já ouvi e já vi alunos que por conta de não terem mais ali a distração, vamos dizer assim,
na sala de aula não conseguem ficar, no sentido de querem ir embora mais cedo, estão sem paciência. Escutei outro dia uma pessoa comentando que achou que ela tem turmas ali que eram mais ativas e estão mais passivas. Olha isso. Então entende como há ainda muitas coisas para a gente compreender e realmente ter uma pesquisa.
bem feitinha, mais profunda, para a gente entender tudo isso. Porque, realmente, se tirou o celular, tudo bem, ele já não focava na aula, mas se a sua aula não mudou, desculpem professores e professoras, século XXI, o mundo está aí, num movimento louco, como que você vai dar aula só expositiva?
Se você não usa uma forma de engajamento, se você não faz um mapa mental, ao invés de passar um texto, sei lá. Pode ser uma pequena mudança também. Não precisa ser. Porque o problema não é o celular. O problema é você saber engajar a sua turma.
É você saber escolher uma metodologia que vai conseguir desenvolver ali o processo de ensino e aprendizagem. Você ter uma boa didática, você ter psicologia, você saber um pouco de filosofia. Gente, vai muito além do que a gente só olha assim.
E tem alguns truques, gente, que é truque velho, tá? Ah lá. É truque velho. Vou dar um exemplo rápido aqui. Eu estava dando aula de história sobre independência dos Estados Unidos, que é um tema muito distante para o oitavo ano. Eu acho muito engraçado que o conteúdo de oitavo ano costuma ser independência dos Estados Unidos, costuma ser absolutismo, que é um conteúdo muito distante para eles, né? Então eu sempre faço o trabalho de tentar trazer.
Às vezes eu trago alguma história, alguma história pessoal, algum caos, alguma anedota, alguma coisinha simples que me ajuda a situar. Mas como você conta uma coisa que ela é mais pessoal do que o rei Luiz XVI da França, ele presta um pouquinho mais de atenção. Ali é a hora que você captura e você tenta aproveitar aquilo pra um outro momento. Então essas técnicas são técnicas bobas, técnicas que o professor usa há anos. Mas elas são importantes pra gente dar uma resgatada também. Eu queria compartilhar também mais uma parada, Ren.
que eu acho que é legal pontuar.
Em algumas salas, não foi em todas, em algumas salas, tanto da escola pública quanto da escola particular, eu comecei a ver livros voltarem a aparecer nas mãos dos estudantes. Mangá, livro, revistinha, isso é legal. Então, talvez, talvez, seja legal o professor, a professora, a própria escola, conversar com a sua escola sobre a possibilidade de você ter ali...
um projeto de leitura e de formação crítica, mas não precisa ser um projeto fechado, tipo assim, temos esse horário e tal. Não. O que você acha de ter mangás disponíveis? De ter quadrinhos disponíveis? De incentivar isso a ser divulgado? Sabe? Do tipo assim, ai, tô meio entediado, terminei a atividade aqui, terminei a atividade, o aluno pegou um mangá, tá tudo bem, ele terminou a atividade, você deu visto, será que tem problema dele abrir um livro ali pra dar uma lida?
Pra mim não tem, entende? Talvez pra algum professor tenha, pra mim não tem. Será que tem algum problema se a gente tiver alguns livros, alguns mangás, alguns quadrinhos dispostos no intervalo, no lugar do celular? Porque assim você tá... Você tá substituindo esse consumo passivo, né, por um repertório. Que seja o repertório de quadrinhos, seja o repertório que for. Mas ele está fazendo algo. Porque eu acho que muitas vezes o que acontece é que eles não sabem o que fazer sem estar com o celular na mão.
Tem uma colega professora que incentivou aqueles caderninhos de perguntas. Sabe aqueles que tinha quando a gente era mais novo? Deve ter tido pra você porque teve pra mim. Que é um caderninho falando assim, ai, cor preferida, seu nome. E aí você vai lendo, você vai descobrindo coisa dos outros. Ela incentivou que a sala fizesse uma coisa assim.
Sabe, pros alunos colocarem. Então, lógico, o professor vai ter que dar uma olhada pra ver se não tem uma ofensa, né? Alguma coisa desse tipo. Deixa uma mensagem. Mas ela incentivou essas formas analógicas de conexão. Talvez seja uma forma, professor. Pensa nisso que talvez seja uma forma, né? De tentar se encontrar.
E você colocando agora, que lembrei de uma diretora comentar também sobre a melhor, ela percebeu uma melhora nas relações. Então, durante os intervalos, nos momentos que eles ficavam só lá...
no celular, eles conversam, há uma interação mais positiva dos alunos, isso eu achei legal também, porque a gente sabe que tem os pontos aí que precisam melhorar, mas interagir é uma coisa que a gente estava percebendo também que eles não faziam mais na escola.
Sim, sim, sim. Eles estavam isolados ali o tempo todo, falando talvez até com quem estivesse do lado, mas falando pela tela. E ela falou que ela percebeu, e brincar, até alunos dos anos finais e ensino médio, porque tem escolas que têm pimbolim, eu, por exemplo, tenho pimbolim, tenho pingue-pongue, tenho a sorte de ter aquele de... Eu esqueço o nome daquilo.
Ah, é hockey, né? Aquele de hockey. Esse tem, aquele. Eu falo que o ano passado a gente fez de tudo lá pra comprar pras crianças. Então, a gente percebe também que isso ajuda muito. Porque é a fila pra brincar ali, é a fila pra brincar aqui, entende? E eles estão conversando e eles brigam pra passar na frente. Enfim, mas é o momento de estarem interagindo. De estarem interagindo. E ela diz que nessa escola...
que inclusive é uma escola pay também de ensino médio, eles ficam jogando durante os intervalos. Ou seja, também positivo. Coisa que ninguém fazia mais. Brincadeiras analógicas. Isso, e às vezes pensam, é super caro, gente. Recebeu a verba ali, dá um jeitinho. Compra um, depois você compra outro. E aos pouquinhos você vai tendo todo...
tudo que eles nem sabiam brincar mais, essa é a grande verdade acho que mais uma dica nesse seu caminho também é jogos de tabuleiro, vai lá vai lá no Mercado Livre, procura jogos de tabuleiro
pergunta pra ver a idade, né, mas você tem um monte de jogos de tabuleiro que são interessantes, vê a idade, sei lá, deixa o Grêmio responsável, sabe? Deixa o Grêmio ficar responsável. Aí pronto, foi o que nós fizemos no ano passado. A galera retira com o Grêmio e depois devolve, né, o xadrez, o jogo de tabuleiro, um jogo de...
Um jogo de cartinhas, sei lá, tem um jogo que eu gosto muito que chama Coupe, que é golpe, né? Que é um jogo de golpe de estado. São jogos simples, não são jogos caros, que você consegue dar essa dinâmica. E, de novo, entender que o problema não é necessariamente retirar o celular. É não colocar nada pra preencher aquele vazio, né? É, ficou vazio. Você falou dos jogos, os meus escolheram cara a cara, lembrando que eles são pequenos. Olha que legal.
Tenho muitos caras cara a cara lá. Eles adoram. Então, são coisas assim. Perfeito, perfeito. Acho que são boas dicas aqui pra gente enrolar um pouco. Não deixar sem nada. Acho que você coloca muito bem. Este vazio não pode existir. Nem do lado dos professores e das professoras que precisam.
se capacitar no sentido de usarem metodologias inovadoras, eu digo inovadoras, pensar aí na sua didática de sala de aula, entender como você consegue intervir ali no processo de ensino e aprendizagem do seu aluno, que vai para a psicologia, e a gente deixar esses alunos com coisas que façam com que eles interajam.
brinquem de verdade, né? Porque o que eu vinha percebendo também, que ela era até nos pequenos, era o não saber brincar mais. É, isso é preocupante, né? Não era... Porque em casa eles não brincam, em casa é o quê? Tela.
então a gente precisa realmente tampando esses buracos não é fácil é um trabalho que continua não é fácil, parece fácil, mas não é fácil é bem complexo
Então, eu acho que é isso, Keller, né? Professores e professoras, a gente tem certeza, acho que o Keller destacou aqui muito bem, os desafios, eles não são iguais, mas eles são parecidos, não é? Então, a gente continua junto com vocês aí, tentando melhorar um pouquinho a cada dia.
E como nós conversamos aqui ao longo desse papo, a ideia é que o professor que está ali na linha de frente, junto com toda a equipe escolar, que cabe entender essa realidade da escola, entender esse momento em que nós estamos e fazer aquilo que está ao nosso alcance, para garantir a melhor relação com a educação midiática, para garantir a melhor formação professor e a melhor forma do estudante aproveitar também a infância, né?
E não perder para as biotechs, para os aplicativos ou para esse monte de tela que está por aí.
E eu sou o Marcos Keller e aqui comigo a Regiane Taveira e esse é o Radar Arco 43. Gravação e edição Agência Bowie, produzido pelo Departamento de Marketing da Editora do Brasil. Supervisora de Marketing Lívia Garcia. Siga-nos nas redes sociais. Instagram.com.br editora do Brasil underline oficial, Facebook.com.br editora do Brasil e YouTube.com.br editora do Brasil.
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