CB #184 - Especial LGBTQIAPN+ 2026 com Chico Felitti e Fi Bortolotto
No episódio de hoje temos a volta do Especial LGBTQIAPN+! Nós discutimos sobre uma clone lésbica, o apavorante Zap Amarelo e a inventora da bissexualidade!
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🎭 Temporada de gravações Caso Bizarro no Teatro Youtube!
Ingressos aqui: https://bit.ly/4egVSrU
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Mabê B
Chico Felitti
Fi Bortolotto
- Brinquedos VirtuaisCíntia · Guto · Orkut · Bia
- Amizade tóxica e manipuladoraGabriel · André · Família homofóbica
- Desafios da bissexualidadeIsa · Argentina · Festival da cerveja · Cheiro de cocô de cachorro
- Experiências sobrenaturais pessoaisAdri · Caroline · Assombração lésbica · Problema psicológico
- Aforismo sobre casamento e homossexualidadeIgreja Católica · Grupo de jovens · Cemitério
- A "bolha" do voo românticoChico Felitti · Relógio smartwatch · Matagal
- Maio AmareloDouglas · App de relacionamento · Squad Gospel
Boa noite, São Paulo! Muito obrigada por estarem aqui. Gente, eu estou muito feliz. Eu sou a Mabê, eu sou o Chico Felipe, eu sou o Filberto Loto. Hoje eu vou mostrar minhas 3 personalidades aqui para vocês, cada uma vai sentar numa cadeira. Muito obrigada, a gente está começando aqui hoje a nossa temporada Teatro YouTube. É um momento muito especial. Vai até outubro, tá? O negócio tá chique. Outubro esse que a gente vai completar 4 anos de Caso Bizarro.
Desde que eu tirei... Desde que eu tirei das mãos de Carol Moreira e fiz ele emancipado. Então, sem mais delongas, vem Chico Felipe e Fíbor Tolotto!
Eu quero entrar que nem jogador de futebol, assim, eu entrei correndo. Hendrik, eu aprendi aqui o nome dele. É Hendrik, não é?
Não, você falou Hendrik, parecia o da Ivy Brito.
De quê? Calma aí, vamos continuar o vídeo.
Gente, hoje é um experimento, tá? Hoje é um experimento, a gente vai entender aqui o que vai acontecendo.
Amiga, faz 8 anos que você fala que é um experimento. Fazer um experimento é uma coisa que me interessa.
É um experimento eterno, né? A gente tá sempre experimentando, você não gosta de experimentar?
Não é?
Gente, eu sou autista nível 3 assim! Eu como a mesma comida há 10 anos e você sabe disso tudo?! Ai gente, preciso sair do armário pra vocês... É uma coisa que vocês não sabiam e eu guardei para contar pessoalmente—
Levanta!
Câmera no meio ali por gentileza.
Contar pra vocês, gente: eu sou um twinkie! Ahhh!!! Eu tive que raspar o meu peito e daí eu falei "eu não vou desperdiçar minha dor" Depilação de exame, eu vou fazer o Caso Bizarro sem camiseta. E com essa calça que é meio um sutiã, ironicamente.
Gente, hoje é gravação...
É a idade da Hebe, já.
Hoje é gravação no pelo, tá? Sem pelo.
Ai, eu tô tão lisinha.
Sem pelo. É, hashtag sem pelo. Vamos começar então, hoje é um especial LGBTQIA+.
Ah não, a Hebe faz parte disso, amiga.
Ah, não faz parte?
Desculpa, ninguém me falou isso.
Ai, desculpa. Não, mas é que tá no contrato, né? LGBT eu trago vocês, aí em julho eu mando embora. Então bora começar. Quer começar, Fih? Ó, ele vai ler!
Gente, faz... A gente foi no teatro quantas vezes? Umas 8? Eu li das 8, eu li uma vez. Que ela me deixou.
Você tentou ler e não conseguiu quantas? Dessas 8?
Isso nem pega mais, querida!
Todo mundo aqui sabe que eu sou um desgraçado...
Vamos fazer uma tentativa de leitura.
Vocês vão ver.
De 1 a 10, vai.
Não quero começar não, quero que você comece. Você é a dona, não é?
Olha...
Na hora em que estávamos aqui atrás da cortina— A gente falou assim: "Vamos aparecer todo mundo junto", né Mabel? Como uma família. Ela: "Não, eu que sou a dona". É isso mesmo.
Para deixar bem claro, caso precisava com o nome B.
Corta o surpresa agora!
Ó quem tá escrito ali na tela? Com a B. Não tá com Felipe, né?
Quer que eu comece? Você tem quantos?
Começa! Eu começo.
Plot twist junino. Boa tarde, queridos. Podem me chamar de Renan, com dois N's. Moro no Nordeste, por aqui as festas juninas costumam ser grandes festas...
Ele colocou com dois N's?
Não, ele escreveu. Não.
É o nome dele, né?
Mas por que você destacou os dois N's assim? Porque na pronúncia fica diferente?
Ai, é verdade.
Não, assim... Gente, ela tá...
Ela tá assustada.
Querida, você vai ver.
Professor Pasquale, obrigado pelo toque, mendiga. Moro no Nordeste, por aqui as festas juninas costumam ser grandes festas com bandas, tipo um grande festival. Numa dessas eu fui numa festa junina com minha prima, que tinha o seu próprio círculo social, uma galera mais vida louca. No meio desses tinha um garoto que me interessou. Conversamos a noite inteira, paguei várias bebidas para ele, e enquanto avaliava se daria em Nada pareceu desenrolar até a hora de ir embora.
Na hora da despedida, resolvi aproveitar que a gente já tava meio bêbado e pedir um beijo. E ele me deu, na bochecha. Nisso, vi uma abertura e o chamei pra nos acompanhar. Nisso, de novo, na primeira rua escura que subimos, o menino e eu nos beijamos intensamente. Nisso, minha prima se afastou pra nos dar um pouco de privacidade. Aí, nisso, havia muita gente passando o tempo todo. O garoto não era assumido, provavelmente bissexual ou apenas curioso.
Juro por Deus que agora tem um nisso de verdade. Nisso nos afastamos. Que aí eu vou dizer qual é nisso de verdade e qual é nisso de mentira. Nos afastamos cada vez mais. Nisso eu fui me afastando cada vez mais da minha prima. Chegamos a um local realmente reservado, já no fim de uma rua, ao lado de um matagal. E isso leva para o matagal. Na hora não vi o perigo e ficamos nos pegando por um bom tempo. Em determinado momento eu senti que o clima mudou um pouco.
Na mata, no meio da mata.
Matagal, amor, calma, não é Floresta Amazônica, terreno baldio, não confundir. Tínhamos nos beijado horrores, com muita pegada, mas ele passou a não querer mais, só dava selinhos, disse que não gostava de beijar. Como assim não gostava de beijar? A Filipe ficando com tesão.
Ai, ele vai me conhecer, olhar para mim, ele vai me fazer uma boneca.
Como assim não gostava de beijar?
Do nada, bicha.
Já tinha me amaciado horrores.
Me amaciado. Ele tal qual o Maucatra, assim, ó.
Pouco depois, ele disse que queria me pedir uma coisa que havia lhe chamado a atenção. Um pi... Meu relógio.
É sério?
Um smartwatch.
Eu li.
É sério, encaixava o relógio. Um smartwatch de última geração que eu tinha comprado há pouquíssimo tempo. Nisso, meu coração acelerou. Meu Deus, isso é um assalto?
É, meio que é.
Meio que é. Putz, como é que eu posso colocar em palavras?
Numa rua escura, sem ninguém por perto, ao lado de um matagal, seria definitivamente meu fim. Mente ansiosa, sabe como é? Não, gente, não é mente ansiosa, você tá sendo assaltado.
É literalmente, já passou. Ah, o revólver na minha cara, minha chance de sobra. Agora já é desespero mesmo.
Aí eu fiquei esperto e comecei a andar rapidamente e ele me seguiu.
Porque é um assalto, gente.
Eu amo que ele desconstruiu o assalto e ele finge que é um romance.
É apenas na cabeça dele tocando a música mais romântica da Lana Del Rey.
Fui tentando conversar e dizer que não poderia lhe dar o relógio, mas ele continuou insistindo e vindo atrás. Não estava muito longe de casa, só precisava chegar ao menos ao portão para ter alguma ajuda. Disse a ele que lá eu tinha outro relógio igual a esse, que eu daria para ele.
Só ele inventou essa história de ganhar mais tempo.
E funcionou! Nisso, o infeliz veio até em casa.
Ah, bacana, agora ele sabe onde você mora.
Não, agora ele tá dentro da sua casa.
Ele vai ter mais coisas do relógio.
Entrou rapidamente em casa, ele ficou me esperando do lado de fora no portão. Peguei um outro relógio mais simples, sem ser smartwatch, entreguei para ele. Assim que ele foi embora, só pensei que agora ele sabia onde eu morava. "Mas dadas as circunstâncias, foi a melhor solução." Não, não foi, meu anjo. Essa conclusão é sua e apenas sua, meu anjo.
Gente, a melhor solução.
"Tempos depois, minha prima comentou que ele perguntou novamente de mim. Imaginei o que ele queria." Como assim, a prima perguntou?
A prima tinha contato com esse cara que roubou ele?
Sim, era amigo dela.
E ele não contou pra prima? Até hoje não sei se fui realmente assaltado ou não. O que vocês acham? Ai, parece muito clickbait do Twitter. Parece.
"Ah, gente, será que eu fui assaltada?" "Eu acho que você é uma burra." "Parece um assalto, ele tava com uma arma, ele deu uma coronhada em mim, mas eu não sei se foi um assalto." "Gente, eu fiquei com tanta pena, a gay só queria mamar e perdeu a arma." "Ai, eu não fiquei com pena não, amiga.
Bicha burra, velho." "Ai, tadinho." "Ah, tadinho." "Ah, fi..." "Tem jeitos mais safos de sair desse lugar." "Você acha?" "Amigo, indo de ok." "Não vem dizer que eu roubei um celular do 20º andar porque tava fazendo uma selfie." "Amor, amor, não senhor." Eu sou bicho do mato, filho, eu sou bicho solto. Eu consigo me livrar dessas situações.
Ele pega o relógio antes de pegarem o dele. Você vai praticar o assalto?
Alguém que você atendeu?
Atende agora?
Atender no sentido de visita médica do auxiliar?
Não, não, não, nunca roubou nada. Já roubei. Mas não alguém que eu atendi. Não, mas eu já roubei.
Gente, um ex-namorado já roubou um tênis meu, meu amor. Eu odeio ele por causa disso.
Ele tinha o mesmo pé que você?
Não, estranho.
Por isso que eu fico com medo.
Por que que ele vai roubar um tênis que não cabe?
Mas amigo, corta pra ele hoje dormindo com um tênis cheirando, obcecado na madeira.
Eu nem usava tênis nessa época, usava só salto alto. Só que ele queria ir no boliche. No boliche. E aí tinha que ter tênis. Aí eu peguei e levei um tênis de São Paulo.
De todas as informações, a minha favorita é: eu não usava tênis nessa época, só salto alto.
É, e presente pro Dent. Não, naquela época, amigo, você sabe quem é, amigo?
Eu conheci ela por causa desse cara.
Era amigo do Felipe.
Amigo não, amigo não! Você colocou ele na minha vida, meu amor.
É verdade, foi assim que eu conheci o Felipe.
Agora eu sou igual a prima do Amiga do ladrão agora, não sou não.
Eu fiquei pensando que ela era uma puta de uma talarica, mas você é a prima, né? Ela não sabia, ela não fez mal.
Então por isso que essa bicha é burra, né?
Por que que não falou, amigo?
É uma pessoa próxima ainda, gente.
E se ela tira do armário o assaltante e ainda leva outra? Assaltante para homicídio?
Eu solto a mão do assaltante e exponho ele para quem precisar, na TV aberta, se precisasse.
Mas Você vai expor enquanto gay contra o assaltante.
É contra o assaltante, não contra o Fih Bortolotto, gente.
Desculpa, a gente se empolga.
É, eles pegam pressão demais comigo.
Não, a gente não espera nada de você. Pode ler, amigo.
Tá bom. Que Bela Cagada é o nome. Olá, deliciosos mabês chiquifis. A verdadeira definição de tanto faz. Me chamo Isa. Ixi, não tem hoje pra você não, Isa. Me chamo Isa e hoje vim contar meu casinho GLS que aconteceu em 2019, quando eu estava fazendo intercâmbio na Argentina. Argentina? Na época eu tinha 23 anos e foi nessa viagem que realmente entendi minha bissexualidade. Ficava com garotas, me achava que era só pelo rolê. Lê do engano.
Olha, poeta!
A entonação deu tudo, entregou tudo.
Entregou tudo, tá ótimo.
You're doing great, sweetie. Eu tô com uma câmera aqui.
O esquema do intercâmbio era ficar em uma casa compartilhada com outros intercambistas. Cheguei a morar com mais de 20 pessoas. Deus me livre. Era um caos. A casa não tinha máquina de lavar roupa, nem liquidificador, geladeira e nem banheiro suficiente para todos. Mas era um caos gostoso. Ah, isso que a gente vive aqui, né? Uma das que morava lá, vou chamá-la de Sandra Rosa Madalena, meu Deus do céu.
Sandrinha.
Essa daqui é da idade do Chico, né? Pra usar essas piadas.
Eu entendi, eu catei.
Óbvio. Ela dividia quarto comigo e nos tornamos amigas muito próximas. Na cidade que moramos tinha um típico festival da cerveja, era basicamente uma multidão ocupando uma grande avenida com o único propósito de beber.
Peixoto Gomidia, em São Paulo, né? Também conhecida como Tabaco Bosta.
Aqui no Brasil a gente também faz isso, Paulo.
Agora Bento Freitas, amor.
Ai, Bento Freitas é mais a minha galera.
Mas agora, ixi, agora não tem mais isso não, misturou tudo. Tem jovem, tem... Ixi, tem todas as tribos.
Que absurdo!
Todas as tribos.
Tudo misturado. Ah, na minha época não era misturado.
Bacanal de viado. Nesse dia eu bebi umas tantas e acho que fumei também. Só que tava na maldade. Só sei que tava na maldade. Eu e a Sandra Rosa Madalena nos beijamos na rua, foi delícia. Num determinado momento, uma outra amiga nossa nos chamou para ir de penetra numa festa de uma galera do curso de Relações Internacionais. Cheguei lá sem conhecer aniversariante, sem presente e sem fantasia. Era festa fantasia? Algum momento ela falou isso?
Não, assim ela só tá tirando o chapéu.
Mas tudo bem, já tava para lá de bagdá mesmo. Olha como que ela colocou bagdá aí Letra maiúscula. E só pensando em dar mais umas beijocas na Sandra Maria Lemos.
Eu acho que você não escreveu isso.
Não, eu achei. Eu jamais escreveria, me preocuparia em colocar bagdá de letra maiúscula.
Nós sabemos, amigo.
Uau.
O lugar era muito maneiro. Nossa, é o Chico Felipe escrevendo. Uma coisa com música boa, luzes apagadas e só uns pontos de luz coloridas acesas. Todo mundo curtindo. Descobri que ali tinha um terraço e pensei: "É agora, chegou o meu momento." Ela vai te matar? O que tem a ver o terraço? Chamei a Rosa para subir para observarmos a linda lua no céu.
Ela queria era DJzinha. Tesoura ganha de papel. DJzinha nova.
Era só... Chamei a Rosa para subir para observarmos a linda lua do céu. Chegando lá não tinha ninguém, o terraço era nosso. Perfeito. Eita, atacante essa, hein? Começamos a nos beijar loucamente. Eu só sei que me joguei em cima... Ai, que susto. Joguei de um terraço? Isso, né? Joguei em cima dela no chão e a coisa começou a esquentar, cara. Ela não estava acreditando que eu realmente estava disposto a fazer isso ali mesmo, tá?
Juro.
A uma escada de distância de uma multidão fantasiada. Aqui ela colocou a fanfiqueira dela, a prova. A prova, exato. Mas estava escuro, eu estava cheia de tesão até que ela comentou: esse chão tá um cheiro estranho.
Ai, que nojo!
Eu falei que não estava sentindo nada, ela já tava tão inebriada pelo tesão que ela não tava sentindo o cheiro mais. Estava tão imersa no que sentia que não sentia nada. Olha que bonito! Olha, às vezes a gente tá meio imerso no que a gente sente, a gente acaba não sentindo nada, né?
Eu tô agora, eu tô imerso, né?
Contar essa história, eu tô super inebriado de tesão.
Quantas fichas faltam? Só pra saber. Tá super nada, um e meio, dá pra aguentar.
Tá ruim? Tá difícil assim? Por favor, né, gente, tá ruim? Chupa. Mas poucos segundos depois, ela insistiu sobre o cheiro. Nos levantamos, nos aproximamos do topo da escada, onde chegava pouca luz que vinha do andar de baixo. Olhamos uma para outra. O cabelo dela estava todo grudado de cocô de cachorro pastoso. É pior do que eu imaginava, eu tava achando que era mijo. Amigo, já ia ser ruim, né? Tinha um pouco no meu braço também.
Ela fez que nem a Anitta, limpou no cabelo. Fez um carinho, Anitta com a criança.
Descemos a escada correndo para catar as amigas para ir embora. A gente não conseguia parar de rir. Cheirando a bosta, muito bom! E pra ir embora, nenhum Uber aceitava levar a gente. Óbvio, né, estavam futum. Felizmente conseguimos um táxi, pagamos um dinheiro a mais pro motorista. É o mínimo, né, gata? O cheiro dentro do carro fechado ficava cada vez mais forte. Gente, não compensa ser bissexual. Chegando na residência, também não, né?
Porque assaltado.
Exato. Vamos fechar aqui no meio da LGBT, que é a heterossexualidade.
Vamos fechar.
Chegando na residência, Sandra Rosa Madalena tava bêbada e sem coragem de encostar a mão no cabelo para lavar. Acabou que eu entrei no banho com ela para ajudar. Ah, mas essa parte teve zero conotação sexual. A gente só conseguia rir da situação. Eu fazendo muito esforço para não gorfar no box. Depois desse dia não ficamos mais, mas continuamos amigas até hoje. Detalhe: ela é da mesma cidade que eu, Belo Horizonte, e estudávamos na mesma faculdade antes do intercâmbio, FMG.
Tivemos que ir para outro país para nos conhecermos e vivermos tudo isso. E foi tudo. Beijos, Isa.
Ai, eu amei!
Eu amei essa. Quer dizer, puxado, né? Nossa, gente, que horror! Mas o que mais me choca, ela não sentiu o cheiro, né? Só a outra que sentiu.
Antes cocô de cachorro do que de humano, né?
É, não sei.
Porra, é a mesma coisa.
Não, miga, eu moro no centro de São Paulo e cocô humano em tudo quanto é canto.
Me lacrou, me lacrou, lacrou, cara. Teve uma vez quando eu morava num prédio que a minha mãe mora hoje Que eu saí no— não sei porque eu falei isso, mas enfim, na hora que sai, que eu saí do apartamento, era de madrugada, fui buscar alguma coisa, um delivery, e tinha um cocô humano no chão, no corredor, dentro do prédio, dentro do prédio, no corredor do prédio, interno, não na rua, interno, dentro, dentro, interno. Eu abri o cocô e te chamei.
Na porta da sua casa fui eu O cocô era meu?
Era meu! Não, era um cocô interno. E aí eu fiquei, gente, eu fiquei sério, eu fiquei tão horrorizada com aquilo que eu comecei a tirar foto, a filmar, e eu esqueci que tinha um bebê ali.
Ela fez um book dela deitando do lado do cocô interno assim, ó. Eu fiz isso.
E aí eu comecei a filmar.
Ela assim, ó.
"Ai, Mabel, depois coloca no Instagram o seu book com o copo interno." E o entregador do iFood lá assim, ó. Ela chamou ele pra ir junto, daí ela pegou a bebida, a capta de carne, o copo interno.
Ai, não, o entregador lá, coitado, tá até hoje. E aí eu demorei muito tempo, aí eu voltei pro apartamento e eu fiquei indignada. Mas antes eu tirei várias fotos. Aí eu fiquei indignada, comecei a falar no grupo, "Você lembra disso?" Eu falei: "No nosso grupo, tal." Falei: "Gente, tem um cocô humano." E aí eu lembro que o...
O problema não é ser humano, é ser interno. Então, mas... Você não tá pegando nada. O problema é ser interno. Se o cocô tivesse no jardim, ok. Na rua, são vários.
Mas sabe qual que é o ponto?
Eu confesso, elitíssimo. Existe um nível de problema maior de ser humano, sim, amigo.
Ser interno?
Não, o interno é ruim.
Pra mim, interno é o que pega.
Mas se é o cocô de um cachorro, você pensar: Cachorro tá aqui, foi, né, pessoal foi passear, o cachorro fez cocô.
Agora, o cocô humano, então, mas aí o que chamou atenção que o meu amigo falou assim: mas como é que você sabe que é humano? Falei: gente, dá para saber, você tem um pressentimento, tem uma coisa.
Primeiro, pelo tamanho, você olha para ele, ele olha para você e você pensa: somos iguais, somos irmãos. Eu já fiz um desses, eu conheço, gente, era um toletá.
Nossa, era um toletasso. Eu fiquei bem incomodada.
Eles pagam por vista, hein?
Mas tava firme.
Ah, que legal.
Se era um tolete, porque tinha fibra, tava firme.
Sim, mas como que alguém fez isso? E assim, na descida, na escada.
Vamos falar, às vezes você tá atrasado, o Uber já chegou.
Não parecia um cocô.
Ele não quer receber 4 estrelas do Uber, 3 estrelas?
Não parecia um cocô que foi colocado lá. Parece que a cena do crime foi lá mesmo.
Vamos continuar, entendeu? Vamos continuar falando de cocô.
Eu tô bastante obcecado pelo cocô interno. Foda-se esses cálculos.
Eu fiquei na hora, eu mandei no grupo do prédio, era meia-noite. Eu falei: gente, eu não acredito no que eu acabei de ver.
A Mavê, aquela vizinha, a Jennifer, que chama o gerente.
Não, e aí minha mãe falou assim: você sabe que essa mensagem que você mandou é mensagem de quem teria cagado? E eu fiquei durante muito tempo, as pessoas passavam por mim, olhavam, eu ficava pensando: será que ela acha que eu fiz esse cocô?
Agora eu tô lembrando dessa foto desse cocô, ele era meio azulzinho mesmo.
Não, hoje em dia eu não colocaria no banheiro.
Hoje em dia eu não cago mais. Hoje eu não faria cocô no corredor.
Eu espero chegar até minha casa.
Porque eu esperaria demais.
Às vezes eu espero chegar até o banheiro, não é nem na minha casa, na sala que eu cago.
Hoje eu esperaria primeiro a pessoa falar: "Ah, eu também vi", sabe? Para não ficar uma coisa do tipo: "Ah, então você tá sabendo demais." Enfim, vamos ler aqui o próximo caso.
Amiga, tá ao contrário a ficha. Você for fingir que vai ler a ficha, pelo menos acerta. Assim você não tá enganando ninguém.
De repente, sapatão. Olá, mabê, chiqui.
Ó, teve gay, teve bi, teve sapatão aqui.
Olha, para dizer que realmente nada tá valendo. Olá, mabê, chiqui, tudo bem? Me chamo Cíntia, moro no Paraná.
Oi, Cíntia.
Oi, Cíntia. Para contextualizar, sou uma mulher— ai, eu esqueci de contar. Cadê minha câmera aqui, gente? Aproveitando para contar, cadê minha câmera, gente? Aproveitando para contar que este episódio é a estreia Eu sei que eu falei lá no início, mas vou aqui falar de novo que é a estreia do Caso Bizarro Temporada no Teatro YouTube. Então a gente tá aqui em junho, julho, agosto não. Agosto está fechado pra gays. Setembro e outubro a gente volta.
E aí, vão ter 9 convidados ao todo. Se você ainda não viu, olha aqui na descrição desse mesmo episódio ou dos próximos episódios que a gente tá colocando lá o link pra você comprar e assistir. Se não assistir, é gravado, a gente edita. O Dantas edita aí, dá um oi. Ele vai editar e vai colocar no ar pra vocês. Porque a galera fica assim: "Ai, moro em Chique-Chique, Bahia, não consigo ir." Você vai estar assistindo agora, porque tá gravado pra todo o Brasil. E pra fora do Brasil também.
Por um segundo que ela falou assim: "Não assistir você?" Aí eu falei: "Bicho, ela vai mandar isso pro público dela que trouxe ela até aqui." Vai ter um cocô interno na sua casa.
Tá, então vamos voltar para a Cíntia aqui. De repente, sapatão. Para contextualizar, sou uma mulher cis hétero casada. Inclusive, convidei vocês para o meu casamento, que foi no dia do Caso Bizarro.
Ai, a gente quase foi! Tinha cabra, tinha cabra, tinha cabra.
É verdade, a gente quase foi só por isso. Perderam marmita de doce, estava uma delícia. Meu caso ocorreu quando eu tinha 13, 14 anos.
No casamento, vai ficar tão feliz. Coitada, né?
Não, melhor não. E morava numa cidade minúscula no interior do Paraná. Fui criada na Igreja Católica, era coroinha e cantava no coral da igreja.
Toda vez que alguém fala que foi criado na Igreja Católica, eu penso numa pessoa trancada dentro, tipo um móvel, alimentando de sangue.
Você come uma imagem de hóstia.
Ai, que filme bom!
É, é, é!
Desculpa, eu fiquei animado. Mas é isso, o menino Mowgli da igreja, ele só come hóstia e bebe vinho.
Escreve logo!
Ele nunca viu a luz.
Vamos escrever.
Apaga, corta essa parte, essa parte é só pra quem tava aqui, velho.
Tantas pautas que a gente vai ganhar dinheiro com isso.
Tantas, é o Oscar pro Brasil, é o primeiro Oscar de roteiro pro Brasil.
A atriz vai ser a Marjorie este ano.
Isso.
A freira que vai ajudar.
Não, ela vai ser tudo, ela vai ser o padre Murphy do nosso filme. Ela vai ser todos os personagens. Ela vai ser a hóstia também.
Tá, fui criada na Igreja Católica, era coroinha, cantava no coral da igreja. Ou seja, era extremamente ingênua, insegura e temente a Deus. É 13 anos, né, gato? Tá bom. Depois de uns anos fui expulsa da Sagrada Igreja e hoje sou mundana.
Expulsa?
Expulsa.
Mas ela ainda chama de Sagrada Igreja.
Foi expulsa também?
Foi expulsa, mas eu fui meio excomungada porque eu mandei o padre se fuder, porque eu ia— como é que é aquele negócio? Primeira comunhão. Eu ia fazer a primeira comunhão, só que eu não tinha idade. Tipo, era, sei lá, primeira comunhão, você é missa, como é que é? Forma, formação. Obrigada.
"Amiga, palavras, elas têm significado.
Estudo!" Eu ia fazer a catequese, aí eu fiz o ano todo, eu colei na prova de 10 mandamentos, que eu não consegui decorar. Eu decorei 5, e 5 eu colei.
Eu falei: "Tá justo, 5 eu decorei." Isso é o que você segue até hoje, né?
Os outros 5 você... E aí, na hora que chegou a catequese, ele não deixou porque eu não tinha idade suficiente, eu ia fazer mais um ano. 'Não, pois agora eu vou para o diabo.' E aí ele me mandou embora.
Desde então está com ele, né?
Desde então estou com ele. Tá aqui. Oi, pode entrar.
Tá.
Então hoje eu sou mundana que nem a Cíntia. Pois bem, eu nunca tinha tido um namorado, estava na fase onde todas as minhas amigas já estavam namorandinho. Ah, tadinho. Um belo dia recebi umas ideias. Há 13 anos, né? Meio que normal. É bom você não tá namorando hoje em dia. Um belo dia recebi um SMS. Ainda não existia nenhum outro, né, tipo de mensagem. E eu recebi um SMS de uma colega da escola, vamos chamá-la de Cami, dizendo que um amigo dela estava a fim de mim, o Guto. Perguntou se poderia passar o meu contato para o Guto.
Ai, meu sonho ser chamado de Guto! Já falei isso, né?
Meu nome é Felipe Augustus. E aí, quando eu era mais novo, Augustus com o S, Qual é esse amor?
Amor, você não é...
Não, você é pra ser Michelin, né? Não me diz de homem, não me diz de príncipe.
É príncipe francês, amor, dono de cavalos. Minha mãe falava isso.
É, eu também falaria isso pra você.
Não, mas é Augustus. E aí, eu era... Eu queria que fosse... Meu nome fosse Guto. Mas nunca pegou, nunca pegou.
Você vai ser o Guto aqui dessa história.
Tá bom.
Vamos ver o que vai dar. Pediu se podia passar meu contato pro Guto. Eu aceitei. A partir daí, comecei a conversar com o Guto todos os dias. O dia inteiro e nas madrugadas. Eu já estava completamente apaixonada pelo Guto. Sabia tudo sobre o Guto. Que ele estudava em colégio particular, jogava futsal no time do colégio.
Amigo, não podia ser mais você!
Torcia pro Corinthians, as bandas favoritas do Guto e tudo mais.
Gente, não sou do Corinthians, sou fluminense.
É, amigo, e ele gosta de banda. Você só gosta de mulher solteira, você gosta de diva.
Não, eu acho elas gostosas, é diferente.
É o Guto.
Ah, você tem...
Eu acho elas gostosas, não ouço essas coisas de mulher não.
Ele tá encarnado no Guto. O que eu mais queria na vida...
Eu tenho a Britney Spears pendurada na parede porque eu acho ela gostosa.
O que eu mais queria na vida era conhecer o Guto pessoalmente, mas nunca dava certo. O Guto nunca podia ir, sempre tava fazendo alguma coisa.
Ele falou tantas vezes o Guto assim, gente, também é...
Não, é porque tá claro que não é o Guto, tá claro que é uma sapatão se fingindo, né? Ela tá enfatizando que é o Guto.
Isso se chama... Amor, que é difícil!
Tá na cara que é difícil, mas é uma sapatão de 80 anos. A minha pergunta, Chico Felipe... Parece o Justin Bieber, mas é uma mulher de 57 anos.
A minha pergunta é por que ela tá falando tanto no texto Guto, Guto, Guto?
Pra enfatizar, contar, e no fim vai aumentar a surpresa quando for uma letra.
Chato pra caralho.
Ele nunca podia, sempre tava algum problema. Ah, para também. Eu queria muito conhecê-lo, mas ele não tinha nem perfil no Orkut. Eu conversava sobre o Guto com a turma, sobre o meu sofrimento com agora meu então namorado virtual. Sim, ele me pediu em namoro por SMS. Até que um dia, Cami me enviou uma foto do Guto. Eu quase desmaiei, ele era lindo. Gente, a véia caindo no Brad Pitt, né, lá no Insta. Quem nunca?
Era o Judilau, era o Judilau.
Você já caiu em algum fake do Orkut?
Não, mas eu já fui um.
Ai, eu também já.
Você era mulher ou você era homem?
Homem, homem.
Eu era mulher.
O Pierre do Simple Plan.
Eu era a Carmen, a secretária. É, eu fui ameaçada de morte pelo Elvis Presley.
Ai, que susto, velho! Você olhou pra trás e tinha uma pessoa, mano!
E era pra ser discreto, tá?
Pode entrar, Guto!
Guto!
Ai, vem! Calma, gente, ele vai arrumar minha roupa.
Vai distraindo aí, Mabel.
Foi, aí o Guto mandou e falou... Como é que o Guto pediu ela em namoro nessa época?
Assim, ó... Tudo ele sexualiza, gente. Sou uma pessoa tão pura.
Corri mostrar pras minhas amigas e logo veio o diagnóstico: foto de fake de Orkut. Eu não acreditei, Guto jamais faria isso comigo. Com alguns meses de namoro virtual, Guto foi viajar de férias com a família. E nisso conheci a prima dele, a Bia, que também morava na minha cidade. A partir daí viramos um trio: eu, Cami e Bia. Nos víamos quase todas as tardes, conversávamos sobre o Guto e o quanto eu estava apaixonada. Bia me trouxe um presente que Guto tinha deixado pra mim, um urso de pelúcia com uma cartinha se declarando. Ele era o amor da minha vida, com toda certeza.
Já tô com tanta dó dela, gente. Qual o nome dela mesmo?
Era melhor ter sido assaltada. É... Não.
Câmia... Cintia, obrigada. Cintia, Cintia.
Estamos com plateia aqui, vamos virar a câmera pra plateia pra mostrar pra plateia?
Agora!
Gente!
Dónde vocês saíram?
Que isso?
Como assim, gente?
Que loucura, achei que tava na minha casa. É... Certa... Ah, tá, ele era o amor da minha vida. Certa vez fomos pra uma festa de formatura, eu estava com algumas amigas e com Cami e Bia. Recebi mensagem de Guto com ciúmes, pois eu estava sorrindo demais e dançando demais. Pensei... Pensei: "Meu Deus, ele realmente me ama." É amor.
Gente, as palavras não valem mais nada mesmo, né?
Gente, eu tenho, sabe Ana Mary B? Eu amo essa mulher.
E aí, quando que ela vem para o Caso Bizarro?
Eu já chamei, tá? Ainda não respondeu.
Ela é borderline, gente, ela vai demorar.
Eu quero muito que ela venha. Mas eu comentei esses dias no vídeo dela falando que amar é trair. Eu fui criticada. E aí uma pessoa respondeu assim: é verdade, porque você ama tanto que você não quer separar para trair outra pessoa, entendeu? Você quer continuar com ela.
E eu fui muito É muito bonito isso, parar para pensar por esse ângulo.
Realmente é ótimo. Passados alguns meses, ele começou a ficar distante. Guto parou de me responder.
Gente, ele não, ele nunca existiu! Como é que ele fica distante?
Não fala assim do Guto! Do nada, eu quase morri de tanta dor e tristeza. A minha culpa cristã não me deixou seguir em frente. Eu precisava dar um fim no relacionamento. Como ele não me respondia, eu conversei com a Cami e ela intermediou o término do namoro. Sofri por meses. Foi a minha primeira decepção amorosa, o meu primeiro coração partido. Demorei muito tempo para superar. Anos se passaram, eu já não morava mais naquela cidade.
Certo dia recebi uma mensagem no WhatsApp de um número salvo como Guto. Meu coração gelou.
Gente, ela ainda pensando no Guto.
Ele queria saber como eu estava depois de tanto tempo. Tempo. Não respondi. Pensei: vou pesquisar o Facebook ou Instagram dele. Não achei nada. Então fui procurar pelo perfil da Bia para ver se achava algo. Não era possível que ele não tivesse rede social nessa altura da internet, né, Guto? Qual foi a minha surpresa quando achei os perfis da Bia! Ela me seguia em todas as redes e agora estava totalmente transformada, completamente masculina e assumida lésbica.
Foi um choque. Comecei a fuçar as redes atrás de mais informações. Ela torcia pelo Corinthians, ela estudou naquele colégio, ela jogava futsal.
Gente, sabia? Porra!
Gravei, perdi o ar, não conseguia acreditar. Tirei um print e mandei naquela conversa do WhatsApp. "É você?", perguntei. "Você é o Guto?" "É o Guto!" Fui procurar. E foi assim que descobri que namorei uma mulher por meses e trocamos mensagens safadas. Gente, agora pergunto a vocês: sofreu um golpe coletivo de coming biaguto? Me encaixo como bi ou sapatão?
Não, lésbica platônica, no máximo lésbica platônica.
Ela me forçou a entrar para comunidade LGBT, amo vocês.
Sim, a gente apoia ela. Parabéns, Bia!
Eu acho que quando dizem parabéns, a Bia é a nossa pregadora, ela tá trazendo gente a gente para o nosso— não é a Bia? A Bia que ajudou, era prima do Gugu.
Não, mas ela, ele tá falando, ela aumentou a gente para o nosso—
eu acho que quando dizem que é forçar a ditadura gay, eu acho que pode ser considerado meio que aí, né? Eu sou a favor da ditadura LGBT.
Todas as lésbicas de 50 anos podiam estar aí, uma pessoa.
Olha, a Bia é a prontona, ela é a crack do jogo. A Bia é o Hendrick, crack do jogo, tentou trazer uma para o nosso time.
Aí eu aprendi que é o egg ontem, eu quero usar mais vezes. Ai, ele é tão lindinho, não é? Ele é fofo, ele é muito fofo, gente.
Vamos, Hendrik, salva de palmas para o Hendrik, por favor. Esse episódio vai sair dia 29, não amanhã, que o Brasil ainda vai estar na Copa no dia 29.
Não, não, a experiência do egg saiu na mão da plateia.
É isso, eu acho que a gente pode estabelecer uma, pelo menos um LGBT, ó, deve ter algum LGBT aqui na plateia, pelo menos tá na mão da gente criar ditadura LGBT. E criar um fake, enganar alguém. E ser o guto ou a guta de alguém. É. E forçar um relacionamento LGBT. Eu posso contar com vocês? Eu posso contar? Obrigada.
Todo mundo pegando foto do George Clooney saindo daqui, ó. Umberto Martins. Indo atrás de umas velhinhas de pelotas. Amigos de escola. Olá, mabê, chico e fi. Podem me chamar de Gabriel e vou contar minha dolorosa história com meu amigo de escola, André. Tudo começou... Ai, que delícia, né? Começa com dor. Tudo começou no ensino fundamental, em 2018. Eu era excluído e sempre que tentava conversar com o pessoal da sala, era ignorado.
Após muitos anos estudando com as mesmas pessoas, eu mudei de sala. Turma nova, vida nova. Foi excluído de novo. E durante uma aula de educação física com poucos alunos, bem no comecinho do ano, eu conheci o André. Não me recordo o contexto, mas lembro que comecei a conversar com ele na quadra, o que se estendeu para sala de aula e depois levou para o WhatsApp. Até então eu tava em dúvida sobre a minha sexualidade, mas achava ele muito atraente.
É claro que ele era hétero. Parecia que as almas bateram. Eram horas de conversa pelo celular e também na escola.
Já tô com uma dó desse gay.
André era muito safadinho, comentava sobre vídeos pornôs que assistia e até sobre suas experiências. E dele tentou ser chique, mas ele abriu um parênteses e escreveu punheta. Um dia o pai dele viu as conversas e deu uma bronca nele, disse para se afastar de mim. Depois disso, nunca mais consegui vê-lo fora da escola. Após um tempo, chegou um novo aluno que virou amigão dele e, consequentemente, ele me deixou de lado. Guto. Depois de um tempo, nossa amizade foi se desgastando e se afastando.
Ué, já não tinha quando você foi trocado, amor? Todas são de Lulu hoje, né? Todas as histórias têm em comum ter Lulu, assim, o cara com uma faca na barriga. Será que ele me ama?
Ai, eu curto, curto. Ele tem todo ciúme de mim, amor.
Nossa amizade foi se desgastando e afastando. Confesso que fui um pouco ciumento, mas ele me tratava de um jeito tóxico que tava me fazendo muito mal.
Mas espera, você fez uma gracinha aí no meio, me perdi. Só quis criticar, só quis criticar de graça. É o André, a relação se—
Isso, isso. O André tem um novo amigo e o Gabriel se afastou. Porque o pai do André também mandou Mudou por causa da experiências e tava me fazendo muito mal. Passou um tempo, começou o ensino médio, nova escola, vida nova, até que um dia bateu uma curiosidade e segui ele no Instagram. Foram vários dias vendo os stories dele, até que um dia ele respondeu. Até que um dia bateu, daí que veio. E ele me mandou uma DM depois de eu passar vários dias vendo stories dele. "Vai ficar só vendo, é? Não vai fazer nada?" Ah!
Ai, que tesão! Tô toda arrepiada!
Ai, André, para!
Ai, vai no motagão e leva o meu smartphone! Eu tenho dois smartphones, André! Que estranhei!
Será que vai vir um novo bloke por aí? Não, gente, porque é bloke!
É, gente, as pessoas não estão sabendo ler as coisas!
Essa gay, ela traumatizada, coitada!
Você tinha que ter lido esse caso, faz mais sentido. Sou eu, fui eu que mandei. Voltamos a conversar e falamos sobre a vida, várias coisas, até que ele mandou a mensagem: lembra que a gente trocava ideia? Vamos relembrar os velhos tempos. Se você quiser, deixo você ver até a minha pica na amizade.
Gente, que isso? Amizade, deixa eu te falar.
18? Não tava preparado.
Meu coração bateu tão forte, eu nem acreditava que ia acontecer. E ainda sem ser iniciativa minha, fiquei impressionado.
Ele mandou a foto? Ele mandou a foto.
Não vou entrar em detalhes, mas era muito mais bonito e robusto do que eu imaginava. Isso é bem detalhado.
Não vou entrar em detalhes.
É, essa bicha é a rainha da sutileza, né? E mostrou suas punhetas. Não vou entrar em detalhes, era uma verga.
A gente quer saber, o povo tá interessado.
Pensando que ia ficar só nisso, não, não. Ele pediu o meu de volta, dizendo que tá só curioso. Eu mandei na amizade, mas ficou só por aí. Eu tentava ter uma vida social com ele, mas os mesmos defeitos continuavam. Mas ele não mandou a pica? Mandou, um mandou a pica pro outro, já não conseguia comer, não conseguia sair. Não é só sobre pica? Vez ou outra ainda conseguia.
Às vezes é só sobre pica assim.
É, pro André era. Uma vez ou outra ainda conseguia arrancar alguma coisa, a pica, mas ele não se mostrava à vontade com isso. Foi aí que eu revelei que era bissexual. Aí ele disse pra não dar em cima dele, falei que não queria isso. Abre parênteses, queria sim.
Pera, esse André é um desgraçado, velho. Ele é.
Ai, André, só você para. E aí depois, e aí depois ele ficou perguntando se eu era ativo ou passivo, se doía, e do nada ele me bloqueou. Depois de um tempo, ele começou a namorar, ele começou a ter medo das nossas conversas. Como eu já citei aqui, nossa energia era uma coisa surreal, amizade até que era legal, mas depois de um tempo comecei a sentir que não era a mesma coisa para ele. O que me deixou intrigado é: será que ele realmente é hétero e só tava curioso, ou ele é bissexual e tá reprimindo pela "Bronca do pai." Abre parênteses: família homofóbica.
Ele escreve meio que nem o Bolsonaro, assim, já tá explicado. Ele vai lá e fala a mesma coisa de um jeito mais chulo.
Ele quer que a gente fale pra ele com todas as palavras, né?
"O que vocês acham?" Eu amo que todos os meus casos estão terminando com "o que vocês acham?" Gaysona, né?
Gaysona. Gaysona. Tá boa, não. O Fih tem lugar de fala, vai.
Ai, já conheci tantos Andrés assim, gente, quando era mais novo, vocês não têm ideia. Tanto de jovem hétero que faz, ó, vocês que são hétero aí, ó, tá falando com ninguém, né?
Ninguém tá falando com duas pessoas que trabalham no som assim, você tá falando com funcionário.
Cadê minha câmera? Igual a Mabê, cadê minha câmera?
Não, não tem nenhum hétero assistindo a gente, pior que tem. Eu me certifiquei de tirar todos, nem aparece.
Gente, na moral, é muito, é muita crueldade, é muita crueldade com a gente. Mas você achou? Por nós movidas pelo desejo.
Mas você acha que o André é hétero? Não é?
Não, amiga, mas tá, não é. Mas também não tem a banca de assumir e de bancar o que faz. Não tem envergadura moral. Não tem envergadura, exato, a envergadura, entendeu?
A envergadura do André. É ridículo.
E aí a gente fica aqui, ó, sedentas, entendeu?
Sedentas.
Amigo, você é assim desde sempre? Você se odeia desde criança ou foi uma coisa que desenvolveu? Ô, amigo, não tem a menor chance de ter interesse por alguém que Não, hoje, amiga, hoje não, obviamente.
Mas quando você era adolescente, você era tão bem resolvida assim?
Nossa, desculpa aí, tá desculpado.
Nossa, eu não era não. Eu caía nessas armadilhas emocionais.
O Chico Felipe gay e jovem.
Eu sempre fui gay e jovem. Virou terapia.
Fala dessa criança gay.
O que você diria do Paul assim? O que você diria para o pequeno Chico?
Aí a criancinha falando assim: Oi, Chico, como é a gente no futuro?
Velho, eu sempre fui bicho, né, no colégio. Só que eu era bicho engraçado. Eu acho que eu fazia tudo para ser a palhaça, para passar batido. E daí eu namorava o menino mais lindo que fez engenharia no ITA.
Você namorou no colégio?
Amiga, namorei escola inteira.
Que isso, na minha época não tinha ninguém.
O que aconteceu comigo foi, na oitava série eu percebi que se eu não fizesse parte dos moleques mais podre do colégio, eu ia estar suscetível. Eu comecei a fazer tudo que é errado. Até virar hétero, isso? Não, eu era uma bichinha, mas eu fumava, eu cheirava tíner, eu fazia as coisas mais erradas com as pessoas mais erradas.
Porque daí as pessoas não queriam ser amigos dos meus amigos.
E daí eu namorava um nerd lindo e ninguém sabia. E a gente transava no cemitério. Primeiro, segundo e terceiro colegial saía do Colégio Leonardo da Vinci e ia pro cemitério no centro da cidade.
O cemitério era perto do Colégio Leonardo da Vinci? Aham. Ó, se você tiver no Colégio Leonardo da Vinci hoje, um beijo. Eu tô meio sem palavras depois disso. Como a gente vai continuar?
Então é isso, eu cheirei cola pra passar no Colégio.
Bullying. Eu chorei. A resposta certa então é que você era bem resolvido mesmo, né?
É, ele tirou cola, acho que tinha que ser bem resolvido depois. Não, pronto, é isso. É, é diferente. Eu vou ler esse caso aqui que é bem curtinho, aí você lê. Eu vou ler um curtinho e você lê. Tá bom. É uma página só. Oi, Mabel, chiquifi.
Chiquifi parece o nome de um Pokémon, parece uma geração assim. "Chiqui-vi!" Ele sai de debaixo da terra assim.
"Chiqui-vi!" "Chiqui-vi!" Tendo um pouquinho de cola.
Aí ele é um Pokémon que vem com uma colinha, um saquinho.
Usa calcinha e tem pelo.
Eu vou fazer uma impressão.
O poder dele é desmaiar, exatamente. Eu vou fazer uma impressão dele.
Chega perto dele, ele desmaia. Próximo brinde do Caso Bizarro. É o Pokémon Tibão. Tiago, anota aí. Em algum momento da minha infância, minha infância...
Nossa secretária Tiago tá na plateia.
Não vai ter Tibão, nem vem. Nem vem roubar ideia. Não vai ter Pokémon Tibão. Você enfia no cu. Você tem uma ideia porra.
Amor, primeiro que o nome da sua dupla é Tibão.
O Tiago tá sendo silenciado na plateia. É Fátima, amor? Nossa, pior, amor. Não, quando tem eu é Fátima. Aí eu acho engraçado.
O nome da dupla é Fátima, em vez de Tibão.
Em algum momento da minha infância, eu me dei conta de que gostava de meninas e de meninos. Como não tinha referência— isso é nos anos 80— como não tinha referência do que era ser bissexual, jurei que eu era a única pessoa daquele jeito. Ah, não, claro, tranquilo.
A gente só tá me ajeitando. Eu comendo punhetaço.
Exato. Sim, na inocência de criança, eu me sentia especial. Achava que eu tinha inventado a bissexualidade. Eu era a pioneira.
É bipolar também isso aí. God complex, chama.
Mas, gente, isso era 100% eu quando era criança. Eu achava que inventava tudo. Lembro de me gabar secretamente pensando: "Mas ninguém é assim." Com um sentimento semelhante ao do Cebolinha bolando planos malignos. Imagina a minha decepção quando eu cresci e descobri que eu estava longe de ser a primeira ou a última híbrida nesse mundo. Híbrida, meu Deus! Certa forma, esse debut me ajudou a me manter certa.
Ela escreveu debut.
Debut. Debut. Entre parênteses, debut.
Me ajudou a me manter certa. Ser a única híbrida. Gente, ela tá assistindo um B.Y.G., né?
B.Y.G. Sério. B.Y.G., se você quiser No mês do— Ó, o B de LGBT é de BYD. Ou eles mandaram uma galera para China. Eu quero ir para China. Ah, se eles mandarem só um BYD para gente, tá ótimo. Não, eu quero ir para China. Eu quero um BYD.
Ótimo, eu vou para China.
Vamos para China. Alguém ofereceu alguma coisa? Por que que vocês estão escolhendo? Eu fiquei muito confuso assim. Alguém ofereceu?
De certa forma, esse debut me ajudou a manter certa de quem eu era. Do esse a quem do Por isso acho essa história muito engraçada. Um beijo na criança viada e bizarra de cada um de vocês. Ah, gostei! Ela inventou a bissexualidade.
Ah, tá, a história é essa, tá bom. Não, eu achei que tinha perdido alguma coisa. Bora, bora, que tem 8 páginas aqui. Deixaram as maiores para mim. O clone, a clone lésbica. Oi gente, me chamo Adri. Oi Adri, falo de Curitiba, Paraná. Meu caso aconteceu em 2019, quando eu tinha 21 anos. Tinha acabado de sair de um relacionamento complicado com um homem que estava começando a descobrir minha bissexualidade. Na época eu trabalhava em um shopping popular.
Gente, é o caso das bis, né? A clone lésbica. Vamos ver, né? Vamos ver. Onde vai parar?
Continua aí, vamos ver. Entre parênteses, vamos vendo.
Entre parênteses, punheta. Na época eu trabalhava em um shopping popular aqui de Curitiba e na loja ao lado trabalhava um amigo meu. Um dia começou a funcionária nova lá, a Caroline. Ela perguntou de mim pro meu amigo e pediu meu número. Estava lá solteira, emocionalmente instável. E achei ela bonita, suficiente para render pelo menos um entretenimento. Ela começou a falar—
gente, puxado, ficou chato para caramba!
Ela começou a falar comigo no WhatsApp e logo me chamou para um date depois do trabalho. A gente saiu, foi super leve, divertido, conversamos bastante, pelo menos no final. É um clima de azaração, de azaração. E fui para casa me sentindo a própria protagonista de um filme coming of age LGBT da Netflix.
Mais uma de Lulu.
Mais uma de Lulu. Ó, ó, já vem merda ainda. Depois disso começamos a almoçar juntas todos os dias e fomos nos aproximando mais. Gente, claramente não é bissexual, é lésbica, né? Ei, já vai abrir um consórcio com a Carolinha, amiga? No segundo dia? Até que um dia ela me chamou para um date surpresa.
Na minha cabeça, surpresa, imagina o Sérgio Malandro.
Na minha cabeça, aquele seria o date. Então eu fiz toda aquela preparação feminina que vocês já sabem qual é. Não, conta pra gente. Entre parênteses, punheta.
Deixa eu contar, eu revisei esses casos todos fazendo depilação íntima.
Olha o ciclo fechando! Quantas horas dura? Aí preciso de um papel, tinha um pelinho aqui. A Mabé assim, ó, um pelo azul para clonar ela dentro do âmbar.
Não, foi só um caso, na verdade, né?
Tem 72 filhos, porra!
Mas amigo, é Leva uns 20 minutos para depilar.
É, amiga, ontem eu depilei meu corpo inteiro. Isso envolve costas, frente, e não demorou isso. Não, máquina. Ah, lindo!
Espaço laser também, se quiser.
Amiga, não existe cera, eu mataria as abelhas, elas iriam à extinção.
Você tá de cera? Não, mas com cera você ia desmaiar, eu acho. Com maquininha é mais tranquilo. Ai não, não dá, amor.
Não existe a menor dúvida, já quase desmaiei só de pensar. Vai, desculpa. Claro, não. Veio de surpresa. Não, tranquilo.
O que mais a gente pode falar sobre depilação? Quem tem pelo encravado na patela? Quem foi depilado hoje? Eu nem sei onde mais eu tô, gente. Depilação. Dei de surpresa. Preparação feminina que vocês sabem qual é. Isso. Que é a Mabê com a pinça tirando pelo da Xaxota lá.
Um por um enquanto você cata. Com a pinça. Com a pinça, uma por uma. Mas eu já depilei.
Ela não é assim, você tá bonitinho. Dei aquela geral na querida, me arrumei inteira e fui trabalhar nervosa porque achei que finalmente teria minha primeira experiência lésbica. Combinamos de nos encontrar na frente do shopping depois do expediente, só que quando ela chegou, tinha alguma coisa muito errada. Ela estava estranha, parecia fora do ar, meio perdida, como se não soubesse quem eu era. Eu tentava conversar e ela respondia de um jeito esquisito, desconexo, parecia que tava delirando.
O Chico, quando vai viajar pra andar de avião, toma aquele remédio dele. Gente, é que vocês tiveram a sorte dele não ter viajado, não ter saído.
Duas vezes que ele já veio gravar no teatro, ele veio direto totalmente drogado.
Totalmente drogado, groga. As coisas aconteceram e ele tava assim, ó.
Eu me divirto, amor. Se vocês não se divertem, eu me Eu divirto. acho ótimo, parece que eu tô num sonho febril.
Você vê que a gente tava assim, Chico, você tá ouvindo a gente, lindo?
Tô, tô. Desconexo, parecia que tava delirando. E eu ali pensando, meu Deus, eu interpretei tudo errado? Ela nem lembra de mim? Ela tá drogada? Eu tô enlouquecendo? Fiquei tão desconfortável que depois de alguns minutos pedi desculpas e fui embora. Do nada, a menina lá normal, né? Desculpa, eu vou embora. Não desculpa não! Não foi meu? Imagina... Peguei o ônibus para casa tentando processar aquela situação inteira só que aí recebi uma mensagem dela perguntando onde eu estava e respondi: "Ué, a gente acabou de se ver!" Tô interessado aqui— E ela respondeu: "Como assim?!
Eu não te vejo desde o almoço." Gente, até hoje eu não sei o que aconteceu porque eu juro que falei com alguém. "Yer igualzinha a ela." Cara, eu queria muito. Gente... Depois desse dia, eu fiquei tão assustada que comecei a ignorar as mensagens dela. Só que aí ela começou a me perseguir, aparecia nos lugares onde eu estava e tentava falar comigo a qualquer custo. E ela vinha sempre com uma energia muito estranha, meio stalker mesmo.
Meio estranho isso. Eu saía do trabalho às 10:30, As 22:30, e comecei a pedir para os meus amigos me acompanharem até o ponto de ônibus, porque eu realmente fiquei com medo. A dúvida que ficou até hoje é: eu encontrei uma assombração lésbica ou ela tinha algum problema psicológico? Tudo que eu sei é que eu dei aquele trato achando que teria minha primeira vez com uma mulher e terminei vivendo uma experiência paranormal esquizofrênica. Eu acho que foi mais esquizofrênica. Beijo, pessoal, amo vocês!
'Para, esse foi muito bom.' Esse é muito bom. Gente, eu fiquei total, eu fiquei gag dela, gag. Porque, cara, ela depilou, ela deu o trato na querida, chegou lá, a gata esquizofrênica. Será que era outra pessoa?
Mas não dá pra saber, é filme de arte assim, você não sabe quem tá culpado. Você não sabe. É machado de Assis assim, você não sabe o que fez, o que não fez.
E eu acho assim, o Chico, ele, por exemplo, não me enxerga. Bom, agora que arrancou sua córnea, não sei. Eu não tenho um Talvez agora seja melhor, mas assim, você ouviu o caso bizarro? Chico não usa óculos e ele tem 3 graus. 3 graus, é um absurdo. Será que a gata não usa óculos, foi num date surpresa? Talvez o date surpresa tenha sido para menina que tava lá, que nem queria estar lá.
Menina sentada no restaurante sozinha. Ai, hoje eu vou ter um date sozinha comigo mesma. Aí chega alguém e senta. Oi.
E ela assim, gente, eu vou dar oi, vai que é doença, vai que é doença, né?
Não dá para saber quem é a doida, se tem fantasma.
Eu daria tudo para ver essa cena, tudo, tudo, tudo, tudo, quase tudo, tudo.
O que me fascina nessa história é, então, na verdade, eu vou contar o que faz sentido. Eu não tenho papo Eu falo mesmo. O que me fascina é que não tem uma história feliz. E foi escrito por um roteirista hétero, né? Óbvio. Que tá aqui entre nós. Será que ele só selecionou as histórias... Olha, ele quer um direito de fala.
É isso que a indústria de entretenimento faz com pessoas LGBTs, Thiago.
É isso. Gente, não tem um final feliz. A gay foi assaltada. A outra gata... Cagada. A outra cagada. Cagaram numa sapatã. Entendeu? A outra, que mais? Esqueci tudo. A outro menino, entre parênteses punheta, ele... Gostasse?
Que isso? O microfone do hétero tá mais alto? Qual é a voz principal do mundo? Eu só ia falar que a culpa das pessoas que manda... Realmente não veio nenhum.
Afinal, gente, vocês, ó, que gostam do caso, vocês são todo triste, melhorem suas vidas, melhorem suas vidas.
Gente, eu gosto que ele se esforça para ser o Tiago.
Eu amo vocês, eu amo gays, o Cordeiro de Jesus.
Eu amo os gays tristes, eu amo gays tristes.
Mas teve um caso que mandaram, posso expor rapidinho? Pode, claro. Que a pessoa só mandou assim: "Eu não sei se caracteriza, mas eu já sonhei que eu tava chupando um pau, porém sou hétero." Gente, eu amei esse caso!
Pode entrar, André!
Mas era só isso? Era só isso. O nome dele era Thiago Pesanetti. Thiago Pesanetti. Mas caracteriza? Deixa aí a provocação, hein?
Deixa aí a provocação. Tchau. Obrigada, querido. Obrigada pela participação hétero. Pra dizer que a gente não dá dar palco aqui para héteros também, a gente respeita todas as raças.
Vamos voltar então ao gay da assaltada com faca, lésbica que sofreu catfish da Ellen DeGeneres. Amém! Cocô no cabelo, caca no pelo.
E a outra, eu não sei o que aconteceu.
Ah, e a esquizofrênica barra fantasmagórica da praça de alimentação.
Agora que inventou a bissexualidade, talvez seja a única feliz, né? A mais delulu.
Ela é delulu.
A mais delulu. Mas não estamos todos delulus também, né? Mas eu acho que talvez a pessoa mais delulu seja mais feliz, né? É por isso que vocês estão aqui, gente, ó. Estamos imersos.
Vai usar pé amarelo ou não vai usar pé amarelo?
Não, vamos de zap amarelo. Uma, mas só queria saber se a plateia tá imersa. Vocês estão imersos?
Então bora!
Imagina se não, tava uma merda.
O Zap Amarelo. Oi, Mabê, chiquifi, chiquifi! Me chamo Douglas e moro numa cidade no cu do mundo. Quando a gente abre o cardápio amarelo, daí podia Por aqui só encontra as mesmas duas outras gays da região.
Nossa, triste demais, gente. Te dizer, viu, papo de coisas mais tristes que um gay pode passar é a Big Rider em cidade interior.
Algumas mulas sem cabeças, casados enrustidos... Ó, a boca salivando aqui, ó.
Não, não, não.
Seus éfiólogos.
Não, eu gosto de casados enrustidos, casais não enrustidos.
Ou algum caminhoneiro safade.
Aí sim, aqui babei um pouquinho.
Como eu morro de medo de virar estatística, acabo não saindo com ninguém quando eu tô lá. Porra. Só tenho app por protocolo mesmo. Ah, ah, ah. Protocolo. Punheta. Um belo dia, um perfil sem foto me mandou uma mensagem. Todo trabalhado na amizade. Eu, geminiano que sou, respondi. Tava motivado única e exclusivamente pela curiosidade de saber quem era. Entre parênteses, fofoca. A pessoa disse que me conhecia, mas sabia que eu não ia com a cara dela e que por isso não ia se revelar naquele momento. Ela antes queria provar que era legal.
E gente, eu já bloqueava aí mesmo.
Abre parênteses, spoiler: ela não era legal. Gente, conversei com alguém por umas 3 semanas tentando de todas as formas descobrir que cara ela tinha.
É muito tempo, mas ela é muito, muito doido, filho. Não, que isso!
Durante a conversa, ela já tinha mandado foto do pau, foto do cu, mas nada de mandar foto da cara.
Mas da cara nada.
Normal, até aí normal. Até aí, uma terça-feira aqui.
A curiosidade tava me matando e eu já tava quase desistindo. Até que um dia, a Gay deve ter percebido que eu tava jogando a toalha e me mostrou o rosto dela. E, gente, eu realmente não ia com a cara dessa bicha. Acho que ela tem tanto carisma quanto "Um cu com cãibra." Não consegui nem responder mais nada, só apaguei a conta e desinstalei o app. Nossa, jogou no vulcão!
Exato, jogou num vulcão! Pôs fogo na minha casa e na minha família dele.
Não uso celular desde então.
Matei minha avó, pendurei meu cachorro. O pior é que ele não era feio nem nada. Mas antes de vocês me xingarem, vou contar o porquê de eu não ir com a cara dessa viagem.
Olha aí, tá vendo como a audiência conhece as pessoas que não leu?
Há mil anos eu era uma gayzinha religiosa, coordenava o grupo de jovens, todo trabalhado nas labaxúrias. Essa gay também era, e a gente vivia se trombando na igreja. Um dia...
Que validade de gay católico e gay religioso! Amo!
Cada uma tem o grupinho, tem uma dinamite com as vizinhas. Tudo!
Todo mundo de terninho. Chega gay com uma hoxa, outra gay olhando. Olhando assim, é.
Só achei tá passada. Essa daí não tá com o corpo de Cristo não.
Um dia estamos eu e meu grupinho no almoço de confraternização e colou essa bicha. Ela fez questão de ser a pessoa mais insuportável do Brasil pra gente, mas como eram as próprias rainhas da etiqueta, a gente só sorria de volta.
Gente, acho que isso daí dá mais tube que a outra, a outra, a mogli, viu? A Regina Georgia, Mean Girls católica gay.
Meu gente! Alguns dias depois, ela surtou e mandou mensagem pra mim e pros outros membros do Squad Gospel. Squad Gospel, gente. Dizendo que a nossa devoção não agradava ao deus dela. Aww! Amor! E que por isso ia bloquear a gente e se afastar. Não sei que deus era esse aí, mas queria agradecer, porque ninguém suportava essa gay. Ela fazia questão de ser desnecessária e moralista sempre que podia. Acho que eu coloquei em palavras.
Acho que agora que eu coloquei em palavras pode parecer meio bobinho, mas o fato é que a gay era chata, insuportável e extremamente inconveniente.
Ela pensava a mesma coisa de você, amor.
Uma outra vez essa mesma gay me mandou uma mensagem, tipo: Oi, sei que você provavelmente vai me bloquear, mas preciso te falar uma coisa. "Como não temos contato em nenhuma rede social, vai ser por aqui mesmo." Minha vontade era de responder: "Vai, chata, fala." Mas eu só mandei: "Oi, querida, pode falar." Sim, sou cuidadoso.
Ela é muito etiquetuda.
Muito! Daí essa gay começou a me contar que tinha sonhado comigo, que eu fazia um concurso no Distrito Federal, passava, ia embora e tinha uma vida muito feliz lá na capital. E eu pensei comigo: "OK, anotado, amor." E bloqueei, porque eu não sou obrigado. É isso, obrigado por lerem meu caso. Caso, continuem com esse trabalho incrível.
Lacradora, lacradora, gente!
Eu achei apenas que validade gay crente, amiga, não tem nenhuma, não tem nenhuma briga de divas, né, na igreja. É sobre representatividade.
No Twitter elas são assim: querida, a Cassiane é tapete da Aline Barros.
E foram esses os casos. Ah, queria agradecer a todo mundo que esteve aqui hoje. Se a câmera não virou, pode virar para a galera só pra gente provar que tem gente aqui, por favor. Tenho muito medo de acharem que não veio ninguém.
São sound effects, gente, é mentira.
Ela fez nhá todas as risadas. E muito obrigada, tô muito feliz por estar iniciando aqui, estreando a temporada no YouTube. Vai até outubro. E compra ingresso, né, galera? Eu hein, pelo amor de Deus! Venham até aqui, a gente tá muito empolgado. Um beijo e até julho, que julho a gente volta para histórias héteras, né? Histórias sérias, histórias— aí que eu não tento mais tão graça.
Tudo que tem muito na bunda nesse podcast, história séria.
Tudo que tem é sobre isso. Então Um beijo e até outubro. Não, não, eu até julho, né?
Que eu venho dobradinha, eu tô duas vezes, querida, você tá uma só.
Um beijo, gente, tchau! Vamos tirar uma selfie?
Teatro Youtube