CB #171 - A menina que dançou com o diabo e outras lendas com Thiago de Souza - O Que te Assombra - Parte 01
No episódio de hoje discutimos sobre uma menina que dançou com o diabo e muitas outras lendas!
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E VAMOS DE CASO BIZARRO AO VIVO NO TEATRO 🎭 ✨✨✨✨
Com as nossas duplas: Chico Felitti, Fi Bortolotto, Fabão e Tiago P. Zanetic
Uma noite repleta de bizarrices, do jeito que vocês gostam!
Dia 07/04 no Teatro SABESP Frei Caneca!
Compre aqui: https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/caso-bizarro-ao-vivo-no-teatro-16019
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Dicas Bizarras:
▪️Um Santo sem Rosto, de Paulo Roberto (Thiago)
▪️Um hino à vida: A vergonha precisa mudar de lado, de Gisèle Pelicot (Mabê)
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Thiago de Souza
Mabê B
- Experiencias ParanormaisChaguinhas e a Revolta Nativista · Cemitério dos Aflitos
- Medos de InfanciaMedo do Thriller do Michael Jackson · Experiência com o ET
- Cemitério das PolacasHistória das Polacas · Cemitério de Cubatão
- Filmes de TerrorImpacto do Exorcista · Pânico Satânico nos anos 80
- Dicas de Séries e LivrosO Santo Sem Rosto · Um Hino à Vida
Oi gente, recadinho aqui pra vocês, vai ter Caso Bizarro ao Vivo no Teatro, no Teatro Sabesp, Frey Caneca, no dia 7 de abril. E todas as informações em relação ao ingresso tá lá no ru.com, eu vou deixar aqui na descrição do episódio. Então, bora lá que vai ser Fabão, Chico Felice, Felipe Bortolotto e Thiago Pesanetti, que é as nossas duplas fixas. Estou muito animada, abriu, já começando o ano com Caso Bizarro ao Vivo e em breve teremos mais lugares.
Sejam bem-vindos a mais um Caso Bizarro e hoje o episódio está muito diferente porque eu estou aqui com o Thiago do Que Te Assombra. Oiê! Prazer, que legal tu aqui. Eu tô muito animada, a gente tá conversando aí que... Enfim, a gente começou a conversar, na verdade, antes, né, de vir pra fazer o episódio e a gente teve que parar de falar.
E o seu segundo episódio, né? Exatamente, eu falei assim, gente, já tá dando um episódio aqui no WhatsApp E aí eu falei, vamos parar de falar E vamos marcar esse episódio E, gente, já vou explicar pra vocês que esse episódio é parte 1, parte 2 Porque era tanta história, né? Que eu falei, a gente não vai dar conta de um episódio só Eu falo muito, meu TDAH, você vai me errar já já Vou tentar me controlar
A gente vai indo. Então, vamos começar do começo, como eu gosto de falar, que é o monstro de infância do Caso Bizarro. E eu queria que você falasse um pouquinho quais eram os teus medos quando você era criança, se era alguma lenda, se era algum filme, alguma coisa específica. O que você lembra?
Acho que a coisa que mais me assustou foi o thriller do Michael Jackson que passou no Fantástico. Eu nunca tinha visto nada tão assustador. Eu tenho algumas memórias assim, que eu não sei se são aquelas memórias inventadas.
que é muito esquisito, porque eu não sei realmente se é uma coisa implantada, mas eu tinha uma impressão quando era muito pequeno, que alguém vinha à noite e mexia na minha boca, mexiava dentro da minha boca. Eu sempre achei que alguma coisa vinha fazer isso. Minha casa era muito esquisita. Mas o thriller do Michael Jackson, o videoclipe thriller,
Porque vocês são jovens, talvez vocês não se lembrem, mas os clipes eram lançados... Era de zumbi. Não, não, mas eram lançados no Fantástico. Sim. Alguns produzidos pelo Fantástico e outros que passavam no Fantástico. Sim. Tipo, mundialmente, né? Mundialmente. E o thriller foi um desses. E o thriller era, até hoje, acho que é um dos melhores clipes que existe. Nossa, é incrível. E ele era muito assustador, sobretudo...
Quando ele termina e não termina, porque vem aquela risada. Sim, tem a risada. Aquela risada, era tenebrosa na minha casa, porque a casa era uma casa que vivia em reforma, tinha uns problemas no telhado, então ela vivia com aquele cheiro meio de reforma, de cimento secando, e esse cheiro de cimento secando e a risada do thriller, pra mim, era muito assombrada. E uma outra coisa que eu tive muito medo, muito medo, mas aí foi um medo meio afetuoso,
Foi do ET. Do ET. Do filme do ET. Eu sou dessa época, eu nasci em 79, então eu tinha, sei lá, 5 anos. É, eu sou ruim de matemática, né? Por aí, uns 5 anos. E eu lembro que o ET foi muito apavorante. E quando o ET morreu, eu fiquei com um misto, assim, de sentimento. Eu falei, porra, ainda bem que ele morreu. Mas eu queria que ele sobrevivesse, eu queria que ele só voltasse pra casa dele. E ele era, porra, esquisitinho, assim. Eu morri de medo do ET.
Nossa, eu era... Meu claro, claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro claro
fascinada pelo ET. Tipo, o ET pra mim, eu... era o meu sonho. Tipo, era o meu sonho. Eu queria que aparecesse um ET na minha casa. E foi uma época que eu falava pra minha mãe que eu queria ser abduzida. Inclusive, minha bio, no Twitter durante muitos anos, o falecido Twitter, era tipo assim, sei lá, 36 anos e ainda não fui abduzida pelo ET.
Ainda acredito que vai acontecer. Acho que vai chegar lá. Não é possível, tá dando tanta merda atualmente. Não é possível que não vai vir uns ETs. Ou pelo menos vem e explode logo toda uma vez. Acaba rápido com isso. Joga uma bomba, né? Sempre ouvia um ditado que era, se vai fazer bondade, faz aos poucos. Se for fazer maldade, faz de uma vez. Faz de uma vez. É o que tá acontecendo ao contrário, né? Não acontece bondade nenhuma. Exato, e vai só jogando... E só desgraça a conta gotas, né?
Nossa, eu falo… a minha mãe, né, conversando assim, tipo, esses tempos. Eu falei, mãe, você viveu tanta coisa, né, ela nasceu em 59. Falei, você viveu tanta coisa, você viveu a ditadura, você viu, né… Guerra fria.
Guerra Fria, ela nasceu depois da Segunda Guerra Mundial, mas saiu. Foi tipo assim, sei lá, oito anos depois. Então ainda tinha as consequências, né? Tanto a Guerra Fria e tudo mais. Viveu muita coisa, viveu o período do Collor, né? Enfim, que minha família também perdeu dinheiro, aquela coisa. E eu falei, você vê uma pandemia, tipo assim, sabe? Quando as coisas parecem que vão melhorar. Ela falou, realmente, às vezes a gente tem a impressão de que tá dando uma… Sabe, uns passos pra trás, assim. Eu acho que…
tudo é meio cíclico. Eu lembro bem dos anos 90 e a gente está super anos 90 agora. Super anos 90. A impressão que eu tenho. Até dessas questões financeiras, eu nunca esqueço que viviam os mais velhos, eu lembro muito o pai de amigo que se ferrou entrando em pirâmide, que é o que tem hoje. Só que hoje é high-tech. Hoje tem, sei lá, criptomoedas.
Esses investimentos com... Antigamente era pirâmide. Tudo volta, na verdade. De outro jeito, carregado, né? De outras formas. Às vezes com crueldades, com as tintas mais carregadas nas crueldades. Sim. Ou então os métodos diferentes. Mas tudo meio que volta. Tudo meio que volta. E é interessante, super legal começar com esse assunto do medo. Porque o medo é um ativo muito importante em tudo que você falou.
Sua mãe viveu um pós-segunda guerra, oito anos e pouco. Esse período era um período que se estabeleceu muito essa polarização no mundo, que hoje tem três lados, né? O pessoal coloca mais ou menos com três lados, mas tinha essa polarização.
que fomentava paranoias. Sim. Como a gente vive hoje. Medo de... Só que aí o ataque, por exemplo, hoje a gente nem tem mais tanto medo de ataque nuclear como tinha nessa época. O tempo inteiro vivia com medo de ataque. E você vê que loucura. Quando começa a acentuar a ficção científica e a aparição dos nossos queridos ETs nesse período.
Isso que você falou é muito real, porque até a própria história do cinema de horror, a gente vê vários momentos quando apareciam os monstros, a fase de que as pessoas precisavam, de alguma forma...
Como encontrar o horror em outros lugares, né? Como, tipo, desassociar da própria vida que elas estavam levando. E aí, a gente tem esse momento que você fala da pós-guerra e tal. Que, meu, era muito forte a coisa do tipo assim. Ah, o mundo vai acabar. Então, a gente já tem o momento do hipster também. Do hiper? Oh, meu Deus. Não é hipster, é… Dos hippies mesmo.
Pós-guerra do Vietnã Paz de amor, droga, psicodelia Exato E aquela loucura toda E aí vem o período, o que vem depois? Vem o pânico satânico Nos anos 80 Depois desse período, sempre vem algo Muito aterrorizante Carregado de moralismo Carregado de perigos E eu lembro muito do pânico satânico Porque eu Fui uma criança esquisita E aí
Gostava de assistir filme de terror, gostava de filme de possessão demoníaca. Sempre gostei. E eu comecei a jogar RPG muito cedo. E eu era a única menina que jogava, eram 12 meninos e eu.
E eu lembro de começar a jogar RPG quando surgiu uma notícia de que uma menina, lembra? De Ouro Preto, tinha sido assassinada no cemitério de Ouro Preto. Foi uma coisa que passou no Fantástico. E aí falaram que era numa sessão de RPG. E aí o RPG passa a ser… a virar esse medo, né? Essa coisa.
Minha família não era religiosa, ainda bem. Mas eu lembro da minha avó ficar muito assim... Marina, é isso que você joga? Eu falei, eu jogo, vó. Mas a gente não tem morte, ninguém gosta de ninguém, sabe? E aí, eu lembro que a minha mãe sentou comigo e ela falou... Filha, me explica como é que é.
Aí eu falei, ah, é assim, a gente joga o dado, não sei o que, eu sou uma vampira, não sei o que, nananã. Aí ela, tá bom. E foi isso, ela ouviu o que eu tinha pra falar, continuei a jogar, deu tudo certo. E, óbvio, eu tenho um privilégio de ter a mãe que eu tenho, né? Mas a gente sabe que muita gente passou por muitos preconceitos. Eu tive amigos que os pais ficavam...
enlouquecido, você tá jogando essa coisa do demônio que às vezes a gente tava jogando, aparecia do nada aí se via que eu tava, eu ficava mais tranquilo porque, ai, se tem uma menina jogando então talvez não seja tão do demônio assim, e né diferença nenhuma, eu era uma das piores
Então é muito engraçado isso. Eu tive muita vergonha de RPG. Eu já tentei jogar. Eu era um pouco mais velho. Eu tentei algumas vezes jogar. Falei, gente, não é pra mim. Isso é coisa de puta botar capa, espada e tal. Ah, não, mas não precisa fazer isso. Não, a da minha galera era super do teatro. Eu falei, não, talvez eu não tenha tido essa experiência. É, não. Não era integral, né? A minha galera era puta, tinha que vestir de...
Porque tinha isso, tinha alguns grupos na minha cidade que a pessoa que tinha mesmo, a coisa de se vestir e aquilo lá, não. A atuação eu gosto, eu sempre curti. Mas era atuação na minha roupa, normal, do jeito que tava. E eu mestrei também, eu gostei muito. Mas enfim, eu lembro muito dessa coisa do pânico satânico e de todos os outros pânicos que viram depois. Porque invariavelmente tudo que eu fui me interessar depois...
Eram coisas que não eram tidas pra mulheres, não eram tidas pra pessoas normais. E eu lembro que eu fui entendendo, né, aos poucos, que eu era só uma pessoa normal. Só que eu não tinha minha galera ainda. Porque quando você é de uma cidade pequena, você não tem o contato com tanta gente assim, né? Então, eu lembro que eu gostava de muitas coisas que eu falava. Tá, mas eu gosto tanto de filme de terror, mas eu gosto disso, gosto daquilo.
Só que se eu morasse em São Paulo, eu só perceberia que tem minha galera, né? Se eu conseguir procurar. Hoje a internet possibilita isso. Acho que o caso bizarro é uma galera, né? Tipo, a gente tem gostos muito parecidos. Às vezes eu vou em shows, em eventos, que tipo, é impressionante. Parece que todo mundo que tá lá é ouvinte do podcast. E aí eu fui uma vez, a minha prima falou Nossa, mas todo mundo que tá aqui é ouvinte do podcast.
Eu falei, cara, porque a gente tem um nicho muito parecido. A gente tem um gosto muito parecido. Então...
É realmente um comportamento mesmo, que eu não tinha, né, quando era nova. Que óbvio, a internet ajuda a proporcionar. Mas eu já ouvi muita gente que fala assim Ai, eu tô tão feliz de ouvir o seu podcast. Porque minha mãe falava que eu era estranha, minha família falava que eu era estranha. Aí eu falo, tá vendo? Você é estranho, mas tem gente estranha.
Não tem nenhum problema em ser. A grande questão é essa. Continue sendo. Mas você vê que interessante. Você falou de condensar pessoas que são parecidas. Antigamente, esses medos eram disseminados. Primeiro pela televisão. Então, outra coisa aterrorizante. Falei do clipe do Michael Jackson de Thriller, mas eu nunca esqueci a vinheta de chamada do exorcista no SBT.
O SBT passava todo domingo, pra quem não sabe, o filme do Homem Cobra, que também era horroroso. Passava, cada 15 dias, domingo, passava o Homem Cobra. E a chamada de exorcista, que na minha memória, tem que... demorou uns seis meses pra passar.
Porque era muito aterrorizante a cena daquela iluminação no rosto da menina, e ela começa a ficar transfigurada. Eu lembro. E era uma chamada do Lombardi ainda falando, já pela primeira vez na televisão. Era, porra, você terminou. Na hora que acabava aquilo, você tava suando, porque era cinco minutos, já parecia, bom, metade do filme. E é tão louco isso.
E quando eu assisti o Exorcista, agora há pouco tempo, de novo, assisti algumas vezes ao longo da vida. Sim. Mas pra mim, o exorcismo, ele demorava o filme inteiro. E o exorcismo mesmo, uns 5, 6 minutos. É muito rápido. É muito rápido. É que ele é muito impactante. Muito, mas a minha impressão era de que era o filme inteiro aquilo. A menina subindo pelas paredes.
Não, o filme todo é a mãe tentando encontrar uma solução pra filha. Só isso, por favor. É basicamente isso. A mãe chegou e você pode me ajudar. Oi, você pode me ajudar. Não, eu também já assisti várias vezes Exercista depois. Mas a primeira eu fui com oito anos. E eu tive que dormir dois meses com a minha mãe. Porque eu fiquei aterrorizada. Não fizeram nada parecido pra mim até hoje. Não.
E a gente, né, aquele sonho da classe média de ir pra Disney, eu fui, sei lá, em 91, bem... E eu fui nos estúdios, acho que da Universal, e tinha como fizeram o exercício, e dava medo até de ver como eles fizeram, aquela parte da cabeça.
Meu Deus, que legal. Eu vi agora o Exorcista 2, assim, sei lá, cara. Parece uma reunião de condomínio. Horrível, horrível. A ONU, vamos fazer uma reunião na ONU. Aí o que aconteceu? Morreu a menina. Tá, porque não assistiu. Ah, não, péssimo, péssimo. Fiquei tão puta, saí irritada do cinema. Porra, não dá. Eu queria ser ressarcida pelo que... Muito ruim, né? Muito ruim, muito ruim. Mas assim, em defesa... Mas vai ter agora um novo, né? Vai ter um novo, vai ter um novo.
Que tem a... Scarlett Johansson. Que vai ter ela. Mas assim, em defesa do Exorcista, eu acho que não tem como fazer. Mesmo que fizesse um tipo de filme parecido com aquele, a gente não é mais como a gente era antes. Porque a época do Exorcista, a gente era muito ingênuo.
A gente não era atingido por tantas coisas ao mesmo tempo. O filme era assim, você alugava na locadora, ou você assistia na TV. Então você tinha que estar ali à mercê ou do que a TV quer passar, ou do que vai ter na locadora, disponibilizado, o que vem para o Brasil e tudo mais. Hoje a gente tem um acesso muito diferente.
E você tem que ir na locadora e dar sorte de pegar o filme. Ainda dá sorte de pegar o filme, exatamente. Porque a galera pegava e não se falava, putz, quero pegar esse. Não tinha. É, não tinha, exatamente. Então você ficava muito à mercê desse tipo de coisa. E eu acho que a gente assistia menos coisas, assim. Tipo, não sei se assistia menos coisas, mas assim, eu acho que a gente tinha menos impacto disso. E aí quando a gente olha pra hoje, com a facilidade, tem streaming aqui, streaming ali.
Você consegue assistir, às vezes até ilegal, um milhão de filmes ao mesmo tempo. E... Não.
Do jeito que a gente é atingido hoje, pelos conteúdos, as coisas não nos dão mais medo do jeito que dava antes. Porque o chamado aterrorizava. Tipo assim, era coisa das pessoas ficarem desesperadas. Porque você falou, a chamada do SBT do Exorcista. Quantas pessoas não ficaram? O thriller já… Não é a primeira vez, tá? Que o thriller apareceu aqui. É mesmo o thriller aparece?
Como o Monstro de Infância. Apareceu só uma outra vez. Foi uma moça que contou também que ela assistiu no Fantástico, ela era criança, e que ela ficou aterrorizada. Porque era zumbi, né? Tentou aquela pegada. Então assim, pô… Zumbi, lobisomem, tinha tudo. O lobisomem, exatamente. Então se isso dava medo… As nossas crianças, os adolescentes hoje em dia, eles não têm mais medo disso. A gente não…
Não tem mais essa ingenuidade, não sei se é ingenuidade, não sei exatamente como chamar, mas eu acho que a gente tinha que ficar mais cínico mais cedo, assim. Então, hoje, eu sou medrosa, eu assisto um filme, eu vou ficar com medo. Mas, de uma forma geral, pra ter um impacto que o Exorcista teve, assim, nossa...
Nunca, acho que nunca rolou assim, não precisaria mudar muito. Eu acho que o exorcista, ele é muito forte, porque ele é um tipo de terror que deixa a gente alijado diante de um poder que é incompreendido no dia a dia. Então você fala, porra, entrou um demônio fenício numa menina.
E você precisa chamar um padre, que pra ele conseguir tirar o capeta lá de dentro, bom, quem não assistiu, assista, mas ele tomou as medidas mais... Ele foi longe pra tirar o capeta da menina. Quer dizer, o que dá pra gente fazer hoje se isso acontecer na sua casa? Quem que você chamaria?
Eu tenho um padre de Araras, de Araras não, ele curou duas meninas de Araras. Acho que nem te mandei essa história. Olha. É a história do padre Stefanello, do distrito em Cordeirópolis, que é pertinho de Araras. E o padre Stefanello era um padre missionário, que chamava Scalabriano, acho, que ele cuidava da comunidade italiana quando eles vinham, migravam pra cá. O distrito de Cascalho é um distrito de italianos.
Isso é o interior de São Paulo? Super, pertinho de Corderópolis. Corderópolis é uma cidade incrível, pertinho dessa região, Araras, ali perto. E o que tem de curioso, Corderópolis tem uma população de sucuri na represa. Você vê como é particular a cidade. Por quê?
Porque algum maluco foi pro Mato Grosso, trouxe lá umas cobras, soltaram lá pra fazer o controle de alguma coisa e elas ficaram lá. Tá, você vai pra Corderópolis e tem o Sucuri lá na... Mas o padre Estevano Vadella é legal? É legal. Coitado do padre Estevano Vadella. Porque hoje eu fui no cemitério do Cascalho e lá tá um pedaço do pé direito dele, porque ele era um missionário, então ele andava, atendia as famílias e ele era um grande exorcista.
E a história que é curiosa dele é a de duas, a mais famosa talvez, são duas irmãs de Araras, que na verdade não estavam possuídas por um demônio. Elas tinham uma infestação e aí a galera levava as pessoas, porque o exorcismo do filme, ele é muito midiático.
Ele tem uma abordagem magética quase única até o tempo, porque exorcismo antigamente era uma pessoa muito doente, uma doença que não se explicava e tal. O padre lá orava, mas resolvia. E o padre Stefanello tinha essa fama, então as pessoas levavam para a igreja...
as pessoas estavam possuídas. E levaram essas duas meninas. E a galera ficava na igreja esperando. Então ele dava a benção dele. Às vezes curava. Então tem um homem cobra. Chegou um cara um dia arrastando mesmo. E ele fez a benção. Melhorou. Às vezes quando o capeta não saia, ele enchia de porrada quem estava possuído. Essa era uma prática dele também. E essas meninas, o que aconteceu? No dia que ele começou a dar a benção, elas subiram pelas paredes da igreja. Subiram.
E a galera, lembra da monga? Sim. Porque a monga, todo mundo corre. Lógico, eu ia pegar minhas coisas e vazar. E aí o padre ficou lá, ele conseguiu curar as meninas. Mas elas subiram na igreja. Meu Deus, gente. E aí o pé direito dele tá no cemitério. O pé direito tá no cemitério. O braço direito dele tá na igreja do Cascalho, porque era a mão da bênção, a mão boa cortaram e deixaram lá. E o pé.
Gente, foram cortando o padre, mas... Mas isso é muito típico, né? É, eu não sabia, não, de cortar assim as pessoas. Aqui em São Paulo tem algumas santas mesmo. Então, Santa Donata, que está ali na Igreja de Santa Cecília, tem um pedacinho da calota craniana dela.
E o cabelo, Santa Galdência, um pedaço da colota craniana, tá na igreja das chagas do Seráfico do Pai São Francisco, no Largo São Francisco. Então tem lá um crânio de uma crimenina que foi martirizada por Diocliciano no século IV. Gente! São Paulo.
Vamos dar um passo pra trás e falar a tua profissão. Porque as pessoas estão assim, meu Deus, o que tá acontecendo? Conta de você. Sem graça. Conta de nada. Conta do teu projeto, do que te assombra. Porque são essas histórias que a gente vai trazer hoje. Tá bom, eu sou advogado de formação.
Eu sou um... Eu tenho vergonha de falar adiante de roteiristas que eu sou roteirista, mas eu fui aluno de roteiro, eu estudei roteiro. Tenho até um doczinho que chama Sete Manhãs, que é um doc sobre ensino de cuidado paliativo. E sou compositor, talvez de tudo que seja a coisa que eu mais tenha conseguido. Sou compositor de samba de enredo. Então eu tenho vários sambas de enredo aqui em São Paulo. Já fui finalista na Mangueira.
Gente, que legal. E tem vários sambas por aí. Então é isso. E você tem 100 músicas gravadas? De sambas de enredo, vários que foram pra Avenida. Grupo Especial de São Paulo tem os seis. E dá pra colocar um link, alguma coisa depois pra galera ouvir? Dá, dá. São sambas do Carnaval. As gravações oficiais do Carnaval, esse ano, em 2026, né? Não sei quantas pessoas estão assistindo. Em 2026 eu fui campeão do Carnaval de São Paulo, do Acesso 3 com o Morro da Casa Verde. Que?
Isso, gente. Cantando Santo Antônio. Contando Santo Antônio de Batalha, que tem uma história curiosíssima. E o Exu, seu Sete da Lira. Que sincretizados eles são essa duplinha aí. Santo Antônio e o Exu, Sete da Lira. Sete da Lira é muito legal. Eu vou voltar já. Não, não. Até a DH é do inferno.
Eu tô amando. No seu 7 da lira. Interessante, porque o dia 13 de junho é o dia de Santo Antônio. E acabou sendo também consagrado como dia do Exu. Que eu sou muito ruim de ele. Santo Antônio é o casamenteiro. É o casamenteiro que você tem que pôr de ponta cabeça, não é? Isso aí.
Mas Santo Antônio tem uma história curiosíssima Nem terminei o Exu Deixa eu terminar do Exu Conta Santo Antônio Santo Antônio aqui no Brasil Essa história que conta muito bem o professor Luiz Antônio Simas Houve uma invasão francesa No Rio de Janeiro E o cara que era presidente da província Abandonou a cidade e fez o que? Nomeou como um tipo de secretário De segurança, de guerra, de defesa Meu claro
Santo Antônio. Detalhe, Santo Antônio tinha morrido há 500 anos. Então ele largou a galera. Rezem aí pra Santo Antônio, pra quem vocês quiserem. E a população do Rio expulsou os franceses. Então Santo Antônio virou Santo Antônio de batalha. Aí a gente dá um pulo lá pra frente. Santo Antônio que não chamava Antônio, chamava Fernando. Era português. É, por causa de uma devoção dele a Santo Antão, ele acabou virando Santo Antônio.
vamos lá, aí onde a gente entra com o Exu, porque dia 13 de junho também se tornou o dia do Exu, por quê? tinha uma mãe de santo que chamava Cacilda de Assis e ela recebia seu set da lira e o Chacrinha gente, era devoto
era devoto de Santo Antônio e era sei lá, filho da mãe Cacilda, não era devoto dela, mas enfim, socorria dos serviços espirituais dela e o que aconteceu? Ela recebeu tudo, não?
Ele fez o quê? O Bonnie queria matar ele, porque ele levou a mãe Cacilda e ela incorporou no programa dele o seu set da lira. Cara, eu acho que eu já vi isso. Essa história é incrível, porque eu fui um forfé na TV. Porque o cara levou, o Chacrinha era muito louco, ele levou o seu set da lira incorporado a partir da mãe Cacilda de Assis. Meu Deus. Tudo pra falar que eu fiz o samba esse ano.
Gente, mas eu amei, caramba. E aí o samba que você fez esse ano é sobre o Exu da Lira? Isso, o Sete da Lira. É Sete da Lira. Sete da Lira, é Santo Antônio de Batalha e o seu Sete da Lira. Os dois momentos aí dele. Que demais, nossa, eu acho que eu já ouvi falar disso. Será que tem um vídeo no YouTube? Com certeza tem. Acho que eu vou pedir pra Bru colocar também. Vídeo, foto, porque foi algo muito impactante.
Claro, o Chacrinha era muito louco, né? Ele fazia o que ele queria. Sim. Mas, poxa, você imagina, dentro da sala das famílias tradicionais brasileiras. Imagina, exato. Na ditadura militar, ele bota uma mãe de santo incorporando um Exu. É maravilhoso. Nossa, maravilhoso, maravilhoso. Mas hoje dá pra assistir isso na sessão do descarrego, né? Dá pra fogueira santa do Monte Sinai. Você vê lá a sessão do descarrego, ele inteiro. Antigamente não tinha. É.
Nossa, demais. Volta agora então pro... O Santo Antônio? Não. Não, eu tava falando que eu sou advogado. Isso, é verdade. E aí, o que aconteceu? Na pandemia, eu já havia tido um pezinho. Eu sempre gostei também de terror. Mas nada de... Nem imaginava. Até porque teve uma época que eu fui muito maluco. Então, a internet pra mim...
Voltou na pandemia, porque eu cagava pra internet. Aham. E aí, eu muito compulsivo, ouvindo podcasts, inclusive um monte de podcasts nesse período aí, esse período nefasto que a gente viveu, eu perdi uma tia de Covid. Putz, uma morte boba.
Ela era já senhora, mas putz, enchendo o rabo de remédio que não funcionava. Aquele papo, porra, morreu, não precisava. Não sei, a gente não sabe a nossa hora, mas ficou com essa sensação de não precisava. E eu comecei a consumir muito. Então, além de todos os podcasts, eu li um livro chamado Assombrações Recife Velho.
do Gilberto Freire, que é um sociólogo, e é muito interessante a abordagem que ele faz para as histórias, porque ele situa as histórias nos pilares que sustentam, na verdade, o desenvolvimento socio-urbano da cidade do Recife. Então a gente tem histórias nesse livro que são muito interessantes por esse recorte social da cidade, social e urbano.
Pra aprender mais sobre o desenvolvimento da cidade. E eu achei super legal, porque tudo que eu via na internet, assim, muito, era muito essa coisa, que eu tenho um morro de preguiça, muito sensacionalista, muito, ai, olha só, lobisomem lá, teve um caso com... chato. E aí, eu achei legal, eu sou de Campinas, sou nascido em Campinas.
Minha cidade tem um passado ligado à escravidão que nos envergonha, mas ao mesmo tempo tinha um repertório de histórias sobrenaturais muito curiosas e que andavam nessa trilha do Gilberto Freire, que era qual? A gente conta as histórias a partir de traumas coletivos, individuais. E aí reunimos essas histórias.
levamos pra internet, mas não tinha graça pra mim. Até porque eu sou, não é que eu sou, hoje eu sou bem menos cético do que eu era. Mas eu precisava das experiências das outras pessoas com aquilo. Então eu achei legal criar um tipo de mecanismo que a gente pudesse contar as histórias onde elas supostamente teriam passado. Não vou falar que passaram ou não passaram, supostamente teriam passado.
E aí, o primeiro passeio foi uma loucura, foi um, tipo, caça ao tesouro, uma baderna, nossa, tudo mundo de carro e tal, então imediatamente identifiquei que fazer de carro, primeiro, que não dava pra ir quem não tivesse carro. Sim. Então, uma merda. Mas, tipo, você...
Calma aí, tipo, você queria fazer disso, de procurar, e aí você buscou, tipo, ter uma galera que quisesse aprender sobre essa história também, ou tipo, são seus amigos? Eu não tinha a menor ideia do que eu queria, na verdade. Eu queria só fazer com que aquilo que a gente tinha pesquisado, eu tinha três histórias, mais ou menos, a gente pudesse contar nos lugares onde elas teriam acontecido.
Eu já tinha, lógico, assistido, visto algumas experiências que a galera chama de dark turismo, inclusive em Recife, então não é que eu inventei isso. Já existia em outros lugares. Mas eu falei, acho que aqui tem um potencial. E o pessoal de Campinas, da Secretaria de Turismo, falou, cara, isso é legal o que você fez, mas vamos ajustar. Bom, para adiantar bem o lance, a gente criou um passeio no centro da cidade, eu criei um passeio no cemitério. E aí no cemitério eu fico apaixonado por cemitério.
Em cemitério, as pessoas se prendem muito aos estigmas, alguns que são... É refutável a ideia de que o cemitério é um lugar de despedida, de luto, de tristeza. É um aparelho sanitário importante na cidade. O cemitério não é inimigo da cidade, é um parceiro da cidade.
Gente, vamos voltar aqui rapidinho, porque deu um problema encosto, né? Já deu merda aqui, já tem algum espírito. Então, vamos falar de novo. Jogamos sal grosso, vamos seguir. Jogamos, já fizemos uma resinha. Volta então, contando como é que foi esse início aí lá em Campinas.
Então, a gente reuniu três histórias e eu queria testar aquela, que parecia ser uma tese do Gilberto Freire, de que as histórias sobrenaturais, histórias de assombração das cidades, correspondem aos seus traumas individuais ou coletivos. Bom...
A gente criou um roteiro e fizemos de carro, que foi um inferno, porque virou, tipo, caça-tesouro. Sim. Primeiro, quem não tinha carro não podia ir, ou então tinha que ficar juntando, pedindo carona. Sim. E o segundo que, pô, não tinha onde parar, as pessoas se perdiam no caminho. A gente tinha criado um grupo de WhatsApp que foi a pior ideia do mundo, porque todo mundo xingando. Porra, tô aqui não sei onde e tal. Uma merda. Sim. E aí, o pessoal da Secretaria de Turismo achou legal a ideia e falou...
Cara, vamos fazer o seguinte, vamos organizar isso, pensar de um jeito que dê pra... Então a gente fez um passeio pelo centro da cidade e fez um passeio no cemitério. E eu fiquei apaixonado pelo cemitério. E tendo esse desafio de fazer uma visita ao cemitério, eu precisava pegar mais do que as três histórias de assombração que tinha lá. Sim.
Então eu comecei a estudar outros temas, pra gente não ficar também só na história da assombração. E aí nasceu um projetinho que chama Saudades e Suas Vozes. Cemitério da Saudade e as Vozes do Cemitério. Então a gente falou de biografia, eu comecei a estudar arte tumular, as histórias da cidade, temas ligados a isso, às vezes crimes, pra ter um passeio mais integral. Onde você estudava isso? Tipo pelos jornais da época, livros? Exatamente.
Como é que é? Porque eu não acho que é um material tão simples, né, de encontrar. Não, a gente, eu fiz uma consulta em jornais de época, livros também, um monte de livros. A gente tinha um tesouro antigamente que chamava Almanac, que aí tem o Almanac 1900, Almanac 2000, ou quase sei o que.
E esses sempre traziam lendas, sempre traziam histórias, ou passagens, ou crimes, ou passagens marcantes da cidade. Então, a gente tem uma literatura muito legal dessa época. Claro que ela era muito enviesada pelo período, né? Sim. Mas em Campinas, por exemplo, tem um livro que chama Campinas de Ontem e Antontem.
que é do Júlio Mariano, que era um jornalista, que fez um trabalho incrível sobre as atas da Câmara dos Vereadores, que é um dos acervos mais importantes da cidade. Outro dia eu descobri um...
A outorga do título de cidadão campineiro do Chico Xavier teve uma sessão espírita. Porque ele, quando foi receber o título, primeiro que teve que ser num ginásio pra todo mundo poder vê-lo, né? Mas ele começou a... Depois de cumprimentar todo mundo, o Chico Xavier falou, ó, tá aqui o Carlos Gomes, que morreu em 1896. Isso foi nos anos 70. Caralho! Tá aqui, tá pedindo pra falar não sei o quê, tá o barão de Ataliba Nogueira. Foi trazendo as informações. Foi trazendo as informações.
E ele fala, falou, ó, tô aqui recebendo como se fosse uma antena, ou não sei o quê, tal. Isso tá em ata taquigráfica da câmera. Então, são acervos incríveis. Eu era fascinada, rapidinho, cortando, mas eu era fascinada pelo Chico Xavier. A minha mãe é espírita e ela tinha muitos livros, muitas histórias, assim, dela. Teve uma amiga...
Que recebeu uma carta psicografada, né? E falando coisas que, assim, só ela poderia saber do marido dela que faleceu e tal. E eu cresci muito com essa curiosidade do Chico Xavier. Ele é um homem que foi muito forte, né? No Brasil. Uma das maiores lideranças religiosas do país. Independente do...
Do credo. Do credo, exato. E ele tem uns contatos com Campinas em crise. Campinas teve uma grande tragédia, que foi quando uma viga de um teto de um cinema caiu numa matinê. Matou, na hora, 25 crianças, mutilou... É, matineira, só criança, jovenzinho com as mães. Bem resumindo, o Chico Xavier, na companhia de um espírito chamado Carlos Augusto, escreveu três livros. E quem era o Carlos Augusto? Era uma alma desencarnada do...
do acidente da queda da viga do CineRink em Campinas. Tem uma outra história muito boa do Chico Xavier de Campinas também, que é da irmã Josefa que também é um espírito que é meio entidade, meio mentor assim de muita gente que era uma freira que veio da Alemanha acabou tendo um caso com um padre engravidou do padre, maravilhosa a irmã Josefa revolucionária teve que entregar a criança porque ela não quis deixar o hábito.
E depois dela morrer, ela foi sepultada em Campinas inicialmente, virou uma milagreira de cemitério, isso irritou muito a igreja na época, dizem que tiraram o corpo dela de lá pro povo parar de se socorrer no cemitério dela. E aí ela começou a aparecer nos centros espíritas entre Campinas e Minas Gerais, sul de Minas. Sim!
Então em Andradas uma vez desceu a irmã Josefa e estava tendo uma reportagem com o Chico Xavier, uma revista que chamava Cruzeiro, Cruzeiro, Cruzeiro do Sul.
deve ser Cruzeiro do Sul, porque eu me lembro dessa revista, porque eu sou de Itajubá eu sou do sul de Minas, então eu lembro muito disso e aí tinha uma médium, muita gente questionou esse acontecimento, mas qual foi o rolê? o Chico Xavier aparece com a irmã Josefa materializada depois falaram que a médium na verdade era uma picareta, não sei o que mas foi uma história que virou o Brasil mais um contato do Chico Xavier em Campinas
Mas enfim, sabe que eu já me perdi, você nem onde eu tô mais de novo. Não, maravilhoso, maravilhoso. Inclusive, eu não sei se eu volto. Não, vamos ficar ainda na tua história. Então, você começou a fazer esses rolês aí de carro, daí depois foi a pé, organizou e aí. Depois a gente separou o cemitério e aí eu comecei a ficar apaixonado por cemitério.
quando eu tava dominando já o cemitério de Campinas entendendo que ali existiu mais do que um passeio, um método pra gente criar uma experiência eu vim pra São Paulo eu morava aqui já, trabalhava aqui, mas em São Paulo eu quis fazer um passeio e era semana de arte moderna de 22, 100 anos foi em 22 claro claro
E aí eu queria fazer um passeio, porque uma das grandes críticas, acho super importante a Semana de Arte Moderna, acho que arte, cultura, muda a cidade, foi isso que aconteceu. São Paulo deixou de ser uma cidade provinciana, virou uma cidade cosmopolita, legal. Só que tinha algumas ausências, principalmente a cultura indígena, negra. E, cara, São Paulo é muito indígena, né? E aí eu falei, pô, como é que eu crio um passeio sobrenatural em São Paulo e aí eu falei, pô, como é que eu crio?
que tivesse um contorno...
A mais, além do que pura e simplesmente, uh, noite do terror, manja? Sim. E aí eu criei um passeio em São Paulo que saía do Vale do Anhangabaú, quando eu contava a origem indígena de São Paulo, a partir da figura do Anhangá. E a gente ia passando, então, teatro municipal, contava as histórias sobrenaturais, falava de semana de arte moderna, falava de teatro municipal. Ia pro prédio dos Correios, falava dos Correios, falava... Ia assim, Martinelli, falava dos fantasmas Martinelli. Sim.
E assim a gente ia até chegar no bairro da Liberdade.
onde há a história do Chaguinhas, e mais do que a história do Chaguinhas, tem a história do Cemitério dos Aflitos, que hoje é lembrado pela capela de Nossa Senhora dos Aflitos, porque existia uma, não sei se você sabe, no bairro da Liberdade tem um cemitério embaixo, que é o Cemitério dos Aflitos. E ali a disposição geográfica era cemitério,
Largo da Forca, que é onde fica o metrô, tinha casa de câmara e cadeia e tinha um pelourinho. Então, você imagina, tinha um lugar de tortura, que era o pelourinho, que todo mundo fala, ah, mas pelourinho não é lugar de tortura. Não, é. É um marco estatal onde pessoas eram torturadas, então é um lugar de tortura. Sim. Casa de câmara e cadeia, casa de câmara, onde se faz lei, cadeia, onde prende as pessoas.
a Forca, o Largo da Forca, e o cemitério. Era essa a relação que São Paulo tinha com aquele espaço. Caralho! É. Então, eu terminava. Meu bar é tão gostoso. Ah, legal. Mas é super legal. Mas eu acho a história mais legal ainda. Sim, muito. Bom, vamos lá.
Então eu fazia um passeio saindo, então a gente andava mais ou menos 6 quilômetros até chegar no bairro da Liberdade, e lá a gente era recebido. Eu faço parte da UNAM, que é a União dos Amigos da Capela dos Aflitos, hoje, mas a gente era recebido por alguém que contava a história do lugar, de chaguinhas do cemitério.
Chaguinhas. Você sabe a história do mundo? Não, também não. É a melhor história do mundo. Já ia perguntar. É a melhor história do mundo. Chaguinhas era um cabo chamado Francisco José da Chagas. Tá. Que estava lotado no primeiro batalhão de caçadores de Santos. Ele fazia parte do exército nativo brasileiro. Eu estou... Desculpa.
Eu tô fascinada com a sua mente. Como você pode lembrar disso? Gente, não é um TP que ele tá lendo. Eu tô chocada. Eu tô chocada. Você tá explicando... Enfim, continua. Por isso que passou em direito. Porque a cabeça não deve esquecer nada. Fala com propriedade quando você não sabe. Aí todo mundo acredita. É verdade, né? Ele tá aqui inventando um monte de coisa. Inventando uma história.
Então o Chaguinhas, não imagina Então o Chaguinhas estava, a gente está falando de 1821 Tá Então imagina a tensão, um ano antes da independência do Brasil Uhum
E aí Chaguinhas lotado no batalhão de caçadores, há cinco anos sem ter uma compensação de soldo, então eles estavam sem receber, estavam sem equipamento, sem EPI. Olha só que coisa interessante, uma luta por EPI e por salário. Em 1821. E aí ele se insurge com outros soldados do exército ativo contra o exército português que existia na época. Exército português para portugueses e descendentes.
tomam alguns fortes da Baixada Santista, atacam uma fragata portuguesa e sustentam essa revolta por 10 dias. É uma das revoltas nativistas desse período. São suprimidos depois de 10 dias por um contingente que vem de São Paulo, matam uma porrada de gente em Santos, mas chaguinhas de Cotindiba são trazidos para São Paulo para servirem de exemplo.
Então eles passam a última noite de vida deles, no dia 19 de setembro de 1821, onde hoje é o velário da Capela dos Aflitos. No dia 20 são levados para o partíbulo, colocam a forca no cotidiba, soltam a forca, a forca funciona maravilhosamente bem e mata ele, jóia.
É a vez do Chaguinhas ser enforcado. Quando soltam o Chaguinhas do partíbulo, rompe a forca. Quando acontecia qualquer evento parecido, tinha um clérigo que anotava o acontecimento e dizia, ó, tá interrompida a execução, Deus não quer que mate esse cara. E fizeram isso com o Chaguinhas. Só que o exército falou, não, esse aí tem que matar. Esse aí, não, esquece que Deus falou isso aí. Esquece. Depois a gente acerta com o homem.
Colocam outra forca nele, soltam, a forca arrebenta de novo.
Ai, meu Deus. A galera, nesse tempo, tava pedindo clemência. Na hora que arrebenta a segunda vez, passa a gritar, liberdade. Caraca. O bairro da Liberdade, popularmente, tem esse nome por conta do Chaguinha. Mentira! Gente, eu amei essa história. Oficialmente, como eu tenho compromisso com a história de assombração, não com a história regular, os historiadores dizem que é por conta da independência do Brasil. Mas lá é isso. E pra muita gente é isso mesmo.
E aí tem duas versões sobre a terceira tentativa de enforcamento de Chaguinhos. Mas deram ok ou não mataram mesmo? Não, tem que matar. Ele tinha que matar. E o povo gritando liberdade, liberdade, liberdade.
E aí colocam uma corda reforçada com uma tira de couro, soltam e aí tem duas versões. Uma é de que a corda arrebenta de novo e aí matam os chaguinhos, a paulada e a facada. Caralho. E a outra é de que eles veem que a corda não mata ele e soltam a corda e aí ele é morto, a pauladas e facadas.
Tem uma versão de que o corpo dele é esquartejado, ele é enterrado no cemitério dos aflitos. E quem faz o relato desse acontecimento? O regente Fejó. Então o regente Fejó, que foi o regente do império, foi tutor de Dom Pedro I, ele acaba relatando isso, ele testemunha isso, então ele assiste tudo isso.
E tem esse documento de que ele assistiu a execução, a tentativa de execução por enforcamento dos chaguinhos. Que quando eu cheguei aqui, que eu via muito vídeo na internet, eu falava, é um fantasma. Na verdade, quando eu cheguei lá, que foi outro momento importante para mim,
eu vi que existe um processo devocional a uma entidade no cemitério. Sim. Então, eu falei, cara, o sobrenatural... Então, eu saí de Campinas com o sobrenatural tendo um recorte muito social. Hum.
acontece a partir de um trauma social, e o outro de que o sobrenatural pode ser muito espiritualizado, ele não precisa estar distante. E esse passeio, na verdade, aproximava as duas coisas, aproximava a ideia da história, então, quando eu contava a história do Ayangá, falava da tradução de Anchieta sobre o Ayangá, porque o Anchieta era um padre que...
Era dramaturgo, então, jesuíta, a tarefa dele de evangelizar, ele usava muito isso, usava passagens do evangelho com personagens da mitologia local para ser compreendido. Então, ele coloca o Anhangá nesse contexto como o antagonista de Tupã, que seria Deus Todo-Poderoso, e o Anhangá seria o ruim.
E o Ayangá é incrível, porque ele é uma entidade que é meio mediadora da floresta. Então ele usa como instrumento ilusões ou alucinações, invasores, caçadores, extratores ilegais, aquela coisa. Quem vai arrebentar a floresta, ele causa...
Algum problema. Alguma ilusão, alguma loucura. Tanto que em lugar de Anhangar, caçador fica louco, se perde, vê assombração. Porra, tem lugar que tem gente mais maluca, e eu não tô falando de pessoa em situação de rua, não. Tem lugar mais maluco do que o centro de São Paulo, quer dizer, existe uma metáfora nisso que até hoje a gente tem lá muito presente. Então, e tem uma outra coisa, e aí eu percebi isso, porque o passeio todo meu assombrado era no Anhangabaú, por quê?
Também tem duas versões. O Kazangatu diz que a presença do Ayangá faz as almas vibrarem. E eu vi uma outra versão de que o Ayangá, na verdade, adora se alimentar da energia das almas. Então, morre alguém, ele vai lá, percebe, pum, se alimenta da energia das almas. A alma não consegue alçar o Guajupiá, que é o tipo de céu, tipo de paraíso.
Então, por isso que tem tanta assombração. Essa é a minha teoria, essa é a minha assinatura. Por isso que tem tanta assombração, não é, Angabaú? Que demais. Mas a gente fez um passeio assim em São Paulo, que era uma coisa que não tinha. Pra falar o que quiser, não existia. Então, e esse passeio no final... Ele não existe mais hoje. Ele não existe nesse formato, porque a Capela dos Aflitos está em restauro. Por quê?
É interessante essa história também. Em 2018, um empresário chinês ia construir do lado da... Quase derrubou a Capela dos Aflitos. Ia construir do lado da Capela dos Aflitos um shopping. E quando ele perfurou, ele assustou, porque ele achou nove ossadas. E todo mundo dizia, até porque o Cemitério dos Aflitos foi um cemitério que sucedeu... Que o Cemitério da Consolação acabou sucedendo o Cemitério dos Aflitos.
dizia que os corpos tinham sido todos transladados, todo mundo tinha de saber que era mentira mas esse cara constatou isso achou nove ossadas, imagina, você abre nove ossadas no terreno, você fala, mano, você é desova é alguém é um crime o que está acontecendo? É um massacre praticamente nove corpos
E aí aquilo virou uma área de interesse arqueológico. Então hoje a gente não tem feito passeio porque a Capela dos Aflitos está sendo restaurada e dentro da Capela dos Aflitos já acharam mais ossos. Quer dizer, aquela é uma área onde estão pessoas enterradas.
O que faz muito sentido com o que você falou antes, porque ele era o lugar de forca, era o lugar do pelourinho. Tinha o cemitério, tinha até a coisa do... a câmera, né, como você falou. Casa de câmera e cadeia. Tinha... tava tudo por ali, né, então... A dinâmica do massacre era ali. Eu te torturo, eu te juro, eu crio a lei, eu te prendo, eu te torturo, eu te executo e eu te enterro.
Tudo no mesmo lugar. Tudo ali. Meu Deus. Clima gostoso pra comer um hot dog doce naquela fila de nove quilômetros. Gente, eu amo a Liberdade, mas não dá mais pra ir no final de semana. É muito difícil. Ficou muito famosa, né? A gente tenta ir e é uma loucura. Cara, eu tô fascinada, de verdade. Vamos! Obrigado.
Vamos começar com… Quando a gente tava conversando, eu falei que eu era do sul de Minas. Você perguntou se eu conhecia a mulher de bronze. E eu queria… Nossa, minha brother.
Eu queria falar, porque você foi visitar Itajubá, você passeou lá, enfim, conheceu. E acho que é muito legal a gente contar um pouco dessa história. Vai ter as imagens também, gente. Tô com a imagem aqui. Eu tirei foto com ela. É, você tirou foto com... Não pode, sei que não pode. Não pode, vocês vão entender o porquê. Mas conta, como é que foi que você soube... Você quer contar ou quem não conte? Pode contar, pode contar. A dona Gabriela...
E é muito louca essa história, porque também tem um contorno histórico do país, porque a dona Gabriela era a mãe do cara, o cara que mandou tirar foto dela era genro do presidente... Irmão do presidente Wenceslau Brás. Presidente Wenceslau Brás, quer dizer, tem até um presidente na história da...
Na verdade, ele casou com uma das... É isso que você falou mesmo. Ele casou com uma das filhas do... Isso. Do Venceslau Brás. Acho que foi o quarto presidente brasileiro, né? Se eu não me engano. É, eu não vou lembrar. Também não lembro. Mas a gente tem que falar com convicção. Mas tinha uma casa do Venceslau Brás, que tem até hoje em Itajubá, na Praça Teodomiro Santiago, que é onde, enfim, daqui a pouco você vai contar, onde ela apareceu.
tinha uma casa rosa lá e eu passava lá na frente e era uma casa muito diferente chamava atenção e falava essa é a casa da família do Venceslau Brás então tem muita coisa em Itajubá tem a praça Venceslau Brás, tem rua tem um bairro ele era uma presença muito forte no Brasil e aí ficou muito lindo foi um dos mineiros do café com leite da política do café com leite exato
E aí o que aconteceu? A dona Gabriela detestava a fotografia e o filho dela, esse que foi genro do presidente da república, contratou um fotógrafo. Que já mostra que era uma família mais abastada, né? Porque contratava um fotógrafo naquela época.
E pro cara ficar de plantão pra tirar foto. Não é que só vai lá e vamos tirar foto, tá? Fica de plantão. E aí um dia, se eu não me engano, em Guaratinguetá, não foi nem em Itajubá, ela foi, eles conseguiram tirar uma foto da dona Gabriela. A Gabriela percebe que tá rolando alguma coisa e a foto não é uma foto bonita de Peugeot, ela meio virando assim. Ela meio virando e encarando. Com uma sombrinha na mão, tá? A foto tá aí pra vocês verem. E ela entrando em uma capela, muito bem.
A dona Gabriela morre. O filho, claro, fica muito impactado. E aí decide fazer uma homenagem pra ela a partir de uma escultura em bronze. E ele contrata um artesão francês. Sim. E esse escultor acaba fazendo a peça na França. Demora sete anos pra chegar. Sete anos pra chegar. E ela chega. Tamanho real.
E a única coisa que esse escultor tinha era essa foto tirada. Pra poder... Então assim, não é que ele deu uma descrição. Não, ele mandou a foto e falou... Tipo, olha essa foto e faz essa estátua.
E ele fez a estátua tanto que, se você for no cemitério de Itajubá, você vê que eles reproduziram a capela. Sim. Então ela tem a capelinha como se ela estivesse entrando na foto. Na verdade ela está do lado de fora com a sombrinha. E fica lá, bonitona, a mulher de bronze. Muito bem.
As histórias sobrenaturais da mulher de bronze começam com um cara, depois você me corrija se eu estiver errado, mas me disseram que a primeira, primeira, primeira foi um senhor...
Era isso mesmo. É isso mesmo, né? Que num dia de finados, foi até o cemitério, ficou zoando ela, botou cigarro na boca. Ele colocou um cigarro na mão e um chapéuzinho nela. E todo mundo fala, pelo amor de Deus, não faça isso. Não faz isso, não faz isso. E aí ele voltou, pegou o carrinho dele, foi voltar pra casa e tinha uma testemunha. E ele começou a gritar e falar, pelo amor de Deus, solta. Como se a mulher de bronze estivesse puxando o volante. E ele bateu o carro, né? Capotou o carro. Capotou o carro.
Mas, a partir dessa história, dizem que a mulher de bronze sai andando pelo cemitério e ela foi vista pela cidade, especialmente quando ela amanhece exatamente na praça Teodoreto... É, não, Teodoro Sampaio. Teodoro Sampaio. Teodoro Sampaio. Ela amanhece na praça. Tem gente que fala... Teodomiro, agora... Teodomiro Santiago. Santiago.
E aí tem muita gente que fala que foram alunos da faculdade, mas eu não acredito, eu acho que ela saiu andando mesmo. Ela saiu andando mesmo. Itajubá é uma cidade universitária, né? Então ela é muito famosa por isso, tem muitas universidades. Foi assim que minha mãe conhecia meu pai, meu pai era de Fortaleza, fui parar.
em Itajubá, então é muito comum ter os universitários lá e aí disseram, né que eles pegaram pra zoar a estátua e levaram até... Gente, eu assim, honestamente, não consigo imaginar o peso de você conseguir carregar uma estátua daquela até...
Até a praça, porque assim, o cemitério, ele não fica muito longe da praça. Só que é uma descida muito grande, assim, sabe? Tipo, e eu também não sei, eu acho muito esquisita, mas aí surgiu o disco. E muita gente vê ela andando pelo cemitério até hoje. Exatamente, tem toda essa questão. Qual é o marco pra ela voltar, né, cronológico? É o amanhecer. Então ela anda, anda, anda e volta lá e fica na mesma posição.
E como ela odiava fotos, você não pode tirar uma selfie com ela, né? Porque tem essa coisa, tipo… Você pediu? Mas ela não falou não, então beleza. Ela não falou nada, vamos ver, né? Mas é essa história. E aí você conheceu essa história e você quis ir pra lá.
Eu fui. Eu fui duas histórias pra mim que são muito... Eu adoro Minas Gerais. Eu adoro Minas. Minas é um case, né? Na verdade, porque é uma região de confluência, de culturas religiosas. Muito catolicismo. Então, tem muito processo devocional interessante. Sim. Muito... Tenho contato com as mitologias negras. Uhum.
E a gente tem também muita influência de um tipo de mitologia católica própria dos ibéricos que vieram. Minas é uma... Por ter muita fazenda, tinha muito português. Então, a gente tem lobisomem, mulaceca, tudo lá. Não é só porque é da roça. É pela origem de quem está lá. Sim. Então, eu sou apaixonado por Minas e por várias razões. Mas eu vivi uma experiência em Minas. Não sei se eu te contei. Não. Do Chiquinho, de Guarda da Mata.
Não, acho que você comentou que poderia contar dessa história, mas eu não lembro. A história do Chiquinho pra mim é a mais louca do universo. Porque eu fui contar do fim pro começo. Depois eu conto a história dele. Eu fui pra Borda da Mata, que é maravilhosa também, achando que ia ser uma piada, ia ser uma história meio cômica. Porque, imagina, o capeta chama Chiquinho.
Tudo a ver com Minas, mas é o próprio Satanás se apresentando com o Oi, eu sou o Chiquinho. Então eu falei, ah, vou chegar lá, vai ser uma coisa meio divertida, engraçada e tal. Quando eu cheguei na cidade, ninguém queria contar a história. Falei, então, eu já sabia a história, mas eu falei, pô, me conta. Você sabe que quando a pessoa não quer contar, é porque... Não, não, não, ninguém, não, não conheço não, não, não quero... Aí eu fui numa padaria e uma senhora me contou. Tá. Muito bem, terminou de contar. Eu falei, ó, então, eu queria ir na casa.
Eu queria ir no cemitério, eu fui no cemitério, fui na casa, fui na igreja, que é a Basílica Nossa Senhora do Carmo, que é super bonita. E aí, a hora que eu acabei de falar que eu ia fazer isso tudo, já tinham me falado onde eram os endereços e tal. Eu, um casalzinho assim que tava comendo um sanduíche, falou, opa, eu vi seu nome é Tiago, né? Ele falou, você vai até a casa do Chiquinho, onde aconteceu? Eu falei, voou. Ele falou, você não quer passar antes na igreja? Fala com o reverendo Bernardo, sabe? Aham. Falei.
Não, cara, é importante. Acho que aí seria bom você passar, não sei o quê. Falei, nossa. Tá bom. Tá bom, vou pegar essa dica. Fui gravar na frente da Basílica, porque tinha um busto do Monsenhor Sintra, que é um herói da cidade, que é o cara que fez o exorcismo no Chiquinho. Que retou com o Chiquinho. E aí eu boto meu tripézinho. Eu faço tudo sozinho, né? Então boto meu tripézinho, vou começar a gravar.
Passa um velhinho, bem velhinho, bem... Sim. Risadinho. Você vai falar do Chiquinho, né? Levou.
E saiu, falei, ô louco, cara. Fodeu. É muito Minas Gerais. É muito. E aí, beleza, eu gravo lá. Vou no cemitério. E falta a casa onde tudo teria acontecido. Tá. E aí eu vou lá, chama Ponte de Pedra. Passei no bairro. O pessoal fala que chama Tocos de Minas, acho. Tocos do Mogi, que é um distrito de borda da... Passo, passo, passo. Quase desistindo. Tinha quatro casas em todo o trajeto que eu fui.
Eu desconfiava de algumas, mas não sabia qual era. E aí eu tava quase indo embora e vejo um senhor saindo de uma fazenda e falo, pô,
Pode me falar onde aconteceu a casa. O Chiquinho falou, filho, aqui embaixo. Você vai ver. Ele fez assim. Você vai começar a descer a ladeira. As árvores vão fechar. Vai começar a baixar a temperatura. E no final tem uma porteira do lado esquerdo. Eu já pegava minhas coisas e fugi. Aí. Não, eu tinha passado dez vezes. Eu tinha visto esse lugar. Mas eu não tinha reparado em nada dessa parte sensorial. Pô, obrigado. Aí ele falou, mas você vai agora lá.
Falei, por quê? Falei, não, filho, tá escurecendo, o Chiquinho voltou. Falei, caralho, velho. Chiquinho voltou. Chiquinho voltou. Aí eu falei, porra, mas eu só tenho agora, eu vim de Campinas e tal. Tá bom, então cuidado, tá bom. Desci a lado, exatamente o que aconteceu. As árvores começaram a se fechar, só abaixar a temperatura. Um dia lindo, sol tudo escuro e tal. Cheguei na porta da porteira, a casa já não existia mais, já tinham me falado que tinha sido demolida a casa, que tudo aconteceu.
Mas, meu abê, juro por tudo que é mais sagrado. Você sabe que eu não sou cético e tal. Entrou uma frase dentro da minha cabeça assim. Mas você é insistente, hein? Beleza. Essa é a minha experiência com o Chiquinho. Quem é o Chiquinho? Em 1953, em abril, quaresma. Tá.
O cara, um português fazendeiro, invade a sacristia desesperado. Atrás do Padre Cintra e fala, Padre, o senhor precisa ir lá na fazenda. Coisas estranhas estão rolando. Começou com os animais muito agitados. Aí a gente começou a ver vultos e os animais agitados. Xingamento com os animais. Até que a gente viu alguma coisa. O Padre Cintra foi até a fazenda, fez uma bênção. Em dois dias parou. Tá. Tá jóia.
Aí, a filha desse cara estava no quarto, ela tinha 14 anos, e abre a porta, entra o próprio Satanás, vermelho, de chifre, e fala, oi, eu sou o Chiquinho.
Eu vim te levar. Eu vim levar o que é meu. A menina sai correndo. E aí voltam lá a falar com o Padre Sintra. E aí o cara explica também o que aconteceu. O português dizem, tem duas versões, dizem que esse português não era rico, não tinha grana. E aí fala que se ele ficasse rico, ele entregaria a primeira filha dele pra se casar com o demônio. 14 anos, aquela idade cabalística, a menina menstrua.
Pode se casar, que era outro absurdo. Mas é por isso que em tese o capeta tinha ido lá. O padre Sintra falou, bom, beleza. O padre Sintra tem duas providências. Uma, ele manda um freio chamado Belchior com outro padre para ver o que estava acontecendo. O Belchior era um freio capuchinho, era italiano, já tinha participado de exorcismo na Itália e tal.
Ele vai lá e fala, Sintra, pode pedir autorização para o Bispo de Pozo Alegre que a gente vai precisar fazer o exorcismo. E a outra medida ele pede para alguns representantes da sociedade civil para irem lá ver também. Eu desconfio.
por alguma outra suspeita de abuso da menina, porque é algo bastante normal também nesses exorcismos, nessas reações de meninas, principalmente, de terem esse comportamento a partir de abusos que elas sofrem, principalmente abuso sexual, pesadíssimo. Então ele manda lá, pede para o juiz, para o delegado, algumas figuras, os caras vão lá e voltam morrendo de medo, porque o Chiquinho se materializava.
Sim. Virava um... Aparecia o diabo. Então, o advogado, o delegado, tudo voltaram com medo. Tá. E aí eles vão lá no dia... Pegam autorização, vão lá no dia 23 de abril de 1953. Na casa do português. E começam o exorcismo, a desinfestação demoníaca.
E aí vai, fala em trocentas línguas e não sei o que. Até que, depois de muito cansaço, o Padre Sintra, que tem um crucifixo que virou meio a espada do Jedi da cidade, até hoje o crucifixo do Padre Sintra é uma... é a Excalibur da cidade de Guarda da Mata. O Padre Sintra falou, é mesmo, você é brabo mesmo, não sei o que. Então, Chiquinho, beija aqui meu crucifixo. Chiquinho falou, dá aí.
E quando ele coloca na boca, queima a boca do capeta. E ele dá um berro que falam que acordou o bordo da mata inteira. Ele devolve o crucifixo e fala, tá bom, Sintra, dessa vez você ganhou. Eu vou embora, mas quando você morrer, eu volto.
O Padre Chintra morreu em 2003. Por isso que a galera fala que o Chiquinho voltou. E aí o que acontece, na verdade, muito forte para essa história ganhar outra proporção? Em 1999, não sabe a razão, por uma reforma, alguma coisa, o livro Tombo da Igreja, que é onde anota reforma, onde anota acontecimento na paróquia.
Foi tornado público. E aí viram o relato do Padre Sintra. Porque até então era meio, ah, isso é história, isso é conversa. O relato dele inteiro do procedimento de exorcismo, que é o procedimento ritual romano de exorcismo. E tava lá. Tava tudo lá.
Meu Deus. Eu tô olhando aqui as imagens de vocês também. Vou colocar pra vocês verem, gente. Que tem imagem do Padre Sintra, né? Isso. Do Padre Sintra e dos Freios Capuchinhos. É. Então, é uma imagem antiga.
Que tá... Nossa, que legal, nunca tinha visto essa. É, muito legal, achei muito legal essa imagem aqui. Já colocado o link também. Foi essa equipe aí que foi... Essa galera que foi... Essa rapaziada aí, que foi a equipe de limpeza do... Mas meu Deus... Espiritual de borda. Muito louca a história.
Muito interessante. E é isso, né? Às vezes a gente tá ali na... Eu falo muito sobre isso também. Às vezes a gente passa por uma igrejinha ou então nasceu em tal cidade. A gente nem sabe a história da nossa cidade. Quando a gente vai olhar umas coisas interessantes, né? Um busco de um padre que participou de um exorcismo do demônio. Não foi qualquer exorcismo, do próprio capeta.
Que chegou e falou, eu sou o Chiquinho, gente. Só podia acontecer em Minas Gerais. Chiquinho demais, maravilhoso. O Chiquinho é uma das melhores histórias. Sem dúvida. É muito boa, é muito boa. Chiquinho e tem duas coisas que eu fiz que são demais. Assim, no meu currículo, que são incríveis. É uma caçada a um lobisomem em Varzé Paulista. Ele vai falar ainda também. Vai falar, mas... E essa do Chiquinho são as duas mais... Eu amo.
Impactantes. E a loira do banheiro tinha um marido. Tinha um marido. Que história que é essa?
Francisco Antônio Dutra Rodrigues. Esse é o lado B da história, que ninguém sabe a história da... Bom, eu acho a história inteira da Maria Augusta de Oliveira Borges sensacional, porque também traz contornos incríveis, né, da... Tô falando assim em geral, eu sei que você sabe, porque você já... Eu sei que você já foi objeto do seu estudo. Mas eu acho incrível o fato dela ter tido um casamento arranjado pelo Conde Du, marido da Princesa Isabel, com um cara, que é o Francisco Antônio Dutra Rodrigues.
Que era um professor de direito romano importante aqui da faculdade de direito. Mas que chegou a ser governador do estado de São Paulo. Então eu não me conformo. Porque a loira do banheiro foi casada com o governador do estado de São Paulo. É muito bom isso, cara. É muito bom. É muito bom. Era muita gente famosa ali, né? Muita gente famosa. Não tinha como ela não ser famosa.
É a mais famosa da história. Então, Francisco Antônio Dutra Rodrigues, só pra complementar, eles se casaram no dia 1º de abril de 1879. De baida, é muita coisa pop, né? Ela fica 3 anos casada com ele, porque depois de 3 anos o pai dela, o Chico Pintor, que era o Visconde Guaratingueta, morre, ela foge pra França, é convencida a voltar pro Brasil pra dissolver esse casamento, volta, dissolve o casamento, volta pra França e pega a raiva.
morre na França, e seu corpo é embalsamado, roubam os documentos dela, é uma desgraçada até ela chegar em Guaratinguetá, onde a mãe dela, viúva, morava na mansão dos Viscontes de Guaratinguetá, a maior casa da cidade. E a mãe não enterra ela imediatamente, deixa ela num aposento.
E acaba... Dizem que as primeiras aparições dela é lá. Porque ela bate no vidro e pede água. Porque ela tem muita sede. Dizem que raiva dá sede. Mas as pessoas não conseguem beber água. Por causa de hidrofobia. E aí a mãe tem um sonho com ela. Fala, mãe, pelo amor de Deus, não enterra. E aí ela enterra. A loira do banheiro. Que não era loira. Sim. Que era ruiva.
Era ruiva, isso que eu ia falar, ela era ruiva. Ela era ruiva, e tinha cabelo curtinho, né? Era ruiva, cabelo crespo, e aí a mãe enterra. E tem que ficar sozinha naquela puta daquela casa, imensa.
E ela decide vender a casa. Casa enorme. E quem compra, o Estado. O que o Estado faz? Pega aquela mansão e transforma em uma escola pública. E é por isso que a loira do banheiro aparece. Mas, agora voltando para o Francisco Antônio Doutor Rodrigues. O que aconteceu? A gente descobriu que ele está sepultado no Sinter da Consolação.
E como foi isso? Foi muito legal. Porque... Deve ter sido muito X, né? Não, foi... Porque, na verdade... Tipo, você não estava procurando ele, né? Não estava procurando ele. E eu li um livro do Diego Amaro, que é muito bom, muito importante, que chama A Loira do Banheiro, A Dama e o Cavaleiro. Que conta a história dos dois, com documento e tal. E nesse livro...
O Diego já tinha tirado uma foto do túmulo dele. E eu falei, caceta, no cemitério da Consolação. Porque eu adoraria contar a história da Loeira do Banheiro no nosso passeio. A gente tem um passeio noturno no cemitério da Consolação. E aí dá, né? E aí eu tenho por que contar a história dos dois. Claro que a história dela é muito maior, muito mais extensa. Mas o conselheiro Dutra é sensacional. Porque essa história de ser presidente da província...
É única, né? Eu não sei outra assombração que se casou com uma figura política tão importante. É verdade. Eu não lembro, assim, de cabeça. Embora que na Câmara dos Vereadores de São Paulo tenha havido uma intervenção espiritual, você sabia? Não.
fica do lado do Joelma. Então, talvez a imagem dos corpos do Joelma que ficaram, foram acomodados na garagem da Câmara dos Vereadores, tinha sido muito impactante. Mas o fato é que um vereador, um dia, na instalação dos PCs no gabinete dele, um dia bem tarde, começou a escutar um barulho completamente inapropriado no corredor, barulho de imóvel, sexta-feira, 11 da noite. E aí ele tentou abrir, não conseguiu. E achou que estava rolando um incêndio.
lá dentro, tentava abrir, não conseguia, o assessor não conseguia, todo mundo estava junto, não conseguia, ele liga para a portaria, o policial militar que fazia a guarda sobe e abre e fala, oi, está todo mundo pálido, não achou que ia morrer queimado, foi no comecinho dos anos 90, final dos anos 80.
E aí, esse cara... Foi muito pouco tempo depois do incêndio. Do Joelma. Ele faz um pedido, ele protocola um pedido de intervenção espiritual à presidência da Câmara do Vereador de São Paulo e ela foi definida.
Então o presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo convoca a Federação Espírita do Brasil, que faz uma varredura. E acha lá um monte de encosto. Igual o que estava aqui que desligou a Câmara. Eu imagino que se tem um lugar para estar também, os encostos vai ser na Câmara. Lugares de poder. Lugares de poder. De apego. Bom, então já falamos um monte. Como eu disse, vai ter parte 2, porque são muitas histórias. Eu estou amando tudo. Eu estou sentindo que estou num tour aqui.
Com vocês. E vamos então para as nossas dicas bizarras. Vamos. O que a gente vai indicar.
Você já pensou em alguma coisa? Eu já pensei. Já? Um livro que chama O Santo Sem Rosto, do padre chamado João Henrique. Tá. Esse livro conta a história de um menino que chama Paulo Roberto, que nasceu e com pouco mais de um ano descobriu um câncer de pele que o acompanhou até os 19 anos, corroendo ele. Aham. E... Um dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos dos
Eu não vou contar, senão eu conto o livro inteiro, mas conta um pouco do estabelecimento da amizade do padre com ele, o padre que conheceu ele, porque ele foi fazer, ele foi, esqueci agora como é que chama o catolicismo, é a Eucaristia, que entrega a hóstia, ele foi fazer a Eucaristia no Paulo, e porque o padre que era responsável por isso, que foi fazer, não conseguiu, porque ele cheirava morte...
Já estava com um estado de decomposição muito grande e passou mal. Então ele causava uma repulsa muito forte. Ele sabia disso, muito deformado pela doença. E esse padre acabou indo lá fazer a Eucaristia nele e desenvolveu uma amizade. E reconheceu nele um santo verdadeiro, porque esse menino viveu a vida inteira.
acompanhado desse câncer que só castigava ele. A história é muito forte. Todos os testemunhos, as cartas dele, as experiências com outras pessoas. Vale a pena. Eu falo isso porque não é porque eu quero converter ninguém, é porque eu estudo processos devocionais. Eu acho muito bonita a história. Sim. Enfim, tem um final, quando ele morre, porque ele morre, né, coitado. Tem um acontecimento sobrenatural muito interessante.
Nossa, vou... Eu te dou, eu te dou, Lilo. Boa. É porque a gente compra e ajuda a Aliança da Misericórdia, que é uma instituição super legal, que ajuda moradores de situação de rua, eles fazem jornadas, assim, vão pra Cracolândia, lugares de prostituição de idosas. E eles vão lá, ficam juntos, alimentam, conversam, atendem, assistem. É um trabalho bem legal. Puta, super legal. Eu fui conhecer aqui, então eu dou de presente pra você.
Vou aceitar. E eu quero falar do livro da Gisele Pelicot. Chama Um Hino à Vida, da Gisele Pelicot. Gisele Pelicot, ela ficou muito famosa por um motivo horrível. Que foi, ela é aquela francesa que, na verdade, ela nasceu na Alemanha. Mas ela, enfim, morava na França. E o marido dela drogou e estuprou ela durante décadas.
E não só estuprou, como levou homens para estuprá-la também. E eu comprei esse livro, achei que eu não ia ter capacidade. Essa é uma história que eu... Desde que eu ouvi essa história pela primeira vez, eu falei assim, tá, eu vou ler devagarinho. Eu não vou ler toda a notícia, não vou ler toda a matéria, porque ela me destruiu. Eu fiquei completamente destruída. Eu acho que ela tem uma força, uma resiliência, porque...
Eu teria matado esse homem. Mas enfim, eu acho que ela tem uma força, uma resiliência. Uma maneira de lutar por justiça, que é muito bonita. E ela se recusa a ser colocada nesse papel de vítima. No sentido de, embora obviamente ela tenha sido uma vítima. Mas no sentido de, ah, isso é a única coisa sobre mim. Essa é a minha história. Não, sabe? Isso não me define. Isso não me define. E é um relato muito…
verdadeiro, muito denso. Ela conta como ela descobriu, como a coisa toda aconteceu. É totalmente assustador, ainda mais de você pensar que ela fala, né? Pô, era um meu marido, pessoa que fazia tudo pra mim, que nunca levantou a mão pra mim, que era carinhoso, fazia tudo pela família, né? Tem três filhos, na, na, na.
E de repente descobri algo assim. E ela fala, a vergonha tem que mudar de lado. Inclusive, essa frase dela tá sendo bem dita. E tá sendo meio que utilizada por muitas mulheres que falam sobre violência doméstica, né? A vergonha tem que mudar de lado. Que é muito importante a gente falar sobre isso. Porque existe uma coisa, uma cultura do...
da gente se envergonhar, né? Uma história dela... É muito difícil uma história dessa vir à tona, né? Ela mesma, quando ela soube, a primeira coisa que ela queria era ir pra casa. Ela falou, eu quero ir pra casa. Ela chega na casa dela, ela começa a lavar a roupa do marido, ela lava a roupa dela. Tipo assim, ela vai fazendo umas tarefas domésticas ali, porque ela...
Primeiro que é impensável lidar, né? A estrutura emocional que você tem que ter pra lidar com tudo isso. E também porque ela teve esse momento de negação. Tipo, não, meu marido não fez isso. Não, isso aí não aconteceu. Então, é muito interessante como ela...
usa isso nela, como ela ressignifica o que aconteceu com ela e fala, não, a vergonha tem que mudar de lado, meu marido tem que ter vergonha, são os homens que participaram, é tudo isso. E eu não terminei indo o livro, eu tô lendo no meio, assim, mas já é uma das leituras mais bonitas, mais poderosas.
E provavelmente esse livro aí deve entrar como uma das grandes obras sobre violência, sobre feminicídio, violência doméstica, por mais que ela não tenha sido morta e tal. Mas a gente sabe que é muito da coisa do poder em relação à mulher. Então eu tô completamente fascinada com esse livro, fascinada com a força dessa mulher e com essa decisão dela de tipo, eu vou viver minha vida, eu vou ser feliz.
Não fui eu que tomei essa decisão, por que eu que tenho que ficar morrendo de vergonha, né, transformar isso num tabu? Então é um livro muito poderoso, eu recomendo, mas é uma leitura pesada, então... Você já ouviu falar do Cemitério das Polacas em Cubatão? Tem um Cemitério das Polacas também no Rio de Janeiro?
E provavelmente tem um em Buenos Aires, porque eram as três cidades, Rio, Santos e Buenos Aires, eram cidades de desembarque das polacas, que eram mulheres judias do leste europeu, polacas, porque muitas vieram da Polônia, e eram trazidas pelos maridos para cá para serem exploradas sexualmente.
a grosso modo, imaginavam que teria uma vida mais confortável, porque a vida era muito difícil no leste europeu, e elas acreditavam nessas promessas, vinham casadas com esses caras e chegavam aqui, e eles mesmo acabavam explorando as mulheres sexualmente, vendiam as mulheres, os serviços das mulheres. Falei do cemitério porque essas mulheres não abandonaram a cultura judaica, nem religiosa, nem cultura mesmo.
e se organizaram para construir um cemitério que seria um lugar, porque elas foram rejeitadas inclusive pela comunidade. Então elas construíram cemitérios.
para terem um lugar delas e preservar seus corpos e sua cultura, inclusive a estética fúnebre, ritualística fúnebre judaica, que é muito particular, muito particular. Então elas criaram isso como uma associação mesmo de mulheres. Em Cubatão tem 74 túmulos.
Alguns maridos estão sepultados também, acho que são 14 homens que estão sepultados, o resto são só as polacas, só as mulheres. E para concluir assim, a Shevra Kadisha, que é cemitério judaico de São Paulo, assumiu o cemitério em 96 e fez uma carta de desculpa.
comunitária, por terem ignorado elas, porque elas eram mulheres tidas como independente da vontade delas de terem de fazer ou não aquilo. Não vou nem entrar nisso, então a gente vai entrar no juízo moral também, né? As mulheres querem se prostituir, quem sou eu pra julgar? Mas não era o caso, parecia que não era esse o caso.
E elas acabaram sendo acolhidas e hoje quem cuida desse espaço, que virou um espaço importantíssimo de memória. Eu fui no de Cubatão e fui no dia uma, não cheguei a entrar no dia uma, mas fui até lá, vi por dentro, no Rio de Janeiro. É muito forte também, muito impactante. A história das polacas é, eu acho que o Caco Siocler fez um filme agora sobre as polacas. Claro, vou procurar.
Porque é muito interessante, porque você vê, elas também estavam ali como imigrantes, né? Como sofrendo a violência da própria cultura, né? Do próprio marido. E ser, como é que fala? Marginalizada também por estarem em situação de prostituição. Então, mais um motivo pra ser marginalizada pela sociedade. E que importante elas terem conquistado esse espaço e conseguir...
E o cemitério de Cubatão, até onde eu encontrei nas minhas pesquisas, ele se desenvolveu no entorno deles, porque elas meio que doaram essa área, que é o nosso cemitério mais antigo da cidade, tinha um outro cemitério perto do polo petroquímico, foi transladado para lá, então ele se desenvolveu, então ele fica dentro do cemitério municipal de Cubatão, fechado, mas é muito bonito.
privilégio de entrar e fiquei uma hora e pouco lá dentro. E é isso, gente. Espero que vocês tenham gostado desse episódio. Vai ter parte 2. Estamos aqui conversando mais ainda. Para a sua outra camiseta. Para enganar vocês. Para dar uma enganadinha. E até o próximo episódio.