CB #197 - Entidade fofoqueira com DaCota Monteiro
No episódio de hoje discutimos sobre a máquina do Diabo, um caso bem peculiar de um gatinho e uma entidade pra lá de fofoqueira!
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CB ao vivo em Recife: https://bit.ly/4AsiU8i Temporada 02 CB no teatro Youtube: eventim.com.br/artist/caso-bizarro/
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- História familiar de tia vilã e entidade fofoqueiratia expulsa da família·tentativa de incendiar casa·tentativa de sequestrar bebê·maldição de morte aos 10 anos
- Experiências bizarras e traumáticas em elevadoresficar presa com bebê e cachorros·porteiro novo entorta porta·homem surta e soca porta·uso de remédio para ansiedade
- Relacionamento com ficante e descoberta de traição inusitadaviagem de casal que deu errado·gato defeca camisinha·término do relacionamento·amigos atribuem ao gato
- Experiência de aluguel em Goiânia e assédio no corredorprocura de apartamento·vizinho oferece drogas e sexo·pai intervém na situação·taxista com preconceito
- Descoberta de rosto misterioso em foto e trauma de infânciarosto de mulher em foto desfocada·caixa de tinta de cabelo·mentira sobre morte de padrinho·medo de panela de pressão
Sejam bem-vindos a mais um Caso Bizarro. E hoje estou aqui com Dakota Monteiro. Olá! Aplausos, o estúdio inteiro entra loucura, gente. Eu tô muito feliz que você está aqui e eu já venho brigar porque, ó, gente, vou deixar claro, faz tempo que eu tô convidando ela, tá? Assim, vou aqui trazer, vou trazer verdades. Então a gente descobriu, a gente A gente não, né.
Eu descobri que quando eu faço a comunicação pra fazer os eventos, nunca dá certo. Então agora tem uma pessoa pra responder por mim.
Então... Essa pessoa obrigou ela a vir aqui hoje.
Exatamente. Na verdade, tem várias coisas que eu vou marcando que nunca dá certo. E eu, tipo... Agora eu tô na postura de vamos botar os produtores pra brigar. Pra cruzar, né, no caso.
Exato, vamos deixar eles que se entenderem. Eles que são produtores, eles que se entendam.
Por que isso? Você tá tentando marcar comigo faz muito tempo. Na hora que eu passei que a pessoa que ajeita a minha agenda é meu marido, né. Porque como... Que ele sabe dos compromissos nosso e do filho, fica mais fácil de alinhar as coisas. Aí assim que a gente colocou os produtores pra cruzar, foi que deu certo. O coitado do João Freire tá tentando marcar, deu uma queda, ele faz tanto tempo, faz meses. Aí agora que eu passei pro meu marido, agora vai dar.
É isso, a gente tem que focar no que a gente é boa, entendeu?
No caso, não falar.
E às vezes responder a pessoa.
É porque a gente vira artista, a gente vira artista pra fazer porcaria, né?
A gente É um negócio, né? Porque assim, essa DM deve ser enlouquecida.
Pois é, eu não respondo ninguém. Então às vezes você acha que eu sou antipático, que eu não respondo as pessoas, mas é porque eu não consigo mesmo.
Então eu acho que hoje as pessoas podem saber que tipo não é antipatia, é democrático, você não responde ninguém.
Exatamente, não é que eu não gosto de você, é que eu não gosto de ninguém.
Querida, você não é tão importante assim, você só faz parte da maioria e a maioria eu escolhi ignorar.
O pior é que é Instagram, TikTok, é WhatsApp também, é email, tudo eu vou ignorando. Responde você.
Ai, que delícia! Eu sou muito ansiosa, não consigo.
Amiga, tem a descrição do meu WhatsApp, é não me liga. E tem uma amiga minha, Kona, beijo Kona, que ela só quer marcar as coisas por ligação. Vamos marcar uma call? Eu falo, tô ocupada, eu tô coçando testículo, eu tô fazendo cocô, tô fazendo qualquer coisa, eu não tô ocupada, mas eu não consigo. Porque qualquer coisa— e porque a Kona é maravilhosa, mas o Precisa ser falado, ela fala em 2 minutos. Mas antes disso, ela fala, amigo, eu tava não sei onde, fazendo não sei o quê... Você pode quarta-feira? Eu falo, posso.
Eu sou a Kona. Ai, me identifiquei muito! Eu sou muito a Kona. Cara, e é assim, ninguém é, né. Ninguém é Kona. Ninguém é Kona hoje em dia. Kona, eu sinto muito por nós. Porque ninguém é mais assim.
É coisa de falar no telefone, caiu muito.
Caiu muito em desuso, né.
E eu acho que eu peguei trauma. Porque ela não é nem só uma ligação, ela gosta de fazer video call. Eu acho que eu peguei trauma da época da pandemia. Que era tudo por Zoom, era tudo por ligação. Me dá um... Pelo amor de Deus, me deixa.
É verdade. Não, eu sou viciada em falar. Mas aí eu falo, ai, porque eu sou podcast.
Ai, não.
Ai, porque a minha voz é minha ferramenta de trabalho, sabe?
Com certeza.
É uma coisa assim, muito minha.
É o jeito que eu me comunico, é o presente que eu tenho para o mundo.
É o meu trabalho, é o meu...
Diferente de todo mundo.
É, o resto das pessoas normal.
Eu não sei vocês, mas eu me comunico com a minha voz.
É uma coisa minha, é uma coisa que eu criei aqui. Bom, bora começar. Eu vou ler o primeiro caso que se chama Máquina do Diabo.
Passada! Máquina do Diabo, máquina de cartão de crédito.
Olá, Mabel! Olá, Dakota! Oi, o meu nome é Fernanda Mujica, sou de Brasília e sou bizarra de carteirinha. Estudei com a Carol do Modus na UnB, ela era minha veterana, por isso conheci o Modus e de tabela o caso.
Já veio aí todo fã.
Eu sempre escuto assim que saem episódios novos, ele substitui um tempo legal que eu ficava no TikTok. Se isso é bom, não sei.
Eu acho que é bom, que às vezes eu não sei se tem gente que faz isso antes, ou aí ouvindo música, aí eu comecei a fazer as coisas passando TikTok. Só que o TikTok não tem, ele não passa sozinho. Eu não sei se ele tá fazendo isso agora, mas eu sou meio antiga. Mas você tinha que parar para ficar passando TikTok, senão ele fica em loop, né?
Porque você tem que ficar parando. Por isso que eu ponho o YouTube, porque ele vai gerando um negócio. Às vezes do nada começa a ouvir uma coisa completamente tapafurde assim. Às vezes sem querer eu vou virar de direita porque eu comecei a ouvir um vídeo. E meu Deus, mas assim, faz parte.
Ou interrompe o Caso Bizarro por uma propaganda muito X. Exato, uma coisa muito... Tá fazendo tipo modus operandi o assassino da picareta verde bosta. E do nada, 8 idiomas, quer que eu fale mais?
Amém. Se isso é bom ou não, não sei, mas vamos para o meu caso. Primeiro dizer, primeiro queria dizer que eu já morro de medo de elevador. Sempre morei em casa e quando me mudei para apartamento eu sabia que ficaria presa alguma vez. Porém não imaginava que seriam duas em um mesmo ano. Eita, spoiler! Uma vez com a minha bebê que tinha um ano e meus dois cachorros, eu me mato. Eu ia descer para passear todos e ficamos lá. Gente, a bebê, ela e dois cachorros dentro do elevador, eu tenho um franco.
Quem que você mata primeiro? É tipo assim, tá, fiquei presa no elevador, dois cachorros, uma criança. O cachorro, o mais doentinho, a gente mata para a gente poder alimentar nesse tempo que a gente vai ficar aqui.
Aliás, minutos depois eles abrem o elevador. Puxa, puts, matei!
Você coberta de sangue.
É, eu não acredito que eu matei João Carlos. Ia descer para passear, todos ficamos lá. O elevador parou, mas eu sou muito calma, interfonei para portaria pelo botão de emergência, falei com o porteiro, ele nos salvou. Eita, presa aqui! É, eu tô presa aqui, tranquilo. E eu tava, eu já tava histérica. Se não te atrapalhar assim, horário que for melhor para você.
Cara, odeio incomodar, odeio pedir esse tipo de coisa. Você pode me tirar do elevador?
Tá acabando o ar, entendeu? Tá bem difícil pra mim.
Tô sem mamadeira do bebê, tá meio foda.
Dei de mamar enquanto esperava e tivemos que passar pela fresta. Puta merda, aí foi mais perigoso ainda.
Mas qual fresta? A fresta entre andares ou a fresta da porta?
Acho que deve ser entre andares. Porque entre andares você sabe que você vai decepar metade do seu corpo. Faz parte, é filme. É horrível, é horrível, sempre acontece.
Ai, detesto! Odeio quando eu perco uma perna. Odeio quando eu perco uma perna. Do coelho com uma perna.
Meu quadril foi horrível. Tá, deu tudo certo, mas depois meu pai me disse que isso era perigoso, que o elevador pode andar e cortar a pessoa ao meio.
Meu Deus, meu, a gente tá muito conectada!
Vamos lá, a gente conectando com o pai dela.
Já conectei com o pai de muita gente, faz parte.
Na segunda, me arrumei para sair da balada e o elevador parou de funcionar quando fechou a porta no meu andar mesmo. Não abria por nada nesse mundo. O porteiro era novo. Aí eu já vou com aquela música: o porteiro é novo, ele não me conhece. Tá cheio de—
eu me perdi. Ela tava indo pra balada ou o elevador era na balada?
Não, me arrumei pra sair da balada.
Ah, tá. Pra sair para balada ou da balada?
Pra sair da balada e o elevador parou de funcionar. O porteiro era novo. Acho que era tipo na casa dela e ela escreveu aquela.
Poxa, tem um elevador na balada? Baladão, cara. Elevador que coloca as drag no pau, coitada.
Ai, deve ser tudo.
Ela tipo a Márcia Pantera batendo o cabelo, ela tipo no meio assim, moço, me tira daqui.
Ela falou, o elevador parou de funcionar no meu andar mesmo, então era tipo no prédio dela. O porteiro era novo e acho que ele se desesperou. Ao invés de fazer o procedimento correto, ele tentou abrir na força e a porta entortou.
Nossa, que forte, meu Deus! Tipo Superman assim, eu achei meio, eu vou tirar você daí agora, eu não posso nem deixar Em um segundo você e Del.
Achei bem sensual.
Eu gostei.
Bom, mas ele fodeu, né, o elevador. Aí ele ligou pros bombeiros, além da empresa do elevador. E eu fiquei lá 2 horas e meia enquanto tentavam tudo. Gente, aí assim, eu me mataria, assim, com todo respeito.
Com todo respeito às pessoas que estão vivas, eu me mataria.
Eu me mataria com todíssimo respeito. Conseguiram abrir uma fresta e tacaram meu celular, pelo menos. Que eu tinha esquecido em casa. Gente, mulher, você ia pra balada! Ai, pra que eu ficasse entretida. Gente, eu amei! Abriram, jogaram água, jogaram motivantes. Não, jogaram o celular. Olha o que tá acontecendo com a gente, Dakota. O que tá acontecendo enquanto sociedade?
O pior é que eu me identifico, sabe? Porque eu sou ansiosa. Uma garrafa de 2 litros, eu ia beber, tipo, de uma vez. Agora eu jogo Angry Birds por um tempinho.
Exato, eu vou jogar um pouquinho, não vou mentir.
Chega, depois ela: Oi, tudo bem? Sou eu de novo. Você pode mandar meu carregador pro Tadinho?
Tá acabando. Adivinha o que eu fiz? Sim, escutei o episódio do Caso Bizarro.
Awww! Em todos os melhores momentos, com você.
Gente, sim! Até tirei um cochilo por um tempo. Gente, essa mulher é muito calma!
Demais! Acho que é por isso que ela se mete em problemas. Se pá, eu acho que ela entrou no elevador... Ela é tão calma que ela entrou no elevador que tinha uma placa escrito fora de serviço.
E ela não percebeu porque ela estava calma demais.
É, ela tipo, ah, deixa eu só desviar desse cone aqui rapidinho.
Ai, esse negócio dando choque, tipo, muito estranho. Como disse, não sou desesperada. Deitei no chão e até dormi um pouco. Gente, não, chega, chega! Tava quente, viu? Saí toda suada. Tiveram que cortar o metal da porta para que eu saísse. Deu tudo certo. Apesar dos elevadores me odiarem, esses episódios são chatos, mas estranhos. Agora vem o caso bizarro de verdade.
Uou! Ah, que bom, né, que ela deu um contexto.
Esse ano estava indo ao médico, entrei no elevador de um centro clínico aqui em Brasília. Entrou uma mulher e eu, porém com a porta quase fechando, o homem colocou a mão e entrou. Ficamos os três emudecidos dentro do elevador. O elevador passou ao segundo andar.
Eu adoro que tem uns escritores de Wattpad que manda para cá tudo.
O elevador passou ao segundo andar, ia para o terceiro quando o homem começou a hiperventilar e passou a gritar: não, não, não! Com muita raiva, ele respirava alto, gritava e começou a socar a porta do elevador. Eu e a mulher fomos para trás em choque, nos afastando. O homem gritava e socava a porta enquanto ele subia. Quase caguei nas calças. A gente tava esperando um soco no rosto, sei lá. A mulher começou a tremer. Eu nem perguntei se tava tudo bem com ele.
Claramente ele surtou, mas eu acho que ele ia para o segundo andar e esqueceu de apertar o botão. Bom, o elevador parou no sexto andar. Ele não suportou a ideia. Ah, eu sou um pouco ele, não vou mentir.
É tipo quando o GovBR não tá entrando, meu, ele fica, começa a socar tudo na sua cara.
Você nunca Tem que socar as coisas no Golfe BR. Gente, o Golfe BR me irrita num nível.
Amiga, eu parei de socar as coisas por conta do meu marido, na verdade. Porque ele ficava muito incomodado. Mas eu tinha o costume de, tipo: Que inferno, essa coisa não tá funcionando, desgraça! E vira tipo Godzilla dentro de casa.
E ele, esse pai, isso é um pouco assustador.
Então, sabe? Tipo: Ai, lares onde famílias gritavam comigo. Me deixa meio assim, me deixa meio passem.
Ai, que tóxico ele querendo uma calmaria no lar. Sabe?
Tipo assim: É, ele quer tipo, ah, eu não saí da casa dos meus pais pra gritarem, blá blá blá. Esse tipo de coisa. Sério, patético. Ai, patético, frouxo.
Patético. O homem chutou, sacava a porta enquanto ele subia, tal. Beleza, beleza, beleza, ótimo. O elevador parou no 6º andar, ele saiu primeiro, até porque estávamos imóveis, e disse, tenham uma ótima tarde. Ai, sabe quando você, tipo, se passa um pouco? E aí depois você fala assim, ai, já me passei. Não vai dar pra voltar atrás. Eu vou ter que... Meteu essa, gente. Ele meteu essa.
Tipo, apesar de mim, tenham uma ótima tarde.
Tenham. Espero que eu tenha proporcionado pouco desconforto pra vocês. E que vocês tenham, sim, uma boa tarde, apesar de mim.
Ele podia ter virado assim, essa é uma chance de conexão de vocês. Vocês duas, que vocês não podem perder. Vocês vão virar amigas agora.
Me agradeçam, me agradeçam, porque eu uni vocês hoje.
Não tem nada que une mais duas pessoas do que um trauma violento.
Meu, tu tá no elevador, ele não pode sair. Ai, gente, eu tô rindo porque ninguém apanhou, mas assim, fora o elevador, mas assim, eu teria me cagado, eu teria com certeza me cagado.
Pior é que se pá, eu teria rido. Sabe quando ri de nervoso, sabe? Tipo, a pessoa tá dando soco falando, era para ir para o segundo andar! Eu ia na cara, tipo, rir, apontar, tipo simples assim. Não dá.
Virou, ajeitou a roupa e desceu a escada. Fui com as pernas bambas para recepção do médico, contei o que aconteceu, fui para minha consulta. Até hoje penso nisso, nessa que sentir na hora, em qualquer momento, ia levar um murro. Credo! Até hoje dou preferência à escada ou pegar elevador sozinha. O que será que deu nesse homem? Ai, tadinha, né? Não, que experiência! Ai, desculpa. Mas assim, mano, que merda, cara! Que merda!
É porque é uma coisa como é, tipo, que eu não sei se ainda faz isso, mas sabe quando você vai em hospital, em UPA de rede pública, volta e meia aparece uma pessoa em situação de vulnerabilidade social Gritando no meio de tudo, você fica tipo, eu tô com medo, mas eu não vou demonstrar, porque senão vai ser preconceito da minha parte. Então eu vou sorrir pra ele.
Ele me dá um burro, eu vou continuar sorrindo, porque eu não quero faltar o respeito com ele.
Tipo, eu entendo tudo que você passou.
Sim, obrigada por tirar o meu dente.
Desculpa. Ele já tava doendo mesmo, eu tava precisando.
Eu nem fico legal com esse dente.
Sabe, eu precisava tirar esse canino. Desculpa por ter te arranhado com ele, inclusive. É desculpa ter batido com meus dentes na sua mão, no seu punho.
Ai, meu Deus, cara, eu tenho um pouco de medo de elevador. E aí, e eu tenho um remédio que eu uso só para tipo situações de emergência mental, que é maconha, que é tipo um remedinho assim se eu tiver tendo alguma crise de ansiedade, que é mais raro, sei lá, qual que é. O remédio?
É, não posso falar aqui.
Ele fala, ai, não sei, põe um pi.
É com R? É o que eu uso também!
Ele dá tudo!
Ele é tudo!
Cara, tem gente que fala assim, ai, ele não faz nada em mim.
Nossa, pra mim resolve muito!
Resolve toda!
Antes de apresentação, às vezes tipo assim, ai, tô demorando a dormir, vou tomar 2 aqui.
Não, imagina. Aí eu fiquei presa no elevador do meu prédio, né?
Você colocou um Tic Tac dentro de uma tigela e comeu com leite.
Mulher, eu coloquei 2 na boca. E aí, 10 minutos depois, o porteiro abriu e eu estava completamente drogada. Eu tava assim, haha, ai, que legal, elevador! Ai, eu vou ficar aqui de novo. Juro, minha mãe chegou, que eu tinha ligado para minha mãe nessa hora, tinha falado assim, mãe, eu tô presa no elevador. Pode se despedir que eu vou morrer hoje. E aí ela chegou lá em casa, que minha mãe mora perto da minha casa, tadinha. E quando ela chegou lá, eu já tava completamente drogada, assim, um doido. Aí, ô meu Deus, ai, levantou!
Ela tipo, filho, o que aconteceu?
Você socando a parede, você estudar!
Você socando rindo.
Virei para minha mãe, tenha uma boa tarde. Mas foi isso, foi um grande surto, um grande momento que eu fiquei completamente em situação de drogada, me divertindo, porque É isso, o remédio, ele na hora assim, ele te dá... Gente, eu não sei o que esse remédio faz. Ele faz um negócio que assim...
Ele tira ansiedade.
Ele tira ansiedade. No caso, é o que ele se propõe, né. É o que ele se propõe. Mas você sente que ele tira todas as dores do seu mundo.
Sim. Nossa! E tipo, dá até um vazio, né.
Dá um vazio, realmente.
Porque na hora que tira a sua ansiedade, você tem um tag também, né. Eu também. Tem hora que você, tipo, sai porque você tá acostumada a ter ansiedade 24 horas por dia. Às vezes o remédio que a gente toma tira um pouquinho. Se tirar toda ansiedade, você fica: o que que eu faço agora?
Mas e aí, agora eu vivo?
Eu vou ficar com medo do quê agora?
Eu não entendi, as pessoas são assim?
É isso que vocês vivem? E eu? Que horror, como vocês são fracas!
Não, não dá, gente, é uma vida muito calma.
Eu já fiquei presa dentro de elevador. Foi no pior momento possível, que eu tava na faculdade de design gráfico, que eu sou formada. Apesar das minhas redes serem muito feias, eu sou formada em design gráfico. E foi justo na época que eu tava num surto que eu queria fazer tight-lacing. Sabe o que é tight-lacing? Poxa, tight-lacing é quando as pessoas usam espartilho pra colocar as costelas pra dentro e ir acostumando pra você ficar mais acinturada mesmo.
E foi justo quando, tipo, fazia algumas semanas que eu tinha começado. Então eu fiquei presa dentro do elevador junto com duas amigas. O elevador também dessa mesa, assim, menor que essa mesa, muito apertado. E eu de espartilho, assim, tipo, meu Deus, desgraçado! E eu tipo, vou tirar o espartilho do meio do elevador com todo mundo vendo.
Mas eu faria isso, foi o que eu fiz também.
Só que aí eu saí, eu saí com a minha camiseta do Bart Simpson e um espartilho bege na mão, todo mundo.
O que tá acontecendo?
E depois eu parei de Porque a gente tá no Brasil e é muito calor.
É verdade, né? Assim, eu não ia julgar, mas assim, eu fiquei pensando, meu Deus, que calor do inferno que devia ter sido!
É porque é um tecido de algodão, a pele ela respira um pouquinho mais, não é como se fosse tipo sintético.
Mas é uma cinturadinha, né? As mulheres cinturas finas.
Aí eu decidi só tirar uma costela mesmo, aí resolve.
Quem que tinha tirado uma costela para mas para se chupar não tinha uma.
Tinha essa lenda sobre o Merlin Mousse, verdade. E a Maia Massafano, ela tirou uma costela, não tirou? Ela tirou, ela tirou costela, tirou clavícula, tirou tudo, sobrou bastante coisa.
Ai, meu Deus!
Um beijo, Maia, que tá assistindo.
Pode ler a próxima.
Oi, Mabê e Dakota, eu me chamo Lali e eu sou estudante de história. Uau, olha só! Na minha época— não, na época do meu caso, eu tinha 18 anos e morava sozinha. Olha quem não teve, quem sofreu de abandono parental. Nós mulheres que saímos de casa com 30 anos.
Nossa, eu também saí com 30 anos, dá uma vergonhinha, né? Aí sim, mas era tão bom não pagar Pois é, queria voltar, inclusive.
Dei match com uma moça que era um pouco diferente das meninas com quem eu costumava sair. Ela tinha uma vibe de bruxa que me interessou ainda mais. Aêêê! Me chama na DM! O que é uma vibe de bruxa? É tipo, ela sai gótica? A gente tem um estilo parecido, né?
Acho que é uma vibe assim, meio bruxona. Hoje eu não tô tanto de preto, mas eu costumo usar bastante preto. E eu acho que é isso, assim.
É tipo a gente.
Era nós.
Tipo, é uma vibe bruxa, ela tinha o nariz grande, ela era careca. Ela batia em criança.
Ela dava soco no elevador.
Tem uma boa tag.
Porque ela tinha tag.
E tomava uns trem. Saímos várias vezes. Eu ia na casa dela, ela vinha à minha. Acraseado, passada. Ela chegou... Ó, entendeu?
Babado, bruxa mesmo.
Um beijo pra você que é alfabetizada. Nós, mulheres alfabetizadas. Ela chegou a dizer que gostava de mim, que estava apaixonada, que estava se descobrindo lésbica. Ela se deu match com ela primeiro e depois ela tava— ela se descobriu lésbica.
É verdade que tipo, acho que ela era bissexual e talvez estava se descobrindo lésbica. Eu fiquei, não entendi.
Tá, beleza, chique. Ah, heterossexualidade compulsória, né?
Poxa, complicado.
Nós mulheres, a nossa confusão.
Que ótimo. Eu sou lésbica.
Então achei tudo.
Eu sou lésbica, então não tenho problema nenhum.
Por mim, melhor ainda, inclusive. Acabei me apegando ao gato dela e até adotei a irmãzinha felina dele. Eu me assustei, eu achei que ela tinha adotado a irmã dela. Vamos cuidar da sua irmã juntas. O romance era tão lindo que marcamos uma viagem de casal para praia. Foi horrível.
Nós, um pouquinho viagens de casal que deram errado na praia.
Eu tenho, eu tenho uma Eu odeio natureza, desculpa.
Eu também adoro falar essa frase.
Eu odeio natureza. Tipo, não é que eu quero que a natureza— E nós bruxos que odiamos a natureza, é muito mais difícil. Nós bruxas metropolitanas, da cidade de pedra.
Do concretinho.
Do concreto, sabe? A gente que faz nossos feitiços no micro-ondas, numa bowl. A gente que não tem caldeirão, mas tem uma air fryer.
Ai, meu Deus!
Odeio viagem pra praia, viagem pra— Ai, meu marido me obrigou a fazer trilha no Ano Novo. Foi a pior coisa que eu fiz na minha vida. Horrível, horrível, horrível, horrível. Quando foi horrível, deu tudo errado. Fica a dica: não viajem com ficantes. As energias não batem e isso estragou o que tínhamos. Eu acho que só deu uma adiantada no que já ia acontecer no futuro, que já ia acontecer, porque é nas que você descobre como que a pessoa é de gênero pessoal, de convivência.
E às vezes é isso, às vezes é insuportável.
Exato. Então assim, começou a conhecer a pessoa, no dia seguinte viaja. Viaja na hora, já combina uma viagem com a pessoa, já combina onde vai ser o primeiro encontro. Vai ser lá no ponto da Buser fazendo uma trilha. Fazendo uma trilha, tá?
É isso, ponto da Buser fazendo uma trilha.
Voltamos para casa sem muito diálogo. Logo, aquela semana foi estranha. Foi a primeira vez que não nos encontramos no meio da semana desde que começamos a ficar. Ela demorava a responder, dizer que tava corrida. Mas postava no Close Friends do Instagram assistindo a uns filmes. Deixei passar!
Gente, eu trabalho assistindo filmes.
Faz parte do meu processo.
Gente, é parte do meu processo! Gente, ficar 2 horas me maquiando é parte do meu processo criativo. Porque eu sou uma pessoa, eu sou artista, entendeu? Eu sou artista.
Eu sou designer, então você acha que eu vou ficar mexendo no Photoshop num silêncio sepulcral? Não, eu vou levar meu laptop para o cinema.
Enquanto tá todo mundo assistindo, eu tô lá digitando, fazendo um panfleto de dentista.
Eu tô fazendo meu trabalho assistindo o filme. No sábado à tarde, ela mandou mensagem dizendo que queria conversar no domingo em um lugar que gostávamos de Perto da casa dela, próximo pelo menos. Eu quero conversar, mas eu queria fugir correndo da casa dela.
Eu vou falar, é o que eu faria.
É porque as duas coisas, lugar público, então não pode dar escândalo, e perto de casa para ter onde fugir.
Agora eu vou falar uma coisa que é muito cruel. Duas vezes que eu quis terminar o relacionamento, eu combinei perto da casa da pessoa, porque eu falei, sacanagem, eu já vou terminar com a pessoa, vou terminar já perto da casa dela para ela poder voltar para casa dela logo e chorar.
Exato, chorar na cama, que é lugar quente.
Teve uma vez que eu fiquei com preguiça e terminei na minha casa mesmo. Aí a pessoa teve que ir embora.
Vem aqui em casa rapidão, a pessoa chegou. Então, acabou. Você quer que eu chame o seu Uber?
Só te falar uma coisinha. Tô aqui com o seu Uber já, no gatilho. E não vai ficar preso no elevador, porque acabou, hein. Eu não quero te ver.
Então, só queria que você visse aqui que essa sacolinha aqui tá com as suas coisas que você deixou aqui. A gente tá terminando, tá bom?
Não dei nem água, já falei pro porteiro.
Se quiser falar com você que terminou comigo, pode falar.
Tchau.
Eu me atrasei 15 minutos porque caí no banheiro. Ela chegando tipo com a sobrancelha, uma bolota assim, tipo assim, ai, desculpa, eu dei uma caída.
Não deu uma caída, gente, como assim?
Eu me atrasei 15 minutos porque caí no banheiro e ela até brigou comigo pela demora. O clima estava péssimo. 15 minutos, gente, pera aí.
Uma viagem deve ter sido horrível.
Tem uma boa tarde?
Não, não dá.
Meu Deus. Após grandes embates e diálogos sobre o que tínhamos, fomos para casa dela e resolvemos pedir algo para comer e assistir um filme.
Ah, elas brigaram e depois, tipo, beleza, vamos transar.
Eu só assim, cada conta assim. Às vezes eu acho que transar com ex é muito bom. Foi assim que eu voltei com meu marido. A gente terminou, aí depois a gente reencontrou a chama da paixão em casa.
Sério? Mas sempre dá errado, né? Olha, isso aqui é É uma sorte, porque por enquanto não sei, vamos ver. Porque geralmente não é bom transar com ex, dá merda.
Mas às vezes a gente aprende com os erros. Mas eu tô achando estranho porque ela não tá dando detalhe nenhum. Ela fala tipo assim, aí eu fui, a gente fez uma viagem, foi horrível, a gente foi conversar sobre os problemas e conversou.
Ela não fala tipo assim, ah, a gente se desentendeu porque sei lá, Ah, eu falei tal coisa, ela usou crase, eu não. Ou ela apontou arma para mim, que tem uma diferença, né? Tipo, o que que aconteceu nessa viagem?
Então, ai, não sei, será que eu deixei a toalha molhada em cima da cama? Ou será que eu fiquei socando a porta e xingando e depois falei tenha uma boa tarde?
E tenha uma boa tarde.
Então eu tô achando vago, acho que quem fez cagada foi ela.
Ela tá dando uma, ela tá dando um golpe.
Vamos ver, vamos, porque Pela perspectiva do interlocutor, eu faria isso.
Se eu que fiz a merda, eu ia falar assim: ah, a gente teve um problema, o problema era eu. Mas vai ser eu que vou falar.
Tipo assim, aí eu bati nela, tipo assim: gente, não viajem com ficante. Foi essa lição que eu aprendi, é não viaje com ficante.
Aí corta para ela, pessoa horrível. Vamos sair? Não, eu odeio você!
Se fuder, desgraça! Chupa meu cuzão cheio de bosta, sua feia!
Mas é horrível. Viu?
Saiu com ficante, gente, não viajem, por favor. E ela deixou claro que ela era meio bruxa, então ela tá vilanificando ela um pouco também.
Ah, que a mulher é bruxa, tá.
Que ela é bruxa, falou: ah, ela brigou comigo por conta de 15 minutos. Talvez esse seja um dos vários atrasos que ela teve, vai enchendo o saco.
Exato, na viagem ela deixou 4 horas esperando para tomar café, entende?
Na viagem ela perdeu o avião e a menina foi sozinha de novo, entende? Ela falou: ah, eu vou então, você pega o próximo. Falou: nossa, vai me deixar aqui sozinha. Nossa, que Puxa, você, bruxa fedida! Tomara que te dê dor de barriga. Resolvemos pedir algo para comer e assistir um filme. Sentamos no sofá, apagamos as luzes e ficamos abraçadinhas. Ela não falou se resolveram ou não, tá me deixando tudo sóbrio. Às vezes abraçou mata-leão.
O gato dela pulou para se encaixar no meio da gente e quando ele pulou eu senti algo molhado no meu braço. Eu pensei Eu falei, nossa, o gato mijou em mim. Poxa, poxa, se fosse, se fosse, teria sido melhor.
Ele cagou em mim, meu Deus!
E não era um cocô normal, tinha algo pendurado que não saía. Gente, sabe quando tipo o cachorro come alguma coisa com cabelo, aí ele vai cagar e fica meio que o cabelo?
A gente, assim, top piores cenas do mundo, né? Meu Deus, eu já tô apavorada.
Aí, será que ela vai querer dizer que foi a bruxa que fez o gato, o animal espírito dela, cagar nela? Não era o cocô normal, tinha algo pendurado que não saía. Eu levantei rápido, peguei o gato e coloquei contra a luz. Eu quis morrer. Ela começou a puxar e tinha uma camisinha no cocô do gato.
Puta merda!
Aí qual que foi? Duas coisas. O que que você pensou? A, coitado do gato, ou 2, essa filha da puta me traindo?
A primeira coisa que eu pensei foi no gato.
Eu também.
Mas sim, filha da puta traiu.
Ai, meu Deus. Inclusive, já aviso que ela levou o gato no veterinário no dia seguinte, no dia seguinte, e ele ficou bem e saudável.
Que bom.
A nossa relação Não muito. Poxa, que pena. Fiquei em choque que eu agi no automático. Dormi lá. Fiquei tão em choque que eu agi no automático. Dormi lá mesmo, acordei cedo e fui para a faculdade. Depois mandei uma mensagem terminando o que nem existia direito. Ficaria com ela se ela saísse com homens, mas ela mentiu que estava apaixonada por mim e que estava se descobrindo lésbica. Assim, não mentiu. Estou me descobrindo não é me descobri.
É, estou em situação de descobrir, em situação análoga ao descobrimento. Mas precisava uma situação análoga, camisinha com homem? Não precisava, não precisava. Assim, dentro desse contexto aí delas, que aparentemente era um monogamia, então ela chamou de ficante.
É verdade, é ficante.
Então, tipo, não é ficante, você fica chateada ainda mais ela descobrir pelo cu do gato. Tipo, teria sido melhor pela boca da ficante, não pelo cu do gato. Assim, a maneira como a mensagem chegou para ela não foi a melhor opção.
Eu acho que às vezes eu tenho muito medo de encerrar ciclo, sabe? Eu acho que talvez ela também tem esse medo. Ela pegou, abriu a camisinha, colocou no cu do gato. E falou, na hora que o gato cagar, ela vai pensar.
Agora você caga, você faz sua parte.
Caga nela agora pra ela achar que eu tô traindo. E outra, nossa, muito. O que que é representatividade? Só porque era camisinha era homem?
E aí, aí avisa.
Poxa, jamais tolerarei.
É, podia ter chamado para conversa, né?
Podia, podia, mas né, ai, meio ficante, a gente foi viajar e foi uma merda, a gente brigou. Então assim, já não—
o gato cagou em mim, o gato cagou em mim. Eu entendo.
Aí eu já— deixa eu só terminar, eu já conto a história. Meus amigos falavam que o gato gostava tanto de mim que ele só cagou para me convencer a sair do relacionamento.
O gato veio pela sua pensadinha. Ah é?
Pois é, agora que eu vou cagar nessa Vagabundo. Aí, amiga, você é boa demais para ela. Deixa eu te ajudar. Poxa, o gato não fala, né? Não é que nem a gente fica comunicando.
Ai, gente, que bom que ele tá bem.
Sim, todo respeito, que o gato tem uma boa tarde. Eu tô com muito medo do que você vai contar agora. Ai, é que teve uma vez que eu fui transar com um menino e foi, tipo... Ah, demorou um pouco, tava meia bomba, digamos. Digamos não, né, exatamente isso. Tava meia bomba. Aí, nessa situação, eu acabei terminando. E eu, tipo assim: Então, terminei. E ele falou: Então, eu não. E eu fiquei, tipo: Então? Mas não tá nem subindo, o que eu tenho a ver com isso?
Mas eu falei: Então tá, vamos. Aí ele pediu pra... Ele pediu pra chupar meu cu. Então ele tava sentado no sofá, eu tava com uma perna no braço do sofá, outra perna no sofá, mais assim pra frente pra ele chupar o cu. E ele ficou, tipo, muito tempo, porque o pau dele não ficava duro. E eu já tinha cansado de gemer, eu tava meio... Sabe quando você tá meio estática, olhando pro nada, assim?
Meu Deus, só goza logo.
Então eu tava naquela situação, o menino atrás de mim chupando o meu cu violentamente, até deu uma doidinha, batendo punheta de pau mole, eu olhando pro nada. E enquanto eu tô olhando pro nada, eu vejo o gato andando devagar no meu campo de visão. Que bem no meu campo de visão tava a caixa de areia. Aí o gato olha pra mim e começa a cagar! E tipo, pra deixar a coisa mais humilhante ainda... Ai, meu Deus! E ele não gozava nunca, eu vi todo o processo do gato cagar, jogar areia em cima. E depois ir embora.
Ele ficou assim, ó: Faltou um pouco de areia ali, ó.
Ainda: Poxa, essa areia fede, né, irmã? Desculpa.
Tá vendo? Talvez o gato também quisesse te passar uma mensagem.
Tipo assim, caguei pra ele. O gato tava falando, tá vendo o que eu tô fazendo? Faz isso na boca dele que ele vai te liberar mais cedo. Fica essa dica.
Ai, meu Deus.
Ai, que episódio escatológico, tô amando.
Vamos para a próxima.
Vamos!
Entidade fofoqueira. Oi, Mabel e Dakota, tudo bem? Olá, me chamo Vinícius Ferreira e trago o maior bapho da minha família. Poxa, vamos lá. Minha mãe tem 13 irmãos e ela é a mais velha.
13 irmãos? 13 irmãos.
Desses 13, todos estavam vivos até 2021. Infelizmente, durante a pandemia, nós perdemos uma das minhas tias mais queridas. Ela era chefe da ala de pediatria de um hospital em Zona Sul e durante décadas ajudou muitas mães dos bairros próximos ao hospital e era muito querida.
Por que que é sempre o pessoal gente boa que morre primeiro, né? Tipo, nunca é, tipo, ah, é o meu tio alcoólatra que batia na ex, é sempre tipo assim, ah, é a minha tia que encontrou a cura para o câncer, é sempre a mais legal.
Faleceu por COVID, pois mesmo aposentada quis ir ajudar na linha de frente. Caralho, o enterro dela foi muito triste, pois era na fase que os corpos eram enterrados em sacados e sem velório pelo risco de nação. Em 2022, depois das vacinas, fizemos uma missa e uma celebração para honrar a memória dela. A missa foi numa catedral católica e tinham 400 pessoas.
Gente, meu Deus, ela era muito querida, ela era muito querida. Tinha gente dobrando, eu quero o meu velório tipo assim, eu quero assim, festa, pelo amor de Deus, lá na Zig.
E tinha gente dobrando o quarteirão para fora da igreja, o que mostra que ela era muito amada. Porém, a celebração foi apenas para família, né, depois do velório.
No caso, as outras pessoas ficaram tipo de fora do pronto assim, ficaram assim sem pulseirinha.
Tinha fé, tinha fé, tinha fé. Como a família é grande, foi um salão para 150 pessoas. Gente, que isso!
Meu Deus, meu Deus!
Eu achei que assim, ai, tipo 10 pessoas. Não, 150 pessoas, tá? No entanto, em um canto haviam 4 pessoas desconhecidas que ninguém durante horas chegou perto para falar, porque era só para família, só para família de 150 pessoas. O grupo consistia numa senhora muito parecida com as minhas 2 mulheres nos seus 20 e poucos anos e um homem com cara de bravo. Eu até tentei chegar a falar com eles diversas vezes, mas toda vez que eu ia tentar falar, algo me desviava.
Um gato cagava em mim, um homem socando a parede do elevador.
Quando a muito custo consegui finalmente, a reação deles foi bizarra. Ao cumprimentar a senhora, ela me disse, você tá durando muito, hein? Eu fiquei meio passada e pensei, que velha desgraçada, que porra é essa?
Você compraria uma polenta?
Você iria no velório dessa velha desgraçada?
Aí, esse vai ser o panfleto do meu velório. Na hora que eu morrer, eu vou postar.
Você teria coragem?
Não, eu teria. O problema é que eu vou estar morta. O meu marido tem que ter a coragem de postar uma foto minha velha escrito: você viria ao velório dessa velha desgraçada?
Ai, juro.
Caiã, se você tá assistindo isso no futuro, é meu último pedido. Um beijo.
Coitado, o job pro filho, entendeu? É isso, Caiã. Quando você for adulto, por favor, você tem esse job aí. Nesse instante, uma tia me puxou. Como ninguém mais nem ao menos olhava na direção daquele grupo, tomei medidas mágicas. Peguei um goró para dar para as minhas tias boca de sacola, para elas me contarem o babado.
Cara, esperta demais!
Aquela velha escrota era uma das minhas tias. A minha avó teve, na verdade, 14 filhos e não 13. Ela foi expulsa da família, fotos foram rasgadas e os tios e tias juraram enterrar essa história. A mulher foi apagada da existência. Ela não foi nem no enterro dos seus próprios pais. Os meus avós. Só foi nesse, pois a minha tia era a única que ela mantinha contato. Meus pais têm 76 anos atualmente e se conheceram no começo da década de 70.
Meu pai era bombeiro na época e era um padrão belíssimo que pegou metade da cidade antes da minha mãe. Essa tia inclusive tinha pegado meu pai 2 anos antes da minha mãe, mas com ela foi só rala e rola. Com a minha mãe teve namoro, noivado, uma casa, um relacionamento longo, e essa tia nunca aceitou isso. Durante esse tempo todo, ela se comportou como uma vilã de malhação. Inventava mentiras sobre ambos. Falou ao porteiro do trabalho da minha mãe que ela tava a fim dele, e o porteiro começou a assediar minha mãe.
Que isso! Falava aos gritos que o meu pai comia ela escondido e coisas do tipo. Minha avó materna falava—
imagina o porteiro dar em cima dela, ela fala: não, o seu pai me come o dia inteiro, escondido!
É, minha avó materna tinha um centro de Umbanda, logo contato com entidades era comum na minha família, mas sempre no centro, nunca fora dele. Porém, certo dia, minha avó tava fazendo feira e a entidade que guiava minha mãe incorporou numa mulher aleatória para dar um recado para minha avó no meio da feira. Quase que vem isso.
Eu achei que era uma coisa chocante da história.
Ela disse: uma das suas filhas vai desgraçar a vida da outra, uma vez hoje e outra daqui a um ano. Minha avó estava voltando para casa quando ela viu a minha tia, essa tia desgraçada, pulando o muro da casa dos meus pais. A minha avó correu, derrubou o portão no murro e minha tia estava tentando incendiar a casa. Gente, que isso! Minha avó deu uma surra nela na frente do bairro todo e ela saiu da casa no mesmo dia e ninguém mais sobe.
Pouco tempo depois, minha mãe engravidou do meu irmão. Nessa época, a entidade apareceu em sonho para minha avó, mandando ela correr. A minha avó entendeu que era para correr até a casa da minha mãe, e quando chegou na rua dela, a minha tia, a demônia lá, a desgraçada, a velha desgraçada, estava pulando o muro com meu irmão no colo. Ela dopou o bebê e estava fugindo com ele. Gente, parece novela mexicana!
Então isso aí não é Vila de Malhação, amor, isso é Nazaré!
Nazaré. Minha avó gritou, meus pais—
rapidinho, rápido, meio cante. Meu, aí, desculpa, achei meio cante. Aí eu não fiquei com homem que eu queria, então vou tacar fogo na sua casa, eu vou dopar o seu filho.
Mulher maluca!
Ela é um prato cheio para o Ryan Murphy, fica aí a dica.
Ryan Murphy gostaria de conhecer ela. Minha avó gritou, meus pais acordaram e minha mãe bateu tanto nela que a minha mãe tem passagem na polícia por tentativa de homicídio, tamanha surra que deu nessa Desculpa, meio cante. A mãe arrasou aqui, a mãe arrasou aqui.
Você meio que arrasou.
A partir daí, essa tia foi deletada da família. Bom, gente, ela tentou pôr fogo numa casa e depois dopou um bebê, né? Acho que assim, já vi gente, e tem gente cortando raiz só porque a pessoa votou em alguém que ela não gostou.
Olha isso aqui, sabe? Vamos voltar a ter contato com nossos familiares, vamos rever as coisas que a gente foi assim, botar fogo na Botar fogo na casa, tranquilo, tudo bem. Mexer com bebê, sabe? É porque botar fogo na casa, essa coisa era performance.
É uma coisa assim, é sem ninguém dentro, né?
Óbvio. Às vezes não vai botar fogo na casa inteira, às vezes tipo assim, ah, vou jogar um pouquinho de gasolina só nesse canto para verem que tem fogo. Eu vou tacar fogo de novo.
Ó, se eu quisesse.
Ó, ela com fogo assim.
Porém, gente do céu, mulher, a mulher fez mais coisa. Porém, no meu nascimento, 20 anos depois disso, 20 anos depois dessa história toda que ela tentou pôr fogo e roubar o bebê, ela apareceu pintada de verde com cajado e um corvo no pau. Ela apareceu no hospital, deu uma identidade falsa e conseguiu entrar no berçário. Ela pegou a minha mão e disse que tinha me amaldiçoado para que eu morresse antes de completar 10 anos de idade.
Você vai espetar o dedo numa rocha, gente! A Bela Sentida total. E vai dormir por anos até o homem beijar os seus lábios.
Bom, eu estou com 37 anos, meio capenga, mas vivo. Chupa só, velha desgraçada! Deu 10 anos de validade, o Boff tá com 37, entendeu? Ele tá vencendo. Tudo isso foi contado para mim pela minha tia meio bêbada no velório. No dia seguinte, fiz a única coisa possível: contei tudo para os os primos. Obviamente virou fofoca do ano na minha família. Agora, o mais bizarro: nas fotos do dia da celebração e nos vídeos, o homem que eu vi atrás delas na mesa não apareceu.
E no dia ele tava colado com elas o tempo todo. Minha tia disse que, pela minha descrição, eu estava vendo o marido morto da velha safada. Eu me recuso a acreditar que depois desse capítulo de malhação que foi a vida dos meus pais, eu ainda vi um rosto maligno. Amor, e que malhação é essa que você assistiu? Malhação pesadíssima!
O pior que eu achei que ele ia falar que depois, que depois de tudo que ela, que essa velha desgraçada fez, ela ainda conseguiu um marido. Isso, o que é cante, é meio cante, é meio cante, ela é meio Jolene, sabe?
Gente, mas nossa, que horror!
Ai, minha família não tem essas histórias assim, sabe?
A minha família é tranquila assim.
Então nós mulheres que tem ansiedade por nada, porque nossa família Tranquilo, gente.
Esse cara aqui ter ansiedade seria totalmente justificado. A sua tia te caçou, ela deu uma identidade falsa no hospital, te caçou, pegou a sua mãozinha e falou: você vai ter 10 anos, você vai morrer. E assim, eu particularmente nunca vivi nada disso. Por isso que eu falo, quando eu vejo essas coisas, eu falo: gente, a gente tem assim ansiedade por nada.
Ansiedade porque a gente sofreu pouco. É por isso que a gente tem medo, porque não aconteceu nada.
A gente teve infância feliz, entendeu? Feliz demais, demais. Eu acho que o nosso erro foi ser feliz demais.
Aí, pior, aí será que eu posso contar isso? Antes de vir pra cá, tava conversando com um amigo nosso, do meu e do Nô, que a gente tá falando sobre curso de palhaçaria, de palhaço, palhaço mesmo.
Curso de palhaçaria, porque eu tenho medo de palhaço.
Tudo bem, meu marido é palhaço. Se eu soubesse, teria trazido ele montado, a louca. Curso de palhaçaria, porque tem uns lugares que faz curso de palhaçaria que é baseado em tipo, aí você vai dormir no chão, você vai passar fome, você vai ser humilhado para você se despir de todas as suas vergonhas. Aí esse amigo nosso foi fazer esse curso que o professor tava tipo colocando as pessoas em roda e humilhando uma uma por uma, curso maravilhoso, tranquilo.
Aí ele tava tipo assim, ah, eu já tô preparado, né, ele vai ser transfóbico, ele vai falar merda. E o jeito que ele conseguiu para constranger e humilhar esse meu amigo foi elogiando ele.
Ele tipo, transfóbico elogiou, é assustador.
Não, tipo, o meu amigo pensou, ele vai ser transfóbico para tentar me afetar, ele tava meio que preparado para as ofensas. Aí esse professor falou, deu para ver que você foi muito amado na sua infância, essa confiança que você tem, para você gostar, para você ser quem você é e não ter vergonha disso, porque Você se ama muito. Esse foi o jeito que ele humilhou e constrangeu ele, falando: você foi muito amado na sua infância.
Meu papel aqui acabou. Você foi muito amado, entendeu? Não tem mais nada para te trazer. A vida—
eu me sinto bem. Não tem drama na sua família desse tipo, né?
Não, nesse de roubar, não. Taca fogo é alguém? Não, não teve, cara. Teve um, ah, teve, eu vou contar, vai. Mas já que vocês insistem, mas o que acontece, teve uma mentira porque eu tive um padrinho que ele faleceu muito cedo. E aí, e o que me disseram, né, que ele tinha ido trocar uma lâmpada e morreu eletrocutado. Então eu fiquei muito traumatizada com essa história e eu nunca troquei uma lâmpada. Não é porque eu sou vagabunda, mas eu realmente peguei um trauma grande. Eu não tenho coragem de trocar lâmpada.
A casa dela é só velas assim, que ela morre de medo de lâmpada.
Então a vida toda, tipo assim, eu pedia para alguma amiga trocar, tipo assim, várias coisas, mas a lâmpada não tinha coragem. E aí uns 2, 3 anos atrás eu tava conversando, né, tava eu, minha mãe, minha prima, a gente tava conversando tal, aí eu falei, ah, porque eu tenho medo até hoje, né, eu tenho trauma de trocar lâmpada por causa do meu padrinho. Aí minha mãe ficou quieta. Aí eu falei, meu padrinho que morreu, tá lá. Ai, Marila, óbvio que ele não morreu disso, a gente só falou as histórias para você.
Aí eu, como assim é óbvio que ele não morreu? E aí eu fiquei, eu e minha prima, como assim? Mas eu também tinha ouvido essa história. E ela, não, ele teve uma overdose.
E tu não tava eletrocutado de eletricidade? Ele tava travado?
Desculpa. Não, foi uma história que a gente quis contar para tipo ser mais fácil para você. E eu fiquei a vida toda sem trocar a lâmpada por Por causa disso? Existe um grande tabu de falar de droga, né, antigamente, assim. E aí era uma coisa, enfim, esse é um grande segredo, assim, que enfim.
Que era só para você.
Que era só para mim. E que eu descobri sem mentira nenhuma, gente, faz uns 3 anos que eu descobri. Eu fiquei assim, mãe, tem mais alguma mentira? Eu fiquei sério semanas falando, mãe, o que mais que você mente para mim? Porque é foda, né?
Mas eu acho engraçado que tipo Tipo assim, ai, como que uma criança pode processar isso? Vamos encontrar a morte mais desenho animado, mais tipo como que o coiote morreu, como o Papai Léguas morreria.
Ah, vai ser assim que a gente vai usar.
Tipo chave, sabe?
E o pior de tudo é que a minha mãe não sabe que eu fiquei mal com isso. Tipo assim, ela não teve essa ideia e eu cresci achando falando que se eu me encostasse numa lavadora, eu ia morrer, tal qual a Bela Adormecida, entendeu? Não poderia encostar numa máquina de costura, sei lá como que fala isso, é de fazer o fio de TTH, que é esse podcast, uma máquina de TTH. Então esse é o meu grande segredo sujo.
Eu não tenho segredo, eu Não tem segredo sujo, mas tem eu interpretando as coisas erradas e acreditando nisso durante muitos anos. Tipo, na minha cabeça tinha acontecido um acidente de uma panela de pressão ter explodido enquanto minha mãe pegava ela. Essa água quente, né, que eu acho que ela tava fazendo frango, essa água quente cair no peito dela, ela correr direto para o hospital e a queimadura ser tão forte que ela teve que reconstruir os peito dela, de tão forte que foi.
E por conta disso eu fiquei com medo de máquina de panela de pressão. E depois de ter o meu filho, conversando com a minha mãe, eu descobri que eu tinha misturado duas coisas. Que tipo, ela foi para o hospital porque caiu água quente, foi uma coisa, mas ela reconstruiu os peitos porque ela tinha feito bariátrica.
Mas o bebê fez um silicone, do nada você não. Mas ela Quente é muito perigosa.
Ela foi fazer tipo uma mastopexia, sabe? Só para dar uma levantadinha no peito, que ela emagreceu muito.
E você misturou essas duas histórias.
E hoje tipo assim, nossa, a panela de pressão cozinhou os peitos da minha mãe.
Gente, não, sério, o que as crianças fazem de inventar as coisas? Não dá.
Espera, como a comunicação da minha família é boa, né? Eu saí acreditando nisso, ninguém nem sabia que eu acreditava. Vamos para o próximo.
Bora!
O rosto misterioso. Olá, Mabei da Cota, o meu nome é Flávia. Oi, Flávia! O meu caso bizarro foi quando eu tinha 15 anos e o Snapchat estava super em alta, assim como, assim como postar fotos todos os dias no Facebook. Eu passei para nessa fase.
Sério?
É, eu tenho 30 anos agora, então eu tava no colegial. A era dos famosinhos do Facebook reinava, babado. Naquela época, minha ring light era um abajur. Cada um se vira como pode, né? Poxa, quem nunca? Eu, primeiro softbox que eu tive no meu canal era papelão e papel alumínio que a gente colocava em volta do bocal de lanterna.
Não, meu tripé já foi o livro Os Miseráveis, que é dessa grossura, entendeu?
Encaixa o sapato. Pois bem, fui para o meu quarto fazer as minhas fotos, fechei tudo e deixei escuro. Uma vibe. Editei rapidinho e postei. Passaram-se uns 15 minutos, recebi algumas mensagens dos meus amigos falando sobre a minha foto. Flávia, o que que é isso atrás de você? Eu já tranquei o cu e minha alma saiu corpo. No fundo da foto, bem desfocado, havia um rosto de mulher e era tenebroso. Era mãe dela. Eu estava sozinha em casa, não tinha como ser uma pessoa de verdade.
Pedi ajuda aos meus pais e quando chegaram, meu pai foi fuçar o quarto atrás da mulher até que a gente finalmente descobriu. O rosto que eu pensei que era ser o capeta era uma caixa de tinta de cabelo Colestom. A mulher era a imagem da caixinha da tinta.
Não, gente, pelo amor de Deus!
Ai, que raiva!
Gente, eu quero muito tirar uma selfie com uma caixa de colestomol atrás assim.
Antes, no apartamento antigo que eu morava, eu tinha as cabeças de peruca, tinha os manequins e tal, só que tudo ficava tudo dentro do meu quarto. Meu marido, quando a gente tava namorando, ele dormia lá, ele ficava morrendo de medo porque tipo apagava as luzes, entrava só a luz daquelas, daquelas lampadinhas da liberdade e ficava um monte de silhueta de corpo e cabeça em volta da cama.
Não ajudava. Às vezes é sobre isso, né, sobre traumatizar o marido de volta.
Às vezes é sobre criar os fantasmas que a gente não teve na infância. Ele teve bastante, ele era espírita. Eu não tive.
Você não vai ter, você não precisa disso.
Chaves é um menino de 8 anos, ele não vai ver fantasma. O sonho dele é ver um fantasma e ele não vai conseguir.
É estação de barril ou estação de fantasma? Ai, a próxima história é Seminou no Corredor. Oi, Mabê! Oi, Dakota! Eu moro no interior do Mato Grosso, perto da divisa de Goiás. Eu estava organizando tudo para me mudar para Goiânia e começar a fazer um cursinho por lá. Meu pai e eu fomos para lá, me matriculei no cursinho e fomos procurar um apartamento para alugar.
Entramos em vários sites, dinâmica assim, né? Eu tava pensando isso, eu fui fazer isso, fui com meu pai lá e quando ele conseguiu, chique.
Entramos em vários sites, visitamos diversos apartamentos Sempre pensando numa maneira de eu me sentir bem localizado, porque eu iria morar sozinho e era jovenzito. Encontramos um que parecia muito bom, era um prédio de 2 andares e tinha uma cafeteria na parte de baixo. Ficava numa avenida conhecida e eu precisaria pegar somente um ônibus para chegar ao cursinho. Tudo segundo as informações da imobiliária, era um lugar calmo e o apartamento que eu iria ficar era de uma mulher muito tranquila que vendia aqueles shakes famosos de emagrecimento.
Ai, gente, eu tenho tanto ranço disso. Porque eu passei por essa época de várias pessoas à minha volta começar a vender esse shake filho da puta. Você beberia esse shake filho da puta? Mas eu ficava muito puto, porque tipo, ai, você vai emagrecer. Tipo, sim, você tá bebendo leite e água suja. Você tá trocando suas refeições por um copo de leite. Tipo, é óbvio que você vai emagrecer se você parar de comer isso. É bulimia, filho da puta!
Você começou a beber um xixi? É mesmo?
Comeu cocô do gato?
Não lembro por qual motivo essa informação é importante, mas eles passaram isso para nós, que a mulher vendia shake.
Era importante porque é mentira.
Quando chegamos, meu pai não tava muito bem. Algo que havia comido não bateu. Ele disse para entrar sozinha no prédio e procurar a dona enquanto ele ia ficar na cafeteria para se recuperar. Eu subi, o prédio era bem antigo, até Até aí tudo bem. Havia barulho em um dos apartamentos e imaginei que era a dona fazendo algum atendimento, algum atendimento.
Ela fazendo shake, bate esse leite! Desculpa, não é esse tipo de podcast, perdão.
Ah não, é sim, é super sim.
Ai, bate até espumar o leite!
A porta de início tava aberta, mas logo alguém fechou e pude ver a plaquinha da marca dos shakes. Eu fiquei esperando alguém aparecer enquanto mandava SMS para minha amiga que tava na minha cidade contando dos perrengues dos outros apartamentos. Do nada, a porta da vizinha se abriu e um cara saiu com seu bucho peludo à mostra, uma calça bege e uma bota, o cabelo todo bagunçado, com cara de quem não tomava banho há dias. Parecia ter 25 anos.
Eu olhei para ele por cima do óculos como se só notasse a presença do ser, mas continuei mandando mensagem para minha amiga.
Interpreta para a gente como que por cima do óculos, meu amigo. Mas ao mesmo tempo mandando mensagem para mim, é tipo, coloca o óculos na ponta do nariz e fica.
Ele mandou um psico para mim e deu uns passos em minha direção. Olhei para ele sem baixar o celular. Vou fazer de novo. Ei, você curte? Disse ele, deu uma piscadinha. Me fingi de sonso e ele voltou a perguntar se eu curtia, dando uma pegada na altura da virilha da calça sujas. Seria uma piquezona? Sim, eu sou gay, mas preferiria atear fogo no meu corpo do que encarar aquele ser grotesco.
Anticlimático.
Neguei com a cabeça sem abrir a boca. Então você curte mulher? É, tenho amiga que você pode foder forte, ela adora.
Deixa para lá, não defendemos mais.
Quase vomitei. Eu disse: não, cara, tenho namorado. Ele me olhou de cima a baixo.
Eu tenho namorado, meu amor.
Ai, eu tenho um super namorado, eu adoro ela.
Nossa, tipo, adoro vagina e seios, tipo, tudo. Ai, etc.
E clitóris. Nossa, eu sempre achei o clitóris.
Sempre.
Eu fui o primeiro a encontrar o clitóris dela, antes dela encontrar.
Antes dela mesmo, ela tava de roupa, eu falei, tá aqui.
Tá aqui.
Em outra tem.
A gente comemorou, tomou um martini.
Eu falei, tá aqui. Ela falou, achou. E a gente, uiii!
Ai, ele me olhou de cima a baixo e disse, sério? Ok, não era nada convincente que eu não era gay.
Eu confirmei com a cabeça. Eu também era tipo assim, jura, amor? A senhora?
Ai, com essa calça?
Pra cima de mim.
E eu confirmei com a cabeça, estou conversando com ela agora. Mostrei o celular rapidamente. Nossa, realmente, ele é muito gay. Olha aqui, ó, minha amiga. Foto da Britney.
No pior, é rapidamente. Eu sei, eu tô falando com a minha namorada agora, ó.
Mas essa é a lei de Gato. Mostrei o celular rapidamente, ele viu o nome da minha amiga com apelido fofinho. Não tem problema não, vamos lá, eu te dou uma coisa que vai fazer você ficar na brisa. Não precisei responder nada, a porta ao lado se abriu, ele correu para dentro do apartamento batendo a porta. Ninguém mais saiu do apartamento, mas foi minha deixa para descer. Meu pai ainda estava na calçada conversando com uma pessoa na cafeteria.
Catei meu pai pelo braço e puxei ele para descermos um pouco a rua, o coitado sem entender nada. Ele me parou e eu, meio assustado, disse: o meu futuro vizinho acabou de me oferecer drogas.
É muito case interiorana, que fofo! Ele me ofereceu drogas e eu fiz assim para ele.
Em poucos segundos, meu pai processou a informação e voltou para o prédio para xingar a dona do apartamento. Nesses segundos que se passaram, dois caras entraram na lateral do prédio com armas à mostra na cintura e olharam feio para nós. Dessa vez, meu pai me catou pelo braço e me puxou para a gente se afastar. Eu quase tendo uma crise de pânico.
Aqueles homens me ofereceram armas. Me ofereceram balas.
Ele fez uma coisa que o homem jamais faria comigo, ofereceu balas. Expliquei tudo para ele, mas deixei de lado a parte das ofertas sexuais. Andamos apressados, meu pai com telefone ligando para imobiliária. Ele escolheu um bom pessoal. O pessoal falou que era um absurdo fazerem aquilo, que eu era um moleque que estava sendo colocado em perigo, que dois caras entraram armados. Enfim, o pessoal da imobiliária disse que não sabiam disso e pediram pediram desculpa. Desculpa, não sabia que tinha droga. Ai, meu Deus!
Eles pediram desculpa.
Puts, desculpa, não sabia. Eu finalmente tive uma leve crise de ansiedade. Meu pai disse, quase me sacudindo: isso é cidade grande, você vai aguentar isso sozinho? Ai, tadinho, o menino era novo, né? Paramos numa praça um pouco mais para frente. Meu pai me perguntou de novo se eu queria morar em Goiânia. Eu falei que não, cancelei a matrícula, mudamos nossas passagens e voltamos para o Mato Grosso. Meses depois eu me mudei para outra cidade, fiz meu cursinho, decidi fazer vestibular, me endividei com o FIES, mas me formei como arquiteto.
Lembro que essa história se tornou um marco, sempre sendo comentada, e gerou mais um acontecimento depois. Certo dia fui visitar uma amiga que morava em Goiânia. Retornando num táxi do shopping, passamos em frente ao local e eu lembrei na hora e comecei a contar para ela a história. Na história íntegra. Quando cheguei na parte do você curte, o taxista virou o pescoço tal qual a menina do Exorcista, esperando a minha resposta. Ele tava com a cara feia, pronta para me jogar fora do táxi se a minha resposta fosse sim.
Eu e minha amiga percebemos, então segui a história contando como se eu tivesse mesmo uma namorada, que fez o taxista desarmar e ficar tranquilo para comentar: vagabundo drogado gosta dessas putaria Meu Deus, que horror! Ai, ai, que bom que não deu certo morar lá. Adoro você e Samuel. Gente, que horror!
Aí eu fiquei imaginando, tipo assim, eu fui visitar minha amiga em Goiânia e ela estava casada com o cara que me ofereceu bapho.
Gente, meu Deus. Não, mas o cara foi, tipo assim, nojento, né? Tipo, falar se você curtir isso e tal. Foi essa parte, a parte das drogas, eu acho que tudo bem. Ele tentou dar uma amenizada para o pai, mas a real é que ele tinha que ter falado para like. Cara, você é idiota, né? Ai, meu Deus. Mas assim, e o taxista olhando lá com a carinha de exorcista.
Cuida da sua vida, tá doido.
Nossa, mas assim, é foda, né? Porque dependendo do taxista, você tem que mentir a sua sexualidade. Eu já fingi que eu voltava na direita por causa de um Uber, amiga. O pior é que assim, eu sou travesti e eu tenho cabelo azul, então ninguém acredita.
Não consegui acreditar.
Aí eu vou botar no Nicolas Ferreira mesmo.
Você tem que pegar um óculos com a bandeira do Brasil para se disfarçar.
Exatamente.
Aí você bota o botão amarelo, aí você finge que você é louca pelo Brasil.
Exato, sou louca pelo Brasil. Meu cabelo aqui é Brasil, pô.
Até o fim, caralho.
Minha prata, minha prata, minha pátria.
Não sabe nem falar pátria.
Não sabe nem ser bolsonarista.
Eu sou travesti, né? Então tem o que acontece comigo Táxi é muito travequeiro, amiga.
E dá em cima, tipo, assedia, né?
Muito, muito.
E eu mesmo nunca paguei em um táxi.
Cada vez que um taxista dá em cima de mim, eu guardo um dinheiro numa caixinha no meu banco. E hoje eu tenho 5 milhões.
Eu comprei esse podcast, agora ele vai se pagar.
Descobri amar bêbado.
Olha, com 5 milhões dá assim, um pouco menos.
Ela fica na minha casa, eu dou um gato só para ela ficar espirrando para mim o dia inteiro.
Ai, foram essas histórias, eu amei! Foi tudo, né?
Foi divertido, a gente tem que fazer mais vezes. A gente tem que fazer mais vezes, a gente tem que se encontrar um dia para se vestir de gato, cagar numa pessoa, bater numa porta, oferecer bala para alguém e falar uma boa tarde.
Mas eu queria que você me maquiasse um dia.
Vamos, vamos! Você tem muita alergia? Escorre muito olho?
Não, não é tanto.
Qualquer coisa eu fazia por cima do óculos.
A gente cola aqui umas coisas. Eu vou combinar com seu marido então, porque eu sei que você não é boa de maquiagem.
Vamos, que eu tenho, você vai adorar meu estúdiozinho cheio de pirucuxas.
Eu quero saber.
Você tem piruca azul?
Não, mas pode ser outra cor também.
Podia ser uma versão drag da Mabê com cabelão azul, com batom azul, ia ser tudo. É verdade, só para você. Mas amo, por favor. E quero divulgar aqui, antes da gente se despedir, o meu especial.
Eu ia falar primeiro para você falar como que as pessoas fazem para te encontrar, se alguém não sabe quem é você. Cara, dá o seu arroba, seus projetos.
Gente, pode me seguir em todas as redes sociais sociais, @dacotamonteiro, Dakota com C, porque eu sou preta. Dakota.
Ah, mentira! Meu Deus, é icônico! Não, é mentira isso.
É sério, é verdade.
É sério?
Sim, eu escolhi meu nome de drag assim por isso. Me siga em todas as redes sociais, @dacotamonteiro, Dakota com C, no Instagram, no YouTube, no TikTok, no Twitter, se você quiser me ver brigando com as pessoas em todas as línguas possíveis. E eu postei no YouTube há pouco tempo o meu especial de comédia musical da Acústico, porque é um acústico da Dakota.
Eu estou amando assistir os cortes da sua comédia musical. Inclusive, eu quero, eu quero assistir uma, por favor.
A gente fez lá no Teatro YouTube mesmo.
Eu achei muito foda, achei muito foda. Aliás, a gente— vou te chamar para um teatro do Caso Bizarro, tá?
Por favor, eu faço uma performance lá.
Eu acho que vai ser tudo, porque, meu, sério, eu acho que vai ser muito legal a gente fazer um teatro junto.
É lá perto casa, tudo certo. Então assistam lá o especial completo e divulguem também, porque apesar da lei brasileira e da lei americana proteger o meu direito enquanto artista de fazer, jamais tolerarei as minhas paródias. Não pago ECAD, não é crime, não infringe o direito autoral. O YouTube desmonetiza e limita, e limita o alcance. Então por favor assistam, todas as paródias estão lá. E contratem a gente também, eu e a Mercedes.
Minha amiga que participou da segunda temporada do Drag Race Brasil. A gente tá vendendo esse show, então se quiser—
Ela que toca?
Isso.
Ah, tá.
Eu componho, a gente canta e ela toca todas as músicas.
Cara, é muito legal, de verdade. Você é muito talentosa, você é foda. E eu assim, fiquei assistindo os cortes e dá muita vontade de assistir. Então, gente, vamos prestigiar, que ela realmente é uma arte diferente. Eu que não sou artista. Ela é uma artista de verdade, que eu só tô me maquiando. Que eu gosto. Ela não, ela realmente é uma artista, tá?
Aí precisa de berço, meu amor.
Ai, não é assim, não é fácil.
O pior é quando a gente ofereceu uma pauta do YouTube, eu fiquei tipo assim, porra, caralho, tem que inventar alguma coisa agora. Eu escrevi texto, aí eu escrevi música, aí depois eu fiz, eu fui ver, tipo assim, nossa, é verdade, eu podia ter sentado com as minhas amigas e conversado.
Ah, mas muito mais legal que você fez, pô.
Mas deu muito mais trabalho. A gente escreveu tipo 10, 12 músicas 10 músicas em 2 semanas, gente.
Mas pelo amor de Deus, que talento! Vai se foder!
Eu funciono melhor sob pressão, por isso que eu transicionei, para deixar a vida bem difícil e levantar cada vez mais.
Se o professor chegasse para você, ele fala assim: ai, você parece que tem uma vida bem fácil mesmo. Porque a pessoa que inventa e criar 10 músicas em 2 semanas quando podia só sentar a bunda na cadeira e ficar fofocando com as amigas é porque tem A vida é fácil, né? Precisou deixar a vida um pouquinho mais difícil.
Nem parece que tem uma criança de 8 meses dentro de casa.
Que tem filha pra criar.
E me siga nas redes sociais, porque muito em breve vai estrear Macbeth. Que é a minha... Macbeth! A companhia extemporânea que eu faço parte. A gente fez Rei Lear, do Shakespeare. Uma peça só com drag queens. Alexa Twister chegou a ganhar o prêmio Shell de melhor ator no ano que a gente estreou. E a gente tá fazendo outro texto do Shakespeare, que é o Macbeth. Macbeth. Então vem assistir, me acompanha, que vocês vão descobrir. Você tá super convidado. Gosta de Shakespeare? Não, né?
Mas gosto de drag.
Tá ótimo.
Quem gosta de Shakespeare em 2026?
Shakespeare em 2026, por favor, né?
Aí ela do nada, eu tô fazendo duas.
Mas é, então tô com esse especial do Acústico. Contratem, me chama na Realness. E em breve a gente vai estrear o Macbeth. Que é tudo.
Perfeito, muito obrigada por ter vindo.
E você divulgue suas redes, meu podcast.
E é isso, gente, um beijo e até a próxima.
Tchau, tchau!