CB #189 - Possessão seletiva com Jacira Doce
No episódio de hoje discutimos sobre uma fanfiqueira aposentada, um parto bem conturbado e uma possessão seletiva!
***
CB ao vivo em Recife: https://bit.ly/3SWirK8
〰️
Projetos Jacira:
▪️Livro - Minutos de (des)sabedoria: Pílulas para amenizar a vida, de Jacira Doce
▪️Podcast Irrisório Show
〰️
- Ameaças de morte por fanfic de RebeldeRebelde (telenovela) · Fanfics · Viciada em fanfic · Líder de fã-clube · Poder da literatura
- Susto memorável com criaturaSítio no interior da Paraíba · Medo de assombração · Namoro escondido · Capa de assombração
- Serviços de EmergênciaSAMU · Comunidade pobre · Parto de emergência · Encontro com motoqueiro misterioso · Criança pálida e silenciosa
- Bonecas possuídas e trambique evangélicoBoneca Stephanie · O urso Rodrigo faz um amigo · Amiga da igreja · Revelação divina · Brinquedos colecionáveis
- Demonios e Possessao· ReligiaoEspíritos diversos · Possessão discreta · Espíritos estilistas · Harmonia entre vivos e espíritos
- Experiencias Paranormais· SociedadeCasa antiga · Energia esquisita · Cofre escondido · Pintura de pomba assustadora · Aluguel barato por assombração
- Paciente com delírios e possível assombração em CTIPrevisão de alta hospitalar · Usuário de drogas com problemas neurológicos · Espírito de Valentina · Nécessaire que cai sozinha
Oi, gente! Eu vim aqui convidar vocês pro Caso Bizarro ao Vivo no Teatro. A gente tá com uma temporada muito especial no Teatro YouTube, ó. Em julho, a gente ainda tem as datas 20 de julho com a Briana, Jane Prioli, Fih Bartolotto. E dia 24 de julho com o Thiago Pezzanetic e a Paty dos Reis, que tá fazendo episódio comigo agora no Clube do Audiolivro. Episódios novos aí no Caso Bizarro. Então muita coisa nova rolando. E, ó, vai ter também alguns Casos Bizarros ao vivo em outubro no Teatro YouTube.
Mas eu ainda tô fechando aí os convidados. Então em breve vou trazer informações pra vocês. Mas em outubro, no dia 11 de outubro, no Teatro Rio Mar em Recife, vai eu, Chiquify, Thiago, Pezzanetic e Fabão. Sim, eu e os 4 meninos, as 2 duplas fixas do Caso Bizarro, estaremos lá em Recife para um evento assim muito especial, um Caso Bizarro ao vivo pela primeira vez no Nordeste, no dia 11 de outubro. E gente, tudo que eu falei agora, todos os links, todas as vendas já estão abertas.
É só você olhar nos links lá na descrição do episódio e bora assistir! Olá, sejam bem-vindos a mais um Caso Bizarro. E hoje estou aqui com uma pessoa muito especial, que é a Jacira Doce. Oiê!
Gente, que doideira te ouvir aqui no fone. Porque eu ouço lavando uma louça, fazendo uma faxina, mas aqui... Tá pertinho, né? É, tipo, dentro da minha cabeça.
É uma coisa meio possessão, eu acho.
Eu vou chamar de imersão. Vamos começar mais leve?
Vamos começar leve, uma imersãozinha. Ai, eu tô muito feliz que você veio.
Muito feliz. Eu amei que deu certo. A gente não é no mesmo CEP, né, pessoal?
Então a gente é... são outras coisas, não é fácil possuir uma pessoa de outro CEP. E antes da gente começar, eu queria só falar que eu tô muito feliz de você vir, que eu amo seu conteúdo. Eu já consumo seu conteúdo há muito tempo. E, cara, eu sou viciada na forma como você fala sobre as coisas. Tipo, você fala de um jeito muito leve, muito calmo. Assim, eu ouviria você falar sobre qualquer coisa. Os maiores absurdos possíveis, assim, na classe.
Você tem muita classe, você fala de um jeito muito gostoso de te ouvir. Então Queria aqui fazer esse elogio pessoalmente, aproveitar que a galera fala do podcast, você aproveita para chamar as pessoas que você gosta. E é verdade, eu não vou mentir, não faria o menor sentido trazer aqui uma inimiga, né?
Para quê?
Para quê? Então eu gosto, consumo conteúdo, vou lá e falo assim, ah, eu acho que faz sentido, chamo. E hoje, como eu te falei, o episódio está muito especial. Temos aí uns causos Mais assim para o lado assim, né, da loucurinha e tal, o lado de uma coisa mais imersiva. Temos uns casos mais tranquilos, mais engraçados. Então assim, não sei quais são suas expectativas. Você é medrosa?
Olha, eu cresci vendo pessoas endemoniadas, então assim, eu tô bem tranquila. Meu pai, terça-feira, tranquilo, igreja evangélica que eu cresci, na assembleia, meu pai pastor. Minha mãe também. Então eu tenho familiaridade e talvez até um pouco de carinho, porque eu, o meu pai, ele expulsava demônio. Então assim, ele tinha já uma coisa mais agressiva, tá? E a minha mãe acolhia, acolhia, dava uma água com açúcar. A minha mãe via a pessoa, meu pai viu espírito ruim, e eu era minha mãe, eu via a pessoa ali por trás da possessão.
Sim.
E assim, a gente tava numa Cidade com pessoas que tinham muita vulnerabilidade social. Então eu entendia que às vezes não é demônio, gente.
Às vezes é alguma outra questão, né?
Problemas de saúde mental, sim, e que não se falava. Eu tô falando de 30 anos atrás. Então assim, a gente não falava disso, sim. E dava para ver assim, gente, é claro que essa pessoa não tá bem, sim, ela sabe, ela não tem, ela tem pouquíssima condição de se manter bem. Então Todo o meu carinho, meu respeito a você, espírito que tá me ouvindo agora. Você que tá possuído, tá me ouvindo agora. A gente tava falando aqui antes que tem possessões muito leves. Talvez você tá possuído e não sabe ainda. É algo muito discreto.
É uma coisa— é verdade, porque às vezes a pessoa é discreta fora do meio, né? O espírito, aí ele tá ali, mas ele também tem espíritos e espíritos. Tem, exatamente. Porque a gente sempre acha que o espírito é de um jeito só, vai falar para fazer uma coisa só. Gente, os espíritos são diversos. Não é mesmo? Tem espírito de cabelo azul, vai ter outro espírito de cabelo preto. Acho que a diversidade também tá nos espíritos.
Eu acho, eu... Quando eu partir, vai que eu viro um espírito que possua pessoas. Eu sou muito discreta.
É, você acha que você vai ser? Porque você é muito estilosa. Eu acho que você seria uma espírita estilosa. Você não acha? Eu acho, mas aí... Será que dá pra ser discreta? Aí no mundo da moda dá pra assombrar legal muita gente.
Que é um mundo bem complicado, né.
Dá para dar uma sombradinha boa, mas eu não sei se dá para ser discreta, porque aí você vai estar toda chique.
Eu acho que discreta no agir, sabe? Mas eu ia possuir uma galera que entende um pouco, uma galera um pouco mais criativa.
Você acha que você ia também, tipo, querer possuir uma pessoa que tem um closet legal, que, né, para você poder, né, já aproveitar ali no embalo?
Eu acho, por exemplo, seus anéis, amei. Amor, amei a pulseira, a unha. Gente, gente chata eu não possuo. É, não, gente que quer blazer, você que não ousa, pode ficar tranquilo que teu corpo eu não vou pegar.
Esse aí tá tranquilo. Bom, bora começar então. Eu vou começar com um caso que se chama Eles Sabem Que Você Está Aqui. Eita, título bem tranquilinho. Eles quem? A gente já fica assim. Oi, Mabel. Oi, Jacira. Meu nome é Mateus, moro no Rio Grande do Sul atualmente, mas nasci e morei boa parte da minha vida no Paraná. Sou médico e meus casos aconteceram durante a faculdade de medicina. Nos dois últimos anos, a gente praticamente só tem atividades práticas e precisamos passar nas diversas áreas da medicina.
Eu achei que você ia falar atividades paranormais.
Eu também já tava assim, não, que que era a aproximação antes? Nesse caso, eu estava no estágio de urgência e emergência, mais especificamente estagiando no SAMU. Quando dava madrugada, eu dormia com o rádio das ambulâncias do lado, então sabia que teria alguma chamada para acompanhar os profissionais. Pois bem, em um plantão noturno, fui acordado com uma chamada de rádio que anunciou: grávida com dor na ocupação. Ocupação é como chamavam um bairro muito pobre da cidade e provavelmente o mais distante também.
Era de fato um assentamento e lá viviam pessoas muito vulneráveis e com pouquíssimas oportunidades de atendimento à saúde. A ambulância escolhida foi uma de atendimento básico em que não precisava de médico. Então fomos apenas eu, aluno do penúltimo ano, o motorista e uma técnica de enfermagem maravilhosa, a Rosa. A Rosa era veterana no serviço e manjava muito de tudo de saúde. A gente sempre fala aqui, né, gente, que a galera da enfermagem...
Eles são os verdadeiros heróis que estão fazendo sempre... Sei lá, vocês que... Pelo menos eu, ultimamente, que fiquei muito tempo indo pro hospital. A gente viu como que a enfermagem faz a diferença ali, né, no dia.
Sim, é o cuidado mesmo, né.
É o cuidado, é a parte mais humana, eu acho. O caminho durou uns 15 minutos a alta velocidade. Um deleite pra minha ansiedade. Já que poderíamos ultrapassar carros, furar semáforos sem remorso. E além disso, o barulho da ambulância me gerava alguma adrenalina. Cara, nunca parei pra pensar, mas você tá dentro da ambulância, deve ser um negócio, né?
Como é uma emoção!
Não, assim, aquele barulho, aquela loucura. Você saber que você tá indo pra uma situação de emergência.
E ele gostando, né? Então quer dizer, a gente já vê que...
Exatamente, já tá ali certinho. Até aí tudo bem. A pessoa que pediu ambulância disse que a casa era na Rua 6. Fomos passando pelas ruas. Rua 3, Rua 4, Rua 5, Rua 7. Não tinha Rua 6. Fizemos o mesmo trajeto umas 3 vezes e nada da Rua 6. Paramos a ambulância pra tentar contato com o paciente e descobrir como chegar na casa. Era setembro e nessa época fazia bastante frio de madrugada. Por ser umas 3 da manhã, ainda tinha uma névoa sobre as ruas.
Mas o desesperador mesmo é que por ser um bairro muito pobre, a ocupação não tinha qualquer iluminação pública. E por algum motivo, naquela noite, as casas também estavam sem iluminação. Não fosse o farol da ambulância, o espaço à nossa volta era um breu.
A gente sabe que horas tá acontecendo isso?
Era, ele fala que era de madrugada, né?
É isso mesmo, bem madrugada. A gente sabe quem são os donos da noite.
Exato, a gente vai descobrir a qualquer momento quem são esses donos. Quem é que são a galera da Rua 6, né? Porque aparentemente Depois de uns 5 minutos parado, desligamos o farol pra economizar bateria da ambulância. Então só tínhamos a iluminação do lado de dentro. Nessa hora, apareceu uma luz se aproximando. O barulho da moto ativou todos os meus instintos mais animalescos de bom brasileiro. Com medo de moto no escuro, minha espinha gelou.
Na moto, o cara perguntou: Onde vocês querem ir? O motorista respondeu: Na Rua 6. O homem me segue, que eu levo vocês.
Não, gente. É claro que ele era um demônio, me segue?
Gente, de moto?
Não, já tá ali, de moto.
Não vai conseguir, não vai rolar não. Gente, eu crente que tinham passado o golpe no SAMU, que seríamos mortos, roubados ou sequestrados. O motorista da ambulância foi ligeiro e disse que não, que ia esperar novo contato do paciente. Então o motoqueiro foi embora. O cu menos apertado e a testa mais relaxada, uns minutos se passaram e aí apareceram duas luzes de longe. Dessa vez elas se aproximavam mais devagar. Gente, é uma luz que tá vindo, eles não conseguem ver o que é.
Então, pelo amor de Deus. Com barulho alto de lataria se quebrando, chegando perto. Era uma Brasília velha, bem velha mesmo. No banco da frente tinha um senhor dos seus 45 anos. Gente, tem 40 anos, como assim um senhor dos seus 45 anos?
Eu tô tão preocupado, eu tô com 37, sabe? E o pessoal acha que 40 é fim da linha.
Gente, um senhor dos seus 45 anos. 45 anos, que isso! Se eu sair de uma Brasília, alguém me chamar de senhora, vai apanhar. Bom, mas eu imagino que deva ser um jovenzaço que mandou essa mensagem aqui, porque o senhor de 45 anos me pegou, tá? Me doeu, tá? Então saiu o senhor de 45 anos e o menino de 7. O menino tinha franja meio tigelinha, uma pele muito pálida, nenhum sorriso no rosto. O senhor desceu do carro, o menino ficou.
O senhor se identificou como esposo da grávida que tinha chamado ajuda. Ela não veio no carro porque estava com muita dor, então ele foi nos buscar para mostrar o caminho. Ligamos a ambulância, mas veio mais um obstáculo. Os fios da rua eram baixos demais, tão baixos que a ambulância não ia conseguir passar. Então a Rosa propôs que eu e ela fôssemos na Brasília Velha junto com o homem atendendo a ocorrência enquanto a ambulância dava a volta.
Na hora eu pensei, bom, a Rosa sabe onde está nos metendo, então vamos lá. Entramos na traseira da Brasília. Depois de umas 4 tentativas, o carro ligou e começou a percorrer o caminho de terra. E eu juro, eu senti os morrinhos de terra batendo nos meus pés de tão fina era a lataria. A única coisa que me apaziguava é que a Rosa sabia o que tava fazendo.
Ô, Rosa, mas também, poxa, já foi, já foi curtindo, né?
Mas teve uma hora que o carro quase virou por conta de um buraco. Então a Rosa pegou na minha mão e me olhou com uma cara de medo. Pensei: será que a Rosa realmente sabe o que tá fazendo?
Não sabia.
Pobre da Rosa. Narradora: a Rosa não sabia nada. Finalmente chegamos na casa da paciente e o cenário não era tranquilo. A iluminação toda estava feita por velas. Numa cadeira na frente da casa estava a paciente. E ela tava grávida. E ela não tava pouco grávida, ela tava muito grávida. Não havia dúvida de que ela estava em trabalho de parto. A paciente gritava muito, então tentávamos conversar com ela entre as contrações. Ela contou que não sabia muito bem em que ponto estava da gestação.
Enquanto conversava com ela, notei algo no mínimo curioso. O menino não olhava pra paciente, ele só olhava pra mim. Paralisado, me encarava, quase sem piscar. Tentei não manter contato visual, porque a situação já era desesperadora o suficiente. Mas não deixei de notar que ninguém falava com ele.
Ei!
O primeiro parto de uma mulher é sempre mais demorado. Do segundo parto pra frente, o bebê pode nascer em poucas horas. Esperançoso, então, perguntei se aquele era o primeiro parto dela. Ela disse: Não, é o sexto.
Sexto?
O sexto. O que foi? Você ia falar alguma coisa ou não? Não, eu tô assustada, eu tô... É, eu tô nervosa aqui. Ei! Eu e a Rosa nos entreolhamos e decidimos que era melhor ir logo pra ambulância. Acontece que a grávida tava enjoada demais pra ir de carro. Então quis ir a pé. Gente, coitada da mulher! Eu, Rosa, uma senhora muito grávida, em pleno trabalho de parto. O homem dos seus 45 anos e uma criança que só me encarava. Ninguém tinha lanterna.
Não era exatamente o grupo que eu esperava andar na completa escuridão da madrugada.
Cadê o celular dele? Isso é de que ano?
É, então, me parece não ter.
Gente, ninguém tem lanterna, todo mundo tem celular.
É, eu acho que deve ser meio antigo isso. No caminho, eu não enxergava dois pés à minha frente. O senhor ia nos guiando e a única coisa que eu ouvia eram os latidos de cachorro ao redor. Do meu lado, apoiada no braço, a gestante, que eventualmente parava para se contorcer. Do outro, a criança, em silêncio.
Vem cá, como é que tava a temperatura dessa criança?
Tava fria? É, gente, eu ia dar uma encostada.
Tava pálido, né?
Eu ia falar, gente, deixa essa criança aqui.
Às vezes um cotovelo. Não, protejam as crianças. Só para ver se ele reage.
Só para ver se Gente, tem alguém aqui vendo essa criança? Eu perguntaria, eu falei: Gente, tem mais alguém vendo essa criança aqui? Ou é só eu?
É assim que a gente é tirado de maluca, tá? Esse tipo de pergunta aí é complicado. Não, mas vale a pena só pra conferir.
É, pra dar uma tropeçadinha na criança. Então deixa ela passar, vê se alguém vê. Enfim, chegamos finalmente a uma rua afastada onde combinamos de encontrar a ambulância. Mas a ambulância não estava lá.
Ah, não.
A uns 200 metros de distância, a luz de uma varanda de uma casa acendeu. Era uma casa vazia, não tinha nenhuma outra construção em volta. Depois de esperar 5 minutos, percebemos que a ambulância devia ter se perdido. A Rosa, já irritada, virou pra mim e falou, Mateus, fica aqui, eu vou achar a ambulância. Cabe agora dizer uma coisa: eu ainda não havia aprendido a fazer um parto, não havia passado na obstetrícia. A grávida, de repente, Ficou de cócoras.
Ih, coroa!
Ferrou. A luz da casa distante começou a piscar. A criança, quieta e até agora a quem ninguém havia se referido até o momento, simplesmente virou pra mim e disse: Eles sabem que você está aqui. Minha mente bugou. Não sabia se eu estava com mais medo de ser abduzido, assaltado, de ir de arrasta pra cima por causa da mensagem. Mas naquele momento eu entendi que eu era o único que viu o menino. Eis que ao longe surge ambulância. Na frente, o motorista e a Rosa com um sorriso triunfante.
Colocamos a gestante na ambulância. O pai da criança e o tal do Menino Assombração voltaram para casa. Levamos a paciente para maternidade e, por incrível que pareça, o bebê não aconteceu no caminho. Como eu não estava trabalhando no hospital na época, não sei o que aconteceu com a gestante. Só sei que naquela noite, uma criança quase veio à vida. E eu quase fui à morte.
Meu Deus do céu. Você vê como a vida se encontra num ciclo tão lindo, né, amor?
É um ciclo maravilhoso.
Você sabe que esses dias eu ouvi a Déia dizendo que não existe espírito criança.
Eita, nossa!
Que quando é criança, é demônio.
É demônio. Ah, é verdade, falam isso mesmo.
Então assim, mudou de figura.
Mudou de figura, exato. Aí já fica um pouco mais complicado.
Fica mais difícil de lidar. E assim, eu fiquei pensando, será que esse menino não é, de repente, um filho que morreu? Fiquei pensando nisso.
Fiquei também pensando que ela falou que ela já teve 6 partos, né. E o cara tava sozinho, o marido dela. Eu também fiquei refletindo uma coisa, que assim, eu achava que quando a pessoa entrava na ambulância, o marido ia junto. Tipo assim, a mulher foi lá e ele não entrou. E daí eu fiquei pensando, mas será que eu queria que o marido fosse junto com a criança pra ambulância? Então... Porque eu não sei, eu ia falar assim, ó, o marido entra, mas esse demônio aqui vai ficar.
Esse pet tinha, será que é daí que surge esse termo pet, petinha? Pode ser, talvez seja.
Na verdade não era uma criança, era o próprio cão. Olha, tem uns trabalhos mais difíceis que os nossos, tá?
Tem, tem um pouquinho mais. Eu adoro, inclusive isso é a coisa que eu mais amo quando eu comecei a trabalhar com publicidade. Que é falar, gente, o meu trabalho não é nada. Nossa, lembro quando a pessoa ficava assim, não, porque a gente tem que fazer um post no Facebook. Falava, gente, você acredita que se esse post não sair, ninguém vai morrer?
Ninguém vai morrer depois disso. Quando vem o dia seguinte que alguma coisa não saiu como planejado, porque nada sai, sim, você falou, é, acordei. Caramba, né? Tem vida depois disso, tem vida.
Nossa, tem sonhos, tem pessoas. Ninguém— eu saí na rua, ninguém falou, nossa, aquele post do Facebook, Mabê? Que que deu com ele, né? Nossa, para mim foi uma, assim, foi um alívio que eu demorei muito tempo para aprender, porque eu era aquela pessoa tipo assim, aí veste a camisa da empresa, que eu não sei o quê, que eu não sei o que lá. Péssimo, gente, você nunca vista a camisa da empresa, fica essa dica aí. Esse é o look mais brega que você pode fazer, é a coisa mais brega que você pode fazer.
E aí eu era muito essa pessoa, então acho que quando eu dei essa virada de chave, que eu pensei, nossa, porque se a empresa quiser me mandar embora amanhã, foda-se, eles vão pensar em mim. E acho que quando eu dei essa virada de chave, eu acho que eu consegui levar a vida mais tranquila no trabalho, sabe? E é uma dica que eu sempre dou pros meus amigos que trabalham com publicidade. Nada é urgente. Finge que é. Às vezes você precisa fingir.
Às vezes você fala assim, não, com certeza a gente vai correr aqui. Mas assim, finge, fala pro cliente. Não, nossa, gente, olha, parei aqui, parei as máquinas nesse momento pra gente fazer... Ó, as máquinas tudo lá rodando. E eu parei todo mundo aqui pra gente poder fazer acontecer.
Mas... Nossa, essa frase é muito boa.
É tipo, parei todo mundo, todo mundo a gente vai dar o nosso maior e não dá, não dá.
Mas você sabe que eu acho que, por exemplo, o trabalho da saúde talvez tem que investir um pouco, né?
Uma camisa, o trabalho da saúde vale a pena, hein?
Pensa um pouquinho nisso assim, é urgente, isso é urgente, isso é urgente, você sabe que eu tenho um ex-sogro que já fez parto.
É isso.
Ele é enfermeiro, trabalhava no SAMU. E fez parto, já fez 2 partos.
Porque o parto é uma coisa que muitas vezes não tem mesmo como separar no meio. Ou dá tempo de chegar. Ainda mais que ele falou que era uma região afastada. Eu fico pensando o quanto essa mulher sofreu até a ambulância chegar até eles.
Uns 15 minutos, rápido, inclusive.
15 minutos depois, andando até a ambulância, sabe? Dá desespero só de pensar também em quão é difícil pra saúde chegar em alguns lugares, né. E, cara, é isso, assim. Ele ainda, por exemplo, se ele tivesse que fazer o parto daquela mulher ali, ele nem tinha experiência. Então é muito louco isso, porque o parto é uma parada muito difícil, né.
Não, esse é o verdadeiro terror, tá?
É, eu acho que eu ficaria apavorada.
E quem vai fazer teu parto é um estagiário.
É, você viu? Exato. Você vê a pessoa ali, que você vê nos olhos da pessoa que ela tá com medo do que ela tá fazendo, que ela não acredita no que ela tá fazendo. Eu acho que de tudo que a gente contou dessa história, talvez isso é pior do que o demoninho, eu acho. Não, e assim...
Ele tava bem quietinho.
Ele tava na boa.
É assim, é uma coisa que eu peço a você, espírito que tá ouvindo a gente. Não perturba tanto.
Fica na sua, né, gente.
O negócio de derrubar coisa, de dar susto. Que chato dar susto!
É, gente, que chato. Eu acho assim, será que não tem uma forma da gente estar em harmonia?
Isso que eu queria.
Sabe?
Eu queria.
Porque assim, eu também quero derrubar coisas. Então também vou derrubar, entendeu? Então me avisa que a gente derruba junto. Você quebra um prato aqui, eu quebro ali. Porque tem dia que eu tô querendo quebrar uma coisinha. Mas você quebra? Quando você sente raiva, você quebra alguma coisa? Eu nunca quebrei também, nunca quebrei. Mas você não— mas pensando assim, eu vou quebrar um prato, eu quebro, que vou ter que limpar. Começa por aí, eu que vou ter que pagar o prato.
É ridículo. Só que eu fico pensando, se dá certo para o espírito, porque deve dar uma paz para ele, será que não vai dar uma paz para a gente também?
Mas não é igual gato que fica olhando assim?
Olha lá, o cara derruba. Tipo assim, eu vou derrubar só para ela pegar.
Deve ser engraçado para eles ver a gente se foder, ver a gente se assustando, sentir medo, sabe?
Não, eu tenho certeza de que quando eu for, eu vou perturbar muita gente.
Você já sabe quem você vai perturbar?
Eu já escolhi algumas pessoas.
Eu também tenho medo.
Eu acho que eu vou escolhendo assim ao longo da vida. Às vezes eu vou ticando também, tipo, essa aqui eu acho que não precisa mais, já pagou em vida, já pagou em vida. Essa aqui também já muito fodida, deixa. Agora tem umas que eu penso assim, essa aqui eu vou Não vale, vale a perturbação, vale a pena, vale a pena. Tem uma, tem uma moça que, ai, não lembro o que que eu tentei uma vez numa loja física, tentar trocar uma capinha uma vez.
E eu fiquei pensando, sei lá, entrou um cara e foi tão grosso com essa mulher que eu fiquei pensando, gente, se eu fosse essa mulher, eu ia parar tudo e falar assim, não, esse aqui é o primeiro, o dia que eu morrer, esse vai ser o primeiro que eu vou vir atrás. Eu até dava uma checada assim, moço, pode só para arrumar aqui a sua ficha? Já anotava aqui o endereço dele para o espírito já ter a noção do bairro que ele vai, que ele vai passar.
Porque eu acho que tem umas certas coisas que eu vejo assim, eu fico, gente, é assim, ó, primeiro da lista.
Eu acho que os espíritos, eles fazem um trabalho muito educativo, sim, sabe?
Conscientização mesmo.
É, e de cara, não faça mais, tente melhorar. Sim, tem várias histórias que eu ouço assim que espíritos salvaram pessoas de situações, sabe assim? Ah, a pessoa que levou o apavoro do espírito ficou doida? Ficou. Mas aí não é comigo, era só não tá fazendo coisa errada, entendeu?
Exatamente.
Então também, se a gente correr pelo certo, pode ser que a gente não seja tão assombrado.
Eu acho que fica essa dica, fica essa dica aí. Pode ler outra história aí.
Aí, esse é o título? Possessão seletiva? Eba, vamos lá, vamos lá.
Bom, não, possessão é o que a gente tá falando, é seletiva.
E eu não posso ser selecionada, eu tenho certeza. Olá, gente, meu nome é Luana e moro em Portugal. Sinto muito por você, é porque eu falo isso com lugar de fala, sou portuguesa, tá?
Perdão, eu sei que a sua mãe não é que mora em Portugal.
Eu não sabia que você era portuguesa, mas assim, passei 3 anos lá, vim pra cá, tá? Que eu já era ligada, já era ligeira quando era criança pequena.
Minha mãe foi uma criança... Lá sim tem bastante espírito. E os espíritos estão velhos lá.
Cara, é a arquitetura pronta pro espírito.
Tá prontíssima.
Prontinha.
É. Porque, meu, tem uns lugares lá que são muito antigos. E eu fico pensando, não, aqui, gente, tem que nomear de motrinha.
Já aconteceu muita coisa nesse lugar, entendeu? É coisa ruim, coisa de sofrimento, pós-colonizadores. E outra... Se eu sou espírito, colonizador comigo não se cria.
Ia ser o primeiro.
Opa! Minha mãe foi uma criança que teve várias privações durante a infância. Por conta disso, depois de adulta, ela sempre gostou de ter vários brinquedos, principalmente bonecas. Boneca me pega. Muita boneca?
Boneca mexe, né?
Mexe bastante.
A boneca de porcelana, a bonequinha que anda, aquela boneca que faz som. Nossa, boneca que faz som não dá.
Ai, Deus é mais! Minha irmã e eu não podíamos nem tocar nos brinquedos que eram dela. Porém, teve uma época que ela deixou a gente brincar com uma daquelas bonecas grandes que andavam. Eliana!
E a Eliana, você dava a mão que ela andava junto, né? Eu não tive essa boneca, era caro, mas ela era muito assustadora.
Nossa, esquisitíssima!
Não dá não.
A moça diz aqui que sim, era uma Stephanie. É um tipo de boneca?
É, a Stephanie também, ela é grandona, ela tinha acho que tinha 1 metro mais ou menos, e ela andava junto também. Você dava mãozinha, ela andava junto.
Não é isso, compra um espírito para o seu filho ainda hoje.
Deus me livre, não dá.
Minha irmã e eu amávamos a boneca, ela era maravilhosa. Ela também deixou a gente brincar com vários ursos dela. Que felicidade! Minha mãe é uma evangélica canela de fogo, tudo pode dar errado essa história, tá? E nessa época, uma amiga da igreja dela começou a frequentar nossa casa. Logo de cara, ela ficou de olho nos nossos brinquedos. Daí elas foram fazer as coisinhas de evangelho delas e foram orar juntas. Eis que a amiga dela teve uma revelação. Vamos ver. A boneca e os ursos estavam possuídos pelo demônio.
Todos os demônios.
Então, então, revelação me pega, porque eu fico, tá, mas explica um pouco melhor.
Todos os ursinhos?
Não eram todos, não tem como, não tem como, gente.
Não tem tanto demônio assim, não dá.
Bom, não quero estar atacando os evangélicos aqui também. Disse que era melhor minha mãe dar a boneca e os ursos para ela. Porque ela iria saber melhor como lidar com esses demônios.
Bom, ela invejou.
Ela também teve uma infância difícil.
Eu acho que esse brinco aí, Jacira, que você tá usando, eu tô vendo um demônio nele. Deixa comigo, é muito conveniente. Você pode deixar ele comigo que eu vou tirar. Eu tô vendo uma coisinha nele desde que você chegou e eu acho Acho que na minha casa, tipo assim, ai, mas eu vi você usando brinco nos stories. Faz parte do processo, Jacira, é o que eu tô sempre falando. Faz parte do processo de tirar o demônio você usar um pouco brinco, você tá conversando com ele. Então vai ficar um pouco na minha casa.
E é por mim que você tá fazendo isso total, né?
Eu tô fazendo isso por você, cara. Eu quero só te ajudar, entendeu? Realmente é uma coisa que eu nem precisava fazer isso, cara. Eu nem precisava te ajudar. Olha como eu sou legal!
Não, e porque é foda, você vai ficar com demônio, entendeu? Exato, é muito difícil. Ai, como minha mãe acredita até hoje nessas coisas, ela realmente deu os brinquedos lindos para uma trambiqueira. Sempre que eu lembro da história, eu fico revoltada porque eu amava brincar com a boneca. Pior que a Stephanie era um dos lotes bons. Tipo assim, hoje a Stephanie Tá custando uns 30K, entendeu? Virou peça de colecionador.
E será que a possuída é mais cara? Porque uma vez eu vi uma foto de um, era tipo um, sei lá, umas doações nos Estados Unidos de uma casa, e tava assim: bonecas, né, bonecas $7, bonecas mal-assombradas $8,50. Então as assombradas eram mais caras. Gente, então tem isso assim, se a Stephanie é possuída, será que também hoje não é mais caro ainda? Eu pagaria por uma boneca possuída mais cara.
É sério? Eu ia perguntar quem pagaria.
Tamo aqui, tamo aqui ao vivo, cara. Eu acho que eu não pagaria porque eu tenho muito medo, mas eu sou muito curiosa também.
Você queria pagar para ver? Então vamos ver se tá possuída mesmo.
Tipo assim, R$30 mil eu vou estar gastando. Mas se fosse assim uns R$300, uns R$240—
Ah, ela tem um limite também, gente. Ela não vai gastar dinheiro dessa forma.
Também não é assim. Agora, se eu tivesse assim dinheiro assim para, né, para jogar, eu acho que eu compraria, né? Acho que eu compraria. Boa curiosidade.
O final da história é: a trambiqueira deu um jeito de levar boneco. E detalhe, os brinquedos— juro por Deus— os brinquedos velhos que a gente tinha não tinham demônios. Apenas a boneca Stephanie e os ursos lindinhos.
Olha lá, aí é uma possessão por conveniência, né?
É complicado.
Longe de mim tá aqui jogando luz pra trambiqueira, mas assim, gente, me pareceu trambique.
É, e a pessoa diz que foi trambique, né? A gente tá dizendo, nós estamos aqui contando uma história. E será que é uma coincidência? Ser uma trambiqueira evangélica, né?
Será? Bom, olha, eu não sei. Eu acho que eu assim, se eu fosse a mãe, eu falaria assim: não, vou dar um ursinho e vamos ver o que acontece. Vamos sentir, vamos sentir, vamos ver se os outros ficam bravos, como é que acontece com os demônios que sobra aqui na minha casa. Se eles não fizerem nada, porque também ela teve uma revelação, mas e aí? Não falou que fez alguma coisa? Não saiu o urso andando, né? Acho que eu precisaria de um pouco mais.
Ah, é?
Então E outra aí, cadê?
E outra, mente fraca, né, dessa mãe. Fraca, fraca.
É, realmente, porque ela era tão apegada, né, com os brinquedos, a ponto— era uma conquista dela. E muito triste, na verdade, dela abrir mão por causa da trambiqueira.
Muito. Eu tava falando sobre revelação antes de vir para cá hoje, que eu acho muito genérico. Tendo crescido na igreja, eu vi algumas Tudo muito assim, ai, você tem chorado muito no seu quarto. Sim, todo mundo. Sim, gente, quem não tá chorando tá com problema. Ai, eu sei que você tem sofrido. Tá todo mundo sofrendo. Sim, eu quero mais específico, me dá mais material para eu acreditar. Sim, sabe? Então assim, tenho aí minhas questões com revelação.
É, eu acho que tudo que vira uma parada muito conveniente Eu acho zoado. Tipo, sabe? É uma parada que assim... Sei lá, me pareceu só que a gata queria uns ursinhos e uma boneca Stephanie e meteu essa, entendeu? Porque se é pra coisar mesmo, então queima na minha casa. Então vamos queimar esse bicho, vamos fazer uma fogueira. Que isso é uma coisa que eu odeio também, a fogueira de queimar objeto possuído. Gente, que absurdo, né? Um desperdício de brinquedo por causa de ser possuído, gente.
A minha irmã me disse, mas ela joga muita fake news, não sei se— bom, você que mora aqui você vai poder me falar, que existe aqui em São Paulo um lugar que lava, que faz a higienização de itens possuídos, é coisa que você comprou em brechó, que não é água e sabão, é água e sabão e reiki, algo, tá? Entendeu?
Você sabe disso, cara? Nunca ouvi falar, mas assim, não duvidaria.
Aqui tem tudo nessa cidade.
Do bem e do mal. Eu não duvidaria. Porque tem isso também, as pessoas falam muito assim de, ai, não vou comprar roupa do brechó, que mico.
Então não compra.
É, eu, hein.
Só pra comprar, pra falar, tem espírito.
É, pelo amor de Deus, né.
Ai, roupa de morto. E, cara, não é roupa de morto. Eu já vendi muita roupa em brechó, sabe?
É, então não tem nada a ver.
Acho horrível.
Exatamente. Então assim, pra mim, às vezes, é uns papinhos só pra... Sabe, jogar só preconceito nas coisas assim.
Novamente ele, conservadorismo. Exatamente, que é o que tem assombrado a sociedade, que é o que mais assombra.
Bom, bora para o próximo, que é espírito para lá de suspeito. Vamos lá. Oi, Mabel e Jacira, me chamo Letícia. Aos 9 anos me mudei do Recife para morar num sítio no interior da Paraíba. Eu era uma criança normal dos anos 90, brincava na rua qualquer hora que eu achasse uma brecha, até a minha avó gritar me mandando entrar. Eu amo, realmente. Eu também não tinha horário não, era só minha mãe sair na rua, dava um berro, eu tinha que voltar e acabou.
Era provavelmente isso. E é muito louco, porque a gente brincava. Não sei se você cresceu numa cidade pequena e tal, mas eu cresci no interior de Minas. E a gente brincava até 10 horas da noite na rua, era uma coisa absolutamente normal. Algo impensável hoje em dia. Mas naquela época era, tipo assim, muito normal. E ela fala, quando eu me mudei, precisei me adaptar. Até porque a população do sítio, né, do interior ali onde ela mudou, era basicamente 50+.
Tadinha. A maioria trabalhava na roça, então todo mundo dormia muito cedo. As casas eram bem afastadas umas das outras, bem interiorzão mesmo. E 6 da tarde já não se via mais ninguém de porta aberta. Eu detestava isso de todo o meu coração, pois eu era acostumada a brincar até 9 horas da noite. Por isso eu amava quando os meus parentes vinham visitar. Às vezes minhas amigas iam dormir na minha casa também, então era casa cheia.
E todo mundo se dava muito bem. Tanto que um primo meu, vou chamá-lo de Ridículo, começou a namorar com a irmã da minha melhor amiga. Devido a essas visitas coletivas. Quando eu tinha uns 12 anos, o Ridículo tinha 18 e já podia fazer viagens interestaduais sozinhos. E aí ele ia pra casa, que morava com os meus avós. Nessas visitas solo que ele fazia, nós sempre íamos à casa da namorada dele várias vezes. A casa ficava longe, eram uns 4 km de estrada de barro completamente vazia.
Certo dia combinamos de ir à casa dessa minha amiga, mas aconteceu alguma coisa que não me recordo e brigamos. Como punição, decidi não ir. Ele ia ter que ir sozinho, e eu sabia que ele morria de medo. Mas pra provar que era macho, decidiu ir mesmo assim. Minha avó ficou puta comigo. Gente, ela tinha 12, ele tinha 18. Que proteção ela poderia fazer pra ele? Minha avó ficou puta comigo, pois eu não fui com o netinho dela. Disse que ele poderia se perder, que era perigoso, etc.
Sim, minha avó é daquelas gerações de baba macho. Ele era o único neto homem, então era estrelinha da árvore de Natal dela. Mas tem muita coisa de vó, né? Eu falo isso. A minha avó, ela— eu tinha uma prima mais nova, e tenho uma prima mais nova. E a minha avó, ela tudo que era tipo assim, ai, mas não vai ser perigoso para ela? Falei, se é perigoso para ela, também é perigoso para mim, porque eu também sou uma pessoa. Ai, não, porque você é espertinha.
Ela tentava dar um golpe, mas era nada. Ela tava preocupada com a netinha mais nova. Tá, enfim, o rapaz foi ao encontro da sua amada sozinho e eu fiquei plena em casa esperando ele voltar todo cagado de medo. Eu também aprontando. Pronto, as horas foram passando e nada dele voltar. Minha avó já estava a ponto de enlouquecer. Aí meu avô tentou acalmá-la dizendo que era só um jovem apaixonado que passaria a noite com a amada, mas minha avó não engoliu a conversa.
Gente, anos 90, né? Então assim, não tem como se comunicar, acabou, deu assim, a pessoa não apareceu. Foi de lobisomem, entendeu? É muito bizarro. No outro dia, às 6 da manhã, minha avó me acordou e me mandou ir buscar o ridículo.
Não é possível!
Eu com 12 anos indo buscar uma armadilha. Gente, como que pode? Lá fui eu, puta da vida. Chegando lá, eu fui gritando com ele, descontando a raiva mesmo. Eis que eu fui interrompida pelos pais da minha amiga, que me contaram que às 6 ele tava saindo de lá como costume. E que a namorada foi levar ele até a esquina, mas acabou demorando um pouquinho. Estranhando a demora, os pais foram até a porteira ver o que tava acontecendo. Chegando lá, eles ouviram um grito aterrorizante e correram, né, para ver o que tinha acontecido.
Meu primo estava paralisado, caído no chão, e a namorada tentando levantá-lo. E aí os dois foram para casa às pressas. Chegando na casa, contaram que estavam andando e quando olharam para o caminho viram uma imagem Que era um ser vestido de roupas brancas velhas e rasgadas, vindo devagar na direção deles. Era um ser flutuante, uma assombração no meio da mata. O susto que o meu primo levou foi tamanho que ele paralisou de medo ali mesmo.
Diante disso, eles não deixaram ele voltar para minha casa naquela noite. Na hora eu me arrepiei toda, mas olhei para a cara da minha amiga e ela estava me olhando como quem quisesse dizer alguma coisa. Mas não importava, eu tinha que levar o cristalzinho da minha avó para casa. Fomos andando e no caminho ele não falou uma palavra sequer. Explicou a minha avó o que houve e ela se compadeceu com ele. Já eu apanhei.
Que porra!
Pois segundo ela, ele só viu assombração porque estava com medo e sozinho. Ah, gente, tadinho! Ela foi embora, ele foi embora no outro dia e o namorico dele com a minha amiga acabou. Isso me deu ainda mais raiva. Por quê? Porque depois a minha amiga me contou que os pombinhos estavam se pegando no escuro.
É o que eu sempre imaginei, gente, tava namorando.
Por trás de uma árvore. E durante o babado, ela acabou machucando sem querer as partes baixas do cristalzinho. Por isso ele berrou e caiu no chão. E foi aí que chegaram os pais. E aí, ele precisou pensar rápido. Então eles inventaram aquela palhaçada toda.
Não acredito!
No fim das contas, levei uma pisa porque um casalzinho achou que transar no meio do mato era uma boa ideia. Mas admito que inventar uma assombração foi uma saída criativa.
Não, tem um pouco da criatividade.
Tem a criatividade do João.
Foi só uma mamada mais forte.
Só uma coisa mais forte, né, um rolinho assim.
Cara, esse garoto tem medo de assombração, não aguentou uma mamada. Não tem como!
Gente, pelo amor de Deus!
Como que ela pode ter machucado ele a ponto dele cair?
Dele cair e gritar, arrumar... Não, gente. Olha, muito sensível esse jovem, esse cristalzinho. Dou conta não. E ainda a menina apanhou. Porque os jovens resolveram...
Tô chateada com essa avó, hein. Gosto muito das avós, um beijo às avós. Mas fiquei puta.
Fiquei puta com essa avó. Agora os pais também. Ai, ela foi levar ele embora, tá demorando. Ah, meu filho... É óbvio que eles estão se pegando. É óbvio, é óbvio. Mas assim, que bom que eles não flagraram. Porque daí talvez o trauma teria sido pior, né. Porque imagina... Ah, enfim, é o que eu sempre falo, às vezes assombração ela tem uma explicação um pouco mais lógica. É uma mamada aqui, é um negocinho ali, entendeu?
É, agora inventar que viu espírito não dá sorte. Você vai ver, uma hora ele vai ver.
É, não deixa mexendo, então tá bom.
É coisa séria. Eu jamais inventaria uma história envolvendo espírito, jamais, jamais, jamais, jamais.
Você já viu alguma coisa?
Cara, eu nunca vi. Eu já vi, assim, né, pessoas possuídas. Mas espírito, eu nunca vi. Já senti coisas. Sabe quando você sente uma densidade no ar?
Uma coisa muito... Um ar pesado.
Um ar pesado, é. Moro sozinha. Nesse apartamento que eu tô, não. Mas no antigo, eu senti uma coisinha. É.
Nossa, eu já morei numa casa que eu senti umas coisas esquisitas. E é muito ruim, porque vem de vez em quando, né, uma sensação assim que você... E é muito inexplicável, assim. E às vezes você tá com outras pessoas, você não quer falar, você não tem coragem. Mas é muito esquisito, assim. Eu também nunca... Acho que nunca passei por nada, assim, de espírito. Mas já senti observada. Mas bem forte, assim. Tipo, já senti umas, sabe?
Do tipo assim, ai, tem alguém me olhando agora. Uma coisa assim, bem esquisita. E aí eu ficava desesperada.
Você mora sozinha em casa?
Eu moro sozinha. Eu moro sozinha, mas quando eu senti— mas nunca foi na minha casa, tipo, foi mais tranquilo. Acho que teve só uma vez que foi na minha casa, mas eu morava com a minha mãe ainda, então era de boas. E aí depois eu descobri, né, que o antigo morador tinha morrido no meu quarto e eu não dormia no meu quarto, eu dormia ou com a minha mãe ou na sala porque eu sentia uma energia esquisitíssima. Era uma casa muito antiga, era uma cidade que tinha 2 mil habitantes, então não tinha casa assim Para escolher para morar com essas arquiteturas antigas, não dá, gente. A gente tem que dar, tem que rolar um rejuvenescido.
Comprei um apartamento dos anos 60.
Ai, o meu dos anos 70. E aí, olha, então pior que ele não, o meu não tem nada assim até agora, mas quando eu comprei, a proprietária falou, ai, tem uma chave aqui que tem um cofre, mas eu não consigo lembrar onde o cofre tá. E eu nunca achei esse cofre até hoje, porque ela falou que ele fica atrás de uma—
Tá tudo arrepiada. Não, saindo daqui nós vamos pra lá, nós vamos achar.
A gente vai achar hoje. Não, e eu tava— quando eu tava fazendo a reforma no apartamento, eu tava só assim, gente, eu preciso caçar esse cofre.
Então você reformou e você não achou?
Mas a minha reforma foi muito simples assim, foi só nos banheiros.
Ah, que loucura!
Foi só nos banheiros. Porque o que ela fala, que ela não— é porque ela nunca morou no apartamento. Tipo, ela só alugou. Ela conta rapidamente a história da— que eu fiquei super amiga da proprietária, mas ela ia se casar, o marido largou ela no casamento, e aí ela pegou e falou, eu não vou morar nessa porra desse apartamento.
Perfeita, deixou para você a bomba.
Deixa essa bomba aí. Aí ela alugou por 17 anos, e aí depois eu vim, tá? Na verdade, muitos anos depois eu vim, porque ela comprou acho que nos anos 90, e eu comprei faz um ano. Então faz muito pouco tempo, mas assim... E aí ela falou, olha, tem um cofre que ele fica atrás. Porque ela falou que é uma... Não é uma tomada. Como que chama quando é falso? Tipo uma tomada falsa, sabe? Ela falou que é atrás de uma tomada falsa. E aí quando eu fui fazer umas coisinhas lá, eu falei pro cara, pro empreiteiro, eu falei, olha, mexe em todas as tomadas falsas porque tem um cofre.
E em algum lugar eu quero ver, né? Porque eu tava muito curiosa. E ele não achou. E aí, eu nunca mais fui atrás. Eu fico assim, será que eu quero ir também? Porque eu fico pensando, vai que eu abro esse cofre... Ela falou que era um cofre pequeno. Tipo assim, de guardar documento, alguma coisa assim. Mas vai que cabe um espírito? Vai que cabe um negocinho lá, né?
Você fica bem com isso?
Ah, eu fiquei bem nervosa no início, mas depois gostou. Mas eu mudei o piso, eu sinto que eu mudei o piso. Tipo assim, o que tinha, o piso novo prendeu, sabe? Tá preso no piso.
Eu vou manter meu piso, vai ser um espetáculo.
Ah, belíssimo. É que o meu piso era horroroso, ele era muito feio. E aí tipo, eu falei não, mas calma, você não tem um cofre, tá tudo bem.
Não, e eu acho também, eu acredito nos rituais. Não exatamente os rituais que a gente conhece, mas eu levei minhas amigas, a gente fez uma pintura na parede. Ficou uma pichação, pareceu um centro universitário, parecia. Mas eu sinto que ali dá uma movimentada, troca, troca o ar. Eu acredito muito em troca de energia.
Eu acredito muito também, tipo, até o ambiente, a maneira. E, cara, desde a primeira vez que eu entrei no apartamento Eu senti uma coisa muito especial nele.
É isso, eu acredito em sensação também.
Eu acredito muito nisso, eu sinto que eu tenho uma intuição muito forte. E aí, eu tô morando há 2 anos lá, e assim... Dias mais felizes da minha vida.
Ah, não, é isso, é isso.
Essa obra, assim, pelo menos... Eu morei num apartamento que tinha... Era alugado, e tinha uma pomba no meio. Gente, eu vou colocar a foto aqui. Uma pomba horrorosa, uma pomba desenhada, uma coisa muito esquisita. E a gente nunca tampou essa pomba. E esse apartamento foi o pior apartamento que eu e meus amigos... Tipo, não o pior, mas assim, foram as piores coisas que aconteceu com a gente lá na época, sabe? De terminar o namoro, de ficar doente, a mãe de um morreu.
E tipo, a gente fala, gente, foi esse apartamento. Se não fosse esse apartamento, toda a nossa vida tinha sido diferente. A gente super acha que a pomba dava...
Era a pomba.
Vou até procurar a pomba pra te mostrar aqui, porque ela... Eu tenho minhas pastinhas no Facebook. Era pintada numa... Era pintada, eu vou te mostrar a pomba pra você entender que não é uma simples pomba.
Tinha algo, né?
Tinha um negócio nessa pomba que era esquisitíssimo, assim. Não!
Vocês moraram aí? Vocês moraram? Ah, não tem como.
Eu ficava pensando, ai, deve ser o Corinthians. Porque tem a coisa do Corinthians, mas não parece coisa do Corinthians.
Meu Deus, não!
Gente, é uma pomba muito esquisita. É uma pomba muito esquisita. Deixa eu achar uma foto que a gente tá na frente da... Nossa!
E outra, brincaram, kkk, pomba, se fuderam.
Olha, a gente se ferrou. Na trincheira, leva.
Era no final de um corredor, uma porta?
Era no final do corredor.
E corredor é complicado, tá, Monique? Você não acha? Corredor é complicado.
E assim, o meu quarto ficava do lado esquerdo, do ladinho da pomba. Eu abri a porta, vi a pomba.
Não faz bem, não faz bem.
Gente, eu juro, essa pomba, ela nos perturbou, viu? Não foi bom, não.
Eu acho isso muito sério. Eu só fico pensando assim, quando você compra um imóvel e ele vem com espírito. Porque, gente, não é de boa, ai, troca, ai, vende, vai.
É, não é simples.
E assim, tem toda a conquista, todo o peso do sonho. Então assim... Ai, mas me pega muito casa mal-assombrada. Porque você dorme ali, você passa muito tempo ali.
Você passa muito tempo, né. E nós que temos uns trabalhos de fazer as coisas em casa, né. Gente, é o meu trabalho. Meu trabalho é minha casa. Então assim, eu fico lá o tempo todo naquele caralho. Eu tenho que estar feliz. Não dá pra eu te expor, tá tudo certo.
Na minha, aparentemente, está. Até agora está.
Então tudo show. Mas eu queria falar uma coisa. Mas você não acha... Porque a gente sempre fala assim, gente, mas por que esse povo cai nesses filmes e tal? Que o povo aceita alugar mais barato porque tem assombração. Eu acho que eu ia cair nesse golpe também.
Eu ia falar, galera, a economia que eu faço durante um ano sendo assombrada compensa.
Porque às vezes assombrada, sendo CLT, você já tá sendo meio assombrada, né?
Tem terrores piores na vida adulta, gente, de verdade. Você tomar uma rasteira todo dia de um espírito, você já toma do sistema, cara. Eu tô militando tanto hoje.
Tem uma menina que mandou, ela falou, olha, a gente morava numa casa fodida Cheia de espírito, mas o aluguel era 50, entendeu? Ela pagava lá os R$250 por mês. Gente, por R$250 por mês, talvez a gente até mereça uns espíritos, entendeu? Porque assim, tava economizando bastante, era uma vida de estudante. A conta tem que fechar também, a gente tem que entender o lado dos espíritos também. Eu, se eu fizesse uma distribuição, eu falaria assim: galera, essa gata aqui, ó, isenção.
De como é que é quando a casa é isenta de IPTU. Gente, essa casa aqui tem isenção de IPTU, a gente tem que colocar pelo menos 4 espíritos aqui, galera.
Total.
Se a pessoa não paga um IPTU durante o ano, não é possível, ela não vai ter um espirituzinho, vai ter um trequinho na vida dela. Acho que eu faria essa separação, começaria por aí. Já que o condomínio tá caro, acho que não precisa ter muito espírito, vamos deixar eles no corredor.
Tem que ter uma compensação. Mas é claro que se tá abaixo do preço de mercado, gente, não tem almoço grátis. Alguma coisa esse imóvel tem. Muitas vezes é espírito.
Exatamente.
Eu hoje eu sou proprietária. Se eu descobrir que tem— ah, mas aí, ó como eu sou burra. Eu falo: se eu descobrir que tem espírito no meu apartamento, vou botar para alugar, não vou contar. Agora ninguém aluga, né?
Todo mundo já—
vou ficar com imóvel encalhado lá.
É, mas eu acho que hoje em dia você contando que é assombrado, eu acho que dá mais dinheiro ainda. Não, o pessoal procura, porque às vezes a vida tá muito tranquila para umas pessoas, né? Aí elas estão precisando procurar, elas querem experiências, elas querem experiência. Exato, tipo, a vida tá fácil, bora inventar.
Companheira de CTI, que é negócio de UTI, que é negócio de UTI.
É, eu também não entendi direito, mas eu acho que o CTI é tipo isso mesmo, Centro de Tratamento Intensivo, né?
Tá. Olá, Mabei Jacira. Meu nome é Alexandre, sou técnico de enfermagem e trabalho na CTI de um hospital famoso em Belo Horizonte. Gente, toda a minha solidariedade com o pessoal que trabalha no hospital. Tem muito espírito em hospital.
Gente, não dá. É o lugar que as energias estão o tempo todo trocando.
É muita dor, muito sofrimento, muita morte.
Muito trânsito também.
Não tem o que fazer, não tem o que fazer. Trabalho no plantão noturno. Se fodeu. E noite passada estava cuidando de um paciente que era usuário de drogas com problemas neurológicos. Próximo da meia-noite, que a gente sabe que é um horário complicado também, ele começou a me chamar no leito para eu liberar, para eu o liberar para ir embora. Expliquei, expliquei que ele não poderia sair do leito, caminhar e principalmente ir embora.
Ele não gostou da minha resposta e disse, mas a menininha aqui disse para eu ir embora com ela. Como só estávamos nós dois no leito, perguntei quem era a menininha.
Já errou também, não pergunta.
Mas você indicou o enfermeiro lá do primeiro caso, o médico, a perguntar.
É verdade. Olha só como a gente vai— a hipocrisia.
E como a gente muda de opinião também, no mesmo episódio a gente muda, né?
A gente vai mudando.
Ele apontou para o lado da cama e disse: a menininha aí do seu lado, ué, ela tá me chamando para ir embora, me tira daqui. Deixa eu sair. Eu só ignorei e o ajeitei na cama, pois estava todo torto. Quando acabei, ele olhou para o lado e falou: isso, filha, pode deitar aqui com o papai. Deita aí que agora tem espaço. Tive que perguntar com quem ele estava falando, ao que ele respondeu: ué, a Valentina, minha filha. Ela tá aqui. Valentina é complicado, tá?
Valentina, eu ia falar isso, eu ia falar, gente, que mexeu comigo foi Valentina.
Que você vê, é um espírito novo, né? Jovem, é menininha mesmo. Sorri para ele e falei para ele se ajeitar ao lado da Valentina para repousar. Gosto muito de entrar no jogo.
Entrou, falou não, é melhor, tá melhor. Valentina tá aí, bora de Valentina.
E ele realmente o fez, dormiu como um anjo a noite toda. Por volta das 3 da manhã, a nécessaire que estava na mesinha ao lado da cama dele caiu. E deu pra ver que alguém deu um tapa nela antes da queda. Mas não tinha ninguém. Que é diferente mesmo, né? Primeiro, uma coisa não cai. Não tá ventando, nécessaire tem um peso, não cai. Alguém fez tum! Ei, Valentina! Isso não rola. Você é hospital, o papai tá internado. Vamos respeitar a Valen.
A nécessaire estava no meio da mesa, não tinha corrente de vento nenhuma e ninguém estava nem perto do leito dele. Eu e meu amigo ficamos olhando um para o outro, pasmos. E olha que nem acredito em nada desse estranho.
E eu gostei muito dessa história porque tem a questão de que, tipo assim, quando ele fala, né, que é uma pessoa que é usuário, né, de droga, como ele falou, e tem alguma questão neurológica, então a gente Tem alguma questão de saúde mental envolvida. E aí, quando ele falou do espírito, né, do espírito não, da filha dele e tal, você pode estar pensando que é parte disso. Só que aí ele cai do cavalo, porque aí do nada ele vê alguém dando um tapa, do absoluto nada, no lugar.
Eu gosto disso, que eu acho que mexe com as nossas crenças também. Às vezes a gente quer, a gente acha que sabe tudo, a gente acha que tem essa resposta para tudo. E vai, como é que você explica isso aí, né? Cai um negócio aqui do nada, você viu alguém dando um tapa no ar, ele falou que tinha Tem uma menininha ali, quem é que tá certa agora? Eu gosto disso, assim, que me parece esses momentos que a gente fala, tá, talvez a gente não saiba exatamente o que a gente acha que tá sabendo, né?
Tipo, eu acho que a gente realmente não sabe. É, nossa, tem gente aqui agora e tá tranquilo. Eu vou cravar, falar não, não existe, não tá aqui nada. Eu acho que é isso, não acreditar é uma coisa e ter certeza que não existe é outra. Eu acho muita pretensão a gente achar que só a gente tá aqui.
É uma coisa que eu sempre falo sobre os alienígenas, por exemplo. Será?
Vem cá, mas não era fake news da gay?
Você vê como a gente perde esse caso. Então faz mal, mas não é só, faz mal para o movimento. Exatamente. Mas não, eu, mas independente dessa história em si, eu acho que eles vão dar um jeito ainda de chegar no nós.
Por que que eles querem vir para cá que tá tão ruim? Eles querem salvar a Eu não salvaria também, eu particularmente não salvaria.
Eu fiquei esperando no jogo do Brasil lá, né? Apesar que eles iam descer em Miami, fiquei um pouco chateada com isso.
A gente teve uma questão de geolocalização importante.
E eu falei assim, Mico, né, você é um alienígena, você vai para Miami? Gente, tanto lugar para ir, tanto lugar bonito, sabe?
Sim, com todo respeito a Miami, nenhum respeito a Miami, mas assim, é, e se você quer brasileiro, vem para cá, porque realmente Miami, pô, Brasileiros estão lá, mas também estão aqui.
Aqui é legal, Minas Gerais, entendeu? Tem aí cheio de montanha, uns lugares tão bonito. Eu tô esperando. Eu como mineira, eu tô aqui fazendo minha parte, que é esperar eles virem me buscar um dia.
E combina com os Montes de Minas, combina.
Tem toda essa coisa, bem bacana, ambiente bom para tá rolando uma abdução.
Agora, se tivesse rolado abdução, a gente não tava sofrendo o que a gente tá sofrendo agora. Eu vi que te afetou muito, você ficou bem chateada.
Eu fiquei com aquele jogo bastante chateada, que dava, né?
Eu acho que dava quando a gente acredita.
Nossa, muito! E assim, pô, não tinha uma pessoa para abduzir? Não tinha um ETzinho para abduzir ali, sabe? Acho que faltou ali uma abdução. Eu acho que aí, gente, ninguém vai falar assim: nossa, lembra quando o Brasil perdeu de 2 a 1 para Noruega? Não, fala: nossa, e quando abduziram o jogador no meio do negócio? Subiu assim ali, Nova York desceu a nave mãe catou o Neymar pelo pé, é o que fica. Gente, não vai ninguém mais falar em outra coisa, entendeu?
É um assunto que é importante também. Eu gastaria bastante horas falando sobre isso, mas não, eles preferiram. Eu acho também que às vezes eles fazem de propósito. Eu acho que eles estão ali observando assim, poderia ajudar, mas não vou deixar eles ali.
Eu entendo esse pensamento, eu não ajudaria. A gente não se ajuda, é, nem a gente se ajuda.
Eles estão ali observando, eles não sei se esses caras são muito legais com eles mesmos, porque que a gente vai ser? E tem outras demandas, eu acredito assim que deve ter alguns planetas, né, umas demandas interplanetárias. Aí por que que vai cuidar da gente?
Você acha que a gente é o pior alvo assim do sistema?
Cara, não deve ter nada pior do que a gente. Cara, tem gente bebendo detergente, entendeu? Tem gente jogando É fazendo propaganda do Tigrinho, tipo assim, não deve ter. Não deve ter isso. Não tem como ser pior que isso aqui, né?
Ai, que pena, que mico.
É mico, é mico. Mas eu acho que...
E tipo assim, será que eles estão, tipo assim, eles interagem entre eles, só a gente tá isolado, né?
Porque também isso seria um grande mico, né? Tipo, todo mundo fala assim, meu, ai, vamos lá pra Terra. Aí deixa, gente. Ó, o creitinho voltou ali mês passado da Terra, falou que, ó, aí não tá bom não. Tem que esperar mais uns anos, viu? Tá bom não, tá bom não. Eu acho, eu tenho para mim que eles ficam fofocando entre eles, tipo assim, ah, gente, você viu que a Terra vai acabar? Aí o outro fala assim, ai, que bom, nossa, vai ficar melhor para gente.
Eu acho que eles estão aí numa onda de ficar olhando para gente, mas pensando assim, como é que a gente vai fazer para resolver esse problema? Que a gente deve ser um problema, né? Exato.
É, e você sabe que eu acho que ET é do bem? Nunca consigo pensar em ET como nada do mal. É, para mim é do bem total.
Eu também acho.
Já vi muita história de cura.
Sim, tá, que ETzinho encostou, né?
Pessoas que nunca mais adoeceram em contato com os ETs.
Eu gosto de ir por esse caminho.
Eu acho eles silenciosos, no sentido assim de que é Tem relatos, né, de um silêncio diferente, do tempo parar. Me parece mais calmo.
Me parece mais uma aula de yoga.
É que eles são evoluídos, eles são mais assim, eles transcenderam já.
É verdade, é um outro caminho que eu— que também teria isso, né? A gente não evolui, a gente só vai piorando. Então assim, talvez eles tenham lá assim, ah, se eles evoluírem um pouquinho, a gente vai. E aí chegou lá, opa, não foi dessa vez, vamos esperar mais um pouquinho. 100 anos, 1000 anos depois, opa, agora eles chegaram na internet. Acho que é um pouco isso. Vamos, próximo caso, que é fanfiqueiro aposentado. Oi gente, aqui é a Lana.
Minha história aconteceu por volta de 2013. Eu estava assistindo Rebelde Méstico na época e eu era apaixonada por um dos casais.
Rebelde Méstico é aquele da Anaí, é o da Anaí.
Não, isso não é mesmo, eu não sei, eu não sei.
A Mia Colucci não te pegou?
Não pegou, não pegou. Eu achava criticar, nem para criticar, sabe por quê? Eu acho que para criticar assim, porque eu achava, eu me achava mais velha, e daí eu falava, ai, eu não tenho idade para isso. Nossa, eu devia ter o quê, uns 12?
Tinha, você tinha idade para isso sim.
Ah não, Rebelde aconteceu em 2002. 2002 eu tinha 16 anos, 14 anos, um pouco ali, 14 anos. Então, ah não, é 2002, eu tinha 16 anos exatamente. Então era isso, eu era, eu me achava muito velho, achava muito tipo assim superior ao Rebelde, sabe?
Isso era, sem dúvida. Mais idade tinha, eu vi.
Mas eu era viciada em Luiz Clarita, Maria do Bairro, Maria do Mar, Mari e Mari, Maria Mercedes, Usurpadora. Eu amava.
Rubi te pegou?
Rubi. Nossa, Rubi, um olhão assim de Rubi.
Ela era tudo. Eu torcia por ela, sabia?
É, eu também gostava.
Torcia por ela.
Gostava bastante. Mas o Rebelde não pegou. Meio que passou batido. Mas tá, então Rebelde aconteceu ali em 2002 e eu não tinha muita paciência de assistir quando criança. E aí quando reprisou pela segunda vez, comecei a ver. Então foi em 2013 que reprisou. Mas como adolescente, eu só gostava de olhar pra TV quando era conveniente pra mim. Ou seja, quando o meu casal estava na tela. De começo, eu lembro de querer ver a Mia e o Miguel, porque eu tinha uma ligação afetiva.
Mas como logo eu fui perceber Esse casal era péssimo, o Miguel era terrível, fazia atrocidades contra mim. Gente, imagina, 2002, imagina.
E ela também não era inocente nem boba, rica, né? Baixo astral.
Tá. Infelizmente envelheceu como leite, porém confesso ser órfã de pônei, o Poncho e a Ana Ri. Que aí, Ana Ri era minha, não era? É, ué.
É. Roberta?
Mas acho que era os atores.
Tinha a Aninha, tinha eu, a Roberta.
Mas acho que o Poncho e a Ana Ri era... É os atores que ela tá falando, eu acho. Tipo que tinha uma história que eles eram um casal, sei lá, não lembro. Não lembro não, nem sei. Mas eu tô chutando, porque... Deixa eu pesquisar, vai. Aqui, ó. Poncho e Ana Ri namoraram... Ah não, nunca namoraram na vida real. Eles formaram o casal Mia e Miguel na novela Rebelde. Ah, então é o mesmo casal, tá. Ah, tá. Então ela não gostava da Mi e do Miguel, mas ela era órfã de Pony, que era o ship do casal dos atores.
Entretanto, me apaixonei por outro casal, a ponto de querer tanto conteúdo deles que comecei a ler fanfics. E após ler, eu pensei: por que não escrever? Hoje, sei um bom motivo pra nunca ter escrito nada. Porque eu escrevia muito ruim. Tadinho. Conheci uma menina muito legal que enviava fanfics de RBD pra mim. Ela era uma fofa. Não lembro o nome dela, infelizmente. Mas o bizarro vem agora. Tinha uma outra garota... Eu amei que ela só citou a primeira pra dizer que não lembro.
Tinha uma gata, mas não lembro o nome dela. Mas o bizarro vem agora. Tinha uma outra garota, vou chamá-la de Bárbara. Ela era uma dessas pessoas viciadas em fanfic. Ela leu a minha obra e viciou. Deixou comentários elogiando a história e que tinha lido tudo em poucos dias. Eu, sempre muito carinhosa com as minhas leitoras, respondi.
Leitoras, ela escrevendo mal pra caramba, bacana.
Sem saber a fera que estava alimentando. Eu dava novos capítulos à minha história de 2 a 3 vezes na semana. Mas ela sempre estava na minha DM do site pra me cobrar novos capítulos. Eu lembro que era época de Copa do Mundo, eu fazia pré-vestibular e eu ainda ia fazer aniversário. Então... Isso aí então foi em 2002. Fui desanimando de escrever com tanta cobrança e tanta coisa. Aliás, 2014, porque era a época quando reprisou. Então fui desanimando de escrever com tanta cobrança e tanta coisa para fazer.
Sumi do site e minha DM ficou com mais de 40 mensagens dela. Se passou um pouquinho, ninguém assim, chata, chata, gente, chatíssima. Decidi ignorar. Então fiquei só na timeline do site curtindo os comentários dos meus amigos e tal. Eram amigos que eu tinha anos antes mesmo de escrever na plataforma. O número de mensagens na minha DM só aumentava. Até que eu fiquei curiosa pra ver. A Bárbara, em uma dessas mensagens, me xingava de filha da puta pra baixo.
Meu Deus! Porque eu dei uma reviravolta na história e sumi. Depois, passou a ameaçar me matar se não saísse da timeline e atualizasse a história. E ela começou a xingar os meus amigos na timeline, dizendo que eles não eram mais importantes do que ela. E que eu não devia estar substituindo ela por eles. Que se eu não desse atenção pras minhas histórias, ela ia acabar com as amizades uma por uma. Odiei ser pressionada, excluí tudo e resolvi me afastar desses amigos, pois eu não queria essa maluca tendo acesso a mim de novo, mesmo que por intermédio deles.
Senti muita falta deles. Talvez tenha errado em não ter avisado, só sumido, mas eu estava em pânico e revoltada com aquela maluquice. Não consegui pensar direito. Espero que todos estejam bem. Beijos e até a próxima.
Amigos, que isso, né?
Gente, mas assim, Se passou um pouco, a gata, né?
Se passou.
40 DMs ameaçando matar.
Uma saleteira mandando uma cartela de trabalho. Gente, isso é uma situação de verdade.
Um trabalhinho.
Tem gente tão desocupada, tá?
Assim, longe de mim defender uma pessoa obcecada.
Vai defender, né?
Longe de mim. Defende aí. Mas vamos só trazer uma frase que ela disse que a outra interrompeu a história num plot twist. Depois que tinha acabado de rolar um plot twist na história, ela parou de escrever. Aí também achei que faltou uma consideração com ela. Talvez não merecesse a ameaça do homicídio. Talvez um pouco a mais. Mas talvez um assim, ó... Se você não fizer aqui a resposta, a continuação dessa história, eu vou te colocar uma maldição.
Talvez uma coisinha mais leve, uma possessãozinha básica, assim. Ameaçar também de destruir as amizades se passou um pouco, foi um pouco além.
E não sei se ela tinha esse poder. Exatamente, né. Que a nossa ouvinte caiu, né?
É, ela caiu nesse golpe e excluiu tudo. E tadinha, né, gente? Por causa de fanfic. Olha, eu vou falar, vou com você nessa. Às vezes, uma carteira de trabalho resolve todo problema.
Não existiria essa história.
Eu lembrei de quando eu trabalhava com publicidade e eu fui ameaçada por uma líder de uma fã clube. Não vou falar o nome da cantora.
A gente pode desligar a câmera só pra falar o nome.
A gente pode falar, era um fã clube da Demi Lovato. E aí, e aí até uma coisa, mas tem um monte de fã clube. E a menina me ameaçou de morte porque ia rolar alguma coisa, e aí ela não tinha recebido ingresso, tal, não sei o quê. E depois ela só recebeu, só assim, num tipo, já ia receber vários fã clubes e tals. Só que enquanto não rolou, ela me ameaçou de morte.
E aí eu lembro que eu fui atrás, diz ameaçou, ela não chegou, ela pediu desculpas, ela não chegou a tipo, de verdade, me desculpa por ter falado que ia te matar.
Pedi muita desculpa por ter comprado uma arma. Cara, eu lembro que eu fui atrás de procurar ela na época, porque eu falei assim, eu quero saber quem é essa menina, né, que me ameaçou de morte. E aí eu fui procurar no LinkedIn, só que ela tinha 16 anos. É óbvio que ela não tinha LinkedIn. E aí quando eu encontrei, é óbvio que ela vai me matar. E aí quando eu descobri que ela tinha 16 anos, eu falei, ai, gente, que bom, é só uma menina de 16 anos completamente estressada.
Mas assim, nunca mexa, iam saber.
Nunca mexam com uma líder de fã clube no Brasil. Isso é uma dica que eu dou. Foi assim, foi uma época muito assustadora.
Não dá para mexer com gente que é obcecada. Não dá, não dá.
Essa galera, a pessoa que é fã, ela é, ela tem às vezes um negocinho esquisito aí, né? Passa um pouquinho.
Agora, você teria cedido à pressão? Você teria escrito um último texto?
Cara, é que assim, eu sou escritora, você também. Né, você acaba de lançar o seu livro. Eu acho que é um, assim, um respeito com as pessoas que a gente tá, com o leitor, com um leitor que tá consumindo sua obra. Imagina você chegar no meio de um livro, sabe, um plot twist, e parar com a história. Só que eu acho que eu ia perturbar a menina, falar assim, ela tá me ameaçando, então vou fazer um final bem assim. Ela adora esse personagem, pois eu vou matar esse personagem, pois eu vou fazer uma coisa bem assim, vou fazer ele sei lá, virar alguma coisa assim, virar um vampiro.
Não, virar vampiro acho que é legal, mas talvez alguma outra coisa assim muito ruim, uma coisa que ela não gostasse. Eu ia falar: então você quer? Pois aqui tá o seu final. Eu acho que eu ia me vingar dela assim.
Acho que faltou essa maturidade, acho que isso é um pensamento maduro. Sim, eu teria dificuldade de ceder, eu tenho dificuldade só de raiva.
Eu também sou assim, eu não gosto de ser mandada.
Pois é, você percebe Que talvez ela voltasse, mas ela foi... Essa moça comeu tanto a mente dela que talvez ela tenha largado por isso.
E sabe o que eu fico pensando? Gente, isso tudo é uma fanfic de Rebelde!
Então, é.
Que a gente tá tirando aqui como se fosse uma situação muito séria. Eu tô assim... Sério? Como você pode ter sido ameaçada de morte por uma fanfic? É muito grave isso.
É muito grave. Mas é que foi um fenômeno, calma bem.
Foi um fenômeno. Eu também já fui ameaçada por uma gangue. Eu chamei de gangue do MP3. Porque eu falei mal— não, gangue do não sei o quê. Eu falei mal do não sei o quê uma vez e eu fui ameaçada de morte por causa do não sei o quê.
É sério que as pessoas defendem? Tipo, com unhas e dentes?
Eu não sei, eu não lembro o contexto. Também não vou dizer que eles não estavam certos em me ameaçar de morte.
Eles não estavam, já tá brincando, gente. Ela gosta de brincar.
Eles não estavam de jeito nenhum. Também não vou dizer que falar mal de não sei o quê tenha sido o melhor momento da minha vida. Não, eu não lembro exatamente o que era, mas eu lembro que a pessoa me ameaçou de morte. Eu falei assim, caramba, por causa do ICQ. Isso eu acho pouco, acho pouco. ICQ não era um motivo tão bom, apesar que eu gostava do ICQ. E se você mandar um SMS pra mim, você vai ver que o meu barulho é do ICQ, que eu gosto tanto do barulho do ICQ de mensagem, que aquele— eu coloquei no meu SMS.
Ou seja, a pessoa me ameaçou sem saber da minha história. É, sem saber da minha ligação com isso aqui, né? Então, mas é isso, gente. A internet é essa, é esse prato, né? Esse prato cheio de loucura que você tem aí uma pessoa ameaçando a outra de morte por causa de uma fanfic de RBD.
É grave, é muito assustador. Isso é assustador, um espírito.
Mas também mostra o poder da literatura, sabe? Olha que legal, né? Leia um livro, galera, escrevam, porque não tem— olha que paixão que é a paixão que essa mulher tinha pela literatura, né? É muito forte. A gente tem que valorizar a literatura. Eu acho que essa é a mensagem do episódio de hoje, né? Viva a literatura! Inclusive, quer aproveitar que a gente encerrou aqui os casos para contar do teu livro, para convidar as pessoas a seguir você, se alguém ainda não te conhecer?
Tanta gente!
Ah, querida, já conheço muita gente aí.
Instagram é @jaciradoce. Eu ia falar em todas as redes sociais, só produzo para o Instagram. Não vou ficar, não consigo, tá, meu bem? TikTok, não entendi como que joga.
Eu não consegui ainda, gente, eu sofro demais.
É muito difícil, eu não sei como é que é.
É muito difícil, é muito jovem para mim.
É porque sempre me parece que as pessoas só pegaram o celular e gravaram. Não consigo assim. Nem todos os vídeos são roteirizados assim, mas passa na minha cabeça, eu falo, ah, vou fazer assim, assim. Não é tão assim do nada, sabe? Então eu acho que lá tem um pouco disso. Tem uma espontaneidade que eu não tenho tanto.
Nossa, mas você falou perfeitamente. Eu não sou uma pessoa espontânea. Eu gravo um vídeo, as pessoas falam, nossa, que vídeo natural. Foi gravado 70 vezes. Então assim, mas eu acho que eu já não tenho uma naturalidade que é o normal que as pessoas têm. Então eu sofro muito mais pra fazer as coisas. E aí, o TikTok foi uma coisa que me pegou. Porque eu fiquei, tá, mas eu vou ser eu mesma? Que horror!
Não, é muito natural. Pode ser que não seja. Mas me soa muito natural, eu não tenho luta.
Eu acho que eu ainda tô tentando.
Se eu fosse ser natural, mostrar quem eu sou, era muito processo. É. E toda vez que eu penso num vídeo, ai, fizeram isso comigo, quero falar sobre isso. Eu sei que não é Instagram. Aí eu falo TikTok, processo. Então acaba que eu não consigo usar, me sinto assim acuada de usar. Mas @jaciradouce no Instagram, Minutos de Desabedoria em todas as livrarias, na Amazon dá para você comprar. Que são, é você que leu, o que que você acha? O que que você sentiu?
Olha, eu gostei, eu senti que tem muito a ver com a tua. Eu não terminei, tá? Deixar claro. Não, mas ele não é livre, mas eu li alguns É usado falar isso? É, eu amei.
É pra você folhear e abrir, ali tá a mensagem que eu tenho pra você naquele dia.
Então, sabe o que me lembrou? Eu tinha um livro do Miller Fernandes que eu acho que chamava Bíblia do Caos, se eu não me engano. Não sei se é isso. Mas é uma mensagem que você lia assim, pro dia também. Eu gosto muito disso, de verdade, desse tipo de conteúdo. E eu acho engraçado desse conteúdo do teu livro que ele é sempre numa pegada do humor, que tem muito a ver com a tua cara. Então eu gosto de abrir e falar assim, tá, o que que a Jacira Doce tem para mim hoje?
E é isso. O que que ela vai não me ensinar? Porque como é um minuto de sabedoria, não tô ali para aprender, eu tô ali para desaprender. Então assim, o que que eu posso desaprender hoje? Eu sou muito fã de desaprender as coisas também, do desconteúdo. Do desaprender, evitar falar sobre as coisas, sabe?
Assim, nada a dizer.
Será que a gente precisa ter opinião de tudo? Eu gosto que o teu livro, ele já fala assim: não precisa, não precisa, não precisa. Eu gosto disso.
Então é isso, eu acho uma leitura bacana, uma leitura suave, dia a dia, dia a dia, algum pensamentozinho, uns conselhos ali, né?
Mas nessa pegada. E aí, por exemplo, a pessoa leu o livro, quer um segundo livro. Não convém te ameaçar na DM. Acho que pode ser uma coisa mais assim, pô, que tal fazer um outro livro? Sugestão, escreva novamente, né? Eu acho que queria, exatamente. Acho que pode ser mais assim, galera, gostei. Jacira, que tal escrever um segundo livro? Fica aí uma dica e tal.
Eu gosto de sugestão.
Ó, sugestão: faz um conteúdo sobre isso e um livro, um segundo livro. Acho que eu iria por esse caminho.
Eu acho que comigo funcionaria melhor. Mas você sabe que quando eu assinei com a editora, na reunião eu falei: gente, eu não vou para uma casa no meio do nada escrever esse livro, que eu volto— eu não volto, fico lá. E sempre dá errado, né? No fim de tempo, sim. Ai, eu vou me isolar. Olinda, você tá sozinha, tá doida? No meio do nada vai escrever?
Não, é o meu sonho, né? Não vai dar certo da minha vida dentro de casa mesmo.
Eu TV. Tem um podcast que está em pausa, Irrisório Show, que é muito bacana, tá? Mas, ó, eu não sei como você faz isso.
Ah, é difícil. É por amor, né?
Gente, que loucura! Alô, marcas, pelo amor de Deus!
E esse ano, assim, pelo menos para mim, tá bem ruim.
Tá ruim para mim também.
Mas é ano de COP, ano eleitoral, fica mais complicado esse ano.
Esse ano só ano que vem.
Esse ano não vai dar. A única coisa que eu sinto é que outubro, por mais que tem eleição, mas tem Halloween também, que também é outro terror. E aí eu acho que as marcas lembram de mim, porque sempre assim, ah, quem que é assustadora? Mabê. Então é sempre outubro, é o único mês que as coisas dão certo para mim. Se esse mês não der, se esse ano não der, fodeu, porque o ano todo tá complicado. É em outubro.
Vai se organizando emocionalmente pra se caso não der, tá? E eu desisto.
Não, eu super acho que não vai rolar.
É, não, não acho que vai rolar.
Que acho que vai ser uma grande loucura.
Pra sonhadoras.
É, não. Ainda bem que eu não sou sonhadora. Tem isso também.
Não, eu também não. Mas assim, você sabe que o podcast mesmo... Pronto, era uma plataforma, era um produto em que eu era mais eu. Aham. E aí, talvez por isso não tenha dado dinheiro. Agora falando, eu pensei.
Não, eu também acho.
Não sei se isso vende, né? Se sinceridade vende. Essa coisa da sinceridade.
Não, mas eu acho que tem a coisa do podcast também. Muitas não tá uma época tão ok pra podcast, eu sinto, de uma maneira geral. Tipo, tem uns que estão sempre em alta, tals. Mas de uma forma geral, eu acho que é difícil você conseguir hoje. Que nem antigamente era mais fácil você ter um licenciamento de uma marca abraçar o podcast desde o início, tal. Eu acho que tudo é outro momento, é outro momento.
Eu demorei, acho que Talvez 7 anos, né, para tirar do papel.
Mas, cara, posso falar? Eu super acho que o podcast teu voa real.
Tem quantos episódios no ar já? 78.
Que isso! 78 episódios é coisa para caramba.
São 78 episódios no ar, é um trabalho assim de muito esforço. E é isso, eu sou aquilo ali, sou eu e a minha irmã. Então vem as duas muito doidinhas Contando histórias dos ouvintes, assim, como o meu livro é um produto de uma desimportância, de uma desnecessidade, a gente comentando matérias assim que jamais passariam no Fantástico. Então é isso, então vale a pena ir risório show se você quiser ouvir a minha voz mais um tempinho no seu ouvido.
Boa, então fica aí a dica. Quem sabe volta aí um dia.
Obrigada.
Então tudo, obrigada por ter vindo. Obrigada pelo convite, foi muito bom, eu adorei. E gente, conta aí o que que vocês acharam, se vocês também iam pedir para o menino aparecer, iam contar que o menino apareceu lá naquela primeira história, se na história da nécessaire vocês também vão falar que menina é essa, né? A Valen, cadê a Valen? Conta aí o que que vocês acharam, que como vocês lidariam com isso. E até o próximo episódio.