CB #167 - Tereza Bicuda e cão chupando manga com Daniel Pires do LendaCast
No episódio de hoje discutimos sobre a lenda da Tereza Bicuda, do Bradador, uma lenda do início da internet de um casal e um lobisomem que ama manga!
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- João BarradasOrigem e características da lenda · Maus-tratos à mãe e punição divina · Excomunhão e profanação religiosa · Assombração pós-morte e gritos noturnos · Exumação do corpo e transferência para a serra · Pé de caju assombrado · Comparação com lenda do Corpo Seco
- Lenda do BradadorAlma penada rejeitada pela terra · Gritos apavorantes às sextas-feiras após meia-noite · Necessidade de encontrar sete Marias · Massacre de mineradores movidos pela cobiça · Botija (tesouro enterrado em ouro) · Contextualização da quaresma
- Bet EducarHomem do Saco e sequestro de crianças · Opala Preto como ferramenta de controle · Loira do banheiro e brincadeira do compasso · Medo de zumbis inspirado em George Romero · Cemitério como local aterrorizante · Traumas infantis de TV brasileira (Xuxa, Fofão, palhaço) · Uso de lendas para educar crianças
- Influência familiar nas crenças e lendasPapel matriarcal da família · Avós como transmissoras de lendas · Diferenças entre gerações na religiosidade · Histórias de bisavó e saci · Velórios como eventos familiares · Memória ancestral e cultura oral
- Filosofia da MorteMorte como maior mistério da vida · Impossibilidade de compreender a morte · Sentido da vida e propósito existencial · Fases da morte e putrefação · Velórios e rituais fúnebres · Perspectiva cética vs. religiosa sobre morte
- Creepypasta e lendas da internetSmile Dog e foto amaldiçoada · Spread the word como mecanismo de propagação · Efeitos psicológicos fictícios (insônia, paranoia) · Memetização de imagens · Backrooms como lenda moderna · Menina do corredor e fotos assombradas
- Paranormal e EspiritualidadeCrenças pessoais vs. descrença racional · Como lidar com lendas de forma segura · Separação entre ficção e realidade · Atitude de repórter/explorador ao investigar · Embarque narrativo em histórias · Rituais e práticas espirituais
- Diferenças de classe social e comportamento familiarFamília paterna vs. materna · Diferenças em afetividade entre gerações · Trabalho e sacrifício pessoal · Evolução comportamental entre avós e netos · Criação e mentalidade de servir vs. viver
- Objetos amaldiçoados e museus sobrenaturaisBoneca Anabelle e museu Warren · Fascinação por antiguidades assombradas · Toque físico em objetos históricos · Experiências pessoais em locais assombrados · Documentação e investigação de artefatos
- Carreira e SucessoRitual noturno durante a quaresma · Pessoas com vela andando pela cidade · Proibição de olhar para trás · Troca de almas com o último da procissão · Osso humano escondido na vela
- Avô circense e tradições familiaresFuga do trabalho agrícola para o circo · Aprendizado de técnicas de fogo na boca · Uso de lendas como ferramenta de humor familiar · Morte precoce por câncer de pâncreas · Legado cultural deixado para gerações
- Religiosidade familiar e apostasiaSaída da fé católica · Conflito familiar sobre religião · 18 anos cantando na igreja · Pressão familiar para manter crenças · Liberdade de escolha religiosa
- Lobisomens e MitologiaTradições da quaresma brasileira · Lobisomem como monstro do interior · Persistência de crenças em áreas rurais · Associação com períodos religiosos específicos
- Anabelle e cultura pop do sobrenaturalBoneca real em museu · Filmografia sobre objetos amaldiçoados · Diferença entre ficção e realidade em artefatos
- Velórios como eventos sociaisVelório em casa na época anterior · Chá e alimentos compartilhados · Acompanhamento da cerimônia até o sepultamento · Interação social com falecidos
Sejam bem-vindos a mais um Caso Bizarro. E hoje eu estou aqui com o Daniel Pires, do LendaCast. Aconteceu! Aconteceu, gente. Não, eles pediram muito. Você também, viu? O povo pediu muito. A gente gravou um story um tempo atrás, numa publi. E aí, na hora que eu postei, falei, mas cadê a Mabê no LendaCast? Cadê você no Caso Bizarro? Então, ó, aconteceu aí. Ó, tá acontecendo aqui esse intercâmbio. Esse intercâmbio. E acho que, assim, é bem seguro dizer que provavelmente vai rolar mais, né?
Vai, não tem que enrolar. Porque deu muito bom. Nós somos do mesmo universo, né, Mabê? Inclusive, assim, claro, eu não vou entregar onde você grava. Mas, gente, o estúdio dela fica de frente pra um cenário que eu amo. Que é um cemitério. Não, sério. Não, mas eu já contei aqui do cemitério, sério. Ah, já contou? Já contei. Porque o povo fala assim, meu, como que você grava na frente de um cemitério? Não, é tudo. Se eu fosse você, eu já tentaria abrir uma janela aqui assim, ó. E deixa o cenário bem louco. Aí contrata alguém de branco, fica andando por lá.
Já viram uma publi. Eu acho tudo. Eu amo cemitério. Mas sabe que eu gosto muito de cemitério. Mas o cemitério é um lugar que eu tenho medo. Assim, que é o mais comum de todos. Ah, qual lugar que você tem medo? Ah, é casa assombrada. Sei lá. Não, é cemitério. Eu tenho medo. Porque o cemitério é onde os corpos estão, né? Então... Aí isso pega você. É, tipo, meu, imagina você ter um olhar de raio-x. Você bota um óculos... Aí você bota um óculos desse que você consegue fazer. Você vê as pessoas mortas. Você vê as pessoas deitadas.
Então os mortos estão ali. É uma coisa meio óbvia. Mas o medo é do físico? Porque eu acho muito mais assustador o espiritual. Não, mas pra mim é o físico. Eu tenho uma coisa com zumbi, que é desde criança, assim, que eu assisti a Noite dos Mortos-Vivos, do Romero, né? Nossa, perfeito. E aí eles vinham devagar, eles vinham no cemitério com o terno caindo. Tem uma cena que eu não me esqueço, que um deles tá nu por baixo, que é bem aquela coisa da pessoa que é sepultada só com a roupa por cima no velório, né?
Então, a sua veste, você não precisa botar aqui atrás. E aí, isso me causou um trauma, assim. Então, eu mou de medo... Do zumbi peladinho. É, do zumbi peladinho a sair do túmulo e vindo te pegar, entendeu? É, você citou o Romero, que é o George Romero, né? Um diretor... Talvez o diretor mais famoso de filmes de zumbis. É. E que eu sou fascinada por esses filmes, porque eu sou apaixonada por zumbi. Eu também amo zumbi. Sério, eu sou assim. Absolutamente fascinada.
E é muito gore, né? Muito essa coisa de você olhar. E, ao mesmo tempo, é uma pessoa. Porque é diferente, né? Você tem, sei lá, um lobisomem. É, não é uma criatura. Não é uma criatura, não é uma pessoa. Eu acho que mexe também com isso de você. O que me pega com o zumbi, Mabê, é que o zumbi passou por todas as fases da morte. Então, ele morreu, né? Ele teve o velório, provavelmente. Ele foi sepultado, ele ficou sepultado, entrou em putrefação dentro do túmulo.
torna, depois de todas essas camadas, muito louco, querendo te devorar. Então, pra mim, é uma... Porque eu falo muito de morte no LendaCast, né? Então, a morte, pra mim, é o maior mistério da vida, né? Tem algo depois? Não tem? Por que que morremos? A morte poderia durar... Qual o sentido da vida? Qual o sentido? O que é a vida, né? Não tem essa pergunta que o Abujama fazia? Eu faço, o que é a morte? Porque a gente tá aqui conversando.
Eu saio aqui, levo um tiro na cara, amanhã você tá no meu velório, eu tô duro no caixão,
E aí você... Eu sempre falo que eu tenho vontade de chegar no túmulo, no velório das pessoas, dar um tapa na cara do morto e falar, rapaz, é de graça. Acorda. Acorda. Porque eu não consigo, a minha cabeça não consegue traduzir uma pessoa que tava conversando comigo ontem e hoje tá no caixão e move. É uma coisa esquisitíssima. Se alguém chegar assim, ó, eu tive uma ideia, tá? Fiz aqui o mundo, fiz aqui as pessoas. E aí vai ter um dia que essa pessoa que vai desligar.
que horas, não sei. Exato. Não é que todo mundo, quando faz 40 anos, vai desligar. Não, quando acabar a bateria, vai desligar. Não, não dá pra poder. Você não sabe, exatamente. Às vezes você desliga, né, tá andando na rua, bate cabeça na pedra. Isso, tô aqui gravando podcast. Tá gravando podcast, pelo amor de Deus, gente. Então, é. Então, tem que deixar a câmera gravando. É bom que dá corte pra você, Alain. Porque dá corte, é.
Porque hoje em dia é isso, né, gente? O cara já tá saturado, o miolo frito por curtida, né? Pelo amor de Deus.
Ninguém vai morrer nesse episódio. Não, ninguém vai. Vamos morrer de amor. Pelo terror. Vamos, então, pra falar um pouquinho da infância. Que a gente sempre traz aqui o monstro de infância. Faz um tempo que eu não trago. O povo briga comigo. O que é isso? Terapia? Eu choro. É um momento de terapia. Eu vou entrar um palhaço aqui pra fazer uma terapia. Pelo amor de Deus. Não, não tenho nada contra palhaço, assim. Ah, eu tenho medo.
Tem medo? Morre. Os terror me deram esse medo. É, dá só um minuto. Pode entrar. Então, peraí que eu vou morrer.
A gente escuta. Pode entrar, espirro! Não, tipo... O monstro de infância é quando a gente conversa um pouco sobre quais que eram os nossos medos na infância. Tá. Então, já foi de tudo, assim. A galera já falou, ah, loira do banheiro. Tipo, a brincadeira do compasso. E assim, você é dos anos 90. Dos anos 80. Ah, você dos anos 80. Eu entro naquele meme. Então você tá ferrado, que nem eu. Eu tô ferrado, é. Porque a gente não teve chance ali.
Eu sou de 85, então assim, eu vivi xuxa, eu vivi fofão, eu vivi o pala preto, palhaço na Kombi. É, você tem aí bons momentos aí da TV brasileira. O autópsia do Eterno Fantástico, então a gente viveu tudo isso. Então assim, não dá pra você dizer que não teve medo na infância, né? Porque a gente era, as crianças, gente, eram traumatizadas. Era uma coisa assim, era normal.
tal coisa, se tiver uma Kombi branca, atravessa do outro lado porque vão roubar seus órgãos. Exato. Então a gente cresceu com esse medo, né? Aquela coisa. É. Quais que eram os teus, assim? Mas bem engraçado falar isso, não quero te decepcionar, mas assim, tudo que era de medo que me botavam, tipo, por exemplo, o Homem do Saco, eu tinha muito medo porque falavam que a gente ia ser sequestrado e virar sabão. Ah, verdade, tem essa parte também. Mas aí um dia eu vi um episódio do Chaves,
Em que a Chiquinha fala assim, mas veja pelo lado bom. Se o homem do saco te sequestrar... Nossa, tinha o homem do saco no Chaves, é verdade. É, tinha chapéu, sapato, roupa usada, quem tem? Lembro das falas inteiras, Dona Florinda. E esse é seu maravilhoso emprego, vender coisas velhas. Aí ele fala, minha senhora, eu não vendo coisas velhas. Eu sou um agente especializado em compra e venda de artigos para o lar. Meu Deus, maravilhoso.
Então eu tinha curiosidade, porque ela falou, a Chiquinha falou, se você fosse sequestrado pelo homem do saco, você vai poder conhecer várias cidades e tal. Aí eu falei assim, é, você não vai precisar nem andar, você vai ser carregado. E aí eu ficava, juro pra você, eu ficava olhando na rua quem possivelmente poderia ser um homem do saco. Tinha um amigo do meu pai, que ele sempre vinha com uma sacolinha do Carrefour, e aí eu ficava, ele é o homem do saco, mas eu não vou caber naquela sacola do Carrefour, vai estourar. E aí eu ficava imaginando,
coisas, então eu tinha curiosidade, por exemplo o Opala Preto, minha mãe usava muito pra falar pra gente, vem pra casa no Opala Preto vai levar vocês, que era também essa coisa de sequestrar crianças e tal então eu eu tinha curiosidade, onde que tá o Opala Preto então acho que eu fui sempre essa criança curiosa que não tinha medo disso mas eu queria saber meio uma B com o Clube de Chupacabra que eu não esqueço disso, achei o máximo vai estar no seu filme, o Clube de Chupacabra e aí eu, então eu não tinha muito medo, o que eu tinha
medo muito, quando eu era criança e continuo tendo, é do cemitério, mas assim, não é um medo mais igual eu era de criança, mas eu tinha medo do cemitério porque a minha avó sempre me levava pra velórios, então a gente ia no mercadinho, fazer mercado, fazer feira, e aí na volta ela falava, vamos passar no velório pra ver se tem alguém ali morto. Era um chá da tarde. E aí ela chegava lá e ela, ô fulana, faleceu cedo, e sempre tinha alguém que ela conhecia, ou se ela não
ela entrava e... O interior é ter uma coisa de conversar com as pessoas que você não conhece, servir um chá e estar dentro da sua casa. E aí a minha avó tinha essa coisa e eu ia junto e ficava olhando o caixão, assim, falando quem que é o morto, né? Às vezes eu pegava um chá pra tomar junto com ela, com a sacola do mercado no canto. E aí, às vezes, a gente acompanhava. Quando ela estava muito empolgada, ela acompanhava o velório e eu ia junto nesses velórios lá em Avara, interior de São Paulo. Então, o meu medo era do cemitério.
Porque eu vi a pessoa deitada no caixão e depois aquele caixão empurrado lá pra dentro do túmulo. E aí, vai ficar lá? Eu fazia várias perguntas pra minha vovó. Vai morar aí agora? Vai morar ali embaixo? Entendeu? Não, mas não tá mais respirando. Pelo amor de Deus, já imaginava eu. Então, eu acho que o meu irracional sempre me questionou a morte, né? Então, o meu medo maior, eu acho que é uma coisa mais subjetiva. Não é um homem do saco.
Não é um personagem específico. Eu sempre tive encantamento por esses personagens, entendeu?
entendo o que você fala, porque eu também sentia mesmo, só que eu tinha medo, mas eu tinha a curiosidade. Então, se eu tinha medo de chupacabra, eu tinha. Mas eu tinha muito mais curiosidade. Então, eu acho que era um pouco isso, assim, essa coisa de tentar entender, né? E eu sempre tive isso de discutir a morte. Eu lembro que eu gostei de ler sobre algumas religiões e sobre algumas... Porque eu tinha essa curiosidade de, tipo, tá, mas...
Porque, gente, quando a gente para pra pensar, não faz nenhum sentido a vida. Nenhum. Não faz nada.
Não tem propósito. Tipo, você não tem propósito. Você não tem um negócio pra você resolver. Não tem. Tipo assim, ah, você tem que fazer tal coisa aqui. Não tem. Você ainda tem que criar as próprias direções. Isso, as religiões trazem um pouco disso. Mas eu acho que, nossa, é um papo que dá pra ficar horrores. Eu realmente fico meio fascinada de falar sobre essas coisas. Eu também fico. Mas vou entrar aqui no assunto hoje. Duas horas depois, nós devemos convidar, né? Exatamente. E tem aqui uma coisa importante.
o roteirista colocou, pra eu falar do boato que a gente era brigado. Você viu isso uma vez? Não. Alguém falou assim, tipo, que a gente não gravava junto, porque a gente tava brigado. E a gente brigou mesmo. A gente brigou. A gente brigou. Foi arrancar rabo, ela queria um boy que eu queria. Exato, eu falei o pneu do carro dele. Gente, mas eu nunca ouvi que a gente é brigado, mas é que você… Não, mas foi um comentário só, não foi nada…
É, isso e meu também. Não foi uma coisa super pontual, mas que eu achei engraçado, porque
Porque tinha isso, né? Da gente não ter ido no podcast. E aí, a gente já falou um pouquinho dos nossos medos no início. E aí, eu queria entrar aqui em algumas lendas. E eu confesso que são umas lendas que eu vou ler aqui. Que eu, particularmente, algumas eu nem conhecia. Que eu achei muito interessante. Brasileira? É, algumas são brasileiras, outras não. E aí, eu vou contando aqui. Acho que a gente pode ir conversando sobre isso. A primeira, que se chama Tereza Bicuda.
apelido por conta dos lábios grossos. E eu achei maravilhoso isso, né? Tereza Bicuda do nada. Ela vivia em Jaraguá, em Goiás, e ela era conhecida pelo temperamento cruel e por maltratar a própria mãe. Então dizem que ela obrigava a mãe a pedir esmola pela rua, além de ser violenta com a própria mãe. E aí conta o povo que certa vez ela tava com sangue nos olhos, que a maldade dela ainda tava florada, assim, mais do que o normal.
E aí que ela colocou um freio de cavalo na boca da mãe, que teria montado na mãe e saiu cavalgando.
E aí, a mãe faleceu e tal, que foi, né, um... Que ela não ia nem conseguir sobreviver aquilo e tal. Só que antes de morrer, ela amaldiçoou a filha. Na verdade, não foi nem amaldiçoar, ela excomungou. E aí, como a região que elas moravam era muito religiosa, tipo, era uma... Né, era um lugar que o povo era muito devoto e tal. Então, a Tereza Bicuda começou a virar, tipo, um pare ali dentro. Como se ela fosse uma aberração. Então, ela era impedida de frequentar a igreja. É... Só que, assim, na real, ela não tava se importando com isso, né?
Ela até chegou a zombar das igrejas. Estava nem aí. E ela fazia questão de trabalhar os domingos, que é o dia da missa. Então, ela ainda queria causar ali. Profanar o dia. É, profanar o dia. Só pra causar ali mais na cidade. E daí, quando finalmente ela morreu, nenhuma lágrima na cidade foi derramada. Porque ninguém gostava dela. Ninguém nem chamou o padre, né? Pra dar extremunção, nem nada. E aí, naquele tempo, era costume enterrar os mortos no interior das igrejas. E aí, a capelinha do Rosário, que fica no sopé,
de uma colina, recebia os corpos dos mais pobres, né, que não tinham o privilégio ali de repousar na matriz, e foi ali que a Teresa Bicuda acabou sendo sepultada, né, sem qualquer cerimônia. Só que, por três noites seguintes, sempre que dava meia-noite, gritos aterrorizantes ecoaram pela cidade. E os gritos não eram lamúrios, eles eram pedidos bem claros. A Teresa Bicuda tava implorando pra que tirasse o corpo dela dali. E dizem que não era o seu local, ela falava, né, que não era ali o seu local,
de morte, assim como não tinha sido em vida. E como ninguém parecia ali atender os seus pedidos, ela passou a percorrer as ruas ali da região, gritando. E aí os moradores começaram a ficar, né, desesperados. E aí tem aqui, relatos de pessoas que foram corajosas o suficiente pra espiar a maldição, dizem que vê ela com um enorme vulto branco, com vestidos longos, soltando lá baredas pelas pontas, e que espalhava pelo ar, assim, um cheiro podre, tipo um enxofre mesmo, né,
que muitas vezes é associado a inferno, a morte também e tal. E aí, por onde ela passava, ficava marcas da sua passagem, a grama queimava ou secava, deixava a marca de pegadas. Os animais que estavam próximos, eles tinham os pelos queimados. E aí, cansado do tormento, o povo decidiu pôr fim, né? Matar a morta. Exato, matar a morta, colocar fim ali ao seu martírio. Então, um grupo de pessoas, que aí a gente já não sabe se eles eram os corajosos,
com a situação toda, eles exumaram o corpo dela e levaram ela para a serra. E aí o corpo da Teresa Bicudo, obviamente, já estava num estado avançado ali de decomposição, e aí eles encontraram um terreno cheio de pedras, com uma grama baixa e umas ervas daninhas, e jogaram o corpo dela lá. E aí disseram que o corpo ficou tomado pelo... O corpo não, né? Que o local ficou ali tomado pelo cheiro de enxufre. E aí, que desde então, nunca mais nasceu planta alguma naquela região,
realmente uma terra morta. E que os gritos pararam imediatamente ali pelas ruas de Jaraguá, né? Então dizem que talvez tenha valido a pena e ter exumado o corpo dela e tal. E falam que na Serra do Jaraguá ainda tem o local onde ela foi enterrada, que é marcado hoje por uma cruz de madeira. E fala também que de um pé de caju assombrado, que fica próximo ao local onde o corpo dela repousou. O pé de caju é assombrado. O pé de caju é ótimo. Só que se alguém tentar colher um fruto, é atacado
Por enxame de abelhas que surge do nada. Gente, eu amei tanto essa história, porque pra mim... Detalhe essa história. Não, ela vai em camadas, né? Tipo assim... Você já tinha ouvido falar dessa história? Já, já tinha ouvido falar. A Tereza Bicuda, ela tem uma semelhança com a lenda do Corpo Seco. Não sei se você já ouviu falar. Já. Que é essa coisa de que você agride a mãe, né? E você agride a pessoa que é mais sagrada, né?
Que tem essa coisa também. Ah, eu tenho que amar minha mãe. Outra coisa de internet. Outra discussão. Mas a coisa mais sagrada. Que você agride a sua mãe. E aí ele é enterrado. E aí ele vai para o inferno. Os demônios jogam uma maldição nele. E falam o seguinte. Você vai ser cuspido pela terra. Nem o cemitério te quer. E aí ele volta meio um corpo seco. Com as costelas à mostra. E aí ele fica pelas beiras de estrada. Dizem que ele aparece em São José.
é dos campos e tal. Então, eu acho que a Teresa Bicuda, e pelo que eu percebo de muitas lendas urbanas, elas acabam dizendo coisas do que a fidade viveu em determinada época, né? Então, por exemplo, pra você ter uma lição de moral, você não pode só falar assim, ó, você não pode bater na tua mãe, né? Então, você tem que criar uma lenda de que olha o que acontece com quem bate na mãe, né? E outra coisa, ela ia contra a religião da época. Então, por exemplo, a mãe dela escolheu
excomunga ela. Mas a mãe não pode excomungar ela. Quem pode excomungar ela é só o padre da igreja ou o papa. Então, assim, a mãe excomunga, mas é uma maldição. Aí a gente vai pra praga de mãe. Então, assim, a Tereza Fidalgo, ela tem um monte... A Tereza Bicuda. Eu falei Tereza Fidalgo porque tem uma outra lenda também que também chama Tereza Fidalgo, já ouviu falar? Que você recebe pela internet. Eu não lembro se tá aqui no texto, mas acho que não.
Mas que é uma que você tem que ficar repassando. Isso, é uma corrente de maldição na internet.
Você percebe que todas as lendas urbanas, elas contam uma história de uma cidade de um tempo. E de um tempo. E a Tereza Bicuda tem disso também e outra. Já colocam o nome Tereza Bicuda na mulher, eu já ia ficar puto da vida. Não, eu ia ficar puto, eu já pensou. Não ia bater na minha mãe, mas eu ia bater e quem me colocou no Daniel Bicudo. Mas eu acho que essa lenda, ela é interessante, além de tudo que você falou, porque eu também acredito muito nisso. As lendas, elas refletem os estigmas, os preconceitos da época,
vive e tudo mais, mas ele também, pra mim, a Tereza Bicuda, ela vai mesclando em tantas coisas, porque assim, até no início, é tipo assim, tá, ela xinga a mãe, briga com a mãe, até aí tudo bem, tem muitas aspas, mas é uma coisa simples, ah, beleza, vai morrer. Não, mano, porque ela não só acontece algo ruim, é tipo, a mãe dela, a primeira mãe dela morre, né, e aí depois a mãe dela, tipo, antes de morrer, ela amaldiçoa a Tereza Bicuda, e aí a Tereza,
Não é só amaldiçoar, tipo, a maldição dela é ser enterrada nesse local. Que ela não quer ficar ali, então tem a coisa de gritar também. Porque existem muitas cidades que tem isso, né? Ah, no cemitério tal, porque tinha muito grito, tinha muita coisa que... Fala muito também sobre o espírito estar... Atormentado, de maneira que morreu. Também me lembra da noiva de branco. Porque tem esse momento que ela fica andando pelas ruas de branco. E assim, eu morei em várias cidades do interior de Minas.
a sua própria noiva de branco. É, cada um tem uma noiva pra chamar de sua. Exato. Que também, de novo, a noiva é o quê? A noiva é a mulher que é abandonada no altar. Ou que é assassinada pelo marido. Ou que é assassinada pelo marido. Que é, de novo, mais uma violência ali da época que é transformada na lenda. Só que, pra mim, tudo tá muito louco. Aí eles exumaram. Beleza. Mais louco ainda. Aí eles colocaram no outro lugar, tá? Aí esse lugar não nasce nada. Aí tem um pé de caju
Não, ela vai amaldiçoando tudo aqui, ó. São todas cavadas. Gente, tá, o pé de caju. Mas o que vai acontecer agora? Aí se você for pegar um caju, as abelhas, gente, da onde que vieram as abelhas? Tá tudo amaldiçoado. Eu fiquei assim, sério, eu fiquei um pouco fascinada com essa história. Porque, na minha opinião, assim, ela mesclou um monte de coisa, né? Ela leva tudo com ela. Vou assombrar esse pé de caju. Ai, queria fazer um doce de caju com esse pé, entendeu?
Mas o que eu percebo também nessas lendas, por exemplo, você falou dos gritos dela.
Eu me lembrei muito do estúmulo das Treze Almas do Joelma, porque as Treze Almas do Joelma também tinha essa lenda no começo, inclusive passava nos programas de televisão enfatizando isso, de que as Treze Almas gritavam à noite, ou durante o dia também, os coveiros, os sepultadores lá, eles ouviam as pessoas, eu tô queimando aqui. Aí tinha que colocar copinho com água, copinho com leite. Então você vê que a cidade, a região, em determinada época,
Ela pega uma pessoa que morreu. Então, de repente... Eu sempre gosto de humanizar as lendas. Tentar trazer para o olho. O que seria uma Tereza Bicuda? Talvez uma moça que tivesse problemas psiquiátricos. Que agredia a mãe. Ou uma pessoa... Porque, tudo bem. Para ela agredir a mãe, ela pode ter ou problema psiquiátrico. Ou ela pode ser uma pessoa ruim mesmo. Só que o problema dela montar na mãe. Colocar um negócio de cavalo. Mostra uma outra coisa.
no lugar ali. Então, de repente, a mãe pegar ela pra tentar internar e tal. E aí, a sociedade, né? Nossa sociedade, que até hoje não valida doenças psiquiátricas, é o quê? Ela é malvada. Ela não vai na igreja. Olha, trabalha de domingo. Meu amor, você tem um filho pra criar? Você vai trabalhar, seja a hora que for, entendeu? Ah, porque não trabalharás ao sábado. Então, tá bom. Eu não vou trabalharás ao sábado, você vai me darás o seu salário. Você vai me pagarás o meu aluguel.
Entendeu? Porque é isso. Exato. Então, quer dizer, a gente percebe... E outra, essa necessidade de você enfiar a goela abaixo da Tereza Bicuda, a religião da época, ela podia ser de outra religião. Exato. Então, quer dizer, você não sabe o passado do vilão. Exato. O que acontece na cabecinha da Tereza Bicuda? Não, mas é muito interessante mesmo essas questões quando a gente vai analisar. Exato.
É, olhar pra trás da lenda. Uma beira pra eu vir aqui pra falar coisas de terror e da medo, porque a gente tá desmistificando as lendas, as pessoas estão ficando com dó da Tereza Bicuda. Não, pior que aqui, geralmente, a gente dá risada, brinca. Mas esse caminho mesmo. É que eu também sou essa. Não, estamos falando aqui no ponto. Essa história não tá dando medo. Conta a história que dá medo. E aí, tem um aqui também, que esse eu já conhecia, que é o Bradador, né? Que é uma alma penada, que perambula ali pelos campos da região.
ao centro-sul do Brasil. Qual que é, né, dessa lenda especificamente? Por que que chamam de bradador? Após a morte de um homem, né, que ele era tão ruim, mas tão ruim, que a própria terra o rejeitou. Aí, ó, corpo seco. De novo, né? Mas rejeitou por quê? Porque ele não tinha pagado os seus pecados ainda em vida, então ele foi devolvido. Ó, galera, vocês vão ficar com esse aí. E aí, ele ficou vagando, né, por aí, com seu corpo todo podre, ressequido, seco, né? Acho que talvez ele seja aí mais um...
Desdobramento aí de cor seco, né? E os seus passeios consistem em uma caminhada pelo mato alto. Sempre às sextas-feiras, após a meia-noite. Então, ele tem ali o calendário dele, né? O cestou. E o que ele faz, né? No resto da semana. A gente não saberia dizer. Mas, enquanto ele passeia às sextas, ele grita, né? Ele grita o nome dele. Diz que os gritos são apavorantes. Que são gritos lamentosos, gritos de agonia e tal. Mas tem como você se livrar dessa maldição.
Ele precisa encontrar por sete vezes uma moça chamada Maria. E só assim a terra vai acertar ele de volta e ele vai poder descansar em paz. Qual que é a brisa? O grande desafio é encontrar alguém com coragem suficiente pra enfrentar esse pavor aí dos gritos. E aí essa área, que é aparentemente onde ele perambula, o cestou, ela tinha abundância em ouro. Então ela teria sido palco de um massacre. É uma botija. É botija que chama? Botija. É, botija. Acho que é mais no norte.
é quando tem uma casa, você fala que essa casa é assombrada, porque tem uma botija. O que é a botija? É muito dinheiro enterrado. Ah, tá, tá. E aí, então, seria uma mudança em ouro. Eu acho que era mais a questão de uma mineradora. Ah, tá. Que diz que foi palco de um massacre, onde 40 mineradores teriam se matado, movidos pela cobiça. Isso é uma lenda, né, gente? Você não pode querer ouro. Você não pode querer ouro. E aí, que desde então, os gritos Ecom pela região. E eu achei muito interessante.
essa lenda aqui do Bradador também, além do dia específico, né, que você pode quinta-feira tranquilo, que ele não vai estar lá. Não vai estar sexta-feira até 11 horas também não. Tá tranquilo, 11 e meia. Quer dizer, peraí, é de quinta pra sexta, então? É, não, é meia-noite. É, então é de quinta, na verdade. É de quinta pra sexta. Até 23, 59 de quinta você fica na rua, depois você foge. Entendi, porque eu já quase perdi voo, assim, né?
Meu voo é na sexta, a meia-noite 10. Aí eu penso que é de sexta pra sábado, não é? De quinta pra sexta.
Tem o horário do Bradador. E depende também, hoje não tem mais horário de verão. Ele trabalha, será? Mas o que que eu falo? Até me perdi. Eu me perdi completamente. Ah, da Maria. O que que tem a Maria? Porque eu fiquei em dúvida. Porque assim, será que ele tem que encontrar sete vezes a mesma Maria? Ou, por exemplo, se sete Marias forem falar com ele, já tá resolvido. Mas qual que é a Brisa? Ela chega lá, ô Maria, dona Maria. É, eu acho que ele realmente vê sete Marias. E aí, ele não vai mais atormentar a galera, né? Entendi. Coitada da Maria.
Eu achei simples de resolver. É, eu achei simples, mas tem que ter algo com Maria. Essa lenda tá um pouco... O que tem a ver? A gente tá faltando a ligação da Maria. Exato. O que a Maria tem a ver? Será que é porque a Maria é a mãe de Jesus, que tá no imaginário popular? Será que ele teve alguma coisa com a Maria? Ou a Maria tem alguém que vai acalmar ali. Ela pode ser uma enfermeira. Uma pessoa que cuidou ali da cidade. Não pode ser uma espírita que vai encaminhar o espírito dele. Exato. É, faltou um pouco mais de contexto.
Eu não entendi a Maria. Mas eu também já ouvi do Bradador. Quem me contou o Bradador foi o Rogério Oliveira. Que ele é folclorista. Ele já foi algumas vezes no meu podcast. E ele falou que essa lenda do Bradador acontece também na quaresma. Que ele aparece ali nos momentos gritando. E é um homem grande. Que você não vê o rosto e tal. E é muito interessante você falar da quaresma. Porque a quaresma... Estamos nela. Estamos nela, né?
Primeiramente. Infelizmente o carnaval acabou. Você gosta de carnaval? Eu gosto.
Eu gosto assim de... Eu descanso e fico no bloco. Entendi. Ah, você vai pro bloco. É um pouco de... Como que é? Um pouco de salada, um pouco de droga. Então eu gosto de descansar um pouquinho. Gosto de me divertir um pouquinho. Mas da quaresma tem muito essa coisa do lobisomem, né? Tem lobisomem, tem... Uma que eu mais gosto da quaresma é a procissão das almas. A procissão das almas. Que é uma que são pessoas com vela que vão andando pela cidade à noite.
E aí você não pode olhar, porque a última vai olhar pra você e vai vir com uma vela e vai te entregar. Aí quando você olhar, a vela vai derreter e é um osso humano. Que isso! E aí quando você perceber, você já está de roupa, com véu e você já morreu, está na proteção. Gente! É tipo, a última pessoa vem pra trocar a alma com você. Vem trocar, mostra a luz. Você só tava curioso ali com a proteção e nada morreu. Minha avó usava muito a proteção das almas
eu ir dormir cedo. Ela falava, ó, vai dar meia-noite, você vai... Ela nunca falava assim, né? Sempre minha avó, toda vez que eu tenho a memória dela, tá secando o cabelo com a toalha. Ó, vai dar meia-noite, criança em casa, né? E vá dormir que vai passar a profissão das armas, ela falava. A profissão das armas vai passar e se você ficar acordado, olhar pra ela, vai levar você. Quer ir lá com teu vô? Porque meu vô tava morto, né? Tava morto. Mas ela também não
Ela tava vendo a procissão. Ela ia dormir. Ela falava que ela dormia com as galinhas. Que ela dormia cedo, né? Ela assistia ao bispo dela. E aí, é católica, mas viu o bispo da Universal. E aí, ela ia dormir. E aí, a gente ficava acordado na sala. Que queria ficar assistindo televisão, jogando videogame. E aí, uma vez eu jurei que eu via pro Som das Almas. Porque eu tava deitado. E aí, eu vi uma galera na rua conversando. Pra mim, eles estavam cantando.
E aí, eu olhei pro teto. Por exemplo, a janela é aqui. O teto, eu vi um fogaréu assim. Falei...
Fudeu, eles iam me pegar. Fudeu, agora eu vou embora com eles. Aí eu fiquei quieto. Porque é casa de vó, né? Casa da vó na quaresma, né? Era uma coisa... Nem lembro se era quaresma essa época. Porque minha vó é assim, ela... É a assombração que trabalha pra ela, entendeu? Ela usa a assombração ao seu bel prazer no momento que ela quer. O momento que ela precisa dar algum tipo de dilema. Não tem esse negócio não. Vai aparecer agora. Terça-feira, duas da tarde, se precisar falar uma coisa, a alma vai vir.
E aí, eu me lembro que a casa dela tem aqueles quadros antigos. Tem um quadro do casamento dela, né? Que ela tá novinha, com 19 anos, com meu avô, que já é falecido. Minha avó é viva até hoje, tá lá. Ai, que legal. Na mesma casa. E ela... Então, assim, essas... Aqueles... Ela tinha um cuco na parede, né? Nossa! Cucu! De filme sempre da mesma. É, e aí eu já era propício. Lá tinha uma lenda de uma mulher que foi velada lá e tal. Então, jurei que eu tava vendo, né?
também diz muito sobre como as lendas são usadas pra educar as crianças, ou eram usadas pra educar as crianças e botar medo na criança. É, o próprio Homem do Saco Preto é isso. Tipo assim, não fala com o estranho na rua, não sai de casa sozinho, né? Acho que tem... É um jeito violentíssimo de educar. Educação super positiva. Você vai morrer! Você vai morrer! Vai te pegar! Você tem medo de morrer?
Curiosa, assim, com a sua avó. Como é que ela, tipo, continuou esse jeito de falar? Porque eu digo assim, hoje você já é adulto, né? Então, assim... É, eu tô com uns 25 anos, mas tá bom. Ficando em 18 anos, semana passada. E, assim, ela continua falando desse tipo de coisa, brincando, ela é mais tranquila. É muito engraçado, porque, assim, a minha avó paterna, minha avó, ela teve Alzheimer, então ela não era essa pessoa da fé. Minha avó paterna,
Ela era uma pessoa de, enfim, era criação, né? Mas era uma pessoa que ela vivia tanque e fogão. Tanto pro marido como pros filhos. Então você chegava na casa dela, tadinha, ela falava, ah, quer comer alguma coisa? Eu vou fazer. E ela fazia. E ela sempre assim, e ela não era muito do afeto. Era um beijinho, ô meu filho, tal, tal, tal, nordestina, veio pra cá. Então minha avó paterna, ela era mais, infelizmente, essa ideia de que ela só tinha que cuidar dos maridos, lavando roupa deles, fazendo comida pra eles e tal.
Minha avó materna já é uma outra coisa que meu avô falou pra ela. Você não vai trabalhar, não quero que você trabalhe, não precisa, né? E eu quero que você cuide dos filhos. Então ela cuidava dos filhos em casa, só que muito do jeito dela. Tipo, ela acordava meio dia e a criançada... Vocês não arrumaram a casa? Era bem assim. Então a minha avó, por parte de mãe, ela já foi um pouquinho mais madame nesse sentido. E aí eu brinco com a minha mãe e falo, por isso que ela tá vivendo, tá com 82 anos. Toma cerveja até hoje, vai no barzinho, fica lá.
Eu vejo diferenças de criação muito claras, né? Da minha avó paterna com a minha avó materna. Então a minha avó materna, eu digo que ela teve tempo pra criar as lendas dela, de fazer as visitas na igreja. Ela chegou a costurar porque ela quis uma época e tal. E aí ela tinha essa coisa de tudo, ela tinha uma crença. Ela não era assim porque... Não, porque eu sou sua mãe. Ou porque eu sou sua avó. Não, é porque o diabo vai te levar.
eu acho que ela criava, ela tinha essa coisa da religiosidade e tudo. Hoje, por exemplo, eu falei pra ela esses dias, eu falei, vó, eu quero gravar um vídeo com a senhora na sua casa. Faz 40 anos que você tá morando aqui, que é a minha idade. Sim. Quero gravar um vídeo, quero mostrar. A senhora fala das lendas. Ah, eu não lembro. Não lembro de nada. Mas a senhora contava tanta coisa. Então, quer dizer, ela usava no momento propício.
Ela não escrevia, não guardava essas coisas. Mas às vezes ela tá tímida e tá dando um golpe em você.
ela vai contando. Então, por exemplo, o que ela conta? Ela conta do saci que a mãe dela viu. Ela fala que a mãe dela, Dona Rosa, ia na beira da cachoeira lavar a roupa daqueles negócios de esfregar. E a minha bisavó era menina. E aí disse que um dia ela viu no pé da cachoeira um menino um menino negro, né? Mas não era um menino porque tava fumando.
E tinha, então era um homem negro, baixinho, de uma perna só. E era muito rápido. Fazia... E aí ela disse que ficou apavorada com aquilo. E ela tava lavando roupa e disse que ele veio perto dela. E ficou aqui, ó. E ela... O saci perturbando ela trabalhar. Ela via, encheu o saco. Aí ela disse que viu o saci. E aí a minha bisavó também foi uma... A gente tá falando, né? De nossos antepassados, nossa família. E a gente tá falando da geração, né?
A minha bisavó teve 10 filhos. Teve um momento da vida dela que eu acho que ela cansou. Aquele bate-papo que a gente tava falando no começo. Ela não tinha diagnóstico de nada. De Alzheimer, de reumatismo. Mas ela deitou na cama e não levantou mais. Então ela dependia de todo mundo. E aí depois ela começou a ver espírito. Então quer dizer, eu cresci nesse ambiente materno. A minha família é muito materna. É muito matriarcal. Desculpem.
Mas os homens da minha família é tudo banana. Quem manda é tudo amueirada. Por isso que eu acho que eu cresci.
mais ligado a esse mundo mais feminino e tal, de contar histórias do sentimental, não que isso seja feminino, mas enfim. Sim, sim. Dessa sensibilidade. É, dessa coisa. Então, sempre o que valia mais era, e até hoje, o que vale mais é a minha avó, a minha avó tá idosa, mas a minha mãe em casa, por exemplo, eu falo, é a palavra dela que vale. Eu falo isso pra ela, fica brava. Mas é a palavra dela, é a palavra das mulheres que vale, né?
de fazer um churrasco no domingo, ver o jogo do Corinthians. Uma vida chata, tacata. Nem os meus irmãos que são héteros viviam essa vida. Um dos meus irmãos trabalha comigo e vive essa coisa de lenda. Então, hoje em dia, minha avó, ela não fala mais. Ela cansou. Que é o momento que eu tô fazendo. E tinha o meu avô também, o marido dela, né? Que ele foi pro circo. Cansou de trabalhar na lavoura. Cansou de trabalhar e fugiu de casa e se uniu ao circo. Nossa! E aí ele aprendeu a botar fogo
na boca. Primeiro que ele foi pro circo, colocaram ele pra limpar as coisas, mas aí ele aprendeu a botar fogo na boca e fazia assim com o dente, ficava tudo iluminado lá dentro. Ele fazia, sabe o que ele fazia? Quando alguém morria da família, não tão perto, mas morreu um tio lá, aí ele apagava todas as luzes de casa, botava fogo dentro da boca e só via o dente dele andando assim. E aí a gente... A gente ficava no ar, mas era um ar. Que um mix de medo. Era, era.
Gente, eu amei. Quando uma tia minha que mora em Aras, morava, né? Faleceu. Todo mundo foi no velório, porque naquela época era isso, né? O velório era em casa, tinha todo mundo. E aí eu me lembro que a gente voltou pra casa, eu era pequeno e tava todo mundo com medo. Porque ela tava no caixão com umas unhas roxas, assim, da doença que ela teve. Umas unhas grandonas, assim. E aí a gente ficou com medo daquilo. Aí ele ficava, ó, a tia vai aparecer pra você aí com a unha na janela e tal. E aí a minha tia, Andréia... Um beijo pro filho, Andréia.
ficou com tanto medo que levou um balde pro quarto pra mijar no balde. E aí o que que ele fez? Ele pegou um algodão, botou no nariz e foi lá na janela. Derrubou, mijou tudo fora. Ela fala até hoje, eu cortei o mijo, que o pai apareceu com o algodão no nariz, na janela. Então quer dizer, eu cresci nesse ambiente. Eu falo que se meu avô estivesse vivo, ele estaria me ajudando, atuando.
Fazendo alguma coisa hoje em dia. Ele morreu muito cedo, morreu com 52 anos. Teve um câncer de pâncreas agressivíssimo. E ele faria... Então, quer dizer, meu bisavô mandou buscar ele no circo as chineladas, assim, pra voltar pra casa. Mas, enfim. Então, quer dizer, eu cresci nesse ambiente. Então, eu acho que quem lucra e quem trabalhou isso hoje fui eu. Porque minha avó não via isso como lucro. Minha avó via isso como maneira de manipular os filhos e os netos. Ou até de repassar isso.
histórias que eu via também, né? Isso, e aí falando. Mas era uma coisa bem assim, ah, minha mãe contava, mas eu não sei. E aí eu já incremento o negócio, já torno isso, né? Vamos falar dessa... Porque eu acho importante também, é a memória, não só da minha família, mas é uma memória de um passado, dos antepassados. De uma cultura, né? De uma cultura. Você pergunta pra alguém e diz assim, a galera, não, já vi lobisomem. Lobisomem, a gente fica na pira aqui.
Eu conto histórias de lobisomem, tem um monte de seguidor meu que fala, lobisomem 2020.
Eu falo, vai lá no interior. Vai passar uma noite no meio lá da casinha de palha, de sapê, né? Nem sei se tem mais. No meio do interior, só com o Lampião. Vai lá, fica lá sem Wi-Fi. Fica lá de boa. Seu lobisomem, você não vai te botar medo. Mas eu gosto muito de... Nossa, isso tudo que você falou antes, até de ir pro próximo... Pro próximo, Leandro, eu queria muito bater nessa tecla, porque eu acho que é como a gente foi criado, molda muito a maneira como a gente vê. Você falou da sua avó,
Muito legal. Eu também não conheci... Quer dizer, também não, né? Eu não conheci os meus avôs. Meu avô, por parte de mãe, ele morreu muito cedo. Então, ele morreu antes de eu nascer. E isso é uma dor que eu tenho. Porque de tudo que eu ouvi falar sobre ele, eu acho que eu teria amado ele, sabe? Ele parecia ser uma pessoa muito engraçada, assim, muito... Porque a minha avó, ela foi... Ela era nordestina.
avô mineiro, e a minha avó era uma pessoa muito dura, né, ela teve uma infância muito dura, então ela foi, ela ficou em escola internato, né, e que o pai não conseguia, a mãe dela morreu quando ela tinha 5 anos, e aí ela, cada, eram 3 filhos nessa época, então ela foi pro internato, outra foi morar com a madrinha, outra ficou com outra pessoa da família, minha avó não tinha ninguém da família, então colocaram ela lá.
E aí ele tem uma... Aí ele traz uma nova esposa e ele tem mais 16 filhos. Então a minha avó, ela tem... Ela teve 18 irmãos. Meu Deus! E era uma família muito humilde, pobre e tal. E minha avó muito dura, assim, sabe? Minha avó não era... Você falou coisa do afeto. Isso me lembrou, porque a minha avó era serviço. E como eu... Meus pais se separaram antes de eu nascer. Fui muito rápido, muito cedo. Então a minha mãe voltou pra Itajubá.
pro sul de Minas, e aí foi trabalhar e eu ficava com a minha avó em casa. Então assim, minha avó fazia meu almoço, minha avó cuidava de mim, minha avó fazia tudo por mim. E antes de tudo por mim, ela chegou a trabalhar, né? Ela conheceu o meu avó no presídio. Tá engraçada a história, porque os dois trabalharam, ela trabalhava no presídio de escriturário e ele era o chefe dela. Então foi assim que eles se conheceram. Ah tá, ele não era presidiário.
Não, foi Ribeirão da Fé. E aí, novinha, vamos sair nessa noite de 82? É maravilhoso.
Foi em Ribeirão das Neves, em Minas, ali perto de BH, que eles conheceram. E aí, minha avó depois trabalhou como secretária, trabalhou com várias coisas. Meu avô tinha... Acho que trabalhava como contador e também ele colocava umas coisas no carro pra sair pra vender. Então, ele fazia muitas coisas, assim. E aí, a minha avó, ela não foi uma... Assim, principalmente com os filhos dela, ela não foi uma pessoa muito afetuosa fisicamente, sabe?
Do tipo assim, de abraçar, de falar eu te amo, tal, não sei o quê. Acho que não sabe, não sabia. Porque acho que é isso, assim.
A maneira como foi criada, era aquela coisa, cada filho tava de um jeito, não sei o quê. E aí, minha avó teve seis filhos, né? Então, também teve um pouco dessa questão. Mas comigo, era completamente diferente. Eu quebrei a minha avó, porque eu falava o tempo todo pra ela, eu te amo, eu abraçava ela, eu ficava… Eu queria, tipo, eu… Ela ficava sentada vendo TV, eu ficava sentada com ela. Então, a gente teve um… Hoje, né, olhando pra tudo isso, minha avó já é falecida, ela também teve Alzheimer.
Muito pesada, assim, emocionalmente, o Alzheimer, né? Falando. Mas ela não era uma pessoa religiosa, mas ela era uma pessoa cética. E ela não gostava de falar dessas coisas sobrenaturais. Não gostava. Não gostava. E eu amava, né? Só que ela se divertia muito, porque eu começava a contar pra ela. Ela, para com essas histórias! Só que ela se divertia, ela gostava de ouvir. E aí eu falava, mas vó, você nunca ouviu nada? Ela, ah, eu ouvia, né? Aí ela começava.
Então quando ela contava as histórias, se eu tivesse tido a oportunidade, né, mais tempo com ela, com toda certeza eu teria, e ela tivesse, né, Sam e tal, com toda certeza eu teria trazido tantas histórias legais, porque ela contou muitas histórias interessantes. Imagina, nasceu nos anos 20, lá em Gameleira, em Pernambuco, sabe? Uma cidade que era pequena, numa área rural. Imagina a quantidade de coisa, de história que ela não deve ter ouvido, de coisa que ela deve ter vivido.
são coisas que mexem bastante comigo, assim. E aí, é isso. Já comigo, provavelmente, a sua avó foi muito mais afetuosa com você, talvez, do que com os filhos, né? E é isso também. A maneira de servir é o ato de amor, né? É o jeito que a minha avó tinha, né? De alguma forma. Mas que também, você falou de um jeito muito legal, que é ruim essa mentalidade, né? Porque parece que a pessoa não é uma pessoa, né? Você tá ali só pra servir o outro, só pra ter uma função.
esse pensamento do tipo, olha, eu posso não tinha vaidade nenhuma, sabe? Isso minha avó paterna, né? Porque minha avó materna já botou uma sainha, já botou um negócio. Mas e a diferença de classes sociais, né? A família do meu pai sempre foi uma família muito mais pobre. A família da minha mãe já era uma família de classe média, que conseguiu já vir pra São Paulo, do interior vir pra São Paulo já com uma casa. Eles não, eles foram construídos
e a casa, entendeu? Então assim, tem toda uma diferença, uma consciência de classe ali. Mas aí a gente percebe que, por exemplo, a minha avó paterna, ela nunca se questionou nisso. Nossa, eu posso vestir um vestido mais bonito, eu posso não querer fazer mais trabalho pra vocês, vocês estão crescidos, vai fritar teu ovo, entendeu? Então é... Mas não tinha, tava dentro de... O meu pai traz muito disso, mas o meu pai ainda, ele quebrou algumas...
regras, assim, de distância. Então, por exemplo, o neto quebra pai. Quebra pai e mãe. Quebra os avós, né? Então, por exemplo, às vezes o meu pai e minha mãe eram rude comigo, coisa que eles não foram, mas era. Mas com os meus filhos, eles... Tem até um vídeo na internet que eu amo, que a mulher entra no... A senhora entra no carro do filho dela, né? O filho tá dirigindo lá. Demora do caramba! Você pensa que eu tenho todo o tempo que ela vira, a neta tá atrás. Ela, ai, meu amor! Muda na hora! Muda na hora!
Vamos parar, vamos logo. Ah, você veio. Então assim, eu tô vendo hoje meus pais dessa maneira. Meus pais são totalmente cadelinhas dos netos. Os netos aparecem e dizem, ô, vem aqui. Eu juro pra você que um dia eu entrei, meu pai tava de quatro no chão. Vem, vem, vem. E o meu sobrinho assim, brincando com ele. Meu pai, vem, vem, vem. Eu falei, olha, olha. A coluna tá horrível e tá brincando com a criança. Então quer dizer, é essa diferença, né? E é muito legal ver essa evolução.
Eu gosto também de ver a família evoluindo nesse sentido. Mas eu também falo uma coisa, Mabê. As lendas de terror e fantasmas e a educação da família passada, ela também não está totalmente fora das religiosidades. As religiosidades pautam demais a nossa família. Como, por exemplo, eu nunca me imaginei saindo de ser católico. Tem tia minha que fala que vai me bater até hoje com 40 anos.
falava, Daniela Desmereza, umas palmadas por você ter saído da igreja. Cantei na igreja durante 18 anos. Então, eu falo, mas gente, hoje em dia é outra vida, é outra coisa. Eu fiz o questionamento e eu fiz a escolha. Mas parece que não pode fazer a escolha. Às vezes é difícil, né? Principalmente quando é uma, como você falou, a família que é tão ligada. Eu não tive isso, né? Eu acho que a minha história é uma história de uma família rara. Porque o brasileiro, de uma forma geral, é um brasileiro muito religioso.
É, a minha família é muito religiosa sempre. Então, a minha família é zero religiosa. Hoje tem uma parte que é mais religiosa, mas assim, eu não cresci com isso, de ter que ir à igreja, de ter que fazer tal coisa, ou de ser, tipo, faz isso não capeta, sabe? Eu não cresci com isso. Eu cresci com outras lendas, né? Com outras coisas. Eu cresci, mas fiz pacto e tudo melhorou. Ficou com pacto e tudo deu certo. E aí, nossa, a gente já falou tanto. E tá tudo bem também.
E bora. Mas eu queria trazer um aqui que já é uma lenda da internet, mas dos anos 2000, que eu amo também. Você lembra do Smile Dog? Smile Dog. Que é essa carinha que você vai lembrar da carinha dele. Eu acho engraçado. Então eu vou colocar a foto aí, Dantas. Aparece uma mão aberta, meio esquisita, o cachorro. E é um pouco parecido com aquela que você falou, que é de você ter que colocar pra frente, né? O que tem a ver essa imagem, né?
Que vocês estão vendo aí. E se por acaso vocês não estiverem vendo a gente ou no Spotify ou no YouTube, né? Que você vai estar vendo o nosso carinha.
Só ouvindo, vai lá no Instagram, Casandeline Bizarro, que vai ter a foto no post do episódio. Eu falo pro pessoal, para. Para agora o que você tá fazendo. Tá lavando louça, tá na academia, para um minuto. Para e vai ver essa foto. Tem um minuto pra palavra de satã, vem dar uma olhada na foto. Anos 2000 ali, né? Essa imagem, bastante anos 2000, bastante pixelada. Isso é muito creepypasta, né? Muito creepypasta. E aí, o que acontece? Você tinha aí um...
uma imagem que era, o nome dela era smile, né? Sorriso em inglês ponto JPG. Ah, legal, né? Eu vou abrir aqui, vai ser um sorriso. Um sorriso. Né? Eu vou abrir aqui, é um sorrisinho. Quem não gosta? Só que quando você abria, aparecia essa coisa demoníaca aí, né? Esse cachorro. É engraçado. É muito engraçado. É um pastor alemão bonitinho. É um pastor em situação aí de completamente loucura. Né? Deu ali a sexta-feira, o sextou do pastor alemão. É. E aí você via que é um cachorro
meio que sorrindo, só que é um sorriso meio estranho, né? E aí acompanhava com uma frase que era spread the word, quer dizer, espalha a palavra. E aí, de acordo com essa história, se você recebesse esse arquivo, se você visse essa imagem, você ia sofrer consequências psicológicas, tá? Você ia ter pesadelo com o cachorro, você ia ter insônia, paranoia, era um monte de coisa. A sensação de ser observado, é aquela coisa.
arquivo, uma entidade virtual. Uma foto amaldiçoada. Uma foto amaldiçoada, né? Só que você poderia se proteger, porque sempre tem isso, né? Sempre tem a proteção. Então, como é que é a proteção? O que você precisava fazer? Você precisaria compartilhar o arquivo com outras pessoas. Tá lá, lá, lá. Então, qual que é o negócio? Se você se recusar a espalhar a imagem, é aí que a entidade vai ficar com você, tá? Você vai entrar ali em colapso mental. Agora,
Se você compartilhar, aí você ia melhorando aos pouquinhos. E daí a narrativa mais famosa conta de uma mulher que teria recebido o arquivo e desenvolvido um trauma tão intenso que ela nem conseguia falar sobre o assunto. E aí que ela ficou com um comportamento instável e ela só repetia uma frase, que era a imagem precisa ser passada adiante. Sou materiã. Exatamente. Ela achou que era um cachorro. E aí, como você mesmo falou, faz parte aí de creepypasta, né?
Histórias que parecem um relato real e tal, mas são criadas pra circular numa vibe de lenda urbana digital. E aí, obviamente, não tem nenhum registro comprovado de pessoas que tiveram surtos depois. É, gente, vocês não me venham depois falar que vocês tiveram surtos com essa foto, que é isso, né? Eu mostro a foto aqui. Eu, no passado, eu era assim, Antigo Testamento, eu falava, vou botar a foto, é o seguinte. Se você tem alguma questão, não veja, porque essa foto vai te perturbar. Aí, a live tava, tipo, em 8 mil pessoas.
Caía pra 5. Aí depois eles voltavam. Porque eles falavam, voltei, a live já passou. Já passou, já tirou a foto. Eu fazia isso. Eu sabia que era psicologia reversa. Não veja. E eles ficavam assim. Vocês não me veiam comentar nesse episódio que vocês estão perturbados mentalmente que não é a foto não. Se você tá perturbado mentalmente com uma foto dos anos 2000, pelo amor de Deus. No mundo que a gente tá hoje, acho que dá pra ficar perturbado mentalmente com outras coisas.
Com outras coisas. Vou te mostrar outra foto que tem, que é o quê? Backrooms. É mais atual.
Mas eu acho muito interessante essa lenda, porque ela tem essa coisa da foto, né? Acho que a gente viveu muito isso na internet, né? Eu falo que é a memetização, né? Eu fiz uma, na minha pós-graduação, agora... Vou dar carteirada agora. Fiz uma pós-graduação na ECA, na USP, aqui em São Paulo. Mas eu fiz mesmo. A gente falava sobre memetização, que é um processo de que você torna uma foto que é... Uma foto que não tem nada, que tem um cachorro rindo.
você torna aquilo muito importante. Então, por exemplo, se você bota isso num evento como uma CCXP da vida, a galera já entendeu qual é a proposta daquilo. E aí você começa a personificar expressões humanas nos animais. Então você tem o cachorro indo. Hoje em dia tudo é gatinho, né? Você vê a cara de um gatinho assim. Aí você fala, eu quando vejo aquela pessoa que eu não gosto. Ainda mais agora com o Yá, né? Exato. Agora com o Yá a gente perdeu o controle mesmo. Vou refazer esses memes com o Yá.
Mas eu gosto muito dessa coisa de você ter uma foto que é rápido. Você pode mandar no WhatsApp, amaldiçoar o seu ex, entendeu? É rápido. E tem isso que eu acho engraçado, porque ao repassar, você melhora. Só que você sabe que você está melhorando, fudendo com o outro, né? Não, não. E essa coisa de você passar é uma pirâmide de desgraça. Entendeu? Você está fazendo ali uma pirâmide que você está amaldiçoando os outros. Tem a...
Como é que é o nome? Eu sou a Maiara. Eu teria se estivesse... Estaria viva se estivesse 14 anos.
Fidalgo, eu acho que é uma das. Eu acho que não tem foto. Mas tem a... Backrooms também, né? Vai sair filme agora de Backrooms, inclusive. Backrooms, que é um mundo paralelo, ele começa ali naquele fórum, no 4Chem, lá nos Estados Unidos. Uma pessoa posta uma foto de um ambiente amarelado que parece um escritório vazio e fala, essa foto é amaldiçoada. Quem olhou vai parar em Backrooms. Aí a galera vem doida. Eu já fui pra lá. Aí eu tomei um negocinho.
você começa... Eu gosto muito dessas fotos. Na minha época, talvez na sua também, Mabê, tinha a menina do corredor, lembra? Eu amava. Eu amava. Era uma foto de uma russa, se não me engano, no hospital. Não, era uma foto de uma menina flutuando, segurando um ursinho. E aí falaram que ela era russa, não sei, mas pra mim era uma foto da menina do exorcista, trabalhada. Lógico. E ali, viralizando, essa foto é muito suada. Não, eu lembro de ter pesquisado depois, era realmente uma foto
Não, a foto, ela era... Como é que fala? Ela era modificada. Mas era uma foto de uma menina num hospital na Rússia. Eu lembro... Agora eu posso falar uma besteira. Mas eu lembrei que meu nome é Samara. Porque aí tinha a coisa do filme. Meu nome é Samara. E aí, ela morre numa cerca. Aí, tem 14 anos. Teria se estivesse viva dela. Conta a história dela. Mas voltando pra menina da foto. Também tinha isso de você passar, né? Porque se você olhasse muito, você via alguma coisa se mexendo.
Eu amo a ideia de um objeto amaldiçoado. Eu amo, eu faria um museu igual o Warren. Eu tenho um conto que eu escrevo, que eu escrevi, né. Que eu nunca coloquei pro ar, ainda preciso trazer isso. Que a pessoa também, ela vai numa feirinha dessas de… Antiguidade. De antiguidades. E ela encontra uma coisa amaldiçoada aqui no Brasil. Eu amo. Eu escrevi, né, uma ficção e tal. Mas porque eu sou fascinada com isso. Eu sou fascinada com essa ideia de você, sei lá, pegar uma coisa e você falar
300 anos e não sei o quê. Eu vou nos lugares históricos, eu toco nas paredes. Eu toco no que pode tocar, né? Não vou lá botar a mão na Mona Lisa. Na Mona Lisa. Pichando a Mona Lisa. Lembra daquela senhorinha que faleceu, dona Cecília? Que ela restaurou uma obra. Nossa, eu amo. Jesus restaurado, não é? Pelo amor de Deus, gente. Aquilo virou atração turística. Virou e ela queria cobrar royalties. Já que fui eu.
E eu que me digito é tendo gente, tem que me pagar. Ela faleceu, tadinha, a dona Cecília. Foi na Espanha. Nossa, eu amo a Sator de Jesus restaurado. Eu amo. Se você vir realmente, era uma obra que tava lá, tava deteriorada pelo tempo, né? Ela se ofereceu na sua... Não, ela não se ofereceu, ela fez. Ela fez, é. Porque provavelmente ela chegasse pra coordenadoria da igreja. Ó, eu tenho aqui um pincelzinho que eu comprei ali, da Faber Castel. Eu vou pintar rapidinho aqui.
e eu falo, claro, vai lá, é uma obra dos anos 300. Exato, gente. Não, ela simplesmente estava lá, ela limpava tudo onde ela viu. Ah, pera só. Ah, eu tenho um negocinho aqui que eu acho que vai... Ai, Jesus. Gente, eu preciso trazer essa história aqui. Essa história é maravilhosa. Essa história é maravilhosa. Não, e aí fizeram um meme dele restaurado recebendo ela no céu. É tudo. Ai, maravilhoso. Mas pra mim é isso. São uns objetos que eu também amo esse tipo de coisa, de objeto, de foto. Mas a gente,
Não sei como que você vê isso, Mabel, mas a gente vê na questão do ficcional, do entretenimento, porque tem gente que leva muito a sério. Por exemplo, a Anabelle, a verdadeira, ela tá lá realmente num museu, numa caixa, e a galera realmente leva a sério de que ela é uma boneca amaldiçoada. Ah, Daniel, você não leva a sério? Eu gosto de levar a sério pela ficção, eu amo a ideia, mas eu iria facilmente lá e passaria uma noite no museu gravando. Tô bem tranquila. Você não iria? Não, passar uma noite lá.
Eu gravaria. Não, pra passar uma noite pra gravar, não pra dormir. Mas não, aí deve ser uma mofo, não. Cara, eu não sei, assim, eu sou medrosa. Eu gosto, essa é uma grande discussão que a gente tem aqui. Assim, eu sou uma pessoa cética, sou. Mas eu realmente acredito em muitas dessas coisas. E eu gosto, eu acho assim, quando a pessoa tá me contando uma história, eu gosto de embarcar naquilo, entendeu? Entendi, eu também gosto.
Eu acho que a gente vive aquilo ali. Mas eu acho que a gente tem que tomar um cuidado, porque...
Às vezes, isso aí também vira um motivo pra... Tipo, ah, faz o que eu quero, se não, sabe? Então eu só tenho que tomar cuidado com como isso é utilizado, né? Não, eu na frente das câmeras faço tudo. Ah, faz aí na frente da Anabelle. Ah, vamos fazer, como que é? Você é mãe que você já entrou até em caixão, né? Lembrou de Gugu Liberato? Que ele fazia tudo? É minha inspiração. Gugu esteja num lugar bom. Mas eu gosto dessa ideia de eu, influenciador, eu vou lá e vou experimentar. Eu participei de um ritual de Beuzebu, no Rio Grande do Sul.
Então, assim, as pessoas falam, Daniel, você não tem medo? Não, eu estou lá como repórter. O demônio entende que eu tô ali trabalhando. Ele não vai me afetar. Ele não vai me atrapalhar. Vou gravar aqui e você não me afeta. E pra mim, tudo é isso. Quando eu for pra Anabelle, eu vou lá, eu vou mostrar, eu vou fazer. O que tem que fazer? Tem que ajoelhar, tem que abençoar. Vou fazer tudo. Eu entro nessa tour, entendeu? Só que não levo pra mim.
Depois, na hora que eu vou pra minha casa, eu tomo meu banho, entendeu? É, porque muita gente fala, você tem medo, gente. Se eu tivesse medo, eu não tava nem gravando. Porque senão, imagina, eu ia ficar terrorizado todo dia.
Beli, meia-noite, tô com o boy do Grindr. Imagina, é outra coisa. Não dá, é um outro rolê. É outro rolê. É outra vida. Acabou, querida. Imagina, vou levar, imagina. Essa tour de quantas pessoas são trans, você leva o espiritual dela. Imagina. Gente, pelo amor de não dá. Hoje, ó, que dia. Quarta-feira, eu estaria com 13. Brincadeira. Já virou já o... Imagina, não. Tem que saber separar. Tem que saber separar. Tem que saber separar.
Mas eu gosto muito dessa coisa de foto assombrada. Quando falam lá, tem uma foto assombrada, um objeto assombrado.
Eu quero ir lá, eu quero ver, eu quero tocar, eu quero me sentir próximo daquilo, sabe? Sim. Ai, e eu... Gente, acabou. Já? Acabou, já acabou. Infelizmente, você vai ter que voltar. Infelizmente, infelizmente. Depois da que a gente se resolver da nossa briga. É, agora que a gente... Agora que a gente vai brigar aqui ao vivo agora. A gente não... A gente podia saber que dá muita audiência isso, né? Dá audiência, vamos tentar. Brigar, a gente começar...
Tipo, quando eu soltar o episódio, você tipo assim... Não, mas tem que ser tema polêmico. Tem que ser uma coisa... Ai, eu tenho tanta preguiça.
Vou fazer um agora aqui. Amei vir no seu podcast, mesmo que é uma mulher apresentando. Eu adomei, acho que mulher não... Não é o lugar, né? Olha o corte que ele é um machista! Mesmo que é uma mulher, eu acho que foi ótimo. Apesar de uma mulher apresentando. Apesar, né? Aí você podia fazer o contrário, né? Não, eu ia falar isso agora, assim, que tipo... Porque o gay, ele é uma pessoa que não é confiável. Mas, ó, galera, se vocês gostaram, ainda vai ter o jornal com ele, tá?
sexta-feira, entra aí o Jornal Bizarro, que a gente vai ler umas notícias aí. E fique combinado pra uma próxima aí, pra gente fofocar mais lendas. Foi muito bom pra você aqui. Eu amei! Obrigado pelo convite, Mabir. Eu gostei bastante. Você é maravilhosa. Um beijo. Um beijo. Tchau.