CB #172 - Procissão de almas e outras lendas com Thiago de Souza - O Que te Assombra - Parte 02
No episódio de hoje discutimos sobre uma procissão de almas, uma caçada a um lobisomem e muitas outras lendas!
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E VAMOS DE CASO BIZARRO AO VIVO NO TEATRO 🎭 ✨✨✨✨
Com as nossas duplas: Chico Felitti, Fi Bortolotto, Fabão e Tiago P. Zanetic
Uma noite repleta de bizarrices, do jeito que vocês gostam!
Dia 07/04 no Teatro SABESP Frei Caneca!
Compre aqui: https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/caso-bizarro-ao-vivo-no-teatro-16019
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Dicas Bizarras:
▪️Filme Bala de Prata (Thiago)
▪️Um Lobisomem Americano em Londres (Mabê)
▪️Livro Tracking the Chupacabra: The Vampire Beast in Fact, Fiction, and Folklore, de Benjamin Radford (Mabê)
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Mabê B
Thiago de Souza
- LobisomemCaçada de lobisomem · Histórias de lobisomens no Brasil
- Eternidade da alma
- Santinha de Jacuba (Apolônia Felicet)
- Milagreiros de Cemitério em São PauloHistórias de milagreiros · Mulheres assassinadas que se tornaram milagreiras
- Menino da Tábua de Maracai
- Bárbara Urpia
- Padre Donizete
Oi gente, recadinho aqui pra vocês, vai ter Caso Bizarro ao Vivo no Teatro, no Teatro Sabesp, Frey Caneca, no dia 7 de abril. E todas as informações em relação ao ingresso tá lá no ru.com, eu vou deixar aqui na descrição do episódio. Então, bora lá que vai ser Fabão, Chico Felitti, Felipe Bortolotto e Thiago Pesanetti, que é as nossas duplas fixas. Estou muito animada, abriu, já começando o ano com Caso Bizarro ao Vivo e em breve teremos mais lugares.
Olá, sejam bem-vindos a mais um Caso Bizarro. Estou aqui de novo com o Tiago, do Que Te Assombra. Gente, se vocês ainda não viram o episódio, essa é a parte 2 do episódio. Porque a gente não para de falar, né? Não paramos. Não paramos. A gente já fez um terceiro. Esse é o terceiro. No meio a gente já fez um outro. Exato. No meio a gente já estava aqui conversando. Infelizmente, vai ter que voltar outras vezes, entendeu?
Que é muita história. É muita história pra gente conversar. E vamos aqui, né, ligando a câmera. Porque se deixar, a gente fala horrores. Você trouxe um monte de casos na parte 1. Casos muito interessantes que você estudou. Casos… Você falou muito que você tá estudando as… Não é Bezendeira, como que você falou?
O processo emocional, o milagreiro de cemitério. As milagreiras de cemitério. Então você tem estudado bastante isso. Antes da gente entrar pros casos, eu queria que você falasse dos seus livros, porque você mandou pra mim os livros. Você já tá estudando bastante, então conta aí desses casos. Eu tenho três livros que eu acho que são totalmente terapêuticos. Tá. O primeiro é sobre assombrações de Campinas, que é meio o resultado dessa primeira cidade.
Aham, que você foi investigar. Então ela tá bem no caminho, assim, do Gilberto Freire mesmo.
E aí o segundo livro Então eu falo de medos Basais, primordiais O segundo livro É sobre Milagreiro de Cemitério na cidade de São Paulo Porque eu Na verdade, Mabel, eu acredito muito Que dá pra gente reencantar o mundo Se a gente observar um pouquinho as coisas
Mais do que acreditar ou não, assombração, tudo eu adoro, mas o grande barato é a gente reencantar o mundo, porque isso aqui é um passatempo. Sim. Então, quanto mais legal for, quanto mais misterioso, quanto mais... E os mistérios deixam a gente muito humilde, né? Então, eu, quando houve a concessão dos cemitérios para a iniciativa privada em São Paulo...
Eu sou advogado, fui ler o edital e fiquei super feliz no primeiro momento de ver que tinham 12 túmulos de milagreiros e milagreiras de cemitério que estavam sendo indicados para serem protegidos pelas concessionárias. Só que eu, como rodo muito cemitério, sabia que tinha muito mais. Então o que eu fiz? Fui em todos os cemitérios públicos de São Paulo que estavam sendo concedidos, atrás de processos devocionais em túmulos.
E achei mais 13. Então, eu tinha um 12, eu achei mais 13. No começo, eu mandei uma carta para a prefeitura. E aí, hoje, se você for em vários cemitérios, você vai ver placas em túmulos de milagreiros de cemitério. E provavelmente, foi porque houve uma cobrança. Eu acho isso muito engraçado. Foi isso demais. Eu acho muito louco. Sim. Mas a parte mais legal, na verdade, foi que eu achei essa jornada curiosa.
Porque tudo que eu faço é pra mim. De verdade, não tem nenhuma... É desonesto, assim. Falar, ah, eu faço porque eu quero salvar o cemitério. Não faço. Faço o que eu acho que é importante pra mim. Eu acho legal. Me coloca num... Me coloca num... Cenário... Diferente.
É... mais do que diferente do ponto de vista de tema, é... me situa em vários tempos e várias dimensões, vários tempos e espaços. Então eu acho muito legal isso. Quando eu vou para um cemitério e me depargo com o Luiz Gama e vejo a história dele, eu tô ali a um metro. Esse final de semana eu participei da exumação da Pagu.
Da Patrícia Galvão. Nossa. É, a gente, junto com o serviço funerário de Santos, coordenaria de cemitérios, com a minha amiga ela, e a gente tirou os ossos da Pagu. Pagu, que a Rita Lee fez uma música pra ela, junto com a Zélia Duca. Que era essa modernista da segunda geração. Então eu tava ali do lado dos ossos dela, e a gente levou pra um túmulo horizontal, que virou um... Eu tô falando isso tudo porque, cara...
O que você viveu, né? Eu tô do lado da história, das coisas. Pago foi presa 23 vezes. Porque era uma mulher. Pô, a gente tá falando isso. A gente fez isso no dia da mulher. Foi um negócio... Muito revolucionária pra época. Muito revolucionária. Então, eu fui atrás desses processos devocionais. E o que tem de muito louco nas histórias dos milagreiros? Normalmente são mortes muito sentidas.
Que por esse inconformismo, às vezes causado por grandes violências, então tem uma porrada de milagreiras. Meu próximo livro deve ser sobre mulheres assassinadas que se tornaram milagreiras de cemitério. Então tem esse componente de gênero na frente para mulheres de todas as idades, gênero feminino.
Então tem desde crianças, meninas violentadas e que foram assassinadas e viraram milagres. Então eu percebi conversões. Então meu primeiro livro é sobre assombração, o segundo é sobre conversão. É pegar uma tragédia e ver que dá pra fazer alguma coisa com a tragédia, mesmo que seja a partir de um mergulho na fé que é cego, que não tem razão. Então as pessoas que vão num túmulo pedir ajuda, elas acreditam naquilo e eu tô ali como um observador.
O terceiro livro é sobre lobisomens, que fala do monstro lobisomem. E da minha relação com o monstro lobisomem desde que eu nasci, praticamente. Porque eu falei do thriller, que na verdade foi a sessão de terapia aqui. Porque eu sei que me fez lembrar. Mas eu me lembro, em 85, da novela Rock Santero, que foi o primeiro lobisomem que eu me apaixonei. Que era o Rui Rezende. Sim. Que era o professor Astromar.
E aí eu conto a história dos lobisomens. Então eu falo de fantasmas e medos, no primeiro livro. O segundo, de conversões. E o terceiro, do monstro. Lobisomem, que é um monstro muito próprio do masculino. Na origem, os lobisomens, a gente tem aqui no Brasil provavelmente duas origens. Que é a grega, que é a partir do mito de Licaão. E tem o Luizon, que é o filho de Itaú Iquerana, a partir...
de uma prole que vem de violências também. Porque Taú sequestra a querana da sua tribo e força um casamento, portanto tem estupro. E Jaci amaldiçoa a prole deles e nasce em sete.
Tem essa história, né? Crianças. E o sétimo é Luizon. Essa é uma mitologia guarani, que vem do sul do Brasil, vem do Paraguai, daquela região. Luizon, que é esse lobo mitológico. E, como eu falei, muito ligado ao masculino. Porque o Luizon, ele tem um falo de anta. Tem o pinto da anta, que é o maior pinto do reino animal em proporção. Negócio fora do estratosférico. Negócio... ...
Eu fiquei chocada pelo filosófico, gente. Arrasta no chão, de verdade. Eu não sabia. E eu falei, o que é aquilo?
É. Eu lembro que me explicaram que eu fiquei muito em choque. É uma outra perna. Então assim, mas por que você pega um canídeo e coloca um pênis de anta, um falo de anta, num contexto de uma entidade que preside o poder da morte? Porque o Luizão é isso. Ele brinca desenterrando o defunto, ele tá muito ligado à morte, quer dizer, o pausão, o poder da morte. A virilidade.
É o homem, o Licaão, vinha sucessivamente desrespeitando a lei divina da hospitalidade imposta por Zeus, que consistia no quê? Todo mundo que chega no seu reino de boa fé, você recebe bem. Então se o peregrino não vai lá pra invadir, não vai pra roubar, não vai pra matar crianças, vai pra violentar a mulher e tal, trate com respeito.
Lica 1, todo mundo chegava, matava, até que Zeus se cansa, vai lá de peregrino, ele serve a carne humana para Zeus, Zeus fala, você é uma besta, você não pode viver entre os humanos e transforma ele em um lobo. Então a origem dos lobisomens...
do Brasil, pelo menos a partir das minhas pesquisas, vem com os ibéricos, né? Vem com os povos ibéricos, portugueses e espanhóis, pro Brasil essa história de Licão, se encontra aqui com o Luiz On, e ainda tem outras versões de homens metamorfos, né? O Capelobo, até o Monte, o Homem-Porco, que aí tem as variações. Mas esse livro fala de monstruosidades de homem, assim, e é interessante, porque é isso mesmo, cara.
O lobisomem é o grande... É a figura que assume muitas violências ao longo da história de homens bacanas. Gente boa. Então, o cara que tem incesto, violência com... Antropofagia na época da ausência de comida, da escassez de comida nas grandes pragas. No final da Idade Média, começo da Idade Moderna, na Europa. Tem porque o livro tem uma porrada de julgamento, então...
A ausência de mulheres lobisomens Ao longo da história, tem muito menos Quase não tem mulher Sim, é verdade Então são esses os livros aí Falei pra cacete E pras pessoas comprarem Como é que elas podem fazer?
A gente tem, se alguém quiser a dedicatória, a gente pede pra comprar na Pontes Editores. Mas todos os livros estão nos melhores sites aí de livrarias. Mas quem quiser, na Pontes Editores tem nossos livros lá. Eu dou a dedicatóriazinha. Boa, a gente vai colocar também essas infos. Todas lá, no caso, Underline Bizarro, gente. Então vai ter o nome dos livros. Tudo que a gente tá citando aqui. Conheça o lobisomem do seu bairro, chama o livro. Exato, chama. Maravilhoso o nome. Eu acho que todo bairro tem o lobisomem.
E é verdade, total. Então vai ter todos os nomes do livro, o nome do autor, as informações onde encontrar, a gente põe os links também. Pode mandar, que a gente joga.
Então, bora começar os nossos causos aqui. E tem a Santinha de Jacuba. É assim mesmo? Acho que é na minha vida. Puta, a Santinha de Jacuba também é uma coisa. Eu falei do Chiquinho, né? A Santinha de Jacuba tá num outro lugar. Já do nada tem um monte de amores. Porque a Santinha de Jacuba, o que eu não entendo da história da Santinha de Jacuba é como a gente não fala sobre ela. Por quê? Num período de 1930, principalmente na quaresma de 1930, até a Páscoa. Aham. E foi notícia no Brasil inteiro.
todos os jornais do Brasil, o pai do Nelson Rodrigues, que tinha um jornal chamado Crítica, mandou um correspondente pra região de Campinas, onde hoje é Hortolândia, pro cara cobrir a rotina dessa menina e todos os desobramentos. Isso tava em todos os jornais. E de repente ela simplesmente desapareceu. É, eu nunca tinha ouvido falar. Nunca tinha ouvido falar. Eu também não. Foi assim que alguém me recomendou, eu comecei a ver e falei, gente...
Pelo amor de Deus, puta história. A Santinha de Jacobo é o seguinte, era uma menina que tinha 12 anos, Apolônia Felicete. Na verdade, nos jornais ela era conhecida como Maria Apolônia de Jesus, mas o nome dela de verdade é Apolônia Felicete. E a mãe dela tem um desconforto estomacal, o tempo inteiro, não melhorava e tal. E era uma família muito católica, devota de Nossa Senhora Aparecida.
E ela começa a rezar pra Nossa Senhora Aparecida e fala, poxa, eu queria que minha mãe não sofresse desse jeito. Aí Nossa Senhora Aparecida se manifesta pra ela e fala, ó, você vai lá, reza essa oraçãozinha aqui, vai na nascente do Ribeirão Jacuba, que até hoje existe, pega a água, faz essa oração e entrega pro seu mãe e bebê. Ela vai ficar boa. Tá bom, ela faz isso, a mãe se cura, na hora.
A mãe fala, poxa, dona Cotinha tá com espinhela caída. Dá pra... Ela vai lá, pede pra Nossa Senhora, fala, pode ir lá, vai lá. E ela vai indo, Nossa Senhora vai deixando e ela vai curando. Tá. Bico de papagaio, bucha invertido, que era as doenças da época. Bursite. É isso. E aí...
A fama dela cresce muito. Começam a falar pela cidade. Essa época, Campinas é uma cidade grande, né? Sim. Já era muito grande territorialmente. Tanto que esse lugar onde ela vivia fica onde hoje é outra cidade, que é o Hortolândio.
E aí o que acontece? Começa uma busca por informações e suspeitas, e a igreja fica brava, não sei o que, até que, numa Páscoa, na Páscoa de 1930, domingo de Páscoa, 3 mil pessoas, o que é muita gente pra época, vão em Romaria até a casa dessa menina.
Ela começa a rezar, sai super messiânica, de, pô, uma camisolinha branca, descalça. Já tinha abraçado já o... O papel, reencarnou. Faz a oração.
Quando ela começa a rezar um pai nosso pra cantar pra subir, uma senhora, e assim, ela rezando o povo, o surdo voltando a ouvir, o cego voltando a enxergar, uma senhora que tinha uma paraplegia conhecida, quando ela acaba a oração, levanta e vai dar um abraço, ela catar-se. Caralho.
E aí o que acontece? Isso virou uma puta notícia, todo mundo cobrindo, uma contradição, se é verdade, se é mentira, se é golpe, se não é, e estão explorando a menina ou não estão. O fato é que a Nossa Senhora bate para a Polônia, que os homens da lei, não sei o quê,
que não acreditam no que está acontecendo, vão lá separar ela dos seus enfermos, ela vai parar. Ela conta para a família, o pai leva ela para um vizinho, para uma fazenda vizinha escondida. No dia seguinte vai à polícia, ela busca ela e prende o pai, não sei o quê. Meu Deus. E começam a buscar essa menina, a Santinha de Jacuba.
acham no vizinho, o vizinho fica com medo de ir preso, entrega à Polônia, ela vai presa para uma instituição religiosa. Isso tudo está reportado, tem matéria de tudo que eu estou falando para vocês, a coisa mais incrível do mundo.
Ela fica numa instituição, nisso tem um debate, porque o pai começa a ir atrás de habeas corpus para libertar, e o juiz de menor, que todo mundo começa a criticar na cidade, nisso os empresários que... Tinha um empresário e um outro advogado que a Santinha tinha curado as esposas dele, então eles acreditavam nela. A madre que cuidava dela na instituição, tinha uma dor nas costas crônica, também pede ajuda para a Santinha, ela cura. Assistiu aquele filme do...
do Tom Hanks, que é em busca de um milagre. Sim. É isso, só que não tem o final do filme que eles matam aquele preso, né? Eu adoro contar os finais. Todo mundo quer me matar. Mas esse livro é do filme de 95, pô. É do Stephen King, não é o livro? É um dos livros, os primeiros livros que eu li. Falei todos os finais, né? Puta merda.
Esse filme é de setenta e poucos. Mas eu não contei o final. Não contou. Também foda. Esse filme é de setenta e poucos. É, já deu. Já deu pra assistir. E aí o que acontece? O pai dessa menina enlouquece, morre e ela simplesmente desaparece do noticiário. Ninguém sabe o que aconteceu. Mas ela continua... Ela ficou presa há seis meses. Não, ela ficou presa um tempo. E desaparece. Vai sumir até sumir. Tá.
Bom, fiquei sabendo da história, completamente obcecado pela história da Santinha. Falei, meu Deus do céu, cara. Que porra, Fé. Que porra que aconteceu aqui. E aí, eu acho num blog de Campinas, um cara com algumas matérias da época.
E uns comentários de leitores do blog, da época que o blog era de escrita mesmo. Sim. E aí tem um cara, ela fala assim, poxa, encontrei a dona Apolônia, ela morou num bairro que se chama Taquara Branca, eu tive com ela entre 92 e 94, porque em 94 ela morreu, então eu fiquei feliz já por saber que ela viveu até 94. Aham.
E eu falei, porra, legal, que jóia, que bom que ela foi, mas onde tá enterrado essa mulher? Quero saber. Sim. E aí, será que ela virou milagreira? Será que não virou? E aí, a gente tinha algumas opções. O cemitério de Hortolândia, por 94 já poderia estar lá, Sumaré, Campinas e Nova Odessa, que fica perto da Taquara Branca.
E eu falei, eu vou começar de Nova Odessa, que é mais longe, e venho até chegar em Campinas. E, porra, a chance de eu achar é nenhuma, porque se ela morrer em 94, ela podia ter sido desumada, já tá em Ossário, já tá não sei o quê. Bom, fui lá no cemitério, perguntei, tem a Apolônia Maria de Jesus? Não. Quando que... Morrei em 94? Não. Aí eu falei, e Felicete? Aí o cara achou o nome da mãe dela.
esqueci o nome da mãe, mas era Felicete. E aí a gente achou Apolônia Felicete Pereira, que era o nome dela. E aí ele falou, tá aqui, tá aqui no túmulo tal. Ela tá aqui, tá. Aí eu fui, cara. No primeiro que você foi, no filme? No filme do Dan Brown, sabe? Achei a fonte da juventude. E aí eu falei, caralho, ela tá aqui mesmo. E era só ela num túmulo no chão, assim, em concreto, nada.
E aí eu fiz um vídeo e tô contando essa história por aí. Fiz um episódio lá do meu podcastzinho. E aí eu voltei lá há um mês e meio, mais ou menos. E já tem um número. Alguém mandou colocar um número. E já tem marca de vela e já tem flor em cima. Então, o que era nada... Começou a virar alguma coisa. Que demais. E isso me deixa muito feliz. Nossa, sério? Apaixonado pela história da Santinha de Jacobo. Que demais.
É uma forma de reescrever mesmo a história, né? De ressignificar as coisas. Porque ela foi esquecida, uma história tão interessante. E aí agora, virou milagreira, então. Sei lá. Mas é muito louco. Tipo, muito louco. Se for mesmo, assim, se for mesmo. Se a gente estiver adiante mesmo de uma santa. Exato. Você pediu alguma coisa lá? Não, não pedi. Não pedi. Não pedi.
Pra lá não, mas eu pedi em outros lugares. Ai, eu pedi, vai que... Eu pedi pro Chaguinho já. Pediu pro Chaguinho? Chaguinho, né. Ele tá aqui no... Eu vim direto do trabalho, senão eu ia trazer pra você um terço do Chaguinho. Porque o terço do Chaguinho é super legal. Porque ele tem, em cada uma das sequências, né, das orações, tem uma cor de conta de orixá.
Então é um terço, só que tem as cores dos orixás e é muito bonito, assim. Que bonito. Depois eu te mando. E você também falou que ia falar do Menino da Tauba de Maracai. Puta, essa história também é foda. Eu dei uma pesquisada e eu fiquei muito fascinada com isso aqui, ó. Com a imagem, né, das coisas. Eu falei, meu Deus. Porque ele viveu assim 40 anos.
pelado em cima de uma tábua de lavar roupa em Rio. É, é muito chocante essa história. O menino da tábua chama Antônio Marcelino. Ele nasceu no dia 31, popularmente, mas está lá como data oficial. 31 de agosto de 1900 e morreu em 31 de agosto.
De 1940. Não é possível, você sabe a data que ele mata. Não, é que é a mesma data, é mais fácil essa. Eu tô brava já. É mais fácil essa. E aí, o que aconteceu com ele? Ele não se desenvolvia da cintura pra baixo. Quem viu ele disse que ele aparentava, ele morreu aparentando uma criança de 3 anos, mas ele ainda tinha algum aspecto adulto da cintura pra cima, da cintura pra baixo não. Ele tinha os membros atrofiados demais.
E a vida inteira dele foi cercada de manifestações sobrenaturais. Então, ele... Primeiro que ele não se comunicava, não falava. Ele... Se você tentasse tirar ele da tábua e colocar ele numa cama, ele chorava copiosamente.
Se você tentasse cobrir ele, mesmo nas noites mais frias, a mãe dele às vezes vestia ele em noites mais frias, ele não se mexia. Ele amanhecia pelado, sem roupa. Ninguém ouvia nada, ele conseguia tirar. E outro meio milagre aí dele é que os produtores de leite da região, quando as vacas paravam de dar leite, iam até ele e levavam um litro de leite. Por quê? Ele passou a vida inteira bebendo água e leite só.
Ele não comia nada. E as pessoas que levavam, eles não aceitavam dinheiro pra essas visitas, mas normalmente levavam comida. Então, o Antônio Marcin acabou ajudando a alimentar a família dele e quem tava perto. E quando ele morre, ele é sepultado lá no cemitério de Maracai. Eles eram pobres. Super. Eles eram pobres, eles foram sepultados, ele foi sepultado no cemitério de Maracai, com a tábua.
já começa um processo devocional muito grande, ele morre em 1940, só que até uma disputa para ver quem vai ficar com o corpo dele, a CIS tenta levar ele embora, e a cidade de Maracai acaba fazendo um acordo com a família, permanece lá, e nos anos 70, criam a festa do menino da tábua de Maracai, que não é exatamente uma festa religiosa, é uma festa do menino da tábua, o que acontece? Eu fui na festa.
E tem até hoje. Até hoje. Eu fui dois anos. Ah, eu quero ir. No último final de semana de agosto. De agosto. Que é a coisa mais louca que existe. Por quê? Na rua do cemitério, fica um monte de loja, comida, vendedores de, porra, umas muamba mesmo. O cara que tá indo com esse tênis like do Paraguai. Sim.
E ficam vendendo tudo e comida e música. E a festa do Menino da Tábua. Nessa festa do Menino da Tábua, chegam romeiros do Brasil inteiro. Gente. A cidade tem 12.600 habitantes. Fica com 65 mil no final de semana. Que isso. É uma loucura. Eu quero ir na festa do Menino da Tábua. A festa do Menino da Tábua é muito louca. Que isso. E aí, foi muito legal porque eu fiz uma cobertura por Eli Correia. Ah, que legal.
E eu fiz quatro entrevistas, não sou entrevistador, mas me arrisquei. Mas perguntando o que as pessoas estavam buscando lá. E eu fiz quatro entrevistas. Uma foi com o pessoal de turismo de Maracaí, falava que era muito importante, porque a gente não entende muita dinâmica de turismo religioso. Que é muito forte no Brasil, desde Aparecida até...
Outro cara foi um cara que saía de Aparecida para vender item religioso. Então ele ficava os três dias vendendo tudo. Um cara que era daqui de São Paulo, que o pai, o sogro dele, que já tinha morrido, era devoto do menino da tábua e pediu antes de morrer para que a filha continuasse indo na festa. Então todo ano eles iam na festa a pedido do pai. E uma senhora que estava com câncer de mama.
que nunca tinha ido, não conhecia, mas que uma amiga falou, e ela foi de São Paulo, Maracaí fica do lado do Paraná, fica perto do Presidente Prudente, é um rolê. Nossa, é longe. E eles foram. Então eu bati esse papo, e foi muito louco isso, cara, porque...
Pra mim, eu não tenho nenhuma formação de turismo, nada. Mas a força... Ah, você tem uma experiência. De uma grande história... Sim. É muito modificativa pra cidade. Uhum. Foi isso que eu vi em Maracai. E a festa é incrível. Tem várias missas, várias celebrações religiosas. Às vezes show mesmo. Uhum. De sertanejo. Porque é bem rural o lugar. Uhum. Mas é uma loucura a festa do Minas da Tava e Maracai. Gente. É pro seu projeto que você tinha me falado. É.
É uma jornada. É muito bom, muito legal. E do lado de Assis tem o Prudencinho, que é um milagreiro do cemitério lá de Assis, que eu já fui também. Já foi. Mas voltando no menino da Taba, você não falou, tipo, dele começar a fazer coisas, porque, tipo, sei lá, os caras levavam leite pra ele e tal, mas aí melhorava a vida dele? Esqueci de falar. Não, imagina.
Esqueci, parava de dar leite. Eles levavam um litro de leite pro Antônio Marcelino. Quando eles voltavam fazendo as vacas, tava andando leite. Gente. É, esse é o milagre dele em vida. Então ele fazia milagre, tá. Em vida ele já fazia. O pessoal falava que quem queria visitar o menino da tábua, se você chegasse lá e ele sorrisse pra você, seu dia ia ser maravilhoso. Se ele chorasse, era melhor ir pra casa. Ia dar tudo errado.
Que medo, é. E o que tem de curioso é que todas as imagens do menino da tábua foram feitas por um policial que fazia retrato falado. E como ele tinha morrido e já estava enterrado, não tinha nenhuma foto dele. Então, todo mundo falava que o irmão dele era muito parecido, era idêntico a ele. Então, tudo que você vê de imagem do menino da tábua é o rosto do irmão. Essa imagem aqui é o rosto do irmão. É o rosto do irmão dele.
Vocês estão vendo aí na tela, gente. Se não tiverem, vai lá no Caso do Eliane Bizarro no Instagram. Meu Deus, fascinante. E tem... Ó, tem uma vela, meio que tem um altarzinho dele. Esse aqui, que é meio que uma estátua, né? Esse fica na frente da capela. Aqui tá o túmulo dele, ó. Tá vendo? Aqui tá o túmulozinho dele.
E aqui é 1945, tá vendo? Eu errei. Não é 1940. Mas é dia 1º de... 31 de agosto de 1945 que ele morreu. E aqui era uma reprodução dele. De como ele ficava. Ele ficava o dia inteiro assim.
diziam que quando tinha visita a única coisa que a mãe dele fazia era colocar na região pubiana dele um paninho e só e só meu Deus, muito interessante e bonito o quadro, né, uma história tão diferente
A sala de milagres é uma das coisas mais impressionantes. Tem dois milagres muito famosos dele. É o da bicicleta, que era um pai que o filho pegou paralisia infantil. Poliomielite. E teve consequências no desenvolvimento da perna. E ele fez uma promessa para o menino da tábua.
que se ele curasse o filho, se o filho voltasse a ter mobilidade, essa coisa toda, ele daria uma bicicleta pra ele e pro filho. Olha. E aí o filho voltou a andar.
E lá tem a bicicleta. Tem a bicicleta. E tem uma enfermeira também que tinha um câncer super avançado, metastático, não sei o quê. E ela estava super já desacreditada pelos médicos. Foi no menino da tábua e passado alguns dias ela foi fazer os exames de rotina, já sabendo da situação. Só que ela começou a ficar muito bem, assim, disposta e tal. E a doença desapareceu.
simplesmente desaparecer. Eu acho isso muito... Eu acho louco, mas eu sempre falo o seguinte, faz no médico, faz o exame, faz o tratamento e pede. Exato. Faz tudo. Faz sua parte. Vai pra ciência e vai pra... Aqui em São Paulo tem a Maria Judite Barros, que é uma milagreira lá do Cemitério da Constelação, que ela é a milagreira dos vestibulandos.
Então, é. Uma boa dica. É uma boa dica. Agora já aumentou o cursinho dela. Tem dos concurseiros. Ela também, ela tá atendendo os dois. Ela expandiu as atividades do cursinho dela. Então, tem dos concurseiros. Mas eu falo, vai pedir para a Maria Judite? Mais estudo.
E aí, é que tem que uma capela foi construída ao lado do túmulo dele, né? Abrigando a Sala dos Milagres, que você falou. Então, é uma sala onde são expostos objetos e fotos deixadas por devotos. Porque ali virou um lugar de romaria, né? Então, as pessoas… Isso acontece muito no Brasil, né? De pessoas que, de alguma maneira, ficaram famosas por atenderem pedidos. Eu lembro muito assim…
De ver alguém falar assim, ah, não sei o que, vamos pedir pro padre não sei o que. Sabe quando era criança? Muitas dessas coisas de pedir. Padre Donizete. Padre Donizete? Padre Donizete é o bichão. É o bichão. Conta. O padre Donizete é um padre de Itambaú. Ele passou por Minas, passou por Pozo Alegre. Olha só. E aí ele era um padre que defendia muito trabalhadores. Então era um problema político pra onde ele passava.
E aí quando ele vai pra Tambaú, ele começa a fazer muito milagre. Mas ele... Inclusive o episódio da Santinha é de uma série que eu chamo de pessoas com superpoderes. Que a Santinha curava a partir da água, transformava a água em remédio e dava pra galera. O padre Donizete, ele tinha bilocação.
Então, ele era visto, tem uma passagem e tem uns depoimentos que são muito, que tem muita credibilidade. Por exemplo, o Jômir Betting, que já foi chefe de jornalismo da Globo, da Bandeirantes. O cara com super credibilidade, foi coroninha dele e fala essa história.
do Padre Donizete, que numa Páscoa, num domingo de Páscoa, ele ministrou a missa ao meio-dia em Tambaú, e numa outra cidade do lado, ao meio-dia, ele fez um leilão de gado para a paróquia dele. Os dois lugares ao mesmo tempo. E muita gente via ele em cidade, ele estava na casa paroquial, então o Padre Donizete tinha bilocação. Bilocação? Nunca ouviu esse termo?
Bilocação, porra, tem vários que tem. Eu já me enriquei. O padre Donizete, ele flutuava nos êxtases religiosos. Então, ele flutuava, ele tinha bilocação. Ele tem um milagre que esses de cura... Eu também queria ter bilocação.
Eu também, puta, quebrar um galho, imagina. Você tá em casa assistindo uma tela. É, eu tô aqui gravando episódio ao mesmo tempo, sei lá, assistindo alguma coisa. E o outro cara também ia querer ter porque ele ia terceirizar. Eu falo, não, mano, eu vou ficar também. O padre Donizete tem vários milagres de cura malucos. Então ele virou beato porque um menininho que tinha pé torto congênito.
tinha indicação de um milhão de cirurgias, não sei o que, a mãe dele foi lá, pediu pro pai do Donizete, no dia seguinte, moleque sem nenhuma explicação médica, aparece com o pé endireitado. Tem o milagre da corrente, que era uma menina que também tinha, era super agressiva, a ponto dos pais acorrentarem ela, levaram ela pro padre do Donizete, a única coisa que ele falou, tira a corrente dela, tiraram a corrente dele, deu a benção, ela nunca mais precisou ser amarrada, nunca mais teve nada.
O padre Donizete tem um milagre que é sensacional, que aí é meteorológico. Que eles tinham chegado, tinha chegado uma Nossa Senhora, e eles iam fazer um cortejo de Nossa Senhora e tava chovendo pra caramba. E eles tinham acabado, e os paroquianos já tinham acabado de pintar, reformar. Minto.
Tava chegando a imagem na estação e tava chovendo muito. E aí eles vão fazer um cortejo pra levar até a igreja de Santo Antônio, se eu não me engano. E o padre Donizete, os caras falam, cara, vamos deixar aqui na estação. Amanhã a gente pega, tá chovendo muito. A hora que para de chover. Não, vamos levar agora, é agora, é agora. Foi lá, começou a andar onde eles passavam no chovia. No chovia caiu o mundo onde eles passavam.
Meu Deus. Não, Joãoinha. Padre Donizete é pica da galáxia. Tá lá também, vai estar lá. Tem que levar ele. Como é que é o cacique? Cobra coral, né? Que é foda também, né? Que faz... É até contratado do cara lá do Roqueirinho. O cara da associação... Ele morreu? Morreu. Nossa, não sabia. Morreu esse ano, acho. Um ano passado. Caramba. Agora, imagina. Agora, então, tá cuidando mais ele lá de cima. Exato. Tá no controle total agora.
Mas ele era, era uma fundação, né? Cacique Cobra Coral. Era uma fundação. Eu lembro que ele foi para os Estados Unidos, não foi um negócio assim que saiu daqui do Brasil, nem lembro mais. O Eduardo Paes era assessor de Eduardo Paes. No carnaval, grandes eventos. Show da Madonna, liga para o Cacique Cobra Coral.
Bom, então tem essa sala dos milagres aí do Menino da Taube, essa festona que eu quero, já quero ir. E aí muita gente ainda tinha essa Romaria aí. E a história, sério, eu acho que de todas que vocês... São todas histórias muito fascinantes. Eu gostei muito do Chacrinho. Chaguinhas. Chaguinhas. Chaguinhas é uma porrada da história. Eu amei essa história. É uma história...
Que tem um processo devocional. Dizem que ele aparece na liberdade como uma entidade protetora do espaço. De memória do Cemitério dos Aflitos. Lembrando da presença do Cemitério dos Aflitos. Mas se a gente parar pra pensar, é uma luta trabalhista. Uma das primeiras do Brasil. O cara brigou. Toda briga de Chaguinhos foi por quê? Salário atrasado e EPI. EPI, meu Deus. Que é o equipamento que precisava. E eu achei muito bonito também o nome Cemitério dos Aflitos.
É bonito, né? Cemitério dos Aflites. Triste, mas bonito. Mas eu me apaixonei por essa história e agora pela história do menino da tábua de Maracai. Maravilhosa. Nossa, achei fascinante, mas adorando todas que você tá contando. Que legal. Tinha notado aqui também da bruxa vampira do arco do Teles. Maravilhosa. Me conta essa história. Essa história é carioca. É carioca. Ela chama Bárbara Urpia. Ela veio no finalzinho do século XVIII pro Brasil.
Era uma mulher linda, veio com um português, dois portugueses. E chegando aqui, existia uma dúvida sobre a razão deles. Os boatos eram de que ela tinha matado uma irmã ou ela tinha traído o marido com alguém da corte portuguesa. Tá.
Mas como ela era maravilhosa, as portas da sociedade caralhoca se arreganharam pra ela. Então tudo bem, só que ela, o que aconteceu, ela cometeu um pecado mortal.
Ela se apaixonou. O marido, acho que o chifre estava na conta. Sim. Já qualquer versão. Mas ela se apaixonou por um homem negro forro. Largou o marido. E aí todas as portas se fecharam para ela. Ela foi viver com esse cara. O marido morreu. Ela foi acusada, mas nunca foi condenada. Então pairava dúvida, mas nunca comprovaram isso.
Disseram que esse outro rapaz que ela se apaixonou também morreu depois. E aí ela começa a se prostituir. Ela vai até a Guerra das Platinas, se prostitui com soldados, volta pro Rio. E aí no Rio ela fica trabalhando no Arco do Teles, que à época era um lugar decadente. Porque houve um grande incêndio, era uma área de um juiz no Rio, no centro do Rio.
E aí ela começa a trabalhar nesse Arco do Teles, que era um lugar de bebedeira, de prostituição. E acaba ganhando um apelido de Bárbara dos Prazeres, mas não pela profissão dela, porque ela era devota de Nossa Senhora dos Prazeres. E aí ela vive e começa a ter a saúde deteriorada por doença, pela idade.
E dizem que ela, meio num momento de desespero, com o destino que estava se apresentando para ela, vai até um curandeiro, vai até um feiticeiro, na verdade, e o cara fala, olha, Bárbara, é o seguinte, se você beber o sangue de inocentes, você rejuvenesce.
E aí, o que ela faz? Dizem que ela fica na Roda dos Enjeitados, que era um lugar onde as mães que tinham os filhos e não podiam criar essas crianças, entregavam nos conventos, a roda girava e as madres pegavam as crianças. Ela ficava lá, ela pegava as crianças, isso é o que conto.
e bebia o sangue das crianças pra ficar jovem e assim se criou a história da bruxa vampira do arco do Teles que é uma história cheia de contornos sociais incríveis na verdade quer dizer
Fala da vaidade, fala da exigência da beleza, fala do racismo imediatamente, fala da misoginia da mulher como um objeto, que o cara corno lá usava ela pra abrir os caminhos pra eles serem aceitos. Então é uma história que tem um contorno muito mais complexo do que uma historinha boba de assombração.
Quando eu fui pesquisar essa história, tipo, apareceu que ela era uma mulher estonteante e serial killer de criança. E você contando a história, eu falei, mas quando é que ela vira serial killer de criança? Talvez nunca. Talvez nunca, exato. Tem, nossa, tantas histórias que, às vezes a gente traz uns relatos, né, uns crimes históricos no modo operante. Que a gente conta a história e fala, gente, isso aqui pode ter acontecido ou nada disso pode ter acontecido. Isso aí.
Porque tem muita essa discussão, ai, banharem em sangue virgem. Então, pegavam mulheres virgens e matavam a Ana. A gente contou uma história da Condessa, né? Que é tão famosa essa história que a gente contou no Modos. E assim, eu particularmente não acredito nisso. Não acredito que ela matasse crianças pra…
Se banhar na coisa do sangue inocente. Mas é muito doido que essas histórias viram isso, né? Vai virando uma coisa, vai pegando os medos da época. E de repente ela é uma bruxa. E aí tá lá o cara que você falou usando ela dessa maneira. Ele é de boa, ele é o corno coitado. Mas ela virou bruxa. E tem um detalhe, né? Ela veio pra cá no final do século XVIII, 1700, no momento alguma coisa.
1808, a família real vem pra cá então a corte muda de sede pro Brasil e talvez, talvez só, né usando essa convidando as pessoas a essa reflexão que você fez talvez ela tenha se reencontrado com alguém que tenha
difamado a sua fama no período ainda em Portugal, reencontrado e a partir disso, aí sim começado a propagar exatamente isso que você está falando. Quer dizer, uma mulher que se relacionava com um negro, que traiu o marido e que virou uma prostituta e que estava envelhecendo e aí ela se desespera e vai beber sangue de cria. Porra, mais pânico satânico do que isso. Ah, total.
Parece muito uma história feita pra prejudicar a imagem de uma mulher. E ela, do que tem hoje, né? Além dessa história. Hoje dizem que ela aparece por lá, dando as risadas dela, gargalhadas. Tomara que sim. Tomara que sim, que assuste o povo mesmo. E tem a menina que dançou com o diabo. Essa é maravilhosa, a gente tem o Carlos. Conta essa história. Adoro gente que dança com o diabo. Ah, eu amo também. Tem uma em Minas, boa, você sabe? Antes de contar essa, você sabe a história do Capeta do Vilarinho?
Sim! É maravilhosa, né? Eu amo, gente. Nossa, eu fiquei viciada nessa história. Eu não conhecia essa história. Acho que é uma coisa legal também de falar que, por conta do podcast muitas pessoas vão e contam algumas histórias. E olha que eu morei perto de mim. Morei em BH também. E eu fiquei assim, eu sou obcecada por essa história. Porque ela é muito engraçada.
A gente contou, não lembro agora quando foi, mas foi uma ouvinte que mandou a história. E aí a gente contou aqui no podcast, mas se quiser retomar também, fica à vontade. Porque ela é uma delícia essa história. É que o capeta participou de um concurso de dança no Vilarinho. Sim. Eu fui pro Vilarinho.
Você foi? Eu fui nas quadras do Vilarinho. Ai, que demais. Que acho que é, como é que chama? Venda Nova, talvez, de sítio de Venda Nova. Não lembro. Tem umas quadras de salão, de futebol de salão, que tem os bailes. E também tem um contorno interessante. É. Também tem um contorno racial interessante, porque eram bailes black.
O Capeta foi aonde? O baile black. Exato, mais um preconceito, né? Entendeu? Então, o Capeta não foi nos grandes salões, ele ia onde tinha festival de dança, dança black, porque era mesmo. Que provavelmente eram as danças que as pessoas tinham os preconceitos na época. Não, foi em 85, nem foi tanto tempo. Era o início do funk. E aí o cara que chama Ricardo, esqueci o nome dele completo, mas chama Ricardo, ele dança.
Vence, né? Vai afunilando a competição. Sim. O capeta era um... Olha que interessante. Um loirinho de olho claro. Uhum. Que tinha um pezinho pequenininho e usava um chapéu. E aí, quando chega na final e o Ricardo ganha dele, o capeta fica bravo, arranca o chapéu, joga no chão. Todo mundo vê que ele tem um chifre. E tem um pezinho pequenininho. Na verdade, é um pé de cabra. Uhum.
capeta, ele sai correndo, falam que ele larga um peido de enxofre ainda pra conseguir despistar, tipo uma bomba ninja, do nada e qual que é a loucura que falam que ele deixou herdeiros, porque ele arrumou namoradas ali no baile meu Deus
E você foi lá pra ver essa história. O Capeta convida a galera. Capeta de Vila. Eu acho muito bom em Minas. É muito. Que fala o Capeta. O Capeta pra mim é uma... Por que esse? É um patrimônio nacional. O nome Capeta. Sim. Porque é muito engraçado o Capeta. O Capeta tira a carga do... Tira aquela carga maléfica e vira uma... De demônio, de diabo. De diabo, cristãozão, assim.
Capeta é um desgraçado, né? É um desgraçado. Todo mundo tem um capeta. É um capeta. Sai capeta. Um capeta em forma de guri, né? Minha mãe me chamava de forma de fazer capeta. Quando eu era criança, porque eu perguntava muito. E realmente... O BH tem a história, só pra gente não perder, o da... Marbaro Urpia, tem também a da... Dolor do Bonfim? Não, Dolor do Bonfim é incrível. Mas a da... Como é que chama? Oh, meu Deus do céu. Do Maria Papuda.
Maria Papuda. Maria Papuda, que existe um movimento hoje para não chamar mais ela de Maria Papuda. Falar Maria do Arraial, que era uma senhora que foi expulsa do casebre que ela morava para construírem o Palácio da Liberdade, que virou a sede do governo. Sim. E qual que é a loucura, né? Que diziam que ela era uma bruxa, que também veja de novo esse contorno. Por quê? Uma mulher idosa com bócio.
Não podia viver sozinha, a não ser que ela tivesse algum poder maléfico, que era de ser uma bruxa, porque ela não podia viver sozinha. Imagina, sem um homem. Sem um homem lá pra ficar cuidando dela. Então, ela acaba se tornando essa figura que provavelmente foi morta quando foi retirada de sua casa. Constrói a Palácio da Liberdade e morre em sequência governadores.
Que dizem que encontraram com ela. Que ela matou os três governadores. Maravilhoso. E o que tem de muito louco dessa história é que o Tancredo Neves ia embora. Bom, Juscelino falou, não vou morar nem fudendo aqui. Construiu o Palácio das Mangabeiras pra ele morar, porque era tudo junto. Sim. O governador trabalhava e vivia no Palácio da Liberdade. Ele constrói o Palácio das Mangabeiras. O Tancredo não ficava depois das 18.
O Itamar Franco também não. Os caras foram embora, cara. Mas enfim, qualquer outra. Até esqueci qual que eu ia falar. Mas agora eu que quero falar de uma história que você me lembrou. Porque eu fiquei muito curiosa com a papudinha e a papuda, né? Onde o Bolsonaro tá. A papudinha...
A Papudinha agora, né? Antes ele foi pra Papuda. E eu fiquei muito curiosa pra saber. E é uma história parecida, assim. Não parecida, mas tipo, são duas mulheres que eram donas do terreno. E aí, uma delas tinha bócio. E aí, chamavam ela de Papuda. E aí, por conta disso que virou a prisão ali da Papuda, né? A Papuda não sabia. E a Papudinha, porque eram dois terrenos. Só que a Papudinha era um terreno menor dela. E aí, por conta disso, assim… Eu não sabia.
Mas a Maria Papuda de BH, que fala Maria do Arraial, também era por causa do bossa. Também era por causa do bossa, então. Ó, o bexiga aqui, você sabe o que é? Porque é bexiga? Bexiga é por causa da varíola. O dono da fazenda, que era o bexiga, teve varíola e o apelido dele virou bexiga. Porque falam que chamam bexinguentos. Porque a varíola, ela supura, né? Umas bolhonas. E chamava o cara de bexiga. Por isso que é o bexiga. Bexiga, nossa, não fazia ideia.
Maravilhosa. Uma doença que... É, que aí a pessoa chama. É a menina que dançou com o diabo. Verdade. Bom, essa história também é muito legal de São Carlos. Essa menina, o aniversário dela cairia justamente numa sexta-feira santa. Aham.
E ela queria fazer a festa. E a família fala, porra, mas vai fazer festa de aniversário. Se você for a santa, é um dia de reclusão. Não pode. Que Jesus foi crucificado. Melhor não. Não, quero, quero, quero. Os pais não conseguiram convencer ela. Do contrário, ela organiza a festa. E vai uma galera na casa dela na festa. E lá no meio do rega bofe, aparece um cara.
Bonito, grande, garboso, bem vestido. Com um pezinho pequeno, também é verdade. Sapatinho de bode. Eu amo um pezinho pequeno. Pezinho pequeno. Sapatinho que parecia um pezinho de bode. E muito bonito. Tira ela pra dançar e começa a dançar com ela. E quando bate meia-noite, tem duas versões.
A primeira é de que ela é imersa, ela submerge até o inferno com ele. E ele fala, muito obrigado por você ter feito uma festa em minha homenagem nesse dia. Meu Deus. Na sexta-feira santa. E ela lá no inferno, veio o inferno e não sei o que. E aí ele sobe de volta com ela, desaparece, ela começa a dar um escândalo e dizem que ela enlouquece.
A outra é um pouco mais tenebrosa, que ela tá dançando com ele, ele fala uma coisa, poxa, que legal que você fez uma festa pra mim hoje. Mas pra você, meu aniversário. Não, mas pra festa, festa, festa, festa, festa, festa, festa, festa, e aí a hora que ela olha pra lá, tá todo mundo...
congelado. Quando o diabo se revela pra ela, ela morre. E ele leva ela embora. E aí a festa volta, ela já morta. E aí todo mundo... Ah, morreu! Meu Deus! A menina que dançou com o diabo. Tem várias meninas que dançaram com o diabo pelo Brasil, mas a de São Carlos é... É verdade, já ouvi uma e acho que a gente já teve uma aqui no Caso Bizarro também, que a menina também dançou com o diabo. O diabo gosta de dançar, né? O diabo gosta de dançar. Acho que é isso. Tá certo. Um professor de Zumba.
Tá, e você também participou de uma caçada de lobisomem. Essa é icônica pra minha vida. Meu Deus. Foi meu TCC depois do livro de lobisomem. Foi o TCC? Me conta. Cara, essa história foi o seguinte. Bom, tinha acabado já de fazer o livro. E tinha uma porrada de gente me mandando uma história no lobisomem em Varja Paulista. Que pertinho de São Paulo, pertinho de aí e tal.
E eu falei, pô, gente, as histórias que eu coloquei, não ia nunca acabar as histórias. Eu tentei colocar um panorama pra mostrar que tinha história de lobisomem pelo Brasil inteiro, reportados pela imprensa. Não ia colocar todas as histórias de lobisomem, não ia dar. Sim. Só que falaram que ia ter uma caçada. Aí eu falei, puta, que merda. Aí eu falei pra minha editora, falei, puta, esquece a diagramação que eu vou ter que contar essa história.
E aí eu fui pra Várzea Paulista. Falei com o pessoal da imprensa de lá. Eles falaram, ai que bom, porque a gente não tinha especialista em lobisomem. Então que bom que você vem, porque a gente não entende de lobisomem. E foi, pô, legal, então eu vou. Aí o combinado, bom, primeiro a parte legal, né? Eles me colocaram num grupo que tinha umas 150 pessoas, uma catarse.
De lobisomem, que, porra, tinha desde... Não, eu vou levar minha doze. Aí a organizadora vai falar, pelo amor de Deus, não é pra levar arma. Eu falei, mas peraí, não é uma caçada lobisomem? Quem que não vai... Vocês vão caçar lobisomem como? Com flores? Aquelas discursos que... Sim. Não, é só uma caçada de exploração. Se a gente ver, é pra tirar foto, pra filmar. Mas tá bom, é um simba safari do lobisomem, não tem problema. Mas a galera... A galera não...
frenética, assim. Claro que teve Lula e Bolsonaro, e não sei o quê. Não, foi tudo. Um grupo maravilhoso, assim. Um grupo incrível. Eu falei, bom, vou chegar lá, vai ter, porra, cara com rastelo, tocha, foice, vou matar o lobisomem, vou matar. Era uma sexta-feira. Fui até o lugar combinado, não tinha ninguém. Puta catarse, todo mundo...
No grupo? No flanqueio. Eu cheguei lá na hora, não tinha ninguém. Falei, caralho. Liguei pro cara, falei, e aí, velho? Não, não é aí. Vem aqui pra... Vem aqui pra chácara. Tá um lugar errado. Não, mas era o certo. Era o que eles tinham combinado. Vem aqui pra chácara do empresário. Tá bom, cheguei lá. Tinha.
Um carro de safári. O líder Kaki, que foi convidado por eles, porque era um caçador de javali. Tá. Ele começa a abrir os equipamentos dos mariner americanos, assim. Drone térmico. Eu falei, gente, é isso mesmo? Vai ter uma caçada mesmo. Vai ter uma caçada.
Ele chamou a Samurai, chegou o René Murad, que é um apresentador da Discovery, que é sobrevivencialista, que eu nunca nem tinha ouvido falar que existia isso. Sobrevivencialista, ele foi campeão do Largados e Pelados, Desafio em Dose Dupla. Falei, gente, vai ter uma caçada de lobisomem mesmo. Você não tava esperando isso. Imagina, achei que era uma falha. Não, eu queria ver. Depois eu vou falar no final o que eu queria, o que eu esperava.
Caralho, velho, vai ter um negócio mesmo. E aí, começou aquela binóculo térmica, a coisa mais louca, porque é um binóculo que o cara me mostrou, ele vai até uma parede, encosta a mão, tira, e você fica no binóculo. Sabe aquele binóculo Night Vision? Sim. A mão fica na parede, porque ele pega a radiação da mão. Cara, é uma coisa incrível.
Incrível os equipamentos. Eu já vi de… Eu assisto muitas coisas da Discovery, de caça, bastidores de caçar… Não caçar pra caçar animal, mas pra tirar foto, sabe? Pra fazer vídeo e tal, os cinegrafistas mesmo.
pra discover, pra várias coisas e eu gosto muito de ver os bastidores tipo, os lugares que eles ficam, tipo, que a gente acha tudo muito legal, ai que legal essa onça não sei o que, e aí ele teve que ficar 23 dias dormindo no meio do nado, na puta que pariu, ficando numa barraca bizarra, pra ver a onça que numa três folhas, ela assim ó, e foge pra onça que ficava toda sumida então eu gosto de ver esses bastidores, e eles tem esses aparelhos que eu falo assim, gente, é muito chocante, porque é isso, vai que você vê um negócio que você fala gente, não era pra eu estar vendo isso aqui, não vocês vocês vocês vocês vocês vocês vocês
Eu ficava apavorado. E aí o que eles fizeram? Um mapeamento com testemunhas. Porque aí nesse lugar tinham duas testemunhas do lobisomem. Tá. Então o menino falou onde era e tal. E aí marcaram no GPS. Então se for uma caçada, planejar disso. Tinha quantas pessoas? Tinha umas 12. Foram uns 4 carros. E esse carro de safari, que é o que os caras caçam, já valeu. Sim.
E aí a gente saiu, falei, mano, de verdade? E era uma preocupação não ter arma, e ninguém levou a arma, porque a Michela falou, por favor, pelo amor de Deus, tem um acidente. Sim. Não, e a galera, beleza. E aí a gente foi atrás. Foi o primeiro ponto de parada, a gente desceu uma puta ribanceira, no meio do matagal.
E eles estavam mostrando os arranhões de grandes felinos. Então, ó, esse aqui é um gato maracajá, o outro é um jaguatirica. Esse aqui já é onça parda, pela distância da garra arranhando o tronco. E na hora que tava fazendo isso, começa um puta uivo. Meu Deus. E os cachorros latindo assim, em sequência, na rua.
Fudeu. Fudeu. Não, fudeu. Mas tomara. Se eu morrer atacado por um lobisomem, a vida valeu a pena. É, exato. Valeu chegar até aqui. É incrível. Valeu chegar até aqui. E aí, latiu. E aí, parou. Do nada. Cara, o que foi isso? Já valeu o rolê. Lógico, eu tava gravando tudo, então eu tenho gravado. Isso é incrível.
E aí a gente voltou e continuou. E aí foi só passar frio. Passei frio o resto da noite. E o que tinha acontecido em Varza, né? Algumas visagens mesmo, né? Testemunhos desse bicho peludo, esquisito. O samurai que é o caçador, ele falou, eu acho que é.
Tamanduá, ele fica em pé, ele é muito peludo, na penumbra, passa rápido ele em pé, unha grande, cara assusta. Outro achava que era um lobo-guará com sarna, mas tinha um ataque em granja e não sei o que e tal. Enfim, o que aconteceu, na verdade? O que eu queria pra ir até lá? Não achava que eu ia... Não achava que era um.
Torcia, mas não achava. Eu queria entender o pânico do lobisomem, porque no livro eu estudei vários casos e vários desdobramentos das consequências do pânico do lobisomem, que era assim, cara, julgamentos...
Eram atrozes. Os caras eram desmembrados, queimados, fogueira, mata a família inteira, acusação de incesto. Tinha um assunto junto com o lobisomem sendo morto a partir do pânico do lobisomem. Que acontecia no final da Idade Média, no começo da Idade Moderna e hoje. Por quê?
E aí que foi curioso. Essa caçada, na verdade, foi uma caçada meio organizada justamente pra falar que não tinha lobisomem, porque em alguma medida isso mudou a rotina da cidade. Então você imagina o perigo. Tinha um moleque querendo aprontar, e isso aconteceu no centro da cidade, vestido de lobisomem, passeando. Podia tomar um tiro. Todo mundo armado nessa prova de país. Sim. Podia tomar um tiro.
As pessoas pararam de sair à noite. Tinha um medo. Então os empresários mudaram a rotina. Porque o pânico muda a rotina. Sim. Parece uma besteira que a gente está falando. O medo não, o medo muda. E o que eu queria era o pânico. O medo muda não. O medo às vezes tem consequências. Lá no Guarujá, uma moça que falaram que ela é bruxa, ela é bruxa, ela é bruxa, espancaram até a morte.
Então a gente começou falando de medo, né? O medo é um ativo muito importante. Sim. E um dos rolês meus, pra mim, tá? Não é que eu quero mudar o mundo lá. Mas um dos rolês meus é entender um pouco isso. As potencialidades dos medos. Sim. E até onde a gente tem. Porque eu não acho medo uma coisa ruim. O medo é um sensor inteligente. Não, ele é bom. Que te avisa, vale a pena, você quer mesmo. Não é o pânico, não é a fobia.
Eu lembro que eu tive bastante essa conversa com a minha psiquiatra, né Porque eu sou uma pessoa que tem muitos medos E aí eu cheguei falando assim Ah, eu sou muito medrosa, sou muito medrosa Porque é horrível, porque todo mundo é corajoso, eu sou covarde, não sei o quê Ela falou assim, Marina, o medo é bom O medo te impede de se jogar, de fazer algumas coisas É o que você falou, é o nosso sensor de segurança E aí
Agora, quando impede a gente de viver, de ter uma vida normal, de fazer alguma coisa, aí já não é bom, né? E acho que aí é onde você tá falando que entra a coisa da… Ai, meu Deus, eu tava com… Não é surto coletivo da… Não, mas é um pânico coletivo. É um pânico coletivo. Eu tô até fazendo…
Não posso falar muito ainda disso, depois eu te conto melhor. Mas eu tô escrevendo um roteiro que ele é um pouco pra falar sobre isso, sabe? O pânico coletivo, essa histeria coletiva, era isso que eu queria. Histeria coletiva. Histeria coletiva. Que é as pessoas ficarem completamente enlouquecidas e todo mundo vê uma situação e depois se olhar e, tipo, não tinha nada acontecendo ali. Era apenas uma grande histeria coletiva.
Que você imagina isso hoje com um instrumento eficaz de comunicação, que é a internet. Que conecta as pessoas. A internet nasceu pra ser maravilhosa, super legal. Conhecimento, circulação, não sei o que. E no final virou o quê? Um grande semicondutor de psique. Então você junta todo mundo pra ter medo de algum não sei o quê. E as pessoas, às vezes...
Porque um monte de vezes que a gente vê essa histeria coletiva, você vai lá, abre a janela e não tá acontecendo nada. Tá o passarinho cantando, criança brincando no tico-tico, tá tudo bem. Mas às vezes você abre a janela e pode ter um bando psicótico fazendo alguma cagada por causa disso. Então eu acho medo um...
um ativo muito necessário da gente entender. Sim. Onde ele se situa na nossa vida, onde ele está encaixado nos nossos comportamentos, nas nossas opiniões. Eu tenho muita curiosidade também. Eu sou muito destemido. E é muito ruim pra mim isso.
destemido não, que eu sou uma pessoa cheia de coragem, porque depois que eu tive filha, não tenho coragem mais nenhuma de nada. Destemido, dessa ideia de medo, de se jogar, de acreditar que vai dar certo, que tá tudo bem. Vivi experiências muito legais por causa disso. Só uma coisa que é um assunto que é preenchido de... Não tenho medo, porque eu defendo cemitério, defendo carnaval, tô acostumado a apanhar por causa de tudo. Não tenho problema nenhum.
Mas assim, eu fiz uma experiência, eu tinha uma dinâmica de música, que eu sou compositor, então eu gostava muito de compor com outras pessoas. E em São João del Rei tem um lugar chamado APAC, que é um tipo de modelo de aprisionamento, que não é exatamente aprisionamento, mas de albergaria de presos.
modelo, funciona mesmo com presos em regime fechado e aí o cara de lá, quando eu fui fazer uma jornada de roteiro acho que era a semana do roteirista, não lembro o que era eu fui lá e ele convidou você não quer fazer aqui, é dinâmico? Eu falei, faço aí eu fui fazer com os presos que estavam em reclusão e a gente fez uma música, uma música sobre liberdade e eram presos, eles não eram de altíssima periculosidade, senão não estariam lá na PAC, mas era cara com crime grave vocêsилисьилисьилисьились vocês
E a gente fez uma música e eu fiquei fechado. E essa sensação de acreditar nas pessoas, porque quando você entra no lugar de regime fechado, porque tem vários níveis, né? A partir dos crimes. Essa galera, que eram crimes gravíssimos, penas altas, é aquela cena de filme mesmo, que você entra, o cara abre um portãozão, aí você vai, ele fecha, aí abre outro.
Tu fala pra eu sair daqui e fudeu. Não, eu vou sair a hora que tiver que sair. E foi uma puta experiência, cara. Confiar em pessoas que fizeram coisas odiosas e que estavam pagando. E, cara, esse é um debate muito difícil hoje em dia. Sobre isso. E sobre medo. E sobre medo da gente.
o fato de eu estar lá não significa que eu concorde com o que eles fizeram de forma alguma mas eles estão lá cumprindo quer dizer, uma convenção nossa de que se você comete algo por pior que seja, você vai pagar uma pena por aquilo, e o que você faz? não vai ressocializar mais ninguém? vai fazer sabão com todo mundo? quer dizer essa discussão também, eu e a Carol a gente já
Cansou de ter um modo desapego. Vocês mexem com crime, né? Né. É, porque a gente fala muito sobre isso. Porque tem coisas que são repugnantes mesmo. Sim. Muitos crimes são repugnantes. Né? Mas você vai fazer o quê? Exato, é o que você falou. Tipo, o que que... São... É muita coisa, né? Pra discutir, mas é uma parada que isso me interessa bastante também. Quando eu fiz a pós de direito penal e criminologia, fui mexer com direito sem nem entender porra nenhuma.
Mas hoje eu entendo um pouco mais Direito é lógico Do podcast, de ter estudado tanto Mas uma das coisas Que eu queria muito estudar era isso Principalmente quando a gente Olha para as mulheres presas Que hoje a gente vê que tem Muitas mulheres presas Por crimes
pequenos, crimes que dariam pra já ter trazido essas mulheres de volta à sociedade e ressocializá-las e eu queria muito fazer trabalho com isso na época e enfim, mais um daqueles sonhos que pode ser que um dia eu abrace não deu na época mas que mexe comigo, porque é uma coisa que acho que a gente ainda não conseguiu chegar num resultado legal, né? E a coragem de trazer o debate vocêsилисьилисьились vocês
Eu não tenho resposta de nada. Foi uma experiência sensorial minha de eu enfrentar um medo, em alguma medida, não é completamente descabido, porque vai que tem uma briga, vai que tem uma rebelião, vai que tem, vai que tem, vai que tem. Eu estava lá, mas eu acreditei que não ia ter.
E não teve. Sim, não teve. E tudo bem. Mas assim, medo é um sensor inteligente. Não acho que medo seja ruim. O que eu acho que é importante pra gente, de tudo que a gente tratou, é entender onde ele fica no nosso cotidiano. A gente acorda e faz o que com o medo que a gente tem? A gente precisa trabalhar, ou às vezes a gente bota ele pra trabalhar pra gente. Tem um monte de gente que sabe utilizar isso. Sim. Né? Um monte de gente.
E tem mais alguma coisa dessa caçada do lobisomem Ou era isso? Não, o caçado era isso, passei um frio do caralho Depois do uivo não aconteceu mais nada Eu passei só frio, fiquei um mês com sinusite Tô ficando muito velho pra caçada dos lobisomem É difícil a caçada do lobisomem Mas é muito legal Lobisomem é uma criatura muito afetiva Eu...
Se por um lado tem esse papo mais careta, de conformação de arquétipo, né? De ver que ele tá ligado a violências masculinas, não sei o quê. Por outro lado, ele também é uma ponte afetiva incrível, com pessoas amadas que já não estão mais entre a gente. Porque...
Os nossos avós, algumas pessoas dos próprios pais, tiveram que enfrentar os lobisomens nos seus bairros rurais, nas suas vidas, nas suas férias, nas suas quaresmas. E quando essas pessoas se dedicavam e quando a gente tinha tempo, ou a gente tem até hoje e não quer usar, mas de parar para escutar.
Eu, por exemplo, sempre falo que o maior contador de histórias de assombração Foi o meu avô, que já morreu Então cada vez que eu conto pra alguém É difícil que eu não me lembre dele Porque na verdade eu tô ocupando essa posição de contador de história Porque antes de qualquer coisa Um grande contador, uma grande contadora de história É um bom ouvinte Então a gente nasce e ganha esse tesão de fazer o que você faz Que eu faço, que tantos amigos e amigas fazem Porque a gente adora ouvir Eu estou aqui Eu estou aqui
senão você não tem o que contar exatamente, é saber a história das pessoas conhecer a cultura isso eu acho foda pra mim o que é mais legal é isso, são as pessoas mandarem as histórias e eu tá ali, meu Deus eu não conhecia isso, nossa essa história aqui é o que dá tesão, exatamente
Contar a história cria ponte afetiva. Sim. Ou reconstrói ponte afetiva. Eu acho que a gente precisa de mais isso hoje em dia. E essas histórias, por mais que elas tenham, né, essa coisa curiosa, exótica, não sei o quê. Sim. Elas são um canal direto com a nossa origem cultural. Seja ela religiosa, seja ela social, ajudando a trazer reflexões, né. Eu acho que a gente falou até de noiva fantasma. Só existe noiva fantasma porque havia um pensamento vigente que...
Que era o de que as meninas, as mulheres, tinham como propósito de vida se casar com homens. Então não tenta. Quer dizer, tem coisa mais... Mulher pra quê? Era pra isso. Tem diagnóstico mais foda de uma história. Aí você fala, a noiva da estrada, a noiva do cemitério. Só que o contorno dele é muito mais importante do que ele em si. Entender por que ele existe. Total.
É o lobisomem, que é um cara que lá na Grécia Descumpria uma lei divina da hospitalidade Trate bem quem está do seu lado Se você não fizer isso Você não está apto a viver em sociedade A história do lobisomem de licão é essa Zeus vai lá e fala assim Mano, você não pode viver com gente Eu vou te transformar em bicho porque você é bicho Porque se você tem gente perto Você mata as pessoas Então você não serve pra viver entre a gente Vai virar um bicho Eu estou vocês
Caralho, eu nunca tinha parado pra olhar pra esse lado. É realmente, é fascinante, né? É muito fascinante. O jeito de dar uma, sei lá, uma resposta pra aquilo que tá acontecendo ali. Não, você não serve pra isso, você não serve pro mundo. É isso aí.
Bom, temos aqui também umas imagens que você mandou do Cemitério Consolação de Campinas. Legal, essa é de Campinas. Deixa eu dar uma olhada, essa é de Campinas, tá aí no vídeo também. Me conta, porque eu tô assim, ao que parece tem algumas possíveis figuras. Isso. Isso foi assim, durante alguma dessas turmas? Sim.
Sempre nos passeios. Sempre nos passeios. Sempre nos passeios. Eu tô conversando, contando. Talvez foi um amigo que tirou aqui no Cimitério da Consolação. E, como eu gosto de fantasma com CPF...
Eu acho que essa aí é a Marquesa de Santos. A Marquesa de Santos. Porque ela tem relatos de aparição na Marquesa de Santos. Que eu acho uma mulher também que é muito injusto a gente resumir a vida dela só pelo fato dela ter sido amante do Pedro I. É uma mulher que foi obrigada a se casar com o Facínora também há 14 anos. Quer dizer, idade super... uma criança. E foi esfaqueada. Foi talvez a primeira mulher separada da história. E...
E foi super estigmatizada depois que morreu a Leopoldina, né? Imperatriz. Quer dizer, tudo recaiu sobre ela. O fato dela ter sido amante. E ela aparece no cemitério porque ela foi uma benemérita. Se é ela, ela foi uma benemérita. Ela ajudou a bancar a primeira capela. Deu muito dinheiro pro cemitério se organizar. O cemitério da Consolação. Era uma grande benemérita. Não apenas do cemitério, mas de várias obras em São Paulo, né? E talvez seja ela aí.
Que demais, meu Deus. Parece muito uma figura. Então, e é isso, cara. A galera me manda, foi um amigo que me mandou e, enfim. Quem quiser acreditar, acredita. Esse aqui eu acho que é o Sub Zero. Esse aqui, não parece Sub Zero? Parece muito. Eu tô aqui, ó, falando pras pessoas. Tá, você é o que tá de amarelo, né? De frente pras pessoas que estão aqui. E aqui atrás de mim, aparece essa coisa que ninguém sabe explicar o que que é. Tá, ele tá meio que... De costas pra mim, né, parece.
Ou com a cabeça abaixada, não dá pra entender E tá ali no meio de outros... E tem um negócio aqui que me chama atenção Por exemplo, olha, tá vendo? Tem duas... Umas listinhas Parece duas listras, não sei Tipo, perto do pescoço, mas eu subi zero E na hora, não foi uma coisa que na hora você viu Foi depois que tirou foto e mostrou A galera me manda Olha, tirou uma foto sua Dá uma olhada que você acha que é isso
E essa também, ela enrolei Uma moça que tirou E aí ela falou, olha eu vi isso aqui Na tela grande aqui na minha casa Mudou o filtro, virou alguém Agachado Nossa, deu um pouco de medo aqui
Parece o Sméagol, né? É. Vamos para uma última, então? Vamos, vamos. Nossa, tem tanta história a mais. Por mim, eu ficava mais aqui. Mas acho que o Ariel vai dar um tiro na gente. Quer matar a gente. Aí vai ser, a gente vai ter que visitar o cemitério. Mas vamos contar uma última e assim, já vou querer você de novo aqui. Vamos lá, lógico. São muitas histórias interessantes. Enquanto você procura, adorei o papo com vocês, com sua mãe, a mãe do Chico, da Maria dos Pacotes.
Na hora dos pacotes, verdade, de um dia aí, né? Uma história que depois eu fui atrás pra poder ler. E bate muito naquilo que você falou, né? A mulher dos pacotes que foi abandonada no altar. Mulher que precisa do homem. Nossa, achei muito... E o dia aí tem uma história muito triste de feminicídio, que hoje é feminicídio. Que é da Maria Apólito, que é uma moça... Você sabe essa história? Não.
Maria Apólito era uma moça que morava em São Paulo e foi visitar, foi passar com um namorado, casado, assim, ou recém-casado, ou era noiva ou recém-casada. E recém-casada. Foi passear em Jundiaí com o marido e ela confessa, ela abre o coração pra ele e diz que quando ela morou nos Estados Unidos, ela tinha sido abusada.
E aí o cara continua andando com ela e esfaqueia ela, porque ele considerou o fato dela ter sido abusada por outro cara nos Estados Unidos era uma traição e ele esfaqueia ela. Que filha puta! E é muito chocante porque ela foi sepultada com o braço rígido, assim, tentando se defender. E lá no cemitério de Jundiaí, Nossa Senhora do Desterro, tem exatamente essa foto dela, no caixão, assim, com o braço.
Com o braço rígido. Tentando evitar os golpes do cara. Meu Deus. História tristíssima. Maria Apólito. Horrível. Maria Apólito. Não conhecia. Virou milagreira também. E Casa Assombrado do Afonso Sardinha no Pico do Jaraguá. Essa também, pra mim, é o lugar mais assombrado de São Paulo. Ah, eu tenho tanta vontade de ir lá.
Eu já fui. Já foi? Já. Não pode entrar mais, né? É. Então, o Parque do Jaraguá é lindo e era um lugar sagrado para algumas etnias, para alguns grupos indígenas aqui. E o Afonso Sardinha, ele chega com uma expertise muito própria do empreendedor da época, né? Porque ele era...
metalúrgico, na verdade ele fundia ferro e ouro, então ele achou ouro lá e ele era um comerciante de escravizados, ele dizem que foi um dos idealizadores do início do tráfico negreiro em Angola então é um empreendedor
Da época, né? E ele ocupou o Pico de Jaraguá de forma muito violenta, matando muita gente, muitos indígenas. Foi atacado por conta disso, porque aquele era um lugar sagrado. Ele se estabelece lá e ele tem algumas maldades no currículo. Impressionante, pegava as filhas dos...
Dos caciques, dos caras que eles matavam, pegava pra ele e engravidava as meninas de 12 anos. Super bonzinho, cara. E aí o que acontece? Bom, a casa que tem lá até hoje, que faz parte do parque, tá tombado, tudo. Tem uma placa na frente, tem mesmo, dizendo que é uma casa de taipa de pilão, né? Que é barro socado com madeira. E diz que a massa nesse barro...
Foi feito com vísceras de animais. Claro que os teóricos da conspiração dizem que foi feito com víscera humana também. Sim. E eu acho difícil, porque o cara era cruel pra cacete mesmo. E aí, o que rolou de muito sobrenatural lá?
Tentaram transformar a casa num albergue da juventude nos anos 90. Então vinha gringo pra cá. O lugar é maravilhoso. O Bicotaraguá é super bonito. Tem trilhas lindas e tal. E a galera tentava ficar hospedada lá. Principalmente os estrangeiros. Um lugar super... Imagina, ainda mais dentro de São Paulo.
E ninguém conseguia dormir lá dentro. Porque existia alguma coisa que ficava tocando as pessoas. Tocando violentamente. Pegando e empurrando. E os caras não passavam uma noite. As pessoas que viam dormir lá não passavam uma noite. E tem um acontecimento que está até num portal de Pirituba.
Que foi uma ocasião que o segurança do parque, de madrugada, ligou pra polícia e falou, pelo amor de Deus, vocês precisam vir aqui agora, porque tem vândalos, não são ladrões, eles estão quebrando tudo dentro da casa, venham pra cá agora. E aí, barulho, chegaram, barulhão lá dentro.
E a hora que os caras abrem, não tem nada, não tinha acontecido nada. Meu Deus. Então, a polícia fecha e fala, mano, você que se vira, que você é um porra. Eu não vou lidar com isso. A casa do Alfonso Sardinha é assombradíssima. Pra mim, o lugar mais assombrado, mas... Você chegou a ver essa casa? Fui lá, fui lá, fui.
E na frente da casa tem essa placa E diz aqui A casa do Alfonso Ardino, né? Ela foi feita com vísceras de animais Tá escrito lá E a galera que é da Teoria da Conspiração Com toda a legitimidade Do conspirador Já fala que tem Um pouco das pessoas também Meu Deus Terrível
Bom, foi isso. Foi legal, né? Foi muito legal. Tô fascinada. Eu quero muito ler os seus livros. Ah, obrigado. Porque são histórias muito interessantes. Pega leve, tá? Porque você é escritora, eu sou contador de história que escreve. Não, mas você já contou muito bem. De verdade. Diferente, né? É outro ofício.
É outro esporte. E é difícil escrever, né? Cacete. Até porque você tá escrevendo também a não ficção, né? Eu acho que não ficção é muito difícil. Mas eu acho mais fácil.
A não ficção? Nossa, eu... Porque eu parto de uma base. É, você tem um caminho ali, né? Você não pode inventar porque você está contando a realidade. E eu acho que para você escrever não ficção, você tem que ser muito honesto com o seu leitor, dizendo que aquela é uma experiência...
É a sua experiência com aquilo. Tem um milhão de versões. Tem outros. Tanto que esse livro que eu tô fazendo agora. Tem um pouco mais de cuidado editorial. Porque eu vou falar da vida de mulheres. Então a gente vai pegar. Boletim de ocorrência. Processo. Você sabe. Tem um outro caminho.
Não vou ficar só nesse universo popular. Sim. Do imaginário. Claro que pode ser. Cada um acredita no que quiser. Exato. Mas é, no final das contas, todos os meus livros moram nesse lugar. De experiências minhas. Não tinha outro cara que foi atrás de cemitério. De milagreiro de cemitério.
no cemitério de São Paulo, cara. Mas eu acho sensacional você imagina uma cidade desse tamanho, fria, cinza, tem no seu chão divindades que ajudam as pessoas a resolver seus problemas. É muito interessante. Porque tem um lobisomem em São Paulo. Sabe o nome dos lobisomem em São Paulo? Não. Já tenho liberdade pra falar? É o Rolão. Rolão.
gente, sempre tem, né? alguma coisa a ver mas não tem nada a ver com isso Rolão é porque ele tinha uma voz muito empolada que pareciam pedras rolando de uma ribanceira isso tá no livro do Miguel Milano que chama Fantasmas de São Paulo Antiga e ele que conta a história do Rolão que ele tinha uma caligrafia muito bonita maravilhoso, Rolão é mas ó vamos então agora para as nossas dicas bizarras vamosились vocês
Posso dar uma dica de filme, então. Já que eu falei de lobisomem, com a galera que é jovem, que é Bala de Prata. Bala de Prata. Circle of the Werewolf, do Stephen King também. Muito bom. Bala de Prata é maravilhoso. Que tem um herói e tem a Bala de Prata. Bom, assistam lá, senão eu já quero dar spoiler de tudo. Desculpa. E tem uma cena maravilhosa nesse... Se é o que eu tô achando agora, que é uma cena muito assustadora no apartamento.
Esse aí é o Lobisome Americano em Londres. Ai, nossa, total. Que também é sensacional, que é a transformação. Que é a transformação, que é a transformação mais assustadora do cinema. O Wagner Moura, não sei se ele ganhou ou não, mas é incrível que a Perna Cabeluda, nossa primeira assombração está concorrendo ao Oscar. Lá naquele Oscar de melhor elenco, a Perna Cabeluda está lá. A Perna Cabeluda está lá. Mas o Wagner falou que queria fazer um filme de Lobisome.
Eu tava nessa coletiva, acredita? Eu tava nesse dia, eu vi ele falando eu fiquei, meu Deus, eu quero que ele faça um lobisomem Mas sabe uma coisa que eu acho? Se ele fizesse o lobisomem, de tudo que eu acho que eu sou especialista no lobisomem é que faz pela caçada Vamos chamar a Vagermora pra fazer uma caçada Uma caçada
Mas eu ia falar pra ele, não abrir mão da transformação do lobisomem. Que é um negócio que acabou. Hoje os lobisomem viram lobisomem. E a dor da transformação é muito necessária. Por que a dor é necessária? Porque é o abandono da racionalidade.
desse seu componente humano por isso que dói não é a dor do osso quebrando também dá a doer é por isso que eu acho um absurdo as pessoas se transformarem em lobisomem sem sofrerem nada sem sofrer nada, abaixo
Eu vou recomendar Eu vou recomendar o tracking de Chupa Cabra do Benjamin Redford porque eu tô fazendo um estudo do Chupa Cabras, que é uma das minhas maiores obsessões, e aí esse cara que conseguiu, ele tem um estudo aí de
de 5, 6 anos, que ele conseguiu desde a primeira vez, o primeiro vestígio da primeira pessoa, que é uma mulher de Porto Rico, que descreve chupacabras, até as coisas mais atuais, assim. E ele traz muito assim, ele mandou fazer...
Como é que fala? Autópsia de diversos animais que supostamente eram chupacabras. Então ele falou, ah, fiz autópsia aqui, era um lobo, guarana, não. Fiz autópsia aqui, era um cachorro, não sei o quê. Não, ele fez em vários países. Eu não terminei de ler o livro ainda.
Eu comecei faz pouco tempo Mas eu acho que não tem no Brasil Mas eu sei que ele pegou animais de Porto Rico Pegou dos Estados Unidos Guatemala E de alguns outros países também É muito dos nossos vizinhos aqui E ele é um dos maiores estudiosos Do...
Dessa loucura que foi, que a gente chama de Chupacabras. Que eu sou, enfim, fascinada com isso. Então eu tô lendo. E é bem técnico, é chato. Mas é o tipo de leitura que eu acho muito interessante. Pra poder realmente aprofundar mais. Que aí, enfim, vou... Chupacabra apareceu perto de Campinas, em Rafarn. Capivari. E no bairro chamado Bairro Bananal.
Campinas tem uma história ufológica muito legal, que a gente fala disso. Mas o Chupacabras, eu lembro que eu morava na Inglaterra em 97, quando explodiu o Chupacabras. Que apareceu nisso, né? América Latina. E... Olha, essa época era a época que fazia muito sucesso a X-Files.
É verdade, total. Uma coincidência que talvez não esteja imediatamente ligada para as pessoas. Os X-Files bombavam. Tanto que eu li sobre o Chupacabras uma revista que chamava X-Files, que era uma revista inglesa sobre o seriado.
Meu Deus, eu não sabia que tinha uma revista. E eu era fascinada com X-Files. Eu assistia tudo com a minha mãe. E eu amava, amava, amava. E foi uma grande loucura no Brasil, né? O Chupacabras foi... Eu já falo que o Gugu levou lá uma carcaça de um suposto Chupacabras no meio da televisão. É a coisa louca, né? Que faz o Brasil dos anos 90 ter sido essa grande loucura. A gente tá agora nisso.
E a gente, é, você falou, a gente tá voltando, vamos ver se vai ser isso mesmo. Mas eu não duvido, porque é tanta história, né? Por isso que quando eu for lançar os meus livros de ficção e alguém falar Ah, essa história ainda aconteceu, eu falo Querido, conhece o Brasil? Porque eu vou te provar que aconteceu. Eu tenho um podcast provando que essa história existe.
Mas é isso, muito obrigada por ter vindo. Eu amei conversar com você, saber dessas histórias. Tenho certeza que a galera vai gostar também. Tomara. E aí, vamos... Agora eu vou ter que ir num desses passeios aí no cemitério. Vamos, pô, quando você quiser. Pra conhecer um pouco mais. Aqui tá tão pertinho, né? Tá pertinho, gente. Eu gravo do lado de um cemitério. O cemitério mais paulistano de todos. Esse aqui é a Necrópole São Paulo. Eu não sei por quê. Conheço tudo aí, tem um passeio aí.
Você tem passeio aqui também? O José Mugica tá sepultado aí. Antônio Abujamra tá sepultado aí. Meu Deus! A menina Isildinha ficou de 1950 a 1958 aqui. Tem várias. Pra mim tem uma briga de estilos artísticos, dos clássicos e dos modernistas. Que a gente traduz isso nas esculturas, né? Pra quem estuda arte tumular, é um cemitério de referência. É um cemitério muito legal.
demais. E eu nunca fui nele. Nunca. Nunca. Vamos fazer um passeio. Muito legal. Então é isso, gente. Espero que vocês tenham gostado. Um beijo e até o próximo episódio.