T5E18 | PAUSA PARA HIDRATAÇÃO E A NEUROCIÊNCIA POR TRÁS
🔥 Fala, pessoal!
Você já se perguntou se e como o calor extremo pode afetar suas decisões?
E sobre o motivo por trás das pausas para hidratação na copa do mundo?
💧 Pega uma água e solta e play, mas antes segue a gente por aqui e aproveita para deixar aquela constelação com 5 estrelas, super importante e ajuda a nos manter ativos por aqui.
Durante a Copa do Mundo, as pausas para hidratação passaram a ser essenciais não só para os atletas, mas também para todos nós. O calor intenso não apenas nos faz suar, mas altera nosso humor e capacidade de tomar decisões.
Quando a temperatura sobe, nosso cérebro luta para manter o equilíbrio, afetando nossa cognição e humor.
Isso não é crucial apenas para os jogadores que precisam de foco, mas também para todos nós, e o motivo é simples...
Imagine tentar tomar decisões importantes enquanto seu corpo está em modo de sobrevivência!
Pense nisso, assunto super importante, e claro, sem groselha e com uma pitada de leveza e humor.
#CopaDoMundo #SaúdeMental #Neurociência #Hidratação #Decisões #PodcastCerebrando
Ivo
Dr. Diogo
Dr. Leandro Oliveira
Fabião
- Efeitos de medicamentos na disposiçãoAnticolinérgicos e redução de sudorese · Antipsicóticos e hipotálamo · Hipertermia maligna · Álcool e desidratação
- Preparação para a Copa do MundoPerformance atlética · Saúde mental dos atletas · Ritmo do jogo e entretenimento
- Neurociencia e CerebroRedução do volume sanguíneo e oxigenação · Dores de cabeça e impacto nas meninges · Formação de neurotransmissores e cognição
- Doenças NeurológicasSerotonina e controle de impulsos · Dopamina e adrenalina · Glutamato e noradrenalina
- Gestão e Política no EsporteAumento da intensidade e frequência de jogos · Corpo além do limite · Comparativo histórico de lesões
- Saúde Mental e a sociedadeAumento de crimes em altas temperaturas · Depressão e ansiedade · Aumento de suicídios
- Sono e DescansoAumento da temperatura corporal durante o sono REM · Piora do sono REM e despertares noturnos · Impacto na ciclagem do sono
- Reposição de eletrólitos e hidrataçãoImportância do sódio e potássio · Água de coco e alimentos ricos em potássio · Sais de reidratação oral · Equilíbrio hídrico e de sais
Boa tarde, pessoal! Bem-vindos ao podcast Celebrando. Estamos aqui na nossa temporada 5, episódio 18. Esse episódio é para você que vive de cabeça quente, não consegue entender o que se passa na sua cabeça quando você tá sobre ondas de calor ou simplesmente muito nervoso. É para você, jogador de bola, que entendeu o porquê das pausas de hidratação que foram colocadas nos jogos da Copa do Mundo. E para poder explicar isso, estamos aqui hoje com o Dr.
Diogo, com Fabião, e com o retorno do Dr. Leandro Oliveira, nosso querido neurocientista sem freio. Parte das vezes.
E aí, Leandro, fala aí, beleza? Boa tarde, pessoal. Bom dia, boa tarde, boa noite, boa madrugada. Prazer ter vocês aqui com a gente mais uma vez. É muito bom estar aqui com vocês, Fábio, Diogo, Ivo, e comigo mesmo, que eu gosto da minha companhia para caramba.
E aí, pessoal, tudo bem? Sejam todos e todas muito bem-vindos mais uma vez. E vamos lá que esse episódio está super legal e vocês entenderão por que que vai ser importante uma pausa para hidratação na Copa do Mundo e como que o calor afeta nosso cérebro. Como o Leandro falou, é muito legal estar na companhia de todos e de nós mesmos mais ainda, né, Leandro? Isso é melhor ainda. Perfeito, vamos lá então.
E aí, Fabião?
E aí, tudo bem, pessoal? Estamos vendo que alguém está com a paisagem muito boa atrás de si. A gente sabe que estamos gravando, vai ficar claro que estamos gravando durante o dia, mas para você que tá nos ouvindo somente, bom dia, boa tarde, boa noite ou boa madrugada, sei lá que horas você vai estar ouvindo. Muito propício o tema, já que a gente tá passando por Copa do Mundo, né, Ivo?
É isso, cara, a gente tá aí no meio de 2026, Copa do Mundo rolando solta na América do Norte lá, temperaturas batendo 40 graus. Hemisfério Norte batendo inclusive recorde, né, de calor histórico aí. Todo mundo falando de insolação, de hidratação, mas ninguém falando sobre o cérebro, o que que acontece com ele e os impactos disso no nosso cérebro, né, com relação a decisões, a nossa neurobiologia e por aí vai. Então discutir um pouquinho mais sobre isso aí hoje.
E eu acho que a gente poder começar por aqui, eu tô olhando, tá de volta o Leandro. Fala um pouquinho para gente aí sobre os impactos dessas ondas excessivas de calor no cérebro, além da hidratação e além da insolação, cara. Acho importante o pessoal entender aí o que tá acontecendo.
Beleza. Quando você comentou sobre a pausa, a pausa para hidratação, eu diria que na vida a gente tem que ter pausa para várias outras coisas, né, não só para hidratação. Então a vida necessita de pausa constantemente. Quem fala que não precisa é o sistema que quer ferrar com a gente. Então deem pausas na vida, não só para hidratar, que é importante, mas outras pausas também faz necessário. Vamos lá, calor, gente. Calor é complicado porque, primeiro, que qualquer mudança que nós tenhamos de temperatura, a gente automaticamente tá exigindo demais desse sistema nervoso, né?
Por quê? Porque o cérebro trabalha homeostase, o teu corpo trabalha homeostase, trabalha em equilíbrio. Quer dizer então que se eu tiver no local frio para caramba É complicado. Se eu tiver no local quente para caramba, é mais complicado ainda, tá? Eu diria que o calor ele ainda acaba sendo mais nocivo devido a alguns mecanismos que a gente vai conversar no decorrer da nossa, do nosso bate-papo. Mas eu posso dizer para vocês assim, quando a gente pensa em calor, a gente já pode pensar que existe diretamente alteração de humor.
Fato. Por isso que a gente fica muito mais humorado quando a gente tá em ambientes muito quentes. Por isso que é importante muitas vezes a gente fazer um investimentozinho ali, a depender do que que você trabalha, colocar um ar-condicionado, alguma coisinha ali para que você consiga inclusive ter saúde mental. Ah, professor, mas ar-condicionado é caro. Saúde mental é bem mais caro, tá, gente? Então acredite, é importante que a gente tenha.
Temos, claro, já conversamos aqui em outro momento, estruturas que regulam esse mecanismo. Tem uma, tá lá no diencéfalo, que nós chamamos de hipotálamo, né? Quando eu falei de homeostase, a gente tem que pensar primeiramente no hipotálamo, que é a primeira estrutura que vai entender como que o teu corpo ele tá trabalhando. Ou seja, se teu corpo tá muito quente, se teu corpo tá muito frio. Então quem vai perceber se existe uma ofensa, se existe algo nocivo para o teu corpo, é o hipotálamo.
Automaticamente, se a gente tá falando de calor, a gente tem redução hídrica, né? A gente tá perdendo líquido, isso é fato. E aí, mais uma vez, a gente precisa, para recuperar— porque todo mundo já deve ter visto aqui a gente conversar que o cérebro ele depende de algumas coisas. Primeiro que o cérebro ele é composto, a sua É maior parte de líquido. O corpo, ele é composto em maior concentração de líquido. Se você tem perda de líquido, o que que vai acontecer?
Você vai ter um monte de alteração celular. O calor te produz sudorese. Sudorese é o quê? Você tá perdendo, ele tá transpirando demais. Automaticamente você tem vasodilatação. A vasodilatação vai fazer com que o teu sangue comece então a bombear mais rápido ainda. Então assim, é uma cascata que é difícil a gente falar de forma direta, Mas o que eu posso já dizer nesse momento é: é extremamente nocivo para o nosso sistema nervoso, é extremamente nocivo para o nosso cérebro, é extremamente nocivo quando a gente pensa para características voltadas para o humor.
Por isso ficamos mais irritados, por isso temos vários outros comprometimentos. Mas aí a gente pode detalhar isso fisiologicamente no decorrer da nossa conversa, senão eu vou falar para caramba aqui.
Então, Ivo, é como o Leandro falou muito bem, nós temos um termo chamado homeostase, que é um equilíbrio para que tudo funcione bem, vamos dizer assim. Então, por exemplo, nós temos uma temperatura ideal para que as proteínas funcionem bem dentro do nosso cérebro e algumas em todo o sistema. Na verdade, nós temos catalisadores de reações químicas dentro do nosso sistema que são necessários para formar tudo, basicamente nossos processos mentais, nossos hormônios, nossos sistemas de neurotransmissores.
E quando você passa a ter temperaturas extremas, isso como o Leandro falou, tanto muito frio quanto muito calor, Você acaba deixando esse sistema com uma necessidade de entrar num equilíbrio, e esse equilíbrio vai acabar gerando para nós uma, uma, algo fisiológico. Mas pensem assim: se eu tô numa temperatura extrema, eu vou precisar de mais energia para atingir o equilíbrio, vou precisar de mais conteúdo para conseguir chegar naquele equilíbrio.
E conteúdo é alimentação. Então você vai precisar às vezes de um tipo de alimentação específico, hidratação nos calores extremos, Você vai precisar ir para ambientes refrigerados, como o Leandro falou, que investir em ar-condicionado não é luxo em determinados casos, mas é necessidade. Por quê? Porque se você quer tomar uma decisão complexa, não será num calor de 45 graus com sol rachando na tua cabeça que você se dará bem, porque o teu corpo estará em modo sobrevivência.
E aí, e aí, meu amigo, não tem como você pensar direito no calor extremo, por exemplo, não vai ter como pensar.
Algumas pessoas podem até comentar, né, Diogo, e com certeza já devem estar pensando, ah, mas a gente se adapta, porque tem pessoas que vivem no frio extremo, tem pessoas que vivem no calor extremo. Mas adaptação não quer dizer que é ser inócuo, as pessoas precisam entender isso. Adaptação não quer dizer que adaptei, agora tá tudo certo, eu dou conta. Você adaptar é você, inclusive o conceito de adaptação ele é longo na biologia, mas entender que se adaptar alguma situação não quer dizer que isso não te cause algum tipo de sofrimento, algum tipo de dano.
Se adapta, claro que se adapta, né? Mas a gente vai pagar um preço por isso. Inclusive, quando a gente fala de calor, só para eu fechar aqui, e talvez você possa comentar um pouquinho também, Diogo, o sono, né? Uma das coisas que mais a gente acaba tendo problema é com sono devido a esse calor exacerbado, né?
E tem um estudo, Leandro, que agora me lembrei de— eles acho que fizeram em algum país muito quente, não me lembro se era em país desértico, mas se eu não me engano era Arábia Saudita, tá, em que eles mensuraram a taxa de desempenho cognitivo das crianças ao estudar em ambientes de muito calor. E foi absurdo, foi absurdo. Primeiro, a desidratação. Então eles viram que um meio que eles tinham que fazer com aquelas crianças era não deixar que elas tomassem água por conta própria, mas estimular elas tomarem água a cada 2 horas, era algum número assim.
Uma quantidade X, porque a desidratação trouxe para elas um problema gigantesco. Mas aí a desidratação ela vinha do excesso de calor, então o desempenho escolar dessas crianças foi muito aquém do que eles esperavam em ambientes de calor. Agora você imagina o nosso país como o Brasil, numa escolinha lá do sertão nordestino, por exemplo, que nem energia elétrica tem às vezes, aquele coitado, aquele professor, aquela professora dando aula, aquelas crianças muitas vezes mal alimentadas, Como que elas vão conseguir aprender? Fisiologicamente não vão conseguir aprender.
É primitivo, né? A primeira coisa que o cérebro quer— quando a gente entende isso, a gente entende neurociência, né? O que que o cérebro quer? Sobreviver. E cognição é um recurso. Cognição é a gourmetização da nossa espécie, né? O que difere a gente de outras evoluções é que a nossa cognição veio bem mais preparada. Então isso, quando a gente pensa no Neandertal, quando a gente pensa no erectus, até chegar na nossa espécie em si, A maior diferença que a gente tem é a cognição, que agora nos possibilita consumir mais energia.
Só que eu estou consumindo mais energia para sobreviver, para manter o meu corpo em homeostase, ou seja, pelo calor exacerbado. Como que eu vou aprender? Como que eu vou gastar energia? O que que é mais importante do ponto de vista celular? É você aprender a aplicar a fórmula de Bhaskara ou você sobreviver? Então, a lógica é claro: sobreviva, meu amigo, e o resto deixa como tá. E aí, infelizmente, a gente tem esses impactos.
Puxar para um outro tema aqui. A gente tá vendo que a Copa trouxe essas pausas para hidratação, e parece que isso se motivou porque na Filadélfia, por exemplo, as temperaturas chegam a mais de 37 graus. E por conta disso, alguns estádios, inclusive que o Brasil jogou no último jogo agora, que a gente se classificou, se eu não me engano, não sei se foi esse, é o último jogo que eu vi, enfim. Tô vendo alguns, tinha o teto retrátil porque naquele estado em particular também tem neve.
Então a Reuters publicou isso e isso não tá no radar, ou pelo menos em políticas públicas do mundo não tem estado em alta performance onde você tem que ter um espetáculo e entretenimento e tem muito dinheiro envolvido. Existe a questão de se ater alguns detalhes e aí Você percebe que as pausas, elas quebram o ritmo de jogo, mas promove a saúde, vamos dizer assim, mental ou de maior decisão para o jogador. Mas cria, quebra o ritmo.
E aí futebol tem a ver, tem a ver com estresse também, tem a ver com cortisol, tem que ter o sistema simpático, parassimpático. Pegando esse gancho da Copa, tanto para você, Leandro, quanto para você, Diogo, como é que vocês veem essas pausas hoje na Copa? Em termos de entretenimento, em termos de performance do atleta ou em termos de saúde mental? O que que vocês acham que tá pesando mais?
Perfeito. É bem interessante essa tua colocação porque tem dois pontos de vista, né? Do ponto de vista de torcedor, todo mundo parece que a porção de vida vai lá para baixo porque parece que o jogo esfria, né? Mas se todo mundo for olhar, eu tô acompanhando, eu posso dizer que eu literalmente acompanhei todos os jogos até o momento. Inclusive os da madrugada. E se a gente for ver, sempre depois das pausas o jogo ele volta muito mais dinâmico, volta muito mais rápido, surgem mais gols, muda a estratégia.
Por quê?
Porque aí você tá dando possibilidade dessa célula voltar a se nutrir. Então, enquanto torcedor, claro, a gente fica, acha que dá aquela esfriada, mas a gente vê que é necessário. E antes de tudo, né, gente, vamos lá, a gente tá falando de seres humanos que estão ali. Então é necessário que a gente tenha um pouquinho de compaixão também para entender que não é fácil. Dentro da nossa casa, trancado, assistindo o jogo no ar-condicionado, você não quer pausa.
Pode ter um jogo de 20 horas que você tá ali. Agora, correndo num desgaste físico, trabalhando sobre o que você falou muito bem, Fábio, trabalhando sobre uma situação extremamente estressante, porque Copa do Mundo é um evento, eu diria que no esporte é o maior evento que se tem, né? O maior evento no mundo é esse. E aí você tem uma cobrança muito grande, uma cobrança interna e uma cobrança externa, aonde não é permitido errar, onde não é permitido falhar.
Imagina um pênalti. Ontem aconteceu isso, né, lá no jogo lá do Portugal, em que no finalzinho teve um pênalti Portugal. Se o Cristiano Ronaldo fizesse, eles praticamente ganhariam, menos de 1 minuto de jogo. Imagina a pressão psicológica, o equilíbrio emocional que um jogador tem que ter, aonde a responsabilidade que ele carrega de um país nas costas vem de um chute que se errou ele vai ser criticado para o resto da vida, e se o faz ele tem ali as gratificações, né?
Então tem que ter sim, porque a gente tá falando de saúde. Antes de tudo, a saúde ela tem que estar acima de qualquer coisa.
O que o pessoal tem que entender, Fábio, só pensando, só um adendo aqui, Ivo, antigamente um jogador corria em média 5 km por partida, hoje tá em 15. Antigamente, o maior velocista do time, ele atingia 28 km/h, 29 pelas últimas estatísticas. Hoje, qualquer zagueiro, que em tese é um cara que tá lá mais para trás e mais sempre na defensiva, faz esse tipo de sprint. Então, o desgaste do futebol e do esporte, ele tá se tornando muito além até do que o corpo humano suporta.
Você viu aquele do Haaland, né, o Diogo? Ele atingiu quase 40 km/h, quase 40 km/h, quase um carro. É só subir no ombro dele e ir embora.
Você errou o nome do cara aí, acho.
Haaland, né? Vamos ser brasileiro.
Pronto, vamos ser brasileiro. Haaland ainda, cara.
Eu tô pensando aqui, estava falando com relação acontece com essa galera. O Leandro citou do Cristiano Ronaldo esse exemplo aí, né? Some-se a isso a questão, a questão do calor ainda, né? Porque você tem então a decisão, claro, o país inteiro nas suas costas, etc. Isso piora muito mais. Se a gente for pensar em termos de funções executivas, todas elas começam a cair na prática então, né? Porque é uma pressão muito grande, é um estresse muito grande, é um calor batendo em cima de você ali.
Imagino eu, quando a gente tá falando disso, tem a questão de que no calor o nosso corpo precisa redirecionar o fluxo sanguíneo sangue para pele, para que a gente possa começar a suar e regular a temperatura, inclusive. Então diminui também o que a gente tem de circulação sanguínea no nosso cérebro. Isso tudo acho que piora um pouco o cenário, né, com relação às decisões que vão ser tomadas. E a minha pergunta é, cara, será que não é isso também que leva os jogadores àquele impulso de tipo, puta, alguém esbarra no cara, o cara já fica puto e parece que o cara tem zero gaba, já vai para cima, já discute?
Tem um cenário aqui que é um pouco mais Claro, acho que merece um pouco mais de atenção, né? Que é muito comum todo mundo olhar e falar, porra, perdeu a cabeça, o cara tinha que sossegar, cara.
Mas ninguém tá considerando esse, a gente pode dizer que perdeu o córtex, né, Ivo? Então por isso a gente pode dizer isso, sem dúvida. Por isso que a gente fica muito mais à flor da pele, né, no futebol. A gente vê ainda mais uma situação como essa. Mais uma vez, entendam que cognição funções executivas, aonde a gente pensa em atenção seletiva, em flexibilidade cognitiva, resolução de problema, tudo aquilo que demanda principalmente não só, mas a parte pré-frontal e parietal, são estruturas que são luxo da nossa espécie, que se em algum momento for necessário retirar por privação de, por falta de energia em si e por economia, isso vai sair.
Então imagina um corpo que tá trabalhando sobre limite, eu diria até que mais do que o limite, como o Diogo coloca, né? A gente tá trabalhando, e o jogador hoje ele trabalha, você vê que tem jogo a cada 2, 3 dias, né? Não tô falando da Copa do Mundo, eu tô falando no geral, né? Eles jogam isso de 3 em 3 dias, você tem jogo. Então é um corpo que não veio preparado para isso, né, para esse esforço extremo. Por isso que ficam cheio de lesões.
A gente vê, eu fico agora, vocês, todo mundo aqui que experimentou a Copa do Mundo 94, 98, 2002, tinha lesão? Tinha, mas não era desse jeito. Olha o tanto, vamos trazer para o Brasil. Para o Brasil nós tivemos, ó, o Estevão, nós tivemos o Militão, teve o Rafinha agora, teve o Paquetá, teve, a gente tem metade da seleção lesionada. Por quê? Porque você coloca um corpo já para além do seu limite. Então quando você tá numa situação como essa, Ivan, onde é necessário sobreviver, porque a célula entende isso como sobrevivência, a gente tem na carga genética que tem que sobreviver, não tem na carga genética que tem que ganhar Copa do Mundo.
Não tem na carga genética que tem que ser. Tem que, a gente precisa compreender aquilo que a célula tem de referência. E a referência da célula é o quê? Vai lá e viva, meu amigo. E se para viver você tá com gasto de energia excessivo, o calor te consome demais, você vai ficar primitivo, você vai ficar bicho e ponto final. E aí qualquer esbarrão é motivo de briga, você fica muito à flor da pele. Perceba inclusive que as emoções afloram muito mais.
Qualquer coisa, eles choram bastante, tudo. E não é, eu entendo que é pelo desejo de ganhar também, claro que isso acontece, mas é porque você fica muito, muito mais emotivo, porque você tem muito menos córtex também. E como que você inibe uma emoção se o teu córtex ele não tá exercendo a função que ele precisava exercer? Então qualquer situaçãozinha acontece, o que a gente tem visto inclusive, né?
Dá para a gente pensar aqui, cara, que calores extremos então possam provocar também uma desregulação em alguns neurotransmissores, tipo serotonina? Porque se você teoricamente desregula a serotonina, cara, o seu controle de impulso, seu humor vão para casa do chapéu, né? Vão ser impactados diretamente, sem dúvida.
Pode falar, desculpa.
E aí, só complementando, imagina, e aí será, cara, que a gente fosse olhar de forma geral, quando a gente pensa, por exemplo, em crimes, será que existe alguma correlação com países muito quentes ou no verão acontecerem mais crimes por conta disso? Eu tô falando do futebol, né? Mas se for levar para um contexto mais amplo, pensando em neurociência em qualquer lugar, teoricamente deveria ter alguma correlação então, né?
É, eu confesso que eu nunca li nada. Deve ter algumas pesquisas que possam falar sobre isso, né? Até porque a gente sabe que ambientes com essas características são ambientes que nos tornam mais irritados, né? Você tem desregulação de humor. E quando a gente pensa em neurotransmissão, a gente pode dizer que desregula. Até difícil a gente apontar o que que desregula. Desregula tudo, né? A gente vê serotonina desregulada, a gente vê dopamina desregulada, a gente vê adrenalina, a gente vê glutamato.
Tem um universo de coisas que acabam— noradrenalina— que acabam se desregulando. E automaticamente, se nós somos de um reducionismo biológico, claro, mas para ficar pedagógico, se as nossas reações, o que nós somos, é fruto de química, né, automaticamente a gente perde muito da nossa identidade em decorrência disso.
Tem uma coisa que eu queria colocar, desculpa, o seguinte: você tem transitórios, né? A gente, dentro da engenharia, dentro da matemática, dentro da física, a gente, quando você vai lá e liga a luz da sua casa, dá um transitório maluco com várias harmônicas. Inclusive, por isso quando você ligava o liquidificador na cozinha antigamente, na TV aparecia o chiado, porque basicamente tava um transitório ocorrendo ali, não tava em regime.
Resgatando o que o Diogo falou a respeito de equilíbrio, você vai buscar o equilíbrio, o corpo sempre vai buscar esse equilíbrio. Então, se o calor variou muito, ele vai buscar, e toda a parte mais nobre, com memória, cognição, e coisas que são frontalizadas, né, vão para o córtex pré-frontal, ficam submissas a um sistema mais primitivo de sobrevivência. Então não é estranho, não é incomum dizer que para pessoas que moram ou habitam em lugares onde não há essa variação tão grande, esse equilíbrio se mantém, ele nasceu já naquela situação.
Vocês citaram aqui extremos tanto de calor quanto de frio, mas eles já nasceram naquele ambiente, já tiveram uma alimentação, uma hidratação, etc. Vocês acham que esse tipo de coisa favorece ou desfavorece, por exemplo, essas pessoas quando submetidas a tais mudanças? Porque a ideia, acho que, da pausa foi colocar todo mundo num grau de competição maior. E a gente tá falando de alto rendimento, a gente nem falou de saúde pública ainda, mas é um transitório.
Engenharia é muito comum você falar disso. Então, corpo humano, no fundo, a gente estuda e modela tudo, né, nossa vida, mas o corpo humano depois mostra para gente com pesquisa. E você, Leandro, e você, Diogo, mais do que ninguém trazem para gente esse tipo de coisa. Mas no fundo é um transitório. Então aquela onda que faz assim, depois ela estabiliza, né? Tem alguma pesquisa que fala quantos graus centígrados você pode tolerar sem ter uma perda cognitiva ou de memória ou de performance no seu trabalho, seja como atleta ou como um líder, um CEO da vida? Tem alguma coisa que ilustra isso?
Olha, Fábio, eu nunca li de forma direta tudo isso. O que eu posso citar para vocês, algumas pesquisas que eu até levantei para esse podcast, que eu que eu vi em outros momentos, que, por exemplo, as ondas de calor lá no Canadá, elas causaram muito mais chance de óbito em pessoas que já tinham doenças psiquiátricas, como esquizofrenia e outras, e outras comorbidades. Eu não me lembro o número exato agora, mas já conversei com um engenheiro que fazia projeções de casas na questão de temperatura, e ele tava explicando que hoje eles preveem que o conforto humano ele tá na casa dos 21 graus Celsius, mais ou menos, quando coloca o ar-condicionado, porque isso seria uma temperatura ideal de trabalho.
Se isso tem uma base muito grande de ciência, eu creio que sim, porque é uma engenharia, também é uma ciência para essas questões. Mas o que eu já vi de estudo foi que em algumas cidades norte-americanas aumentou a criminalidade em tempos de grandes calores. E eles na época sugeriram que era porque as pessoas ficavam mais fora de casa, porque quando você estende teu período fora de casa no verão, por exemplo, ninguém passa, ninguém fica fora de casa naquelas cidades da Rússia que estão a -70 graus, por exemplo, né?
Então a chance de alguém cometer um crime ou fazer um roubo, um assassinato, eles supuseram que era isso. Mas depois vieram pesquisas que o funcionamento cerebral também estava envolvido.
Sim, tá.
Não era só o fato das pessoas ficarem mais fora de casa. Então pode ser que aí exista uma, pela lógica, sim, né, Leandro? Se quiser complementar até a ideia.
É, não, mas é isso mesmo, Diogo. Em temperatura que a gente tem hoje, Fábio, mais em literatura que dá para a gente resgatar, que a partir dos 38 graus a gente já tá com problema relativamente sério, né? Primeiro porque a gente tá falando mais de um corpo que vai entrar muito mais em sonolência, você já tem um cansaço gigantesco, irritabilidade, tudo sintoma de gasto energético. Agora, quando a gente sai de 38 para 40 graus, aí você já pode entrar inclusive em estado de confusão mental.
Então aí é quando o paciente já tem confusão, pode ter delírio. Em alguns casos, inclusive, o paciente pode desenvolver convulsão se ele tá ali naquele local constantemente. E se eu for para cima de 40, 41, 42, 43, se eu não tiver cuidado e meu corpo inclusive atingir essa temperatura, porque o risco maior é esse, é quando o corpo ele começa, se você tá exposto a uma temperatura, o teu corpo vai começar a elevar aumentar essa temperatura também, não vai reduzir, tá?
Porque ele até tenta, o hipotálamo até morre lá, tadinho, tentando trabalhar, porque ele quer buscar o homeostase. Ele faz temperatura, não é minha, vamos tentar jogar em 36,5, que é o que o corpo precisa, 36,5, 37. Quando ele vai para 31, para 41, 42, aí você já tem risco inclusive de dano celular. Aí entramos num problema muito mais sério, porque se permanecer, aí você tem problema neurológico, você tem inclusive uma falência orgânica.
Então esse excesso de temperatura, e eu tô falando de uma temperatura que não é nem lá absurdamente absurda, 42, tá? Mas imagina você numa temperatura de 42 graus. Eu não tô falando que você tá 42 graus na sombra ou parado, você tá correndo. E o futebol é isso. E você não tá só correndo porque você decidiu correr, você tá correndo porque você tá numa competição que por si só, mesmo em temperaturas homeostáticas, mesmo numa temperatura equilibrada, por si só você já tá gastando uma energia gigantesca porque você tá em simpático acionado.
Você vai para uma competição como essa, você não chega lá relaxando como se estivesse praticando a meditação. O ideal seria, mas você não chega dessa maneira. E aí o que que vai acontecer? Você tem o gasto do esporte, você tem o gasto da temperatura e teu corpo trabalhando demasiadamente automaticamente. Os riscos neuronais, os riscos cerebrais, eles vão aparecer.
Boa, ô Leandro, sabe que você respondeu uma coisa sobre minha sogra agora, né, sem saber.
Eu sempre respondo.
A gente tava em viagem um tempo atrás, cara, no Oriente Médio, pegamos 53 graus, quente para cacete. E aí tava em um hotel que tinha praia ali dele na frente, cara, e aí só as mulheres de burca e tal. E de repente é minha sogra, cara, a única mulher de biquíni passando no meio das mulheres de burca, todo mundo no quarto puta de um calor, cara, por causa do ar-condicionado. Ela lá deitadona de boa, etc. Então meio que pensando assim, tá explicado aí, né?
Acho que ela teve algum possível mini dano cerebral, umas regiões ali, para ela fazer algo desse tipo.
Isso é porque ele ama, isso é porque ele ama a sogra dele, né?
Voltando para cá, bicho, eu tô pensando no seguinte. Eu tava em um dos estudos daquela meditação lá da Tomoe, que eu escuto bastante com vocês algumas vezes também aqui. E quando a gente fala dela, a gente tá falando da regulação ali do nosso termostato interno, né, de como eles conseguem manipular isso daí. E aí eu pensei no seguinte, a gente tem alguns medicamentos hoje que são utilizados na psiquiatria, por exemplo, que eles têm impacto, acho que inclusive antidepressivos, Diogo pode me corrigir, eu tô lendo também, mas que eles alteram a capacidade do corpo de fazer uma termorregulação, né?
O que que a gente pode correlacionar com relação a esse tipo de medicamentos então no calor, cara? O quanto isso pode piorar o sintoma, o quanto isso pode piorar a saúde mental de uma pessoa em um caso como esse, já que eu tenho uma termorregulação bem realizada no nosso organismo ali, teoricamente eu vou ter uma mudança drástica muito grande em termos de comportamento, né?
Primeiro assim, se você tá atuando com medicações que atuam mexendo nesses mecanismos, inclusive direta e indiretamente, por exemplo, existem medicações de classe, aí se eu tiver equivocado me corrija, Diogo, principalmente os anticolinérgicos, que eles vão reduzir sudorese, é uma característica deles. Né? Se você reduz sudorese, o corpo ele acaba perdendo menos calor, é uma característica. Outras medicações que são bem comuns, os antipsicóticos, né?
Então, que é a medicação aí que as pessoas tomam inclusive indiscriminadamente, e a gente fala que não, mas a gente sabe que toma. Ela vai mexer lá no hipotálamo, a gente sabe disso também. Se mexe no hipotálamo, que é um centro regulatório, um centro de homeostase, e além do hipotálamo ela mexe diretamente também nessa questão da sudorese, na transpiração, Você também tem um risco de hipertermia, é uma característica. Então você tem, você tem um mundo, na verdade é até complicado, porque assim, eu podia falar de antihistamínico, eu podia falar de inibidor de recaptação de serotonina, eu podia falar, claro que alguns atuam mais e outros menos.
Um muito comum que a galera toma desenfreadamente são os estimulantes. Inclusive tem uma galera de dia aí que tá tomando para ir fazer atividade física. Né, vai tomar uns estimulantes que não devem ser tomados, tem os bloqueadores, realmente remédio para questões cardiovasculares. Então assim, quando a gente vai, termogênicos, termogênico, exatamente. Então assim, tem uma resposta? Tem, sem dúvida tem. Tem um comprometimento, o paciente ele pode ter comprometimento?
Pode.
E não só, a gente não precisa nem ficar só nas medicações, a gente pode também ir para outras áreas, a gente pode ir para bebida alcoólica, né. O álcool ele também vai mexer nesse sistema, ele também vai desregular, embora não seja uma medicação, mas a gente sabe que o Brasil que inclusive consome muita bebida alcoólica, ele também vai aumentar a desidratação. Aumentou a desidratação, você já tem todos os problemas possíveis também, tá bom?
A anfetamina, que a pessoa não percebe, pode ser para você, Diogo. Dá para dizer que a pessoa não percebe, cara, que o corpo dela tá superaquecendo por conta disso?
Ela vai acabar percebendo alguns sintomas, porque às vezes o efeito colateral do medicamento é tão intenso que ela vai entender que que ela é, que ela tá, por exemplo, ou suando demais ou suando de menos, sentindo diferente. A gente sabe que acontece, mas tem uma condição dos neurolépticos, por exemplo, que chama hipertermia maligna, extremamente grave, extremamente grave. As pessoas morrem realmente da hipertermia maligna. Não é todo mundo que faz, claro, graças a Deus, mas tem uma porcentagem.
Já vi infelizmente acontecer. É outra, outras onde assim tragédias que já aconteceram foram com drogas do tipo êxtase, que é um anfetamínico, em doses cavalares, em que as pessoas, elas têm que tomar litros e litros de água por causa até de controle, mal controle da temperatura. E isso fica muito, muito evidente. Então dá para perceber que, igual o Leandro falou, Ivo, várias medicações vão interferir no nosso sistema. Porque lembrem o seguinte, De forma categórica, o melhor seria nós vivermos do mais natural possível.
O nosso corpo, ele está com sistemas ali sendo funcionando para que a gente viva de forma natural. No momento em que você coloca algo externo, está influenciando em neurotransmissor, em enzimas, em proteínas, em todo o sistema. E aí você vai acabar sim influenciando no hipotálamo, influenciando no controle de temperatura e outras questões que são bem importantes. Por exemplo, rapidamente aqui, quando você tem uma infecção, o teu corpo ele vai liberar certos, certas citocinas que são marcadores dessa inflamação para que você, para que elas cheguem até o teu hipotálamo e você aumente temperatura.
Mas se febre é ruim, por que ele aumenta de temperatura? Porque o sistema imune ele vai, ele vai trabalhar melhor numa certa temperatura. Agora, se eu chegar, joga a temperatura lá para baixo, que daí é o que eu falo para o pai e para mãe. Eu falo para o pai e para mãe de vez em quando: olha, se teu filho não tem problemas de convulsão, esse é outro caso, mas segura um pouquinho 37,8, 37,9, 38, que tá legal. A gente não vai ficar colocando remédio, ele não sobe a temperatura.
Eu acho que era até bom tu explicar isso um pouquinho melhor, Diogo. Porque eu fico imaginando, a célula deve ficar indignada, né? Tô tentando resolver o problema, esse filho de uma mãe vai lá e mexe com ela. Explica pra gente aí, Jô.
É, o nosso sistema imune, ele não tá funcionando perfeitamente na temperatura normal do corpo, que é 36,5, 36,6. Ele não tá legal nesse contexto. Vamos supor que uma bactéria invada a tua corrente sanguínea. Nisso, o teu próprio, as tuas próprias células de defesa, elas produzem ali quimiocinas, elas produzem citocinas, que são pró-inflamatórias. E nessa pró-inflamação chega esse sinalizador ao hipotálamo. Ele entende como necessário regular a tua temperatura para cima.
Ele regula a temperatura para cima para quê? Para que as células estejam na sua maior atividade quando se fala de defesa. Estando ela numa atividade muito legal, ela vai conseguir combater melhor essa infecção que está havendo. Se você chegar a temperaturas extremas, 40, 40 graus e meio, vamos supor, Você faz desnaturação proteica e o pessoal morre disso realmente. Então por isso que tem que fazer um controle. Agora, temperaturas que são subfebris ou febres iniciais ali acima de 37,8, 38, elas vão se tornar o necessário.
E aí a criança tá com febre, que que a avó faz? Encher ela de coberto. E pô, tá lá igual maluco, né, tentando trabalhar e deixar a temperatura ideal. E daí vai lá o ser humano e enrola em 10 cobertores, em 2, em 2 mangas de pirona, 1 grama, 1 grama de pirona.
Só tem no Brasil esse negócio, não tem lugar nenhum, é proibido em tudo que é buraco de pirona que entra. E aí você joga um comprimido de 1 grama de pirona para dentro, enrola, faz um charuto com a pessoa, criança, e não deixa rolar, né?
Então isso é importante saber, que temperatura a mais não é ruim. Mas o excesso de temperatura a mais é muito problema aí sim, assim como hipotermia. A hipotermia, eu vou ter uma temperatura aceitável, só que abaixo disso a pessoa vai morrer, ponto final, né? Então é isso que é o problema.
Exatamente.
Uma pergunta aqui para vocês: muitas vezes a gente ouve falar que sauna é muito bom, e depois da sauna tomar aquela ducha gelada, ou mesmo fazer aqueles banhos em o Furioso ali cheio de gelo, a banheira, um tonel de água azul, aquele quando a gente era moleque, brincava, jogava molecada dentro e jogava morro abaixo. Como é que funciona isso? Como a sauna, que é uma coisa que provoca um calor, tanto sauna quente quanto sauna úmida, provoca de benefício no corpo da pessoa?
Porque muitas pessoas indicam isso como hábitos saudáveis que fazem com que você tenha uma resistência maior, que é bom para o corpo, etc. Como é que esse negócio de entrar na piscina de gelo, uma, um lugar cheio de gelo, passar um frio dos diabos ali, e também a sauna, que teoricamente as duas situações são desconfortáveis, podem promover uma saúde melhor para o corpo daquela pessoa?
Tá, rapidão aqui, Fabião. Só um ponto importante, a brincadeira do barril, dos pneus de trator e tal, fazem falta. Era muito legal.
Não, essa é politicamente errada, não pode mais, enfim.
Mas colocar em pneu de trator ou outra coisa e descer o morro, ou pegar o quanto é bom colocar um filho dentro de pneu de trator daqueles grandes, cara, empurrar no morrinho não tão alto ali, porra, ele cria Memória excepcional para as crianças. Falei, fala, Leandro.
Vamos lá, tempos bons, good times, né? Vamos lá, qual que é o problema maior? O problema maior da sauna, primeiro assim, a sauna ela faz bem, tá, gente? Não vamos radicalizar. O problema é que essa mudança brusca de temperatura ela acaba sendo perigosa, porque você sai de um calor gigantesco, inclusive tem tempo para você ficar lá dentro, né? Se eu não me engano, acho que a sauna é uma criação finlandesa, não é? Tem até um concurso aí, se vocês já viram, que a galera chega, já viu isso, Diogo?
Eles chegam tipo, sei lá, 40, 50 graus, a carne, cara, começa a cozinhar. Sim, sim, morre gente lá dentro, para vocês terem ideia. O negócio é um negócio muito louco, tá? Mas enfim, então qual que é o problema? Quando a gente tem a ducha gelada de forma brusca, você tem várias questões que podem ser fator de risco. Primeiro que quem é cardíaco com sauna com essa característica não rola. Então é importante que pessoas que são cardiopatas tenham bastante cuidado com a sauna, porque você tem todo um desequilíbrio aí de eletrólitos, tem um monte de coisa de frequência cardíaca.
A gente pode comentar isso em outro momento. Outra coisa que vai acontecer é a mudança de pressão, né? Você tá num calor gigantesco, vaso dilatado, e aquele calor, e você joga um banho de água fria, né? A pressão alta ali já tá elevada, você tem um descontrole. Isso pode fazer com que os pacientes, eles possam ter, se a gente vai para função cardíaca, arritmia. E aí arritmia para um paciente que já é cardíaco é um problema. É comum que algumas pessoas apresentem tontura, né, quando você entra numa água gelada dessa forma.
Tá, mas o que que é o correto eu fazer quando eu saio da sauna? O correto é você fazer uma exposição gradual, porque essa mudança radical de você sair de uma sauna que tá te fritando e você ir para um local que te congela que faz mal para o teu corpo. E aí algumas pessoas podem sentir realmente aquela sensação de palpitação, a pessoa pode sentir, a depender de como foi essa exposição e o nível de calor, confusão mental. Então você tem um monte de coisinhas que acontece.
Em resumo assim, não é que a sauna seja ruim, pelo contrário, ela é bom para um monte de coisa. Problema é a temperatura que a gente coloca, que tem que ter cuidado. E o segundo, essa mudança de temperatura de forma muito acelerada. Aí a gente vai ter um monte de riscos aí envolvidos.
É o conselho da vó, Fábio: não saia, não saia do banho quente sem estar bem agasalhado. Pronto, essa sabedoria de vó. Lembra dessa história da boca?
Não, se fosse só a boca, tava bom, né? Eu tinha um medo, rapaz. Igual minha mãe falava, se eu saísse do banho, fosse para fogueira, eu ficava todo torto. Se tem uma coisa que eu tinha medo era de ficar todo torto. E ela falava, e ela sempre tinha uma história.
Tu também tinha aí, muito, cara, que segundo elas, elas tinham visto várias pessoas já aqui.
Isso é exatamente Cara, todo mundo tinha essa sensação.
A frase do Leandro aqui, né, cara, de a pessoa vai na sauna tipo 45 graus, sai, pula na piscina gelada, no banheiro frio, depois sai e fala, caramba, acho que eu não tô muito bem, meu coração disparou.
Tipo, porra, exatamente, é claro que vai disparar, cacete, seu coração, né? Se você tem perda de eletrólitos ali que tá envolvido, né, então você tá perdendo água, você tá perdendo sais. Isso tudo vai favorecer o quê? Arritmia. É fato, é função básica cardíaca. Aí o cara já fala: meu coração tá ruim. Ainda junta um monte de outros problemas, que normalmente a galera que vai para sauna vai com a cervejinha. E aí vai lá e toma cerveja.
E tem uma galera que pega, descobre onde é o termostato e joga a cerveja no termostato. Eu falo porque eu conheço um pessoal estranho, tá, gente? Não faça isso. Aí o que que você faz? A sauna tá lá a 70, daqui a pouco, e tu sai de lá e entra numa água, sai cheio de problema. E junta o álcool, que já desregula a função cardíaca e um monte de outras coisas. Aí o problema tá armado, né?
Esse culpa é esposa, né? Porque naquele dia ela fez você comer salada antes de comer a carne, né?
Vamos lá, o gelo. O que que o gelo pode fazer? Gelo é bom, é mau? Depende. É o processo, depende. Normalmente gelo na caipirinha é ótimo, tá? Funciona muito bem. É importante comentar sobre isso, né? No vinho jamais, no uísque também não, na cerveja só se for fazer cozumel, mas reduz o açúcar, o sal, porque sal demais a gente sabe que a pressão vai embora. No corpo eu já dei dicas culinárias, agora eu vou para o corpo. É bom quando a gente tá pensando em dano muscular?
Sim, tá, Fábio. Por isso inclusive que a gente vê muito isso em lutadores de UFC, jogadores de futebol também. Por quê? Porque ele reduz a dor do músculo, principalmente quando você tá partindo para um para algo que demanda muita colisão. Se ele reduz essa dor, ele também auxilia para diminuir essa sensação de inflamação. Por isso que esse trabalho que as pessoas vão lá e deitam, fica só com pescoço fora. Claro que tem tempo também, meu povo.
Não vá deitar numa banheira de gelo e ficar lá não, que tu vai ver Jesus. Então assim, tem um tempo para ser feito isso. Tem trabalhos que mostram que pode auxiliar para você tolerar mais o estresse. Então funciona bem. Quando que o negócio ele começa a ser problemático? Quando você fica tempo demais. Outra questão: quando é paciente cardíaco, tá? Mais uma vez, paciente cardíaco tem que ter cuidado, gente. Na verdade, a gente tem que ter cuidado com um monte de coisa.
E na verdade também, se a gente for começar a prestar atenção, a gente quase não vive. Eu entendo isso também. Por exemplo, se a gente vai começar a ver e trabalhar com questões de idade, né, depois que a gente passa dos 25 para 30— olha que eu tô falando de 25 para 30, A gente já devia parar de fazer um monte de coisa, um monte de coisa simples. Por exemplo, brincar ali na montanha-russa, jamais. Depois dos 30 anos, montanha-russa é contraindicado.
Inclusive, é sério, é sério, Doutor Diogo, não me deixe mentir. Na neurologia, aqueles impactos ali, principalmente para você ter um acidente vascular, é assim, ó, um pulo. Mas eu nunca vi ninguém tendo acidente vascular. Vá pensando, tá? Nem todo acidente vascular ele vai ser sintomático, ele vem no momento. Então tem um monte de questões aí que a gente vai ter que segurar. Então quando evitar? Quando o paciente tem pressão descontrolada, então esse caso da banheira de gelo não é boa.
Quando o paciente tem arritmia, doença cardíaca, são coisas que a gente acaba não indicando, tá? Período gestacional, mas período gestacional não pode fazer nada literalmente, né? Mas seria essas características.
Boa, o Diogo. Eu me lembro de um bate-papo nosso aqui, cara, que trouxe uma questão do aumento de suicídios e de vários problemas também correlacionado ao aumento de temperatura. Você tinha visto um estudo em algum lugar sobre isso?
Então, Ivo, tem um estudo realmente que até para as nossas pesquisas do podcast a gente acabou trazendo ele, que é lá de 2000, desse ano na verdade, de 2026, que mostrava que a cada grau de aumento da temperatura mensal essa taxa nos jovens entre 15 e 24 anos aumentava mais ou menos uns 3%. E por que que isso aumenta tanto? A gente sabe, é aquilo que o Leandro falou. Se você tá no modo sobrevivência, o teu córtex pré-frontal não tá mais analisando nada.
Você tá ali no calor extremo, você vai utilizar um córtex pré-frontal para quê? Para ficar analisando o que é o bom da vida, o que é bom trabalhar, que é bom estudar, que a vida tem sentido e não sei o quê? Então a gente sabe que temperaturas extremas elas acabam deixando sim as pessoas com mais chance de cometer algo contra si mesmo, mais depressivas. E aí o que você tem que analisar é o que que nós podemos fazer diante disso, que é aquele ponto que o Fábio trouxe, que é um ambiente talvez mais climatizado, uma política pública.
E aí eu bato forte em questões governamentais, porque um país pobre como o nosso, você— eu lembro de uma pessoa que a gente recebe muito intercambista aqui na nossa região, E o pessoal fala, vocês passam muito frio, muito calor aqui no Brasil, porque as casas não são adaptadas para nada. A gente não tem adaptações nem para o frio nem para o calor. No verão passa muito calor, no inverno passa muito frio. Eu falo da população geral isso.
E é importante você notar que a climatização dos ambientes talvez trouxesse muito mais conforto mental para as pessoas. Então nós precisamos realmente disso, é algo notório, não tem nem o que questionar.
Esse trabalho inclusive foi publicado na Lancet, né, uma revista científica muito boa. Sim, sim, ele deu uma polêmica bem grande. Mas é, e não é só para isso, né, a gente pensa nessa característica do sul em si, sul em si, em si, tá, gente, em si eu falando da condição. Mas a gente tem outras questões, né, a própria depressão Depressão pode estar associada, ansiedade pode estar associada, né? Então assim, você tem um universo de coisas que em decorrência do calor extremo o corpo ele acaba, acaba desregulando.
Mais uma vez, a gente é um grande ecossistema, o corpo ele é um grande ecossistema, né? Que se a gente for olhar, a gente tá aqui só mantendo, auxiliando para que esse ecossistema ele funcione de forma menos equivocada possível, né? Seja mais assertivo. Só que quando você desregula, principalmente a gente pensa em calor, a gente tá perdendo aquilo que é o mais importante para a gente, que é água. Tem que estar muito claro, perdeu água, gente, quer ter um problema sério?
Podem perceber, o dia que vocês bebem menos água, ficam mais irritados, ficam mais agressivos, dormem mal, pensam mal, a memória fica terrível, principalmente memória operacional de curto prazo, memória de trabalho. Então quando você começa apenas a regular a tua ingestão hidrática ali, você já vai ver que teu corpo até fica mais, mais vivo.
Por quê?
Porque ele é composto de líquido. A gente é líquido. É tanto que quando tem, a depender da condição, essas mortes tristes que a gente vê muitas vezes em determinadas situações, sei lá, carbonizada, algo do tipo, você perde líquido, você fica com 1 metro. Pessoa que tem 2 metros e pouco fica uma coisinha. Por quê? Porque você tá perdendo muito líquido. Tá, então pensando pela característica psicológica da coisa, a gente não é só na questão do que foi comentado agora, mas nos fatores depressão e ansiedade principalmente, que é o que pode aparecer.
E em alguns casos também você pode ter uma piora significativa ou até sintomas semelhantes a quadros psicóticos.
Ô Leandro, agora é engraçado, né, cara, vocês comentando, porque é muito comum de ver as pessoas falarem por exemplo, o Brasil é um país super ensolarado, super feliz, etc. E você pega outros países como Canadá, por exemplo, a gente fala muito daqui do transtorno afetivo sazonal, né? Ou seja, muita falta de sol, você acaba tendo impacto serotonina, etc. Isso acaba mexendo muito com você, com ganho de peso, com seu humor, tudo mais. Agora ninguém fala disso, né, desse transtorno sazonal ligado ao verão.
É muito difícil.
Por que será, cara? A gente não vê essa discussão.
Só complementando, só complementando, ô Leandro Diogo, essa pergunta do Ivo, muito legal. As pessoas não falam disso e também não falam o que acontece quando a pessoa tem esclerose múltipla e o que acontece se ela ficar no ambiente não climatizado. Uma pessoa, por exemplo, que também tem alguma neurodivergência, TEIA, enfim, são pessoas com perfis que são mais suscetíveis a essa questão de Variação de calor também, né?
Perfeito. Vamos lá. Primeiro, por que que não se fala muito disso, ô Ivo? Porque não se fala muito de várias outras coisas também, né? É o que a gente sempre comenta. E por isso que esse trabalho que a gente faz aqui, ele é um trabalho que, para além de qualquer coisa, ele é muito importante porque a gente tira a ciência da bancada, né? E a gente coloca a ciência para vida. E a ciência é isso, ela tem que se translacionar. Eu comentei uma vez que se a gente não partilha ciência, ela não é ciência, ela é privilégio.
Então, por que que não se fala? Porque não é de interesse, né? Não é de interesse para o sistema, não é de interesse para o mercado, não é de interesse para vários fatores. Mas a gente sabe, é cientificamente comprovado, você explicou isso muito bem, né? Quantas vezes a gente não colocou isso no campo poético ou no campo literário, de que o dia cinzento é um dia triste, né? Ah, são dias tristes, parece sem vida. Inclusive, a depressão causa na gente uma cromatopsia cortical, né?
A depressão te tira a possibilidade de perceber cores. Devido à alteração do giro temporal inferior. Mas quando a gente vai para essa questão propriamente dita, é isso, desregulação de serotonina, né? A luz solar, ela é importantíssima para a gente regular a serotonina. E serotonina, dentre algumas funções, ela também, não sozinha, mas com outros agentes químicos, ela nos auxilia para regular o humor. E não se fala, por quê? Porque não é interesse, não é interesse do mercado, tá?
Infelizmente é isso. A ciência por si só não é interesse. E aí, o que é mais interessante para as pessoas? E a gente vê isso Ou você tem uma visão extremamente negacionista, você trazer receitinha de bolo de cenoura sobre ciência, né? E a gente sabe que não funciona dessa forma.
E a outra parte que o Fábio complementou ali, pode falar, Diogo, que ele fala sobre piorar os sintomas de algumas doenças no calor. Isso ocorre mesmo, por exemplo, na esclerose múltipla, o fenômeno de UTOF, que a gente chama. Em que você, primeiramente, a desmielinização dos axônios do neurônio ocorre na esclerose múltipla. Então o impulso elétrico é muito mais devagar, e a cada meio grau mais ou menos que aumenta de temperatura, esse impulso fica pior ainda.
Então não é incomum a pessoa ir para academia, o corpo esquenta, e ela tá quase sem conseguir andar depois da academia por causa disso, ser obrigada a colocar no chuveiro gelado, em algo assim, mas É algo específico de algumas patologias realmente que acabou ocorrendo. Mas vamos lá, isso aí, Ivo, manda ver.
Boa, deixa eu puxar aqui agora. A gente falou um pouco sobre a questão do sono, né? Discutiu várias vezes a sua importância do sono com relação à nossa saúde mental, decisões, etc. Mas pelo que a gente tá falando aqui, o dormir no calor então ele tem um quê a mais aí, né? Não é somente aquela falta de sono que a gente vai ter, já que você vai ter um impacto direto ali com relação à temperatura corporal, temperatura do cérebro, etc.
Eu queria que você explorasse um pouquinho sobre isso, cara. Eu acho que pode ser bem interessante o pessoal entender também o que acontece efetivamente no cérebro ali se eu tenho a privação de sono, que já é ruim, e quando eu atrelo a isso ainda você dormir, por exemplo, em ambientes que são quentes. Acho que isso pode ser bem legal, interessante o pessoal também.
Tá, antes de tudo é importante a gente dizer que o nosso cérebro ele tem, por uma questão fisiológica, o aumento de temperatura a determinar, a depender do estágio do sono. A gente sabe que o nosso cérebro aumenta 0,2 graus Celsius quando você tá ali no sono REM, né? Então você tem um sono de ondas lentas, você vai para o sono REM. Claro que o sono REM é aquele sono que você tem que, não que os outros não seja importante, a gente sabe que é e muito, mas é um sono de higienização, é um sono de consolidação de memória, é um sono de eliminação de memória.
Memórias também, porque a gente dorme não só para lembrar, mas a gente dorme para esquecer. E que bom que a gente esquece. Então você já tem uma mudança fisiológica de temperatura nesse estágio. Que beleza, que bom que nós temos isso. E quando a gente pensa no sono, só no ritual do sono em si, a gente tem um monte de outras questões que precisam ser ponderadas, né? Por exemplo, aumento do calor, a pessoa demora para dormir. Isso é fato, né?
Quanto mais quente, mais você fica para um lado, para o outro, para o lado, para o outro. Outra questão que a gente vê no calor: você tem inclusive uma piora de sono REM. O sono REM, ele vai reduzir. E aí, se você tem piora de sono REM, você demora mais para dormir, você tem muito mais, você acorda muito mais à noite. Então esses despertares noturnos, eles acabam elevando. Em contrapartida, os sintomas, eles vão aparecer. Você vai despertar com sono totalmente fragmentado, a sua ciclagem do sono não foi correta, o seu tempo de sono REM foi ruim, seu sono de ondas lentas não conseguiu funcionar muito bem.
Por isso que a gente faz inclusive as avaliações eletroencefalográficas, até para a gente ver como que esse sono ele tá ciclando, até para a gente ver se tem grafos, elementos do sono, fusos do sono, ondas agudas do vértex. Você tem um monte de coisas, as hipersincronias, tem um monte de coisa que você consegue ver no eletro que é importante para você entender a qualidade do sono desse paciente, né? E aí, se eu durmo mal, qual que é o efeito disso?
Irritabilidade, ansiedade, tudo aquilo que a gente já conhece, né? O paciente pode apresentar muito mais dor de cabeça, mal-estar. Então eu diria que o problema maior é esse. Por quê? Porque até para você conseguir deitar e dormir, você tem que estar todo o teu mecanismo químico, todo o teu ecossistema. Mais uma vez que eu já falei essa palavra hoje 100 vezes, mas ela é importante. Relativamente regulado. E aí sim você consegue entrar em repouso, você consegue ter o sono profundo, tá? Mas as características principais são essas mesmo.
Mas na prática, então, se eu tenho temperatura muito alta também, o que a gente, aliás, a gente pode dizer que o cérebro não consegue fazer uma transição e que vai impactar inclusive na questão do sistema linfático nosso, né?
Exatamente.
As toxinas de poda neural e etc.
Não, não só não consegue, quando faz ele não consegue fazer o ciclo corretamente. Você entrou em sono, mas para você atingir o sono REM é muito mais difícil.
Boa, cara. E se a gente falar de desidratação? Porque assim, é muito comum você ver o pessoal também comentando sobre, ah, está desidratado, pensa em corpo, né, pensa em músculo, você tá com sede, etc., mas ninguém fala do impacto da desidratação ali no nosso cérebro. Eu acho que vale para esporte de alto impacto, cara, vale para muito calor, etc., também. Se a gente parar para pensar que nosso cérebro tem mais de 70% da formação dele é água, quando começa a desidratação também, aquelas dores de cabeça que são muito comuns, ela pode ter muito a ver com isso também, né.
Que se eu começo a ter uma desidratação, cara, tem muita água ali, eu não tenho isso, de certa forma eu vou ter quase que um encéfalo mais encolhido, né, se afastando ali do crânio por falta de água. Esse poderia ser um dos motivos daquelas dores de cabeça que a pessoa fala assim, nossa, tava no calor, do nada deu dor de cabeça. Porra, não é do nada, a gente sabe, dores de meninge, né?
O cérebro não tem receptor de de dor, viu, gente, nossos receptores. Então o cérebro por si, ele por si segue muito bem, obrigado, tá? O cérebro não dói. O que dói são as vascularizações de menisco, tem outras questões ali, o professor Diogo pode falar disso muito melhor do que eu. Mas em resumo, né, desidratação reduz volume de sangue, reduz o volume de sangue, reduz aporte de oxigênio, reduz aporte de oxigênio, também reduz aporte de nutriente, glicose, tudo aquilo que o cérebro precisa. Ferrou-se. Vai lá, Diogo.
Na verdade, é uma reação em cadeia, Ivo, porque é isso que o Leandro falou. Realmente, você perde água, você vai perder volume. Então, para você chegar o sangue até o local correto do teu cérebro, você vai acabar perdendo oxigênio. Então, menos oxigenação, teu cérebro funciona pior, você vai ter mais dor de cabeça por essa razão que o Leandro falou. Realmente, realmente que você tá desidratado, tá? O cérebro não tem terminação nervosa, aquela vascularização tem.
Então é por isso que também você acaba ficando com uma sensação diferente. E aí, com o passar do tempo, você impacta no quê? Formação de neurotransmissor, reações químicas, enfim, tudo vai acabar desajustando. E nesse desajuste você acaba perdendo muito, muita memória, muita cognição em si. É tudo isso que vai vai ocorrer com o passar do tempo.
Tá boa, Fabião. Tenho só mais uma para fechar aqui, tá batendo em cima do nosso tempo também. Se tiver alguma outra por aí, já deixa no gatilho. O Leandro falou agora há pouco, quer dizer, acho que foi ele, sobre a questão de eletrólitos, né? Se a gente pensar muito, cara, nesses dias que a gente tá agora com calor batendo ali, 38, 39, 40 graus e por aí vai, o que que dá para fazer para dar uma enganada ali no hipotálamo nosso, ou efetivamente não para enganar, mas para ser mais efetivo só água, reposição de eletrólito?
Isso, tô pensando também aí que os disparos nossos são de sódio e potássio. Se eu não repor eletrólito, teoricamente só água não resolveria. Tô certo nesse ponto ou não?
Tá certo, mas não é aquela coisa, nossa, é a pessoa mais certa que eu já vi, não. Mas tá de tudo errado. O que que a gente pode fazer? A gente tem que beber água, primeira coisa, bebe muita água. Segunda coisa, em alguns casos, quando se torna um pouco mais emergente, um sorinho de reidratação. Vá no hospital, não vai sair fazendo as coisas sozinho. Outra coisa, e aí com muito cuidado, tá, gente, mas é muito cuidado com que eu vou falar, porque as pessoas adoram interpretar mal, principalmente a fala desse, desse nobre rapaz que vos diz O sal, com moderação, ele é importante na alimentação.
Por quê? Porque o sódio, ele é o principal eletrólito que a gente acaba perdendo no suor. Ah, então agora eu vou meter sal na batata frita? Vá que você vai morrer, tá? E tudo bem se é a tua escolha essa. Então, é outra coisa, alimentos ricos em potássio, banana. Coma banana, meu povo. Uma hidratação das melhores hidratações que eu indico e que o corpo ele gosta bastante, água de coco, né? Água de coco é importantíssimo, abacate.
Então tem um monte de coisinha que dá para ser feito aí que auxilia para essa reposição, porque a gente acaba realmente tendo um desequilíbrio, porque perda hídrica vai fazer com que a gente tenha aí também esses eletrólitos indo embora.
Na verdade, Ivo, é tudo uma questão, como Leandro fala, de equilíbrio. Não dá para tomar, por exemplo, 10 litros de água e nem ficar tomando 500 ml todo dia. O nosso corpo, ele tem um limite de aceitação para tudo. Ao mesmo tempo, demonizaram certos alimentos, e o sal, ele é um tempero demonizado, porque não, não pode comer nada de sal. Mas na verdade você precisa de sódio. Exato, nós precisamos de sódio também. Não tem como você não comer sal.
O problema é que o hipertenso vai lá e coloca 1 kg de sal na batata frita, no arroz, no feijão, na carne, em tudo, e daí faz faz problema, claro que vai dar problema. Então é esse equilíbrio. Tem algumas, alguns hoje sais de reidratação oral, por exemplo, em situações como de diarreia, que são totalmente benéficos para as pessoas. Você encontra em farmácia, você vai repor eletrólitos, você vai repor toda a glicose necessária, o sódio necessário para conseguir ter uma saúde boa.
Mas é fazer o básico, uma hidratação muito boa com água uma alimentação equilibrada e no limite, né, Diogo?
No limite, sim, que água em excesso, e essa água pura sem sais em si, em sol intenso, que é o que acaba acontecendo com calor, você acaba diluindo o sódio no sangue, né? Então não dá para você chegar também e falar vou tomar água até morrer, porque a gente vai ter um outro problema. Então é fazer, gente, é equilíbrio. A vida é equilíbrio. Anotem essa frasezinha: vida é equilíbrio. Porque a melhor coisa que a gente consegue aí, quando a gente pensa na nossa saúde, tanto do corpo quanto do cérebro, ou da mente, que ninguém sabe definir o que é mente, mas da mente também.
Boa!
Do subconsciente, que ninguém sabe definir também.
Ninguém sabe definir.
Ou do princípio de infarto. Princípio de infarto é ótimo, né?
Da dor da meninge, os mistérios da neurociência.
Ou o paciente veio a óbito, né? Morreu tu e o paciente quando ele veio a óbito, né?
Enfim, tem mais alguma pergunta aí depois dessa colaboração do Leandro?
Impossível pensar em qualquer coisa racional.
Eu tentei, Fábio, desculpa.
As minhas lembranças me levam para algumas coisas Não, eu só queria pontuar aquela questão de ilha anti-calor, que em termos de urbanismo sempre é muito bem-vinda. Arborização de centros urbanos, sempre procurando trazer essa questão e entender que a gente vai melhorar muito a questão de depressão, de ansiedade, ou qualquer problema de saúde, literalmente tentando equalizar essa questão de temperatura. A gente às vezes não sabe, a gente acha que um problema e um transtorno mental tem a ver com determinadas coisas aí.
Então, se tiver algum deles, procure um médico, procure mais de um médico, até uma terceira opinião, e vai se cuidar, pessoal. A gente já tá chegando aqui mais de uma hora, eu vou me despedindo por aqui que eu vou ter que sair, mas foi um prazer estar com vocês. Esse tema é muito legal, a Copa trouxe luz a esse tema. E é legal que a gente possa discutir um pouquinho aqui e aprender sempre muito com o Diogo, com o Leandro e com você, Ivo. Um abraço a todos.
Valeu, Fabião, obrigado, galera. Para vocês que estão ouvindo a gente, acho que um dos principais recados que a gente tem aqui é: reconheça que em dias de calor extremo suas funções cognitivas estarão sim impactadas. Então evite discussões, evite tomada crítica de decisão e tudo mais, que efetivamente vai estar comprometido nesses dias. Como vocês bem ouviram aqui, o Toledo, Diogo. Deixo vocês para o fechamento com eles. Nos falamos daqui a uma semana, possivelmente, sobre algum tema que a gente não decidiu ainda.
Mas obrigado pelo tempo, pelo carinho de vocês. Esse foi o nosso temporada 5, episódio 18. Falamos sobre sobre os impactos do calor em nossas decisões, seja ele dentro da Copa do Mundo ou fora da Copa do Mundo. E como sempre, vocês nos encontram lá no @podcastcelebrando, no YouTube, no Instagram, no Deezer, no Spotify e todas as demais redes. Deixo vocês aqui então agora, tô de olho, tô olhando para terminar esse bate-papo. Valeu, gente!
Valeu, galera, obrigado! E estamos na área. Se derrubar é pênalti. E que dê tudo certo com o Brasil no próximo jogo. E que o atacante da Noruega ele esteja com muito calor e jogue bem mal para a gente conseguir ganhar esse jogo. Eu desejo muito calor ao Haaland. Valeu, obrigado!
É isso aí, meus amigos. Então muito obrigado a todos mais uma vez. Vou terminar de uma vez, cara.
Frontal tá disparado depois dessa aqui, bicho.
Em resumo, muito obrigado a todos. Compartilhe nosso podcast, comente, nos dê sugestões, que tudo isso é muito importante. E boa Copa para todos e para todas. E também não vou falar mais nada porque senão meu pré-frontal estará— ele já tá meio que inibido, então a gente também desfrontalizar.
Já tô, estamos comprometidos.
Fui, obrigado, obrigado, meus amigos. Valeu, até o próximo episódio. Tchau, tchau, pessoal.
Tchau, tchau, tchau, tchau!