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T5E23 | A NEUROCIÊNCIA POR TRÁS DA NEURODIVERGÊNCIA

28 de agosto de 20261h22min
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E se a característica que você sempre considerou uma limitação pudesse ser justamente uma das razões para o sucesso? 🧠

Será que grandes líderes nascem prontos ou são moldados pelas experiências da vida? E será que a neurodiversidade pode ser uma vantagem justamente onde muitos enxergam uma limitação? 🧠

Nesse episódio recebemos o Daniel Rodrigues Alves, sócio e Chief Growth Officer da RE/MAX Brasil, para uma conversa inspiradora sobre liderança, empreendedorismo, neurociência, saúde mental e neurodivergência.

Ao longo do episódio, exploramos como o cérebro aprende com desafios, por que coragem e resiliência podem ser desenvolvidas, como as experiências da infância influenciam nossa forma de liderar e de tomar decisões, e o papel da neurodiversidade, incluindo a dislexia, na construção de carreiras de alto impacto.

Mais do que falar sobre negócios, este episódio investiga o cérebro por trás e mostra como a ciência pode nos ajudar a compreender melhor nossas escolhas, nossos comportamentos e nosso potencial de crescimento.

Se você é empreendedor, líder, profissional, estudante ou simplesmente deseja compreender melhor o funcionamento do cérebro e sua relação com a felicidade, a saúde mental e o sucesso, este episódio foi feito para você!

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#Cerebrando #Neurociência #SaúdeMental #Liderança #Empreendedorismo #Neurodiversidade #Dislexia #Psicologia #ComportamentoHumano #Felicidade

Participantes neste episódio3
I

Ivo

Host
F

Fábio

Co-hostAdvogado, professor de direito, teólogo
D

Daniel Rodrigues Alves

ConvidadoSócio e Chief Growth Officer da RE/MAX Brasil
Assuntos6
  • A neurodiversidade como vantagem na liderança e no empreendedorismodislexia·neurodivergência·liderança·empreendedorismo
  • A necessidade de higiene mental e terapia para a saúde mental no ambiente de trabalhosaúde mental·terapia·ambiente de trabalho·burnout
  • A fé, o foco e a disciplina como pilares para alcançar os sonhossonhos··disciplina·neuroplasticidade
  • A importância da resiliência, coragem e vontade de mudar para grandes líderesresiliência·coragem·liderança·neurodiversidade
  • A diversidade cognitiva como fator transformador nas organizaçõesdiversidade cognitiva·cultura organizacional·Colgate
  • A importância de aprender com os erros e a ressignificação das falhaserros·aprendizado·resiliência·empreendedorismo
Transcrição60 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
DRDaniel Rodrigues Alves

E eu trago aqui um conceito que eu aprendi com Alain de Botton, que é um grande filósofo. Ele fala que felicidade não é um sentimento. Vou despontar um pouco aqui: felicidade é um exercício, é uma habilidade. Olá pessoal, bem-vindos ao podcast Celebrando. Eu sou Daniel Rodrigues Alves, sou o Chief Growth Officer, o vice-presidente de marketing da RE/MAX Brasil, a maior imobiliária do país. E hoje estou aqui com vocês, com os meus amigos Fábio e Ivo.

Então tô dando boas-vindas com eles para vocês, para a gente falar de liderança, empreendedorismo, para falar de neurodivergência, falar de tudo que faz a gente ser um ser humano íntegro e de alta performance.

?Voz B

Boa, Daniel, obrigado, cara. Fala, pessoal, bem-vindos ao podcast Celebrando. Estamos aqui hoje com episódio um pouco diferente. Ao invés de ficar falando muito de neurociência pura e de saúde mental, a gente vai tentar correlacionar tudo aí dentro de um lugar só. Aproveitando o nosso super convidado aí, o Daniel, que tem um currículo de peso. Ele já se apresenta aí para vocês também e vamos ter um papo hoje que ele vai então de neurodivergência, a liderança, empreendedorismo e, claro, a neurociência também. Junto com a gente aqui, apesar de um pouco sumido, tá de volta Fabião.

?Voz C

E aí, Fabião, tudo bem, pessoal? Bom dia, boa tarde, boa noite. A gente nunca sabe quanto vocês estão acompanhando o podcast ou nos vendo. E hoje a gente veio com mais uma demanda aí da audiência pedindo para a gente trazer lideranças e que tem um perfil assim multifacetado. A gente conseguiu um espacinho na agenda do Daniel. Daniel já passou por mais de 26 países, empresas como Gillette, Hewlett-Packard, Pizza Domino's, enfim, Colgate-Palmolive.

Hoje está à frente inclusive como sócio da Rimax, a maior imobiliária do Brasil, como ele diz, e também uma franqueadora master aqui no Brasil com crescimento absurdo. E que tem uma experiência corporativa de empreendedorismo e também de neurodivergência, o que a gente sempre fala aqui no canal. Então a gente gostaria muito de dividir um pouco isso com vocês. E obviamente eu vou deixar a primeira pergunta aqui para o Ivo. Ivo, o que que você quer saber do Daniel hoje, cara?

?Voz B

Na verdade, antes de saber, eu queria que ele se apresentasse para galera entender um pouquinho direto por ele aí quem é o Daniel, o que que ele faz, por que que Ele veio bater esse papo com a gente aqui. Pode ser, Daniel?

DRDaniel Rodrigues Alves

Claro, vamos lá, vamos lá. Primeiro, muito obrigado pelo convite. É uma honra tá falando com todos vocês aqui. Sou Daniel Rodrigues Alves, antigo Daniel Alves. Eu tive que relançar minha marca recentemente por motivos óbvios. Como eu sou um cara de marketing, de vendas, foi natural. Eu me senti confortável em relançar a marca. Minha avó gostou muito, ela falou, finalmente esse menino tá usando o nome completo, né, que Rodrigues Alves é o nome composto.

E sou um caboclinho lá do Amazonas que sempre sonhou grande. Sou de Manaus, nascido e criado em Manaus, e desde muito cedo o marketing, que eu chamo que é people in, porque na verdade você é alguém de marketing, executivo em marketing, Você tem que entender profundamente de pessoas, estava nas minhas veias. Vim estudar em São Paulo muito cedo e aí comecei a construir uma carreira em multinacionais e passei aí por essas empresas que o Fábio falou.

E o mais importante é que essas empresas me trouxeram essas oportunidades tanto aqui como em Nova York, no México, na Espanha. Foram oportunidades de conhecer diferentes culturas, diferentes motivações, e isso é algo incrível. E nessa viagem toda, não importa o cargo, não importa o quão sucesso você tem, eu acho que a grande medida é as relações que você construiu no caminho e as pessoas com quem você encontra e faz uma troca, e isso te ajuda a ser cada vez melhor.

E empreendi por 8 anos, voltei depois de 13 anos fora para o Brasil, Me apaixonei por Floripa. Então, amazonense que fugiu para Floripa. Não aprendi a surfar, mas que um dia eu vou aprender. Pera aí que essa aposentadoria daqui a pouco chega. E aí empreendi por 8 anos lá, depois de 22 anos como executivo. Abri 4 empresas, 3 delas estão vivas, muito bem vivas. Uma que é relacionada à dislexia, a donlexia, Virou hoje instituto, Instituto Domlexia, que se dedica a detectar a dislexia muito cedo na vida da criança para que ela não tenha que passar por todo um processo difícil.

Eu próprio sou disléxico e também sou disgráfico. Repetir a alfabetização, olha só, acho que se a gente conversar com algumas pessoas disléxicas e disgráficas A gente vai descobrir que muita gente passou por isso, né? E naquela época, imagina, anos, o começo dos anos 80, era, não se falava disso. Então eu fui taxado quase de burro quando não era. E mas graças ao meu pai, eu vou contar mais essa história, superei isso. E como eu tava falando, voltando para Floripa, 8 anos de empreendedorismo, mas O bichinho do executivo sempre volta, né?

Sempre me pica. E aí eu vim conhecer uma cultura incrível que é a da RE/MAX Brasil. A RE/MAX é a maior rede de imobiliárias do mundo agora. Na verdade, são 180 mil corretores e 11.300 desses corretores estão no Brasil, e com 600 lojas. Então é um trabalho muito gratificante porque É mudar a vida das pessoas. Quando as pessoas vendem, compram imóvel, elas estão tomando uma decisão muito importante de vida. E aí é onde a gente entra com confiança, segurança, e entender essas pessoas e trazer para elas algo que resolva um desafio real da vida delas, que ajude elas a resolver um problema ou evoluir na vida, é muito especial. Então este sou eu.

?Voz B

Pô, muito bom. Eu acho que criar uma experiência, quando você fala de imóvel, né, porque muita gente só olha a compra e venda, mas é bem o que você falou, para pessoa que tá comprando, decisão super importante. Eu queria pegar esse gancho depois aí, puxar um pouquinho dele para a gente trazer um assunto também, mas já começar com o que eu acho que é bem interessante, porque Fabião falou sobre neurodivergência, né, a gente falar um pouco disso daí.

E muita gente às vezes acha que a neurodivergência é um diagnóstico médico e não é. A neurodivergência é um termo criado para entender o cérebro de algumas pessoas que funcionam de forma diferente do cérebro padrão. E aí você trouxe algo muito importante quando você falou da dislexia, né? Porque aí você mesmo comentou que teve dificuldades, o pessoal olhava e falava, pô, mas o que que tá acontecendo? Que burro, não sei o quê. E aí a gente acaba caindo num conceito que ele é muito legal você ter trazido para cá, que eu quero pegar a liderança dislexia.

Que a gente sabe hoje que a dislexia ela não tem uma relação direta com inteligência, ou seja, você pode ser dislexo e ainda assim ter um nível de inteligência muito alto. Mas o mercado, não vou falar de forma geral, né, mas acho que a internet acabou trazendo uma ciência ou uma neurociência que a gente tem visto por aqui muito rasa. E aí as pessoas acabam ouvindo, a primeira coisa que ela lê ela já acredita, né? Ah, ser disléxico é isso, neurodivergente é isso.

E geralmente é bem o contrário disso. E a sua história, cara, mostra muito disso, principalmente por ter escolhido Floripa, né? Porque não tem como se apaixonar por Floripa. Talvez de todas as decisões, essa foi a que mais me chamou atenção, cara.

DRDaniel Rodrigues Alves

Que você foi muito certo. Mas eu voltei para São Paulo, tô de volta em São Paulo.

?Voz B

Depois aí a gente tem um outro problema no seu cérebro então, cara, porque sair de lá, vai para São Paulo.

DRDaniel Rodrigues Alves

Mas eu sou, olha, olha só, eu tramei muito bem porque eu trouxe meus pais de Manaus para Floripa e minha irmã. Todo mundo tá morando lá agora, eu tenho casa, duas casas para ir. Não pago por elas, então só fico com a parte boa: família e casa de graça em Floripa. Olha só como a volta que eu dei, é uma vantagem, né? Com certeza.

?Voz B

Eu quero ver alguém com dislexia agora olhar para entrevista, bate-papo nosso Daniel aqui, falar: caraca, vai ter que mudar a perspectiva minha agora, depois do currículo. Cara, deixa eu começar com uma provocação aqui. Claro, a experiência sua, um pouco você contou para gente agora, traz uns pontos, são super interessantes, né? Eu queria saber, na sua visão, de onde que você acha que nascem grandes líderes, cara? Porque hoje já é lógico, quando a gente olha, que você não nasce sendo um líder, né?

O seu cérebro, ele vai sendo moldado com o tempo por experiências da vida, várias regiões do seu cérebro aí se correlacionando, trabalhando e tudo mais. Mas eu queria saber, na sua experiência, cara, Você acha que um grande líder, ele nasce já com o quê diferente? O cérebro vai só aperfeiçoando isso? Ou por experiência própria e as pessoas que você conheceu, conviveu, etc., você acha que é um pouco diferente a história?

DRDaniel Rodrigues Alves

Cara, é difícil, né, a gente colocar uma receita para isso. Eu acho que ela não existe realmente, mas acho que existem padrões e componentes comuns. Um grande líder é alguém que tem garra, tem ousadia, coragem e vontade de mudar algo. Geralmente essa vontade de mudar algo tá dentro da sua origem, né, e tá lá na sua infância. A gente sempre volta, o nosso propósito é movimentado pelo que aconteceu na nossa infância, muito, 80%.

E isso eu aprendi lidando com muita gente e trabalhando em marketing. Sportbet por mais de 30 anos. Então, grande líder desse padrão de coragem, ousadia e, cara, acima de tudo, dedicação. Eu acho que para você ser um líder, e um líder é sempre inovador na sua essência, você tem que ter uma resiliência muito grande e não desistir facilmente. Eu acho que essa é a diferença. E aí eu tenho até um dado que é muito interessante. Quando eu comecei a me assumir como disléxico e disgráfico, que você tem resistência, né?

Eu passei por um estudo que, se eu não me engano, é de Harvard, que fala que 34%— tem os seus dados— 34% da população carcerária tem dislexia e 34% dos grandes empreendedores do mundo são disléxicos. Aí vem, eu acho que aí o fator externo, né, da oportunidade de você, né, ter a tua condição ser aceita e a tua diferença, na verdade, ela ser aceita e ser incentivada da maneira positiva. Então eu acho que tem um quê aí de neurodiversidade na liderança, mas tem esses componentes que para mim são padrão.

Ousadia, resiliência, coragem, garra e vontade de mudar algo que tá lá no teu âmago, que mexe com teu propósito, que você fala: eu vou. É muito engraçado, Ivo, que desde os 10 anos de idade eu falava: eu quero ser marqueteiro, eu quero trabalhar em São Paulo, eu quero trabalhar em Nova York. Eu era muito determinado. E diferente até para uma criança, porque eu tinha muito claro na minha cabeça, Manaus fazia muito calor, eu falava, eu tenho que sair daqui, pelo amor de Deus, para um lugar mais ameno, e eu quero trabalhar em marketing, isso me fascina.

E Colgate era uma das empresas que me fascinava, então eu cheguei lá, né? E então era uma determinação muito grande e uma clareza e obstinação que não eram muito comuns. E que eu sinto muita falta hoje na juventude. Quem tem, tem, e tem uma disparidade muito grande essas características. E quem não tem, cara, dá para exercitar. É assim, muito da liderança vem também de estudo, esforço. Não basta ter esses padrões. Sempre estudei muito, estudei sempre 3 pilares.

É estratégia, como realizar estratégia e como engajar pessoas. Então estudo nunca termina, aprendizado nunca termina. As pessoas falam muito de long life learning, eu falo muito de life changing learning, que eu só escolho se vai mudar minha vida, porque lifelong learning, cara, estamos vivos, estamos vivos, estamos aprendendo. Até quem tá em casa sem fazer nada tá aprendendo alguma coisa. Agora, estudar algo que pode mudar tua vida, isso é essencial.

?Voz C

Pegando um gancho aqui no que você falou, Daniel, com relação à neurodivergência, etc., pegando sua experiência do ambiente corporativo e empreendedor que você se deparou, e até tendo consciência dos aspectos pessoais que você tem envolvido, que você antes como líder tratava de uma forma e que hoje você na Remax pública, levando em consideração essas questões relacionadas a um ambiente mais inclusivo, um ambiente em que compreende a pessoa, joga um desafio, coloca a pressão, mas ao mesmo tempo dá espaço para erro, dá espaço para tentativa, e literalmente faz com que todo mundo se sinta mais à vontade em prototipar uma gestão ou alguma coisa do gênero.

Ou seja, o que que mudou da sua experiência passando por um ambiente que não era nada, inclusive na década de 80, 90 e começo de 2000, e que hoje, com a sua vivência ampla nesse tema, te habilita a ajudar muitos outros líderes e até outras pessoas que porventura estejam passando por uma situação parecida.

DRDaniel Rodrigues Alves

Fabião, antes de colocar qualquer etiqueta, o que que eu aprendi? Isso é muito importante e você tocou numa coisa muito profunda. Anos 80, 90 eram anos de muito preconceito, preconceito, muito, muita falta de conhecimento das pessoas. Isso levava ao preconceito. Você tá falando de diversidade cognitiva. Antes de tudo, de colocar qualquer etiqueta de neurodivergência ou não, não importa isso, a gente quer diversidade de pensamento.

E é muito difícil nas organizações, ainda mais se as organizações têm uma cultura muito estabelecida é que elas sejam, deem boas-vindas a essa diversidade de pensamentos, né? E isso é uma coisa que eu insisti muito sempre na minha carreira. Todo mundo tem uma voz, mesmo que seja a mais diferente possível, porque a gente pode trazer uma perspectiva que a gente não tem. A gente não tem todas as respostas. E quando você tem pessoas que têm uma liberdade, se sentem num ambiente de segurança para compartilhar uma visão diferente, aí nós temos diversidade cognitiva, que para mim é a mais importante, porque engloba todo mundo, ela inclui, ela não é excludente.

E eu acho que essa é o maior desafio hoje nas grandes organizações, porque elas têm uma receita Essa receita está impregnada na cultura e é muito difícil quebrar os padrões do que já deu certo. Então passei por uma experiência aqui, contando um caso muito interessante na Colgate. A gente em 2013 viu, começou a ver a participação de mercado da Colgate, que é 50% dos cremes dentais no mundo são Colgate, é a marca que tem mais penetração ou presença nos lares do mundo. 7 em cada 10 lares no mundo compram pelo menos um produto Colgate uma vez por ano.

Não é Coca-Cola, não é Nestlé. A gente começou a ver a participação se manter, mas a base de usuários jovens ir embora, cara. E aí, nesse processo, a gente falou: a marca tá correndo risco. E essa estratégia que existe hoje não é a estratégia que vai nos levar para frente, porque ela não encanta mais os jovens. Agora, como é que você vai explicar para um CEO de uma blue chip na Bolsa de Nova York que ele tem que mudar uma estratégia de 200 anos.

É muito banho de diversidade cognitiva que você tem que dar para o cara, que a gente transformou um monte de dados para convencer uma mudança de estratégia que tornou a empresa, tornou a empresa, modernizou a empresa. A empresa era uma empresa sobre fazer caixinhas de creme dental, enxaguante bucal, escova, etc., para uma empresa de tecnologia, saúde, educação, dados, informação. A gente fez uma mudança de estratégia que era fazer produtos de alta tecnologia e qualidade de higiene oral para criar um futuro onde todos podem sorrir.

Opa, de repente eu sou uma empresa de futuro, de sorrisos, de impacto, E isso fez com que a ação em 8 anos dobrasse. E uma ação blue chip é aquela que vai devagarzinho subindo, né, organicamente na Bolsa de Valores de Nova York. Só que esse time não tinha nenhuma etiqueta ali de diversidade, neurodiversidade, mas tinha uma etiqueta de diversidade que era do time. Se juntou gente do Brasil, dos Estados Unidos, da África, Gente mais sênior, gente mais jovem, gente de todos os tipos, e todos foram ouvidos porque não era uma tarefa que só uma visão ia resolver.

E o CEO foi embora depois, tá? Porque ele falou, eu admito que eu não sou capaz de tocar essa nova Colgate. E veio um CEO com uma cabeça diferente para tocar isso, mas ele foi capaz de levar até esse ponto. Então isso é muito importante. Então você vê como a neurodiversidade, a diversidade cognitiva é muito importante nas organizações, e quando ela acontece ela é transformadora.

?Voz B

Tem uma coisa que você falou aí que eu achei muito interessante, ô Daniel, desde quando você começou a falar um pouco de você, né? Eu tô com dois pontos aqui. O primeiro é que assim, quando você trouxe para cá a necessidade de resiliência, acho que é um dos principais pontos aí para tudo na vida, na verdade, né? Que a resiliência te ajuda a construir pontes para aqueles abismos que você não consegue passar de uma vez, só que aos poucos ali você vai atravessando ele, e aí você conseguiu passar mais um desafio, você começa a ir embora.

Agora, quando a gente começa a olhar a resiliência, a liderança, a forma de pensar sua também, você falou que já tinha certeza que você queria fazer, o que é difícil, né? Porque eu sei lá, até meus 45 eu não tinha ideia do que eu queria fazer, cara. Dava certo um monte de coisa e mesmo assim mudava de uma para outra. Não, não é isso mais, quero outra startup, quero outro nível, ia mudando. E mesmo assim as coisas davam certo, mas eu tinha muita dúvida ainda.

E quando eu converso com uma galera aí no mercado, eu percebo a mesma coisa. E às vezes eles estão super bem colocados e fala assim, cara, eu tô aqui porque eu tô bem, mas não é que eu queria. Então é difícil encontrar esse perfil, né, que ele é mais já obstinado desde sempre. E eu tô puxando esse assunto porque para a gente falar desses quesitos agora de liderança, da preocupação contra as pessoas, da própria resiliência, pensando um pouquinho em neurociência, a gente tem que olhar algumas regiões do cérebro, né?

Eu tenho que pensar no mínimo aqui no meu córtex pré-frontal, que tá atrás da testa, já que eu vou ter que, cara, aprender muito sobre planejamento, sobre raciocínio, sobre resolução de problemas, sobre flexibilidade cognitiva. Eu tenho que saber que eu tenho o hipocampo, que é onde as memórias se consolidam ali, né, para que sejam aprendidas, que vai estar trabalhando muito, que eu tenho o estriado, que tá muito ligado à formação de hábitos.

Ou seja, eu vejo várias regiões do cérebro trabalhando, pegando informação. Cara, aqui você aprende, aqui você consolida, aqui você cria um hábito, aqui joga isso com experiência. E eu acho que isso acabou trazendo para você, pelo menos a gente olhando de fora aqui nesse bate-papo curto até agora, né, muito da capacidade que está falando. Mas eu queria entender um pouquinho, cara, do seu lado, de assim, sempre foi assim para você?

Você falou, cara, desde pequeno eu queria, desde quando era muito novo Eu já sabia que eu queria ser, seja pelo calor de Manaus que você falou, que era muito quente, seja por ter visto Nova York na televisão, essa aquela coisa incrível quando a gente é muito novo, etc. Imagina que tudo é diferente para caramba.

DRDaniel Rodrigues Alves

Mas esqueceram de mim, né?

?Voz B

Exatamente. Mas sempre foi assim, cara, porque as experiências elas vão moldando a gente, né? E os hábitos vão direcionando para o bem ou para o mal as coisas.

DRDaniel Rodrigues Alves

E aí Vamos lá.

?Voz B

E aí eu vim do seu lado porque eu acho super interessante isso de poder ouvir e saber, ainda mais estamos falando um pouquinho de neurodivergência, que a gente sabe que o cérebro funciona de uma maneira diferente, não errada, não diferente ruim, diferente do padrão que as pessoas conhecem, né? Isso que é importante, cara, simplesmente um funcionamento de um jeito diferente que não tem a ver com inteligência, que não tem a ver com muito que as pessoas pensam.

Mas achei interessante esse posicionamento seu de, cara, eu já sabia o que eu queria, E eu fui direcionando para isso já nos livros, nos cursos e etc., e nunca parei de aprender. Conta um pouquinho mais para gente, eu acho legal para a gente, para as pessoas ouvirem e falarem assim: caramba, mas será que então do meu lado aqui, eu que me deram um rótulo de neurodivergente, será que eu sou dislexo? Será que eu sou pior então, que eu não consigo ser inteligente, pensar como as pessoas?

Para elas entenderem, pensar como a grande maioria, até para eles entenderem e quebrarem, né, esse fluxo de informações aí. Porque já que estamos falando aqui na prática de algo chamado neuroplasticidade, que é a forma como o cérebro se conecta, se aprende, vai remodelando. É legal as pessoas saberem que assim, cara, não é o rótulo que te faz, é a sua vontade que tá por trás. Agora, no seu caso, você tinha vontade já que tava ali bem alimentada, né? Isso que eu achei interessante.

?Voz C

E aí essa alimentação, só complementando, Daniel, você teve inputs externos? Que inputs foram esses que favoreceram? Porque assim, uma coisa é ter um desejo que vem de algo inconsciente que você capturou e você não tem muito bem definido. Outra coisa vem do ambiente, que também favorece um tio, um primo, um chefe, enfim, um colega, um parente no exterior, e assim por diante. E tudo levando a neuroplasticidade e a construção, autorresponsabilidade em trazer isso para si, né?

DRDaniel Rodrigues Alves

É legal, cara. Eu ia falar exatamente como o teu ambiente, o que você vive, muda tuas conexões neurais. Isso é assim, Eu tinha muitas respostas, mas nunca deixei de ter muitas perguntas, tá, pessoal? Aliás, eu sempre tive mais perguntas que respostas, mas eu tratava— meu cérebro funciona muito por compartimentos. Se eu vou abrir um compartimento, vai entrar uma água aqui, eu vou ter que solucionar isso, eu não vou deixar invadir no outro compartimento.

Então deixa esse aqui meio sólido enquanto eu vou descobrindo o que que eu faço com esse outro aqui. Quem sabe eu vou expandir um pouquinho meu navio para um outro lado, né? Ou se ele ficar mais curvado para um lado, eu vou para uma rota mais interessante. Mas aí, vamos lá, teve uma influência muito grande, teve uma influência enorme o meu ambiente. A primeira coisa era uma— o disléxico, ele tem por característica ter uma criatividade, uma capacidade de leitura humana um pouco mais aguçada, teoricamente, do ponto de vista da dislexia.

E eu sempre prestando muita atenção nas pessoas e no que que aquelas pessoas conquistavam, o que elas queriam ser. Primeiro, eu ressignifiquei o que era marketing. Marketing não é campanha, marketing não. Marketing é você realmente criar produtos, serviços que resolvem desafios reais das pessoas. E isso tá ligado a um DRE que faz com que uma empresa seja mais lucrativa, que faz com que ela contrate mais talentos. E então o marketing tá no cérebro da empresa, então ele tá olhando desde o cliente lá fora, do consumidor, respeitando, colocando esse consumidor em primeiro lugar, é porque o domínio do consumidor e do desejo dele, o respeito por ele, é a grande o grande superpoder do marketing, mas o superpoder de realizar é o que eu fui aprendendo com o decorrer do tempo.

E nisso eu vi várias facetas que me satisfazem, que me trouxeram satisfação. Você tem um marketing muito mais estratégico, você tem um marketing muito mais comercial, vendas. Então eu fui navegando ali porque eu sempre tinha perguntas. Então deixa eu ir 6 meses para vendas. Fechar a primeira venda de toneladas de produtos é um tesão. E aí abre um desejo de fazer alguma outra coisa. Então não é que eu tava só numa categoria. Dentro da minha categoria, deixa eu ver, deixa eu ver como eu exploro, deixa eu ver como eu mudo de produto.

Ah, uma hora é limpador, uma hora é pizza, outra hora é lâmina de barbear, outra hora é sistema de inteligência artificial. Vamos ver como é que eu mudo o meu produto para ver o que que eu aprendo disso. E nessa história toda eu cheguei nos 42 anos e falei, minha vida tá muito definida, né? Eu tô há 13 anos fora do Brasil, eu sei onde eu vou, para onde eu vou ser promovido, o que que vai acontecer comigo. Eu preciso dar um choque no meu cérebro.

?Voz B

Tá faltando um pouco de problema aqui no dia a dia, né?

DRDaniel Rodrigues Alves

O pessoal brinca, né, cara?

?Voz B

Você tá muito folgado, você precisa de um pouco de problema, cara.

DRDaniel Rodrigues Alves

Problema existe sempre, né, gente? Mas vamos lá, por isso que a gente tem emprego, graças a Deus. Mas eu falei, tá na hora de eu dar uma chacoalhada na minha vida. E eu larguei uma carreira de super sucesso em multinacional, de expatriado, e resolvi voltar para o Brasil, que é uma coisa que eu falei que eu nunca ia fazer. Ah, o Brasil é injusto. Brasil não. Brasil é minha origem. E reencontrar com a minha origem. E tirei, fiz um sabático de um ano e meio em que eu tava em Floripa, mas eu tava indo estudar.

Eu fui para Singularity University, que é na Califórnia. Foi, foi, tive a oportunidade, um privilégio, né, de voltar para Stanford, de ir para The School of Life em Londres. E nesse 1 ano e meio, minha grande objetivo era me tornar empreendedora, ia para o outro lado da mesa que eu falei que eu nunca ia, de ser fornecedor. E por 1 ano e meio eu fiquei matutando aquilo para criar um novo negócio. E eu falei, pô, em terra onde você plantou muito, a mesma coisa por muito tempo, você tem que dar uma descansada, uma mexida.

Porque senão você vai tentar fazer um copy-paste, né, copiar e colar do que você tinha antes. E aí eu criei uma empresa de inteligência de dados para inovação, a Inoway, e fui empreender, que é uma das experiências que eu acho que cria mais novas conexões neurais do que qualquer outra experiência que você possa ter, né?

?Voz B

E treina a sua capacidade de decisões e de gerenciar frustração, raiva, felicidade de um jeito inimaginável, né?

DRDaniel Rodrigues Alves

É, você é uma montanha russa de emoções, Ivo. E essa montanha russa de emoções torna o teu cérebro muito mais forte, te traz uma humildade, te traz uma busca por equilíbrio muito grande. Porque é muito diferente você tá sentado em uma grande multinacional, teu salário, aconteça o que acontecer, ele vai pingar ali no dia 30, no dia 15, do que você, cara, o que que eu vou fazer? Quanto eu tenho que vender esse mês para pagar a folha?

Então é uma situação que te molda para vida e que você tem que assumir. O que me trouxe até aqui não vai fazer com que eu tenha sucesso necessariamente. E você tem que ter equilíbrio, porque você tem tanta vontade de fazer as coisas que o tempo, teu tempo não é o teu tempo, teu desejo, não é o tempo do cliente, não é o tempo da empresa, não é o tempo dos teus sócios. Então você vai aprendendo muito mais sobre pessoas ao mudar teu ambiente.

Então ambiente é muito importante, é muito importante. E o que me levou a fazer isso foi uma mudança de ambiente. A própria Colgate me cavou um pouco a minha, meu pedido para sair. Eu saí super de bem com a empresa, amo. Virei fornecedor deles depois, que é uma honra, né? Eles me levaram para fazer uma imersão no Vale do Silício e aquilo fez assim na minha cabeça.

?Voz B

É o segundo momento empreendedorismo que muda muito quando você faz isso.

DRDaniel Rodrigues Alves

É, e eu falei, cara, tava tudo muito definido, deixa eu ver como é o bagunço isso. Encontrei em Floripa ali aquela, a Ilha do Silício, aquele ambiente super fértil em que a diversidade é lei, né? Pelo menos quem tá trabalhando no setor de tecnologia deveria ser mais diverso, com certeza, mais inclusivo, com certeza. Mas todos os lugares deveriam ser mais diversos e mais inclusivos. E isso, o ambiente me moldou. Então viver em países diferentes me moldou Porque eu sempre me encarei como visitante, por mais que eu tivesse um visto de trabalho que me garantia, por mais que eu tivesse uma multinacional por trás de mim.

Eu falei, cara, eu tenho que ser humilde o suficiente para entender que eu sou um convidado aqui e eu tenho que aprender com eles. Eu lia todos os livros de história para entender o que que pegava aqui. Pô, esse povo é muito machucado por causa disso, disso, disso. Então eu sei que eu não posso tocar nisso. Né, eu tenho que me— a primeira coisa, Nova York, quando eu cheguei, pessoal, o que eu briguei com a cidade. Quando eu parei de brigar com a cidade foi quando a cidade me abraçou e eu aceitei que sim, tem muita neve, sim, neve só é bonita na TV, né, tá -30 graus, eu vou ter que trabalhar, e beleza, vambora, não tem mais turista aqui.

Então a gente vai desarmando um pouco dos encantos da vida, dessa coisa romântica, uma visão romântica, e vai trazendo com essas mudanças de ambiente, de cultura, essas incertezas. Essas incertezas continuam comigo, tanto que eu sei que eu talvez tenha mais 5 anos como executivo, e eu já, para na minha cabeça, eu já tô moldando o que que eu vou fazer daqui a 5 anos, que para mim Eu tenho um desejo que seja totalmente diferente do que a vida executiva, né?

Então, executivo, empreendedor, executivo. Agora tá na hora de ir para um lado mais humano, né? Então eu quero me formar em psicanálise e eu quero ser psicanalista. Tem influência da minha mãe? Tem. Minha mãe é psiquiatra. Eu adoro Lacan, Freud e gosto muito das teorias psicanalíticas. E eu acho que com a minha experiência eu posso ajudar muito nesse outro universo. Então uma coisa que tratar aqui, poxa, cheguei na metade da minha vida, 50 anos, deixa eu cutucar qual vai ser, né?

Deixa eu me preparar para os próximos 5 anos, para os próximos 45, para eu chegar nos 100. A minha avó vai fazer 99 esse mês, final desse mês, então Se eu tô com ela, tá super lúcida tomando seu uísque, jogando seu baralho. Então eu tô contando que, tá vendo como o ambiente influencia? Minha avó, minha inspiração. Eu tô contando que eu vou chegar nos 100, pelo menos.

?Voz C

Mas epigenética dela tá lá no Amazonas, você vai ter que voltar para Manaus. Cuidado, hein?

DRDaniel Rodrigues Alves

Não, essa é minha avó de Maringá, no Paraná. Minha avó de Manaus tá com 96. E também tá Lúcia fazendo faculdade.

?Voz C

Show, muito legal! É, puxando para questão de saúde mental, a gente vê muita coisa sobre isso hoje. E obviamente saúde mental não é só ambiente de trabalho, mas a NR-1, atualização, versa sobre isso, né? E aí você tá falando de gente, né? Você tem uma paixão muito grande por pessoas. E muitas vezes a gente tem aquela dificuldade que na Segunda-feira o pessoal falou assim, putz, hoje é domingo, amanhã eu tenho que trabalhar. Quando chegar na sexta-feira, pô, quinta-feira próximo da sexta.

Como é que você, dentro da sua cabeça, como é que você equacionou isso para você ter essa constância, esse ritmo? E como você faz hoje isso? E aí eu queria puxar para o Ivo, né, como isso funciona em termos de neurociência. Para a gente fazer essa ponte entre uma liderança que você não tem que contar com automotivação e motivação todo tempo, porque a gente é adulto, a gente tem que fazer coisa porque tem que ser feita. Nem sempre a gente tá motivado para isso, nem sempre a gente tá disposto, nem sempre a gente tem as melhores ferramentas e os melhores colegas.

Então, como é que você lida com isso diariamente, seja como executivo, seja como empreendedor? E até pegando esse viés, eu concordo com você que a gente não pode ter os rótulos. Por isso que a pessoa com deficiência, sou cadeirante, é uma pessoa com uma característica, né? Sou um homem 50 a mais com barba branca, cabelo castanho, pele clara, etc., assim por diante. Como é que você vê essa questão relacionada a você continuar saudável e a você continuar olhando para colaborador, para para quem você tá liderando, a ponto de favorecer as pessoas na realização delas?

Porque é um desejo, parece que meio intrínseco seu, de querer ajudar, né, Fabio?

DRDaniel Rodrigues Alves

Eu encaro isso de uma maneira muito séria. Primeiro, são 27 anos de terapia. E aí, você é maluco? Você tem alguma patologia? Não. Eu quero melhorar, eu quero estar inteiro onde eu tô, quero estar presente aqui como eu estou aqui com vocês. Então eu faço hoje terapia duas vezes por semana. Uma eu trato só de assuntos de trabalho numa sessão, e a outra eu trato só de assuntos pessoais, só lacando a veia na outra. Por que que eu faço isso?

Para eu estar também inteiro e atento às pessoas, ao meu time, porque meu trabalho não é fácil e porque minhas ambições não são ambições financeiras, são ambições de mudança de vida. Então eu trato isso com muita seriedade. E uma coisa interessante, eu sempre peço para o terapeuta explicar o que que ele vai aplicar de técnica antes de começar a sessão, porque aí eu deixo ele entrar. Senão não deixo, que eu entendo o que ele tá fazendo comigo.

E é uma curiosidade avassaladora que eu tenho sobre o tema, e porque eu também tenho interesse nisso. Então saúde mental é muito importante. E tendo uma mãe psiquiatra e observando, e eu cresci no quarto que eu tinha, ficava a biblioteca dos meus pais. Meu pai urologista, minha mãe psiquiatra, só tinha compédio médico para tudo quanto era lado. E eu lia e era curioso. E eu acho que isso influenciou muito. Mas o que que eu vejo?

Eu vejo cada vez mais as pessoas tendo consciência mas banalizando essa situação, né? E banalizando de uma forma muito que não nos permite ajudar adequadamente as pessoas. Eu vejo isso muito no ambiente de trabalho, e assim, é recorrente burnout, mas que quando você vai com especialista não é burnout, é uma ansiedade. Aí esse rótulo tão rápido, essa pesquisa no ChatGPT que te dá um diagnóstico tão rápido e de saúde mental não permite que você vá na raiz disso.

Qual é a raiz disso? A gente toma banho todos os dias, né, para ficar limpinho. A gente escova os dentes para não ter bactéria, para não ficar doente. A gente não cuida da cabeça. Todos os dias a gente arma bombas, que são bombas de pensamentos, crenças limitantes, que a gente dá um peso maior do que eles, essas, esses pensamentos têm. E a gente deixa de fazer uma higiene mental e vai acumulando. Sabe aquele programa Acumuladores, que tem gente que guarda na casa tudo que acha?

E vai acumulando essas neuras, essas questões, sem dar o peso correto para elas ou desarmar essas bombas. Quando eu tive na The School of Life, a Escola da Vida, que é uma escola de filosofia lá em Londres, eles chamaram isso de Meditação iluminada. Eu falei, gente, isso não é meditação iluminada. Você olhar para um problema e resolver se ele é real, se ele tem significado, ou se ele é só uma pira sua— pira assim, uma coisa que você tá dando uma importância maior— é higiene mental.

Então acho que a gente deixa de fazer o básico e ensinar o básico para as pessoas, dá o básico, que é uma higiene mental, uma terapia que leve a isso. E que deixa as pessoas realmente focadas e aterrizadas para que elas possam performar bem. E outra coisa muito importante: ninguém prepara a gente para o ambiente de trabalho. A escola, a faculdade não fala como vai ser o ambiente de trabalho. Aí o ser humano não terapeutizado, ou que não cuida da sua cabeça, porque não precisa ter, tem gente que naturalmente cuida disso, E são abençoados, iluminados, vão para o ambiente de trabalho levando toda a sua integralidade humana, que tem as coisas boas e ruins, e querem resolver isso lá, e não é um ambiente propício para isso 99% das vezes.

Isso acaba dando nos burnouts, nas ansiedades, na falta de encaixe. Na falta de satisfação. Então a gente tem que tomar muito cuidado. Eu tenho muita, já passei como líder por casos reais de burnout, de ansiedade, que cuidamos das pessoas, as pessoas voltaram, nossa, muito melhores. Isso é sério, não pode ser levado de uma maneira leviana. E de outros que as pessoas levaram por si só de uma maneira leviana E a gente não conseguiu ajudar.

Ninguém pede para ficar doente, mas o ambiente deixa a gente doente. A falta de um preparo para ele deixa a gente doente. Eu acho que a gente não tá ainda num ponto em que a gente prepara as pessoas para o ambiente de trabalho. E do ponto de vista filosófico, uma das piores coisas que a gente fez foi sair do clássico para o romântico, porque isso deixa as pessoas mais piradas ainda, no sentido de encontrar, né, E assim eu falo no bom sentido.

E essa gíria, pessoal, é uma gíria dos anos 80, tá? Deixa as pessoas muito mais estressadas no sentido de achar que por estar numa grande empresa está resolvido. Não, esse é o começo. Está encontrar sua carreira, tá resolvido? Não, isso é um marco na sua vida. Tem muita coisa que a gente vai aprender, que a gente vai enfrentar, e que a saúde mental Ela é tão importante quanto a saúde física e a gente deixa isso para um segundo plano.

Eu aprendi a não deixar isso para o segundo plano. Então hoje às 9 da noite eu não estarei tomando vinho, eu estarei com meu terapeuta porque eu não consegui fazer ontem às 18:30. Talvez estarei tomando vinho com ele, ele não, né, mas eu vou.

?Voz B

Cara, deixa eu te falar, você trouxe muita coisa interessante agora que dá para a gente discutir um pouco aqui. Eu acho que o primeiro ponto que que merece bastante relevância agora é a questão de as pessoas esperam que as empresas resolvam muitas coisas para elas também, né? Ou você querer resolver muitas coisas ao mesmo tempo. Falta, e aqui a gente vai cair basicamente em educação, que a gente deveria voltar e revisitar muita coisa na educação básica nossa, que começa lá no primário ainda, para que as crianças consigam entender um pouco mais sobre o cérebro.

Deveria começar ali. Com relação à inteligência emocional de verdade, com relação à meditação sem aquele viés religioso. Porque muita gente não fala, mas meditação aumenta seu córtex, ela melhora sistema imune, ela melhora capacidade sua de tomar decisões. Então acho que falta muita coisa, né? E aí quando a gente colocou o elemento internet, mídias sociais, o que eu vejo é que a gente piorou assim absurdamente, porque você começou a desejar o que o outro deseja, você começou a se espelhar no que o outro, naquela outra pessoa tem.

E a grande maioria do que a gente tá vendo na internet muitas vezes é falácia, aquilo não existe, né? A mentira. As pessoas montam personagens, alguns acreditam, passam a vivenciar ele alugando carro, alugando mansões, etc., começa a vender curso, as pessoas vêm e fala: caramba, eu também quero. E de repente a gente vê alguém que não tem a qualificação necessária para ajudar outras pessoas tentando fazer isso. E daí eu acho super interessante o conceito que você trouxe agora de com a experiência sua ir para psicanálise, porque efetivamente aí você consegue trazer um peso muito grande para isso.

Para ajudar as pessoas, né? Eu acho isso assim muito legal. Um outro ponto que você trouxe que eu achei incrível também é essa capacidade, cara, eu tenho que resolver uma coisa primeiro, não dá para querer resolver todas. E aí aqui a gente tem um lado pessoal, lado corporativo, né? Porque no corporativo você pode cair lá dentro e esperar que a empresa resolva para você. E aqui no Brasil acho que a NR-1 traz um pouco disso, né?

O governo pegou e falou, cara, cuidem vocês, empresa. Só que ninguém tá olhando que o cara quando mora em São Paulo, por exemplo, o cara não tem transporte adequado, que ele aguenta uma barra, um estresse violento no transporte, com insegurança, com falta de estudo, preocupação em casa, muita coisa que falta. Tudo isso gera uma saúde mental precária, porque te gera um nível altíssimo aí de cortisol, sistema nervoso simpático gritando o tempo todo.

E a conta vai cair nas empresas, empresários, empreendedores. Então aqui já tem um problema. E aqui que é muito legal pegar um outro ponto seu agora, dessas pessoas que vieram para cá, e algumas você falou que saem bem resolvidas quando buscam terapia e outras não. E talvez um dos motivos seja esse, né, porque essa ansiedade nossa de querer resolver tudo ao mesmo tempo é uma das coisas que atrapalha muito a gente. E no meu ponto de vista é o que faz com que seja muito difícil a gente conseguir evoluir em vários aspectos também.

Quando você para para conversar com algumas pessoas, a gente tem um curso na Embrace, que é um instituto sem fins lucrativos que nós temos aqui onde tá o podcast, que uma vez por ano a gente pega uma centena de pessoas para passar por um curso muito legal de neurociência, neuronutrição, de meditação, de compaixão e etc. É super incrível. E o que a gente vê na maioria das pessoas é assim: qual o seu principal problema? Todos que você imagina, tá? Qual é o que mais te aflige?

?Voz C

Eu não sei.

?Voz B

O que que se acontecesse na sua vida te deixaria realmente muito completo, muito feliz? A resposta ou é dinheiro ou é não sei. E aí quando você falou, cara, a gente tem que olhar como tá a saúde mental, Como tá a saúde física? Porque se o físico não tá bom, o cérebro sofre. E o contrário também vale, se o cérebro não tá bem, o seu físico sofre. E seus relacionamentos? E o seu emprego? E a maneira como você gerencia suas finanças?

E a sua parte de espiritualidade, se você tiver? São muitas vertentes que a gente deveria parar e olhar, né? Falar, tá bom, deixa eu dar um peso para cada um então, ver onde dói mais. E vendo onde dói mais, você consegue colocar a bola no chão e falar, tá bom, eu vou resolver agora isso. E vou entender que para sair disso eu tenho que mudar. Eu, claro, vou precisar desenvolver várias coisas com relação a como eu me vejo como pessoa, a recolher, a reconhecer gatilhos, aquilo que eu tenho que fazer, mas também poder executar pequenas ações, né?

Daí que eu comentei até de construir pontos no começo para você resolvendo elas. E aí eu falei tudo isso para chegar em uma outra pergunta para você, cara, agora: e quando a gente vai para o lado de decisões? Né, porque tem algo que a gente vê bastante, que assim, existe aquela decisão causada pela fadiga. Às vezes, de tanta atividade que você tem para fazer, isso vale muito para os executivos também, cara. Você não para o dia todo lidando com problema, tendo que tomar decisões, e a pressão são os acionistas.

Você falou das empresas blue chips, e aí tem a questão de como está oscilando na bolsa, como as coisas impactam. Enfim, você tem uma pressão muito grande. E para gente, por mais que a gente acostume, o nosso corpo ele não se acostuma com isso, né? Então muitas vezes a gente fala assim: eu consigo lidar bem com isso. Mas o sistema nervoso simpático tá disparado, o cara batendo ali na adrenal sua, libera cortisol, cortisol vai lá para as vias suas, o seu cérebro bloqueia um monte de coisas, você para de pensar adequadamente, as decisões sobre pressão não são tão boas.

Como que você consegue lidar com isso hoje, Daniel, para que elas funcionem de um jeito, acho que um pouco mais leve, né? E você não acaba caindo naquela fadiga decisória onde você começa a errar as decisões, porque, cara, não devia ter tomado decisão, devia ter parado, pensado, colocado a bola no chão, mas não. Ou ansiedade ou estresse me levou a um lado específico. Como que você gerencia isso?

DRDaniel Rodrigues Alves

Eu passei por muito estresse, tá? E assim, muita pressão, vendas Perder primeira posição no mercado, erros de milhões de dólares. E eu acho que tem uma coisa que eu falo e eu prego muito com meu time: vamos dormir sobre isso, vamos dormir sobre isso, porque qualquer decisão que a gente tomar agora ela vai estar no calor. Eu vou contar uma coisa para vocês. Uma das empresas que eu abri, ela fechou por causa de um projeto que foi cancelado às vésperas, que era um projeto gigante, às vésperas, no dia 18 de dezembro.

Eu podia, eu tava na Bahia de férias, eu podia me desesperar porque eu tinha contratado 21 pessoas, eu podia entrar em parafuso, estragar as férias de todo mundo que tava comigo, ou eu podia ficar tranquilo porque nada ia ser resolvido até o dia A partir, eu tinha que esperar dia 2 de janeiro. Era 18 de dezembro, tava ligado ao governo. 18 de dezembro, no governo ninguém, era um projeto do governo, ninguém tá mais, né, dando atenção.

E olha lá, 2 de janeiro. Então eu falei assim, cara, vamos nos acalmar. Acalmei meus sócios e falei, a gente vai resolver. O governo volta dia 15, a gente pensa em soluções no dia 2 ao 15 de janeiro. Até lá nada mudou, a gente continua vivo, bem, são e com as nossas famílias. É nisso que a gente tem que focar. Então isso evitou estímulo desnecessário e um cansaço desnecessário. Você tem que ter uma centralidade enorme para fazer isso?

Tem, isso é essencial. Mas uma das coisas que eu falo para o meu time é: vamos dormir sobre isso, vamos conversar amanhã. Prioridades. Isso aqui tá atendendo a estratégia? Não tá? Tira. Isso aqui vai mudar? Tira. É só legal de ter? Tira, né? Porque senão a gente fica com estímulo demais e fica criando desafios onde que não valem a pena. Então, para tomar decisões, eu sempre Eu aprendi isso. Eu fiz uma vez numa multinacional uma apresentação de uma situação tão complicada que a gente tava perdendo participação de mercado, perdeu 20 pontos de margem no produto, caiu, caía o negócio 17%.

E eu fiz uma apresentação que falaram foi a melhor apresentação para mostrar soluções para o maior desastre possível. E o CEO da empresa virou para mim: não consigo resolver agora. Eu assinou o CEO de uma multinacional que fatura 40 bilhões de dólares. Preciso pensar 2 dias. Aquilo ficou comigo para sempre. Eu tinha 30 anos de idade e aquilo ficou comigo. Eu falei assim: cara, se ele pode, eu posso.

?Voz C

Real.

DRDaniel Rodrigues Alves

E eu falo para o meu time, gente, não vai mudar nada, vamos dar um tempo, né? Vamos, não tem, ninguém tá morrendo, não tá pegando fogo, não tem nenhuma pessoa passando mal por causa disso. Vamos dar um tempo, não vai deixar de fazer uma venda importante. Vamos dar um tempo e vamos processar para a gente ter a cabeça mais limpa. E Do ponto de vista pessoal, uma das coisas que mais me ajudou e me deu clareza, eu me livrei de todas as redes sociais, exceto um Instagram, que é o Instagram profissional, que eu uso muito mais para mapear o que que a marca tá fazendo do que outra coisa.

Eu não tenho Instagram pessoal, é o meu LinkedIn, eu mal entro, não tenho Facebook, até tenho, mas tá parado, paralisado. Então às vezes eu entro em casa, deixo o celular na porta e eu acordo só no outro dia para pegar de volta, mas eu esqueci mesmo lá. Então isso me deu mais tempo para as coisas que me dão prazer, que é leitura, ver um bom filme, brincar com meu cachorro. E assim, se você perguntar quantas vezes eu vejo Instagram por dia, eu vou falar: eu vejo uma vez ao final do dia e é por trabalho.

?Voz B

E faz toda a diferença.

?Voz C

Viver na realidade é uma escolha mais do que sensata em tempos de excesso de tela. Em tempos de desafios, em tempos de uma economia totalmente volátil, né, Daniel? E nesse aspecto que você tá trazendo essa sua, essa sua, porque assim, tem que ser muito pré-frontalizado, ou seja, você tem que ter, deve ter exercido, exercitado e treinado o córtex pré-frontal, você deve ter hipoativado a amígdala, ou seja, você treinou, você formatou o seu cérebro, você condicionou ele.

E aí o Ivo, acho que mais do que ninguém, pode, na falta do Dr. Diogo, ajudar a gente. Porque assim, esse é o processo de total adestramento cerebral, e que acaba, como você mesmo falou, né, que como você vive diversas emoções ao longo do dia, e emoção a gente não controla, né, o Ivo vive dizendo isso, emoção a gente vive ela, mas ela é fruto antes de um pensamento, de um sentimento, que de algo que foi automatizado. Então viver na realidade é um bom negócio para qualquer pessoa, em qualquer nível hierárquico, né?

E aí, indo para neuroplasticidade, o que que você acha que em termos de comportamento, em termos de aspectos epigenéticos, ou seja, estilo de vida, que foi fundamental para chegar no Daniel de hoje, né? Um Daniel que olha para o ser humano de uma maneira mais ampla, que consegue com sede se desconectar e vivenciar as coisas boas, os detalhes. Porque quando a pessoa tá para morrer, ela não tá desejando um iPhone, o último MacBook Pro da vida, ou um carro elétrico ou híbrido, ou fazer uma viagem ao redor do mundo, ou escalar o Everest.

Ela tá pensando no abraço que não foi dado, no afago que não recebeu, em perdoar e ser perdoado. Enfim, Como é que você chegou no Daniel de hoje, além dos 25 anos de terapia, etc.? Em algum momento lá atrás você definiu que isso tava mais à sua mão e na criação de hábitos?

DRDaniel Rodrigues Alves

Apanhando muito, tá, da vida. Eu acho que assim, tem duas fases na minha carreira, sendo muito, na minha vida na verdade, sendo muito transparente aqui. Tem uma fase em que eu eu dei total atenção à minha carreira e minha vida pessoal era minimizada em prioridade à minha carreira. Isso me trouxe muitas ansiedades do ponto de vista pessoal, e a carreira era uma fuga porque era um lugar mais controlado, tranquilo, né? E eu criei hábitos muito que protegiam isso.

Eu me vi no momento que foi esse momento do sabático que eu queria, eu tinha Eu não tinha mais que trabalhar. E agora? Eu deixei de ser o Daniel, diretor de marketing da América Latina de multinacional. E agora? E aí você tem que se reencontrar como ser humano, né? É um privilégio ter vivido isso, mas eu paguei um preço alto, tá? Eu fui, eu falo que meu desenvolvimento emocional Mas veio tardio. Eu olho às vezes algumas pessoas e assim com admiração, porque elas têm uma capacidade emocional que aconteceu lá pelos 25. Eu falo que o meu começou a acontecer lá pelos 40.

?Voz B

É padrão de homens, você sabe, né? E vai durar uns 2 meses quando acontecer e vai embora depois de novo já.

DRDaniel Rodrigues Alves

Então a gente vai reencontrando, a gente vai reencontrando. O terapeuta dá uma porrada, a gente volta. Mas esse equilíbrio, e aí busca o Daniel executivo, não suplanta o Daniel ser humano. E foram mudanças de hábito que eu tive que mudar um ambiente, eu tive que mudar a condição, porque tava muito enraizado. Eu era um robô quase, e voltado para performance. E aí uma coisa que o meu terapeuta traz sempre, ele fala: cuidado, porque você é tão prático que às vezes você tá prático que você não consegue ser feliz.

E aí, como é que você quebra um pouquinho dessas, dessas? Por exemplo, um hábito que eu peguei com os americanos: o americano almoça na mesa. Hoje eu tento fugir na hora do almoço para dar um descanso na minha cabeça. Volto melhor, eu volto mais renovado. Ainda almoço na mesa muitas vezes, mas algumas vezes eu sei, o dia tá difícil, eu tenho que fugir. Dormir, coisas pequenas, mas assim, cara, eu mudei totalmente. Eu era, meu apelido era Batman.

Eu virei uma pessoa do dia. Eu comecei a acordar às 5 da manhã, minha academia. Então tem que dormir 7 horas, eu cumpro as 7 horas, eu cumpro uma rotina que é uma rotina saudável. Claro que pesa a idade. Um homem de, quando tinha, você tem 50 anos, você não tem a mesma capacidade de 30, né? Que você vai acordado curtindo a vida de balada em balada e você tá inteirão às 7 horas da manhã no escritório. Não existe mais isso.

?Voz B

Você é quase imortal, né?

DRDaniel Rodrigues Alves

É, não, Highlander, imortal total, Superman. Essa síndrome de Superman foi se desfazendo também com perdas. Então perder meu avô, perder isso, o COVID mudou muito essa sensação. Minha família em Manaus sofreu demais, a gente teve mais de 7 pessoas internadas. Meu avô faleceu durante isso, nessa crise. Meu pai viu 32, como médico, diretor de plantão, viu 32 colegas morrerem. Ele mesmo pegou COVID 4 vezes, mas os motivos que eu trouxe ele de Manaus para Floripa.

Então tudo isso eu não levei, eu levei muito a sério, né? E eu fui mudando meus hábitos quase como uma reação ao ambiente. Mas eu, depois que eu fico cada vez mais consciente que eu poderia criar as condições, as condições estavam muito mais no meu controle, não no controle de uma empresa. Porque é o seguinte, atua assim, você tem que ter um equilíbrio. Se você não bota 50% do que você deseja e a empresa bota 50% do que ela deseja, e você mantém esse equilíbrio, a empresa vai te dominar e vai te levar para o que é conveniente para ela.

E toda empresa faz isso. Agora, eu acho que você tem executivos melhores, líderes melhores quando eles chegam no equilíbrio. Então a palavra equilíbrio ficou importante para mim. E equilíbrio significa paz, e paz significa que eu tenho opção, né? E que eu tenho que estar sadio, sano, né, para poder executar o que eu quero executar, para poder ser feliz, para poder planejar. Então essa realização mudou meus hábitos, né? E é, meu, desenvolvi asma depois de adulto, fui nadar de novo.

Então natação é uma coisa essencial para mim, é vida, é meditação. Quando eu tô lá dando minhas voltas, eu tô meditando, na verdade, que meu cérebro tá vazio. Eu tô fazendo algo ali no automático, né, e de certa forma meditando. Então eu fui pegando os sinais. E quando eu falo que é na porrada, eu tô brincando, tô sendo um pouco coloquial, mas assim, as coisas que acontecem na vida que te dão sinais e que você pode minimizá-los, você pode olhar e falar: opa, preciso, né, dar atenção, mudar senão não vou conseguir.

?Voz B

Agora eu entendi um pouco, você tava falando sobre gostar do Lacan também, né, que muita coisa você falou tem a ver com isso agora. Porque tem, você for olhar Freud assim, você pegava o inconsciente, né, que executa a maioria das coisas para gente, é um receptáculo biológico, você guarda as coisas ali. E para Lacan não, né, ele funciona quase como uma linguagem assim, cara, ele vai te dar sinais, tem que perceber, você tem que olhar um pouco mais para isso.

E muito que você fala atrai esse conceito, achei ele super interessante. Você tá falando, eu tô dando uma correlacionada aqui Eu queria fazer um outro ponto legal que a gente falou também aqui agora, que é sobre erros, né? Então falar um pouquinho aqui de, basicamente, de estriado, de área tegmentar ventral, quando a gente fala das principais vias dopaminérgicas que ensinam para você, né, que treina o nosso cérebro com relação à recompensa baseada ali em prazer.

Quando a gente fala de erro, é muito comum que ele abre uma janela, muitas vezes uma porta muito grande para você repensar algumas coisas, né, redirecionar tudo aquilo que você sabe, parar, meditar um pouco em cima disso, entender, e aí mudar um pouco da forma como você age. Do seu lado, o que que você vê um principal erro, cara, que te trouxe assim um tapa na cara do tipo, caramba, cara, isso aqui, esse erro, ele mudou muita coisa para mim, mas ele foi super importante?

Olhando um pouco perspectiva, deixa eu olhar o copo cheio, porque a grande maioria das pessoas também por condicionamento mental, tem uma tendência a olhar o copo mais vazio. E dá para se inverter, né? E eu queria ouvir de você, cara, o que que foi um erro que mexeu bastante, que foi difícil, mas graças a ele você conseguiu ajustar perspectivas, condicionamento, etc.?

DRDaniel Rodrigues Alves

Pode escolher só um. Tô brincando. Primeiro, primeiro, numa vida de executivo, eu acho que você é muito mais recompensado pelos erros que você consegue superar. Eu fui muito mais promovido porque eu superei alguns erros grandes e aprendi com isso do que quando eu tava administrando puro sucesso. Essa é uma coisa que é muito marcante na minha vida. Eu fui chamado por um tempo até de Dani Ambulância, porque tinha alguma coisa acontecendo grave, chamava o Dani.

Até cansei disso um tempo, falei, pelo amor de Deus, me dá uma coisinha mais fácil aí por um tempo para eu descansar. Acho que o maior erro que aconteceu é quando você fica cego para o que está à sua volta. Uma das empresas que eu criei como empreendedor, eu acho que ser empreendedor é isso mesmo, você errar e rapidamente aprender com esse erro e voltar diferente, voltar melhor. Eu me apaixonei pelo produto e não pelo por quem eu tava tentando resolver, o que eu estava tentando resolver.

E essa paixão fez o meu ego ficar enorme, e porque eu tinha uma metodologia fantástica, primorosa, mas a aplicabilidade dela era baixa do ponto de vista prático. E aí Isso levou a colocar o carro na frente dos bois, levar investimentos que não eram investimentos, os melhores investimentos na hora correta, não ter percepção de timing. E isso levou a um ego muito grande, o desequilíbrio entre os meus sócios, e levou ao fim da empresa.

E para alguém que sempre tinha tido sucesso, isso não é muito fácil. Daqueles momentos que você tem que repensar toda a tua vida e todo o seu modo operandi. E aí é muito engraçado que nesse momento não importa o sucesso que você já teve, o sucesso que você tá tendo em outros negócios que estão rolando em paralelo, você se desmerece de uma maneira profunda, né? Isso afeta a tua confiança, isso afeta a tua, até a maneira como você se porta, se posiciona.

E eu tive que reaprender quem era o Daniel. Então, um erro muito grande que foi isso causou um dano financeiro, causou um dano pessoal, um dano relacional muito grande, né? Mas era algo que tinha que acontecer e eu dei a volta por cima. Reolhando para mim, reolhando e trabalhando isso. E não trabalhei sozinho, foi um trabalho em equipe essa reconstrução, dos meus amigos mais próximos, da minha família que teve muito presente. A gente vê como realmente o ser humano não faz nada sozinho.

Do meu terapeuta, que foi um guerreiro, eu falo assim, não sei como é que você aguentou pessoal, né? E até dos meus cachorros que estavam lá presentes, que na hora que eu tava pior estavam lá do meu lado. Mas é algo que você compreender que algo não dê certo não significa que você está quebrado. Enquanto a tua mente tiver bem, você tiver saúde, você tiver capacidade, Cara, você não pode pegar aquilo e personificar aquilo, né? Não te definir.

Aí vem aquela coisa, né? O que que são 2 anos em 100 anos? 2%. 2% da tua vida podem te definir? Pode. Mas você tem que escolher como isso vai te definir. Então, como executivo, como empreendedor, você errar porque você se apaixonou Você se apaixonou por algo específico e não pela jornada. E a jornada e o processo é muito importante. A gente fala o que é importante, mas o como as coisas acontecem são muito importantes. Eu tava tão cego pelo quê que eu não tava vendo como.

E o como era essencial, tão essencial quanto o quê. Então aquilo ali foi transformador. Mas erros são comuns, muito comuns. Todo dia a gente lida com erro e ele não pode virar frustração, ele tem que virar gasolina, gasolina. Porque eu falo para minha equipe, a gente é pago para dar a melhor solução. Vamos embora, gente! Aí pode ser que a decisão não seja nossa, seja hora de virar um bom soldado e implementar o que tá sendo decidido pela liderança.

Mas pelo menos a gente pensou, a gente lutou, a gente organizou, a gente olhou as várias, os vários cenários, e veio com a melhor recomendação. Essa satisfação, proteger o trabalho e se proteger.

?Voz B

E os erros, além de combustível, são importantes, né, cara? Nenhum cérebro que fica confortável vai conseguir evoluir, cara. Quanto mais confortável você tá, mais difícil as coisas vão ficar, né? Não dá, Fabrício.

?Voz C

Eu acho que, pô, mas isso é legal, bacana, onde a gente pega e percebe resiliência, a gente percebe autorresponsabilidade, confiança, a questão da decisão, que eu acho que o Ivo puxou ali, que é uma coisa que a gente em outros episódios aqui do podcast a gente já falou de livre-arbítrio. E quando a gente toma decisão, e baseado no que a gente toma decisão, isso é bem complexo. Mas a maneira pela qual a gente ressignifica uma situação e a gente volta para o trilho talvez seja uma máxima até que lá no Despertar a gente ouve muito, que o Ivo é quase uma pessoa que incute algumas frases.

E uma das que o Ivo fala assim: o mais importante é a direção, não é a velocidade. E direção tem a ver com processo, direção tem a ver com princípio, com propósito, com confiança, tem a ver com uma uma ideia muito mais elaborada de como você vai chegar e não o que você vai obter. E talvez isso seja, não eu diria uma fórmula, mas um formato que deva ser testado, porque ele tem uma eficácia absurdamente grande, principalmente na maturação cerebral, principalmente na criação de mecanismos automatizados lá na região subcortical, para que você possa reagir de uma maneira positiva sempre frente a desafios.

Talvez por isso que o Daniel Ambulância tenha sido muito acionado, né? Então acho que vai muito mais por esse aspecto da gente acostumar muito a lidar com ambientes voláteis. Eu tenho hábito, até por trabalhar com educação e com área de negócios, a lidar também com essas vicissitudes, com essas adversidades, essas surpresas que todo mundo tem. Na verdade, não é área que eu atuo, todo mundo vive isso diariamente. Mas se você escolhe não sair do trilho e ter um foco relativamente grande o suficiente para que os obstáculos fiquem pequenos, fica mais fácil transitar e desviar desses buracos ou desses morros, pequenos morros.

Se você tá vendo o Everest lá no fundo, né, fica muito mais fácil. E principalmente confiar no processo.

DRDaniel Rodrigues Alves

Geralmente a gente bota, define a rota e o destino, e o Waze muda a rota, né, mas não muda o destino. Então, mas, Fabião, eu quero falar uma coisa muito importante aqui sobre isso. Isso é uma evolução muito clara nas organizações. A volatilidade é gigante. A gente nunca viveu numa era com tanta tecnologia acontecendo de forma consecutiva e mudando a maneira como a gente vive, como a gente trabalha, trabalha, como a gente estuda, como a gente se diverte, como a gente se relaciona.

E isso já torna extremamente volátil o ambiente. A gente tem 5 gerações convivendo, agora estamos com a 6ª nascendo em 2025. Isso nunca aconteceu na história da humanidade. Então vamos abraçar. E aí eu vejo as empresas evoluindo muito nesse sentido. Não tem muito espaço ainda, para lidar com essa volatilidade, lidar com esses momentos, porque você tem o direito de ter uma derrapada e essa derrapada vai acontecer. Ninguém é infalível.

Eu acho que o que eu mais gosto, meus verdadeiros troféus são as partes em que eu derrapei e que eu voltei. E as empresas estão ficando mais conscientes disso e estão querendo que isso aconteça dentro delas, evidentemente, num ambiente de risco calculado. Mas eu acho que é uma evolução muito grande isso de, assim, eu me lembro quando eu comecei minha carreira lá no meio dos anos 90, cara, a gente era ensinado a não errar pelas organizações, né?

E aí eu acho que tem uma diferença, né? Você errar e não aprender, isso aí é inaceitável, sem competência. Você errar e aprender é uma competência que eu busco. Eu olho isso primeiro, eu nem olho a faculdade da pessoa. Olha, cara, essa pessoa tem capacidade, né, de aprender? Quando eu vou selecionar alguém para minha equipe, é, tem um exemplo agora, eu tenho um rapaz que é meu braço direito, esquerdo, Ele veio da— desculpa, eu não tô querendo te expor, mas eu acho que a tua história é muito linda.

Ele vai saber quem ele é. Ele largou, ele fez, passou em segundo lugar em arquitetura na USP, ele largou arquitetura para virar marqueteiro. A coisa mais bonita nele é a capacidade dele de querer aprender, errar, mas se aprender com isso, se dar a volta o mais rápido possível. E, cara, por que que eu ia contratar alguém que não tem experiência em marketing? Não, eu contratei pelo potencial que ele mostrou em querer aprender, em querer se adaptar, e de respeito humano que ele tinha também.

E é esse profissional que a gente tá buscando, esse profissional que é o líder do futuro, ou líder atual, porque você não precisa ter um cargo para ser líder. Essa é a verdade. Aliás, tem muito líder que tem cargo e não é líder.

?Voz B

Demais, você tirou as palavras da minha boca, eu ia falar isso agora. Muito real isso. Sabe que você falou no consultório empreender, né? Eu abri a primeira empresa minha, que na época a gente chamava startup, né, em 1994, cara. Muito tempo. Tô indo na quinta startup já, tô indo para sexta agora também. E aí, vendo essa discussão nossa, é muito legal porque você vê que efetivamente o lugar onde você cresce, ele tem influência grande com relação àquilo que vai ser moldado em você, só que ele não determina aquilo que vai acontecer com você, né?

Você trouxe os elementos super importantes. Eu queria, para a gente poder fechar, que você trouxesse um pouco disso aqui agora, dessa importância, cara, do sonho, do foco, da disciplina, de ter fé naquilo que você acredita de verdade, da paciência para saber que demora, cara, que você vai ter que aprender demais, você vai ter que estruturar o seu cérebro, porque assim Tudo começa e termina no cérebro. Se a pessoa entender isso, ela vai estar um passo adiante, um degrau acima das outras pessoas já, porque ela vai entender que ela precisa aprender a controlar melhor os sentimentos dela, não as emoções.

Como o Fábio falou, cara, a gente não controla emoção. Emoção é subcortical. Se ela é subcortical, é primitiva. Se é primitiva, a gente não controla. A gente vê às vezes na internet alguém chega e fala assim, né: não, porque eu vou te dar um curso de 21 dias te ensinar a controlar as emoções. Cara, eu não vou falar que eu quero morrer porque eu não quero morrer. Mas é complicado ver essas coisas, né, que você começa a pegar uma galera que passa por tanto desafio já e você começa a piorar a situação delas quando faz isso.

E ia ser muito legal se conseguisse trazer para a gente aqui agora, Daniel, um pouco disso de, cara, quem tá ouvindo a gente, seja pessoa empregada querendo ir para o cargo novo, tem essa pessoa um sonho de, caramba, eu queria fazer o que o Daniel fez, poder ir lá para fora. Se essa pessoa para tá começando um negócio agora, vou começar a empreender e meu mercado hoje é um mar vermelho assim, sangrando, momento já, mas eu quero testar, quero ir ali.

E aí, cara, deixa alguma coisa para as pessoas. Eu acho que isso faz muita diferença, né? Porque essas histórias, cara, são assim super importantes e fazem diferença. E é ali que a gente aprende, né? Principalmente não que você não erre, mas que você consiga aprender uma das coisas importantes para que você direcione melhor e efetivamente aumente a sua capacidade de atingir aquilo que você busca. Para mim começa muito com um sonho, mas eu queria ouvir de você, para essa galera tá nesse momento de, pô, quero fazer um pouco que o Daniel fez. E aí, o que que você diria para essa galera, para fechar com chave de ouro?

DRDaniel Rodrigues Alves

Olha, o sonho é muito importante, ele é um combustível da alma, né? Mas a sustentação do sonho, você falou uma palavra que é muito— eu tava falando isso com a minha mãe ontem— é fé. Às vezes a gente tem que acordar com a fé de que a gente já deu certo e que nada muda isso. Que competência não tem endereço e que por mais que a gente tente e vai falhar, e nós vamos falhar, a gente, isso não nos define, isso nos torna melhores. E isso talvez seja fé, né?

Essa crença que você tem de alcançar o que você sonha. Essa crença de que você tem que— existe sorte, mas a sorte vai te encontrar trabalhando no que você acredita, com quem você— em quem você trabalha, trabalhando também com quem você acredita. E é difícil isso, e você juntar isso, encontrar o seu propósito Porque o propósito é um componente de estratégia, de fé, de sonho, que nasce dentro da gente quando a gente é criança e faz com que a gente, quando a gente volta e articula isso como adultos, faz com que a gente chegue onde a gente quer chegar ou até onde a gente nem imagina que chegaria.

E eu trago aqui um conceito que eu aprendi com Alain de Botton, que é um um grande filósofo, ele fala que felicidade não é um sentimento. Vou disputar um pouco aqui: felicidade é um exercício, é uma habilidade. Então eu conto, sabe, a minha grande, grande mensagem é: conte suas bênçãos no caminho para o seu sonho e não largue da fé de ser quem você é. Eu acho que é por aí que vai.

?Voz B

Muito bom. E tem neurociência por aí, né? Tem, tem neuroplasticidade, tem elemento da resiliência, o elemento do sonho que a gente tá falando aqui agora, que você manter aquilo vivo, isso faz muita diferença, né? Porque o nosso cérebro, ele é muito associativo, ele gosta de ambientes seguros. Então quando a gente começa a preparar, isso do sonho ajuda demais, né? Porque se você sabe onde você quer chegar, ele vai buscar começar associações para que você chegue naquele local.

E aí não tem a ver que muita galera fala assim, né, só pensamento positivo. A gente sabe que pensamento positivo, tal, negativo influencia muito, mas o sonho ele é um elemento assim primordial. E eu gosto muito da questão de fé, por isso que a gente sempre fala por aqui, né. 5 elementos que eu vejo, cara, se você não colocar a paciência, sabendo que demora, né, para fazer as coisas, o foco, que é uma coisa de cada vez, né, você mantém a sua mira igual o Waze, você falou, cara, cara, você mantém o foco lá onde você vai chegar.

Mas você pode ter paradas, tem que ter paradas no caminho, né? Então você colocar ali a sua fé, o foco, a disciplina, a paciência e a coragem, cara, eu acho que isso aí te dá um peso muito grande já. E aprender um pouquinho de neurociência vai te ajudar a entender por que você faz, ajuda muito. Eu acho incrível. Pô, Daniel, obrigado, cara. Acho que você fechou assim com uma chave de ouro, foi super importante. Fabião, eu queria deixar com você.

Mais algum ponto aí que vamos jogar para o Daniel poder fechar para gente hoje antes de despedir da galera aqui, já que ele abriu, né?

?Voz C

Ele fez abertura, ele faz o fechamento.

?Voz B

Então, e marqueteiro, bicho, então tá, pessoal, melhor para fechar para gente aqui.

?Voz C

Eu queria ser astronauta quando eu tinha 10 anos, e bombeiro, né? Parecido, tá ali, né? Mas mudei um pouquinho.

?Voz B

Bombeiro, né, Fabião?

?Voz C

Bombeiro, bombeiro, bombeiro é uma boa, né? Bombeiro a gente acaba sendo. Acho que todo mundo é um pouco de bombeiro na vida, homem ou mulher, que a vida é isso, é um incêndio a eternamente ser apagado ou ser controlado, né? Depende da maneira filosófica que você vê esse fogo. Mas queria agradecer muito, Daniel, foi um prazer enorme, foi muito legal você encontrar espaçozinho aí na sua agenda. Te agradeço imensamente daquele papo lá na BSX, por lá na Remax, para hoje.

Passaram-se algumas semanas, né? Mas a gente queria também agradecer a todo mundo que nos acompanha aqui no podcast, celebrando. Bom dia, boa tarde, boa noite. Essa foi mais uma pedida de um ouvinte e uma pessoa que nos acompanha, que pediu: olha, tragam executivos com uma visão de liderança, que tem um perfil que bata com o podcast, que obviamente possa trazer elementos super valiosos. A gente conseguiu, graças a Deus, trazer o Daniel.

Daniel, muito obrigado novamente E para vocês que não conhecem o podcast, vocês nos encontram em todas as plataformas, Spotify, Apple, etc., no YouTube, ou YouTube, como o Ivo gosta de dizer. E nós nos vemos na próxima semana. É contigo, Daniel, fechamento de ouro.

?Voz B

Pera aí, antes do Daniel falar, só deixa eu agradecer também, pô, Daniel, obrigado, cara, pelo seu tempo. Deu para conhecer um pouco da sua agenda e saber aí que não é tão fácil cavar. Então te agradeço demais aí pelo bate-papo. Foi super incrível e eu queria te convidar para uma próxima já, cara. Eu acho que dá para desenrolar muita coisa aqui nesse bate-papo nosso, dá para fazer mais uns episódios bem bons aí falando sobre tudo ligado empreendedorismo, liderança.

Acho que vale a pena. Se você topar, fica super aberto já o convite para você aqui.

DRDaniel Rodrigues Alves

Eu já topei, eu adorei participar do Celebrando. E aí, olha, do ponto de vista de marketing, eu já consegui 2 consumidores leais. Muito bom. Então eu consegui, né, conquistar. Mas, mas, pessoal, muito obrigado. Foi um papo muito legal. Acho que um papo essencial. Muitas, muitas vezes a gente bota essa couraça de executivo, de empreendedor, e tirar essa couraça é difícil. A gente tem que tirar mesmo, mostrar a realidade para as pessoas.

A gente não persegue unicórnios, a gente quer capivaras porque elas existem. E é isso que eu quero deixar. Ouvintes, audiência aqui do Celebrando, foi um prazer estar aqui com vocês. Eu já estou esperando para a próxima. E olha, se todo Celebrando for assim, eu já estou esperando o próximo capítulo, que não vai ser comigo, o próximo episódio, porque foi fantástico. Obrigado, gente.