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T5E19 | COMO A MENTIRA AFETA O CÉREBRO

20 de julho de 20261h2min
0:00 / 1:02:15

Fala, pessoal!

Neste episódio, exploramos os efeitos da mentira no cérebro, incluindo os custos energéticos, os mecanismos de dessensibilização e as diferenças entre mentiras egoístas e pró-sociais.

Curtiu? Já segue a gente por aqui e deixa aquelas 5 estrelas merecidas (e que são super importantes)!

Com insights incríveis, discutimos como o hábito de mentir se desenvolve e como é possível reverter esse comportamento. De forma geral falamos de um jeito leve e divertido sobre:

  • O efeito da mentira no cérebro e consumo de energia
  • A dessensibilização da amígdala cerebral com o uso repetido de mentiras
  • Diferenças neuroquímicas entre mentiras egoístas e pró-sociais
  • O mentiroso patológico e o aumento de conexões neurais
  • Estratégias para reverter o hábito de mentir

Está com pressa e quer ir direto ao ponto? Colocamos abaixo um resumo para ajudar :)

00:00 Introdução ao tema: Mentira e cérebro

01:23 Como o cérebro se adapta à mentira

03:25 Energia consumida ao mentir versus falar a verdade

05:11 Repetição e vício na mentira

07:18 Sistema de recompensa e dessensibilização da amígdala

09:41 Mentira pró-social vs egoísta

12:48 Impacto da mentira na coesão social

15:26 Cérebro de mentirosos patológicos

19:12 Neuroplasticidade e mudança de comportamento

23:24 Dificuldades de reverter o hábito de mentir

27:30 Neurociência do benefício próprio na mentira

32:33 Gaslighting e manipulação psicológica

35:23 Impacto social e político da mentira

42:21 Ambientes de verdade e confiança

56:32 Como sair da ladeira da mentira

58:37 A importância da honestidade e ambientes seguros

#mentira #cérebro #neurociência #hábitos #dessensibilização #energiacerebral #mentiroso patológico #podcast #podcastcerebrando

Participantes neste episódio3
D

Diogo

HostNeurologista
F

Fabião

Host
I

Ivo

Host
Assuntos7
  • Mentiras Cotidianas para Si MesmoConsumo de energia cerebral · Dessensibilização da amígdala · Córtex pré-frontal · Neuroplasticidade
  • Gaslighting e traumaDistorção da realidade · Impacto no hipocampo · Hipervigilância crônica
  • Egoísmo e HumildadeGanho pessoal · Coesão social · Intenção
  • AutorresponsabilidadeVarrer a sua rua · Pesquisa de fatos · Ambientes seguros
  • Intimidação por mentirasAumento de substância branca · Mitomania · Habilidade de manipulação
  • Mentiras que as pessoas acreditaramExpectativa · Silver bullet · Fraudes financeiras · Elizabeth Holmes · Lance Armstrong
  • O Papel do Álcool e ComportamentoRedução da atividade do córtex pré-frontal · Liberação de impulsos
Transcrição102 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

É, fala, gente! Sejam bem-vindos à temporada 5, episódio 19 do Celebrando. E hoje a gente tá aqui para falar sobre uma parada que todo mundo faz, mas que ninguém admite: mentira. Todo mundo solta de vez em quando uma ou duas mentirinhas no dia aí. A grande questão é quando isso começa a virar um desvio moral. E para isso a gente trouxe aqui dois grandes profissionais que nunca mentiram na vida, Doutor Diogo e Fabião.

?Voz B

E aí, gente, salve, salve, pessoal, tudo bem? Bom dia, boa tarde, boa noite, sejam todos muito bem-vindos. Essa é mais uma questão que a audiência trouxe para gente, a gente tá replicando aqui. E você já mentiu hoje? Mentiu ontem ou pretende mentir. Vamos ver como isso funciona no cérebro. Diogo, o que que você acha?

?Voz C

Tá aí, meu amigão Fábio, meu amigo Ivo, e a todos que nos ouvem e nos curtem e comentam. Nós agradecemos muito já de antemão. Façam isso porque para nós é o que faz o podcast também crescer e passar para mais pessoas. A mentira, ela faz parte da sociedade. É isso que a gente quer falar sobre Agora, será que mentir faz bem, faz mal, consome energia do cérebro? É sobre isso que nós falaremos hoje. Então, para você que nunca mentiu, parabéns. E para os demais, vamos que vamos.

?Voz A

Para você que nunca mentiu, para de mentir.

?Voz C

Para de mentir porque você é mentiroso.

?Voz A

Ô Diogo, começar um pouco diferente aqui, cara. Dei uma olhada alguns artigos hoje e um deles havia compartilhado com você no passado, inclusive, já. E ele é da University College London. Cara, isso me deixou meio maluco aqui assim pensando no assunto, né? Porque lá eles mostraram que o cérebro ele se adapta à mentira da mesma forma que a gente se adaptar a uma música alta, cara, a coisas erradas.

?Voz C

Isso aí.

?Voz A

Então o nosso neurologista de plantão, o que que tá pegando realmente para o cérebro quando aquela pessoa deixa de sair daquela uma ou duas mentirinhas que são normais, pô, e todo mundo faz isso de vez em quando, né, para chegar nesse conceito de o cérebro se adapta e aí você começa a mentir para tudo. E eu e Fabião, a gente inclusive conhece uma pessoa aí de um passado, não pergunta mais nada, né, que tinha esse problema.

?Voz C

Um mitomaníaco aí.

?Voz A

É isso.

?Voz C

É, vamos lá, Ivo. Então o que que a mentira traz para o nosso cérebro? Primeiramente, quando você fala uma verdade, é apenas você pegar aquilo que tá gravado já na tua memória e trazer à tona. Então, se eu vou até um— vamos supor que eu fui trabalhar hoje de manhã, e de fato eu fui, se alguém for lá e me perguntar rapidamente, eu vou trazer à tona algo que está ali no meu centro de memória. E, ó, beleza, tava trabalhando sim, beleza, tranquilo.

E veja que isso não consome tanta energia da pessoa, porque Porque essa pessoa apenas tem que trazer à tona uma informação que ela já existe. Agora, quando você mente, a ressonância magnética funcional já mostra para nós que você precisa ter muita energia primeiramente para pegar teu pré-frontal e dar um shutdown nele, acabar com ele. Você precisa criar um outro cenário, e isso é imaginação. E além disso, você vai ter aquela amígdala cerebral super disparada, porque é o nosso centro de emoções.

E aí, meu amigo, você tá estressado, você tá estressada. Dizem que até faz aquela brincadeira, ó, mente tão bem que nem sua, que não, que não muda nem expressão facial. Isso é uma, entre aspas, uma habilidade que a pessoa realmente ganha com o passar do tempo. Que nós falaremos em breve o porquê que isso ocorre. Mas o principal é: a mentira consome muita energia do nosso corpo, do nosso cérebro. Então esse é o primeiro ponto a ser colocado, por isso que é tão difícil.

?Voz B

Uma dúvida aqui, só complementando: se isso, na verdade, a gente está falando de algo que a gente tem que frontalizar, a gente tem que elaborar, etc., e pode ser treinado, a gente vai chegar um momento que essa amígdala vai ficar dessensibilizada, vai ficar hipoativada, etc. Mas tem algum tipo de comportamento que induza vício da mentira? Por exemplo, liberação de dopamina, na verdade, a repetição, Fábio.

?Voz C

Porque o que ocorre, vamos supor que eu me torne uma pessoa mentirosa crônica, Isso pode ser por qualquer motivo. Vamos supor que você virou um palestrante, você criou ali um storytelling que nunca existiu, mas você fala, cara, storytelling aqui vai pegar o público. E aí eu começo a contar esse storytelling todo dia. Lá no meu âmago, no meu interior, eu sei que isso não é verdade, mas daqui a pouco essa história tá sendo reproduzida como se não houvesse uma mentira em cima dela.

Por quê? Porque o que o estudo mostra para nós, que é o que eu falaria mais, mais adiante, é que você vai dessensibilizando a tua amígdala cerebral realmente, e a pessoa já não tem mais aquele estresse, aquele peso para contar aquela mentira. E aí a pessoa vai acabar repetindo aquilo como se nada fosse. Então, de fato, o mentiroso compulsivo, ele vai mentir cada vez mais. Porque para ele não pesa mais mentir, ele não consegue mais pensar assim: cara, eu tô mentindo para o Fábio, o que vai acontecer com ele com essa mentira? Será? Tô nem aí, tô nem aí.

?Voz B

Se a gente for ver somente pela questão de consumo de energia por parte do cérebro, no primeiro momento mentir custa caro, consome muita energia, e é uma coisa que tem que ser muito elaborada e treinada. E no segundo momento virou um hábito, foi para a região subcortical, Você literalmente faz aquilo com o pé nas costas, de forma automatizada, sem perceber. E daqui a pouco você nem sabe mais o que é mentira, o que é verdade, né? E você acaba—

?Voz C

acontece isso, Fábio, só para complementar isso que você falou. É fato, mas acontece isso por quê? Porque essa amígdala dessensibilizada, o teu córtex pré-frontal, ele vai ter uma conexão com ela, certo? Você vai ter uma conexão entre córtex pré-frontal e amígdala. Se eu tenho uma coisa muito pesada Eu vou me pôr em julgamento, eu vou me pôr em planejamento, eu vou me pôr numa situação que, olha, eu não tô confortável com isso, eu tenho que parar de fazer isso.

É por isso que muitas pessoas, quando fazem mentiras grandes, de repente eles pegam o telefone e falam: vamos acabar com tudo isso, cara, que eu tô tão mal, tô me sentindo tão mal, eu vou ligar para pessoa, eu vou falar: olha, eu errei aqui, fui eu que fiz essa burrada no trabalho que a gente perdeu tanto de dinheiro. Peço desculpas, mas eu vou vir aqui, vou falar. Agora, aquela pessoa que vira um mitomaníaco, um mentiroso crônico, ele, igual você falou, ele vai ter o prazer de fazer tudo isso.

Então tem sim um sistema de recompensa envolvido, mas ao mesmo tempo essa pessoa dessensibilizou a amígdala cerebral, o córtex pré-frontal já não tá mais encarando aquilo como uma ameaça. E para ele tudo bem. Agora ele vai só racionalizar aquilo. Ok, não tem problema nenhum. Eu não tenho mais esse freio emocional que a Mila me propõe. E aí nisso eu racionalizo o ato, o cérebro para de tratar a mentira como uma ameaça à sua identidade moral e vai tratar isso como uma estratégia de sobrevivência ou lucro. Acabou.

?Voz B

O que eu acho mais incrível, puxando para uma questão patológica, é que algumas pessoas criam memórias que nunca existiram com base em mentiras. Várias, porque a pessoa ela chega a elaborar coisas que não existiram e ela acredita naquilo. E quando você acredita no que você tá falando, você tem uma consequência quase que natural, se a pessoa acredita piamente naquilo, de que nós acabemos por acreditar na pessoa. Mas assim, eu já tive, já convivi com pessoas que você falava assim, nossa, a pessoa ela tá fora de si.

Quando que ela fez uma graduação, uma pós-graduação? Quando que ela viajou para o exterior? Quando que ela comprou? Quando? Quando? Assim, coisas completamente assim ensandecidas. E a pessoa tava na sua, não tava patologicamente doente, ela não, ela simplesmente era mentirosa, né? Mas ela começou a criar memórias que não existiam e começou a descrever assim, falava de uma maneira muito natural sobre aquilo, e ela chegava a acreditar.

Falei, não fiz, na época a gente não convivia. Enfim, não importa, mas você sabe que é uma mentira descomunal. E a gente vê isso presente nas esferas políticas, esportivas, etc. Você vê isso acontecer, né?

?Voz A

Mas isso é racionalização, Fabião, de ato. Como o Diogo tava falando, cara, você dessensibilizou a amígdala. Quanto mais semente, cara, mais sensibiliza, mais racionalidade o seu córtex vai dar para isso. Que para ele vira estratégia, né? Estratégia de sobrevivência, estratégia de lucro, estratégia de manipulação. E aí você começa a receber coisa em troca disso, racionalizou, cara, você caiu em um limbo ali que é muito sério, porque você começa a mentir mais ainda, né?

E aí tem um grande problema. Mas eu queria jogar uma outra para o Diogo, porque eu lembro de quando a gente discutiu aqui sobre inveja, e a gente falou da inveja branca, né? Ah, mas é que eu não desejo mal, mas é aquela inveja boa que eu queria ter também, etc. Cara, vou usar um conceito assim inexistente, mas para aproximar um pouco daquela discussão que a gente teve lá atrás. E quando a gente tá falando daquela mentirinha branca, sabe, do tipo assim, a minha sogra entra aqui agora, vou olhar para ela e falar, nossa, sogra, você emagreceu uns 2 kg, sua roupa tá linda, hein?

Mas ela não emagreceu 2 kg, que ela tá viajando comigo, deve ter engordado mais um ali no meio do caminho, e a roupa não tá legal. Mas você vai falar assim, nossa, ficou bacana isso. Cara, para o cérebro, a gente tá falando da mesma coisa, a forma como ele— não, não, tá, vai lá.

?Voz C

Tem que entender o seguinte, Ivo, existe a mentira egoísta para ganho pessoal. Então, como o Fábio falou, eu venho aqui, minto currículo, eu sei lá, eu falo que eu fui o melhor médico não sei da onde, nunca me deu, nunca me deram esse título. Isso é uma mentira egoísta. Eu tô tentando convencer as pessoas a comprarem algo de mim, fazer alguma coisa assim. Então, uma mentira egoísta, ok. Mas tem a mentira pró-social. A mentira pró-social é aquela mentira em que você vai mentir para estabelecer uma unidade.

Por exemplo, você ser super sincero, sincera, não é uma coisa legal. Uma coisa é você ser verdadeiro ou verdadeira. Isso é uma coisa nobre. Em que você, por exemplo, eu já tive vários líderes que me lideraram, que eles disseram que eles chamavam para fazer uma crítica, que eu falei, não, é justo isso que eles estão falando, é completamente justo. Então isso é ser verdadeiro ou verdadeira. Agora, o que que é, o que que é a mentira, uma mentira que não cabe aí para nós?

Ah, você tá indo super bem, na verdade você sabe que não tá. Então essa é uma mentira que não cabe. Agora, aquela mentira pró-social que é assim: olha, eu confio no teu potencial, por mais que a pessoa não criou essa confiança ainda, tá? Eu confio em você, eu confio no que a equipe pode fazer, você é uma pessoa que cada vez está mais bonita. Por exemplo, para alguém que pediu sobre isso, por mais que você não esteja 100% acreditando naquilo, É uma mentira que vai manter uma coesão social.

E essa manutenção da coesão social não é uma falsidade, é uma necessidade humana.

?Voz A

É, não é.

?Voz C

Imagine se, vamos supor, estamos em Copa do Mundo ainda, falta só mais um jogo da final, mas uma das seleções que tá na final agora, a Argentina, jogou bem todos os jogos? Claro que não, muito pelo contrário. Foi fazendo uma Copa meio ruim. Imagine se o técnico fosse lá detonar todo mundo e não dissesse coisas boas para eles, por mais que ele não tivesse acreditando naquilo. Então essa é uma mentira pró-social para unir o grupo, para confiar no potencial.

Então a gente precisa, isso não tem a ressonância, mostra para nós até nesse estudo ali que a amígdala não é ativada da mesma forma Em mentiras egoístas e em mentiras pró-sociais são coisas bem diferentes, na verdade.

?Voz A

E dá para se falar então que ali que a gente tem um pouquinho de intenção sua meio que muda a neuroquímica, então muda a forma como seu cérebro responde também.

?Voz C

Muda.

?Voz A

Ou seja, aquela mentira egoísta em prol de você tá mentindo para cacete porque sua amígdala disparou muito, dessensibilizou, é totalmente diferente de você tá contando algo para alguém que não é a verdade, que você chamou isso inclusive agora de Você deu um pró-social, né?

?Voz C

Pró-social.

?Voz A

Isso basicamente não deve disparar a amígdala tal qual a outra, o que vai mudar totalmente a química sua também.

?Voz C

Porque pensa assim, Ivo, se você vai lá e fala pra uma pessoa uma mentira pró-social assim, que o que você ganha com ela?

?Voz A

Nada.

?Voz C

Não é um ganho teu, não é um ganho pessoal.

?Voz A

Uma mentirinha.

?Voz C

É um ganho que você fala assim, é uma mentira que você vai pensar o seguinte, cara, não tem por que eu ofender aquela pessoa, sabe? Não tem por que eu falar da aparência daquela pessoa. Então inclusive é até uma compaixão às vezes, você olhar e falar assim, cara, a pessoa tá tão ferrada, eu vou agora, ela pergunta se ela engordou, eu vou agora dizer para ela que de fato ela engordou? E de repente ela tá com problema financeiro, se separando, perdendo o emprego, e ainda você vai lá e coloca mais uma coisa de problema na vida dela. Cara, não, não é assim que as coisas têm que ser.

?Voz A

Ô Diogo, deixa eu puxar o que o Fábio falou agora há pouco aqui, cara. O Fábio falou sobre patologia, né? A gente tem aquelas pessoas que mentem do nada, né, sem motivo nenhum, simplesmente começa a mentir, talvez nem percebam muitas vezes, e depois já se embananou todo, já se enrolou, não consegue voltar mais naquele lugar que ele tava. Aí a gente tem um mentiroso, parafraseando o Fábio, que acho que meio patológico, né, aquilo vira uma doença praticamente.

Quando a gente olha para o cérebro dessas pessoas, cara, tem, você conhece algum estudo, dá para se dizer de alguma forma que o cérebro de quem mente muito é diferente? Ele deve ter muito mais conexões formadas porque ele tem que começar a sustentar, cara, muita mentira que você conta, né? Então imagino eu que por isso você vai ter conexões e conexões ali acontecendo, talvez está muito mais rápido. Mas será que em termos de cérebro, quando a gente olha assim o conceito todo Você conhece algo ou sabe responder se a gente tem ali o mesmo cérebro?

?Voz C

Então, tem um estudo da Universidade do Sul da Califórnia que até foi um estudo que a gente levantou para esse podcast, para esse episódio, e ele mostra que sim, Ivo, que por exemplo as pessoas que são patológicas na questão da mentira, elas têm de 22 a 26% a mais substância branca no córtex pré-frontal. Mas calma, Daí você diria, então é bom, eu vou mentir para caramba porque eu vou ter mais córtex, então isso dali é muito legal.

Na verdade não é bem assim. O cérebro ele vai desenvolver as áreas que você usa bastante. Então você pode usar teu córtex pré-frontal para planejar uma empresa, você pode usar o teu córtex pré-frontal para melhorar você como pessoa, para melhorar você como marido, como esposa, como pai, como mãe. Como empregador, como empregado, você pode usar teu córtex pré-frontal para várias coisas que um cachorro não vai conseguir usar, porque ele não tem essa estrutura cerebral.

Então, quando você vê ele aumentado num mentidor patológico, é que esse cara usou para maquinar mentiras, tá bom? Então não é que você— seria mais ou menos assim, Ivo: vamos supor que tem ali um criminoso, uma pessoa que comete crimes, E que ela ganha uma habilidade gigantesca em manipular coisas de fogo, pra não dizer, pra gente não pode falar essas palavras, tá? Isso é uma coisa boa? Claro que não. E outra que é um militar que faz, que ganhou também essa habilidade, mas pra falar que vai proteger o país caso aconteça alguma coisa.

São situações similares, mas são situações com objetivos completamente diferentes.

?Voz A

Ô Diogo, mas pera aí, cara, que agora eu tô com Um pequeno nó aqui na minha cabeça. O que está dizendo então, o que a gente viu nesse estudo aí, é que o cérebro do cidadão ou da cidadã que são mentirosos patológicos, né, ou que tem a amígdala dessensibilizada, o córtex já dá razão para aquilo lá tudo, é quase que um supercomputador otimizado para estar encontrando Caô por aí? Mentiras? É isso, bicho? Tipo assim, pô, ele mente tanto, mais ou menos isso, computador foda para mentir, para contar história, para inventar caô. É isso mesmo.

?Voz C

Porque aí eu vou dar o mesmo exemplo que eu dei no começo do podcast. Eu tava trabalhando hoje de manhã, por exemplo. Se eu tivesse, quisesse mentir aqui agora e falar assim, não, eu tava lá em tal lugar fazendo outra coisa, não sei o quê, o meu cérebro toda hora tava, estaria dizendo para mim lá dentro, Não jogo, é mentira isso, é mentira. E eu tenho que pegar minha mão lá e pegar aquela mentira e jogar para a verdade, desculpe, e jogar para o canto.

Isso consome energia, isso consome energia. Mas aí que tá, um coração que bate sobre uma pressão muito grande, ele também cresce, mas ele se torna mais potente? Não, tá? Não. Então, o nosso cérebro, ele tem que estar muito alinhado com valores e morais da sociedade. Isso sem dúvida, mas sem dúvida, Ivo. Portanto, sim, a pessoa pode ter ali, ela vai ter uma habilidade, ela pode ter uma habilidade gigantesca. E lembra daquele filme Prenda-me Se For Capaz, com Leonardo DiCaprio, que foi uma história real?

Então, logo depois que ele passa de uma vida mentirosa e fraudulenta, Ele vai para o governo ajudar a desvendar fraudes.

?Voz A

Mas aí ele caiu no lugar certo, né, bicho, para esse comportamento.

?Voz C

Ah, eu também acho que aí ele só encontrou amigos daí, né?

?Voz A

Exato, caiu no meio da substância branca.

?Voz B

Mas é até intuitivo entender que quando você vai mentir, você tem que parar. Se você não quer ser pego na mentira, você vai tentar pensar em diversas diversas situações, que você tenha diversas respostas se a pessoa te contestar. Então faz todo sentido que gaste-se muita energia, construa-se conectomas, etc., e a pessoa fique mais hábil nesse aspecto. Mas vamos lá, faz de conta que a pessoa foi, fez uma terapia na empresa, pela empresa, pelos amigos, pela patroa, e a pessoa resolveu deixar de ser mentirosa.

Então, como é que esse caminho reverso funciona uma vez que você tem uma highway super fácil que não gasta energia, que é muito fácil mentir? E mentir para si mesmo, vamos pegar o patológico. Como é que isso ocorre? Tem algum estudo? Tem alguma boa prática? Não sei, o esforço da pessoa, etc.? O que a gente pode falar para aquele nosso ouvinte que mente muito, de maneira quanto mais alguém que conhece queira ajudar, um amigo, um familiar, né, uma pessoa próxima, para reverter esse processo.

Uma vez que a pessoa obviamente tenha a substância branca ali um pouco mais avolumada, um pouco mais fortalecida, mas ela tomou uma decisão: eu quero mudar isso. Vai gastar a mesma energia para criar um novo hábito.

?Voz A

Mas só complementando, Fabião, podia responder. Pô, excelente pergunta, porque assim, você dessensibilizou uma região. Para você parar de mentir, cara, você tem que sensibilizar essa região, tem que voltar de novo ali a responder como ela deveria. O seu córtex tem que entender que, opa, comunicação aqui via amígdala e córtex é um pouco diferente. Eu não posso começar a validar tudo que vem aqui agora e criar histórias em cima. E aí, Diogo, como é que fica essa parada, bicho?

?Voz B

É porque o psicopata, só complementando também, o psicopata ele mente para caramba, né? Ele mente, mente, mente, mente. Só que vamos partir do princípio que a gente não tá falando de psicopatia, a gente tá falando de uma pessoa que tem esse péssimo hábito, foi engolida e chegou num determinado momento da vida dela e falou: eu preciso mudar a minha vida. E aí?

?Voz C

Tem um livro, Fabião, que eu li há muito tempo, há muitos anos, que eu acabei descobrindo ele através de uma matéria que eu acabei lendo, chamado Radical Honesty. Ele é um terapeuta de Nova York, não sei se tem tradução já para o português, Mas naquela época não tinha, comprei ele em inglês, li ele em inglês. E é um psicólogo que ele decidiu fazer na vida dele uma verdade eterna. Então ele falava a verdade para tudo, tá? E ele viu como era difícil também você falar a verdade para tudo, porque ele tava numa balada, a menina vinha conversar com ele, ele dizia na lata já, ó, não tem interesse no tipo de mulher que é você.

E a vida dele virou isso realmente. Por um lado, ele disse que foi muito bom porque ele fez um filtro geral de amigos e amigas. Os que aguentaram ficar ao lado dele acabaram sendo amigos de verdade. Só que por outro lado, ele via o quanto ele perdia e não conseguia ter uma parcimônia em cima disso. Mas quando a gente fala de mentiroso compulsivo, ele voltar a falar a verdade Primeira coisa, abstinência, como todo mau hábito tem que ter.

Então é uma terapia que vai ensinar ele a ter abstinência das mentiras, o que é muito difícil, que é muito difícil. E segundo ponto é aquilo que vocês falaram, ele vai ter que voltar a construir novos conectomas, a novas redes neurais para conseguir ter um parâmetro agora, que mostrar para o cérebro dele que agora falaremos a verdade. Porque assim como a mentira inicial, a mentira para quem não é patológico na mentira acaba consumindo muita energia, para aquele que virou patológico na mentira acaba consumindo menos energia com o passar do tempo.

?Voz A

E o sério não vai querer mentir nada, né?

?Voz C

Não, não vai querer.

?Voz A

Não tiver motivo muito forte por trás ali, tipo, esquece, cara, o cara vai esquecer.

?Voz C

Não vou querer, né? É bem aí, é o que o Fábio trouxe, a mensagem no caixão, né?

?Voz A

Não morri. Não vai ser uma coisa bizarra.

?Voz C

E o Fábio trouxe a questão da psicopatia. O psicopata, ele é um pouco diferente do mentiroso compulsivo por uma simples razão, Fábio. Ele tem um centro da empatia, por exemplo, diminuído, que é a amígdala. Então ele é uma pessoa que, diferente de alguém que está se acostumando a mentir, que vai cair naquela sudorese, naquela, naquele gaguejar, naquela coisa assim, o psicopata ele vai ter meio que uma habilidade inata de dar um golpe em alguém e conseguir, porque ele não vai ter uma amígdala super disparada para coibir aquele movimento da mentira, do ganho.

Então ele vai ter outras questões aí que vão acabar envolvendo essa— ele na verdade não vai precisar se acostumar a mentir, ele apenas mente, ele apenas faz.

?Voz B

Uma coisa puxando para um outro aspecto, quem ouve mentira ou vê a mentira e acaba se acomodando com ela, A gente tem acompanhado aí a Copa e muita gente fala sobre, sobre de repente uma seleção que tá sendo favorecida, que a gente não vai mencionar qual é. E mas você tem assim exemplos que as pessoas preferem acreditar em mentiras. Então a gente pode falar daquela fraude financeira do Madoff, que Robert De Niro fez um filme a respeito, ou aquela fraude daquela, quando a gente fala, enfim, né, fintech de saúde, como a gente fala quando a empresa ela é de saúde, é uma startup, ela fica grande?

Aquela empresa da Elizabeth Holmes que prometia, é a Theranos, se eu não me engano, que era uma maquininha que você colocava uma gota de sangue, fazia milhares, centenas de exames de sangue. O mesmo Lance Armstrong na questão relacionada aos campeonatos de ciclismo, a Volta da França. Enfim, quando você pega a população que acredita, seja um investidor, né, a gente tem muito disso, né, a questão que a gente teve recentemente, escândalo que a gente teve aqui no sistema financeiro há pouco tempo, né, que todo mundo acompanhou.

Por que que Para a pessoa que tá ouvindo, é tão mais fácil acreditar numa mentira. E aí a gente vai para o reducionismo de aceitar pílulas mágicas. Por que que isso acaba acontecendo? Por que que você tende a querer acreditar que investir no Madoff, no Madoff, ou de repente em outro sistema de fraude financeira, que inclusive grandes empresas brasileiras caíram e bancos fundos de investimento. Por que que a gente vai por esse lado, né?

Por que que você acredita em político? Por que que você acredita em pessoas que estão vendendo, por exemplo, soluções mágicas na internet? Soluções de emagreça, fique forte, fique mais inteligente, aprenda inglês dormindo. Por que que isso acontece das pessoas acreditarem? As pessoas têm uma necessidade de É patológico também o negócio, ou é simplesmente o cérebro economizando energia?

?Voz C

Não, mas aí é uma coisa de expectativa, como o Yu falou. Não é uma coisa da mentira, é porque aí eu quero a pílula mágica. Beleza, eu quero o silver bullet, como dizem lá nos americanos, tá? Eu quero a bala de prata. Pronto, acabou. Então se eu vier aqui falar para você, eu emagreço você sem exercício físico, pronto, eu quero. Eu faço você ficar mais inteligente sem você fazer nada, sem ler um livro, sem você estudar, sem você trabalhar.

Eu quero, pronto, acabou. Aí é mais um silver bullet, porque o mentiroso ele nunca vai dizer o que você não quer ouvir, tá?

?Voz A

E você tá em uma busca por alguma coisa, você não consegue alcançar por algum motivo, alguém chega, promete, a pessoa é convincente, te cria expectativa, expectativa menos gasta energia, menos gasta energia, vai você lá de novo, pronto, acabou.

?Voz C

Você vai cair toda hora.

?Voz A

Mesmo conceito da bet, cara, que a gente tá vendo voltar, né? A gente gravou muito tempo atrás falando sobre as bets. Aí tá ficando super em alta agora, só que porra, cara, isso tava escrito que ia acontecer desde o começo, sabe?

?Voz C

E daí você nota, só fazendo um adendo sobre essa questão das bets, porque eu acho que é um tema totalmente relevante sobre quando se fala de mentira, que aqueles mesmo que endossaram as bets são os que estão fazendo crítica agora às bets. E como o ser humano tem memória curta, tem memória totalmente curta, Aqueles políticos que acabavam, acabaram ali, não, vamos taxar para a gente conseguir mais imposto e não sei o quê, e não sei o quê.

Agora você vai pegar e vai, não, não, não, olha só que vergonhoso fulano de tal fazendo propaganda para as bets, tá? Mas e você, por que que você não coibiu? Você que tem o poder da lei, por que que você não coibiu lá no cerne da questão?

?Voz A

Ah, mas era no político, né, Diogo? E acho que tem muito a ver que a gente tá aqui agora, porque a gente infelizmente Muito isso no meio da política, né? Então assim, você vai cair logo, viu que vai perder seguidor, viu que vai perder voto, você vai, muda o seu discurso e cria outro. E é engraçado que é fácil criar o discurso e cai no que a gente tá discutindo aqui, né? Que não tô dizendo que os políticos todos eles mentem, a gente sabe que mente pra cacete, não todos, mas a gente sabe que é um meio onde isso acontece, né?

Então, cara, pra um político, o perfil dele, mudar de posicionamento tão rápido assim é super simples. E aí tá deixando de olhar tipo o cérebro, né, cara? É simples porque ele faz tanto isso que para ele virar uma chave ali para colocar um posicionamento novo é simples, cara. O cara consegue fazer olhando para televisão, né, para todo mundo, te abraçar ainda e falar: pô, eu sinto muito, com você também. E a grande maioria das vezes não sente, cara.

A gente sabe disso quando a gente olha a neurociência, né, cara? Mudança de comportamento em prol de expectativa de benefícios. É muito foda falar isso. A gente sabe que essa verdade não é algo exclusivo do Brasil, isso acontece em muitos lugares e não só no mundo todo.

?Voz B

Eu acho que foi fundamental você ter colocado, Ivo, uma coisa: o brasileiro sofre de uma síndrome de, ah, somos um país em desenvolvimento. Desenvolvimento em relação a quem?

?Voz C

A nada.

?Voz B

Não existe um modelo mais ao norte ou mais ao nordeste do Brasil, no Oriente ou no Ocidente, no hemisfério sul, no hemisfério norte, não existe. Isso não existe. Acho que essa é a primeira coisa. Corrupção é do ser humano. Essa questão de aprender a mentir é política. Eu lembro do Sunscreen, quando lançado, da M9, lançou lá em 2000, 99, e eu levei para uma formatura que eu fui para a Ninfo em 2000, lá da São Judas. E, cara, aquilo é muito atual.

É muito atual. As pessoas são saudosistas falando que no passado os políticos, as pessoas eram mais honestas, né, que existia menos corrupção, etc., etc. E quando alguém chega e fala assim, não, mas a coisa tá perdida, eu falo, não, a instantaneidade da internet, das redes sociais, traz uma realidade em tempo real. E aí, como a gente tá acostumado a prestar atenção em uma coisa que vai causar dano para uma questão de desenvolvimento do cérebro.

E aí é legal, Diogo, você falar sobre isso, né? A gente tá setado para ver perigos, né? A gente acaba, a gente acaba vendo mais esse lado negativo. Mas voltando aqui para o foco da mentira, que 10 mentiras, 10 grandes mentiras vocês elencam como as maiores que a gente teve nos últimos tempos? Por exemplo, tomar vacina dá autismo, Diogo. Isso é verdade?

?Voz C

Mito total.

?Voz B

E foi publicado na Lancet e depois foi retificado, né?

?Voz C

Mito total, total.

?Voz A

Mas se eu só puxar a parte do Diogo agora, ele tem muito mais poder de fala do que eu, cara. Infelizmente, eu tava discutindo com o Diogo esses dias, a gente tá vendo os tempos agora, cara, onde inclusive grandes revistas científicas aí tem passado por vários problemas com relação a como eles têm aprovado os artigos.

?Voz C

Total, né? Total. Virou um comércio. Não, virou um comércio, cara. Eu nem vou entrar nessa parte, a gente vai destoar muito se entrar na parte da ciência. Então, mas assim, tem que tomar muito cuidado porque o que é verdade hoje é mentira amanhã, o que é mentira hoje é verdade amanhã. Então tem que tomar esse cuidado nesse sentido. Mas tem aí, tem muita coisa. Eu acho que talvez a gente precisa ser um pouco mais críticos e analíticos.

Eu acho que isso que é o fator que a gente precisa para nossa vida. Só que até um dos meios, a gente colocou aqui na nossa lista de perguntas até, né, Neivo, sobre isso. Você até falar, talvez puxar isso, que é o gaslightning, por exemplo. Até veio isso, acho que cabe bastante nessa questão toda.

?Voz A

Isso é muito foda.

?Voz C

E para quem não sabe, é um relacionamento. Então é mais ou menos você, o gaslightning, ele tá em todo lugar, ele tá presente em tudo que é lugar, que seria mais ou menos um homem e uma mulher Eles mentem tanto, distorcem a realidade, que o parceiro acha que ele tá ficando louco. Ele acha que ele tá ficando totalmente louco, né? E o que que isso faz? Por que que isso acontece? Porque nós dependemos do nosso hipocampo para ter memória, para prever o que vai acontecer.

Então, quando um abusador ele nega uma realidade de forma constante— ah, eu nunca disse isso, você tá imaginando coisas, O cérebro da vítima, ele vai acabar entrando no estado de hipervigilância crônica. Daí, será que é isso mesmo? Será que eu tô, será que eu tô ficando maluco realmente? Isso tem tudo a ver com a política, tá? Tem tudo a ver. Porque se você pegar os seguidores de políticos aí, eles são fanáticos hoje. Então você tá colocando na cara dessa pessoa que houve corrupção, que houve um desarranjo econômico.

Não, jamais, não sei o quê. E isso é um gaslighting, acaba sendo um relacionamento também que a pessoa tem com a política, vamos dizer assim. Mas esse excesso de cortisol, ele vai acabar encolhendo o hipocampo e a pessoa começa a perder essa capacidade de previsão, essa capacidade de expectar, de criar a expectativa dela.

?Voz A

Ô Diogo, mas deixa eu pegar um gancho que você tá falando, que isso é muito doido, né? Porque quando a gente começa a falar então do impacto em hipocampo na prática, a pessoa ela vai começar a ter falha de memória, né? O que vai acabar levando, que você tá falando, que agora vai acabar levando ela a duvidar dela mesma, né? Tipo assim, putz, mas será que realmente não falei? Será que realmente não fiz? Enfim, vai cair naquela questão, quem sabe, de relacionamentos abusivos, que vai envolver outras áreas, etc.

Mas é muito doido a gente parar e pensar assim que palavras, da melhor forma, né, podem causar um dano real no nosso cérebro, né?

?Voz C

E aí vem aquela questão da infantilização social. Por quê? Porque se eu sou uma pessoa que não suporto estar num meio que existem pessoas melhores do que eu, nunca vou crescer realmente. Porque se tiver alguém que endosse a minha mentira o tempo todo, que eu fique, que eu fico, eu tô aqui naquele meio e tem alguém me enganando o tempo todo que eu sou bom, que eu faço tudo certo e não sei o quê, na verdade não é isso. O que vai acontecer?

Eu vou viver uma realidade distorcida. E essa realidade distorcida, ela passa a ser para mim uma verdade absoluta. Eu nunca mais vou querer sair daquilo. Então é por isso que ambientes mentirosos e falsos acabam atraindo tanta gente, como o Fábio colocou ali. Isso acaba gerando para nós uma resposta para o cérebro. Então é algo muito, muito louco realmente você pensar que o cérebro pode se adaptar a uma situação E uma realidade criada e não vivenciada, ela pode acabar gerando para o cérebro uma noção de que isso realmente acontece.

Então a culpa é toda minha, eu sou, eu sou um Zé Ninguém, eu sou uma pessoa que não vale nada.

?Voz A

E a gente começa a falar de dor também então, né? Porque exatamente começa a falar, ter esse tipo de julgamento com relação a você, não é só culpa, né? Você vai ter sentimentos reais de dor, que para o cérebro é a mesma coisa, né? Dor física.

?Voz C

O lado emocional, mesma coisa, mesma coisa.

?Voz B

Essa é uma coisa que você trouxe aqui, o Diogo. Desculpa, eu vou embora, que acho que é bem legal. A gente tá em tempos de deepfake onde você tem a capacidade tecnológica de emular a voz de uma pessoa, imagem de uma pessoa, golpes, etc. Eu acho que autorresponsabilidade acaba sendo a melhor arma contra mentira de uma forma geral, principalmente essas que são arapucas, sejam emocionais, sejam financeiras, sejam de qualquer ordem, ou até políticas, por assim dizer.

Porque eu fico imaginando assim, você vive num ambiente como lá do Centro-Oeste, de uma região específica, um pontinho onde todo mundo cria uma narrativa. E pegando, foi citado de Bete aqui, você muda a sua narrativa com uma facilidade assim fantástica, né? A própria justiça, jurisprudência de algumas coisas começam a ser mudadas por conta disso, e até cria-se insegurança jurídica. Então, quando isso muito bem exercitado, é meio complicado mudar.

Mas quando a gente— eu vi o Fábio Barbosa, que é presidente do conselho, se eu não me engano, da Natura, uma pessoa bem respeitada no meio corporativo, ele falou assim: se você começar a varrer na sua rua, o Brasil vai melhorar. Na verdade, ele falou várias coisas, mas ele— então, quando— e o que é varrer a sua rua? É autorresponsabilidade. É quando você pesquisar, a gente vai ter eleição agora, pesquisar sobre o candidato, pesquisar sobre fatos reais.

Você tem umas, algumas ferramentas muito poderosas, e ter um balanço analítico aí de onde pesquisar, como pesquisar, criar prompts que não reforcem vieses, né? Porque o problema da inteligência artificial é que ela diz para você o que você gosta de ouvir, né? Então tomar cuidado com isso também. Mas eu acho que volta muito para uma coisa que eu ia falar: autorresponsabilidade. Então essa questão da mentira, entre aquela mentira naquele contexto social que você bem colocou no começo e aquela que você vai começando a mentir, se vira uma coisa patológica, Para você identificar essas pessoas e até expurgar do seu relacionamento, até fazer um detox delas ou de si mesmo, acho que é imprescindível você ter uma autorresponsabilidade, uma capacidade analítica de tipo assim: eu sou responsável por essa relação profissional, pessoal, por ter voltado, voltado em fulano, Beltrano, ciclano, por ter acreditado. Eu acho que tudo vai para aí, ou não, ou eu tô errado.

?Voz C

Também, Fábio, também, com certeza. É aquilo lá que eu falei anteriormente, é o hábito, é o hábito. Na verdade, é você criar uma onda de verdades que vai acabar gerando para você uma responsabilização, que vai acabar gerando para você uma noção clara daquilo que as coisas de fato são e não daquilo que nós queremos que ela seja.

?Voz A

Isso vai te fazer ficar mais confortável, mas com certeza E acho que eu jogo, cumprimentando, inclusive a gente tá falando também numa questão aqui de trocas que te favorecem, né? Porque se você convive muito com uma pessoa mentirosa, às vezes você não quer largar dessa pessoa, porque de certa forma ela mente para cacete, você sabe disso, só que ela te faz bem, ela fica próxima de você. E aí você tá tendo uma troca para o seu cérebro vantajosa, né?

Você acaba levando expectativa para essa pessoa, que ela supre parte dela, e aí por conta disso você aceita então ficar dentro daquele cenário, e tudo bem. Eu puxei esse assunto porque o Fábio, aliás, a gente falou algumas vezes já hoje sobre questão de política, né? E acho que vale de jogou-se trazer agora um pouquinho o pessoal entender de algo que assim, que porra, é muito interessante, cara, que todo mundo fala assim, ah, fulano votou em fulano lá porque é burro, fulano votou em não sei quem porque o cara não pensa, etc.

E a gente desconsidera de novo todo o nosso cérebro, né, quando a gente começa a ser tão reducionista nesse sentido. Quando a gente pensa em eleição, cara, e tentando correlacionar um pouco a questão de mentira que a gente tá discutindo aqui, eu sei que é muito mais fácil uma pessoa que você, ela mentir para você e você aceita muito bem isso, porque a gente tá falando de ocitocina envolvida, né? Então, se existe a liberação da ocitocina no seu corpo, você gosta muito daquela pessoa, você meio que vai desligar, né, o seu radar e deixar de filtrar ou de reparar alguns conceitos do que aquela pessoa fala.

Será que quando a gente leva isso aí para política, a gente não tá vendo um cenário onde, ainda mais hoje em dia que existe, né, cara, esse lance de que é muito forte de esquerda, direita, etc., a pessoa, será que ela não tá votando em alguém basicamente porque ela tem um vínculo tão forte com aquela pessoa que ela não quer nem saber, ou ela não tá avaliando se ele tá mentindo mais para ele? Por gostar daquela pessoa, ou por gostar do posicionamento daquela pessoa, o cérebro dela é impulsionado de forma talvez inconsciente a simplesmente votar sem avaliar os fatos, os fatos que fazem isso aí agora.

É isso aí, a pessoa vai lá e vota. Votou nele porque? Ah, votou porque eu não sei, votei nessa pessoa porque eu gosto do posicionamento dele, cara. Mas ele mentiu, ele roubou, ele fez esse monte de coisa, você não olha isso? E não, não. Por quê? Porque a gente tá vendo de certa forma que então é alguns neurotransmissores envolvidos que levam a pessoa simplesmente não pensar, né? Desarma tudo aquilo que ela pensa, vai e executa. É isso.

?Voz C

É, seria muito simplório, Ivo, pegar a biologia e você justificar pela biologia uma atitude de alguém. Isso é muito simplório. Como o professor Leandro sempre fala para nós, que a biologia ela influencia, mas ela não determina. Então tem que deixar bem claro isso, porque às vezes alguém vai falar assim: não, a pessoa rouba porque ela foi dessensibilizada com relação ao roubo. Não, ela rouba porque ela teve uma atitude de mau caratismo.

E agora para ela virou normal ser um mau caráter. Mas ninguém nasce com a genética do mau-caratismo, em tese, claro, existem exceções, vamos falar assim, mas porque nada é 100% e nada é zero, tá? Mas você foi lá e você ensinou diante daquele email para pessoa que tudo bem, não tem problema nenhum. E aí quando a gente fala de política O que leva muita gente a votar e esquecer das mentiras sendo contadas é o benefício próprio. Então eu penso que se eu tenho um benefício próprio, eu acabo gerando um afago para mim. E a ocitocina, ela quebra aquele radar de mentiras que você tem.

?Voz A

Mas é o benefício próprio no sentido de ele pode ser um benefício financeiro, ele pode ser um benefício social, Ou é simplesmente o benefício de validação daquilo que você acredita?

?Voz B

Acho que tudo, né? Acho que tudo.

?Voz C

Eu posso ter um político que vai lá e defende pauta identitária e nunca fez nada pelas pautas identitárias, só que por ele falar o tempo todo sobre isso, ela falar o tempo todo sobre isso, beleza. Eu posso ter aquele político que ele vai fazendo uma adequação de discurso conforme o público que ele quer atingir. Então você pega ali uma pessoa que tá sensível a certa temática, ele fala: não, estou aqui com você. Eu vou abraçar você, perdeu ali uma coisa na chuva, eu vou pegar e dar uma lona para você pôr em cima da tua casa, qualquer coisa mínima.

Porque veja só, se nós como pessoa física, Ivo e Fábio, atuássemos como o Estado atua, que é de fazer coisas mínimas para população, sendo que eles ganham rios de dinheiro, você pegar, me fale alguém aqui até nos comentários que você todo ano bate recordes de quanto você ganha de salário. Cara, quase ninguém vai conseguir fazer isso. Agora, os nossos governos, e não falo só do Brasil, eles todos os anos batem recordes de arrecadação, todos os anos.

E daí a pessoa, ela tá tão sensibilizada com essa briga política, desculpa, dessensibilizada, que ela acaba não conseguindo fazer uma análise de que eles não estão fazendo nada mais que a obrigação deles. E fazia o mínimo ainda.

?Voz B

Esse reducionismo é muito complicado, porque você pega esse reducionismo com relação à política, e aí a gente acaba entrando no terreno extremamente, extremamente arenoso, extremamente complexo, onde no fundo eu acho que a gente acaba sendo muito peão no jogo de xadrez. E quando eu falo peão, eu acho que até inclusive alguns, alguns que a gente considera como rainha e rei são peões também. Então é um pouco complicado. Voltando para essa questão relacionada à patologia, etc., a gente já conviveu com pessoas assim.

E obviamente a pessoa era consciente disso, e a pessoa até se abriu, etc., né, e falou. Mas assim, o esforço que uma pessoa tem que fazer é absurdamente colossal, né? Porque imagina, 20, 30 anos mentindo, é muito mais fácil mentir do que falar a verdade. E por outro lado, quando você não se adequa a um ambiente corrosivo de mentira. Eu já conheci pessoas, mais de uma pessoa, e convivo com uma pessoa que é muito assim. A pessoa não consegue mentir, é muito engraçado.

A pessoa, quando não quer, quando ela não, quando é provocada a falar a verdade, ela fica em silêncio. É muito engraçado que você sabe que ela não quer mentir porque ela fica em silêncio. Ela literalmente fica em silêncio, ela prefere manter uma posição neutra do que mentir, e ela tenta de todas as formas esconder a reação do tipo assim: estou tensa porque eu não quero falar a verdade. E obviamente, como essas pessoas devem agir?

Então é mais ou menos isso. O que que você acha que essas pessoas podem fazer? Porque tem pessoas que sofrem muito, e a gente tá falando de neurodivergência. Tem pessoas com neurodivergência que, por uma caracterização XYZ, elas não conseguem mentir, ou com algum tipo de deficiência, né, com algum tipo de transtorno. Como é que funciona isso para essa pessoa? Se alguém tiver ouvindo assim, claro que eu não quero que você dê uma solução, longe disso, tá, de algum problema, é muito mais amplo.

?Voz C

Mas isso existe, rapidamente, porque daria um podcast inteiro também sobre estrutura cerebral. Então a gente não conseguiu, a gente não vai conseguir falar nada sobre isso muito profundado, mas é porque aí vem uma questão de córtex pré-frontal. Então quando você pega um TDAH, quando você pega um espectro autista, que eles têm uma disfunção de córtex pré-frontal, se torna, se tornam pessoas hipersinceras que não vão conseguir talvez colocar uma mentira social e nada disso.

Mas a gente entra em outra, em outro campo, que aí é uma divergência realmente. Aí nós estamos com outro campo, né? O que a gente tá falando mais aqui é sobre pessoas em tese normais, normais, que acabam caindo nas mentiras ou se tornando mentirosos patológicos, que aí é outra, é outro conceito que acaba entrando. Mas quando você tem uma estrutura cerebral que é necessária para você mentir e que ela tá com um desvio, que ela tá com uma disfunção, é basicamente o que ocorre, Fábio, nesse contexto, que daí você não consegue ter uma, você é mais hipersincero.

Então agora, uma pessoa normal que ela é hipersincera, por que que ela é assim? Porque ela criou um hábito de ser assim. Então ela foi exigida em certos ambientes que ela teria que fazer isso, e show de bola. Agora, a mentira ela ocorre também porque você é punido se não falar a verdade às vezes, né?

?Voz A

Deixa eu puxar um outro tema para cá agora. Você falou do hipersincero e os vulgos gorós, as pessoas que bebem, será que elas têm uma tendência durante aqueles goles a mentir mais, ou simplesmente a gente tá vendo a pessoa colocar para fora aquilo que ela é de verdade? Deixa eu compreender.

?Voz C

Com certeza é esse segundo, Ivo, porque o álcool ele vai reduzir a atividade do córtex pré-frontal. Então a pessoa ela vira uma pessoa sincera, ela fala: Ivo, eu não gosto de você realmente.

?Voz A

Ou seja, o álcool ali nas vias cerebrais vai simplesmente colocar para fora aquilo que está sendo freado.

?Voz C

Perfeitamente.

?Voz A

E sabe que isso pode complicar muito, muita gente por aqui, né, que vai naquela roladinha fim de semana, fala, pô, mas fulano bebeu, de repente tava rodando a camisa em cima, não sei onde lá, rebolando e tal. E que doideira é essa, cara? Porque só bebeu. Aí a gente deixa com vocês, galera, vocês pensarem, que a gente não vai entrar nesse quesito por aqui. Eu tenho mais duas perguntas só, Diogo. E aí não sei, para finalizar aqui, até pelo nosso tempo, cara, quando a gente fala muito da questão de polígrafo, né, porque por exemplo, tem um programa da, como é que chama, cara, que ela é super engraçada, Tata Werneck, se eu não me engano, aquela baixinha que é muito figura, cara, que eles usam com o Héctor um polígrafo, né.

Uma que para usar o polígrafo eu sei que, cara, que é muito difícil, o cara que manipula, o cara tem que ser muito bom. Mas tem uma questão também, é que a neurociência tem olhado há algum tempo já o polígrafo meio que como uma pseudociência, né? Porque essa pessoa, sei lá, se é um psicopata, ele vai conseguir passar. Se você é muito ansioso, muda. Por que que na prática, cara, a gente olha hoje o polígrafo como pseudociência, sendo que ele analisa tanta coisa, cara? Ele tá olhando suor, tá olhando corrente elétrica, enfim.

?Voz B

É a modulação, complementando, é a modulação do cara que aprendeu a mentir E que literalmente é conseguir controlar o que é involuntário do sistema simpático.

?Voz C

É, sim, na verdade, na verdade é isso, Fábio, é realmente é isso. Porque o que que acontece, o polígrafo ele mede o estresse e não a mentira. Se a pessoa ela consegue coibir o estresse da mentira, ela vai acabar enganando o polígrafo. Então um psicopata ele consegue enganar o polígrafo, sim. Um mitomaníaco consegue enganar um polígrafo? Consegue. Então hoje a neurociência ela não coloca mais o polígrafo como uma ciência de verdade e legal para você colocar numa delegacia, num julgamento, onde quer que seja. Não vai funcionar dessa maneira não.

?Voz B

Show! Mais uma dica do podcast Cerebrando Viemos para quebrar o chão que que está à sua frente, meu amigo, não espere certezas absolutas, e sim muitas dúvidas e muitas linhas de reflexões.

?Voz A

Ah, cara, hoje vai ser um tal do cara ouvir, começa a lembrar da galera que ele saía, que bebia e fazia umas coisas meio estranhas, e vai começar a pensar: porra, será que era realmente o álcool ali por trás? Deixei para última minha aqui, Diogo, meio que tentando agora regredir um pouco aí a questão da mentira, né, dentro do comportamento humano do nosso cérebro. Cara, criança quando começa a mentir, mente mal para cacete, né?

Eu vejo pelo meu filho quando ele fala assim, ah, mas eu nem joguei todo o tempo de videogame que eu tinha hoje, já acabou. Aí só ela fala, você jogou? Não, não joguei, porque eu sei o tempo que foi. Ele sabe inclusive os minutos que passaram certinho, né, segundos e o cacete. Mas eu sei que isso é algo importante quando a criança começa a fazer isso, porque na prática ela tá aprendendo a frear um pouco o córtex dela já, né. Então acaba sendo um estágio evolutivo importante.

Agora, será, cara, que como a gente vê isso aí nas crianças e a gente tá discutindo aqui agora, de alguma forma a gente nasce, ou cérebro, ele nasce programado para mentir por conta de sobrevivência?

?Voz C

Basicamente, nós nascemos prontos para sobreviver, Ivo, não para mentir. Se você tiver no ambiente que falar a verdade vai te trazer benefício, nós vamos falar a verdade o tempo todo. Por exemplo, você tem uma casa igual você falou do teu filho, teu exemplo, exemplo maior, o teu filho. Se ele entende que falar a verdade faz ele receber metade da punição, e se ele, se você descobrir a mentira dele faz dobrar a punição, ele vai ter uma tendência a falar muito mais a verdade para você do que a mentira.

A pessoa tem que estar no ambiente seguro. O Simon Sinek, ele fala que ele só vai, ele só acha que a equipe dele teve sucesso No momento em que as pessoas falarem os erros que elas cometem para ele, que é o chefe. Só que como que ele faz para que isso aconteça? Ele dá uma segurança que essa pessoa não será punida caso ela falhe um erro, que é observado hoje em dia, né?

?Voz A

São observações, exatamente, maioria dos pais, tipo assim, pegou na mentira, já vai, esculacha, né? Mas nunca sentou para mostrar a importância do tipo, cara, eu vou estar sempre do seu lado, mas tem que ser verdade, porque a mentira não tem espaço aqui. É um pouco do que falta, inclusive, né?

?Voz C

Com certeza, com certeza, Ivo. Então o que nós temos que criar são ambientes seguros para que as pessoas falem as verdades. Não digo todo mundo, porque todo mundo não dá para falar que é assim, mas existem pessoas hoje que elas mentem porque elas foram ensinadas pela vida e que quando elas tiveram que falar a verdade elas foram punidas. E aí o que que eu faço? Existe, tem um grande livro que eu tô lendo agora, que veio a minha esposa ler, falou, você tem que ler esse livro, que é Flores para Algernon, que é um livro sensacional, metade do século 20 escrito.

E tem uma passagem que ele descobre que um colega dele tá fazendo um roubo dentro da padaria que ele trabalha. Ele entra num dilema moral, porque assim, se eu não falar para o dono que eu gosto tanto, eu sou cúmplice. Agora, se eu falar, eu vou punir um cara que tem 3 filhos. O que que eu faço? O que que eu faço? Então, é para terminar esse dilema moral, e vou olhar, ele é nosso dia a dia, mas nós vemos prontos para sobrevivência.

Então a mentira, ela não está, se ela tiver ligada à sobrevivência, sim. Se for, se eu tiver que mentir para não perder o meu emprego, inconscientemente eu vou começar a traçar uma teia de mentiras. Isso é natural. É raro você conseguir uma pessoa que foi criada com tanta autoestima e com tanta firmeza na vida pelos pais que ele fale: olha, independente de qualquer coisa, eu vou falar a verdade, porque se amanhã eu perder meu emprego e a minha família não comer, tudo bem, tudo bem, eu vou arranjar outra coisa, mas eu não vou morrer sendo uma pessoa mentirosa.

E aqui no Brasil, vamos ser bem sinceros, é um país que ser honesto é coisa de otário, para não dizer outra coisa. O Brasil, ele diz isso na nossa cara todo dia. Então, como que o nosso próprio ambiente de país, ele acaba não jogando nós para uma vida de realidades e verdades? Então, para terminar, basicamente a gente tem que criar um ambiente de verdade, um ambiente em que a verdade não puna as pessoas. Um ambiente em que você, ou que puna de uma forma justa, não, não de uma forma injusta nesse sentido, e que você consiga ter uma vantagem em dizer verdades. Aí sim, talvez as coisas caminhem.

?Voz A

Boa! Tem mais uma aí, Fabião?

?Voz B

Eu vou jogar uma última para o Diogo fechar agora, mas não, não, já encerrei daqui.

?Voz A

Pode ir embora, Diogo. Seguinte, vamos fechar no estilo aqui agora mais neurociência, bicho. Se eu tenho uma dessensibilização da amígdala, e a gente acabou não falando disso, né, mas quando você mente muito, a gente tem aqui a dopamina altamente envolvida, né, porque mentir vicia, tal qual um monte de substância, etc. Então, se o cara tá viciado em mentira, tem liberação de dopamina, aquilo cria expectativa para ele, a amígdala tá dessensibilizada, o CPF dele não julga mais aquilo, começa a dar razão e começa ainda a fazer que as histórias ganhem peso para ele.

Bicho, na prática, como que você vai sair dessa ladeira escorregadia? A pessoa que tá ouvindo a gente fala, caraca, caiu muita ficha para mim agora, etc., mas puta, como é que eu saio dessa agora, cara? Como é que eu vou voltar a criar uma sensibilização na amígdala, fazer o meu CPF entender que tá errado, parar de liberar dopamina à toa aqui? E aí, você vê algum caminho, cara, para não escorregar aí? Qual é?

?Voz C

É uma decisão, é uma decisão. Se você começar a entender que falar a verdade ela acaba machucando muito menos as pessoas e que você cria uma rede de confiança quando você é uma pessoa que fala a verdade, porque uma hora ou outra aquela história que a mentira tem perna curta, Iva, é verdade. Isso é uma verdade, tá? E é verdade, e vai te libertar, e vai te libertar realmente.

?Voz A

Aliás, não só perna curta como fôlego, né? Que você pode fugir da sua vida inteira Mas ela vai continuar atrás e uma hora essa porra te alcança.

?Voz C

Então quem não tem no trabalho, na família, ou se não é você mesmo aquela pessoa que é o Forrest Gump da família, do trabalho, ou se é você mesmo que você é o contador de histórias, a pessoa fala não, não, eu conheço, é aquela pessoa que tem solução para tudo menos para vida dela. Então ela conhece todo mundo que vai resolver os teus problemas, mas o dela nunca tá sendo resolvido.

?Voz A

Porque o Corta disparado querendo falar uma coisa de novo aqui, bicho.

?Voz C

É, entendeu? Não, não, não, porque eu falei lá do, sei lá, do Rio Grande do Sul. Não, porque eu tenho um cara lá no Rio Grande do Sul que pode resolver teu problema. Tá, mas cara, não vou falar nomes, né, cara? Mas é isso aí, Ivo. A nossa vida ela vai ser pautada em verdades quando você tiver uma vantagem em ser, em as verdades ser contada. Por isso que dentro de casa, pessoal, a melhor lição que vocês podem dar para esposo, para esposa, para filhos, para todo mundo é Diga a verdade, por mais que doa.

Isso vai te acostumar a ser uma pessoa verdadeira. E no fim das contas, o próprio sistema— lembra o final do Tropa de Elite 2, que o Fábio diz para o Rocha: agora temos que povoar lá aquela, aquele morro que nós conquistamos com a minha equipe? Jamais, cara, tua equipe toda corrupta. No fundo, no fundo, as pessoas querem pessoas honestas do lado delas. E pessoas verdadeiras. Então a verdade sempre vai prevalecer. E como o nosso sábio Jesus já dizia, eu sou a verdade, a verdade vos libertará. E é isso aí mesmo, é isso.

?Voz A

E mentira nenhuma vale a pena na prática, né, cara? Você acaba carregando. Vamos falar em termos cerebrais, né, bicho? Você tem que sustentar tanta coisa e por tanto tempo, cara. E aí você fala assim, porra, o cara não consegue achar disciplina e força de vontade para malhar em prol da saúde. Mas para mentir, a desgraça vai lá e consegue reformular o cérebro inteiro dele, né? A vida inteira fazendo isso aí, dá-lhe ATP, dá-lhe tudo.

Pô, foda, né, cara? Mas enfim, por isso que é muito legal falar de neurociência, galera. Vocês que ouviram a gente aí, essa foi a nossa temporada 5, nosso episódio 19. Fabião lembrou, hoje estamos quase batendo 100 episódios por aqui. Vira e mexe a gente some, né, principalmente meados e final do ano. Mas obrigado pelo carinho, pela audiência de vocês. Continue mandando para gente aí dúvidas que vocês tenham, sugestões. Inclusive a gente abriu um espaço lá no ibrace.org/podcast, caso você queira participar com a gente aqui, tenha assuntos muito legais e consiga efetivamente, dentro da neurociência e saúde mental, trazer algo que vale a pena.

Coloca lá o formulário, super simples, pessoal que vai receber e dá um alô para vocês. De repente vocês vêm para cá bater um papo com a gente sobre isso. Enfim, é isso. Vocês nos encontram lá no @podcastcelebrando, no YouTube, no Instagram, no Spotify, Deezer, Apple, cara, na casa da sogra de vocês, onde vocês quiserem. Podcast Celebrando tá sempre presente lá. E a gente se ouve daqui alguns dias de novo. Deixo vocês aqui agora com o Diogo e Fabião para encerrar. E por favor, não citem nomes de pessoas no final agora, viu, Fabião?

?Voz B

Porque você deve estar amarrando, freando seus impulsos aí também. Eu estou aqui segurando.

?Voz A

Mas lembrei de você.

?Voz B

Que se faça luz onde há de escuridão. A verdade vos libertará e nos libertará. E lembrando que estamos gravando aqui durante a tarde, mas se você tá nos vendo pela manhã ou à noite, boa noite, bom dia, boa tarde. E essa foi mais uma pedida, uma sugestão da nossa querida audiência. E a gente queria agradecer muito pela participação de vocês. É uma honra sempre estar por aqui e vai ser um prazer estarmos na próxima semana trazendo mais um tema. É contigo, Diogo.

?Voz C

Pessoal, muito obrigado mais uma vez. Leve uma vida mais verdadeira porque isso vai valer a pena, sem dúvidas. Você vai se sentir muito melhor, muito mais leve. É muito menos consumo de ATP, gastará teu ATP para coisas úteis da vida, como estudar, trabalhar, amar, e coisas que são muito mais legais do que ficar maquinando mentiras. E para você que nos curte, nos comenta sempre, nosso muito obrigado. Para nós isso é essencial. E se você ainda não divulgou o nosso podcast para pessoas que são do interesse que você gosta, Por favor, vá lá, compartilhe, que isso ajuda que nós façamos mais episódios como esse.

Mais uma vez, nosso muito obrigado, até o próximo episódio, e valeu, pessoal! Até mais!

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