T5E11 | LUIS JUSTO | CEO ROCK WORLD | NEUROCIÊNCIA E LIDERANÇA EM TEMPOS MODERNOS
E aí comunidade cerebral! Esperamos que estejam bem e felizes por aí!
Episódio incrível na área, e dessa vez com o incrível Luis Justo, CEO da Rock World que gerencia o Rock In Rio, Lollapalooza e The Town, e nele batemos um super papo sobre Liderança e Neurociência em Tempos Modernos.
Tag alguém que precisa ouvir isso, por que esse evento e a aula que o Luis deu está sensacional!
Gerenciar crises é um desafio constante, mas gerenciar crises em eventos, em cada show, cada festival, traz sua própria pressão e ansiedade. A chave? Entender um pouco sobre você mesmo, sobre planejamento, aceitação, ter um propósito e um bom time.
Não podemos controlar tudo, mas podemos nos preparar para o inesperado e tirar lições em meio ao caos!
No final das contas, a liderança é sobre entender o que está ao nosso redor e como podemos nos adaptar, e isso tem tudo a ver com neurociência!
Bora ouvir? Aproveita e já segue nosso podcast, e já deixa também aquela constelação de estrelas super importantes que amamos!
#Cerebrando #Liderança #Neurociência #Eventos #Equilíbrio #RockInRio #Lollapalooza #TheTown #PodcastCerebrando
Ivo
Luiz Justo
- Conclusão e benefícios práticos do livroHabilidades de liderança · Paradoxos na liderança · Hard skills vs. Soft skills · Inner skills (autoconhecimento, presença) · KPIs: Key Performance Indicators, Key People Indicators, Key Purpose Indicators
- Gestão de CrisesIdeograma japonês para crise (risco e oportunidade) · Incêndio na Osclin e reinvenção de processos · Pandemia e diferentes reações empresariais · Não desperdiçar a crise
- São Paulo na LiderançaValores da Rock World (criatividade, coragem, pensar grande, work hard, play hard) · Importância de cada indivíduo na experiência do evento · Propósito genuíno do líder · Impacto do propósito no cliente e na equipe
- Gestão e Liderança Baseada em NeurociênciaGerenciamento de crises em eventos · Autoconhecimento e presença · Neuroplasticidade e treinamento cerebral · Amígdala e sequestro cerebral · Impernanência e aceitação · Wabi Sabi e valorização do tempo
- Eventos e Experiências PresenciaisDopamina e expectativa · Conexão entre a equipe e a experiência do público · Música e seu impacto no cérebro · Sentimento de pertencimento
- Trajetória profissional e IAInício da carreira executiva · CEO da Osclin · CEO da Rock World · Expansão de eventos (Detal, Lollapalooza, The Town)
- Solidão e IsolamentoResponsabilidade das decisões · Importância do time e da escuta ativa
Fala, pessoal. Meu nome é Luiz Justo, sou CEO da Rock World, a empresa que está por trás do Rock in Rio, Detal, Lola Paluz, e estou aqui, diferentemente, como convidado, abrindo aqui o Cerebrando, esse Cerebrando, esse podcast maravilhoso que está na temporada 5, esse é o 11º episódio.
Eu estou aqui para tentar entender um pouquinho do meu cérebro, essa maluquice aqui, junto com a galera que vocês já conhecem aí no dia a dia, para a gente trocar uma ideia aí sobre liderança e sobre neurociência. Acho que vai ser bacana, não vai, galera?
Pô, aí começou assim, eu já pedi o lugar de host aqui, né, cara? Com uma entrada dessa. Fala, gente, bem-vindos ao Cerebrando. Estamos aqui, como o Luiz falou, na temporada 5, episódio 11, para um super papo aqui hoje, envolvendo um engenheiro e CEO de uma empresa super incrível, com vários eventos por trás. Ele vai falar um pouco para vocês já, já.
com o doutor Leandro, nosso neurocientista de verdade, com o doutor Diogo, nosso neurologista, e o Fabião, que entre alguns segundos aqui é um outro engenheiro para um bate-papo sobre liderança e neurociência em tempos modernos. Vamos entender um pouquinho do que rola de verdade por trás desses mecanismos. E aí, Leandro, fala, Diogo, como é que vocês estão?
Fala, pessoal, tudo bem? Como é que vocês estão? Por aqui tudo certo, Ivo. Tranquilo, caminhando, cantando e seguindo a canção Alá Geraldo Vandré. Tudo certo por aqui. E vocês aí, tudo bem? Pessoal, muito obrigado mais uma vez pela presença no nosso podcast Cerebrando. Luiz, nós agradecemos muito a tua presença. Para nós é muito importante ter uma personalidade como você. Então, muito obrigado e com certeza será um papo muito legal.
sobre liderança, neurociência e afins. Vamos lá, então. Muito obrigado. E até as próximas perguntas, que serão muito boas, né, Ivo?
Boa, põe boas nisso, viu, cara? Enquanto o Fabião tentando por aqui. Ô, Luiz, eu queria começar de um jeito um pouco diferente, cara. A gente vai falar aqui muito de liderança, falar um pouco sobre o livro que você lançou também, sobre eventos, sobre a vontade nossa de te colocar a marca de ressonância para saber como você gerencia algumas crises que acontecem por aí. Mas, cara, conta só um pouco, pessoal, de quem é o Luiz por trás do cargo.
A gente viu um pouco por aqui. Você começou a carreira executiva sua bem novo, né? Já com uma equipe grande.
sendo liderada, mas e o Luiz por trás disso, cara? Então, eu sou o Luiz, pai da Gabriela e do Bernardo, meus dois grandes filhos, e padrasto da Maria, do Guigo, enfim, tem uma família maravilhosa, casada com minha super esposa Roberta Coelho, minha inspiração diária aqui da minha vida.
E, cara, músico frustrado, a gente estava falando sobre isso aqui antes de começar o podcast. Achei que você ia deixar isso em off, Luiz. A vida é um livro aberto e a gente provavelmente vai ter oportunidade de falar aqui sobre o quanto que a gente cresce a partir das nossas fragilidades. Sem dúvida. E não tenho dúvida que acho que essa é a minha trajetória.
O Ivo estava falando, de fato, eu tornei executivo CEO de empresa muito cedo, aos 28 anos de idade. Eu virei CEO da Osclin, uma marca de moda, talvez a galera conheça, e vivi uma trajetória de 11 anos, de bastante crescimento também lá na Osclin, até assumir em 2011 como CEO da Rock World. A empresa era só, na época, o Rock in Rio, que estava voltando para o Brasil depois de bastante tempo.
Só o Rock in Rio é sacanagem, né? Vamos relevar aqui. Somente, somente. Somente do ponto de vista numérico, que era muito trabalho e continua sendo. E aí a gente expandiu, como eu falei, hoje a gente faz também o Detal, que é um evento em São Paulo gigantesco, o Lollapalooza, que é esse evento incrível que acontece no mundo inteiro. Já tem três edições que a gente faz aqui no Brasil também.
Mas é essa trajetória de um engenheiro muito frustrado que foi se aventurar no mundo da gestão e da liderança e tem o prazer e o privilégio, como eu estava falando, já são mais de 20 anos como CEO de empresa. E sou um apaixonado por isso. Eu acho que essa história de misturar gestão e indústria criativa, porque são 20 anos de moda e entretenimento, acho que tem um pouco a ver com essa história de brincar com os lados diferentes do cérebro e tal, e que é um pouco da minha jornada.
Boa. Eu queria agora te fazer uma pergunta e puxar o Leandro com o Diogo pra cá. A gente até brincou antes de entrar aqui no ar que, cara, gerenciar uma empresa não é algo fácil, né? E aí de repente se gerenciar uma empresa que tem ali milhares de pessoas ansiosas pra querer entrar em um lugar, pra poder curtir aquele show, que estão falando de emoção, estão falando de fãs, ou seja, o cérebro dessa galera é diferente, eles querem, eles estão ansiando muito por aquilo.
E de repente você tem que lidar com várias crises, né? Então a gente falou de pandemia, mas cara, passou a pandemia, vocês criaram um outro festival.
dentre os vários festivais, você vê várias vezes aí que, pô, caiu água, virou aquela loucura. E o gerenciar isso aí tudo, cara, porque a gente tem que falar de liderança, mas eu acho que é legal agora, quando eu puxo o Leandro e o Diogo, porque assim, como uma pessoa consegue fazer o gerenciamento padrão de um CEO na empresa, que aí é ok, mas tem que lidar com tanto risco e com as crises que acontecem, cara. Você gerencia bem isso?
Porque na prática o que a gente tem ali é um cérebro gritando, né, cara? É amígdala, é adrenalina, pô, aquela loucura, cotisol comendo solto. E aí, cara, como é que é isso para você? Como é que você consegue manter esse equilíbrio? Olha, de fato, eu tenho um quadrinho na minha sala que me deram de presente alguma publicação de uma revista gringa que é uma matéria dizendo que algum estudo, não sei qual foi, que determinou que a nossa...
profissão de produtor de evento é a terceira mais estressante do mundo, só perde para policial e bombeiro. Então, assim, é nesse nível. Porque, de fato, um evento você tem hora, minuto e segundo para abrir portas, tudo tem que estar funcionando ali naquele momento. Muitos fatores, obviamente, de risco que precisam ser gerenciados. Muito planejamento que você precisa fazer para garantir que no momento que o bicho pega e sempre você tem que você tem.
uma eventualidade, não é à toa que o nome é evento, para poder lidar. Então, sem dúvida, é uma profissão que requer muitos momentos de você saber se portar e lidar com a diversidade.
E eu sim me considero, e depois a gente até vai falar aqui sobre o livro, o livro fala muito sobre a questão do equilíbrio, eu entendo que eu consigo, e consegui, e obviamente foi um processo também de amadurecimento, junto com o amadurecimento de vida, o amadurecimento de profissão, de você entender a partir, obviamente, das recorrências, de situações que você precisa administrar.
isso começa a te dar também um pouco mais de tranquilidade para lidar com os desafios. Mas nesse mergulho para dentro, e eu considero, estou chegando nos meus cinquentinhos aqui, acho que numa fase de vida onde eu tenho buscado muito esse lugar do autoconhecimento, da espiritualidade, não no caminho de religião, mas de fato de entender sobre algo que não é só o físico e o racional mental.
E eu tenho entendido cada vez mais que a presença para você lidar com qualquer situação da vida, difícil, agradável e tal, é uma das grandes ferramentas que você tem, inclusive, para te tirar da situação da ansiedade quando você tem algum grande problema para lidar. Então, sempre que tem alguma questão...
Aquele hiperfoco, aquela vontade de você estar ali sabendo que as coisas são como elas são e aceitando. Porque também muita gente fica batalhando ali na não aceitação do problema como ele é dado. E, na verdade, um evento dessa dimensão tem muitos problemas que são dados ali. Uma chuva que cai. Você não vai saber, não tem planejamento do universo. A gente nem vai conseguir cobrir o evento inteiro para evitar que se chover, não vai molhar as pessoas, atrapalhar a experiência.
e a gente nem controla se vai chover ou não vai chover. Então, como é que você lida previamente com o planejamento para tudo aquilo que você pode fazer, sabendo que aquilo pode acontecer, ser feito, e a partir do momento que ele acontece, lidar das coisas como elas são. Então, acho que esse equilíbrio, essa tranquilidade, e um exercício que eu faço muito também é me projetar.
Será que daqui a cinco anos eu ainda vou estar sofrendo como eu estou agora com essa situação que eu estou tendo que lidar? Isso de alguma forma você se colocando e sabendo que não vai ser, né? Até porque a vida tem todas aquelas questões da impermanência, né? Nem tudo está tão bem o tempo inteiro que ela não vai piorar e vão, né? Mesmo que você esteja vivendo ali no céu de brigadeiro, alguma coisa vai acontecer na tua vida, seja do lado pessoal, do profissional e tal, que vai te desafiar.
e nem tudo vai estar tão ruim e que em algum momento você não vai superar e vai passar, mesmo que seja a maior diversidade do mundo. Então, acho que o equilíbrio vem muito desse lugar de exercer esse autoconhecimento, essa presença, esse entendimento de aceitação das coisas como elas são, e obviamente, ter um trabalho e uma equipe para planejar o suficiente para você ter menos situações como essas para ter que lidar.
Boa. Ô Leandro, e aí, cara? Tá pensando aqui você e o Diogo, porque assim, a cabeça do Luiz é uma cabeça um pouco diferente.
Quando você conversa com o pessoal, você fala, cara... Você me chama elogio ou está me chamando de maluco? Fala aí, eu vou... Isso foi um elogio, cara. Na verdade, a gente chegou com um elogio. A gente estava falando isso aqui atrás. Isso a gente deixa no ar, viu? É difícil. Esse planejamento é muito difícil, porque, de novo, você gerenciar uma empresa como CEO, cara, é uma tarefa. Você está preparado, ela é relativamente fácil.
No seu caso, você falou do seu livro, é até interessante, né? Porque quando você traz a questão de equilibrar demandas, cara, para equilibrar demandas, você tem que confiar muito no seu time, tem que ter um time muito bom. E você tem que inovar nesse meio, você mostrou que você faz isso. Mas quando você pensa, eu tenho que equilibrar demandas, eu tenho que inovar, você tem que dar liberdade para o seu time. Cara, você dá liberdade para o seu time, começa a aparecer erro, padrão.
Isso vai acontecer. Agora, uma coisa, pegar aqui, né? Meu negócio, cara, o pessoal errou, é correção em tecnologia, liga para um cliente e resolve.
Cara, o seu lugar, quando você erra, você está falando de eventos de milhões. E você ainda trabalha com... E vamos ter que falar que agora o Leandro adora isso. Cara, você trabalha com músico muito grande. O músico, quando não é muito grande, já te dá muito trabalho. Quando ele é muito grande, é muito difícil trabalhar com eles. Eu não vou te colocar a massa justa, é claro. Não pergunte, não pergunte. A gente sabe, cara, que assim... O cérebro funciona... O cérebro funciona diferente, né, bicho?
Então eu tava pensando aqui, e aí que eu devo pro Leandro e pro Diogo agora, porque, cara, basicamente a gente tá falando aqui é de você, de neuroplasticidade, né? Você treinar o seu cérebro pra conseguir chegar a um nível desse, onde você consiga se projetar, consiga pensar. Não é todo mundo que consegue fazer isso. Você tá falando de gerenciar, cara, o seu medo, a sua ansiedade, o córtex frontal maluco, a sua amígdala gritando. E aí, cara? Não é...
Na visão de vocês aí, cara, vamos fazer um raio-x da cabeça do Luiz para tentar entender aqui. Na verdade, antes de tudo, eu achei tua fala bem interessante, viu Luiz? Bem interessante mesmo. Eu achei que seria um pouco mais desequilibrado na fala, no sentido de, cara, ferra e ferra e ponto final. Porque normalmente funciona assim em vários contextos.
E com certeza, talvez no início do processo, não pensando nos eventos em si, mas no início da tua carreira enquanto líder, talvez não fosse assim também, você foi construindo. Eu costumo dizer, as pessoas me pedem muitas receitas para líder, eu falo que o líder se constrói na liderança. A gente não tem receita de líder. Líder se faz fazendo.
não tem receita, não é receita de bolo de cenoura, e a gente quer muito uma receitinha pra tudo, por isso que inclusive os livros que mais vendem hoje são livros que dão muitas receitas pra gente, e a gente acaba muitas vezes perdendo um pouco aquilo que é a experiência que deu certo e a que deu errado também. Então na tua fala, você traz coisas bem legais que a gente pode inclusive, imagina o seguinte, você falou estar presente.
Se as pessoas me perguntassem hoje qual que é o déficit do mundo contemporâneo, eu diria que o déficit do mundo contemporâneo é um déficit de atenção presencial. Não atenção, nem déficit de atenção, é atenção presencial. As pessoas já não estão mais presentes. Primeiro por quê? Porque a gente é consumido por distrações constantes. Distração é o quê? Celular o tempo todo, tudo que a gente já faz. Então, se colocar presente é recrutar lá na parte mais externa, aquela partezinha de fora aqui do cérebro... Deixa eu pegar aqui, Luiz.
A galera que está aí no vídeo, eu estou mostrando o cérebro, a parte mais externa aqui, né? Que todo mundo conhece lá, que chama córtex esse troço, é uma casca. E é a área que inclusive nos traz consciência. E a nossa biologia foge dela, né? Então assim, por quê? Porque estar presente é gasto de energia, a gente não quer gastar energia.
A gente foge desse processo. Então, estar presente, lidar com a situação, uma outra palavra fantástica que eu utilizo bastante em alguns contextos, e você fala muito bem, Luiz, a impermanência.
Cara, isso é fantástico, porque o cérebro tem uma auto-sabotagem e tentar protelar, achar que o sofrimento é eterno, e não é. Quem hoje trabalha isso muito bem, o Oriente trabalha isso muito bem, o Ivo, que mexe muito com essa prática meditativa, inclusive, com o pessoal no Tibete, essa visão de impermanência se utiliza bastante. Tem um instrumento, inclusive, de escrita, eu até comentei em um outro podcast aqui.
que no português é fácil de decorar, mas o nome não está em português, tá, gente? Vou falar quase em mandarim, chama-se fuder. E aí, daqui a pouco o pessoal está criticando, gente, não estou falando do português. Então agora ninguém esquece mais. Que basicamente as pessoas escrevem com água. Você pega a água e você desenha, pinta e tudo, e daqui a pouco desaparece.
E aí quando você comenta com as pessoas que trabalham com isso no Oriente, você fala, pô, mas você está fazendo isso, gasta um tempão escrevendo com água, daqui a pouco desaparece. Aí ele fala assim, mas o que você escreve com a tinta também desaparece.
O que difere é só o tempo, mas o teu também vai desaparecer. Então, a lógica da impermanência nos traz mais racionalização para que o sofrimento e o momento de causa não acabem engolindo a gente. Então, essa tua fala é bem interessante, bem legal mesmo isso. E, Leandro, deixa eu só até complementar aqui que você falou do Oriente e eu sou também um...
grande, além de praticante de meditação e tal, eu acabei de voltar do Japão e aí você falou dessa prática e eu falo numa outra que vai na outra ponta e eu fiz até uns 10 posts no LinkedIn sobre aprendizados do Japão que eu trouxe pra liderança e tal, baseado nesse tempo que eu fiquei lá.
E um deles, que é muito bacana, que vai justamente no ponto do tempo, que era o que você estava falando dos atalhos que as pessoas querem e tal, eles têm lá na filosofia deles, não é o fuder, é outra palavrinha, que é o Wabi Sabe, que é o seguinte, a valorização das coisas que levam muito tempo. Então, e a simplicidade e a perfeição do imperfeito.
que o tempo tem. Então, por exemplo, eles têm algumas estátuas cobertas de limo, de budas, todos cheios de limo, que todo mundo ficaria naquela aflição de, não, tem que limpar, tirar esse limo para estar ali aquela estátua perfeita. Eles valorizam muito mais aquela estátua lotada de limo e tal, porque reconhecem que aquela estátua está lá há muito tempo.
e o tempo é algo valioso dentro da construção do aprendizado. Então, quando você fala todo mundo buscando o livro para achar o atalho e economizar a energia do cérebro para tentar chegar rapidamente a algum lugar e não valorizar, o abissabe aí, o poder.
absoluto do tempo, na construção, na formação do líder, na construção desse entendimento interno de como lidar com situações adversas. E aí é o paradigma. Você se perde no tempo quando você não está presente vivendo agora.
Isso é muito bacana. Poderíamos falar aqui um podcast inteiro sobre tempo e presença, porque eu sou apaixonado pelo tempo. E o legal é que quando a gente fala do ser humano, o ser humano tem a capacidade de mudança. Eu acho que isso que é o mais legal do ser humano. E uma das questões que você fala do tempo é interessante porque para a saúde mental, você estar são é você esperar por gratificação.
é você conseguir ter essa espera por gratificação. E essas questões que você fala da experiência, até no teu livro tem um capítulo que eu achei bem legal e que eu acabei até sublinhando bastante, que foi quando a Osclin pegou fogo e que você fala que o teu chefe olhou para aquilo, pegou um pedaço de tecido do chão que não tinha sido queimado e vocês criaram a melhor coleção da história da Osclin depois.
E isso ocorre por quê? Porque o ser humano tem uma capacidade que é... Quando eles viram a depressão, por exemplo, viram que havia neurônios serotoninérgicos que eram o problema em uma certa localização que era chamado núcleos da RAF, mas isso não vem tanto ao caso. E interpretaram assim, ok, a pessoa que tem esse problema tem depressão, só que na realidade isso não se comportou dessa maneira.
e eles viram que era o córtex pré-frontal, a interpretação daquela situação que levava, na verdade, a pessoa, exatamente ali onde o Leandro está apontando, era a interpretação da situação que levava aquela pessoa a sofrer ou não diante de um quadro que ela estava passando na vida, seja uma perda de dinheiro, uma perda de emprego ou qualquer outra situação. E aí quando você vai para pessoas da liderança, você nota que essa capacidade foi expandida.
Talvez por treino, talvez por entender que isso que você falou muito legal, que eu achei muito legal, como que eu estarei daqui a cinco anos? Será que eu tenho que sofrer tanto? Porque vai fazer diferença?
Será que o carro que eu tenho hoje, eu vou lembrar daqui a cinco anos que ele quebrou? E eu vou me estressar tanto hoje por causa disso? Então são essas questões que levam os verdadeiros líderes a conseguirem superar muitas coisas que pessoas comuns não conseguem, mas com muito treino, com muita associação, porque o nosso cérebro é associativo. Tem pessoas que diante do problema travam, se deprimem, e tem pessoas que diante do problema se motivam.
vamos para frente, vamos reunir equipe, vamos reunir as melhores pessoas, vamos resolver todo mundo junto. Então tudo isso é muito interessante, é muito importante que nós tenhamos essa noção até para construir esse futuro de um jeito bem interessante.
Então, mas vocês sabem, vocês estão falando, eu estava pensando aqui, cara, a hora que o Luiz falou que ele medita, aí já pulou para o meu time aqui, eu já entendi muita coisa, né? Porque a gente sabe que a meditação efetivamente, ela ajuda muito nesse ponto. Mas está me cutucando uma dúvida aqui ainda, que é a seguinte, cara, a impressão que eu tenho, tem um ditado aí, o Luiz, no mercado, que eles chamam de sequestro de amígdala.
Quando sente uma situação, cara, tem muita coisa acontecendo no mesmo tempo, sente desespero. Ivo, desculpa eu interromper, só para deixar claro, você está falando muito de amígdala, mas eu acho que é bom comentar um pouquinho, até para quem nos escuta, não sei se o Liss também tem essa ideia do que é, porque daqui a pouco o pessoal acha que a gente está falando da garganta, né? Da garganta, é. Tenta só contextualizar aí rapidinho, Ivo, só para a gente não ter esse problema e ficar pedagógico.
Boa, vamos lá. Então a amígdala é aquele pequeno órgão ali no meio do seu cérebro, que quando você está com medo, você começa a ser muito pressionado, ela dispara, comunicando-se então com a parte atrás da sua testa, vulgo CPF, o córtex pré-frontal.
E é onde você começa, de uma forma muito simples, a se perder. Ou seja, o seu cérebro passa de raciocinar, para de raciocinar. Você não consegue tomar suas decisões, porque tem muito cortisol, muito estresse jorrando ali no seu cérebro. E aí você fica sequestrado. Ou seja, você está com muito medo, com muita ansiedade, com muito estresse e não consegue pensar e tomar decisões corretas. Por conta da sua amígdala cerebral, não da sua amígdala gargantal.
E aí que eu fico pensando, ah, boa, Leandro, que eu fico pensando é o seguinte, cara, do meu lado aqui, eu acho que o Luiz conseguiu dar um passo além, né? Porque, quando a gente está falando de eventos gigantes, como Rock in Rio, Lollapalooza, The Town, etc., cara, imagina que...
Belo dia, chega o dia do evento, muita gente pra entrar, sai uma briga em um lugar, começa a chover, um artista liga e fala, não vou mais. Cara, assim, cinco minutos a decisão sua impacta milhões, cara, de pessoas, de grana e tudo mais. Será que só essa rotina do Luiz, de ele ter a meditação, já ter lidado com muitos problemas também, colocou o cérebro dele em um lugar que ele efetivamente não tem esse impacto? A mídala não dispara, não grita tanto assim, e ele consegue lidar tão bem com as situações?
Olha, não sei se essa pergunta é para os técnicos ou para você. É para você, Luiz. É para você. Eu acho que é para todo mundo agora, cara, que eu estou bem curioso com isso. Obviamente, eu falando aqui, eu estou longe de ser o zen budista que vive no estado de elevação de espírito e que nada me atinge. Não é sobre isso. Até porque, pelo pouco que eu entendo aqui do meu lugar de engenheiro e não neurocientista,
Existe função na adrenalina, existe função nas reações automáticas de defesa, que são, inclusive, importantes em determinado momento. Então, elas às vezes podem ser até...
muitas vezes, como foi falado aqui, elas nos sequestram, e aí, a partir daí, você não consegue ter, talvez, clareza ou tranquilidade de lidar de uma forma mais racional ou contemplativa da situação para poder analisar e ter uma análise crítica para atuar.
e aí você vai nessa contra-reação instintiva, mas... E, obviamente, tem momentos que eu também me pego sequestrado e não precisaria fazer meditação diária se não fosse para ter o exercício de reconexão com o presente a todo momento, porque a nossa vida está sempre nos tirando desse lugar de presença.
Então, assim, só primeiro para ficar claro que ele existe e você tem que lidar. O que eu acho que o lugar, que já foi falado aqui, repito, o tema do sequestrar, e aí sim eu acho que pode ser uma habilidade desenvolvida, é de você, inclusive,
E esse eu acho que é o pulo do gato, você se reconhecer no momento em que você está sendo sequestrado, você se reconhecer que essa é uma sensação de sequestro ou de você se distanciar da presença, para você inclusive poder tomar a decisão ou não de querer continuar lidando com o comportamento estimulado por essa reação menos...
racional, sei lá como é que seria o termo para ela. Então, sim, ela existe, sim, é claro que eu sinto, você sente o jorrar no corpo, a adrenalina no momento em que você recebe um telefonema e que diz que a Lady Gaga está cancelando, ela não vai vir amanhã e você está abrindo as portas e ela é a artista principal de amanhã.
Então, assim, não existe corpo, talvez seria uma anomalia se você não tivesse, obviamente, um impacto no teu corpo, na tua cabeça, uma alteração disso. Agora, talvez aí sim, esse exercício de você...
aprender, de já lidar, de entender, para poder saber o quanto você vai usar isso a seu favor e o quanto você precisa de alguma forma assim ir para um outro nível, um outro estado de consciência para poder operar no racional, acho que é esse que é o caminho, mas não existe o não sentir.
O que é interessante comentar, Luiz, nessa tua fala, é que tudo isso e o que ocorre e o sentir, que bom que a gente sente também, né? Porque viver anestesiado deve ser uma coisa terrível. Até porque os comprometimentos neurológicos que nos tiram a sensação colocam a gente em risco de vida. As pessoas sempre falam comigo, ah, mas eu não queria ter medo, eu queria ser mais... Eu falo, cara, agradeço é que você tenha medo, inclusive.
E que bom que a gente o tem, porque quem não tem medo ou quem não considera o medo não é uma pessoa corajosa, é uma pessoa inconsequente.
não tenho medo de morrer é igual a galera que acha que tu tá predestinado mas todo mundo fala que tá predestinado mas atravessa a rua olhando pra um lado e pro outro tá predestinado só atravessa, se for teu dia tu morre acabou
Todo mundo atravessa, não, mas está tudo escrito. Mas se for para tu morrer, não precisa nem olhar para o lado, só vai, cara, segue a vida. Se não for, tu segue. Então, é interessante isso, porque essa movimentação que a gente faz e essa oscilação, ela é extremamente saudável também. Porque um cérebro, eu costumo dizer em um dos livros que eu... Inclusive, foi o meu primeiro livro, que rendeu, inclusive...
grande visibilidade, a gente chegou a pegar em alguns momentos best-seller na Amazon, e o livro, quando eu começo a comentar alguns aspectos, eu falo o seguinte, eu falo, se a gente não entende que um cérebro que é feliz 24 horas é um cérebro patológico,
a gente não vai conseguir lidar com as questões, porque não existe felicidade constante, assim como não existe tristeza constante, e a sabedoria é a gente entender que esses momentos, eles vêm, eles emergem, que bom que a gente os tem, é necessário que a gente reconheça, que a gente dê espaço, isso é uma das lógicas que atravessa até a prática meditativa, as pessoas acham que meditar é amarrar num toco de jaca e ficar 27 horas fechado sem falar nada.
pelo contrário, mas eu, quando eu estou meditando, eu não consigo parar de pensar, eu falo, que bom, é porque tu está vivo, agora se tu parar de pensar, desconfie, porque provavelmente, pelo menos em corpo, você já não está. Então é essa representação que nos humaniza, e que legal isso também.
E o negativo, ele nem sempre é tão negativo quanto a gente pensa, porque são momentos que a gente vai mudar de rumo, que a gente vai colocar outro pensamento no mesmo problema, nós vamos rever nós mesmos. Então, é numa sociedade que acha que tudo que acontece
estão tramando contra mim, a vida deu tudo errado, não posso sentir medo, não posso sentir angústia, na verdade, temos que controlar esses sentimentos, mas de uma forma muito inteligente também, de uma forma muito sábia, porque senão a gente não vai conseguir...
viver uma vida, porque a vida é isso. A vida é um drama também, muitas vezes. Ela não é somente risos e felicidades. E depois a boa notícia, né, Luiz, que veio o Maroon 5, foi um showsaço, né? No lugar, né? Ô, Luiz, como é que é assim? Tipo assim, Lady Gaga não vem, você fala deixa eu passar um whats pro Maroon 5. É assim um whatsapp?
Como é que é essa vida aí, cara? Porque, tipo assim, a vida é que eu realizo, sabe? Ah, não, deixa eu passar um WhatsApp para a galera do Red Hot Chili Peppers. Ah, eu queria falar com o Slash. Fala, Slash, como é que é esse negócio aí? Tune Kids, vem aí, por favor. Antes fosse assim, na verdade, uma simples, né? E lembrando que do outro lado temos seres humanos, então, no caso da Lady Gaga, ela tem o direito como tem. Ela tem um problema que, inclusive...
deve ter relacionado aí a neurociência, que ela tem fibromialgia, né? Sim, do mesmo jeito. Que dizem que é uma dor, uma coisa absurda, e foi por conta disso que ela teve que cancelar, ela não conseguiu vir.
E não, está longe de resolver com o WhatsApp, meu amigo. Era uma equipe inteira, cada um com a sua responsabilidade. E aí vem essa história da reação que a gente tem. Ali, ao mesmo tempo, e eu tenho orgulho de dizer que eu tenho um timaço mesmo, a galera lá que trabalha com a gente, é um melhor que o outro, cada um na sua área.
E quando acontece uma história dessa, isso que eu estava falando de mim, eu posso tranquilamente falar por eles, que claro que todo mundo fica ali, obviamente, com o primeiro impacto da reação, mas quando eu juntei todos os nossos diretores numa sala para dar notícia e cada um ter, porque não é só contratar outra banda, é contratar outra banda, aí a área do ticketing tem que resolver.
alguma história, se devolve ou não devolve, como é que funciona isso, a área de marketing, pensar na comunicação para a imprensa, a área de operações, que já tinha gente na fila. São quantas pessoas desenvolvidas, Luiz?
Olha, você não vai acreditar, para no trabalho aí, falando novamente dos terceirizados, segurança, limpeza e tal, são 28 mil pessoas trabalhando no Rock in Rio para aquelas 100 mil pessoas se divertirem. Então, claro que num caso desse eu estou falando ali do nosso núcleo duro, da equipe, da direção que tem que agir ali no primeiro momento.
Mas, o que eu estava falando de mim, eu sinto em todo mundo, que ao mesmo tempo que o pessoal, claro, que vem ali aquela situação de choque, de ser algo muito, um desafio muito grande, ao mesmo tempo eu vi no olho de todo mundo brilhar, meio que aquela sensação de, putz, agora a gente vai ter que mostrar a nossa capacidade de lidar com alguma coisa desse tamanho.
E aí, Diogo, complementando um pouco, trazendo essa história, da mesma forma que para a pessoa ter esse nível de desconforto ou de desafio na vida é necessário para o próprio processo de vida, de desenvolvimento,
Assim também é nas empresas. Eu sempre falo, eu sou conselheiro também de várias empresas, além de CEO há bastante tempo, e sempre que o bicho pega, tem alguma crise, chamam o conselheiro, a reunião de conselho ali para atuar. E a minha primeira frase, quando tem uma crise grande para enfrentar, do tamanho de Lady Gaga nas outras empresas, é o seguinte, não desperdice essa crise. Porque crise não se desperdiça.
Porque toda crise... Fantástico. E aí vamos voltar lá no nosso Oriente, e eu falo isso até nas minhas palestras, eu mostro o ideograma, a palavra crise em japonês, são dois ideogramas juntos, que não tem um ideograma só para a palavra crise. E aí quando estão juntos, aqueles dois têm o significado de crise. Que um é Wei, que significa risco.
E o outro é gi, que significa oportunidade. Então, necessariamente para eles, e aí estamos falando da filosofia oriental, que a gente tem muito o que aprender com ela, toda crise, toda, 100%, 110% das crises, tem necessariamente um risco e uma oportunidade ao mesmo tempo acontecendo. Não é uma ou outra, são as duas acontecendo.
E por que, obviamente, a crise, aí tem o livro lá, o Antifrágil, do Nassim Taleb, que fala coisas que se beneficiam com o caos. O caos te tira de uma zona de conforto, da tua economia cerebral, para que eu vou fazer qualquer tipo de esforço nas coisas que estão dando certo?
E aí você fica na apatia das empresas, aí você não inova, aí você está lá tudo bem até o dia que não vai estar mais, porque você foi disruptado no teu negócio. Então a crise, e aí o Diogo deu o exemplo lá que eu conto no livro do Incêndio da Osclem, o Incêndio da Osclem não só trouxe oportunidade ali da gente criar uma coleção baseada no que a gente achou ali no incêndio e ficou uma coleção maravilhosa, mas mais do que isso...
Eu, como CEO da Osclin, sempre queria, quem trabalha com moda sabe, que quanto menos tempo de produção de uma roupa, entre você pensar em desenhar e ela está pendurada, produzida lá para ser vendida, quanto menos tempo, melhor, porque é menos estoque, menos tudo. E era impossível a gente conseguir reduzir uma semana num processo de um ano para fazer uma coleção, quando tudo estava bem.
que o fornecedor tem que vir da China, tem que provar a roupa, tem que não sei o quê, era impossível. Ali, ou a gente reduzia em metade do tempo, em vez de um ano tinha que fazer em seis meses, uma nova coleção, ou a gente quebrava. E aí todos os processos que antes não davam, eram impossíveis dentro da zona de conforto, a gente teve que reinventar na marra, porque tinha uma crise que nos empurrou.
Aí até a nossa adrenalina ali, o nosso CPF, tudo ali, amígdala, tudo gritando o seguinte, meu irmão, inova, sai do formato tradicional que te levou até aqui quando tudo estava bem, porque agora essa crise ou tem o risco da empresa quebrar, ou você tem oportunidade de repensar se não tem outros processos para fazer. E aí a gente se beneficiou, depois daquele incêndio, todas as outras coleções se beneficiaram de um novo processo que nunca teria existido.
Se a gente não tivesse perdido toda a nossa empresa naquele incêndio. Cara, que fantástico isso, hein? Caramba. Tem uma frase de um escritor brasileiro que eu gosto muito, que bate muito com essas questões da tua fala, Luiz, que é o Guimarães Rosa, né? Uma frase clássica que ele falou, o animal satisfeito dorme. Então, é um pouco disso também. O problema da satisfação e da zona de desconforto, que quer queira ou não o nosso processo biológico, a única coisa que ele busca, que veio claramente programada, é a zona de conforto, né? A satisfação.
Então, para a gente fazer esse movimento, e a gente entende que a crise, a gente tem que saber entender o manejo, as pessoas falam muito da pandemia. Eu entendo, teve pessoas que quebraram na pandemia. Teve pessoas que ficaram do mesmo jeito, só que teve pessoas que melhoraram durante a pandemia também. Então, é o que a gente consegue fazer a partir do processo, a partir de quando se estabelece ou quando se instaura uma questão tão grande como essa.
Que é, eu consigo a partir daí trazer, e o que eu sempre aviso para as pessoas quando eu estou em consultoria ou discutindo alguns aspectos, é assim, a primeira coisa, a gente tem que entender qual é o nosso ponto de partida. Muitas vezes a gente não sabe qual é o nosso ponto de partida, se a gente não sabe qual é o nosso ponto de partida, a gente sequer sabe qual é o nosso ponto de chegada.
Então, se eu não tenho ali um certo direcionamento, já discuti isso aqui também num livro, uma frase clássica do livro da Alice no País das Maravilhas, do Charles Dawson, do Scarrow, aquela frase clássica do gato e pra onde vai essa estrada, e o gato pra onde você quer ir.
e a crise te coloca para você responder essa questão também. E ainda tem mais, que eu também sou um grande curioso da Liz, que é o seguinte, para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve. Exatamente. Tá bom, então imagina que, para a gente responder a frase da crise, para onde eu vou agora, se eu não sei qualquer caminho, e é isso mesmo, e aí a gente vai ser consumido por qualquer coisa, qualquer conteúdo a gente passa a tomar como verdade, a gente começa a ter um monte de questões que a gente hoje, e talvez isso em terra de...
de rede social, em terra, de tudo que nós temos hoje de falsa sensação que nós podemos comentar e saber sobre tudo, isso tem aumentado muito mais também, né? Mas, cara, fantástico mesmo. Que história massa essa, viu, Luiz? Quer dizer que o desfecho foi interessante, porque o desfecho talvez da crise poderia ser bem mais complicado, né? Sim. Isso é um detalhe que tem tudo a ver com a neurociência, né?
Oi, oi. Não, se eu falar essa frase, tem tudo a ver com a neurociência, cara, porque o cérebro seu também é assim. Você não sabe pra onde quer ir, cara, ele simplesmente continua de gelitar, pode ser bom, pode ser ruim, pode ser uma merda. É isso aí, como você quiser. Pra ele, ok. E é engraçado, as pessoas falam assim, mas não tem lógica você falar que meu cérebro não quer que eu saia de onde eu tô. E tem toda a lógica quando você pensa biologicamente.
não quer gastar energia. Tá muito ruim, você vai reclamar o tempo todo, e aí ele vai fazer mais conexões, fortalecer as conexões de tá muito ruim, e você continua, né? Isso que é legal quando você fala de neurociência, é você ver a capacidade sua de entender de verdade pra conseguir mudar. A busca não é a melhor hora, né? Isso de jeito maestro. É isso. A busca faz isso. E eu tenho que fazer uma pontuação aqui, Leandro, que não deu, quando você falou, qual foi a frase do Guimarães Rosa?
O animal satisfeito dorme. E a minha sogra tá dormindo, dando a cochilada na sala de casa.
mas não deixa de ser animal, né? não deixa, nós somos ela está satisfeita aí, tá tranquila? vem em casa, amortou foi lá dar uma cochilada na sala tá de boa, tá de boa e só pra saber, Luiz, ela viaja o mundo inteiro comigo então assim, eu tenho que dar umas cutucadas de vez em quando pra ter algum motivo porque... você que tinha alimentado ela pela dor
E é aniversário dela hoje ainda, bichinho. E é da minha filha também, ó. Ela é boa, né? Ah, legal. Minha filha fazendo aniversário hoje. Luiz, me fala uma coisa rapidinho. Minha sogra, Josefina, parabéns. Luiz, me fala uma coisa rapidinho. Eu vejo que você utiliza aí, em alguns momentos, algumas nomenclaturas aí das neurociências barra biologias. Você gosta de estudar essas coisas? Lê de onde que sai isso?
Cara, tem alguns lugares. Primeiro, sim, gosto de ler, estudar. E aí, quando a gente está falando pelo lado da neurociência, dessa neuroplasticidade, eu falo muito sobre, e é o mesmo tema, o mesmo assunto, sobre a necessidade, especialmente nessa era que a gente vive agora, do algoritmo, da gente forçadamente gerar uma ampliação de repertório. Nossa.
Então, eu sou daqueles que quando vou lá no SXSW, num evento desse, eu não vou lá para assistir, porque as pessoas têm que me falar sobre produção de eventos, sobre liderança e tal, porque, bem ou mal, é um território onde eu já navego, já construí minha relação. Eu vou lá para ouvir, cara, o que o cara está falando sobre foguete, o que o cara está falando sobre cérebro, o que o cara está falando sobre... Então, acho que essa é a minha curiosidade.
inicial ali de criança que permanece até hoje, associado a uma intencionalidade de ampliação de repertório, eu sempre fui um curioso e, obviamente, a curiosidade sobre essa máquina fantástica que a gente carrega na cabeça.
e como é que a gente, de alguma forma, pode se relacionar melhor com ela, eu sempre gostei, sempre li bastante artigos e tal sobre isso. E ainda, hoje em dia, eu estava comentando aqui, antes da gente abrir o podcast aqui no nosso Papo Informal, eu estou aqui, tem uma enteada que está cursando neurociência, está no segundo ano de neurociência na Católica, na PUC aqui do Rio de Janeiro.
E ela é uma apaixonada pelo tema, então aqui na mesa de jantar, quando a gente está conversando, sempre vem e ela traz referências. A gente troca muito meus filhos, enteados e minha esposa aqui na mesa de jantar, que de vez em quando vem alguns temas alimentados também por isso. Mas vem essa vontade de ampliação de repertório mesmo. E, de novo, esse é um assunto fantástico.
Maravilha, legal. Vou mandar depois, eu vou pegar aí, me passa depois em off, que eu vou mandar dois livros meus aqui pra sua enteada, e ela vai gostar. São livros bem interessantes. Vou até fazer a hora do jabá, né? Vou mandar pra vocês também, ó. Esse aqui é o meu livro, e é muito engraçado, e aí eu vou querer depois a opinião, especialmente, vou mandar pros três, vou mandar pro Fábio aqui, que tava também com dificuldade de entrar, mas especialmente pra vocês, meus neurocientistas.
Esse livro, olha só, o nome é CEO. E aí, eu vou contar. Ele está aqui, Conectar, Equilibrar e Orientar. Vou tirar aqui da capa para falar um pouco sobre ele. Sacada de marketing. É, não, e aí... Mas olha só, claro que também, né? Mas olha só, cara, que é muito curioso esse livro e tem muito a ver com a história do cérebro. E aí vocês vão entender o porquê.
Como eu falei, eu sou CEO de empresa há 20 e poucos anos e meu filho mais novo tem 14. Então, ele nasceu e já era CEO. E aí, um dia, na famosa mesa de jantar aqui, que a gente conversa tudo e tal, ele virou e falou, pai, o que um CEO faz?
Porque a vida inteira é CEO, CEO, se meu pai é CEO. E aí eu me peguei ali em 3, 4 minutinhos falando das funções do CEO. Você tem que gerir equipe, você tem que dar resultado para a empresa, não sei o que, coordenação, não sei o que. E de repente eu vi que eu estava depois nos outros 10 minutos falando muito mais sobre as habilidades que um CEO tem que ter do que o que ele faz.
E aí, eu estava começando a escrever um livro, que a editora já estava atrás de mim para eu escrever um livro, e eu estava começando a rascunhar um livro sobre experiência, experiência do cliente, que é uma coisa que eu trabalho há muito tempo, dou palestra sobre isso também.
E aí, com essa provocação dele, eu comecei a escrever sobre outra coisa, eu comecei a escrever esse livro, que virou de fato uma história do que eu acredito dessas habilidades, e ao escrever começou a fazer sentido, virou até um frameworkzinho e tal, e aí vai chegar aqui na parte do cérebro, que é o seguinte.
CEO, e aí em vez do Chief Executive Officer, conectar, equilibrar e orientar, o C e O. E olha só, vocês vão ver lá no framework, quando eu mandar o livro para vocês, o que eu falo ali, que é o seguinte, você tem o lado O, mas por acaso ele está invertido do que eu entendo, vocês sabem melhor do que eu me explique, do cérebro, mas o seguinte,
Existe, teoricamente, um lado, e eu já entendi também, lendo que não é tão assim e tal, mas um lado, que é o teu lado, que, se eu não me engano, o esquerdo é o que está mais nas habilidades mais racionais, e o lado direito, que seria o lado mais criativo e tal. Então, usando essa metáfora, porque, de novo, não existe nenhuma...
meu conhecimento científico suficiente para falar sobre isso, mas pensando o seguinte, vamos lá que você tem um lado esquerdo, um lado direito do cérebro, e um mais criativo, outro mais racional, eu comecei a entender que no exercício de liderança, e aí não é só o CEO e o livro, não é só para CEOs, é para qualquer tipo de líder e tal, você tem o tempo inteiro determinados paradoxos que um líder precisa lidar.
que, e aí vem o E no meio, que é o equilibrar, a vida inteira você está lidando com paradoxos de curto prazo e longo prazo. Se você não está olhando para o curto prazo da empresa, você quebra, porque você tem que pagar amanhã, tem o caixa e tal, mas se você não está olhando para o longo prazo, você quebra, porque o mercado está se transformando, está tudo mudando e você não está planejando...
o amanhã e você fica preso no hoje e morre. Você tem, né, um lado, o paradoxo de o líder que precisa estar no palco, então você precisa estar lá liderando, mostrando o caminho, falando pela empresa e tal, mas tem um lado, um momento que você tem que estar nos bastidores e deixar a sua equipe em cima do palco brilhar, eles tomarem a frente, eles aparecerem e você, de fato, está ali na retaguarda dando suporte para eles poderem fazer o que faz.
E eu fui vendo que eram tantos paradoxos de um lado e do outro, e comecei a entender que existem atributos muito técnicos, pragmáticos, que por um lado são os hard skills que você precisa ter para tocar o teu negócio.
Existe o lado da conexão, que é o lado mais humano. Como é que você traz as pessoas para o teu lado a partir do propósito? Como é que você motiva as pessoas da tua equipe? Que é um lado que eu chamo de conectar. Então, você tem o orientar, que é o pragmático. Você tem o conectar, que é conectar as pessoas com o propósito, com a vida. E no meio, que você fica o tempo inteiro nesse paradoxo, é o equilibrar. E que eu chamo muito o equilibrar. Se de um lado você tem os hard skills, do outro lado você tem os soft skills,
O equilíbrio vem muito do que a gente estava falando aqui desde o primeiro minuto desse podcast, que são as suas inner skills, as suas habilidades interiores, que é o autoconhecimento, é a presença, isso tudo que a gente falou aqui, para você poder navegar nesses dois mundos o tempo inteiro e aí sim ser...
o líder que eu acredito que é o cara que consegue navegar no pragmático de como é que você resolve a história da Lady Gaga, mas como é que você traz as pessoas para esse propósito comum de, cara, vamos resolver isso e mostrar conjuntamente que a gente pode e tal. E o Winner Skills que é ter a habilidade e a tranquilidade de poder saber lidar nesse momento. Então, o livro, por mais que seja um livro de liderança, tem framework e tal, no final do dia está falando muito sobre...
essa habilidade nossa de conviver nesses mundos do pragmático e do emocional, de novo, essas habilidades internas para tocar, então tem muito a ver com esse papo aqui. Ele é muito legal, cara. Teve uma coisa que eu estava falando, eu estava pensando aqui, quando você trouxe esses pontos do orientar, do equilibrar, você acha que quando a gente olha para o cor do seu negócio, porque, cara, você não vende show, você vende a melhor noite da pessoa.
Você vem de um sonho de vida daquela pessoa. Você acha que isso ajudou a moldar um pouco a sua cabeça para esse comportamento? Porque é difícil hoje, né? O pessoal fala muito assim, a geração Z não quer trabalhar, etc. E a gente entrou esse gês em uma discussão aqui para falar o seguinte, cara, o que vocês têm que olhar, tal como a galera acha que adolescente, que aborrecente, não sei o que, não é. É uma fase de hormônios, o cérebro não está pronto.
Cara, ele não consegue processar os sentimentos. A geração Z é uma geração que ela vê exposta a um...
milhão de coisas ao mesmo tempo, e a gente não tinha isso no passado. Então, é de se esperar que eles agem de uma forma diferente. São muitos impulsos o tempo todo, muitos impulsos o tempo todo. E pensando nessa questão de equipe que você estava falando, cara, você acha que isso do seu negócio ser vender a melhor noite da pessoa, um sonho de vida, que isso ajudou a moldar um pouco desse comportamento seu, e é por isso que você consegue levar isso para a equipe também?
Todo mundo no mesmo barco e vão embora numa hora de uma crise? Ali, quando a gente fala do...
do equilibrar, do meio, e aí, de novo, trazendo mais para a realidade do negócio. Se você tem o Odo Orientar, você está falando também, e eu brinco que lá tem os KPIs, que todos os Key Performance Indicators. Toda empresa tem os KPIs, que é muito baseado nos seus resultados de negócio. Então, você está medindo ali, cara, como é que é o teu resultado, como é que é o teu ROI, como é que é o teu investimento, custo de aquisição, não sei o quê, pá, pá, pá.
Tem um outro lado, aí falando do CEO aqui, que ia ser o Key People Indicators, que é o lado do conectar, que é o mesmo que a IPA do P, mas em vez de performance, vamos falar de pessoas. É o seguinte, o quanto que eu estou de fato conseguindo trazer as pessoas que trabalham com a gente, motivadas para aquilo acontecer.
E como é que você conecta essas duas coisas? Resultados de negócio e pessoas motivadas. Que aí está aqui no meio o ad novo, que é outro KPI, que eu também boto ali no framework, que é o key purpose indicator. Que é o seguinte, se você não consegue ter um propósito claro, engajador, que não é o meu propósito, não é o propósito do Roberto Medina, a pessoa tem que enxergar naquilo ali o seu propósito para poder estar...
100% disponível para entregar as melhores horas da vida dela, do dia dela para estar construindo um negócio. Então eu entendo que o papel do líder é um, antes de mais nada, aquela história da... a gente estava falando, né, Leandro, do teu medo aí de avião. Aquele momento... Meu medo de avião?
Pode nada Todo mundo fala Desespero Desespero, né? Então, você não deve ter vivido, graças a Deus Eu já falei que eu já viajo muito, mas ainda não caí para aquele momento Desespero da máscarazinha Cair, né? De respiração Também não passei por essa ainda não Mas todo mundo usa aquela metáfora De você tem que botar a máscara primeiro em você Para depois botar nos outros Que é o que? A recomendação? Sim E aí
E isso também serve do ponto de vista de automotivação e de propósito. Então é o seguinte, eu seria o pior líder do mundo se eu estou num lugar onde eu não encontro o meu propósito genuíno e estou motivado para fazer, como é que você vai motivar os outros? Não tem como. Eu falo, eu seria o péssimo vendedor e eu acho que eu vendo bem, o que eu acredito.
Agora, eu vou ser o péssimo vendedor se eu estou vendendo uma coisa que eu não acredito. E isso tem a ver também com o propósito e liderança. O líder, até porque só acredito na liderança, por exemplo, o líder que não está.
motivado pelo propósito genuíno que aquele negócio tem, e seja ele qual for, ele vem, o propósito tem necessariamente que vir antes do produto ou do serviço, porque é ele que vai estimular as pessoas a poderem construir um produto e serviço que vai atender aquele propósito, seja o propósito do teu cliente, seja o teu propósito de estar fazendo alguma diferença no mundo, na vida de alguma pessoa. Então a gente tem, obviamente, um privilégio de trabalhar num negócio onde a gente consegue enxergar muito fácil o impacto que a gente tem a gente tem a certeza. Abertura
na vida de uma pessoa, pelos depoimentos, das experiências inesquecíveis que vivem e tal, mas o nosso tesão de quem está trabalhando lá no nosso time não é viver a experiência que as pessoas estão vivendo, e sim de poder proporcionar para a outra pessoa aquela experiência incrível que ela está vivendo. Então, assim, eu brinco que eu vou deixar de ser CEO da Rock World para poder voltar a ir no Rock in Rio e assistir o show, que eu adorava me divertir, hoje em dia, nos dias de evento.
A gente está 100% do tempo preocupado, sem conseguir assistir o show e tal, mas a gente se diverte, o nosso show, o meu Coldplay, o meu Bruno Mais, é olhar para o lado e ver alguém ali, cara, voltando com aquela história. Então, esse propósito, muito claro, que me motiva...
A gente consegue motivar todo mundo, e eu digo todo mundo mesmo, o cara que está lá, terceirizado, de um parceiro nosso fritando hambúrguer, ele tem que saber e sabe que ele está fazendo parte da construção de uma experiência inesquecível e que ele é tão importante quanto...
o Bruno Mars, quem estiver em cima do pau. Quando esse senso de propósito, o líder consegue colocá-lo nas pessoas, e tem que ser porque ele acredita genuinamente nisso, aí eu acho que você consegue começar a pensar em construir negócios extraordinários da dimensão que a gente faz. Acho que entra em várias questões aí, Luiz. Acho que o propósito, o significado em si e outra coisa, é o trabalho com assimilação.
Eu sempre digo que o trabalho só faz sentido e ele não nos adoece quando você tem, antes de tudo, amor naquilo que você está fazendo, e o propósito atravessa isso, mas quando você consegue assimilar o amor em relação ao trabalho que se faz. Porque se não tem assimilação associada ao amor, ao desejo que você tem em fazer aquilo, também se torna indiferente, aí você perde um pouco do encanto, um pouco da magia.
E outra coisa, não pode ser algo que também te faça viver demasiadamente sem ter outras formas de ser e de estar no mundo. Porque ninguém vai desejar, e aí a gente vai lá pra Platão, né? A gente vai lá pro livro 7. Ninguém vai desejar aquilo que tá transbordando o tempo todo. Se eu só trabalho 24 horas por dia, a última coisa que eu quero desejar é trabalho. A tua biologia vai correr desse troço.
Então é trabalhar de uma maneira que te produza saúde mental e que o amor consiga assimilar o trabalho. E aí o propósito, ele vem, vem de verdade e faz tudo isso que você comentou aí que realmente é bem legal. Luiz, só compartilhando... Só compartilhando rapidinho, eu achei muito legal uma história que você conta num livro que você falou agora de propósito de equipe, que vocês davam uma verba pra pessoas diferenciadas pra eles conseguirem ter ideias.
E daquele senhor que... O Diogo leu o livro mesmo. Rapaz, eu tô até surpreso, viu, Luiz? Luiz, só pra deixar constar aqui, eu tenho um grande propósito de conhecer o Slash, assim, sabe? Então, é meu propósito. Tá no ar, né? O pior que eu também sou fãzaço dele, cara. Muito fã, cara.
E como o Ivo me colocou na incumbência de abrir o podcast, eu já estou me sentindo um pouco roxo. Vamos dar boas-vindas ao Fábio. Não, mesmo. Desculpa, eu estou em um evento aqui no Centro Aenar, tentei conectar pelo celular, não consegui correr aqui para a organização que eu conheço. Imagina, mas a gente falou muito, Fábio, aqui sobre antifragilidade e certamente você está aí e entrou com uma demonstração disso. Resiliência e respiração 444.
É a resiliência antifragilidade. Eu tenho certeza que com toda dificuldade você entrar agora, vai ficar mais especial ainda essa presença aqui com a gente. E que esse conceito de conectar, equilibrar e orientar leva muito a sério. O Rock in Rio desde 1985, ele virou uma experiência, ele virou algo com uma pegada muito emocional e um ecossistema de negócios.
absurdamente grande, de voluntários partindo desse pressuposto do propósito que você falou, e eu queria saber como é que você consegue concatenar todo mundo nessa questão, desse jeito Disney que o Lollapalooza, que o Detal, que o Rock in Rio acaba imprimindo essa experiência, como é que você consegue replicar isso como líder? Cascatear isso?
de uma forma coesa, com tanta variável, com tanto dinamismo. É difícil você conseguir introspectar uma cultura que já vem vindo. Você tem mais de 15 anos nesse processo. Mas como é que isso funciona na prática? Para um líder que está ouvindo o podcast aqui, por exemplo.
Olha, Fábio, acho que essa pergunta é super pertinente. Às vezes as pessoas me perguntam, eu estava falando aqui antes de você entrar, que a gente tem 28 mil pessoas trabalhando num dia de evento Rock in Rio. E às vezes vem me perguntar, Luiz, você como CEO, como é que você consegue liderar 28 mil pessoas para que tudo dê certo naquele momento? E a resposta é muito simples, eu não consigo. É impossível você achar que alguém humanamente possível vai conseguir estar...
acompanhando de perto o trabalho de 28 mil pessoas, achando que você vai fazer algum tipo de micromanagement ou de possibilidade de acessar essas pessoas. E a gente falou muito aqui também sobre isso. Liderar é você, inclusive, deixar as outras pessoas fazerem e cometerem determinados erros, ou não chamo nem de erros, fazerem da forma que você faria diferente, que não significa que isso é fazer errado.
Mas eu acho, respondendo, Fábio, que o que conecta essas 28 mil pessoas, o que faz com que a gente consiga, de fato, botar todas essas energias numa única direção e fazer aquela história daquela grandiosidade dar certo, tem a ver com o que a gente estava falando agora, assim que você entrou, que é a história do propósito. Eu acho que o meu papel principal como CEO, como líder, reside em cultura.
que aqueles valores daquelas pessoas que até então chegaram até aqui sejam preservados, e a gente consiga trazer mais pessoas que tenham aderência àquele conjunto de valores, e que também consiga expulsar daquele grupo as pessoas que não têm os valores. E eu não estou dizendo nunca que os nossos valores são os melhores valores da sociedade, são os nossos.
E quando a gente definiu que, por exemplo, e a gente fez esse trabalho de botar no papel quais são esses valores de cultura, criatividade, coragem, pensar grande, work hard, play hard, que a gente trabalha muito, mas a gente se diverta, esses valores, que são oito que a gente definiu, está aqui no livro também, para quem interessar.
eles são tão evidentes e são valores que estão presentes nas pessoas, não é o meu valor, nem do Roberto Medina, olha galera, sigam aqui os nossos valores, não existe, valores é de quem está ali, naquela organização. E que quem se sente, e isso faz com que naturalmente as pessoas que reconheçam que esses valores são os seus, se sintam ali.
presentes, representados e que queiram construir algo a partir daquilo ali. E como eu falei, quem não sente vai embora. Então, se criatividade é um valor comum em todo mundo, eu quero que o meu financeiro, a minha área de gestão de projeto seja criativa.
E o financeiro que está lá é criativo o suficiente para querer estar lá. Agora, puta, mas eu fui estudar finanças justamente para não precisar mexer com esse negócio de criatividade. O meu negócio é processo, tudo igual, sempre. Ótimo, vamos ter milhões de outros lugares onde tudo que as pessoas querem é que o financeiro não seja criativo.
E lá essa pessoa vai prosperar, vai arrebentar e vai ter um negócio que se bobear, vai faturar mais do que o nosso. Mas no nosso é assim. A gente tem esse jeitinho de achar que criatividade não é uma coisa só do marketing e tal, é de todo mundo. Então, ter essa... Acho que o líder tem que ser o guardião de entender que as pessoas saibam esses conjuntos de valores, para que as pessoas se identifiquem, estejam ali, e as que não se identifiquem, não estejam.
E o guardião desse tal do propósito, e assim, foi uma palavra muito desgastada, muito utilizada e vem sendo muito, inclusive geração de ansiedade, que a gente está falando aqui sobre isso, eu não achei o meu propósito, tal.
Na verdade, acho que é o guardião de entender que, a partir desses valores e a partir desse objetivo que a gente tem ali, uma missão conjunta bem clara e determinada, todo mundo se reconhece e tem pertencimento e enxerga que tem valor.
Agora no SXW, a gente falou, um dos temas muito discutidos, que inclusive tem aquele livro da Jennifer Lawrence, do Mathering, é muito sobre o matter, você importar. E ali eu tenho certeza que todo mundo que está na Rock World sabe que ela importa.
para o nosso objetivo de entregar uma experiência inesquecível. Então, aquilo que eu falei, o cara que está lá fritando hambúrguer, ele sabe, e é genuíno que ele saiba, que ele é realmente muito importante para a gente. Por quê? E não é por uma questão de, ah, isso é para o cara estar ali, feliz, não.
Ele sabe, e é verdade, que se ele frita um hambúrguer ali, entrega gelado, ou se na hora de jogar um hambúrguer, joga toma aqui, não sei o quê, ele está destruindo a experiência incrível que o show da Beyoncé em cima do palco fez. E eu gastei milhões de dólares ali para a Beyoncé estar fazendo um show incrível, e o cara volta para casa pé da vida, porque o cara tratou mal ele ali. Então ele sabe que ele é tão importante quanto a Beyoncé, e é verdade.
porque ele importa. Então, quando as pessoas sabem que importam dentro da sua organização, elas têm os valores comuns e se sentem prestigiados e existentes ali. E aí o tal do propósito começa a aflorar de uma forma clara que, pô, isso tudo aqui faz sentido. Eu estou com essas pessoas corretas, as pessoas me valorizam, e aí vem o propósito.
Acho que o líder tem esse papel, o guardião da cultura, dos valores, e aí vem junto a história da proposta. Só complementando esse sentimento de pertencimento que você falou, ele se perpetua para quem visita, para quem trabalha, para quem cobre, imprensa. E aí eu queria puxar para o Leandro. Leandro, o que acontece com um cérebro de 28 mil colaboradores e milhares de espectadores que vão no Rock Hill, como eu que tinha 17 anos, que tomou um banho de lama e saiu feliz da vida?
O que acontece quando você vai no Lollapalooza, no The Town, no Rock in Rio? Enfim, o que faz com que essa mágica do propósito, do pertencimento, da experiência encantadora, faz com que você fique absurdamente apaixonado por um show de rock, um show musical, e que tem amplitude, que é uma marca mundial hoje como a do Rock in Rio?
É interessante porque tem várias questões aí para a gente considerar, né? Primeira coisa, o que faz é uma boa organização, antes de tudo ela é necessária, né? Não tem como. Boa organização. Segundo, tem uma expectativa gigantesca, né? O que o Rock Hill e todos os eventos que...
que vocês têm produzido, são coisas gigantescas, e é onde atravessa muito uma idealização que vem de muito tempo. Quem não teve hoje vontade de ir num show de uma Beyoncé, de um Maroon 5, de um Coldplay, então toda essa galera que está aí, já tem aquela representação ideal. Então isso aí, Fábio, já produz na gente a expectativa, que é o que o cérebro gosta. Quando a gente comenta de dopamina, a gente sempre comenta...
Porque dopamina é neurotransmissor da expectativa, não neurotransmissor do desfecho. Então, a maior expectativa, a maior dopamina, a maior sensação de prazer, e tudo se torna um evento muito gigantesco. Então, tem muita coisa, e essa tua fala, mais uma vez, Luiz, ela é de uma intensidade muito interessante, porque é exatamente isso.
Porque se você não tem ali a pessoa que está naquele momento preparando lá o hambúrguer, como você comenta, feliz em estar ali, entendendo a função dela ali, você quebra realmente uma engrenagem que tem que ser perfeita. E o cérebro, na hora de deslocar, o desprazer daquele momento...
de você comprar e ser mal atendido, ele é generalizado para o evento, ele não vai ficar, então foi bom, mas foi mais ou menos, se a sensação é deixar tudo muito grande, tudo muito prazeroso, tudo tem que funcionar muito bem, porque ele não vai conseguir realmente diferenciar se foi a água que ele comprou e foi maltratado, ou se foi o show que ele foi e que ele talvez não tenha gostado tanto. E aí entra naquela questão que é interessante no âmbito das organizações, as instituições, o trabalho em si.
É entender o que cada um faz e o porquê que faz. Eu, quando também estou nas áreas de consultoria, estou nas...
das empresas levantando algumas questões problemáticas, eu sempre pergunto, o que você faz aqui e por que você faz? Porque se a pessoa não entende qual é o papel dela ali dentro, possivelmente aquilo ali se torna um ambiente adoecedor. E não só para ela, porque ela vai começar a adoecer outras pessoas também, isso vira uma engrenagem. Então, a partir do momento que você fala, o que você faz aqui é muito mais gigantesco do que você possa estar imaginando. Você não é só a pessoa que está fritando algo ou vendendo algo.
Você é uma pessoa que está produzindo uma experiência, que está tudo conectado, que está tudo... E é essa fala mesmo. Não é para tentar colocar ali a magia e falar, nossa, olha... Não, é porque a lógica por trás é exatamente isso. Está tudo... É uma grande rede que, mais uma vez, o cérebro não consegue diferir. Ele não difere quando surge o problema. Se o problema foi associado à água, se foi associado ao show e ao evento propriamente dito. Então, em resumo assim, Fábio...
O que acontece? Acontece com a magia, meu amigo. Não tem como falar. É descarga de dopamina pra caramba, é descarga de serotonina, é descarga de ocitocina, todo mundo vibrando junto. Isso não se explica quando você tem todo mundo ali na mesma sintonia e acredita em ou não, professor, mas isso... Língua de sala de aula, professor não, né, Leandro? Mas isso nem é vibração, nem é ciência. Não sei aonde não é ciência, porque é ciência e ponto final, e muito bem confirmada a ciência, vibração de outras pessoas, vibração de som, de timbragem e o nosso cérebro e o nosso cérebro é um pouco mais
ama arte. Se tem uma coisa que o cérebro gosta é de música. A gente fica louco com música. A música, ela causa êxtase na gente, literalmente. A sensação do que a música faz com a gente é uma coisa inexplicável. Por isso que nos tornamos, antes de você chegar, Fábio, eu vou abrir o jogo aqui, nós quatro, nós somos músicos frustrados, então por isso que a gente vai fazendo outras coisas. Mas todo mundo aqui, você toca algum instrumento, Fábio? Isso aqui deu origem a cação nacional, triângulo, aquele bem nordestino.
E eu vou começar agora a percussão Porque há 33 anos atrás Eu sofri acidente Eu dava aula de lambada em Garfieira No Rio de Janeiro E na cadeira de rodas A gente empina a cadeira A gente não perde assim Mas enfim Eu estou vendo Vai começar com a tabaque
galera, deixa eu só fazer um corte rapidão aqui que eu sei que o Luiz tem um compromisso agora, a gente tem que encerrar tá em cima da hora, pô Luiz, se quiser voltar um dia e falar com a gente, cara, ser super bem-vindo eu queria fazer duas perguntas de sim ou não pra fechar isso daqui rapidão agora vamos embora e quero voltar sim, porque o papo tá uma delícia pô, ótimo, a primeira é decisões baseadas em feeling além de planilha, rola com você também?
Rola, rola. Intuição é uma ferramenta fundamental de trabalho. Não é só dados, tem que ter.
E a solidão? Porque o pessoal pensa muito o seguinte, ah, é muito legal, né, trabalhar com música, não sei o quê, o cara ser o CEO da empresa, mas ninguém olha, tipo, cara, você não tem o CEO do CEO ali, né? Eu tenho um conselho de acionistas aqui, cara, a galera ajuda muito, mas tem muito essa ideia de não existe a solidão, né, porque o cara tá lá em cima e tem isso, é o sonho. Como é que é isso pra você? Ela existe também? É, eu durante muito tempo... Desculpa, nas decisões, né, que tem que ser tomadas.
Durante muito tempo eu repetia que a cadeira do CEO é uma cadeira muito solitária, pelo fato de que realmente quando você vai subindo, só sobe junto também o tamanho da responsabilidade das decisões, porque tudo que vai sendo resolvido pelo time vai sendo resolvido, só chega aquelas decisões que na verdade você tem uma responsabilidade ali e tal.
Eu fui mudando um pouco essa lógica para uma lógica de entender que, assim, não precisa... Por mais que você tenha a responsabilidade da decisão, o fato de você trazer, e eu sempre fui muito isso, de trazer o time para compartilhar visões e tal, mesmo que você tenha a responsabilidade da caneta...
Faz com que a decisão difícil seja, na verdade, uma função. Então alguém tem função de tomar aquela decisão, mas não significa uma decisão sozinha, que você não pode compartilhar, que você não pode ir pelo contrário. Quanto mais eu for entendendo isso, mais trazendo o time, tendo uma escutativa para isso.
consequentemente eu fui me sentindo menos só nessas decisões e fui tendo decisões melhores, por entender que você consegue ter uma colaboração de todo mundo. Então, sim, é difícil, é muito responsável, mas eu diria que sozinho não é o que define a função.
Legal, boa. Bom, galera, para vocês que estão ouvindo a gente aí, a gente tem que parar, infelizmente. O papo está muito legal, mas o Luiz já falou que volta, então o desafio aceito, a gente volta com ele para uma parte 2 também para poder estender esse papo aí. Pô, Luiz, super obrigado. Cara, incrível poder te ouvir. Adorei a história, os conceitos com relação à liderança, que a gente conseguiu cruzar com o Neurociência aqui.
Esquecemos de falar, a cadeira do CEO, acho que ela traz também uma coisa que sobe, é o tamanho da amígdala, né?
Ela não para de crescer. Mas enfim, obrigado, vocês estão ouvindo a gente. Esse foi nessa temporada 5, episódio 11. Estamos aqui com o incrível Luiz Justo, com o doutor Leandro, doutor Diô, com o Fabião, que entrou atrasado, mas conseguiu entrar para esse bate-papo com a gente. A gente se fala de novo daqui a uma semana e a gente promete, então, se compromete, aliás, trazer o Luiz para um bate-papo com vocês aí de novo.
para a gente ouvir um pouco mais. Obrigado, Luiz. Deixo você para encerrar. E agora, e depois em sequência, Dr. Leandro, Diogo e Fabião.
Eu que agradeço muito o convite. Está mais do que confirmada a segunda temporada desse papo, porque para mim foi um prazer poder trocar a ideia de dois temas que eu amo, que é, de fato, liderança, gestão, que é a minha vida, e o que vocês dominam aí, que é como é que se traduz nessa caixinha aqui louca que a gente carrega aqui dentro do crânio. Então, um prazer estar aqui com vocês e, confirmado, vamos estar juntos de novo, porque foi realmente sensacional.
É isso aí, pessoal. Muito obrigado, Luiz. Gratidão mesmo. Obrigado. Vou te mandar o livro depois. Quero ler o seu livro. Da próxima vez eu vou estar tão preparado quanto o Diogo. O Diogo já vai ter lido três vezes. Ele vai querer que ele é o CDF da tua. Eu confesso que eu fiquei um pouco envergonhado, porque o Diogo traz ponto e vírgula. Então, na página 47, na linha 2, parágrafo C...
né, então, mas muito obrigado mesmo, cara, e que experiência fantástica, eu não tenho dúvida aí que as pessoas que nos escutaram, que estão aí com a gente, vai aprender muito com a tua história, e as tuas relações com relações, elas foram geniais mesmo, valeu, estou à disposição, obrigado. Valeu, galera. Bora, Diogo.
Vamos lá, então. Luiz, muito obrigado. Foi um episódio sensacional. Gostei muito do teu livro, porque eu sou um viciado também em livros de liderança, CEOs, então... Tu gostou, Jô? Adorei, adorei. Gostei muito, muito mesmo. Eu tenho que interromper, porque você decorou o livro. Foi mal, fui.
Muito legal mesmo. A visão que você trouxe no livro, eu achei uma visão bem interessante. E isso é... pra mim é sensacional. Eu sempre leio Porter, Jack Welch, gosto bastante dessa linha, então adoro trabalhar. O cara que comparou aí com gente boa, hein?
Não, com certeza, com certeza, Justo Porque é um... Como você falou, a experiência Acho que traz muitas coisas importantes E você trouxe bastante experiência No teu livro e o storytelling está muito Bem feito e muito legal porque você traz Os exemplos, achei muito legal, então parabéns Gratidão pelo teu tempo Porque a gente sabe que é difícil um CEO ter tempo Para parar uma hora e começar a conversar Sobre assuntos aleatórios Mas nosso, muito obrigado Obrigado
E para você que nos ouve e nos assiste, por favor, compartilhe esse episódio, dê seu like, que nos ajudará muito. Valeu, pessoal. Obrigado e valeu, Fabião, também, que vai se despedir agora. É isso. E só o último detalhe aqui. E ali a gente vê que não é um livro Ghostwriter, né? Porque ele domina do que ele fala. Você vê que ali é a conta fecha. Totalmente, totalmente. Não é um Ghostwriter nada. Deu trabalho, deu trabalho. Legal.
Pessoal, hoje, abatagem. Boa noite. Vai lá, Fabião. Foi um grande prazer, meu, entrando aqui. Eu fiz a ponte.
Luiz é uma pessoa mega humilde, super disponível para todo mundo. Não é à toa que ele está no conselho do Conar, que ele está indo para conselho de negócio, que ele vai virar conselheiro de uma dezena, se não algumas empresas por aí. Para quem não leu o livro do Luiz, é se ou conectado, equilibrado, ele está. E o subjetivo é como se tornar um líder pragmático e inspirador, integrando competências complementares que levam times e negócios ao sucesso. Leiam.
Tanto quanto vocês compram um ticket para ir no Lollapalooza, para ir no Detal ou no Rock in Rio, que vai valer a pena cada linha. Luiz, mais uma vez obrigado. Para quem não nos segue, vá lá no ibrace.org. A gente está em todas as plataformas. Podcast celebrando, ibrace.org. E nos vemos na semana que vem.
É isso. Valeu, gente. Obrigado. Valeu. Gente, que loucura.
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