Sermão Dominical | Marcos 10:32-45 | Rúben Oliveira
Sermão Dominical | 03.Maio.2026Marcos 10:32-45Rúben Oliveira********************Primeira Igreja Baptista LisboaRua Lucinda Simões 7, Lisboageral@primeiraigreja.pthttp://primeiraigreja.ptFacebook: / primeiraigreja.pt Instagram: / primeiraigreja.pt Youtube: / @primeiraigrejabaptistadelisboa Spotify: https://open.spotify.com/show/57Y6GtOdSLVYcA46PKbFZI?si=aad803478b1e4b6fApple Podcast: https://podcasts.apple.com/pt/podcast/primeira-igreja-baptista-de-lisboa/id1637440503
Rúben Oliveira
- Messias e Jaques WagnerJesus como o Filho do Homem e Messias · Jesus como Salvador · O amor supremo de Jesus · Jesus como o Cordeiro Pascal
- O Servo SofridoJesus anuncia sua paixão e morte · Jesus como servo sofredor · O sacrifício de Jesus pelo resgate do mundo · Isaías 53:3
- Servos que Reinam vs. Servos que ServemPedido de Tiago e João por lugares de honra · A incompreensão dos discípulos sobre o serviço · O paradigma do mundo vs. o paradigma de Jesus · A ambição de poder dos discípulos
- Serviço em BetelImitar Jesus no serviço sacrificial · A importância de servir os outros · A atitude dos discípulos vs. a atitude do Mestre · Oração pelo poder de imitar Jesus
Gostaria de convidar os irmãos, esta manhã, a abrirmos as nossas Bíblias. Abrimos as nossas Bíblias no Evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São Marcos, no capítulo 10. Marcos, capítulo 10. E vamos ler o texto bíblico, desde os versículos 32 até ao versículo 45. Marcos 10.
32 a 45. O texto desta manhã, para os irmãos e para os visitantes que seguem a Bíblia e que estão nos bancos, está na página 952, Marcos 10, 32 a 45. E diz assim a palavra do Senhor.
E iam no caminho, subindo para Jerusalém. E Jesus ia adiante deles. E eles maravilhavam-se e seguiam-no atemorizados. E tornando a tomar consigo os doze, começou a dizer-lhes as coisas que lhe deviam sobreviver, dizendo
Eis que nós subimos a Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas, e o condenarão à morte, e o entregarão aos gentios, e os carnescerão e açoitarão, e cuspirão nele e o matarão, e ao terceiro dia ressuscitará.
E aproximaram-se dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo, Mestre, quereríamos que nos fizesses o que pedirmos. E ele lhes disse, Que quereis que vos faça? E eles lhe disseram, Concede-nos que na tua glória nos assentemos um à tua direita e outro à tua esquerda. Mas Jesus lhes disse,
Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu bebo e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado? E eles lhe disseram, podemos. Jesus, porém, disse-lhes, em verdade, vós bebereis o cálice que eu beber e sereis batizados com o batismo com que eu sou batizado. Mas assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence a mim concedê-lo. Mas isso é para aqueles a quem está reservado.
E os dez, tendo ouvido isto, começaram a indignar-se contra Tiago e João. Mas Jesus, chamando-os a si, disse-lhes, sabeis que os que julgam ser príncipes das gentes, delas se assenhoreiam e os seus grandes usam de autoridade sobre elas. Mas entre vós não será assim. Antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vos serviçal. E qualquer que entre vós quiser ser o primeiro,
será servo de todos. Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos. Até aqui a palavra do Senhor. Irmãos, neste momento do ministério de Jesus, estamos no caminho de Jerusalém. É a altura da Páscoa.
E muita gente ia a caminho da cidade, daquela grande cidade do Monte Sião. Temos visto que Jesus, ao longo do Evangelho de Marcos e os seus discípulos, sobretudo a partir agora deste capítulo 8 e dentro deste bloco onde nós estamos, caminham para Jerusalém porque Jesus tem um objetivo concreto. E diz-nos ele, o Filho do Homem será entregue e pegarão nele.
E vão escarnecer e açoitar e cuspir. E não ficam por aqui. Vão matá-lo. Mas também não fica por aqui. E ao terceiro dia ressuscitará. Este é o texto, é parte do texto que nós lemos nos versículos 32 a 34. Seguida nos versículos 35 a 41.
E perante este cenário que Jesus apresenta, Tiago e João fazem um pedido. Senhor, na glória, deixa-nos sentar-nos, um à tua direita e outro à tua esquerda. E Jesus explica-lhes que eles não podem passar por aquilo que ele vai passar. Mas eles não percebem aquilo que Jesus está a dizer e acham que sim, que podem. E Jesus confirma que podem. Não sabendo eles que Jesus está a dizer que um dia eles vão passar por isso.
Mas sabemos que não vai ser já. E os outros dez indignam-se, porque sabemos nós pelo contexto. Porque eles também querem se sentar perto de Jesus na glória. E por fim, dos versículos 42 a 45, Jesus aproveita este momento em que ele disse o que é que ia acontecer e em que os discípulos não percebem o que é que Jesus está a dizer. Jesus mais uma vez aproveita um momento para ensinar.
E neste mundo, diz Jesus, o que querem têm poder, têm poder e mandam sobre os outros. Mas entre os discípulos do Mestre não será assim. O que quiser ser grande será serviçal. O que quiser ser primeiro acabará por ser servo. E porquê? Porque diz-nos o versículo 45.
O filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de modos.
Eu gostaria, irmãos, que nós pudéssemos meditar esta manhã neste texto. E à luz deste último versículo. É o versículo que nós também escolhemos para estar na nossa folha de rosto do boletim dominical de hoje. Que é precisamente este versículo 45. O filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de mundo.
Vamos olhar para este texto perante o exemplo de Jesus e esta mensagem de Jesus. Irmãos, o texto desta manhã é sobre este filho do homem, de que fala Jesus no versículo 45.
Lembrem-se, irmãos, sempre que falamos do Evangelho de Marcos, nós estamos debaixo do objetivo de Marcos no seu Evangelho. E o Evangelho de Marcos tem como objetivo mostrar-nos quem é Jesus, mostrar-nos a identidade de Jesus, mostrar-nos à luz daquele versículo primeiro que diz o Evangelho de Jesus, o Cristo, o Filho de Deus, o Messias. E Jesus apresenta-se aqui, precisamente, como o Messias.
O filho do homem é um termo utilizado no Antigo Testamento precisamente para o Messias. E Jesus trata-se a si mesmo na terceira pessoa, porque ele está a dizer, o Messias que vocês esperavam vai passar por isto. Jesus apresenta-se a ele próprio como o Messias, mas apresenta-se como o Messias que é servo e que dá a sua vida em resgate.
E por isso o versículo 45 ajuda-nos a compreender o restante do texto que nós vamos ver esta manhã. E por isso, esta manhã, e à luz deste texto e deste versículo, eu gostaria que nós pudéssemos meditar em três momentos deste texto. O primeiro momento, dos versículos 32 a 34, onde nós vemos Jesus a apresentar-se como o servo sofridor.
No segundo momento, dos versículos 35 a 41, nós temos os servos que reinam. E o terceiro momento, do versículo 42 ao versículo 44 e complementado com o 45, os servos que servem. Temos por isso o servo sofrador, os servos que reinam e os servos que servem. Ponto número 1 então, o servo sofrador.
Acompanhem-me, irmãos. Jesus está a anunciar, neste momento, estando perto, muito perto de Jerusalém, o que vai acontecer quando chegar a Jerusalém. Diz-nos Ele, então, que o Filho do Homem será entregue, vão escarnecer, vão açoitar, vão cuspir, vão matar e Ele vai ressuscitar ao terceiro dia. Jesus, o Mestre.
Apresenta-se aos seus discípulos como aquele que vai cumprir uma missão. Ser preso, ser torturado e ser morto. Pela terceira vez, neste caminho para Jerusalém, Jesus diz ao que vai.
No capítulo 8, Jesus tinha dito exatamente a mesma coisa. No capítulo 9, tinha dito exatamente a mesma coisa. E aqui neste capítulo 10, volta a dizer exatamente as mesmas palavras, a mesma mensagem. O caminho para a cidade santa, aquele que se esperava ser um momento de alegria porque estavam a entrar em Jerusalém, Jesus apresenta-lhes um novo cenário. Jesus diz que vai entrar na cidade, mas vai para sofrer e para morrer.
Jesus apresenta-se, ele mesmo, como aquele que se oferece voluntariamente para sofrer. Ele é voluntariamente um sofredor. Mas Jesus sofre para quê? Com que fim é que Jesus se propõe a sofrer? E lá está, irmãos, vejam o versículo 45 que nos responde. Para servir e dar a sua vida para resgate do mundo.
Jesus é sofredor porque ele é um servo. Jesus propõe-se a servir sofrendo. Lembrem-se, irmãos, o que nós acabámos de ler em Isaías. Isaías 53, 3. Era desprezado e o mais indigno entre os homens. Homem de dores. Este varão de dores.
Apresenta-se como o nosso modelo de serviço. Jesus dá a sua vida para servir os outros. Jesus como que nos está a dizer, eu que sou o vosso mestre, façam o que eu estou a fazer. Sirvam. Estejam dispostos a morrer caso seja necessário. Ele diz-nos, eis-me aqui como um modelo de vida para vocês.
Sejam servos, caso seja necessário, sofram. E este é o modelo de cristão. Se o modelo para um cristão é Cristo, então o modelo para nós, neste caso, e ao lermos este texto, é que o cristão é aquele que está disposto a servir. O cristão é aquele que se dispõe voluntariamente, tal como Jesus, a servir.
Mas Jesus, quando lemos estes três versículos, 32 a 34, Ele não é apenas o maior modelo de serviço. Jesus não é apenas o exemplo que nós devemos imitar nos seus atos e na sua vida. Jesus é muito mais do que o modelo de serviço. Jesus não é só o modelo, ele representa-se como servo, mas é muito mais até do que isso.
Se Jesus fosse apenas um modelo de vida, ele seria como aqueles homens e mulheres que nós vemos na capa de alguns livros e que diz 50 grandes personalidades da história da humanidade. Ou as 50 grandes personalidades da história do século XX, segundo as seleções do Reader's Angels.
Mas Jesus não é apenas o nosso modelo. Jesus não é o modelo de um livro em que nós abrimos e dizemos está aqui um homem com excelentes obras? Está aqui um homem que fez obras que nós devemos imitar? Está aqui um homem com os ideais perfeitos para o século XXI? O Filho de Deus não encarnou apenas para nos dizer como nós havemos de viver. Jesus encarnou também porque é o nosso Salvador.
O versículo 45 termina a dizer que ele veio para servir e dar a sua vida para quê? Para resgate de mundos. Jesus não nos traz apenas um modelo. Ele é um modelo porque ele é a perfeição. E porque ele é perfeito, então ele pode salvar-nos. Nós podemos confiar neste modelo porque nós sabemos que ele é perfeito, mas porque ele também é o nosso Salvador.
Nós seguimos Jesus por aquilo que Ele é. E nós afirmamos que Ele é a nossa salvação. Foi assim que Ele se apresentou a nós. Nós confiamos em Jesus com uma confiança frágil? Nós, porque somos humanos, somos frágeis?
Mas temos também a certeza que Ele é uma rocha sólida para a nossa salvação. E por isso, irmãos, o cenário que nós temos nesta passagem é de um Jesus que se propõe a ser o nosso modelo, o nosso modelo de serviço, mas também o nosso Salvador. E porque Ele é o nosso Salvador, Ele é o nosso modelo. Porque Ele nos salva, nós queremos segui-Lo. E então Ele é o nosso Mestre e nós somos os Seus discípulos.
Estás aqui esta manhã e não sabes quem é Jesus? Estás aqui esta manhã e és cristão e muitas vezes não sabes explicar aos outros quem é Jesus? Nós olhamos para esta passagem, nós podemos ver a identidade de Jesus. Jesus é aquele que deu a sua vida servindo para a nossa salvação.
Jesus é aquele que deu a sua vida servindo para a nossa salvação. Nós vivemos em um mundo em que as pessoas gostam muito hoje de falar de Jesus. Há Jesus para todos os rostos. Há umas décadas, a moda e ser moderno era negar sequer que Jesus tinha existido. O próprio Jesus chamado Jesus histórico não tinha sequer existido. Não tinha havido um homem chamado Jesus.
tinha vivido naquela região e tinha anunciado uma mensagem. Nem este Jesus era aceito. Mas hoje, parece que no nosso mundo voltou outra vez a entrar numa certa moda. Aceitar que existia um homem chamado Jesus. Mas pegam neste Jesus e fazem um Jesus à sua própria imagem e semelhança. Jesus é apresentado à imagem de cada um. Todos falam da bondade. Todos falam do amor de Jesus.
Mas quando falam da bondade e do amor de Jesus, falam para seu próprio interesse, para se justificarem a si mesmos. Ninguém fala do que Jesus se propõe a fazer. Servir morrendo. Falam tanto de amor. Falam tanto que Jesus trouxe amor. Mas esquecem-se deste supremo ato de amor. Acompanhem-me, irmãos, neste cenário.
Deus, no seu conselho eterno, decidiu que havia de resgatar o seu povo que estava perdido no seu pecado. Ali, no conselho eterno, Pai, Filho e Espírito Santo decidiram que o seu povo caído haveria de ser resgatado.
E então o Pai decretou que o filho haveria de morrer. E o filho, voluntariamente, ou seja, pela sua própria vontade, aceitou morrer para a salvação do seu povo. Quando queremos tratar Jesus como o paradigma do amor, nós devemos começar aqui.
Filho ofereceu-se por sua própria vontade para cumprir o decreto do Pai. Diz Jesus num outro momento, ninguém tem maior amor do que este, de dar a alguém a sua vida pelos seus amigos. Ninguém tem maior amor do que este, do que dar a vida pelos seus amigos. Irmãos, está aqui o maior ato de amor da história.
Queremos falar de Jesus, que mostrou o amor? Está aqui. A caminho de Jerusalém. Reparem o cenário onde nós estamos. A caminho de Jerusalém, na altura da Páscoa, da Páscoa dos judeus, onde temos o habitual sacrifício do cordeiro. E quando olhamos para o sacrifício do cordeiro dos judeus, nós sabemos que o sacrifício do cordeiro não era para depois fazer-se um belo churrasco.
para todo o povo desfrutar ao pé do templo, não era um churrasco de confraternização do povo de Israel. O sacrifício era feito para perdão dos pecados, como representação do perdão dos pecados para a salvação do povo. Mas naquela Páscoa, Jesus está a dizer-lhes que ele próprio vai ser o cordeiro pascal para a salvação do povo. E por isso, no versículo 45, complementa para resgate de muitos.
Por isso, quando lemos estes versículos 32 a 34, e acabamos o versículo 34, o que é que diz no final, depois de tudo isto? De que ele vai ser entregue, e vai ser moído, e vai sofrer, e vai ser condenado, e vai ser morto, e ao terceiro dia ressuscitará.
O maior ato de amor fica absolutamente completo quando o nosso Salvador vence a morte e nos dá a salvação. Este é o maior ato de amor. Este é o maior modelo de serviço que nós podemos ter. Então, irmãos, nós temos um modelo a imitar. O modelo do nosso Salvador. E o modelo do nosso Salvador é este, neste texto, o servo sofrador. Ponto número 2.
Nós vemos os versículos 35 a 41. E nós vemos os servos que reinam. Jesus, como vimos, apresenta-se como modelo.
àqueles que deveriam imitar. Porque, como já vimos várias vezes no texto de Marcos, os discípulos não aprendem só com o seu mestre. Os discípulos não são só alunos de um professor. Eles são discípulos de um mestre. Porque eles não aprendem só aquilo que o mestre está a dizer, mas porque eles imitam o que o mestre faz.
E quando os discípulos ouvem este ensino, daquilo que o Mestre diz que vai fazer e que se propõe a fazer, eis que nós temos os discípulos Tiago e João. E depois os outros dez a reagirem. Vejam, Jesus falou de sofrimento e de serviço. E Tiago e João falam de uma coisa completamente diferente. Num momento difícil para Jesus.
que precede a entrega de Jesus para ser moído e morto, os discípulos estão em completa desintonia com o seu mestre. Quando Jesus serve servindo, os discípulos querem servir reinando.
A resposta de Tiago e de João, quando nós olhamos, é absurda. A nossa reação quando lemos este texto e vemos a resposta de Tiago e de João, há como que um misto em que nós, por um lado, dá-nos vontade de rir e ao mesmo tempo temos vergonha alheia daquilo que eles estão a dizer. Jesus conta-lhes que vai sofrer e morrer para os resgatar no momento duro. E eles respondem, sim, senhor, nós estamos prontos para reinar.
Jesus está a dizer, há um momento de sofrimento e eles dizem, ok, não te esqueças de quando nós chegarmos à glória, de nos guardarmos o lugar ao pé do teu trono. Olha, mestre, quando tudo isto acabar, nós sabemos onde é que queremos estar. Que falta de compreensão. Eles não sabem do que Jesus está a falar.
Por isso Jesus responde-lhes que eles não podem passar naquele momento por aquilo que ele vai passar. Que falta de compreensão da mensagem do Evangelho. Quando eles ouvem aquela mensagem que é o Evangelho a ser anunciado por Jesus nele mesmo, eles estão a pensar no triunfo sem pensar no serviço.
E eles dizem mais. Quando Jesus diz, vocês não vão poder passar por isto, eles dizem, não, não, nós podemos. Claro que podemos. E Jesus diz, não, vocês não podem passar por isto. Um dia, vocês vão passar por isso. Um dia, vocês vão provar o meu cálice e vão experimentar este batismo, mas não agora. Mas como se não bastasse...
como se não bastasse a incompreensão de Tiago e de João, nós temos os outros dez a indignarem-se. E pelo contexto, porque já atrás...
Nós já tínhamos visto no capítulo 9 que eles tinham discutido entre eles pelo caminho quem era o maior. Esta discussão, mais uma vez, volta a estar em cima da mesa. Porque eles ficam indignados com Tiago e João. Porque, na verdade, neste espírito que os discípulos tinham, eles também queriam ter ali um lugar ao pé da trono de Jesus. A falta de noção não é só de Tiago e de João. A falta de noção é geral dentro do grupo dos discípulos próximos de Jesus.
A compreensão dos discípulos neste texto é muito, muito limitada. E isso deve levar-nos, esta manhã, todos nós a refletir. A noção de serviço dos discípulos estava completamente distorcida. Eles queriam experimentar o sumo doce, mas jamais o sabor amargo do fel. Jesus era o seu mestre.
Jesus era o seu modelo de vida, mas eles não estavam dispostos a provar o cálice amargo que ele haveria de beber. Do batismo que implica a morte para a vida, eles queriam apenas experimentar a parte da ressurreição. Eles queriam a parte doce quando o seu mestre estava a explicar-lhes que serviço é abnegação, é entrega, é altruísmo.
Serviço é o verdadeiro amor. Eles não queriam sentar-se à direita e à esquerda para servir os outros, mas para reinar sobre eles. O amor pelos outros era substituído pelo amor que eles tinham por si mesmos. E ao pensarmos nos discípulos, devemos também pensar em nós. Como é que Jesus é o meu modelo? Qual é a resposta que eu dou?
quando o modelo do meu Salvador é de serviço sacrificial? É de uma forma prática. Que expectativa tenho eu da vida de cristão? Que expectativa tenho eu da vida de igreja? Servir ou ser servido? Como é que eu, como cristão, sirvo os outros? Gostaria que nós pudéssemos pensar...
Porque é Jesus que nos vai dar a resposta certa, no terceiro e último ponto, dos versículos 42 ao 44, quando Jesus diz que os servos são aqueles que servem. Irmãos, nestes três versículos, complementado depois pelo versículo 45, Jesus ajuda os discípulos a encontrar o rumo certo. Ajuda-nos a nós também, esta manhã, a encontrarmos o rumo certo do ensino de Jesus.
Um servo não é feito para reinar, diz Jesus, mas para servir. Por isso o paradigma de Jesus não é o paradigma do mundo. No mundo, diz Jesus, aqueles que se assentam em tronos são os que julgam ser príncipes da gente. O paradigma mundano é este. Quem quer mandar, luta. E os que chegam ao poder são os que têm ambição.
Mas Jesus apresenta um novo paradigma. Entre vocês não vai ser assim, diz Jesus. Qualquer que entre vós quiser ser grande, será vos serviçal. E qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. O modelo é absolutamente outro. A mente de Jesus é completamente diferente do mundo e até da mente dos discípulos. Se os discípulos tivessem compreendido o ensino de Jesus,
Não teriam pedido a Jesus para se sentarem ao seu lado no trono. Há mais nobreza no serviço que na ambição de poder.
Há mais aristocracia em servir os outros do que reinar. Há mais realeza na abnegação do que no exercício do poder. Aquele que quer chegar a ser primeiro tem também de saber servir. Por isso Jesus dá o exemplo. O Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos. Versículo 45. O Filho do Homem...
O Messias prometido, aquele que Daniel viu na sua visão, a quem foram dadas todas as coisas e que vai governar para sempre, ele vai servir para resgate de muitos. O Filho do Homem Jesus é o Servo Supremo, o que se fez servo para que ele também fosse primeiro. Ele é o nosso Mestre e por isso nós queremos ser como eu.
Ele é o que serve todos para que, salvando, possa reinar. Se nós afirmamos que somos discípulos de Jesus ainda hoje, o nosso padrão é este servo. E por isso, irmãos, eu gostaria que nós pudéssemos, perante estas palavras e o ensino de Jesus, que nós pudéssemos refletir. E que tu, que estás aqui esta manhã, pudesses refletir acerca da mensagem de Jesus.
E podemos começar por perguntar, que cristão sou eu? Que serviço presto eu? De que forma é que Jesus é o meu modelo? De que forma estás disposto a dar a tua vida pelos teus irmãos? Se tu te perguntares a ti mesmo como é que tu serves, que resposta é que tu tens de ti mesmo?
Será a tua resposta assim tão diferente da resposta de Tiago e de João? Vamos voltar a pensar na pergunta que fiz há pouco. Que expectativa tens tu da Igreja? Servir ou ser servido? Estás tu atento aos que mais necessitam de ajuda? Estás tu atento ao estado espiritual dos outros?
Queres saber como está o teu irmão? O que ele precisa? E pelo momento que ele está a passar? As tuas conversas com os outros irmãos são conversas de quem se interessa verdadeiramente pelos outros? Ou será que as nossas conversas são pautadas pela circunstância? Uma das maiores enfermidades do nosso tempo é espiritual.
Mas também uma outra grande enfermidade do nosso tempo, ligada necessariamente a esta questão espiritual e também a questão psicológica. Quantas pessoas podem neste momento e nesta manhã estar a sofrer? E tu estás atento à vida do outro que cultua contigo esta manhã? Vamos um pouco mais a fundo, irmãos.
O que é que fazes tu? O que é que tu vais fazer esta manhã? Quando acabar o culto? O que é que vais fazer tu esta manhã quando acabar o culto? Tu vais ter, no final do culto, com aqueles que são iguais a ti. Ou com aqueles que são iguais a ti.
Com quem tu tens mais interesse em falar? E tens uma boa conversa de ocasião? Ou no final do culto a tua preocupação está nos mais idosos? Ou naqueles que acabaram de ser pais? Ou a quem veio hoje, mas já não vinha muito tempo à igreja? Deste-se-se que era conta que hoje falta um irmão? E que vale a pena enviar uma mensagem a saber o porquê dele hoje não estar connosco a cultuar esta manhã?
Estás tu atento a estas coisas? O que é que tu vais fazer quando terminar o culto? Vais virar-te para ti mesmo? Ou vais virar-te para os outros servindo? E durante a semana? Oras pelos teus irmãos? Tu oras por aqueles que sofrem? Pelos que pouco conheces, mas que partilham contigo a fé?
Tu que és novo de idade, quantas vezes no último ano tu te lembraste de um irmão mais velho e enviaste uma mensagem, telefonaste ou o visitaste? Quantas vezes no último ano tu entraste num hospital para visitar um irmão mais velho que está doente?
E tu, que és mais velho, reformado e ainda tens forças para dar, o que é que tu fazes do teu tempo livre em serviço pelos outros? Qual que é que é o culpado da tua vida agora que tu não tens emprego? De que forma é que tu serves a igreja? De que forma é que tu serves os outros? E mesmo tu, que já tens poucas forças, que podes estar doente,
Tu usas as forças que tens, a tua mente, para intercederes pelos outros e para saberes das suas dificuldades? Irmãos, estás-tu disposto a dedicar a vida pelos teus irmãos? Amas-tu verdadeiramente os teus irmãos na fé, ao ponto de mostrar este grande amor que Jesus nos mostra de serviço? Este João...
que está em sintonia com o Mestre. É o mesmo João que mais tarde vai dizer isto. Conhecemos o amor nisto, que Ele deu a sua vida por nós e nós devemos dar a vida pelos irmãos. Ele deu a sua vida por nós e nós devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos. Que mensagem maravilhosa. Por isso...
Eu exorto-te desta manhã como um exorto a mim mesmo. Imita Jesus. Exorto-te no final do culto. Lembra-te de levantar a cabeça para além de ti mesmo. E olha para os outros. Para os teus irmãos na fé. Olha para aqueles que nos visitam e que não são cristãos. Exorto-te. Durante esta semana, lembra-te dos teus irmãos na fé e age.
Faz alguma coisa pelos outros. Viva a tua vida em serviço. No fundo, e resumindo, exorto-te, imita Jesus. Que desta manhã nós possamos refletir em como a vida do cristão é a verdadeira imitação de Cristo. Aquele que serviu e que morreu para resgate de muitos. Vamos orar.
Pai Nosso, olharmos para a mensagem de Jesus e para o supremo e imenso exemplo de Jesus. Nós olharmos para aquilo que Jesus se voluntariamente ofereceu a fazer. Para o exemplo de serviço, de abnegação, de anulação de si mesmo, de humilhação e de humildade.
o exemplo de Jesus que Ele próprio nos apresenta, como este ato supremo de amor. Nós sabemos que muitas vezes estamos mais próximos daquilo que é a atitude dos discípulos do que propriamente a atitude do Mestre. Pai nosso, nós te queremos pedir que pelo poder do teu Espírito em nós, cristãos,
em nós, Igreja. Que na verdade nós tínhamos a capacidade e a vontade de imitar Jesus. Que a nossa vida vá para lá, muito para além de nós mesmos. E que a nossa vida seja virada pelo serviço dos outros, tal como Jesus se dispôs a servir os outros. Pai, nós queremos servir os outros porque queremos servir a Ti. Nós queremos servir os outros.
porque o teu filho assim se dispôs. E por isso, humildemente, nós te pedimos que sejas connosco, que nos guardes, que nos protejas, que nos livres do mal e que nos livres deste pecado de só olharmos para nós, de queremos reinar, mas que na verdade possamos ser verdadeiros servos.
Em nome do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, aquele que se fez servo, aquele que sofreu no nosso lugar. Amém.