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Podcast 904 | Eduardo Carvalho | As pequenas tentações – uma reflexão sobre a vida nas cidades

01 de maio de 202625min
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Podcast 904 | Eduardo Carvalho | As pequenas tentações – uma reflexão sobre a vida nas cidades by Rio Bravo
Participantes neste episódio2
F

Fábio

HostAdvogado, professor de direito, teólogo
E

Eduardo Carvalho

ConvidadoAutor
Assuntos7
  • Sociabilidade UrbanaO livro Pequenas Tentações, Cidades, Arquitetura e Outros Passeios · A influência da arquitetura na vida urbana · O papel das calçadas na experiência da cidade · Crítica aos condomínios-clube e o esvaziamento da vida urbana · A cidade como fonte de descobertas e expansão da capacidade de perceber
  • Influências na formação de Eduardo CarvalhoAlain de Botton e o livro Arquitetura da Felicidade · Lourenço Gimenez e o setor de arquitetura FGMF · Eduardo de Almeida, arquiteto · Xundi e o projeto com Eduardo de Almeida · O projeto Esquina: debates sobre cidades e arquitetura
  • Soluções para problemas urbanosA necessidade de incluir pessoas com formações e vivências diferentes · O risco de falar sozinho em redes sociais e a falta de comunicação · A politização e ideologização do debate urbano em guetos · A importância das ideias e do debate para a construção da cidade
  • Mercado imobiliário e a formação das cidadesResponsabilidade do mercado imobiliário nos problemas urbanos · A influência das leis e da sociedade civil na formação da cidade · A preocupação legítima de profissionais do mercado imobiliário com a cidade
  • Turismo em RoraimaTextos sobre pessoas ou situações que só existem por causa das cidades · O texto sobre o avô e a relação com os livros · O texto sobre o silêncio como fuga da cidade
  • A cidade ideal para o filho de Eduardo CarvalhoA importância de andar a pé para descobrir as coisas · A convivência com pessoas diferentes · A dificuldade em pensar em uma cidade ideal e a diversidade das cidades
  • Escrita e EdicaoDificuldade em escrever e a necessidade de reescrita · Organização de ideias e esboços antes da escrita · O texto sobre o avô como exemplo de complexidade e referências
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Olá, sejam bem-vindas e bem-vindos a mais este episódio do podcast Rio Bravo. Nesta ocasião, nosso convidado é Eduardo Carvalho, autor do livro Pequenas Tentações, Cidades, Arquitetura e Outros Passeios, publicado pela editora Bay. Aqui está o livro.

Na entrevista, Eduardo Carvalho fala não apenas sobre o que o motivou a escrever o livro, mas também destaca algumas passagens da obra. E ressalta também um pouco da sua visão a respeito da cidade. Será que existe uma cidade ideal para o autor de Pequenas Tentações? Você confere a íntegra desta conversa e a resposta para essa e para outras perguntas no podcast que começa logo a seguir.

Eduardo Carvalho, é um prazer tê-lo aqui conosco mais uma vez no podcast Rio Bravo. Muito obrigado pela sua participação, pela sua, mais uma vez, aparição aqui no nosso podcast. Desta vez para falar do livro Pequenas Tentações, que saiu no final do ano passado, final de 2025, pela editora Bay. Muito obrigado mais uma vez pela sua presença.

Prazer é meu, Fábio. Obrigado pelo convite. Eduardo, eu acompanho o seu trabalho, claro, há muito tempo, e sabia que você escrevia, mas eu nunca soube que você queria escrever um livro. Como é que surgiu essa iniciativa, a proposta de um livro, que é uma coletânea dos seus textos ao longo de um tempo?

Eu não queria escrever um livro da verdade. O que aconteceu foi que esses textos foram escritos ao longo de 15 anos. Acho que o primeiro deles é de 2011, se eu não me engano. Eu trabalhava no mercado imobiliário, comecei a escrever sobre cidades, sobre arquitetura, sobre temas que me interessavam. Sempre trabalhei no mercado imobiliário, com incorporação. E, a partir de um momento, há uns dois anos mais ou menos, me deu vontade de...

selecionar alguns textos que eu achava que tivesse valor ainda para discussão sobre cidades hoje e empacotar isso num formato diferente, que seja um livro.

Minha impressão é que, de fato, o livro tem um impacto, uma repercussão, e é um formato diferente de artigos publicados em jornais. Então, para mim, dá sido legal também ver esses textos apresentados de uma forma diferente hoje.

Agora, Eduardo, você vem do mercado imobiliário e há quem diga que o mercado imobiliário é responsável por tudo de ruim que acontece nas cidades. Você concorda com essa afirmação? Eu não diria isso. Eu não diria que pessoas que trabalham no mercado imobiliário não se preocupam com a cidade. Eu acho que a cidade tem muitos problemas. Mas, em grande parte, é também formada pelo mercado imobiliário, que opera dentro de uma lei que, teoricamente, pelo menos é...

criada, desenhada, escrita por uma pela sociedade civil e pelos políticos que representam ela. Então, se a cidade tem defeitos e tem, eu acho que é simplista a gente

condenar só uma um extrato da sociedade por isso assim eu acho que tem tem muitos responsáveis acho que não deveria ser a se correr o risco de dizer putz o mercado imobiliário não não não se preocupa com a cidade eu acho que não é isso acho que na minha experiência pessoal também eu convivo convivir com muita gente que de fato tem

tem preocupação legítima para que a cidade seja melhor, quer que ela seja melhor. Acho que o único problema também não é só das leis, é claro que as leis em vários sentidos, ou várias poderiam ser melhores, mais simples, mais claras também, para que o mercado imobiliário também pudesse trabalhar com mais clareza. Mas no meu caso particular, eu acho que aconteceu...

Eu sempre gostei de ler e enquanto eu trabalhava no mercado imobiliário, eu comecei a me relacionar com arquitetos que foram me apresentando livros que...

Acho que abriram a minha cabeça ou me estimularam a prestar mais atenção em algumas coisas do meu trabalho. E aí acho que eu comecei a trabalhar de forma diferente ou muito preocupado também com que os prédios que eu estava fazendo fossem, em algum sentido, na medida que eu conseguia fazer, bons para a cidade também.

Duas perguntas em uma aqui. Quais foram esses arquitetos? Se não quiser citar todos, posso citar alguns. E quais eram essas leituras? Tem um livro...

É um livro relativamente simples, não é um livro para especialista, mas um livro que eu sempre repito que eu gostei de ler, que é o livro do Alain de Botton. Tem gente que fala que ele é um livro que é uma leitura de autoajuda aos outros livros dele. Ele simplificou Proust, mas ele tem livros sobre vários assuntos. É uma pessoa interessante, uma pessoa culta, educada, de fato preocupada com que a arquitetura...

melhorasse na Inglaterra, ele é suíço, mas assim, ele tava na Inglaterra e fez um documentário para a BBC sobre arquitetura, falando ou criticando uma arquitetura.

reacionária inglesa contemporânea e mostrando como ela poderia ser mais interessante se se inspirasse em outros exemplos na Europa. E ele escreveu um livro chamado Arquitetura da Felicidade, em que ele dá exemplos de como a arquitetura pode ajudar a gente a viver melhor.

Eu li esse livro quando foi lançado, acho que em português, não me lembro o ano exatamente. 2005, 2006, talvez. Eu acho que foi um pouco depois, talvez, mais ou menos isso. E eu gostei, falei, putz, acho que isso aqui... E tem um documentário também, né? Eu não sei qual foi inspirado em qual, primeiro se é documentário, depois o livro. Mas documentário também é bom.

E acho que esse talvez tenha sido o primeiro, daqui a pouco posso lembrar de mais exemplos. E nessa mesma época também, eu até cito ele no livro e agradeço pelas conversas que a gente teve, é o Lourenço Gimenez, que é um amigo até hoje, tem um setor de arquitetura que chama FGMF, ele deu aula também no Mackenzie.

Nessa época foi um interlocutor importante para mim. Depois eu fiz um projeto com o Xundi, com o Eduardo de Almeida, que faleceu nesse domingo, que é um arquiteto que eu sempre admirei muito. E eu me lembro até do Lourenço falar uma vez. Eu falei, Lourenço, qual arquiteto você mais gosta, quais arquitetos você gosta? O primeiro que ele citou foi o Eduardo de Almeida. E aí eu fui atrás da obra dele e, enfim, me interessei.

Depois, em paralelo, eu conheci o Xung. O Xung tinha trabalhado com o Eduardo em alguns projetos. E acabei contratando eles para fazer um projeto aqui em São Paulo. E o Xung também foi um interdoutor importante nessa época. Mas acho que tem vários outros exemplos. E acho que uma coisa importante também para a minha formação, para...

foi ter feito o Esquina, que foi uma série de debates sobre cidades, arquitetura, que a gente criou em 2015, eu e a Mariana Barros, que é uma jornalista, e a gente fez dezenas de debates sobre cidades, sobre arquitetura, e o espírito do Esquina era convidar pessoas diferentes, ou com formações diferentes, ou de pontos de vista diferentes, para discutir o mesmo assunto. E Esquina é um ponto de encontro, e...

E acho que a cidade também, em outra escala, também é um ponto de encontro.

Eu estava com a sensação de que podia ser interessante fazer isso, e foi muito legal, os eventos eram sempre cheios, muita gente, era um sucesso, foi quase pré-internet, mas era outra internet. Algumas coisas estão gravadas, mas estão espalhadas pela internet, mas eram encontros presenciais, foram muito legais. Acho que eu aprendi muito também com esses encontros.

Eduardo, fala um pouco pra gente do título do livro, Pequenas Tentações. Tem um texto aqui que trata exatamente a respeito desse assunto. Conta pro nosso ouvinte que ainda não teve, pra quem tá nos assistindo também, que não teve oportunidade de ler o livro, um pouco dessa história. Esse texto é um dos primeiros textos que eu escrevi em ordem cronológica, deve ser de 2011.

Eu escrevi a convite de uns alunos da FAO, da USP. Eles tinham, acho que não tem mais, uma revista que se chama Contraste, uma revista dos estudantes. E eles me pediram para escrever um texto para a revista. E o que eu tentei fazer é mostrar alguns exemplos no texto.

de situações em que uma pessoa caminhando por uma cidade possa ser distraída ou convidada pelas pequenas tentações que a cidade apresenta e que a partir disso a vida dela pode melhorar ou se expandir em algum sentido. Eu não falo explicitamente isso no texto, mas...

educação, de alguma forma, educação é aquilo que expande a tua capacidade de perceber as coisas, eu acho. E nesse sentido, é isso que uma boa cidade faz, ela te apresenta coisas, mesmo você não querendo, mas ela te apresenta coisas ou situações que você, vivendo elas, expandem a tua capacidade de, ou de entender, ou de aproveitar a vida. E essas pequenas tentações são esses pequenos convites que a cidade apresenta pra gente.

Edu, eu vou pedir para você ler aqui um trecho do texto que dá título ao livro Pequenas Tentações, que se chama Um Elogio às Pequenas Tentações. Um Elogio às Pequenas Tentações. A influência de edifício não se resume ao terreno em que está inserido. O desenho da sua relação com o espaço público...

é fundamental para que uma cidade seja mais agradável, civilizada. O condomínio-clube que fecha um quarteirão com muros, volta às costas dos prédios para a rua e tem apenas uma portaria para pedestres enclausurada e blindada está, para evitar eufemismos, destruindo a vida urbana que poderia haver em seu entorno. Ninguém se sente estimulado a andar sábado à tarde com o cachorro por uma calçada que é inteira acompanhada por muros. É um passeio monótono, chato e, portanto, vai ser vazio e perigoso.

A calçada talvez seja o espaço público mais importante da cidade. As melhores experiências nas cidades mais interessantes do mundo geralmente acontecem nas calçadas. Quando pensamos em Paris, para citar uma quase unanimidade, uma das primeiras imagens que nos vem à mente é um café à beira da calçada. Mas não é só o café que esta imagem representa.

É o quão agradável a vida urbana pode ser numa cidade em que, em vez de um muro bege, oferece a nossa imaginação a aventura ou o conforto que podemos desfrutar caso, caminhando com o nosso cachorro sábado à tarde, decidamos entrar no café, onde podemos nos proteger de uma garoa e sentar ao lado de Natalie Portner. Andar pela cidade ideal é uma sequência de pequenas tentações. E o condomínio-clube...

A ideia do quarteirão fechado por muros com lazer exclusivo é uma anticidade. Ele esvazia as calçadas e, portanto, acaba com a graça da vida urbana. Agora, Edu, além do título Pequenas Tentações, o livro tem um subtítulo que é Cidade, Arquitetura e Outros Passeios. Você já falou de cidades, você já tratou um pouco de arquitetura. Agora, o que seriam esses outros passeios?

Outros passeios não eram para estar no livro, são cinco ou seis textos que não são diretamente sobre cidades.

ou sobre música, literatura. O último texto é sobre meu avô e a relação dele com os livros, a minha relação com ele também, um pouco de um caso particular da vida dele. E o livro estava, de certa forma, pronto. Ele tinha mais textos também sobre cidades e arquitetura.

Eu tirei esse texto da gaveta, mandei para o Rinaldo Gama, que é um editor da Bay, foi quem editou o livro. Preguntei o que ele achava, ele gostou dos textos, falou que isso era importante para mim também, ele achava que podia ser legal estar no livro. E a gente incluiu, eu excluí outros textos sobre cidades e sobre arquitetura, incluí esses.

Eu falo na apresentação que não são textos diretamente sobre cidades, mas são sobre pessoas ou situações que não existiriam se as cidades não existissem. No caso, eu testo do meu avô também, de passagem, eu cito Caruaru, Rio de Janeiro.

São Paulo, Recife, cidades em que ele viveu. Mas tem texto sobre outros assuntos aí no meio também. Tem um texto sobre o silêncio também, que é quase uma fuga da cidade, mas acaba sendo sobre isso também. Enfim, eu acho que a cidade...

ela permite que a gente faça passeios inesperados. Talvez se a gente sair, eu gostava de andar na fazenda dos meus avós, por exemplo, e...

eram passeios mais introspectivos, né? A cidade estava só te provoque mais, ou aconteça mais coisa inesperada andando na cidade do que acontece no campo, enfim. Qual o texto que deu mais trabalho de você escrever nesse livro, na época, tendo em vista que você está falando aqui de uma seleção, e que você, quando estava coligindo esses originais, lembrou desse momento?

Não é fácil escrever para mim, eu gosto de escrever, é por isso que eu escrevi esses textos, eu gosto de comunicar por escrito.

Mas é muito difícil para mim escrever. Eu não consigo sentar e escrever rápido de uma vez só. Normalmente eu sinto várias vezes. Eu organizo as ideias primeiro, faço alguns esboços e eu vou voltando no texto algumas vezes. Relendo, trocando palavras. Então, até gostaria de ter esse talento de escrever mais rápido, mas cada um deles foi reescrito.

foi reescrito algumas vezes o último que eu escrevi que tá aí é do sobre meu avô não sei se ele é mais difícil

mas talvez por misturar coisas diferentes, que são algumas referências minhas, algumas referências dele, memória minha dele, anotações dele, do ex-sogro dele em livros, com uma passagem de uma crônica do Rubem Braga, com uma notícia de jornal sobre a morte da ex-mulher dele.

que eu achei nos arquivos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, eu acho que, não sei se é o que deu mais trabalho, mas é o que talvez tenha mais, e é um exercício que eu gosto de fazer, mas talvez tenha mais referências diferentes que eu precisei conectar no texto para conseguir dizer o que eu gostaria.

Pensando nas cidades hoje, e você tem participado de intervenções por ocasião do lançamento do livro, teve uma intervenção na livraria Eiffel, depois teve um artigo mais ou menos no mesmo período, publicado na revista Piauí. Que discussão que você sente falta a respeito das cidades hoje, que não tem sido feita e você acha que deveria ser feita?

A discussão que inclui pessoas com formações diferentes ou que vivam a cidade de formas diferentes. Eu acho que, lembrando do Esquina, não precisa ser exatamente assim, mas eu acho que... Eu não vou nem dizer que os assuntos não estejam aí, porque talvez eles estejam. Se abrir o Instagram ou abrir o jornal...

Talvez as pautas que estejam lá não sejam as menos importantes, mas eu gostaria de ver mais pontos de vista sobre essas discussões.

a gente tem, todo mundo, o Brasil usa muito redes sociais e o risco, e a gente está falando sozinho nessas redes, ou em grupos, ou em tribos, ou literalmente sozinho, falando para a nossa audiência, e não se comunicando, ou tentando se entender com pessoas que são diferentes, para de fato a gente construir um espaço, uma cidade, que é comum a todos nós.

Acho que a conversa sobre vários assuntos ficou refém de um histerismo, ou de uma politização, ou de uma ideologização, digamos assim. E o que acontece com isso é que ela acaba ficando em guetos que se retroalimentam e, de fato, a cidade que está ali com o risco de ficar abandonada, porque a gente não consegue juntos dar a mão e cuidar dela.

E pela recepção do seu livro até aqui, no lançamento tinha bastante gente, e as pessoas têm discutido, saiu resenhando o valor econômico, teve comentário no estado de São Paulo, você sente pela recepção de que essa abordagem faz falta, esse tipo de olhar para a cidade interessa as pessoas?

Não sei se sou a melhor pessoa para responder essa pergunta, porque o que está aí é o que eu pude escrever, de novo, é o meu ponto de vista sobre algumas coisas, ou as minhas impressões. Eu estou surpreso, eu acho que está tendo uma repercussão muito boa o livro, eu acho que talvez...

pela forma como alguns assuntos são tratados, eu tenho recebido alguns comentários assim, nossa, é gostoso de ler, nossa, é fácil, ou até de algumas pessoas que eu não esperava, para quem eu achei que fosse óbvio algumas questões que estão aí.

Nossa, eu não tinha percebido que o calçado era tão importante, sabe? E assim, para mim isso tem sido uma surpresa, uma surpresa agradável e acho que talvez isso reforça a importância da gente falar mais sobre esses assuntos. Eu acho que...

Eu não acho que falar resolve, mas eu acho que falar ajuda a gente a prestar atenção nas coisas, e prestar atenção ajuda a pensar, e pensar ajuda a agir corretamente. Ao longo das esquinas que a gente fez, ou mesmo em outras situações, a gente ouve muito...

Como se o debate sobre um assunto não importasse, e eu acho isso muito perigoso, como se as ideias não importassem, como se a discussão fosse inútil. Não, a gente tem que fazer, tem que fazer, mas é fazer a partir de alguma coisa que você elaborou, pensou, ou se você não pensou, pode ser pior ainda. Então, acho que é importante lembrar que ideias importam, que discutem os assuntos.

é importante para a gente, como sociedade, acho que ajuda a amadurecer, e tem que agir também, tem que transformar, tem que deixar as leis mais, enfim, aperfeiçoar, deixar claro certas responsabilidades, punir, fiscalizar, enfim, pessoas que estejam agindo de forma errada na cidade também, mas eu acho que ideias importam, eu acho que precisa debater os assuntos, e acho que o livro, para mim, pelo menos, tem sido...

Talvez um gesto, um convite para conversar sobre cidades, é um assunto que eu gosto, enfim. Então, para mim tem sido bom, mas eu não consigo julgar pelas pessoas também. Se você fosse escrever um livro para...

O seu filho mais velho sobre as cidades. Melhor dizendo, se você fosse escrever um livro, não. Se você fosse escrever um texto para o seu filho mais velho envolvendo a cidade, e a cidade que você imagina que ele deveria viver, quais são as características dessa cidade? Pensa numa carta ao meu filho João daqui a 20 anos.

Eu gostaria que ele vivesse numa cidade que ele pudesse andar muito mais a pé em primeiro lugar, porque acho que é a melhor forma de se descobrir as coisas. Eu acho que uma cidade que...

com pessoas diferentes também né eu acho que assim o Brasil São Paulo permite isso já pessoas de alguma forma tão aqui né acho que a gente tem muito rico nesse sentido mas é difícil essa essa essa pergunta porque

Eu tenho dificuldade de pensar numa cidade ideal, sinceramente. Talvez essa seja a minha resposta. Eu acho que as cidades podem ser bonitas, cada uma à sua maneira. Eu acho que eu mesmo não...

tenho dificuldade de falar, eu prefiro mais essa cidade do que outra, eu acho que é arriscado, a gente também, acho que a gente não julgar, julgar uma cidade inteira pela experiência que a gente tem com ela, eu acho que é mais fácil a gente julgar espaços menores, a nossa experiência dentro dela, se ela está boa ou ruim, ou se ela poderia estar melhor, eu, eu...

Eu não gosto de dizer, por exemplo, se eu gosto de um... Eu vejo, às vezes, pessoas condenando, elogiando muito determinado lugar, se tal cidade é maravilhosa, ou não gosto de tal cidade. A experiência que a gente tem, eu moro em São Paulo desde que eu nasci, é uma experiência muito limitada, mesmo para julgar São Paulo. Estou dizendo que ela não poderia ser a melhor, ou que São Paulo é perfeita, mas...

Mas o que eu posso dizer é, a partir da minha experiência, o que eu gostaria que nela, na minha experiência com a cidade, pudesse melhorar. Mas, assim, se a cidade fosse perfeita, a nossa vida também talvez fosse ser e não deveria ser perfeita.

Eduardo Carvalho, foi um prazer tê-lo aqui conosco mais uma vez no podcast Rio Bravo. Muito obrigado pela entrevista, muito obrigado pelo livro Pequenas Tentações que você trouxe aqui pra gente. E mais uma vez foi um prazer falar contigo. Obrigado a você, Fábio, pelo convite. Obrigado pela Rio Bravo também por estar aqui de novo. Foi meu prazer conversar com você. Chegamos ao final de mais esta edição do podcast Rio Bravo. Fique conosco e até a próxima.