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Atriz fala sobre espetáculo que discute a ditadura da beleza para mulheres

03 de maio de 202612min
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No Revista CBN, Marcella Lourenzetto conversa com a atriz Carolina Manica, que faz seis apresentações gratuitas no Theatro Municipal do seu espetáculo 'Na Sala dos Espelhos'.

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Participantes neste episódio2
M

Marcela

HostNarradora
C

Carolina Manica

ConvidadoAtriz
Assuntos4
  • Espetáculo 'Na Sala dos Espelhos'Inspiração no quadrinho de Liv Stromquist · Adaptação e direção de Michele Ferreira e Mayra de Grande · Indicação ao Prêmio APCA · Monólogo no Teatro Municipal de São Paulo · Abordagem feminista e reflexiva
  • Redes sociais e cultura da imagemImpacto das redes sociais na autoestima feminina · Comparação com o outro e sentimentos de ansiedade · Influência da inteligência artificial nos padrões de beleza · Padrões de beleza mutantes ao longo da história · Controle social e patriarcal sobre o corpo feminino
  • Impacto do feminismo e papéis de gêneroFeminismo como ferramenta de autonomia e poder · Mulheres como provedoras e mães solo · Desmistificação do termo 'feminista' · Arte como reflexão e ponto de convergência de ideias
  • Aviação CivilCompanhia Aérea Oficial do Todo Mundo no Rio 2026 · Viagens completas e ritmo da música
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E agora a gente vai falar sobre ditadura da beleza. Parece tema batido, né? Quando a gente fala sobre a imposição que se dá ao corpo da mulher. Agora, queria trazer uma reflexão. Por que as fotos que a gente vê rolar no feed, no Instagram, no TikTok, nas redes sociais, elas muitas vezes podem nos levar a sentimentos de ansiedade, de frustração, de raiva, de tristeza?

Até de inveja. Por que será?

Quando é que foi que a gente criou essa relação com o nosso próprio corpo, com a gente mesmo? Essa comparação com o outro? As redes sociais impulsionam esse sentimento que muitas vezes coloca a gente para baixo? Esse é um dos temas abordados em um espetáculo que está em cartaz em São Paulo, no Teatro Municipal, de graça, mas que também fala muito sobre a gente, sobre a ditadura que é imposta ao nosso corpo, a quem nós somos.

Estou falando do espetáculo na Sala dos Espelhos, que tem como atriz a Carolina Mânica, que está conosco na linha hoje, para falar um pouco sobre isso. Tudo bem, Carolina? Obrigada pela sua participação hoje aqui no Revista CBN para falar desse tema e desse espetáculo que está ganhando os corações aqui dos paulistanos. Obrigada a você. Muito prazer. Estou muito feliz de poder estar aqui conversando com vocês.

Queria agradecer a todos os ouvintes que estão nos ouvindo, dar um oi para todo mundo. Obrigada. Eu que agradeço a sua participação aqui com a gente, falando sobre esse espetáculo que, inclusive, foi indicado ao Prêmio APCA por todo esse trabalho. Estreou em 2025, já teve uma temporada, foi um sucesso e voltou agora.

para São Paulo, justamente porque é um espetáculo que, de uma maneira irreverente, faz a gente ter essas reflexões, faz a gente olhar para o espelho de um modo diferente. Acho que essa é a premissa do espetáculo. Queria que você contasse um pouco para a gente mais sobre o que você traz no palco, nesse solo, e o que a gente pode esperar quando vai ao teatro. Eu estou em cartaz. Na verdade, a gente estreou ano passado no Sesc Piranga.

Aí esse ano a gente fez mais uma temporada no Sesc Santana, uma curta temporada. E aí a gente chegou no Teatro Municipal, na cúpula do Teatro Municipal, né? Que é um lugar, assim, que, imagina, é um lugar de honra, né? Você poder fazer um monólogo no Teatro Municipal é um sonho, assim, né? Então sempre foi algo que eu almejei muito, assim, com esse projeto. Eu achava que ele precisava encontrar esse lugar, assim, né?

É um projeto que eu idealizo, que eu atuo, eu estou trabalhando nele há três anos já, então é um projeto de longa data, não comecei ontem, eu estou há um tempão já nessa pesquisa, entre comprar os direitos, porque ele é inspirado num quadrinho da Liv Stromquist, que é uma autora sueca. Então eu comprei os direitos desse quadrinho.

E aí fizemos uma adaptação, quem fez a adaptação foi a Michele Ferreira e a Mayra de Grande, que são diretoras também do espetáculo, e aí a gente entrou em cartaz. É uma peça que fala sobre como as redes sociais influenciam na nossa autoestima e como isso serve como uma forma de controle aos padrões de beleza femininos, e principalmente diretamente ligado aos corpos das mulheres adultas e jovens e adolescentes.

que eu acho que a gente tem aí uma epidemia, quando a gente fala em padrões de beleza, em imposições, em padrões inalcançáveis. Então, a gente tem uma geração toda de jovens acreditando que os padrões têm que seguir aquilo que aqueles filtros nos dizem, quando na verdade a gente não tem mais parâmetro do que é real.

e do que não é real. E com o advento da inteligência artificial, piora mais ainda. Total, a percepção dos corpos. É, exato. Às vezes você está seguindo uma pessoa que você acha que é uma pessoa, e na verdade é uma inteligência artificial. E você segue essa pessoa como um parâmetro de beleza, como uma referência, e aí essa pessoa nem real é.

Então o quanto que é nocivo esse sistema todo para os corpos femininos, também para os corpos masculinos, a gente não pode esquecer disso, porque os homens também estão numa onda de harmonização e de querer chegar a um ideal perfeito, que na verdade é inalcançável.

E aí a gente também pode entrar para uma cenária toda filosófica, que a gente encontra muito, filósofos como Bill Shunhan, que falam sobre como a gente chegou nessa estética do liso, essa estética do perfeito, o quanto que durante a nossa história isso, na verdade, mudou, porque os padrões vão se moldando em épocas.

Então tivemos épocas que o padrão era ser mais encorpada, aí o outro padrão era ser super magra, aí a gente passa por um padrão que é super saudável, que todo mundo tem que ser super forte, aí volta agora para um padrão que todo mundo é... a galera monjauro, né? Tipo, o Zenpick, sei lá.

Eu nem sei direito... Então, é muito sério isso, né? É uma obsessão por uma beleza que vai se tornando cada vez inalcançável, porque ela é mutante, né? É um padrão de beleza estabelecido. A gente tem a época das super magras, depois as curvilíneas, depois volta para aquela super magreza de novo. E aí...

As pessoas que acabam entrando nesse loop infinito não conseguem nunca estar satisfeitas com os próprios corpos. Acho que isso é ilegal. E um ponto interessante da peça, como você fala nessa questão das idades, é que isso justamente, essa distorção, não tem idade. Ela vai se perpetuando de mãe para filha, de avó para neta. Isso vai virando um ciclo vicioso dentro das relações entre até as mulheres da própria família.

Na verdade, isso serve um pouco como uma forma de controle ao feminino. Porque enquanto você está cobrando de uma mulher que ela atinja um padrão inalcançável, enquanto você está colocando na cabeça dela que ela tem que ser e se adaptar àquilo ali, ela está deixando de trabalhar sua autonomia, sua independência, se valorizar, enxergar o seu próprio...

seu próprio poder mesmo, né? Porque, na verdade, a mulher, né? A gente está vendo... Foi muito interessante que eu peguei você falando da Shakira, né? E a Shakira fez um discurso falando assim, ah, nós mulheres somos tudo, né? Somos a alegria da casa, nós somos as gatas, nós somos as que resolvem, nós somos as que temos que acolher, nós somos que, enfim, trabalhamos, né?

E turnos duplos, na verdade, né? Porque, na verdade, a gente trabalha fora e trabalha dentro de casa. Sim. E a maior parte dos casos, são raros os homens dentro de uma família hétero, né? Normativa. Que participam, hétero normativa, que participam desse ambiente familiar, né? Sim. A gente tem...

Existem diversos formatos de família, não estou excluindo nenhum, só estou trazendo para uma discussão entre o masculino e o feminino, entre a questão do masculino e feminino. E aí ela ainda fala assim, e aí a gente tem as mães que sustentam os próprios filhos e que são mães solo também. Então, o tanto que a mulher precisa corresponder a...

um olhar de um outro, a uma imposição de um outro, para poder se validar. E o quanto isso mexe com a nossa autoestima e o quanto isso nos exaure. Porque enquanto a gente está exausta, a gente está deixando de ocupar lugares de poder, a gente está sendo controlada, porque é uma forma de controle, a gente está sendo controlada. Então, o quanto isso serve dentro de um sistema patriarcal?

para mim, assim, isso é uma questão bem importante, sem dúvida, e é importante trazer esse tipo de discussão, levar esse tipo de discussão aqui nas conversas que a gente traz na imprensa, mas também na arte, no teatro, e é muito do que...

Sala dos Espelhos faz, trazendo justamente essa história de uma mãe que vê a filha vivendo ali naquela crise com a própria aparência e propõe uma reflexão partindo do autodesafio de se entender também como feminista.

Para poder criar essa... Porque quando a gente fala a palavra feminista, a gente acaba afugentando uma parcela de mulheres que acham que o feminismo não está presente, que o feminismo é uma pauta de um determinado grupo. Quando, na verdade, nós...

Mulheres todas somos feministas. Podemos ser femininas, podemos ser de direita, de esquerda, de centro, de qualquer lugar. Mas o feminismo é muito abrangente. Ele é maior do que qualquer ideologia. Então, é importante a gente entender isso e falar sobre esse assunto. Então, é um pouco do que traz Sala dos Espelhos, o espetáculo que está em cartaz até o dia 10 de maio, a apresentação.

aqui em São Paulo. Quem tiver a oportunidade de viajar a São Paulo, venha acompanhar no Teatro Municipal. Os ingressos são gratuitos. Você pode pegar as informações digitando aí no seu buscador o Teatro Municipal na Sala dos Espelhos com Carolina Mânica. E já aproveito para perguntar, tem prospecção de ir para outras cidades do Brasil ou ainda não temos essa perspectiva?

Não, a gente tem uma... A gente está fazendo algumas apresentações pelo SESC, né? Então eu tenho aí algumas propostas de algumas cidades, eu tenho uma apresentação já fechada no SESC Jundiaí e tenho algumas outras que eu estou fechando que eu não posso...

Ainda falar. É. Mas aí, você que está na sua cidade, tem Sesc, está querendo acompanhar o espetáculo, pressiona, pede, que quem sabe Sala dos Espelhos vai até a sua cidade também. Carolina Mânica, obrigada pela sua participação, parabéns pelo espetáculo e sucesso. Obrigada a você, obrigada a você por todo esse apoio, é fundamental para a gente que trabalha com arte no Brasil.

que a gente tenha espaço, possa criar esses canais de comunicação e de convergência de ideias e entender que a arte está aí para todo mundo, que ela não é uma ideologia fechada em um grupo. Eu acho que a arte serve como ponto de reflexão para toda e qualquer pessoa. Assim como você falou do feminismo, eu queria estender isso para o campo artístico. Sim. Então, acho que muito obrigada. Obrigada a todo mundo que está nos ouvindo.

E espero que vocês possam vir ao teatro. E é uma comédia. Então, assim... Por mais que o assunto seja denso, é uma comédia, né? A gente fala de assuntos sérios também, de uma forma mais leve, né? É, exatamente. Obrigada, viu? Um bom domingo pra você. Pra nós, obrigada.

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